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:: ‘Artigos’

O ENFRAQUECIMENTO DO “LULA LIVRE”

Marco Wense

 

 

O “Lula Livre” precisa de oxigênio, sob pena de definhar e desaparecer. Luiz Inácio Lula da Silva não merece essa indiferença dos “companheiros”.

 

 

O enfraquecimento do movimento “Lula Livre”, com a militância do PT acomodada, vem deixando o ex-presidente Lula muito chateado com os companheiros.

A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda, não menciona, pelo menos em público, a tristeza de Lula, que já aceita a possibilidade da prisão domiciliar, o que exige uma mudança no seu comportamento diante da Justiça.

Pessoas mais próximas do ex-presidente, que o conhecem muito bem, não só política como pessoalmente, falam até de início de depressão.

Essa acomodação da militância é muito pior do que ficar preso, do que a falta de liberdade e a solidão do encarceramento. A decepção e a ingratidão são ingredientes perversos no processo político.

Parece que o Lulopetismo jogou a toalha, não acredita mais em uma reviravolta que coloque Lula solto e com os direitos políticos restabelecidos, podendo disputar a próxima sucessão presidencial.

Esqueceram as ruas, guardaram as bandeiras vermelhas. A impressão é que todos estão hibernados, esperando a ajuda Divina. A esperança, palavra tão usada nos discursos do PT, já não é citada como em priscas eras.

Como não bastasse a dureza dos mais de 365 dias na prisão, tem a frieza da militância e, principalmente, de algumas lideranças políticas, hoje preocupadas exclusivamente com seus interesses e sua sobrevivência política.

O “Lula Livre” precisa de oxigênio, sob pena de definhar e desaparecer. Luiz Inácio Lula da Silva não merece essa indiferença dos “companheiros”.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

CHARLIANE TENDE A DESBANCAR AZEVEDO NO DEM

Marco Wense

 

Com Charliane fica mais fácil uma composição com outros prefeituráveis que se encaixem nessa reviravolta que o DEM busca para inserir o partido em uma nova paisagem.

 

 

A qualquer momento, não passando deste mês de abril, a executiva estadual do DEM, agora sob a batuta de Paulo Azi, deve indicar um nome para comandar a legenda em Itabuna.

O demismo na cidade, que era controlado por Maria Alice, se encontra acéfalo desde o rompimento de Fernando Gomes com ACM Neto na última sucessão municipal.

Dois nomes disputam a indicação de Azi, obviamente com o aval do alcaide soteropolitano, hoje presidente nacional do Partido do Democratas: o ex-prefeito Azevedo e a vereadora Charliane, ambos filiados ao PTB.

Quem apostar suas fichas na edil, que faz um bom trabalho na Casa Legislativa, com uma dura oposição ao governo municipal, vai ganhar um bocado de dinheiro.

São muitos pontos que fazem Charliane (foto abaixo) ser a favorita. Vou citar o que considero como os principais, deixando até de lado o fato de ser mulher, o que pesa bastante na hora da definição, diminuindo assim o impregnado machismo que toma conta do processo político.

1) Charliane é vereadora de oposição ao governo Fernando Gomes, o que agrada em cheio o prefeito de Salvador, que não quer saber do ex-aliado nem pintado de ouro.

2) Nos bastidores do Palácio Thomé de Souza, entre correligionários mais próximos de ACM Neto, a opinião unânime é de que Azevedo pode ter uma recaída ao fernandismo. Não é politicamente confiável.

3) Charliane, no comando do DEM de Itabuna, encarna a mudança que Paulo Azi pretende dar ao partido, oxigenando a legenda com políticos que não sejam enquadrados como “velhas raposas”.

4) Com Charliane fica mais fácil uma composição com outros prefeituráveis que se encaixem nessa reviravolta que o DEM busca para inserir o partido em uma nova paisagem.

Portanto, a vereadora Charliane encaixa perfeitamente no que quer Azi para o DEM, preparando o partido para a disputa do Palácio de Ondina na eleição de 2022.

O amigo Jerberson Josué, do grupo Reage Itabuna, tem toda razão quando diz que Charliane “é uma liderança que vai fazer ressurgir o DEM”.

Confesso que a escolha de Azevedo é uma grande e inesperada surpresa para o modesto Editorial do Wense, cada vez mais elogiado por muitos e também criticado.

Nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos. O couro tem que ser de crocodilo. Não é fácil. Vamos até o editorial 300, conforme combinado com meus próprios botões, como diria o irreverente, polêmico e bom jornalista Mino Carta.

Marco Wense é analista político do Diário Bahia.

PEQUENAS MENTIRAS. GRANDES NEGÓCIOS

Andreyver Lima

 

 

Os últimos acontecimentos, impulsionados também pelas redes sociais, ampliaram os escândalos, transformando mentiras em contradições como um novo modo de fazer política. Os políticos foram longe demais?

 

Muito presente na vida privada, as mentirinhas, estão também intimamente ligadas à política. E está mais presente nesse mundo da pós-verdade, em que crenças e convicções se sobrepõe a fatos comprováveis.

A Arte da política necessariamente passa pela arte de omitir informações, que são ou não favoráveis ao político. Ela bebe da fonte de exacerbar as informações que são favoráveis até a completa ocultação da verdade. Nesse jogo do mostrar e omitir, a maioria dos cidadãos não se dão conta no que realmente importa, com consequências diferentes à sociedade. A história política brasileira tem suas ‘mentirinhas’, inclusive para deflagração de golpes de estado como no caso de Getúlio Vargas, em que um documento foi fraudado para convencer a população de que o Brasil estava sob ameaça comunista, resultando no golpe do estado novo e o fechamento do Congresso Nacional em 1937.

Ao redor do mundo não é diferente. A mentira está lá sempre, independente do partido político ou da nacionalidade, afinal nem toda mentira é igual, pois há vários tipos de discursos. A mentira acontece quando a informação é claramente falsa, mas é dita pelo político como se fosse verdade e ganha vantagem, saindo na frente dos demais. Entretanto a distorção de dados, enfatizados ou ignorados, também podem ser de acordo com os interesses estão em jogo, tirando o foco da informação que é desfavorável naquele momento. Além da ocultação de informação, quando simplesmente a verdade desaparece.

