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:: ‘Artigos’

MANOEL LEAL, NOTÍCIAS DE JORNAL E OUTRAS HISTÓRIAS

Daniel Thame | danielthame@gmail.com

 

A notícia, muitas vezes exclusiva, muitas e muitas vezes corajosa, algumas vezes beirando a irresponsabilidade, era o combustível que alimentava o jornalista Manoel Leal.

 

Há exatos  20 anos, no início da noite de 14 de janeiro de 1998, seis tiros calaram Manoel Leal.

Ainda que assassinos e mandantes continuem protegidos pela impunidade, não se vai aqui repetir o que se escreveu ao longo dos anos, até por ser desnecessário, tanto o que já se falou sobre o crime.

O que vai se fazer aqui é uma homenagem.

Manoel Leal de Oliveira. O maior jornalista que já surgiu nesse chão grapiúna.

Manoel Leal de Oliveira, o cordeiro que às vezes brincava de ser lobo.

Manoel Leal, o que assumia os defeitos e não espalhava as virtudes que tinha.

Manoel Leal.

Nunca, em tempo algum, uma ausência se fez tão presente.

Desconheço, ao longo dos anos, uma conversa de bar que não tivesse convergido para seu nome. Que não remetesse a alguma história protagonizada ou inventada por ele.

Manoel Leal das malhas impagáveis, como a do soco que Carlito do Sarinha deu em Hamilton Gomes, quando na verdade Hamilton foi quem bateu em Carlito. “No meu jornal, amigo meu não apanha, só bate”.

Dos trocadilhos impagáveis com o amigo Hermenegildo, a quem dizia ser muito ágil, numa referência nada sutil à palavra ágio. Amigos, tanto que nas horas de aperto, lá estava Leal batendo às portas do ágil Hermenegildo. E sem pagar ágio.

Da piada infame que contava centenas de vezes, e só ele achando graça, na presença de Roberto Abijaude:
-Vocês árabes são muito unidos…

E completava:

-Também, vieram para o Brasil amarrados no porão do navio.

Da maldade com uma amiga paulista que fez comer o bago de jaca, até então uma fruta desconhecida para a mulher.

Do fogão novo enviado “por engano” para a casa do amigo Flávio Monteiro Lopes, apenas para que a esposa pensasse que ele tinha outra.

Das flores enviadas semanalmente para Nilson Franco, em nome de uma mulher misteriosa.

Leal foi morto a tiros quando chegava em casa, próximo ao Batalhão da PM e ao Complexo Policial.

Manoel Leal que pegava a máquina fotográfica e ficava na porta da Cesta do Povo fotografando as dondocas que escondiam o rosto com suas bolsas de grife. Isso num tempo (e bota tempo nisso!) em que Cesta do Povo era coisa de pobre.

De uma generosidade que não cabia no coração cambaleante.

E vamos ao que interessa, de um talento para fazer jornal, do qual não apenas fui infinitas vezes testemunha como também coautor, que é possível dizer sem correr o risco de cair no ridículo que nunca haverá alguém como Manoel Leal.

Esse faro para a notícia aliado a um destemor apavorante fez de A Região um jornal que não era apenas um veículo de comunicação.

A Região era aguardado nas bancas. Algumas de suas edições se esgotavam logo no domingo, menos de 24 horas após o jornal começar a circular.

E não eram apenas as Malhas Finas e Malhas Grossas, capazes de arrasar reputações ou garantir gozações ao longo de uma semana.

A notícia, muitas vezes exclusiva, muitas e muitas vezes corajosa, algumas vezes beirando a irresponsabilidade, era o combustível que alimentava o jornalista Manuel Leal.

Tráfico de Crianças, Importação de Cacau, Esquema dos “Cabritos” envolvendo autoridades, Fraude no Vestibular da Uesc, Liberação dos recursos do cacau para o então governador Paulo Souto sem as garantias necessárias. E mais uma infinidade de notícias que A Região deu porque só Leal sabia ou porque só Leal tinha coragem de publicar.

Manoel Leal era um garimpeiro de notícias. Isso é raro.

Numa noite de 1996, véspera da eleição municipal. A Justiça determina a apreensão da edição do jornal.
Ordem cumprida com um batalhão de PMs armados até os dentes na porta da gráfica. Leal calmo.

Quando a polícia sai, pergunto:

-Você entregou o jornal assim, sem mais nem menos?

A resposta, seca, irônica.

-Menino, você não notou nada? Eles levaram mil jornais. O resto está aí no fundo.

Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.

E O PAU DE BASTIÃO NÃO SUBIU…

Walmir Rosário | www.ciadanoticia.com.br

 

Feitas as consultas aos conhecedores da história e estórias de Canavieiras, Antônio Amorim Tolentino, Beto Pescoço de Galinha e Raimundo Tedesco, todos me afiançaram não ter registro de acontecimento igual. Só não deu tempo consultar o historiador Durval Filho, pelo adiantado da hora, pôr-do-sol de sexta-feira…

Castigo divino! Foi o sentimento e o desabafo de muita gente na noite desta fatídica quinta-feira, 11 de janeiro de 2018, na praça Coronel Armindo Castro, conhecida como a praça da Capelinha e palco anual da Festa de São Sebastião. Também não era pra menos! Pela primeira vez nesses mais de 150 anos, o Mastro de São Sebastião não erguido pelos “levadores”, responsáveis pelo transporte – nos ombros – do cais do porto até a praça, onde é erguido.

De minha parte vou logo avisando que não vi com esses olhos que a terra um dia há de comer, mas soube do acontecido por pessoas dos variados tipos, a grande maioria tida e havida como idôneas. E o fato era só um: Os levadores do pau de Bastião, homens fortes e experimentados no ofício, não conseguiram erguer o mastro, como fazem com toda a habilidade, por anos a fio.

Que eu lembre, só uma vez, acredito que em 2014, o pau de Bastião – como é carinhosamente chamado – quase não sobe. Mas não foi por falta de força e jeito como o de agora, mas por motivos políticos, perfeitamente sanados pelo organizador dos festejos, Trajano Barbosa, homem sério e respeitado por todos, que estão nesse ofício por mais de 60 anos e que ainda deve continuar per saecula saeculorum.

Confesso que a levada do Mastro de São Sebastião tinha tudo para ser um sucesso absoluto. O pau foi retirado e deixado na calçada da avenida General Pederneiras, junto ao cais do porto, conforme manda a tradição, sem tirar nem por. Também estavam presentes os nativos e turistas, por fim as autoridades, prontas para abrir o cortejo. E que cortejo: com a presença de gente ilustre, deputada estadual, vereadores, presidente da câmara, prefeito e tudo mais.

Na minha humilde visão, achei que iria bombar! Tinha ares de festa ecumênica, com a participação de protestantes. Uma glória! Afinal, a levada do pau de Bastião é uma festa democrática, que conta com os eventos profanos e religiosos, daí a importância da participação de todos os credos, inclusive os que não creem, sejam eles nomeados de ateus ou agnósticos. Inclusive anotei a presença de alguns deles.

Mas, a pergunta que não quer calar é: Por que o pau de Bastião não subiu? Castigo divino ou não, o certo é que, por mais força que fizessem não conseguiam fazer com que o mastro fosse colocado no buraco permanecer altivo e garboso até o dia 20 de janeiro, data em que é homenageado o Santo. Alguns mais afoitos chegavam a afirmar que teria sido uma vingança de Trajano Barbosa por ter sido criticado por ter escolhido um pau torto e pequeno, não condizente com as pompas da festa. Então teria indicado a derruba do dito eucalipto, grosso, alto e viçoso, bem verde e pesado.

Entre as duas questões levantadas, me inclinei mais pelo castigo divino, haja vista a bela história da devoção a São Sebastião nas terras canavieirenses. Tudo começou com uma promessa para livrar a família acometida pela lepra. Milagre feito, promessa paga com o corte e o erguimento do mastro, tradição que vem sendo perpetuada por esse sesquicentenário.

Como disse acima, eu não era testemunha ocular do fato, já que não fiz o percurso integral do cortejo, e do Bar do Erpídio, no porto, me arranchei com amigos no Bar do Renato, na rua 13, onde apreciei a passagem do pau de Bastião. Daí que, sabedor do fato, tratei de consultar livros históricos e o jornal Tabu, não encontrando fato igual que merecesse o registro, a não ser uma briga de facções políticas, em tempos pretéritos.

Feitas as consultas aos conhecedores da história e estórias de Canavieiras, Antônio Amorim Tolentino, Beto Pescoço de Galinha e Raimundo Tedesco, todos me afiançaram não ter registro de acontecimento igual. Só não deu tempo consultar o historiador Durval Filho, pelo adiantado da hora, pôr-do-sol de sexta-feira, já em seus compromissos religiosos, mas, também não encontrando nada nos seus trabalhos na internet.

Ainda com base na história e estórias, contam os mais antigos que, caso o pau de Bastião não seja erguido, a cidade e seus organizadores sofreriam punições severas. Entre os castigos estariam o insucesso na agricultura, com falta de chuvas e pragas biológicas, além de outros não revelados. Para se ver livre das punições divinas, a prefeitura tratou de contratar um caminhão guincho para erguer o pau de Bastião.

Enquanto isso não ocorria, os gaiatos faziam correr nas sete freguesias relatos de que o pau de Bastião estaria se filiando ao famoso Clube dos Rolas Cansadas, coisa de alguns velhos que não têm o que fazer. Desocupados, usam essa tal de agremiação para beber e contar lorotas como essa, a pretexto de buscar a proteção do lendário Santo. Te esconjuro, Satanás! Olha a maldição!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

TEMPOS DIFÍCEIS PARA O BOM SENSO!

Manuela Berbert |manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

Na contramão da expectativa de melhora, elegemos, aos montes, nomes midiáticos sem noção da sua real função. Uma baderna coletiva, lamentavelmente. Onde vamos parar?

