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:: 16/jan/2011 . 23:46

ZÉ MARIA, O DESAGREGADOR

O desmonte da comissão técnica do Colo Colo em pleno início do Campeonato Baiano não chega a ser um fato isolado na trajetória do Tigre, desde que a equipe retornou ao profissionalismo. Há muitos anos presidido por Fidel Castro (ou melhor, José Maria de Santana), o time sofre de instabilidade crônica.

Fonte bem próxima do Colo Colo conta ao PIMENTA que Zé Maria não consegue repetir uma equipe de trabalho. Uma das razões é que ele tem o hábito de apossar-se dos créditos pelos bons resultados e sempre atribuir as falhas aos outros. Ou seja, o que é bom é fruto da genialidade do presidente, enquanto o ruim é resultado da estupidez alheia.

Essa mania fez com que muita gente boa se afastasse do clube e Barbosinha é mais um a entrar nessa fila. A mesma fonte com quem conversamos diz que o presidente acabou ficando sem opções de novos nomes para trazer ao Colo Colo e agora terá que repetir os velhos. Mas aí terá que gastar muito argumento para provar que “daqui pra frente tudo vai ser diferente”.

HORA DE AJUDAR

Conforme o PIMENTA já noticiou, um grupo de ilheenses está arregimentando esforços em prol das vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. As coletas de donativos terá início nesta segunda-feira, 17, no espaço Sabor e Arte, Clube Social.

Além de água mineral, alimentos e roupas, há uma grande necessidade de voluntários para receber e organizar os produtos arrecadados. O grupo já conseguiu uma transportadora para levar os itens até a sede da Cruz Vermelha no Rio.

Os voluntários deverão se apresentar no Clube Social, às 13 horas desta segunda-feira. A entrega de donativos poderá ser feita a partir das 14 horas.

Quem quiser fazer alguma doação em dinheiro deve utilizar a conta-corrente da Cruz Vermelha: Banco do Brasil, agência 0080-9, conta número 76000-5.

AS VÁRIAS FACES DE VIEIRA

Vieira: várias faces.

Era maio de 2009 quando o médico Antônio Vieira, vice-prefeito e então comandante da Saúde em Itabuna, disse – a plenos pulmões – que o ex-prefeito Fernando Gomes e o ex-secretário Jesuíno Oliveira deixaram uma dívida de R$ 9,5 milhões na saúde quando o município perdeu a gestão plena.

A afirmação caiu como uma bomba e levou Fernando e Jesuíno a rebater Vieira. Não durou muito e o secretário disse que a imprensa teria, digamos, deturpado a sua fala. O caso revoltou repórteres.

O tempo é bom remédio para curar males do tipo. Ah, se é! O ex-secretário agora aparece nas páginas da primeira edição da revista Contudo numa entrevista na qual dá números redondinhos à dívida: R$ 10 milhões.

O que mudou de lá para cá, Vieira?

PROVA DE RESISTÊNCIA

Além de colocar à prova a capacidade intelectual, os candidatos às vagas oferecidas pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) também estão sendo obrigados a testar a resistência física. No Colégio Estadual Maria de Lourdes Veloso, os ventiladores de várias salas estão sem funcionar e os estudantes têm que suportar o fortíssimo calor.

Outra dificuldade é encontrar um telefone público que funcione nas imediações da escola. Como é proibido entrar nos locais de prova com celular (mesmo desligado), o orelhão se torna extremamente necessário, principalmente para os candidatos que vêm de outras cidades.

Melhor é aprender a se comunicar por meio de sinais de fumaça…

COLO COLO VENCE… E TÉCNICO PEDE DEMISSÃO!

Duas coisas surpreendentes aconteceram na tarde deste domingo, na primeira rodada do Campeonato Baiano de Futebol. A primeira foi o triunfo do Colo Colo de Ilhéus diante do Vitória, em pleno estádio Manoel Barradas Carneiro, o Barradão.

Sempre muito forte em sua toca, o Leão miou diante do Tigre ilheense. Aos 24 minutos do segundo tempo, Alex balançou a rede do anfitrião, com um golaço que calou a torcida rubro-negra.

