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:: ‘Artigos’

ARTIGO || A CURA PELO PERDÃO

Mariana Benedito || mari.benedito@outlook.com

 

Sri Prem Baba, um mestre espiritual brasileiro, tem uma frase que diz que o perdão é uma flor que nasce de sementes de compreensão. É a gente procurar identificar as nossas próprias contradições, se mover na direção de ultrapassar os obstáculos da mágoa e do ressentimento, deixando esses pesos desnecessários para trás e plantar sementes.

 

O perdão tem um significado interessante no dicionário: ação através da qual uma pessoa está dispensada do cumprimento de um dever ou de uma obrigação por quem competia exigi-lo. Aí eu fico cá me perguntando e levo para você essa pergunta, amado leitor; no frigir dos ovos, a carga emocional é maior em quem exige que o outro faça algo de acordo com as suas expectativas ou em quem é dispensado de realizar uma ação que não lhe competia? Ou seja, trocando em miúdos, a densidade que a falta de perdão provoca é maior em quem alimenta o ressentimento ou em quem a gente joga a culpa pelos infortúnios da vida? É que nem aquele ditado: tomar veneno esperando que o outro morra.

Mas aí, meu caro, a gente entra em três vertentes quando fala em perdão: perdoar alguém – dispensar essa pessoa de cumprir algo que a gente acha que ela deveria cumprir; pedir perdão quando temos consciência que magoamos, entristecemos ou machucamos alguém e o autoperdão.

Como tudo nessa vida, a gente só dá ao outro o que tem cultivado e semeado dentro da gente. Quantas vezes a gente se culpa, se pune, se condena por ter agido de determinada forma, por ter caído em determinada situação que já era para ter aprendido a desviar, por ter dito palavras duras em algum momento de ira. Eu, sinceramente, acredito que o fato de a gente ter a percepção que escorregou na casca de banana já é um progresso! A gente ter o discernimento para identificar quando exagera no tom, nas palavras, na reação, na atitude já demonstra que nós estamos atentos. O autoperdão perpassa pelo entendimento de que fazemos o melhor com as ferramentas que temos, mas ainda estamos em aperfeiçoamento – e estaremos por toda a vida. Quando a gente se perdoa, a gente compreende, se liberta e se compromete em fazer melhor da próxima vez.

Você já experimentou pedir perdão? Quando a gente entende que cometeu alguma coisa que prejudicou o outro, magoou, machucou, feriu, entristeceu e se arrepende disso, de forma sincera e verdadeira, essa é a porta para que nós deixemos de lado a culpa e nos libertemos de carregar esse pacote tão pesado. Todo mundo na face desse planetão já machucou alguém, talvez a gente não admita isso com tanta facilidade por medo, vergonha de imaginar que a gente pode ser canal de coisas não tão legais, também; mas a grande chave disso tudo é perceber que errou, se arrepender, abrir o coração pro outro e pedir perdão. Faça a experiência, comece o movimento. Se abra para ele.

E perdoar alguém? Isso requer maturidade de nossa parte. Porque o perdão não é algo racional, consciente, forçado. Não é com a mente que a gente perdoa. E isso vai além do entendimento, é quando a gente aceita que todo mundo erra, todo mundo comete falhas e, das duas, uma: ou aquele que te machucou fez tentando acertar, mas não foi condizente com as suas expectativas – e aí a coisa tem mais a ver com você do que com o outro – ou aquele que te ofendeu também está passando por dores, mágoas e a única maneira que possui é colocar toda essa dor para fora ferindo outras pessoas – aí entramos na área da compaixão.

Percebe? Sri Prem Baba, um mestre espiritual brasileiro, tem uma frase que diz que o perdão é uma flor que nasce de sementes de compreensão. É a gente procurar identificar as nossas próprias contradições, se mover na direção de ultrapassar os obstáculos da mágoa e do ressentimento, deixando esses pesos desnecessários para trás e plantar sementes.

Elas florescerão!

Mariana Benedito é psicanalista em formação, MBA Executivo em Negócios, pós-graduada em Administração Mercadológica e consultora de Projetos da AM3–Consultoria e Assessoria.

O MUNICIPALISMO BRASILEIRO

Luciano Veiga

 

Defender o municipalismo é defender a República Federativa do Brasil, no seu conceito e essência, fortalecer os municípios é dá força aos pés que segura o corpo de uma nação, que necessita e exige ficar de pé, e andar, correr e ser “ordem e progresso”.

 

A Federação Brasileira possui um extrato de importância às avessas. É composta pela União de 26 Estados Federados, 5.570 municípios e Distrito Federal. Este recorte federativo, pelo princípio da engenharia, teria nos seus pilares, a base de sustentação, os municípios, raízes da sociedade, dos acontecimentos e realizações. São, portanto, o celeiro político, administrativo e ambiente inspirador ao legislador e ao judiciário.

O município é a célula viva de uma sociedade, entretanto são colocados a margem, como entes enfraquecidos e dependentes.

O conceito de municipalismo que consiste em uma ideologia política, objetiva oferecer maior autonomia aos municípios, atendendo especialmente à organização e prerrogativas das cidades, por meio de uma descentralização da administração pública, tem na sua luta um brilho de reconhecimento e necessidade. Necessidade de deixar mais leve a gestão pública, dando a quem faz os instrumentos, as ferramentas e os recursos necessários para que possamos desenvolver como nação.

A Constituição de 88 traz os municípios como entes federados independentes, político, administrativo e financeiro, sendo inclusive a única constituição mundial em posicionar este ente com tal independência.

A dura realidade dos municípios brasileiros mostra uma outra face onde a maioria destes sofrem de inanição financeira, tornando o seu corpo frágil, muitas das vezes debilitado, tornando presa fácil a uma estrutura política, que prefere tratar de uma alimentação com base de pires na mão, em doses homeopáticas do que torná-los vigorosos e pujantes.

Com tantas frentes parlamentares esculpindo o Planalto Central, em especial nas casas do Senado e a Câmara dos Deputados Federais, não há a uma Frente Municipalista, capaz de defender as demandas e necessidades dos municípios. Entretanto vários congressistas batem no peito e se dizem municipalistas, mas quando estão legislando, em regra, voltam contra os municípios, aprovando despesas e obrigações diversas, sem ao menos apontar as receitas ou capacidade deste ente em atender tal pleito.

Dia 23 de fevereiro, onde se comemora o Dia do Municipalismo, podemos infelizmente afirmar que não temos conquistas a comemorar, mas muitas obrigações. Os municípios carregam os fardos do Estado e da União. Somos o primo pobre e distante, lembrados de quatro e em quatro anos, que, como magia, fazem ressurgir a bandeira do municipalismo, o seu discurso, a sua proposta. Fechadas as urnas, tudo volta a era do antes em um país que não perdeu a sua cultura monárquica, onde os municípios produzem e o rei se veste.

Defender o municipalismo é defender a República Federativa do Brasil, no seu conceito e essência, fortalecer os municípios é dá força aos pés que segura o corpo de uma nação, que necessita e exige ficar de pé, e andar, correr e ser “ordem e progresso”.

Luciano Veiga é administrador e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

A FESTA DA CASA GRANDE E O LAMAÇAL DA VERGONHA

Egnaldo França || egnegao@hotmail.com

 

 

Se os casos Brumadinho e Mariana poderiam ter sido evitados, se a morte dos jovens atletas poderia ter sido evitado, se o genocídio da juventude negra pode ser evitado, então estes casos não podem ser comparados a desastres naturais ou fatalidades

 

Em 2019, completam-se 131 anos da assinatura de uma lei destinada a tirar negras e negros do cativeiro: a Lei Áurea. Há quem acredite na benevolência da Princesa Isabel; há também quem duvide existir racismo e desigualdade racial depois de mais de 100 anos deste feito. A questão principal é: para onde foram os ditos libertos e quais os reflexos na vida de seus descendentes?