 

Estamos em crise! Todos nós! E eu não estou falando de crise financeira, mas de um desequilíbrio e instabilidade de bom senso e sabedoria. Das regras e dos costumes. Um colapso ético e moral que envolve inúmeros governantes, boa parte da imprensa, redes sociais massificadoras de inverdades (e holofotes), e a população em geral. Uma confusão generalizada, com começo e meio, mas aparentemente sem fim.

Fala-se em milhões nas volumosas denúncias envolvendo cargos políticos. Os mais leigos desconhecem os números e até os termos técnicos usados pela mídia. A realidade da grande massa brasileira, e ela é vasta, contabiliza míseros centavos no final do dia para bancar a condução e chegar em “casa”. Se o troco der, para comprar o pão na padaria mais próxima. Muitos com ruas deterioradas e esgotos a céu aberto, inclusive. Sem condição básica de saúde, implorando em filas quilométricas por tratamentos, quando o coerente seria o investimento na prevenção. Sem condições de educação também, mais um direito básico de sobrevivência humana com o mínimo de dignidade, extorquido de todos. Porém, fingimos nos importar, compartilhando nas redes socais uma ou outra denúncia de vez em quando.

São tempos obscuros, meus caros! De egos da direita e da esquerda ainda inflamados pela quantidade de prisões nas Lava-Jatos da vida, sem resolutividade. “Cadê o dinheiro que estava aqui?” Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém anda colocando no lugar. Debatemos partidos, volume de correligionários, conjuntura de campanhas milionárias, mas jamais propostas efetivas de avanço. Quando mais tivemos voz, meios e canais de comunicação, aparentemente, regredimos.

A cada dois anos surgem mais e mais nomes, e poucos projetos. Quase nada palpável. Superlotam as bancadas do poder com discursos tão enfadonhos que os mesmos não se escutam. Gritam e não se ouvem. Basta presenciar uma sessão, ou assistir nas telas da TV, para ser tomado por um sentimento de decepção imenso. Mas, na contramão da expectativa de melhora, elegemos, aos montes, nomes midiáticos sem noção da sua real função. Uma baderna coletiva, lamentavelmente. Onde vamos parar?

Manuela Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.

OS DESAFIOS DOS MUNICÍPIOS PARA 2018

Luciano Veiga

 

Como o tempo do mandato passa rápido é necessário observar alguns pontos de relevância: melhores práticas municipais, gestão financeira, administrativa, pessoal e política e a gestão associada e consorciadas das atividades em comum.

 

Passado o período de um ano, alguns gestores veteranos e outros iniciando na gestão pública municipal viveram momentos difíceis, porém de muito aprendizado.

O que esperar de 2018 em uma Estrutura Federativa agonizante? As pontas deste iceberg são percebidas, hoje, nacionalmente, nos Estados brasileiros em que as finanças agonizam com consequente desarranjo no seu escopo administrativo, gerando insegurança pública e declínio de setores fundamentais, como a saúde e a educação.

O município – ente federativo mais frágil desta estrutura – e a quem o cidadão recorre a todo o momento, vem sofrendo muito, pois desde a Constituição de 1988 assume as atribuições de outros entes federados, especialmente aquelas de competência da União.

São eles quem executam os Programas Federais, mas, além de todos serem subfinanciados, grande parte ainda está sem a correção da inflação. Existe um grande problema: em vários casos os municípios gastam 2/3 a mais do que recebem de recursos para a execução desses programas. Atualmente existem 397 programas federais em atividade no país. No Programa de Saúde da Família – PSF, os municípios recebem, mensalmente, os valores de R$ 10.695,00 e R$4.680,00 (médico e equipe) e gastam o equivalente a R$ 32.156,60 e R$ 12.584,72, respectivamente, valores este destinados ao custeio com os profissionais, o que altera o índice de pessoal, gerando Rejeições de Contas e ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, no seu artigo 22.

Os gestores que conseguiram pagar salários e fornecedores e não deixaram restos a pagar para o exercício seguinte, infelizmente, são em número bem reduzido. Mesmo assim, tiveram os seus índices de pessoal acima do limite estabelecido pela lei.

Enquadramento e gestão de pessoal será o grande desafio para 2018. Outros exercícios de redução de despesas terão que ser adotados, bem como a geração de receita própria, para o equilíbrio das contas públicas. Como o tempo do mandato passa rápido é necessário observar alguns pontos de relevância: melhores práticas municipais, gestão financeira, administrativa, pessoal e política e a gestão associada e consorciadas das atividades em comum.

No cenário das lutas municipalistas, temos dois momentos de análise e reflexão. O primeiro, das conquistas de 2017: “O parcelamento da Dívida Previdenciária, 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Redistribuição do Imposto Sobre Serviços (ISS), aprovação dos Precatórios, Auxílio Financeiro para o Fomento de Exportações (FEX) e o Encontro de Contas estão entre as grandes conquistas de 2017”. (Fonte: CNM). Conquistas importantes, porém, são cuidados homeopáticos para pacientes que vivem na UTI.

Num segundo momento é preciso ousar e debater as Reformas Federativas e Tributárias, permitindo que cada Ente Federado, receba os valores dos tributos de acordo com o papel de executor. Se de um lado os municípios executam atividades de outros entes federados, que também recebam de acordo com os custos realizados.

Não existe uma Federação Forte onde os seus entes federados agonizam. O Estado não cumpre com o seu papel Constitucional de provimento de recursos para o atendimento das necessidades mais básicas. A causa municipalista, em regra, terá que ser a cobrança principal dos gestores municipais, quando da escolha de seus representantes nas esferas executiva e legislativa do seu Estado e de seu País.

Luciano Veiga é administrador e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

ANO NOVO!?

Ernesto Marques

 

Otimista irredutível, guardo a alegria e a fartura das festas de fim de ano para levar adiante a fé e a labuta necessários para continuar acreditando que um dia a gente chega lá. Feliz ano novo!

 

Quando eu nasci o deus-mercado já tinha transformado a chegada do filho de Deus numa monumental oportunidade de negócios em escala planetária. Talvez por extrema generosidade d’Ele, cheguei a esta vida numa família que praticou, muito mais do que pregou, as coisas que levaram Cristo à cruz onde muitos insistem em mantê-lo até hoje.

É fato: 2017 anos atrás ainda não havia bancos, mas as cortes de Herodes e Pilatos, como em regra todas as cortes através dos tempos, pregam virtudes enquanto praticam, sem falsos pudores, a gula, a luxuria, a avareza, a ira, a soberba, a preguiça e a inveja. É da natureza do Capital criar e difundir essas hipocrisias que, a um só tempo, entorpecem e escravizam.

Por uma semana ou um mês, enquanto somos bombardeados por indecentes estímulos ao consumo predatório, somos acometidos por uma generosidade de ocasião e por um espírito fraterno que não vai além das 24 horas do feriado do Dia da Confraternização Universal.

Depois de queimarmos bilhões em pirotecnia, depois de lançarmos muitos milhões de toneladas de lixo no ambiente que nos cerca, depois de consumirmos altas doses de drogas lícitas e/ou ilícitas, recomeçamos do mesmo ponto onde estávamos quando, sazonalmente, entendemos que precisamos enxergar Ele em quem estiver à nossa volta.

Assim pagamos uma espécie de santa indulgência, modernizada e tacitamente instituída, que não nos garante acesso ao reino do céu, mas expia as nossas culpas pelos pecadilhos a serem cometidos nos próximos meses, até que o santo Google volte a nos massacrar com a perversão do consumo insustentável.

Depois da meia noite deste 1° de Janeiro, a pregação do pessoal do RH se sobrepõe a qualquer mensagem de sacerdotes de todas as correntes religiosas: a partir da zero hora do dia 2, às favas as mensagens bonitinhas compartilhadas até ontem. É preciso ser competitivo, criativo, inovador, empreendedor…

Nas entrelinhas do discurso emplumado sobre as chaves do “sucesso”, o estímulo a práticas opostas ao tal espírito das festas de fim de ano: pise no pescoço do colega, se isso for necessário para garantir seu pescoço na próxima reestruturação da empresa; crie novos processos para reduzir custos e maximizar ganhos que não serão compartilhados com você; e, principalmente, abra mão de direitos, se quiser ganhar as migalhas que lhe cabem nesse latifúndio capitalista.

Correndo o risco de parecer cético ou até exótico, e tomando emprestados versos de um outro baiano, tudo o que quero é dizer, ainda que minhas palavras possam espantar, é que eu não consigo entender essa lógica. Noutras palavras, sou muito romântico.

Aprendi a juntar palavras no usufruto de privilégios reservados pela nossa sociedade escravocrata a um homem branco e de classe média. Sem nunca ter feito voto de pobreza e nem pretender fazê-lo, prefiro a desambição aprendida em casa para contestar a ideia da família tradicional como única possibilidade de gerar gente do bem e para combater esses privilégios que apartam iguais por julgarem-se diferentes. Tudo que quero é um acorde perfeito maior, com todo mundo podendo brilhar num cântico. Otimista irredutível, guardo a alegria e a fartura das festas de fim de ano para levar adiante a fé e a labuta necessários para continuar acreditando que um dia a gente chega lá. Feliz ano novo!

Ernesto Marques é jornalista e radialista.

SÃO SILVESTRE, O CAMPEÃO ILHEUENSE

José Nazal Pacheco Soub

 

Tio João, calculando o tempo da corrida, sabendo que já devia estar terminando, chamou um grupo de amigos e soltou a notícia: “João da Verdura foi o campeão da São Silvestre”!

 

Todos os anos, em 31 de dezembro, lembro-me de tio João Diogo, com sua verve, seu espírito gozador, que muitas vezes parecia ferino para alguns.

Contou-me ele um fato dos anos 50, no auge da riqueza do cacau, ocorrido no então aristocrático Clube Social de Ilhéus, durante uma festa de Réveillon. Naquele tempo, todos com traje a rigor, embalados pelas melhores orquestras existentes.

