augusto castroEntre os candidatos a deputado estadual com base em Itabuna, Augusto Castro (PSDB) foi o único a se (re)eleger. Além disso, comemora crescimento com relação ao número de votos que obteve em 2010 e busca se posicionar como representante maior do campo de centro-direita no município, onde disputa espaço com os ex-prefeitos Capitão Azevedo (derrotado na tentativa de alcançar uma vaga na Assembleia Legislativa) e Fernando Gomes.

Nesta entrevista ao PIMENTA, Augusto comenta o resultado das eleições, tenta explicar a derrota de Paulo Souto e critica o governo federal pela postura adotada no conflito de terras entre índios e agricultores na região de Buerarema.

Confira os principais trechos:

PIMENTA – Você saiu da eleição com 55.650 votos. O número está dentro do que era esperado?
Augusto Castro – Foi um resultado muito importante, primeiro porque eu consegui ampliar minha votação em Itabuna. Saí de 8 mil para quase 13 mil votos aqui, o que é um crescimento muito importante em uma cidade onde havia mais de 12 candidaturas a deputado estadual, sem falar que mais de 200 candidatos receberam votos em Itabuna. Consegui também ampliar minha presença na região Sul da Bahia e, fora isso, tive quase 5 mil votos em Ipirá, mais de 8 mil votos na região Oeste, e conseguimos abrir também em outras regiões.

PIMENTA – Mas a votação não foi aquém do esperado?
AC – Era uma votação esperada, correspondente ao trabalho que consegui desenvolver ao longo dos quatro anos e pela atenção que dei aos municípios onde fui votado na eleição passada. Desse modo, conseguimos consolidar uma liderança dentro da estrutura partidária.

PIMENTA – Como você vê a perda de representatividade política da região, a partir do resultado dessas eleições?
AC – A região perdeu representatividade, já que a quantidade de deputados com base local diminuiu. Ficamos sem o mandato do colega Coronel Santana, o que foi uma perda realmente muito ruim para a região do cacau. Isso implica em menos espaço no cenário baiano. Além disso, a região tinha possibilidade de contar com três deputados federais e ficou com um, que é Bebeto, de Ilhéus. Pra gente é muito ruim, porque é preciso aumentar nossa força política, pensando em Itabuna e no desenvolvimento regional.

PIMENTA – Que papel você pretende desempenhar nesse cenário?
AC – O quadro atual aumenta minha responsabilidade, porque Itabuna hoje é uma cidade com mais de 200 mil habitantes, com muitas carências de infraestrutura e sem a presença do governo. A gente precisa redobrar nosso volume de trabalho, cobrando do governo os investimentos prometidos: Porto Sul, duplicação da rodovia Ilhéus – Itabuna, novo aeroporto de Ilhéus, o Hospital Regional da Costa do Cacau, a conclusão da barragem, a UPA de Itabuna, o aumento do efetivo policial… São demandas que a população cobra do governo e nós, como deputados e interlocutores da região junto ao governo do Estado, precisaremos ter uma ação efetiva para que esses compromissos saiam do papel.

PIMENTA – Na sua análise, por que Paulo Souto perdeu a eleição?
AC – Paulo Souto é um nome conhecido. Foi governador duas vezes, senador, e as pesquisas que foram realizadas pelo Ibope e por outros institutos o indicavam como o melhor candidato. Mas desde a quinta-feira anterior à eleição, houve uma mudança do cenário e passou a existir uma tendência de vitória do governador eleito Rui Costa. O que acontece na Bahia, e isso inclusive é histórico, é que, para ganhar a eleição para o governo estadual, é preciso vencer a disputa para presidente. Se não tiver esse parâmetro com a Presidência da República, fica difícil ganhar a eleição. A expectativa nossa é agora, com Aécio no segundo turno, com toda a condição de ser o próximo presidente. Aí sim, surge a possibilidade de no futuro mudar o governo do Estado.

PIMENTA – O governador Wagner acredita em ampliação da frente que Dilma teve no primeiro turno. Como você vê essa expectativa?
AC – Eles vão apoiar todas as fichas no fortalecimento da presidente Dilma aqui na Bahia, mas, ao mesmo tempo, o entusiasmo e a motivação com a ida do PSDB para o segundo turno vão contribuir para que possamos diminuir a força de Dilma no Estado. Há uma expectativa de vitória de Aécio, tanto na capital, onde temos o prefeito ACM Neto no papel de coordenador da campanha, como no interior. Estamos, inclusive aqui no Sul da Bahia, em um esforço concentrado para dar uma boa votação ao candidato do PSDB. Trabalharemos para ampliar a quantidade de votos e dar o primeiro lugar a Aécio na região.

PIMENTA – Paulo Souto e Aécio tiveram votações expressivas em Buerarema. Você atribui esses resultados ao conflito gerado pela demarcação de terras indígenas na região?
AC – Buerarema viveu um conflito muito forte e a cidade deu a resposta ao governo federal. O poder está nas mãos do Ministério da Justiça e não houve solução. Ficou um desgaste muito grande para o Partido dos Trabalhadores, o que acabou resultando em uma votação extraordinária para Aécio na cidade. Esse conflito também produz reflexos em outros municípios da região, que esperavam uma ação imediata do governo, mas esta não ocorreu. Espera-se que o Aécio Neves, eleito presidente, venha procurar uma solução de forma definitiva com relação aos conflitos de terra, não só em Buerarema, mas em Pau Brasil, Una e toda a região, além de outros municípios do país. Há um clima de insegurança jurídica e política que a população não aguenta mais.