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:: ‘Artigos’

DE PROTAGONISTA A FIGURANTE

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

 

A missão de Geraldo é deixar o papel de figurante e ao menos ganhar o papel de coadjuvante nas eleições do próximo ano.

 

Todos que acompanham filmes, séries e novelas sabem que existe o artista principal. Era assim que minha avó chamava os protagonistas das tramas. Mas, no mundo do entretenimento dos filmes e novelas, não existe apenas o protagonista. Há, também, os atores coadjuvantes. E os figurantes, aqueles que fazem parte da cena apenas na figuração, entram mudos e saem calados. Ou seja, o papagaio de pirata.

Na política, também existem os protagonistas e os figurantes. Isso ficou registrado na última segunda-feira (9), quando o governador Rui Costa esteve em Itabuna para assinar o contrato para a construção da duplicação da Rodovia Jorge Amado (BR 415), que liga as duas principais cidades do sul do Estado, a Rodovia Ilhéus/Itabuna. A imagem do prefeito Fernando Gomes, neoaliado do governador Rui Costa e, consequentemente do PT, o prefeito de Itabuna era o protagonista da solenidade, recebendo todos os afagos dos políticos “capas-pretas” presentes.

No mesmo evento, o ex-prefeito e ex-deputado Gerado Simões não passava de um mero figurante no palanque armado na avenida Juracy Magalhães. Sentado nas fileiras ao fundo, Simões era apenas mais um, na cena onde Gomes, ao lado de Rui, era o artista principal, o protagonista.

Ceplaqueano e líder sindical, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Itabuna, Geraldo surgiu para a política da Bahia como o novo e viveu seus momentos de protagonista. Nas eleições municipais de 1988, foi o candidato a vereador mais votado, porém não assumiu o mandato em função do coeficiente eleitoral. Na eleição seguinte, assume o mandato de deputado estadual.

Eis que, em 1992, contrariando todos os prognósticos, Simões vence a eleição para prefeito de Itabuna, numa verdadeira “zebra”. De uma tacada, derrota o então imbatível Fernando Gomes, seu candidato Oduque Teixeira e, de quebra, o ex-prefeito e também candidato Ubaldo Dantas.

Durante sua gestão, Geraldo e seu grupo político sofrem perseguição implacável por parte do todo-poderoso ACM. Mesmo com todo tipo de boicote, faz uma boa administração, o que lhe garante o primeiro mandato para a Câmara Federal nas eleições de 1998. As portas estavam abertas para a volta ao comando do município no ano 2000.

Em sua segunda passagem no comando do município, Geraldo estava no ápice do sucesso político. Coordenou a campanha vitoriosa de Lula à presidência da República, em 2002, e nos bastidores era cotado para compor uma chapa majoritária ao Senado ou ao Governo da Bahia.

Derrotado na campanha pela reeleição, dois anos depois, em 2006, consegue um novo mandato de deputado federal e é convidado a assumir a Secretaria de Agricultura da Bahia, pelo então governador Jaques Wagner. Em 2008, contrariando a tudo e a todos, lança a esposa como candidata a prefeita, é derrotado. Tempos depois, não consegue renovar o mandato de deputado federal e no último pleito municipal como candidato a prefeito sofre uma derrota acachapante, obtendo pouco mais que oito mil votos.

Hoje, Geraldo Simões está sem grupo político, sem credibilidade com profissionais do mercado de comunicação e, acima de tudo, sem carisma e prestígio junto à cúpula de seu partido. A missão de Geraldo é deixar o papel de figurante e ao menos ganhar o papel de coadjuvante nas eleições do próximo ano. Uma missão quase impossível.

Cláudio Rodrigues é consultor.

BANCOS! AH, OS BANCOS!

Walmir Rosário 3Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Não é preciso dizer que a parte mais fraca sofre com a bandidagem solta e armada nas ruas, planejando assaltos diários, tanto aos correspondentes bancários quanto a outras empresas que trabalham com valores, a exemplo dos supermercados.

 

Que os bancos só emprestam dinheiro aos clientes que não precisam, todos sabem, mas o que passamos a saber a cada dia é que os bancos somente querem cobrar taxas como estabelecimentos bancários, porém não admitem prestar os serviços a que devem entregar e já cobram por isso. É muito estranho, mas é verdade e é mais uma jabuticaba brasileira.

Pouco vou a uma agência bancária e só me dirijo a esses locais em última instância. Também não é pra menos: tenho que transpor uma série de barreiras para conseguir ultrapassar a porta giratória, após provar que não ando mal-intencionado e desarmado. Mesmo assim sou visto com desconfiança pelos estagiários e empregados, como se fosse ali apenas para importuná-los.

Ora, se um consumidor qualquer procura um banco é porque pretende fazer qualquer tipo de negócio que o banco preste: tomar empréstimos, sacar o seu dinheiro depositado com antecedência, ou, quem sabe, emprestar dinheiro ao banco. Alguns, até, se propõem a emprestar dinheiro aos bancos por juros ínfimos, mesmo sabendo que se precisar vai ter que pagar 10 vezes mais por isso. Mas como tem gente que tem gosto pra tudo…

Seja lá qual for sua intenção, não será bem-visto até que o gerente ou outro funcionário graduado lhe saúde com cara de bons amigos e, quem sabe lhe dê um abraço afetuoso e espalhafatoso para que todos conheçam a sua importância. Caso não seja desse quilate, será desprezado pelo caixa nem tão rápido, que lhe despacha um aviso deste tipo: “Você não tem o perfil para esse serviço”.

Pois é, se um reles equipamento que fica estacionado no lado de fora do banco não lhe aceita, por qual motivo os funcionários do banco iriam lhe aceitar lá dentro, dar um abraço apertado e servi-lhe um cafezinho? Seu perfil é o de fila de correspondente bancário e como tal você deverá se comportar. Hoje, você não é aceito na Caixa Econômica Federal nem mesmo para abrir uma conta poupança. Ah se Itamar Franco ainda fosse vivo e presidente do Brasil…

Um banco múltiplo, como é o caso de 99,99% dos bancos brasileiros, oferecem serviços como depósitos e saques nas contas-correntes e poupanças que mantêm, mas não querem que os clientes de suas contas entrem em suas agências. Estranho, muito estranho esse comportamento de uma empresa que quer o cliente longe dela, mesmo que cobre taxas cada vez mais caras para isso.

Atualmente, é muito comum entrarmos na antessala de uma agência bancária – local onde ficam as máquinas chamadas caixas eletrônicas ou rápidas, apesar das grandes filas – e encontrarmos pessoas vestidas com um casaco com um letreiro às costas “Posso ajudar”. Engana-se que acredita na ajuda, a verdadeira função delas é fazer com que a agência se livre daquele cliente ou simples consumidor e procure outro lugar qualquer para pagar suas contas. Clique no “leia mais” para ler a íntegra do artigo. :: LEIA MAIS »

UM NOVO TEMPO PARA O SUL DA BAHIA

Josias GomesJosias Gomes 

 

Hoje, ainda que o processo da completa recuperação regional ainda demande tempo e esforço, podemos afirmar que o sul da Bahia caminha para um novo e duradouro ciclo de desenvolvimento.

