Cláudio Rodrigues

 

Por prepotência, a emissora dos Marinhos mandou às favas a saúde das “crianças esperança” de todo o Brasil.

O portal de notícias UOL, do Grupo Folha, no dia de hoje (14/9), traz matéria sobre o boicote da Rede Globo, líder de audiência em TV aberta no País, à Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo e a Paralisia Infantil.  A alegação da “Deusa Platinada” para não veicular a campanha foi a presença de personagens de mídias concorrentes, no caso a Galinha Pintadinha e a apresentadora Xuxa Meneghel.

Os VTs a serem veiculados tinham Zé Gotinha ao lado da Galinha Pintadinha, de um personagem do game “Just Dance” e de Xuxa, madrinha da campanha, em dois momentos: nos anos de 1980, quando era uma das estrelas da programação global e agora depois de ser contratada pela Record. André Timóteo, executivo de Negócios da emissora, alegou que não seria possível apresentar os comerciais por uma série de restrições.

Em relação à Galinha, “além do Canal Youtube, é um desenho animado disponível em plataformas de streaming. Sendo assim, não pode ter veiculação na Globo”. Sobre a Xuxa, o executivo afirmou: “a TV infelizmente recusa mensagens publicitárias com personagens de programas da Globo ou que tenham a finalidade de evocar determinado personagem ou programa da Globo ou emissoras concorrentes”.

Como é do conhecimento geral, a Campanha de Vacinação alcançou números muito abaixo do esperado. A meta de imunizar 95% do público alvo, chegou a menos de 75%, o que obrigou o Ministério da Saúde a prorrogar a campanha até a data de hoje. Por prepotência, a emissora dos Marinhos mandou às favas a saúde das “crianças esperança” de todo o Brasil.

Nenhuma emissora de rádio ou TV brasileira é dona do canal em que sua programação é exibida. Todos os canais de sinal aberto pertencem ao Estado e são concedidos temporariamente às emissoras, via processo de licitação. Sendo assim, a Globo não poderia rejeitar a veiculação dos comerciais da Campanha Nacional de Vacinação por um pretexto tão fútil.

Os candidatos ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional deveriam aproveitar o momento da campanha eleitoral para discutir a Regulamentação da Mídia. O debate sobre a regulamentação dos meios de comunicação se faz necessário. Não se trata de controlar os veículos e impedir criticas ao mandatário de plantão.

A radiodifusão é um serviço público e tem que ser prestado com base no interesse público e não no interesse quase que exclusivo de certos grupos da sociedade. A mídia eletrônica representa um setor econômico dos mais importantes do país, por isso, precisa de regras para o seu funcionamento, para coibir a formação de oligopólios ou de monopólio.

Vale lembrar que alguns artigos da Constituição de 1988 que tratam do setor não foram regulamentados até hoje pelo Congresso. Essa discussão tem que entrar na pauta do próximo governo, para evitar que o alter ego dos chefões da mídia prevaleça sobre o interesse público.

Cláudio Rodrigues é consultor de empresas e de comunicação.