marco wense1Marco Wense

Até as freiras do Convento das Carmelitas sabiam que o governador Jaques Wagner ficaria com o PP em detrimento do PDT. O tempo da legenda no horário eleitoral foi decisivo.

Os preciosos minutos na telinha são mais importantes do que a pessoa do pré-candidato, que diante da situação vira um mero coadjuvante, não importando os laços de amizade com o detentor da escolha.

Outro detalhe é que a cúpula do PT, agora sob a batuta de Everaldo Anunciação, acha – e continua achando – que os pedetistas são mais, digamos, domáveis que os pepistas.

Ninguém imaginava o deputado João Leão como vice de Rui Costa na chapa governista, já que a disputa era travada entre Mário Negromonte e o presidente da Assembleia Legislativa, o pedetista Marcelo Nilo.

Ficou a impressão de que a postulação de Negromonte era de mentirinha, tudo combinado com João Leão. A maior autoridade do Parlamento estadual foi impiedosamente descartado. Defenestrado.

THIAGO E O PSL

Thiago FeitosaThiago Feitosa (foto), filho do deputado federal Geraldo Simões, saiu do PT para o PSL por conveniência política e não por qualquer outro motivo.

No PT, sua ex-legenda de priscas eras, como diria o saudoso jornalista Eduardo Anunciação, não teria nenhuma chance de ser eleito para o Parlamento estadual.

A figura maior do PSL, João Henrique, ex-alcaide soteropolitano, anda de mãos dadas com ACM Neto. Já declarou que o seu candidato a governador é aquele que Netinho apontar.

O PSL vai apoiar o ex-governador Paulo Souto (DEM). Como a fidelidade partidária é anzol que só fisga peixe pequeno, o jovem Tiago pode declarar, em alto e bom som, que seu candidato ao Palácio de Ondina é o petista Rui Costa.

João Henrique é de uma instabilidade impressionante. Não sabe o que quer. A sabedoria popular costuma chamar o político do “vai e vem” de barata tonta.

COISA DO PASSADO

A educadora Carol Carvalho, após 20 anos de militância no PCdoB, pediu desfiliação da legenda: “Vocês não sabem o que é comunismo”, bradou a professora.

O desabafo da insatisfeita e decepcionada Carol fez lembrar o saudoso poeta e compositor Cazuza: “Ideologia! Eu quero uma pra viver”.

A você, Carol, resta o “consolo” de que não existe outro caminho. O que prevalece hoje é o “pirãonismo” (farinha pouca meu pirão primeiro). Pela coerência, somente os capitalistas merecem parabéns. Continuam os mesmos.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.