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:: ‘Artigos’

RUI, OTTO E A SUCESSÃO ESTADUAL

marco wense1Marco Wense

 

Se o alcaide soteropolitano não disputar a sucessão de Rui Costa, a candidatura do senador passa a ser uma exigência da cúpula nacional do PSD. ACM Neto apoiaria Otto em uma coligação envolvendo o DEM, PSDB, PMDB, PPS e alguns partidos de menor expressão.

 

 

O governador Rui Costa vem fazendo de tudo para tirar da cabeça do senador Otto Alencar qualquer pensamento em relação à sucessão de 2018.

Rui sabe que Otto mantém acesa a possibilidade de disputar o governo do Estado, principalmente depois do bom desempenho do PSD nas eleições municipais, conquistando 82 prefeituras. O PT foi quem mais perdeu, saiu de 93 para 39, uma redução de quase 60%.

“A gente vai decidir isso lá em março de 2018”, diz o presidente do PSD da Bahia quando questionado sobre sua possível candidatura. Finaliza dizendo que “a pretensão é continuar na aliança com o governador Rui Costa e com os aliados”.

O PSD passa a ser prioridade na mudança que o chefe do Executivo pretende fazer no alto escalão. O afilhado político de Otto, José Muniz Rebouças, deve assumir a secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). O comando da Conder pode também ir para o Partido Social Democrático.

A nomeação para cargos sempre foi o melhor caminho para evitar a rebeldia dos parceiros do poder. A sabedoria popular costuma dizer que nada melhor do que uma “boquinha” para colocar cada um no seu devido lugar.

Vale ressaltar que a conjuntura política e a situação econômica, em ano eminentemente politico-eleitoral, podem fortalecer ou enfraquecer algumas candidaturas. Outro aspecto, considerado como explosivo, é o desenrolar da Operação Lava Jato. Os petistas, por exemplo, torcem para que ACM Neto apareça na delação da Odebrecht.

Outro detalhe, por enquanto restrito aos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, é que os governistas, pelo menos os mais lúcidos, sonham com ACM Neto candidato em 2018.

Se o alcaide soteropolitano não disputar a sucessão de Rui Costa, a candidatura do senador passa a ser uma exigência da cúpula nacional do PSD. ACM Neto apoiaria Otto em uma coligação envolvendo o DEM, PSDB, PMDB, PPS e alguns partidos de menor expressão.

ACM Neto só sairá candidato se enxergar alguma chance de ser eleito. Não vai arriscar deixar o Centro Administrativo de Salvador para ir atrás de uma aventura que lhe pode causar desgastes.

Rui Costa, candidatíssimo a um segundo mandato, está bem avaliado na capital. ACM Neto é prefeito só de Salvador, enquanto o petista é uma espécie de, digamos, “prefeito” de todas as cidades da Bahia.

Tem também o fator Lula. Se não barrarem a elegibilidade do ex-presidente, aí complica, o caldo engrossa. Sua popularidade volta à tona e, com ela, o poder da transferência do voto, principalmente no Nordeste e, mais especificamente, na Bahia.

Portanto, é bom torcer para que ACM Neto saia candidato a governador na eleição de 2018, sob pena de Otto Alencar disputar o comando do cobiçado Palácio de Ondina como o candidato da oposição ao petismo.

Não tenho a menor dúvida de que Otto Alencar é mais adversário para Rui Costa do que o democrata (ou demista) ACM Neto.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

MANGABEIRA

marco wense1Marco Wense

 

Não sei por que tanto espanto com o secretariado de Fernando Gomes. Ora, FG desafiou e venceu a Lei da Ficha Limpa, pelo menos no TRE. Agora vai peitar o Ministério Público em relação ao nepotismo. Qual é a novidade?

 

Depois de uma campanha assentada na ética, sem a preocupação de ganhar de qualquer jeito, sendo referência do PDT em todo país, o médico Antônio França Mangabeira não quer disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado.

Membros do diretório municipal, na última reunião do partido, animados com a expressiva votação do então candidato a prefeito, defenderam o nome do doutor para concorrer a uma vaga no Parlamento estadual.

O pedetista, que não fez coligação com nenhum partido, teve quase 19 mil votos, dando poeira em figuras carimbadas da política de Itabuna, como Davidson Magalhães, Augusto Castro e os ex-prefeitos Geraldo Simões e José Nilton Azevedo.

Sem prometer nada, com um tempo de televisão de 23 segundos, com o slogan de campanha “Nossa Coligação é Com Você”, Mangabeira se transforma em uma grande liderança de Itabuna. Sem dúvida, o opositor-mor do governo FG. Antônio França Mangabeira faz parte da banda da política que ainda não apodreceu.

Para o militante Nilson Oliveira, mais conhecido como Nilson da Vendamax, a candidatura de Mangabeira “é uma boa opção para fortalecer a nossa desnutrida representação política”.

MESMA COISA

Francamente, como diria o saudoso e inesquecível Leonel Brizola, não sei por que tanto espanto com o secretariado de Fernando Gomes. Ora, FG desafiou e venceu a Lei da Ficha Limpa, pelo menos no TRE. Agora vai peitar o Ministério Público em relação ao nepotismo. Qual é a novidade? Fernando continua o Fernando de sempre, aquele Fernando de priscas eras. O seu eleitorado também.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

FELIZ ATITUDE NOVA!

Jaciara Santos PrimoreJaciara Santos | contato@jaciarasantos.com.br

 

O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

 

Estamos no período de felicitar a todos pelo ano que chega, mas precisamos entender que, muito além de desejar um feliz ano novo, devemos desejar ter atitudes novas para que o ano que se inicia seja realmente cheio de realizações.

Ficar reclamando que nada acontece na vida, não irá levar ninguém rumo as metas e objetivos. Precisa-se ter uma mudança de comportamento e de postura, mediante as situações corriqueiras da vida.

Então, para te ajudar a ter um ano extraordinário, segue algumas dicas:

1ª dica: Identifique seu estado atual – Onde você está neste momento, mapear a situação atual é o primeiro passo rumo alcance dos objetivos;

2ª dica: Relate seu estado desejado. Aonde deseja chegar? Quais suas metas para 2017? Ouse sonhar!

3ª dica: Trace um plano de ação. Esse plano irá te ajudar a criar estratégias para o alcance dos objetivos. E consolido essa dica com a frase de Flávio Augusto: “Todas as diretrizes são resultado de um planejamento e todo planejamento é resultado de sonhos.”