Salto de 1888 para 2019 para iniciar uma reflexão com base em um acontecimento noticiado pelas redes sociais no dia 10 de fevereiro a respeito de uma representante de uma grande empresa de Salvador (BA), que comemorou seu aniversário homenageando o áureo período da casa grande. Na foto principal, ela, a baronesa, posa ao lado de duas mulheres negras como suas mucamas. Esta cena emblemática retrata perfeitamente a obsessão de uma classe que sonha em voltar os privilégios de outrora, onde seres humanos não passavam de meras mercadorias. Fato é que um sistema perverso não permitiu à população afrodescendente o acesso às políticas públicas de forma igualitária, como diz a Constituição Federal de 1988.

A formação das favelas se deu ao longo do século XX, principalmente nos morros das grandes e pequenas cidades, sem possibilitar que negros e negras tivessem as mínimas condições de sobrevivência. Foram abandonados à própria sorte. São essas pessoas as principais vítimas dos deslizamentos que ocorrem em vários estados do país todos os anos, a exemplo do Rio de Janeiro neste ano. Na trilha dos desastres geralmente encontra-se a população pobre que quase sempre não tem outra opção de sobrevivência.

Nesse cenário, o país foi pego de surpresa com o rompimento da barragem de rejeitos de minério em Brumadinho, em Minas Gerais,quando ainda chorava o desastre ambiental provocado pela mesma mineradora em Mariana. E ainda atordoados com estas tragédias, acordamos com a notícia da morte de 10 adolescentes num incêndio em um alojamento improvisado nas dependências do Clube de Regatas Flamengo no mesmo estado onde a imprensa, ao mesmo tempo, noticia a morte de 13 pessoas na Comunidade do Fallet, segundo a OAB, numa execução sumária provocada por policiais. Simultaneamente a esses fatos, nesse mesmo estado, sete pessoas perdem suas vidas durante um temporal.Quem são as principais vítimas nestas tragédias? Tragédias ou crimes?

De acordo com o IBGE, os negros e negras representam hoje cerca de 54% da população brasileira, e mais de 80% desta está em situação de pobreza ou extrema pobreza, que representam mais de 90% da população carcerária e, hoje, ainda é a minoria nas universidades, em especial nos cursos ditos de maior prestígio.

Além disso, os dados oficiais mostram que mais de 80% dos homicídios são de jovens negros e moradores das periferias. E o que tudo isso tem a ver com a foto da casa grande moderna em Salvador? O que ainda observamos é que, em 2019, negras, negros e pobres são as principais vítimas do que se convém chamar de tragédia brasileira.

Se os casos Brumadinho e Mariana poderiam ter sido evitados, se a morte dos jovens atletas poderia ter sido evitado, se o genocídio da juventude negra pode ser evitado, então estes casos não podem ser comparados a desastres naturais ou fatalidades, como uma avalanche no Monte Everest, um tremor de terra na Ásia ou um tsunami na Indonésia. Estes, sim, são desastres naturais. O que ocorre aqui, podemos classificar como crimes. Porém, o que se observa é a comoção diante das explicações das grandes corporações que vivem do lucro e da exploração das vítimas. Enquanto a “Casa Grande” ostenta o poder e comemora suas benesses, a classe trabalhadora e desassistida perece. :: LEIA MAIS »

COMPROMISSO COM O HOMEM DO CAMPO

Josias Gomes

 

A Bahia quebrou recorde em praticamente todos os segmentos agropecuários. O sucesso da Agricultura Familiar é um exemplo de como com apoio podemos ter grandes resultados. Segundo a ONU, a agricultura familiar é responsável por 80% de toda produção mundial de alimentos.

 

Companheiros e companheiras, venho agradecer o carinho que recebi ao ser nomeado Secretário de Desenvolvimento Rural. Foram tantas mensagens de apoio que me sinto ainda mais encorajado em cumprir as expectativas. Tenho plena consciência da responsabilidade que é gerir em uma das áreas estratégicas para o Estado e o nosso povo.

O intuito é proporcionar um desenvolvimento sustentável com um forte compromisso com o homem do campo, a agricultura familiar e com todos (as) que direta ou indiretamente trabalham para o progresso do desenvolvimento rural. Desta maneira podemos continuar o excelente trabalho desenvolvido na última gestão, tendo à frente da Secretaria, nosso companheiro Jerônimo Rodrigues e uma equipe de dedicados companheiros e companheiras.

A Bahia quebrou recorde em praticamente todos os segmentos agropecuários. O sucesso da Agricultura Familiar é um exemplo de como com apoio podemos ter grandes resultados. Segundo a ONU, a agricultura familiar é responsável por 80% de toda produção mundial de alimentos.

O agricultor familiar tem uma verdadeira relação de amor com a terra e a sua contribuição social é inestimável.

Prometo total empenho e conto com o apoio de cada um de vocês. Vamos para a ação.

Como o nosso governador Rui Costa costuma dizer: aqui é trabalho!

Josias Gomes é deputado federal e assumirá a Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.

ILHÉUS – CIDADE LITERÁRIA

Efson Lima || efsonlima@gmail.com

Ilhéus deve perseguir o título de Cidade Literária da Unesco. Ainda não há cidade brasileira na área de literatura. Assim como Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a conquistar seu espaço na rede Unesco de Cidades Criativas pela área de gastronomia, em 2014, a Princesa do Sul merece que seu povo se reúna e a confirme como CIDADE LITERÁRIA.

A cidade de São Jorge de Ilhéus é conhecida internacionalmente pelas belezas naturais e pela História, mas não somente essas características demarcam a cidade. A Princesa do Sul chama a nossa atenção, a dos visitantes e de diversos interessados também pela literatura. Não nos resta dúvida que o campo literário é construtor do imaginário da cidade de Ilhéus. Vários são os espaços físicos, as ruas e os alimentos que nos tocam pela literatura. A literatura oriunda das terras de Ilhéus até pode ser considerada de cunho regionalista, mas foi universalizada e alcança o mundo.

Aproveito, com a devida vênia, para sensibilizar alguns, que Ilhéus pode aproveitar a qualidade de cidade literária para fazer parte do projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) batizado de Rede de Cidades Criativas. Salvador integra no campo da música. Ilhéus pode fazer parte do clube pela via da literatura. Certamente fará bem à Princesa do Sul e à literatura regional. Certa vez, o escritor Adonias Filho perguntado sobre o que Ilhéus produzia, além de cacau. Ele respondeu: escritores.

A Rede de Cidades Criativas foi criada pela Unesco em 2004, cujo objetivo é promover a cooperação com e entre as cidades que identificaram a criatividade como um fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável. A rede também está comprometida com o desenvolvimento da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e estão entre seus objetivos o estímulo e o reforço às iniciativas lideradas pelas cidades-membros para tornar a criatividade um componente essencial do desenvolvimento urbano por meio de parcerias entre os setores público e privado e a sociedade civil.

É transformador para os apaixonados por livros caminhar por cenários de obras e lugares onde viveram escritores. Pode se vislumbrar uma experiência romântica, alvissareira, transformadora ou até mesmo alfabetizadora… os sentimentos são os mais diferentes. Afinal, a literatura nos leva a diferentes lugares, deixa-nos curiosos para conhecer e Ilhéus desperta esse fascínio internacionalmente.

A literatura pode ser instrumento de emancipação. Lembro até hoje da minha primeira obra lida – Capitães da Areia, de Jorge Amado. Como não agradecer à professora Ana Maria, do IME. Nunca mais fui o mesmo. Obrigado!

Para uma cidade ser considerada literária, a Unesco impõe algumas exigências: que ocorram eventos literários, como festivais, a existência de bibliotecas, livrarias e centros culturais, públicos ou privados e que tenham por fim último a promoção da literatura.

A cidade de Ilhéus é também uma urbis literária pelos aspectos tão comuns ao campo literário. A cidade pertence a grandes escritores, como Jorge Amado, Adonias Filho, Sosígenes Costa, Hélio Pólvora. A cidade foi parar nos livros e se transformou em cenário e enredo. É a cidade também dos hai-kais de Abel Pereira. É a terra de coração do historiador Arléo Barbosa, personagem vivo e encantador, com seu best-seller regional Notícia Histórica de Ilhéus.

A cidade também é celeiro de jovens escritores como Fabrício Brandão, Gustavo Cunha, Marcus Vinicius Rodrigues, Carlos Roberto Santos Araujo, Geraldo Lavigne, do paulista Gustavo Felicíssimo, às vezes, alguns deles com origem extra Ilhéus, mas que burilam os textos a partir deste lugar. A cidade também é lugar privilegiado para a literatura popular. Aqui merecem registros os cordéis da Mestra Janete Lainha e a sua xilogravura que tanto abrilhanta o mundo da literatura e nos insere neste lugar de destaque.

