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:: ‘Artigos’

PARABÉNS, ITABUNA…

William Forlan

 

Parabéns Itabuna
Mas não tão una
Há quem faça caretas
Por sofrer, com a tal da marreta

Parabéns
São 108 anos
Mas enquanto comemoramos
jovens morrem por engano

Parabéns Itabuna
Parece até loucura
mas é triste ao ser dito
abandonaram o centro de cultura

Parabéns
Por onde andas o esporte?
Será que é a falta de verbas?
Ou será que não estamos com a sorte?

Parabéns Itabuna
Mas continua o lema
Não temos nada de lazer
muito menos um cinema

Parabéns
atrações por aqui não há
e o que resta para os jovens?
a mesa de um bar

Shopping popular desabando
carro caindo em buraco
dinheiro no bolso entrando
E quem sofre é o pobre coitado

É triste andar inseguro
com medo de ser refém
dos marginais e do governo
que roubam os nossos bens

Parabéns Itabuna
clamem pela paz
Não se cale
Juntos, somos capazes

William Forlan é comediante.

NOS ÚLTIMOS 20 ANOS, ITABUNA TEM ALGO A COMEMORAR?

José Januário Neto (Cabo Neto)[email protected]

 

A nossa evolução cultural e musical era reconhecida em todo Brasil: bandas James, Phase, Lordão, Vera Cruz… Atores como Ramon Vane e Jackson Costa.

 

 

Nas décadas de 70 e 80, possuíamos um dos maiores índices de crescimento do interior do país, tudo isso tendo como referência o cacau.

O comércio era forte, não dependia indiretamente do investimento quase exclusivo em um só segmento. Todos ganhavam. A saúde era também referência, do atendimento a bons profissionais, havia a certeza de que aqui no município o paciente teria o atendimento adequado, esperado.

O esporte obtinha grande frutos com as seleções amadoras de futebol, vôlei (masculino e feminino), os grandes eventos do Estado, como Jogos Abertos do Interior, enchiam a Vila Olímpica de Itabuna. Tínhamos lazer.

Grandes jogos com os campeonatos de futsal com excelentes equipes: Nestlé, Grapiúna, AABB e CISO. Jogos da Primavera, Jogos do Ciso, Jogos Estudantis e Jogos do Trabalhador.

A nossa evolução cultural e musical era reconhecida em todo Brasil: bandas James, Phase, Lordão, Vera Cruz… Atores como Ramon Vane e Jackson Costa.

Na política, você sabia e percebia quem eram os adversários e grupos políticos. Hoje vive-se a conveniência partidária e pessoal para se chegar ao Poder.

O Carnaval Antecipado virou ponto de partida para as festas no interior da Bahia, com grandes atrações, cobertura para todo país. Os Blocos Culturais, Escolas de Samba.

Tudo isso deixava a nossa cidade efervescente!

Triste ITABUNA!

COMEMORAR O QUÊ?

Cabo Neto é bacharel em Direito e cabo da PM.

ARTIGO | O PADRE SÓ PENSA NAQUILO!

Walmir Rosário

 

Das sandálias da humildade à Hilux, mas isso não é nada em que o Bispo Diocesano não possa dar um jeito!

Assim como em boa parte do Brasil, Canavieiras passa por seus percalços na vida econômica, com reflexos diretos aos cidadãos que por aqui trabalham, habitam, ou seja, tenham vida econômica ativa. O município, há muito não recebe investimentos públicos e privados substanciais, isto é fato reconhecido por todos, ou melhor dizendo, por quase todos, e nesta exceção está a Igreja Católica, quem sabe, só o seu pároco.

Recém-nomeado vigário e pastor das não tão muitas almas fiéis ao catolicismo que devota São Boaventura como Santo Protetor, nosso padre, representante de Deus nessas terras, já iniciou uma série de exigências para cumprir sua sagrada missão, entre elas, uma Hilux novinha em folha. É certo que a área ocupada pelo município de Canavieiras é conhecida pela extensão de muitas léguas de terra, dois distritos, vários povoados, muitas capelas.

Como dizem que Deus ajuda a quem madruga, o novo vigário escolheu um veículo de preço alto, cerca de R$ 150 mil, sem os descontos de praxe, que oferece todas as comodidades e luxo de fazer inveja à plebe ignara.

Naturalmente que custeada pelos fiéis, que bancarão talões de uma rifa de uma motocicleta, vendam ou não todos os bilhetes. E, para que fique sacramentado, do alto do púlpito, incita-os a agilizar as vendas.

Também nenhum cristão há de desconhecer que as estradas não são aquelas que nossos governantes prometeram, mas não cumpriram Deus sabe lá por que motivo, mas nem de perto chegam a ser intrafegáveis nos períodos chuvosos. Bastava uma simples visita à unidade da Ceplac, para saber como nossos valentes extensionistas driblam os buracos e atoleiros para chegarem às fazendas.

Em se tratando de igreja eu até diria que é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa, logo ali na praça São Pedro no Vaticano. Um erro imperdoável de comunicação, justamente por quem vive e depende dela (além da filosofia, teologia, sociologia, antropologia, etc., etc.,) para pastorar os fiéis desgarrados do rebanho, sejam lá que motivos forem.

Mas, sem qualquer pretensão professoral, fica a dica (não sei se tão valiosa). Eu mesmo, de motu proprio, andei fazendo minhas pesquisas a respeito da realidade de nossas estradas e como fazem os moradores para se deslocarem. Na própria Ceplac, encontrei um velho colega, que me deu todas as explicações e como se deslocar por esse mundão de meu Deus que é Canavieiras: “Basta ser bom de volante e ter um Fiat Uno. Não precisa de mais nada, a não ser a proteção divina”, assegurou-me.

E acredito piamente no colega acima, que me lembrou ser o veículo utilizado pelo Padre Euvaldo Santana, um missionário, na essência da palavra, um Volkswagem Gol, que nunca lhe deixou na mão. Com o singelo carro, os católicos do interior nunca deixaram de receber os santíssimos sacramentos, do batismo à extrema unção, passando pelas missas, novenas e romarias. Nenhuma lama ou buraco atrapalhou seu mister.

Na minha pobre visão, o grande problema que hoje aflige a igreja católica é a formação dos padres, em sua maioria secular, ao contrário de antes, quando os regulares primavam no comando das igrejas. De forma rasteira, a diferença entre secular e regular está nos votos de pobreza, castidade e obediência, feitos pelos últimos, enquanto os primeiros se comprometem apenas em não contrair o matrimônio e manter o estado de solteiro.

Enquanto o regular está subordinado a uma congregação, um instituto, que administra, inclusive as finanças das paróquias, marcada pela convivência religiosa e social coletiva e obediência a um superior. Já os seculares, como disse, estão incardinados em igrejas particulares, reunidas em torno de uma diocese, arquidiocese, prelazia particular ou pessoal, com a possibilidade de fazerem fortunas, em detrimento das ações sociais.

As ações sociais são conhecidas da população pelos atos das congregações religiosas, que se preocupam, além de ministrar a palavra de Deus, o alívio da alma, também os ensinamentos para a vida, geralmente através da educação e da assistência social. As congregações religiosas mantêm colégios para todos, e seminários para a formação de novos sacerdotes. Entretanto, muitos deles após ordenados com os recursos da ordem, fazem a opção por serem seculares, com o objetivo de dirigir sua própria vida profissional.

Eu, sinceramente, não acreditava no final do mundo creditado à Bíblia Sagrada, mas, aos poucos, estamos sendo obrigados a nos conscientizar sobre as mudanças dos tempos. Parece até que voltamos aos tempos do absolutismo, em que os reis construíam palácios e exigiam dos súditos pesados impostos para mantê-los cada vez mais belos e dispendiosos, enquanto o povão de meu Deus passava fome em suas choupanas.

Das sandálias da humildade à Hilux, mas isso não é nada em que o Bispo Diocesano não possa dar um jeito!

Walmir Rosário é advogado, radialista e jornalista, além de editar o Cia da Notícia.

ARTIGO | AS ONDAS DE DESENVOLVIMENTO E A CACAUICULTURA DO SUL DA BAHIA

Antonio Zugaib || [email protected]

 

A regulamentação de uso da indicação geográfica, obtida pela Associação Cacau Sul Bahia, é um instrumento valioso para se conseguir uniformidade na qualidade, necessária para uma boa comercialização do produto, principalmente no mercado externo.

 

A cacauicultura do sul da Bahia já passou por diversas ondas de desenvolvimento. Primeiro foi a onda de desenvolvimento agrícola, quando os produtores de cacau – baianos, árabes e sergipanos – substituíram as plantações de cana-de-açúcar, com seus diversos engenhos, espalhadas neste rica Capitania de São Jorge dos Ilhéus, por plantações de cacau. Com suor e luta, os produtores de cacau implantaram nesta região um sistema denominado Cabruca, sistema este admirado no mundo inteiro, pois consegue extrair da terra seu valor econômico, conservando e preservando a mata atlântica.

