ricardo bikeRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

 

A história costuma se repetir, permitindo até a previsão de certas ofensivas. Na década de 50, com a UDN e o império de comunicação de Assis Chateaubriand; agora, com os tucanos, a Veja e a Rede Globo, com suas denúncias enlatadas que tentam subverter até o ordenamento jurídico.

 

A eleição acabou, mas muita gente ainda não desceu do palanque. Divulgado o resultado, compete aos brasileiros – todos – torcer para que o governo acerte o passo e cumpra seus compromissos. “Urubuzar”, como apraz a uma parcela de jacus baleados, é a verdadeira burrice que gente raivosa enxerga na opção alheia.

Nem gostaria de fazer mais comentários sobre essa campanha eleitoral (na verdade, agora deu uma preguiça danada de ficar chovendo no molhado). Mas o festival de bobagens que inunda as redes merece ao menos alguma observação.

Aos que desconhecem a história, recomenda-se a leitura do último dos três volumes da biografia do ex-presidente Getúlio Vargas, um belíssimo trabalho de apuração do escritor Lira Neto. A mesma campanha na mídia, a mesma direita raivosa, até a mesma Petrobras mergulhada em um tal “mar de lama”, produzindo um clima de ódio na sociedade que levou ao desfecho que todos (suponho) conhecem.

A história costuma se repetir, permitindo até a previsão de certas ofensivas. Na década de 50, com a UDN e o império de comunicação de Assis Chateaubriand; agora, com os tucanos, a Veja e a Rede Globo, com suas denúncias enlatadas que tentam subverter até o ordenamento jurídico. Na Código de Processo do PIG, uma delação premiada vale por uma condenação consumada.

Com esse fermento, adicionado à inconformidade de certos setores com a ascensão de quem antes vivia excluído, a direitona agora constrói um cenário de terceiro turno.

Hoje, um professor de ginástica comentava o tema sob o enfoque que lhe toca. Tempos atrás, havia apenas dondocas e playboys nas academias. “O pobre só tinha dinheiro para o básico”… Pobre nas academias, faculdades públicas e privadas, com conta bancária, frequentando restaurante, de carro novo e viajando de avião… Tudo isso dá urticária em muita gente metida a besta, que hoje extravasa sua bronca em fétidas postagens nas redes sociais.

Claro, há também os que só embalaram na onda do denuncismo. A estes, o que falta é realmente um exame de vista e um livro de história. Para constar, a luta nas ruas em 2013 foi por mudança, sim, mas a candidatura do senador Aécio Neves, por seus evidentes compromissos com o atraso, estava muito longe de atender aos anseios de quem participou das manifestações.

É verdade que o PT deve muito à sociedade, porém se aproximou mais do que o povo almeja, principalmente por ter inserido mais de 35 milhões de brasileiros no mercado de consumo. Os efeitos dessa inclusão beneficiam a todos, mas infelizmente incomodam a alguns.

Boa parte dos que votaram no PT, talvez a maioria, não é formada por imbecis ou alienados. É gente que reconhece os avanços sociais e certamente tem críticas ao governo, mas não a ponto de jogar tudo para o alto e embarcar em uma canoa furada.

Ricardo Ribeiro é advogado e tem orgulho de ser nordestino.