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:: ‘Artigos’

BRASIL: O PAÍS DO FUTURO

Valéria Ettinger || lelamettinger@gmail.com

 

Precisamos quebrar esse inconsciente coletivo negativo e pessimista que nos paralisa e nos coloca em um lugar de inferioridade e fragilidade social.

 

Quando eu era criança, todos diziam que o Brasil era o país do futuro.

Durante uma fase da minha vida, não compreendia o que a frase significava, mas com o passar do tempo eu entendi que ela era uma metáfora para afirmar que o Brasil era o país da esperança, da felicidade, da alegria, das riquezas, do contentamento, da boa educação, da segurança, da saúde, do bem-estar.

O tempo foi passando, e esse futuro idealizado nunca chegava e ainda não chegou… Uma tristeza assola meu coração porque ao observar a realidade que me circunda só vejo dor, pessimismo, angústias, ódios, pobreza, miséria, invisibilidades, marginalidades, violência, insegurança, doenças, almas enfraquecidas e enlouquecidas, indiferenças e a pior de todas as mazelas: a segregação e o preconceito.

Às vezes fico pensando: será que estamos no mundo de Saramago, onde os que enxergam são cegos e os cegos se enxergam em suas dores infinitas? ou se vivemos em uma sociedade de zumbis, teleguiados por uma força invisível que escurece nossas mentes e nos leva a um lugar de desequilíbrio e separação?

O supérfluo se tornou essencial, e as pessoas vivem como se o outro fosse uma coisa descartável, que a qualquer momento pode ser jogado fora, conforme o humor de quem tem o poder de controlar tudo, através do medo, seja pelas palavras ou pelas armas.

As armas se tornaram o escudo de proteção, a ordem deve ser estabelecida pela força e pela insegurança de que amanhã você poderá não estar vivo para contar uma história.

Fico pensando que mundo é esse que tanto desejamos a paz, mas ao mesmo tempo nos regozijamos com a morte de alguém, apenas, porque ela pensa diferente, ama diferente, vive diferente, tem cor diferente ou se apresenta com qualquer condição que foge do hegemônico ou do padrão dominante ou simplesmente não é como eu, na minha vaidade insana, gostaria que fosse.

Acostumamo-nos com a desordem, com as ilegalidades, com os atos ilícitos com o jeitinho que nos transformou nessa sociedade autofágica que ao invés de se unir para avançar coletivamente se destrói, puramente, porque o próprio umbigo é a única coisa que importa.

É notório como nossa sociedade tem como fundamento o patrimônio que se estabelece por meio de relações desiguais e opressoras, combinadas com um ideal patriarcal que marginaliza as minorias e os movimentos sociais, impedindo que esses tenham seus direitos garantidos e obtenham um lugar que ao longo de nossa história pertenceu aos privilegiados e aos nascidos em berço esplêndido.

Eu poderia não escrever essas palavras que saem de um coração moído e dolorido, porque tive oportunidades que muitos não tiveram, mas não posso, na minha loucura egoísta, não ter uma atitude de alteridade e compaixão, porque o acesso à justiça social deve ser para todos, por entender que enquanto os meus pares não puderem chegar onde eu cheguei, simplesmente, porque a eles não é dada essa oportunidade. Eu devo tomar uma atitude para mudar essa realidade e não, simplesmente, fugir dela ou lavar as minhas mãos. Toda vez que fecho os olhos à injustiça eu me torno conivente com seus resultados.

Mais uma vez meu otimismo foi colocado à prova, mas ao mesmo tempo essa dor me impulsiona a continuar na luta, a não fechar os olhos, a sair da minha zona de conforto, a não ter um discurso de culpabilidade do estado e, simplesmente, permitir que esse Estado continue sendo conduzido pelos opressores, a criminalizar aqueles que estão lutando para que todos possam ter acesso aos bens da vida necessários à felicidade e ao bem-estar.

Hoje, mais do que nunca, tenho a certeza de que o pouco que faço é necessário para garantir às gerações futuras viver em um mundo melhor e acredito que se nos unirmos podemos construir um novo Brasil. Precisamos quebrar esse inconsciente coletivo negativo e pessimista que nos paralisa e nos coloca em um lugar de inferioridade e fragilidade social.

E, assim, eu termino com Aldir Blanc e João Bosco:

[…] Pra noite do Brasil. Meu Brasil. Que sonha com a volta do irmão do Henfil. Com tanta gente que partiu. Num rabo de foguete. Chora. A nossa Pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses. No solo do Brasil. Mas sei que uma dor assim pungente. Não há de ser inutilmente. A esperança. Dança na corda bamba de sombrinha. E em cada passo dessa linha. Pode se machucar. Azar! A esperança equilibrista. Sabe que o show de todo artista. Tem que continuar…

Valéria Ettinger é gestora social e servidora pública.

O APELO DOS CIRCOS INCOMODA

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

A apresentação publicitária era uma pequena prévia do gabarito dos artistas circenses. Se agradava, o espetáculo era garantia de casa cheia, do famoso poleiro (arquibancadas mais altas), passando pelas cadeiras e até camarotes.

 

Hoje tem espetáculo? Tem, sim senhor! Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! Hoje tem palhaçada? Tem, sim senhor! Então, arroooooochaaaaa, negrada! Era assim o apelo publicitário dos circos na minha infância e adolescência. O palhaço com sua perna de pau, alguns anões, e outros personagens circenses que, todos a pé, circulavam pelas ruas da cidade, convidando o respeitável público para os shows.

Não tinham alto-falantes – no mínimo uma espécie de corneta com a aparência de um funil – mas tinham graça e sabiam arrastar uma galera de moleques, que como eu não resistiam ao charme do palhaço e sua trupe. Se bem que não era apenas o charme do palhaço que nos fazia acompanhá-lo, mas a possibilidade de assistir ao espetáculo, gratuitamente. Bastava o palhaço marcar o nosso braço com uma tinta apropriada.

Que publicidade melhor do que essa para “arrebanhar” assistentes para o grandioso espetáculo? O respeitável público comparecia em massa para conhecer a variedade de atrações, que iam do drama ao globo da morte. Ainda mais se fosse o Capitão Anthony. Palhaçadas, a emoção do trapézio, leões, macacos, elefantes, a mulher de borracha, e uma centena de artistas capazes de agradar aos mais variados gostos.

Mas, se o circo fosse mambembe, a alegria também contagiava a todos nós, que nos apresentava aos donos e artistas do circo, como parte dos personagens da publicidade volante. Para dar credibilidade e a garantia de público, até oferecíamos o roteiro a ser percorrido, principalmente passando pelas ruas cujos moradores seriam presença assegurada, dado ao poder aquisitivo favorável.

A comunicação era perfeita, sem muita zoada, apenas a garganta era suficiente para fazer com que as pessoas deixassem o interior de suas casas, aparecerem no passeio e soltarem boas e alegres gargalhadas. A apresentação publicitária era uma pequena prévia do gabarito dos artistas circenses. Se agradava, o espetáculo era garantia de casa cheia, do famoso poleiro (arquibancadas mais altas), passando pelas cadeiras e até camarotes.

Lembro-me até hoje da boa comunicação, feita por quem tinha o dom e a sabedoria da arte da publicidade, embora nenhum deles tenha passado em frente ou alisado os bancos de uma faculdade de marketing e propaganda. Simples, eles não queriam inventar a roda, apenas vender seu peixe bem vendido, com a competência de quem sabia e gostava do que estavam fazendo.

Nos dias atuais, em que falamos de boca cheia que temos e utilizamos tecnologia, parece que desaprendemos a boa prática de vender nossos serviços de forma eficiente, para termos eficácia no nosso negócio. Inventamos fórmulas mirabolantes que não levam a nada, a não ser a confusão na cabeça das pessoas. É o chamado “embromeicho”, “enroleicho” que ninguém entende ou gosta.

Pra começo de conversa, partem do princípio de que todos somos surdos – ou nos querem fazer surdos –, ligando os carros de som numa altura insuportável, nos obrigando a ouvir uma verborragia na voz execrável de um locutor horrendo e inconveniente. Se fosse só isso – que já é demais –, até poderíamos tolerar o incômodo, mas os carros de som percorrem, insistentemente, as ruas, um atrás do outro, deixando-nos martirizados.

Pensa que acabou, caro leitor: nem pense, pois sequer falei nas baterias de fogos, queimados a todo o instante, como se tivessem a intenção de deixar os shows pirotécnicos de Ano Novo em Copacabana no chinelo. Ledo engano, os fogos daqui somente fazem zoada, para o desespero de pessoas idosas, doentes, crianças e os animais.

Os donos dos circos Show Fantástico e Dayllon, ou seus gerentes, devem ter ouvido de alguém que em Canavieiras tudo começa e termina com a queima de fogos, daí que devem ter acreditado e torraram o dinheiro do mesmo modo que o poder público. Pelas minhas desconfianças, aí deve ter o dedo do jornalista Tyrone Perrucho, fogueteiro mor dos tempos que o fuzilar de fogos era sinônimo de recontagem de votos. Tudo passado e boa molequeira.

