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FERNANDO HENRIQUE, JÂNIO E O BAIXO NÍVEL DE UMA CAMPANHA

Marival Guedes

O sociólogo diz que era tão inocente em política que não imaginou o efeito demolidor que poderia ter. E teve.

Semana passada, escrevi sobre o filme Quebrando o Tabu, ancorado pelo ex-presidente Fernando Henrique, sobre o fracasso das políticas de combate às drogas e a descriminalização da maconha. Por falta de espaço, deixei de relatar as campanhas de Fernando Henrique e Jânio Quadros à prefeitura de São Paulo, em 1985, quando esta questão foi abordada de forma pragmática. Ou seja, rolou baixaria.

Jânio atacou de todas as maneiras. Por exemplo, no horário gratuito na TV, exibiu reportagem de um jornal com o título “A criança e a droga”. Informou que o texto era uma condenação violenta à maconha e comentou: “Não é que o candidato do governo só falta recomendar a maconha na merenda escolar. No mais, ele já fez”.

Em seguida pediu união, em torno dele, claro, para “combater toda essa excrescência e salvar São Paulo do marxismo-leninismo. Do comunismo ateu.”

Na véspera da eleição, quinta-feira 14 de novembro, Fernando Henrique, atendendo pedido dos repórteres da revista Veja, sentou na cadeira de prefeito para ser fotografado. Outros jornais aproveitaram e fizeram acordo para só publicar a foto em caso de vitória do candidato. Todos cumpriram, com exceção da Folha de São Paulo, que colocou a fotografia na primeira página no dia da eleição.

Fernando Henrique perdeu a disputa e ainda pagou um dos maiores micos da história política. Jânio aproveitou o ensejo e no dia da posse mandou dedetizar a cadeira que o adversário “precipitadamente” havia sentado.

Avaliações de FHC

Fernando Henrique conta que a questão do ateísmo surgiu a partir de uma pergunta feita pelo editor chefe da Folha de São Paulo Boris Casoy. FHC respondeu que esta questão é de foro íntimo “sem utilidade para avaliar o desempenho de um prefeito”. A Folha colocou a resposta dele, mas no dia seguinte a cidade foi inundada de panfletos “contra o ateu”.

Com relação à maconha, relata que os adversários utilizaram uma entrevista concedida à Miriam Leitão para a Playboy, meses antes e, “deturpando o sentido de minha resposta, qualificaram-me como usuário de maconha”.  O sociólogo diz que era tão inocente em política que não imaginou o efeito demolidor que poderia ter. E teve. Como exemplo, cita uma visita a Tiradentes, interior de SP, quando uma senhora perguntou-lhe: “É verdade que o senhor vai distribuir maconha no lanche das escolas?”

Marival Guedes é jornalista e escreve no PIMENTA às sextas.

1 resposta para “FERNANDO HENRIQUE, JÂNIO E O BAIXO NÍVEL DE UMA CAMPANHA”

  • jurandir says:

    Ilustre Marival,

    Relate tambem, a grande biografia desse homem que alem de possuir um curriculo pedagógico elogiavel, governou nosso pais deixando um fato marcante na historia de nossa economia, o fim da INFLAÇÃO.
    Ressaltando a sua reeleição ainda no primeiro turno para seu segundo mandato.

    Saudações!!

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