Marco Wense

 

 

Confesso que não tinha essa informação sobre esse inesperado propósito de Jaques Wagner de presidir o Partido dos Trabalhadores, cuja estrela não é mais cintilante como em priscas eras.

 

 

Matéria do Política Livre, do jornalista Raul Monteiro, diz que o ex-governador Jaques Wagner deseja assumir o comando estadual do PT.

A legenda está sob o controle de Josias Gomes, integrante do primeiro escalão do governo Rui Costa como secretário de Desenvolvimento Rural (SDR).

Josias, aliado do presidente do PT, o ex-ceplaqueano Everaldo Anunciação, ganhou projeção política com o ex-prefeito Geraldo Simões, que o acolheu quando gestor no primeiro mandato. “Minha pedinha”, como é chamado por alguns petistas e muitos eleitores, foi alcaide de Itabuna por duas vezes.

A pretensão do ex-geraldista de carteirinha, de fazer o sucessor de Anunciação, mantendo o PT sob sua batuta, é perfeitamente normal e legítima. Josias quer um outro Everaldo, confiável, fiel e extremamente obediente.

O que chama atenção é o fato de Wagner estar na disputa pela presidência da legenda, já que, como senador, terá pela frente um árduo trabalho na Casa Legislativa, principalmente fazendo oposição ao Governo Bolsonaro.

E qual seria a intenção do ex-chefe do Palácio de Ondina na disputa pelo comando da sigla? É a pergunta que começa a circular nas hostes do petismo, inclusive com o conhecimento do ex-presidente Lula, que, de dentro da prisão, acompanha os passos dos companheiros.

Wagner, como postulante ao lugar de Everaldo, ex-vereador em Itabuna, é a prova inconteste que a vontade de derrotar Josias Gomes é grande. Qualquer outro adversário é tido pelos josianistas como fácil de vencer. A vitória seria dada como favas contadas.

Segundo o sempre bem informado Raul Monteiro, a eleição para a escolha do substituto de Everaldo foi adiada, “sob o argumento de que o partido precisa concentrar suas energias na oposição ao governo Bolsonaro (PSL)”.

Wagner versus Josias. O governador Rui Costa, mais cedo ou mais tarde, vai ter que tomar uma posição. É o que espera seu “criador político”, que sempre ficou do seu lado quando a maioria das lideranças expressivas da legenda não o queria como candidato ao governo do Estado.

Josias Gomes até que tentou ser o candidato do PT. Fez várias manobras para fritar Rui Costa, na época secretário de Relações Institucionais do então governo Wagner.

Cabe agora, até mesmo como reconhecimento ao esforço que Wagner fez para lançá-lo como candidato à sua sucessão, com as pesquisas apontando Rui com pouco mais de 2%, o apoio explícito do governador, sem arrodeios e meias palavras.

Confesso que não tinha essa informação sobre esse inesperado propósito de Jaques Wagner de presidir o Partido dos Trabalhadores, cuja estrela não é mais cintilante como em priscas eras.

PS (1) – O sonho de Josias Gomes é sair candidato a prefeito de Itabuna com o apoio do PSB, PCdoB, PP, PR, PSD e outras legendas da base aliada do governador Rui Costa. O maior obstáculo é o diretório do PT de Itabuna, sob o controle de Geraldo Simões, ainda na dúvida se disputa ou não o centro administrativo Firmino Alves na sucessão de 2020. Mesmo que o ex-prefeito desista de ser um prefeiturável, dificilmente apoiaria Josias. Até as freiras do convento das Carmelitas sabem os motivos.

PS (2) – Fazendo uma comparação tupiniquim, diria que Geraldo Simões é o “Senhor de Ferro” do PT de Itabuna, assim como Maria Alice, secretária de Governo, continua sendo a “Dama de Ferro” do prefeito Fernando Gomes.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.