Esperamos que na próxima safra de circos que venham apresentar seus espetáculos ao nem tão respeitável público, receba, por parte do poder público municipal (meio ambiente) e do ministério público, as orientações sobre a legislação pertinente. Caso não acatem as recomendações, é o dever das nossas polícias civil e/ou militar enquadrar os infratores na forma da lei, como diz o jargão.

Tudo por uma questão de respeito.

Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.

TE PEÇO DESCULPAS

Valéria Ettinger | lelamettinger@gmail.com

 

Vou lutar do seu lado para que todos possam entender que nós, mulheres, não queremos ser melhores que os homens ou subjugá-los. O que nós queremos é ter direitos, respeito e viver com dignidade.

 

Te peço desculpas por um dia ter me afastado de você.

Te peço desculpas por um dia ter julgado você.

Te peço desculpas por um dia ter competido com você.

Te peço desculpas por um dia não ter acreditado em você.

Te peço desculpas por ter criticado você.

Te peço desculpas por ter falado do seu vestido, do seu batom, da sua dança e da sua gargalhada.

Te peço desculpas por te chamar de “puta”, simplesmente por você ser livre.

Te peço desculpas por não ter te apoiado e de defendido quando você era ignorada, vilipendiada, abusada, explorada e violentada.

Te peço desculpas por ter dito que você era culpada.

Te peço desculpas por não ter aceitado você porque tinha filhos.

Te peço desculpas por um dia ter dito que não gostava de trabalhar com você.

Te peço desculpas por ter dito que você era minha inimiga.

Te peço desculpas por ter rejeitado o seu feminismo por acreditar que era uma luta da mulher contra os homens.

Te peço desculpas por ter me afastado do meu feminino sagrado, por, ingenuamente, achar que só seria vista e respeitada se me apropriasse e me comportasse como o masculino.

São tantas desculpas a te pedir…

Mas nesse dia que tentam te presentear, te dizer o quando você é linda e essencial, eu gostaria mesmo que dissessem a você:

Que você pode ser o que você quiser.

Que você não perderá seu emprego porque você engravida.

Que seu salário não será menor do que o do seu colega homem que desempenha a mesma função.

Que você não precisa ter medo do homem que te segue, porque ele é, apenas, um transeunte passando próximo.

Que você não vai ser estigmatizada pelo jeito que se veste e se comporta.

Que você pode ficar tranquila, pois ao chegar em casa, cansada, o seu homem vai está com o jantar te esperando e já vai ter feito a lição com os seus filhos.

Que tua voz vai ser escutada e a sua ideia será acatada.

Que sua condição será sua felicidade e não a sua dor.

Hoje, eu quero te dizer que jamais te abandonarei e seja o que você escolha fazer ou queira ser, eu, jamais, irei te apontar o dedo, simplesmente, por você ser mulher.

Vou lutar do seu lado para que todos possam entender que nós, mulheres, não queremos ser melhores que os homens ou subjugá-los. O que nós queremos é ter direitos, respeito e viver com dignidade.

Feliz dia Internacional da Mulher que luta por todas.

Por vocês, para vocês e com vocês mulheres. Sororidade!

Valéria Ettinger é mulher, mãe e amiga.

“NÃO MEXE COMIGO”

Mariana Ferreira

 

Quanto ao médico, fui informada pela ouvidoria do hospital, no período da tarde, de que foi afastado dos plantões e está sendo investigado. Aqui me posicionei e espero que minha voz convide outras mulheres a não se curvarem diante de um assédio, seja ele qual for.

 

 

“… Que eu não ando só”. A frase, entoada na poderosa voz de Maria Bethânia, serve bem como lema da luta feminina. São inúmeras as experiências ruins, deflagradas por invasões masculinas, na vida de qualquer mulher em qualquer etapa de sua existência. Basta nascer com esse sexo. Não é preciso ser representante de nenhum movimento para afirmar em alto e bom som que esse mau é real.

Relatar um assédio sexual ainda é um dilema na atualidade: para muitas mulheres, por medo da reação do agressor, e para outras muitas, pelo medo da exposição e do estigma de uma sociedade que tem a cultura de se voltar contra a vítima. Mas como diz Maria Bethânia, “não ando no breu, nem ando na treva”, e por isso não serei eu que me calarei.

Sempre fui bem tratada na Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, local que sempre considerei um dos mais seguros da cidade para um cidadão buscar atenção à saúde. Não imaginava que seria lá que sofreria desrespeito e teria o meu pior Dia Internacional da Mulher. Justo numa instituição que tem 101 anos de fundação, mais de 70% do seu quadro funcional formado por mulheres e que presta relevantes serviços à sociedade, como o 1º Mutirão da Mulher no próximo dia 10. Em atendimento por causa de uma dificuldade respiratória pela manhã, o médico plantonista Luiz Duarte mostrou sua forma de agir num procedimento de ausculta respiratória, tocando de forma invasora uma paciente.

A primeira reação de uma mulher nessa circunstância infelizmente é tentar fazer a “ficha cair”, porque, apesar de todo o preparo que buscamos ao longo da vida – psicológico, emocional e físico, nunca imaginamos que isso vá acontecer conosco. A atitude foi flagrante, e era o meu dever reagir, pois algumas coisas que vêm à mente são: “eu pertenço a mim, ele não tem esse direito” e “não fui a primeira e não serei a última se eu permitir que continue às escuras”.

É preciso calar o medo da exposição para dar voz a um basta. Acredito que nada seja por acaso, e talvez por isso Deus tenha usado alguém com senso de cidadania e responsabilidade para não permitir que esses fatos se perpetuassem, para zelo das pacientes e da própria instituição.

É importante que prestem atenção que nós não queremos, nem precisamos, de piedade. Nós precisamos de apoio com atitude – de homens, mulheres e instituições competentes, e exigimos respeito de todo indivíduo e de sua representação máxima, a sociedade. O problema é que romantizar uma data como o Dia da Mulher só camufla uma realidade emergente.

Flores são bonitas e muitas mulheres, como eu, gostam, mas precisam ser símbolo de respeito praticado cotidianamente, e não banalizadas como têm sido. Assim como os discursos bonitos que são cheios de panos quentes para disfarçar a violência contra a mulher. Quantos assediadores notórios não vemos passarem mel em suas palavras no Dia da Mulher para se mostrarem de acordo com os bons costumes, mas que agem como predadores, não importando o dia, a hora, o local? É repulsivo, é vergonhoso!

Finalizo esse artigo fazendo alguns pleitos à Secretaria de Segurança Pública e à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia. Não se pode falar em respeitar as minas sem olhar para suas estruturas de apoio a elas. A Delegacia da Mulher em Itabuna reúne tudo o que não pode acontecer: endereço num local deserto, com várias ocorrências de assaltos no entorno, a necessidade de subir ladeira para chegar à unidade, um sistema de registro de queixas que demora mais de uma hora para concluir o processo (no meu caso foi 1h15min) e em um cômodo abafado e sem um ventilador sequer para esse momento penoso da denúncia, sem falar na falta de privacidade da denunciante. Passou da hora de melhorar!

Quanto ao médico, fui informada pela ouvidoria do hospital, no período da tarde, de que foi afastado dos plantões e está sendo investigado. Aqui me posicionei e espero que minha voz convide outras mulheres a não se curvarem diante de um assédio, seja ele qual for. Já disse Maria, a Bethânia: “O que é teu já tá guardado, não sou eu que vou lhe dar”. É a Justiça quem vai. O tempo é chegado.

Mariana Ferreira é jornalista.

LUGAR DE MULHER É NA POLÍTICA E ONDE ELA QUISER

Aline Setenta | alinesetenta@gmail.com

 

Em reverência a todas que me
antecederam e que lutaram para que eu
estivesse aqui escrevendo esse texto e as irmãs
que sofrem ainda mais violências do que eu

 

 

A política, assim como os demais sistema sociais ao longo do último século, sempre estiveram ocupados por homens. Assim, não é incomum ouvir “Xaxo” (como fala uma irmã de luta) quando as mulheres decidem ocupar espaços políticos sejam eles institucionais ou não. Loucas, histéricas, vagabundas, mulher-macho, desocupada são alguns dos adjetivos que ouvem as mulheres que “vão pra rua”, candidatam-se a cargo eletivo, ou defendem uma pauta feminista. O discurso feminista tem incomodado conservadores e, por vezes, gerando mais opressão e violência quando as feministas são alvo dos mais diversos ataques como: “isso aí é falta de homem”, “vai lavar louça”, “essa aí vai ficar sozinha”! Apesar da necessidade de combater esses discursos, entendo que são reações esperadas de um sistema social e cultural que agoniza…. são reações daqueles que não querem admitir a mudança que já esta acontecendo.

Sobre isso, gostaria de fazer uma reflexão: ter um companheiro pode não ser o plano de vida mais importante para uma mulher, assim como não é para alguns homens, a felicidade é um estado interior que pode ou não incluir outra pessoa, vamos superar isso de uma vez por todas. E sobre ser ou não “feminina” espero por um dia que cada mulher respeite-se e seja respeitada na sua individualidade, compreendendo que o feminino está dentro, na sua alma, na sua essência, na sua verdade interior. Simone de Beauvoir disse assim: “Que nada nos defina, que nada nos sujeite que a liberdade seja nossa própria substância”!