Vivia em Ilhéus um pequeno empreendedor ambulante, que comercializava verduras e temperos, levando a mercadoria de porta em porta nos bairros da cidade. Seu apelido, em função da sua atividade, era “João da Verdura”. João, além de bom comerciante e com vasta freguesia na cidade, tinha um ‘hobby’ que hoje está muito em moda: gostava de praticar corrida de rua. Nas suas folgas, passava pelo menos uma hora por dia correndo.

João tinha um sonho antigo, que nunca poderia realizar devido a sua condição financeira: inscrever-se, viajar e correr a São Silvestre, tradicional corrida paulista, que se realizava na virada do ano, fato hoje que não mais ocorre devido a exigências técnicas.

Um dia, depois de muito pensar, expôs seu sonho a um amigo confidente. Na verdade, era um amigo inconfidente, que rapidamente se mobilizou e, fazendo uma “vaquinha” entre os fregueses do corredor, levantou os recursos necessários para a inscrição, viagem e hospedagem. Quando João recebeu a notícia de que seu sonho seria realizado, desdobrou-se em treinamento, passando a correr pelo menos duas horas por dia.

Chegada a hora, João partiu para São Paulo, levando a esperança dos ilheuenses, que aqui ficaram na torcida, esperando as notícias do resultado, pois naquele tempo demorava mais do que hoje.

Enquanto João corria a São Silvestre, o Réveillon corria solto no Clube Social, todos dançando, comendo, garçons se desdobrando para atender os pedidos da nata social de Ilhéus.

Tio João, calculando o tempo da corrida, sabendo que já devia estar terminando, chamou um grupo de amigos e soltou a notícia: “João da Verdura foi o campeão da São Silvestre”! Rapidamente os amigos levaram a notícia, que corria rapidamente de mesa em mesa.

Alguns minutos depois, o presidente do aristocrático subiu ao palco e, no intervalo de uma música, pediu a palavra. Saudou a todos desejando um Feliz Ano e confirmou a notícia bomba. Disse em tom alto e alegre: “Queridos associados e visitantes, temos a alegria de anunciar que o nosso querido João da Verdura, conterrâneo ilheuense, foi o campeão da São Silvestre! Para comemorar, vamos servir agora, por conta do Clube, uma garrafa de “Champagne” (naquele tempo não era chamado apenas por Espumante) para comemorarmos essa vitória”.

Os garçons correram para servir a todos e foi feito um brinde ao vencedor. A farra foi grande!

No outro dia, após a ressaca da festa, a notícia veio pela rádio e jornais: João da Verdura ficou em “cagagésimo” lugar, isto é, uns doze depois do último.

A conta ficou para o presidente do Clube, que morreu procurando saber quem deu a notícia.

José Nazal é memorialista, fotógrafo e vice-prefeito de Ilhéus.

TEMPO DE ESPERANÇA

Rosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Precisamos entender que não existirá ano novo se continuarmos a repetir os erros que cometemos no ano velho.

 

Estamos chegando ao final de 2017. Um ciclo importante aconteceu durante o trajeto percorrido nesses 365 dias. Caminhamos em estradas certas e incertas e vivenciamos a saga natural da vida: nascimento e morte.

Dia primeiro um novo itinerário nos será dado. Será um novo ciclo, a partida para uma nova missão, perspectivas e esperanças estarão no imaginário de todos nós. Teremos uma nova oportunidade para fazer uma autoavaliação e, se necessário, praticarmos mudanças. Precisamos identificar se nossa necessidade é usar mais o coração ou a razão.

Não podemos nos prender à ansiedade do futuro ao ponto de esquecermos o presente, deixando de viver os dois e acabando nos comportando como zumbis da nossa própria existência. Precisamos entender que não existirá ano novo se continuarmos a repetir os erros que cometemos no ano velho.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

AME-SE

Jaciara Santos | contato@jaciarasantos.com.br

 

Comece 2018 fazendo promessas que você possa cumprir. Seja focado em você e em ser sempre uma pessoa melhor, mais evoluída. O processo de evolução é contínuo.

 

Você sabe o que significa a expressão “Ter amor-próprio”? Segundo definição do dicionário é “sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo.” Portanto, hoje falaremos um pouco sobre este tema.

Estava em minhas caminhadas pelas ruas da cidade, quando, de repente, encontro duas jovens conversando e observei atentamente à frase que uma exprimia para a outra: “Você precisa aprender a se amar. Depois que isso acontecer, tudo o que busca acontecerá em sua vida”.

Confesso que naquele momento pensei estar à frente de uma grande figura da Filosofia ou alguma pensadora famosa… pela propriedade com que ela proferia aquelas palavras.

No restante do meu percurso, fiquei refletindo sobre tal conselho, fazendo uma breve alusão aos processos seletivos que conduzi ao longo de minha carreira. Então, percebi que as pessoas que tinham mais autoconfiança e amor próprio eram os candidatos que mais se destacavam em tais processos.

Quero ressaltar que ter amor-próprio não pode ser confundido com soberba ou senso de superioridade frente às demais pessoas.

Mas existe uma grande congruência no fato do indivíduo estar bem consigo mesmo, para alcançar seus sonhos e objetivos. Ame-se, valorize-se, respeite-se. Saiba que cada um de nós somos especiais e únicos.

Como é bom essa diversidade, como é encantador ter pessoas que complementam umas às outras.

Saliento a importância do cuidado com a saúde do corpo, da mente e da alma. Precisamos estar bem, para fazer o bem, para trabalhar mais motivado, para valorizar o outro.

Comece 2018 fazendo promessas que você possa cumprir. Seja focado em você e em ser sempre uma pessoa melhor, mais evoluída. O processo de evolução é contínuo.

“Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo, nem orgulho. É Amor Próprio.” Charles Chaplin

Jaciara Santos é master coach.

SOBRE O PRIMEIRO ANO DO GOVERNO DE MÁRIO/NAZAL

Gerson Marques

 

 

Diferentemente de Jabes, que foi eleito com a minoria dos votos, Mário foi eleito por grande maioria e com muito carisma. Tem muita força e gordura para queimar…

 

 

Governar Ilhéus não é fácil. Além dos problemas normais de governança, existe aqui uma cultura política depreciativa, atávica e especulativa.

Há quatro anos, após seu primeiro ano de governo, o ex-prefeito Jabes Ribeiro já estava triturado. O vitorioso movimento dos jovens do Reúne Ilhéus reduziu Jabes a cinzas em menos de um ano. Daí em diante, seu governo foi pato manco, com um fim foi melancólico. Sem chances de se reeleger, tentou a “contragosto” um caminho com Cacá Colchões, obtendo uma votação de pouco mais de onze mil votos.

Diferentemente de Jabes, que foi eleito com a minoria dos votos, Mário foi eleito por grande maioria e com muito carisma. Tem muita força e gordura para queimar…

Claro que tem muitos problemas, que o governo tem erros, mas longe de ser sequer equivalente ao primeiro ano de Jabes.

Mário tem uma qualidade que nunca vi em nenhum prefeito de Ilhéus: trabalha muito e tem muita iniciativa. Com seu estilo brincalhão e alegre cativou o governador Rui Costa, com quem trata direto, sem intermediários. Dessa parceria sairá a sua obra mais importante: uma reforma completa no sistema de saúde da cidade.

Não tenho dúvida de que, ao final do segundo para o terceiro ano de governo, a saúde pública de Ilhéus será modelo, com postos médicos recuperados, hospital materno-infantil, hospital da Costa do Cacau e UPA(Unidade de Pronto Atendimento).

Mário abriu diálogo com as categorias de trabalhadores da PMI e deu o reajuste que Jabes congelou por quatro anos.
Tomou iniciativa em relação ao trágico problema do endividamento trabalhista do município caminhando para saneá-lo.

Em outra frente, se prepara para obras que vão mudar a cidade. Algumas já estão sendo executadas, outras projetadas e outras sendo licitadas.

Quem conhece a maquina pública sabe que o primeiro ano de um governo é sempre o mais difícil, mas, se tiver mão firme e ideias claras, somado a um planejamento e coordenação, o governo entrará nos trilhos.

Claro que existem problemas e parte da equipe ainda não disse pra que veio. Daí surge outra qualidade de Mário: ele é reativo e sabe transformar críticas em soluções e problemas em respostas.

Nestes tempos de redes sociais tem gente que reduz o mundo ao seu pequeno círculo de curtidas e compartilhamentos imaginando estar ali uma espécie de realidade. Ledo engano, a vida corre lá fora, é real e palpável.

O governo Mário/Nazal está só no começo.

Gerson Marques é produtor e presidente da Associação de Produtores de Chocolates do Sul da Bahia.

A MORTE EM VIDA NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS MILITARES

Mônica Rebouças

 

O único meio de combater a displicência administrativa policial militar, para não dizer negligência, é debater, contrapor, não aceitar nunca tal barbárie – no sentido amplo ou estrito – seja utilizando-se de seu direito de petição previsto no Estatuto Policial Militar, seja por outros meios legalmente cabíveis.

 

O processo disciplinar na Polícia Militar baiana em todas suas categorias – apuração sumária, sindicância, processo disciplinar sumário e o tão temido processo administrativo disciplinar – tem obedecido preceitos importantes. Percebe-se uma preocupação bastante evidente a respeito do exercício do princípio do contraditório e da ampla defesa, outrora tão amplamente burlado, mesmo sendo constitucional.

Tal observância tem se dado por causa do farto acesso aos cursos de Bacharel em Direito por parte dos policiais militares baianos, em especial os Oficiais da Polícia Militar que compõe a Corregedoria Geral da Polícia Militar do Estado da Bahia, os quais, verificando a tamanha falha, se direcionam, são orientados e orientam para tal fim, não deixando mais de promover o contraditório.

