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:: ‘Artigos’

EDUCAÇÃO NOTA ZERO

Walmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

Trata-se de uma proposta de nivelamento por baixo, no sentido de manter (e por que não criar) uma sociedade alienada, apropriada para os propósitos do partido dominante, cujos projetos versam apenas sobre a oportunidade de se eternizar no poder.

Estamos vivendo numa época ímpar, na qual cada vez mais são relegados ao desprezo os valores éticos e morais. Essas mudanças poderiam ser entendidas como decorrentes das transformações normais de qualquer sociedade não fossem provocadas pelas pessoas que defendiam bandeiras opostas, através de postulados filosóficos considerados dogmas intocáveis para a preservação da moralidade.

Com as mudanças a sociedade assiste, passivamente, que as velhas bandeiras da educação não passam de um biombo onde a ideologia esconde seus verdadeiros objetivos: quebrar paradigmas. Só que até hoje muita gente não se apercebeu de que os modelos substituídos não possuem parâmetros ou comandos capazes de impor um freio na degeneração social.

Em suma, se aposta no quanto pior melhor, no sentido de propor medidas apenas paliativas quando a solução está a exigir mudanças efetivas, duradouras, e que possam ser consideradas avançadas.

Essas propostas que vêm sendo colocadas em prática pelos profissionais da educação de sucessivos governos é um atentado à obtenção de conhecimento, sobretudo por não privilegiar a busca do saber pelos alunos. Nem precisa, pois eles são automaticamente passados para as séries seguintes sem qualquer aferição sobre o conhecimento adquirido pelos estudantes.

Perde com isso o ser humano uma das suas motivações mais primitivas que é ambição de galgar conhecimento, status social e profissional na sociedade, geralmente adquiridos por meio do aprendizado. Essa prática tem criado um clima desestimulador na sala de aula, em que os alunos não precisam estudar, pois estão previamente aprovados.

Em defesa desse modelo, professores que apoiam esse método ou pelo menos aceitam, dizem que a avaliações procedidas em sala de aula são insuficientes para mensurar a educação. Para esses defensores da aprovação automática, as provas medem apenas o que o aluno está com vontade de responder instantaneamente. O fato mais desanimador é que, em nenhum momento, os defensores dessa proposta apresentam um projeto que incentive o aprendizado e melhore o nível de conhecimento repassado pelos professores em sala de aula.

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E O FORRÓ CONTINUOU

Ricardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

Numa ironia com o rei do baião, ficou determinado como imoral se falar em forró nas cidades onde a chuva se esqueceu de cair.

Quiseram o destino e os humores do clima que o ano do centenário de Gonzagão coincidisse com uma das piores secas que já assolaram o Nordeste e, em particular, a Bahia, com mais de 200 municípios sofrendo as agruras da estiagem. É provável que, se vivo estivesse, o velho Lua, que expressou essa mesma realidade cíclica em sua música, manifestasse certa frustração pelo fato de que até os dias de hoje o nordestino pobre continua irremediavelmente escravo das condições climáticas, e dependendo de ajudas incertas. Recursos trombeteados, mas que quase não chegam ao destino, agarrados antes pelas unhas dos “carcarás”.

Em Vozes da Seca, parceria com Zé Dantas, o rei do baião já deixava claro que o nordestino não precisava de esmola, mas sim de um apoio efetivo para conviver com a seca. “Seu doutor, os nordestino têm muita gratidão/Pelo auxílio dos sulistas nesta seca do sertão/Mas, doutor, uma esmola para um homem que é são/Ou lhe mata de vergonha,ou vicia o cidadão”. O recado tem quase 60 anos, mas nada mudou e a indústria da seca continua próspera.

Na Bahia, cidades fantasmas, lavouras perdidas, fome e morte. O governo anunciou para todo o Nordeste um pacote de R$ 2,7 bilhões destinado ao programa de carros-pipa e ações do Programa Água para Todos. Quanto desse dinheiro chegará aos que sucumbem na seca? Quanto ficará preso às malhas da burocracia e da ladroagem?

Numa ironia com o rei do baião, ficou determinado como imoral se falar em forró nas cidades onde a chuva se esqueceu de cair. Como, se morrem de sede, poderão fazer festa junina e celebrar suas tradições? Gonzagão lamentaria, não com a indignação dos empresários das bandas de forró eletrônico e outras variações, mas com a tristeza do sanfoneiro pé-de-serra, com seu gibão e chapéu de couro, cara marcada de sofrimento… Este sim, também uma vítima da seca.