4ª dica: Aja, lute, busque e mude de atitude. Acredite em você e em seus sonhos. Mude de posicionamento e busque seus ideais. Tenha postura positiva frente aos acontecimentos.

Findo com uma citação inspiradora de Fernando Pessoa: “Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”.

Assim sendo, desejo um ano novo cheio de atitudes novas, cheio de realizações e que todos os seus sonhos tornem-se realidade.

Jaciara Santos é coach.

A VIDA E OS CICLOS QUE NOS CERCAM

rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Foquemos na prática do bem e lutemos a partir dos nossos lares por uma cidade e um país melhores. Não nos deixemos cair em tentação e sigamos na busca por ciclos que nos façam cidadãos e cidadãs com maior inserção no mundo das coisas positivas.

 

O ano está terminando e com ele vem a certeza da realização de alguns planos, o registro de alguns nascimentos, a não realização de objetivos traçados e a despedida de pessoas importantes para a nossa comunhão. São os ciclos da vida…

Além deles, os ciclos da vida em comunidade: o nosso país e a clara realidade de classes jurídica e política envoltas em um tsunami de problemas, a corrupção e a teia de interesses ramificada nos mais altos escalões e estruturas de decisões. Ciclos da ganância.

Assistimos ao perdão de dívidas de grandes empresários. A fixação de teto para despesas com saúde, educação e seguridade social, reforma da previdência e leis trabalhistas. Ciclos do capital.

Estamos vivendo um momento que nos impacta diante das centenas de narrativas que nos deixam boquiabertos ao percebermos quanto de dinheiro é surrupiado dos serviços essenciais. São tantos os casos que já não conseguimos reagir com tenacidade, nos sentimos fracos, oprimidos e incrédulos. Ciclos do silêncio.

Um novo ano bate à nossa porta… Esperamos que sejam estabelecidos novos paradigmas e que nossas vidas melhorem. Precisamos continuar nossas lutas, vencer os desafios que aparecerão no caminho e estabelecer objetivos novos. Manter a fé na vida e no que virá será o que nos fortalecerá no percurso da vida. Ciclos da existência.

Foquemos na prática do bem e lutemos a partir dos nossos lares por uma cidade e um país melhores. Não nos deixemos cair em tentação e sigamos na busca por ciclos que nos façam cidadãos e cidadãs com maior inserção no mundo das coisas positivas.

Feliz Ciclo Novo!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

BRASIL E ECONOMIA PIRATA

PROF ELTON OLIVEIRAElton Oliveira | srelton@hotmail.com

Em Itabuna, cidade mais empreendedora da Bahia, segundo o Sebrae (2016), será inaugurado um Shopping Popular que foi construído com recursos públicos e pela Prefeitura Municipal, que venderá contrabando da China e do Paraguai

O mercado informal em 2016 cresceu pela segunda vez em pelo menos 12 anos, mostrou o Índice de Economia Subterrânea (IES), divulgado pelo Instituto de Ética Concorrencial (ETECO). O indicador foi criado em 2003 para medir a chamada economia subterrânea (informal), que consiste na produção e comercialização de bens e serviços que não é reportada oficialmente ao governo.

Esse mercado movimentou 957 bilhões em 2015 (o equivalente a 16,2% do PIB), um crescimento de 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior, diz um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV). Desde a criação do índice a informalidade vinha caindo a cada ano, passando de 21% do PIB em 2003 para 16,1% no levantamento de 2014.

“Atualmente, a economia está desacelerando, assim como o crédito, o que impacta negativamente e diretamente no mercado de trabalho formal, que naturalmente cai, cedendo espaço à informalidade”, é o que enfatiza o pesquisador da FGV/IBRE, Fernando de Holanda Barbosa Filho.

O desemprego ficou em 12% no trimestre encerrado em setembro, segundo dados divulgados no fim de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). A taxa foi a maior já registrada pela série histórica do indicador, que teve início em janeiro de 2012.

No trimestre anterior, de novembro de 2015 a janeiro de 2016, a desocupação havia ficado em 9,5% e, no mesmo período, de fevereiro a março de 2015, o havia atingido 8%.

A economia subterrânea deu sequência em 2016 ao crescimento verificado em 2015 e superou o Produto Interno Bruto (PIB) da Região Nordeste do País. A principal razão para a reversão de tendência, após 12 anos em queda, é a crise macroeconômica brasileira, que teve grande impacto no emprego formal.

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ESQUECERAM DE MIM

Marco Wense

O pronunciamento de Temer, com a nítida preocupação de não atingir os seus homens de confiança, é a prova inconteste de que o presidente está refém da banda podre da política, de que quem deve, teme.

Fazendo de conta que a corrupção fala, ouve e tem seus sentimentos, uma pergunta é pertinente: O que a velha conhecida do povo brasileiro diria sobre a mensagem de fim de ano do presidente Michel Temer?

Pois é. Deixaram a coitadinha de lado, como se não existisse. Ela, que é tão assídua nos noticiários, tão comentada, muitas vezes manchetes nos jornais, é menosprezada pelo mandatário-mor do país.

A corrupção, no entanto, tem que entender que Temer não poderia falar dela tendo auxiliares bem próximos citados pela Lava Jato, como Moreira Franco, Eliseu Padilha e Romero Jucá. Sem falar nos coadjuvantes, nos beltranos, fulanos e sicranos.

O ex-vice de Dilma Rousseff procurou o caminho da conveniência. Fugiu do constrangimento de ter que cobrar a dureza da lei, o que atingiria Rodrigo Maia (DEM) e Renan Calheiros (PMDB), respectivamente chefes da Câmara dos Deputados e do Senado da República.

O pronunciamento de Temer, com a nítida preocupação de não atingir os seus homens de confiança, é a prova inconteste de que o presidente está refém da banda podre da política, de que quem deve, teme.

Concluo dizendo que a corrupção deveria estar grata com as palavras do presidente. Pior é se Temer dissesse que iria combatê-la implacavelmente, sem dó e piedade.

A corrupção brasileira, além de adorar os holofotes, é masoquista.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

O EVANGELHO SEGUNDO…

dt-chargeDaniel Thame | danielthame@gmail.com

O mundo continuaria desigual, mas jamais seria o mesmo, porque ele havia deixado um sinal. Ou melhor, ele era o próprio Sinal. Quem tiver olhos para ver, Veja. Quem tiver desprendimento para seguir, Siga.

