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:: ‘Artigos’

“O POVO DE SALVADOR É MUITO EDUCADO, MAS É FEIO!”

Ailton Silva | ailtonregiao@gmail.com

 

 

A senhora, na tentativa de justificar o “povo feio”, fez um rodeio, afirmando que o povo da região dela, o Sudeste brasileiro, é mal educado e não tão confiável quanto o morador de Salvador. Quando, finalmente, respondeu: “você é bonitinha”. Maria retrucou: “eu sou uma feia melhorada?”

 

Retornando de um compromisso em Recife, na noite de segunda-feira (2), desembarco no Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, e sigo para a rodoviária, onde, por mais de três horas, esperei o ônibus com destino a Itabuna. Antes da chegada do transporte, encontrei os personagens do relato que faço a seguir.

No terminal rodoviário, sento-me em uma das cadeiras, de costas para duas mulheres e ao lado de uma terceira (não por falta de educação, mas forçado pela maneira como elas, as cadeiras, são disponibilizadas na área de embarque). De repente, uma delas, uma senhora de pele branca, durante uma conversa sobre a hospitalidade do baiano, soltou: “gosto de Salvador, porque o povo de lá é muito educado, prestativo, como em poucos lugares que conheço”.

 A conversa seguia num rumo tranquilo até aquele elogio. Mas mudou quando a mulher, a senhora de pele branca, fez uma ressalva: “Mas ô povo feio é aquele de Salvador, nunca vi igual!”

Maria, uma jovem negra que estava ao meu lado, moradora de Camaçari, na Região Metropolitana, que até não participava da conversa, questionou: “Como assim?” A senhora respondeu, de pronto: “um povo desarrumado, que se veste de qualquer jeito, as mulheres não usam salto, não são elegantes”.

Incomodada, a jovem retrucou: “A senhora quer que as mulheres subam e desçam os morros de salto para trabalhar? Quer que as pessoas retornem bem vestidas da praia? Algumas regiões de Salvador não permitem a nós, mulheres, caminharmos de salto alto. Depois, é uma cidade praiana, com muitos turistas”, explicou.

A senhora não se deu por vencida. Rebateu: “As mulheres têm o cabelo desarrumado. Na verdade, elas não se cuidam mesmo”. Maria rebateu: “Assim como meu cabelo, natural?”.

O debate se acirrava, quando uma terceira mulher, com a qual a senhora tinha iniciado a conversa, fez uma ponderação com Maria: “deixa isso para lá”. Maria respondeu que não poderia ouvir calada qualquer tipo de desrespeito ao povo baiano e, virando-se para a senhora que acha o povo de Salvador educado, mas feio, perguntou: “no seu conceito de beleza, eu sou?”

A senhora, na tentativa de justificar o “povo feio”, fez um rodeio, afirmando que o povo da região dela, o Sudeste brasileiro, é mal educado e não tão confiável quanto o morador de Salvador. Quando, finalmente, respondeu: “você é bonitinha”. Maria retrucou: “eu sou uma feia melhorada?”

A senhora decidiu, então fazer uma comparação, agora entre os moradores de Salvador e Vitória da Conquista: “Eu gosto daqui, mas o povo não é educado, é metido a rico, acha-se superior”.  Maria mais uma vez interveio: “O povo do Nordeste é educado e bonito”.

Naquele momento, entrei na conversa, sem ser convidado, para testemunhar o que a jovem acabara de afirmar. Relatei que sempre fui muito bem recebido nos 7 dos 9 estados do Nordeste onde andei. Citei, inclusive, experiências vividas em Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. Lembrei ainda que beleza é subjetiva (ou seja: belo é relativo). O debate foi encerrado assim.

Para mim, o povo brasileiro é lindo e educado – com ressalvas, não sobre a beleza, mas quanto à falta de  educação e ao desrespeito de alguns -, mas hospitaleiro como o nordestino eu não conheço. Ah, o nome da senhora nem fiz questão de saber! O da jovem, sim! É Maria!

Ailton Silva é jornalista e um dos editores deste site.

CEPLAC 62 X 61 INSTITUTO DE CACAU

Tyrone Perrucho

 

Hoje, quando a Ceplac ultrapassa em um ano a idade com que foi sepultado o coirmão Instituto de Cacau, estaria ela em vias de desencarnar, vítima de falência múltipla em seu já debilitado corpo?

 

 

Outrora um órgão moderno e pujante, a esvaziada Ceplac dos últimos tempos carrega nas costas, já cambaleante, o peso dos seus 62 anos de vida, criada que foi em 1957.

Criado em 1931, o Instituto de Cacau da Bahia foi também, em seus primeiros tempos, um eficiente órgão prestador de serviços à região, e que terminou extinto em 1992, aos 61 anos de existência.

Então, ao tempo em que vivenciamos os 62 anos da Ceplac, vêm à memória lembranças do falecido Instituto de Cacau, sepultado aos 61 anos. Vem daí, o título deste artiguete.

Pode ele ser tomado como um textinho insólito, ou descabido, mas que não passa em verdade de uma simplista elucubração sobre os dois instrumentos de governo que permearam os últimos 88 anos desta região (1931-2019).

Quando se emitiu o atestado de óbito do Instituto de Cacau em 1992, ele já era, há tempos, uma espécie de zumbi, um organismo morto com a aparência de vivo, sinais vitais irremediavelmente comprometidos.

Hoje, quando a Ceplac ultrapassa em um ano a idade com que foi sepultado o coirmão Instituto de Cacau, estaria ela em vias de desencarnar, vítima de falência múltipla em seu já debilitado corpo?

Sei de ceplaqueanos que já lavaram as mãos, dizendo-se desiludidos com o rumo das coisas. Sei também de outros que, ainda na ativa, têm esperanças de reversão dessa marcha batida para o fim.

Num e noutro grupo há gente capacitada para conceber uma nova Ceplac, afinada aos novos tempos. Mas seria mesmo o caso, nesses tempos bicudos de hoje, de se propor uma nova Ceplac? Ou de se fazer o que já se fez com boa parte de seu quadro de pessoal, acoplá-lo a outros órgãos? E aí esses outros órgãos, que já atuam Brasil afora, incorporariam nossa região às suas jurisdições?

Por que vejo hoje a Ceplac capengando nos seus 62 anos é que me ocorre que foi, aos 61 anos, que se fez o funeral do saudoso Instituto de Cacau.

Uma coisa tem a ver com a outra? Ou não tem?

Em tempo: Me desliguei da Ceplac por aposentadoria após 30 anos de trabalho. Isso já faz 25 anos e até hoje, não poderia ser diferente, ela está presente em mim. Confesso que sinto saudades daquele tempo e abatimento com o que vejo, sinto e sofro hoje.

Tyrone Perrucho é ceplaqueano e jornalista aposentado.