Existe a mentira justificável que parte de um líder político. O filósofo chinês Confúcio dizia que, quando a verdade prejudicasse uma família ou a Nação, a mentira poderia ser usada. Aristóteles, pensador grego, só aceitava duas maneiras de mentir: diminuindo ou aumentando uma verdade. Na Grécia Antiga, Platão ensinava que “a mentira enfeia a alma, mas é perdoável quando atende a interesses de Estado”.

Desde o Renascimento se discorre sobre a utilidade da mentira para conquistar e manter o poder. Os últimos acontecimentos, impulsionados também pelas redes sociais, ampliaram os escândalos, transformando mentiras em contradições como um novo modo de fazer política. Os políticos foram longe demais? Platão talvez sofreria para encontrar uma solução.

Andreyver Lima é comentarista político no Jornal Interativa News, da 93,7 FM, e editor do sejailimitado.com.br

O PREÇO DA LIBERDADE

Josias Gomes

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

Quanto vale a liberdade de expressão? Sabemos que a liberdade não se negocia, não pode ser precificada. Esse texto tem o compromisso histórico de alertar muitos jovens que apoiam regimes totalitários e golpes militares com toda força que os opressores conseguiram penetrar em suas mentes.

O jovem, por si só, é um libertário e contestador nato, contudo num mundo opressor teriam as suas palavras e ações silenciadas. Durante os regimes democráticos, todo cidadão tem o direito de concordar ou não com um modelo político.

Na Ditadura Militar, não!

Uma ilustração clara é a do jornalista Reinaldo de Azevedo, que falou: “Eu escrevi uma matéria contra o Bolsonaro e fui ameaçado de morte. Eu escrevi quatro livros contra o PT e nunca fui ameaçado de morte”.

Cálice é uma canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, feita durante os anos atômicos da Ditadura Militar. Escolhi essa canção emblemática que foi censurada pelos milicos porque tem diversas metáforas que denunciavam um Brasil amputado e podemos fazer analogias com os dias atuais.

Cálice é uma canção poética poderosa que se refere ao silêncio obrigado da população brasileira. De uma maneira magistral, Chico e Gil (com interpretação livre) denunciam a tragédia vivida pelo povo brasileiro, comparando com o calvário que Jesus sofreu até a sua crucificação.

Em um verso da canção eles cantam: “Como beber dessa bebida amarga”. O vinho, que é para celebrar a vida, está cheio de sangue, amargo, adulterado por censura, desaparecimentos, torturas e morte. O cale-se da Ditadura é feito de ópio.

Jovens, não caiam no canto da serpente. Este canto triste pode durar décadas, gerações, e amanhã vocês podem ser senhores e senhoras arrependidos.

Provavelmente, muitos jovens não conheçam a canção Cálice, porque existe um processo de alienação brutal provocado pela mídia, indústria cultural, onde tentam apagar a memória de luta do povo, artistas e intelectuais brasileiros. Cálice é um hino da minha geração que lutou por um mundo livre, plural, sem vinhos envenenados de ódio e paranoia.

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

“Mesmo calada a boca, resta o peito”.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR-BA).

OS PREFEITURÁVEIS DO NOVO EM ITABUNA

Marco Wense

 

 

Edmilton Carneiro, Rafael Andrade e Ronaldo Abude integram a banda da política que ainda não apodreceu.

 

Em entrevista ao repórter Jota Silva, na Rádio Jornal de Itabuna, Gabriel Venturoli, presidente do Partido Novo na Bahia, falou sobre o comportamento que a legenda deve ter na sucessão do prefeito Fernando Gomes.

Satisfeito com a reunião em Itabuna, Venturoli disse que a agremiação partidária pretende disputar o cobiçado centro administrativo Firmino Alves na eleição de 2020.

Sobre coligações, o comandante estadual não descartou conversar com outras legendas, desde quando tenham posições e pensamentos bem parecidos com o Partido Novo.

Em relação as chamadas raposas políticas, deixou bem claro que quer distância. Não citou nomes, mas ficou subentendido que se referia aos ex-prefeitos da cidade e o atual, já alcaide por cinco vezes.

No que diz respeito ao governador Rui Costa (PT), reeleito para um segundo mandato consecutivo, não deixou nenhuma dúvida de que o Novo fará oposição.

No tocante ao governo Bolsonaro, como não houve nenhum questionamento, ficou no ar se apoia ou não. A reforma da Previdência não foi assunto da pauta.

Nas entrelinhas ficou claro que o advogado Edmilton Carneiro, presidente da OAB local, o médico Rafael Andrade e o empresário Ronaldo Abude são os prefeituráveis da legenda e os que vão ficar na linha de frente do Novo.

Portanto, mais um partido de olho na prefeitura de Itabuna, com um discurso que sempre atrai uma parcela significativa do eleitorado: a nova política.

O difícil é convencer os ressabiados de que não se trata de mais uma jogada de marketing. E aí não tem como não lembrar do surgimento do “Novo PMDB”. Deu no que: virou o MDB de Michel Temer, Moreira Franco, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Pezão, Geddel e companhia Ltda.

Que o Novo não seja mais um no meio dessa enxurrada de legendas. A grande maioria com caciques que se acham proprietários do partido, usando esse controle para obter vantagens pessoais.

O Partido Novo em Itabuna tem tudo para dar certo. Não vai ser fácil. O saudoso jornalista Eduardo Anunciação dizia que o couro tem que ser de crocodilo para enfrentar o movediço e traiçoeiro mundo da política.

O Partido Novo está em boas mãos. Edmilton Carneiro, Rafael Andrade e Ronaldo Abude integram a banda da política que ainda não apodreceu.

O modesto Editorial do Wense deseja tudo de bom e uma caminhada sem muitos obstáculos.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

PACIÊNCIA E SABEDORIA

Marco Wense

 

O que o povo brasileiro deseja é responsabilidade dos homens públicos, sob pena do bolsonarismo levar o país para o caminho do brejo, ressuscitando o “sapo barbudo”, como era chamado o ex-presidente Lula pelo saudoso Leonel Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

 

 

É preciso acabar com essa bobagem de que quem critica o governo Bolsonaro é petista. Do contrário, vai virar uma grande idiotice.

É só falar qualquer coisita do desastroso começo do governo de plantão para que seja logo taxado de esquerdista e lulista de carteirinha.

Temos que reconhecer que é uma estratégia interessante, que termina funcionando e inibindo quem tem pavor de ser rotulado de petista.