No entanto, o “cuidado” evidente daqueles que apuram os processos disciplinares se dá apenas para que o Poder Judiciário e até administrativamente ex officio não incorra em nulidade processual por deixar de observar princípio basilar constitucional. Por outro lado, já não se vê o mesmo “cuidado” quando da solução do mesmo processo e aí a administração policial militar se iguala ao Poder Judiciário quando se espera uma sentença por anos. As conseqüências são até mais danosas, vejamos.

Se na sentença judicial há pretensão de alçar um objetivo que de outra forma não pôde ser sanado, mas que, por vezes, repito, apenas por vezes, pode ser aguardado sem maiores prejuízos no cotidiano do litigante, o mesmo não acontece com o policial militar. Este pode ter a qualquer tempo a maior das punições: ser demitido após a dedicação de anos à corporação, já com idade que não lhe permite iniciar nova profissão ou carreira e sem saber exercer mais outro ofício. É a morte em vida!

Como advogada militante nesta área, tenho observado esse comportamento com preocupação, especialmente porque, como disse um colega advogado na VI Conferência Estadual da Advocacia, ocorrida em outubro de 2017 em Salvador-BA, nós advogados temos a obrigação de impedir as atrocidades jurídicas e devemos intervir sempre que ocorram.

Infelizmente, essa prática – a ausência de solução nos processos disciplinares – se dá com muita frequência, mesmo quando se trata de procedimentos menores e que não ocasionariam como punição máxima a demissão, mas detenção, por exemplo. Há outro ponto conflitante que renderá noutra oportunidade um debate: solução diversa do relatório final (art. 63, § 7º, do EPM-Lei Estadual nº 7.990/2001) em PAD.

E o que seria a solução em processo disciplinar no âmbito da Polícia Militar? Na prática, ocorre quando há a publicação da decisão final do processo. Veja que tal decisão por assim dizer é ato unilateral do Comandante da unidade policial militar ou do Corregedor-Geral para sindicâncias e processo disciplinar sumário, ou do Comandante Geral da Polícia Militar, quando se trata de PAD (Processo Administrativo Disciplinar) ou ainda do Governador do Estado da Bahia para o caso dos Oficiais que sofrem o PAD.

Diante do quadro apresentado, o único meio de combater a displicência administrativa policial militar, para não dizer negligência, é debater, contrapor, não aceitar nunca tal barbárie – no sentido amplo ou estrito – seja utilizando-se de seu direito de petição previsto no Estatuto Policial Militar, seja por outros meios legalmente cabíveis.

Mônica Rebouças é bacharel em Direito pela Uesc e advogada do Centro de Apoio Jurídico aos Policiais Militares Associados desde 2011, além de especializada em Direito Ambiental e pós-graduanda em Direito Militar.

CHEGOU O DIA!

Antonio Nunes de Souza

 

Vamos, mais um ano, ver acontecer essas mesmas coisas, mascarando um comportamento social vil e vergonhoso, mostrando ao Menino Jesus que seu aniversário é uma festa para quem pode!

 

Dia de Natal, expectativa da chegada da noite, espera de Papai Noel e, claro e evidentemente, curtir o evento com jantares nababescos, fora dos padrões cotidianos, vinhos especiais, músicas, danças, champanhe, bebidas finas e companhias de parentes, agregados e amigos!

Entre essas coisas, ainda existem aqueles que, com um bom presente, tentam conseguir os amores e encantos da mulher que perturba seu sono durante todo ano sem lhe dar “mole”!

Essa é, sem nenhuma dúvida, o que uma parte privilegiada do mundo, está de prontidão para desfrutar mais uma noite natalina!

Sendo hoje o dia “D”, vale, além de falar do brilho do evento, também sobre as famílias pobres e miseráveis, que, sem nenhuma dúvida, estarão amanhã nas latas de lixos e lixões, pegando os restos jogados fora para satisfazerem as suas fomes. E observem, pelas informações estatísticas, que são milhões de pessoas nessa pobre e vergonhosa situação.

Que a culpa é do governo? Nada disso, pois o governo é uma parte do erro, sendo o erro mais escabroso de uma sociedade mesquinha que somente aprendeu: Somar patrimônios, Diminuir solidariedades, Multiplicar seus numerários e, tristemente, não aprenderam e nem ensinam aos seus dependentes, a Divisão de amor, carinho, fraternidade e ternura!

Vamos, mais um ano, ver acontecer essas mesmas coisas, mascarando um comportamento social vil e vergonhoso, mostrando ao Menino Jesus que seu aniversário é uma festa para quem pode!

Lamento profundamente, não me canso de repetir, mesmo de formas diferentes, essas minhas palavras de desdenho as tais “sociedades organizadas” que cada vez estão mais fechadas!

Bato nessa tecla a dezenas de anos, chegando a ganhar títulos de Comunista, Petista, anarquista e outros mais pejorativos. Mas, na verdade, simplesmente, sou apenas humano!

Antonio Nunes é membro da Academia Grapiúna de Letras (Agral).

A PESSOA CERTA NO LUGAR CERTO

Jaciara Santos | contato@jaciarasantos.com.br

 

O atendimento é a base para o sucesso de qualquer organização. Pode-se ter os melhores produtos e serviços, mas, se não tiver pessoas qualificadas, nenhum outro investimento tem o efeito de substituir um bom atendimento.

 

 

Com as festas de final de ano, o fluxo de pessoas em busca de produtos e serviços, aumenta significativamente. O atendimento tende a se tornar mais mecânico e frio. Entretanto, precisamos perceber que atender bem é um diferencial importante, que fideliza o cliente e faz com que o mesmo indique a empresa onde foi bem atendido para familiares e amigos.

Analiso cada atendimento, cada abordagem dos vendedores de nossa região. Percebo que o descaso com o consumidor se torna cada vez mais visível. Vendedores e atendentes muitas vezes exercendo um papel que foge totalmente de seu perfil.

Às empresas, é oportuno perceber que, antes de contratar um colaborador, faz-se necessário um processo seletivo eficaz, para que a frustração entre ambos os lados não venha à tona logo nos primeiros meses de trabalho.

Nesta semana visitei alguns estabelecimentos para comprar alguns mimos para minha família. Mas, confesso, foi árdua minha missão, por causa da falta de humanidade e profissionalismo em inúmeras empresas que visitei.

O atendimento é a base para o sucesso de qualquer organização. Pode-se ter os melhores produtos e serviços, mas, se não tiver pessoas qualificadas, nenhum outro investimento tem o efeito de substituir um bom atendimento.

Assim sendo, vou sugerir algumas dicas para você, empresário, gestor ou profissional autônomo, que trabalha diretamente com o público:

Dica 1: Atenda cada pessoa que entrar em seu estabelecimento como cliente VIP;

Dica 2: Ouça o seu cliente; e

Dica 3: Tente superar as expectativas do consumidor.

Seguindo essas dicas, tenho certeza que sua organização obterá mais sucesso, maiores resultados. Vale a pena também ressaltar a importância de identificar profissionais que não estão satisfeitos e que podem afetar o clima da empresa – e veja, urgentemente, o que pode fazer para solucionar a demanda.

Lembre-se: “A pessoa certa, no lugar certo, gera resultados extraordinários.”

Boas vendas!

Jaciara Santos é master coach.

A JUSTIÇA E OS POLÍTICOS

Marco Wense

A ingerência política no Judiciário é o começo da derrocada do Estado democrático de direito e, como consequência, o enterro da cidadania.

Dos três Poderes da República, o Legislativo e o Executivo são crias do processo político-eleitoral, já que seus membros são eleitos pelo voto popular.

O cidadão-eleitor-contribuinte até que procura se conformar com tomadas de decisões influenciadas pela política, atendendo interesses de dirigentes partidários.

O Poder Judiciário, no entanto, não pode ter nenhum atrelamento que não seja o de seguir a lei, principalmente os preceitos constitucionais.

A ingerência política no Judiciário é o começo da derrocada do Estado democrático de direito e, como consequência, o enterro da cidadania.

É triste a gente ouvir falar que a decisão de um julgador vai ser em favor de fulano de tal porque ele pertence a um determinado grupo político.

É triste quando a gente ouve a expressão “isso não vai dar em nada”, fulano é ligado a tal político que tem interesse na sua absolvição.

É triste a gente ficar ouvindo que o lobby político nos tribunais tem mais força que a lei, mas especificamente a Lei da Ficha Limpa.

É triste ver a impunidade triunfando diante da Justiça e debochando de tudo e de todos, de mãos dadas com os larápios do dinheiro público.

É triste, muito triste, ver nosso Brasil assim. O povo brasileiro não merece.

Marco Wense é articulista do Busílis.

O PSDB E O GOVERNO TEMER

Marco Wense

 

O PSDB, portanto, não tem outro rumo, só o da aproximação com o governo Temer, a não ser que esteja só pensando na sucessão de 2022.

 

Não tem outro caminho para o PSDB que não seja de uma aliança com o governo Michel Temer e, por consequência, com o PMDB.

Se o tucanato tomar outra posição, corre o risco de ficar isolado na sucessão presidencial e com um tempo pequeno no horário eleitoral.

Se aproximando do governismo, o PSDB mantém viva a esperança de partidos como o PR, PP, PRB, PTB e o PSD apoiarem a candidatura de Geraldo Alckmin.

O DEM é uma incógnita, já que não pretende ser novamente coadjuvante no processo sucessório presidencial. Rodrigo Maia e ACM Neto são os nomes da legenda para uma eventual disputa.

Em relação ao prefeito de Salvador – também cotado para ser vice de Alckmin –, a possibilidade de aceitar uma candidatura ao Palácio do Planalto é remotíssima, quase que não existe.

Aliás, Neto está mais para uma disputa pelo Palácio de Ondina, enfrentando o petista Rui Costa (reeleição), do que para qualquer outro pleito. Se a eleição fosse hoje, enfrentaria o governador.