Neste sistema de produção de cacau existente há cerca de 250 anos, a cacauicultura do sul da Bahia despertou o mundo produzindo uma quantidade significativa de cacau estimulando o interesse de exportadores e processadores a se localizarem na região, dando início a segunda onda de desenvolvimento, que chamamos de industrialização. Vieram os Kaufmann, implantando inicialmente o Chocolate Vitória, os Wildberger trazendo as empresas exportadoras e, posteriormente, as indústrias Barreto de Araújo, a Berkau, a Cargil, a Chadler, a ADM Cocoa, a Nestlé, assim como, através da organização dos produtores locais, a Itaísa. Neste ciclo de desenvolvimento produzimos líquor, torta, manteiga e pó de cacau. Iríamos chegar a cobertura do chocolate quando uma série de fatores conjunturais e estruturais desagregaram a economia cacaueira, culminando com a chegada da vassoura-de-bruxa, provocando um retrocesso sem precedentes dessa economia, com fechamento de fábricas e descapitalização dos produtores.

Atualmente, estamos voltando a um estágio de desenvolvimento muito mais forte, porque não estamos com a visão só na matéria-prima, nem tampouco em um chocolate de cobertura ou chocolate de massa. Estamos entrando em uma terceira onda de desenvolvimento que estou chamando de “Customização”. Customização é um substantivo feminino que remete para o ato de customizar e significa personalização ou adaptação.  

A customização consiste em uma modificação ou criação de alguma coisa de acordo com preferências ou especificações pessoais. Assim, customizar é alterar alguma coisa segundo o seu gosto pessoal. É isto que está acontecendo na cacauicultura do sul da Bahia. Os consumidores estão experimentando o chocolate segundo seu gosto pessoal. E a maioria dos consumidores deste produto que é preferência nacional já decidiu saborear um chocolate com alto teor de cacau.

Experimentos são realizados por meio de novas variedades desenvolvidos pela Ceplac e parceiros, onde é feita uma análise sensorial do chocolate sobre variáveis importantes, como aroma, sabor, derretimento, dureza, amargor e acidez, sem deixar de lado a localização, o porte, o tamanho dos frutos, o peso total das sementes secas por fruto, nem tampouco a produtividade do cacaueiro.

O chocolate é visto como um produto especializado que precisa de profissionalismo para ter sucesso no empreendimento. Para isso, a regulamentação de uso da indicação geográfica, obtida pela Associação Cacau Sul Bahia, é um instrumento valioso para se conseguir uniformidade na qualidade, necessária para uma boa comercialização do produto, principalmente no mercado externo. Porém, obtido esse profissionalismo estaremos no topo do mercado, obtendo um preço mais compensador, pois estaremos agregando valor ao nosso produto. Com uma boa política de crédito rural, os produtores poderão transferir toda a tecnologia gerada pela Ceplac, através de clones de alta produtividade e poderão reviver momentos felizes novamente.

Antonio Zugaib é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, técnico em Planejamento da Ceplac e professor da Uesc.

ARTIGO | DECRETO JÁ EM VIGOR ALTERA VALORES DAS LICITAÇÕES

Alex Portela | [email protected]

 

Apesar de ser comprovada a necessidade de modernização da lei de licitações, por uma questão meramente política, o Projeto de alteração completa da Lei 8.666/93, está travado na fila de pauta de votações do Congresso Nacional.

 

Em recente Decreto nº 9.412/2018, em vigor desde 19 de julho 2018, o Governo Federal alterou os valores das modalidades de licitações vigentes na Lei nº 8.666/93. Segundo informações do Planalto, o objetivo do referido Decreto, além de corrigir a defasagem dos valores decorrentes da inflação, busca, ao mesmo tempo, implementar uma maior eficiência nas compras efetivadas pelos órgãos da administração pública.

Antes de tudo, é necessário esclarecer que, por se tratar de uma Lei de 1993, é notório que o “Estatuto das Licitações” encontra-se defasado, não acompanhando as novas dinâmicas administrativas implantadas na área da gestão pública ao longo dos anos.

Para fins de elucidação, é necessário informar que existe um projeto para modificação da Lei Nº 8.666/93, que propõe mudanças objetivando a modernização dos procedimentos para efetivação das modalidades de licitações tratadas na citada lei.

Dessa forma, destaca-se como propostas de mudanças significativas algumas ferramentas e procedimentos que podem gerar processos de licitações que atendam de forma mais ampla aos princípios da transparência, economicidade, competitividade e celeridade nas contratações necessitadas pela Administração Pública.

As modificações perseguidas pelo Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional buscam a utilização das novas ferramentas de tecnologia, a exemplo da internet, trazendo para o bojo da Lei Nº 8.666/93 a possibilidade de que a administração possa efetivar procedimentos semelhantes ao que já acontece com a modalidade de licitação denominada de pregão.

A modalidade de licitação denominada de pregão, que pode ser realizada na forma presencial ou eletrônica, vem trazendo para os procedimentos licitatórios uma economia e maior celeridade processual na efetivação das contratações.

Entretanto, as modificações buscadas não se encerram por aí. Passam também pela forma de publicidade dos avisos de licitação, que utilizariam os meios eletrônicos oficiais, reduzindo drasticamente os custos que a Administração é obrigada a arcar para atender aos requisitos de publicação exigidos atualmente pela Lei Nº 8.666/93.

O projeto de lei, dentro dessa perspectiva de atualização e modernização dos procedimentos ligados às licitações, possibilitará a criação do Cadastro Nacional de Registros de Preços com o acesso compartilhado ao Sistema de Cadastramento Unificando de Fornecedores – SICAF, aumentando ainda mais o acesso a informação e a interligação de dados tendo a internet como ferramenta provedora de agilidade para efetivação das contratações.

Por fim, vale ressaltar que o projeto de lei em tela, defende a ideia da inversão nas fases da licitação, a exemplo do que já ocorre na modalidade de pregão e na própria Lei de Licitações do Estado da Bahia, onde primeiro se busca a empresa que apresente o menor preço ou proposta mais vantajosa para a administração. A análise de documentos de habilitação passa a ser efetivada em momento posterior à declaração da empresa que apresentou a menor proposta comercial.

Esse procedimento traz uma celeridade imensamente maior ao procedimento efetivado hoje conforme Lei Nº 8.666/93, em que primeiro são analisados os documentos das empresas e somente quando sanada essa fase é que se conhecem as propostas comerciais dos licitantes.

Dessa forma, diante da proposta de tais modificações, o Projeto de Lei é defendido por uma gama de estudiosos e doutrinadores no sentido de que se implantadas tais modificações. Trará ao bojo da Lei Nº 8.666/93, uma nova roupagem, mais adequada ao atual momento em que se encontra a gestão da coisa pública seja na esfera Federal, Estadual e Municipal.

Como se verifica, apesar de ser comprovada a necessidade de modernização da lei de licitações, por uma questão meramente política, o Projeto de alteração completa da Lei 8.666/93, está travado na fila de pauta de votações do Congresso Nacional.

Assim, numa tentativa paliativa, ao nosso simplório entendimento positiva, o Decreto nº 9.412/2018, que entrou em vigor em 19/07/2018 e altera/atualiza os valores das licitações se apresenta como uma forma de amenizar a defasagem da Lei 8.666/93, que sem dúvida alguma, se transformou numa ferramenta de entraves à execução dos procedimentos licitatórios.

Para fins de esclarecimentos com o reajuste introduzido pelo Decreto nº 9.412/2018, os novos valores que prevalecem nas licitações são os seguintes: Para obras e serviços de engenharia: Dispensa de licitação: até o limite de R$ 33 mil; na modalidade convite: até R$ 330 mil; na modalidade tomada de preços: até R$ 3,3 milhões; e na modalidade concorrência: acima de R$ 3,3 milhões. Para compras e serviços que não sejam de obras ou de engenharia: Dispensa de licitação: até o limite de R$ 17,6 mil; na modalidade convite: até R$ 176 mil; na modalidade tomada de preços: até R$ 1,4 milhão; e na modalidade concorrência: acima de R$ 1,4 milhão.

Por fim, apesar de ser comprovada e necessária uma modificação e atualização completa na Lei 8.666/93 que rege as regras gerais para licitações e compras governamentais em nosso pais a modificação dos valores implantadas a partir de 19/07/2018 já traz um grande impacto no andamento das ações administrativas, principalmente dos municípios de pequeno porte.

Alex Portela é procurador jurídico do Município de Barra do Rocha e atua no Direito Administrativo e Direito Público.

FINAL PREVISÍVEL

Marco Wense

 

 

A estrondosa rejeição de Temer, detectada nas pesquisas como a maior da história da República, vai contaminar a campanha do tucano. Se a verdade pegar, que o candidato de Temer é Alckmin, o tucano vai ter muitas dificuldades para passar de dois dígitos nas pesquisas de intenção de votos.

 

Um final de novela previsível: o centrão, formado pelo DEM, PR, PP, SD e o PRB, vai apoiar   o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), que passa agora a ser o candidato de Michel Temer e do seu governo.

É esse ponto que deve ser explorado pelos adversários do continuísmo. Aliás, a torcida no “blocão” é pela manutenção da candidatura de Henrique Meirelles pelo MDB, o que serviria para disfarçar o apoio do presidente Temer e da sua turma ao ex-governador de São Paulo.