Leia a íntegra clicando aqui.

A GUARDA MUNICIPAL E A OSTENSIVIDADE POLICIAL

José Januário Félix Neto | netto_felix74@hotmail.com

O sistema organizacional de segurança necessita de modificações. O aporte humano e técnico da GCM atuando em conjunto com as outras corporações policiais irá dar subsídios ao combate direto à criminalidade.

As Guardas Municipais têm sua criação histórica datada de 1550 em solo brasileiro. As Ordenações Afonsinas, Manuelinas e por fim o Livro V das Ordenanças Filipinas disciplinavam o processo de apuração criminal da época, prevendo as formas de crime e as penas aplicadas, sendo assim, seria necessário também um sistema estatal de repressão contra invasores de locais já conquistados e povoados.

Ao longo do tempo as Guardas Municipais tiveram várias denominações: Corpo de Milícia, Serviços de Ordenanças e Regimento de Cavalaria Regular da capital mineira, este predecessor da Polícia Militar de Minas Gerais, sendo a corporação militar estadual mais antiga do Brasil.

Com as publicações dos Decretos de números 667 e 1070, do ano de 1969, os municípios foram obrigados a modificar a natureza jurídica das Guardas Municipais, retirando a finalidade ostensiva e de prevenção da segurança pública, para pura e simplesmente serem órgãos componentes da administração pública com sua finalidade voltada para preservação dos bens móveis e imóveis do município.

Com o advento da Carta Magna de 1988, artigo 144 §8°, ficou a cargo do gestor municipal a sua nova finalidade restritiva, mas o artigo 78 da Lei 5.172/1966 disciplina categoricamente o Poder de Polícia de maneira inteligível, norteando juristas e doutrinadores no sentido de que não cabe tão-somente ao Estado via Polícia Militar órgão executivo de Segurança Pública, atribuição e competência exclusiva para atuação no policiamento ostensivo nas cidades de médio e grande porte dos entes federados.

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UM CHOQUE DE AUTOESTIMA

Daniel Thame | www.blogdothame.blog.br

Que os governantes efetivamente governem, que nossas entidades representativas deixem de ser apenas bajuladoras do governante de plantão e que os itabunenses rompam esse comodismo que está fazendo a cidade perder espaço para outros municípios.

Durante décadas, Itabuna foi uma das cidades mais importantes da Bahia e chegou a ocupar o posto de terceira maior economia do Estado, superada apenas por Feira de Santana e por Salvador, a capital.

Sem ser necessariamente uma grande produtora de cacau, por conta de sua modesta extensão territorial, Itabuna converteu-se no polo de comércio e prestação serviços de uma região com cerca de 100 municípios, impulsionados, todos eles, por um único (e à época altamente rentável) produto.

A cidade, vigorosa em sua economia, atraiu uma leva de empreendimentos que a modernizaram e lhe deram ares de metrópole.

Era a Capital do Cacau, como diziam seus moradores, rumo a seu futuro dourado.

A vassoura-de-bruxa, em duas décadas, interrompeu a marcha e reduziu o crescimento da cidade. Ainda assim, fruto do espírito empreendedor de sua gente, uma característica marcante, Itabuna ampliou o setor de serviços e viu nascer polos de ensino superior e de saúde privada.

A crise, entretanto, revelou aquilo que os momentos de fartura mascaravam: os imensos problemas estruturais de uma cidade sem planejamento, que cresceu de forma desordenada e que não consegue atender demandas básicas de seus moradores, como saúde pública, educação, saneamento e inclusão social.

O preço de ser a “Capital do Cacau” (agora, entre aspas) foi altíssimo: milhares de pessoas, despejadas das propriedades rurais por conta da crise do cacau, migraram para Itabuna, formando grandes bolsões de miséria na periferia, gente quase sempre sem qualificação profissional e, por conta dessa mesma crise, sem mercado de trabalho.

Itabuna ainda é uma grande cidade, mas estagnou-se. Foi superada, com folga, por Vitória da Conquista e, se não houver mudanças drásticas, corre o risco de, em menos de uma década, ser ultrapassada por Barreiras, Santo Antonio de Jesus, Eunápolis e Teixeira de Freitas, que vêm ostentado saltos significativos em suas economias.