O presidente já avisou que só vai apoiar uma candidatura que defenda seu governo, o que pressupõe a defesa das reformas, mais especificamente a previdenciária.

Mas nem tudo são flores. Ou seja, se tem a perspectiva de uma boa coligação, dando um precioso tempo na telinha eletrônica, tem do outro lado a gigantesca impopularidade de Temer.

Se a aliança do PSDB com o governo Temer for concretizada, o bom desempenho de Alckmin fica condicionado a uma melhora na economia com uma diminuição significativa no índice de desemprego.

O PSDB, portanto, não tem outro rumo, só o da aproximação com o governo Temer, a não ser que esteja só pensando na sucessão de 2022.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

ITABUNA VIVE, MAS NADA RECORDA DA TRÁGICA ENCHENTE DE 1967

Luiz Conceição | jornalistaluizconceicao2@gmail.com

 

No dia seguinte, a natureza em fúria fez o rio avançar ainda mais. Desta vez pela Avenida do Cinquentenário e demais vias e praças na parte baixa do centro, inundando lojas de tecidos, sapatos e acessórios e eletrodomésticos, residências, agências bancárias, depósitos de cacau…

 

Há 50 anos o céu cinzento de dezembro era prenúncio de chuvas e de muita fartura. Fazendeiros e comerciantes estavam animados com aquele tempo, porque chuva nesta época do ano significava mais fruto de cacau na safra e mais dinheiro na caixa registradora e circulando, irrigando a economia.

A vida das famílias seguia com a expectativa das festas de fim de ano. Para alguns estudantes, era fim do ciclo primário e do ginásio, para onde muitos de nós ansiávamos chegar com o exame de admissão.

A temida prova dava acesso à 1ª série ginasial. Era ritual de passagem da infância para a adolescência. Por isso, o resultado do exame de admissão era aguardado com ansiedade e medo por toda a família e não só por nós.

À medida que se aproximava o Natal era intenso o frenesi pelos presentes nas lojas e nas casas. Nessa época, chovia abundantemente no sul da Bahia, abençoado com a rica mata atlântica, ribeirões e rios fartos e cheios de peixes. Os índices pluviométricos registram no começo de todos os verões o início da quadra chuvoso do ano.

Passou a festa natalina. As chuvas ficaram ainda mais fortes e intensas. Transbordamento de riachos, ribeirões e cursos d’água e dos tributários – Salgado e Colônia – que formam o Rio Cachoeira que corta Itabuna em direção ao mar no litoral da velha Capitania de São Jorge dos Ilhéus.

Com o volume d’água crescendo a cada hora ficaram mais encorpados. O que era alegria do povo em ver o rio cheio de suas margens, junto com crianças e adolescentes em algazarra e férias, se transformou em medo, drama e terror a partir do dia 27 de dezembro.

As águas turbulentas, escuras e sujas do Cachoeira transbordaram da calha e alcançaram as parte baixas da cidade. Burundanga, Berilo e Bairro Mangabinha, na zona oeste. Cajueiro e Fátima, ao leste, e bairro Conceição, lado oposto ao centro da cidade, tiveram famílias desalojadas e desabrigadas.

No dia seguinte, a natureza em fúria fez o rio avançar ainda mais. Desta vez pela Avenida do Cinquentenário e demais vias e praças na parte baixa do centro, inundando lojas de tecidos, sapatos e acessórios e eletrodomésticos, residências, agências bancárias, depósitos de cacau…

O que era espetáculo virou tragédia, desespero.

As águas derrubaram casas, carregaram móveis e utensílios domésticos. No comércio se perderam mercadorias nos expositores, balcões e depósitos.  Alguns comerciantes foram vítimas de saqueadores que, desavergonhadamente, furtaram-lhes mercadorias em meio ao caos.

Muitos empregados no comércio arriscaram-se em proteger e salvar lojas e bens dos patrões, inclusive com a própria vida. Não se sabe ao certo quantos morreram enfrentando a correnteza forte das águas que em alguns locais do centro comercial do centro de Itabuna alcançou 2,5 metros, derrubando a posteamento da rede de energia elétrica e sinais de trânsito, solapando marquises.

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A outrora culta e reluzente sociedade grapiúna é hoje arremedo do que foi antes da cheia desta Cachoeira que completa agora 50 anos. 

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Há todo um folclore posterior à tragédia de 1967 que, ao lado das enchentes do Rio Cachoeira em 1914 e 1947, figura com a mais espetacular e terrível de todas. Mesmo quem não se viu diretamente atingido não deixou de se condoer com parentes, amigos e vizinhos que perderam tudo.

Embora a cidadã ainda viva, não tem nenhuma memória da mais famosa enchente de sua história que não foi fato isolado. Houve rumores do estrondo de uma barragem numa fazenda de criação de gado nas bandas de Santa Cruz da Vitória, então 36, fato noticiado de forma acanhada pela imprensa de então.

Há imagens de ruas e avenidas alagadas dos fotógrafos Newton Maxwell (Buião), Sabino Primitivo Cerqueira e Emerson Trindade Carregosa (Foto Emerson), dentre outros, ainda preservados em sites na Internet. A outrora culta e reluzente sociedade grapiúna é hoje arremedo do que foi antes da cheia desta Cachoeira que completa agora 50 anos.

As águas levaram consigo o balcão frigorífico, cadeiras e mesas do Vagão, bar e restaurante à cabeceira da Ponte do Marabá, margem direita do rio. Lá se reunia a intelectualidade e a promissora juventude da época de ouro do cacau para sorvetes, cuba libre ou hi-fi e bebidas diversas após sessões de cinema.

Janeiro chegou e com ele o socorro pelos Governos federal e estadual às vítimas, inclusive com a criação do atual bairro Lomanto e vacinações. O comércio teve pouca ajuda que se iniciou com caminhões de guarnições do Corpo de Bombeiros de Salvador lavando as avenidas, ruas e praças do centro.

Itabuna vive, mas nada recorda da trágica enchente de 1967. Além de destruir a dignidade das pessoas, bens e mercadorias, certamente a cheia lavou tudo, incluindo o amor à cidade e sua gente, além do que restou de nossa pouca memória que um dia nos faltará muita, mas muita falta. E não é porque não haja dinheiro para estudos e pesquisa sobre sua própria história.

Luiz Conceição é jornalista.

PARE DE RECLAMAR!

Jaciara Santos | contato@jaciarasantos.com.br

 

O sucesso não se resume apenas ao seu valor salarial. Sucesso é um conjunto de momentos e sentimentos. Sucesso é fazer o que você ama. Ou amar o que você faz, mas com o objetivo de alguma forma sensibilizar a vida dos que estão à nossa volta.

 

Assustei-me quando percebi que já estamos no último mês do ano e comecei a fazer uma breve reflexão de como está se desenrolando o meu 2017.

Quantas pessoas eu impactei com o meu exemplo ? Quantas pessoas eu ajudei sem esperar nada em troca? Quão profunda foi a minha entrega em tudo que eu fiz ou realizei?

Precisamos entender que a vida é um ciclo, que precisa ser vivida com muita intensidade e com muita dedicação, e aprender a evoluir com tudo que acontece conosco. Foi quando me dei conta que este ano sucederam-se muitos fatos. Conheci pessoas maravilhosas, me conectei com o melhor de mim todos os dias, quebrei a “cara”, caí , me machuquei, mas o mais profundo de cada acontecimento foi quão mais forte eu saí de cada momento deste.

E mais uma vez chego à conclusão que devemos agradecer mais, e reclamar menos.

Esse ano fui surpreendida com a morte de Dona Maria, uma senhora simples , mas que tocou muito a minha vida, pela sua alegria e vontade de viver. Dona Maria há muitos anos não levantava da cama e sua vida se resumia a abrir os olhos, ter todos os cuidados em sua própria cama e fechar os olhos para dormir. Mas me emocionava seu exemplo, a alegria que ela tinha de viver, sempre cantando, sorrindo e dizendo quão grata era pela vida.

Quero deixar uma reflexão para os últimos dias do ano de 2017. Agradeça mais, sorria mais, perdoe mais, ame mais, se importe mais com o outro. O sucesso não se resume apenas ao seu valor salarial. Sucesso é um conjunto de momentos e sentimentos. Sucesso é fazer o que você ama. Ou amar o que você faz, mas com o objetivo de alguma forma sensibilizar a vida dos que estão à nossa volta.

Como relata de forma tão simples, mas tão profunda a letra da música: Viver, e não ter a vergonha de ser feliz…

Lembre-se 2017 ainda não se findou. Você pode fazer a diferença hoje, agora, já! Acordemos para a vida, acordemos para os nossos sonhos, acordemos para fazer a diferença todos os dias, pois sempre é tempo de recomeçar.

Feliz dia novo!

Jaciara Santos é master coach.

PRESENTÃO DE NATAL

Marco Wense

 

 

Era um encontro para discutir a política de Itabuna. No final, lá pelas tantas da noite, cada um fazia um discurso com um cabo de vassoura. Na mesa, além das cervejas e dos petiscos, uma enorme jaca.

 

Eduarda Anunciação, filha do saudoso Eduardo Anunciação, vai me presentear com o arquivo do inesquecível, polêmico e inquieto jornalista.

Rascunhos dos seus escritos, crônicas, fotos, enfim, todo o acervo jornalístico guardado com carinho pelo papai, que ela tanto amava.

Eduardo era meu primo preferido. Conversava com ele quase todos os dias e o assunto não poderia ser outro: política, política e política.

Chegamos até a ter um blog com o mesmo nome da sua conceituada coluna no Diário Bahia, do amigo Valdenor Ferreira: Política, Gente, Poder.

Eduardo foi o primeiro jornalista da Bahia a criar uma instituição que visava dar ao cidadão uma consciência política, fundando o Centro Popular de Formação Política de Itabuna.