Segundo o Valor Econômico, o número de lares brasileiros chefiados por mulheres saltou de 23% para 40% entre 1995 e 2015. O volume de homens que se apresentam como chefes de família no Brasil caiu pela primeira vez em 2016, no ano passado, enquanto 2,4 milhões de mulheres passaram a exercer a função de chefe de família no país, 985 mil homens perderam essa função. Tais mudanças refletem as conquistas feministas e a inserção da mulher no mercado de trabalho, mas infelizmente não tem sido acompanhadas, na mesma velocidade, de alterações sociais significativas.

No Brasil, a cada dia 12 mulheres são assassinadas e 135 são estupradas a cada hora, 503 mulheres são agredidas, 61% dos agressores são cometidas por conhecidos, 19% das agressões partem de seus companheiros, 43% das agressões graves ocorrem dentro de casa. Em todo o Brasil, apenas 443 são as delegacias especializadas num universo de 5570 municípios, e destas a maioria funciona de forma precária e por vezes machista consistindo mais um espaço de violência institucional. Por isso posso, apesar de avistar mudanças no horizonte, e algumas já vem acontecendo, ainda há muito a ser feito.

No cenário brasileiro, destacamos iniciativas no campo das políticas públicas, o advento da Lei Maria da Penha Lei 11.340/06, mudanças no âmbito do Direito de Família e recentemente a Lei do Feminicídio Lei 13.104/15. Em 2003, no início do primeiro mandato do presidente Lula, o governo federal transferiu a então Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher, vinculada ao Ministério da Justiça, para a Presidência da República, nascia assim a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), hoje com status de ministério.

A Secretaria ampliou o escopo de atuação do Estado na defesa dos direitos da mulheres e passou a trabalhar em três linhas de ação: políticas do trabalho e da autonomia econômica das mulheres; combate à violência contra a mulher; programas para as áreas de saúde, educação, cultura e ações voltadas para maior participação das mulheres nas políticas de igualdade de gênero e diversidade. Na Bahia, a SPM também tem avançado na institucionalização de políticas públicas e combate à violência destacando a atuação da Polícia Militar com a criação da Ronda Maria da Penha, e esperamos que as demais pautas avancem num futuro próximo. Itabuna precisa também avançar nesse campo, temos o Conselho da Mulher, o CRAM, a DEAM, as instituições precisam se fortalecer, dialogar e se aproximarem da realidade das mulheres em situação de vulnerabilidade. :: LEIA MAIS »

A DRAMATURGIA DE ANINHA

Adroaldo Almeida | adroaldoalmeida@hotmail.com

 

 

O certo é que a crítica “republicana” de Aninha não se interessa pela atuação dos atores e diretores a quem o PT combate. Pelo visto, nem com duas batidas de Molière ela acertaria o fim do espetáculo dos vampirões que tomaram o país.

 

Vez por outra Aninha Franco tenta falar sobre política em seus artigos, mas o que sempre sai é um arremedo de crítica monotemática, repetidamente contra o PT e seus dirigentes, como agora nesse burlesco “A dramaturgia de Jaques Wagner”. Ao que parece, Aninha, a escritora e dramaturga, acha que pertence a uma categoria que chegou ao Planeta para atacar os que pensam diferente dela, inclusive em questões de estética, arquitetura e decoração de interiores. Preconceituosa e enviesada, sugere que a esquerda deve morar para sempre na Cabana do Pai Tomás.

Outro desencontro da personagem política de Aninha é se valer de um jornal, o Correio da Bahia, notório adversário e inimigo imperdoável de Wagner por ter infligido a maior e mais humilhante derrota aos seus proprietários em 2006. Assim fica fácil. Isso é sabujice do pior teatro serviçal.

Neste Brasil véi sem fronteira, muita gente faz teatro como Aninha; alguns, inclusive, a favor dos poderosos; outros, na trincheira da vanguarda contra o atraso; porém há aqueles que não são nem uma coisa nem outra, mas personagens de si mesmos, e escrevem repetitivos monólogos enfadonhos que adormecem a plateia.

Agora, tudo indica, suponho, que Aninha premiada roteirista, não entende patavina de cinema. Pois quando Geddel apareceu chorando diante de um juiz federal em cadeia nacional do JN da TV Globo, Aninha nada falou. Nem, tampouco, quando Rocha Loures foi flagrado correndo, numa cena de perseguição à noite pelas ruas do Rio de Janeiro. Também se calou quando um avião, pertencente ao Senador Perrela, foi filmado pousando no Espírito Santo com meia tonelada de cocaína pura. Ou, quem sabe, ela não aprecie as produções de “terrir” (o terror cômico dos filmes B).

Quem sabe?

O certo é que a crítica “republicana” de Aninha não se interessa pela atuação dos atores e diretores a quem o PT combate. Pelo visto, nem com duas batidas de Molière ela acertaria o fim do espetáculo dos vampirões que tomaram o país.

Adroaldo Almeida é advogado e ex-prefeito de Itororó.

MOSTRAR O QUE, PARA QUEM?

Mariana Benedito | mari.benedito@outlook.com

 

Um mecanismo de defesa para que não enfrentemos a dor, para que coloquemos máscaras e disfarces. Entretanto, o pote um dia enche. Quanto mais tempo passamos omitindo, escondendo, camuflando o que verdadeiramente sentimos por meio de uma realidade virtual, plastificada, mais a sensação de vazio se instaura.

 

É fato que estamos vivendo em uma era de exposição. Para onde vamos, o que fazemos, o que comemos, com quem estamos tudo é virtualmente compartilhado num piscar de olhos, à base de um toque na tela do celular. Esquecemos cada vez mais de vivenciar, de fato, os momentos, as companhias, as conversas; tudo porque existe uma necessidade inerente de mostrar, expor, postar. É uma busca incessante pela aceitação e valorização do outro; isso é nato do ser humano.

Desde o ‘Homo Sapiens’, o homem sente a necessidade de se agrupar, de se sentir pertencente a um meio, de ser amado, de ser aceito. É isso que nos move! O nosso maior anseio e desejo é ser amado. Todas as defesas que usamos, todas as couraças que foram construídas ao longo de nossas vidas serviram – e servem – para nos proteger da dor da separação, do não se sentir acolhido, aceito, inserido, da dor do aniquilamento. Todas as histórias terminam falando de amor, já diria Julia Kristeva, psicanalista francesa.

Porém, existe outro lado da moeda que precisa também de atenção especial. Essa mesma necessidade de exposição e aceitação muitas vezes pode buscar disfarçar um vazio, uma lacuna, uma dor.

Pesquisas apontam que as Redes Sociais são altamente nocivas à nossa saúde psíquica, já que existe uma felicidade, uma adequação, um estilo de vida ali compartilhado que muitas vezes não é o vivenciado pela maioria esmagadora. É uma cobrança velada por estar bem, por mostrar-se bem, muito embora – algumas vezes – estejamos em algum momento de tristeza, angústia, recolhimento.

Observa-se que é justamente quando mais precisamos deste recolhimento, quando mais estamos tristes, quando mais necessitamos de um olhar para dentro de nossos vazios e dores, é que mais compartilhamos fotos, vídeos, ‘stories’ exalando uma felicidade e um bem-estar ‘fakeados’.

Precisamos estar atentos a isso! Porque essa busca por omitir a dor, por se mostrar feliz, satisfeito, pleno – quando de fato não o estamos – caracteriza uma fuga de nós mesmos. Um mecanismo de defesa para que não enfrentemos a dor, para que coloquemos máscaras e disfarces. Entretanto, o pote um dia enche. Quanto mais tempo passamos omitindo, escondendo, camuflando o que verdadeiramente sentimos por meio de uma realidade virtual, plastificada, mais a sensação de vazio se instaura.

Afinal, estamos escondendo o que de quem? Já que “o Mundo” não precisa saber de nossas dores, já que – no íntimo – sabemos que estamos mascarando sentimentos, sendo mentirosos com nós mesmos. O que nos leva a mostrar uma felicidade que, em determinado momento, não existe? Por que precisamos mentir e deturpar o que sentimos?

Precisamos mostrar o que, para quem?

Mariana Benedito é psicanalista em formação, MBA Executivo em Negócios, pós-graduada em Administração Mercadológica e consultora de projetos da AM3 Consultoria e Assessoria.

QUEM SOU EU?

Jaciara Santos | jaciarasantoscoach@gmail.com

 

 

Mas nem sempre foi assim. Já sonhei em ter sobrenomes mais complexos e incomuns. Entretanto, hoje amo essa simplicidade. E você, como se sente em relação às suas origens?

 

Qual seu nome? Você gosta de seu nome? Como gosta de ser chamado? São sobre esses questionamentos que falaremos hoje. 

“Eu sei que há aspectos de quem eu sou que me confundem, e outros aspectos que eu nem conheço – mas na medida em que eu for amistoso e amoroso comigo mesmo, poderei, corajosa e esperançosamente, procurar soluções para as confusões e outras maneiras de me conhecer melhor. Assim, qualquer que seja a minha aparência ou jeito de falar, o que quer que eu diga ou faça e o que quer que eu pense ou sinta, em um dado momento no tempo, isto, autenticamente, SOU EU!Virginia Satir 

Na semana que passou, conheci uma pessoa por um apelido, mas instantaneamente perguntei o seu nome e ela, simplesmente, parou para refletir por alguns segundos. E só depois disso, lembrar-se, pois dizia não identificar-se pelo que estava escrito em seu registro. Por isso, por vezes, esquecia-se.  

