Cedeba recomenda alimentação saudável e fuga de dietas milagrosas

Josué Antônio Santos Silva, de 56 anos, eliminou, em menos de três meses, 11 dos 144 quilos que pesava ao chegar ao Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba).O morador de Ilhéus está mudando sua vida com o aprendizado no Núcleo de Obesidade do Centro.

Josué Antônio relata que, mesmo desempregado, está conseguindo manter o equilíbrio na alimentação, e fazendo exercício físico com caminhada diária na praia. Ele contou a experiência na sexta-feira (29) para os pacientes na segunda sessão deste ano, em Salvador, sobre obesidade, que teve como temas “Falando de Nutrição” e “Plano Alimentar”.

Com histórico familiar de obesidade (cinco dos 11 irmãos já passaram pela cirurgia bariátrica) Josué também sonha com a cirurgia, mas entende que precisa mudar o estilo de vida, agora, para ter sucesso e manter o peso após a redução do estômago. Está muito animado porque “o atendimento aqui é muito bom porque aprendemos o que fazer para emagrecer, além de contarmos com excelentes profissionais que muito nos ajudam a ter consciência sobre a obesidade”.

REEDUCAÇÃO ALIMENTAR

No Cedeba, os pacientes aprendem que a saída é a reeducação alimentar. Não se fala em dieta. Por isso, segundo a nutricionista da Cedeba, Lorenna Fracalosssi, é muito importante não se deixar influenciar pelas dietas milagrosas, que se multiplicam atualmente com a Internet. “Nem do ovo, nem da sopa, nem da lua”, observa.

Ao explicar os diferentes grupos de nutrientes, Fracalossi destacou que nosso organismo necessita de todos, mas é preciso o equilíbrio. O prato ideal – explicou -deve ter 55% de vegetais, 25% de proteínas e 20% de carboidratos.

Mas a questão não se limita aos percentuais, porque é preciso preparar os alimentos de forma saudável, variar a apresentação e os itens de cada refeição, orientou a nutricionista, citando o azeite de oliva, uma gordura boa, mas que jamais deve ser usado para fritar alimentos. Tem que ser consumido em temperatura natural.

VEGETAIS

Quantos aos vegetais, mostrou que muitas pessoas dizem não gostar de salada porque se limitam a fazer a tradicional TCA (tomate, cebola e alface). Usando a imaginação e os vegetais e frutas da estação, dá para fazer muitas combinações coloridas, saudáveis e de sabor quer agrada.

Deu como exemplos de salada simples acelga com manga; agrião, alface e tangerina; alface, tomate, cebola e uva passa; alface, repolho, manga e abacaxi; alface, agrião, cenoura ralada e granola. O caminho é usar a imaginação. Citou o abacate (gordura boa) que está na safra e com preços acessíveis e também pode ser usado na salada.

Lonenna explica que no grupo dos cereais estão as massas, fontes de carboidratos, muito importantes por garantirem a energia para o corpo funcionar, correr, andar, pular.Já o grupo das frutas e hortaliças – explicou – reúne alimentos muitos importantes por serem ricos em vitaminas e sais minerais, essenciais para o organismo. Os amarelos, ricos em betacaroteno: os vermelhos, como o tomate, contem o licopeno e os roxos, os flavonóides (berinjela, repolho roxo, uva) necessários à saúde dos vasos sanguíneos.

Muito importante, segundo a nutricionista é variar. E quanto mais colorido o prato, mais saudável. A combinação de todos os nutrientes é o caminho para alimentação saudável. No grupo dos açúcares (carboidratos simples) estão alimentos que devem ser usados com moderação. No caso dos diabéticos, a escolha deve ser o adoçante, porque o açúcar não deve fazer parte do cardápio.

Quanto às gorduras (margarina, manteiga, óleos vegetais, castanha) o consumo também deve ser moderado, segundo a nutricionista nos casos de obesidade, doenças cardiovasculares, hipertensão, colesterol elevado e diabetes.

GORDURA BOA

Um exemplo de gordura boa é a sardinha, rica em Omega 3, mas a forma de preparo é preciso ser observada, como orientou Lorenna Fracalossi. Nada fritar a sardinha, mas preparar na panela de pressão.As proteínas que como explicou didaticamente a anutricionista,equivalem aos tijolos de uma construção. Neste grupo estão as carnes, leites e derivados e leguminosas, como o feijão, por exemplo.

Os conhecimentos sobre Nutrição ajudam o entendimento do Plano Alimentar que é individual porque leva em conta as necessidades de cada peso. Relação peso x altura, mas considera também a idade, o tipo de atividade, jornada de trabalho, como explicou a Luciane Barros.

Ela destaca que o plano também permite ao paciente fazer escolhas dento de cada grupo de alimentos, mas o sucesso depende da vontade de mudar porque o profissional orienta, mas é preciso querer mudar estilo de vida. E os pacientes reconhecem que não é fácil.

Uma paciente resumiu as dificuldades que o obeso enfrenta, principalmente a discriminação da sociedade. “O obeso carrega o olhar da tristeza, principalmente quando não consegue se encontrar. Reduz o peso, aumenta, reduz de novo. Aqui no Cedeba encontrei a minha dignidade”, resumiu.