A IMPORTÂNCIA DO PSICÓLOGO NOS TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS

Carolina Loureiro | caro.loureiro@hotmail.com

 

 

Quando se fala em psicologia atual e transtornos psicológicos no século XXI, é preciso falar sobre depressão, ansiedade, síndrome do pânico e distúrbios alimentares. Estes são os que mais acometem pessoas de todas as idades ao redor de todo o planeta.

 

Na sociedade atual, o nível de exigência aumentou; consumo, padrões, trabalho, sucesso e objetivos a serem cumpridos de forma rápida. Como consequência para tal situação, as pessoas passaram a trabalhar freneticamente para alcançar essas exigências, um esforço que vai além do possível e do saudável.

A situação exposta torna comum em diversas pessoas, o surgimento de sintomas, como ansiedade, estresse, compulsão alimentar e pânico, entre outros. Para lidar com esses transtornos, é extremamente importante a busca por um psicólogo. Ele irá olhar para o indivíduo de forma integral, para compreender o sujeito em sua dimensão biológica, psicológica e social, auxiliando o mesmo na busca por autoconhecimento.

Quando se fala em psicologia atual e transtornos psicológicos no século XXI, é preciso falar sobre depressão, ansiedade, síndrome do pânico e distúrbios alimentares. Estes são os que mais acometem pessoas de todas as idades ao redor de todo o planeta. Vale ressaltar que um transtorno pode desencadear outro e um indivíduo apenas pode sofrer com todos eles.

A depressão é um transtorno emocional que cresce em todo o mundo, atualmente atinge cerca de 11,5 milhões de brasileiros, o que deixa o país na liderança de maior registro dos casos na América Latina, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde.

A ansiedade já é considerada o mal do século. É a partir dela que surge a síndrome do pânico. Já os distúrbios alimentares têm o seu início, principalmente na adolescência e no começo da adulta, eles estão relacionados a uma série de consequências psicológicas e pressões sociais para o chamado ‘corpo perfeito’.

De acordo com especialistas da área, os preconceitos e estigmas enraizados aos transtornos psicológicos colaboram para a evolução das doenças, já que muitas vezes o problema é mal interpretado, encarado como algo simples e momentâneo.

O papel do psicólogo neste tipo de tratamento é encontrar meios de ajudar o paciente, orientando-o a buscar alternativas para amenizar as características e os alicerces que permeiam os transtornos. Na maioria dos casos, o acompanhamento por meio de consultas pode melhorar ou até mesmo cessar os sintomas, a frequência é
necessária, a não desistência do tratamento é indispensável.

Carolina Loureiro é psicóloga, especialista em gestão de pessoas e psicologia organizacional, especialista em avaliação psicológica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.

A AMURC E OS SEUS 35 ANOS DE LUTA MUNICIPALISTA

Viviane Cabral

 

 

A Amurc é uma associação que contribui para o fortalecimento dos municípios, dos gestores públicos, dos secretários municipais, das lideranças políticas e não políticas à manter a esperança viva de que o Municipalismo não pode ser esquecido.

 

A Associação dos municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano (Amurc) completa 35 anos de fundação nesta quarta-feira, 21, com a missão fortalecer o municipalismo, tornando-o democrático e inovador, contribuindo para eficiência, eficácia, efetividade e excelência da Gestão Pública Municipal.

Ao longo desses anos, a entidade tem se estabelecido como um espaço de defesa do Poder Público Municipal, no qual a população é a maior beneficiada, tendo em vista que é por meio de uma Associação que a comunidade se fortalece e tem grandes chances de alcançar os objetivos comuns.

Idealizada com o objetivo inicial de representar os municípios produtores de cacau da região sul da Bahia, a Amurc extrapolou os limites territoriais e de ideias para pensar em soluções sobre os entraves em comuns que afetam os municípios. Nesse aspecto, o munícipe ganha um aliado forte na luta por mais investimentos em políticas públicas, que são capitaneados pelo Estado e pela União.

Todo esse contexto levou a entidade a encampar e defender lutas que são fundamentais para o fortalecimento de uma região com tantas riquezas econômicas, culturais e turísticas. A criação da Região Metropolitana do Sul da Bahia, por exemplo, se apresenta como um instrumento eficaz para o desenvolvimento sustentável dos municípios e de suas potencialidades. Os Consórcios Públicos Municipais, tanto os multifinalitários, quanto o de saúde, surgem na esteira de ser os braços do Executivo e a Associação, o corpo político em prol dos municípios.

Ainda fazem parte do contexto de lutas e discussões, a instalação de equipamentos importantes para a região, a exemplo do Complexo Intermodal do Porto Sul, o projeto de Duplicação da BR-415, dentre outros investimentos. Ao mesmo tempo, a entidade discute a agregação de valor às diversas cadeias produtivas da região, que contribui para o desenvolvimento local, seja no segmento agrícola, industrial, comercial e de serviços.

A Amurc é uma associação que contribui para o fortalecimento dos municípios, dos gestores públicos, dos secretários municipais, das lideranças políticas e não políticas à manter a esperança viva de que o Municipalismo não pode ser esquecido, e que é uma luta não só de quem tá na gestão, mas de todos que aqueles que acreditam que a vida na gestão pública acontece nos municípios.

Aos servidores municipais, a entidade tem promovido uma série de formações e capacitações, que são legitimadas pelo Pró-reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), através do Programa de Apoio Gerencial e Institucional às Prefeituras do Território Litoral Sul. São ações que contribuem para o desenvolvimento das áreas de educação, saúde, assistência social, comunicação, agricultura e meio ambiente.

No contexto nacional, a Amurc, juntamente com a Confederação Nacional dos Municípios -(CNM), a União dos Municípios da Bahia (UPB), parlamentares e prefeitos da região tem lutado pelo aumento no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que, nos últimos anos, tem apresentado uma diminuição considerada.

Em todas as esferas, a Associação tem atuado de forma conjunta com a sociedade civil organizada para que a região consiga atingir o Índice de Educação Básica estipulado pelo Ministério da Educação, democratizar os serviços de saúde e assistência social para todo o cidadão, enfim, atender a população de forma equânime nas áreas de segurança, saneamento básico, infraestrutura e tudo mais que é direito constitucional.

Viviane Cabral é jornalista, especialista em Comunicação Organizacional e assessora de Comunicação da Amurc.

“NENHUM HOMEM É UMA ILHA”

Durval Pereira da França Filho

 

 

É perceptível a alegria e a emoção estampadas no rosto daqueles que, satisfatoriamente, concluem o tratamento, tocam o sino e são aplaudidos pelos que ficam. Faz lembrar as palavras do clérigo e escritor inglês John Donne (1572-1631), em um texto intitulado Por quem os sinos dobram que, tempos depois, inspirou o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961) a produzir romance homônimo.