Mas essa não foi a única surpresa da rodada. Logo após a partida, o técnico do Colo Colo, Quintino Barbosa – o Barbosinha – anunciou que está deixando o clube. “Pra mim, já deu…”, resumiu o treinador, que vinha enfrentando desentendimentos com o presidente José Maria de Santana.

Barbosinha disse mais: “Estou saindo. Neste clube não estou feliz”, desabafou o técnico. Ele reclamou que, por mais que se esforçasse, não conseguia agradar à diretoria do Tigre.

É até normal um treinador abandonar um time após uma sucessão de infortúnios. O inusitado é a decisão tomada no início da campanha, ainda mais quando a equipe estreia vencendo um favorito… E na casa do adversário!

Além de Barbosinha, o preparador físico do clube também deve pedir o boné. Oito jogadores do elenco podem seguir o mesmo rumo.

Com informações do site Jornal Bahia Online.

SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS DA CHUVA NO RIO


Um grupo de ilheenses se dispôs a arrecadar donativos e incentivar a ajuda financeira em benefício das vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. Na região serrana, foram registradas mais de 600 mortes e há milhares de desabrigados.

Roupas, alimentos não-perecíveis e água mineral estão entre as maiores necessidades, e as doações devem ser entregues no espaço Sabor & Arte, no Clube Social de Ilhéus, onde um grupo de voluntários estará mobilizado a partir das 14 horas desta segunda-feira, 17. Os itens arrecadados serão encaminhados para a sede da Cruz Vermelha no Rio.

Doações em dinheiro devem ser depositadas na conta da Cruz Vermelha no Banco do Brasil. A agência é a 0080-9 e o número da conta é 76000-5.

NUNCA ANTES…

Da coluna Painel (Folha de São Paulo):

Para a história – Um ministro resumiu o tom do primeiro encontro de Dilma Rousseff com sua equipe ministerial, anteontem, afirmando que não se lembrava de ter visto um primeiro escalão de governo tão devidamente “enquadrado”.

“CLÁSSICO DOS DESDENTADOS” NO BARRADÃO

O Colo Colo conseguiu fugir da degola do Baianão no ano passado e estreia em 2011 com um elenco modesto e a diretoria em guerra com a imprensa esportiva ilheense. Do outro lado, o Vitória vai tentar o pentacampeonato estadual para aliviar a dor do rebaixamento para a Série B do Brasileiro.

Os dois times fazem o clássico dos felinos “desdentados” no Barradão, em Salvador, daqui a pouco (16 horas). O Tigre ilheense, campeão baiano de 2006, quer aprontar pra cima do Leão.

A rodada inaugural do Baianão registrou ontem empate em 1 a 1 entre Bahia de Feira e Feirense, no estádio Joia da Princesa.

ITABUNA: REBELIÃO TEM PELO MENOS 10 FERIDOS

Familiares de internos e curiosos se concentram na entrada do presídio à espera de informação (Foto Pimenta).

A rebelião deflagrada no início da manhã deste domingo (16) no Conjunto Penal de Itabuna tem, pelo menos, 10 feridos e chovem especulações quanto ao que teria provocado o motim: falta d´água, prisão de quadrilha de assaltantes de banco no sul da Bahia na semana passada e morte de Ailton Sebastião da Silva, ex-interno do presídio, ocorrida hoje.

A primeira informação obtida com fontes da polícia apontava para uma guerra entre internos dos raios A e B, além da ala feminina do Conjunto Penal. Dezenas de familiares de internos concentravam-se na guarita do presídio à espera de informações.

Os feridos eram encaminhados para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem). Policiais militares do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), da Cipe-Cacaueira e do 15º BPM estão no presídio para conter a rebelião.

O conjunto penal foi inaugurado em dezembro de 2006 e enfrenta superlotação. Por volta das 10h40min, um caminhão-pipa da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) abastecia a unidade, localizada às margens da BR-415, trecho Itabuna-Ibicaraí.

