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:: ‘Cultura’

BELA INTERPRETAÇÃO

A baiana e itapetinguense Marielle Antunes, da Babada Novo, manda ver ao interpretar Lindinalva, composição de Gilberto Gil e sucesso na voz de Gal Costa. A música é tema da novela Gabriela.

A BOFETADA NESTE FIM DE SEMANA EM ITABUNA

A Bofetada retorna ao CCAF neste final de semana (Foto Pimenta/Arquivo)

A peça A Bofetada não era apresentada em Itabuna há cinco anos. A Cia Baiana de Patifaria compensou a ausência com grandes apresentações que provocaram riso e reflexão. Mais que missão cumprida. No retorno ao palco do Centro de Cultura Adonias Filho (CCAF), em julho deste ano, foram três dias de casa lotada.

Daniel e Célio Gomes, da produtora Descanso do Guerreiro, garantiram mais três dias de apresentações da tchurma de Fanta Maria em Itabuna. A primeira delas será nesta sexta-feira, às 20h30min, no CCAF. A peça tem 24 anos em cartaz e já foi assistida por mais de um milhão de pessoas no período, em apresentações na Bahia e nas principais capitais brasileiras.

SERVIÇO
A Bofetada
Onde: Centro de Cultura Adonias Filho
Quando: 21, 22 e 23 de setembro
Ingresso: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia)

PARA COLUNISTA, O AMOR RESISTE AO SOTAQUE

Em sua abordagem semanal dos comentários postados na coluna Universo Paralelo, Ousarme Citoaian, provocado por uma leitora, afirma que a má pronúncia fere os ouvidos, não os sentimentos. “Amores `naquela base do só vou se você for´ não são destruídos por sotaques”, prega o colunista, para quem “o cupim da intolerância só corrói madeira fraca” (e, retornando à veia satírica, diz que está com ideia de montar um consultório sentimental)…

O. C. ainda se diz “quase com inveja” do leitor que cita Os desvalidos, de J. C. Dantas (que um crítico chamou “o Faukner de Sergipe”), divide com uma leitora a glória vivida pela coluna ao falar da queridinha de Sócrates, a poetisa de Safo (com quem inauguraram a moda de queimar livros) e ainda lamenta que, mesmo no Recife, as pessoas comecem a falar  “Bêbêribe e “Ôlínda” – por nefasta influência da tevê.

Para ver os comentários – e a coluna desta semana – clique aqui.

DELEGADA LANÇA LIVRO DE POESIA

Corpo e Alma, primeiro livro da delegada de polícia civil e poeta Sione Porto, será lançado na próxima sexta, 21, às 19, no Hotel Tarik, em Itabuna.

Membro da Academia de Letras  de Itabuna (Alita), Sione traz em Corpo e Alma 60 poemas que são “fruto de emoção, sentimento, paixão pelas pessoas e celebração do amor à vida”, como a própria define.

O livro tem prefácio do juiz de Direito e presidente da Alita, Marcos Bandeira, para quem “Sione escreve  com  as  tintas da sensibilidade e da paixão”.

JORNALISTA E ESCRITOR DEBATE OBRA DE JORGE AMADO NA FLICA

O Trombone

O jornalista e escritor  sulbaiano  Daniel  Thame é um  dos convidados da  Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), que acontece de 17 a 21 de outubro no  Recôncavo Baiano. Este ano, a Flica fará homenagens aos centenários de Nelson Rodrigues e Jorge Amado.

Autor dos livros Vassoura,  A Mulher do Lobisomem  e Jorge100anosAmado- tributo a um eterno Menino Grapiúna, editados pela Via Litterarum, Thame participa,  no dia 20,  de uma mesa redonda com o tema “Jorge Amado e os contextos de Terras do Sem Fim e Gabriela”, ao lado da escritora norte-americana Mary Ann Mahony.