Viajante errante, andava eu lá pelos lados do Oriente Médio. Os negócios, como sempre, iam mal. O dinheiro, quando havia, mal dava para o pão e o vinho. Tempos difíceis, como sempre foram difíceis os tempos para quem não tem a felicidade de nascer rico nesse mundo dividido entre os que têm tudo e nos exploram e os que não temos nada e somos subjugados.

Estava em Belém, uma cidadezinha perdida no mapa. Aquele dia tinha sido excepcionalmente ruim para mim. Tanto que só me alimentara porque um casal – a esposa em adiantado estado de gravidez – dividira comigo um pedaço de pão. Pareciam caminhar a ermo, mas a mulher tinha um semblante de quem trazia no ventre não um filho, mas um tesouro.

Sem dinheiro nem para a mais modesta das hospedagens, fui procurar abrigo nos arredores da cidade. Era uma noite linda e uma estrela lá no céu brilhava mais do que todas as estrelas. Parecia um sinal, nós que àquela época esperávamos tanto por um sinal. Quem sabe alguém capaz de mudar o mundo. Ou, mais modestamente, garantir que todos tivessem pão e moradia digna. Nossos desejos eram simplórios, naqueles tempos simplórios em que vivíamos.

Andei pouco, o suficiente para avistar uma estrebaria. Cansado, só pensava numa reconfortante noite de sono. Ao me aproximar da estrebaria, a surpresa. Lá estava o casal que dividira comigo o pedaço de pão. Ao lado deles, alguns pastores de ovelhas, uns poucos animais. Ao centro, brilhando como a mais brilhante das estrelas, iluminada como a mais intensa das luzes, estava a criança.

Não tive coragem de me aproximar. Cansado, preocupado com o dia seguinte, me afastei e encontrei uma estrebaria vazia. Antes, olhei para aquela criança que tanto me impressionara. Acho que ela sorriu pra mim. Ou, talvez tenha sido só impressão minha.

Naquela noite, sonhei que aquela criança, que os pais deram o nome de Jesus, se transformara num grande líder popular. Não desses líderes que após chegar ao poder viram as costas para o povo e só pensam em fazer fortuna. Mas um líder que combate as injustiças sociais, a violência. Um líder que não apenas divide, mas multiplica o pão. No meu sonho, Jesus arrebatou uma multidão de seguidores, todos eles humildes. Por isso, despertou a ira dos poderosos.

viajanteNo meu sonho, aquele barbudo revolucionário não se curvou aos poderosos, não desviou um milímetro do bom caminho, nunca abandonou os humildes e pagou um preço altíssimo por isso. Numa tarde sombria como só as tardes trágicas são sombrias, ele foi crucificado.

Meu sonho, entretanto, não terminaria na crucificação daquele homem que eu vira nascer numa noite estrelada. Morto, ele se multiplicou e sua mensagem se espalhou pelo mundo, atravessou séculos, cruzou milênios. O mundo continuaria desigual, mas jamais seria o mesmo, porque ele havia deixado um sinal. Ou melhor, ele era o próprio Sinal. Quem tiver olhos para ver, Veja. Quem tiver desprendimento para seguir, Siga.

No retorno para Belém, notei que a manjedoura onde nascera a criança estava vazia. Os pastores cuidavam de suas ovelhas e a vida seguia seu ritmo normal. Mas eu estava extremamente inquieto.

Teria sido apenas um sonho? Ou teria, eu, recebido o sinal e não percebido. Durante minhas andanças nunca deixei de olhar para o céu. Em busca de uma estrela que me indicasse o caminho.

Viajante errante, até hoje eu me sinto passageiro de uma história onde poderia ter sido personagem. Porque apenas e tão somente a ação – e não a simples contemplação- é capaz de mudar a História.

E que bela história, que começaria assim:

Viajante errante, andava eu…

Daniel Thame é jornalista, escritor e edita o Blog do Thame.

GERALDO, JOSIAS E O PT

marco wense1Marco Wense 

A certeza de Josias de que Fernando Gomes sairia vitorioso no Tribunal Regional Eleitoral deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Essa sua, digamos, premonição, foi festejada no staff fernandista.

Em decorrência de novas farpas trocadas, o relacionamento de Geraldo Simões e Josias Gomes fica cada vez mais complicado. Caminha para um inevitável rompimento.

A briga vem de muito tempo. E o pior é que tende a ficar mais intensa, já que ambos não querem levar desaforos para casa. Se pela imprensa tem esse pega-pega, imagine nos bastidores, longe dos holofotes.

O ex-prefeito de Itabuna criticou, de maneira veemente e firme, sem titubear, a iniciativa de Josias de fazer uma aliança com Fernando Gomes sem consultar o PT de Itabuna.

Sobre o apoio do democrata à reeleição do governador Rui Costa, Geraldo aproveitou o clima natalino para dizer que Josias “está acreditando em papai Noel”, que “Fernando Gomes não vai subir no palanque de Rui na eleição de 2018”.

Josias Gomes se defende dizendo que as conversas com o prefeito diplomado, adversário e inimigo histórico do petismo, “são em função da governabilidade, da aproximação dos governos estadual e municipal”.

Ora, ora, só que essa súbita paixão política do secretário de Relações Institucionais começou no dia seguinte do resultado das urnas. Ou seja, bem antes do julgamento do TRE sobre a inelegibilidade do demista.

A desculpa esfarrapada para camuflar a verdadeira intenção de Josías, sem dúvida o apoio de Fernando à sua reeleição para deputado federal, era de que o candidato do PDT, o médico Antônio Mangabeira, teria participado do “Fora, Dilma”.

A certeza de Josias de que Fernando Gomes sairia vitorioso no Tribunal Regional Eleitoral deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Essa sua, digamos, premonição, foi festejada no staff fernandista.

O que ainda não se sabe é a posição de ACM Neto diante do novo cenário político de Itabuna, principalmente em relação ao DEM, que tem na presidência a incansável Maria Alice, fiel escudeira de FG.

O alcaide soteropolitano, mais cedo ou mais tarde, vai ter que cobrar um posicionamento do diretório municipal do Democratas diante da sucessão estadual, sob pena de intervenção e mudança no comando da legenda.
Geraldo Simões, que foi um dos fundadores do PT grapiúna, afastou qualquer possibilidade de deixar a legenda, mesmo com o forte argumento da inusitada, sorrateira, traiçoeira e escabrosa aliança.