VESTIBULAR DA UESC TEM ABSTENÇÃO RECORDE

O vestibular 2011 da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) registrou 19,28% de abstenção no primeiro dia de provas. O percentual foi divulgado há pouco e é recorde. A vice-reitora Adélia Pinheiro avaliou como muito tranquila a largada da “maratona” vestibular.

Os candidatos responderam a questões de Língua Portuguesa, Geografia e Língua Estrangeira hoje. O gabarito do primeiro dia será divulgado nesta segunda (17), quando serão aplicadas as provas objetivas (História e Biologia) e de Redação.

No colégio Josué Brandão, em Itabuna, atenção máxima dos candidatos (Foto Marcos Maurício/Uesc).

DOURADO NA AMURC E ADROALDO NA UPB

Um acordo de bastidores dará a presidência da Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc) ao prefeito de Ibicuí, Cláudio Dourado (PTB). A eleição está prevista para o dia 21. O prefeito de Itororó, Adroaldo Almeida (PT), pleiteava o cargo, mas abriu mão para ser o nome da entidade na chapa de Luiz Caetano na disputa pela União dos Municípios da Bahia (UPB).

O acordo começou a ser delineado na última sexta-feira, 14. A região ainda reivindica um segundo cargo na diretoria executiva da UPB para, assim, fechar apoio a Caetano. Se pintar, esta seria preenchida pelo hoje presidente da Amurc, Moacyr Leite (PP).

DILMA EM ILHÉUS

Dilma e a baiana: o bom-humor tomou conta da Soares Lopes

Um bloco de travestidos caiu na gandaia e arrancou gargalhadas neste sábado, 15, após a lavagem da escadaria da Catedral de São Sebastião, no centro histórico de Ilhéus. No meio da farra, tinha Mulher Maravilha, Batgirl e até Branca de Neve… Mas quem fez sucesso mesmo foi um sujeito toscamente fantasiado de Dilma Rousseff, que recorreu ao auxílio de uma baiana para fazer conexão com os orixás.

A original talvez utilize o mesmo recurso para enfrentar o PMDB e outros ebós…

ESTÁ FALTANDO UM NOVO LÍDER

(…) Vamos amargando a dor de ver o nosso dinheiro construir casas nas praias de Ilhéus e sustentar 298 esposas de líder político metido a garanhão.

Manuela Berbert

Sou do tipo de pessoa que quando lê algo muito bem escrito por aí pensa “poxa, eu devia ter pensado nisso”. No fundo, todo mundo que gosta de escrever pensa assim de vez em quando. A diferença é que algumas pessoas assumem, outras não. E tem uma música em especial que eu morro de inveja, aquela chamada ZÉ DO CAROÇO. Primeiro porque eu acho que Leci Brandão foi super feliz nas suas colocações, ao escrevê-la. Segundo porque eu gostaria de cantarolar em voz alta a frase ‘está nascendo um novo líder’, mas me falta empolgação…

Estamos a menos de dois anos das eleições para prefeito de Itabuna e em minha opinião a população está clamando por um novo líder político. Surgem nomes e isso eu não posso negar, mas falta verdade e, principalmente, idoneidade.

Quisera eu escrever aqui hoje as frases da música que Ana Carolina e Seu Jorge cantam juntos pelo Brasil afora, que dizem mais ou menos assim: ‘e na hora que a televisão brasileira destrói toda a gente com sua novela é que o Zé bota a boca no mundo, ele faz um discurso profundo, ele quer ver o bem da favela…’

Aqui, infelizmente, está é faltando um novo líder. E na falta dele, nos restaria confiar no legislativo, que é eleito para fiscalizar, moralizar e nos representar. Mas o povo brasileiro ainda não aprendeu a votar. Vota mal. Vota em retribuição a um favor, vota por vinte reais, por amizade, por interesse, e depois se arrepende.

Lembro que, na campanha política de 2010, um dos melhores vídeos que circulou por aí foi o do deputado federal José Carlos Aleluia. Nele, o “ômi” bradava no Congresso Nacional que os seus colegas estavam votando contra o povo brasileiro. Essa é a sensação que eu tenho: a de que os nossos vereadores e deputados, após serem eleitos, ficam contra a gente, aprovando o que não devem e esquecendo das suas verdadeiras obrigações…

Enquanto isso vamos amargando a dor de ver o dinheiro público circular nas malas particulares e nas meias e cuecas dos nossos supostos representantes. Ou, nas mais próximas e ridículas hipóteses, vamos amargando a dor de ver o nosso dinheiro construir casas nas praias de Ilhéus e sustentar 298 esposas de líder político metido a garanhão. Tem que rever isso aí, hein, Itabuna?!?