 

Decorridos sete anos de uma cirurgia para a remoção de um câncer de próstata, tive que submeter-me a 35 sessões de radioterapia no Centro de Radioterapia de Itabuna, da Santa Casa de Misericórdia, anexo ao Hospital Manoel Novaes, para tratar (ou prevenir) uma possível recidiva do tumor. Compreendidas no período de pouco mais dois meses (22.09 a 25.11 de 2019), essas sessões deveriam ter sido encerradas logo no início de novembro, mas circunstâncias de ordem infraestrutural fizeram com que o tratamento se prolongasse por mais alguns dias.

O Centro de Radioterapia de Itabuna é uma referência para todo o Sul, Baixo Sul e Extremo Sul da Bahia, seja pelo bom relacionamento de sua equipe multidisciplinar com os pacientes, seja pelo alto nível de competência e sociabilidade desses funcionários Nesse contexto, podemos citar: administradores, médicos, assistente social, psicólogos, recepcionistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem e de radioterapia, e o pessoal responsável pela limpeza e higienização. São todos merecedores de nota 10, se avaliados.

A doença avilta, degrada, humilha os pacientes, mas o trabalho eficiente dos profissionais, as mensagens de encorajamento daqueles que foram curados, das psicólogas (formandas) e dos grupos religiosos (católicos e evangélicos/protestantes) que visitam o ambiente restauram a dignidade, trazem de volta a esperança e descortinam novos horizontes a esses sofredores.

Ali pude ver pacientes dos municípios: Arataca, Aurelino Leal, Barro Preto, Buerarema, Camacã, Canavieiras, Coaraci, Eunápolis, Floresta Azul, Gongogi, Ibirapitanga, Itapebi, Itamaraju, Ibirataia, Ilhéus, Itabuna, Ibicaraí, Iguaí, Ipiaú, Itagibá, Itajuípe, Jequié, Jitaúna, Maraú, Porto Seguro, Prado, Santa Cruz da Vitória, Ubaitaba, Ubatã. Cada um deles, de perto ou de longe, com sua história, com sua dor e com sua esperança, mas todos encontram atenção e apoio da parte dos profissionais.

Vieram-me à mente as palavras do sofista grego Protágoras de Abdera, que viveu no V século antes de Cristo, ao expressar a noção do relativismo, de como cada pessoa compreende a realidade de sua maneira específica: “O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são”. Essa construção, aparentemente sem sentido, traz a ideia de que tudo deve ser definido e medido pelo homem e para o homem, através dos sentidos e da interpretação que as pessoas fazem a respeito das coisas, de acordo com suas experiências pessoais e seu conhecimento.

Embora a frase não tenha em si um conceito científico, fica evidente que as medidas das coisas são concebidas pelo homem e para o homem. Assim, o hospital, as salas, os aparelhos, o Centro de Radioterapia, tudo foi feito pelo homem e para o homem, com medidas que atendam a todos que se encontram ali. Aí também está presente uma ideia de nivelamento: todos são iguais.

Contudo, há um aspecto de ordem infraestrutural que tem incomodado os pacientes, principalmente os mais abatidos e os de mais longe: as constantes quebras do principal aparelho do centro de tratamento, o chamado acelerador linear. Muitos desses pacientes (no sentido mais amplo da palavra), cansados pela viagem, pelo desgaste emocional, pela frustração de delongar o tratamento, ficam desalentados com a dor de sua dor.

Vale aqui o esclarecimento de que, embora o problema seja de ordem técnica, em princípio, envolve muito mais uma questão de ordem político-administrativa, já que o Centro de Radioterapia de Itabuna atende a muitos municípios da região, como foi dito acima. A queda de braço entre Santa Casa de Misericórdia e governos do município de Itabuna e do Estado pouco interessa aos pacientes, especialmente aos mais carentes, aviltados pela situação social, humilhados ‘pela doença, degradados pela penúria. Todos querem apenas ser tratados.

É perceptível a alegria e a emoção estampadas no rosto daqueles que, satisfatoriamente, concluem o tratamento, tocam o sino e são aplaudidos pelos que ficam. Faz lembrar as palavras do clérigo e escritor inglês John Donne (1572-1631), em um texto intitulado Por quem os sinos dobram que, tempos depois, inspirou o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961) a produzir romance homônimo.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra…; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

prática do toque do sino é um sinal de vitória, mas o seu significado vai muito mais além, se recorremos a Protágoras de Abdera, na Grécia antiga, que relativizava a ideia de que o homem é a medida de todas as coisas, ou, muitos séculos depois, a ideia de John Donne de que todos nós fazemos parte do gênero humano e, por isso mesmo, sofremos as mesas dores, as mesmas angústias, as mesmas frustrações, mas também podemos alcançar as mesmas vitórias.

Durval Pereira da França Filho é historiador.

LULA LIVRE MUDA O PRESENTE E DEIXA O FUTURO COMO UM PAPEL EM BRANCO

Jerberson Josué

 

O tempo dirá se Lula triunfará diante das tentativas de seus opositores de tentar mudar o Código Penal brasileiro para usar politicamente, ou se a direita se recuperando abate novamente a maior liderança popular política do mundo.

 

 

Após a saída do ex-presidente Lula da prisão, o cenário político brasileiro muda completamente. Primeiro, o governo Bolsonaro agora tem um adversário com vasta experiência em fazer oposição e com uma militância aguerrida para fazer repercutir suas vontades e estratégias políticas.

Já no primeiro discurso, Lula mostrou um pequeno arsenal em forma de oratória e críticas aos atos do governo e de parte da imprensa. Só em anunciar que iria rodar o Brasil, já deixou a esquerda – e em especial o PT – eufórica. E a direita, o governo e quem o odeia, em estado de apreensão. Sentiram o golpe ao correrem ao Congresso na tentativa de tirar da gaveta velhos projetos que tentam mudar o Código Penal e até a Constituição, essa última menos provável.

Parte da imprensa tentar construir uma narrativa que jogue a sociedade contra o Congresso tentando pressioná-los a aceitar uma mudança rápida. O motivo é puramente político e nada tem a ver com corrupção ou justiça.

Os opositores de Lula sabem que o poder de convencimento e sedução do ex-presidente Lula é eficiente e encontra terreno fértil diante de argumentos sobre suas ações e situação que pegou e deixou o país ao sair da presidência após 8 anos de governo com 90% de aprovação e tantos êxitos na economia e em projetos de transferência de rede.

Lula, de forma assertiva, inicia pelo Nordeste sua caravana. E já pela Bahia, onde tem maiores níveis de aprovação e onde o PT governa há 13 anos e com exitoso projeto com eleições e reeleições de Wagner e Rui. O último com 75% dos votos válidos na disputa. A avaliação do governador Rui Costa bate a casa dos 80%. O agora senador Wagner, teve a maior votação da história de um senador no norte Nordeste brasileiro. Ou seja, o time de Lula na Bahia é implacável com os adversários nas disputas estaduais. Até aqui.

