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COM “A ILHA DE ARAMYS…”, JORNALISTA SE VESTE PARA A LITERATURA

(4) Luiz      ConceiçãoLuiz Conceição | [email protected]

A Ilha de Aramys – 40 anos de eleições em Itabuna consegue superar-se ao falar de personagens, histórias e fatos com riqueza de detalhes, ancorado em pesquisas a arquivos de jornais da época, universidades e conversas com antigos companheiros de infortúnio ou de heroísmo

 

Com capítulos bem fechados, narrativa leve e uma tessitura a apontar um nascente escritor, A Ilha de Aramys – 40 anos de eleições em Itabuna, editado pela Via Litterarum, marca o segundo livro do radialista e jornalista Waldeny Andrade. A obra é recheada de contos curtos. Há um bem-sucedido “thriller” que mistura política com polícia num enredo bastante original, sem esquecer o amor, as paixões humanas e as desilusões amorosas.

O recado do autor, logo nas primeiras das 300 páginas, busca situar o leitor mais jovem e aqueles de mais idade e desavisados que a ficção e a realidade se justapõem ao longo de toda a sua narrativa com estórias bem contadas e pitorescas recheadas, com dados históricos da sucessão municipal, desde a eleição do ex-prefeito José Oduque (1973 e 1976) até a de José Nilton Azevedo (2009 a 2012).

Desnecessário dizer que “o livro alterna ficção inspirado num fato ocorrido em Itabuna na segunda metade do século passado, e realidade enfocando 40 anos de eleições neste município”. A curiosidade instigante do leitor em descobrir o que guarda a memória desse homem que dedicou parte de sua vida à mídia regional se satisfaz com sua narrativa concisa sobre o que pensa deva ser a política, a administração pública, o rádio e jornal em cidade de porte médio como Itabuna ou qualquer outra cidade.

A ilha de AramysDirigente por 29 anos de uma emissora, onde a programação era copiada de outra que fez história no Rio de Janeiro, Waldeny ousou, acertou a mão e elevou a audiência da emissora que dirigiu, a partir da década de 1970, dois anos e meio depois de sua chegada. Moldou moderna e dinâmica programação em contraponto ao fazer rádio ancorado no binômio música-hora certa.  A partir de sua ousadia provocou as duas outras emissoras AM existentes.

O rádio itabunense – que era bom – viveu um clima de euforia e disputa jamais vista, com a qualidade, o profissionalismo e a ética sempre a serviço do ouvinte. O mesmo se pode aplicar ao jornal elaborado a quente em linotipos que, substituídas pelos atuais microcomputadores, viraram peças de museu. Ninguém delas mais se lembra ou sabe para que servem.

Pena que a cidade não tenha um local adequado a exibir às novas gerações o quanto heroico era se fazer imprensa no interior, com gigantes dificuldades tecnológicas e incompreensões de todo o gênero.  Bons tempos aqueles, que jamais serão igualados, principalmente pelas dificuldades crescentes de se fazer imprensa como no passado pela chegada da Internet, um lugar onde os cidadãos satisfazem suas necessidades comunicacionais diárias a qualquer hora nem sempre em fonte limpa e séria.

Neste seu segundo livro, o escritor supera a ansiedade e o medo de Vidas Cruzadas – Confissões de um enfermo, que marcou sua estreia na literatura há dois anos. Se naquele Waldeny faz um constante ziguezague em sua prodigiosa memória para recordar o passado, em A Ilha de Aramys – 40 anos de eleições em Itabuna consegue superar-se ao falar de personagens, histórias e fatos com riqueza de detalhes, ancorado em pesquisas a arquivos de jornais da época, universidades e conversas com antigos companheiros de infortúnio ou de heroísmo.

Há momentos hilários, quando aborda despretensiosamente a política sucessória e narra um caso real daquela época. Cita personagens e saborosos causos que enriquecem a ficção que deseja ver como realidade e vice-versa. Noutros o escritor cede espaço ao cronista da política e de assuntos gerais que durante 29 anos manteve alerta os cidadãos excluídos, desamparados e jogados à própria sorte. Por longo tempo, sua única bússola foi o programa do meio dia e meia, Microfone Aberto, apresentando com o apoio de jovens repórteres.