Conheço algumas pessoas que já deixaram de comentar sobre a gestão bolsonariana nas redes sociais. “Eles não aceitam opiniões contrárias ao governo, mesmo que seja uma crítica construtiva”, desabafa um deles.

Ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem que o governo Bolsonaro precisa deixar as picuinhas e o disse-me disse e cair na realidade de que é preciso governar, que os problemas são muitos e a maioria exigindo rapidez, sob pena do “trem verde e amarelo” sair de vez do trilho.

Todos os dias tem bate-boca entre o Executivo e Legislativo. A orientação constitucional de que os poderes devem ser harmônicos e independentes entre si é jogada na sarjeta, o que não é bom para o Estado democrático de direito.

Dizer que a situação não é preocupante é o primeiro sinal de cegueira diante dos fatos. É como querer tapar o sol com uma peneira.

A Reforma Previdenciária está subindo no telhado e, pelo andar da carruagem, com esse pega-pega entre os presidentes Jair Bolsonaro (República) e Rodrigo Maia (Câmara dos Deputados), vai continuar lá, esperando que eles se entendam e passe a pensar no Brasil, deixando a politicagem de lado.

O esforço tem que ser direcionado para melhorar a situação do cidadão-eleitor-contribuinte. Não pode gastar energia com briguinhas pessoais e fofoquinhas diárias.

Portanto, o que o povo brasileiro deseja é responsabilidade dos homens públicos, sob pena do bolsonarismo levar o país para o caminho do brejo, ressuscitando o “sapo barbudo”, como era chamado o ex-presidente Lula pelo saudoso Leonel Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

PS – E por falar no PDT, próximo mês de agosto faço 32 anos de filiação. Foi minha primeira e única legenda. Tive a honra e o prazer de ser o presidente do PDT de Itabuna por duas vezes. Tempos bons, quando a convicção, coerência e o forte e inabalável posicionamento ideológico ditavam o caminho a ser percorrido. Tive como padrinho político, o brizolista mais brizolista de todos, o também saudoso engenheiro Dagoberto Brandão, fundador do partido em Itabuna, hoje em um lugar chamado de eternidade.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A NOVA POLÍTICA DE BOLSONARO

Marco Wense

 

Além de todos os obstáculos que o presidente Bolsonaro tem que ultrapassar, cada vez mais complicado em decorrência da falta de diálogo com o Poder Legislativo, ainda tem um Olavo de Carvalho pela frente.

 

Quero logo dizer que não sou adepto da política do “quanto pior, melhor”. Torço para o sucesso de qualquer governo, independente a que partido pertença ou ao campo ideológico.

Inaceitável, no entanto, são os defensores do governo Bolsonaro acharem que as críticas sejam para alimentar o desejo de que as coisas piorem e caminhem até mesmo para um impeachment.

Ora, é inquestionável que o começo do governo Bolsonaro está sendo ruim. Nunca na histórica da República Brasileira se presenciou um início de gestão tão conturbado. É a verdade. Contra fatos não há argumentos.

E o pior é que fica parecendo que está tudo tranquilo, que as coisas estão caminhando a contento. Enquanto a crise política corre solta na Câmara dos Deputados, em torno da Reforma Previdenciária, o presidente Jair Messias Bolsonaro vai ao cinema com a primeira-dama em plena luz do dia, salvo engano às 9 horas.

Para colocar mais lenha na fogueira do imbróglio entre os poderes Executivo e Legislativo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não vai à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Parlamento para explicar sobre as propostas que alteram o sistema de aposentadorias.

Os mais lúcidos que integram o governo têm que alertar sobre a importância e a imprescindibilidade de se fazer um bom governo. O povo brasileiro, principalmente os que mais necessitam, não aguenta mais uma gestão desastrosa.

Como não bastassem os problemas internos, tem um Olavo de Carvalho com prestígio no bolsonarismo, incendiário e sem meias palavras, soltando o verbo sem medir as consequências.

Olavo, muito próximo do presidente Bolsonaro, uma espécie de guru filosófico, já foi chamado de “desequilibrado” pelo general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo.

Olavo, o sem papas na língua, já disse que o núcleo militar do governo tem “mentalidade golpista” e que o vice-presidente Hamilton Mourão seria “estúpido” e “idiota”.

Pois é. Além de todos os obstáculos que o presidente Bolsonaro tem que ultrapassar, cada vez mais complicado em decorrência da falta de diálogo com o Poder Legislativo, ainda tem um Olavo de Carvalho pela frente.

Faltando pouco para os cem dias de governo, o que predomina é a incerteza e a certeza de que as coisas podem piorar. Infelizmente.

PS – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC, figura principal da “Privataria Tucana”, tem razão quando diz que “os partidos são fracos, o Congresso é forte. Presidente que não entende isso não governa e pode cair”. Ontem, 26, em votação relâmpago, a Câmara dos Deputados, presidida pelo demista Rodrigo Maia, retirou do governo poder que tinha sobre o orçamento. Outros exemplos de que o Parlamento é forte, podem acontecer a qualquer momento. Se esse indispensável diálogo não está acontecendo entre o Executivo e Legislativo, em decorrência do vergonhoso toma lá, dá cá, como alega o governo, aí é complicado.

O presidente Bolsonaro passa a ter razão, afinal foi promessa de campanha a implantação na “nova política”. Com efeito, esses slogans de novo isso, novo aquilo, é um marketing manjado. A sabedoria popular costuma usar a seguinte expressão: “Me engana que eu gosto”.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

UM DIA DE REFLEXÃO POSITIVA SOBRE O CACAU

Gerson Marques | gersonlgmarques@gmail.com 

 

Hoje, o sul da Bahia tem duas universidades públicas, dois Institutos Federais de Educação, alguns Institutos estaduais, centros de pesquisas e muitas iniciativas privadas voltadas ao universo do cacau, chocolates e derivados, além da sinergia com outros seguimentos como turismo, agroindústria, cosméticos e movelaria.

Hoje é o dia do Cacau, um momento de reflexão positiva para quem trabalha com esta fruta amazônica, considerada um dos alimentos mais nobres da humanidade, exatamente no momento em que construímos com muitas mãos uma nova realidade em seu contexto.

O sul da Bahia não é o berço do Cacau, mas é onde sua história moderna começou a ser escrita, na condição de agricultura. A cacauicultura é uma criação baiana de quase três séculos, apesar do cacau ter registros históricos com os Olmecas datada de dois mil anos AC.

