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:: ‘Artigos’

TANTO BARULHO PELO SILÊNCIO

Foto KVKaroline Vital | karolinevital@gmail.com

 

Toda essa confusão a respeito do nível de dificuldade do tema da redação do Enem me fez refletir sobre como a população surda vive à margem da sociedade brasileira. Nós, ouvintes, investimos em dominar outros idiomas, a exemplo do inglês e do espanhol, mas não nutrimos qualquer interesse em aprender o básico sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), segundo idioma oficial do país.

 

Desde 2004, ganho a minha vida escrevendo. Já fiz redação para rádio, jornal, internet. Em 2011, obtive 960 na redação do Enem. E, em 2012, marquei 100 pontos no concurso da Polícia Militar da Bahia. Portanto, posso não ser a melhor escritora do mundo, mas entendo alguma coisinha sobre como produzir um bom texto.

Neste ano, fui presenteada com a grata oportunidade de ganhar minha vida ajudando os outros a escrever. Quem me abriu essa possibilidade foi o professor Emenson Silva, após nos conhecermos quando fui contratada para escrever sobre o segredo do sucesso do Curso Gabaritando. E tem sido uma incrível experiência de partilha, pois sinto que estou aprendendo muito mais do que tenho mediado.  

Ao longo das aulas de redação, trabalhei com os estudantes do Pré-Enem os temas apontados pelos grandes cursos do país como os mais prováveis a cair no certame deste ano. Mais do que entregar uma redação pronta, tentei mostrar maneiras de extrair ideias dos textos motivadores, sempre frisando: vocês devem estar preparados para escrever sobre qualquer coisa. Portanto, mantenham a calma, reflitam sobre o tema, construam a estrutura da dissertação, escrevam e revisem.

Todavia, a preocupação com o tema sempre pareceu maior do que o domínio das técnicas de redação. Na busca por uma fórmula pronta, alguns estudantes chegaram a propor que eu escrevesse uma dissertação sobre o tema que considerado mais provável para ser usada como modelo. Respondi que, se tinham tanta certeza sobre o assunto, investissem em pesquisas para embasar seus argumentos. Afinal, muito mais do que a capacidade de escrita, o Enem avalia a leitura dos candidatos, a aplicação dos conhecimentos adquiridos das mais várias áreas, incluindo do Grande Livro do Mundo, como diria Descartes.

Porém, o tema da prova discursiva do Enem 2017 passou uma rasteira nos palpites dados pelos grandes conglomerados da educação brasileira. Ninguém esperava a proposta do Inep: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Quando divulgaram o tema, a celeuma tomou conta da internet. O Guia do Estudante – “bíblia” dos educandos e educadores brasileiros, pertencente ao Grupo Abril – publicou em sua página do Facebook: “Tema de redação é considerado complexo por professores e leitores”. Claro que não poderiam gostar! Afinal, o mais perto que chegaram do tema foi quando citaram a probabilidade de cair algo sobre acessibilidade. Apenas isso.

A confusão sobre o nível de dificuldade do assunto seguiu assim que o MEC divulgou o tema na internet. Particularmente, não considerei nada absurdo. Afinal, o Enem costuma abordar questões relacionadas à promoção da cidadania e à inclusão dos surdos no processo educacional segue tal vertente.

Assim que vi os textos motivadores, os quais ajudam a nortear a construção da tese e dos argumentos dos candidatos, deparei-me com quatro belas inspirações: um trecho da Constituição Federal sobre o direito à educação da pessoa com deficiência; um gráfico demonstrando a queda do número de matrículas de surdos na Educação Básica; uma peça publicitária abordando a falta de oportunidades no mercado de trabalho para pessoas surdas e, por fim, um breve histórico do acesso dos surdos à educação. Diante de tantas informações disponibilizadas, só pude pensar: “Se alguém não tiver a mínima capacidade de desenvolver algo sobre isso a partir de tantas informações, infelizmente, o problema está com a interpretação de textos, não com o assunto”.

Segundo o IBGE, o Brasil possui quase 10 milhões de pessoas com alguma deficiência auditiva. Então, onde essas pessoas se escondem, uma vez que tanta gente afirma ser complicado falar a respeito da inclusão dessa parcela da população nos processos educacionais?

Toda essa confusão a respeito do nível de dificuldade do tema da redação do Enem me fez refletir sobre como a população surda vive à margem da sociedade brasileira. Nós, ouvintes, investimos em dominar outros idiomas, a exemplo do inglês e do espanhol, mas não nutrimos qualquer interesse em aprender o básico sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), segundo idioma oficial do país. Não conseguimos considerar qualquer tipo de relação com colegas surdos ou com qualquer nível de deficiência auditiva na escola, na igreja, no trabalho ou em qualquer outro círculo social.  Foi tanto barulho por conta dessas quase 10 milhões de pessoas que, não apenas vivem no silêncio, mas também invisíveis aos olhos da maioria dos seus compatriotas.

 Karoline Vital é comunicóloga e Mestre em Letras: Linguagens e Representações.

CIRO, PDT E ITABUNA

marco wense1Marco Wense

 

Essa interessante conversa entre Mangabeira e Ciro Gomes deve contar com a presença do deputado Félix Júnior, presidente estadual do PDT e coordenador da bancada baiana na Câmara Federal.

 

Acredito que Itabuna poderá ser a sede de um encontro das lideranças políticas do sul da Bahia com o presidenciável Ciro Gomes (PDT).

O diretório municipal, sob a batuta do médico Antônio Mangabeira, ficará no comando da organização e de todo o empenho para uma grande recepção ao pedetista.

Alguns líderes de Itabuna serão convidados, mas como pertencem a partidos ou grupos políticos que já tem seus postulantes ao Palácio do Planalto, dificilmente comparecerão.

Geraldo Simões, ex-prefeito, petista histórico, vai com qualquer candidato que o PT apontar. Se não for Lula, em decorrência da inelegibilidade, será Jaques Wagner ou Fernando Haddad.

Augusto Castro, do tucanato, obviamente do PSDB, irá apoiar o candidato da legenda, possivelmente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Azevedo, também ex-alcaide, salvo engano do PTB, mas com malas prontas para o DEM, deve acompanhar o candidato de ACM Neto, que poderá ser Alckmin ou um candidato do próprio partido.

Davidson Magalhães, PCdoB, vai com o PT, independente de que nome seja, em que pese muitos comunistas serem simpáticos à candidatura de Ciro Gomes.

Citando um exemplo nosso, bem tupiniquim, o vereador Jairo Araújo, da legenda comunista, é um admirador de Ciro, não perde uma entrevista do ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco.