Lula chega na Bahia com um clima positivo e enche de força sua militância, a esquerda e o PT. As suas andanças podem fortalecer projetos eleitorais da esquerda e do PT, onde quer que ele passe, já para a eleição de prefeito em 2020.

Em Ilhéus e Itabuna, um caso aparte. Uma relação pessoal do ex-prefeito Geraldo Simões, que sonha em voltar a dirigir o município grapiúna, com o ex-presidente pode ser fundamental na garantia de boa disputa. Em Ilhéus, o empresário Nilton Cruz é o pré-candidato do PT na eleição a prefeito em 2020. E também tem laços íntimos com Lula e a cúpula nacional do partido.

Em Salvador, os petistas também já se movimentam no intuito de ter uma candidatura na cidade onde Lula é altamente popular e seria uma cabo eleitoral fantástico. Em centenas de cidades do Brasil, a esquerda e o PT podem virar o jogo diante da derrota no pleito nacional de 2018 e eleger prefeitos nas principais cidades do Brasil, em especial no Norte e no Nordeste.

Voltando ao Lula, um incrível poder de aglutinação em torno de sua figura causa frio na barriga dos adversários e arrasta multidões apaixonadas em sua volta. Para 2022 ainda é cedo para se cogitar algo. Mas, para as eleições de prefeitos e na reorganização das oposições, é um fato consumado dizer que Lula mudou TUDO.

O tempo dirá se Lula triunfará diante das tentativas de seus opositores de tentar mudar o Código Penal brasileiro para usar politicamente, ou se a direita se recuperando abate novamente a maior liderança popular política do mundo.

Importante ficar atento aos resultados da economia. Isso será fundamental para qualquer projeção de qualquer grupo político. Lulismo e antilulismo terão reflexos nos resultados da economia. Conta contra o governo Bolsonaro as peripécias da Família Bolsonaro. Lula livre traz, inegavelmente, uma influência na política brasileira.

Jerberson Josué se define como um estudante na escola da vida.

WAGNER SE CONSOLIDA COMO O MAIOR ARTICULISTA PARA ELEIÇÕES BAIANAS DE 2022

Jerberson Josué

 

 

Os petistas propõem para as eleições de 2022 uma chapa com Wagner governador, tendo um pepista como vice e Otto assegurado na chapa para reeleição ao Senado Federal.

 

O senador Jaques Wagner é, reconhecidamente, incansável em suas movimentações políticas e este fato resultou na convergência de um arco de alianças entre correntes internas do PT, que acabou elegendo um aliado seu para o comando do partido no estado, Eden Valadares, embora o grupo do deputado federal licenciado, Josias Gomes, seja mais sólido e detenha prerrogativas para debates e decisões da Executiva do partido.

O placar ficou 14 a 12 pra o ampliado grupo de Wagner, na Executiva Estadual do PT. Quase que simultaneamente, um movimento assertivo foi feito e o nome do ex-governador Wagner virou quase que unanimidade na base e um trunfo internamente no PT. Foi praticamente alijada qualquer possibilidade de convergência à candidatura majoritária do senador Otto Alencar (PSD), para unificação do situacionismo na sucessão de Rui Costa.

Até o deputado federal Otto filho (PSD) considera impertinente o alinhamento do PSD ao grupo da oposição, tendo em vista os laços do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Os petistas propõem para as eleições de 2022 uma chapa com Wagner governador, tendo um pepista como vice e Otto assegurado na chapa para reeleição ao Senado Federal. Para os aliados do PSB e PC do B, os esforços sinalizariam para viabilizar-se a eleição de um maior número de seus representantes para o Congresso Nacional e Assembleia Legislativa da Bahia.

Este processo eleitoral tem sido, meticulosamente, bem articulado e capitaneado pelo habilidoso Jaques Wagner. Sua desenvoltura assegura favoritismo para a permanência do petismo no comando de mais quatro anos de governo estadual na Bahia e tem merecido reconhecimento, até de adversários políticos, e este é o caso do senador Flávio Bolsonaro, que vê em Wagner um dos mais inteligentes políticos do país.

Jerberson Josué se define como um estudante na escola da vida.

PARTIDOS, PESQUISAS E OS PREFEITURÁVEIS

Marco Wense

 

 

Usando uma tabela de 1 a 10, diria que a arrumação da sucessão municipal de 2020 está em 3. Muita água para passar sob as pontes do rio Cachoeira, limpa e suja.

 

 

Tudo dentro do esperado. Nada de anormal que possa causar espanto ou qualquer outra reação de sobressalto, de ficar atônito, estupefato diante dos fatos.

Não é essa eleição de 2020, para escolha de novos prefeitos ou a permanência de quem já é no cargo, via instituto da reeleição, que vai ser diferente. As estratégias não mudaram, seguem o mesmo bê-a-bá.

São vários pré-candidatos a prefeito. Itabuna, por exemplo, no sul da Bahia, já tem 15 postulantes ao cobiçado Centro Administrativo Firmino Alves. Até o atual alcaide, Fernando Gomes, um ex-demista a procura de uma legenda, com um índice de rejeição gigantesco, beirando os 75%, pretende disputar o pleito.

Partido que não tem prefeiturável fica fora da mídia, do oba-oba do processo sucessório, sequer é lembrado. É bom ter um nome, mesmo que seja de mentirinha. O “mentirinha” termina sendo uma “moeda de troca”, geralmente com o tempo que a legenda dispõe no horário eleitoral.

E se o pré-candidato não empolgar? Alguns são logo defenestrados, sem dó e piedade, pelo comando estadual do partido. Outros dão mais sortes, são oferecidos como vice na composição da chapa majoritária. Tem também os que procuram o caminho do Legislativo, buscando uma vaga na Câmara de Vereadores.

São as pesquisas de intenções de voto, não qualquer uma, mas de instituto de credibilidade, que vão definir as coligações e quem vai encabeçar a majoritária. Pré-candidato que não alcançar uma pontuação determinada pelo partido, é logo convidado pela cúpula partidária a desistir, sonhar com outra coisa.

Portanto, essa avalanche de prefeituráveis, esse disse-me-disse é passageiro. No frigir dos ovos, na hora da onça beber água, como diz a sabedoria popular, sobram poucos para colocar a foto nas urnas eletrônicas.

Usando uma tabela de 1 a 10, diria que a arrumação da sucessão municipal de 2020 está em 3. Muita água para passar sob as pontes do rio Cachoeira, limpa e suja.