Durante décadas, o sul da Bahia, tendo Ilhéus e Itabuna como as duas maiores cidades, foi uma espécie de locomotiva do Estado, com a lavoura do cacau gerando receitas suficientes para impulsionar o desenvolvimento de outras regiões, chegando a representar 60% do PIB baiano.

Sucessivas crises, que culminaram no final da década de 80 e início dos anos 90 com a chegada e expansão da vassoura de bruxa, que em seu período mais crítico dizimou cerca de 80% da lavoura, fizeram com que a região mergulhasse numa profunda crise, com a explosão do desemprego e queda acentuada em todos os índices socioeconômicos.

Durante quase duas décadas, justamente no momento em que a região mais precisou de apoio para se reerguer, governantes insensíveis e sem compromisso com o sul da Bahia, se mostraram omissos, agravando ainda mais a situação e afetando milhões de pessoas. Práticas equivocadas de renovação da lavoura, por exemplo, levaram produtores a um endividamento brutal, tornando-os incapazes de investir na retomada da produção.

Hoje, ainda que o processo da completa recuperação regional ainda demande tempo e esforço, podemos afirmar que o sul da Bahia caminha para um novo e duradouro ciclo de desenvolvimento. E isso se deve, em grande parte, ao apoio efetivo do Governo do Estado, iniciado na gestão de Jaques Wagner e que vem se consolidando com o governador Rui Costa.

O início das obras de duplicação da Rodovia Ilhéus-Itabuna, sonho de décadas que se torna realidade, é um exemplo da presença marcante do Governo do Estado. Mas não é o único. Outras obras importantes como o Hospital Regional da Costa do Cacau, as duas primeiras em fase de conclusão, a terceira em ritmo acelerado, terão impactos positivos em toda a região. A viabilização da construção do Porto Sul e da Ferrovia Oeste Leste, já garantida por meio de parcerias com empresários chineses, permitirá a atração de grandes empreendimentos e geração de milhares de empregos.

O Governo do Estado também tem investido na cadeia produtiva do cacau, com o cultivo de amêndoas de qualidade e a produção de chocolates, e fortalecido a agricultura familiar e os pequenos produtores, que hoje representam 80% da produção rural na região.

São obras e ações que garantirão a retomada do desenvolvimento, tendo como resultado principal a melhoria da qualidade de vida da população e tornando o sul da Bahia novamente protagonista do Estado.

É necessário destacar o papel do governador Rui Costa nesse novo momento da região e, mais do que isso, reconhecer a necessidade de que esse modelo de gestão democrática e com foco no desenvolvimento de todas as regiões do Estado e não apenas da capital, deve ser mantido.

Josias Gomes é secretário de Relações Institucionais da Bahia e deputado federal pelo PT.

 

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

IMG_20171007_231314Maria Reis Gonçalves* 

 

A violência “nossa” de cada dia, antes de agredir aos outros, agride a cada um de nós, pois tira a nossa essência humana, nossa capacidade de entender o que é certo, o bonito, o real, o justo e a condição de sermos melhores. Ela se disfarça e, quando menos esperamos, bate à nossa porta.

 

Todos os os dias e em todos os meios de comunicação, não importando qual seja o que você está vendo ou lendo, sempre encontramos algo sobre um  crime. Hoje, a violência impera entre todas as outras noticias, até mesmo as dessa nossa política tão nefasta. São assaltos, assassinatos, agressões, roubos, alunos alvejados, professores agredidos, trabalhadores assassinados, pobres e ricos na mesma dança macabra da violência urbana. O repertório da violência é grande e os cenários diversificados. E, dentro dessa guerra sem fronteiras, o povo se sente impotente e desprotegido. E todos os dias ficamos sabendo de casos de barbárie, que se tornou onipresente em nosso cotidiano. Essa é uma oportunidade que temos para pensar o que está acontecendo com o ser humano. A violência sempre existiu e, consequentemente, é algo que faz parte da nossa vida. Para alguns estudiosos, a violência é um mal necessário para nossa estrutura, seja psicológica, física, social, sexual, etc.

Os estudiosos sociais nos falam que o Estado só consegue existir a partir do monopólio da violência. Porém, são as regras sociais, os direitos individuais que inibem a prática da violência e em troca acreditamos nas promessas do Estado como órgão zelador maior dos nossos direitos fundamentais, principalmente o direito à vida. Por isso, os assassinatos e homicídio causam tanta revolta no ramo do Direito e dos meios de comunicação. No entanto, essa promessa está a cada dia mais fragilizada. O Estado se deixou dominar e já não consegue alcançar determinados espaços no meio social. Seja por negligenciar o seu papel educacional, seja por falhas no papel econômico.

O Estado deixou que os chamados “Estados Paralelos” buscassem o domínio sobre essa violência que impera no nosso meio, fora a ganância, a vaidade, a luta pelo poder que tomou conta dos responsáveis por legislar as Leis do nosso país e com isso começaram a aparecer as milícias. Elas são consequências da não presença do Estado protetor, assim o povo passou a se submeter à lei dos mais fortes – e hoje os mais fortes são os bandidos, que – bem armados, matam, estupram, roubam, agridem e sobrevivem na impunidade.

A violência desenfreada que vivemos talvez seja o sintoma mais claro da nossa degradação moral. E a população já não consegue aguentar mais, ninguém aguenta esse empurra, empurra sobre quem é o responsável por coibí-la. O povo começa a pedir socorro e até agora não conseguiu respostas. Sabemos que todos nós temos a nossa culpa em relação à violência, e essa certeza é que nos une, na tentativa de solucionar o problema, por meio de leis mais rígidas e atuações mais profícuas da justiça, punindo ou prevenindo novas ondas de terror. A violência “nossa” de cada dia, antes de agredir aos outros, agride a cada um de nós, pois tira a nossa essência humana, nossa capacidade de entender o que é certo, o bonito, o real, o justo e a condição de sermos melhores. Ela se disfarça e, quando menos esperamos, bate à nossa porta. Porém, devemos tratá-la como indesejável. E nunca esquecer os nossos valores morais, nossa honra e a nossa humanidade.

Maria Reis Gonçalves (Tia Nem) é psicóloga comportamental e docente.

É TEMPO DE COLHER

rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

 

Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.

A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.

A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.

Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.

Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.

Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.

Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.

Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.

Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

A DECISÃO DO STF

marco wense1Marco Wense

 

Chega! Chega! O eleitor-cidadão-contribuinte não aguenta mais tanta corrupção, toda essa esculhambação, essa imundície, esse lamaçal que campeia na República Federativa do Brasil.

Com um placar apertado, 6 versus 5, o Supremo Tribunal Federal decidiu aplicar a Lei da Ficha Limpa a políticos condenados antes de 2010.

Entre os seis que se posicionaram a favor da aplicabilidade da Ficha Limpa, destaco aqui os votos dos ministros Luiz Fux e Edson Fachin.

“O prazo de inelegibilidade não é uma punição para o político condenado, mas uma condição de moralidade”. (Fux)

“Como a Constituição se refere à vida pregressa, isso significa que fatos anteriores ao momento da inscrição da candidatura podem ser levados em conta”. (Fachin)

Ora, o princípio da moralidade, principalmente no tocante a coisa pública, é o que deve prevalecer. É mais forte do que qualquer outro argumento.

Diria, usando uma força de expressão, que vale tudo para pegar os que assaltam os cofres públicos. Portanto, a retroatividade da lei, nesses casos, deve ser permitida.

A opinião de que a retroação acarreta insegurança jurídica é café pequeno diante da possibilidade de não punir os que roubaram o dinheiro do povo brasileiro.

Essa roubalheira é a responsável pela insegurança no sentido amplo. É ela que faz faltar escolas, aumentar o desemprego e agravar a injusta e desumana distribuição de renda.

A nossa Carta Magna elegeu o princípio da moralidade como o caminho para a superação da vergonhosa impunidade que toma conta da administração pública.

Deixar esses “homens públicos” sem punição, sob à proteção de qualquer outro pressuposto jurídico, seria, no mínimo, uma atitude desastrosa.

Chega! Chega! O eleitor-cidadão-contribuinte não aguenta mais tanta corrupção, toda essa esculhambação, essa imundície, esse lamaçal que campeia na República Federativa do Brasil.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

A DECISÃO DO PDT

marco wense1Marco Wense

 

Portanto, o PT fez sua escolha: Fernando Gomes. Itabuna deixou de ter um grande prefeito por causa da traição, digamos, pragmática e maquiavélica do petismo.

 

Ficam agora dizendo que o diretório do PDT de Itabuna vai sofrer represálias porque tomou a decisão de não apoiar à reeleição do governador Rui Costa (PT).

É bom logo dizer que foi a cúpula do PT, com o aval do chefe do Executivo, que escolheu o então candidato do DEM, Fernando Gomes, em detrimento do médico Mangabeira, do PDT, legenda da base aliada.

Portanto, se existe algum traidor nesse imbróglio todo, esse é o PT, que fez sua opção por um inimigo histórico, desprezando também Geraldo Simões (PT) e Davidson Magalhães (PCdoB).

Bobagem. Ledo engano. O PDT não vai sofrer nenhum tipo de retaliação por parte do comando estadual da legenda, sob a batuta do deputado federal Félix Júnior.

Félix sabe que foi o petismo o causador de toda essa reviravolta, e se tem alguém que deve explicações ou até mesmo um pedido de desculpas, é o Partido dos Trabalhadores.

O PT fez sua opção. Entre Mangabeira e Fernando Gomes, entre o PDT e o DEM, entre um aliado e um adversário, suas principais lideranças decidiram pelo apoio ao demista.

Querem o que agora, que Mangabeira esqueça de tudo, de toda essa escancarada e inominável traição e suba no palanque com Fernando Gomes e seus novos companheiros?

E tem mais: quando o presidenciável Ciro Gomes vier a Itabuna, é Mangabeira que vai recebê-lo. Não é Rui Costa, Geraldo Simões, Davidson Magalhães e, muito menos, Fernando Gomes.

Não era para ser assim. O PDT de Itabuna estaria hoje firme com a reeleição do governador Rui Costa. Mangabeira é um homem de palavra, destemido e 100% confiável.

O PDT de Itabuna até que entenderia uma neutralidade do PT na sucessão municipal, mas o apoio a Fernando Gomes foi explícito e empolgado, não só no campo político como no esforço de deixá-lo elegível.

Portanto, o PT fez sua escolha: Fernando Gomes. Itabuna deixou de ter um grande prefeito por causa da traição, digamos, pragmática e maquiavélica do petismo.

Mangabeira não tinha outro caminho que não fosse o do rompimento. A política passa, mas a dignidade e autoestima das pessoas têm que ser levadas até o túmulo.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

EM TEMPOS DE PÓS-VERDADE

Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica.

 

 

Vivemos na, já conhecida, época da pós-verdade. Momento contemporâneo onde “verdades” são reconstruídas com base em diferentes percepções ideológicas e diferentes interesses envolvidos. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) se viu envolvida numa densa narrativa de “golpe” a partir da carta de exoneração lida pelo seu ex-reitor Naomar Almeida onde ele renuncia ao exercício da função e solicita sua exoneração ao Ministro da Educação.

Quase que imediatamente, surgiram notas em sites e blogs de todo o Brasil, sempre seguidos por lamentos distorcidos a respeito do tal “golpe” em curso no sul da Bahia. Muitos lamentando o “conservadorismo” dos “golpistas” ou mesmo o dano que os “golpistas” farão na instituição. O que poucos pararam pra pensar antes de reproduzir tais lamentos: que golpe é esse? Quem são os golpistas?

A UFSB vem dando trâmite aos seus processos eleitorais há cerca de um ano. Com uma gestão pro tempore, a segurança jurídica é um tanto quanto reduzida. A gestão pode, legalmente, ser substituída a qualquer tempo pelo Ministro da Educação. Diante disso, a comunidade acadêmica mobilizou esforços no sentido de reforçar a legalidade com o estabelecimento de uma representação eleita por sua comunidade. E assim foi feito, no primeiro semestre desse ano com a eleição de decanos para os Centros de Formação e os Institutos de Humanidades, Artes e Ciências.

O passo seguinte era a reitoria, com votação já agendada e aprovada pelo Conselho Superior da UFSB para o mês de novembro. Numa decisão unilateral e própria, o reitor Naomar na reunião do Conselho realizada na sexta-feira (29) comunicou através de uma videoconferência transmitida de Salvador que entregara seu cargo ao Ministério por meio de uma carta enviada há 9 dias e mantida em sigilo da comunidade por esse tempo.

Nesta carta, surgiram acusações genéricas de “ilegalidades” e de “corrupção” por parte de “membros da gestão” e consequente “golpe”, palavra que, no meu entendimento, acaba sendo utilizada de forma infeliz diante, principalmente, da conotação e simbolismo envolvido na aplicação desta nos últimos anos de nosso país. Leituras tortas, muitas agressivas, surgiram em diversos setores da academia, política e sociedade local e nacional.

