Efigênia OliveiraEfigênia Oliveira | ambiente_educar@hotmail.com

 

Oito meses dedicados a manobrar artimanhas de interesses individuais que se sobrepõem aos interesses nacionais. Tempo que custa caro.

 

O Brasil tem assistido impotente, nesses oito meses, discussões que não deveriam contaminar a ordem pública, uma vez que a república conta com leis,  instituições e poderes constituídos cujas atribuições serviriam  à prevenção e à resolução de demandas ora em evidência, sem prejuízo à democracia. Assim pensam os leigos.

Entre o silêncio dos que se imaginam ao largo dos fatos oriundos da política e o protesto legítimo pelas causas de todos, toma corpo o ódio e a desarmonia social. Há quem ignore a longevidade da corrupção, ignorando também, a presença dela no seu meio representada por questões inimagináveis.

Nesse contexto, os valores éticos se perdem conspurcados por podres poderes, como diz o poeta. Curiosamente, o desvio de caráter de muitos que governam os destinos da nação está por certos indivíduos normatizado, o que acaba contaminando o cerne do inconsciente coletivo. A deprimente situação cai no antigo dilema do que vem primeiro, se o ovo ou a galinha, uma vez que os protagonistas da corrupção são membros da sociedade, logo, toda ela há que refletir sobre atitudes e ações individuais.

Diuturnamente, a palavra que mais se ouve na mídia é Manobra, que nos últimos oito meses tem sido multiplicada por membros de poderes da República. Uns arquitetam as Manobras, outros as materializam, outros na retaguarda aprovam-nas, tudo na frente do Brasil e do mundo, tornando isso uma bola de neve, difícil de aceitar. Após esse vergonhoso episódio, a palavra Manobra ficará no imaginário brasileiro como sinônimo de corrupção sufocante e assassina de ideais e de pessoas.

Oito meses dedicados a manobrar artimanhas de interesses individuais que se sobrepõem aos interesses nacionais. Tempo que custa caro nos espaços mais caros do Brasil – Câmara e Senado. Tempo roubado da elaboração, estudo, materialização e ampliação dos direitos sociais. Nos últimos dias, somente se tem notícia de Manobras e acordos espúrios, pactuados pelos mesmos golpeadores dos avanços que tentam resgatar a imensa dívida social.

No dizer de um dos parlamentares em momento de crítica captada pela TV Câmara “a crise não chegou aqui, porque os salários dos senhores estão em dia, por isso discutem aumentos salariais para quem ganha muito, enquanto o povo sofre as consequências”. Não se sabe se esses senhores aproveitando a curiosidade pública acerca de delações premiadas, Manobras e afins, não estão aprovando nas sombras, a revisão da lei do (des) armamento, pela qual desejam ampliar o número de pessoas armadas, porque com isso têm lucro.

Convenhamos, os problemas brasileiros devem ser imediatamente amenizados pela classe política, começando pela imediata devolução aos cofres públicos, dos trilhões desviados para os bolsos de centenas de políticos e pessoas ligadas a eles. Também os atos do executivo que penalizam os trabalhadores, restringindo a rotatividade da economia, devem começar retirando as ilícitas mordomias dos políticos, pois o motivo da recessão é ingerência deles. Austeridade na campanha política – é a vez de ganhar eleição com recursos próprios, pautados na competência e na ética dos candidatos, incluindo o voluntariado sem conchavos por fora.

Seria o mínimo respeito ao eleitor/contribuinte, e para que se resgate a credibilidade do Brasil aqui dentro e no exterior, lembrando que ninguém concede crédito, nem confiança a um país, cujos políticos encarregados de gerir os recursos da nação estão na teia de chantagens e manobras.

Efigênia Oliveira é mestra em Educação Holística.