WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia


alba










novembro 2011
D S T Q Q S S
« out   dez »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

editorias






:: 20/nov/2011 . 16:44

UNIVERSO PARALELO

A INCONTROLÁVEL “CONSAGRAÇÃO PELO USO”

Ousarme Citoaian

Antes que o mal cresça, corte-se-lhe a cabeça é provérbio (aqui emitido em formato mais “erudito”) válido também para a língua portuguesa: as formas estranhas aparecem, a mídia as repete sem analisar, o público as considera “bonitinhas” – e a desgraça está feita: mais cedo ou mais tarde, essa estranheza é registrada pelos dicionários e ganha direito de defesa em nome da “consagração pelo uso”. Não tardará muito e a forma tradicional passará a ser considerada arcaica, desusada, candidata ao esquecimento. É a dinâmica da língua, que parece vencer todas as tentativas de conservação. Apresento-me aqui na condição incomum de culpado e vítima.

NÃO EXISTE PAÍS CHAMADO ESTADOS UNIDOS

Recorro a Marcos de Castro (A Imprensa e o Caos na Ortografia), a propósito de “norte-americano”, como gentílico referente a quem nasce nos Estados Unidos da América. Também incorri no erro (com “norte-americano”) duas ou três vezes nesta coluna. Há na América do Sul um país chamado Estados Unidos do Brasil, que, a partir de 1968, mudou o nome para República Federativa do Brasil – e nunca tivemos dúvidas do seu nome: Brasil. É a mesma coisa com os EUA: o nome do país é América (não é Estados Unidos, pasmem os mais distraídos). Estados Unidos, lá como cá, é apenas uma referência. Quem nasce no país América é americano, lógico.

AMÉRICA DO NORTE É CONTINENTE, NÃO PAÍS

Todos sabem (mas são induzidos ao erro, devido à repetição desta forma arrevesada) que não existe o país América do Norte, e sim o continente com tal denominação. E o continente é mais do que os EUA: inclui México e Canadá (o maior dos três). Logo, quando alguém diz “norte-americano” nos põe diante de uma imprecisão. A que país esse alguém se refere? Todos três são norte-americanos (assim como sul-americano são Brasil, Chile, Argentina e outros oito países – além de umas possessões da França e do Reino Unido). Portanto, ao se referir ao povo daquele país de bárbaros, chame-o, sem medo de errar, americano (estadunidense também serve).

PROCURAR OBSESSIVAMENTE A MELHOR FORMA

“Eu sou meu primeiro leitor” – diz o escritor Marcos Santarrita, recentemente falecido. O autor de A Solidão do Cavaleiro no Horizonte afirma que quem escreve não deve ler a si mesmo mais tarde, pois a leitura não teria surpresas. É aquilo que Herbert Read (citado por Santarrita) explica como a capacidade de despertar na mente do leitor a cada página, a pergunta: “O que vem agora?”. E esta dúvida motivadora da leitura não a tem o autor do texto, a não ser no momento da criação. Quem relê o próprio texto (romance, conto, novela, artigo ou coisa que o valha), geralmente o faz de esferográfica em punho, na tentativa da reescrita, na busca de melhor forma.

A ESTROFE CRISTALINA, SEM UM DEFEITO

Eça de Queirós foi grande reescrevedor: transformou o conto “Civilização” no romance A Cidade e as Serras (Jorge Luís Borges era tido como “reescrevedor obsessivo”). O amazonense Milton Hatoum (Manaus/1952) revisa seu último texto há, pelo menos, três anos. Hélio Pólvora reescreveu os contos do “clássico” Os Galos da Aurora e, em outro momento, elevou Surdo, personagem de conto, ao centro do romance Inúteis Luas Obscenas. Há de se citar, também nesse grupo, Cyro de Mattos, que não reescreve muito, mas remodelou Berro de Fogo e Outras Histórias, quase vinte anos depois. Parodiam Bilac: querem que o texto saia da oficina sem um defeito, sequer.

SE EU NÃO GOSTO, O LEITOR NÃO GOSTARÁ

O texto prazeroso para o autor tem grande probabilidade de ser prazeroso também para o leitor. Na via contrária, se o autor tiver dúvidas sobre se o que escreve é capaz de lhe tocar, emocionar, dar prazer intenso (e isto pode vir em forma de risos ou de lágrimas), certamente essa fragilidade chegará à outra ponta e contaminará esse ser em extinção chamado leitor. A palavra permanece – e talvez esta seja a maior condenação a que se expõem os que de alguma forma se dedicam ao ofício de escrever. Seja romance, conto, crônica, e-mail, bilhete ou notícia de jornal, o que mais nos deve inquietar não é a página em branco, mas a página escrita.

COMENTE! » |

DOIS CANTADORES NOVOS E… “CLÁSSICOS”

Quando ouvi falar de Os Nonatos pela primeira vez, há uns vinte anos, quase os desdenhei. Imaginei (sei lá a quanto as ideias pré-concebidas nos remetem!) que se tratava de algum produto comercial do tipo Caju e Castanha. Felizmente, errei: são dois repentistas de formato “clássico”, na linha direta de Ivanildo Vila Nova, Otacílio Batista, Valdir Teles, Mocinha de Passira (uma repentista, sim senhor!), Oliveira de Panelas – gente dessa estatura. A dupla (que também poderia chamar-se Os Raimundos) é formada pelo cearense Raimundo Nonato Costa (na foto, em primeiro plano) e o paraibano Raimundo Nonato Neto. Fora da cantoria, eles faturam canções “românticas”, gênero em moda, de alto consumo.

REPENTISTAS DOS MAIS PREMIADOS DO PAÍS

Nonato Costa, além de poeta e cantador de repente com grandes recursos, é licenciado em Letras. Aos 19 anos, teve o primeiro encontro com Raimundo Nonato Neto (em Cajazeiras/Paraíba), o que definiu sua vida profissional. Quatro anos mais tarde, formariam uma das duplas mais premiadas do Brasil, no gênero cantoria. A primeira apresentação da dupla se deu em 1989 (um ano depois do primeiro encontro), numa “peleja” em São Paulo. E logo em seguida (maio de 1990), os dois conquistaram a primeira vitória importante, durante um congresso de cantadores, em Patos/PB. Dai em diante, a popularidade lhes sorriu e eles passaram a se ombrear com os grandes desse meio.

O PLANETA ESCRAVIZADO PELA TECNOLOGIA

Improvisando sobre o mote decassílabo “O planeta movido a internet/É escravo da tecnologia”, Os Nonatos venceram o V Desafio de Cantadores em 2005 (evento itinerante, realizado em várias cidades pernambucanas, incluindo Recife). O tema glosado pela dupla tornou-se muito popular, pois engloba assunto em moda nos últimos anos, as ditas novas tecnologias. É notável nessa cantoria o domínio que os dois cantadores têm da terminologia da moderna parafernália eletrônica que nos cerca. Os mais antenados com esse mundo virtual vão notar a falta de alguns termos – mas é preciso lembrar que o improviso de Os Nonatos foi feito há seis anos (e que novos hardwares surgiram desde então).

(O.C.)






WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia