WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
alba





abril 2018
D S T Q Q S S
« mar    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

editorias






:: ‘Artigos’

A INCÓGNITA PRESIDENCIAL DE 2018

Áureo Júnior | aureojunior1996@gmail.com

 

 

Neste sentido podemos inferir que, se Lula não puder registrar sua candidatura, a alternativa mais racional para o PT chegar ao poder novamente é ser vice em uma dobradinha Ciro-Haddad (PT) ou Ciro-Wagner(PT).

 

No presente ano podemos ter uma disputa presidencial sem a polarização PT x PSDB que foi constante nas últimas eleições. Se com Lula na disputa só resta saber quem será o seu adversário no segundo turno, sem ele a competição fica muito embolada entre Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Joaquim Barbosa (PSB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). Como todos os citados estão pontuando razoavelmente bem, dificilmente abrirão mão de candidatura própria.

Neste sentido podemos inferir que, se Lula não puder registrar sua candidatura, a alternativa mais racional para o PT chegar ao poder novamente é ser vice em uma dobradinha Ciro-Haddad (PT) ou Ciro-Wagner(PT), pois esses dois nomes citados pelo partido para uma eventual candidatura atingiram somente 2% dos votos na última pesquisa do Datafolha.

Podemos também notar que o deputado Bolsonaro vem há muito tempo mantendo sua base de votos, que gira em torno de 15%, porém não consegue decolar. Situação essa que tende a piorar com o início dos debates, pois o mesmo tem limitações para argumentar sobre alguns assuntos como economia, por exemplo.

Também é importante lembrar que, embora não sejam protagonistas, temos outros candidatos muito interessantes, com uma boa oratória e que certamente vão enriquecer os debates, como Guilherme Boulos(PSOL), Manuela D’ávila(PCdoB), João Amoêdo(NOVO), Flávio Rocha(PRB) e o próprio presidente Michel Temer(MDB).

Áureo Júnior é estudante de Pedagogia na Faculdade Educacional da Lapa (Fael).

DATAFOLHA E AS ELEIÇÕES 2018: LULA MANTÉM DIANTEIRA BEM LONGE DO 2° COLOCADO, MESMO APÓS PRISÃO

Josias Gomes

 

Mesmo que a direita consiga retirar Lula do quadro de presidenciáveis, a pesquisa mostra que transferência de votos a um candidato indicado por ele fará com que esse candidato esteja no segundo turno das eleições, o que prova a infrutífera ação da direita em excluir o ex-presidente do pleito de 2018.

 

Apesar do esforço de interpretação contrária a Lula e ao PT feito pela Folha, a nova pesquisa Datafolha revela um quadro amplamente favorável ao PT e às esquerdas, com o Centro e à Direita fora das preferências dos eleitores.

A pesquisa foi feita após uma semana da prisão de Lula, e da forte propaganda contra o PT, e o companheiro Lula continua em ampla dianteira nas intenções de votos: 31% contra 15% do candidato de extrema direita.

Quando Lula é retirado do questionário, então a porca torce o rabo, o vazio eleitoral fica mais explícito. Cresce enormemente o número de votos nulos e brancos, enquanto 66% dos eleitores que dizem preferir Lula afirmam que votarão no candidato indicado pelo ex-presidente.

Isso prova que, mesmo que a direita consiga retirar Lula do quadro de presidenciáveis, a pesquisa mostra que transferência de votos a um candidato indicado por ele fará com que esse candidato esteja no segundo turno das eleições, o que prova a infrutífera ação da direita em excluir o ex-presidente do pleito de 2018.

Com Lula candidato, o Datafolha colheu os seguintes números: Lula (31%), Bolsonaro (15%), Marina (10%), Joaquim Barbosa (8%), Alckmin (6%), Ciro (5%), Álvaro Dias (3%), Manuela D’Ávila (2%), Collor (2%), Rodrigo Maia (1%), Meirelles (1%), Flávio Rocha (1%). Amoedo, Rabello, Boulos e Affif não pontuaram. Nulos e brancos (13%).

Sem Lula candidato, os números do Datafolha são os seguintes: Bolsonaro (não passa de 17%), Marina (vai de 15% a 16%), Joaquim Barbosa (varia de 9% a 10%), Ciro (9%), Alckmin (varia de 7% a 8%). Enquanto isso, no Nordeste, entre 31% e 34% não teriam candidato, com Lula fora do jogo.

LULA LIVRE!

Josias Gomes é deputado federal do PT da Bahia.

O AUMENTO DA PASSAGEM É ILEGAL E IMORAL

Saulo Carneiro | saulo.carneiro@yahoo.com.br

 

Porém, a decisão ignora por completo o decreto municipal 11.919 de 2016, que aumentou a tarifa de R$ 2,50 para R$ 2,85. Este decreto estipulou como condições para o aumento, a construção de duas estações de transbordo e renovação de 50% da frota para ônibus com tempo de fabricação de até dois anos, e o restante com até oito anos, o que não foi cumprido pelas duas empresas.

 

As empresas São Miguel e Sorriso da Bahia, tiveram decisão favorável na manhã de hoje (13) sobre o aumento da passagem em Itabuna. O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública, Ulysses Maynard, decidiu que o aumento do valor da tarifa é legal, e emitiu decisão favorável para as empresas. Na decisão, o magistrado diz que “[…]a manutenção da tarifa de R$ 2,85 é ainda mais prejudicial para as concessionárias”.

Porém, a decisão ignora por completo o decreto municipal 11.919 de 2016, que aumentou a tarifa de R$ 2,50 para R$ 2,85. Este decreto estipulou como condições para o aumento, a construção de duas estações de transbordo e renovação de 50% da frota para ônibus com tempo de fabricação de até dois anos, e o restante com até oito anos, o que não foi cumprido pelas duas empresas. O prefeito Fernando Gomes, ao conceder aumento as empresas em fevereiro, desconsiderou as condições do decreto anterior, eximindo as empresas do cumprimento das obrigações contratuais. E agora conta com respaldo da 1ª Vara da Fazenda Pública.

A imoralidade desse aumento é atravessada pelas suspeitas que circundam o processo licitatório que concedeu a exploração dos serviços as duas empresas por vinte anos, realizado no governo Vane. Durante o processo licitatório o edital foi modificado e o prazo expandido em dez dias. Mas o que há de estranho nisso? O dono das duas empresas, Donato Gulin, é investigado na Operação Riquixá do Ministério Público Federal (https://goo.gl/EGx4uj), por manipular processos licitatórios e utilizar do mesmo modus operandi. Entre as cidades onde a investigação está sendo feita, está Porto Seguro. Mas por mais suspeita que a licitação de Itabuna seja, a cidade não foi incluída na investigação do MPF.

A Frente de Luta Contra o Aumento da Tarifa, entregou um dossiê com todas as informações sobre o cartel do transporte, que opera em todo Brasil, e em Itabuna, para todos os vereadores da cidade e pediu abertura de uma Comissão Especial de Inquérito. O presidente da Câmara, Chico Reis (PSDB), afirmou que desconhecia as informações, mas disse ter conhecimento que existe um caixa único das duas empresas. Porém, até hoje a Câmara não tomou nenhuma providência.

A população que utiliza o transporte público sabe mais do que ninguém a situação do mesmo, sabe das precariedades e transtornos enfrentados diariamente. Mas, infelizmente, para a justiça, executivo e legislativo, parece estar tudo bem, não há interesse nenhum por partes destes em melhorar as condições de vida da população e do transporte, mesmo isso sendo um direito constitucional.

O que vemos em Itabuna não é nada mais do que um reflexo do que acontece em todo Brasil. O transporte público tem donos, e estes, tem aliados em todos os setores da sociedade, no judiciário, legislativo e executivo. O lado mais prejudicado dessa história, continuará sendo nós, usuários e usuárias do transporte público, que são quem sempre pagam a conta no final.  

Não aceitaremos esse aumento ilegal e imoral, a população não pode continuar sendo feita refém de um transporte de má qualidade e caro, em detrimento do aumento do lucro dos grandes empresários.

Saulo Carneiro é estudante de interdisciplinar em humanidades da UFSB e membro da Frente de Luta Contra o Aumento da Tarifa.

O PAÍS DOS ABSURDOS, OU DO JEITINHO

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Há outro jeitinho nas leis para os que gostam de enveredar por caminhos mais fáceis e que alguns chamam de tortuosos, com a singela finalidade de escapar das garras da lei, não importando de que lado possa estar.

 

Casuísmos não faltam à administração pública no Brasil. E não é coisa de agora, já nasceu colocando um absurdo no registro de nascimento: a famosa carta enviada pelo escrivão Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel, em que pedia benesses para seus familiares por participar do descobrimento deste Brasil varonil. Embora eu pessoalmente não tenha ciência do resultado, acredito que o pleito tenha sido deferido, pois era costume na época.

Naquele tempo, tudo podia desde que o rei, Sua Majestade, concedesse os benefícios reais a qualquer dos súditos, por relevantes serviços prestados ao Reino ou mesmo à Coroa. Afinal, como dizia o Rei Luiz XIV, o brilhante Rei Sol, “L’État c’est moi”, ou “o Estado sou eu”, pois exercia o poder absoluto sobre o reino da França por 72 longos anos de deslumbramento.

Mas vamos nos ater no Brasil, que copiou ou transferiu os costumes reinantes da Corte de Portugal, mesmo antes de Dom João VI desembarcar em Salvador e no Rio de Janeiro, distribuindo concessões por onde passasse e a quem lhe pedisse. Além dos benefícios financeiros, com sinecuras tantas, ainda existiam os títulos de nobreza dados aos mordomos e outros cuidadores reais, até aos ricos bajuladores do poder.

Com a proclamação da República, pensavam alguns que os usos e costumes mudariam, conforme a etimologia do nome res publica, coisa de todos, do povo, o que acabou não acontecendo, na realidade. República instalada, tinham os que queriam a república ditatorial, que foram defenestrados, e os que preferiam a república democrática, engrossados pelos que apoiavam a monarquia e que não queriam perder as benesses.

Nos costumes de hoje, aquela turma de antes levava a sua mesada – e olhe que ainda não tínhamos criado o mensalão – para emprestar o apoio ao governante de plantão, já sob o argumento da governabilidade. E assim passaram os anos e governos nas esferas federal, estadual e municipal, diferenciando-os apenas no índice de poder e de concessões aos amigos e colaboradores.

Sem qualquer constrangimento, muda-se de partido como quem muda de camisa, com a explicação na ponta da língua, desde que a reciprocidade seja entregue por meios diversos, desde em cédulas em vigor no Brasil ou em países estrangeiros. Podiam, e ainda podem, ser esses pagamentos feitos na base do escambo: voto no seu interesse e recebo favor nos mesmos moldes.

Daí é que acredito tenha sido criada a emenda parlamentar, na qual o beneficiado não é o popular, alguém do povo, mas o próprio político, com uma obra que, coincidentemente, passe pela porteira de sua fazenda, o asfaltamento da rua onde more. Fatos apontam, também, para a informação privilegiada de determinada vultosa obra, onde quem compartilha o segredo passa a comprar léguas e mais léguas de terra.

Como nos mostrou o mensalão e o petrolão, outros meios mais sofisticados foram criados para esconder dos fuxiqueiros, a exemplo do apoio de terceiros, com as riquíssimas colaborações nas campanhas eleitorais. Eu beneficio você, que também me beneficia, pois já recebeu o benefício dado de forma bastante desinteressada do meu amigo e que passa a ser seu amigo.

Assim ficou tudo mais fácil, pois as leis passaram a ser feitas de acordo com os interesses de nosso grupo, beneficiando aqueles que compartilham não só nossas ideias e redes sociais, mas a nossa esperteza. E tudo se resolve entre quatro paredes, como a rodovia litorânea que de repente cisma em se desviar para o interior, sob qualquer desculpa técnica que mereça ser dada.

Há outro jeitinho nas leis para os que gostam de enveredar por caminhos mais fáceis e que alguns chamam de tortuosos, com a singela finalidade de escapar das garras da lei, não importando de que lado possa estar. Se já tivemos a chamada Lei Fleury, nada nos impede que possamos ter a Lei Lula. Ora, se o congresso não pode votá-la devido à intervenção no Rio de Janeiro, que se peça uma ajuda aos maiores juristas e juízes do país para remendá-la.

Os fins justificam os meios, não podemos é deixar de honrar os pedidos de nossos amigos mais chegados. Ora, casuísmo é apenas a submissão de um pensamento e o apoio a um chegado. Como se diz: O amigo tem de ser amigo do amigo, do contrário, não é amigo do amigo. E o que o brasileiro mais preza é ser amigo dos amigos! E olha que a res publica deveria ser de todos…

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de editor da Cia da Notícia.

JOGAR NO SACRIFÍCIO

Cláudio Rodrigues 

 

Diante das adversidades e olhando apenas para os seus interesses pessoais, não levando em conta todos aqueles que embarcaram em sua canoa, o prefeito ACM Neto fez o que o sertanejo chama de mijar para trás, quando o sujeito foge de um compromisso assumido.

Depois de assumir o segundo mandato para a prefeitura de Salvador, o prefeito ACM Neto, iniciou seu projeto para conquistar o governo da Bahia no pleito deste ano. O mandatário da terceira capital brasileira e tida como a vitrine para o seu partido o DEM, passou a agregar ao seu projeto aliados de outros partidos, que enxergavam no prefeito soteropolitano a grande cartada para tirar do poder a hegemonia petista no Estado.

Os planos de Neto e seus aliados pareciam perfeito. O desgaste nacional do Partido dos Trabalhadores, diante do massacre midiático e jurídico pelo qual passa o ex-presidente Lula, principal quadro do partido. O poderio da rede de comunicação da família Magalhães, os holofotes que é administrar a capital baiana e a herança política do avô, amado por uns e odiado por outros. Contribuíam para as pretensões de Neto e seu grupo.

A estratégia carlista estava montada, mas como dizia Garrincha: “esqueceram de combinar com os russos”. No meio do caminha apareceu uma gigantesca pedra chamada irmãos Vieira Lima. A descoberta pela Polícia Federal de uma bunker, com R$ 51 milhões atribuídos aos irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima, aliados de primeira hora do prefeito e donos do MDB baiano, abalou a pré-campanha de ACM Neto.

No outro lado o governador Rui Costa, apelidado de Correria, desenvolveu uma nova forma de administrar. O mandatário  começou a percorrer os municípios baianos, levando obras e serviços e conversando cara a cara com o povo.

Com bons índices de avaliação tanto no interior, quanto na capital, podendo disputar a reeleição no cargo e mantendo os partidos de sua base de apoio comprometidos com a reeleição, o governador Rui Costa passou a ser um adversário difícil de ser batido.

Diante das adversidades e olhando apenas para os seus interesses pessoais, não levando em conta todos aqueles que embarcaram em sua canoa, o prefeito ACM Neto fez o que o sertanejo chama de mijar para trás, quando o sujeito foge de um compromisso assumido. Eis que surge como opção para o DEM e seus aliados o prefeito de Feira de Santana José Ronaldo, para cobrir o rombo na canoa provocado por ACM Neto.

As pretensões do agora ex-prefeito de Feira era disputar uma das vagas para o Senado Federal, mas diante da desistência do prefeito de Salvador, José Ronaldo foi a opção que restou ao DEM. Mesmo com quatro mandatos a frente da segunda cidade da Bahia, José Ronaldo é pouco conhecido no Estado. Vai enfrentar um adversário forte, com o poder da máquina do Estado e um leque de partidos. Sem contar que a desistência de ACM Neto deixou grandes sequelas entre aqueles que apostaram em sua candidatura.

Na política costuma-se dizer: que mineração e eleição só depois da apuração, frase que serve para que o PT e aliados não entrar no clima de jogo ganho. Mas as perspectivas de José Ronaldo não são das melhores, ainda mais sendo escalado para jogar no sacrifício.

Cláudio Rodrigues é consultor.

NETO PULOU FORA

Marco Wense

 

Se as consultas populares apontassem uma eleição acirrada, até mesmo com Rui Costa na frente, ACM Neto seria candidato sem pestanejar.

Da decisão do prefeito ACM Neto de não disputar o Palácio de Ondina, só uma boa notícia: sua popularidade no eleitorado soteropolitano cresceu.

O sentimento que agora prevalece é de que o alcaide, também presidente nacional do Partido do Democratas (DEM), ama Salvador como o vovô ACM amava a Bahia.

Neto se esforça para que seus vários e variados argumentos – alguns convincentes, outros nem tanto – amenizem a insatisfação no campo político.

Essa desistência de Neto, pegando muita gente de surpresa, incluindo aí comentaristas políticos, ainda vai render muita conversa.

Já tem candidato a deputado, seja para à Assembleia Legislativa ou Câmara federal, dizendo que ACM Neto será culpado por uma não renovação do mandato.

Agora, com Neto fora da sucessão, o que antes era dito só pelos governistas, passa a ser também a opinião da oposição. Ou seja, que a reeleição do governador Rui Costa é favas contadas.

Muitos prefeitos oposicionistas já ensaiam uma maneira de se aproximar de Rui Costa (PT). Vale lembrar que governador reeleito é bem diferente de governador candidato a segundo mandato.

Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que o pulo do navio foi em decorrência das fissuras no casco, provocadas pelas pesquisas de intenção de votos.

Se as consultas populares apontassem uma eleição acirrada, até mesmo com Rui Costa na frente, ACM Neto seria candidato sem pestanejar.

Evidente que o discurso seria outro, principalmente em relação a Salvador, dizendo que como governador iria fazer muito mais pelos soteropolitanos.

Na esfera política, quem seria o símbolo da tristeza com o recuo de ACM Neto? Sem dúvida, o vice-prefeito Bruno Reis, que sonhava todos os dias com o cargo.

Marco Wense é articulista e editor d’O Busílis.

AMEAÇA DE GANHAR NO PRIMEIRO TURNO É A “FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA” PARA PRISÃO DE LULA

Wenceslau Junior | wenceslau.uesc@gmail.com

 

Porém, no caso Lula, ao que me parece, o único fundamento que lastreia não é a ameaça à ordem pública ou outro contido no artigo 311 do CPP, mas a ameaça certa de que se permitirem que seja candidato será eleito no primeiro turno e retomará a agenda social e progressista interrompida pelo baixo e duro golpe de estado.

A pré-candidata a presidenta da República pelo PCdoB, deputada estadual gaúcha Manuela D’ávila (Manu), compara a posição do STF em lavar as mãos e permitir a prisão absurda de Lula condenado sem provas, à mesma posição da Suprema Corte Brasileira ao permitir a extradição de Olga Benário para a Alemanha Nazista em 17 de junho de 1936, onde acabou morta numa câmara de gás.

Sem adentrar ao mérito da condenação, porque a pressa de encarcerar um homem que não representa qualquer perigo à sociedade?

Analisando friamente os dispositivos constitucionais iremos concluir que a decisão do STF que acabou tornando regra a execução automática da pena após confirmação da condenação em segunda instância é flagrantemente inconstitucional.

Não é necessário ter formação jurídica para entender a afirmação acima. Basta apenas saber ler e interpretar literalmente o texto constitucional e a legislação infraconstitucional. Vejamos:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;”

Como se nota, o inciso LVII é claro ao afirmar a impossibilidade de formação de culpa antes do transito em julgado da sentença penal condenatória. Ou seja, após esgotados todos os recursos possíveis de serem utilizados pela defesa do réu.

Se existem recursos protelatórios, que proponham a sua supressão através de uma reforma do Código de Processo Penal e de mudanças nos próprios regimentos dos órgãos colegiados.

Se a Justiça é morosa e permite prescrições e impunidade, que há modernizem e aumentem o número de Juízes e Servidores, mas o réu não pode pagar a conta.

O legislador infraconstitucional, em homenagem ao princípio da presunção de inocência insculpida no inciso LVII da CF acima transcrito, fez constar no Código de Processo Penal Brasileiro o seguinte imperativo:

“Art. 283.  Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva.”

Portanto ao analisar o caso concreto da prisão de Lula constatamos que: a) Não se trata de flagrante delito; b) também não decorre de sentença condenatória transitada em julgado, pois ainda existem vários recursos possíveis de serem interpostos; c) também não se trata de prisão temporária ou preventiva. :: LEIA MAIS »

O “DOIDO” DO ACM NETO

Marco Wense

 

Maia insinuou que Neto não seria doido de tomar uma posição de não se candidatar na sucessão estadual: “As coisas com ACM Neto têm começo, meio e fim”, disse o parlamentar.

 

Só faltam três longos dias para que o prefeito ACM Neto decida se vai ou não disputar o Palácio de Ondina, enfrentando o governador Rui Costa (PT-reeleição).

Várias opiniões, entrevistas e comentários, nos diversos meios de comunicação, incluindo aí as redes sociais, vieram à tona em todo o mês de março.

Ontem, pela manhã, foi a vez do deputado federal Arthur Maia expressar, via twitter, sua opinião sobre o vai-não-vai do alcaide soteropolitano.

Maia insinuou que Neto não seria doido de tomar uma posição de não se candidatar na sucessão estadual: “As coisas com ACM Neto têm começo, meio e fim”, disse o parlamentar.

Nesta quinta-feira, Arthur Maia, aproveitando a tal da janela partidária, vai se filiar ao Partido do Democratas, o DEM de ACM Neto.

Ora, Maia não iria assinar sua ficha de filiação sem antes ter a garantia de que Neto sairá candidato a governador, colocando essa condição para sair do PPS.

Foi essa “garantia” que provocou a insinuação de que o prefeito de Salvador não seria doido de recuar na disputa pelo governo da Bahia.

Pois é. O “doido” do ACM Neto vive um dilema que vai ficar marcado na sua carreira política. Aliás, o próprio Neto reconhece que essa é a decisão mais difícil da sua vida.

SÓ CRESCE QUEM RENOVA

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

 

Pela nossa experiência, está por demais claro que o Estado abdicaria de suas atividades empresariais e passaria a atuar como uma fomentadora do desenvolvimento, incluindo, aí, o seu papel regulador das atividades econômicas.

 

Este slogan, “Só cresce quem renova”, foi responsável pela recuperação e transformação da lavoura cacaueira da Bahia e, consequente, da nossa região, por tornar a cacauicultura uma atividade produtiva e rentável. Os resultados, apesar da resistência inicial em voltar a investir na lavoura, nos fez conhecer um período dos mais ricos da nossa história, com o cacau alcançando US$ 5 mil a tonelada no mercado internacional.

Não resta a menor dúvida de que a publicidade é a alma do negócio, desde que ele (o negócio) seja bom, com larga aceitação no mercado, além de remunerar bem o produtor pelos investimentos e custeio. Existe a demanda, temos um produto de excelente qualidade, então só nos resta oferecer ao mercado, que comprará, pois existem consumidores ávidos para consumi-lo.

Esse exemplo acima se encaixa muito bem para exemplificarmos parte do que está acontecendo na China – ainda comunista – mas que “vende seu peixe” como um país de economia capitalista. As reformas estão sendo feitas, de forma gradual e segura – como diria o ex-presidente Ernesto Geisel –, no sentido de oferecer ao mundo produtos cada vez mais bem elaborados e com garantia.

Assim como o Paraguai – guardadas as devidas proporções –, os produtos chineses hoje não são vistos como de péssima qualidade, do tipo R$ 1,99, ou descartáveis, como foram durante muito tempo. Das cópias imperfeitas de produtos fabricados nos Estados Unidos e países do chamado primeiro mundo, passaram a oferecer bens duráveis com garantia de muitos anos, para atrair o consumidor.

E onde o slogan “Só cresce quem renova” se aplica? Na transformação que a China está aplicando na sua economia, mudando os relacionamentos internos e externos, embora mantenha um governo de pulso firme nesse país ainda comunista. Mais nada que se compare aos tempos de chumbo de Mao Tse Tung, quando o que valia mesmo era o poder absoluto do Estado.

Prova dessas mudanças para o regime capitalista é que a República Popular da China iniciou a elaboração de um novo Código Civil, com conclusão prevista para o ano de 2020, embora a parte geral já tenha sido aprovada no ano passado. Com isso, o país assume um papel de relevância no mercado internacional, superando barreiras, inclusive as criadas pelos Estados Unidos.

Com esse novo diploma legal herdado pela humanidade do Direito Romano antigo, e adotado pela grande maioria dos países democráticos, extingue – ou, pelo menos, diminui – as restrições de mercado escravo e mão de obra barata. Por lá, desde o ano de 1949 que foram revogadas as leis de direito privado, resultado das ações do regime comunista em vigor.

No novo código, não só as relações e o direito entre pessoas serão contempladas, como também o direito societário, regulando os contratos entre empresas nacionais e as multinacionais. Contudo, não esperemos que todos os problemas sejam resolvidos de imediato, pelo contrário, novos conflitos haverão de surgir, até por força do conteúdo da legislação, que criará novos conceitos.

O que nos chama a atenção é que a China, principal mercado comprador, passou para uma nova fase: a de solucionar os conflitos de acordo com os modernos padrões legais, rompendo com um costume atávico. Com isso passará a ter uma performance e protagonismo junto à comunidade internacional, rompendo barreiras históricas. O mesmo acontecerá no âmbito interno.

Sem querer comparar mal, a China marcha em direção ao futuro, reconhecendo que o Estado não é um bom administrador de empresas, dentro dos princípios do estado democrático de direito. Essa mudança de comportamento deveria ser um espelho para o Brasil se mirar, e abandonar os péssimos costumes de atuar onde não deveria, e se organizar para governar bem as áreas próprias de Estado.

Pela nossa experiência, está por demais claro que o Estado abdicaria de suas atividades empresariais e passaria a atuar como uma fomentadora do desenvolvimento, incluindo, aí, o seu papel regulador das atividades econômicas. Quem sabe se assim passaria a cuidar bem da educação, saúde, segurança, justiça e legislação, com o cuidado que o brasileiro merece? Seria uma boa opção para desaparelhar o Estado dos governantes e seus apaniguados.

Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.

TEMPO DE SAUDADE DA BOA INFÂNCIA, DA FÉ E DA CRENÇA

Luiz Conceição | jornalistaluizconceicao2@gmail.com

 

O Conceição e o Vila Zara eram como se família única fosse. Pais e filhos se reconheciam no pertencimento. A farra do Judas do Seu Conrado era traço de união a todos. Que tempos memoráveis!

 

Entre os anos de 1960 a 1980, o Sábado Santo, que antecede o Domingo de Páscoa, era marcado pela queima da Judas. Crianças e adolescentes dos bairros Conceição e Vila Zara aguardavam com ansiedade o show pirotécnico comandado pelo Seo Zé Conrado, um coletor de impostos do Fisco em Itapé, que morava no bairro próximo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Com engenhosidade, arte e humor, Conrado esticava fios de arame pelos postes da Praça dos Capuchinhos onde colocava um boneco simbolizando Judas Iscariotes, aquele personagem bíblico que entregou Jesus Cristo ao suplício para a redenção da Humanidade. Repleto de bombas e outros fogos de artifício, o boneco ficava ali o dia inteiro até ser queimado fixado em uma estaca de madeira sendo “insultado” por adultos em repulsa à sua conduta de entregar o Filho de Deus aos algozes.

Crianças e adolescentes não entendíamos muito, mas ficávamos ainda mais ansiosos pela hora da queima do boneco, findo os atos religiosos na igreja. Uma multidão ria à vontade com o “testamento” deixado pelo fajuto Iscariotes, mas era delicioso ver as pilhérias e o legado a pessoas conhecidas dos dois bairros e da cidade como um todo. Sim, políticos também eram vítimas das piadas do Seo Conrado e até gracejavam por reconhecer na brincadeira o humor ferino.

O Conceição e o Vila Zara eram como se família única fosse. Pais e filhos se reconheciam no pertencimento. A farra do Judas do Seu Conrado era traço de união a todos. Que tempos memoráveis! A felicidade enchia a todos pela suposta vingança de ver queimado, depois do rastilho de pólvora nos fios de arame, o boneco que representava o traidor, o falso apóstolo que com um beijo na face entregou Nosso Senhor ao suplício da cruz redentora e salvadora das pessoas que Nele acreditam.

Que a Páscoa, na aurora dominical, represente mais uma dessas passagens para um tempo novo em vez do desamor e do ódio, do ceticismo e descrença, da dor e sofrimento de cada um. É tempo de esperança, certeza e fé que um novo amanhã com amizades sinceras, harmonia e uma sociedade mais fraterna é possível. Que crianças e adolescentes fiquem longe da subjugação das drogas, maus tratos e da violência não só dos dois bairros, como de outros locais. E que renasça a crença de que o amor maior é aquele nascido da família, das boas amizades e da Cruz.

Feliz Páscoa!

Luiz Conceição é jornalista.

UNIVERSIDADE É LUGAR DE DIVERSIDADE

Felipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

No país que mais mata pessoas trans no mundo – 40% do total das mortes, a ação da UFSB, que reserva uma vaga supranumerária na Área Básica de Ingresso, ainda é muito pequena. Que as vagas se expandam para outros cursos, outras universidades e a instituição universitária possa ser equivalente à população que a sustenta e abriga: com gente de todas as raças, gêneros, identidades, credos, culturas, origens.

 

Coloquei meus pés numa universidade pela primeira vez há pouco mais de 18 anos e nunca mais saí. Entrei na UESC em fevereiro de 2000 para fazer minha matrícula como estudante de graduação. Depois disso fui servidor técnico e estudante de mestrado na mesma instituição e, posteriormente, professor da Universidade Federal de Alagoas por quatro anos antes da minha redistribuição para a UFSB. Ao longo desses anos tenho notado uma mudança de composição das comunidades acadêmicas.

Do tempo em que frequentei minha graduação, lembro-me de uma universidade predominantemente branca e de classe média. Conto nos dedos de uma mão os colegas originários de escolas públicas. Negros também eram poucos – em alguns cursos, praticamente inexistentes. Isso me incomodava muito.

Ao longo dos anos, percebi a mudança com o desenvolvimento de uma política de ações afirmativas. Vi uma universidade para poucos se transformar em uma instituição um pouco mais plural, mais completa. Vi estudantes terem suas vidas mudadas pela simples oportunidade de frequentar uma universidade.

Minha instituição de trabalho, a UFSB, notabilizou-se nacionalmente nas últimas semanas em razão da implementação de vagas reservadas a pessoas trans. A universidade sul baiana é a primeira do país a garantir essa reserva na graduação.

Entre os dias 22 e 26 de março, a UFSB oferece vagas de acesso à Área Básica de Ingresso de suas graduações, através de seus Colégios Universitários. Em cada um desses Colégios estão garantidas vagas supranumerárias para indígenas, quilombolas e pessoas trans que tenham cursado ensino médio em escolas públicas.

Lendo alguns comentários nas redes sociais, encontrei muita revolta com a decisão e constatei o evidente: a extrema necessidade desta ação.

Vale ressaltar: a questão não é declarar inabilidade desse grupo e sim de compreender as cruéis condições sociais historicamente constituídas que afastam essas pessoas da oportunidade de estudar e mudar a sua realidade. Não é apenas abrir uma “cota” para pessoas trans e sim de garantir uma política de ação afirmativa que reverta um pequeno aspecto do ambiente negativo a que este grupo é submetido cotidianamente na sociedade, impossibilitando acesso à educação e, consequentemente, emprego.

Estudos apontam que 73% dos estudantes que não se declaram heterossexuais já foram agredidos verbalmente em ambientes educacionais, 25% já foram agredidos fisicamente e 55% afirmam já ter ouvido comentários depreciativos especificamente sobre pessoas trans.

No país que mais mata pessoas trans no mundo – 40% do total das mortes, a ação da UFSB, que reserva uma vaga supranumerária na Área Básica de Ingresso, ainda é muito pequena. Que as vagas se expandam para outros cursos, outras universidades e a instituição universitária possa ser equivalente à população que a sustenta e abriga: com gente de todas as raças, gêneros, identidades, credos, culturas, origens.

Que possamos transformar a realidade através da educação.

Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)

ATROPELADO PELA VAIDADE

Marco Wense

 

O vereador Guinho, que faz um bom trabalho no Legislativo, está sendo atropelado pela vaidade. O eleitor não costuma perdoar os ingratos.

 

O vereador Enderson Guinho, eleito pelo PDT do ex-prefeiturável Antônio Mangabeira, presidente do diretório municipal, pode ir para o PR.

Segundo o blog Ipolítica, o edil estará em Salvador na próxima semana para uma conversa com o deputado federal José Carlos Araújo, dirigente-mor estadual da legenda.

Guinho, que só chegou no Legislativo de Itabuna graças aos votos de legenda do Partido Democrático Trabalhista, foi sufragado por 669 eleitores.

O vereador, que é pré-candidato a deputado estadual, abandona o partido que o elegeu e lhe deu todo o apoio, dando um chega-pra-lá nos companheiros.

O motivo alegado é que a cúpula estadual do PDT resolveu se juntar com outras legendas, incluindo aí o PT, na eleição proporcional para à Assembleia Legislativa, o chamado “chapão”.

O problema de Guinho não é o PT, já que o vereador sempre demonstrou ser um simpatizante do partido, mas sim um caminho mais fácil para alcançar seus interesses pessoais.

Para frear a fúria de alguns pedetistas, Guinho insinua que o PR pode apoiar Mangabeira na sucessão municipal de 2020, como se esse inconsistente argumento servisse para amenizar a ingratidão.

O vereador Guinho, que faz um bom trabalho no Legislativo, está sendo atropelado pela vaidade. O eleitor não costuma perdoar os ingratos.

Outro ponto é que o PR está caminhando a passos largos para apoiar ACM Neto (DEM). Guinho vai ter que rever seu voto na reeleição de Rui Costa.

Em tempo: a suplente do PDT, a fisioterapeuta Sandra Rihan, pode questionar o mandato do vereador Enderson Guinho.

Marco Wense edita O Busílis.

A VIOLÊNCIA EM ITABUNA E A MIDIÁTICA BUSCA POR SOLUÇÃO

Robenilson Sena Torres | robenilson.sena@gmail.com

 

 

Ao analisar o quadro da violência nas localidades de maior incidência, a exemplo da Zona Norte do Município, percebe-se ausência de equipamentos, programas e serviços públicos para garantir os direitos fundamentais inerentes às crianças, aos adolescentes e aos jovens destas localidades.

 

Vivemos o caos da violência desenfreada instalado em Itabuna e, apesar das ações na área da Segurança, o problema parece não ter fim. Paralelamente a isso, surgem os chamados “salvadores da pátria” e os “oportunistas de plantão”, que dizem ter fórmula pronta. É notório que quando se fala em superação da violência, a Secretaria que mais tem recebido visita é a Segurança Pública, como se a resposta estivesse na polícia. Um dos fatores mais relevantes que corroboram para o atual quadro de violência é a falta de efetividade das políticas públicas e aplicação do princípio da proteção integral às crianças e aos adolescentes, aliado a ações desarticuladas do poder público, controle social ineficaz e não gerenciamento dos programas educacionais e sociais existentes, ou seja, a falha do Estado em garantir direitos.

Ao analisar o quadro da violência nas localidades de maior incidência, a exemplo da Zona Norte do Município, percebe-se ausência de equipamentos, programas e serviços públicos para garantir os direitos fundamentais inerentes às crianças, aos adolescentes e aos jovens destas localidades. Constata-se que as maiores vítimas de homicídio são adolescentes e jovens do sexo masculino e negros, números que mostram um claro recorte de classe, idade e cor.

Em dados gerais de Itabuna, 95% das vítimas de homicídios são negras. Números que merecem reflexão e programas direcionados. A ausência de políticas públicas nas áreas de educação, saúde, esporte, lazer, profissionalização, saneamento retrata que a não garantia desses direitos, geram uma série de fatores político-sociais, dentre eles a delinquência juvenil caracterizada pela ausência sistemática do Estado.

Além da falta de oportunidades de trabalho e de alternativas de lazer, uma marca singular dos jovens, nestes tempos, é a sua vulnerabilidade à violência, o que se traduz na morte precoce de tantos. A falta de alternativas de trabalho e lazer não é traço novo na vida dos jovens de baixa renda no Brasil, o medo, a exposição à violência e a participação ativa em atos violentos e no tráfico de drogas seriam marcas identitárias de uma geração, de um tempo no qual vidas jovens são ceifadas como em nenhum outro período da idade moderna, exceto em circunstâncias de guerra civil entre países.

Para solucionar o problema da violência em Itabuna, não existe fórmula pronta. A busca por solução simplistas, embora populares, não são as que vão resolver o problema. Muitos, principalmente no meio político, não queiram de fato resolver, buscam somente “jogar pra torcida”. Almejam votos e holofotes. Idas à Secretaria de Segurança Pública e apelos à redução da maioridade penal não resolvem. Não basta apenas aderir à severidade no controle das ações criminosas.

O crime deve ser prevenido, o foco deve ser ações que previnam a exclusão e a marginalização do indivíduo, a prevenção à violência perpassa por serviços e programas articulados entre setores do poder público e da sociedade civil, diálogo entre as pastas governamentais e orçamento público que atendam a população infanto-juvenil de forma prioritária. As cidades que conseguiram vencer o domínio da violência seguiram por esse caminho. Não há outra saída.

Portanto, se Itabuna quiser sair dessa situação, se faz mister investimento maciço em educação e em políticas públicas, somado a programas que combinem repressão qualificada ao crime e inclusão social. Intervir na realidade social antes que o crime aconteça, utilizando ações estratégicas intersetoriais, mobilização e participação social. E menos discursos midiáticos.

Robenilson Sena Torres é bacharel em Direito e membro do Conselho Tutelar de Itabuna

QUEREM MAIS, MUITO MAIS

Marco Wense

 

Tiram dinheiro da educação, da saúde, enfim, de tudo que é indispensável para o bem-estar do cidadão para satisfazer os parlamentares e seus respectivos partidos.

 

Não satisfeitos com os R$ 1,7 bilhão de recursos para bancar suas campanhas, os senhores deputados e senadores se articulam para ampliar o fundo público eleitoral.

O mais revoltante é o governo criar um teto para os gastos, alegando um rombo nas contas públicas, e ficar na calada da noite alimentando “o quero mais”.

Tiram dinheiro da educação, da saúde, enfim, de tudo que é indispensável para o bem-estar do cidadão para satisfazer os parlamentares e seus respectivos partidos.

Da saúde, tiraram R$ 350,5 milhões, o suficiente, segundo cálculos do jornal Estadão, para arcar com a construção de 150 novas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) ou financiar 859 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Da educação, R$ 121,8 milhões, o que corresponde a 34% de todos os pagamentos que o governo realizou no ano passado no Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância).

O PRB é a legenda que vai receber a maior diferença em relação a eleição de 2014, a “mixaria” de R$ 56,8 milhões a mais em 2018.

O MDB, antigo PMDB, partido sob o comando do senador Romero Jucá, é quem mais vai desfrutar da dinheirada pública, a “ninharia” de R$ 234,3 milhões.

Pois é. E ainda acham pouco, querem mais, muito mais.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

ACM NETO E SEUS DILEMAS

Marco Wense

 

 

Portanto, todo cuidado é pouco com o deputado Lúcio, que já avisou que vai permanecer no MDB e que os incomodados procurem outra legenda.  

Como não bastasse a indecisão de ser ou não candidato ao governo da Bahia, o prefeito ACM Neto tem pela frente o presidente Temer e o deputado Lúcio Vieira, ambos do MDB.  

A autoridade máxima do Poder Executivo, que chegou ao cargo com o impeachment de Dilma Rousseff, tem um alto índice de rejeição, beirando aos 90%.  

O parlamentar baiano, depois do “bunker” de R$ 51 milhões, vive pelos cantos, até históricos correligionários se afastam do ex-chefe.  

O problema é que o alcaide soteropolitano não pode prescindir do bom tempo do MDB no horário eleitoral, sem falar que qualquer atitude de menosprezo a Lúcio pode provocar a ira do irmão Geddel.  

O ex-ministro não vai aceitar que Lúcio seja jogado na sarjeta. O que se comenta, nos bastidores de Brasília, é que Geddel pode insinuar uma delação se a perseguição política contra o mano se tornar um fato.  

Portanto, todo cuidado é pouco com o deputado Lúcio, que já avisou que vai permanecer no MDB e que os incomodados procurem outra legenda.  

ACM Neto vai ter que suportar essas duas “malas”. Como presidente nacional do DEM, partido que integra a base aliada do Palácio do Planalto, terá até que carregá-las.  

Saindo candidato na disputa com o governador Rui Costa (PT-reeleição), Neto tem que rezar muito para que impopularidade de Temer e Lúcio não contamine sua campanha.  

Marco Wense é editor d´O Busílis e da Coluna Wense, no Diário Bahia.

DA SÉRIE “CASOS QUE VI E ASSISTI”: O GUARDA-CU DE ROMUALDO

José Nazal

 

Experiente, Romualdo logo achou a solução: “volte lá e diga a Choule para vir. Já contratei um guarda-cu para ficar atrás dele o tempo todo!”.

 

Na eleição de 2004 tive o privilégio de ver nascer uma nova profissão: guarda-cu. Explico.

Romualdo Pereira, candidato à vereança, inovou a política com a apresentação do boneco “Romualdão”, inspirado na tradição carnavalesca pernambucana. Contratou “Choule” para carregar a peça. Feita em fibra, suficientemente leve para ser carregada, tinha o incômodo de limitar os movimentos do seu carregador, fato esse que passou a ser o deleite da criançada que perambulava pelos comícios e atos políticos.

Passar o dedo na traseira do boneco era um divertimento pela eles e um transtorno para “Choule”, que levava alguns segundos para dar uma volta de 360º, sem enxergar direito devido aos pequenos furos que permitiam a visão. Quando rodava, os meninos rodavam antes… e tome dedada!

O boneco com o “guarda-cu” de Romualdo || Acervo José Nazal

Certo dia “Choule” não apareceu. Todo mundo preocupado, Romualdo também, forçando o candidato a mandar alguém buscar o Romualdão. Quando chegou o preposto, logo lhe foi dito a razão da falta: “Choule” não aguentava mais tanta dedada. Mandou que procurasse outro para carregar.

Experiente, Romualdo logo achou a solução: “volte lá e diga a Choule para vir. Já contratei um guarda-cu para ficar atrás dele o tempo todo!”. Foi assim que nasceu essa nova ocupação e o boneco permaneceu ativo até o final da campanha.

José Nazal é memorialista, fotógrafo e vice-prefeito de Ilhéus.

BRASIL: O PAÍS DO FUTURO

Valéria Ettinger || lelamettinger@gmail.com

 

Precisamos quebrar esse inconsciente coletivo negativo e pessimista que nos paralisa e nos coloca em um lugar de inferioridade e fragilidade social.

 

Quando eu era criança, todos diziam que o Brasil era o país do futuro.

Durante uma fase da minha vida, não compreendia o que a frase significava, mas com o passar do tempo eu entendi que ela era uma metáfora para afirmar que o Brasil era o país da esperança, da felicidade, da alegria, das riquezas, do contentamento, da boa educação, da segurança, da saúde, do bem-estar.

O tempo foi passando, e esse futuro idealizado nunca chegava e ainda não chegou… Uma tristeza assola meu coração porque ao observar a realidade que me circunda só vejo dor, pessimismo, angústias, ódios, pobreza, miséria, invisibilidades, marginalidades, violência, insegurança, doenças, almas enfraquecidas e enlouquecidas, indiferenças e a pior de todas as mazelas: a segregação e o preconceito.

Às vezes fico pensando: será que estamos no mundo de Saramago, onde os que enxergam são cegos e os cegos se enxergam em suas dores infinitas? ou se vivemos em uma sociedade de zumbis, teleguiados por uma força invisível que escurece nossas mentes e nos leva a um lugar de desequilíbrio e separação?

O supérfluo se tornou essencial, e as pessoas vivem como se o outro fosse uma coisa descartável, que a qualquer momento pode ser jogado fora, conforme o humor de quem tem o poder de controlar tudo, através do medo, seja pelas palavras ou pelas armas.

As armas se tornaram o escudo de proteção, a ordem deve ser estabelecida pela força e pela insegurança de que amanhã você poderá não estar vivo para contar uma história.

Fico pensando que mundo é esse que tanto desejamos a paz, mas ao mesmo tempo nos regozijamos com a morte de alguém, apenas, porque ela pensa diferente, ama diferente, vive diferente, tem cor diferente ou se apresenta com qualquer condição que foge do hegemônico ou do padrão dominante ou simplesmente não é como eu, na minha vaidade insana, gostaria que fosse.

Acostumamo-nos com a desordem, com as ilegalidades, com os atos ilícitos com o jeitinho que nos transformou nessa sociedade autofágica que ao invés de se unir para avançar coletivamente se destrói, puramente, porque o próprio umbigo é a única coisa que importa.

É notório como nossa sociedade tem como fundamento o patrimônio que se estabelece por meio de relações desiguais e opressoras, combinadas com um ideal patriarcal que marginaliza as minorias e os movimentos sociais, impedindo que esses tenham seus direitos garantidos e obtenham um lugar que ao longo de nossa história pertenceu aos privilegiados e aos nascidos em berço esplêndido.

Eu poderia não escrever essas palavras que saem de um coração moído e dolorido, porque tive oportunidades que muitos não tiveram, mas não posso, na minha loucura egoísta, não ter uma atitude de alteridade e compaixão, porque o acesso à justiça social deve ser para todos, por entender que enquanto os meus pares não puderem chegar onde eu cheguei, simplesmente, porque a eles não é dada essa oportunidade. Eu devo tomar uma atitude para mudar essa realidade e não, simplesmente, fugir dela ou lavar as minhas mãos. Toda vez que fecho os olhos à injustiça eu me torno conivente com seus resultados.

Mais uma vez meu otimismo foi colocado à prova, mas ao mesmo tempo essa dor me impulsiona a continuar na luta, a não fechar os olhos, a sair da minha zona de conforto, a não ter um discurso de culpabilidade do estado e, simplesmente, permitir que esse Estado continue sendo conduzido pelos opressores, a criminalizar aqueles que estão lutando para que todos possam ter acesso aos bens da vida necessários à felicidade e ao bem-estar.

Hoje, mais do que nunca, tenho a certeza de que o pouco que faço é necessário para garantir às gerações futuras viver em um mundo melhor e acredito que se nos unirmos podemos construir um novo Brasil. Precisamos quebrar esse inconsciente coletivo negativo e pessimista que nos paralisa e nos coloca em um lugar de inferioridade e fragilidade social.

E, assim, eu termino com Aldir Blanc e João Bosco:

[…] Pra noite do Brasil. Meu Brasil. Que sonha com a volta do irmão do Henfil. Com tanta gente que partiu. Num rabo de foguete. Chora. A nossa Pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses. No solo do Brasil. Mas sei que uma dor assim pungente. Não há de ser inutilmente. A esperança. Dança na corda bamba de sombrinha. E em cada passo dessa linha. Pode se machucar. Azar! A esperança equilibrista. Sabe que o show de todo artista. Tem que continuar…

Valéria Ettinger é gestora social e servidora pública.

O APELO DOS CIRCOS INCOMODA

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

A apresentação publicitária era uma pequena prévia do gabarito dos artistas circenses. Se agradava, o espetáculo era garantia de casa cheia, do famoso poleiro (arquibancadas mais altas), passando pelas cadeiras e até camarotes.

 

Hoje tem espetáculo? Tem, sim senhor! Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! Hoje tem palhaçada? Tem, sim senhor! Então, arroooooochaaaaa, negrada! Era assim o apelo publicitário dos circos na minha infância e adolescência. O palhaço com sua perna de pau, alguns anões, e outros personagens circenses que, todos a pé, circulavam pelas ruas da cidade, convidando o respeitável público para os shows.

Não tinham alto-falantes – no mínimo uma espécie de corneta com a aparência de um funil – mas tinham graça e sabiam arrastar uma galera de moleques, que como eu não resistiam ao charme do palhaço e sua trupe. Se bem que não era apenas o charme do palhaço que nos fazia acompanhá-lo, mas a possibilidade de assistir ao espetáculo, gratuitamente. Bastava o palhaço marcar o nosso braço com uma tinta apropriada.

Que publicidade melhor do que essa para “arrebanhar” assistentes para o grandioso espetáculo? O respeitável público comparecia em massa para conhecer a variedade de atrações, que iam do drama ao globo da morte. Ainda mais se fosse o Capitão Anthony. Palhaçadas, a emoção do trapézio, leões, macacos, elefantes, a mulher de borracha, e uma centena de artistas capazes de agradar aos mais variados gostos.

Mas, se o circo fosse mambembe, a alegria também contagiava a todos nós, que nos apresentava aos donos e artistas do circo, como parte dos personagens da publicidade volante. Para dar credibilidade e a garantia de público, até oferecíamos o roteiro a ser percorrido, principalmente passando pelas ruas cujos moradores seriam presença assegurada, dado ao poder aquisitivo favorável.

A comunicação era perfeita, sem muita zoada, apenas a garganta era suficiente para fazer com que as pessoas deixassem o interior de suas casas, aparecerem no passeio e soltarem boas e alegres gargalhadas. A apresentação publicitária era uma pequena prévia do gabarito dos artistas circenses. Se agradava, o espetáculo era garantia de casa cheia, do famoso poleiro (arquibancadas mais altas), passando pelas cadeiras e até camarotes.

Lembro-me até hoje da boa comunicação, feita por quem tinha o dom e a sabedoria da arte da publicidade, embora nenhum deles tenha passado em frente ou alisado os bancos de uma faculdade de marketing e propaganda. Simples, eles não queriam inventar a roda, apenas vender seu peixe bem vendido, com a competência de quem sabia e gostava do que estavam fazendo.

Nos dias atuais, em que falamos de boca cheia que temos e utilizamos tecnologia, parece que desaprendemos a boa prática de vender nossos serviços de forma eficiente, para termos eficácia no nosso negócio. Inventamos fórmulas mirabolantes que não levam a nada, a não ser a confusão na cabeça das pessoas. É o chamado “embromeicho”, “enroleicho” que ninguém entende ou gosta.

Pra começo de conversa, partem do princípio de que todos somos surdos – ou nos querem fazer surdos –, ligando os carros de som numa altura insuportável, nos obrigando a ouvir uma verborragia na voz execrável de um locutor horrendo e inconveniente. Se fosse só isso – que já é demais –, até poderíamos tolerar o incômodo, mas os carros de som percorrem, insistentemente, as ruas, um atrás do outro, deixando-nos martirizados.

Pensa que acabou, caro leitor: nem pense, pois sequer falei nas baterias de fogos, queimados a todo o instante, como se tivessem a intenção de deixar os shows pirotécnicos de Ano Novo em Copacabana no chinelo. Ledo engano, os fogos daqui somente fazem zoada, para o desespero de pessoas idosas, doentes, crianças e os animais.

Os donos dos circos Show Fantástico e Dayllon, ou seus gerentes, devem ter ouvido de alguém que em Canavieiras tudo começa e termina com a queima de fogos, daí que devem ter acreditado e torraram o dinheiro do mesmo modo que o poder público. Pelas minhas desconfianças, aí deve ter o dedo do jornalista Tyrone Perrucho, fogueteiro mor dos tempos que o fuzilar de fogos era sinônimo de recontagem de votos. Tudo passado e boa molequeira.

Esperamos que na próxima safra de circos que venham apresentar seus espetáculos ao nem tão respeitável público, receba, por parte do poder público municipal (meio ambiente) e do ministério público, as orientações sobre a legislação pertinente. Caso não acatem as recomendações, é o dever das nossas polícias civil e/ou militar enquadrar os infratores na forma da lei, como diz o jargão.

Tudo por uma questão de respeito.

Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.

TE PEÇO DESCULPAS

Valéria Ettinger | lelamettinger@gmail.com

 

Vou lutar do seu lado para que todos possam entender que nós, mulheres, não queremos ser melhores que os homens ou subjugá-los. O que nós queremos é ter direitos, respeito e viver com dignidade.

 

Te peço desculpas por um dia ter me afastado de você.

Te peço desculpas por um dia ter julgado você.

Te peço desculpas por um dia ter competido com você.

Te peço desculpas por um dia não ter acreditado em você.

Te peço desculpas por ter criticado você.

Te peço desculpas por ter falado do seu vestido, do seu batom, da sua dança e da sua gargalhada.

Te peço desculpas por te chamar de “puta”, simplesmente por você ser livre.

Te peço desculpas por não ter te apoiado e de defendido quando você era ignorada, vilipendiada, abusada, explorada e violentada.

Te peço desculpas por ter dito que você era culpada.

Te peço desculpas por não ter aceitado você porque tinha filhos.

Te peço desculpas por um dia ter dito que não gostava de trabalhar com você.

Te peço desculpas por ter dito que você era minha inimiga.

Te peço desculpas por ter rejeitado o seu feminismo por acreditar que era uma luta da mulher contra os homens.

Te peço desculpas por ter me afastado do meu feminino sagrado, por, ingenuamente, achar que só seria vista e respeitada se me apropriasse e me comportasse como o masculino.

São tantas desculpas a te pedir…

Mas nesse dia que tentam te presentear, te dizer o quando você é linda e essencial, eu gostaria mesmo que dissessem a você:

Que você pode ser o que você quiser.

Que você não perderá seu emprego porque você engravida.

Que seu salário não será menor do que o do seu colega homem que desempenha a mesma função.

Que você não precisa ter medo do homem que te segue, porque ele é, apenas, um transeunte passando próximo.

Que você não vai ser estigmatizada pelo jeito que se veste e se comporta.

Que você pode ficar tranquila, pois ao chegar em casa, cansada, o seu homem vai está com o jantar te esperando e já vai ter feito a lição com os seus filhos.

Que tua voz vai ser escutada e a sua ideia será acatada.

Que sua condição será sua felicidade e não a sua dor.

Hoje, eu quero te dizer que jamais te abandonarei e seja o que você escolha fazer ou queira ser, eu, jamais, irei te apontar o dedo, simplesmente, por você ser mulher.

Vou lutar do seu lado para que todos possam entender que nós, mulheres, não queremos ser melhores que os homens ou subjugá-los. O que nós queremos é ter direitos, respeito e viver com dignidade.

Feliz dia Internacional da Mulher que luta por todas.

Por vocês, para vocês e com vocês mulheres. Sororidade!

Valéria Ettinger é mulher, mãe e amiga.

“NÃO MEXE COMIGO”

Mariana Ferreira

 

Quanto ao médico, fui informada pela ouvidoria do hospital, no período da tarde, de que foi afastado dos plantões e está sendo investigado. Aqui me posicionei e espero que minha voz convide outras mulheres a não se curvarem diante de um assédio, seja ele qual for.

 

 

“… Que eu não ando só”. A frase, entoada na poderosa voz de Maria Bethânia, serve bem como lema da luta feminina. São inúmeras as experiências ruins, deflagradas por invasões masculinas, na vida de qualquer mulher em qualquer etapa de sua existência. Basta nascer com esse sexo. Não é preciso ser representante de nenhum movimento para afirmar em alto e bom som que esse mau é real.

Relatar um assédio sexual ainda é um dilema na atualidade: para muitas mulheres, por medo da reação do agressor, e para outras muitas, pelo medo da exposição e do estigma de uma sociedade que tem a cultura de se voltar contra a vítima. Mas como diz Maria Bethânia, “não ando no breu, nem ando na treva”, e por isso não serei eu que me calarei.

Sempre fui bem tratada na Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, local que sempre considerei um dos mais seguros da cidade para um cidadão buscar atenção à saúde. Não imaginava que seria lá que sofreria desrespeito e teria o meu pior Dia Internacional da Mulher. Justo numa instituição que tem 101 anos de fundação, mais de 70% do seu quadro funcional formado por mulheres e que presta relevantes serviços à sociedade, como o 1º Mutirão da Mulher no próximo dia 10. Em atendimento por causa de uma dificuldade respiratória pela manhã, o médico plantonista Luiz Duarte mostrou sua forma de agir num procedimento de ausculta respiratória, tocando de forma invasora uma paciente.

A primeira reação de uma mulher nessa circunstância infelizmente é tentar fazer a “ficha cair”, porque, apesar de todo o preparo que buscamos ao longo da vida – psicológico, emocional e físico, nunca imaginamos que isso vá acontecer conosco. A atitude foi flagrante, e era o meu dever reagir, pois algumas coisas que vêm à mente são: “eu pertenço a mim, ele não tem esse direito” e “não fui a primeira e não serei a última se eu permitir que continue às escuras”.

É preciso calar o medo da exposição para dar voz a um basta. Acredito que nada seja por acaso, e talvez por isso Deus tenha usado alguém com senso de cidadania e responsabilidade para não permitir que esses fatos se perpetuassem, para zelo das pacientes e da própria instituição.

É importante que prestem atenção que nós não queremos, nem precisamos, de piedade. Nós precisamos de apoio com atitude – de homens, mulheres e instituições competentes, e exigimos respeito de todo indivíduo e de sua representação máxima, a sociedade. O problema é que romantizar uma data como o Dia da Mulher só camufla uma realidade emergente.

Flores são bonitas e muitas mulheres, como eu, gostam, mas precisam ser símbolo de respeito praticado cotidianamente, e não banalizadas como têm sido. Assim como os discursos bonitos que são cheios de panos quentes para disfarçar a violência contra a mulher. Quantos assediadores notórios não vemos passarem mel em suas palavras no Dia da Mulher para se mostrarem de acordo com os bons costumes, mas que agem como predadores, não importando o dia, a hora, o local? É repulsivo, é vergonhoso!

Finalizo esse artigo fazendo alguns pleitos à Secretaria de Segurança Pública e à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia. Não se pode falar em respeitar as minas sem olhar para suas estruturas de apoio a elas. A Delegacia da Mulher em Itabuna reúne tudo o que não pode acontecer: endereço num local deserto, com várias ocorrências de assaltos no entorno, a necessidade de subir ladeira para chegar à unidade, um sistema de registro de queixas que demora mais de uma hora para concluir o processo (no meu caso foi 1h15min) e em um cômodo abafado e sem um ventilador sequer para esse momento penoso da denúncia, sem falar na falta de privacidade da denunciante. Passou da hora de melhorar!

Quanto ao médico, fui informada pela ouvidoria do hospital, no período da tarde, de que foi afastado dos plantões e está sendo investigado. Aqui me posicionei e espero que minha voz convide outras mulheres a não se curvarem diante de um assédio, seja ele qual for. Já disse Maria, a Bethânia: “O que é teu já tá guardado, não sou eu que vou lhe dar”. É a Justiça quem vai. O tempo é chegado.

Mariana Ferreira é jornalista.

LUGAR DE MULHER É NA POLÍTICA E ONDE ELA QUISER

Aline Setenta | alinesetenta@gmail.com

 

Em reverência a todas que me
antecederam e que lutaram para que eu
estivesse aqui escrevendo esse texto e as irmãs
que sofrem ainda mais violências do que eu

 

 

A política, assim como os demais sistema sociais ao longo do último século, sempre estiveram ocupados por homens. Assim, não é incomum ouvir “Xaxo” (como fala uma irmã de luta) quando as mulheres decidem ocupar espaços políticos sejam eles institucionais ou não. Loucas, histéricas, vagabundas, mulher-macho, desocupada são alguns dos adjetivos que ouvem as mulheres que “vão pra rua”, candidatam-se a cargo eletivo, ou defendem uma pauta feminista. O discurso feminista tem incomodado conservadores e, por vezes, gerando mais opressão e violência quando as feministas são alvo dos mais diversos ataques como: “isso aí é falta de homem”, “vai lavar louça”, “essa aí vai ficar sozinha”! Apesar da necessidade de combater esses discursos, entendo que são reações esperadas de um sistema social e cultural que agoniza…. são reações daqueles que não querem admitir a mudança que já esta acontecendo.

Sobre isso, gostaria de fazer uma reflexão: ter um companheiro pode não ser o plano de vida mais importante para uma mulher, assim como não é para alguns homens, a felicidade é um estado interior que pode ou não incluir outra pessoa, vamos superar isso de uma vez por todas. E sobre ser ou não “feminina” espero por um dia que cada mulher respeite-se e seja respeitada na sua individualidade, compreendendo que o feminino está dentro, na sua alma, na sua essência, na sua verdade interior. Simone de Beauvoir disse assim: “Que nada nos defina, que nada nos sujeite que a liberdade seja nossa própria substância”!

Segundo o Valor Econômico, o número de lares brasileiros chefiados por mulheres saltou de 23% para 40% entre 1995 e 2015. O volume de homens que se apresentam como chefes de família no Brasil caiu pela primeira vez em 2016, no ano passado, enquanto 2,4 milhões de mulheres passaram a exercer a função de chefe de família no país, 985 mil homens perderam essa função. Tais mudanças refletem as conquistas feministas e a inserção da mulher no mercado de trabalho, mas infelizmente não tem sido acompanhadas, na mesma velocidade, de alterações sociais significativas.

No Brasil, a cada dia 12 mulheres são assassinadas e 135 são estupradas a cada hora, 503 mulheres são agredidas, 61% dos agressores são cometidas por conhecidos, 19% das agressões partem de seus companheiros, 43% das agressões graves ocorrem dentro de casa. Em todo o Brasil, apenas 443 são as delegacias especializadas num universo de 5570 municípios, e destas a maioria funciona de forma precária e por vezes machista consistindo mais um espaço de violência institucional. Por isso posso, apesar de avistar mudanças no horizonte, e algumas já vem acontecendo, ainda há muito a ser feito.

No cenário brasileiro, destacamos iniciativas no campo das políticas públicas, o advento da Lei Maria da Penha Lei 11.340/06, mudanças no âmbito do Direito de Família e recentemente a Lei do Feminicídio Lei 13.104/15. Em 2003, no início do primeiro mandato do presidente Lula, o governo federal transferiu a então Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher, vinculada ao Ministério da Justiça, para a Presidência da República, nascia assim a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), hoje com status de ministério.

A Secretaria ampliou o escopo de atuação do Estado na defesa dos direitos da mulheres e passou a trabalhar em três linhas de ação: políticas do trabalho e da autonomia econômica das mulheres; combate à violência contra a mulher; programas para as áreas de saúde, educação, cultura e ações voltadas para maior participação das mulheres nas políticas de igualdade de gênero e diversidade. Na Bahia, a SPM também tem avançado na institucionalização de políticas públicas e combate à violência destacando a atuação da Polícia Militar com a criação da Ronda Maria da Penha, e esperamos que as demais pautas avancem num futuro próximo. Itabuna precisa também avançar nesse campo, temos o Conselho da Mulher, o CRAM, a DEAM, as instituições precisam se fortalecer, dialogar e se aproximarem da realidade das mulheres em situação de vulnerabilidade. :: LEIA MAIS »

A DRAMATURGIA DE ANINHA

Adroaldo Almeida | adroaldoalmeida@hotmail.com

 

 

O certo é que a crítica “republicana” de Aninha não se interessa pela atuação dos atores e diretores a quem o PT combate. Pelo visto, nem com duas batidas de Molière ela acertaria o fim do espetáculo dos vampirões que tomaram o país.

 

Vez por outra Aninha Franco tenta falar sobre política em seus artigos, mas o que sempre sai é um arremedo de crítica monotemática, repetidamente contra o PT e seus dirigentes, como agora nesse burlesco “A dramaturgia de Jaques Wagner”. Ao que parece, Aninha, a escritora e dramaturga, acha que pertence a uma categoria que chegou ao Planeta para atacar os que pensam diferente dela, inclusive em questões de estética, arquitetura e decoração de interiores. Preconceituosa e enviesada, sugere que a esquerda deve morar para sempre na Cabana do Pai Tomás.

Outro desencontro da personagem política de Aninha é se valer de um jornal, o Correio da Bahia, notório adversário e inimigo imperdoável de Wagner por ter infligido a maior e mais humilhante derrota aos seus proprietários em 2006. Assim fica fácil. Isso é sabujice do pior teatro serviçal.

Neste Brasil véi sem fronteira, muita gente faz teatro como Aninha; alguns, inclusive, a favor dos poderosos; outros, na trincheira da vanguarda contra o atraso; porém há aqueles que não são nem uma coisa nem outra, mas personagens de si mesmos, e escrevem repetitivos monólogos enfadonhos que adormecem a plateia.

Agora, tudo indica, suponho, que Aninha premiada roteirista, não entende patavina de cinema. Pois quando Geddel apareceu chorando diante de um juiz federal em cadeia nacional do JN da TV Globo, Aninha nada falou. Nem, tampouco, quando Rocha Loures foi flagrado correndo, numa cena de perseguição à noite pelas ruas do Rio de Janeiro. Também se calou quando um avião, pertencente ao Senador Perrela, foi filmado pousando no Espírito Santo com meia tonelada de cocaína pura. Ou, quem sabe, ela não aprecie as produções de “terrir” (o terror cômico dos filmes B).

Quem sabe?

O certo é que a crítica “republicana” de Aninha não se interessa pela atuação dos atores e diretores a quem o PT combate. Pelo visto, nem com duas batidas de Molière ela acertaria o fim do espetáculo dos vampirões que tomaram o país.

Adroaldo Almeida é advogado e ex-prefeito de Itororó.






WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia