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UNIVERSO PARALELO

ACADÊMICOS COM PRODUÇÃO LITERÁRIA NULA

Ousarme Citoaian
Academias de letras – que Itabuna está criando no atacado – sempre foram objeto de polêmica e abrigo de vaidades. Inspirada na Académie Française au Fil des Lettres (literalmente: Academia Francesa ao Fio das Letras), a Academia Brasileira de Letras foi muitas vezes questionada, ao longo dos seus mais de cem anos, devido a nomes que permitiu assentarem-se para o chá das cinco. Lá estiveram, por exemplo, o ex-ditador e presidente Getúlio Vargas (Cadeira nº 37) e o general da ditadura militar Aurélio de Lira Tavares (foto), cuja produção literária não existe publicada ou inédita (na 20). Em tempos mais recentes, José Sarney, aquele, de questionados poemas cívicos, abancou-se na Cadeira 38.

LAMBANÇA DA ACADEMIA BOMBA NA INTERNET

Mas o estoque de lambanças (termo, convenhamos, nada acadêmico) da Academia não se esgota facilmente:  nas comemorações dos 110 anos de nascimento do confrade José Lins do Rego, e sob a “justificativa” de que o escritor era Flamengo, a ABL achou de dar a Medalha Machado de Assis ao jogador Ronaldinho. Na internet, para usar outra expressão alheia ao chá das cinco, o mico bombou. E, por último, entre um jornalista de viés conservador e preconceituoso (Merval Pereira) e um escritor de verdade, o baiano Antônio Torres (autor de Um táxi para Viena d´Áustria, dentre outros romances), a ABL escolheu o primeiro. Depois de Sarney, Aurélio e Getúlio, Merval (um panfletário da direta) lhe cai muito bem.

ACADEMIAS ESQUECERAM O “FIO DAS LETRAS”

Resta dizer, retomando o assunto regional, que academia de letras parece hoje coisa tão contemporânea quanto a anágua, o chapéu palheta, o cabriolé e o sapato de duas cores. Em outras palavras, uma aspiração demodée, arcaica, que não agita o meio em que se insere, não muda em nada o panorama cultural da região. Assim é com a Academia de Letras de Ilhéus (que teve seu ápice nos tempos de Abel Pereira e um pouco com Adonias Filho), hoje decadente em suas funções. As de Itabuna, se seguirem o modelo viciado (o erro fatal de ceder a outras atividades o espaço da literatura) serão natimortas. Investir no fil des lettres sugerido pelos franceses é o desafio que nossos sodalícios têm a enfrentar.

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TRIÂNGULO AMOROSO “QUENTE” AOS 65 ANOS

Pretendia um comentário sobre a criatividade dos brasileiros ao traduzir títulos de filmes, mas o primeiro que me vem à mente é Gilda (King Vidor/1946), que permaneceu no original – e aproveito para lembrar este adorável lugar comum mil vezes repetido, criado para a campanha promocional do filme: nunca houve mulher como Gilda. A personagem de Rita Hayworth rompe (e já são passados 65 anos!) com todas as convenções de Hollywood. Gilda, o filme, trata de um triângulo amoroso em que Gilda, a mulher, é o vértice principal. Na base, estão dois homens, sendo um o marido (Mundson) e outro o ex-amante (Farrell).

EM GILDA, CADA GESTO É UM APELO SENSUAL

A relação entre os homens é cheia de insinuações homossexuais (algo que, neste aspecto, lembra a dupla Bentinho-Escobar, de Machado de Assis, em Dom Casmurro). O que Mundson, o maridão, não sabe é que Farrell faz parte do passado de Gilda – e como faz! Os dois foram amantes (talvez em Nova York), separaram-se (por motivos nunca explicados), e Gilda guarda dele um ódio tão grande que, agora, em Buenos Aires, fará tudo para destruir a amizade dos dois homens. Gilda é incrivelmente sensual: o jeito quase imoral de jogar o cabelo, o olhar, os movimentos, cada baforada na longa piteira (na época havia charme em fumar), tudo sugere obscenidade.

O FAMOSO STRIPTEASE QUE NÃO ACONTECEU

 

E até quem prefere o cinema pingando sangue, com a trilha sonora de serras elétricas e outros instrumentos de “ação”, já ouviu falar do striptease de Rita Hayworth, em Gilda, que foi sem nunca ter sido: com o vestido tomara que caia quase caindo, Gilda canta, dança e incendeia a plateia, ao começar a tirar a roupa. Primeiro, lenta e provocadoramente, a longa luva da mão esquerda, depois… nada. Ela só tira a luva. Pede para alguém da platéia ajudá-la a abrir o zíper do vestido, a dança é interrompida e o resto do show há de ser feito somente na imaginação do espectador. Pensando bem, nunca houve mulher como Gilda.

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A MPB QUE JAMAIS SE RENDEU À DITADURA

Paradoxalmente, na ditadura militar a MPB produziu a pleno vapor. Seria possível organizar hoje uma imensa coletânea (se é que ainda não foi feita), um cancioneiro do protesto dos nossos compositores mais engajados: há muitas canções de Chico Buarque (Apesar de você, Roda viva, Cálice – com Gilberto Gil), Caetano Veloso (É proibido proibir), Geraldo Vandré (Pra não dizer que não falei das flores), Aldir Blanc (O bêbado e o equilibrista – com João Bosco). Liste-se ainda uma rara parceria de Caetano-Gilberto Gil (Panis et circensis), denunciando a conivência da sociedade com a ditadura: diante do pão e circo do governo, “as pessoas da sala de jantar/são ocupadas em nascer e morrer”.