A notícia de que o centrão (ou blocão) vai ficar com Alckmin foi efusivamente comemorada no Palácio do Planalto. Aos partidos de esquerda e centro esquerda, cabe a responsabilidade de uma urgente reflexão para se chegar a um consenso em torno da imprescindível união, sob pena de um segundo turno sendo disputado entre dois nomes que representam o campo ideológico inverso.

PT, PDT, PSB e o PCdoB precisam sentar na mesma mesa e buscar um consenso em torno do melhor caminho que devem percorrer. Se Ciro Gomes errou em procurar o centrão (ou blocão), o PT, PSB e o PCdoB também cometeram seus erros, principalmente o PT quando fez de tudo para isolar Ciro na corrida presidencial. Resta agora  a busca urgente por um diálogo. O que passou, passou.

Problema maior é o que já começa a atormentar Alckmin: o tucano é o candidato do presidente Michel Temer e do MDB de Eduardo Cunha, Cabral, Geddel, Moreira Franco, Romero Jucá, Eliseu Padilha e companhia Ltda.

A estrondosa rejeição de Temer, detectada nas pesquisas como a maior da história da República, vai contaminar a campanha do tucano. Se a verdade pegar, que o candidato de Temer é Alckmin, o tucano vai ter muitas dificuldades para passar de dois dígitos nas pesquisas de intenção de votos.

Finalizo dizendo que é bom que as coisas comecem a ficar transparentes, com a definição de quem é quem, o que querem e de que lado estão.

Marco Wense é articulista político.

LULA EM ARTIGO NA FOLHA: “AFASTE DE MIM ESTE CALE-SE”

Lula em artigo à Folha de São Paulo, edição de hoje || Foto Agência Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva

 

Querem me derrotar? Façam isso de forma limpa, nas urnas. Discutam propostas para o país e tenham responsabilidade, ainda mais neste momento em que as elites brasileiras namoram propostas autoritárias de gente que defende a céu aberto assassinato de seres humanos.

 

Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras. Aumenta o número de pessoas queimadas ao cozinhar com álcool devido ao preço alto do gás de cozinha para as famílias pobres. A pobreza cresce, e as perspectivas econômicas do país pioram a cada dia.

Crianças brasileiras são presas separadas de suas famílias nos EUA, enquanto nosso governo se humilha para o vice-presidente americano. A Embraer, empresa de alta tecnologia construída ao longo de décadas, é vendida por um valor tão baixo que espanta até o mercado.

Um governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o máximo possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir —reservas do pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia, petroquímica—, além de abrir a Amazônia para tropas estrangeiras. Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial.

Semana passada, a juíza Carolina Lebbos decidiu que não posso dar entrevistas ou gravar vídeos como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, o maior deste país, que me indicou para ser seu candidato à Presidência. Parece que não bastou me prender. Querem me calar.

Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga? O que está acontecendo hoje com o povo? Não querem que eu discuta soluções para este país? Depois de anos me caluniando, não querem que eu tenha o direito de falar em minha defesa?

É para isso que vocês, os poderosos sem votos e sem ideias, derrubaram uma presidente eleita, humilharam o país internacionalmente e me prenderam com uma condenação sem provas, em uma sentença que me envia para a prisão por “atos indeterminados”, após quatro anos de investigação contra mim e minha família? Fizeram tudo isso porque têm medo de eu dar entrevistas?

Lembro-me da presidente do Supremo Tribunal Federal que dizia “cala boca já morreu”. Lembro-me do Grupo Globo, que não está preocupado com esse impedimento à liberdade de imprensa —ao contrário, o comemora.

Juristas, ex-chefes de Estado de vários países do mundo e até adversários políticos reconhecem o absurdo do processo que me condenou. Eu posso estar fisicamente em uma cela, mas são os que me condenaram que estão presos à mentira que armaram. Interesses poderosos querem transformar essa situação absurda em um fato político consumado, me impedindo de disputar as eleições, contra a recomendação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Eu já perdi três disputas presidenciais —em 1989, 1994 e 1998— e sempre respeitei os resultados, me preparando para a próxima eleição.

Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por que falam em “atos de ofício indeterminados” no lugar de apontar o que eu fiz de errado? Por que falam em apartamento “atribuído” em vez de apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de uma empresa, dado como garantia bancária? Vão impedir o curso da democracia no Brasil com absurdos como esse? :: LEIA MAIS »

A AMEAÇA DO “NÃO VOTO”

Gaudêncio Torquato

 

A campanha mais curta – de 45 dias nas ruas e de 35 dias na mídia eleitoral – beneficiará os mais conhecidos e aqueles de maiores recursos financeiros.

 

As projeções apontam para a elevação do índice do NV (Não Voto – abstenções, votos nulos e brancos), na eleição de 7 de outubro, a um patamar acima de 40%. Recorde-se que o 2º turno da eleição para governo de Tocantins, em junho passado, registrou 51,83% de eleitores votando em branco, anulando ou deixando de comparecer às urnas.

Trata-se, como se deduz de pesquisas, da indignação do eleitor em relação às coisas da política – atores, métodos e processos. O eleitor protesta contra o lamaçal que envolve a esfera política, que parece indiferente a um clamor social exigindo mudanças de comportamentos e atitudes. A principal arma que dispõe o eleitor para mudar a política é o voto. Ora, se o cidadão se recusa a usar esse direito está, de certa forma, contribuindo para a manutenção do status quo, perpetuando mazelas que infestam o cotidiano da vida política.

Estamos, portanto, diante de um dilema: caso o NV assuma proporções grandiosas no pleito deste ano, a hipótese de mudança na fisionomia política cai por terra, arrastada por ondas da mesmice, onde se enxergam as abomináveis práticas do fisiologismo (“é dando que se recebe”), o coronelismo (os currais eleitorais, a política de cabresto), o nepotismo (as engordas grupais), a estadania (o incremento da dependência social do Estado), o neo-sindicalismo peleguista (teias sindicais agarradas às mamas do Estado), a miríade de partidos e seus escopos pasteurizados etc.

A renovação política, bandeira erguida pela sociedade organizada, corre o risco de fracassar, caso o eleitorado se distancie do processo eleitoral ou, mesmo comparecendo às urnas, anule o sufrágio ou vote em branco. É oportuno lembrar que o eleitor é peça fundamental no jogo de xadrez da política. Se não tentar dar um xeque no protagonista que busca se eleger, este acabará sendo empurrado para o altar da representação política por exércitos treinados nas trincheiras dos velhos costumes. Assim, a renovação nas molduras governativa e parlamentar não ocorrerá.

Aliás, calcula-se que a renovação da representação no Parlamento seja de apenas 40% este ano, menor do que em pleitos do passado. A campanha mais curta – de 45 dias nas ruas e de 35 dias na mídia eleitoral – beneficiará os mais conhecidos e aqueles de maiores recursos financeiros. (No pleito anterior, a campanha tinha 90 dias de rua e 45 dias de programa eleitoral no rádio e TV).

O fato é que não se pode contar com mudança política por unilateral vontade do corpo parlamentar. Deputado ou senador, se não recebem pressão da base eleitoral, resistem a qualquer ideia de avançar, alterar, mudar regras que, hoje, os beneficiam. Ou, para usar a expressão mais popular, não darão um tiro no pé. Por conseguinte, a reformulação da política carece de participação ativa do eleitor, razão pela qual este deve cobrar de seus candidatos compromissos com avanços com o fito de eliminar os cancros que corroem o corpo político.

Em suma, a política não se renova porque não há, por parte dos representantes, desejo de mudá-la. E não há desejo porque o eleitor ainda não jogou seu representante no carrossel das transformações. O pleito de outubro deste ano tende a encerrar a era do grande compadrio na política. O que não quer necessariamente dizer que isso ocorrerá. Por isso mesmo, urge despertar a consciência cívica do cidadão. Motivá-lo a colocar sobre os trilhos o trem das mudanças. Toda a atenção deve se dar à bomba que ameaça explodir a locomotiva: o Não Voto. Abstenções, votos nulos e brancos, em demasia, são os ingredientes que podem implodir nosso ainda incipiente sistema democrático.

Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político e de comunicação.

A APOSTA PEDETISTA

Marco Wense

 

Articulações estão sendo feitas para fortalecer o nome de Mangabeira em outros municípios, não só com lideranças locais da sociedade como dirigentes da legenda.

 

O lançamento da pré-candidatura a deputado federal de Antônio Mangabeira, pelo PDT, sexta-feira passada (13), na Câmara de Vereadores, reforçou o entusiasmo dos mangabeiristas de que o médico oncologista vai ter uma grande votação em Itabuna.

Articulações estão sendo feitas para fortalecer o nome de Mangabeira em outros municípios, não só com lideranças locais da sociedade como dirigentes da legenda.

O deputado federal Félix Júnior, presidente estadual do Partido Democrático Trabalhista, está confiante na eleição de Mangabeira, que na última sucessão municipal obteve quase 19 mil votos, ultrapassando políticos como o petista Geraldo Simões, o petebista Capitão Azevedo, o tucano Augusto Castro e o comunista Davidson Magalhães.