Até o dia da eleição tem que ter “couro de crocodilo”, como dizia o saudoso, polêmico e inesquecível jornalista Eduardo Anunciação, hoje em um lugar chamado de eternidade.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A CONTA NEGRA CHEGOU PARA TODOS

Luciano Veiga

 

 

A liberação de mais recursos – financeiro, pessoal e equipamentos – se faz urgente. É o mínimo de reposta que se pode dar a uma população que esta utilizando das suas próprias mãos para fazer o papel do Estado.

 

Com o avançar dos dias de luta pelo combate ao óleo bruto nos mares e praias do nordeste, os municípios começam a sentir o preço deste desastre ambiental nos três pilares – ambiental, social e econômico. Estes elementos não foram só atingidos pelo mar de óleo que chega as praias, mas também pela falta de uma governança ampliada e articulada dos poderes federativos, em especial da União, que atua timidamente em face da extensão e propulsão alcançada pelo petróleo bruto.

Recursos financeiro, pessoal e equipamentos ofertados pelo Governo Federal são insuficientes para fazer face às necessidades impostas pela chegada do óleo a costa e as praias dos municípios do nordeste, cabendo de forma direta aos municípios arcarem com esta conta. Se não fosse a participação dos voluntários, em conjunto com os municípios e os Estados, o óleo cru estaria contaminando as nossas praias, manguezais e estuários em maiores proporções.

Se no primeiro momento, os voluntários e os municípios agiram, para fazer o primeiro combate, agora cabe a União, através do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Marinha e Exército, comitês do plano de ação de incidentes com óleo, conjuntamente com os entes federados, Estados e municípios assumirem os seus papéis e responsabilidades de forma integrada e compartilhada para agirem e aprenderem. Este dois elementos, AGIR e APRENDER são essenciais. O preço que ora estamos pagando tem que pelo menos nos servir de aprendizado, conhecimento e expertise. Se um navio fez tanto estrago, imagine estarmos em uma rota de várias embarcações que transporta de tudo, até óleo cru de alta contaminação.

Os voluntários, bravos guerreiros e guerreiras começam literalmente a sentirem na pele o ardor desta luta, que não tem dia e nem prazo certo para acabar. Pescadores e marisqueiros têm os seus produtos rejeitados pelos consumidores, por falta de informações via poder público sobre a qualidade do pescado. E aí cabe ao Dr. Analista Esperto “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo”. Medo! Temos, sim, desta análise advinda de uma autoridade.

Com o cheque negro nas mãos, precisam as autoridades atuar para atacar os problemas presentes e futuros de frente e não de lado, como tem feito, infelizmente.

A liberação de mais recursos – financeiro, pessoal e equipamentos – se faz urgente. É o mínimo de reposta que se pode dar a uma população que esta utilizando das suas próprias mãos para fazer o papel do Estado. Não está sendo coletado lixo nas praias, mas um material altamente tóxico, o que em tese somente pessoas altamente capacitadas e equipadas é quem poderia agir.

É preciso refletir se temos empresa que detém a maior e melhor tecnologia na extração de petróleo em águas profundas. Precisamos também ser referência no combate a desastre de óleo no mar.

Que aprendamos com a dor. Nós somos uma nação da vida e não da morte.

Luciano Veiga é advogado, administrador e especialista em Planejamento de Cidades

NOMEAÇÃO NA VÉSPERA

Ederivaldo Benedito

 

Em síntese: a nomeação de Pinto foi publicada na edição de hoje, 1º de novembro do Diário Oficial da União, mas bem que poderia ter sido amanhã, dia 2…

 

A nomeação – neste Dia de todos os Santos – do engenheiro elétrico Waldeck Pinto de Araújo Júnior, ex-diretor da Coelba, para diretor da Ceplac é uma clara demonstração de que o Governo Federal não tem a intenção de reestruturar o principal organismo federal em atuação no sul da Bahia, de revitalizar a cacauicultura brasileira e, mais, não tem o mínimo de respeito pela região nem apreço e consideração pelas lideranças políticas e agrícolas regionais.

O atual Governo completa hoje, dia 1º de novembro, dez meses. Nesse período, o presidente da República e a ministra da Agricultura não fizeram uma referência sequer, um pronunciamento público sobre a importância da Cacauicultura para o agronegócio brasileiro ou destacaram o papel da Ceplac no fortalecimento da agricultura nacional. Nem um “tá, ok!” para as potencialidades econômicas da região.

De janeiro a hoje, a Ceplac teve três diretores gerais. Em janeiro, Juvenal Maynart – neto e filho de cacauicultores, profundo conhecer das causas do cacau – foi exonerado sem o prévio conhecimento das lideranças do cacau. Em outubro, Guilherme Galvão –cacauicultor, liderança dos agricultores e político aliado do presidente da República – se surpreendeu com a sua exoneração. Antes, porém, o Governo Federal manifestou a intenção de transferir o corpo técnico da Ceplac e desmontar o órgão.

Waldeck Pinto de Araújo Júnior é um técnico em planejamento e Tecnologia da Informática, com longa atuação no Ministério do Planejamento. Sua nomeação foi uma surpresa. As lideranças sulbaianas sequer sabiam da sua indicação, foram consultadas ou previamente informadas. Apesar de ser baiano, Pinto não tem nenhum vínculo ou convívio com o cacau ou a região sul da Bahia. Foi uma descortesia, considerando que os cacauicultores, na sua totalidade, se emprenharam diuturnamente na eleição do presidente.

Enquanto isso, desunidas, desarticuladas, desprestigiadas, despolitizadas e desinformadas, “as lideranças do cacau” insistem apenas em relembrar o passado, em reclamar e buscar culpados pelo atual estágio da lavoura. Ao invés de exigir respeito e um tratamento digno, preferem permanecer nas trincheiras virtuais dos grupos de WhatsApp, lutando contra inimigos imaginários, afastando possíveis aliados e fazendo uma intransigente defesa de Governo que não ouve seus aliados, deu as costas para o cacau e nem se importa se a Ceplac ainda existe.

O fato é que, além de lamentar, chorar e reclamar, a lavoura cacaueira vive um drama: de um lado, continua apoiando intransigentemente e defendendo ferozmente um Governo que a ignora, que não a respeita e lhe vira as costas; de outro, permanece ofendendo, agredindo, se afastando e tratando como adversárias e inimigas as lideranças políticas que poderiam ser transformadas em aliadas na luta pelo seu soerguimento. Resultado: a lavoura não tem prestígio político para ir à Brasília e sentir-se frente-a-frente à mesa com o Presidente; não tem capacidade de promover uma união de todos os segmentos em torno de uma causa, do futuro do cacau, nem humildade para estabelecer um diálogo franco e aberto com todos das forças políticas baianas e, unidos, construir um projeto coletivo para a cacauicultura baiana.

