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UNIVERSO PARALELO

SEBASTIÃO NERY ASSINA COLUNA EM ITABUNA

Ousarme Citoaian

Suponho que a notícia deva ser comemorada: um jornal diário de Itabuna passou a abrigar a coluna de um dos mais brilhantes, cultos e experientes jornalistas brasileiros – Sebastião Nery. Autor de mais de quinze livros, principalmente sobre a política partidária (dentre eles, Pais e padrastos da pátria, Crepúsculo caiado, Socialismo com liberdade e Folclore político), Nery sabe, como os melhores de sua geração, contar histórias deliciosas, em estilo leve e cativante. Alguns dos textos publicados em jornal vêm dos livros. E vice-versa. Nas colunas reproduzidas no jornal de Itabuna ele tem usado passagens do seu excelente A Nuvem/2009, livro de memórias que só li no ano passado.

A LEITORA SABE ONDE FICA A TAPROBANA

De A Nuvem, esta história, passada no Seminário de Amargosa, quando Nery e outros analisavam, em aula, Os Lusíadas (“As armas e os barões assinalados/Que da ocidental praia lusitana/Por mares nunca d´antes navegados/Passaram muito além da Taprobana”). “Onde fica a Taprobana?” – vai perguntando o exigente e quase surdo Padre Correia, sem resposta. Até chegar à última fila de carteiras, onde está um tímido seminarista recém-chegado de Jequiriçá: “Sei não, professor”. O velho mestre esfrega a resposta na cara dos alunos. “Muito bem! Ceilão! Vocês, seus marmanjos, há anos aqui, não sabem. E o tabareuzinho de Jequiriçá já sabia”. Conta Sebastião Nery: “Nenhum de nós dedurou o tabareuzinho de Jequiriça”.

NABUCODONOSOR “VISITA” JOAQUIM NABUCO

Eu também não saberia onde fica a Taprobana – e aproveito para contar um caso, da forma como me foi contado. Era o lendário Instituto Municipal de Educação (I.M.E.,na foto de Mendonça), Ilhéus, no fim dos anos cinquenta. Durante uma prova oral de História do Brasil, o professor Leopoldo Campos Monteiro pergunta a um aluno meio “curto” o nome do diplomata famoso, autor de O estadista do Império. Como o rapaz não sabia, o mestre, bondoso, tentava ajudar, mas a resposta não saía. Já esgotados os “argumentos”, o professor dá a pista definitiva: “Nabuco, meu filho, Nabuco…” O mau aluno, achando que tinha captado a dica, sai-se com esta pérola, em voz alta: “Nabuco…donosor”! O bom professor Leopoldo quase desmaia de susto e frustração, diante da risadaria geral.

MASSAGISTA SE APAIXONA POR “SINÔNIMO

Tempos antes de ganhar o nome de Zito Bolinha, o futuro massagista do Itabuna, apaixonou-se por uma palavra nova e bonita: sinônimo. Assim, tudo que o espantava, divertia ou preocupava, ele definia como… “um sinônimo!” – para a total perplexidade dos que o ouviam. A gripe asiática era um sinônimo, Leo, entortador de zagueiros, era outro sinônimo, e que sinônimo era a louríssima arrasa-quarteirão Marylin Monroe (foto), incendiando telas e a imaginações! Até que, interrogado a respeito, Zito explicou que ouviu a palavra no filme Absolutamente certo: Anselmo Duarte (1920-2009), a certa altura da narrativa, afirma: “Isto é um fenômeno!”. O bom Zito Bolinha, que nunca teve oportunidade de ir à escola, confundiu fenômeno com sinônimo.

CUIDADO: ATLETA “FINALIZA” ADVERSÁRIO

Com pessoas iletradas eu sou todo boa vontade, mas não consigo reeditar esse comportamento com os que se dão ao ofício de escrever para o público. Estes (às vezes com pose que supera a competência) não têm justificativa para erros palmares, resultantes de indolência, descuido, desatenção, desleixo. “Jornalistas têm que escrever tão bem…” (vocês já sabem). Com tal espírito, leio em importante diário de Itabuna este título enigmático: “Itabunense finaliza adversário em 15 segundos de luta”. Ora, como será que esse lutador de maus bofes ”finalizou” seu infeliz desafeto? Um furo na jugular do pobre coitado? Vitimou-o a tiros de escopeta ou o forçou a uma overdose de droga.