Quem visita Vitória da Conquista, Teixeira de Freitas e Santo Antonio de Jesus, encontra cidades que tem problemas sim, mas respiram desenvolvimento.

Parece simplório, mas o itabunense ao entrar nessas cidades, com acessos bem cuidados, ruas e avenidas limpas e prédios comerciais bem conservados, não consegue deixar de traçar um paralelo com Itabuna e seus acessos, seja os da BR-101, seja os da BR-415 tomados pelo mato e pela sujeira, com as ruas esburacadas logo nas entradas da cidade.

Para quem aprendeu a amar essa cidade, caso deste escriba, é de se lamentar ver Itabuna ficando para trás, como se alguma bruxa amarrasse os ponteiros do relógio do tempo e do progresso.

Lamentações? Bruxarias?

Nada disso! O que Itabuna precisa mesmo é de um choque de auto-estima, daqueles que envolvem o poder público e a sociedade organizada.

Que os governantes efetivamente governem, que nossas entidades representativas deixem de ser apenas bajuladoras do governante de plantão e que os itabunenses rompam esse comodismo que está fazendo a cidade perder espaço para outros municípios.

Sejamos condutores do destino da nossa cidade e não apenas passageiros de um bonde sem freio e, nessa longa estrada da vida, sem motorista.

Daniel Thame é jornalista, escritor e mantém o Blog do Thame.

SOBRE O CINE TEATRO JORGE AMADO

Fernando Caldas

Mas que milhão pode comprar a liberdade? Nenhum! Vamos seguir sonhando verdores, se eles virão ou não, que importa ao sonhador?

Eu acreditei e ainda acredito que podemos reativar o antigo cine teatro Itabuna. Não acredito em governos, esse ou aquele, mas que um dia a consciência coletiva grapiúna supere as trevas. Em relação ao cine teatro, a FICC já havia conseguido apoio do Banco Santander, também já havia reservado um montante próprio e tinha marcado reuniões com grupos interessados, inclusive com a Vale (eles próprios nos telefonaram mostrando interesse), e já tinha um projeto arquitetônico em fase final.

Não sou político no sentido estrito. Sonho uma Itabuna digna, humanizada, ambientalmente equilibrada e que enfatize as artes, a educação. Como diz o outro, tendo uma harmonia possível, sem grandes utopias. Mas o tempo ainda é de trevas, de absoluta ignorância.

Nesse sentido, não vejo grandes diferenças entre os gestores de Itabuna e a maioria do seu povo. Bares prosperam em Itabuna, farmácias e casas mortuárias, nada mais. Itabuna é muito boa para a Ambev, mesmo quando Itabuna se desloca para o litoral, nos feriados prolongados.

Fui fundador do grupo GRAMA, da Fundação Pau Brasil, do Núcleo de Ciências Agrárias da UESC, do Núcleo de Cultura da Loja Rosacruz de Itabuna e também da FICC. Sou autor do Projeto de Artes para Crianças e Jovens, hoje chamado de PAB, do Projeto Multiarte Firmino Rocha, dos Projetos de Resgate Literário e Musical de Itabuna, dentre outros. Não me cansei ainda, não desisti.

Agora mesmo, estou ajudando a fundar a Associação Itabunense de Artistas. Tudo sempre a troncos e barrancos, batendo de frente com o imaginário itabunense, que não consegue abandonar seu ranço de coronelismo, sangue e analfabetismo. A grande questão é: há razão em ajudar os que não querem ser ajudados? Sim, há. Porque enquanto houver crianças torna-se necessário construir castelos de sonhos.

Orgulho-me muito de não ser de partido nenhum, de não precisar puxar saco de ninguém, de dizer o que penso. Não preciso de Azevedo, nem de Geraldo, nem de Fernando, nem de qualquer político. Porque Itabuna não tem outros donos, senão o seu povo – mesmo que esse povo ignore profundamente a força que tem. O preço que pago é ser pobre. Mas que milhão pode comprar a liberdade? Nenhum! Vamos seguir sonhando verdores, se eles virão ou não, que importa ao sonhador?

Fernando Caldas é diretor de projetos da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC).

A política de saúde como desculpa para acessar o dinheiro da Gestão Plena

Raimundo Santana

Qualquer órgão que vá analisar seriamente a possibilidade de retorno da gestão plena da saúde em Itabuna, levando em conta critérios técnicos, teria resistência em opinar positivamente.