Entre os convidados para a Flica 2012 estão  confirmados escritores do Brasil,  Estados Unidos, Espanha,  Portugal, Angola, Nigéria e Togo. A filha de Nelson  Rodrigues,  Sonia Rodrigues, participa da mesa redonda em  homenagem  ao pai. A  Flica será  realizada no  Convento do Carmo e terá ainda espaços como  Casa da Rede, Varanda do Sesi e Pouso da Palavra.

A Flica tem o patrocínio da Coelba e Governo do Estado da Bahia (através do Fazcultura, Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda) e Petrobras, e apoio da FIEB/SESI e Bahiatursa, apoio institucional da Prefeitura de Cachoeira, e realização da Putzgrillo! Cultura e Icontent.

Veja a programação completa da Flica 2012 em www.flica.com.br

COLUNISTA FESTEJA GORJEIO DO GURIATÃ

Ao “comentar os comentários” feitos à coluna Universo Paralelo, que assina aqui no Pimenta, Ousarme Citoaian teve uma surpresa: “O guriatã existe!” – exclamou, feliz feito um índio de Gonçalves Dias, ao ler a informação de um leitor. O colunista se referira ao pássaro símbolo da Academia de Letras de Itabuna, como “talvez já extinto”. Bichinhos de pena à parte, O. C. ainda conversa sobre poetas, poetos, poetisas e jazz (uma de suas paixões assumidas). Depois de rápido passeio (de nariz tapado!) pelo rock dito “brasileiro”, visita a língua portuguesa, tangencia a “sincronicidade” de Jung e, diante de certo comentário, se rende: “Não me sinto hipócrita bastante para não sentir o ego acariciado”.

Para ler os comentários, clique aqui

O SHOW DA FANFARRA DO IMEAM

A Fanfarra do Imeam executou temas consagrados da música instrumental e também levantou o público ao interpretar Bad romance, de Lady Gaga. Confira em vídeo feito pelo Pimenta.

OUSARME E OS COMENTÁRIOS DA SEMANA NO UNIVERSO PARALELO

Toda terça-feira é dia do colunista Ousarme Citoaian responder aos leitores que comentaram sua coluna (Universo Paralelo, publicada no fim de semana) – o que ele faz com extrema elegância. “Nós, os autores, não temos o direito de chutar a canela de quem nos lê e opina, mesmo que as opiniões não batam com a nossa”, justifica.

Em tom de cumplicidade, ele “fala” com as pessoas como se estivesse numa roda de amigos e, às vezes, quase sedutor, encontra o que há de melhor para dizer: a uma leitora recita “Por onde for quero ser seu par”; a outra gaba a escrita bem feita (“Preciso me cuidar, senão você me toma o emprego!”) e a alguém que também elogiou a escolha de Andança, tasca um “Me leva, amor”, a propósito de explicar apungência do verso. Ao comentário de quem cita dois livros seus, O. C. manda um afago, embrulhado numa frase velha e boa (“Quem encontra um leitor, encontra um tesouro”).

Confira a coluna e, na sequência, o comentário dos comentários aqui

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA REÚNE 20 ANOS DE TRABALHO DE LUIZ TITO

Imagem captada pelas lentes de Luiz Tito em Barreiras, no oeste baiano, integra exposição.

Tito reúne trabalho de 20 anos em exposição.

O cotidiano de cidades baianas como Feira de Santana e Itabuna será retratado na exposição do fotógrafo Luiz Tito, do jornal A Tarde, no Museu Parque do Saber, Bairro São João, em Feira de Santana.

“Luiz Tito: 20 anos escrevendo com a luz” traz uma coleção de alguns dos melhores trabalhos do profissional nas mais de duas décadas de trabalho. São 60 fotografias em tamanho 50×60, “expondo a verdade nua e crua, sem abdicar da poesia”.

Tito trabalhou por quase dois anos na sucursal d´A Tarde em Itabuna. Ele destaca a qualidade das imagens e o espontâneo presente nas fotos jornalísticas. “Não são frutos de ensaios, mas da apresentação de pequenos fragmentos do cotidiano”, diz.

“As imagens tanto falam, quanto gritam, como sussurram, sorriem e choram, numa mistura formidável de emoções”, diz, confirmando a proposta de não abdicar do poético na exposição em Feira.