A cidade é palco do Festival Literário de Ilhéus (FLIOS), que alcança a quarta edição em 2019. Vida longa! É lugar da Mostra Jorge Amado de Arte & Cultura. Esses eventos demarcam o lugar da literatura. A cidade é cenário para diversas obras literárias. É cidade de novela – isto soma e enriquece o aspecto literário.

A cidade possui a Academia de Letras de Ilhéus, que completa 60 anos em março de 2019, cujo lema de “Servir à pátria cultuando as letras”, e não deixa dúvida da qualidade destes abnegados que insistem e nos alimentam com a chama literária (André, Rosas, Pawlo Cidade, Maria Schaun, Maria Luiza Heine, Ruy Póvoas e tantos outros, que injustamente vou deixando de citar). Este é locus importante para a formação e promoção da cultura regional. A UESC pode contribuir para o projeto. Em seu seio está a Editus, que muito tem contribuído para as obras de escritores regionais. A própria Universidade tem desenvolvido seminários e inserido os estudos da literatura regional em seus cursos.

Não obstante, o Programa Estratégico da Cultura – Cultura 500, da Secretaria de Cultura de Ilhéus, traça um cenário para a cidade nos próximos 15 anos e lança as estratégias para Ilhéus chegar aos seus 500 anos, sendo um município referência na área da Cultura, portanto, Ilhéus, Cidade Literária é um caminho.

Por tudo isto, Ilhéus deve perseguir o título de Cidade Literária da Unesco. Ainda não há cidade brasileira na área de literatura. Assim como Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a conquistar seu espaço na rede Unesco de Cidades Criativas pela área de gastronomia, em 2014, a Princesa do Sul merece que seu povo se reúna e a confirme como CIDADE LITERÁRIA. De fato, ela já é. Mais que um título, é a confirmação de sua contribuição para a literatura e mais uma porta para a consolidação do turismo e da cultura local. A literatura, a História de Ilhéus com suas estórias e as belezas naturais da Terra de São Jorge encantam a todos.

Efson Lima é advogado, coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho, coordena o Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação. Organizador do Projeto Conviver – atividade responsável pela produção de livros/UFBA, além de ser doutorando, mestre e bacharel em Direito pela UFBA.

A CRISE CÍTRICA

Marco Wense

 

O problema é que esse “laranjal” está prejudicando o andamento da Reforma Previdenciária. Hoje, o assunto mais comentado nos corredores das duas Casas Legislativas – Senado e Câmara dos Deputados – é o imbróglio das candidaturas laranjas do PSL.

 

Quem deve estar adorando todo esse furdunço envolvendo o ministro Gustavo Bebianno é Queiroz, ex-motorista da família Bolsonaro.

O “Caso Bebianno” fez Queiroz sumir do mapa. Ninguém fala mais de Queiroz. Cadê Queiroz? Cadê Queiroz? É a pergunta provocativa dos oposicionistas. Quando ela parte de petistas, os bolsonarianos lançam mão do “Lula tá preso, babacas!”.

A Rainha das Laranjas, no entanto, não é do PSL, legenda do presidente Jair Messias Bolsonaro. Maria de Lourdes Paixão perdeu o título para Sônia de Fátima Silva Alves (DEM), que só teve seis votos, mesmo contratando 72 fornecedores.

É bom lembrar que a soma da verba pública para os potenciais laranjas envolve mais de 14 partidos. São R$ 15 milhões distribuídos para candidaturas de outras agremiações partidárias. É óbvio que o MDB está na lista.

O caso Bebianno é um grande teste para Bolsonaro. Terá o presidente força para demiti-lo do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência? Ou vai recuar diante das pressões cada vez mais fortes a favor da sua permanência?

Do lado de Bebianno, só gente graúda: boa parte dos militares, Rodrigo Maia, recém reeleito presidente da Câmara dos Deputados, a maioria da bancada do PSL no Congresso Nacional e outros ministros que compõem o governo.

O clima está tenso. Fica mais explosivo com declarações que só fazem aumentar a temperatura, como “não sou moleque” e “Bolsonaro usa o filho para forçar saída do ministro”, respectivamente do próprio Bebianno e Rodrigo Maia.

É uma situação complicada para o presidente Bolsonaro, daquelas que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Afinal, sua campanha foi assentada na bandeira do combate à corrupção, seja ela praticada por adversários políticos ou correligionários.

O problema é que esse “laranjal” está prejudicando o andamento da Reforma Previdenciária. Hoje, o assunto mais comentado nos corredores das duas Casas Legislativas – Senado e Câmara dos Deputados – é o imbróglio das candidaturas laranjas do PSL.

Como não bastasse toda essa confusão, vem o líder do PSL na Câmara dos Deputados, delegado Waldir (GO), e diz que “o presidente Bolsonaro não tem base para aprovar a reforma da Previdência no Congresso Nacional”.

Mas o pior foi o sincero desabafo do delegado: “Colegas querem participação no governo com cargos e emendas”. Ou seja, que a tal da governabilidade só com o toma lá, dá cá. Do contrário, nada de reformas.

O presidente Bolsonaro, com sua experiência de cinco mandatos como deputado federal, sabe que sem essa troca de interesses não se consegue nada.

O vergonhoso toma lá, dá cá, está encrustado no Parlamento brasileiro, não só no Congresso Nacional como nas Assembleias estaduais e Câmaras de Vereadores.

Quando é que os políticos brasileiros vão tomar vergonha na cara? Religiosamente falando, diria que nem Ele sabe.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

AS LARANJAS DE BOLSONARO

Sócrates Santana | soulsocrates@gmail.com

 

Por esta razão a indústria brasileira desenvolveu-se e viabilizou-se em torno de uma cadeia altamente eficiente e orientada aos mercados externos. Atualmente, cerca de 35% dos pomares que fornecem laranja para processamento pertencem às próprias indústrias processadoras e possuem altos níveis de produtividade.

A bola da vez é a laranja. Após uma série histórica de recordes, houve um recuo de 12% em volume e 8% em receita das exportações do suco de laranja brasileiro. Em números, o faturamento recuou de US$ 1,052 bilhão para US$ 968,62 milhões. O detalhe é a negativa participação dos Estados Unidos, que agora atuam diretamente no recuo das vendas. Na safra anterior, os americanos embarcaram 151,26 mil toneladas do suco de laranja brasileiro, enquanto agora este número baixou para 112,65 mil toneladas para portos norte-americanos, um recuo de 26%.Os embarques para a União Europeia, principal mercado para as exportações de suco de laranja brasileiro, também caíram, com queda de 14%. O volume financeiro também caiu 7%.

Ao contrário do mercado europeu, com quem o atual governo mantêm uma relação hostil, o recuo dos EUA não é condizente com o empenho – próximo da subserviência – do presidente Jair Bolsonaro de aproximar os dois países. Não bastasse o presidente americano incitar o Brasil a romper relações comerciais com a China e depois correr para selar um acordo de paz com Xi Jinping, Donald Trump ainda celebra a exportação da carne bovina americana para o consumidor brasileiro, algo que não ocorria desde 2003.

Mas não é a primeira e, certamente, não será a última vez que os EUA pregam uma peça no Brasil. Em 2009, a Organização Mundial do Comércio (OMC) examinou a legalidade de medidas antidumping aplicadas pelos Estados Unidos contra o suco de laranja brasileiro. Felizmente, após 6 anos de sanções, em 2011 o Brasil saiu vencedor. Isso mesmo! Após 6 anos, porque, apesar da OMC só examinar a legalidade das medidas antidumping em 2009, desde 2005 o Departamento de Comércio dos EUA aplicam medidas duras e muitas vezes de conteúdo técnico questionável para o suco importado do Brasil. Na época, o governo brasileiro defendeu os interesses dos produtores nacionais e enfrentaram uma dura batalha comercial com os EUA. Vencemos.

