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TRÊS HISTÓRIAS SOBRE RACISMO

(…) espalmou a mão negra e – “com gosto de gás” – deu um tapa na cara da mulher, em sincronia com um desabafo: “descarada é você, cachorra vagabunda.

Marival Guedes

O cantor/compositor Chico Buarque contou em entrevista que seu genro Carlinhos Brown, a filha Helena Buarque e os netos deixaram um condomínio de classe média na Gávea (RJ) por causa da discriminação racial. Indignado, relata que ficou impossível continuarem lá porque eram claramente indesejados, agredidos.

Ele diz ainda que quando vai à praia costuma ouvir gracinhas agressivas do tipo: Chico, cadê o genro? Mas o cantor dá risada quando diz que “estes caras musculosos da praia pensam que são brancos. E não são. Eu também não sou branco, o país é miscigenado, o que é muito bom. O problema é a falta de informação destas pessoas, é in-cultura mesmo.”

O NEGRO E O MÉDICO

O dirigente do Grama, entidade ambientalista de Itabuna, Valmir do Carmo, depois de participar de um congresso em Londrina (PR), foi à noite a um bar. Lá ouviu a pérola: “negrinho, se não fosse você e sua raça, minha família não seria rica”. O agressor, médico famoso na cidade, se referia ao período escravagista.

Valmir chamou a PM, mas o homem já havia saído de táxi . O comandante ordenou que o gerente do bar ligasse para a central e conseguiu localizá-lo e dar voz de prisão.

O irmão do acusado, outro médico, protestou: “era só o que faltava, meu irmão ser preso por causa de um preto”, disse, sem sequer atentar para o fato do comandante ser negro. Imediatamente recebeu voz de prisão e os dois foram para a cadeia. Dia seguinte ,Valmir foi procurado por um batalhão de jornalistas.

A NEGRINHA E A MADAME

Uma estudante da UESC, atravessava a avenida Amélia Amado, em Itabuna, quando uma  motorista, ao invés de reduzir, aumentou a velocidade  do veículo . Não satisfeita gritou: “sai da frente, negra descarada”.

A estudante, famosa militante de esquerda, valente, barraqueira e dona de gargalhada inconfundível, saiu em disparada tal qual uma louca para alcançar a agressora. E conseguiu. O carro era o primeiro da fila. Ela se aproximou ofegante da motorista, levantou o grosso braço, espalmou a mão negra e – “com gosto de gás” – deu um tapa na cara da mulher, em sincronia com um desabafo: “descarada é você, cachorra vagabunda”.

O estalo chamou a atenção dos transeuntes. Apavorada, a madame  arrastou o veículo antes mesmo do sinal abrir, fazendo “cantar”  os pneus.

Há vários dias não vejo a estudante. Por falta de autorização, e para segurança dela, omiti o nome .

O Brasil avançou muito nas últimas décadas com relação ao combate à discriminação. Mas ainda falta uma parcela entender que não existe superioridade racial. E não somos brancos.

Marival Guedes é jornalista e escreve no PIMENTA sempre às sextas-feiras.

17 respostas para “TRÊS HISTÓRIAS SOBRE RACISMO”

  • Roberto disse:

    ABSURDO, INFELIZMENTE ainda temos pessoas que se acham melhor por ter a pele clara, não sabendo que os nossos negros tem o coração branco, que gostei do tapa na car gostei devia ter dao dois.

  • Antonio Carlos disse:

    Uma das “contribuições” da última campanha política (com uma ajudinha das igrejas)foi deixar evidente que o brasileiro é hipócrita, fingindo não ser preconceituoso ou discriminatório. De fato, ele tem vergonha de admitir as próprias origens. Típico comportamento para exibir a sua suposta superioridade diante do que considera minorias, grupos inferiores. Não há ser humano inferior; há comportamentos inferiores. Todos têm o dever de defender-se de seus agressores, caso contrário iremos continuar lendo e ouvindo as crônicas da violência racial, religiosa e sexual.

  • Ricardo Seixas disse:

    Só gente estúpida pode achar que a cor da pel de algúem é sinal de distinção. Pura ilusão, ignorância, esta, sim, sinal de inferioridade.

  • Mateus Santiago disse:

    Sou advogado, sou negro e é muito comum, até mesmo por parte de outros negros, num encontro casual na rua ser intitulado de “pastor”. As pessoas ainda resistem a acreditar que um negro pode galgar, como qualquer cidadão, uma profissão de destaque. Nós negros precisamos acreditar em nós mesmos e em nossa capacidade e continuar a luta pelo fim das desigualdades.

  • aluaieu disse:

    PRE CONCEITO, quem nunca foi vitima, de alguem mal amado. mal acabado, querendo destruir alguem, usando o PRE conceito como uma arma para denegrir a imagem do outro, negro, branco, baixo, gordo, deficiente, para uma pessoa infeliz qualquer fato que desvie um conceito social e usado como instrumento de destruiçao.

  • justiça disse:

    é Marival e Valmir do Carmo(DUAS PÉROLAS)!ainda nesse mundão de Deus,com tanta guerra,fome,ainda existe discriminação com a cor bela(preta),bestas feras,será que esses rétrogados seres humanos ainda não aprenderam que desse mundo não se leva nada,a não ser alma,que não tem cor?