PALESTRAS NA ABERTURA

A exposição também reunirá grandes figuras do jornalismo baiano, como o feirense e mestre da fotografia Reginaldo Pereira, que terá a companhia de outro palestrante, o editor de fotografia do Grupo A Tarde, José Carlos Casaes, que falará sobre “Fotojornalismo na era digital”. A programação desta sexta também trará o editor da coluna Tempo Presente, d´A Tarde, Levi Vasconcelos.

Foto de Tito traz usuária de crack, adolescente, dormindo na calçada da Cinquentenário, em Itabuna.

LONDRES 2012: PARAOLÍMPICO VIRA PARALÍMPICO

José Cruz | Blog da Dad

No país do futebol, preparem-se para as emoções dos 14 Jogos Paralímpicos a partir do dia 29 (ontem), em Londres. Isso mesmo — Paralímpicos.

Os “paraolímpicos” ficaram na história dessa competição, que começou em 1960, na Itália, para deficientes físicos, amputados, cegos ou paralisados cerebrais ou mentais.

Em março deste ano, o Comitê Brasileiro que dirige os esportes para deficientes decidiu adequar o termo brasileiro ao International Paralympic Committee. E oficializou a expressão Paralímpica, em substituição ao conhecido paraolímpico.

Em Londres, serão 115 homens e 67 mulheres brasileiras disputando em 18 modalidades, tentando avançar no quadro de medalhas. Nos Jogos de Pequim, em 2008, nossa representação ficou em nono lugar, com 47 medalhas, sendo 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze.

A expectativa, agora, é que os brasileiros melhorem a classificação. Não duvide. Nossos atletas vêm em evolução constante, a partir dos Jogos de Sydney, em 2000, principalmente nas provas de atletismo e natação.

Isso ocorre devido a dois aspectos: o forte aporte de recursos do governo federal, inclusive com patrocínio das Loterias Caixa, e a realização dos Jogos Escolares e Universitários, que contribuíram para a renovação da equipe.

Boa sorte, Brasil! Vamos à torcida por nossos atletas da superação, atletas paralímpicos.

O QUE MULHERES SOLTEIRAS PROCURAM?

Gimenez e Pitty Webo no palco com “Mulheres solteiras procuram” (Foto Figueira Jr.).

Aline, Marisa e Sara são mulheres solteiras e cada uma com os seus dramas. Uma conhece o “princípe encantado” que é… casado, a outra descobre que o ex-marido joga no time do meio e o namorado da terceira sumiu.

Histórias assim recheiam a comédia Mulheres solteiras procuram, em cartaz no sábado e no domingo, dias 1º e 2, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, com os atores globais Pitty Webo, Marco Antonio Gimenez e Wagner Trindade, sempre às 20h30min.

A peça é mistura de realidade e ficção. Escrita pela própria atriz Pitty Webo, que também dirige e atua, Mulheres solteiras procuram já rodou o Brasil e conquista a plateia pela qualidade na interpretação e por expor no palco – de forma hilária – os dramas não apenas feminino. A peça traz as reações masculinas nas interpretações de Marco Antonio Gimenez e Wagner Trindade.

SERVIÇO
Mulheres solteiras procuram
Onde: Centro de Cultura Adonias Filho
Quando: Dias 1º e 2, às 20h30min
Quanto: 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia-entrada)
Elenco: Pitty Webo, Marco Antonio Gimenez e Wagner Trindade

“ÉTICA NADA TEM A VER COM DIPLOMA”, DIZ COLUNISTA

O colunista Ousarme Citoaian, que assina a coluna Universo Paralelo aqui no Pimenta, afirmou – em resposta a comentário do leitor Ricardo Seixas – que “ética nada tem a ver com diploma de jornalista”.

Ousarme considera ter sido essa interpretação equivocada da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a derrubar a pretensão da exigência do diploma, agora aprovada pelo Senado.

