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UNIVERSO PARALELO

CASAR E CASAR-SE SÃO COISAS DIFERENTES

Ousarme Citoaian
Creio ter sido no primeiro Universo Paralelo (e ele já vai a dezoito meses de distância!) que registrei o que parece ser uma sistemática campanha contra os pronomes pessoais. Dizíamos que o “se”, abandonado pelos redatores (sobretudo os de publicidade), corria sério risco de vida: “Aluga-se” virou “aluga” e “vende-se” agora é apenas “vende”. Simples, rápido e rasteiro – principalmente rasteiro (na foto, a “contribuição” do Banco do Brasil). Dia desses, ouvi um sujeito contando ao outro (a quem parecia não ver há muito tempo): “Já casei e separei”. Com meus botões, conclui (o que tenho com a vida dos outros?) que o supracitado cidadão casou-se e separou-se. Assim, com o “se” ligadinho ao verbo, evitando dúvidas.

APENAS PADRES, JUÍZES E PASTORES CASAM

“Casei” (ou “casei-os”) – diria, em boa linguagem o juiz, padre, pastor ou autoridade semelhante, após celebrar o casamento (ato legal para o juiz e sacramento para os crentes). Já o noivo (ou a noiva) diria “Casei-me!” Se quisessem proclamar seu tresloucado gesto em estilo coral, era só dizer, no alto e bom som que a felicidade recomenda: “Casamo-nos!” Em suma, o verbo casar (nesta acepção) significa “unir pelo casamento” e “unir-se pelo casamento”. Entendi o rapaz da história: concluí, por ele não levar jeito de padre, juiz ou pastor, que falava da própria experiência de casar-se e separar-se (não de casar e separar alguma dupla, como pode parecer aos desavisados).

CASA-SE COM; ÀS VEZES, CASA-SE CONTRA

Aprende-se na escola que uma frase tem, como regra, sujeito e predicado, que predicado é verbo e este “exige”, frequentemente, complemento. Isto é primário. Se digo “casou”, logo me assalta a dúvida: “casou…quem?”). Se me refiro a alguém que se uniu em matrimônio, a resposta é se: “casou-se”; mas se falamos de autoridade que une as pessoas em matrimônio, é “casou… Fulano e Fulana” (e, conforme anda a carruagem social, “Fulano e Fulano”, “Fulana e Fulana e por aí vai). Gosto de dizer que “Fulana se casou contra Fulano”, mas é só gracejo. Em português, alguém casa com alguém, ou casam-se alguém e alguém. Construir frases é fácil; difícil é a conviver em casamento.

QUANDO O CACÓFATO ERA MORTO A PAULADAS

“Em cismar sozinho à noite” – também à tarde ou pela manhã – não logro saber o que ocorreu com o ensino da língua do Brasil no último meio século. Em outras quadras da vida, o cacófato, por exemplo, sofria dos professores de português caçada implacável e, quando encontrado, era morto a cacetadas, como um cão raivoso. O autor do delito, que Deus se apiede de sua alma, era levado ao pelourinho da desonra. “Ora – direis – o grande Camões também fez lá seu cacofatozinho, em Alma minha gentil que te partiste…” – e eu vos direi no entanto que Camões é Camões, ora pois, e estamos conversados. A propósito, o verso que abre este tópico (nem era preciso dizê-lo) é de Gonçalves Dias (Canção do exílio)

EM TEMPOS DE PERMISSIVIDADE GRAMATICAL

Hoje, em tempos de estranha permissividade gramatical, redatores se acham no direito de cometer medonhos cacófatos e, ainda assim, se mantêm impunes, como se inocentes fossem. Vejam o time do América (que tem entre seus poucos torcedores regionais esse Orlando Cardoso, radialista de elevados méritos e homem de caráter acima de qualquer suspeita): mesmo em seus bons tempos, o Ameriquinha (sete vezes campeão carioca – a primeira em 1913, a última em 1960) não ganhava nunca (evitemos nunca ganhava!), apenas vencia. Se numa redação alguém se atrevesse a escrever “O América ganhou”, “O América ganha”, ou barbaridade semelhante teria as orelhas puxadas pelo editor (então chamado redator-chefe).

ESCREVER SE FAZ TAMBÉM COM OS OUVIDOS

Pois hoje por aí abundam os cacófatos. A repórter de tevê fala em “comunicação por rádio”, o Dnit avisa que a estrada é fiscalizada por radar, e coisas do tipo. Ricardo Ribeiro, jovem jornalista de texto irretocável, envia à coluna a pérola publicada por um grande jornal de Salvador (foto): “Filme com temática gay é censurado em projeto”. Façamos com esta frase o teste da leitura em voz alta. Quem não perceber a bobagem aí implícita, independentemente de ter êxito em outra profissão, não se mostrará habilitado como redator: se o som é uma das qualidades do estilo, eu me animo a dizer, sem preocupação de ser mal interpretado, que escrevemos, também, com os ouvidos.

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CONNIFF: O MUNDO DANDO VOLTAS NA PISTA

O maestro norte-americano Ray Conniff (1916-2002) era o Rei Midas da canção pop na segunda metade do século passado. E isto não é só recorrer ao lugar comum, mas estar muito próximo da verdade: sem trocadilho, o que ele tocava virava ouro. No fim dos anos 50, cansado de fazer arranjos para os outros, Conniff cria seu grupo, grava S´ wonderful e fica nas paradas por nove meses. Em seguida, lota as principais casas noturnas de Los Angeles e São Francisco durante onze dias, consolidando seu estilo, depois mundialmente conhecido. Entre as marcas da orquestra, um coro que, em vez de cantar, como fazem os coros normais, emitia sílabas, do tipo bá-bá, bu-bu, du-du.

APLAUSOS DO PÚBLICO E VAIAS DA CRÍTICA

Espécie de Emílio Santiago do instrumental, Connif adorava gravar standards: suas interpretações de Bésame mucho, Smoke gets in your eyes, Strangers in the night e New York, New York venderam em todo o mundo mais do que pipoca com manteiga. Durante uma carreira que se estendeu por seis décadas, Conniff conquistou com seus sucessos dez discos de ouro e dois de platina. Mas não conquistou a crítica, que o acusava de fazer arranjos suaves e adocicados. Fosse jazz, bossa, swing, rock, bolero ou samba de breque, tudo na pauta dele virava… Ray Conniff. E o público, sem ligar para os críticos, apenas dançava, nas mais diversas partes do mundo. No Brasil também.

JUNTA-SE A FOME COM A VONTADE DE COMER

O maestro esteve no Brasil, entre 1960 e 2000, mais de dez vezes. Em 1999, lançou um surpreendente Ray Conniff’s country, dedicado à música sertaneja. Lá estão, com os arranjos de sempre, faixas que arrepiaram os críticos: É o amor, Pense em mim, Festa de rodeio e Entre tapas e beijos – ao lado de Luar do sertão e No rancho fundo. Em 2000, o disco (com nome piegas e uma rosa na capa) Do Ray para o rei (com músicas de Roberto-Erasmo Carlos) junta a fome à vontade de comer: o maestro dos elevadores e o cantor dos motéis. Mas o disco, Conniff já em fase declinante, não vendeu o esperado. Ao tentar sair da mesmice, ele foi fiel à sua filosofia: escolheu o garantido Aquarela do Brasil, por ele apelidada Brazil.

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O.C.

5 respostas para “UNIVERSO PARALELO”

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