Não era para menos. O Brasil exporta 98% do suco de laranja que produz. Embora os brasileiros sejam apreciadores do suco de laranja, consumimos o suco fresco em função da oferta abundante de fruta. O brasileiro consome aproximadamente 12 litros per capita/ano de suco de laranja, dos quais apenas um litro é de suco industrializado. No Brasil, bebe-se o suco que qualquer outro mercado sonharia em consumir: o suco fresco produzido na hora, seja em restaurantes ou nos domicílios.

Por esta razão a indústria brasileira desenvolveu-se e viabilizou-se em torno de uma cadeia altamente eficiente e orientada aos mercados externos. Atualmente, cerca de 35% dos pomares que fornecem laranja para processamento pertencem às próprias indústrias processadoras e possuem altos níveis de produtividade.

O atual governo, contudo, inicia uma política de comércio exterior até aqui desastrosa. De volta para a China, chama a atenção a queda da participação chinesa no comércio do suco de laranja brasileiro. Além de ser o maior parceiro comercial do Brasil, correspondente a 30% de toda a exportação nacional, o país oriental também é a quarto maior mercado consumidor do suco de laranja brasileiro. Coincidência ou não, a China deixou de importar menos suco produzido no Brasil. Os chineses reduziram a importação do suco de laranja brasileiro de 18,99 mil toneladas para 14,74 mil toneladas. A queda foi de 22% no volume e de 19% no faturamento, reduzindo de US$ 36,9 milhões para US$ 29,9 milhões.

“O Brasil está stand by”, disse o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China, Charles Tang. E, pelo jeito, é pra valer. A China tem comprado muito suco não concentrado (NFC) de países como Chipre, Espanha e – coincidência ou não – Israel. Enquanto isso, o Brasil assiste passivo aos ânimos comerciais entre EUA e China, sendo uma espécie de moeda de troca do presidente Donald Trump.

Sócrates Santana é jornalista e gestor de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia.

BOLSONARO E A GLOBO

Marco Wense

 

O cancelamento da agenda de Bebianno terminou provocando a descoberta desse inesperado encontro entre o ministro da Secretaria-Geral com a poderosa Organizações Globo.

 

Salvo engano, no editorial de segunda, dia 11, comentei sobre o imbróglio das candidaturas laranjas patrocinadas pelo PSL, legenda do presidente Jair Messias Bolsonaro.

As coisas complicaram. A candidatura laranja de Maria de Lourdes Paixão está sendo investigada pela Polícia Federal. Ela teria recebido R$ 400 mil para “disputar” uma vaga na Câmara Federal pelo Estado de Pernambuco.

O empurra-empurra entre Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria de Governo, e Luciano Bivar, atual presidente do PSL, sobre quem autorizou o repasse do dinheiro público, continua.

O presidente Bolsonaro, em conversas reservadas, não esconde sua irritação com as candidaturas laranjas do seu partido. Vale lembrar que Bebianno, cujo discurso era de implacável combate à corrupção, comandava interinamente o PSL e coordenava a campanha do então candidato ao Palácio do Planalto.

Bolsonaro mandou Bebianno cancelar todos os compromissos agendados. O que chamou mais atenção foi o encontro marcado com o vice-presidente de Relações Institucionais da Rede Globo, cujo nome esqueço agora.

É evidente que o ministro Bebianno não iria agendar uma conversa com o representante das Organizações Globo sem o prévio consentimento do chefe.

Estaria Bolsonaro disposto a se aproximar da Globo, contrariando boa parte dos seus correligionários mais próximos?

Pois é. O cancelamento da agenda de Bebianno terminou provocando a descoberta desse inesperado encontro entre o ministro da Secretaria-Geral com a poderosa Organizações Globo.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

NINGUÉM SEGURA ESSA MULHERADA!

Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

A verdade é que, entre a mediocridade e o triunfo de muitas, entre o preconceito e a vitória de inúmeras, há uma força que muita gente ainda não quer ver, mas que é real e legítima. Ninguém segura mais a mulherada!

 

 

“Mulher está na moda”, escutei ontem. Prontamente discordei, claro! Ainda que durante séculos o papel da mulher tenha ficado restrito essencialmente às funções de mãe, esposa e dona de casa, são inquestionáveis os inúmeros êxitos femininos ao longo dos últimos tempos: o direito de votar, de participar ativamente da sociedade e do mercado de trabalho, além da revolução sexual que, a meu ver, ainda acontece, diariamente, nas nossas casas. É mais sobre CONQUISTA e menos sobre percurso efêmero.

Não precisamos nos remeter aos cenários mundial e nacional para falar de mulheres fortes e destemidas que estão imprimindo seus nomes na nossa história. Hoje, na Câmara de Vereadores de Itabuna, a edil Charliane Souza, única mulher daquela casa, enfrenta diariamente, além da grande maioria dos colegas, o prefeito da cidade, protocolando denúncias e cumprindo o papel de fiscalizadora da administração. Lados políticos e razões à parte, sua perspicácia desponta para todos.

Na Polícia Civil, instituição com carreira marcadamente masculinas até pouco tempo, posso citar Dra. Katiana Amorim, itabunense, delegada com mais de 30 cursos entre planejamentos estratégicos, táticos e operacionais.

Nos veículos de comunicação regionais a ascensão feminina também é nítida. Além do número de profissionais imenso posso citar Silmara Sousa, repórter da Rádio Difusora e da Record TV, que segura a audiência do polêmico Balanço Geral, líder no horário em quase todo o país, sempre que convocada por aqui, “dando a cara” contra a corrupção, o tráfico de drogas e demais mazelas regionais.

Adentrando na área da saúde, posso lembrar que, na última semana, a médica Lívia Mendes foi empossada nova diretora técnica do Hospital Calixto Midlej Filho, unidade da centenária Santa Casa de Misericórdia de Itabuna. Sua nomeação é um marco para a instituição, já que é a primeira vez que uma mulher é empossada no cargo.

São nomes que servem de exemplo e como exemplo, apenas para que eu não precise me estender citando tantas e tantas outras mulheres. A verdade é que, entre a mediocridade e o triunfo de muitas, entre o preconceito e a vitória de inúmeras, há uma força que muita gente ainda não quer ver, mas que é real e legítima. Ninguém segura mais a mulherada!

Manuela Berbert é publicitária e escreve o manuelaberbert.com.br.

GOLPE NA DIGNIDADE

Osman Nogueira

 

 

Tristeza. Decepção. Emoção. Comoção. Ansiedade. Desespero. Agonia. Dúvida. Sentimentos que corroem o coração dos servidores demitidos. Essa ação de injustiça precisa ser urgentemente corrigida, revertida e reparada.

 

Decorridos trinta dias, desde que o prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, retirou erroneamente dos quadros de pessoal da prefeitura quase 300 pais e mães de famílias – que ao longo de mais de três décadas cumpriram suas obrigações como servidores públicos do município – chega mais um momento em que essas pessoas sentem na pele a ardilosa atitude que tenta golpear a sua dignidade como trabalhadores.

Chegou o momento da dor das famílias, que não imaginavam ficar sem os seus salários, com os quais proviam mães, filhos e netos. O fim do mês pairou no vazio da dor, sem ter o direito aos proventos que há mais de 30 anos sustentavam vidas. A dor de uma tragédia que invade o peito com aflição, desespero, diante de uma atitude desumana, carregada de desculpas esfarrapadas, de palavras malditas.

Os servidores demitidos por decreto pelo prefeito, admitidos legalmente entre 1983 e 1988, sentem fundo o golpe que lhes tirou o direito ao salário, o suporte da subsistência, o golpe na dignidade do trabalhador, ainda maior diante da propaganda oficial que anuncia ironicamente “Salário na conta, meu povo”. Sentem no fundo a forma como foram tratados pelo prefeito, jogados fora como papel amassado, como se algum crime tivessem cometido. Sentem fundo a injustiça de uma ação judicial desumana, que afronta direitos adquiridos e interrompe os sonhos de tantas vidas.

Considerando a afirmação dos advogados renomados, de que o prefeito não era obrigado e nem tinha necessidade de antecipar a demissão dos servidores, além de que prometeu utilizar todos os recursos judiciais cabíveis para evitar essa injustiça, esse gestor entra para a história do município como aquele que praticou o ato mais humilhante, degradante e injusto contra os servidores públicos.