Não tenho a menor dúvida que Mangabeira será um bom parlamentar. O PDT de Itabuna está sob o comando de um homem de bem, de quem faz política com P maiúsculo.

Independente do resultado das urnas, Mangabeira será o nome que vai encarnar a renovação do empoeirado cenário político de Itabuna, se tornando um fortíssimo candidato no próximo processo sucessório que vai eleger o substituto de Fernando Gomes, hoje aliado do PT. Mangabeira tem um grande futuro político pela frente.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

KAUÃ E IACINA, UMA ENCANTADA HISTÓRIA DE AMOR

Gerson Marques

 

 

Toda a aldeia correu para o local. Logo a notícia do desaparecimento de Cauã, levado pelo monstro Arikonta, chegou aos ouvidos de Iacina, que se prostrou a chorar um pranto tão sentido que causou profunda comoção nos presentes.

 

 

Quando o português Pero Magalhães Gândavo chegou a Lagoa de Itaípe em fevereiro de 1570, ficou completamente extasiado com a beleza do lugar, chamou de “mar de dentro” tamanha eram as águas da lagoa, sua extensão e beleza.

Gândavo estava com Felisberto Lisboa, seu imediato auxiliar, oficial do exército português encarregado de lhe acompanhar, a viagem de Gândavo era uma missão de prospecção a serviço da Coroa de Sebastião I, o objetivo era registrar e relatar a vossa alteza, tudo sobre as terras de Santa Cruz, a mais nova e mais desconhecida descoberta lusitana, o Novo Mundo português.

A Vila de São Jorge dos Ilhéus já era habitada por duas dúzias de portugueses, uns oito padres e cinquenta e dois índios catequizados, foram eles que levaram Gândavo e Felisberto até a Lagoa que os portugueses já chamavam de Encantada.

A viagem foi em parte a pé e depois em canoa, a lagoa era terra dos índios Tupinambás de comportamento imprevisível, no entanto, amigos dos padres jesuítas, que já andavam por aquelas paragens catequizando os ribeirinhos. Situada ao norte de Ilhéus umas três léguas, existiam na lagoa duas pequenas aldeias, uma com oito ocas e uns cem índios, contando as crianças, que se chamava Patiti, e outra um pouco menor, chamada de Aldeia Pequena, viviam todos da pesca e caça, além dos roçados.

Junto aos índios vivia também uma família mestiça, formada por um francês já idoso, que fora deportado e abandonado na costa por um navio corsário, trinta anos antes da chegada de Gândavo, casado com uma índia da nação Botocudo, tinham oito filhos entre eles um cego de nascença de nome Çaaci, moravam em uma choupana fora do núcleo da aldeia, também na margem da Lagoa, eram no entanto, integrados ao cotidiano dos demais índios da Aldeia Patiti.

A história que vou contar não está no livro Tratado da Terra do Brasil, História da Província de Santa Cruz que Pero Gândavo publicou depois que voltou a Portugal, trata-se do casamento da filha do Cacique da Aldeia Patiti com o filho do Cacique da Aldeia Pequena, me foi contada ao pé de ouvido por gente antiga que morou e morreu na Lagoa, que por sua vez ouviu de outros ainda mais antigos, uma história oral que será escrita pela primeira vez.

Desde criança o índio Çaaci, já apresentava um comportamento diferente. Apesar de cego, enxergava mais que qualquer um da aldeia. Tinha a capacidade de saber onde estavam as pessoas e os bichos mesmo muito distante ou na escuridão da noite. Dizia onde estavam os peixes no fundo da lagoa, conversava com as árvores de quem, dizia ele, recebia informações sobre o tempo e a saúde das pessoas, também falava com animais, que em sua presença tinha um comportamento dócil e manso, chamava qualquer ave do céu até sua mão, fui iniciado por um velho pajé ainda muito novo no complexo mundo espiritual dos Tupinambás, apesar de jovem era um curador reconhecido e procurado até pelos brancos, teria espantado os padres jesuítas ao curar um deles, em estado leproso que vivia isolado dos demais há muitos anos, usando somente água.

Alguns dias depois da chegada de Gândavo, uma grande festa de casamento estava marcada, a filha do Cacique Kaluanã da aldeia onde estava o português, Iacina, casaria em dois dias com o filho do Cacique Aruanã da Aldeia Pequena, um jovem guerreiro de nome Cauã.

Era tradição fazer o casamento na aldeia da noiva, uma comitiva com os irmãos da Iacina, buscaria Cauã em sua aldeia, Gândavo pediu para ir junto a eles na travessia de busca do noivo, no dia seguinte partiram logo cedo, a viagem durava meio dia de navegação a remo para ir e mais meio dia para voltar.

Foram recebidos com festa na Aldeia Pequena, comeram peixe e farinha de mandioca e tardaram mais que deveriam para fazer a jornada de volta, no fim da tarde juntaram cinco canoas com o noivo Cauã e seus parentes iniciando a travessia, chegando o início da noite ainda estavam em alto lago quando foram surpreendidos pela mudança do vento, logo as ilhas flutuantes, fenômeno único nessa lagoa, por isso mesma batizada pelos portugueses de Encantada, fechou o caminho das canoas impedindo a viagem, caiu a noite e apesar de muito esforço, não houve como avançar.

Os índios das duas aldeias demostravam muito medo, falavam o tempo todo de um monstro chamado Arikonta que vivia nas ilhas flutuantes. :: LEIA MAIS »

SOMOS DO BEM OU DO MAL?

Valéria Ettinger

 

Será que é tão difícil entender que somos uma grande rede de conexões e que enquanto um de nós estiver no sofrimento essa dor pode ser nossa também? Será que é difícil entender que não sobrevivo nesse mundo sozinho e o estar junto é olhar para além do nosso campo de visão?

Estou assistindo a um documentário com o ator Morgan Freeman que fala da existência de Deus a partir da perspectiva de algumas religiões. Em um dos episódios, ele trata da questão do mal, o que nos remete a fazer diversos questionamentos: como o mal é atraído ou instaurado no ser humano? Será que o mal é inerente a natureza humana? Será que o bem pode vencer o mal? Por que preferimos nos apegar as maldades do que as bondades? Será que nos associamos para o bem ou para o mal? Porque temos surtos de bondade e união em situações de catástrofes e não o fazemos isso no dia a dia?

São tantos questionamentos que não sei se terei repertório ou respostas para essas perguntas, mas o que mais me chama atenção nessas situações todas é como não conseguimos nos manter unidos ou direcionados a prática do bem quando somos mobilizados, em massa, em situações extremas como essas dos meninos da Tailândia.

Vivemos o momento do medo do não resgate, a esperança do resgate, a alegria pela união de forças e agora estamos na catarse do desfecho positivo, mas, infelizmente, esse momento de conexão será tão frívolo e rápido como um cometa passando pelo céu.

As nações se voltarão aos seus interesses econômicos e os homens se voltarão as suas demandas pessoais e suas futilidades cotidianas e o pensamento uníssono de amor, união, fé e solidariedade se dissipará no vento. Como num piscar de olhos nós esqueceremos de tantas outras crianças perdidas no mundo, pela fome, pela miséria, pelas violências, pelas separações decorrentes das guerras insanas e do nosso próprio egoísmo. Enquanto nós sobreviventes continuaremos por ai…, com nossas “selfies” e produzindo nossos “histories” ou bisbilhotando o dos outros.

Como é difícil mobilizar as pessoas para causas humanitárias e não digo causas grandiosas, digo causas pequenas como uma doação de alimentos, de roupas, de tempo para acolher e cuidar de quem precisa… Quantas vezes deixamos de estar com quem amamos por causa do dinheiro, do trabalho ou de sei lá o que.

Será que nossa natureza do mal é tão superior à nossa essência do bem? Será que é tão difícil entender que somos uma grande rede de conexões e que enquanto um de nós estiver no sofrimento essa dor pode ser nossa também? Será que é difícil entender que não sobrevivo nesse mundo sozinho e o estar junto é olhar para além do nosso campo de visão?

Professor Milton Santos em resumo a uma de suas obras fala que o grande passo humanitário que podemos dar é pensar o mundo a partir de uma rede de conexões planetárias. Ou seja, somente uma união global de solidariedade será capaz de mudar a dor do mundo e só assim poderemos nos fazer humanos no sentido literal da palavra e das ações.

Ainda não terminei o episódio do mal, mas não sei se ao fim chegarei a alguma resposta acerca da natureza humana, mas, pelo menos, posso refletir se estou no caminho do bem ou quais passos devo continuar dando para não sair dele…

Valéria Ettinger, uma eterna aprendiz.

CIRO E O APOIO DO DEM

Marco Wense

 

Os dirigentes do DEM, sabendo que Ciro Gomes não negocia seu princípios e pontos do programa de governo,  já aceitam excluir os investimentos públicos do limite de gastos.

 

O presidenciável do PDT, Ciro Gomes, vem dando uma elogiável demonstração de como negociar o apoio dos partidos à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Vejamos o exemplo do DEM, que serve também para outras legendas. O pedetista, hoje o segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, com Lula fora da disputa, não abre mão de suas convicções.

