Marco Wense

 

 

Que situação, hein! Os senhores políticos, independente de ideologia, seja de esquerda, direita ou qualquer outro rótulo, adoram acordar o “monstro” do impeachment, que não consegue passar um bom tempo dormindo.

 

Torcer para que a economia possa apresentar bons resultados. É o que pode salvar o atabalhoado governo do presidente Jair Messias Bolsonaro. Do contrário, o nevoeiro pela frente, a incerteza e a instabilidade.

Quando a economia vai bem, os problemas no campo político, por mais graves que sejam, terminam sendo superados. Mas o coquetel com economia sem mostrar sinais de recuperação e imbróglio na seara política é preocupante. Esses dois ingredientes juntos terminam acordando o “monstro” do impeachment.

Deixando a economia de lado, cuja deflação não é vista com bons olhos pelos renomados economistas, vamos nos ater ao péssimo ambiente político, com o chefe do Palácio do Planalto brigando com seu próprio partido, o PSL, que de nanico passou a integrar o rol das maiores legendas do Congresso Nacional.

A permanência do presidente da República na sigla que o elegeu, que abraçou sua campanha quando todos achavam que sua candidatura era de brincadeirinha, ficou insustentável depois das declarações de desprezo pelo partido e sua liderança maior, Luciano Bivar.

Bivar, presidente nacional da sigla, ficou perplexo, sem os pés no chão, quando soube da fala de Bolsonaro, pedindo para que seus apoiadores esquecessem o PSL. Em tom de desabafo e revolta, Bivar disse que a declaração foi “terminal”, que Bolsonaro “já está afastado do partido”. E mais: “Não estamos em grêmio estudantil. Ele pode levar tudo do partido, só não pode levar a dignidade, o sentimento liberal que temos e o compromisso com o combate à corrupção”.

Esse pega-pega, Bolsonaro versus PSL, vai servir para apontar quem são os verdadeiros bolsonarianos. Quem for, tem que acompanhar o presidente na sua procura por outra agremiação partidária, mostrar que a fidelidade ao líder é intocável. Os senhores presidentes de comissões provisórias, sejam nos estados ou municípios, devem deixar imediatamente o comando do partido, sob pena de serem taxados de bolsonaristas de mentirinha ou oportunistas de plantão.

Que situação, hein! Os senhores políticos, independente de ideologia, seja de esquerda, direita ou qualquer outro rótulo, adoram acordar o “monstro” do impeachment, que não consegue passar um bom tempo dormindo.

Concluo fazendo uma pergunta: O que o “monstro” do impeachment diz quando é acordado pelo jogo do poder? Ora, ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem a resposta: “Esses políticos são chatos, não posso nem tirar uma soneca”. É realmente impressionante. Os políticos cavam o próprio buraco.

E quando penso que deixaram de eleger Ciro Gomes, a tristeza vem à tona. Ciro é, sem nenhuma dúvida, o político brasileiro mais preparado. O Brasil cada vez mais precisando de Ciro Gomes.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.