PS – Como o alcance do “pressentimento” de Josias Gomes é estadual, os eleitores de Mangabeira esperam o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com bastante otimismo.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

VAI VIAJAR E DEIXAR SEU ANIMAL SOZINHO? VEJA DICAS SOBRE CUIDADOS COM OS PETs NO FIM DE ANO

hannah thameHannah Thame

Os objetos que decoram as árvores de Natal normalmente chamam muita atenção e podem parecer brinquedinhos divertidos para o seu pet. Por isso, cães e gatos podem acabar engolindo bolas, laços e até mesmo partes de galhos da árvore.

Com a chegada do final de ano, a maioria das pessoas se programa para viajar e passar um período fora de casa. No entanto, muitas esquecem os cuidados que devem ter com seus bichinhos de estimação, para que estes fiquem em segurança durante a sua ausência. Dentre os problemas que podem acontecer, os mais frequentes são acidentes envolvendo enfeites natalinos, choque por causa das lâmpadas de iluminação, intoxicação alimentar e, até mesmo, fugas devido ao medo dos fogos de artifício.

Os objetos que decoram as árvores de Natal normalmente chamam muita atenção e podem parecer brinquedinhos divertidos para o seu pet. Por isso, cães e gatos podem acabar engolindo bolas, laços e até mesmo partes de galhos da árvore. As lâmpadas pisca-pisca também costumam ser um grande problema, pois podem oferecer risco de choque elétrico e queimaduras na língua e no focinho. Por isso, é melhor mantê-los longe do alcance dos animais e ficar sempre atento ao comportamento deles.

A intoxicação alimentar é um dos principais problemas que levam os animais à emergência nos períodos festivos do final do ano. Alimentos muito gordurosos, por exemplo, podem levar a vômitos e diarreia. Já os chocolates podem causar graves intoxicações, já que os cães possuem grande deficiência em metabolizar os seus componentes, o que também pode ser causado pela ingestão de algumas frutas secas e castanhas. Os ossos e pedaços maiores de carnes também devem ser evitados, pois podem levar a obstrução intestinal.

animaisartigoNo caso dos fogos de artifícios, o barulho assusta os animais porque eles possuem a audição mais aguçada que a nossa. Assim, eles podem apresentar alguns distúrbios de comportamento, geralmente ligados ao medo. Nesses casos, os pets podem ficar mais agitados e os riscos de fuga aumentam.

Para amenizar a situação, o recomendado é que os donos fiquem bem próximos aos seus animais para tranquilizá-los e, caso necessário, colocar um pouco de algodão em seus ouvidos para amenizar os barulhos das explosões, além de que, podem utilizar calmantes prescritos pelo Médico Veterinário.

Se você vai viajar e não pode levar seu animal junto, tente não deixá-lo sozinho. Para isso, existem os serviços de hospedagem, como os hotéis para cães, que garante que seu animalzinho passe esse período longe de você em segurança. Pesquise e encontre o melhor para seu pet. Ele merece!

Hannah Thame é médica veterinária e mestre em Ciência Animal pela Uesc.

QUE GENTE É ESSA?

(4) Luiz ConceiçãoLuiz Conceição | jornalistaluizconceicao2@gmail.com

Não se pode estragar a diversão, o lazer e a vida de quem quer que seja e ficar impune. Principalmente com ações claramente criminosas. A impunidade é como o primeiro gole.

Noticia a mídia da capital baiana uma suposta doença misteriosa que causa dores musculares e deixa escura a urina dos cidadãos que consumirem peixes vendidos na praia de Guarajuba, litoral norte de Salvador, sem fiscalização. E contaminados com formol?!!! Quer dizer que, à porta do verão, nos deixamos surpreender com tamanha maldade de gente inescrupulosa que, para ganhar dinheiro, não se preocupa com a saúde alheia?

Cadê a Vigilância Sanitária do Estado e das prefeituras envolvidas? O que se fez para melhorá-la na fiscalização de bebidas, alimentos e no ambiente em que tais produtos são comercializados?

Muitas pessoas nesta época do ano curtem férias e outras nos visitam como turistas, advindas de outros estados e países. O criminoso episódio de Guarajuba faz lembrar outros registrados no interior do estado, com mortes e sofrimento para as famílias das vítimas.

Na década de 90 casos de consumo de pinga contaminada foram registrados na Bahia. Em 1999, pelo menos 35 pessoas morreram vitimas da venda ilegal e criminosa de cachaça contaminada com álcool metílico (metanol) em municípios do sul e sudoeste baiano – Dario Meira, Ibicui, Nova Canaã, Iguaí, Santa Cruz da Vitória, Firmino Alves, Maracás, Itagibá e Itiriçu.

Como a gente é povo sem memória, é bom que se diga que a Bahia enfrentou problema semelhante, em 1998, quando 11 pessoas morreram em Serrinha. Nove anos antes, a tragédia vitimou pessoas em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo.

É verdade, contudo, que avanços houve com a estruturação de vigilância sanitária (Visa) em alguns municípios e mesmo na Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde da Bahia (Divisa).

Mas a recorrência dessas ações criminosas na comercialização de produtos nas praias, em cabanas, lanchonetes, restaurantes, feiras livres, etc. apontam para a necessidade de maior integração e vigilância, inclusive com a participação da Polícia Judiciária, da Polícia Militar, Ministério Público e firme atuação de autoridades do Judiciário.

Chega de notícias aziagas no limiar da alta estação, cuja exposição ao sol nos alegra alma, doura a pele e nos diverte no convívio familiar, com amigos ou pessoas que nem sequer conhecemos. Não se pode estragar a diversão, o lazer e a vida de quem quer que seja e ficar impune. Principalmente com ações claramente criminosas. A impunidade é como o primeiro gole.

Luiz Conceição é jornalista.

FERNANDO, DEM E O PT

marco wense1Marco Wense

 

O silêncio do PT de Itabuna diante da inusitada aliança entre Fernando Gomes e Josias Gomes é ensurdecedor.

 

Um escancarado pessimismo tomou conta do staff fernandista assim que Geddel Vieira Lima deixou de ser ministro de Temer. Sem dúvida, a prova inconteste de que o ex-lulista era o braço direito de Fernando Gomes nas suas andanças por Brasília.

Pessoas bem próximas do ex-alcaide chegaram até a comentar que “as coisas” ficariam complicadas sem Geddel por perto, obviamente se referindo as pendências jurídicas de FG na capital federal do Brasil.

Ali no tradicional Café Pomar, onde se misturam políticos de todos os partidos, era comum o comentário de que a saída de Geddel da secretaria de Governo poderia dificultar o caminho de Fernando rumo à elegibilidade.