No sul da Bahia o Cacau plantou uma civilização, com todas as mazelas e contradições dos modelos econômicos da colonização brasileira, foi um grande concentrador de riquezas nas mãos de poucos e deixou no rastro uma parcela significativa de pobreza e miséria, refletida em índices extremamente baixos de desenvolvimento social.

Por outro lado, promoveu a implantação de uma infraestrutura única para uma região do interior do Nordeste, fez surgir dezenas de cidades, vila e povoados, em especial as cidades de Itabuna e Ilhéus que são os centros econômico e político da zona cacaueira.

Promoveu também o erguimento de uma civilização própria, ainda que inserida no contexto geopolítico da Bahia, a mesorregião cacaueira do Sul Baiano e seu litoral, chamado de Costa do Cacau, reúne características culturais, econômicas e geográficas distintas das demais áreas da Bahia, em algum momento denominada de civilização Grapiúna.

Existem diversos aspectos a serem estudados sobre a importância e significado do cacau nesta região, mas um extrapola em evidencias, trata-se de sua relação com a Mata Atlântica, o modelo Cabruca de condução da lavoura, que ajudou a salvar mais de quatrocentos mil hectares de florestas com relativo grau de preservação, situação de importância vital, visto que nesta região encontra-se uma das áreas de maior concentração de biodiversidade do planeta, onde chaga a coexistir mais de quatrocentas e cinquenta espécies diferentes de vegetais em um só hectare, classificado pela Conservação Internacional (CI), entre os cinco primeiros colocados na lista de “hotspots” do planeta.

A profunda crise econômica que se abateu sobre o modelo da cacauicultura regional, primeiro pela concorrência da África e depois pela contaminação com a Vassoura de Bruxa, levou os produtores de cacau do Sul da Bahia a se reinventarem, tornando-se produtores de chocolates “bean to bar e tree to bar”, cacau fino, cacau orgânico, e ampliando em muito as derivações do cacau em produtos que nem existiam comercialmente há alguns anos como o nibs, cervejas de cacau entre outros.

Hoje a região tem um olhar positivo e proativo em relação ao cacau, com profundas mudanças no modelo sócio econômico resultante da áspera realidade da forte crise, com o passar dos tempos, já são trinta anos convivendo com a vassoura-de-bruxa, ouve uma melhora no perfil da inclusão social, nos dados socioeconômicos como um todo e na diversificação da matriz econômica, na maior parte da região atualmente predomina a agricultura familiar como produtora de cacau, apontando também para uma diversidade produtiva, e forte cultura preservacionista e sustentável.

É de se esperar para os próximos anos impactos significativos deste novo modelo na economia regional, o cacau e todo seu entorno biodiverso entrou com força na academia. Hoje, o sul da Bahia tem duas universidades públicas, dois Institutos Federais de Educação, alguns Institutos estaduais, centros de pesquisas e muitas iniciativas privadas voltadas ao universo do cacau, chocolates e derivados, além da sinergia com outros seguimentos como turismo, agroindústria, cosméticos e movelaria.

Gerson Marques é presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia.

O JUDICIÁRIO E A LIBERDADE DE TEMER

Marco Wense

 

 

É evidente que o Poder Judiciário não pode ficar imune às críticas, muitas delas com argumentos consistentes e protegidos com provas, assim como os membros do Executivo e Legislativo falham, os da Justiça não são infalíveis, cometem também seus desatinos.

 

O ex-presidente Michel Temer já está em casa. Sem dúvida, um maravilhoso paraíso quando comparado com a cadeia, onde passou quatro longos dias.

Sua prisão preventiva foi revogada por Antônio Ivan Athié, desembargador do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, o TRF-2, cuja alegação principal é que “os indícios não servem para justificar a prisão preventiva”.

Vale ressaltar que a maneira como ocorreu a prisão de Temer foi contestada por partidos rotulados de esquerda, como o PT, e lideranças do campo de centro-esquerda, como Ciro Gomes, ex-candidato à presidência da República pelo PDT.

A defesa de Michel Temer, que foi o maior articulador do impeachment de Dilma Rousseff, está cometendo o mesmo erro do PT em relação a Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, atacando o Judiciário e, como consequência, atiçando o corporativismo da magistratura.

É evidente que o Poder Judiciário não pode ficar imune às críticas, muitas delas com argumentos consistentes e protegidos com provas, assim como os membros do Executivo e Legislativo falham, os da Justiça não são infalíveis, cometem também seus desatinos.

Em nota, o corpo de advogados de Temer diz que os homens da Justiça “usam a toga para agirem como justiceiros e, a pretexto de combaterem a corrupção, violam as mais comezinhas noções de Direito”.

Há hoje um consenso no petismo de que os ataques ao Judiciário, principalmente tendo Gleisi Hoffmann como porta-voz, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, passaram do ponto. Foram irresponsavelmente exagerados e provocativos.

Portanto, o bom conselho que se pode dá ao ex-presidente Temer, é que ele diga a sua defesa para não seguir o caminho do PT.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

WAGNER E A DISPUTA NO PT BAIANO

Marco Wense

 

 

Confesso que não tinha essa informação sobre esse inesperado propósito de Jaques Wagner de presidir o Partido dos Trabalhadores, cuja estrela não é mais cintilante como em priscas eras.

 

 

Matéria do Política Livre, do jornalista Raul Monteiro, diz que o ex-governador Jaques Wagner deseja assumir o comando estadual do PT.

A legenda está sob o controle de Josias Gomes, integrante do primeiro escalão do governo Rui Costa como secretário de Desenvolvimento Rural (SDR).

Josias, aliado do presidente do PT, o ex-ceplaqueano Everaldo Anunciação, ganhou projeção política com o ex-prefeito Geraldo Simões, que o acolheu quando gestor no primeiro mandato. “Minha pedinha”, como é chamado por alguns petistas e muitos eleitores, foi alcaide de Itabuna por duas vezes.

A pretensão do ex-geraldista de carteirinha, de fazer o sucessor de Anunciação, mantendo o PT sob sua batuta, é perfeitamente normal e legítima. Josias quer um outro Everaldo, confiável, fiel e extremamente obediente.