Para ele, o mercado, distante das interpretações do STF e do Senado, não está nem aí para diploma, beca e capelo. E brinca ao afirmar que o mercado “emprega quem tem competência (e, valha-nos Deus, até quem não tem)”. O. C. “conversa” com seus leitores às terças.

Confira mais na coluna desta semana

FESTIVAL AMAR AMADO ATÉ 2017

Família Caymmi foi uma das atrações do festival deste ano.

André Guimarães, dirigente da Maná Produções, disse que o Festival Amar Amado reúne condições para ocorrer anualmente, pelo menos, até 2017. Agora em 2012, o evento de homenagem ao escritor grapiúna Jorge Amado atraiu milhares de pessoas e atrações nas áreas gastronômica, literária e musical, a exemplo de Caetano Veloso, Margareth Menezes e Família Caymmi.

A Maná obteve do município uma carta de cessão de espaço para os próximos cinco anos, segundo Guimarães. “Um evento desse porte, realizado anualmente na cidade de Ilhéus, vai consolidar a imagem da cidade como Capital Baiana da Cultura”, acredita.

O diretor da Maná Produções afirmou que a ideia é agregar outros símbolos e personagens ao festival. Em 2013, revela, o Amar Amado renderá homenagens ao centenário de Vinícius de Moraes. E em 2014, o alvo seria o cantor baiano Dorival Caymmi.

IMAGINAÇÃO É REMÉDIO CONTRA A REALIDADE

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

A vida há de ser lida no original, pelos nossos olhos, não pelos olhos dos outros. Mesmo assim, o texto interpretado por pessoa mais experiente nos ajuda a entendê-lo. Pensei nisso relendo o poema de Manuel Bandeira Vou-me embora pra Pasárgada(que todo mundo conhece, nem que seja vagamente). É exemplo acabado de “escapismo romântico” – forma de evadir-se da realidade desagradável, o que os poetas fazem usando o devaneio, a imaginação. No caso, Bandeira “muda-se” para Pasárgada (um lugar perdido na Pérsia), onde as coisas acontecem de forma contrária ao seu dia a dia cheio de limitações. O poeta era tuberculoso – e esta informação é indispensável para que a gentil leitora entenda o poema.

Clique aqui e confira a coluna Universo Paralelo na íntegra

“AMAR AMADO” PODE TER NOVA EDIÇÃO

Do Blog do Gusmão

O Festival Amar Amado, que comemorou o centenário do escritor Jorge Amado e agradou a nativos e turistas, pode entrar para o calendário de eventos culturais de Ilhéus.

Segundo José Nazal, chefe de gabinete do prefeito Newton Lima, a realização anual do evento está em discussão no Ministério da Cultura.

Na edição desse ano, a primeira, o festival foi financiado com verbas do ministério, captadas por meio da Lei Rouanet, e contou com o apoio do governo estadual.

O evento proporcionou, durante 8 dias, vários espaços onde foram discutidas as contribuições de Jorge Amado para a cultura contemporânea. Teatro, feiras e discussões literárias e música tiveram espaço garantido.

MÚSICA PERDE MESTRE ALTAMIRO CARRILHO

Alunos da Clave de Sol e Altamiro Carrilho em apresentação em Itabuna (Foto Mariângela Montalvão).

O músico, compositor e flautista brasileiro Altamiro Carrilho, 87 anos, morreu nesta quarta-feira, 15, no Rio de Janeiro, vítima de câncer, após mais de 50 anos de carreira e 200 composições.

Altamiro estava internado no Hospital São Lucas, na capital fluminense, há mais de um mês. Retornou para casa, mas o estado de saúde piorou na última segunda, 13, sendo levado para uma clínica particular, onde faleceu.

O compositor e flautista tornou-se reconhecido mundialmente pela qualidade de suas composições. De acordo com a revista Rolling Stones, Carrilho ajudou a construir e popularizar o chorinho no Brasil e em todo o mundo.