Enquanto homem forte do governo Temer, o presidente estadual do PMDB foi muito atencioso com o candidato do DEM ao centro administrativo Firmino Alves, não lhe negando apoio toda vez que solicitado.

Não se contentando com um braço direito, Fernando procurou um “esquerdo” protagonizado por Josías Gomes, secretário de Relações Institucionais do governador Rui Costa (PT).

Coloquei aspas na palavra “esquerdo” porque essa dicotomia de esquerda e direita é coisa do passado. O balaio de gato é um só. Tudo movido por interesses pessoais em detrimento do coletivo. Farinha pouca meu pirão primeiro.

Aliás, a disputa hoje, com as raríssimas exceções, é pelo troféu de quem roubou menos, quem menos surrupiou o dinheiro público, o dinheiro meu, seu, de dona Maria, senhor José, enfim, de todos nós eleitores-cidadãos-contribuintes.

Josías, deputado federal licenciado, aproveitando a birra entre Fernando e ACM Neto, virou um ferrenho defensor da elegibilidade do ex-prefeito, que, como contrapartida, deve sair do DEM para se filiar a um partido da base aliada do governo Rui.

Sem nenhum tipo de constrangimento, agindo de maneira silenciosa e sorrateira, Josías transformou-se em um neofernandista de carteirinha, mais entusiasmado do que Raimundo Vieira, sem dúvida o fernandista-mor, o mais fiel de todos.

Não sei qual a posição de Geddel em relação a essa inusitada aproximação entre Fernando Gomes e o PT. Alguns peemedebistas de Itabuna acham que o ex-ministro não vai ficar calado diante de tamanha ingratidão e inominável traição.

E o que pensa o deputado federal José Carlos Aleluia, presidente estadual do Democratas, sobre toda essa articulação? É bom lembrar que Aleluia sempre foi correto com Fernando Gomes. Fez questão de ficar do seu lado no imbróglio entre o ex-alcaide, ACM Neto e Augusto Castro.

Setores do demismo soteropolitano, chateados com o namoro entre Fernando e o PT, já defendem o uso do instituto da fidelidade partidária como instrumento para provocar a perda do seu mandato de prefeito.

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ARRUMA A MALA AÊ!

Manu BerbertManuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

O Governo Vane não disse a que veio. Vai embora sem fazer a menor diferença ou falta. Sinto muito que, em tempos de criatividade aflorada, a população tenha esquecido de cantarolar a saudosa Arruma a mala aê.

 

Há quatro anos trabalhei como jornalista contratada na campanha de reeleição do então prefeito, Capitão Azevedo. É visível, em todos os finais de governo, a correria para maquiar as falhas e/ou concluir o que se tem condições, embora a gente precise, principalmente como cidadãos, respirar fundo para compreender toda essa prática falida que se instalou na política.

Há poucos dias da eleição, lembro que comentei com um dos colegas de jornada que tinha a sensação, nos bairros da periferia, que a população via em Azevedo uma espécie de Sassá Mutema, alguém que teria ganhado popularidade, transformando-se em O Salvador da Pátria (nome de uma obra global fictícia), mas que teria se perdido um pouco. O povo gostava dele, se identificava com ele, mas clamava pelo que poderia ter sido feito e não foi. Confesso que passei algumas noites pensando naquilo tudo e esse foi um dos motivos pelo quais optei por não trabalhar nas eleições desse ano.

Vane foi eleito, inclusive com o apoio de muita gente que trabalhava na gestão de Azevedo, tanto na prefeitura quanto nas demais instituições envolvidas. A expectativa, criada pelo marketing da campanha, prometia mudança. Só isso, e foi o bastante. Não me recordo de projetos citados naquele momento ou, pelo menos, algum que tenha chamado a atenção da população. Itabuna queria somente mudar, por compreender que há oito anos nada consistente teria sido feito pelo poder público.

Se a sensação lá atrás foi essa, a de agora é simplesmente muito mais dolorosa. Separando completamente o homem Claudevane Leite do Governo Vane, considero este último o mais medíocre já vivenciado nos últimos trinta anos. E a sua apatia para a reeleição deixou claro a sua consciência da própria inabilidade.

O cenário atual é vergonhoso. Salvo algumas melhorias no trânsito (embora a população não concorde com todas) e a gestão do último secretário de Saúde (especialmente no Hospital de Base), o Governo Vane não disse a que veio. Vai embora sem fazer a menor diferença ou falta. Sinto muito que, em tempos de criatividade aflorada, a população tenha esquecido de cantarolar a saudosa Arruma a mala aê.

Cabe certinho!

Manuela Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.

SOU UM ACADÊMICO

Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

A crença em figuras brilhantes, geniais, reforçada na instituição universitária já entre os calouros, colabora apenas para o desenvolvimento de quadros de depressão, sentimento de inferioridade e aumento dos índices de evasão. Professores formados na lógica “estrelar” atuam de forma antipedagógica, anticriativa e quase proibindo a autonomia estudantil.

 

Sou um acadêmico. Entrei numa universidade pela primeira vez no ano 2000. Às vésperas de completar 19 anos, fiz minha matrícula como estudante de graduação. Nunca mais saí da universidade. Agora, aos 35 anos, sou docente há sete. Fui estudante de graduação, de pós-graduação, servidor técnico-administrativo e professor. Atuei em universidade particular, estadual e em duas federais. Tenho meus méritos? Talvez. Mas acima de qualquer coisa, tive privilégios.

Tive a oportunidade, certa feita, de ouvir uma fala de Ricardo Castro, maestro da Neojibá. Ele disse algo como: “Por que virei pianista e meu vizinho não? Porque o piano estava na sala de minha casa”! O “piano” na sala de minha casa foi uma estrutura familiar que me permitiu estudar tranquilamente, as bolsas de estudo que recebi, e uma série de outros privilégios que oportunizaram o livre desenvolvimento de minha intelectualidade.

Aí vem um ponto importante: o livre desenvolvimento da minha intelectualidade não significa que possuo algo especial, alguma distinção. Não sou, em nenhum aspecto, superior a nenhum outro cidadão possuidor de quaisquer níveis de estudo. Possuo saberes diferentes. Não mais importantes, não inferiores. Diferentes apenas.

Isso se aplica a mim na mesma medida que se aplica a qualquer outro estudioso. Minha breve vivência acadêmica permite a constatação de um mal comum neste encantador meio social: a vaidade.