APENAS A LINGUAGEM FICOU COM HEMATOMAS

Decido-me pela leitura do texto e respiro aliviado, pois – ao contrário da expectativa criada pela manchete – a notícia não revela nenhuma agressão com sangue derramado, apenas a linguagem sofreu hematomas: um atleta de Itabuna aplicou uma chave de braço no seu adversário e o venceu, tornando-se campeão de um torneio de luta livre, em Jequié. Fico sem saber o porquê de certos redatores buscarem complicações, quando deveriam manter-se no simples. A estilística não vê a simplicidade como defeito a evitar, mas qualidade a perseguir. Se Zito Bolinha tinha o direito falar “bonito”, jornalistas não o têm. Aliás, o falecido massagista certamente diria que o título referido é… um sinônimo!

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O ERRO “ESPECIAL” DE NELSON GONÇALVES

Já nos referimos aos erros gravados na MPB, voltamos a eles hoje e, por certo, tão cedo não esgotaremos o tema. Há erros menores, facilmente absorvíveis, e erros notáveis, que transformaram em definitivo a letra original. Mas há um deles que tem características diferentes, por ter sido “corrigido” no ar, coisa nunca vista. O registro em disco tornou-se antológico, devido ao erro e a imediata correção. Trata-se da canção Maria Betânia, de Capiba (Lourenço Fonseca Barbosa), cuja letra foi “atacada” por ninguém menos do que Nelson Gonçalves, e “defendida” por Jessé, uma espécie de concorrente. A gravação, ao vivo, ganhou esse quê de especial, pela importância de Nelson Gonçalves.

LUTA DE GIGANTES, RENHIDA, EQUILIBRADA

Depois de Jessé cantar metade da letra, Nelson exibe aquele grave que o caracterizava, com Jessé num contracanto emocionado. Aí Nelson (que é “dono e senhor” de Maria Betânia desde 1944!) confunde o texto, enfia um “esplendor” no lugar errado, Jessé percebe o erro, diz “data vênia, mestre!” e, de peito escancarado, corrige: “hoje confesso, com dissabor”. Gosto de imaginar que foi assim. Ou então penso numa luta de gigantes, equilibrada, renhida, sem prognóstico e, quando menos se espera, um deles escorrega numa casca de banana. Maria Betânia (então, Bethânia) foi feita em 1943, quando Capiba (1904-1997), musicou a opereta “Senhora de Engenho”.

CAETANO VELOSO GOSTOU DE MARIA BETHÂNIA

Em visita ao Recife, Nelson resolveu gravar a canção, o que fez em 1944, popularizando o nome. Maria Bethânia era ouvida também nos alto-falantes de Santo Amaro, pela família Veloso, tanto que Maria Bethânia, a cantora, chama-se Maria Bethânia por causa de Maria Bethânia, a canção. Se alguém aí vive no mundo da lua e ainda não sabe dessa história, vá lá: quem deu o nome à festejada cantora foi seu criativo mano Caetano. Outra curiosidade, menos óbvia: a pequena Surubim (foto) –  pouco mais de 58 mil habitantes, pelo censo de 2010), no agreste pernambucano – deu, além do compositor Capiba, o animador Chacrinha. Veja/ouça o “duelo” de dois grandes da MPB: Jessé e Nelson Gonçalves.

(O.C.)

6 respostas para “UNIVERSO PARALELO”

  • Juca says:

    Apesar de estranha, a expressão “finalizar o adversário” não foi inventada pelo redator do diário itabunense. Ela é, na verdade, de uso corrente no jargão das artes marciais e lutas em geral, como o jiu jitsu e as sangrentas competições de UFC tão em voga, com o destaque de nomes brasileiros como Anderson Silva, o cabra que fala fino, mas bate que nem gente grande e, quase sempre, “finaliza” o adversário sem dó nem piedade.