Em síntese: a nomeação de Pinto foi publicada na edição de hoje, 1º de novembro do Diário Oficial da União, mas bem que poderia ter sido amanhã, dia 2…

Ederivaldo Benedito é jornalista.

LAMA NEGRA CHEGA ÀS NOSSAS PRAIAS

Luciano Veiga

 

 

Tivemos as nossas vidas atingidas da cor do luto, na cor da morte. Podemos ressuscitar se aprender com os nossos erros ou podemos continuar morrendo na nossa ignorância e ganância. É uma questão de escolha.

 

Nos últimos anos o Brasil vem sofrendo fortes ataques ao seu maior patrimônio, o meio ambiente. Como não bastasse Mariana, vieram Brumadinho, as queimadas na Amazônia, cerrado e, agora, as praias e arquipélagos da costa marítima do Nordeste. Como diria Seu Zé, “agora lascou, fomos atingidos do Oiapoque ao Chuí”.

Das extrações minerais, madeiras e a costa litorânea, o que temos em comum?

A princípio, o descaso com o meio ambiente, com a exploração inadequada dos nossos patrimônios naturais e a forma de lidar com estes ataques ao meio ambiente. É difícil aceitar tais acontecimentos como desastre ambiental, que conceitualmente trata-se de um evento não previsível, capaz de, direta ou indiretamente, causar danos ao meio ambiente ou à saúde humana. Ora, todos os eventos citados foram e são previsíveis, e, o pior, têm como alvo certo o meio ambiente (flora, fauna e o ser humano).

Além da exploração desmedida do ponto de vista econômico, temos um Governo inapto na lida de prevenção, controle, ação mitigadora e corretiva diante dos acontecimentos expostos.

Em Mariana e Brumadinho, foi a população primeira vítima e também a primeira a colocar a mão na lama para salvar os seus. Nas queimadas, as mãos e os pulmões atingidos pelo fogo e a fumaça. E, agora, nas manchas pretas das praias, suas mãos são mais uma vez usadas para limpar a sujeira das areias, corais e pedras do nosso litoral.

Estão nos atingindo em nossos corações e almas. Podemos limpar as praias, as areias brancas marcadas pela lama preta, mas não podemos salvar os nossos peixes e mariscos, flora e fauna marinhas. Tivemos as nossas vidas atingidas da cor do luto, na cor da morte. Podemos ressuscitar se aprender com os nossos erros ou podemos continuar morrendo na nossa ignorância e ganância. É uma questão de escolha.

Este é um momento em que os entes federados têm que estar juntos, sem protagonismo, com único objetivo, primeiro mitigar os impactos, segundo criar políticas permanentes de controle e preservação, e, terceiro, entender de uma vez por todas que o maior patrimônio material e imaterial do Brasil é o seu Meio Ambiente rico e diverso.

Somos o único país no mundo com esta pluralidade de riqueza, entretanto, somos também aquele que parece distante do que pensa o seu povo. Os seus governantes persistem em ignorar a vocação natural desta nação, a de cuidar e preservar, transformando em ativo ambiental, econômico e social os seus rincões ambientais.

Para os governantes que aprendam com os voluntários, colaboradores, municipais, estaduais e também da União que colocam a suas mãos na lama preta para limpar as praias do petróleo cru, oriundo de um crime, que tem que ser descoberto a origem como forma de imputar o crime ao culpado, mas especialmente de estancar a hemorragia que ora atinge a nossa costa.

Entretanto, este é o ataque ao território brasileiro, que o conjunto das nossas forças armadas saia para fazer o bom combate, pois em uma guerra os voluntários e funcionários/colaboradores, muito das vezes sem conhecimento e mal equipados, são presas fáceis em uma luta, cujo nosso inimigo (petróleo cru), não se sabe os danos presentes e nem futuro a estes bravos soldados, que arriscam as suas vidas por outras vidas, vividas na nossa fauna e flora marítima e silvestre, podendo os nossos guerreiros sofrer danos a sua saúde no presente ou no futuro.

Que aprendamos com a dor. Nós somos uma nação da vida e não da morte.

Luciano Veiga é advogado, administrador e especialista em Planejamento de Cidades.

MINHAS RAÍZES

Elilde Browning

 

O meu coração pulava à proporção que nos aproximávamos de Itabuna. A minha mente rodopiava numa ansiedade própria de quem não vê o seu lugar de nascimento por tantos anos.

 

Estava diante daquela plateia no auditório da Câmara dos Vereadores por convite da nobre Vereadora Charliane Sousa, para falar aos meus conterrâneos sobre os meus livros E assim foi a vida e Crônicas de um tempo infinito, quando, distraidamente, o meu pensamento reviveu os momentos que antecederam esse encontro. Olhava as pessoas e tinha a certeza de que poucos tinham a minha idade. Portanto, tinha uma grande missão para relatar o que vi e vivi em todos esses anos de minha ausência desta cidade.

Depois de 61 anos voltei a minha cidade Natal, Itabuna, na Bahia. Quando o avião sobrevoou aquele lugar o meu coração disparou num misto de alegria, surpresa, curiosidade e contentamento.

No aeroporto havia um cartaz: Seja bem-vindo a Ilhéus, terra de Jorge Amado. O meu coração fez um disparo inicial elevando o meu pensar para os grandes momentos vividos no passado. As lembranças nos dão o privilégio de sentir de forma real e vivenciá-las como se elas nunca tivessem morrido.

Percebi que a cidade de Ilhéus, em sua formosura ímpar, teve notáveis avanços. Uma ponte ligando o continente à ilha onde há o aeroporto fez daquele lugar um paraíso de milionários em seus suntuosos edifícios com vista para o mar. Nesse dia o oceano estava calmo e pude me lembrar da entrada de grandes navios que levariam o cacau de nossa região para o mundo. Havia sempre a necessidade de um técnico para verificar as condições naquela entrada perigosa. Hoje o porto de Ilhéus se mudou para a praia do Malhado onde o mar é aberto e sem oferecer problemas aos navios de grande porte.

Na minha adolescência morei na praia do Malhado: um pé dentro de casa e o outro na areia nos dava a certeza de que o mar era a nossa varanda. Foi um privilégio morar naquele lugar quando os meus sonhos estavam nascendo em meu pensamento e, diante daquela imensidão de água, sabia que ali ou em outro lugar eles se tornaram realidade. Quantas lembranças afloraram a minha alma! Naquele momento ao rever este espetáculo da natureza senti uma saudade imensa dos meus tempos idos e agora a certeza de ter realizado aqueles sonhos e todos os que eu nem imaginava que pudesse realizar.

Aquela ilha lá no meio do oceano continua no mesmo lugar. E como se o tempo não tivesse passado e ela ali esperando para me rever e dar as boas-vindas de um retorno feliz.

