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A QUESTÃO DA INDISCIPLINA

GUSTAVO HAUNGustavo Haun | g_a_haun@hotmail.com

Aluno espancando, física e moralmente, professor em sala de aula e vice-versa é “normal”, os noticiários abundam nesse quesito.

Quando tive o privilégio de entrevistar a professora e filósofa Tânia Zagury, em Salvador, quando do lançamento do seu livro Professor Refém, ela nos indicou que a indisciplina em sala de aula era responsável pela maior queixa dos docentes pesquisados para o opúsculo, mais de 40% afirmaram ter problemas com a disciplina dos alunos.

Realmente ela está coberta de razão. Esse é o pior motivo de os futuros universitários não optarem por licenciaturas ao longo da sua formação acadêmica, ganha disparado contra o baixo salário da categoria, além de outros problemas inerentes à profissão.

Pesquisas feitas pelo Datafolha e USP demonstraram que os bons estudantes do Brasil optam em cursar bacharelados, o que faz com que apenas os maus procurassem as licenciaturas, por serem de baixa concorrência no vestibular ou Enem, ficando relegadas, portanto, à ínfima qualidade. É óbvio que o sujeito pode fazer uma licenciatura e se melhorar na faculdade, ser um excelente profissional, no entanto, isso não é uma praxe, nem garantia que vá atuar na área.

A fórmula de tudo isso é muito simples: professores despreparados mais alunos sem educação, respeito, limite, é igual à indisciplina – que não deixa de ser uma violência ao outro.

Infelizmente, não há como dissociar a família desse processo. E como o núcleo familiar está cada dia mais esfacelado, confuso, desestruturado, é normal que se reflita na prole, logo, no mundo!

O lar na pós-modernidade está um pouco sem direção, perdido. Pais precisam trabalhar turnos dobrados para ter condições de sobrevivência, enquanto que a educação dos filhos vai sendo relegada aos parentes, empregados, à mídia, às drogas… A sociedade como um todo ainda não conseguiu um equilíbrio entre as inúmeras variáveis dessa equação.

O resultado tem sido difícil e complicado. Aluno espancando, física e moralmente, professor em sala de aula e vice-versa é “normal”, os noticiários abundam nesse quesito. Brigas, gritarias e conversas durante a aula, atos violentos contra o educador, além da famosa “pesca”, perguntas capciosas dirigidas aos docentes e interesse unicamente por nota são outros fatores gerados pela indisciplina.

Para não ficar só nos discentes, mestres roucos, com pressão-alta, esgotados e estressados, sofrendo com a síndrome de burnout, são o comum visto. É claro que aí reflete também o desestímulo, o descompromisso e a mecanicidade da aula dada por nós, profissionais da educação, que já sofremos pressão enorme de coordenadores e diretores insensíveis.

É necessário que se faça uma revolução nos métodos e na prática de ensino em nossos dias. O que, especificamente, não tenho muita certeza, mas talvez aproximar a família da escola (a exemplo da Escola de Pais, experiência realizada na região sudeste que tem por objetivo educar os genitores!) e investir em capacitação do magistério, poderão minimizar o problema.

Enfim, tudo o que for pensado e dito sobre o assunto vai parecer que é no âmbito da utopia, porém, é imprescindível que todos sabiam distinguir que a verdadeira função da ESCOLA é o de instruir, o da aprendizagem; já o da FAMÍLIA é o de educar, o de dar limites! Cada um no seu devido papel, no seu devido quadrado!

Gustavo Haun é professor e edita o oblogderedacao.blogspot.com.

6 respostas para “A QUESTÃO DA INDISCIPLINA”

  • Maik Oliveira says:

    Caro Gustavo Haun, os métodos existentes têm se mostrado eficientes,e cada educador tem liberdade para colocar em prática o método que dará conta dos seus objetivos, então nesse sentido não é de uma revolução que precisamos e sim de comprometimento e de responsabilidade, tanto dos pais como dos educadores e também do poder público, primeiramente dos pais é claro. É preciso ter consciência de que escola não é depósito de gente, onde os pais empurram para professores a responsabilidade que é sua e o professor, por sua vez, precisa ter comprometimento com o ato de educar. Definitivamente o professor não pode ser “tio” ou tratar estudantes como alunos (sem luz)como certo professor que para ganhar a simpatia da turma colocou todo mundo para dançar na sala esquecendo-se de trabalhar o conteúdo da disciplina (diga-se de passagem não era professor nem de educação física, muito menos de dança, esta última por sinal não faz parte do currículo escolar) e finalmente o poder público que precisa entender que não há como pensar em futuro promissor de uma nação sem professores, eles são partes essenciais na construção de um mundo digno e justo e,precisam ser valorizados em amplos aspectos como acontece no Japão, onde o professor é o único profissional que recebe saudações do imperador, pois lá se acredita “sem professor, não há imperador”. Por fim, é complicado utilizar um estudo de caso como o da USP em São Paulo para inferir sobre a qualidade dos estudantes que optam pelas licenciaturas, discordo disto, ser professor é também uma vocação, passa pela vontade de ser, e há que se considerar cada realidade. Há, sem dúvida alguma muitos excelentes alunos que optam pelas licenciaturas, nisto não cabe generalizações.
    Sou Maik Oliveira professor de Sociologia e escolhi as Ciências Sociais por vocação.

  • J. Reis says:

    O Sr. Gustavo Haum tirou a foto real da “educação” no Brasil de hoje.

  • Eduardo aunaso says:

    O grande desafio é perceber que o caminho para a solução de diversos problemas sociais é, sem dúvida, a educação. Mas, a educação não resolverá sozinha todas as mazelas sociais.

    Por exemplo, não adianta pensar que aproximar a família da escola será a solução para muitos problemas, principalmente se observarmos que boa parte dos nossos alunos sequer têm, de fato, uma “família” (nos moldes do que entendemos ser “família”).

    A desigualdade social, a ausência de perspectivas reais de melhoria (ascensão social e econômica), a violência de nossa perversa estrutura, os meios de comunicação – são todos fatores que, junto com a educação, devem ser considerados.

    Não esqueçamos: vivemos na sociedade que escolheu uma ex-atriz pornô (Xuxa) e um grupo de garotas “sex-apeal” (Paquitas) para “animar” nossas “crianças” por mais de uma década. Colhemos os “resultados” de nossa hipocrisia.

    Nossas escolas são, felizmente ou infelizmente, o reflexo do resto da sociedade.

  • Sandra Maria dos Santos says:

    Enquto a educaçâo não tiver apoio da saùde (Psicologia),o quadro continuará sendo o mesmo, pois infelizmente as famílias estão em decadência e o reflexo é visto em visto em sala de aula.

  • Denelisio Nobre says:

    Amigo Gustavo gostaria de falar com vc tem como vc dar um pulinho aqui no Modelo.

    Do amigo

    Denelisio

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