    Veja alguns exemplos desse uso: http://www.google.com.br/webhp?hl=pt-BR&tab=ww#sclient=psy-ab&hl=pt-BR&site=webhp&source=hp&q=finalizar+o+advers%C3%A1rio&pbx=1&oq=finalizar+o+advers%C3%A1rio&aq=f&aqi=&aql=1&gs_sm=e&gs_upl=2063l5745l0l6403l27l13l3l0l0l0l1009l6613l3-2.2.2.2.2l13l0&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&fp=fcd0a05e1c06c81f&biw=911&bih=426

  • Redacao says:

    Republicação de comentário de Dinah Hoisel, a pedido da coluna:

    Comentário sobre publicação de 12 de junho de 2010.
    Com mais de um ano de atraso venho me referir à postagem citada posteriormente:
    …”E há muita gente na fila de espera da releitura: Bandeira, Drummond, Cecília Meireles, versos de Dinah Hoisel (foto)”, etc.
    Caro Sr. Pimenta (ou seria Ousarme Citoaian ?)
    No capítulo “De leituras, releituras e saudades” e no consequente “Em débito com Homero, Esopo e Marx” destaco o subtema das releituras, ressaltando:
    ” É permitido a alguém ler apenas uma vez”… e confesso:
    li somente uma vez ‘Cem anos de solidão’, ‘Dom Casmurro’, duas vezes; mas, quanto ao ‘Grande sertão:veredas’,li (e não espero que acredite) 7 (sete!) vezes. Consecutivas.
    Explico: foi um livro que explodiu como fogo de artifício na minha imaginação, pela forma única e genial, chegando a desequilibrar a minha habitual forma de me expressar. Inúmeras frases exigiam ser gravadas a ferro e fogo na minha memória estética.
    O grave problema é que o livro não era meu, e, sendo emprestado, não podia grifar os trechos que me conquistaram. O fato de que a forma não obedecia a uma ordem cronológica só piorava a possibilidade de reencontrar minhas pérolas favoritas. Solução: tornar a ler…e reler; nos dias seguintes, no processo de garimpar, ler novamente …e outra vez. Até que, exausta, resolvi confiscar o livro (de meu irmão) e selecionar o que buscava. Usei grifos, registros de páginas,marcas, comentários pessoais e tudo mais que fosse necessário, tornando a edição imprestável para dividir com mais alguém. Agora, é MEU, para sempre! Quando me apaixono o limite de saturação desaparece> Assim é com a literatura e com a música. Acho tudo isto meio doido,mas é assim que funciona.
    Tudo que escrevi até aqui enfoca apenas um comentário fortuito sobre um assunto secundário.
    A razão primordial deste contato é afirmar minha gratidão pelo acréscimo do meu modesto e até mesmo inesperado nome em companhia de tão seleto grupo de pessoas indiscutivelmente consagradas…e ainda acompanhado de foto(!). Valha-me Deus!
    Fiquei simplesmente estarrecida…pena que só tivesse encontrado o surpreendente registro na semana que se finda.
    Não tenho muita intimidade com este meio de comunicação- o computador.Costumo apelidá-lo de “o monstro”, pois algumas vezes sinto-o me devorando, quando ele não obedece aos meus inseguros comandos, ou após uma peleja sem tréguas, vejo-me abatida, e ele, vencedor, ri um riso cínico,sobre os meus escombros.
    Há aproximadamente três anos alimento um blog com poesias, minhas e de poetas que admiro…o que já provocou a ironia de algumas pessoas“Você pretende conquistar leitores na internet usando essa forma de expressão tão em desuso?”
    Pois é. Não procuro o sucesso nem a celebridade.Entretanto gostaria de ser lida ou “ouvida”. Escrevo o que acredito ser a minha verdade.E espero.
    Tenho encontrado algum retorno,o que me traz alegria.
    Agora lhe pergunto:leu os meus versos?Como chegou ao meu livro? Qual dos dois? Já entrou nohttp://www.vamoscirandar.wordpress.com ?

  • Domingos Matos says:

    Mestre, “finalizar” o adversário, em lutas de vale-tudo ou MMA, é o termo equivalente a “nocautear” o oponente na nobre arte do boxe. No título em questão, o termo está em itálico para sinalizar, justamente, o caráter informal da expressão, até porque que nem todos a dominam ainda. Mas “finaliza”, para os leitores a quem a matéria principalmente se dirigia, é perfeitamente aceitável – diria mesmo, único termo correto, a partir do jargão esportivo. Se usássemos “nocauteia”, teríamos, aí sim, reações do público especializado. Pelo menos, assim julguei, para liberar o título, como editor de plantão do “importante diário de Itabuna”, depois que esse mesmo questionamento foi levantado na Redação.