A cidade se elevou numa posição vertical. Talvez para ser possível se descortinar em maiores dimensões um mar sem igual. Em minhas viagens pelo mundo vi muitos oceanos, todavia aquele de nossa adolescência é o mais belo, mais azul e o mais poderoso. Tive o privilégio de morar perto do mar durante toda a minha vida e sempre me recordava dos meus dias em Ilhéus.

Andando pelo centro da cidade tive um encontro com Jorge Amado ali sentadinho em frente ao restaurante Vesúvio tão antigo como a cidade nos seus primórdios. Abracei-o, beijei-o e senti-o vivo em minha memória e em meu coração. Adiante a casa que o abrigou, e, ali ele está de pé a receber carinhosamente os visitantes do mundo inteiro. :: LEIA MAIS »

GOVERNOS, PERGUNTEM AO NAZAL

Walmir Rosário 

 

 

A construção de um estabelecimento prisional nas imediações da BA-262 (Ilhéus-Uruçuca) e da BR-415 (Ilhéus-Itabuna) cairia com uma bomba atômica nos investimentos que estão sendo feitos nesses locais, com prejuízos irreversíveis.

 

Atitudes patéticas cometem os governos da Bahia e de Ilhéus ao anunciarem a construção de um novo presídio no município de Ilhéus, o que demonstra a falta de competência para gerir assuntos nem tão complicados. Inicialmente, o local definido foi próximo à BA-262, rodovia que liga Ilhéus a Uruçuca e onde o próprio Governo do Estado da Bahia desenvolve o projeto turístico Estrada do Chocolate.

Com os protestos dos investidores interessados em participar dessa nova ação turística importante para o Sul da Bahia, eis que a Prefeitura de Ilhéus e o Governo do Estado, de forma atabalhoada, anunciam um novo local: às proximidades na BR-415, a Rodovia Jorge Amado, uma “avenida” que liga Ilhéus a Itabuna. Nada mais impróprio para a escolha tão burlesca para a localização.

Antes de entrar no mérito da questão, minha humilde, mas acertada indicação aos tão perdidos governantes, é que “baixem a bola” e procurem quem realmente conhece do riscado para localizar o novo conjunto penal. E eles sabem muito bem de quem estou falando: do vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, um estudioso da região, notadamente de Ilhéus, que conhece todas as nuances do “território ilheense”.

Lembro que até há bem pouco tempo, sempre que o Governo do Estado pretendia implantar um equipamento público num dos seus municípios, enviava seus técnicos à Prefeitura para a escolha de um local adequado. E não se tratava de simples deferência e sim de uma série de informações, que iam desde a logística, a propriedade, a conveniência e o planejamento socioeconômico da área.

No município de Ilhéus, o técnico que sempre foi consultado – de forma acertada – foi justamente José Nazal, profundo conhecedor do município de Ilhéus, não por ouvir dizer, mas por conhecer, in loco, toda a área. É José Nazal que tem trabalhado em parceria com o pessoal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos recenseamentos, junto com a equipe dos Correios na localização e dos logradouros públicos e por aí afora.

Mesmo com suas divergências em relação à administração do prefeito Mário Alexandre, asseguro que José Nazal não se eximiria de sua condição de cidadão ilheense, nesse mister, ainda mais na condição de vice-prefeito. Em outras palavras, não importa as diferenças pessoais ou políticas quando o assunto é o investimento do dinheiro público, que tem que ser usado com todos os critérios e imparcialidade.

Mas ainda está em tempo de as autoridades estaduais e municipais reconhecerem a falha até aqui cometida e prospectarem uma área adequada e segura para a construção do novo estabelecimento penal. No município de Ilhéus, o que não falta são áreas com as características pretendidas para a localização de um empreendimento desse porte, fora do zoneamento turístico e de tecnologia do conhecimento.

Tenho a convicção que mesmo numa conversa preliminar entre os técnicos governamentais e o vice-prefeito Nazal, alguns locais com as características desejadas deverão ser apresentados. Mesmo sabendo dos meus parcos conhecimentos sobre o tema, acredito que os novos locais serão mais convenientes e, por certo, menos recursos deverão ser utilizados na desapropriação da área e obras de segurança.

De minha parte – perdoe-me os entendidos no assunto –, não consigo entender como técnicos podem conceber tal projeto e ainda “vendê-los” a um prefeito e um governador, por ser tão descabido. Não quero fazer prejulgamentos, mas existe algo de errado nessas escolhas, que mais se parece com um jabuti em cima de um poste. Ele está lá, mas não se sabe quem o colocou lá, pois de motu próprio é que não foi.

Me recuso a aceitar qualquer tipo de tese estapafúrdia ou conspiratória que a construção do estabelecimento penal nessas áreas anunciadas seria uma simples falta de conhecimento técnico. Também não cabe elucubrações de que não existiria local apropriado, muito menos de que as atividades turísticas, de comércio e produção de conhecimento conviveriam perfeitamente como vizinhos civilizados.

A construção de um estabelecimento prisional nas imediações da BA-262 (Ilhéus-Uruçuca) e da BR-415 (Ilhéus-Itabuna) cairia com uma bomba atômica nos investimentos que estão sendo feitos nesses locais, com prejuízos irreversíveis. Está mais do que provado que os dois locais escolhidos – indevidamente – se transformarão em um grande conglomerado urbano em menos de cinco anos.

A poderosa mão do Estado pode e deve escolher um local diferente dos anunciados, para não incorrer em mais erro administrativo, daquele que o suado cidadão contribuinte é obrigado a pagar duas vezes. Financia a construção em lugar indevido, que será abandonado em seguida, enquanto busca-se outro local para a construção de um novo, sobrando nesta operação um famoso “elefante branco”.

Como os governos não produzem, só gastam, os contribuintes deixam de ganhar os investimentos em equipamentos de educação, saúde e outros serviços essenciais à desprovida população. Enquanto isso, os que produzem riquezas – a iniciativa privada – tomarão prejuízos irreversíveis com as atitudes mal pensadas e executadas dos governos, em que seus governantes sequer são responsabilizados.

Se pode fazer bem-feito, então faça.

Walmir Rosário é jornalista, radialista, advogado e editor do Cia da Notícia.

O ÓLEO MANCHOU MAIS QUE NOSSAS PRAIAS

Jerberson Josué

 

 

 

Constatamos que nenhum município nordestino agiu e planejou gabinete de gerenciamento de risco no início do problema.

 

Há quase dois meses estamos sendo bombardeados com o noticiário da imprensa, que existem dúvidas sobre a origem do petróleo que está poluindo toda a costa do nordeste e iminência de invadir o litoral de alguns estados do sul do país.