O DEM encontra-se dividido em relação à sucessão de Michel Temer. Uma parte quer apoiar Ciro, outra Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC).

O ex-governador do Ceará leva vantagem, já que as duas maiores lideranças do demismo, ACM Neto e Rodrigo Maia, respectivamente prefeito de Salvador e presidente da Câmara dos Deputados, trabalham a favor de Ciro. O Partido do Democratas já admite negociar a lei do teto, que Ciro disse que vai revogar se for eleito.

Para o presidenciável, existem outros caminhos para economizar os gastos públicos. Cortar verbas da educação, saúde e da segurança pública é inaceitável.

Os dirigentes do DEM, sabendo que Ciro Gomes não negocia seu princípios e pontos do programa de governo,  já aceitam excluir os investimentos públicos do limite de gastos. Portanto, que seja bem vindo o apoio do DEM e de outras agremiações partidárias, mas sabendo que com Ciro Gomes não há espaço para o famigerado toma lá, dá cá.

Com efeito, Ciro é o único pré-candidato que expõe claramente o que pretende fazer se chegar ao comando da República. Não é à toa que Ciro vem conquistando a confiança do eleitorado. É, sem nenhuma dúvida, o mais preparado para assumir o cargo de presidente da República.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

OPOSIÇÃO INDECISA

Marco Wense

 

 

Se espera uma inevitável chiadeira por parte de candidatos a deputado estadual e federal não eleitos ou reeleitos. ACM Neto, gestor de Salvador e presidente nacional do DEM, será responsabilizado pelas derrotas.

 

 

Como não bastasse a desistência de ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia, deixando o oposicionismo a ver navios, tem agora a demora para compor a chapa majoritária encabeçada por José Ronaldo (DEM).

Certo mesmo só o deputado tucano Jutahy Júnior para uma das duas vagas ao Senado da República. O imbróglio continua em relação a outra vaga para a senatória e ao cargo de vice-governador.

A oposição precisa mostrar que está unida, sob pena do discurso do “já ganhou” da base aliada situacionista atrair os poucos prefeitos que estão na campanha do ex-alcaide de Feira de Santana. O feitiço virou contra o feitiçeiro.

A oposição a Rui Costa, mais especificamente ao PT, que tanto torcia por uma desavença na composição da chapa governista, vem sofrendo na própria pele a dificuldade em solucionar o impasse na formação do seu bloco.

Outro ponto que preocupa é o não crescimento do democrata nas pesquisas de intenção de votos. Aliás, uma derrota para Rui Costa, que não seja por uma diferença grande, mesmo com a fatura sendo liquidada logo no primeiro turno, já é vista como uma vitória.

Se espera uma inevitável chiadeira por parte de candidatos a deputado estadual e federal não eleitos ou reeleitos. ACM Neto, gestor de Salvador e presidente nacional do DEM, será responsabilizado pelas derrotas.

Concluo fazendo a seguinte pergunta: E se José Ronaldo resolvesse não disputar o Palácio de Ondina? A situação estaria bem pior. Quem seria o candidato?

Se a oposição deu azar com o recuo de ACM Neto, deu sorte com a coragem de José Ronaldo, sem dúvida a tábua de salvação do demismo, que mesmo pequena e frágil, pode levar alguns para a beira da praia.

Marco Wense é articulista político e editor d’O Busílis.

ILHÉUS – 137 ANOS DE CIDADANIA. O QUE COMEMORAR?

José Nazal Pacheco Soub | [email protected]

 

Continuarei com a esperança de um dia ver a cidade ser governada por alguém que realmente pense nos interesses de Ilhéus e não do próprio ou de outrem. Como já estou no amiudar da vida, talvez não veja. Porém, vive em mim a certeza de que meus filhos verão e meus netos desfrutarão de uma Ilhéus melhor. 

 

Hoje Ilhéus completa 137 anos de Cidadania, conferida pela Lei Provincial nº 2187 de junho de 1881, tendo sido instalada somente a 14 de agosto, quarenta e sete dias depois da elevação à categoria de cidade. Cidade mãe deste chão sul-baiano, de lá para cá temos diminuído, tanto no aspecto territorial quanto no político. 

Participo formalmente da vida política da Cidade desde 1º de fevereiro de 1977, quando exerci o cargo de Oficial de Gabinete no primeiro mandato de Antônio Olímpio. Naquele tempo, todos tinham a Carteira Profissional assinada. Daí em diante exerci funções comissionadas nos governos seguintes, com exceção para o segundo mandato de Antônio Olímpio, o de Valderico Reis e o último de Jabes. Aprendi muito com todos e com as experiências vividas, aumentando a cada dia o meu amor pela terra onde nasci. 

Lancei pré-candidatura a prefeito no ano de 2016 e, como é do conhecimento de todos, compus uma aliança com Mário Alexandre, colocando-me como candidato a vice-prefeito com total apoio do meu partido, a Rede Sustentabilidade. Não me contentando em ser apenas vice, assumi uma secretaria no intuito de poder colaborar na administração, sobretudo para tentar implantar uma nova política, exigência dos tempos de hoje. Deixei o cargo de secretário há sessenta dias, afastando-me completamente dos processos decisórios do atual Governo, dos quais de minha parte acabaram por ser mais de natureza administrativa e quase nenhuma política. 

Minha última participação no governo foi a de materializar a lei que delimita o território ilheense, identificando os locais indicados legalmente, onde deverão ser colocados os marcos definitivos e eu espero que sejam colocados. Vou entregar o Termo de Referência e a solicitação para a execução, juntamente com o projeto de lei para atualização dos limites distritais e ajuste dos bairros. Entendo que essa ação resguarda nosso pertencimento territorial em relevância política e administrativa, tanto para o momento atual como para momentos futuros. 

Faço esse preâmbulo para questionar a grande festa do Dia da Cidade. O que comemorar? Em minha última conversa pessoal com Mário, há uns quarenta e cinco dias, ele me afirmou que não faria festividades em razão da situação financeira. “Ótimo! Parabéns pela decisão”, foi minha resposta. Na verdade, havia uma sinalização negativa do apoio estadual, face às mudanças no quadro político, permitindo que o governo estadual fizesse um esforço menor, ante ao pleito eleitoral que se aproxima. E fiquei surpreso com o anúncio da festa. 

Convém ressaltar que não sou contra comemorações e festas, porém só faz festa quem pode pagar a conta. A Bahiatursa está ajudando, no entanto, a conta que ficará para o município arcar é igual ou maior. Mesmo que seja um pouco menor, é muito para quem não está com as contas em dia. 

Como fazer festa com a maioria dos aluguéis dos imóveis locados em atraso? Como fazer festa com o setor de atendimento aos tuberculosos faltando “copinho para exame do escarro”? Esse problema foi resolvido com empréstimo por parte da administração do Hospital Regional Luís Viana Filho. 

Como fazer festa se a Escola Municipal de Tibina está sem telhado há cinco anos e meio? Quatro anos do governo passado e um e meio desse governo. E por dever de justiça, afirmo aqui que foi o pedido prioritário da secretária de Educação. Ninguém se importou! 

Como fazer festa sabendo que a Prefeitura de Uruçuca construiu (estou dizendo construiu) uma escola na região do Lajedão, no distrito de Banco Central? Como fazer festa com o município de Uruçuca administrando uma escola na fazenda vizinha à Vila de Castelo Novo? Como fazer festa com a escola Cecília Novaes, administrada por Uruçuca dentro do território de Ilhéus? Como fazer festa com a evasão escolar e a administração de uma escola dentro de Ilhéus sob a responsabilidade do município de Itajuípe? E a repetição desse fato em Buerarema, Itabuna, Coaraci e Una?  

Ninguém se importa! Os governantes em geral não têm noção alguma de quantos alunos de Ilhéus estão sendo contados nos Censos Escolares dos municípios vizinhos. É a comodidade?! Mais fácil o outro tomar conta? Resultado: na próxima revisão territorial perderemos mais chão e, com isso, cada vez mais recursos para cuidar de nossa população! Estive em Banco Central há dez dias e me surpreendi com a quantidade de pedidos para entregarmos o distrito para Uruçuca. Não é demagogia, basta ir e conferir. 

Como fazer festa sabendo que as estradas municipais estão sem receber manutenção e conservação? E não adianta culpar qualquer um dos secretários. Deve ser uma decisão conjunta do governo, com ampliação da frota e patrulha mecânica. A exemplo de optar por não fazer festa e comprar uma motoniveladora ou um caminhão ou um rolo compressor! Um de cada vez. Aí daríamos oportunidade para o morador do campo, para o produtor, evitando inclusive o êxodo rural, com o inchaço da cidade e seus problemas correlatos! 

Como fazer festa, se as estradas não permitem um transporte escolar decente, evitando inclusive a lei ser burlada com o uso de camionetes inadequadas ao transporte, principalmente para a segurança das crianças? É ruim a qualidade do serviço prestado pela empresa contratada. Quem quiser vá conferir. Ônibus velhos e da pior qualidade. 

Como fazer festa, se cheguei a Castelo Novo e as professoras afirmaram que a merenda era biscoito e suco artificial, porque não tem água potável para servir às crianças? Ninguém sequer discute o problema. E esse fato se repete em vários locais do interior. 