Manuela Berbert é jornalista, estudante de Direito e colunista da Revista Contudo.

REBELIÃO NO PRESÍDIO DE ITABUNA

EM PRIMEIRA MÃO

Dezenas de viaturas e de policiais civis e militares do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), Cipe-Cacaueira e do 15º do Batalhão da PM estão no Conjunto Penal de Itabuna para tentar conter rebelião iniciada neste domingo (16).

O motim começou com o que seria uma guerra entre os internos dos raios A e B, de acordo com as primeiras informações. Uma parede que separa as duas alas do presídio teria sido destruída pelos internos.

A rebelião ocorre no mesmo dia em que Itabuna registra duas mortes violentas e atinge a triste marca de 19 homicídios em 2011 – que mal começou. Mais informações em instantes.

VESTIBULAR DA UESC COMEÇA NESTE DOMINGO

– Uesc é a 184ª colocada em ranking do MEC

– Medicina e Engenharia Civil são os mais concorridos

A maratona de três dias de vestibular da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) começa neste domingo (16), às 8h, com a maior oferta de cursos e vagas da história da instituição e quatro novidades na área de engenharia.

São 1.600 vagas disputadas, 14.598 inscritos e 33 opções de curso. A maratona começam com as provas de Língua Portuguesa e Literatura, Língua Estrangeira e Geografia.

As novidades deste exame são os cursos de Engenharia Química, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica. Os cursos mais concorridos são Medicina (73,1 candidatos por vaga) e Engenharia Civil (28,43/vaga), apesar de estreante.

Os portões dos locais de provas estarão abertos para os candidatos a partir das 7h15min e serão fechados às 8h, conforme a coordenação. O vestibulando deve apresentar a carteira de identidade e o cartão informativo para fazer as provas.

Além do campus da Uesc, as provas serão aplicadas em 18 estabelecimentos de ensino em Ilhéus e Itabuna. Para saber onde vai prestar o exame, o candidato deve recorrer ao cartão informativo, também disponível no site da Consultec (confira aqui).

As provas terão sequência na segunda (17) com as questões objetivas de Biologia e de História. E nesse mesmo dia, também haverá a prova de Redação. O último dia do vestibular (terça, 18) é reservado às provas de Matemática, Física e Química.

Das 1.600 vagas oferecidas em 2011, metade é destinada à política de cotas. A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) ocupa a 184ª posição no Índice Geral de Cursos (IGC), elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Os dados levam em conta o desempenho de cada instituição no Enade, além da sua infraestrutura e título dos professores.

Confira a concorrência por curso/turno no vestibular 2011

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UNIVERSO PARALELO

PODEMOS IR À EUROPA, MAS NUNCA À ROMA

Ousarme Citoaian
De boas intenções o inferno está repleto, ensina o povo. O cartaz, que pretende ser gentil com os visitantes, teve seu objetivo prejudicado por um acento grave arbitrariamente posto sobre o “a” da expressão “a Itabuna”. O erro é clássico: alguns nomes de lugares são usados sem artigo e, consequentemente, não favorecem o nascimento da crase (fusão de dois “as”). Exemplos, para alguém que desconheça o tema: seja bem-vindo à Bahia, à Paraíba, à França, à Grécia, à Itália, à Dinamarca (à Europa quase toda, mas não à Roma!) e seja bem-vindo a Itabuna, a Ilhéus, a Manaus, a Buerarema, a Paris, a Madri, a Una, a Canavieiras, a Lisboa, a Cintra.