Outra passagem que não esqueço, e foi Eduardo que também criou, foi a famosa “Turma da Jaca”, que acontecia todos os sábados no bar Braseirão. Tive a honra de ser o secretário.

O saudoso Eduardo Anunciação e a Olivetti em foto do Diário Bahia

Era um encontro para discutir a política de Itabuna. No final, lá pelas tantas da noite, cada um fazia um discurso com um cabo de vassoura. Na mesa, além das cervejas e dos petiscos, uma enorme jaca.

Os convidados também discursavam. Por lá passaram Ubaldo Dantas, Renato Costa, Geraldo Simões, João Henrique (ex-prefeito de Salvador) e muitos outros.

Vou publicar no blog O Busílis (obusilis.com.br) seus melhores artigos. Eduardo tinha uma inominável paixão pelo jornalismo político.

Um grande presente, um presentão. Obrigado, Eduardinha. Eu também amava seu pai.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

O 13º SALÁRIO DOS PREFEITOS E VEREADORES

Allah Góes || allah.goes@gmail.com

 

Necessário se faz a aprovação de alguns ajustes legais, pois, do contrário, mesmo com a decisão judicial sobre o tema, o pagamento d0 13º salário será considerado ilegal, podendo o ordenador da despesa ser condenado por conta de seu ato.

Agentes políticos são todos aqueles detentores de cargos eletivos. No âmbito municipal, são prefeitos e vereadores, além dos secretários Municipais, pois exercem o governo e a função política, decidindo sobre os rumos a serem seguidos pelo Município.

Na lição de Marcello Caetano, função política é “uma atividade comandada pelo interesse geral e que se desenvolve para assegurar a unidade e a coesão nacionais, definir os ideais coletivos, escolher os objetos concretos a prosseguir em cada época e os meios mais idôneos para alcançá-los, manter o equilíbrio constitucional das tensões políticas e das forças sociais, garantir a segurança do Estado e defender os interesses nacionais na ordem externa”.

Os agentes políticos, justamente por conta de serem responsáveis pelas atividades de direção e as colegislativas, apesar de serem classificados como agentes públicos, não tinham direito à percepção de 13º Salário, algo que todo agente público percebe, fato esse que mudou ante decisão do STF ocorrida em sessão realizada no último dia 24 de agosto, com repercussão geral reconhecida, cujo relator foi o ministro Luís Roberto Barroso.

Assim, por conta desta Decisão do STF, que vai de encontro a entendimento anteriormente exarado pelo Ministro José Arnaldo da Fonseca, do STJ, e que servia de amparo para que o nosso TCM impedisse essa percepção, sob a alegação de que o legislador constituinte não teria incluído os agentes políticos como aqueles detentores de tal direito, o que agora, ante a alteração desse posicionamento, criou-se a possibilidade dessa percepção.

Nesta Decisão, o ministro Roberto Barroso assevera que: “se todos os trabalhadores têm direito ao terço de férias e décimo terceiro salário, não se afigura razoável extrair do parágrafo 4º, do artigo 39 da Constituição, uma regra para excluir essas verbas dos agentes públicos, inclusive daqueles ocupantes de cargos eletivos”.

Mas o recebimento do 13º e do terço (1/3) de férias não é de aplicação imediata. Necessita que sejam observadas algumas medidas jurídicas e legislativas para que se possa realizar esses pagamentos. Esses pagamentos, claro, deverão ser proporcionais à data da Decisão do STF. Ou seja, de agosto de 2017 para cá.

Entretanto, será necessário, para a percepção dessas vantagens, que as Câmaras de Vereadores regulamentem a possibilidade na Lei Orgânica do Município, vez que inexiste previsão desse tipo de percepção em âmbito municipal, bem como na Lei que dispõe sobre a fixação do subsídio do Prefeito, Secretários e Vereadores, para que se estabeleça o valor a ser pago.

Caso não sejam observados esses critérios (inclusão na Lei Orgânica e na Lei que fixou a remuneração dos Agentes Políticos), poderão os ordenadores dessa despesa (Prefeitos e Presidente de Câmaras), serem condenados à devolução dos valores percebidos (eles e os beneficiários), bem como poderão ser multados e ter as suas contas rejeitadas.

Como se vê, apesar do Supremo Tribunal Federal ter garantido o direito de percepção ao Agente Político do 13º Salário e das férias, para que os mesmos possam vir a perceber esses direitos, necessário se faz realizar a aprovação de alguns ajustes legais, pois, do contrário, mesmo com a Decisão judicial sobre o tema, o pagamento será considerado ilegal, podendo o ordenador da despesa ser condenado por conta de seu ato.

Allah Góes é advogado e mestre em Ciência Política.

NÓS ESTAMOS PRONTOS PARA OS PRÓXIMOS CEM ANOS!

Eric Júnior

 

Recentemente, assistindo a uma palestra da gerente regional do Sebrae, Claudiana Figueiredo, uma frase me chamou atenção: “Somos as pessoas que esperamos”. Faço destas as minhas palavras, afirmando que não é preciso aguardar quem mude a nossa realidade, mas sim fazer acontecer.

 

 

Há quase dois anos à frente da Provedoria da Santa Casa de Itabuna, posso dizer, hoje, que os corredores dos hospitais Calixto Midlej Filho, Manoel Novaes e São Lucas deixaram de ser apenas o meu local de trabalho, e se tornaram umas das maiores escolas que já tive na vida. A cada dia, um aprendizado, tanto com pacientes e acompanhantes como com colaboradores. A cada avanço, a cada conquista, a certeza de estarmos no caminho correto. Todos nós, juntos, tentando acertar diariamente.

Em outubro fomos contemplados como a melhor Santa Casa do Interior do Estado na premiação conhecida como o Oscar da Saúde na Bahia, o Benchmarking Saúde. Em uma noite de premiação na capital, representei os 1.800 funcionários e agradeci imensamente pelo reconhecimento à nossa instituição centenária, tão importante para a região pela referência em atendimento e serviços, e por ser a segunda maior empregadora de Itabuna.

Para minha surpresa, este reconhecimento não parou por aí. A Câmara De Vereadores Municipal, na semana seguinte, nos concedeu, pela primeira vez na história de uma instituição com cem anos, Moção de Aplausos (aprovada por unanimidade), numa iniciativa do vereador Júnior Brandão.

Recentemente, assistindo a uma palestra da gerente regional do Sebrae, Claudiana Figueiredo, uma frase me chamou atenção: “Somos as pessoas que esperamos”. Faço destas as minhas palavras, afirmando que não é preciso aguardar quem mude a nossa realidade, mas sim fazer acontecer. E é com este pensamento que encerro o meu agradecimento, inicialmente aos representantes dos demais hospitais da Bahia, que nos concederam o Troféu Ouro; à Câmara Municipal de Itabuna, pela inesquecível Moção de Aplausos; e aos colaboradores da Santa Casa de Itabuna, pela caminhada. Que venham os próximos cem anos!

Eric Júnior é provedor da Santa Casa de Itabuna.

DEUS EXISTE?

Durval Pereira da França Filho

 

Hoje, para crentes e descrentes, tolerância deve ser a palavra da vez, “sem arrogância, sem superioridade, sem presunção” como ensinava C. S. Lewis.

O dia 31 de outubro de 2017 assinalou a passagem dos 500 anos do segundo grande cisma do cristianismo: a Reforma Protestante. Nesse contexto, percebe-se que o número dos novos evangélicos tem crescido de maneira considerável. Mas também vem crescendo o número de muçulmanos, espíritas, agnósticos e ateus. Em meio a essa migração dentro do cristianismo, ao crescimento do Islã, a despeito do terrorismo, e ao crescimento daqueles sem religião, vai aqui uma pergunta: Deus existe?

Se você acredita que Deus existe, então prove. Não, você não pode provar, como também não pode provar o contrário. No panteão dos sem Deus, os mais evidentes são os ateus e os agnósticos.

Ateu é aquele que nega a existência de Deus, e o termo vem do grego a = não, sem: + Theos = Deus. Os especialistas fazem distinção em alguns tipos de ateus: existencialistas (Jean-Paul Sartre), marxistas (Karl Marx), psicológicos (Sigmund Freud), capitalistas e comportamentalistas (B. F. Skinner). O foco de sua argumentação é a negação.

Agnóstico é o que desconhece os meios para saber se Deus existe, bem como outras realidades metafísicas. O termo também vem do grego a = não + gnoses = conhecimento, ou seja, Deus é incognoscível, não se pode ter certeza se Ele existe ou não. O foco de sua argumentação é a dúvida. Mas, independentemente das classificações, os adeptos do ceticismo são encontrados nos meios de comunicação e, principalmente, nas universidades.

Charles Darwin (1809-1882), naturalista britânico, é um exemplo típico de agnóstico. Através de suas pesquisas e observações sobre a variabilidade das espécies, elaborou a doutrina da evolução por meio de uma seleção natural, como paradigma para explicar a origem da vida, sem evidências da ação divina.

Já Friedrich Nietzsche (1844-1900), alemão de origem judaica e formação luterana, filósofo e filólogo, tem sido considerado “o mais cruel e vigoroso ateu da história”. Dizia que para ele Deus estava morto, pois não conseguia acreditar em “um Deus que quer ser louvado o tempo todo…”. Assim, a sua crença na morte de Deus era subjetiva, na cosmovisão do homem ocidental.

Sigmund Freud (1856-1939), neurologista e psiquiatra austríaco, sempre se considerou ateu, embora de origem e educação judaicas. Para ele, “Deus é uma concepção humana nascida no inconsciente…”, e “a fé em Deus não passa da projeção de fortes desejos e necessidades internas”. Costumava afirmar que não tinha o temor de Deus e que, se algum dia o encontrasse não pretendia se entregar. Mas quase se entregou.