Como comemorar, se o atendimento da Atenção Básica à Saúde está deficiente e insuficiente, tanto na cidade como no interior? Houve melhora? Sim, porém, muito pouca face às demandas postas. Comemorar com reforma? Fazer reforma e manutenção é obrigação, não motivo para inauguração e festividade. É básico de um governo que se envergonhe! 

Nunca na história de Ilhéus tivemos o apoio por parte do Estado na área de Saúde. Causou ciúme em gestores passados. Sabe o que aconteceu? Perdemos esse apoio. O que está sendo feito e será feito é apenas o pactuado. O que era extra e espontâneo, nós perdemos. A Unidade de Pronto Atendimento que será “inaugurada” hoje, no prédio da antiga Policlínica Halil Medauar, que já tem quase duas décadas, era para ter iniciado as atividades desde abril, absorvendo os servidores do Hospital Geral Luís Vianna Filho, que encerrou as atividades no início de março deste ano. 

Como fazer festa, se não levamos a sério a questão da coleta e destinação dos resíduos sólidos, obrigando o município a uma despesa volumosa, que poderia ser aplicada em outros serviços essenciais e na melhoria da qualidade de vida da população? Não temos Plano de Saneamento Básico, não temos Plano de Resíduos Sólidos, instrumentos legais obrigatórios para o município. Ninguém se preocupa, ninguém discute. A discussão que se iniciará após a festa da cidade é decidir quantos milhares de pessoas serão anunciadas nos releases, seguido de como será o Réveillon? Depois, como será o Carnaval? A cidade precisa de uma discussão séria, analisando os problemas de fundo, inclusive com a absoluta participação da sociedade, que na maioria das vezes se omite. 

Como fazer festa, se nada se faz para que o município possa receber as pedras que serão retiradas da obra da ponte, para serem colocadas na Sapetinga, São Miguel e São Domingos? É imperativo que os locais estejam ambientalmente licenciados. Mas não se discute o projeto. 

Não fiz campanha e não andei pedindo voto para depois ver o governo deixar de lado os verdadeiros interesses de Ilhéus. Não fiz campanha para encher os cargos de confiança com pessoas de fora, sem compromisso com Ilhéus. Para não ser injusto e por ter sido testemunha do esforço dispensado, excluo dessa lista Gilson Nascimento, que tenho visto sua dedicação exclusiva, sem medir esforços para melhorar nossos problemas no trânsito e mobilidade. Não fiz campanha para ver pessoas ocuparem os mais altos cargos e manterem compromissos com empresas que continuam ligados.

Não fiz campanha para ver uma servidora que ocupava o cargo de Tesoureira ser substituída por um indicado do ex-prefeito de Itabuna, com a alegação de que será feito “um planejamento financeiro para Ilhéus”. Não fiz campanha para ver ex-candidato de outro município ocupar cargo importante sem conhecer os verdadeiros problemas de Ilhéus. Falo isso com conhecimento de causa, pois ocupei durante três anos e meio o cargo de secretário em Uruçuca, tendo dedicado todo tempo que passei por lá a estudar e trabalhar em benefício daquela comunidade. Tenho certeza, sem falsa modéstia, que sai de lá de cabeça erguida, respeitando e sendo respeitado. Quando vou lá sou muito bem recebido. Respeitei e conquistei o respeito até da oposição ao então governo. Aqui é diferente. Quem de Ilhéus conhece os que não são daqui? Quem os vê no dia a dia da cidade? 

Quando me afastei politicamente de Jabes, externei-lhe o que mais me incomodava: governar apenas ele e mais dois. Com Newton assisti ao mesmo filme no segundo governo. Agora, revendo novamente isso acontecer, não posso aceitar. 

Para finalizar, como poderia ir à festa da Cidade, depois de ouvir essa semana (por inconfidência involuntária de um secretário) que o prefeito ia dar ponto facultativo na sexta-feira (29), emendando os feriados de hoje até segunda-feira (2) para passar uns dias nos Estados Unidos com a família? Eu pensei que a cidade seria governada pelos dois homens fortes do governo na ausência do prefeito, porém, ao terminar de escrever esse texto, recebi a informação de que haveria transmissão do cargo. O ato de transmissão foi encerrado há pouco. Informei, de frente, que este artigo estava pronto e que faria esta alteração antes de publicar. Disse também que não procederia a nenhuma exoneração, ainda que desejasse. Meu pensamento é o de que apenas exonerar por três dias não terá o efeito que desejo; se assim fosse, procederia sem titubear. 

Continuarei com a esperança de um dia ver a cidade ser governada por alguém que realmente pense nos interesses de Ilhéus e não do próprio ou de outrem. Como já estou no amiudar da vida, talvez não veja. Porém, vive em mim a certeza de que meus filhos verão e meus netos desfrutarão de uma Ilhéus melhor. 

Saúdo a todos os ilheenses, a todas e todos os que votaram em Mário e em mim, acreditando em dias melhores, saúdo de forma especial àqueles que desejam e lutam para alcançarmos um patamar de governança, cidadania e participação social, comprometidos com o verdadeiro interesse público da cidade e seu povo. 

Salve São Jorge dos Ilhéus!

José Nazal Pacheco Soub é vice-prefeito de Ilhéus.

UMA HOMENAGEM A WALDIR – E À DEMOCRACIA

O ex-governador e ex-ministro Waldir Pires faleceu na manhã da última sexta-feira (22), enquanto o Brasil sofria para, ao final, vencer a Costa Rica por 2 a 0. Abaixo, republicamos, pela sua importância histórica, um artigo do jornalista Marival Guedes relatando um dos momentos da vida de Waldir Pires. Era o primeiro ano do mandato de vereador de Salvador. 2013.

Marival, numa das crônicas semanais ao PIMENTA, relatava diálogo que teve com o ex-governador e um dos momentos daquele fervilhante 2013, já na Câmara de Salvador e numa audiência em que o Movimento Passe Livre puxava as discussões na capital baiana.  O corpo de Waldir Pires foi cremado ao final da manhã deste domingo.


DE DISCURSOS E DE RENÚNCIAS

marivalguedesMarival Guedes | [email protected]

O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

Na audiência pública realizada pela Câmara, atendendo solicitação do Movimento Passe Livre (MPL) Salvador, mais de 300 entusiasmados jovens lotavam o Centro de Cultura. Foram 50 oradores, cada um com direito a três minutos, tempo controlado rigidamente pelo presidente do legislativo, Paulo Câmara.

Havia integrantes de vários partidos, outros que se autodenominam independentes e os antipartidários. Vários deste último grupo, bastante raivosos, os mais barulhentos. Muitas vezes as vaias impediam o pronunciamento, sendo necessária a intervenção do coordenador.

Mas quando um orador iniciou seu discurso, o silêncio foi total. Lembrando o que escreveu o compositor maior, naquele momento ouviríamos o barulho de “uma lágrima a cair no chão”. O vereador Waldir Pires (PT) começou elogiando os jovens e lembrou que começou aos 16 anos na luta contra o nazismo, de posição racista.

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana (Foto Paulo Macedo/BocãoN).

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana || Foto Paulo Macedo/BNews).

Falou da interrupção da democracia, com o golpe militar, quando muitos foram vítimas do exílio, torturas e assassinatos. Disse que continua na política (ele está com 86 anos), porque é a única forma de civilização humana de se transformar toda a sociedade.

Comemorando este novo momento, disse: “De repente vocês explodem e me deixam muito feliz”. Quando o coordenador da mesa avisou que o tempo estava se esgotando, a plateia de jovens do MPL se levantou e pediu para deixá-lo continuar. O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

A RENÚNCIA

Conheço pessoas que não perdoam Waldir Pires por ter renunciado ao governo do estado em 1989, dois anos após a posse, para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães, passando o cargo para o vice, Nilo Coelho. Certa vez, numa visita que ele fez à TV Cabrália perguntei, ao lado do então superintendente Ramiro Aquino, sobre a renúncia e expus os comentários dos bastidores.

“Professor são três as hipóteses que circulam sobre a renúncia: 1º) Que já havia este acordo com Nilo Coelho. 2º) que o senhor recebeu dinheiro. 3º) Que teve medo de morrer”.

(À época circulou uma informação sobre um atentado à vida dele. Foi encontrado um mapa geográfico no tanque de combustível do avião do estado, momentos antes do seu embarque.)

Waldir respondeu com a serenidade que o caracteriza: “Meu filho, não havia acordo, quem quer dinheiro fica no poder e quem tem medo não enfrenta uma ditadura. Renunciei por que acreditava que o doutor Ulisses ganharia a eleição, pois tínhamos 22 governadores do PMDB.”

CIRCUNSTÂNCIAS

Waldir não tomou decisão de última hora. A escolha para ser o candidato do partido era através do voto em dois turnos. Na convenção nacional do PMDB, além do então governador da Bahia, havia na disputa Ulysses Guimarães Iris Resende e Álvaro Dias. Ulysses e Waldir foram os dois mais votados, com Ulisses na frente. Para evitar o segundo turno, que poderia gerar uma divisão, o partido entrou em consenso e Waldir Pires ficou na vice, prevalecendo a lógica do mais votado. Talvez hoje Waldir argumente, “ eu sou eu e minhas circunstâncias”.