Já era esperado que em 2012, por ser ano eleitoral, aumentassem as investidas do poder público municipal de Itabuna em busca dos recursos financeiros da média e alta complexidade da gestão plena da saúde. Por esse motivo, no mês de fevereiro criou-se, por consenso dos conselheiros, inclusive com a presença do secretário municipal de Saúde e demais conselheiros que representam a gestão municipal, uma comissão técnica formada por entidades isentas no debate.

O objetivo da comissão era avaliar se o Município reuniria as condições de pleitear o retorno do comando único da saúde. Ficaram de fora dessa comissão o poder público municipal e a Sesab, justamente para evitar que os interesses influenciassem os trabalhos.

A conclusão desse estudo confirmou o que toda a cidade já sabia, que o poder público municipal não busca sanar as irregularidades e deficiências existentes na atenção básica e no Hospital de Base. Muitas das irregularidades foram apontadas reiteradas vezes pelo Conselho Municipal de Saúde e pelo Ministério Público Estadual, onde certamente, se as recomendações que visavam solucionar os problemas tivessem sido seguidas, o comando único da saúde já teria se restabelecido em Itabuna.

Não poderia ser diferente. Aliás, qualquer órgão que vá analisar seriamente a possibilidade de retorno da gestão plena da saúde em Itabuna, levando em conta critérios técnicos, teria resistência em opinar positivamente.

Serviços como o de saúde bucal não funcionam, a estrutura dos postos de saúde deteriorada, atendimento ao usuário totalmente precarizado, frota da Secretaria de Saúde servindo a outras finalidades, acompanhamentos de pré-natal não funcionam, entre outros entraves. Além de tudo isso, as contas da saúde são reprovadas de forma recorrente pelo Conselho Municipal de Saúde e pelo tribunal de contas dos municípios.

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SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES

Israel Nunes | professor.israelnunes@gmail.com

 

O pronunciamento judicial nada diz em relação à legitimidade dos interesses defendidos pelos trabalhadores.

 

Um meio muito comum ultimamente de tentar esgotar politicamente as lutas dos trabalhadores em prol de melhores condições de vida é a judicialização do conflito. Isso tem ocorrido com bancários, policiais militares, operários da construção civil e, recentemente, com os professores.

Trabalhadores da iniciativa privada ou do setor público têm as suas reivindicações ocultadas por uma disputa judicial que desloca o centro do conflito das reivindicações objetivas para uma discussão sobre a legalidade ou não da greve, ou para ações em que se discute a posse, como no caso dos interditos proibitórios ajuizados na Justiça do Trabalho ou comum.

Esta tática, de judicializar o conflito, além de tentar deslocar o cerne da questão, passa a ideia para a opinião pública de que as reivindicações serão apreciadas por um órgão “imparcial”: o Poder Judiciário.

Ledo engano. O pronunciamento judicial nada diz em relação à legitimidade dos interesses defendidos pelos trabalhadores, mas sim, e de maneira duvidosa às vezes, sobre aspectos relativos à legitimidade das formas de luta. Ou seja: do ponto de vista do conteúdo, a discussão não será sepultada, embora do ponto de vista da forma a greve ou o piquete possam ser sepultados.

E o aumento de cerca de 22% que os professores pretendem é absolutamente injusto. Porque é pouco.

Muitos países com economia pífia diante da nossa têm níveis de escolaridade mais elevados do que o Brasil. Em muitas outras nações o professor é um profissional mais valorizado do que é no Brasil. É uma situação vergonhosa. É humilhante, melhor dizendo. Humilhante para os brasileiros, humilhante para o Brasil, humilhante para os professores.

É, induvidosamente, uma necessidade inadiável vincular pelo menos 10% do PIB para a educação pública.

A transformação social que os governos progressistas do ex-presidente Lula e da presidenta(e) Dilma tanto almejam passa, de maneira indiscutível, pela valorização dos profissionais da educação. No âmbito do Estado da Bahia, a coisa não é diferente, visto que temos um Governador de um partido ligado aos interesses dos trabalhadores.

É uma questão do Estado Brasileiro e que deve ser tratada desse modo. A construção da cidadania e da noção de soberania popular, se é que ainda se pode falar de soberania no plano internacional, depende da construção de um povo educado, visto que a educação possui um caráter nitidamente emancipatório. O professor desempenha esse papel crucial. Com o perdão do exagero: se o matarmos de fome, a quem recorreremos?

Ao Poder Judiciário? Talvez, para declarar a ilegalidade da morte por inanição, quem sabe…

Devemos ser razoáveis e aproveitar a oportunidade para corrigir logo esse erro histórico, concedendo de imediato 22% aos professores estaduais e destinando 10% do PIB nacional para a educação.

Israel Nunes é professor e procurador federal.

UMA SEMANA PARA (NÃO) ESQUECER

Ricardo Ribeiro | redacao@pimentanamuqueca.com.br

 

A crítica (no Pimenta) está sempre presente, do PT ao DEM, desde que a mereçam, sem as tais misturas espúrias apontadas pelo rei.

 

Não diria que a última semana foi daquelas para esquecer, apesar dos fatos lamentáveis ocorridos, sendo desnecessário mencioná-los novamente aqui. Mas não se deve esquecê-los, pois o que esteve em jogo foi o velho conflito entre a liberdade e a prepotência, o direito e a truculência, a democracia e o mandonismo. E nossa alegria vem do fato de que a imprensa e outros setores da sociedade regional escolheram claramente os bons valores e repeliram com veemência o resgate do chicote.

É preciso, contudo, dar um tempo nesse assunto, pois a reação saudável contra a tirania não pode dar lugar aos que pretendam aproveitar o episódio com outros interesses. Nunca foi esse o nosso desejo, apesar das associações maldosas feitas por quem, na ausência de argumentos, prefere desqualificar a versão alheia. Não só a versão, mas a própria pessoa que a apresenta, numa tentativa que só evidencia o desespero de quem não sabe como se sair bem da asneira que cometeu. Só mentindo mesmo, mas o problema do leviano contumaz é que sua credibilidade é tão sólida quanto uma bolha de sabão.

A arrogância do poder que não vê limites, e não baixa a cabeça, prefere morrer atirando a reconhecer o equívoco, ainda que pudesse atribuí-lo a um momento de desatino ébrio. Melhor seria se assim fizesse, pois errar é humano, mas persistir e se aprofundar no erro é de uma estupidez lapidar.

Quando o arrogante diz que foi ele quem deu o primeiro bom emprego a este humilde escriba, em mais um ataque de reizinho, esquece de que o trabalho não foi pedido a ele nem por ele oferecido. O ingresso se deu por mérito e a escolha coube a quem conhecia a capacidade do profissional. E não foi o rei que, do alto de seu poder magnânimo, jamais conseguiria enxergar nossa insignificância (do ponto de vista dele, naturalmente).

Ainda na firme disposição de desqualificar, o rei atribui ao jornalista a pecha de “pena comprada”, lembrando que o mesmo trabalhou em um período e voltou a trabalhar para o atual governo de Itabuna. Diz que este que vos escreve mistura as coisas e usa o blog Pimenta na Muqueca a serviço de interesses escusos. Suprema leviandade de Sua Majestade, que precisa saber de uma coisa: quando trabalhamos na Prefeitura, pedimos afastamento do blog, a fim de evitar qualquer tentativa de utilização indevida.

A independência do Pimenta é um valor que continua a ser perseguido (sem trocadilho), bastando aos leitores observar diariamente as notas para perceber que a crítica está sempre presente, do PT ao DEM, desde que a mereçam, sem as tais misturas espúrias apontadas pelo rei. Aliás, é hora de perguntar: o rei está nu? Talvez sim, mas o que se sabe é que pelo menos a máscara caiu.

Agora chega de falar de arrogância, truculência, perseguição, mandonismo e de estupidez. Neste momento, desejo somente agradecer pelas inúmeras manifestações de apoio e solidariedade. A todos que se revoltaram e se indignaram com a arbitrariedade e o abuso de poder, o meu muito obrigado. Certamente irei agradecer e abraçar cada um na primeira oportunidade.

Viva a democracia!

POLÍTICOS TÊM QUE SER ÉTICOS, MORAIS E COMPROMISSADOS

Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br

 

Na eleição deste ano, um ingrediente vem esquentar ainda mais o debate: a exigência da comprovação do candidato ser um político “ficha limpa”.

 

As campanhas políticas se aproximam e a partir de junho próximo teremos os candidatos aos cargos executivos e parlamentares, em nível municipal. Enquanto as convenções não definirem quais são os escolhidos pelos diversos partidos e coligações como candidatos a prefeito e vereadores, todo cidadão com suas obrigações eleitorais em dia tem o direito de lançar seu nome à apreciação dos eleitores.