Quem acompanha os dias aflitos dos servidores demitidos, percebe a dor da moral atingida, das respostas não obtidas, do constrangimento de ir às ruas pedir alimentos para socorrer aos mais necessitados.

Por que? É a pergunta de todos os dias, de todas as noites. Os servidores ingressaram no município, como empregados públicos, no período em que não havia obrigatoriedade de concurso público. De lá para cá, cumpriram suas obrigações, ajudaram a construir a história dessa terra, engrenaram a máquina pública, e hoje sofrem a ação vil do Poder que até tenta colocar a população contra esses servidores como se criminosos fossem. Isso não é correto, produz dano moral.

Do lado jurídico, advogados especialistas contestam a decisão do juiz da Fazenda Pública da primeira instância e apontam diversos equívocos. Asseguram a legitimidade dos contratos celebrados no período 83-88, e afirmam que esses contratos – fosse o caso – deveriam ter sido contestados até cinco anos após 88, o que não ocorreu; que existe jurisprudência nos tribunais superiores sobre as garantias dos contratos de serviço público com mais de 20, 30 anos, e a respectiva segurança jurídica, que não ouviu os servidores prejudicados, entre outros.

Além disso, o prefeito apelou ao Tribunal de Justiça e, ao mesmo tempo, cumpriu a sentença de primeira instância, revelando a dubiedade de suas palavras e de seus atos. Derramou sobre os demitidos as contradições de sua gestão e produziu uma injustiça sem precedentes na história do município.

Tristeza. Decepção. Emoção. Comoção. Ansiedade. Desespero. Agonia. Dúvida. Sentimentos que corroem o coração dos servidores demitidos. Essa ação de injustiça precisa ser urgentemente corrigida, revertida e reparada.

Osman Nogueira é presidente da APPI/APLB.

A UNE, O PT E ACM NETO

Marco Wense

 

Neto, presidente nacional do Partido do Democratas (DEM), sabe que o fortalecimento da sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina depende do bom desempenho da legenda em Salvador e no interior.

 

Só faltou o presidente Jair Messias Bolsonaro na disputa do “quem dá mais”, enfrentando o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM).

O assunto diz respeito a realização da décima primeira Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), que acontece na capital baiana.

Antes que os maldosos e as fofoqueiras de plantão abram a boca, digo que o evento da UNE é muito importante. Vai oxigenar a entidade, que se encontra parada, amorfa, quase que inexistente.

Mas não posso é deixar de comentar essa “briguinha” entre o governo do Estado e a prefeitura de Salvador, que terminou com a “vitória” do chefe do Executivo municipal.

O alcaide soteropolitano, através da secretaria de Cultura e Turismo, deu R$ 100 mil a mais do que o governo da Bahia. Ou seja, R$ 1 milhão versus R$ 900 mil.

Muitos netistas, principalmente os que ainda sentem saudades de ACM, que não dava sossego para os adversários políticos, considerados como inimigos, ficaram atônitos, estarrecidos e assombrados com o gesto do prefeito.

“Que diabos ACM Neto quer em um evento cujos protagonistas são políticos de esquerda? ”, diziam os chateados, surpresos e desapontados democratas, se referindo a Alice Portugal e Manuela D’Ávila, do PCdoB, Guilherme Boulos, doPSOL, e José Gabrielli do PT.

Outros netistas, no entanto, os mais pragmáticos, são da opinião de que a UNE não é mais petista como em priscas eras, que ACM Neto, de olho nas eleições de 2020 e 2022, tem que se aproximar da UNE.

Neto, presidente nacional do Partido do Democratas (DEM), sabe que o fortalecimento da sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina depende do bom desempenho da legenda em Salvador e no interior.

Aqui em Itabuna, por exemplo, o gestor do Thomé de Souza vai apoiar o prefeiturável com mais chance de derrotar o candidato do PT, que caminha para ser o mesmo do prefeito Fernando Gomes.

Se a eleição fosse hoje, o médico Antônio Mangabeira, do PDT, teria o apoio de Neto e das agremiações partidárias que gravitam em torno da sua liderança.

Mangabeira, na frente das pesquisas de intenções de voto, mantendo uma boa distância do segundo colocado, vai conversar com todas as forças políticas que querem a derrota do fernandismo, hoje aliado ao PT.

Voltando a UNE, parece que a entidade estudantil deixou a intransigência de lado e soterrou o radicalismo. A prova inconteste da mudança é a homenagem que fará ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007.

Não sei se o tapete para os homenageados ou para quem vai representá-los será vermelho. Se vão estendê-lo a ACM Neto, que receberá a honraria ao saudoso vovô.

Marco Wense é articulista político e colunista do Diário Bahia.

O NADA DECORATIVO MOURÃO

Marco Wense

O vice Hamilton Mourão continua sendo a figura da República bolsonariana mais polêmica e inquieta. Longe do general ser um personagem decorativo, um adorno palaciano.

Para muitos, o general conversa demais. Deveria ficar mais calado, principalmente em assuntos inerentes e específicos a determinados ministérios.

Mas Mourão tem também muitos defensores. Eles são da opinião de que é melhor dizer o que pensa do que tapear, bajular, pegar o caminho da falsidade.

Mourão também fala o óbvio. Ou seja, que Paulo Guedes, ministro da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, são os dois principais auxiliares do governo Bolsonaro: “Eles puxam a fila do resto do governo”.

“Paulo Guedes e Sérgio Moro atacam dois grandes problemas: segurança pública, que é algo que aflige todo mundo no país, e a questão da economia, porque entrando nos eixos nós vamos romper o desemprego, entrar numa era de desenvolvimento sustentável”, diz o militar.

No entanto, a sua mais recente declaração provocou dúvidas. Mourão disse que “o pacote de medidas contra criminalidade e corrupção de Moro não atrapalha a tramitação da reforma previdenciária”.

Essa ligação entre o combate ao crime e a tramitação da reforma no Congresso Nacional não ficou bem explicada. Até mourãonistas mais próximos do vice ficaram a ver navios.

Confesso que também fiquei curioso com essa declaração do general, cada vez mais aconselhado a ser mais discreto.

É bom lembrar que dos três filhos do presidente Jair Bolsonaro, todos políticos exercendo mandatos, somente Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, ainda não teve aborrecimento com Mourão.

Mourão é assim. Gosta de ser ele mesmo. É melhor ser o que é, do que ficar sendo outro sem ser, como foi o então vice Michel Temer com Dilma Rousseff.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

IDENTIDADE TERRITORIAL, CAMINHO PARA O FORTALECIMENTO REGIONAL

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

 

 

Vencido o desafio da construção da agenda do cacau, devemos cobrar dos deputados votados em nossa região o compromisso de defender nossas bandeiras, contando, especialmente, com a participação dos mandatos de Josias Gomes, Rosemberg Pinto e Eduardo Salles, por terem maior vínculo com o nosso território.

Há muito a região cacaueira discute e, ao mesmo tempo, reclama da necessidade de se fortalecer politicamente para o enfrentamento dos nossos principais fatores limitadores do desenvolvimento. A cada eleição, essa mesma fala se repete e, por mais que elejamos figuras locais, esse vazio continua a ser registrado. Uma espécie de círculo vicioso de transferência de responsabilidade.

Faz-se necessária a compreensão de que essa situação precisa ser vencida para superarmos as nossas fragilidades socioeconômicas. Transferir única e exclusivamente para os ombros dos eleitos aos parlamentos estadual e federal não responde de forma correta a percepção das lacunas existentes entre discurso regional e a realidade concreta, uma vez que falta à nossa região cacaueira uma consciência de unidade de propósito com vistas a explorar as potencialidades e construir uma agenda capaz de alavancar um novo ciclo.

Ainda nos guiamos sobre a lógica das cidades-polo, não compreendendo os territórios de identidade como diretrizes para firmarmos um novo olhar. Algumas lideranças insistem em alimentar o bairrismo entre as duas maiores cidades da região, Itabuna e Ilhéus.

Chegamos ao século XXI e ainda não compreendemos o entrelaçamento das fronteiras dessas duas cidades – o fenômeno da conurbação. Por aqui, ainda brigamos por palmos de terras, sem a percepção necessária de que somos economias complementares e que precisamos unir força política e, juntos, puxarmos a discussão em favor de uma ampla e coletiva agenda regional – uma espécie de levante.