Marival Guedes é jornalista.

A UFSB E O COMBATE ÀS FRAUDES NA ENCRUZILHADA DO COMBATE AO RACISMO NO SUL DA BAHIA

Gabriel Nascimento || [email protected]

 

A encruzilhada do combate ao racismo hoje tem muitos caminhos. Inclusive o silêncio e o silenciamento. Por exemplo, não é possível ignorar que nas famosas reuniões da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais (ANDIFES) agora teremos um rosto negro (o único), com vasta produção em sua área, que é a recém-empossada reitora da UFSB, a professora Joana Angélica. Não é um fato menor

 

Quando, em 2013, surgiu a notícia da chegada da UFSB, houve um poço de esperança e desconfiança com sua chegada, sobretudo para quem era do sul da Bahia, como eu. No entanto, aos poucos ela foi sendo entendida como uma grande via de desenvolvimento dessa região imensa, com várias costas e tão diversos territórios de identidade.

E a UFSB foi ousada sim. É verdade que não avançou mais porque, sendo uma das últimas universidades federais construídas na era Lula/Dilma, bateu de frente com um golpe, um governo usurpador e golpista que tem sucateado tudo que é público no país, e uma assassina PEC 55, agora Emenda Constitucional 93. Mas é verdade, também, que o plano de expansão dos colégios universitários fincou na universidade o grande objeto de combate ao racismo na nossa região através de um projeto de universidade regionalizada.

Depois das universidades com projetos distintos do Reuni (o programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais dos governos de Lula e DiLma) com inserção multicampi e interiorização, em que universidades como a UNILAB ou UNILA cumpriam papéis de integração internacionalista Sul-Sul, ou como a UFABC que cumpria um papel ligado à integração com o setor produtivo, ou ainda a UFFS e a UFVJM que repensavam os territórios e identidades mais pobres de cada região e pensavam a inserção regional da universidade como forma de combater a pobreza, êxodo rural e promover a agricultura familiar, ou ainda a interiorização dos campi de universidades federais tradicionais, a UFSB era a menina dos olhos de ouro de quem pensava currículo universitário e ações afirmativas desde a base no país.

A UFSB foi ousada em termos de currículo e inserção regional. O seu projeto do currículo se alarga e se conecta ao da inserção à medida que sua proposta afirmativa mais ousada era a Rede Anísio Teixeira de Colégios Universitários, em que as próprias graduações de primeiro ciclo já começassem a funcionar na rede pública estadual com 85% de reserva de vagas para esse público. Para quem vem discutindo o projeto das cotas desde Durban, isso era quase mágico. Se não fosse o golpe, Temer e a Emenda 93.

Por outro lado, a UFSB também foi ousada no diálogo com o projeto de ações afirmativas para a graduação já existente em lei e nas demais federais. A comunidade acadêmica teve a coragem de reservar 55% de vagas nos campi e 85% nos colégios universitários para o ingresso nas chamadas graduações de primeiro ciclo. Aquilo era uma boa primeira resposta ao golpe e a Temer (mesmo tendo acontecido antes do golpe) de que essa universidade ia continuar resistindo. Mais tarde, mesmo com forte resistência interna, a aprovação de 75% das vagas para ingresso nas graduações de segundo ciclo colocaram a UFSB na grande encruzilhada do combate ao racismo regional nesta quadra de nossa história.

A autodeclaração foi uma das maiores tecnologias do nosso tempo. Fizemos até melhor que os Estados Unidos. O Estatuto da Igualdade Racial estabelece em suas premissas que agora este país devia admitir que há negros vivendo nele, forçando inclusive os candidatos nas eleições a se autodeclararem. Passados mais de 10 anos das cotas, os cursos de Medicina, Direito, Engenharias pouco se escureceram. Isso é visível. Basta passear dez minutos em qualquer faculdade de saúde do país. Parece a mesma coisa de andar pela Alemanha. Das duas uma: ou a lei de cotas excetua alguns cursos ou tudo isso não passa de um grande processo (que inclui cúmplices entre os agentes de Estado) de fraude. Bastaram as primeiras denúncias aparecerem em algumas grandes universidades, como UFRGS, UFMG ou UFF, para que a discussão da autodeclaração fosse reaberta por conta do racismo e da afroconveniência.

O racismo no Brasil, que é de marca e não de origem (no caso dos negros), soube utilizar a autodeclaração como sua tecnologia de burlar as cotas. Não em Letras e Filosofia. Mas em Medicina e Direito. Isso levou o Ministério Público Federal a sugerir comissões de verificação das fraudes. O argumento jurídico é simples. Na decisão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, impetrada pelo DEM para proibir verificação de cotas na UnB, e na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 41, o Supremo Tribunal Federal já tinha decidido pela constitucionalidade das chamadas bancas de verificação.

O racismo é tão cruel que até gente que era contra as cotas hoje frauda as cotas nas universidades e concursos públicos. Quando permitiu as comissões ou bancas, o Supremo prezou pela isonomia constitucional ao entender que, para promover diversidade, era necessário conceber a existência de grupos específicos. No Estado da Bahia a questão é ainda mais grave por termos a maior população negra depois da África. Enquanto em estados como o Rio Grande do Sul as denúncias pipocam, aqui caímos na bobagem de não entender que, neste momento, combater o racismo estrutural é combater a fraude. O candidato da fraude em geral sequer passa pela suspeição do que chamamos de branco baiano, que é aquele branco logicamente diferente (porque os brancos são diferentes e não há nenhum problema nisso) do branco do Sudeste. :: LEIA MAIS »

SERIA SÃO BOAVENTURA UM SANTO PERALTA?

Walmir Rosário || [email protected]

 

 

Pelo meu pensar, livre pensar, o líder desse padre de meia batina deveria ser o bispo e outras autoridades religiosas, de acordo com a hierarquia da Igreja Católica, merecedoras do nosso respeito, já que não tem o dele.

 

Não leve o título deste artigo como pejorativo. Pelo contrário. É enaltecedor das peripécias de que pode ser capaz, seja por inconformismo de sua nova casa ou pelo comportamento de seus seguidores. Há quem tenha levantado a tese de que seriam essas suas novas travessuras fruto da redução do número de devotos, haja vista o aumento geométrico dos protestantes, cada vez maior seguidores das velhas e novas denominações de igrejas.

Eu, com toda a sinceridade, não comungo esse estudo, se é que assim pode ser chamado, por não ter visto nenhuma base científica nesta pesquisa, que, de tão chula não pode, sequer, ser chamada de empírica. Acho que nem mesmo tenha saído de conversa de boteco, já quando os clientes se encontram fora do controle de suas faculdades mentais, devido aos efeitos do alto consumo das variadas bebidas alcoólicas.

Para não enrolar muito, explico nessas poucas linhas: É que me senti inconformado com o sumiço da placa de comemoração dos 300 anos de fundação da Paróquia de São Boaventura, há poucos recuados dias. E olha que não é todo dia que temos comemorações deste tipo, com a presença de altas autoridades civis e eclesiásticas, dada a importância do evento.

Acredito, mas longe de mim afirmar que o sumiço da placa tenha sido ação de oposicionistas religiosos intolerantes, do tipo do que estamos vendo todos os dias explodindo prédios e gente por esse mundo de meu Deus. Pelos meus cálculos, isso deve ser fruto de algum desses poucos ateus que habitam em Canavieiras e que agem com certa frequência conforme os ditames da anarquia.

E demonstro: Já no auge dos festejos, um painel que retratava os feitos e eventos históricos da Paróquia de São Boaventura apareceu com uma das fotos fora da ordem, ou seja, de cabeça pra baixo. Após a descoberta, não se discutiu muito o assunto, acho que por acreditarem sem importância, incapaz de levar qualquer mácula, ou pequena nódoa que seja. Tudo bem, passou em brancas nuvens, sem qualquer relevância.

Mas, com o sumiço da placa, os fiéis devotos de São Boaventura não se conformaram e passaram a questionar os pequenos atentados que devem ter a finalidade de desprestigiar tão brilhante homenagem. Mereceu até matéria jornalística investigativa do repórter Nei Amaral, da Costa Sul FM, que incomodaram setores da Igreja, e os motivaram a procurar tal profanada placa, finalmente encontrada num depósito no quintal da paróquia.

Se todos dão o caso por solucionado, volto a dizer que não comungo desse resultado. Mesmo sem ser historiador e não ter o conhecimento do mestre Durval Filho, nem dos memorialistas Raimundo Tedesco, Antônio Tolentino ou Beto Pescoço de Galinha, o que pouco passei as vistas dos acontecimentos pretéritos, a própria imagem de São Boaventura já fez algumas viagens sem a permissão dos dirigentes da Igreja.

Contam que trazida do Poxim para Canavieiras (sede), a imagem do seráfico doutor sumia da Igreja e voltava para o Poxim, caminhando pela praia, onde deixava seus passos impressos na areia. Lenda ou não, faz parte da h(e)istória e levanta a suspeita de que não estaria sendo tratado com a importância do “amável padroeiro”, daí voltando, vez em quando, para o local em que teria desembarcado do navio que o trouxe da Europa.