E Fernando Gomes? Essa é a grande incógnita, o enigma a ser decifrado. O alcaide já disse que não tem nenhum compromisso com o PT e sim com a reeleição do governador Rui Costa.

Então, é Mangabeira que vai recepcionar Ciro, que deve perguntar ao ex-prefeiturável sobre esse imbróglio envolvendo o PDT de Itabuna e o petismo baiano.

Ciro vai achar estranho o fato de o PT, com o aval do governador Rui Costa, ter apoiado Fernando Gomes, então candidato do DEM, em detrimento do postulante do PDT, partido da base aliada.

Essa interessante conversa entre Mangabeira e Ciro Gomes deve contar com a presença do deputado Félix Júnior, presidente estadual do PDT e coordenador da bancada baiana na Câmara Federal.

PS – O prefeito Fernando Gomes não será convidado para o encontro com Ciro Gomes.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

BOLSONARO LEMBRA COLLOR

marco wense1Marco Wense

 

Collor era o “caçador de marajás”. Bolsonaro é o “caçador de bandidos”. O eleitor de Collor dizia que ele iria acabar com os marajás. O de Bolsonaro diz que ele vai acabar com os bandidos.

 

Recebi uma avalanche de críticas sobre um comentário que fiz nas redes sociais em relação à semelhança entre a campanha de Bolsonaro com a do então presidenciável Fernando Collor.

Muitos também elogiaram. Mas os que não gostaram superaram os que ficaram do meu lado. Fui “derrotado” na proporção de 3 para 1.

Não fiz uma comparação pessoal entre Bolsonaro e Collor e nem citei nenhum item fora do campo político, onde a disputa pelo poder é assentada no vale tudo.

Emitir uma opinião no que diz respeito ao marketing de cada um. Os bolsonaristas, no entanto, acharam que eu estava dizendo que eram bandas da mesma laranja ou farinhas do mesmo saco.

“É incrível como a campanha de Bolsonaro lembra a de Collor. Era modismo votar em Collor. Agora é Bolsonaro. Depois vão chorar o leite derramado”, diz o comentário.

Collor era o “caçador de marajás”. Bolsonaro é o “caçador de bandidos”. O eleitor de Collor dizia que ele iria acabar com os marajás. O de Bolsonaro diz que ele vai acabar com os bandidos.

Mas o que me chamou mais atenção, foi um internauta, até esclarecido, dizer que ia votar em Bolsonaro porque queria andar armado, com o revólver na cintura.

Bolsonaro, que é o segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, atrás do ex-presidente Lula, é um ardoroso defensor da liberação das armas e do “bandido bom é bandido morto”.

O messianismo político-demagógico, tão comum em época de eleição, não é o caminho para que o eleitor tome uma decisão em relação ao seu candidato à presidência da República.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

SEDE NO PODER

Afonso DantasAfonso Dantas | afonso.dantas@camaracomunicacao.com.br

 

 

O Temer, o que bebe o Temer? Não foi comprovado seu gosto vampiresco por sangue, embora milhões de brasileiros pensem o contrário com a série de denúncias sobre seu governo pululando na imprensa e nas redes sociais.

 

Analisando o perfil dos nossos presidentes, observo a relação destes com as bebidas. Não lembro se o Sarney apreciava alguma “branquinha” daquelas com infusão de maribondos e devidamente flambada, para fazer alusão ao seu tão famoso livro de poemas, nem dos gostos dos sisudos militares ou do querido Tancredo. O mais famoso, sem dúvida, nesse setor foi o Jânio Quadros, que disse “Bebo porque é líquido, Se sólido fosse, come-lo-ia.”…Mas vamos lá!

Collor era apaixonado pelo Logan, um whisky escocês de 12 anos – e por causa disso, as importações desse bom whisky dispararam no Brasil. (Há quem suspeite até de sociedade com a destilaria. Pura fofoca.)

Itamar não demonstrava preferência por nenhuma bebida, embora no episódio da modelo Lílian, sem calcinha, no camarote oficial da presidência, durante o carnaval, alguns aleguem que não seria possível ele não estar em um estado um pouco alterado. Ficará sempre a dúvida.

Uma pausa nos presidentes da república para lembrar de outro presidente, o Ulisses Guimarães, eterno presidente do PMDB, que lançou moda ao revelar seu gosto por um aguardente de pêssego, que inclusive vinha com uma pera dentro. A garrafa do Poire Williams, caríssima, era sinônimo de intimidade com o poder e ostentá-la na mesa do Piantella, restaurante preferido da fauna política da Capital Federal, era requisito para atrair a atenção do Doutor Ulisses.

Fernando Henrique Cardoso, era colecionador de cachaças, embora alguns afirmem que isso era para tentar ser um pouco mais “pé na cozinha”, frase que disse e que o acompanhou até o fim do mandato como um presidente que “forçava” seu lado popular. Sua coleção de cachaças foi “socialmente compartilhada” – seria esse o termo politicamente correto? – pelos companheiros do MST, Movimento dos Sem-Terra, que invadiram sua fazenda e degustaram sem cerimônia a sua tão estimada coleção.

Lula, presidente extremamente popular, nos tempos do sindicato adorava uma cachacinha e uma cervejinha gelada. A marca? Gelada! No poder, ainda curtiu uns licores de jenipapo e quentões em uma festa junina palaciana, mas, encantado com as benesses do poder, foi conquistado pelo mundo do vinho, estimulado pelo seu marqueteiro Duda Mendonça – esse influenciado pelo ex-governador de São Paulo Paulo Maluf – e fez uma adega de fazer inveja aos Rothschild. Uma boa garrafa de Romanée-Conti, devidamente “decantada”, sonho de consumo de enólogos pelo mundo todo, passou a fazer parte de sua degustação diária. Um luxo.

Dilma Rousseff em matéria de bebidas não se destacou, embora afirmem que não seriam normais suas declarações e discursos em estado de sobriedade. Mas, por via das dúvidas, vamos deixar esse assunto para lá, pois fora a farra de vinhos bem acima da média na escala em Lisboa, de uma viagem internacional, com fotos um pouco comprometedoras em termos de falta de sobriedade, nada temos a comentar muito. Melhor ficar de bico calado, para não sermos acusados de machismo. Tempos difíceis.

O Temer. O que bebe o Temer? Não foi comprovado seu gosto vampiresco por sangue, embora milhões de brasileiros pensem o contrário, com a série de denúncias sobre seu governo pululando na imprensa e nas redes sociais. A bebida predileta do atual mandatário do Palácio do Jaburu (não quis o Alvorada, pois, dizem, tinha muita luz…) é um mistério, embora haja suspeita de que exista um estoque reforçado de uma bebida escura, a base de catuaba, feita por um raizeiro de origem libanesa, que é melhor do que muita pílula azul famosa que existe por aí.