DO “REI” PARA CAETANO VELOSO, COM AFETO

 

A relação incluiria também, de Gil, Aquele abraço, sua despedida, quando expulso do País (“Meu caminho pelo mundo/eu mesmo traço”) e Não chore mais, sobre tema de Bob Marley (“Amigos presos,/ amigos sumindo assim,/ prá nunca mais”). Até Roberto Carlos, jovem cantor das tardes de domingo (que até hoje disputa com o outro “rei’, o do futebol, o primeiro lugar em alienação política), entraria na lista. Ele fez, com Erasmo Carlos, Debaixo dos caracóis dos teus cabelos, para Caetano Veloso (na foto, com o “rei”), que estava preso: “Janelas e portas vão se abrir/pra ver você chegar/e ao se sentir em casa,/sorrindo vai chorar”. E não se há de esquecer Apenas um rapaz latino americano, dentre outras citações de Belchior.

O HOMEM QUE NÃO QUIS SER “CHE GUEVARA”

PBelchior ironiza o temor do regime aos artistas, como se canções fossem capazes de derrubar o governo. “Por favor, não saque a arma no saloon/eu sou apenas um cantor”, pede o poeta, como se dissesse: “De que tanto vocês têm medo, que não deixam, a nós, apenas músicos, ´sem dinheiro no banco ou parentes importantes´, dizer e cantar o que nos vai na cabeça?”. Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, é o canto de guerra da época, nossa A marselhesa. Perseguido, o autor (que fez também, Porta estandarte, com o ubaitabense Fernando Lona) “mudou de lado”, dizendo que não queria ser o Che Guevara da MPB. Foi-se a ideologia, a canção ficou (lembrada com Simone, mulher bela e cantora sofrível, aqui).

O.C.

7 respostas para “UNIVERSO PARALELO”

  • São Caetanense says:

    Atenção pessoal do Pimenta na Muqueca…

    A votação aqui no São Caetano para presidente de bairro está pegando fogo!!!

    Fui votar e lá na porta do colégio Everaldo Cardoso estavam “Chico Estevam” com a camisa do PT apoiando a chapa 1

    O advogado Cosme Reis com a camisa da chapa 4

    Enfim, o bicho tá pegando…clima total já de eleição de 2012 !

  • Ribeiro says:

    Perfeitas, as colocações de Ousarme sobre as “Acadêmias” de Itabuna e, notadamente as de Ilhéus e Brasileira. Todas peças…
    Cada dia mais seu admirador.

  • Ricardo Seixas says:

    Caro O.C., a avidez com que alguns mortais sem talento miram o fardão da ABL, me lembra aquele personagem de “Diário de um Louco”, Nicolai Gógol. Quem conhece a história certamente já deu risadas com a natureza esquiziofrênica que caracteriza essa figuras.

    Eu, se talento tivesse e nomeado fosse pra uma cadeira da Academia Brasileira de Letras, ao ver um José Sarney, Marco Maciel, Merval Pereira, entre outros sem talento tomando chá, acho que faria como o filósofo grego, o que afirmava “que a única coisa que eu sei é que nada sei”, e beberia minha taça de cicuta.

  • Ricardo Seixas says:

    Não podemos esquecer o papel ridículo que o genial “Julinho de Adelaide”, vulgo Chico Buarque, fez os burlescos censores viverem ao compor “Chame o Ladrão” e passar indene pelo controle dos milicos. É de gargalhar com essa labuta da inteligência contra a estupidez.

  • tonho vinhas says:

    É lamentável a postura dessas academias sem escrupulo de letras que proliferam pelo Brasil. Também o que podemos esperar de um país onde professores morrem à míngua, bombeiros estendem a cuia para sobreviver, médicos viram zumbís para sustentarem suas famílias, jornalistas vivem a todo instante sob o temor de que um destes petistas malucos que estão no comando da nação criem um orgão para os censurarem, políticos ladrões vivem à solta sem nenhum temor, e a lei só proteje o rico e poderoso? Isto é Brasil, onde tudo é possível, menos o Ético.

  • tonho vinhas says:

    É lamentável a postura dessas academias sem escrupulo de letras que proliferam pelo Brasil. Também o que podemos esperar de um país onde professores morrem à míngua, bombeiros estendem a cuia para sobreviver, médicos viram zumbís para sustentarem suas famílias, jornalistas vivem a todo instante sob o temor de que um destes petistas malucos que estão no comando da nação criem um orgão para os censurarem, políticos ladrões vivem à solta sem nenhum temor, e a lei só proteje o rico e poderoso? Isto é Brasil, onde tudo é possível, menos a Ética.

  • joão joanes says:

    quem abordou esse tema com muita propiedade publicando ótimo artigo no blog do gusmão foi o gustavo felisíssimo. essa coluna e o texto dele acabam por se complementarem. parabéns aos dois pela coragem, pois a situação dessas acedemias é mesmo de doer.

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