“BEM-VINDO À ITABUNA DE JORGE AMADO”

Quem tem dinheiro vai a Portugal, a Maceió e a Curitiba, e também à Inglaterra, à Escócia e até à Finlândia (que, todos sabem, é o fim da terra). E quem tem boca vai a Roma, diz o brocardo (ou à Roma dos Césares, diz a gramática). As regras para saber a escolha entre a e à são encontradas facilmente – e não é nosso propósito vestir toga de magister coimbrão. Motiva-nos a exceção que permite escrever à Itabuna, à Ilhéus, à Roma e semelhantes: é quando ao nome do lugar segue-se uma qualificação. “Bem-Vindo à Itabuna centenária” salvaria o cartaz da foto. Ou esta, que gostaria de ver publicada (por ela não cobro copirraite!): “Bem-Vindo à Itabuna de Jorge Amado.

NENHUM PROBLEMA PARA UMA BOA AGÊNCIA

Anúncio mal feito depõe contra a empresa que o patrocina. O vexame poderia ser evitado, confiando-se sua confecção a uma boa agência de publicidade, que as há, com certeza absoluta, em Itabuna e Ilhéus. Parece que o autor da ideia (boa) preferiu o improviso, confiou no próprio talento, e se deu mal. Quanto ao segundo “a” marcado com acento (além de um confuso símbolo de quilômetro – KM, quando o correto é Km – o redator atirou no que viu e acertou no invisível: linguistas generosos advogam esta crase antes de numeral, em nome de uma suposta elipse: “à (distância de) 5 Km”, por exemplo. Se querem minha opinião, eu jamais usaria esse modo esdrúxulo de escrever.

A VIDA NEM SEMPRE BOA DE UM HOMEM BOM

Tenho um amigo (pobre) que diz ser fácil enriquecer. “Basta abrir mão de alguns princípios”, ensina ele a lição que nunca aprendeu. Lembro disso ao ver um morador em rua próxima à minha, que quase todas as noites passa com um fardo de papelão na cabeça. Aquela carga insólita, eu soube depois, é o fruto do seu trabalho diário: cata nas lojas e supermercados caixas desocupadas e, reunidas as peças, as leva a alguém que as compra no peso, pagando-lhe pelo lote do dia algo entre dez e doze reais. É um homem negro, idade indefinida, mas aparentando não ser jovem – talvez a má vida o tenha envelhecido antes da hora.

CARINHO PARA COMPENSAR FRUSTRAÇÕES

Teria uma mulher à porta do barraco nesses fins de jornada, a inquiri-lo sobre a produção do dia? Será que ela sabe quão raro é esse homem simples que cata papelão? Tomara que sim, e que ela possa premiá-lo com seu carinho exclusivo, em recompensa pelo trabalho nem sempre rendoso. Talvez, após o jantar frugal, ele veja a novela das nove, fugindo à sua realidade de homem pobre. Ou não. Saberia quanto ganha um deputado, um senador, um ministro do Supremo, e pensaria, com a ideologia calhorda que lhe foi inculcada, que é “natural” a divisão entre pobres e ricos? Nada sei desse homem, a não ser que ele é um trabalhador discreto e honesto.

DONO DO MEU RESPEITO E SOLIDARIEDADE

Imagino que esse meu irmão, quem sabe dono de um barraco, poderia ser algum tipo de bandido – e morar num palácio. Mas ele escolheu outro caminho, não se sabe o motivo. Na volta ao lar, no fim do expediente, passa por mim e, com a serenidade dos justos, me dá boa-noite. Isto não nos faz amigos, talvez nem conhecidos, pois parte do seu rosto é sombreado pela carga que carrega. Mas, embora não saiba, ele leva para casa meu respeito e minha solidariedade. Bem gostaria de lhe dizer quanto o admiro, mas me falta ousadia. Na penumbra, às suas costas, mesmo sem crer, lhe dedico uma frase em voz baixa: “Que Deus o proteja”.