Um brinde ao poder.

Afonso Dantas é administrador de empresas e especialista em Gestão Cultural pela Uesc, além de sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total.

NAS MÃOS DOS ABUTRES

marco wense1Marco Wense

 

 O descaradinho discurso de que é preciso privatizar para sanear as contas públicas não passa de uma grande mentira, uma inominável safadeza.

Estão leiloando o país descaradamente, na cara da Justiça, do Ministério Público, da OAB, da sociedade civil e do cada vez mais podre e omisso Congresso Nacional.

Nunca na história da República se presenciou um toma-lá-dá-cá tão vergonhoso, um balcão de negócios como se fosse uma grande feira.

Perderam a vergonha. E o pior é que ainda debocham, fazem do cidadão-eleitor-contribuinte um “João ninguém”, como diz a sabedoria popular.

Com o argumento de que é necessário alcançar o equilíbrio das contas públicas, popularmente tapar o rombo no caixa, estão vendendo tudo a preço de banana.

E ficam todos sonolentos, inertes diante dos escândalos, das negociatas envolvendo o patrimônio brasileiro. E as ruas? Cadê os movimentos contra a corrupção?

Ora, essa conversinha de organizar as finanças é de um cinismo impressionante. Toda a entrega tem como contrapartida o voto contra a continuidade da segunda denúncia envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB).

Vão fazer de tudo para que o plenário da Câmara dos Deputados barre o prosseguimento das acusações contra o mandatário-mor e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Poderia aqui mencionar vários esquemas nessa permuta inescrupulosa de favores, mas vou citar apenas o recente caso da privatização de Congonhas.

Temer prometeu ao ex-deputado Valdemar Costa Neto, aquele danadinho do mensalão, não privatizar o aeroporto em troca dos votos do PR contra a denúncia da PGR.

Costa Neto, mesmo sem a força do mandato, tem influência sobre 37 deputados e quatro senadores do partido. Tem gente sua com poder de decisão no Ministério dos Transportes.

É bom lembrar que Congonhas, hoje sob a “proteção” e o controle do PR, é o aeroporto mais lucrativo da Infraero. Outro detalhe é que 2018 é ano de eleição.

Pois é. O descaradinho discurso de que é preciso privatizar para sanear as contas públicas não passa de uma grande mentira, uma inominável safadeza.

Por votos para barrar a segunda denúncia, esse governo faz de tudo. Os temistas vendem até a própria mãe e em parcelas suáveis.

Até quando o nosso Brasil vai ficar nas mãos dos abutres, desses governantes indignos? Só Deus na causa, costumam dizer os religiosos.

Marco Wense é editor d’O Busílis.

RUI, NETO E O ENLAMEADO PMDB

marco wense1Marco Wense

 

Quando questionados sobre o PMDB, tanto Rui Costa como ACM Neto dão respostas evasivas ou fogem das perguntas como o diabo da cruz.

 

O que ainda faz o PMDB ser procurado é o invejável tempo que o partido dispõe no horário eleitoral, salvo engano quase cinco preciosos minutos.

E aí me lembro da campanha do médico Antonio Mangabeira na sucessão do prefeito Claudevane Leite. O pedetista, obviamente do PDT, tinha 22 segundos na telinha.

Foi um Deus nos acuda. Não deu nem para o vice falar alguma coisa. A turma do marketing, mesmo com esses segundinhos, deu um show de competência.

Mangabeira foi o segundo mais votado com 18.813 votos, seguido de Augusto Castro (PSDB), Capitão Azevedo (PTB), Geraldo Simões (PT) e Davidson Magalhães (PCdoB).

Fernando Gomes, então candidato do DEM, com o apoio do PT, foi eleito. É bom lembrar que Mangabeira teve mais votos do que Simões e Magalhães juntos.

Os motivos que levam o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto a evitar comentários sobre o enlameado PMDB são um pouco diferentes.

O alcaide soteropolitano pensa no PMDB na sucessão estadual. Já o petista não quer atrapalhar as articulações do petismo com o peemedebismo na eleição presidencial.

Lula anda de namoro com várias lideranças do PMDB, inclusive com o senador Renan Calheiros, um dos responsáveis pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Com essa aproximação, os petistas jogam na lata do lixo o discurso do “golpe” e irrita os segmentos do PT que ainda se mantém com credibilidade.

Quando questionados sobre o PMDB, tanto Rui Costa como ACM Neto dão respostas evasivas ou fogem das perguntas como o diabo da cruz.

Ao ser indagado sobre sua opinião em relação a uma eventual prisão dos irmãos Vieira Lima, Rui saiu pela tangente: “Não gosto de absolver nem condenar ninguém”.

“Não tenho bola de cristal”, diz Neto sobre o futuro do PMDB, que já foi o MDB de Ulysses Guimarães e de tantos outros políticos de respeito.

Rui Costa e ACM Neto, quando o assunto é o PMDB, agem da mesma maneira. Ambos são escorregadios.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

AMIGOS, ETERNOS IRMÃOS

pastor genilsonGenilson Souto

 

O rei Salomão, em sua sabedoria, declarou: “o homem que tem muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há amigo mais chegado do que um irmão”. Liracir Ribeiro de Araújo foi, entre todos nós, mais que um grande amigo, ele foi um irmão!

 

Verdadeiros amigos deveriam se chamar irmãos. Porque os verdadeiros amigos gostam de nós do jeito que somos, com todos os defeitos e qualidades. Esses perdoam nossas falhas, riem das nossas bobagens, alertam sobre os erros que cometemos, ensinam coisas novas, confrontam quando necessário. Não é por acaso que o poeta popular cantou: “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”.

Alguém já disse que, quando perdemos um amigo, a vida nunca mais será a mesma. O luto que devemos enfrentar requer um minucioso processo de reconstrução, esmagador e doloroso. Principalmente quando esse amigo era única pessoa com quem nos abríamos emocionalmente e com quem a caminhada era intensa, enriquecedora e salutar.

Quando a gente perde uma pessoa a quem chamamos de amigo, com ele vão embora muitas outras coisas das quais somente nos daremos conta mais adiante. E quando isso acontece, descobrimos que ele nunca mais voltará e então a tristeza se torna muito grande, a gente chora por qualquer coisa e todas as lembranças voltam o tempo todo porque a saudade é muito forte. Sabemos não ser mais possível ouvir a sua voz, rir ou chorar juntos e compartilhar ideias. Digo isto quando o motivo da perda é a morte.