Depois deste relato, comecei a refletir sobre o significado de nosso nome para nossas vidas. Normalmente, quando nossos pais recebem a notícia da nossa geração,  já ficam traçando hipóteses : -Como chamaremos o filho que está chegando? 

Nosso nome é carregado de histórias… 

Baseado nisso, fiz reflexões sobre o meu nome, por que sou Jaciara, qual a intenção de meus pais em me chamar assim?  E quando minha mãe conta-me tal fato, sinto um orgulho enorme de ser Jaciara. E meu sobrenome??? Ah, esse é o que me dá mais orgulho, pois traz a verdadeira história de minha família… Alves, Souza e Santos, sobrenomes simples, mas que contêm a história de pessoas que tenho e tive muito orgulho nesta vida. Mas nem sempre foi assim. Já sonhei em ter sobrenomes mais complexos e incomuns. Entretanto, hoje amo essa simplicidade. E você, como se sente em relação às suas origens?  

Em meio a enorme turbulência de pensamentos sobre o tema, tive uma linda surpresa, conheci outra Jaciara Santos. Isso me gerou uma enorme felicidade, pois me sinto honrada, em  ter uma pessoa tão bela de coração e alma, com o mesmo nome que o meu. 

Admito que fiquei por toda semana refletindo sobre o assunto, mas continuei meus dias de trabalho e atividades.   

No final desta semana, fui ao salão de beleza e ao chegar encontrei minha cabeleireira sempre com sorriso largo e um carisma estonteante – e já com tantas indagações em mente. Com muita curiosidade e ainda buscando alicerçar minha nova pesquisa, interpelei: – Keu, qual seu verdadeiro nome? Ela, por um momento, parou com um ar de surpresa pela indagação e logo depois respondeu: – Creuzenildes!  Reconheço  que não se trata de um nome comum, mas reflete a imagem de uma mulher guerreira e batalhadora que és. Eu a admiro, admiro sua força de vontade e vontade de vencer, e ainda honro e respeito a sua história. Depois de falarmos sobre o tema, logo lhe fiz um pedido: – Posso chamá-la assim? Um nome forte, como ela…   

Keu, Likuticho, Nino, San, Zó, Chuchu… apelidos que nos são dados ou impostos pela sociedade.  

Aprendamos a amar o nosso  nome, a nossa história, a história de nossa família.  

Você é hoje, tudo aquilo que já viveu, passou e superou. Veja-se como um vencedor. 

“Eu tenho as ferramentas para sobreviver, para estar perto dos outros, para ser produtivo e para entender e organizar o mundo das pessoas e coisas que estão fora de si. Eu me assumo e, portanto, eu posso me inventar e reinventar constantemente.” Virginia Satir 

Honre e respeite a sua história. Pense nisso!

Jaciara Santos é master coach e coordenadora de RH.

O CRESCIMENTO DO MORRO FOI FINANCIADO PELO ASFALTO

Walmir Rosário

 

E o remédio tem de ser ministrado conforme a doença, para curar e não como paliativo. Não conheço a área de saúde, mas, pelo que me consta, um simples analgésico não combate um câncer em estado terminal. Pode, no máximo, abrandar a dor.

 

Que os cheiradores, maconheiros, fumantes de crack e outros viciados em drogas ilícitas me perdoem, mas são eles os grandes culpados pelo alto índice de violência que toma conta do Brasil, de norte ao sul. Nesta mesma conta, coloco também os políticos brasileiros responsáveis pela elaboração de leis estapafúrdias, que criminalizam os traficantes de drogas e livram a cara dos consumidores.

O tráfico de drogas é uma atividade ilícita. Claro que para o ato ser consumado necessita da participação de dois atores: o que vende e o que compra, embora nessa cadeia também seja criminalizado o que produz. Fere todos os princípios da lógica impor penalidades apenas para quem produz e vende, descriminalizando quem consume. Essa é mais uma das jabuticabas brasileiras.

É impossível existir o vendedor se, do outro lado, não tiver o comprador. Simples, qualquer tipo de atividade – lícitas ou ilícitas – não conseguirá sobreviver se não for completada com essa ligação. E esse elo foi desfeito pelos políticos apenas para essa legislação, com a simples finalidade de agradar uma grande parte de bandidos – com ficha nos órgãos policiais e judiciários, ou não – que se locupletam com o tráfico.

Chega a ser ridículo a chamada sociedade do asfalto reclamar segurança, quando é ela mesma – com as devidas exceções – quem financia a violência desenfreada, para usar a gíria do próprio Rio de Janeiro. As classes média e alta da chamada zona sul da cidade, hoje nem maravilhosa assim, se abastecem de drogas ilícitas vindas do alto dos morros, agora batizados de comunidade, pagando regiamente aos traficantes, promotores da violência.

O que causa revolta é que todo esse comércio ilegal funciona desde antes com a licença e complacência das nossas autoridades, que utilizam o tráfico de influência em troca de votos, como está largamente provado. E essa licenciosidade vem descendo em cadeia pelos diversos membros dos representantes do Estado, conforme as hierarquias, até chegar aos escalões mais chulos.

A permissividade de nossas autoridades criou um verdadeiro monstro, que deixou de atuar no alto dos morros e invadiu o asfalto – os bairros chiques da zona sul carioca e outras cidades do Grande Rio. E, em vez de papelotes de cocaína, trouxas de maconha e pedras de crack, também chegou espalhando o terror, com as gangues assaltando pessoas nas ruas, nos restaurantes e os conhecidos arrastões nas praias.

Hoje, essas quadrilhas criadas e incentivadas com o dinheiro da venda de drogas se impõem com o dinheiro produto da venda e passou a substituir o Estado no alto do morros, aliciando menores para o trabalho dos “aviões”, futuramente guindados aos cargos de bandidos das mais diversas especialidades. É bom que se diga, que esse volume enorme de dinheiro não paga imposto de renda, previdência nem outros tributos a nós destinados.

E a lei do morro – chamada teimosamente de comunidade – é terrível. Pior do que a Lei de Talião, de olho por olho, dente por dente, tem julgamentos sumários, sem direito a qualquer defesa, nem mesmo dos grupos de direitos humanos. Controlam todo o comércio, as idas e vinda dos moradores, a subida dos visitantes do asfalto em busca das drogas, as direções das obedientes associações de moradores, sob o jugo dos chefões do tráfico, com a leniência dos sucessivos governos.

O poder dos chefões das quadrilhas que comandam o tráfico é tão grande e organizado que, mesmo de dentro dos presídios de segurança máxima, comandam toda atuação como se fosse uma empresa exemplarmente bem administrada. Influenciam na política, nos órgãos do Estado e traçam estratégias logísticas de fazer inveja aos administradores mais conceituados.

Importam equipamentos bélicos por diversas rotas – terra, mar e ar –, seja de forma legal, com notas fiscais, como no caso dos fuzis de grande alcance vindos dos Estados Unidos pelo aeroporto do Galeão, ou por contrabando por nossas vastas fronteiras. Para comprar armas e munições não dependem de obediência à lei das licitações, cumprindo prazos e preços menores. Sequer exigem nota fiscal.

E o Rio de Janeiro exportou esse know how para São Paulo, que o aperfeiçoou e o utiliza, transferindo para todo o país, sem a menor cerimônia, substituindo a direção de presídios e a conduta cheia de regalia dos detentos que têm dinheiro. Esses desmandos deixaram de ser noticiados a boca pequena e passaram ao noticiário das grandes redes de jornais, rádios e televisões, com provas bem documentadas.

A situação é tão grave que o cidadão não pode circular livremente pelas ruas, como antes, sem o risco de ser assaltado, caso carregue dinheiro ou objetos de valor em seu poder, ou tomar uma surra, caso não os tenha. Apesar de todas essas evidências e provas, os números apresentados pelos governos dos estados contrariam a verdade mais do que verdadeira. Todos são honestos porém meu chapéu sumiu.

Se quisermos enfrentar e dizimar o crime organizado, temos que partir para a política de tolerância zero, começando as ações através do voto, separando o joio do trigo na nossa miserável política. Estamos numa guerra em que temos que combater a violência, a falta de ética e de moral em todas os segmentos governamentais e na iniciativa privada, caso contrário, estaremos fadados a nos transformar num Haiti e anos passados.

E o remédio tem de ser ministrado conforme a doença, para curar e não como paliativo. Não conheço a área de saúde, mas, pelo que me consta, um simples analgésico não combate um câncer em estado terminal. Pode, no máximo, abrandar a dor. Caso as ações da intervenção federal na área de segurança pública no Rio de Janeiro não alcance os objetivos, a violência se multiplicará de forma geométrica em todo o Brasil.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado. Também edita o www.ciadanoticia.com.br.