Itabuna e Ilhéus precisam compreender que se a região for bem serão elas quem mais se beneficiarão em função da estrutura de serviços, comércio, comunicação, educação, indústria, saúde, turismo de lazer e negócios. Enfim, em todas as áreas possíveis.

O início da construção de nossa agenda regional inevitavelmente acontecerá por força dos consórcios de saúde e dos consórcios territoriais. As células de conhecimento e com força propositiva terão que ajudar nessa sistematização: Uesc, UFSB, Ceplac, IFBA, Amurc, IBC e faculdades privadas, dentre outros. O desafio está sendo lançado e a nova safra de prefeitos e prefeitas exercerá papel fundamental nessa dinâmica, forçando as cidades-pólo a se reinventarem para não serem atropeladas como líderes desse processo.

Esse indicativo pode ser visto nas pesquisas de apoio popular, nas quais os gestores melhores avaliados estão nas cidades de menor porte, numa clara mensagem de necessidade de releitura e mudança de atitude de governança por parte dos gestores de Itabuna e Ilhéus. Devendo, inclusive, ter a percepção de que a união territorial é uma clara sinalização do nascimento de uma região metropolitana. Não dá mais para compreendermos o espaço das nossas cidades de forma isolada. O tempo atual não nos permite ser ilhas.

Vencido o desafio da construção da agenda do cacau, devemos cobrar dos deputados votados em nossa região o compromisso de defender nossas bandeiras, contando, especialmente, com a participação dos mandatos de Josias Gomes, Rosemberg Pinto e Eduardo Salles, por terem maior vínculo com o nosso território. A esses, pela identidade, representatividade e desempenho eleitoral, nossa confiança para juntos alcançarmos a materialização desses anseios.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades.

A FORÇA DE ACM NETO; E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Marco Wense

 

Em relação ao gestor de Salvador, é evidente que presidir nacionalmente uma legenda (DEM), que tem três ministros e os presidentes das duas Casas Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado da República, respectivamente com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, é uma invejável prerrogativa.

 

Dois assuntos hoje no editorial: a “fraternidade” da Reforma Previdenciária e a “força” do prefeito ACM Neto.

O atento e perspicaz leitor, percebe logo que tem duas palavras aspeadas. Não estão na própria acepção, no sentido verdadeiro, sem causar dúvidas e variadas interpretações.

Ora, ora, como falar de reforma fraternal, como diz o governo Bolsonaro, se querem desatrelar o Benefício da Prestação Continuada (BPC), concedido aos idosos e pessoas de baixa renda, em condição de miserabilidade, do salário mínimo?

Salta aos olhos, e não precisam que sejam do mesmo tamanho dos da coruja, que a reforma da Previdência é imprescindível, sem a qual o país se enterra sob 17 palmos de terra.

Mas tenha santa paciência! Que coisa hein! Que irmandade é essa que empurra os miseráveis para a beira da cova, sem dó e piedade?

Portanto, em vez de ficar prejudicando os “descamisados”, que se corte os vergonhosos privilégios de determinados segmentos da sociedade. Só assim teremos uma reforma previdenciária justa e fraterna.

Em relação ao gestor de Salvador, é evidente que presidir nacionalmente uma legenda (DEM), que tem três ministros e os presidentes das duas Casas Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado da República, respectivamente com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, é uma invejável prerrogativa.

O problema é que ACM Neto não teve a força de indicar ninguém do seu staff político para o primeiro escalão do governo bolsonariano. Os três ministros democratas foram considerados da cota pessoal do presidente Jair Messias Bolsonaro.

Quanto a Maia e a Alcolumbre, o alcaide soteropolitano não influenciou em nada a eleição de ambos. E mais: alguns partidos de esquerda tiveram um papel mais importante que ACM Neto, agora animadíssimo com sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina na sucessão de 2022.

O adversário mais provável do democrata é o senador Otto Alencar, o comandante estadual do PSD. Não acredito em uma traição do PT, lançando candidatura própria.

Marco Wense é articulista político e colunista do Diário Bahia.

GERALDO SIMÕES E AS URNAS

Marco Wense

 

No mais, esperar o desenrolar dos fatos. São eles que vão provocar novos comentários e tornar os rumos da sucessão municipal mais transparente e menos nebuloso.

 

Como irá se comportar o ex-prefeito Geraldo Simões caso não seja candidato na sucessão municipal de 2020? Uma interessante pergunta, já que o próprio Geraldo ainda não sabe como responder. Seu futuro político é uma grande incógnita.

Se for um postulante ao comando do centro administrativo Firmino Alves, tudo bem. O ex-gestor de Itabuna, por duas vezes, tem todo direito de tentar novamente ser a autoridade máxima do município.

E se “minha pedinha”, como é carinhosamente chamado, ficar de fora da disputa? Vai apoiar o prefeiturável do governador Rui Costa, que tende a ser o mesmo do prefeito Fernando Gomes, subindo no mesmo palanque?

É bom lembrar que Geraldo Simões ao ser questionado sobre a aliança entre Rui e Fernando, disse que era “casamento de cobra com jacaré”.

Acho que não, principalmente em decorrência desse tratamento dado pela cúpula estadual do PT com o aval do chefe do Palácio de Ondina. O ex-alcaide sequer tem seu nome lembrado para ocupar um merecido espaço na reforma administrativa, obviamente no primeiro escalão.

Geraldo, que fundou o PT em Itabuna, que foi duas vezes prefeito da cidade, deputado federal e estadual, não pode ser isolado como se fosse um “João ninguém”, um político sem nenhuma história. Geraldo é merecedor de uma atenção maior.

Na hipótese de ficar de fora da disputa e continuar sendo defenestrado pelo governo estadual, resta a Geraldo quatro caminhos: 1) fazer corpo mole na campanha do candidato de Rui Costa e Fernando Gomes, 2) se afastar do processo sucessório, 3) apoiar outro prefeiturável; e 4) sair candidato por outro partido.

A possibilidade de mudar de partido já não é assunto proibido no staff petista municipal. Em conversas reservadas, alguns correligionários já discutem até qual a legenda mais viável.

Não sei qual é o sentimento que toma conta de Geraldo Simões diante desse desprezo, cada vez mais escancarado, sem nenhuma preocupação em deixá-lo, politicamente falando, na sarjeta, no ostracismo.

E como fica o diretório municipal diante da pretensão do deputado federal Josias Gomes, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Rui Costa, de ser o candidato da legenda a prefeito de Itabuna? :: LEIA MAIS »

O SENADO E A CASA DE MÃE JOANA

Marco Wense

Presidente do Senado é o quarto da fila na linha sucessória presidencial. Depois do vice Hamilton Mourão e de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, é ele quem ocupa temporariamente o lugar de Jair Messias Bolsonaro nos casos previstos na Carta Magna: morte, incapacidade, suspensão, renúncia, impedimento ou viagem do presidente titular.

Como forma de protesto, vou comentar a disputa pelo cobiçado comando do Senado sem citar nenhum senador ou senadora, sem nominar os “bois”, contrariando o bom jornalismo político.

O processo eleitoral, com o vai e vem e o pega-pega para eleger o presidente da Casa Legislativa, vai ficar na história da República como o mais atrapalhado, digno de uma republiqueta.

Os momentos de tristeza, assentados em uma grande decepção, superaram o de achar tudo engraçado. “Isso é o Senado?” Perguntava para meus próprios botões, como diria o respeitado jornalista Mino Carta, da revista Carta Capital.

Que coisa, hein?! Que palhaçada, que falta de vergonha! A Casa parecia uma casinha bem suja, imunda, como se estivesse muito tempo sem ser limpa, cheia de lixo, baratas, ratos e até cobras venenosas sob os tapetes empoeirados.

Por duas, três ou quatro vezes, em tom alto e carregado de indignação, soltei um PQP. Não estava acreditando que aquilo era o Senado da República Federativa do Brasil.