O clima criado foi de extrema instabilidade, comprometendo grandemente a segurança e autonomia da instituição, uma vez que tal pós-verdade, repercutindo, pode levar ao pior dos cenários: uma intervenção do Ministério, com a nomeação de uma pessoa distante da realidade institucional e regional, comprometendo, inclusive, o desenvolvimento do projeto da Universidade.

Eventuais denúncias, reverberadas por apoiadores do ex-reitor em redes sociais, que sejam apresentadas através dos meios legais, apuradas e se constatada concretude dos fatos, os responsáveis punidos. Contudo é abjeto pensar no uso de subterfúgios discursivos para obstruir o processo democrático institucional.

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica. O desejo que move parte significativa da comunidade acadêmica é único: que esse processo democrático se consolide. Que aconteçam eleições na UFSB.

Felipe de Paula é professor da UFSB, campus de Itabuna.

MINHA MÃE FOI FESTEJAR NA ETERNIDADE!

Adroaldo AlmeidaAdroaldo Almeida

 

Dona Almerinda, minha dulcíssima mãe, dona de casa e costureira, fatigada de combater na Terra, subiu ao Céu para preparar os manjares de Deus e alinhavar as túnicas do Criador. Para sempre, como sempre.

 

Dona Almerinda, minha mãe, abriu as cortinas do baile do tempo e foi celebrar na eternidade. Pôs o seu vestido mais bonito, estampado de ternura e gentileza, descansou os pés da máquina Singer, calçou sapatilhas adornadas com o perene orvalho translúcido da aurora e flutuou no tapete mágico da espiritualidade para virar estrela na constelação da misericórdia.

Dona Almerinda, minha mãe, partiu na primavera carregando um buquê de crepúsculos e madrugadas nas agulhas e dedais das suas mãos, bordando matas celestes e rios siderais na fina seda do tecido de nossas vidas.

Dona Almerinda, minha mãe, calou o silêncio e soprou sobre a brisa da vida o ar e a voz da sua mansidão angelical. Então, resoluta e de roupa nova, suave e pura, atravessou a excelsa torrente até a outra margem e retornou para sua mesa no banquete do Pai Eterno.

Dona Almerinda, minha dulcíssima mãe, dona de casa e costureira, fatigada de combater na Terra, subiu ao Céu para preparar os manjares de Deus e alinhavar as túnicas do Criador. Para sempre, como sempre.

Adroaldo Almeida é filho de ALMERINDA NASCIMENTO SILVA (1929-2017).

A INTOLERÂNCIA NOS DETALHES

rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Para evitarmos essa degradação do espirito fraternal que deve nos acompanhar em comunidade, devemos nos esforçar em praticar a tolerância ativa, respeitando as diferenças, buscar ver o outro como indivíduo detentor de visões de mundo próprias.

 

A intolerância é um sentimento visto, percebido e praticado por todos nós cotidianamente. A última eleição presidencial deixou ainda mais exposta essa capacidade humana. A intolerância foi flagrada nos discursos, entrevistas e debates dos candidatos, que, apresentados em áudio e vídeo e sem edição, ganharam as ruas e viralizaram na internet.

Praticamos de forma consciente ou inconsciente, quase sempre de forma cordial ou hospitaleira. Uma espécie de bom humor, mas que traz na sua gênese uma carga de ódio que vem da essência: ódio de classe, discriminação racial, religiosa e outras formas que apontam a mesma caracterização desse comportamento. Uma marca negativa que acabou dividindo o país entre os supostos “Sul rico” e “Norte e Nordeste pobres”.

A intolerância é um conjunto de sentimentos e manifestações de luzes e sombras, vai do simbólico ao diabólico, conforme descreve Leonardo Boff. É raiz que sustenta a violência, gerando frutos que impõem medo em escala mundial. Sua prática reduz a realidade ao assumir apenas a existência de um polo e negar o outro. É um processo de coação manifestado pela imposição do pensamento único.

Os estudiosos apontam os sentimentos separatistas e ultranacionalistas como portas abertas ao fundamentalismo, estágio máximo da intolerância, em que um determinado grupo assume o controle das ações de estado fazendo valer seus dogmas (pensamentos), eliminando todos os grupos ou indivíduos que se oponham ou não busquem praticar suas teorias. O fundamentalismo é uma junção entre Leis, princípios e governo com o propósito de colocar em prática as verdades defendidas por aqueles que ascendem ao comando.

O mundo convive na atualidade com as migrações de mais de 65 milhões de pessoas que tiveram que largar suas histórias de vida, abandonar seus países e partirem numa aventura sem nem sempre conseguir abrigo em pátrias estranhas, em função da intolerância manifestada pelos fundamentalistas.

Para evitarmos essa degradação do espirito fraternal que deve nos acompanhar em comunidade, devemos nos esforçar em praticar a tolerância ativa, respeitando as diferenças, buscar ver o outro como indivíduo detentor de visões de mundo próprias. Entender a coexistência e os valores inerentes a ela, como parte relevante da formação de cada indivíduo. Esse deve ser o caminho universal para o exercício da vida em sociedade.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

PDT, MANGABEIRA E A SUCESSÃO ESTADUAL

marco wense1Marco Wense

 

A executiva do PDT de Itabuna, os membros do diretório, sua militância e os simpatizantes da legenda vão caminhar do lado do médico Antonio Mangabeira França.

 

De início é bom dizer que foi a cúpula do PT, com o aval do governador Rui Costa, que traiu a base aliada no último processo sucessório de Itabuna.

Digo a cúpula, porque a traição não teve o apoio do diretório municipal e da sua militância, que continuaram firmes com a candidatura de Geraldo Simões.

Geraldo, vítima de cruel perseguição do secretário Josias Gomes (Relações Institucionais), chegou a definir a união entre Rui Costa e Fernando Gomes como “casamento de cobra com jacaré”.

Quando o PT sentiu que o então candidato do DEM iria ganhar, passou a paparicá-lo, como se Fernando Gomes fosse um velho companheiro. De repente, uns e outros viraram fernandistas desde criancinhas.

O estranho e inusitado apoio a Fernando não ficou restrito ao campo político, acabou se estendendo para garantir sua elegibilidade e torná-lo ficha limpa perante a Justiça.

O deputado Félix Júnior, presidente estadual do PDT, até que tentou dissuadir o comando petista a não apoiar o demista, levando Mangabeira a ter uma conversa com o governador.

O chefe do Executivo, no entanto, se deixou levar pelo disse-me-disse da articulação política do governo, com o fajuto e simplório argumento de que Mangabeira teria participado do movimento “Fora Dilma”.

Pois é. O “Fora Dilma” terminou influenciando o governador a não apoiar o candidato bem-intencionado, que poderia fazer um bom governo, combatendo implacavelmente a corrupção.