É inegavelmente satisfatório estudar, planejar e redigir um trabalho ou executar uma aula que “funciona”. Você sente que a sua labuta sobre os livros, sua reflexão e a construção do seu discurso funcionaram, atingiram o objetivo e levaram um conhecimento que impactou positivamente a vida e a formação de alguém. Isso é bom, é gratificante. Contudo, eu – assim como qualquer outro acadêmico – sou incapaz de produzir isso sozinho. Minha ação é fruto das leituras, reflexões, aulas que assisti, diálogos que travei, alunos que tive. Sim. O docente é também um aprendiz.

Na universidade, uma sala de aula “clássica”, com fileiras ordenadas e apontadas em direção à “estrela” docente, parece-me arcaica. Uma roda onde todos – discentes e docente – surgem em posição de igualdade parece adequada.

A crença em figuras brilhantes, geniais, reforçada na instituição universitária já entre os calouros, colabora apenas para o desenvolvimento de quadros de depressão, sentimento de inferioridade e aumento dos índices de evasão. Professores formados na lógica “estrelar” atuam de forma antipedagógica, anticriativa e quase proibindo a autonomia estudantil.

Qual o caminho que enxergo para o ambiente acadêmico? Um espaço onde se reduza a “masturbação intelectual”, que gera prazer ao praticante, mas não produz efetivamente nada, um espaço onde sejam evitados textos desconexos, longos e usando de jogos de palavras que possuem mais sonoridade do que conteúdo.

O caminho é uma instituição universitária que seja feita de pessoas que compreendam o valor da criação, da solidariedade, do afeto, da objetividade e, principalmente, da humildade. Muito me anima ver estudantes que começam a desconstruir a lógica da meritocracia, que questionam a lógica de autoridade pautada apenas nas tradições, no cânone, nos protocolos. Que os paradigmas universitários se pautem por uma lógica humana. Esse será o meteoro que dará conta dos dinossauros acadêmicos.

Felipe de Paula é professor universitário.

BANDEIRA BRANCA NA ARENA

marianaferreiraMariana Ferreira | marianaferreirajornalista@gmail.com

Seguimos observadores da banalização e espetacularização da violência dentro daquilo que deveria ser o seu antídoto, o esporte. A educação talvez um dia mude esse padrão e modifique o leque de palavras e comportamentos.

Há cinco anos escrevi um artigo acadêmico que analisava a banalização da violência nos esportes de massa pela imprensa esportiva. Hoje, no período de luto pela equipe da Chapecoense, a solidariedade, que moveu dezenas de clubes no apoio ao time catarinense e milhões de pessoas pelo mundo se declarando suas torcedoras, parecia estabelecer-se, enfim, nesse universo esportivo. As torcidas organizadas poderiam, agora, ser menos gladiadoras? A imprensa passaria a ser mais zelosa na linguagem? Os clubes seriam menos beligerantes?

Somente as dez maiores torcidas de futebol do Brasil possuem juntas mais de 120,8 milhões de torcedores – a população nacional é de aproximadamente 206,8 milhões de habitantes. As agremiações como um todo possuem torcidas organizadas com verdadeiros espíritos de guerra, que transformam estádios e ruas em arenas medievais para agredir os oponentes até o limite da vida. O país é campeão no número de mortes de torcedores por conflitos entre torcidas organizadas. Foram nove mortes esse ano e outras seis estão sendo investigadas por possível elo com o futebol.

O futebol, em particular, como é o assunto que mais mobiliza a massa brasileira, é tratado com alta prioridade pelos veículos de diferentes plataformas. É importante que cada um reavalie seu papel nesse cenário; afinal, vale a pena oferecer a emoção de um combate ao torcedor/espectador, utilizando de linguagem bélica, com forte influência e banalização da violência? O esporte não deveria ser uma fuga da violência? Por vezes, quando escrevia para a editoria de esportes do Jornal Agora, essa reflexão se fazia presente.

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O EXEMPLO DA FAMÍLIA CRUZ

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

 

Não sabemos aonde as delações dos executivos da construtora Odebrecht vão chegar – e se esses senhores terão o julgamento e a punição que toda sociedade espera. O que nos traz uma ponta de esperança é ver que ações como a da família de seu Francisco Gaudino da Cruz são um exemplo para o Brasil.

 

O programa Caldeirão do Huck deste sábado (10) apresentou a história da família Cruz. O senhor Gaudino Cruz criou sete filhos, todos músicos. Um desses filhos, Bento, deu seguimento à família de músicos. Seus seis filhos também seguiram o caminho da música.

Os dois primeiros filhos de Bento, Axel e Maíra, decidiram criar uma escolha de música para atender os jovens do bairro onde moram – Mondubim, na periferia de Fortaleza. Assim, nasceu a Acordes Mágicos, que atende 150 jovens. O apresentador Luciano Huck perguntou a seu Gaudino, com seus 69 anos, de que ele havia trabalhado em sua vida. Seu Gaudino respondeu: “de tudo que eu achava que era honesto”.

No momento em que o Brasil vive uma onda de escândalos que envolve políticos de todos os matrizes e empreiteiras – delatores citam a distribuição de bilhões de reais em troca de “favores”, é apresentado ao Brasil uma família que nos faz acreditar que, apesar dos bandidos travestidos de políticos, esse país tem jeito.

Se a pergunta que foi feita ao seu Gaudino fosse dirigida aos nossos congressistas ou aos dirigentes do Palácio do Planalto, qual seria a resposta? O que diriam os senadores Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Romero Jucá ou Lindbergh Farias, além do presidente Michel Temer e seus ministros, ao serem questionados do que trabalharam a vida toda?

Com certeza, a palavra honestidade jamais faria parte da resposta. Os políticos brasileiros, em sua grande maioria, nos causam repulsa. O cidadão em nosso país é órfão de representante, pois 95% dos homens públicos que detêm mandatos defendem exclusivamente seus interesses, de seus partidos e de grandes corporações.

Não sabemos aonde as delações dos executivos da construtora Odebrecht vão chegar – e se esses senhores terão o julgamento e a punição que toda sociedade espera. O que nos traz uma ponta de esperança é ver que ações como a da família de seu Francisco Gaudino da Cruz são um exemplo para o Brasil.

Cláudio Rodrigues é administrador de empresa.

POR QUE OS BANCOS SÃO BLINDADOS?

antonio-nunesAntônio Nunes de Souza | antoniodaagral26@hotmail.com

Grosseiramente, sem nenhum respeito, colocam um número pequeno e escasso de caixas parra atendimento, provocando filas que ultrapassam mais de uma hora de espera!