Cada perda que somos obrigados a enfrentar ao longo da vida é única e excepcional. Sabemos, por exemplo, que nossos pais nos deixarão algum dia e que esse vazio será desolador, mas quase ninguém está preparado para isso e ainda menos para assumir a fatalidade, o lado duro da nossa jornada, pode levar um amigo.

Perder um amigo de forma traumática, para muitas pessoas, é sinônimo de ter que dizer adeus à única coisa autêntica, sincera e gratificante de suas vidas. Sabemos que não somos mais que breves passageiros nesse mundo maravilhoso e, por vezes, terrivelmente cruel. Estamos constantemente sujeitos a perdas repentinas e irreparáveis. Às vezes é uma doença terminal, e em outras ocasiões um grave acidente que nos obriga a ver como a nossa pessoa querida se apaga.

Ter que dar adeus a um amigo, mesmo sendo simbólico, antes que o seu corpo seja sepultado é algo que não existe regra. É como perder a metade de si e ficar órfão. A sensação é a de estarmos tateando no escuro sabendo que não haverá mais ligações, jantares, cafés depois do trabalho, resenhas sobre futebol, viagens, planejamentos, vídeos compartilhados pelo Whatsaap…

liracir acidenteResta-nos guardar os bons momentos na memória, imitar os exemplos positivos e agradecer a Deus pela rica oportunidade de conhecer e conviver com alguém que nos ofertou o privilégio de vivermos de forma aproximada, apesar das diferenças pessoais. À medida que o tempo passa vamos aprendendo que fazer amigos é uma verdadeira arte, pois exige habilidade na comunicação e renúncia pessoal. Mas, quando conseguimos firmar bons relacionamentos de amizade, ampliamos os nossos laços fraternos. Por isso, o rei Salomão, em sua sabedoria, declarou: “o homem que tem muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Pv. 18: 24). Liracir Ribeiro de Araújo foi, entre todos nós, mais que um grande amigo, ele foi um irmão!

Genilson Souto é pastor da Igreja Batista Teosópolis de Itabuna.

OS MUITOS PAIS DA BR-415

Walmir Rosário 3Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

É uma pena que uma estrada tão anunciada e cancelada como essa continue com com os defeitos congênitos, que poderiam ter sido corrigidos antes do começo da obra.

 

A Bahia reedita mais uma campanha política acirrada com a luta travada entre as candidaturas do governador Rui Costa (PT) à reeleição, e a do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) ao Palácio de Ondina. Uma das mais recentes disputas é a duplicação da BR-415, no trecho entre Ilhéus e Itabuna, anunciado pelo Governo do Estado como se fosse sua, embora os recursos tenham origem no Governo Federal.

A eleição ainda será no próximo ano, mas já pega fogo em todo o Brasil e na Bahia não poderia ser diferente, pelo contrário, aqui começa mais cedo, haja vista a dualidade das candidaturas. E faz tempo que é assim, com os eleitores e simpatizantes de Antônio Carlos Magalhães e um seu adversário, seja lá de que corrente política for, mas unidas (ou coligadas) para tentar derrotar os adversários de sempre.

E não é de hoje que o palanque é armado em Itabuna em 1985, a exemplo do que lançou Waldir Pires (PMDB) ao Governo da Bahia, que no ano seguinte ganhou para Josaphat Marinho (PFL) por uma avalanche de votos: perto de 1,5 milhão. Se antes o palanque foi montado na praça Adami, agora foi deslocado para a avenida Juracy Magalhães, na saída para a Ilhéus, cidade vizinha amada ou odiada, de acordo com os interesses.

E o motivo da discórdia é a chamada duplicação da BR-415, trecho que será construído pela margem direita do rio Cachoeira, mas sem o fôlego suficiente para segui-lo até sua foz. O projeto é antigo, elaborado pelo Derba, revisto pelo DNIT, e, de certa forma, é um grande vetor de desenvolvimento regional, por desbravar uma área que produz cacau, café, gado (leite e corte) e produtos de subsistência.

Sim, mas onde está o motivo da refrega entre os possíveis candidatos ao Governo Estado da Bahia? No anúncio do “pai da criança”. Pela primeira vez todos os candidatos que se apresentar como tal, mesmo sem o certificado do DNA. Ou melhor, a genética financeira aponta que o Governo Federal é o pai e mãe da criança, pois gerou e vai custear todas as despesas de criação até que se dê por independente.

E não é de hoje que a fecundação da criança é insistentemente anunciada, mas sem resultados positivos. Pelos meus cálculos, está já é a quarta vez que os coitados dos jornalistas anunciam a data do nascimento, mas a mãe União cismava em não dar a luz ao rebento. De tanto anunciarem, os governadores baianos petistas se acostumaram e se consideraram (em verdade, se consideram) o verdadeiro pai da criança.

Nessa renhida disputa, o governador do Estado considera o rebento como seu, por ter sido a duplicação anunciada durante os governo de Lula e Dilma, embora nunca executada. Assim como a BR-415, outras obras com recursos do Governo Federal são executadas pelo Governo do Estado e Municípios, como se fossem de recursos próprios e não oriundos de transferências, seja a que título forem.

E os petistas – que não são graça e sabem utilizar a mídia no formato os fins justificam os meios – massacraram o presidente da República, “golpista” no entender deles, como se não quisessem executar a obra. E os arroubos não foram poucos, com afirmações falaciosas do tipo: “Se o governo golpista não fizer, nós faremos”, embora grande parte dos recursos federais já esteja disponível na conta.

Mais uma vez, a turma do Temer “apanha como mala velha pra tirar a poeira”, sem ter qualquer culpa registrada em cartório, e não soube ou sabe contra-atacar e promover sua defesa. De forma atabalhoada, cancelou a vinda do ministro dos Transportes a Itabuna e se apresentar no palanque como o verdadeiro pai da criança. Nos comunicados petistas, a culpa teria sido de ACM Neto, que agiria nos mesmos moldes do avô, embora nem cabeça branca ainda tenha.

E essa confusão toda tem todo o motivo para tanto. A obra, embora não seja uma duplicação de verdade, é importante para o desenvolvimento econômico e social, não só de Itabuna e Ilhéus, mas da região cacaueira como um todo. A atual BR-415 se tornou uma avenida comercial, industrial e serviços, além de ser nosso caminho do nosso pequeno mas atuante aeroporto e poderá nos oferecer novos rumos.