O engraçado é que Fernando Gomes, além de participar do “Fora Dilma”, passou a vida toda dizendo coisas impublicáveis em relação ao PT e aos petistas.

Recentemente, o alcaide disse que não tem nenhum acordo com o PT e, muito menos, com a eleição de Jaques Wagner para o Senado, que seu único compromisso é com Rui Costa.

Pessoas bem próximas do governador, em conversa com este modesto comentarista, afirmam que a cúpula do PT estaria arrependida de ter apoiado Fernando.

Arrependida ou não, o leite já foi derramado. A Inês é morta. Agora fica torcendo para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não decida por uma nova eleição em Itabuna.

Ora, ora, quem pariu “Mateus” que balance. Mangabeira, depois de tudo, de toda essa inominável traição, apoiar à reeleição de Rui? Tenha santa paciência.

O engraçado é que os petistas, com algumas pouquíssimas exceções, fecharam os olhos para as mãos dadas do governador com o prefeito Fernando Gomes. O silêncio foi ensurdecedor.

Quer dizer que as parcerias do PT são intocáveis, não podem ser contestadas, estão protegidas pelo manto da sobrevivência política e do pragmatismo.

Quando é outro partido que se mexe no tabuleiro da sucessão estadual, aí é incoerência, insensatez, contrassenso e seus sinônimos.

Não existe nada mais absurdo do que, por exemplo, essa aliança de Lula com o senador Renan Calheiros (PMDB), que foi o responsável maior pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Tenho dito que a reaproximação com Calheiros e, por tabela, com o PMDB – dos nove Estados do Nordeste, o PT pretende se aliançar com o PMDB em cinco –, é uma falta de respeito a Dilma.

E mais: essa reconciliação com o PMDB joga o discurso do golpe na lata do lixo. Ou seja, de “golpistas”, os peemedebistas passam a ser aliados de primeira hora.

“Pô, eu me aliei ao PMDB e o PMDB fez essa lambança”, diz o petista Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e substituto de Lula se o ex-presidente ficar inelegível.

O problema é que a ala saudosista do PT acha que o PMDB não fez “lambança” nenhuma, que tudo que estão dizendo dos caciques da legenda é pura invencionice da imprensa.

“Esquecem”, com um cinismo impressionante, que o PMDB é o partido do “quadrilhão” da Câmara dos Deputados, o abrigo de Moreira Franco, Eliseu Padilha, Geddel e companhia Ltda.

O PT não está mais em condições de ficar patrulhando outras legendas, já perdeu a luminosidade da sua estrela. É melhor ficar cuidando do seu próprio quintal, que anda precisando de uma limpeza.

Portanto, Mangabeira toma a decisão certa em não apoiar o segundo mandato de Rui Costa e buscar outras forças e lideranças políticas, como ACM Neto, pré-candidato na sucessão do Palácio de Ondina.

A executiva do PDT de Itabuna, os membros do diretório, sua militância e os simpatizantes da legenda vão caminhar do lado do médico Antonio Mangabeira França.

É o PT que deve uma explicação, até mesmo um pedido de desculpa. O honroso PDT de Itabuna, que tive a honra de presidir por duas vezes, vai continuar fazendo política com P maiúsculo.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

E AS RUAS, KATAGUIRI?

marco wense1Marco Wense

 

Para Kataguiri, acabou a roubalheira nos cofres públicos. O MBL foi um instrumento para alavancar suas conveniências e pretensões políticas.

 

Kim Kataguiri, um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL), se diz pré-candidato a deputado federal pelo PSL, mesmo tendo resistências ao seu nome entre as lideranças da legenda.

Com Michel Temer na Presidência, Kim se afastou das ruas, como se a corrupção fosse uma exclusividade dos governos de Lula e Dilma, ambos do PT.

O MBL sumiu. Escafedeu-se. Sem dúvida, a prova inconteste de que todo aquele oba-oba não tinha nada a ver com o combate à corrupção, com o “Fora Dilma”.

Para Kataguiri, acabou a roubalheira nos cofres públicos. O MBL foi um instrumento para alavancar suas conveniências e pretensões políticas.

E as ruas, Kataguiri? Que rua nada! Kim agora só quer saber dos bastidores, do tititi da política e das conversas reservadas. O povo que se dane.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

SORORIDADE VIRTUAL

Aline SetentaAline Setenta | alinesetenta@gmail.com

 

Foi assim que surgiu o Tricô da Mamãe em 2015. A partir daí, o espaço ganhou vida própria. Tornou-se um local de encontro de mães de uma mesma geração vivendo a maternidade nos dias de hoje, tentando se equilibrar entre a carreira e as dores e delicias de ser mãe, algumas mãe e pai.

 

Não tem muito tempo iniciei minhas reflexões feministas e conheci a palavra sororidade. Um google básico na palavra e encontramos vários significados que refletem o movimento de reaproximação das mulheres um dia separadas por uma cultura patriarcal que nos coloca umas contra as outras e estabelece uma competição entre nós.

Sem a pretensão de um incurso teórico sobre o tema, quero falar de experiência vivida. Pra mim, foi muito fácil entender a necessidade de nós, mulheres, termos empatia uma com as outras, de nos apoiarmos e respeitarmos cada uma na sua condição, escolha e lugar. Até porque, pra nós não é muito difícil identificar o machismo arraigado nas nossas crenças e ideias sobre ser mulher e conviver com outras mulheres. Um pouco de boa vontade e autorreflexão basta pra nos reconhecermos machistas umas com as outras, a maioria das vezes de forma automática e inconsciente.

Pois bem. A experiência da sororidade virtual começa com minha gravidez, em condições e consequências semelhantes a de muitas mulheres que se veem sozinhas e mães a desbravar o patriarcado. Eu bem sei que cada uma tem suas experiências e elas são individuais, mas negar que as dificuldades nos aproximam é alimentar uma cultura que nos oprime. O primeiro passo foi olhar em volta e ver que o machismo atinge a todas, ainda que de forma interseccional, e a algumas de forma bem mais severa.

Quando vivi o machismo na carne, reconheci na pele a necessidade do feminismo para refletir a forma como a sociedade trata as mulheres, mas principalmente como nós mesmas nos tratamos. Pois bem, tudo começou quando minha filha ia nascer, e criamos um grupo de Whatsapp pra acompanhar a sua chegada com amigos, familiares e muita expectativa. Foi uma espécie de acolhimento comigo e com ela, onde eu podia compartilhar aquele momento de ansiedade, expectativa e principalmente medo. Quando Sarah nasceu estavam lá, os amigos Festeiros na recepção do quarto, estourando champagne e fazendo festa, a sua especialidade, não sabem eles o significado disso pra mim.