O que chama atenção é o fato de Wagner estar na disputa pela presidência da legenda, já que, como senador, terá pela frente um árduo trabalho na Casa Legislativa, principalmente fazendo oposição ao Governo Bolsonaro.

E qual seria a intenção do ex-chefe do Palácio de Ondina na disputa pelo comando da sigla? É a pergunta que começa a circular nas hostes do petismo, inclusive com o conhecimento do ex-presidente Lula, que, de dentro da prisão, acompanha os passos dos companheiros.

Wagner, como postulante ao lugar de Everaldo, ex-vereador em Itabuna, é a prova inconteste que a vontade de derrotar Josias Gomes é grande. Qualquer outro adversário é tido pelos josianistas como fácil de vencer. A vitória seria dada como favas contadas.

Segundo o sempre bem informado Raul Monteiro, a eleição para a escolha do substituto de Everaldo foi adiada, “sob o argumento de que o partido precisa concentrar suas energias na oposição ao governo Bolsonaro (PSL)”.

Wagner versus Josias. O governador Rui Costa, mais cedo ou mais tarde, vai ter que tomar uma posição. É o que espera seu “criador político”, que sempre ficou do seu lado quando a maioria das lideranças expressivas da legenda não o queria como candidato ao governo do Estado.

Josias Gomes até que tentou ser o candidato do PT. Fez várias manobras para fritar Rui Costa, na época secretário de Relações Institucionais do então governo Wagner.

Cabe agora, até mesmo como reconhecimento ao esforço que Wagner fez para lançá-lo como candidato à sua sucessão, com as pesquisas apontando Rui com pouco mais de 2%, o apoio explícito do governador, sem arrodeios e meias palavras.

Confesso que não tinha essa informação sobre esse inesperado propósito de Jaques Wagner de presidir o Partido dos Trabalhadores, cuja estrela não é mais cintilante como em priscas eras.

PS (1) – O sonho de Josias Gomes é sair candidato a prefeito de Itabuna com o apoio do PSB, PCdoB, PP, PR, PSD e outras legendas da base aliada do governador Rui Costa. O maior obstáculo é o diretório do PT de Itabuna, sob o controle de Geraldo Simões, ainda na dúvida se disputa ou não o centro administrativo Firmino Alves na sucessão de 2020. Mesmo que o ex-prefeito desista de ser um prefeiturável, dificilmente apoiaria Josias. Até as freiras do convento das Carmelitas sabem os motivos.

PS (2) – Fazendo uma comparação tupiniquim, diria que Geraldo Simões é o “Senhor de Ferro” do PT de Itabuna, assim como Maria Alice, secretária de Governo, continua sendo a “Dama de Ferro” do prefeito Fernando Gomes.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA…

Luciano Veiga

 

 

Que construamos uma sociedade consciente, para que possamos ter o que brindar no amanhã que se aproxima. Que nesta taça tenhamos o líquido da vida em vez da areia da morte.

 

No Dia Mundial da Água, estamos longe de comemorar. Os governos e os povos aceleram o processo de esgotamento das reservas deste precioso líquido, com políticas cada vez mais predatórias, com expansão das fronteiras produtivas eliminando nascentes, áreas de recarga, ampliando o nível do aquecimento global, poluindo rios e mares. Somos, portanto, o ser vivo mais predador que ocuparam e ocupam o Planeta Terra.

A água é dos elementos fundamentais para a manutenção da vida dos seres vivos. Isso todos sabem. Podem até refletir em relação ao tema, bebendo um copo de água, ou se preferir degustando um de seus subprodutos, uma cerveja, vinho, dentre tantos que tem a água como a sua matéria prima principal.

Porque então um líquido tão precioso e essencial é renegado a condição de extrativismo descabido, onde as suas fontes e nascentes são eliminadas, diminuído as nossas reservas, levando as gerações presentes e futuras a brigar pela água de cada dia.

Os riachos viraram esgotos, drenos poluídos ao céu aberto. Doenças e epidemias já sucumbidas retornam com a bandeira da morte, ceifando vidas, não só mais as severinas, mas do Oiapoque ao Chuí.

Nossa terra, nossa gente, não percebe, não entende que quando tiveres com a cuia na mão, a pedir e clamar por água, sentado ao lado de um riacho, sem nome, sem história, porém correndo água que não se pode beber e nem usar, como salina fosse, vais perceber que toda sua riqueza não mata a sua sede e nem salva a sua vida.

A água não tem limites territoriais, é plural. Nos ensina que só com a participação de todos podemos reverter o seu rumo, garantir as suas fontes, reservas e produzir água. A água que corre pelo esgoto, tem no saneamento básico como direito fundamental para o desenvolvimento da cidadania.

Quando desmatamos as florestas deixamos de produzir 20 trilhões de litros de água. Os rios detém apenas 1% da água doce disponível. Dois bilhões e meio (2,5 bilhões) de pessoas não têm acesso ao saneamento básico e está situação só se agrava. Com aquecimento global, estamos também perdendo as nossas reservas de água doce. O verão de 2019 foi considerado um dos mais quentes dos últimos cem anos, com um agravante, o efeito estufa, em que a sensação térmica é ampliada em até 4 graus. Pessoas, animais e plantas foram vítimas, sofrendo danos, muitos destes fatais.

Os investimentos em saneamento básico são sustentáveis também do ponto de vista econômico, não só pela diminuição de 80% das doenças que produz. Segundo estimam especialistas, a cada R$1 investido pelo Governo em saneamento básico, o sistema de saúde economiza R$4 no tratamento de doenças causadas pela ausência de tratamento de água e esgoto. Além do que, os esgotos podem ser transformados em energia, gerando uma importante fonte de receita.

No Brasil, é preciso entender que a responsabilidade de cuidar, investir e transformar a nossa realidade na Política da Água é de todos. Este conjunto de ações que compõem o seu mosaico, pode até ser recortado para que cada um dos agentes trabalhem o seu quadrado, mas depois de trabalhado, as peças voltam ao quadro. A água não é una, é plural, não é um recorte, é parte de um todo.

A água nossa de cada dia, nos daí hoje a força e a fé, nos faça agir e lutar, que unamos os povos em vez de dividi-los.

Que construamos uma sociedade consciente, para que possamos ter o que brindar no amanhã que se aproxima. Que nesta taça tenhamos o líquido da vida em vez da areia da morte.

Luciano Robson Rodrigues Veiga é administrador, especialista em Planejamento de Cidades e coordenador executivo da Amurc.