Só que, no meu modesto entendimento, a duplicação de verdade começaria em Itabuna, no bairro da Conceição, e se estenderia até a cidade de Ilhéus e não terminaria no meio da estrada. A nova estrada terá 17,98 quilômetros de extensão, embora a distância entre as duas cidades meçam quase 30 quilômetros. Uma perna nasce menor do que a outra e antes do bairro ilheense do Banco da Vitória o tráfego se congestionará de novo. Deveria ter sido feito um enxerto ou uma prótese para corrigir a deficiência.

É uma pena que uma estrada tão anunciada e cancelada como essa continue com com os defeitos congênitos, que poderiam ter sido corrigidos antes do começo da obra. Até porque o fluxo do tráfego não é apenas das duas cidades e sim de toda uma região, que sempre teve a vocação para produzir e ser grande, mesmo que seu povo abdique da política, entregando-a de bandeja aos povos de outras regiões, contentando-se apenas com a economia.

Eu, como sou um otimista incorrigível, acredito que a obra seja concluída, porém muitos ainda são como São Tomé: têm que ver para crer.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado

SENHORES! SENHORES! SENHORES!

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | acrodrigues@gmail.com

 

Com uso de palavrões, a composição de Tony Bellotto, Paulo Miklos e Charles Gavin, aponta o nosso direito à indignação. Agora, com as últimas decisões na Corte Suprema do País, só nos resta ouvir a música e cantar em voz alta o refrão…

 

Nesta semana de três dias, cortada pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida, a sociedade brasileira viu como funciona a justiça no Brasil. Antes havia alguma vergonha em tomar certas decisões. Hoje a coisa escancarou. Com a devida “vênia”, os ministros que compõe a Suprema Corte cuspiram em nossas caras sem o menor constrangimento.

Na última terça-feira (dia 10), os ministros do Supremo Tribunal de Federal – STF, de uma só tacada concedeu ao ex-magnata Eike Batista e ao “Rei dos Ônibus” Jacob Barata Filho, ambos acusados de participar do esquema de corrupção chefiado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o direito a liberdade. Porém, com um “forte agravante”: os dois são obrigados ao recolhimento noturno.

Os dois corruptos estavam cumprindo prisão domiciliar, obviamente em suas belas mansões, desfrutando de todo o conforto que o dinheiro da corrupção pode proporcionar. Agora poderão circular durante o dia, com a obrigação de se recolher à noite em suas mansões.

Mas o que é um peido para quem já está completamente cagado?

Na quarta (dia 11), o Pleno do STF decidiu que afastamento de parlamentar precisa do aval do Congresso, medida que beneficia diretamente o senador Aécio Neves, que teve o primo e braço direito flagrado recebendo malas de dinheiro de executivo da J&F, num total de R$ 2 milhões, dinheiro esse destinado ao senador.

O senador, por decisão da Primeira Turma do STF, havia sido afastado do mandato e obrigado ao recolhimento noturno. Boêmio de carreira, além de corrupto, o recolhimento noturno foi um duro golpe ao parlamentar. Agora caberá aos seus pares, que não são nem um pouco corporativos, dar a palavra final sobre o caso.

Coube à ministra Carmem Lúcia, presidente da Corte, o voto de minerva que beneficiou o nobre parlamentar. A ministra que já havia se reunido com o presidente do Senado Eunício Oliveira. “Pipocou” para evitar uma ruptura entre os poderes. Esse é a justiça, cuja balança tem um peso para os ricos e poderosos e outro para os pretos, pobres e moradores da periferia.

No ano de 2005, a banda Titãs lançou a música Vossa Excelência, no ápice do Escândalo do Mensalão. Com uso de palavrões, a composição de Tony Bellotto, Paulo Miklos e Charles Gavin, aponta o nosso direito à indignação. Agora, com as últimas decisões na Corte Suprema do País, só nos resta ouvir a música e cantar em voz alta o refrão…

Cláudio Rodrigues é consultor

DE PROTAGONISTA A FIGURANTE

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

 

A missão de Geraldo é deixar o papel de figurante e ao menos ganhar o papel de coadjuvante nas eleições do próximo ano.

 

Todos que acompanham filmes, séries e novelas sabem que existe o artista principal. Era assim que minha avó chamava os protagonistas das tramas. Mas, no mundo do entretenimento dos filmes e novelas, não existe apenas o protagonista. Há, também, os atores coadjuvantes. E os figurantes, aqueles que fazem parte da cena apenas na figuração, entram mudos e saem calados. Ou seja, o papagaio de pirata.

Na política, também existem os protagonistas e os figurantes. Isso ficou registrado na última segunda-feira (9), quando o governador Rui Costa esteve em Itabuna para assinar o contrato para a construção da duplicação da Rodovia Jorge Amado (BR 415), que liga as duas principais cidades do sul do Estado, a Rodovia Ilhéus/Itabuna. A imagem do prefeito Fernando Gomes, neoaliado do governador Rui Costa e, consequentemente do PT, o prefeito de Itabuna era o protagonista da solenidade, recebendo todos os afagos dos políticos “capas-pretas” presentes.

No mesmo evento, o ex-prefeito e ex-deputado Gerado Simões não passava de um mero figurante no palanque armado na avenida Juracy Magalhães. Sentado nas fileiras ao fundo, Simões era apenas mais um, na cena onde Gomes, ao lado de Rui, era o artista principal, o protagonista.

Ceplaqueano e líder sindical, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Itabuna, Geraldo surgiu para a política da Bahia como o novo e viveu seus momentos de protagonista. Nas eleições municipais de 1988, foi o candidato a vereador mais votado, porém não assumiu o mandato em função do coeficiente eleitoral. Na eleição seguinte, assume o mandato de deputado estadual.

Eis que, em 1992, contrariando todos os prognósticos, Simões vence a eleição para prefeito de Itabuna, numa verdadeira “zebra”. De uma tacada, derrota o então imbatível Fernando Gomes, seu candidato Oduque Teixeira e, de quebra, o ex-prefeito e também candidato Ubaldo Dantas.

Durante sua gestão, Geraldo e seu grupo político sofrem perseguição implacável por parte do todo-poderoso ACM. Mesmo com todo tipo de boicote, faz uma boa administração, o que lhe garante o primeiro mandato para a Câmara Federal nas eleições de 1998. As portas estavam abertas para a volta ao comando do município no ano 2000.

Em sua segunda passagem no comando do município, Geraldo estava no ápice do sucesso político. Coordenou a campanha vitoriosa de Lula à presidência da República, em 2002, e nos bastidores era cotado para compor uma chapa majoritária ao Senado ou ao Governo da Bahia.