Imediatamente, a resposta mais comum e lógica que passa na cabeça de todos é que, por serem instituições que guarda dinheiro, joias, documentos importantes, etc., precisam de proteções complementares, através de alarmes, grades, câmeras, controle de entrada e saída, além de mais alguns detalhes!

Essa resposta simplista e que corre na cabeça de todos é apenas uma parte da verdade, pois, a parte mais cruel de toda ela é com seus clientes que, pela necessidade de usá-los, pagam tarifas caras e, às vezes, inexplicáveis e, como resposta de compensação, um tratamento horrível e desumano, com a maior falta de respeito. É nessa parte que sua blindagem “governamental”, claramente, protege essas entidades, deixando que seus ganhos ultrapassem as linhas do absurdo (bilhões ou trilhões por trimestres), explorando o povo de uma maneira aviltante, cobrando juros de cheques especiais, empréstimos e cartões de créditos num patamar assustador de 12% a 15% ao mês, num país que sua Constituição arbitra e determina a inflação de 6% ao ano. E, nosso dinheiro depositado, os famigerados nos pagam, indignamente, menos de 1% ao mês, como se isso fosse algum rendimento representativo!

Infelizmente, isso não é tudo, pois grosseiramente, sem nenhum respeito, colocam um número pequeno e escasso de caixas parra atendimento, provocando filas que ultrapassam mais de uma hora de espera!

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“NINGUÉM ESTÁ ACIMA DA LEI”

ailson-batataAilson Oliveira | ailsonoliveira@hotmail.com

A penalidade dura mais comum ao magistrado que comete crime é a aposentadoria compulsória. O que eles chamam de punição, pode ser classificado de prêmio. Na realidade, eles não querem perder esse privilégio e procuram deslegitimar a decisão da Câmara.

 

Após alguns anos de engavetamento, entrou em pauta o Projeto de Lei (PL) 4.850/16, que trata das medidas de combate à corrupção. Cabe destacar algumas medidas e tecer considerações acerca da proposta que implica juízes e membros do Ministério Público:

1. Candidatos que receberem ou utilizarem doações que não tiverem sido declaradas à Justiça eleitoral irão responder pelo crime de caixa dois.

2. Eleva a pena para crimes como estelionato, corrupção passiva e corrupção ativa;

3. Acaba com a aposentadoria por juiz e membro do Ministério Público Federal como prêmio por ter cometido crime de improbidade;

4. Criminaliza o eleitor que vender o voto;

5. Define um limite de recursos para protelação de processos.

Estas medidas que penalizam políticos, magistrados e cidadãos comuns, caso cometam irregularidades, estão respaldadas na nossa Constituição Federal de 1988. O Artigo 5º dispõe que “todos são iguais perante a lei”; e, no inciso I, versa que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. Diante deste amparo legal podemos dizer que “ninguém está acima da lei” e, por consequência, ninguém está isento de ser punido ao cometer irregularidades.

No entanto, parece que as medidas apresentadas pelo Ministério Público Federal na Câmara dos Deputados foram pensadas para punir apenas os políticos, como se eles fossem os únicos responsáveis pela corrupção no país. Em outros termos, é como se a corrupção tivesse morada fixa e não rondasse outros espaços. É por essas e outras que lembro sempre da expressão: “me engana que eu gosto”.

A proposta apresentada na Câmara recebeu uma emenda do deputado Weverton Rocha (PDT-MA) e foi aprovada por 313 votos a 132 e 5 abstenções. Ela responsabiliza juízes e membros do Ministério Público por crimes de abuso de autoridade. As alterações no projeto geraram reações por parte de integrantes do Ministério Público e de juízes.

A argumentação apresentada é que eles já estão sujeitos às penas previstas em instrumento da magistratura e, por isso, a mudança tem o objetivo de intimidar as autoridades ligadas à operação Lava Jato. Ora, este é um argumento falacioso, pois ignora a nova redação ao invés de contraditá-la com argumento racional. Ao contrário, apelam para a emoção de alguns desinformados com o intuito de ficarem imunes às punições caso cometam irregularidades.

O argumento de que esse não é o momento adequado para tratar desta matéria devido às investigações da Lava Jato em curso, embora pareça defensável, revela uma característica do judiciário, a lentidão na prestação dos serviços jurisdicionais e ignora as futuras investigações.

Atualmente, a penalidade dura mais comum ao magistrado que comete crime é a aposentadoria compulsória. O que eles chamam de punição, pode ser classificado de prêmio. Na realidade, eles não querem perder esse privilégio e procuram deslegitimar a decisão da Câmara.

Diante da reação dos magistrados, creio que uma pergunta aos servidores públicos em geral é necessária: Se porventura você cometer alguma irregularidade no exercício da função, você gostaria de ser punido com pena de reclusão ou com a aposentadoria compulsória? Nesse caso, a minha hipótese é que as pessoas tenderiam a garantir a aposentadora compulsória do que cumprir pena de reclusão.

“Para não dizer que não falei de flores”, o ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal Ayres Brito defende a revisão da Lei Orgânica da Magistratura para permitir punição mais rigorosa, por entender que “há ilícitos de tal gravidade praticados por magistrados que exigem uma destituição, uma demissão, uma desinvestidura forçada do cargo e não uma aposentadoria proporcional ao tempo de serviço”.

Ademais, se considerarmos que “ninguém está acima da lei”, e isso vale para todos os homens e mulheres do Brasil, a mudança no projeto anticorrupção no que tange à punição de magistrados por crime de responsabilidade é necessária e não se trata de intimidação e de combate a quem combate a corrupção. A emenda vai possibilitar uma mudança na conduta de magistrados e membros do Ministério Público e evitará investigações não isentas e seletivas e partidarizadas.

Ailson Oliveira é professor de Filosofia.

GOL DO SAN LORENZO

DT blog 3Daniel Thame | danielthame@gmail.com

 

E nem o Destino, esse trapaceiro, é capaz de voltar o tempo e fazer a desgraçada dessa bola que parou nos pés de Danilo entrar e abortar o voo para o vazio ainda da pista…

 

23 de novembro de 2016. 23 horas e 35 minutos.  São 45 minutos do segundo tempo. A Chapecoense, time do interior de Santa Catarina que há sete anos disputava a Serie D do Campeonato Brasileiro, segura o 0x0 contra o poderoso San Lorenzo, da Argentina.