A POLÍTICA MINÚSCULA

Marco Wense

 

Fico a imaginar a imagem do Brasil lá fora, lá nos estrangeiros, como diz o povão de Deus. Dois ex-presidentes presos, troca de acusações entre os Poderes da República, declarações desastrosas de gente do primeiro escalão do governo Bolsonaro e o cotidiano noticiário da corrupção.

 

 

A primeira preocupação com a prisão de Michel Temer foi em relação ao trâmite da reforma Previdenciária nas duas Casas do Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e Senado da República.

Se o MDB, legenda do presidiário Temer, iria causar problemas ao governo Bolsonaro como forma de vingar do calabouço a que será submetido o ex-presidente. Se os parlamentares do emedebismo, mais especificamente os temistas, ficariam rebeldes e incontroláveis.

Mas logo perceberam que o MDB não era o ponto principal no tocante às reformas que o governo Bolsonaro pretende aprovar no Parlamento, cuja tradição é a política do toma lá, dá cá.

Quem passou a assumir a preocupação maior foi o também preso Moreira Franco, ex-governador do Rio de Janeiro e político influente da era temista no Palácio do Planalto.

E agora? É a pergunta entre os senhores parlamentares, se referindo ao fato de que Moreira Franco é sogro de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que tem a prerrogativa regimental de pautar os projetos.

Outro detalhe é que o PT, pelo menos até ontem, foi a única legenda que condenou o ato da Polícia Federal, obviamente com o aval de Sérgio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública. O PT emitiu uma nota se posicionando contra a prisão de Michel Temer. Só faltou a palavra solidariedade.

Teremos o “Lula Livre” e o “Temer Livre” disputando quem vai ser solto primeiro, se a maior liderança do petismo ou o articulador-mor do impeachment de Dilma Rousseff.

A prisão de Temer joga um balde de água fria no discurso de que a Justiça está perseguindo Lula. Só falta a prisão de Aécio Neves para que a água fique mais gelada. O ex-presidenciável tucano parece imune diante dos rigores da lei, do “dura lex, sed lex”.

Fico a imaginar a imagem do Brasil lá fora, lá nos estrangeiros, como diz o povão de Deus. Dois ex-presidentes presos, troca de acusações entre os Poderes da República, declarações desastrosas de gente do primeiro escalão do governo Bolsonaro e o cotidiano noticiário da corrupção.

Pois é. Eles, os políticos, os com “p” minúsculo, simulacros de homens públicos, contam com a sorte de ter um povo pacífico e acomodado, sem vontade de “arrancar” suas orelhas.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

MAIA, MORO E O COPIA E COLA

Marco Wense

 

Maia versus Moro. Um embate interessante, que tende a sair como vitorioso quem tem mais vivência e experiência política. Sem dúvida, Rodrigo Maia, do Partido do Democratas (DEM).

 

De um lado, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, do outro Sérgio Moro, ex-juiz da Lava Jato e atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

O impasse promete fortes emoções. As declarações de ambos são picantes. Maia chegou a chamar Moro de “funcionário do presidente Bolsonaro”, que está “confundindo as bolas”. Conclui o desabafo dizendo que “está ficando uma situação ruim para ele”, obviamente se referindo ao ex-juiz.

O imbróglio gira em torno da pressa para aprovar o projeto contra o crime organizado e o combate à corrupção. “Que o projeto tramite pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer”, diz Sérgio Moro.

Não satisfeito com a crítica pública de Moro, o presidente do Parlamento federal chegou a dizer que o ex-juiz está copiando o projeto de Alexandre de Morais (STF). “Tem poucas novidades no projeto dele. Vamos apensar um ou outro projeto, mas o prioritário é o do ministro Alexandre de Morais”, alfinetada Rodrigo Maia.

Maia acha que Moro quer atropelar o trâmite normal a que deve ser submetido qualquer intenção, seja pelo próprio Legislativo, Executivo ou Judiciário. Moro, por sua vez, insinua que Maia não está demonstrando interesse por suas propostas contra os diversos tipos de crimes.

Pois é. Maia versus Moro. Um embate interessante, que tende a sair como vitorioso quem tem mais vivência e experiência política. Sem dúvida, Rodrigo Maia, do Partido do Democratas (DEM).

Os Poderes da República estão cada vez mais rebeldes com o preceito constitucional de que devem ser independentes e harmônicos entre si, o que não é nada bom para a solidez do Estado democrático de direito.

PS – Revendo minhas anotações, o modesto Editorial do Wense foi programado para encerrar no número 300. Peço desculpas aos leitores. Vamos seguir em frente. Um abraço a todos.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS ALCANÇA O DIAMANTE – 60 ANOS DE INSTITUCIONALIDADE E DE IMORTALIDADE GRAPIÚNA

Efson Lima

Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los

Certo dia, falei a uma pessoa que estava pesquisando sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI). A interlocutora indagou: Por qual razão pesquisar sobre a Academia de Letras de Ilhéus? Agora, aproveito o momento para responder e abordar quanto essa instituição tem colaborado com a Bahia e a literatura nacional.

A Academia de Letras de Ilhéus alcança os 60 anos, precisamente em 14 de março de 2019. O professor Arléo Barbosa, historiador e membro da ALI, registra em Notícia Histórica de Ilhéus (2013) que a data para fundar a Academia foi escolhida em homenagem ao aniversário de Castro Alves, mas o patrono é Rui Barbosa, constituída a partir do arquétipo francês de 40 cadeiras, cujo modelo é observado em outras academias, inclusive na Academia Brasileira de Letras. As reuniões aconteciam aos sábados na casa de Nelson Schaun que, com Plínio de Almeida, Wilde Oliveira Lima e Nilo Pinto, traçou os desígnios da instituição. A instalação da Academia só aconteceria em 29 de junho de 1959, conforme apontou Francolino Neto em Reflexões Acadêmicas (1990) no capítulo “Jubileu de Pérola da Academia”, cuja data foi comemorada a 28 de dezembro de 1989 com a presença de Abel Pereira.