Derrotado na campanha pela reeleição, dois anos depois, em 2006, consegue um novo mandato de deputado federal e é convidado a assumir a Secretaria de Agricultura da Bahia, pelo então governador Jaques Wagner. Em 2008, contrariando a tudo e a todos, lança a esposa como candidata a prefeita, é derrotado. Tempos depois, não consegue renovar o mandato de deputado federal e no último pleito municipal como candidato a prefeito sofre uma derrota acachapante, obtendo pouco mais que oito mil votos.

Hoje, Geraldo Simões está sem grupo político, sem credibilidade com profissionais do mercado de comunicação e, acima de tudo, sem carisma e prestígio junto à cúpula de seu partido. A missão de Geraldo é deixar o papel de figurante e ao menos ganhar o papel de coadjuvante nas eleições do próximo ano. Uma missão quase impossível.

Cláudio Rodrigues é consultor.

BANCOS! AH, OS BANCOS!

Walmir Rosário 3Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Não é preciso dizer que a parte mais fraca sofre com a bandidagem solta e armada nas ruas, planejando assaltos diários, tanto aos correspondentes bancários quanto a outras empresas que trabalham com valores, a exemplo dos supermercados.

 

Que os bancos só emprestam dinheiro aos clientes que não precisam, todos sabem, mas o que passamos a saber a cada dia é que os bancos somente querem cobrar taxas como estabelecimentos bancários, porém não admitem prestar os serviços a que devem entregar e já cobram por isso. É muito estranho, mas é verdade e é mais uma jabuticaba brasileira.

Pouco vou a uma agência bancária e só me dirijo a esses locais em última instância. Também não é pra menos: tenho que transpor uma série de barreiras para conseguir ultrapassar a porta giratória, após provar que não ando mal-intencionado e desarmado. Mesmo assim sou visto com desconfiança pelos estagiários e empregados, como se fosse ali apenas para importuná-los.

Ora, se um consumidor qualquer procura um banco é porque pretende fazer qualquer tipo de negócio que o banco preste: tomar empréstimos, sacar o seu dinheiro depositado com antecedência, ou, quem sabe, emprestar dinheiro ao banco. Alguns, até, se propõem a emprestar dinheiro aos bancos por juros ínfimos, mesmo sabendo que se precisar vai ter que pagar 10 vezes mais por isso. Mas como tem gente que tem gosto pra tudo…

Seja lá qual for sua intenção, não será bem-visto até que o gerente ou outro funcionário graduado lhe saúde com cara de bons amigos e, quem sabe lhe dê um abraço afetuoso e espalhafatoso para que todos conheçam a sua importância. Caso não seja desse quilate, será desprezado pelo caixa nem tão rápido, que lhe despacha um aviso deste tipo: “Você não tem o perfil para esse serviço”.

Pois é, se um reles equipamento que fica estacionado no lado de fora do banco não lhe aceita, por qual motivo os funcionários do banco iriam lhe aceitar lá dentro, dar um abraço apertado e servi-lhe um cafezinho? Seu perfil é o de fila de correspondente bancário e como tal você deverá se comportar. Hoje, você não é aceito na Caixa Econômica Federal nem mesmo para abrir uma conta poupança. Ah se Itamar Franco ainda fosse vivo e presidente do Brasil…

Um banco múltiplo, como é o caso de 99,99% dos bancos brasileiros, oferecem serviços como depósitos e saques nas contas-correntes e poupanças que mantêm, mas não querem que os clientes de suas contas entrem em suas agências. Estranho, muito estranho esse comportamento de uma empresa que quer o cliente longe dela, mesmo que cobre taxas cada vez mais caras para isso.

Atualmente, é muito comum entrarmos na antessala de uma agência bancária – local onde ficam as máquinas chamadas caixas eletrônicas ou rápidas, apesar das grandes filas – e encontrarmos pessoas vestidas com um casaco com um letreiro às costas “Posso ajudar”. Engana-se que acredita na ajuda, a verdadeira função delas é fazer com que a agência se livre daquele cliente ou simples consumidor e procure outro lugar qualquer para pagar suas contas. Clique no “leia mais” para ler a íntegra do artigo. :: LEIA MAIS »

UM NOVO TEMPO PARA O SUL DA BAHIA

Josias GomesJosias Gomes 

 

Hoje, ainda que o processo da completa recuperação regional ainda demande tempo e esforço, podemos afirmar que o sul da Bahia caminha para um novo e duradouro ciclo de desenvolvimento.

Durante décadas, o sul da Bahia, tendo Ilhéus e Itabuna como as duas maiores cidades, foi uma espécie de locomotiva do Estado, com a lavoura do cacau gerando receitas suficientes para impulsionar o desenvolvimento de outras regiões, chegando a representar 60% do PIB baiano.

Sucessivas crises, que culminaram no final da década de 80 e início dos anos 90 com a chegada e expansão da vassoura de bruxa, que em seu período mais crítico dizimou cerca de 80% da lavoura, fizeram com que a região mergulhasse numa profunda crise, com a explosão do desemprego e queda acentuada em todos os índices socioeconômicos.

Durante quase duas décadas, justamente no momento em que a região mais precisou de apoio para se reerguer, governantes insensíveis e sem compromisso com o sul da Bahia, se mostraram omissos, agravando ainda mais a situação e afetando milhões de pessoas. Práticas equivocadas de renovação da lavoura, por exemplo, levaram produtores a um endividamento brutal, tornando-os incapazes de investir na retomada da produção.

Hoje, ainda que o processo da completa recuperação regional ainda demande tempo e esforço, podemos afirmar que o sul da Bahia caminha para um novo e duradouro ciclo de desenvolvimento. E isso se deve, em grande parte, ao apoio efetivo do Governo do Estado, iniciado na gestão de Jaques Wagner e que vem se consolidando com o governador Rui Costa.

O início das obras de duplicação da Rodovia Ilhéus-Itabuna, sonho de décadas que se torna realidade, é um exemplo da presença marcante do Governo do Estado. Mas não é o único. Outras obras importantes como o Hospital Regional da Costa do Cacau, as duas primeiras em fase de conclusão, a terceira em ritmo acelerado, terão impactos positivos em toda a região. A viabilização da construção do Porto Sul e da Ferrovia Oeste Leste, já garantida por meio de parcerias com empresários chineses, permitirá a atração de grandes empreendimentos e geração de milhares de empregos.

O Governo do Estado também tem investido na cadeia produtiva do cacau, com o cultivo de amêndoas de qualidade e a produção de chocolates, e fortalecido a agricultura familiar e os pequenos produtores, que hoje representam 80% da produção rural na região.

São obras e ações que garantirão a retomada do desenvolvimento, tendo como resultado principal a melhoria da qualidade de vida da população e tornando o sul da Bahia novamente protagonista do Estado.

É necessário destacar o papel do governador Rui Costa nesse novo momento da região e, mais do que isso, reconhecer a necessidade de que esse modelo de gestão democrática e com foco no desenvolvimento de todas as regiões do Estado e não apenas da capital, deve ser mantido.

Josias Gomes é secretário de Relações Institucionais da Bahia e deputado federal pelo PT.

 

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

IMG_20171007_231314Maria Reis Gonçalves* 

 

A violência “nossa” de cada dia, antes de agredir aos outros, agride a cada um de nós, pois tira a nossa essência humana, nossa capacidade de entender o que é certo, o bonito, o real, o justo e a condição de sermos melhores. Ela se disfarça e, quando menos esperamos, bate à nossa porta.

 

Todos os os dias e em todos os meios de comunicação, não importando qual seja o que você está vendo ou lendo, sempre encontramos algo sobre um  crime. Hoje, a violência impera entre todas as outras noticias, até mesmo as dessa nossa política tão nefasta. São assaltos, assassinatos, agressões, roubos, alunos alvejados, professores agredidos, trabalhadores assassinados, pobres e ricos na mesma dança macabra da violência urbana. O repertório da violência é grande e os cenários diversificados. E, dentro dessa guerra sem fronteiras, o povo se sente impotente e desprotegido. E todos os dias ficamos sabendo de casos de barbárie, que se tornou onipresente em nosso cotidiano. Essa é uma oportunidade que temos para pensar o que está acontecendo com o ser humano. A violência sempre existiu e, consequentemente, é algo que faz parte da nossa vida. Para alguns estudiosos, a violência é um mal necessário para nossa estrutura, seja psicológica, física, social, sexual, etc.

Os estudiosos sociais nos falam que o Estado só consegue existir a partir do monopólio da violência. Porém, são as regras sociais, os direitos individuais que inibem a prática da violência e em troca acreditamos nas promessas do Estado como órgão zelador maior dos nossos direitos fundamentais, principalmente o direito à vida. Por isso, os assassinatos e homicídio causam tanta revolta no ramo do Direito e dos meios de comunicação. No entanto, essa promessa está a cada dia mais fragilizada. O Estado se deixou dominar e já não consegue alcançar determinados espaços no meio social. Seja por negligenciar o seu papel educacional, seja por falhas no papel econômico.

O Estado deixou que os chamados “Estados Paralelos” buscassem o domínio sobre essa violência que impera no nosso meio, fora a ganância, a vaidade, a luta pelo poder que tomou conta dos responsáveis por legislar as Leis do nosso país e com isso começaram a aparecer as milícias. Elas são consequências da não presença do Estado protetor, assim o povo passou a se submeter à lei dos mais fortes – e hoje os mais fortes são os bandidos, que – bem armados, matam, estupram, roubam, agridem e sobrevivem na impunidade.

A violência desenfreada que vivemos talvez seja o sintoma mais claro da nossa degradação moral. E a população já não consegue aguentar mais, ninguém aguenta esse empurra, empurra sobre quem é o responsável por coibí-la. O povo começa a pedir socorro e até agora não conseguiu respostas. Sabemos que todos nós temos a nossa culpa em relação à violência, e essa certeza é que nos une, na tentativa de solucionar o problema, por meio de leis mais rígidas e atuações mais profícuas da justiça, punindo ou prevenindo novas ondas de terror. A violência “nossa” de cada dia, antes de agredir aos outros, agride a cada um de nós, pois tira a nossa essência humana, nossa capacidade de entender o que é certo, o bonito, o real, o justo e a condição de sermos melhores. Ela se disfarça e, quando menos esperamos, bate à nossa porta. Porém, devemos tratá-la como indesejável. E nunca esquecer os nossos valores morais, nossa honra e a nossa humanidade.

Maria Reis Gonçalves (Tia Nem) é psicóloga comportamental e docente.

É TEMPO DE COLHER

rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

 

Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.

A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.

A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.

Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.

Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.

Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.

Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.

Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.

Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

A DECISÃO DO STF

marco wense1Marco Wense

 

Chega! Chega! O eleitor-cidadão-contribuinte não aguenta mais tanta corrupção, toda essa esculhambação, essa imundície, esse lamaçal que campeia na República Federativa do Brasil.

Com um placar apertado, 6 versus 5, o Supremo Tribunal Federal decidiu aplicar a Lei da Ficha Limpa a políticos condenados antes de 2010.

Entre os seis que se posicionaram a favor da aplicabilidade da Ficha Limpa, destaco aqui os votos dos ministros Luiz Fux e Edson Fachin.

“O prazo de inelegibilidade não é uma punição para o político condenado, mas uma condição de moralidade”. (Fux)

“Como a Constituição se refere à vida pregressa, isso significa que fatos anteriores ao momento da inscrição da candidatura podem ser levados em conta”. (Fachin)

Ora, o princípio da moralidade, principalmente no tocante a coisa pública, é o que deve prevalecer. É mais forte do que qualquer outro argumento.

Diria, usando uma força de expressão, que vale tudo para pegar os que assaltam os cofres públicos. Portanto, a retroatividade da lei, nesses casos, deve ser permitida.

A opinião de que a retroação acarreta insegurança jurídica é café pequeno diante da possibilidade de não punir os que roubaram o dinheiro do povo brasileiro.

Essa roubalheira é a responsável pela insegurança no sentido amplo. É ela que faz faltar escolas, aumentar o desemprego e agravar a injusta e desumana distribuição de renda.

A nossa Carta Magna elegeu o princípio da moralidade como o caminho para a superação da vergonhosa impunidade que toma conta da administração pública.

Deixar esses “homens públicos” sem punição, sob à proteção de qualquer outro pressuposto jurídico, seria, no mínimo, uma atitude desastrosa.

Chega! Chega! O eleitor-cidadão-contribuinte não aguenta mais tanta corrupção, toda essa esculhambação, essa imundície, esse lamaçal que campeia na República Federativa do Brasil.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

A DECISÃO DO PDT

marco wense1Marco Wense

 

Portanto, o PT fez sua escolha: Fernando Gomes. Itabuna deixou de ter um grande prefeito por causa da traição, digamos, pragmática e maquiavélica do petismo.

 

Ficam agora dizendo que o diretório do PDT de Itabuna vai sofrer represálias porque tomou a decisão de não apoiar à reeleição do governador Rui Costa (PT).

É bom logo dizer que foi a cúpula do PT, com o aval do chefe do Executivo, que escolheu o então candidato do DEM, Fernando Gomes, em detrimento do médico Mangabeira, do PDT, legenda da base aliada.

Portanto, se existe algum traidor nesse imbróglio todo, esse é o PT, que fez sua opção por um inimigo histórico, desprezando também Geraldo Simões (PT) e Davidson Magalhães (PCdoB).

Bobagem. Ledo engano. O PDT não vai sofrer nenhum tipo de retaliação por parte do comando estadual da legenda, sob a batuta do deputado federal Félix Júnior.

Félix sabe que foi o petismo o causador de toda essa reviravolta, e se tem alguém que deve explicações ou até mesmo um pedido de desculpas, é o Partido dos Trabalhadores.

O PT fez sua opção. Entre Mangabeira e Fernando Gomes, entre o PDT e o DEM, entre um aliado e um adversário, suas principais lideranças decidiram pelo apoio ao demista.

Querem o que agora, que Mangabeira esqueça de tudo, de toda essa escancarada e inominável traição e suba no palanque com Fernando Gomes e seus novos companheiros?

E tem mais: quando o presidenciável Ciro Gomes vier a Itabuna, é Mangabeira que vai recebê-lo. Não é Rui Costa, Geraldo Simões, Davidson Magalhães e, muito menos, Fernando Gomes.

Não era para ser assim. O PDT de Itabuna estaria hoje firme com a reeleição do governador Rui Costa. Mangabeira é um homem de palavra, destemido e 100% confiável.

O PDT de Itabuna até que entenderia uma neutralidade do PT na sucessão municipal, mas o apoio a Fernando Gomes foi explícito e empolgado, não só no campo político como no esforço de deixá-lo elegível.

Portanto, o PT fez sua escolha: Fernando Gomes. Itabuna deixou de ter um grande prefeito por causa da traição, digamos, pragmática e maquiavélica do petismo.

Mangabeira não tinha outro caminho que não fosse o do rompimento. A política passa, mas a dignidade e autoestima das pessoas têm que ser levadas até o túmulo.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

EM TEMPOS DE PÓS-VERDADE

Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica.

 

 

Vivemos na, já conhecida, época da pós-verdade. Momento contemporâneo onde “verdades” são reconstruídas com base em diferentes percepções ideológicas e diferentes interesses envolvidos. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) se viu envolvida numa densa narrativa de “golpe” a partir da carta de exoneração lida pelo seu ex-reitor Naomar Almeida onde ele renuncia ao exercício da função e solicita sua exoneração ao Ministro da Educação.

Quase que imediatamente, surgiram notas em sites e blogs de todo o Brasil, sempre seguidos por lamentos distorcidos a respeito do tal “golpe” em curso no sul da Bahia. Muitos lamentando o “conservadorismo” dos “golpistas” ou mesmo o dano que os “golpistas” farão na instituição. O que poucos pararam pra pensar antes de reproduzir tais lamentos: que golpe é esse? Quem são os golpistas?

A UFSB vem dando trâmite aos seus processos eleitorais há cerca de um ano. Com uma gestão pro tempore, a segurança jurídica é um tanto quanto reduzida. A gestão pode, legalmente, ser substituída a qualquer tempo pelo Ministro da Educação. Diante disso, a comunidade acadêmica mobilizou esforços no sentido de reforçar a legalidade com o estabelecimento de uma representação eleita por sua comunidade. E assim foi feito, no primeiro semestre desse ano com a eleição de decanos para os Centros de Formação e os Institutos de Humanidades, Artes e Ciências.

O passo seguinte era a reitoria, com votação já agendada e aprovada pelo Conselho Superior da UFSB para o mês de novembro. Numa decisão unilateral e própria, o reitor Naomar na reunião do Conselho realizada na sexta-feira (29) comunicou através de uma videoconferência transmitida de Salvador que entregara seu cargo ao Ministério por meio de uma carta enviada há 9 dias e mantida em sigilo da comunidade por esse tempo.

Nesta carta, surgiram acusações genéricas de “ilegalidades” e de “corrupção” por parte de “membros da gestão” e consequente “golpe”, palavra que, no meu entendimento, acaba sendo utilizada de forma infeliz diante, principalmente, da conotação e simbolismo envolvido na aplicação desta nos últimos anos de nosso país. Leituras tortas, muitas agressivas, surgiram em diversos setores da academia, política e sociedade local e nacional.

O clima criado foi de extrema instabilidade, comprometendo grandemente a segurança e autonomia da instituição, uma vez que tal pós-verdade, repercutindo, pode levar ao pior dos cenários: uma intervenção do Ministério, com a nomeação de uma pessoa distante da realidade institucional e regional, comprometendo, inclusive, o desenvolvimento do projeto da Universidade.

Eventuais denúncias, reverberadas por apoiadores do ex-reitor em redes sociais, que sejam apresentadas através dos meios legais, apuradas e se constatada concretude dos fatos, os responsáveis punidos. Contudo é abjeto pensar no uso de subterfúgios discursivos para obstruir o processo democrático institucional.

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica. O desejo que move parte significativa da comunidade acadêmica é único: que esse processo democrático se consolide. Que aconteçam eleições na UFSB.

Felipe de Paula é professor da UFSB, campus de Itabuna.

MINHA MÃE FOI FESTEJAR NA ETERNIDADE!

Adroaldo AlmeidaAdroaldo Almeida

 

Dona Almerinda, minha dulcíssima mãe, dona de casa e costureira, fatigada de combater na Terra, subiu ao Céu para preparar os manjares de Deus e alinhavar as túnicas do Criador. Para sempre, como sempre.

 

Dona Almerinda, minha mãe, abriu as cortinas do baile do tempo e foi celebrar na eternidade. Pôs o seu vestido mais bonito, estampado de ternura e gentileza, descansou os pés da máquina Singer, calçou sapatilhas adornadas com o perene orvalho translúcido da aurora e flutuou no tapete mágico da espiritualidade para virar estrela na constelação da misericórdia.

Dona Almerinda, minha mãe, partiu na primavera carregando um buquê de crepúsculos e madrugadas nas agulhas e dedais das suas mãos, bordando matas celestes e rios siderais na fina seda do tecido de nossas vidas.

Dona Almerinda, minha mãe, calou o silêncio e soprou sobre a brisa da vida o ar e a voz da sua mansidão angelical. Então, resoluta e de roupa nova, suave e pura, atravessou a excelsa torrente até a outra margem e retornou para sua mesa no banquete do Pai Eterno.

Dona Almerinda, minha dulcíssima mãe, dona de casa e costureira, fatigada de combater na Terra, subiu ao Céu para preparar os manjares de Deus e alinhavar as túnicas do Criador. Para sempre, como sempre.

Adroaldo Almeida é filho de ALMERINDA NASCIMENTO SILVA (1929-2017).






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