  • Joshua disse:

    Pior que ser preconceituoso, racista,viver sob os grilhões de uma sociedade já extinta(escravagista) pela intolerância dos coronéis, que sentiam-se dono do mundo, acima até de Deus é encarar a cor de uma pele como uma doença, uma verdadeira anomalia. Não é.
    Caráter, personalidade, cidadãos, não se faz pela cor de pele. Não existe ninguém puramente negro, nem puramente branco, existe o mestiço, a mistura, a essência de tudo que faz do Brasil um País superior, de várias faces, cores, raças, de muitas etnias.

    “Aceitar a intolerância racial é retroceder ao mundo já extinto.”

  • Anabel disse:

    Roberto, essa sua expressão “coração branco” mesmo sem querer ficou um pouco racista. Por que a pele preta tem que ter um coração branco? Porque branco é sinal de bondade, de pureza e o negro é sinônimo do que é ruim do que é mal ? As vezes nem percebemos o quanto já foi embutido em nossas cabeças o preconceito racial.
    O coração é vermelho, seja o individuo branco, negro, amarelo….
    Lamentavelmente tem gente que se julga superior por conta da posição social, cor de pele, nome de familia…
    Esquecem que morrem e vão tudo pro mesmo buraco. rs

  • junior disse:

    É de uma tristeza sem soma saber que os seres humanos ainda se vêem como superiores a outros em quaisquer quesito possível, quando a verdadeira superioridade, a moral, é branda e nem admite ser superior a nada ou a ninguém, pois tem consciência que nunca poderá se equiparar Àquele que é superior por excelência, que com com sua humildade nos legou o ensino de que “o que se exalta, será rebaixado”! Vis criaturas, nós que ainda acreditamos merecer alguma deferência ou reparação dos nosso egos! Se ao menos levássemos em conta o “conhece-te a ti mesmo”, propagado por Sócrates há milênios, saberíamos que somos apenas e tão somente uma partícula no imenso plano das coisas, e deixaríamos de nos importar com mesquinharias!

  • Coisas que eu sei... disse:

    Há tanta gente ignorante e arrogante no Brasil e no mundo!
    … E todos os dias pessoas morrem e são devoradas pelos bichos e a humanidade (a maioria) ainda acha que há diferença entre as pessoas por causa da pele, da quantidade de R$ que tem ou porque leu meia dúzia de livros e o outro só leu um ou nenhum!
    E a classe média brasileira é terrível, nesse aspecto!! Ô raça!

  • Clébia disse:

    Engraçado! Essas pessoinhas que se julgam brancas deviam passar (principalmente mulheres) pela inspeção do tempo da horrorosa Inquisição,que era examinar o bico do peito.Se a cor fosse rósea, bem clarinha ,era de cor branca. Fosse bem escura,podia a pele ser alva,olhos azuis ou verdes era NEGRO(A).Não tinha apelação. Aí eu queria ver brasileiro dizer que era branco(a).

  • Souza Neto disse:

    Que direi, eu, que vinguei da cópula de um já “mestiçado” descendente de portugas com uma cafuza de rosto arredondado e pele esmaecida.

    Fruto dessa mistura, nasci sem cor definida. Na minha certidão, grafaram “morena”, como referência à cor da pele. Hoje, prefiro a definição de “pardo”.

    O local de nascimento? Quase nasci numa canoa carregada com 100 sacos de cacau, singrando o Rio Pardo. Mas, deu tempo! Ufa! Vi a luz pela primeira vez, debaixo d’uma barcaça de cacau. Lembro-me que o cheiro das amêndoas secas, misturado ao do cacau quebrado que se encontrava fermentando em um cocho de madeira, forneciam o aroma peculiar e incomparável àquele ambiente acolhedor.

    O meu coração… Ah, o meu coração é vermelhinho e cheio de sangue. Do mesmo jeito e formado com os mesmos tecidos dos corações de brancos, negros, amarelos, vermelhos, mestiços.

    Às vezes, de forma não intencional, demonstramos os nossos preconceitos em dizeres, olhares e escritos.

    Ninguém tem “coração branco”. Se o meu fosse branco, ficaria muito puto da vida!

  • Veja a que ponto o ser humano ainda é capaz de chegar,mas é a realidade de pessoas que não sabem o VALOR de uma vida,mas irão com certeza quando ficarem em cima de uma cama a desfinhar e perceber que a pele e outros atrativos não passão de barro e vão dismanchando lentamente e não tem por onde correr aí sim essa criatura concerteza vai perceber que é igual a qualquer um.só se dar o valor pela dor.

  • rayssa toledo disse:

    nao denemos jugar as pessoas pelo sua cor mais sim por seu carate so poe que uma pessoa é nigra nao siguinifica que ela é pior ou melho do que a gente

  • carla disse:

    eu odeio gente racista minda nojo delas eu nao sei porque em plen no xeculo 21 ainda esiste racismo;nao acorda gente agente nao tamos mais no passado hello hoje em dia nao esiste mais rasismo

  • marcilene disse:

    ninguem,pd falar que a quele homem e preto nao cada um tem sua cor,nao importa se é vermelho,branco,moreno,preto,azul,ou gente acordo pelo mundo

  • marcilene disse:

    hj em dia existe sim racismmo,que falou que nao existe heim??

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