Passado esse momento, o grupo meio que sofreu uma “transmutação” que eu nem sei explicar direito. Saíram uns entraram outras, todas mamães como eu, a maioria delas com bebês em idade semelhante a da milha filha. Foi assim que surgiu o Tricô da Mamãe em 2015. A partir daí, o espaço ganhou vida própria. Tornou-se um local de encontro de mães de uma mesma geração vivendo a maternidade nos dias de hoje, tentando se equilibrar entre a carreira e as dores e delicias de ser mãe, algumas mãe e pai.

Passamos a compartilhar as dúvidas, as incertezas, o desafio da amamentação, a decisão de quando tirar o bico, colocar ou não de castigo, a experiência com o pediatra, os resfriados, a febre, as noites mal dormidas. As culpas de quando estamos cansadas demais pra sermos pacientes, de quando queremos ver um filme ao invés de assistir à galinha pintadinha pela vigésima vez, de quando perdemos a fome porque tivemos que limpar cocô, coisas que só uma mãe pode viver e sentir….. ficamos amigas, nos tornamos irmãs, companheiras, confidentes.

A maternidade nos uniu de uma forma linda, mulheres diversas, algumas nem se conheciam fora do grupo, deu-se a mágica da sororidade. Passamos a nos encontrar de vez em quando pra brincar, fazer piquenique, da última vez sem as crianças para um vinho e um papo de mulheres mesmo. Percebi a necessidade de estarmos juntas de verdade, nos acolhendo e nos apoiando, porque nós mais do que ninguém sabemos das dificuldades de viver a maternidade real, responsável e amorosa sem perder o rumo das nossas próprias vidas, quando a sociedade nos cobra o preço de tudo que já conquistamos e ainda queremos conquistar.

Foi assim que a sororidade aconteceu de forma virtual. Mesmo que saibamos a importância do encontro, e no grupo sempre rola uma discussão sobre a próxima data em que a maioria pode estar presente, pra nós o whatsapp foi e tem sido uma oportunidade maravilhosa de estarmos juntas, afinal somos mães do século vinte um e não há mal nenhum em nos aproveitarmos um pouco dessa tecnologia que para nós foi maravilhosa.

Enfim, sororidade pode ser uma palavra nova, mas esse sentimento de irmandade certamente não é. Estivemos distantes, nos afastamos uma das outras, existem forças que agem nesse sentido, não falarei disso nesse momento, o que sei é que é hora de retornarmos umas às outras. Quando estamos juntas somos mais fortes, amorosas e pacíficas, somos mães melhores e nossos filhos igualmente serão cidadãos melhores também.

O texto não fala do papel dos homens na criação dos filhos, essa é uma outra questão e merece textão, não foi meu objetivo aqui. O feminismo é, antes de tudo um espaço de reflexão, necessário e rico de histórias e lutas de dores e amores. A sociedade precisa compreender e viver essa oportunidade histórica de refletir o mundo a partir do olhar das mulheres. E nós somos fortes e doces, guerreiras e mães e precisamos nos reconhecer na nossa diversidade e beleza. A sororidade é um bálsamo, um descanso, um alento, um colo de mãe mesmo. Vale muito a pena! Vamos confiar, respeitar e acolher umas às outras, sem julgamentos! A sororidade é uma lição de vida e amor, não só para as mulheres, mas para o mundo.

Aline Setenta é docente da Uesc e doutoranda.

OS GALOS E OS HOLANDESES

Gerson Marques artigosGerson Marques

 

Catussadas foi aclamado herói de duas guerras. Nunca foi condecorado nem homenageado. Morreria esquecido e sem glórias seis anos depois, atacado por tuberculose.

 

O galo de Manoel Ascanio cocoricou três vezes. Era o Arauto do Sol, o título mais imponente na hierarquia do mundo dos galos, era dele a primazia de inaugurar o dia, status conseguido ao longo de muitos anos, madrugada após madrugada, até ter o peito forte e a garganta afinada para impor seu cacarejar, e ser respeitado pela galaiada da Vila.

O galo da viúva Maria Dolores, alguns quintais depois, era sempre o segundo. Fazia a contrarresposta ao primeiro e chamava o seguinte. Assim, galo após galo e cada vez mais distante, todos cumpriam seu papel de tecer o amanhã.
O arauto reinava de cima do galho mais alto do pé de araçá, no quintal de Manoel Ascanio, atento ouvia orgulhoso tempos depois a resposta do galo mais distante, lá pelos quintais da Ilha dos Sapos. Aí, então, começava tudo novamente.

Pronto, estava decretado o fim do silêncio da alta madrugada. Agora já era boca do amanhecer, quando nossas vistas ainda veem tudo escuro, mas os galos, com olhos de galos, já enxergam os primeiros raios do sol em um horizonte que ainda nem existe.

Contrariado, Manoel Ascanio levantou da tarimba meio cambaleante, arrastou os pés no chão frio de terra batida, caminhou com dificuldade no escuro em direção à porta do fundo que não passava nem pano velho, seguiu em meio do mato manso do quintal até debaixo do pé de araçá. Deu bom dia pro galo, baixou as calças e começou a mijar.

Lembrou do tenebroso sonho que teve há pouco. A morte lhe chegava sem avisar na forma de fogo e ferro, partia seu corpo em milhares de pedaços e sua alma atordoada não sabia para onde ir, tudo tão rápido como piscar dos olhos, teve medo e frio, com esforço afastou o pensamento ruim da cabeça e lembrou dos tempos de criança, nos anos da invasão dos sapos, quando mijava ali mesmo debaixo do pé de araçá, derrubando um por um com seu mijo de rapaz sadio, te tanto praticar desenvolveu uma técnica de lançar jatos intermitentes e fortes como uma bala de canhão, sorrio em silêncio quando comparou com seu mijo fraco e gotejando do homem velho que se tornou, estava absorto nestes pensamentos urinários quando ouviu um barulho tão forte como o fim do mundo.

Quando o galo de Manoel anunciou o dia, já na segunda chamada, o português Felisberto Homem Del Rei estava fornicando com a índia Maíra da Lua, assim faziam toda manhã, entre a primeira e segunda chamada do galo de Manoel.

De forma mecânica e rápida, Felisberto levantou-se do leito de palha seca improvisado de ninho de amor, caminhou para o quintal e observou as estrelas matinais ainda brilhando no céu escuro. Sentia calor, estava nu e se pôs a mijar. Admirava a força que a urina saía e lembrou do sonho que teve antes de Maíra acordá-lo em ardências sexuais. No sonho, viu um monstro de ferro cuspindo fogo que saiu do fundo do mar e voava sobre a Vila dos Ilhéus e destruindo tudo em uma velocidade de piscar de olhos, via também sua bela e jovem índia Maíra da Lua ser devorada pelo monstro, se assustou com o barulho tenebroso que ouviu, um barulho dos fins do mundo.

