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UMA OBSERVAÇÃO DE 18 MESES

eduardo thadeuEduardo Thadeu | ethadeu@gmail.com

O corporativismo da velha senhora (Ceplac) não permitia que ventos novos entrassem por suas janelas.

Em agosto de 2011, morando em Salvador, passando por Itabuna, em viagem ao Rio de Janeiro, minha cidade natal, tive o prazer de me encontrar com os senhores Juvenal Maynart e Wallace Setenta, que, naquela oportunidade, estavam envolvidos em um grupo dedicado a restabelecer o conhecimento empírico, estudar e entender o significado do Sistema Agroflorestal focado na produção de cacau e localmente conhecido como Cabruca.

Fui por eles convidado à esta conversa por conta de minha anterior experiência em Planejamento e Desenvolvimento Regional Integrado Sustentável- PDRIS na Amazônia e por minha militância de mais de 30 anos junto à causa ambientalista.

Neste dia me convidaram para participar de uma visita à Fazenda Almirante, de propriedade da multinacional Mars, no então vindouro mês de setembro/2011.

Convite aceito e com a curiosidade a flor da pele voltamos em Setembro para conhecer “in loco” a tal da Cabruca. No mesmo dia da visita três fatores afetaram profundamente minha percepção das possibilidades do Sistema Cabruca.

O primeiro foi o contato físico, quase indescritível fora da poesia – parafraseando o produtor Pedro Mello – das lembranças dos tempos dos “empates” na Amazônia Ocidental que significou adentrar uma cultura de cacau cabruca, uma determinação econômica, sob o manto acolhedor da Mata Atlântica, preservada e viva, o que não vi na Amazônia na década de 70 e 80 do século passado, onde a realidade era restrita pela necessidade da preservação pela preservação sem alternativas econômica e de sobrevivência para aquele povo .

O segundo fator determinante foi a observação de que havia dedicação e competência técnica, social e política para que a Região pudesse se beneficiar de tal tradição ao ter o prazer de conhecer naquele mesmo dia os senhores Durval Libânio, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau do Ministério da Agricultura e do Instituto Cabruca, e Joelson Ferreira, liderança inconteste dos pequenos produtores locais e presidente do Assentamento Terra Vista, experiência exemplar do MST no Brasil.

O terceiro fator, que se consubstanciou em mais uma certeza, foi a clara necessidade de que o mundo tinha que conhecer esta realidade e que, no limiar da Conferência Rio + 20, esta seria a grande oportunidade de mostrarmos ao mundo uma agricultura sustentável preconizada mundo afora e que aqui já era executada há mais de 2 séculos e meio.

Em parceria com os atores envolvidos e reconhecidos imediatamente, procuramos as instituições envolvidas com a organização da Conferência das Nações Unidas para a Sustentabilidade – Rio + 20 – tentado mostrar-lhes a oportunidade, adequação e necessidade de que o Sistema Cabruca fosse divulgado, avalizado, priorizado e apoiado não só pelo governo brasileiro, como também pelo mundo atento à essas questões tão atuais e atrativas. Ações, viagens, e dedicação foram desenvolvidas com recursos próprios e em nome das décadas de militância em função da causa do desenvolvimento sustentável pelo grupo então envolvido.

Quiseram as démarches políticas locais que o senhor Juvenal Maynart fosse nomeado, em novembro de 2011, superintendente regional da Ceplac na Bahia, e a seu convite eu viesse a participar de sua equipe como colaborador eventual, uma vez que o corporativismo da velha senhora (CEPLAC) não permitia que ventos novos entrassem por suas janelas.

As tratativas para que levássemos a CABRUCA à Rio + 20 tiveram excelentes resultados. Em parceria com a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais apresentamos a Cabruca no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, dentro da programação oficial do governo brasileiro, tendo como ápice a exibição em duas sessões do documentário “The Cabruca Cocoa – The Cocoa from Brazilian Atlantic Rainforest”.

 

Durante 10 dias mantivemos no Aterro do Flamengo, na “Cúpula dos Povos”, um acampamento com dezenas de representantes dos “Povos da Cabruca”, mostrando e demonstrando de onde vinha o sabor do chocolate para dezenas de milhares de visitantes diariamente, além de estarmos presentes no Pier da Praça Mauá com Stand em parceria com o Instituto Cabruca divulgando esta inovação (sic) agri-Cultural de 270 anos.

O que causou enorme espécie durante esta ação foi a total alienação da Diretoria Central da velha senhora Ceplac, que em alguns momentos tentou sabotar a participação do Cacau Cabruca no evento mais importante do século para a sustentabilidade do planeta.

As dificuldades orçamentárias e burocráticas impostas à ação do Sul da Bahia pela então Direção Central da velha senhora Ceplac deixou uma perplexidade até hoje não explicada. Que interesses a moviam? Que falta de compreensão dos novos tempos a fizeram mostrar os dentes?

Bem, apesar das dificuldades institucionais apresentadas pela “velha senhora” o paradigma foi mudado. Hoje percebo o pleno conhecimento e a percepção da riqueza que o sistema Cabruca proporcionou e que pode e deve vir a proporcionar à região, à Bahia e ao Brasil.

Eduardo Thadeu é economista, mestre em Planejamento e Desenvolvimento Regional, ex-conselheiro do Conama e ilheense e baiano por opção.

4 respostas para “UMA OBSERVAÇÃO DE 18 MESES”

  • ERIC ETTINGER says:

    É muito simples entender isso, falta de uma liderança política regional que assuma a região como o todo.

  • Wilson says:

    Eduardo Thadeu,

    vc não viu a metade do coorporativismo da ceplac. eles não querem nenhuma discussão sem a provocação dos mesmo. fale em a Ceplac se vinculada a Embrapa! os

  • Ana says:

    Será que tamanha resistência tem algo a ver com a (in) plantação da Vassoura-de-bruxa na região nos idos da década de 1980? Parece ser um encaixe perfeito. Com a palavra o Deputado Geraldo Simões, direto de Brasília/CEPLAC.

  • eduardo rodriquez says:

    Análise bem colocada. É bom ouvirmos de profissionais de fora o que sentem de nossa cultura cacaueira. Que será feito da Ceplac? Já está na hora do governo federal tomar uma medida.

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