Já o crítico literário britânico C. S. Lewis ou Clive Staples Lewis (1898-1963), também ateu, tinha em Freud a sua inspiração. Na universidade, C. S. Lewis teve certeza de que “religião é coisa para criança”, e as igrejas eram verdadeiras creches para aqueles que não conseguiram crescer e se libertar. Freud morreu de câncer do palato, afirmando ser ateu até o fim dos seus dias, mas sua correspondência está cheia de expressões como “graças a Deus”, “se Deus quiser” e similares. Foi a morte do mestre que levou C. S. Lewis a ser criança de novo e a voltar para a creche, para Deus.

Para Bertrand Russel (1872-1970), filósofo e matemático britânico, ateu, “a religião nasce do medo” e torna as pessoas subservientes e a crença em Deus não conduz à felicidade.

O que pensam os modernos Richard Dawkins (1941), biólogo inglês, e Stephen Hawking (1942), astrofísico e cosmólogo? A fé em Deus é um “absurdo altamente perigoso”, porque a probabilidade de que Deus exista é ínfima (Dawkins). A crença em Deus é incompatível com a ciência (Hawking).

Francis Collins (1950), biólogo e geneticista norte-americano, foi diretor do Projeto Genoma Humano. Ateu convicto até os 27 anos, seguiu na contramão da tendência pós-moderna entre os cientistas: foi na universidade que ele se converteu ao cristianismo. A partir daí, vem discordando das teorias de Daniel Denneth, Richard Dawkins e outros colegas ateus, e afirma categoricamente que “a ciência não exclui Deus”.

Leandro Karnal (1963), historiador brasileiro, professor da Unicamp e ateu convicto, faz apologia à Bíblia como o livro mais influente da humanidade, livro que ele diz ler “quase diariamente” e do qual destaca o livro de Jó e o coloca entre os dez que mais influenciaram sua vida. É essa Bíblia que Leandro Karnal já leu muitas vezes, que afirma no Salmo 19:1: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

Então, para ser ateu é preciso ter mais fé do que para ser religioso, porque a crença cristã se fundamenta na Bíblia e nas evidências da natureza; a muçulmana (sem terrorismo) se fundamenta no Alcorão; o judaísmo se fundamenta na Torá (Velho Testamento); mas o fundamento ateísta é a negação, o niilismo, o nada. “Viemos do nada e vamos para o nada; no meio, resta apenas a angústia” era como pensava o filósofo francês Jean Paul Sartre (1905-1980), de ancestralidade cristã que se desencantou com a religiosidade aparente de sua família.

Augusto Cury, médico psiquiatra paulista, o escritor brasileiro mais lido nos últimos dez anos, autor da Teoria da Inteligência Multifocal, assim com C. S. Lewis, foi um dos grandes ateus que também voltou à “creche”, a Deus… mas ele afirma que religião pode ser fonte de doença e de saúde mental, a depender da forma como é praticada. “A intolerância é um câncer na sociedade e isso vai totalmente contra o que Jesus vivenciava…”, afirma Cury.

A falta de Deus na vida das pessoas pode contribuir para o aumento da violência, do preconceito, da intolerância. Mas o grande problema não decorre dos céticos, por qualquer razão. Os responsáveis pelo grande aumento dos descrentes são os ditos crentes, que não vivem de acordo com a fé que professam em Deus. Vivem como se Ele realmente não existisse, o que tem contribuído para o desencantamento de muitos. Por trás de cada conversão ao ateísmo, existe uma frustração, uma mentira, um engano, um desencanto motivado por religiosos de ontem e de hoje. :: LEIA MAIS »

AVENTURA DE SEBASTIÃO MAGALI E BANDO EM ILHÉUS FAZ 110 ANOS

Luiz Conceição

 

 

Sebastião Magali jamais confessou de onde teria partido a ordem e quem teria financiado o ataque. Presos, achavam-se tranquilo, conversando e rindo. A calma do líder impressionava, mas quebrou-se quando confrontado com telegrama em que pediu mais cartuchos, armas e até canhões de tiro rápido.

 

Em novembro de 1907 um fato insólito aconteceu em Ilhéus. Decorridos 110 anos, tem pitoresco sabor de faroeste.

Chegaram à cidade, no dia 22, na lancha União 3ª, procedente de Salvador, aonde desembarcara dois dias antes do navio inglês Byron, nove indivíduos que se diziam de nacionalidade inglesa, americana e canadense: George Gordon, Baker, Parcker, Davies Gruthorp, Wilson, Rice, Pfannebecker e Borer, liderados por Sebastião Magali.

Munidos de pesada bagagem, traziam malas de couro próprias para viagens terrestres, alforjes, etc. O grupo dizia que tinha Caravelas como destino, de onde passaria a Minas Gerais. Mas, como tivesse enjoado na travessia entre a capital e Ilhéus, resolveu pernoitar. Alugou um andar térreo de um sobrado da Fazenda Pimenta, no subúrbio. Também se disseram artistas de circo.

Mas não traziam animais nem os apetrechos necessários à montagem de espetáculos, o que causou desconfiança aos então moradores da antiga Capitania de São Jorge dos Ilhéus. Coube ao promotor público Afonso de Carvalho intimar o chefe do grupo à delegacia. Lá reafirmou serem seus colegas e ele artistas circenses. A partir daí, Magali apressou-se a comprar animais de montaria e carga com a promessa de pagar no dia 26, quando receberia dinheiro vindo da capital.

Porém, na véspera, chegou ao conhecimento de um dos vendedores dos animais e mercadorias que cedo o grupo de Sebastião Magali encilhava a tropa no pátio da fazenda sem nada pagar. Dirigiu-se ao local para reclamar. Os gringos entraram na casa e começaram a se armar. Prezilino Azevedo apoderou-se de dois dos três cavalos e saiu em disparada, tendo chegado à delegacia.

Voltando à fazenda para recuperar mais mercadorias deu de encontro com os nove sujeitos, armados e em disparado galope disparando tiros a torto e a direito, tendo um projétil lhe atingido. O bando trajava uniforme cáqui do exército americano, perneiras e grossas blusas. À frente, seguia Magali que, ao entrar na Praça da Câmara de Vereadores, bradava: “Este é o circo!” ao mesmo tempo em que atirava de carabina.

A população de Ilhéus entrou em pânico, mas a reação popular foi imediata, já que cresceu o número de pessoas que saiu no encalço do bando disparando tiros de revolver. Narra João da Silva Campos no livro Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus[1], que até crianças e mulheres se envolveram no episódio digno das fitas de cinema nos bons tempos de Hollywood.

O destacamento policial, composto de seis soldados, delegado à frente, tomou o caminho no encalço do bando de Magali, tendo abatido um dos seus integrantes ao que se apurou um homem de 38 anos. O tiro foi disparado por um soldado que descia da Conquista para recolher-se ao quartel, mas ouviu o tiroteio. O bando então tomou o rumo da praia.

O sargento alvejou outro deles, que caiu do cavalo, mas conseguiu fugir em direção à casa do coronel Eustáquio Bastos, que o prendeu. Não foi linchado pela ação do advogado João Mangabeira que o protegeu da massa exaltada.  Os demais fugiram pela praia rumo norte, em linha reta, deitados sobre os cavalos a fim de fugir das balas que choviam sobre eles. Além de dois mortos, houve três ou quatro feridos. Um dos quais perdeu a perna, conseguindo sobreviver até 1934.

Uma expedição dirigida pelo inspetor de polícia Balduíno Pereira Duarte seguiu em perseguição dos sete sujeitos restantes. “Ao mesmo tempo, o coronel Domingos Adami de Sá avisava seus parentes e amigos em Almada de quanto se passava, concitando-os a se armarem e saírem em busca dos aventureiros. Então, reuniram-se ali mais de 200 homens armados de repetições, dirigindo-os o capitão João Bastia Homem d El- Rei, chefe da tropa, Durval Hohlenwerger e Argélio Dórea, aos quais se uniu o inspetor Balduíno. Levam ordem de evitar mortes”, narra o cronista.

Os fugitivos foram alcançados no dia 26 na fazenda Mocambo, 14 léguas de distância de Ilhéus, o equivalente a 84 quilômetros. O bando repousava, mas mantinha sentinela avançada. Dado o alarme, tomaram das carabinas e fuzilaram a expedição, que prontamente revidou a agressão, ferindo dois aventureiros. Para evitar mortes, acaso o tiroteio continuasse, o capitão Durval deu a ordem: “Peguem à unha!” A tropa avançou e dominou o bando a coronhadas e panaços de facão.

De joelhos, três pediram clemência. Magali, porém, e os outros se bateram como loucos do começo ao fim da rápida ação. Mas acabaram presos. Chegaram a Ilhéus às 19h30min do dia 27, rodeados de numerosa escolta montada, tentando grosso magote de populares linchá-los. Magali estava ferido na cabeça, na perna e com um braço fraturado. Havia recebido três balaços de máuser, uma carga de chumbo, coronhadas e um golpe de facão.

Outros dois, seriamente feridos, foram trazidos em canoas. Dos atacantes também saíram feridos outras três pessoas. Então, perguntavam constantemente a Sebastião Magali se não havia notícia de movimentos iguais em outros pontos do Estado. Na fuga, Magali foi inutilizando a linha telegráfica. Como indagassem dele se aquilo era o circo que trouxera a Ilhéus, respondeu com sorriso zombeteiro. Depois de fotografados foram ouvidos pela polícia com o auxílio de Henry Dunningham, contador da estrada de ferro.

Sebastião Magali e os remanescentes do seu bando foram submetidos a dois julgamentos. Ficaram presos na cadeia de Ilhéus, fizeram muitos amigos, ganharam presentes e atenções. Parker ficou na Bahia, atuou na profissão de engenheiro eletricista. Magali tornou-se popular, lendário. Enlouqueceu, sendo recolhido a um asilo.