O padre Domingos foi o primeiro capuchinho a chegar por aqui depois dos tempos que os jesuítas ocuparam-se sozinhos de doutrinar o povo pecador dos Ilhéus, diferente dos outros, Domingos tinha duas mulheres e cinco filhos, quase um herege, moravam todos na antiga casa dos padres construída ainda no tempo dos Jesuítas e abandonada desde que o padre Manoel de Andrade enlouqueceu com a invasão dos sapos, já fazia quarenta anos, e foi queimado na Santa Fogueira da Inquisição.

Domingos nunca se acostumou a acordar aos primeiros cocoricados do galo de Manoel, jurava todos os dias que ainda colocava aquele galo na panela, chegou a oferecer um farnel de farinha boa em troca do galo, subiu para dois e até três, propostas que ofendeu Manoel já que o galo era da família, a raiva foi tanta que Manoel resolveu promover uma pequena vingança levando o galo com ele para a missa dominical, sem falar nas missas anuais de São Francisco para ser benzido e na noite de Natal na missa do galo, é claro.

Levantou com dificuldade da cama de tábuas, forrada por um colchão de taboa onde dormia com as duas esposas, arrastou penosamente seu corpo volumoso até o quintal onde há tempos mandou fazer um buraco dentro de um cercado, ali abaixou as calças para mijar quando lembrou que não tinha feito a reza matinal agradecendo a Deus por estar vivo mais um dia, sem cerimônias rezou ali mesmo segurando o pinto mole e imaginando como fazer para por o galo arauto de Manoel na panela. Lembrou que uma das mulheres o acordou no meio da noite assustada com um sonho em que um monstro de ferro cuspindo fogo devorava ela, os filhos, Domingos e a outra esposa, tudo em um piscar de olhos, ele riu da mulher e disse que ela sonhou com monstro porque dormiu ser rezar, nessa hora ouviu sem saber de onde um barulho que parecia o fim do mundo.

Como descreveu tempos depois o traficante de escravos Deocleciano Campos Oliveira Sá, o acontecimento daquela manhã, ao dizer que o monstro de ferro cuspidor de fogo foi o próprio diabo que apareceu em pessoa, montado em um raio dos infernos acompanhado por uma comitiva de capetas vindo das trevas cavalgando em cães de fogo, o chão todo tremeu e um vento de tão quente fez o sangue ferver. :: LEIA MAIS »

DODGE, O MP E A POLÍTICA

marco wense1Marco Wense

 

Dodge deixou bem claro, no seu discurso de posse, que o povo brasileiro detesta corrupção, criando um certo constrangimento em algumas autoridades presentes.

 

No último dia 13, uma quarta-feira de tempo chuvoso, fiz um comentário sobre a expectativa em torno de Raquel Dodge, como a nova procuradora-geral da República iria se comportar no comando da PGR.

O presidente Michel Temer (PMDB) quebrou a tradição de indicar o mais votado para chefiar o Ministério Público Federal, que foi Nicolau Dino, com 621 votos.

Na lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Dodge ficou com 587 votos. O chefe do Executivo, no entanto, optou por nomeá-la.

Essa “rebeldia” de Temer, influenciada pelo fato de Dodge não ter um bom relacionamento com Rodrigo Janot, só fez aumentar essa expectativa.

O STF, por exemplo, pode enviar a segunda denúncia de Temer de volta à PGR, cabendo a Raquel Dodge revisar o ofício de Janot, seu antecessor.

Tem também a provável delação de Geddel Vieira Lima, amigo de Temer. É bom lembrar que outros bem próximos do chefe do Executivo vão passar pela Procuradoria, como Moreira Franco, Eliseu Padilha e companhia Ltda.

A PGR, sob a batuta de Dodge, não vai se deixar levar por outro caminho que não seja o da lei, seguindo à risca a nossa Carta Magna.

Dodge deixou bem claro, no seu discurso de posse, que o povo brasileiro detesta corrupção, criando um certo constrangimento em algumas autoridades presentes.

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, instância máxima do Judiciário, tem razão quando diz que “ninguém deve favor quando chega a um cargo desse”.

Barroso finaliza dizendo que “quem é alçado a um cargo desse, é claro que pode ter reconhecimento, mas o compromisso é com o País e não com a autoridade”.

Vamos torcer para que tudo ocorra dentro da normalidade esperada, com as instituições se respeitando mutualmente, sem a descabida intromissão de um Poder em outro.

Que os larápios dos cofres públicos sejam exemplarmente punidos, fortalecendo o maior e mais significativo princípio constitucional: o de que todos são iguais perante a lei.

A POLÍCIA FEDERAL E OS GOVERNOS

marco wense1Marco Wense

O recuo de Torquato se deu em decorrência de que sua decisão seria vista como uma represália. Mas a vontade de “enquadrar” a Polícia Federal continua acesa. A desforra também.

 

 

A Polícia Federal tem demonstrado que não se deixa levar pelos governantes de plantão. Sua atuação é a prova inconteste de que vem se comportando com independência e firmeza.

A PF é vinculada ao ministério da Justiça. Muitos operadores do Direito, incluindo aí juristas renomados, comungam com a opinião de que a instituição deve ser autônoma.

O órgão já efetuou várias prisões de políticos de diversos partidos, até de parlamentares próximos do presidente da República. Fez isso nos governos de Lula, Dilma e agora no de Temer.

Até que tentam acabar com essa ousada “autonomia” da Polícia Federal. Só não fizeram ainda porque sabem do conceito que a instituição tem na sociedade, deixando o Congresso Nacional e o Executivo lá atrás, tomando poeira.

O atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, andou ensaiando uma mudança na estrutura da PF, inclusive querendo substituir Leandro Daiello, diretor-geral.

Torquato Jardim teve que recuar. A exoneração de Daiello seria interpretada como uma interferência no âmbito da Operação Lava Jato, principalmente depois que a PF apontou o presidente Michel Temer como figura maior do “quadrilhão” do PMDB na Câmara dos Deputados.

O recuo de Torquato se deu em decorrência de que sua decisão seria vista como uma represália. Mas a vontade de “enquadrar” a Polícia Federal continua acesa. A desforra também.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

MAIS QUE VIOLÊNCIA – BRUTALIDADE!

Walmir Rosário 3Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Se o menor pratica descuidos, roubo, assalto e até latrocínio, na universidade do crime terá tempo suficiente para conhecer – se é que ainda não foi apresentado – ao mundo das drogas, usando e traficando.

 

Violência: esse é um tema que não gosto de abordar em artigos ou qualquer outro tipo de escrita, já que acredito ser uma selvageria todos os tipos de violência, que vai desde o simples(?) constrangimento às vias de fato. Mas hoje a violência é cheia de requintes e brutalidades, praticadas em simples assalto para tomar o celular da primeira vítima que aparece com um desses aparelhos fáceis de comercializar, e portanto torna-o como o maior bem de consumo dos ladrões e outros malfazejos.

