Clodovil Soares, delegado da polícia civil e ex-secretário.

Clodovil Soares, delegado da polícia civil e ex-secretário.

Comentário do leitor que assina como Juca. Este blog concorda, integralmente, com a opinião externada por Juca ao comentar o discurso do ex-secretário Clodovil Soares, que deixa a Pasta de Transporte e Trânsito de Itabuna para reassumir cargo de delegado da Polícia Civil. Reconhecemos avanços na gestão de Clodovil, mas, assim como o leitor, entendemos que o ex-secretário e delegado se excedeu e avançou perigosamente. As entidades de classe, dentre elas o Sinjorba e a ABI, avaliam o caso para pronunciamento oportuno. Ao delegado, é recomendável esclarecer o seu discurso até para que ele próprio não ponha em suspeição o seu trabalho policial ao retomar as funções neste domingo. O espaço está aberto para que assim, caso queira, proceda.

Abaixo, o comentário de Juca.

Respeito o ex-secretário Clodovil, mas isso não me impede de classificar seu discurso como, ao mesmo tempo, agressivo, inoportuno e covarde. Agressivo pela ameaça indeterminada a “setores da imprensa”, ao dizer que será “ainda mais perigoso” como delegado. Perigoso como, cara pálida???????? Voltaremos aos tempos do DOPS e do pau de arara, quando profissionais de imprensa eram torturados para “tomar vergonha na cara”.

O discurso foi também inoportuno, pois o momento seria mais propício para um balanço de suas ações em benefício do conturbado trânsito de Itabuna. Em vez de destacar seus feitos, preferiu emitir avisos indevidos a alvos indiscriminados.

Chame-se atenção, ainda, à covardia do ex-secretário. Ele afirmou que hoje já se sabe “quem é quem” na administração pública, mas faltaria sabê-lo no que se refere à imprensa. Pois bem, quem melhor que o próprio Clodovil para dar nome aos bois, já que se mostra tão irritadiço com supostas ações talvez criminosas de jornalistas???????

Ao atacar a imprensa, de modo genérico, o secretário pecou gravemente. Atingiu uma categoria, quando poderia e deveria indicar nominalmente quem age de modo incorreto.

A imprensa não é feita de santos, assim como ocorre em qualquer profissão. Mas há profissionais que honram sua atividade e esses merecem respeito.

Portanto, Clodovil Soares foi extremamente infeliz em suas lamentáveis palavras de despedida. O mais correto e… cristão… seria o ex-secretário e agora – valha-nos Deus! – delegado de puliça pedir desculpas pela forma grosseira com que se dirigiu à imprensa local.

Caso deseje fazer críticas ou denúncias, Clodovil conhece a forma correta de encaminhá-las. O que não cabe é, em pleno século XXI, arrotar truculência como se estivéssemos na plenitude dos anos de chumbo.

Se o secretário fosse espírita, poderíamos até imaginar que ele teria se aconselhado com um tal Sérgio Paranhos Fleury em uma inóspita sessão mediúnica. Como ele é evangélico, só podemos atribuir suas palavras a um lapso de raciocínio ou falta de traquejo com a política e os princípios democráticos.

Que se retrate, pois ainda há tempo. Por outro lado, caso Clodovil sustente sua ameaça, é prudente que todos os profissionais de imprensa de Itabuna solicitem habeas corpus preventivos, antes que o bicho comece a pegar no breu das tocas.