    Só para ilustrar, confiram essa notícia, fresquinha, do UFC 135, realizado ontem (caso não haja link, copiem o texto e colem no browser): http://sportv.globo.com/site/eventos/combate/noticia/2011/09/jones-finaliza-rampage-no-ufc-135-e-mantem-o-cinturao-dos-meio-pesados.html

  • Bel says:

    Mas, e então? O Sr. Ousarme Citoaian não vai responder à leitora, que tão singelamente desejou saber como ele a encontrou? Aguardo também, com certa ansiedade as respostas! 😉

  • O.C. says:

    Sobre “finalizar”
    Não há propósito de escolher entre “certo” e “errado”, não sou professor – e se fosse não estaria imune a erros. Nada de “magister dixit”. Os oportunos comentários de “Juca” e do jornalista Domingos Matos atestam o que eu já desconfiava: o termo existe, mas restrito a uma prática esportiva. Provocado, consultei cinco dicionários (três brasileiros e dois portugueses) e não localizei “finalizar” com o sentido usado em vale-tudo MMA (?) etc. No dicionário da Editora Porto (Portugal, é claro) encontrei até o verbo com o sentido de “chutar para marcar golo”. O da luta,não.

    Conclusão: finalizar, significando imobilizar o adversário, é jargão, gíria, linguagem de gueto, neologismo a ser evitado na linguagem formal. Uma coisa é papo de lutadores, outra é a língua universal da comunicação. Mais simples me parece dizer que o lutador venceu (ou imobilizou) o adversário, não que o finalizou. Assim como eu, não iniciado, tive dificuldade de entender o “finalizar”, penso que outras pessoas também tiveram. No futebol, por exemplo, a bola nem sempre é redonda: umas vezes é quadrada, noutras é comprida, e esse contra-senso restrito ao esporte bretão não seria entendido por um não iniciado.

    Este voto, único, sujeito a equívocos, define minha preferência (sem afirmar que alguém está “errado”). Sugiro, se não fui capaz de convencer, que sejam consultados os professores Ruy Póvoas, Odilon Pinto,Maria Nilva ou Dorival de Freitas, dentre osmuitos da Uesc diante dos quais apenas me calo e ouço.

  • O.C. says:

    A respeito de Dinah
    Talvez nem seja tão notável que se leia um livro muitas vezes. Muita gente o faz. O crítico Hélio Pólvora confessa que memorizou trechos inteiros de Graciliano Ramos (São Bernardo, Vidas Secas, Angústia), eu fiz o mesmo com O coronel e o lobisomem (José Cândido de Carvalho) e, ainda quase menino, inventei de decorar Oração aos moços (Rui Barbosa) – loucura de que me recuperei antes de chegar ao fim da primeira página. Mas fazê-lo sete vezes, e imediatamente, uma atrás da outra! é doce (dulcíssima, aliás) obsessão.
    Em filmes, o crítico Paulo Perdigão é recordista absoluto: viu (já citado nesta coluna) Os brutos também amam 82 vezes! Meus números com este filme, Casablanca, Matar ou morrer, Eldorado) não chegam nem perto. Enfim, retornando ao ponto de partida (e só você sabe a que estou me referindo), devo dar-lhe os parabéns por essa paixão exacerbada por Guimarães Rosa (se não estou enganado, sua família tem um biógrafo do escritor, não?).
    Sobre suas indagações: se li seus versos, li. Gosto particularmente de “As torres de Manhattan”, que começa assim: “O castelo de cartas desmorona/E a dor se espalha como folha ao vento/A força destruindo a força/Ensanguentando o chão e o firmamento”. É, se posso dizê-lo, um poema político, engajado, limpo, sem se curvar à pieguice que o tema sugere – e que foi exaustivamente repetida recentemente, pela mídia. Se visitei seu site, visitei e gostei. Qual dos dois livros conheço – conheço os dois (“As torres…” é de Canto e Contracanto, o primeiro). Como cheguei a seus livros, não conto, pois perderia a graça.

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