Teve de tudo: senadora “roubando” pasta de documentos, senador chamando o outro para porrada, regras do Regimento Interno jogadas na sarjeta, muita confusão, bate-boca, renúncias combinadas, interferência do Poder Judiciário (STF) e uma avalanche de comportamentos não adequados ao Parlamento, que terminou virando uma “casa de Noca”.

Vale lembrar que o presidente do Senado é o quarto da fila na linha sucessória presidencial. Depois do vice Hamilton Mourão e de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, é ele quem ocupa temporariamente o lugar de Jair Messias Bolsonaro nos casos previstos na Carta Magna: morte, incapacidade, suspensão, renúncia, impedimento ou viagem do presidente titular.

No frigir dos ovos, restou a boa notícia da desistência do senador que mais tem problemas com a Justiça. Engraçado foi ele dizer, no seu discurso, no maior cinismo do mundo, que “nunca teve projeto de poder”. De repente, o lobo virou carneirinho.

O eleito para comandar o Senado é um bolsonariano do Partido do Democratas, o DEM. O que se espera é que exerça a função com independência e autonomia, sem ficar como marionete e sabujo do Executivo. Que faça do Senado uma instituição de respeito, restaurando a perdida credibilidade perante o eleitor-cidadão-contribuinte.

O espetáculo circense foi salvo pelo aproveitável discurso do “carequinha”, eleito pelo Estado de Santa Catarina.

Até as freiras do convento das Carmelitas ficaram perplexas com a sessão tumultuada do Senado, que tem tudo para ficar como dantes no quartel de Abrantes.

Só Deus na causa, dizem os esperançosos senadores evangélicos, pra lá e pra cá, nos corredores do Congresso Nacional, com o livro sagrado debaixo do braço.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém. Diria o saudoso, polêmico, inquieto e irreverente jornalista Eduardo Anunciação, hoje em um lugar chamado de eternidade.

Marco Wense é articulista político.

PRESTEM MELHOR ATENÇÃO NA MENINA LARISSA DE MACEDO MACHADO!

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

Uma mente criativa e de visão muito além das dezenas de empresários das grandes gravadoras brasileiras. Pegou seu funk de fundo de quintal e está transformando em um pop ESTRATÉGICO mundial.

 

Estou atrasada, eu sei, mas só no último final de semana parei para assistir à série documental Vai Anitta, exibida na Netflix desde o último 16 de novembro. Acompanhava a sua trajetória artística? Não. Conhecia suas músicas? Somente as brasileiras e mais tocadas. Conhecia seus clipes? Somente os exibidos no Fantástico. Mas o que teria me levado a assistir um documentário sobre a sua vida? O quanto ela e sua empresa têm sido citada nos sites e redes sobre Empreendedorismo e Marketing Pessoal. “Tem alguma coisa aí”, pensei. E tem muito mais do que imaginei!

Como bem disse o escritor Fábio Chap, em um texto ainda em 2017, Anitta foi uma das artistas mais desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet no começo de uma carreira. Ironizada por Faustão, Willian Waack, Pitty e por inúmeras outras pessoas públicas. Tudo ao vivo. E tudo isso quando tinha menos de 20 anos.

Acontece que a menina Larissa de Macedo Machado hoje é empresária da própria carreira, nacional e internacional, e já tem no currículo inúmeras músicas mais tocadas mundialmente. Vocês têm noção do que é ter UMA música, UMA vez, por sorte ou destino, como A MAIS TOCADA no mundo? Ela já tem VÁRIAS! Como nenhum outro brasileiro! (Muitas eu conhecia e jurava que eram de Mariah Carey, Beyoncé, dentre outras). Tudo isso e muito mais porque estudou inglês e espanhol, gestão, marketing e cultura. Tudo isso, também, cumprindo uma agenda de shows nacional e gerenciando, pessoalmente, há mais de 3 anos, uma grande equipe.

Inovadora, dinâmica e extremamente inteligente, é conhecida nos bastidores como alguém que cobra e até grita e xinga, mas faz acontecer. Uma das cenas que prova isso acontece na gravação do clipe Vai Malandra, na Favela do Vidigal. Enquanto o país discutiu a sua decisão de mostrar ou não as celulites, a gravação dos bastidores mostra que a equipe contratada não deu conta do recado e que, cansada, ela mesma teria retirado os fones do ouvido de todos, colocado em pessoas da sua família e estrutura profissional, e feito a direção do clipe. Cantou, dançou, encenou e dirigiu um dos vídeos mais polêmicos do universo nacional, ponto fundamental para tamanha visibilidade lá fora. “Única, e por isso o universo artístico mundial despertou para ela!”, diz um dos investidores internacionais.

Mulher, de origem periférica e funkeira, com uma voz boa, mas não excelente, e inúmeras plásticas. Tem entendimento sobre uma depressão no meio da carreira, porque lê e estuda sobre tudo. Pacientemente, se permitiu entristecer, para depois reagir. Uma mente criativa e de visão muito além das dezenas de empresários das grandes gravadoras brasileiras. Pegou seu funk de fundo de quintal e está transformando em um pop ESTRATÉGICO mundial. Prestem melhor atenção na menina Larissa de Macedo Machado! Ela está conquistando o mundo!

Manuela Berbert é publicitária e escreve no blog www.manuelaberbert.com.br.

AS DIFERENÇAS ENTRE BOLSONARO E MOURÃO

Marco Wense

 

 

Para Mourão, a liberdade provisória de Lula para seu último adeus ao ente querido é uma “questão humanitária”.

 

Mais uma vez Hamilton Mourão pensa diferente do presidente Jair Bolsonaro, o que demonstra sua firmeza de personalidade, que não é vice decorativo e nem adorno palaciano.

O caso agora diz respeito ao velório de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do ex-presidente Lula, falecido na terça, 29.

O general Mourão, que vem surpreendendo positivamente o bolsonarismo, com suas posições firmes e sensatas diante dos problemas inerentes a qualquer início de governo, defende a presença do petista-mor no ato fúnebre.

“Perder um irmão é sempre uma coisa triste. Eu já perdi o meu e sei como é”, diz o vice. Para Mourão, a liberdade provisória de Lula para seu último adeus ao ente querido é uma “questão humanitária”.

A Justiça já decidiu que o ex-mandatário não irá ao velório do irmão e nem no enterro. Alegou que não há como evitar um possível tumulto popular, uma manifestação incontrolável.

A juíza da Vara de Execuções Penais de Curitiba, Carolina Lebbos, rejeitou o pedido dos advogados de Lula, acolhendo os argumentos do Ministério Público Federal e ofício da Polícia Federal.

Ao negar o habeas corpus impetrado pela defesa de Lula, Leandro Paulsen, desembargador de plantão do Tribunal Regional Federal (TRF-4), lembrou da prisão do ex-presidente em São Bernardo do Campo, quando os petistas adiaram a entrega de Lula à polícia.

“Por iniciativa do próprio preso e dos seus apoiadores, esses atos acabaram por oferecer risco à segurança pública e ao regular andamento das atividades da Justiça, sendo absolutamente preocupantes e dispendiosos”, finalizou Paulsen.

O exagero ficou por conta de que poderia haver uma fuga do ex-presidente, em uma cena cinematográfica, digna de um bom filme de ação, suspense e aventura.

A reação da cúpula do Partido dos Trabalhadores foi tímida. A presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, que costuma bradar forte, com exagerados e teatrais esperneios, não fez nenhum pronunciamento ao “modo Hoffmann”.

Espera-se a presença de Gleisi no velório e no enterro de Vavá, representando o PT, já que algum filho de Lula deve assumir o lugar do pai nesse ato de despedida.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

FERNANDO, MANGABEIRA, JOSIAS E A DISPUTA DE 2020

Marco Wense

 

É bom lembrar que na última vez que falou sobre a sucessão de 2020, no programa de Roberto de Souza, Rádio Nacional, Josias não descartou a possibilidade de sair candidato a prefeito de Itabuna. Transferiria seu domicílio eleitoral de Ilhéus para a irmã e vizinha cidade.

 

Um, dois, três… De quinze pré-candidatos, somente cinco ou seis vão até o fim disputando a sucessão de Fernando Gomes, prefeito de Itabuna por cinco vezes.

Dificilmente teremos outro político para superar essa marca de ter governado Itabuna em cinco oportunidades, sendo sempre derrotado quando tentava o segundo mandato consecutivo.