O resultado garante a inédita e surpreendente vaga na final da Copa Sul Americana, o segundo torneio mais importante do continente.  Falta na lateral da grande área a favor do time argentino. Na Arena Índio Condá, milhares de corações batem no compasso da expectativa: glória ou tragédia.

Na Fox Sports, o narrador Deva Pascovicci eleva a emoção até a estratosfera: “que o índio Condá fique debaixo das traves. Que o espirito de Condá  esteja com todos os jogadores. Olha o lançamento, bola na pequena área, Bland chuta a queima roupa,  o goleiro Danilo tenta tirar com o pé direito,  mas a bola morre mansamente no fundo das redes”

1×0 San Lorenzo, fim de jogo.

A Chape, como é chamada,  para nas semifinais. Deva, mais controlado, diz que o time caiu de pé. O comentarista Mário Sérgio Paiva,  com seu estilo direto, afirma que faltou experiência pra segurar a bola, mas que serve como lição para um time novo no cenário do futebol internacional. “O time ainda está muito verde para chegar a uma decisão tão importante”, diz o também comentarista Paulo Clement,  fazendo um trocadilho pouquinha coisa mais do que infame com as cores do clube.

Entrevistados pelo repórter Victorino Chermont, os jogadores lamentam o gol sofrido no final do jogo, mas reconhecem que o time sai da competição de cabeça erguida. A torcida concorda, tanto que permanece no estádio após o fim da partida e aplaude de pé  os jogadores e o técnico Caio Junior.

Apenas Danilo continua inconsolável: “eu poderia ter defendido aquela bola…”

30 de novembro de 2016. 22 horas e 15 minutos. Atlético Nacional e San Lorenzo fazem em Medellin o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana. O goleiro Danilo assiste em casa à partida, transmitida pela televisão. A cada lance, o mesmo pensamento: “eu poderia estar lá com a Chapecoense, se não fosse aquela bola no fim do jogo…”.

É despertado do estupor pelo abraço do filho pequeno, vestido com a camisa da Chape, e pela voz da mulher: “vem dormir, porque amanhã você tem treino pra pegar o Atlético Mineiro pelo Brasileirão”.

Na Fox Sports,  Deva Pascovicci narra e Mário Sérgio comenta o jogo do estúdio. Em Medellin,  Vitorino Chermont, que seguiu para a Colômbia num voo de carreira, faz reportagens de campo já com cabeça na Copa Libertadores 2017 com Palmeiras, Flamengo, Santos e outros times de títulos, torcida e tradições mundiais.  A Chapecoense foi um breve sonho de primavera que o time do Papa tratou de interromper no derradeiro minuto de jogo. A  vida e o jogo não podem parar.

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E nem o Destino, esse trapaceiro, é capaz de voltar o tempo e fazer a desgraçada dessa bola que parou nos pés de Danilo entrar e abortar o voo para o vazio ainda da pista…

Daniel Thame é jornalista, escritor e editor do Blog do Thame.

BRASIL E EDUCAÇÃO EM 241 TONS DE CINZA

PROF ELTON OLIVEIRAElton Oliveira | srelton@hotmail.com

 

Alterar toda a atual política educacional nacional e criar um novo ensino eficiente em 120 dias é, no mínimo, criar uma educação e uma escola do tipo “para inglês ver” na mais latina das Américas.

Como educador, preocupa-me a Medida Provisória enviada pelo governo Michel Temer (PMDB) para a reforma do Ensino Médio num prazo de 120 dias. A mesma põe fim à obrigatoriedade de aulas de artes, educação física, espanhol, filosofia, música e sociologia que fazem parte do atual currículo nacional.

O Brasil é o único país da América do Sul que não fala o Espanhol. Como uma nação continental e agora potência emergente, precisamos nos integrar mais ao Mercosul, assumir a nossa identidade latina. Retirar o Espanhol do ensino é sobretudo uma busca pelo isolamento. A quem isto interessa?

A obrigatoriedade do Inglês e a exclusão do Espanhol da grade oficial de ensino simboliza e reforça a identidade de colônia de periferia de terceiro mundo. Se o Espanhol, Inglês e Português fossem ensinados de forma eficiente e com qualidade, poderíamos, num futuro próximo, transformar o Brasil no líder do Cone Sul (Austrais), assustador para quais interesses?

Numa análise global de 360°(super eficientes) da educação feita no Fórum Econômico Mundial (Davos, Suíça – 2016), com base no Relatório Sobre Capital Humano utilizando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que analisou 130 países, temos na liderança do ranking:

1. Finlândia
2. Noruega
3. Suíça
4. Japão
5. Suécia

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OCUPADOS E PRODUZINDO

Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

A UFSB está em protesto. Parada? Não. A universidade está viva como poucas vezes em sua breve história. Mobilizada, ativa, dialogando com a comunidade e apropriada por aqueles que buscam o melhor para a instituição: seus estudantes.

 

Sou professor universitário há sete anos e alguns meses. Já atuei em instituição privada e atualmente sou docente da segunda universidade federal de minha carreira. Durante quatro anos fui professor da Universidade Federal de Alagoas e há pouco mais de dois anos estou na Universidade Federal do Sul da Bahia. Na tarde do dia 21 de novembro tive uma experiência nova na carreira: ministrei uma aula num campus ocupado. O Campus Jorge Amado, em Itabuna, assim como as outras duas sedes da UFSB, completa nesta semana um mês de ocupação por seus estudantes. A resistência à PEC 55, que cortará gastos em setores essenciais e à MP 746, que propõe a reforma do ensino médio, são as pautas principais.

Minha aula foi sobre imagens e significados. Desta experiência, gostaria de desdobrar uma breve reflexão a respeito da imagem que encontrei naquele espaço. Há ali a ocupação fixa de algumas dezenas de estudantes. Eles se revezam no espaço, cuidando da alimentação, limpeza e uma extensa programação de atividades. Diferente do que alguns podem pensar, não é um grande camping. Estes jovens têm dedicado longas horas ao estudo de leis, debates, apreciação de filmes e aulas públicas sobre temas afeitos às motivações da mobilização.

Encontrei ali um espaço impecavelmente limpo, organizado e sistematizado. Uma comunidade quase familiar se formou entre aqueles que se dedicam a organizar ações a fim de marcar um posicionamento contra medidas governamentais que impactarão os rumos da instituição e, consequentemente, das suas vidas estudantis. Os discursos, contudo, não são centrados na perspectiva personalista. A preocupação com o futuro da educação superior é recorrentemente manifestada nas falas.

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