E para praticar esses crimes não importa a idade. Pelo contrário, as quadrilhas preferem os menores, amparados pelo artigo 104 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que os torna inimputáveis. O instituto que foi criado para amparar teve efeito contrário diante da esperteza dos bandidos, que passaram a utilizar o ECA como biombo da impunidade em várias modalidades criminosas.

Pior do que o péssimo uso do ECA é a forma pusilâmine das autoridades em relação à impunidade. E isso tem relação direta com as ondas de violência que acometem o Brasil. Se não há punição, uma parcela de marginais atua sem qualquer receio da reação legal das instituições. Essa leniência é vista constantemente pelos bandidos na arregimentação de menores para suas quadrilhas.

E essa ação dos bandidos em relação aos menores que praticam assaltos também foi copiada pelos movimentos chamados políticos, nos diversos protestos promovidos por partidos políticos e sindicatos. Além dos menores, a moda é o uso de máscaras para participar de um “protesto pacífico”. Não restam dúvidas se quem vai a um movimento e tem que se esconder é porque tem algo a esconder da sociedade.

Tanto no assalto ao celular (figura aqui utilizada para caracterizar outros tipos de furtos e roubos) quanto nos protestos políticos essas ações estão recheadas de violência, ou melhor dizendo, brutalidade. Paus, pedras, armas brancas e de fogo, sem falar nas bombas caseiras, bastante utilizadas nas chamadas guerrilhas urbanas. E o pior, grande parte desses crimes são perpetrados numa multidão, o que dificulta a sua autoria.

Sei que é bastante arriscado para alguém abordar e analisar esses crimes cometidos por menores e encapuzados, pois são sérios candidatos a serem execrados pelos chamados grupos de proteção (?). Imediatamente, os críticos passam a ser chamados de retrógrados e alimentador dos grupos de extermínios, numa mudança de valores sem precedentes, transformando os infratores em coitadinhos e vice-versa. :: LEIA MAIS »

TEMER E AS INSTITUIÇÕES

marco wense1Marco Wense

 

 

Voltando a Temer, assim que PF apontou o mandatário-mor como o mandachuva da quadrilha do PMDB na Câmara dos Deputados, a secretaria de Comunicação da Presidência soltou uma nota dizendo que “os facínoras roubam do país a verdade”.

 

 

A “perseguição” ao presidente Michel Temer não é só do Ministério Público. É também da Polícia Federal, que coloca o chefe do Executivo no topo de uma organização criminosa.

Aliás, a defesa do ex-presidente Lula usa a “perseguição” como argumento para justificar todas as acusações contra o petista. Neste ponto, o temismo e lulismo se parecem.

Outro detalhe é que os advogados de Lula precisam dizer para seu cliente que seu comportamento diante dos depoimentos, quase sempre desdenhando da Justiça, não é o melhor caminho.

Voltando a Temer, assim que PF apontou o mandatário-mor como o mandachuva da quadrilha do PMDB na Câmara dos Deputados, a secretaria de Comunicação da Presidência soltou uma nota dizendo que “os facínoras roubam do país a verdade”.

O mais hilariante foi dizer que as denúncias contra o presidente Temer “visam enfraquecer o governo e provocar a instabilidade das instituições”.

Ora, o desmantelamento das instituições, causando fissuras na parede do estado democrático de direito, daria se elas ficassem inertes diante dos escândalos protagonizados pelos agentes públicos.

Essa acomodação, que soaria como uma complacência, uma tolerância com os corruptos, é que provocaria a instabilidade e o descrédito das instituições.

A Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça como um todo são instituições dignas de respeito, fazem o seu papel constitucional.

Distorções existem em todos os poderes da República, na PF e no MP. Então que se apure e puna os que violam a lei. O que é inaceitável é o ataque odioso e irresponsável.

Querem o que? Que tudo permaneça como se todos fossem inocentes? Que os “facínoras” cruzem os braços e deixem o lamaçal tomar conta do país?

Viva as instituições! Viva o povo brasileiro! Viva a democracia!

Marco Wense é editor d´O Busílis.

A EXPECTATIVA EM TORNO DE RAQUEL DODGE

marco wense1Marco Wense

Se esse preceito constitucional de que “todos são iguais perante a lei” fosse levado à risca, a impunidade já teria cometido suicídio, para o desespero dos larápios, gatunos e ratos engravatados.

 

Como vai se comportar Raquel Dodge no comando da Procuradoria-Geral da República? Essa é a pergunta que começa a ser feita nos bastidores do Palácio do Planalto.

Dodge substitui Rodrigo Janot. Ela foi escolhida pelo presidente Michel Temer, mesmo sendo a segunda mais votada em eleição interna na PGR.

Temer, ao optar por Raquel Dodge, quebrou a tradição de indicar o mais votado da lista tríplice, contrariando assim a vontade da maioria dos procuradores.

Janot fica na chefia do Ministério Público Federal até o próximo dia 17. A doutora Raquel assume e fica dois anos no cargo.

No decorrer da titularidade da chefia do MPF, Raquel Dodge vai ter que tomar decisões que podem contrariar os interesses de quem foi o responsável direto pela sua indicação.

Citando apenas um exemplo, a autorização do ministro Luis Roberto Barroso, do STF, para a abertura de um novo inquérito contra o peemedebista-mor por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A PGR vai ter que decidir se denuncia o presidente pelos crimes ou se arquiva o caso. Se denunciar, o processo só prossegue com o consentimento da Câmara dos Deputados, com o aval de dois terços dos parlamentares.

O julgamento na Casa Legislativa é eminentemente político. E se é político é de acordo com os interesses dos políticos e não da sociedade. Essa que se dane, que vá chorar no pé do caboclo, como diz a sabedoria popular.

Raquel Dodge não vai se deixar levar por outro caminho que não seja o da lei. Assim como fez Joaquim Barbosa, então ministro do STF, no escândalo do mensalão petista. O agora presidenciável foi indicado por Lula para a Suprema Corte.

É como diz o ministro Barroso: “Existe o ônus pessoal e político de se investigar um presidente da República. Mas é o preço imposto pelo princípio republicano, um dos fundamentos da Constituição, ao estabelecer a igualdade de todos perante a lei e exigir transparência na atuação dos agentes públicos”.

Usando uma linguagem bem popular, que possa ser facilmente entendida pelo povão de Deus, o ministro quis dizer que não tem ladrão de classe A, B e C quando se rouba os cofres públicos.

Se esse preceito constitucional de que “todos são iguais perante a lei” fosse levado à risca, a impunidade já teria cometido suicídio, para o desespero dos larápios, gatunos e ratos engravatados.

Marco Wense é editor d´O Busílis.








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