E é bom que assim o faça – no papel de pré-candidato –, no sentido de que os eleitores tenham tempo suficiente para analisar o passado desses políticos, desde a lisura com que tratou as finanças públicas quando ocupou cargos e mandatos, ou o compromisso com as causas da sociedade. Mesmo aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de exercer cargos podem ser avaliados pela conduta ética e moral.
Como bem disse o filósofo André Comte-Sponville, “a moral é solitária (ela só vale na primeira pessoa); toda política é coletiva. É por isso que a moral não poderia fazer as vezes de política, do mesmo modo que a política não poderia fazer as vezes de moral: precisamos das duas, e da diferença entre as duas!”, ensinou.

Para ficar mais claro, vale a pena lembrarmos de mais um trecho do pensamento do filósofo no seu trabalho “Apresentação da Filosofia”, quando diz, textualmente: “Uma eleição, salvo excepcionalmente, não opõe bons e maus, mas opõe campos, grupos sociais e ideológicos partidos, alianças, interesses opiniões, prioridades, opções, programas…Que a moral também tenha uma palavra a dizer é bom lembrar (há votos moralmente condenáveis). Mas isso não nos poderia fazer esquecer que ela não faz as vezes nem de projeto nem de estratégia. O que a moral tem a dizer contra o desemprego, contra a guerra, contra a barbárie?”, reforça.

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JORGE AMADO E O SUL DA BAHIA

Adary Oliveira

O artigo publicado na Folha de S. Paulo em 28/03/2012 com assinatura de Fabio Feldmann, com o título “Ameaça sobre o legado de Jorge Amado” deixou a Bahia indignada. Jorge Amado nunca desejou que os habitantes da terra de São Jorge do Ilhéus vivessem na pobreza e na miséria eternamente. As belas histórias que ele relatava com maestria, retratando as belezas do lugar, os costumes ímpares que iam da rica culinária ás vestes, das danças folclóricas ás gingas da capoeira, com palavreado singular e recheado de gírias da terra do cacau, não traziam desejo nem vaticinavam que a gente grapiúna estaria condenada a viver em ambiente hostil e insalubre para salvar o macaco-prego-do-peito-amarelo nem as cem espécies de morcegos catalogadas por estudiosos desses animais.

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NÃO APENAS ARROGANTE

Davidson Samuel | davidsonsamuel@pimentanamuqueca.com.br

As pesquisas eleitorais não andam fazendo bem ao deputado federal Geraldo Simões. O parlamentar tem gasto parte do seu tempo maquinando maldades. Como se velho carlista fosse, agora também age pedindo cabeça de profissionais que ousam discordar de seus métodos, projetos etc.

Não importa a área. Também o faz na comunicação. E quando a empresa possui fortes ligações com a política – e a mesma não age de forma profissional, o campo se torna fértil para GS executar os planos dele. Tudo para tentar evitar nova derrota em eleição que se avizinha. Nada de projetos, discussão, argumentos. Cabeças na bandeja.

Calma lá, Geraldo. O que está acontecendo? Por que trocar a empatia de ontem pela arrogância e perseguição hoje? Que ganho há nisso? Que ganho há em agir como mau caráter?

Gaste seu tempo discutindo projetos para a população, pensando em boas ações de mandato – afinal, mesmo perdendo tantos votos em Itabuna em 2008, você ainda é parlamentar federal. (Re)aprenda a ouvir e a tirar lições disso. Não faz mal. É saudável para a democracia. Arrogância, perseguição, vingança são ações típicas de político em final de carreira. Deixe o porrete de lado. Argumente, cerque-se de bons conselheiros… Antes que a vaca vá pro brejo.

Davidson Samuel é um dos blogueiros do PIMENTA.

A GRAÇA DO LIXO EM ITABUNA

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.
Gregório de Mattos

Gustavo Felicíssimo | gfpoeta2@hotmail.com

Enquanto nossa indignação não ganhar as ruas, esse estado de coisas continuará como está: piorando sempre.

Muito ouvi falar sobre a reportagem da Rede Globo acerca do problema do lixo em Itabuna, mas como cultivo o saudável hábito de quase não assistir a programas de TV, excetuando os de futebol, não vi a reportagem, muito embora esteja percebendo a repercussão avassaladora que a mesma vem tendo.