O óleo não causa prejuízos ambientais apenas em nossas praias. Sua sujeira afetou também a imagem de políticos e governantes. Os gestores federais, estaduais e municipais estão chamuscados com a “queimada” de imagem advinda do óleo vazado e esparramado pelos mares!

Não houve e nem está havendo intervenção rápida, planejamento e o que se vê é falta de habilidade de gerenciamento no enfrentamento dessa situação trágica.

Vemos parte da nossa fauna e flora marítimas ser dizimada; nossos rios e mares serem poluídos com a mesma proporção caótica em que vemos a inaptidão das nossas autoridades responsáveis pela preservação dos nossos recursos naturais.

Constatamos que nenhum município nordestino agiu e planejou gabinete de gerenciamento de risco no início do problema. Em Ilhéus, o prefeito Mário Alexandre (Marão) e sua equipe da área ambiental não atentaram para a iminente perspectiva da poluição do óleo invadir as praias da cidade.

O governo federal desativou conselhos que deveriam tratar do problema e o Ibama, conjuntamente com o ICMBIO, foram desmantelados e desestruturado, por uma decisão política retrógrada do governo central.

Uma força tarefa é necessária ser feita Brasil a fora pra estancar o flagelo ambiental. Só uma ação planejada conjunta, envolvendo os três poderes federativos, com participação ativa de setores da sociedade, urgente!

É preciso, também, que indivíduos inescrupulosos e medíocres, parem de disseminarem notícias falsas sobre este assunto, com objetivo espúrio de sujar a imagem dos gestores de plantão.

Agora é a hora de sabermos se o lema “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” é verdadeiro.

Jerberson Josué se define como um estudante na escola da vida.

A BASE ALIADA E A SUCESSÃO ESTADUAL

Marco Wense

 

 

É bom lembrar que Jaques Wagner tem um fortíssimo entusiasta e defensor ferrenho da sua candidatura: o ex-presidente Lula, que anda meio chateado com o governador Rui Costa em decorrência do “Lula Livre”.

 

Na oposição, nenhum problema. O nome de ACM Neto, além de ser consenso, é o único com viabilidade eleitoral e estofo político para enfrentar o candidato do governismo, que caminha a passos largos para ser o senador Jaques Wagner (PT).

O prefeito de Salvador, que é presidente nacional do DEM, não tem como recuar, como fez na sucessão de 2018, o que terminou provocando muita insatisfação no staff político. Muitos candidatos – deputado estadual e federal – responsabilizaram o alcaide soteropolitano pelo fracasso nas urnas. Como exemplo bem tupiniquim, cito Augusto Castro. O ex-tucano (PSDB), hoje no PSD, culpa Neto por não ter sido reeleito para a Assembleia Legislativa do Estado (ALBA).

Mas imbróglio mesmo, que tende a ficar mais complicado com a proximidade da sucessão do governador Rui Costa, é na base aliada, com o senador Otto Alencar disposto a não desistir da sua legítima e democrática candidatura ao Palácio de Ondina.

O que está escancarado é que existe uma articulação para isolar o dirigente-mor estadual do PSD, tendo na linha de frente o vice-governador João Leão (PP), a primeira liderança da base de sustentação governista a declarar apoio à postulação de Wagner. Com efeito, a candidatura do ex-governador é favas contadas, 2+2=4.

O que se comenta nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, é que existe um compromisso de Rui Costa com Otto. Não se sabe é se Wagner tem conhecimento desse ajustamento entre o governador e o senador. Se tem, está fazendo de conta que não sabe de nada, dando uma de “João sem braço”, como diz a sabedoria popular.

O PP e o PSD vêm travando uma luta por mais espaços no governo. Esse pega-pega ficou mais acirrado neste segundo governo de Rui, obviamente porque o governador, com seus bons índices de aprovação, está impedido de disputar o terceiro mandato consecutivo, à re-reeleição.

A pergunta oportuna e pertinente não pode ser outra: Como irá se comportar Otto Alencar diante dessa articulação para tornar sua pré-candidatura cada vez mais enfraquecida? E o pior é que Rui Costa começa a dar os primeiros sinais de que não tem outro caminho que não seja o de seguir a cartilha do seu criador. Qualquer atitude contrária pode ser interpretada como uma gigantesca ingratidão.

Cabe ao senador Otto, se quer realmente tornar sua pretensão viável e não ser sucumbido eleitoralmente, procurar se aproximar de outras legendas da base aliada, sob pena do sonho de ser o morador mais ilustre do Palácio de Ondina virar um irreversível pesadelo.

O PCdoB, de Davidson Magalhães, e o PSB, de Lídice da Mata, dificilmente tomariam uma posição que contrariasse o chefe do Executivo. São legendas tidas como obedientes, longe de qualquer ato de rebeldia. Já o PDT de Félix Júnior não pode ficar como eterno coadjuvante do petismo, não sendo reconhecido na sua importância, sendo tratado com desdém, como uma legenda de segundo escalão.

É bom lembrar que Jaques Wagner tem um fortíssimo entusiasta e defensor ferrenho da sua candidatura: o ex-presidente Lula, que anda meio chateado com o governador Rui Costa em decorrência do “Lula Livre”.

Para uma análise mais consistente, vamos esperar o comportamento de Otto Alencar diante dessa já iniciada fritura.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

NÃO É FÁCIL SER “NOVO”

Marco Wense

 

Nos bastidores da legenda, em conversas reservadas, o que se comenta é que haverá um novo comando do Novo em Itabuna, que Harrison não será mais o porta-voz da agremiação partidária.

 

O partido Novo de Itabuna não conseguiu empolgar uma considerável fatia do eleitorado ávido por um caminho diferente na política.

A legenda, sob a tutela nacional de João Amoêdo, ex-postulante à presidência da República, esperava muito mais da coordenação do partido em Itabuna. A meta de 150 filiados, condição para a formação do diretório municipal, não foi atingida.

Amoêdo deve ter ficado insatisfeito com a coordenação do partido em Itabuna, que tem na linha de frente Harrison Nobre, ex-filiado do PDT. A exigência não foi cumprida. “Conseguimos pouco mais de 120 filiados ativos, mas vamos continuar firmes tentando fazer o partido crescer no município”, disse Harrison, coordenador geral do núcleo de Itabuna.

Nos bastidores da legenda, em conversas reservadas, o que se comenta é que haverá um novo comando do Novo em Itabuna, que Harrison não será mais o porta-voz da agremiação partidária.

O partido não terá candidato a prefeito e nem a vereador, o que não deixa de ser um preocupante baque para a sigla. O apoio a um determinado prefeiturável não está descartado, desde que não seja nenhuma velha e empoeirada raposa que quer retornar ao centro administrativo Firmino Alves.

Muita gente séria, qualificada e honrada com respaldo para disputar a sucessão de 2020. Só tenho a lamentar o desfecho do Novo em Itabuna.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.








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