Natural de Ipiaú, Bahia, Waldeny Andrade da Silva é radialista e jornalista com mais de 60 anos de atuação em Ilhéus, onde chegou como adolescente e atuou até o final da década de 1960, na Rádio Cultura. A partir de 1968, se transferiu para Itabuna, tendo dirigido a Rádio Jornal e o extinto Diário de Itabuna. Nos últimos 40 anos, viveu mais do que ninguém fatos políticos e o cotidiano socioeconômico da região sul da Bahia. Também conviveu com os personagens que povoam seus livros.

Certamente, o autor deve estar juntando fragmentos para formar um novo mosaico que nos faça conhecer e compreender parte do que para as novas gerações é história, estória e ficção. O retumbante sucesso de A Ilha de Aramys – 40 anos de eleições em Itabuna há de ser estímulo a acender à fagulha que faz virar chama o que ainda guarda no canto da memória.

Com certa ansiedade, ávidos por identificar origens ou mesmo fazer passar o tempo, haveremos de encontrar em Waldeny Andrade o guardião da palavra que faz a vida parecer perene aqui no nosso chão. O jornalista se vestiu para a literatura. Brevemente, entrará para a galeria daqueles festejados autores que na prosa ou na poesia emolduraram a Civilização do Cacau ao eternizar paisagens, personagens e suas vidas fascinantes.

Luiz Conceição é radialista (1976); jornalista (1982), bacharel em Direito (Uesc, 1994), trabalhou na Rádio Jornal e Diário de Itabuna (1978 a 1982) e outros veículos na Bahia.

 

2 respostas para “COM “A ILHA DE ARAMYS…”, JORNALISTA SE VESTE PARA A LITERATURA”

  • Ilha de Aramys! o que significa? Poderia ser Ilha de Temístocles,Ilha do Capitão Aristeu,Ilha de Mutucugê,Ilha de Celestino Brandão ou mesmo,Ilha do Jeque? Paginas
    12O,121.

    Seria extremamente original o nome da obra,pela qual retrata os 4O anos da política de Itabuna e as dificuldades de fazer imprensa numa época da “primitiva Itabuna?”

    Pelo o que nos chegam através da própria imprensa,as tais dificuldades em fazer imprensa em Itabuna,pelo visto,só fizeste piorar,aliás é uma característica no mundo “civilizado” em fazer imprensa.

    Contudo,uma vez que o contexto do livro retrata imprensa e política,embora,num tempo e espaço dos idos de 19O5,então Taboca,pra escolher o nome desta cidade foi uma “briga de foice” um guera política literalmente.

    Muitas reuniões e nomes o que não faltavam pra substituir Taboca,pensando bem, até seria legal se fosse hoje Taboca,talvez,João Culête? Ou Maria Buna! Quem sabe Itaúna.

    Entretanto,os “sábios” rimou Ita na liturgia indígenas é pedra, pelas quais adornara o Rio cachoeira e,rimando com uma humilde lavandeira,surgiu o nome de Itabuna e, o jornalista e tipógrafo,Pitágoras de Freitas,criou o primeiro jornal de Itabuna,cujo nome da cidade que acaba de nascer. Paginas, 33,34.

    O que o nome da Praça da alimentação do Shopping Jequitibá de Itabuna,ainda tá em tempo em mudar o nome para praça de alimentação, Lavandeira,Maria Buna.

    Fonte. O Jequitibá da Taboca.
    Autor. professor.Oscar Ribeiro Gonçalves.
    Relator. O imprescindível,Manoel Fogueira.

    Autor.José Dantas de Oliveira.
    Documentário Histórico ilustrado de Itabuna.

  • Carlos Malluta says:

    E olha que ele diz que não é escritor, Luiz. Já pensou quando for?

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