BOA RELAÇÃO PRESERVA DIÁLOGO COM O ESTADO E FAVORECE AS CONQUISTAS NA SAÚDE

Alcides Kruschewsky

 

Na mesa onde o atual  governo municipal senta com a comunidade e lideranças, não tem havido espaço para vaidades. Estas ficaram isoladas no início de 2017, quando iniciou o governo Mário Alexandre.

Diferente do azedume que interrompeu os entendimentos na área de saúde entre o governo da Bahia e o governo de Ilhéus,  especialmente após a nomeação do médico Claudio Moura Costa para a direção do Hospital Regional LVF, de quem o ex-prefeito é desafeto, a relação respeitosa entre os representantes estaduais e municipais favorece o diálogo e a população já consegue sentir os resultados positivos. O governo do estado vai investir mais 15 milhões de reais para reestruturar a saúde em Ilhéus.

Paralelamente a esse anúncio,  fruto da parceria entre estado e município,  a Prefeitura de Ilhéus contratou mais 20 médicos e convocou 14 profissionais concursados para melhorar o atendimento à população. Vai, também, reformar com recursos próprios-  1,1 milhão de reais-  10 postos de saúde na cidade. A expectativa é atingir a meta de 60% da atenção básica ainda em 2018.

Ilhéus ganhará uma UPA – Unidade de Pronto Atendimento,  no bairro do Malhado, totalmente construída pelo Estado e custeada 50% pelo mesmo, e um Hospital Materno/Infantil com UTIs Neonatal e Infantil, após a reforma total do Hospital Regional, onde serão investidos 9 milhões de reais.

Enquanto a UPA não fica pronta, a Policlínica Halil Medauar, na Conquista,  atenderá como pronto atendimento médico, a emergências, 24 horas. Com isso, Ilhéus  passará a contar com 4 PAs 24 horas: Zona Sul,  Hospital São José,  COCI e a Policlínica. O Estado da Bahia ainda cederá 200 servidores para reforçar a atenção básica do município.

Tudo isso tornou-se possível graças ao distensionamento  das relações políticas e pessoais entre os gestores das diferentes esferas governamentais. Com diálogo, mesmo com divergências de pontos de vista,  os resultados aparecem e a população será beneficiada.  Isto quer dizer que na atual gestão municipal o interesse público foi colocado acima das questões de preferências pessoais, políticas, gostos e simpatias ou antipatias. Acontece que, quando questiúnculas são colocadas acima das dores da população,  o bem comum sai da mesa de entendimentos e o diálogo fica truncado, e as “tabelinhas”, por vias não recomendáveis, também se revelam incapazes de produzir efeitos positivos.

Hoje, o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas Boas, se sente à vontade para debater sobre a problemática de Ilhéus com o também médico Mário Alexandre. Mas se isso está acontecendo,  todos reconhecem que o perfil de Marão contribui muito para essa fluência. O próprio governador já demonstra que a relação entre os governantes se estreitou e ultrapassou o limite apenas institucional.

As discordâncias existem. Mas a lealdade e postura do prefeito de Ilhéus,  que tem sido duramente atacado nesse momento de transição na saúde, mas que em nenhum momento expôs o governador e o secretário Vilas Boas ou mesmo o governo do estado, bancando o ônus do desgaste com as mudanças, arrancam elogios da esfera estadual, pela serenidade e foco nas soluções dos problemas, jamais alimentando choques frontais e embates,  caminho que outras lideranças preferiram.

Assim, o perfil de Marão, expansivo, bem humorado, trabalhador e avesso a polêmicas desnecessárias, ao contrário dos que o criticam acidamente, vai dando sua inestimável contribuição para as conquistas como há muito não se via na área de saúde em nossa cidade.  O bonachão,  festivo, riso fácil,  vai comprovando a eficácia de sempre colocar o aspecto positivo na condução da gestão. Então, é aí que os efusivos abraços que distribui ao encontrar as pessoas, se revela consistente e fundamental para inaugurar outra forma de se relacionar com os poderes,  sem a mesma pretensão e a presunção que sempre nortearam as mesmas relações,  anteriormente, colocando as vaidades dos figurões acima do sofrimento e anseios da sociedade.

O tema  “tempo de alegria e trabalho” traz em si o espírito que norteia a atual gestão municipal e sintetiza com propriedade o conteúdo para o entendimento, exatamente como já tinha ocorrido com os servidores municipais, cujo diálogo com o município também se encontrava deteriorado, inexistente. Assim demonstra-se que o azedume e os choques frontais com diversos setores, aí podendo ser incluído o comércio, longe de serem esporádicos, era uma prática de governo.

Na mesa onde o atual  governo municipal senta com a comunidade e lideranças, não tem havido espaço para vaidades. Estas ficaram isoladas no início de 2017, quando iniciou o governo Mário Alexandre.

Alcides Kruschewsky é secretário de Comunicação de e ex-vereador de Ilhéus.

TRANSPORTE PÚBLICO EM ITABUNA: A SERVIÇO DE QUE LÓGICA ESTÁ A CIDADE?

Davidson Brito | davidson_brito@yahoo.com.br

 

A surpresa mesmo, para alguns, existe quando a notícia de que o Conselho Municipal de Transporte, órgão representativo que é responsável por fiscalizar e nortear questões relativas ao transporte, assuma determinada posição sem levar em consideração elementos fundamentais para a tomada de uma decisão democrática, legal e transparente. Pior, ainda, é quando a prefeitura, que deveria ser a porta voz da maioria, vai justamente na contramão disso.

O colapso no transporte público deixou de ser uma ameaça há algum tempo e já é uma dura realidade para maioria da população itabunense. Ao passar dos anos, reclamações se acumulam e nada ou muito pouco tem acontecido. Certo mesmo tem sido ao início de cada novo ano a notícia do aumento na tarifa do transporte coletivo urbano e rural.

Não é preciso ser nenhum especialista para ver o óbvio: o transporte público em nossa cidade beira o caos. Tarifa cara, ônibus cheios e passageiros amontoados, desesperados para chegar ao trabalho ou em casa. Número de ônibus insuficientes e horas e horas a fio desperdiçadas diariamente nos pontos. Isso sem mencionar a sujeira acumulada nos veículos, além, é claro, do cotidiano desrespeito ao Estatuto do Idoso. E as principais vítimas, como não poderiam deixar de ser, são os trabalhadores e jovens da periferia que dependem do serviço e são obrigados a viver um inferno diário dentro dos coletivos.

Enquanto isso, o governo municipal de Fernando Gomes, por sua vez, insiste em fazer de conta que tal realidade não existe. E, quando fala sobre o assunto, foge dos reais problemas e tenta a todo custo criminalizar aqueles que buscam denunciar o atual estado do transporte. Longe de discutirem as reais causas para termos chegado a esse ponto, o governo parece tratar o assunto como mera obra do acaso, sem causas ou culpados. A população, por sua vez, é condicionada a se conformar e achar que esse problema não tem solução.

TRANSPORTE PÚBLICO, LÓGICA PRIVADA

Muitas pessoas em algum momento da vida se perguntaram: como o transporte é público se o serviço é restrito devido à cobrança da tarifa? A resposta para tal pergunta é muito simples e tem previsão legal no art. 175º da Constituição Federal, que incumbe ao Poder Público a prestação de serviços públicos, podendo ser de forma direta ou sob regime de permissão ou concessão, sempre através de licitação, como é o caso da situação do transporte em nossa cidade. E é justamente na maneira de como se dá essa concessão que começam nossos problemas.

As companhias públicas de transporte que existiam foram privatizadas nas últimas décadas. Esse processo seguiu o modus operandi das privatizações: primeiro, precariza-se o serviço para, então, passá-lo à iniciativa privada. Os resultados disso os usuários do serviço conhecem bem: tarifas mais caras, serviços piores e redução de direitos e salários dos funcionários.

A opção pelo transporte rodoviário em nosso país se deu devido à pressão e influência do setor privado, através das grandes multinacionais da indústria automobilística, como a Ford. A esse modelo, caro e ineficiente, imposto pelas multinacionais, soma-se o baixo investimento realizado pelos mais diferentes governos. Em Itabuna, a situação não é diferente, onde, segundo os dados do Portal da Transparência da Prefeitura, no ano de 2017 o município sequer chegou a investir o equivalente a 0,3% do PIB local.

Ao mesmo tempo, entregam a cada dia mais a cidade na mão do capital privado, deixando o controle total do serviço de transporte coletivo na mão das grandes empresas, verdadeiras máfias que, junto com os governos de plantão, assaltam o bolso da população e em troca oferecem um serviço precarizado, ineficaz e com tarifas em valores absurdos, que, diga-se de passagem, contam com o respaldo de todo o processo de licitação, que nos tempos atuais mais se parece com um grande acordo político contra o povo. :: LEIA MAIS »

VOCÊ TERIA UM MINUTINHO PARA A PALAVRA DA CIÊNCIA?

Felipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

Imagine um professor na praça explicando algum tema polêmico contemporâneo! Aí, com ideias circulando, com a academia enxergando além de seus muros, quem sabe teríamos uma sociedade ainda melhor. Difícil? Sim, com toda certeza! Mas será que cada um de nós, doutos cidadãos, estamos fazendo todo o possível?

