Marcos BispoMarcos Bispo Santos | educadorpolitico@hotmail.com

 

O QUE CONSTATEI (ninguém me contou, estive lá!!!) FOI A MATERIALIZAÇÃO DO VERDADEIRO “INFERNO DE DANTE”.

 

Um dia pavoroso, uma tarde revoltante, uma noite de ceticismo. Síntese do que vi e vivi durante a última paralisação nas imediações de Buerarema, trecho da BR-101 que corta Itabuna, a mais importante cidade do sul da Bahia (a despeito de seus últimos prefeitos, tão desimportantes e medíocres). Força Nacional “virtual”, Comando Especial da PM Regional Cacaueira INERTE. Governos lerdos, lenientes e coniventes.

Sobre a PM, preciso destacar alguns/algumas policiais de ontem e de hoje, de muito valor: Tenentes Vivaldo e Derivaldo, Sub-tenentes Fábio e Reubis, Sargentos Eduardo e Gerson, Soldados Mendonça, Márcia, Cláudia, Cíntia, Arlex, Vinícius e Vieira. São símbolos de uma Polícia que se respeita. Mas o que tenho visto em cidades pequenas e o que vi ontem durante o dia e até a hora em que fui dormir (3h da madrugada, sem o fim do conflito!!!) em Buerarema, na BR e dentro da cidade, são policiais (de três corporações diferentes: PM, Força Nacional e PRF) muito despreparados para ações de impacto e de uma “pose” e omissão, RE-VOL-TAN-TES!!!

Moro em Itabuna e trabalho em outra cidade, acima de onde se deu o conflito. Passei em viagem de trabalho, às 7h30 da manhã e no mesmo local onde o “inferno” se daria. Nada havia neste horário, além de duas viaturas da Polícia Federal e duas da Força Nacional em “desfile”, de Buerarema a Itabuna. Ora, cidadãos brasileiros, se assim o era, porque não se juntaram tais efetivos e dissiparam qualquer início de motim logo cedo, num lugar inapropriado e de muitas consequências para trabalhadores de verdade e famílias das mais diversas, que passariam por ali horas depois???

De volta do meu local de trabalho, por volta das 15h30, tive que parar a duas cidades antes de Buerarema, porque já eram muitas as informações de que “NINGUÉM PASSAVA” e que a disposição dos manifestantes (???) era de explodir uma das pontes que ficam na BR-101, nas imediações de Buerarema. Tomei um Açaí num ponto conhecido por quem transita por esta rodovia, e mesmo “fazendo cera”, ao chegar no primeiro posto de combustível, após a cidade de São José da Vitória e ainda antes de Buerarema, o engarrafamento já estava quilométrico. DAÍ POR DIANTE, E ATÉ O HORÁRIO EM QUE CONSEGUI DORMIR (parado em Buerarema, sem direito de chegar a Itabuna) – às 3h da madrugada – O QUE CONSTATEI (ninguém me contou, estive lá!!!) FOI A MATERIALIZAÇÃO DO VERDADEIRO “INFERNO DE DANTE”: pneus gigantes queimados em dois pontos das imediações da cidade repetidamente aqui citada, com fumaça altamente tóxica (e inúmeros bebês nos carros) a espalhar-se pela rodovia, pelos veículos e por todas as residências próximas aos incidentes criminosos; árvores em enorme quantidade sendo derrubadas (e ainda estão lá algumas delas e muitas raízes a comprovar) para em seguida também serem queimadas ou postas como barreira a impedir o trânsito de carros pequenos, caminhões e carretas; inúmeras cargas se estragando ou tendo a sua entrega atrasada; crianças das mais diferentes idades, longe de suas casas, impedidas de comer, tomar banho e até medicar-se (ouvi de um pai com o carro parado próximo ao meu, que seu filhinho de dois anos “queimava” de febre e que, mesmo assim, ele não teve o direito de passar, tendo que procurar atendimento nos precários pontos médicos da própria Buerarema). E a polícia???

Em vários momentos, procurando informações de outras estradas, mesmo que fossem vicinais (alguns foram por Jussari/Areia Branca e chegaram a Itabuna com seus carros destruídos e correndo riscos de assalto), saía da minha posição na enorme fila indiana e entrava no centro de Buerarema. E pasmem, lá presenciava viaturas da Força Nacional e PM estacionadas, como se nada tivesse acontecendo a 500 metros ou 1 km dali. E, sempre que voltava à BR, encontrava os supostos manifestantes (mais pareciam ‘nóias’, com litros de bebida nas mãos, todos jovens e nenhum com aparência de ‘agricultores’), cada vez mais “possuídos”, chutando e destruindo placas de trânsito federais, indicativas de velocidade e até o radar que existia por lá (e que constatei ao passar por lá hoje cedo: foi arrancado por vândalos!!!). Chegavam em carros lotados, como se estivessem CONTRATADOS para um “teatro do horror”, passavam em motos em alta velocidade – sem capacete – com a complacência e a omissão de viaturas da PM, inclusive uma da Regional Cacaueira (???) “presente” inconstantemente, no local.

Para quem não tem acompanhado estas manifestações (já foram inúmeras este ano), diz-se que é porque fazendeiros daquela cidade e imediações estariam revoltados com uma demarcação de terras feita pela Funai e que tais protestos visam revogar essa decisão do órgão federal do Governo. Mas, afinal, se em cada ato deste, destrói-se o patrimônio público de uma maneira IRRACIONAL (hoje pela manhã, quando consegui sair da cidade, vi trechos do asfalto afundados em mais de 20 centímetros, por conta da queima de pneus e árvores); coloca-se em risco o direito constitucional de trabalhadores e famílias de ir e vir com seus veículos; se o saldo são inúmeros caminhoneiros com suas cargas atrasadas e sem poder honrar seus compromissos, QUEM SÃO OS SELVAGENS??? OS INDÍGENAS, MESMO QUE DENTRE ELES, ALGUNS POUCOS FORJADOS??? Chega de discurso de ministro ou de deputado. AÇÃO é o que se espera.

De quem governa e das polícias, que deveriam ser governadas.

Marcos Bispo Santos é educador e radialista, graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).