De tudo que li nada sintetiza tão bem o problema como o poema A graça do lixo em Itabuna, escrito pelo Piligra e disseminado pelo mesmo via Facebook. Trata-se de um soneto tecido sob o signo da ironia, em que o autor mostra-nos a “Farsa reinando em tribuna…” e vai além, diz-nos que “No lixo repousa a graça / Da cidade de Itabuna!”.

É fácil compreender a dialética do autor, pois os lixões são depósitos sem nenhum tratamento, com a diferença de que são institucionalizados, isto é, autorizados pela prefeitura. Esses depósitos causam a poluição do solo, das águas que bebemos e do ar, pois as queimas espontâneas são constantes. Muita gente pensa que se o lixão está longe de sua casa, ele não está lhe causando problemas. Isso é um grave engano.

Pior ainda é o fato de que o lixão atrai a população mais carente, que passa a se alimentar dos restos encontrados e a sobreviver dos materiais que podem ser vendidos. E o que o poeta faz é nos dizer, com outras palavras, que esse tipo de degradação humana não pode mais ser tolerada “No lixo que traz a morte…”.

E assim caminhamos, não apenas com os lixões, mas também com as escolas em estado de penúria, a segurança pública que não oferece segurança, os hospitais sucateados, as vias urbanas mal pavimentadas, a cegueira entranhada no poder e a inevitável corrupção cada vez mais galopante. É por isso que o vocábulo “graça” – que aqui no nordeste é também sinônimo de “nome próprio” ou “alcunha” -, grafado no título do poema e no penúltimo verso esconde um escárnio, pois estaria o poeta dizendo-nos que “No lixo repousa o nome/ Da cidade de Itabuna”. Não rimaria, mas faria muito mais sentido.

Enquanto nossa indignação não ganhar as ruas, esse estado de coisas continuará como está: piorando sempre. Cabe à sociedade organizada, aos líderes comunitários, aos sindicatos, associações de bairro e aos raríssimos políticos de boa fé reagirem a tantos desmandos e descalabros.

Para finalizar, deixo sugestão às autoridades (in) competentes e comunidade em geral para que assistam ao documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelos brasileiros João Jardim e Karen Harley, também pela britânica Lucy Walfer, sobre o trabalho do fotógrafo e artista plástico Vik Muniz, conhecido e reconhecido no mundo das artes por conta das suas obras feitas com materiais orgânicos e recicláveis, uma forma revolucionária de fazer arte. Ovacionado por grandes artistas, o documentário, lançado no Brasil e Reino Unido, tem aproximadamente 90 minutos e versa sobre arte e sobre pessoas sofridas que trabalham em um lixão.

Sem mais delongas, pois esse assunto me deixa um lixo. Vamos ao poema.

A graça do lixo em Itabuna…

Piligra

Eu sinto o cheiro do lixo,
No lixo o cheiro mais forte,
Pago a preço sempre fixo
O prefixo da má sorte…
 
Eu não entendo de sufixo,
Muito menos de suporte,
O mal cheiro não é prolixo
No lixo que traz a morte…
 
A morte cheira a desgraça,
Traça que corrói fortuna,
Do lixo nasce a trapaça,
Farsa reinando em tribuna…
 
– No lixo repousa a graça
Da cidade de Itabuna! 

Gustavo Felicíssimo é escritor e editor da Mondrongo Livros – A Editora do Teatro Popular de Ilhéus.

O PC DO B TEM TODO O DIREITO DE ENTRAR NA DISPUTA

Ricardo Ribeiro | redacao@pimentanamuqueca.com.br

 

O PT de Itabuna vive o mal típico dos arrogantes, que conseguem enxergar o cisco no olho do outro, mas não percebem uma trave na própria visão.

 

PT e PCdoB, partidos que militam no mesmo campo, têm entre si uma relação de amor e ódio. Aliás, pode-se dizer que é mais de conveniência e arranca-rabos, pois a união das legendas sempre se deu muito mais pela necessidade de se fortalecer para viabilizar projetos eleitorais do que pela alegada afinidade programática, que fica somente na superfície.

A briga entre os partidos se dá principalmente quando o PCdoB, o polo mais frágil da relação, ensaia andar com as próprias pernas. Nesses momentos, o PT se arvora de um autoritarismo patriarcal e vê a liberdade dos comunistas como rebeldia. É bem o que acontece neste momento em Itabuna.