Transcorridos sessenta anos, podemos dizer que temos uma instituição regional? Recorro ao conceito de instituição apresentado por um dos membros da ALI e um dos nomes mais consagrados do Direito no Brasil, Edvaldo Brito, que considera “instituição” a repetição de fatos, acontecimentos que corroboram para a institucionalidade. Portanto, a ALI tem repetido seus atos durante todo esse percurso. Mesmo sem sede própria na maior parte do tempo – ora realizando reuniões na casa de um membro ora se encontrando na Associação Comercial de Ilhéus. Só em 2004 a ALI teve sua sede própria, graças à persistência de Ariston Cardoso, que solicitou ao então prefeito Jabes Ribeiro, que doou o imóvel. Atualmente o ex-prefeito é membro da ALI em virtude da promoção da cultura, recuperação e inauguração da Casa de Jorge Amado e reforma do Teatro de Ilhéus e da Maramata.

Sem exagero, temos um diamante. As bodas de diamante estão no salão. É como se estivéssemos diante de um casal que alcança os 60 anos de casamento. Significa que enfrentou muitos desafios, vivenciou fatos e acontecimentos, mas se mantiveram firmes no propósito do amor e não se desintegrou no momento da dor. Que bom! Pois, tudo parece ser fuga, as relações surgem e desaparecem instantaneamente. O arcadismo virou fichinha. Tudo parece ser tudo mais rápido. Mesmo assim, há casais que insistem em conviver, assim como a ALI que se manteve firme em seus objetivos.

As academias de Letras mundo afora são ecléticas, heterogêneas. São compostas de escritores, profissionais liberais, artistas. No Brasil, como o bacharelismo insiste em dar tônica, verifica-se massiçamente a presença de juristas, médicos e jornalistas nesses sodalícios. O importante é que elas são espaços que cultuam as letras, as artes, a cultura. Não por acaso são também adjetivadas como academia de letras, arte e cultura.

É obvio que as academias, por vezes, tornam-se espaços elitistas, entretanto, não podemos acusar de espaços ingratos com a identidade nacional, regional e/ou local. As academias colaboram para a perpetuidade da memória de um povo. É espaço de discussão, diálogo, é lugar de se retroalimentar. E em tempos difíceis são esses recintos que nos conduzem para momentos de sol. Aliviam nossas almas e nos levam à lua quando a Terra parece estar insuportável.

O jornalista Antonio Lopes, quando da sua posse de membro efetivo na ALI, comemorou os 42 anos da Academia e rogou por mais 42 anos, cujo discurso foi publicado no livro Estória de Facão e Chuva (2005). Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los, pensamentos e pessoas que pensam, esperança e pessoas que esperam, sempre, sempre e sempre, infatigavelmente… Foi assim nesses primeiros 42 anos e assim será nos próximos 42 anos, por vontade de Deus e por esforço dos homens.” Eu agora, humildemente, peço licença para desejar mais 60 anos. Precisamos acreditar nas instituições e nas pessoas. As instituições e a diversidade institucional enriquecem o mundo. Possibilita uma dialética saudável e colabora para um debate público e sincero.

A Academia tem o termo “Ilhéus” em seu nome, poderia até ter outra nomenclatura, mas preferiram os fundadores fixar no substantivo próprio da Princesa do Sul, mesmo tendo confrades de outras cidades. A ALI não é só uma instituição. Ela reúne várias instituições. É embrião intelectual da região sulbaiana, sem desmerecer o Grêmio Olavo Bilac. Pode causar estranheza quando algumas pessoas não oriundas do sul da Bahia fazem parte do sodalício, certamente, os membros sabem por qual razão justa estes fazem parte e podem ser chamados de confrades.

Estão cônscios também porque as pessoas que não nasceram no chão grapiúna foram convidadas nas primeiras horas para participarem do nascedouro da ALI. É o caso de José Cândido de Carvalho Filho, o único fundador vivo da Academia. Por sinal, possui uma trajetória de imensa envergadura profissional e intelectual, razão pela qual prédios públicos recebem seu nome. Foram as situações também de Jorge Medauar (em 1959 foi vencedor do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro na categoria “Contos/crônicas/novelas”) foi natural de Uruçuca, bem como Soane Nazaré, membro da ALI, que merece um livro título de livro que aborda sobre Nelson Schaun, um dos fundadores da ALI, organizado por Maria Schaun.

O professor Soane Nazaré está para a nossa formação educacional universitária assim como Edgar Santos está para Bahia com a UFBA e Edivaldo Boaventura com a UNEB e a interiorização do ensino superior no estado. Talvez, a mais firme e consistente contribuição da lavoura do cacau esteja reunida no “projeto de modernidade UESC”. Graças ao visionário Soane Nazaré, que também é membro da ALI.

Aliás, Jorge Amado, membro fundador da ALI, um ano antes da fundação da Academia, em Gabriela, Cravo e Canela, sinaliza parte da formação humana da nação grapiúna, evidenciando a presença de pessoas oriundas de outros lugares. A personagem principal da obra é retirante. Nascib sintetiza o estrangeiro. Jorge Amado, o filho de Ilhéus mais ilustre na literatura, dispensa comentários. Temos muito a pesquisar sobre ele, a sua obra e a repercussão desta para o mundo da Língua Portuguesa. Ilhéus deve muito a memória deste escritor. Em visita à Casa de Jorge Amado percebi o quanto pode ser juntado de material para tornar o ambiente ainda mais rico. A Semana de Jorge Amado precisa ser consolidada. Ilhéus é uma Cidade Literária. Precisa descobrir esse potencial. As ruas exalam literatura na Princesinha do Sul, como o fervo ferve em Olinda e a música toca em Salvador.

E ainda falando de gente grande, por qual razão não falar do professor e geógrafo Milton Santos, ganhador do Prêmio Vautrin Lud – o Oscar, o Nobel – da Geografia em 1994. Um incansável pesquisador e crítico do sistema capitalista e da globalização. Foi membro da ALI e professor do IME.

É necessário transcorrer sobre Adonias Filho, que foi residente da ALI no ano do Centenário de emancipação de Ilhéus. Este escritor conseguiu em uma palavra sintetizar o que a nação grapiúna também produzia além do cacau: escritores. Sem dúvida alguma, escritores e dos bons. Registra-se a passagem de Zélia Gattai pela Academia de Letras de Ilhéus, que também foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Discorrer sobre a ALI é encontrar Telmo Padilha, um poeta reconhecido no exterior. Lembro-me dos especiais do jornal Agora, informando sobre a presença do poema de Telmo Padilha na ONU. E Hélio Pólvora? Tive o prazer de em vida, quando da fundação do Grêmio do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Ilhéus, participar da concertação que o homenageia com o nome da agremiação. Nosso eterno contista e cronista. É não descansar sem abordar, mesmo de que forma singela, Sosígenes Costa. Nosso escritor premiado em 1960, na segunda edição do Prêmio Jabuti de Literatura, categoria Poesia, com o livro Obra Poética. É Sosígenes Costa que nomeia o campus da UFSB localizado em Porto Seguro.

A morte é termo certo, na linguagem do direito, mas causa-nos surpresa toda vez que alguém parte. Em 08 de março do corrente ano, fomos surpreendidos com a notícia da morte de João Hygino via o Blog Pimenta. Ele foi membro da ALI e persistente acadêmico do sodalício, deixando ociosa a cadeira n.01. Foi autor de Deus e os Deuses (2008) e exaltou Porto Seguro, sua cidade natal, em 1966. O mais significativo é que o corpo físico da pessoa pode desaparecer, mas não submergem as ações, o pensamento e a produção intelectual. O cultivo da imortalidade intelectual é parte contributiva desses silogeus. :: LEIA MAIS »

QUEM NÃO SABE COMUNICAR, SE TRUMBICA!

Luciano Veiga

 

 

A resposta talvez esteja em “quem não sabe comunicar, se trumbica”, ou seja, não basta se comunicar é preciso SABER SE COMUNICAR.

 

O velho guerreiro Chacrinha já dizia “quem não se comunica, se trumbica”. No mundo midiático em que vivemos, o nosso querido Guerreiro, se aqui estivesse, talvez acrescentaria ao seu jargão a frase “Quem não sabe comunicar, se trumbica”.

A comunicação no universo político viveu nos últimos tempos forte influência do marketing. Quem não se lembra que as últimas eleições foram marcadas com um modelo, que podemos denominar candidato produto. Os marqueteiros acostumados a trabalhar com produtos, tornando-os conhecidos e desejados pelos consumidores, fizeram o mesmo com os candidatos. Pesquisas qualitativas davam o contorno das propostas, do vestir, do falar, do agir, construindo um slogan “eu faço, eu quero, eu posso”.

No período Donald Trump, a mídia social ganha espaço, que seja pela universalização destes veículos de comunicação, do linguajar do pessoal às redes sociais, criando seguidores e devotos em um sistema que chega a todos, quebrando barreiras. Denominada como comunicação direta, foi também protagonizada no Brasil nas últimas eleições.

O que virou cartão de visita, tem-se transformado no cartão de saída.

No Brasil, dizemos quando o candidato é eleito, o mesmo precisa descer do palanque. Hoje, nos tempos modernos, podemos dizer que o mesmo precisa deixar de twittar e dar espaço à comunicação institucional, afinal, a sua comunicação passa a ser inerente ao cargo que ocupa e à instituição que representa.

As mídias sociais, consideradas pelos críticos como terras de ninguém, têm provocado vítimas entre celebridades, atores, desportistas, políticos e outros, que têm as suas vidas íntimas devassadas, na maioria das vezes quando eles mesmos postam textos e vídeos polêmicos.

Hoje, já se faz uma nova interpretação de preservação de imagem. Vale a pena ter milhares de seguidores ou ter a vida de volta e a instituição preservada? A resposta talvez esteja em “quem não sabe comunicar, se trumbica”, ou seja, não basta se comunicar é preciso SABER SE COMUNICAR.

Daí, como o mundo gira rápido e os valores acompanham estes movimentos, e todo movimento em regra parte de um eixo, logo, o giro volta ao marco inicial. Voltamos então ao que dizia os senhores e senhoras na porta de casa, na calçada ou na janela, valores se constrói a partir de casa e se consolida na sociedade. E cuidar destes valores não tem preço.

Assim como dizia a minha saudosa mãe, cuidado com o que fala, pois as palavras são como pregos, deixam as suas marcas na tábua.

Luciano Veiga é administrador e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e, Atualmente, secretário executivo da Amurc e do CDS-LS.

*Trumbicar – “Diz-se da ação de copular ou do ato de e prejudicar com algo, “se dar mal”.

QUE AUDÁCIA É ESSA, MULHER?!

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

 

“Que audácia é essa, Mangueira?! Quem vocês pensam que são para fazer isso?!”, sugere, em um relato que demonstra a mesma firmeza das mãos desta foto. “Nos nossos calcanhares carregamos dor misturado com sonhos!”

 

Essa imagem me chamou atenção em uma rede social, especialmente pela garra que representa. Esta mulher, que carrega um mundo no olhar, chama-se Evelyn Bastos, Rainha da Bateria da Estação Primeira de Mangueira, tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, campeã deste 2019 com o enredo “HISTÓRIA PARA NINAR GENTE GRANDE”. Na contramão das escolas que convidam e convidaram artistas e celebridades para ocupar o posto, inclusive.

A apuração ainda não tinha acontecido no momento em que cheguei ao perfil dela na rede, mas a narrativa que acompanhava esta imagem, no meu entendimento, já tornava Evelyn uma campeã na vida. Conta, com determinação nas palavras, que o enredo atraiu tantas críticas que a mesma teria chegado a achar que era uma espécie de déficit de atenção de muitos, até entender que a verdade é que para muita gente é insuportável ver o preto ser exaltado, guerreiro e herói. O entendimento de uma mulher “presa na miséria da favela”, mas que ainda assim desce a ladeira cheia de amor para fazer muita gente sorrir, como a mesma narra.

“Que audácia é essa, Mangueira?! Quem vocês pensam que são para fazer isso?!”, sugere, em um relato que demonstra a mesma firmeza das mãos desta foto. “Nos nossos calcanhares carregamos dor misturado com sonhos! E hoje, além disso, estamos levando para a avenida a história do país negro, mulato e mestiço que nenhum livro vai poder apagar”, escreveu.

Vi um projeto social chamado SAC, de apoio aos moradores de rua do Centro do Rio de Janeiro, e ao Quadril de Mola, Workshop de Samba que roda o mundo. Não me surpreendi. As mulheres, quando descobrem a capacidade de renascer em vida, não olham para o que lhes falta, mas para o que são capazes de construir. E aí, não há obstáculo que consiga interromper sua trajetória!

Manuela Berbert é publicitária e escreve no blog www.manuelaberbert.com.br






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