IDEIA CERTA, MAS FORMULADA COM ERRO

Leio na primeira página de conhecido jornal diário de Itabuna que “… de todas as festas cristãs, o Natal é uma das que mais contagia”. O redator acertou na ideia, mas errou na forma: a expressão um dos que (também um daqueles que, dentre os que etc.) pede verbo no plural. “… o Natal é uma das que mais contagiam”). De outros jornais, em épocas diversas: “O Sul é uma das regiões que menos sofreram com as enchentes”, “Wagner foi um dos políticos que mais falaram na tevê”, “O Brasil é um dos países que mais protegem refugiados”, “Alcione é uma das artistas que mais cantaram na festa”, “Aquele candidato é um dos que mais prometeram na campanha”.

NO BOM TEXTO, O CAMINHO DA SALVAÇÃO

Para não cair nessa armadilha na hora de escrever, basta inverter a frase, quando aflora a necessidade da forma plural: “Dos que mais falaram, Wagner foi um”, “Dos países que mais protegem, o Brasil é um”, “Das artistas que mais cantaram da festa, Alcione é uma”, e por aí segue o andor, com zelo, pois o santo é frágil. Não devemos nos cansar de chamar a atenção para o cuidado exigido no manuseio da linguagem a ser praticada pela mídia. Parece óbvio que a leitura dos bons textos ajuda muito. Logo, quem não quiser a literatura “comum”, sirva-se da bíblia (sempre um bom texto), que nos oferece um conselho sábio: “orai e vigiai”.

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DISCO DE BOSSA-NOVA EM RITMO DE GUERRA

Era 1963, na Rua 48, Nova Iorque. Numa reunião de trabalho entre João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim, João, que estava com o mau humor em dia, fala, em português: “Tom, diga a esse gringo que ele é muito burro”. Tom, em inglês: “Stan, João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você”. Stan Getz, sentindo cheiro de sujeira: “Pelo tom de voz, não parece que é isto que ele está dizendo”. Apesar do clima belicoso nas gravações (veja a cara de João, na foto), o resultado é um dos melhores discos do século XX: o LP Getz/Gilberto ganhou dois Grammy, deixando para trás ninguém menos do que os Beatles (A hard day´s night).

MONICA GETZ: MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL

Além dos três artistas famosos, estavam presentes àquele momento histórico a bela (em dois sentidos) cantora Astrud Gilberto (na foto, com Tom), mulher de João, responsável pelo êxito de Garota de Ipanema, que “vendeu” o álbum, e Monica (mulher de Stan) e que cumpriu uma missão considerada impossível: tirar João do quarto de hotel onde ele se encerrara e convencê-lo a, diariamente, trocar o pijama pelo terno e ir com ela ao local onde se realizavam os ensaios para a gravação. Lá estava também (eram dez pessoas, no total) o baterista Milton Banana, na flor dos seus 28 anos, o revolucionário da bateria da Bossa-Nova.

GRAVADO NO ESTILO “UM, DOIS, TRÊS, VAI!”

É inacreditável que esse álbum, já com 47 anos de idade, tenha sido gravado em apenas dois dias. Hoje, grava-se primeiro a “cozinha” (piano, baixo e bateria), para depois o cantor “botar a voz”; em Getz/Gilberto tudo foi feito ao mesmo tempo, no estilo “um, dois, três e… vai!”. Se um errasse era preciso começar de novo – mas ninguém errava, pois eram todos cobras criadas. O resultado está aí: um álbum atual (agora em CD, a linguagem contemporânea), que parece saído da prensa ontem. Nós, o público, sequer suspeitamos da guerra que foi a produção desse clássico da Bossa-Nova.

ARI BARROSO ERA BOSSA-NOVA E NÃO SABIA

O álbum, com dez faixas de BN ainda teve lugar para homenagem à MPB “antiga”, com Pra machucar meu coração (Ari Barroso) e Doralice (Caymmi). Coisas de João Gilberto. João e Stan Getz voltaram a gravar juntos em 1975 (The best of two worlds featuring João Gilberto) quando, segundo João Lins de Albuquerque (Conversações – Editora Cultura/2008), as relações deles ficaram ainda mais azedas. No vídeo, a inesquecível Corcovado, de Tom Jobim, com Astrud (voz), João Gilberto (voz e violão), Tom Jobim (piano), Stan Getz (sax tenor) e Milton Banana (bateria). Momento raro da canção brasileira, ao alcance de um clique.

(O.C.)

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(O.








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