Wenceslau Júnior, vereador em terceiro mandato, militante comunista oriundo do movimento estudantil universitário, foi confirmado como o nome do PCdoB na disputa sucessória. Ele integra um bloco formado por cinco partidos (PCdoB, PRB,PV,PDT e PSC), onde há outros dois pré-candidatos: Vane do Renascer, do PV, e Acácia Pinho, do PDT. O compromisso é de que o melhor posicionado nas pesquisas e de maior capacidade para aglutinar os partidos da frente terá o apoio dos demais.

Para o PT, a estratégia do PCdoB é uma atitude destrambelhada, um acinte, um desacato à autoridade. Há pressões de todos os lados, desde os que lembram a posição dos comunistas de satélite do petismo nas esferas federal e estadual (o tom é sempre de ameaça) até aqueles petistas que procuram ironizar, diminuir e constranger os antigos aliados. Um deles utiliza velho ditado para alertar o PCdoB: “formiga quando quer se perder, cria asa”.

Há ainda os que relembram 1996, quando o PCdoB lançou candidatura própria em Itabuna e o nome então apoiado pelo PT, Renato Costa, perdeu para Fernando Gomes, à época no PTB. A pecha de laranja foi colocada pelos petistas inconformados, como se não houvesse outro caminho para os comunistas, senão o de ser uma sombra do PT.

Mais uma vez, repetem o argumento. Advertem que a divisão das esquerdas pavimentará o caminho do prefeito Capitão Azevedo (DEM) à reeleição, mas se esquecem de que a candidatura petista é fruto de imposição autoritária e não agrada aos partidos que historicamente têm se aliado ao PT. Caso Azevedo se reeleja, será por culpa dos comunistas ou da insistência em uma candidatura desagregadora?

O PT de Itabuna vive o mal típico dos arrogantes, que conseguem enxergar o cisco no olho do outro, mas não percebem uma trave na própria visão.

Ricardo Ribeiro é advogado e um dos blogueiros do PIMENTA.

DE NOVO!…A CEPLAC – SE NÃO PUDER AJUDAR, POR FAVOR NÃO ATRAPALHE

Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br

 

Existem diferenças abissais entre os modelos de financiamento das pesquisas realizadas pela Ceplac e pela Embrapa.

 

Reiteradas vezes, a Ceplac é alvo de franco-atiradores. A mais recente polêmica envolvendo o órgão responsável pela pesquisa e extensão do cacau – além de outros cultivos – foi criada por um questionamento do secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles. O assunto poderia ter passado despercebido, não fosse o autor engenheiro agrônomo e ocupante do cargo máximo da agricultura na Bahia.

O tema divulgado pelo secretário era carregado de incerteza sobre o futuro da instituição, o que é bastante plausível, haja vista a importância da Ceplac para a agricultura baiana e brasileira. Porém, as premissas questionadas não foram bastantes e suficientes para tratar com a relevância que merece, provocando um debate estéril e desnecessário, não acrescentando coisa alguma em torno da questão mais premente: a Ceplac tem o que contribuir para o desenvolvimento econômico ou não?

A questão do patrimônio material e imaterial da Ceplac ser transferido para a Embrapa, universidades (existentes ou a ser criadas) ou outros órgãos análogos não serve como ponto de partida para uma discursão. Ao contrário, inviabilizaria qualquer tentativa neste sentido, iniciando pelas questões intrínsecas do seu quadro de pessoal, a exemplo do modelo jurídico empregatício.

Como se isso por si só não bastasse, ainda existem outros entraves como os objetivos de cada uma dessas instituições – estrutura e missão – passando pelo know how existente nas atividades desempenhadas, somente para ficar nessas questões menores. Existem diferenças abissais entre os modelos de financiamento das pesquisas realizadas pela Ceplac – hoje um departamento do Ministério da Agricultura – e pela Embrapa.

Claro que como o papel aceita qualquer tipo de projeto, os técnicos em burocracia administrativa poderiam criar modelos dos mais diversos, híbridos ou não, para dar forma a um desses monstrengos governamentais quaisquer. Porém, não haverá como suprir o conhecimento científico adquirido ao longo do tempo sobre as áreas econômica, geológica, agronômica, social, dentre outras tão essenciais para o desenvolvimento das regiões cacaueiras da Bahia e do Brasil.

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