 

Ler o título acima parece estranho, não? Permita-me então contextualizar melhor a questão: dois acontecimentos que presenciei dentro do “mundo acadêmico” nos últimos dias me fizeram pensar um bocadinho sobre exatamente esse tal “mundo acadêmico”.

No primeiro fato, um jovem estudante postou nas redes sociais seu lamento por ter sido abordado por uma senhora cristã que tentava propagar suas ideias e demonstrou incômodo por ele se declarar ateu. Quando apresentado o contraponto de que aquela senhora estava apenas levando adiante aquilo que ela acreditava ser interessante, ele rebateu: “ah, não saio por aí levando a palavra de Nietzsche”. Não leva? Uma questão: por que não?

Outro fato foi a leitura de outra postagem nas redes sociais onde professores e estudantes, em sua maioria, debochavam e se escandalizavam com a cantora Anitta ter sido convidada para palestrar num evento na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Soava absurdo a cantora notabilizada no funk, de origem periférica, falar numa das mais prestigiadas universidades do mundo. Uma questão:por que não?

A academia brasileira, permito-me generalizar com meus pouco mais de oito anos de experiência docente, parece sofrer de um mal que a faz sentir-se como um panteão para poucos. Alguns (poucos) privilegiados devem alcançar esse patamar após demonstrar suas competências em provações diversas. Uma ideia de que aquilo “não é pra qualquer um”. Uma ideia de que aquilo que não está no “mundo acadêmico” não é bom o suficiente.

Vivemos – faço aí um mea culpa pois, além de ocasionalmente escrever textos me valendo da boa audiência do PIMENTA para atingir uma grande fatia da sociedade, também estou entre os que assim agem – num espaço onde apenas os aplausos e os tapinhas nas costas dos iguais parecem ser interessantes. Por qual motivo as vozes periféricas não são plenamente ecoadas nas universidades? Por qual motivo o grafite nas paredes dos corredores acadêmicos é visto com estranheza? Por qual motivo iniciativas como o Pint of Science, que visa explicar pesquisas científicas em bares, são vistas com certo desdém por alguns? A resposta?

Arrisco-me a dizer que muitos acadêmicos – aí incluídos professores e estudantes – acreditam que são especiais demais e acabam por esquecer da sociedade que os abriga e, principalmente, financia.

Se a senhora propagando a fé cristã nas ruas enche sua paciência, será que ao invés de criticá-la não seria possível ver nela uma inspiração? Imagine as praças de Itabuna, de Ilhéus ou de qualquer outra cidade exibindo um filme e um pesquisador conduzindo um debate sobre ele! Imagine um professor na praça explicando algum tema polêmico contemporâneo! Aí, com ideias circulando, com a academia enxergando além de seus muros, quem sabe teríamos uma sociedade ainda melhor. Difícil? Sim, com toda certeza! Mas será que cada um de nós, doutos cidadãos, estamos fazendo todo o possível?

Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

NA BAHIA, O POVO DIZ O QUE QUER DA POLÍTICA

Josias Gomes

 

Político correto, unindo discurso e prática, acertando na gestão, Rui é, na verdade, o exemplo escolhido pelo povo para dizer: “olha, a política deve ser assim; o político que a gente quer é desse jeito”.

 

Termina o Carnaval, na Bahia e no Brasil, em meio ao qual as sombras que rondam a política brasileira pairaram ameaçadoras. O povo aproveitou a folia para expor veementemente sua insatisfação com os rumos do país.

Blocos, escolas de samba, grupos de foliões, expressões carnavalescas de diversos estados, de Norte a Sul do país, por suas alegorias, enredos, dizeres, marchinhas e fantasias reverberaram toda a insatisfação popular com o canhestro e ilegítimo governo federal, do momento.

No balanço desses dias, vai ser muito difícil encontrar algum exemplo de político que tenha testado sua popularidade, peito aberto, caminhando em meio ao povo, sem aparato de segurança, que tenha se saído bem.

Na Bahia, porém, há um belo exemplo de político de bem com o povo, no caso, o governador Rui Costa, do PT, que termina por redimir a própria política, sugerindo que o povo pode não estar propriamente insatisfeito com ela (a política).

Desde a Lavagem do Senhor do Bonfim, onde os possíveis candidatos costumam testar suas chances com o povo, especialmente em ano eleitoral, que é notável a diferença entre o tratamento popular dispensado a Rui Costa e o que é dedicado a seus adversários.

Nesse ritmo, o clima que rondou a presença do governador foi, todo o tempo, de muita alegria, com Rui sempre aplaudido, por onde quer que caminhasse, desde o ato ecumênico que marcou o início do cortejo, até o seu final.

Na oportunidade, o povo soteropolitano, irmanado com gente vinda de toda a Bahia, e do país, não deixou margem a qualquer dúvida sobre o acerto das decisões do atual governo baiano no campo da mobilidade urbana, da saúde e da educação, exemplos para todo o país.

Agora, mesmo, no Carnaval, Rui Costa não arrumou qualquer desculpa que lhe permitisse fugir do povo, e, acompanhado da esposa, e poucos assessores mais diretos, caminhou sempre muito tranquilamente em meio aos foliões.

Por onde passava, Rui Costa era amplamente aplaudido, com o povo gritando o seu nome, buscando abraça-lo, fazendo selfies, em passeios sem atropelos, embora cercado de muito calor humano a comprovar a aprovação dos baianos ao seu governo.

Ainda no Carnaval, Rui Costa foi prestigiar a saída do tradicional bloco Ilê Aiyê, onde sua presença foi saudada pelos brincantes e pelo povo. Também, nessa oportunidade, seus adversários arrumaram outra coisa para fazer, e, não foram.

São essas histórias do Carnaval e dos eventos mais tradicionais da Bahia que efetivamente revelam a enorme vantagem popular de Rui Costa, frente a seus adversários, o que enche de orgulho a todos aqueles, que, a meu exemplo, têm a honra de participar do seu governo.

Mas, retornando à questão: Haverá mesmo, no Brasil atual, uma rejeição popular à política? Afinal de contas, Rui Costa, é político, dos mais refinados, escolhido por Jacques Wagner para o governo, dentro de um processo claramente político e do mais amplo conhecimento público.

O que pode estar havendo, de verdade, é não um questionamento da política, mas das práticas políticas em curso. Político correto, unindo discurso e prática, acertando na gestão, Rui é, na verdade, o exemplo escolhido pelo povo para dizer: “olha, a política deve ser assim; o político que a gente quer é desse jeito”.

Somente com uma leitura correta da realidade é que será possível encontrar a saída para a atual crise de identidade que tanto atormenta o mundo político, o que recomenda atentar com muita acuidade para o fenômeno  Rui, que é um político, com clara definição partidária pelo PT, e, ao mesmo tempo, detentor de amplo e inegável apoio popular.

Josias Gomes é secretário de Relações Institucionais da Bahia e deputado federal licenciado.

OS IMPACTOS ECONÔMICOS NEGATIVOS PROVOCADOS PELO CANCELAMENTO DO CARNAVAL ANTECIPADO DE ILHÉUS

Edson Alves | edsonciso@hotmail.com

 

Hotéis, bares, restaurantes, supermercados, casas de veraneio, ambulantes, além de setores da área cultural e uma grande parte do setor da economia local são afetados direta e indiretamente durante a realização de um carnaval.

 

Em primeiro lugar, gostaríamos de tecer críticas diretas à falta de planejamento dos gestores do turismo na cidade de Ilhéus (BA), mais diretamente, ao poder público municipal, pois o mesmo, associou a crise na área da saúde pública à não realização do carnaval antecipado. É como se os problemas na saúde pública do município tivessem nascido no mês de fevereiro desse ano, e já tivessem data marcada para acabar, junho de 2018, com uma épica festa junina.

Em uma cidade turística como Ilhéus, o discurso que o prefeito utilizou caiu como uma luva, ou seja, se ajustou muito bem à situação desejada pelo gestor e aos olhares do “senso comum”, mas, ao mesmo passo, como uma falácia para os investidores da área do turismo e para os especialistas em administração pública.

Mediante essas afirmações, (PETROCCHI 2002, p, 12), declara:

“As deficiências do turismo passam inicialmente pela falta de conscientização da população para a sua importância, o que é uma questão cultural. Se a população não se sensibiliza por determinados temas, o político automaticamente o descarta. O político reflete os desejos, as aspirações e as preocupações da população. A população em geral não dá a devida importância ao turismo, e essa indiferença é fatal”.

O carnaval é um negócio altamente lucrativo para o setor turístico no Brasil. Segundo levantamento do Ministério do Turismo. No ano de 2016, cerca de 9,8 milhões de turistas circularam pelo país no mês de fevereiro, gerando um acréscimo de R$ 9,6 bilhões à economia nacional, com forte impulso ao setor de serviços. O faturamento do período representava cerca de 3%, do total gerado anualmente pela indústria de viagens e turismo do país.

O impacto do Carnaval é grandioso para a economia de Ilhéus. As atividades ligadas ao turismo representam aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia na festa. A cadeia produtiva do Carnaval é complexa e envolve diferentes setores da economia.

Na Bahia, no ano de 2014, a estimativa foi de que 707 mil turistas visitaram as cidades de Salvador, Porto Seguro, Trancoso, Arraial D’Ajuda e a famosa Costa do Sauipe. Já no ano de 2016, o fluxo de turistas movimentou cerca de R$ 900 milhões na economia do estado.

Entender os aspectos e os números do carnaval se faz necessário para que possamos compreender a grandiosidade de um evento deste porte para a economia ilheense.

Hotéis, bares, restaurantes, supermercados, casas de veraneio, ambulantes, além de setores da área cultural e uma grande parte do setor da economia local são afetados direta e indiretamente durante a realização de um carnaval.

Neste sentido, Ilhéus perde – e muito, quando uma gestão sem planejamento cancela um evento deste porte, mas, sobretudo, o “Carnaval Antecipado” no município. Pois os empreendedores locais haviam planejado ou estavam se planejando para receber toda uma demanda que impulsionaria os números da economia local.

É preciso que o gestor maior do município coloque o carnaval antecipado no calendário turístico da cidade como uma coisa prioritária de seu governo. Por fim, a Secretaria Municipal de Turismo deve ter consciência da sua responsabilidade enquanto agente de promoção do turismo na região e, nesse contexto, buscar unir esforços continuados para fazer o resgate do carnaval antecipado de Ilhéus.

Edson Alves é graduado em Ciências Sociais e Especialista em Gestão Pública Municipal pela Uesc.

A CANDIDATURA DE HUCK

Marco Wense

 

Agora, no maior cinismo do mundo, o tucano mais exótico, de plumas mais coloridas e bico reluzente, passa a ser o principal incentivador da candidatura de Luciano Huck.

 

O padrinho político da candidatura do global Luciano Huck ao Palácio do Planalto é Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente da República.

FHC, como é abreviadamente chamado, é o tucano (PSDB) mais exótico do tucanato, sem dúvida o de plumas mais coloridas e bico reluzente.

O engraçado é que FHC dizia que o prefeito de São Paulo, João Doria, estava tendo um comportamento condenável em relação ao governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

Doria se autoproclamava presidenciável da legenda, querendo tomar o lugar do seu criador, daquele que foi responsável pela sua eleição para o Palácio do Anhangabaú.

Alckmin, mesmo contra algumas lideranças do partido, elege o “poste”, que logo é picado pela mosca azul e começa a sabotar a pré-candidatura presidencial do chefe do Executivo estadual.

FHC, percebendo a traição de Doria, aconselha Alckmin a assumir o comando nacional do PSDB, se fortalecendo para ser o nome da legenda na sucessão de Temer.

Agora, no maior cinismo do mundo, o tucano mais exótico, de plumas mais coloridas e bico reluzente, passa a ser o principal incentivador da candidatura de Luciano Huck.

Como o anzol da infidelidade partidária só pega peixes pequenos, os tubarões ficam isentos de qualquer questionamento. Não são taxados de ingratos, traidores e oportunistas de plantão.

Fernando Henrique Cardoso, também conhecido como o “Príncipe da Privataria”, é um, digamos, João Doria mais lapidado, mais traiçoeiro.

A candidatura de Luciano Huck é o sonho de FHC, que se dane o PSDB, Alckmin e todo o tucanato.

Marco Wense é editor d´O Busílis.

POR QUE AS PREFEITURAS NÃO PRECISAM AUMENTAR A TARIFA DE ÔNIBUS TODO ANO

Rafael Calabria

 

O fato de a população ter pouco conhecimento sobre a legislação e as alternativas que outras cidades buscaram, aliado à grande pressão midiática, cultural e econômica em favor do uso do carro em nossa sociedade, facilita a omissão das administrações públicas e torna os repetidos aumentos tarifários medidas recorrentes.

Em todo começo de ano, milhões de pessoas são “assombradas” com os anúncios de aumento de tarifa nos sistemas de ônibus e trens pelo Brasil. Com a justificativa de cobrir a inflação ou reajuste das contas, os governos e prefeituras tratam o aumento como algo inevitável, se escorando no argumento da responsabilidade fiscal. Mas o que essa explicação esconde é que existem alternativas para as prefeituras tratarem a tarifa de ônibus com a responsabilidade que o assunto merece.

Um dos resultados marcantes dos protestos de junho de 2013 que se espalharam pelo país foi o destaque dado ao debate sobre o valor da tarifa de transporte no país. A discussão, porém, se concentrou em como a tarifa restringe o acesso de cidadãos aos serviços de transporte e não avançou sobre as formas de reduzir efetivamente o custo da tarifa.

A conta do transporte nas cidades tem um custo alto, não há como negar. Portanto, não se trata de baratear o transporte, piorar os ônibus ou degradar a qualidade. O objetivo é buscar formas de pagar o custo desse transporte, melhorar a qualidade e baratear a tarifa final do usuário, garantindo o acesso de mais pessoas ao direito à mobilidade.

Escolher como pagar as contas deve ser parte da decisão política de cada prefeito ou prefeita, governador ou governadora, e este é um dos casos em que já existe uma lei para ajudar o governante a tomar diferentes decisões para não aumentar, ou até reduzir o custo da tarifa.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, aprovada em 2012, envolve essa discussão e possibilita que o gestor público busque recursos em algumas áreas para cobrir o custo da tarifa. Esses recursos podem vir de receitas alternativas ou de compensações e tributações de outras categorias que se beneficiam dos serviços de transporte.

As receitas alternativas são interessantes e não oneram nenhum cidadão. As mais conhecidas são os espaços para propaganda dentro dos ônibus e exploração comercial de espaços de terminais e estações ferroviárias trazendo outros serviços agregados para o usuário do transporte e gerando receita para baratear a tarifa. Essa possibilidade é especialmente importante para cidades que estão discutindo suas licitações de ônibus, como é o caso de São Paulo, Natal e Porto Velho.

A outra opção, a tributação de setores que se beneficiam do serviço de transporte, seria uma importante ferramenta para melhorar a mobilidade das grandes cidades. Essa solução envolve várias opções como uma taxação sobre o litro da gasolina, políticas de estacionamento, uso do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) ou até outorgas que recolham receitas da valorização imobiliária de terrenos valorizados pelo transporte. Embora gere bastante rejeição, a tributação do uso do carro é a opção política mais interessante, pois, além de baratear o custo das passagens, desestimula o uso do automóvel particular, trazendo melhorias para a fluidez do transporte público e para a qualidade do ar das cidades. :: LEIA MAIS »

A LEI É PARA TODOS

Juliana Soledade

 

Como pode então o povo querer ser o próprio tribunal de um ex-presidente? É atestar que um país não é democrático e tampouco consegue respeitar e entender a diferença dos três poderes em um país. A única justiça que eu realmente espero é que ele não pague o ‘pato’ sozinho.

 

Eu escolhi o silêncio enquanto pude durante esse processo arrastado do Caso Triplex e das condenações do ex-presidente. Além de ser extremante complexo, preferi observar o comportamento dos juízes de plantão sem nunca terem aberto um livro específico sobre as matérias em discussão.

Na cabeça de muitos o Brasil está dividido em dois lados, mas apenas esses dois lados se apresentam, digladiam e medem forças imaginárias. Esquece-se de uma grande massa que tem muitas faces: a silenciosa, aquela que se articula e discute a possibilidade de um novo candidato no pé de orelha, na mesa do bar ou na reunião de negócios, mas além, não discutem sobre a nova condenação por ser um assunto vencido.

O jeitinho brasileiro nos faz esquecer a premissa básica de que a Lei é para todos, principalmente para os mais influentes e quase intocáveis. Um julgamento desse porte é uma mensagem nas entrelinhas, onde diz: mais respeito aos poderes que regem este país. Assim como foi para o Eike Batista, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Joesley Batista, Geddel Vieira e tantos outros que não imaginavam que o telhado de vidro poderia ser quebrado.

Para determinados fanáticos a figuras públicas é difícil compreender que cadeia não pode ter um porteiro como nessas boates VIPs onde pode se escolher quem deve ou não entrar. A condenação do Juiz Federal foi criticada pelos apaixonados, a mesma condenação foi ratificada e majorada em segunda instância por um colegiado, ainda assim, críticas, habbeas corpus, injustiça, falta de provas. O meu grande questionamento é como o da maioria: O que falta para prender a alma mais honesta do Brasil que já foi investigado, condenado e julgado?

É calamitoso defender uma inocência de quem transformou a sua família em milionária em meses, de quem não cumpriu com a promessa de tirar o Brasil da miséria, e a maior prova é o desespero da grande massa quando surgem boatos do fim de auxílios sociais. O país continua completamente dependente do Estado, principalmente quando abandonou a estabilidade de quando o assumiu. O Brasil tem uma expoente necessidade de abandonar a crise moral que nos assola e sair da crise financeira será tão somente uma decorrência.

A classe da esquerda assemelha-se com crianças mimadas e extremamente birrentas, que, no julgamento do impeachment, anunciaram golpe e após o insucesso, bradaram pelas Diretas Já. Novamente é o mesmo que rasgar a Constituição e derrubar aos gritos um regime democrático.

E como pode então o povo querer ser o próprio tribunal de um ex-presidente? É atestar que um país não é democrático e tampouco consegue respeitar e entender a diferença dos três poderes em um país. A única justiça que eu realmente espero é que ele não pague o ‘pato’ sozinho.

Juliana Soledade é escritora e pós-graduada em Direito.

FALTAM SÓ OITO MESES: DÁ TEMPO PARA INVENTAR UM CANDIDATO?

Ricardo Kotscho

 

Pontificam na cena pública tipos como Carlos Marun e Cristiane Brasil, retratos de um país que já não se dá ao respeito e, se o Judiciário serviu para tirar Lula da parada, não se mostra capaz de fabricar o candidato procurado por FHC, que joga para o eleitorado o desafio de encontrar um nome capaz de unir o país.

 

“A pátria precisa tanto de líderes como de instituições. E principalmente de um eleitorado que leve ao poder quem tenha visão de país e de mundo”.

A descoberta acima foi feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seu artigo dominical publicado no Globo e no Estadão.

Até aí estamos de acordo, mas a pergunta que a maioria do eleitorado está se fazendo é: quem?

A apenas 250 dias de irmos às urnas, pela primeira vez desde a redemocratização estamos no breu absoluto, com o cenário eleitoral ainda absolutamente indefinido.

O país continua dividido ao meio após a segunda condenação e o provável impedimento pela Justiça de Lula, o pré-candidato que lidera todas as pesquisas, participar da disputa.

Seus adversários comemoraram a derrota do ex-presidente no TRF-4 ao verem o campo livre para eleger o sucessor de Temer, mas descobriram que estão sem um candidato competitivo, como fica claro no artigo de FHC.

Mais de um terço dos eleitores responderam aos pesquisadores do Datafolha que ainda não têm candidato ou não pretendem votar em ninguém.

Depois de afirmar que a eleição sem Lula “produz certo alvoroço para saber como se distribuirão seus votos”, o ex-presidente tucano constata o óbvio: “E assim será a cada nova pesquisa eleitoral que apareça. As eleições, entretanto, virão”. Não diga.
Os nomes até aqui testados pela direita governista _ Alckmin, Meirelles, Maia e Doria _ não conseguem passar de um dígito nas pesquisas, mesmo sem Lula na lista de candidatos.

É por isso que FHC voltou a falar tanto em Luciano Huck, que já havia desistido de concorrer, mas isso não pode ser levado a sério.

A Presidência da República não é um programa de auditório que distribui oferendas.

Não dá para inventar um candidato em tão curto espaço de tempo.

Quem for eleito vai herdar um país destroçado, tanto econômica como politicamente, a exigir medidas urgentes para evitar o caos social que já se desenha no horizonte com mais de 12 milhões de desempregados e o colapso nas áreas de saúde, educação e segurança pública.

A tal “ponte para o futuro” produziu em dois anos um retrocesso de décadas nas condições de vida da maioria da população e dos direitos dos trabalhadores.

O tal do ajuste fiscal só fez aumentar o rombo nas contas públicas confirmado no orçamento deste ano.

Até agora, nenhum pré-candidato ou partido foi capaz de apresentar programa mínimo de governo, muito menos um projeto de país.
Continuamos sendo um deserto de homens e de ideias, discutindo o varejo do poder, a distribuição de verbas e cargos.

Pontificam na cena pública tipos como Carlos Marun e Cristiane Brasil, retratos de um país que já não se dá ao respeito e, se o Judiciário serviu para tirar Lula da parada, não se mostra capaz de fabricar o candidato procurado por FHC, que joga para o eleitorado o desafio de encontrar um nome capaz de unir o país.

Este candidato simplesmente não existe até onde minha vista alcança. Bom domingo.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho é editor do Balaio do Kotscho.

QUE O PT FAÇA UMA REFLEXÃO

Marco Wense

 

Essa decisão de enfrentamento da Justiça não é um bom caminho. Vai mexer mais ainda com o corporativismo do Judiciário e colocar toda magistratura de mãos dadas na defesa de seus pares e da instituição.

Começa a surgir nas hostes do PT um movimento contra o enfrentamento da Justiça e a radicalização com as decisões do Judiciário.

Um início de confronto entre moderados e radicais ou, se o leitor preferir, entre os menos radicais e os sectários, adeptos da desobediência civil.

Os que defendem a tese do “ou Lula ou o caos” acham que não existe outro caminho que não seja o do acirramento com a Justiça.

Com declarações como a de que não vai “respeitar as decisões da Justiça”, Lula termina sendo o principal avalista e incentivador dos intransigentes. Uma espécie de padrinho da insubordinação.

Para muitos, aí já se referindo ao grupo dos moderados, essa posição de insurgir contra a Justiça é suicídio político. Tem até os que são da opinião de que o petismo está cavando sua própria cova.

O jornalista Paulo Henrique Amorim, declaradamente simpático ao PT e a Lula, começa a entender – antes fazia parte da ala dos radicais – que “jogar todas as fichas na candidatura de Lula pode ser uma fria”.

Para Amorim, o PT entrou no jogo dos que querem o partido bem longe do Palácio do Planalto. Lula, segundo o blogueiro, teria seus direitos cassados e ficaria impedido de disputar o segundo turno. O segundo e o terceiro colocados disputariam o pleito. Cita até o sonho da Globo de ter Geraldo Alckmin versus Luciano Huck.

O PT precisa entender que ainda existem os recursos para os tribunais superiores – o STJ, TSE e, por último, para a instância máxima, o Supremo Tribunal Federal (STF).

Essa decisão de enfrentamento da Justiça não é um bom caminho. Vai mexer mais ainda com o corporativismo do Judiciário e colocar toda magistratura de mãos dadas na defesa de seus pares e da instituição.

O PT não é a lei. O exemplo mais recente das consequências que o radicalismo pode provocar foi o confisco do passaporte do ex-presidente. O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, considerou na sua decisão as “hostilidades” de Lula ao Judiciário.

Essas “hostilidades”, cada vez mais contundentes e, até certo ponto, irresponsáveis, vão terminar levando Luiz Inácio Lula da Silva à prisão e à inelegibilidade.

Portanto, que o PT, o petismo e Lula façam uma reflexão e comecem a discutir o plano B, sob pena dessa política de enfrentamento da Justiça terminar prejudicando o PT em todo o país.

O PT, volto a dizer, não é a lei. A palavra final é da Justiça. Do contrário, o caos, a desordem institucional e o enfraquecimento do estado democrático de direito.

Marco Wense é articulista político e editor d´O Busílis.

RECADASTRAMENTO BIOMÉTRICO

José Nazal || nazalsoub@gmail.com

 

Em maio, findo o prazo de novas inscrições e transferências, teremos o número real e em 7 de outubro, após divulgação oficial do resultado, poderemos conferir se o índice de abstenção continuará alto. Poderemos realmente ver o interesse do ilheense na escolha dos nossos governantes.

 

Ilhéus está entre os municípios escolhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), obrigados a ter no pleito eleitoral desse ano votação obrigatória com o novo sistema de reconhecimento biométrico. Avanço!

Desde o ano de 2015 teve início o recadastramento, obrigando os eleitores a comparecer perante a Justiça Eleitoral para proceder a troca de título. Fiz o meu recadastramento em 2016, com toda tranquilidade, sem fila e sem estresse. Há cinco dias do prazo final para o comparecimento temos visto, em todos os locais oficiais utilizados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE), imensas filas, que começam a ser formadas na noite anterior de cada dia.

Consultando o sítio do TSE, encontramos os dados com o perfil dos eleitores de Ilhéus, com o número de 137.977 eleitores cadastrados conforme tabela de faixa etária elaborada com base nos dados encontrados:

Nos últimos dias a mídia vem noticiando que apenas 70% dos eleitores atenderam ao apelo legal para recadastramento oficial. Contesto esse número, explicando minhas razões.

A média de abstenção dos últimos dez pleitos eleitorais é de 25%, sendo que nos três últimos aumentou para 26,4%, considerando o número de eleitores novos, cadastrados antes de cada pleito. Nessa conta, em torno de um quarto do número de eleitores, deve ser considerado os falecidos, os que tem mais de setenta anos e estão desobrigados a votar, conta que é fechada com os que realmente se abstiveram, cada um com sua razão. O número de eleitores com mais de 70 anos é conhecido: 13.569; o número de mortos e dos obrigados que se abstiveram é impossível de calcular. O fato é que, normalmente, entre 95 e 100 mil eleitores comparecem para o escrutínio.

Desta, considerando os dados acima apresentados, minha opinião é que o número real de eleitores está em torno de 115 mil cadastrados. Vale ressaltar que é considerável o número de eleitores de Castelo Novo, Rio do Braço, Banco do Pedro, Banco Central, Pimenteiras e Inema, que são eleitores dos municípios de Uruçuca, Itajuípe e Coaraci. Muitos de Salobrinho também votam em Itabuna.

A informação obtida hoje junto ao TRE é que se aproxima de cem mil eleitores cadastrados, igual número do comparecimento do pleito de 2016. Em maio, findo o prazo de novas inscrições e transferências, teremos o número real e em 7 de outubro, após divulgação oficial do resultado, poderemos conferir se o índice de abstenção continuará alto. Poderemos realmente ver o interesse do ilheense na escolha dos nossos governantes.

José Nazal é vice-prefeito de Ilhéus, fotógrafo e memorialista.






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