Houve a individualização dos indivíduos, ficando constatado que eram Cecil Bore, ator, inglês, ex-tenente exercito blanco na derradeira guerra civil do Uruguai; Hubert Wilson e George Kincaid, irlandeses, da Polícia Montada do Canadá; Samuel R Parker, engenheiro eletricista; Herbert Pfannebekcer, do Brooklyn; George Gordon, escocês; George H. Vice, de New York. Todos jovens entre 21 e 30 anos, à exceção de Norl Philp Davies Gruthorp, sexagenário, da reserva do exército inglês.

Sebastião Magali jamais confessou de onde teria partido a ordem e quem teria financiado o ataque. Presos, achavam-se tranquilo, conversando e rindo. A calma do líder impressionava, mas quebrou-se quando confrontado com telegrama em que pediu mais cartuchos, armas e até canhões de tiro rápido.

Mas, as investigações provaram ser Magali brasileiro, natural de Porto Alegre e ex-marinheiro tendo servido a bordo do navio de guerra Comandante Freitas. Além disso, seria Sebastião Magalhães o seu nome civil. Os comparsas americanos teriam sido contratados a um dólar por dia. Queriam repetir aqui que se dera na Venezuela.

O fato repercutiu na imprensa, inclusive no New York Herald, com transcrição no Brasil pelo Jornal de Notícias, editado em Salvador.  Também foi tema de reportagens no Jornal do Brasil e The Sun, de Nova York. Olavo Bilac fez crônica sobre a malograda aventura. Sebastião Magali e os remanescentes do seu bando foram submetidos a dois julgamentos. Ficaram presos na cadeia de Ilhéus, fizeram muitos amigos, ganharam presentes e atenções. Parker ficou na Bahia, atuou na profissão de engenheiro eletricista. Magali tornou-se popular, lendário. Enlouqueceu, sendo recolhido a um asilo.

Luiz Conceição é jornalista.

[1] Obra editada em 1947; reedições em 1981 e 2006, esta pela Editus (editora da Uesc).

A REFORMA TRABALHISTA E A SUA CONSTITUCIONALIDADE

Andirlei Nascimento | andirleiadvogado@hotmail.com

 

Resta, como última esperança ao trabalhador, que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu papel na condição de guardião da Constituição e, reconhecendo a inconstitucionalidade dos diversos pontos da reforma, extirpe os malefícios que serão perpetrados na vida daqueles que sempre lutaram.

Em vigor desde o último dia 11 de novembro, a polêmica Reforma Trabalhista divide opiniões e provoca debate quanto a sua institucionalidade. Para alguns, a reforma era necessária para o país poder crescer e aumentar a oferta de emprego; para outros, ela veio para suprimir direitos adquiridos.

O fato é que a nova legislação laboral alterou pontos importantes e polêmicos da relação entre capital e trabalho. A Constituição Federal em vigor, de acordo com o artigo 5º, veio oportunizar e facilitar o acesso do cidadão ao Judiciário, razão pela qual é chamada de Constituição cidadã. Em caminho oposto, as alterações implementadas na Justiça do Trabalho, ao que se percebe, veio com o objetivo de dificultar o seu acesso e proteger o interesse do capital. Isto porque, através de Negociação Coletiva ou Acordos Coletivos, direitos históricos poderão ser suprimidos uma vez que a negociação terá força de lei e sobrepõe ao legislado.

E mais: a Justiça do Trabalho terá poder limitado. Passará a ser menos intervencionista na negociação, fiscalizando apenas pontos tidos como ilícitos, haja vista que irá vigorar o princípio de menos intervenção no processo de negociação havido entre patrão e empregado.

Sem dúvida, as alterações promoverão um verdadeiro afastamento da classe trabalhadora à Justiça do Trabalho já que, caso seja vencido na demanda, arcará com o pagamento dos emolumentos – custas processuais, honorários periciais e honorários de sucumbenciais. O mesmo ocorrerá com o próprio Sindicato de Classe, que, com o não reconhecimento dos direitos perquiridos da classe representada, irá também arcar com todos os ônus da ação.

Emergia sempre na vigência da legislação anterior uma polêmica recorrente, posto não haver um parâmetro para definir a fixação dos danos morais que diz respeito à honra da imagem, a intimidade, a liberdade de ação, a autoestima, a sexualidade, a saúde, ao lazer e a integridade física do trabalhador – bens estes que são tutelados na Carta Magna.

Com o advento desta reforma não parará a discussão, considerando que os parâmetros estabelecidos como limite de condenação em até cinquenta vezes o salário que o trabalhador percebe mensalmente não agradou a maioria, segundo os estudiosos do Direito do Trabalho e, principalmente ao trabalhador, já que se verifica que as grandes empresas não mais se importarão com as ações que envolvem a reparação por danos, movidas por seus empregados, uma vez que os valores a serem estabelecidos em sentenças condenatórias não terão impacto nas suas finanças. Portanto, não sofrerá a sanção pedagógica prevista na legislação pátria, mas tão somente um valor econômico ínfimo.

A possibilidade da quitação anual dos direitos também será uma nova modalidade do empregador quitar os créditos durante cada ano de trabalho, cuja homologação deverá ocorrer no sindicato classista. Essa quitação liberará o empregador de qualquer pagamento posteriormente, caso venha o trabalhador questioná-lo na Justiça Obreira.

Resta, portanto, como última esperança, ao trabalhador que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu papel na condição de guardião da Constituição e, reconhecendo a inconstitucionalidade dos diversos pontos da reforma, extirpe os malefícios que serão perpetrados na vida daqueles que sempre lutaram, de forma digna, e em prol de uma sociedade mais justa.

Andirlei Nascimento é advogado, especialista em Direito do Trabalho, pós-graduado em Processo do Trabalho e ex-presidente da Subseção de Itabuna da OAB.

VIAGEM PARA A MORTE

Cláudio Rodrigues

 

Basta qualquer agente ir até os pontos de partida ou às sedes das empresas donas desses ônibus da morte e tomar as medidas necessárias para evitar que continuem operando irregularmente.

O dia de ontem (domingo, 12) foi marcado pela notícia do acidente com o ônibus da empresa RC Turismo que saiu de Itabuna com destino a São Paulo. O veículo tombou na BR-381, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, matando sete passageiros e deixando outras 13 pessoas feridas, entre as vitimas fatais estavam passageiros de Itabuna e Ilhéus.

Uma funcionária da empresa afirmou ao G1 que a documentação do veículo estava em dia. Porém, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) disse que o ônibus não tinha autorização para realizar a viagem. Esse é um jogo de empurra que se repete a cada acidente com veículos que fazem transporte clandestino. Os órgãos de fiscalização fazem vistas grosas e quando acontece um acidente ficam buscando o culpado.

Na verdade, nada é feito para coibir esse tipo de ação de empresas e pessoas que exploram o transporte clandestino. Todos os sábado, dezenas de ônibus partem de Itabuna para o Sudeste do Brasil, os pontos de partida são ao lado da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) e do inicio da avenida José Soares Pinheiro. Será que nenhum dos órgãos de fiscalização sabe disso?

Qual o real papel da ANTT, Agerba, PRF e PRE em relação ao transporte clandestino? A verdade é que, se houvesse por parte dos órgãos responsáveis pela fiscalização um trabalho de prevenção, esse tipo de serviço não estaria sendo prestado. Basta qualquer agente ir até os pontos de partida ou às sedes das empresas donas desses ônibus da morte e tomar as medidas necessárias para evitar que continuem operando irregularmente.

Mas, como quem busca esse tipo de transporte são pessoas de baixa renda ou trabalhadores da informalidade, que, para garantir uma economia e um lucro melhor, colocam a própria vida em risco, tornam-se meras estatísticas para os responsáveis pela fiscalização. E a viagem para morte continua. No próximo final de semana, outros ônibus vão partir dos mesmos pontos.

Cláudio Rodrigues é consultor.

OTTO, O PT E A ELEIÇÃO DE 2022

Marco Wense

Se tem um político que Rui não pode se atritar, sob pena de sair derrotado da eleição, é o senador Otto Alencar, que já foi carlista e governador da Bahia.

Começa a tomar corpo, entre correligionários bem próximos do senador Otto Alencar, um movimento para que o parlamentar tenha uma conversa com o governador Rui Costa sobre a sucessão de 2022.

Otto quer disputar o comando do cobiçado Palácio de Ondina com o apoio do PT e de suas principais lideranças.

O que os otistas querem é que o chefe do Executivo, que é pré-candidato a um segundo mandato, via instituto da reeleição, se comprometa em apoiar Otto no processo sucessório de 2022.

O senador, que é o presidente estadual do PSD, legenda que integra a base aliada do governo Temer, é peça importante para a permanência de Rui no cargo.

Resultados de recentes pesquisas de intenções de voto, dando a dianteira ao prefeito soteropolitano ACM Neto, do Partido do Democratas (DEM), fortalecem a iniciativa dos otistas.

Se tem um político que Rui não pode se atritar, sob pena de sair derrotado da eleição, é o senador Otto Alencar, que já foi carlista e governador da Bahia.

Essa dependência política de Rui com Otto termina fortalecendo a contrapartida em relação a sucessão de 2022. Ou seja, sem o apoio do senador, Rui não se reelege. Conditio sine qua non.

O problema maior não é o governador, que até toparia o acordo. A pulga atrás da orelha é o PT, é confiar no PT. O PT que adora receber apoio e detesta apoiar.

Outro detalhe é Lula. O PT acha que o petista-mor vai disputar a eleição presidencial sob a proteção de uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

E como os petistas acreditam em uma vitória de Lula, já pensam no Palácio de Ondina na sucessão de 2022, obviamente com um nome do partido, que pode ser Jaques Wagner.

Concluo dizendo que, se depender do petismo, o sonho do senador Otto Alencar de voltar a governar a Bahia não vai passar de um grande pesadelo.

Marco Wense é editor d´O Busílis.



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