Ligando um ponto a outro, me lembrei da indignação de um católico fervoroso que não se conformava com o tratamento dispensado por um frade nascido em Canavieiras e que nem mesmo esperou a homilia e deixou a missa por acabar para embarcar num avião. O motivo alegado por esse padre de meia batina é que teria que embarcar para Curitiba, onde participaria de uma manifestação pro Lula, preso na Polícia Federal. Te desconjuro!

Até onde me remete os parcos conhecimentos sobre os votos e a ordenação sacerdotal, as obrigações religiosas estariam acima das mundanas, principalmente das políticas. Quem é que vai acreditar que um padre abandonou o altar para visitar um seu líder, preso por embolsar dinheiro de forma desonesta, como disse a Justiça? Mas me disseram: não ligue não, pois o Tribunal de Contas também não leva muita fé nas ações desse padre, quando na política. Tudo farinha do mesmo saco!

Pelo meu pensar, livre pensar, o líder desse padre de meia batina deveria ser o bispo e outras autoridades religiosas, de acordo com a hierarquia da Igreja Católica, merecedoras do nosso respeito, já que não tem o dele. Mas isso é assunto para o Direito Canônico e outros regulamentos religiosos resolverem se deverão ou não submeterem o dito cujo aos rigores da lei. Será que falta uma força tarefa do tipo Lava Jato na Igreja?

Para concluir, acredito piamente que esse sumiço da placa comemorativa e da colocação da foto de cabeça pra baixo no painel comemorativo foi um recado dado à população de Canavieiras pelo festejado arcebispo de Albano. Ainda mais quando ele é festejado nesta cidade em data antecipada, 14 de julho, quando a data correta é 15 de julho, que também deixou de ser comemorada por um bando de infiéis.

Castigo…na certa. Depois não reclamem das peraltices do Santo.

Walmir Rosário é advogado, radialista e jornalista, além de editor do Cia da Notícia.

CABRUCA E CACAU CABRUCA, MELHOR SAÍDA PARA O RURAL SUL-BAIANO

Wallace Setenta || [email protected]

 

O “novo preconizado” [repetindo a forma original de plantio] tinha agora como método predominante para sua expansão a “derruba total da mata nativa” para o plantio dos novos cacauais, mas numa perspectiva monocultural, produtivista e hierarquizada voltada unicamente para produção em escala [grandes volumes] visando apenas a exportação de bagas.  

 

Construímos o mundo em que vivemos durante as nossas vidas. Por sua vez, ele também nos constrói ao longo dessa viagem comum. Assim, se vivemos e nos comportamos de um modo que trona insatisfatória a nossa qualidade de vida, a responsabilidade cabe a nós. (Maturana, H. R.). 

A história das chamadas relações entre sociedade e natureza é, em todos os lugares habitados, a da substituição de um meio natural, dado a uma determinada sociedade, por um meio cada vez mais artificializado, isto é, sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade (Santos, M.). As modalidades dessas relações estabelecidas no sul da Bahia deram origem à CABRUCA, designação como é conhecido o Sistema Agrícola Tradicional Cabruca [SAT Cabruca], principiado e constituído há mais de 250 anos num ambiente natural de Mata Atlântica.

“Não foram os efeitos de braços estranhos, não o ouro de abastadas bolsas, não foi o amparo de governos fortes, mas a constância de modestos homens, a intrepidez do trabalhador patrício, cujo o único capital constituía nos seus braços, quem a fez triunfante”. (Bondar, G.)

Muitas outras denominações da Cabruca são habitualmente empregadas em função das especificidades locais onde se assentam: cabroca; cacau no brocado; brocado; cacau tradicional; cacau do jupará; cacau na mata; mata produtiva; agrossistema tradicional; cacau sob mata raleada, e mais recente como cacau cabruca ou como sistema agroflorestal tipo cabruca.

A evolução dinâmica desse processo de trabalho [cabruca] inovador, em permanente construção, continua sendo reinventado progressivamente frente às constantes mudanças nos contextos sociais e econômicos, técnicos e ambientais possibilitado pelo entrelaçamento harmônico em meio a cabruca [como processo trabalho]; o Bioma Mata Atlântica [meio natural]; e a sociedade local [como indutora e de forte conotação de conteúdo coletivo]. O conceito cabruca [conservação produtiva] concilia e viabiliza portanto as relações de produção, da “roça ao chocolate”, tendo como protagonista principal o produtor de cacau [como agente social] – sobre os ombros do qual a crise se avoluma.

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A REDE GIGASUL ESTÁ PARA NASCER

Gesil Sampaio Amarante Segundo

 

Além da pesquisa científica e tecnológica, esta rede poderá oferecer conexão de qualidade para as escolas, uma melhor interligação dos serviços de saúde, a viabilização de vigilância eletrônica para a segurança pública, e, melhor ainda, maior cooperação e sinergia entre todos estes serviços.

 

Em novembro de 2010 a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) lançou a proposta da Rede GigaSul, uma infraestrutura de banda larga baseada em fibra ótica para prover a região Sul da Bahia (iniciando pela microrregião Costa do Cacau) de comunicação eficiente entre suas instituições de ensino superior, pesquisa e inovação, demais serviços públicos (em particular saúde, educação básica e segurança) e prefeituras. Aderiram imediatamente à proposta as prefeituras de Ilhéus, Itabuna e Uruçuca, a Associação dos Municípios da Região Cacaueira (AMURC), a CEPLAC, o CEPEDI, os Institutos Federais (IFBA e IFBaiano) e a Santa Casa de Misericórdia. Outras parcerias vieram com o tempo, em particular a recém criada Universidade Federal do Sul da Bahia e o Sindicato das empresas do Pólo de Informática de Ilhéus.

ANEL DA FASE 1 DO GIGASUL 

O custo total desta infraestrutura com trajeto de 130km foi estimado em 5 milhões de Reais (fibra+equipamentos), destacando que apenas a UESC é obrigada a investir aproximadamente 700 mil reais por ano para o transporte do sinal de internet de Salvador, a uma velocidade abaixo de sua necessidade. Ficaria barato e traria inúmeras vantagens à região. 

Ao longo destes últimos oito anos houve várias tentativas de obter investimentos para este projeto, que ajudou Itabuna e Uruçuca a serem agraciados com investimentos federais no Programa Cidades Digitais (em 2012). Em 2015 houve sinalização positiva da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), que não se confirmou, mas ajudou a acelerar a criação do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSB), envolvendo a quase totalidade das instituições parceiras do GigaSul e várias outras.

A criação da UFSB, que usa intensamente a internet para suas atividades nos três campi (Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas) e nas diversas cidades que abrigam sua rede de Colégios Universitários, acabou por cristalizar o desenho da Fase 2 da Rede, com extensão total de 1300km, sendo 400km ao longo da BR 101. 

FASE 2 DA REDE GIGASUL

Na última semana (no dia 23/05), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), OS ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) responsável pela criação de diversas redes metropolitanas nas capitais e outros polos de desenvolvimento no país, anunciou em reunião com representantes de instituições parceiras do GigaSul o investimento em uma parte do seu traçado, unindo UFSB, Itabuna, CEPLAC, UESC e IFBA a 1GBit/s, o que deve ocorrer num prazo máximo de um ano. O anúncio renova os ânimos das instituições, que voltam a sonhar com diversos projetos e serviços à comunidade da região e com a melhoria das condições de execução de suas funções de ensino, pesquisa e inovação para o desenvolvimento do Sul do Estado. 

TRAJETO ANUNCIADO PELO RNP EM MAIO DE 2018

Há também a esperança de que o governo estadual oficialize a adesão do Estado da Bahia ao acordo entre RNP e a CHESF, o que daria acesso aos órgãos do Estado da Bahia e demais instituições servidas pela RNP a uma estrutura central (backbone) superior a 1.100km, chegando a Barreiras a oeste, Juazeiro a norte  e Teixeira de Freitas ao sul, viabilizando as Fase 2 do GigaSul (complementado por meio de parcerias com provedores locais) não a 1, mas a 100GBit/s. O investimento total do Estado neste acordo seria da ordem de 24 milhões de reais (20 vezes menos do que custaria a criação de rede própria com esta mesma abrangência), ao longo de três anos, valor que pode ser compensado pela diminuição de custos da própria administração estadual neste período e que trarão imensas vantagens à população e à competitividade da Bahia.

Além da pesquisa científica e tecnológica, esta rede poderá oferecer conexão de qualidade para as escolas, uma melhor interligação dos serviços de saúde, a viabilização de vigilância eletrônica para a segurança pública, e, melhor ainda, maior cooperação e sinergia entre todos estes serviços. Também poderão ser viabilizadas parcerias com a iniciativa privada, favorecendo o empreendedorismo em áreas estratégicas portadoras de futuro.

Se todos fizermos nossa parte, este projeto pode representar uma pequena revolução para nossa gente.

Minha única dúvida é quanto à palavra “pequena”. 

Gesil Sampaio Amarante Segundo é professor da Uesc






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