Com efeito, nenhum alcaide conseguiu quebrar o tabu de permanecer no cargo pelo instituto da reeleição. O eleitorado itabunense não gosta de reeleger o chefe do Executivo.

O substituto de Fernando, que será conhecido em outubro de 2020, vai sair do grupo do governador Rui Costa ou de Mangabeira, sem dúvida o nome da oposição com mais chances de derrotar o candidato do governismo, seja municipal ou estadual.

O candidato do governador será também o de Fernando Gomes e vice-versa. Não teremos dois postulantes ao Centro Administrativo Firmino Alves dessa aliança. A tendência é pela escolha de um petista.

Nos bastidores, principalmente do Palácio de Ondina, o que se comenta é que Josias Gomes, ex-secretário de Relações Institucionais, seria o nome indicado pela cúpula do PT com o aval de Rui Costa e o ok de Fernando Gomes.

É bom lembrar que na última vez que falou sobre a sucessão de 2020, no programa de Roberto de Souza, Rádio Nacional, Josias não descartou a possibilidade de sair candidato a prefeito de Itabuna. Transferiria seu domicílio eleitoral de Ilhéus para a irmã e vizinha cidade.

Do outro lado, o grupo de Mangabeira com Augusto Castro e todos que querem uma mudança na política de Itabuna, um ponto final no fernandismo, que não pode ser subestimado, continua enraizado e respirando sem ajuda de aparelhos.

Se a eleição fosse hoje, o prefeito de Itabuna seria o médico Antônio Mangabeira, do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

O que chama atenção na sucessão de 2020, é a pretensão de se candidatar dos ex-prefeitos Geraldo Simões, Claudevane Leite e Capitão Azevedo. Os dois primeiros ligados ao PT. O militar a ACM Neto, gestor soteropolitano, presidente nacional do DEM e candidatíssimo ao governo da Bahia no pleito de 2022.

No mais, esperar o desenrolar dos acontecimentos para um comentário mais firme, consistente e com pouca especulação.

Vale ressaltar que especular, dentro de uma certa lógica e racionalidade, é inerente ao jornalismo político. Do contrário, a análise ficaria condicionada ao surgimento do fato, que poderia acontecer até mesmo na véspera do dia da eleição. Portanto, a projeção do que pode vim pela frente é perfeitamente aceitável.

Lá na frente teremos o fernandismo e o petismo de mãos dadas para fazer o sucessor de Fernando Gomes, ilustre integrante do Movimento dos Sem Partido, o MSP.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

OS MUROS DE BOLSONARO (PARTE 2)

Sócrates Santana || soulsocrates@gmail.com

 

 

Vale frisar que os EUA, no caso da carne de frango halal exportada para a Arábia Saudita, também concorrem com Brasil e a Austrália. Mas quem resolveu contrariar os árabes? Não foi o presidente australiano, mas Jair Messias Bolsonaro, supostamente em nome de uma promessa de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

 

“A democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal-entendido”, diria o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, que utilizo – mais uma vez – para ilustrar a política de comércio exterior adotada pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro Ernesto Araújo. Digo, mais uma vez, porque, escrevi na semana passada o artigo “Os muros de Bolsonaro” e fui questionado sobre o uso do termo o “homem cordial” cunhado por Sérgio Buarque, autor do célebre livro “Raízes do Brasil”.

Alguns amigos teceram comentários pertinentes sobre a minha abordagem. Em particular, críticas contra uma maneira equivocada de enxergar o brasileiro como um povo dócil e amável. No lado oposto, recebi críticas de outros amigos por acusar o atual governo de descortês, bem como, um governo contaminado por ideologias sem propósito. Em ambos os casos, assumo a responsabilidade de quem – talvez – não se fez claro o suficiente.

É preciso, contudo, que o leitor compreenda a importância de interpretar sem escolher necessariamente um lado. Não é uma redação do Enem, nem uma filiação partidária. Escrevo para provocar a reflexão e, neste caso, quero demonstrar como o governo de Jair Bolsonaro revela na natureza de suas decisões, particularmente, relacionadas ao comércio exterior, uma ausência de um tradicional componente da formação do povo brasileiro para a tomada dessas decisões, a cordialidade.

Pra começar, gostaria de argumentar contra quem não enxerga nas decisões do presidente Jair Bolsonaro um viés ideológico forte. No texto anterior, relatei telegrama enviado pelo Ministério de Comércio Exterior à ONU, despactuando a participação do Brasil no Pacto Global para a Migração. Também relatei o estremecimento das relações entre Brasil e China, maior parceiro comercial do Brasil. E, por fim, acrescento agora a suspensão recente da importação de carne de frango brasileira por parte da Arábia Saudita, que representa uma demanda para os frigoríficos brasileiros de duas milhões de toneladas ou 50% de toda a carne de frango exportado pelo Brasil por ano para 57 países islâmicos, sendo 22 países árabes. A cortina de fumaça é a transferência da Embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Mas, só que não…

É uma decisão de quem resolveu apostar todas as fichas no segundo maior importador do Brasil, os EUA. Só que preciso reforçar algo que talvez não tenha ficado claro no artigo anterior. Os EUA não anunciaram o aumento de sua participação em nenhum dos principais itens de exportação do nosso país e – pior ainda – ainda concorrem diretamente com a indústria brasileira.

Pela primeira vez, desde 2003, os EUA passaram a vender carne bovina para o Brasil. E, enquanto Jair Bolsonaro brigava com a China, o presidente Donald Trump selava a paz com a liderança chinesa Xi Jinping, que ainda firmou o compromisso de comprar produtos agrícolas (entre eles, a carne e o frango) e industriais dos EUA com o objetivo de “minimizar o desequilíbrio comercial entre os dois países”. E o Brasil? Como fica?

Vale frisar que os EUA, no caso da carne de frango halal exportada para a Arábia Saudita, também concorrem com Brasil e a Austrália. Mas quem resolveu contrariar os árabes? Não foi o presidente australiano, mas Jair Messias Bolsonaro, supostamente em nome de uma promessa de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Mas, não é só isso. E tem relação com o homem cordial, a religião muçulmana e o Pacto Global para a Imigração.

Segundo o diretor-executivo da certificadora de alimentos árabe, Ali Saifi, o Brasil criou laços fortes com as comunidades islâmicas nas últimas décadas e hoje é um dos países mais abertos e respeitosos às nossas tradições e costumes. E por quê respeitar as tradições e costumes é tão importante para uma relação comercial?

Para que estes países possam consumir a carne produzida no Brasil, os frigoríficos precisam seguir alguns rituais descritos no alcorão, livro sagrado do Islã. O animal deve ser abatido por muçulmanos praticantes e a sangria precisa ser feita com o peito do frango virado para Meca. Ou seja: mais imigrantes ou mais muçulmanos. E isso requer um país cordial, sujeito a aproximação com outras culturas, mas, especialmente, capaz de dosar as diferenças entre o público e o privado, encontrando na convergência de interesses particulares de cada povo o caminho para o bem comum. Mais cordialidade, mais emprego.

Em cifras, estima-se que a economia da carne de frango halal global atingiu a marca de US$ 6,4 trilhões em 2018, o dobro dos US$ 3,2 trilhões contabilizados em 2012, conforme dados levantados pela Autoridade de Padrões e Metrologia dos Emirados Árabes ((Esma). E antes de Jair Bolsonaro, as empresas brasileiras abasteciam simplesmente 40% de toda a carne de frango halal consumida na Arabia Saudita. Doeu? Imagina no bolso dos frigoríficos de Santa Catarina?! Imaginou? Só que o volume de prejuízo para o Estado de Santa catarina ainda é incalculável, porque as empresas não repassaram os números previstos de exportação. Ao todo, somente em Santa Catarina, 19 indústrias perderam a certificação e outras já foram desativadas.

O fato é que um dos lemas da campanha de Jair Bolsonaro foi “menos Brasília, mais Brasil”. Viria bem a calhar, neste momento, saírem de cena e assumirem o papel de um governo ausente – pelo menos – nas relações comerciais brasileiras. Se não pode ajudar, como diz o ditado popular, não atrapalha.

Sócrates Santana é jornalista e gestor de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia.






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