Hospitais lideram acidentes de trabalho na Bahia

O setor hospitalar foi o maior causador de acidentes na Bahia, nos últimos cinco anos, com mais de 8 mil ocorrências. Em seguida, ficaram os setores de construção de edifícios e transporte rodoviário de carga. Esses e outros dados são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho.

De acordo com a coordenadora regional de defesa do meio ambiente de trabalho, a procuradora Silvia Valença, “com relação às comunicações de acidentes de trabalho (CATs) emitidas na Bahia nos últimos cinco anos, chama atenção a informação de que o setor hospitalar emitiu quase quatro vezes mais CATs do que o setor da construção civil”.

Ela destaca que funcionários da área de saúde estão constantemente expostos a riscos biológicos e a resíduos contaminados, além de exposição à radiação e jornadas de trabalho longas, cansativas e estressantes. Por isso, o MPT tem atuado fortemente em inquéritos sobre o trabalho neste ramo.

O Observatório Digital tem como objetivo a promoção do trabalho decente no Brasil, e serve ainda para basear pesquisas científicas por meio de dados transparentes e de fácil mensuração. Ele foi criado a partir da cooperação técnica internacional entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

74 MIL SOFRERAM ACIDENTES DE TRABALHO

Casos como o do funcionário morto ao cair de um andaime no centro Industrial do Subaé em Feira de Santana, dia 28 de fevereiro, e dos dois trabalhadores acidentados durante uma obra na Rua Carlos Gomes, em Salvador, no começo do mês de março, mostram que o meio ambiente de trabalho ainda precisa de atenção e busca por soluções.

Segundo o Observatório, entre 2012 e 2017, 74 mil pessoas sofreram acidentes no ambiente de trabalho na Bahia. A plataforma mostra ainda que, nesse período, a Previdência Social gastou mais de R$ 27 milhões com benefícios acidentários.

Na Bahia, o valor pago pelo INSS por afastamento de trabalho vem caindo. Enquanto em 2012 se pagou quase R$ 138 mil, em 2017 o gasto foi de pouco mais de R$ 61 mil. Os setores que mais afastam trabalhadores são a administração pública, bancos e construção de edifícios. Ainda segundo os dados, as lesões mais frequentes em atividades laborais são corte, laceração, fraturas, contusão, esmagamento, torção e distensão.

Apesar dos números de acidentes e mortes ainda serem grandes, os casos vêm diminuindo, como na Bahia, onde vem caindo desde 2015. Os dados ainda assustam, mas essa diminuição mostra que cada vez mais a atuação de órgãos que regulamentam as leis trabalhistas e que protegem o trabalhador são seguidas, visando o bem-estar e a saúde dos obreiros.