O mestre da flauta fez carreira em programas de rádio e auditório e se projetou internacionalmente, com apresentações em quase 50 países. Nas cinco décadas de trabalho, gravou

CARRILHO EM ITABUNA

Indira Vita, Altamiro Carrilho e Mariângela Montalvão em Itabuna (Arquivo pessoal).

Carrilho se apresentou em Itabuna há 12 anos, quando gravou CD com alunos da Escola Clave de Sol. Era uma homenagem ao mestre da flauta.

A professora Mariângela Montalvão, diretora da escola, lembra do encontro. A Clave de Sol estava comemorando 30 anos de fundada. “A gravação foi no MM Studio. Ele era uma pessoa muito simples”, afirma a professora. Os alunos tiveram a oportunidade de gravar o CD com o músico reconhecido internacionalmente.

Mariângela diz que Altamiro era “incrível, de coração muito bom e excelente músico”. E completa: “era uma pessoa alegre, show-man, de muita vivacidade. Ficamos amigos e toda vez que viajávamos ao Rio, íamos à casa dele”. A professora compôs Ao mestre Altamiro em homenagem ao músico que se despediu nesta quarta deixando uma vasta obra.

UNIVERSO PARALELO / ESPECIAL JORGE

JORGE AMADO E OS REQUINTES DA ESTUPIDEZ

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Jorge Amado folheia edição em dinamarquês de Tocaia Grande.

Nas muito justas louvações a Jorge Amado (cujo centenário de nascimento ocorre nesta sexta-feira, 10), detenho-me sobre um documento que se agiganta diante de toda a obra vasta do grande romancista. Trata-se de uma surpreendente “Ata de Incineração” produzida pela Sexta Região Militar em 19 de novembro de 1937 – e publicada pelo jornal Estado da Bahia em 17 de dezembro daquele ano. É de estarrecer, ou como gostaria de dizer a própria vítima, “de espantar”. A notícia da queima de 1.694 livros de Jorge Amado é narrada com detalhes (melhor seria chamá-los de requintes de estupidez), começando por nomear os “senhores membros da comissão de buscas e apreensões de livros” (três trogloditas do Exército, Marinha e Polícia do Estado).

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MONUMENTO À BESTIALIDADE

A ordem de incinerar “os livros apreendidos e julgados como simpatizantes do credo comunista” partiu do Cel. Antônio Fernandes Dantas, comandante da 6ª RM, e incluiu pequena quantidade de outras obras. O integralista José Lins do Rego teve queimados 82 volumes de seus romances Doidinho, Pureza, Banguê, Moleque Ricardo e Menino de Engenho – prova de que as ditaduras distribuem “democraticamente” suas patadas sem olhar a quem. Mas o grande perseguido era, de fato, Jorge Amado, visto pelo sistema como “perigoso agitador”: dos seus livros levados à fogueira, o de menor quantidade (Cacau, 89 exemplares) ultrapassa os cinco de Zé Lins. A bestialidade do Estado Novo seria, com ligeiras adaptações, reeditada pela ditadura militar de 1964.

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O CAVALEIRO DA ESPERANÇA

Jorge Amado não foi só o escritor picaresco, de humor tipicamente brasileiro (em oposição ao humour britânico de Machado de Assis) vulgarizado pela tevê. Foi, sim, um lutador pelo seu povo, defensor da miscigenação, antirracista. Denunciou o trabalho semi-escravo na região cacaueira, defendeu a liberdade de culto e todas as liberdades. Várias vezes preso no Brasil, exilado na Argentina, no Uruguai, em Paris e na Tchecoslováquia, ele manteve a militância também fora de sua terra: em 1950, foi expulso da França, devido à atividade política com Camus, Sartre, Picasso e outros. Em 1941, durante o exílio na Argentina escreveu O cavaleiro da esperança: a vida de Luís Carlos Prestes, pungente defesa do líder comunista preso desde 1936.

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LIVRO CONTRABANDEADO

É um livro notável, pelo conteúdo explosivo (a denúncia candente da tortura, da perseguição aos comunistas, da violação dos direitos humanos no Estado Novo) e pelas circunstâncias especiais que o cercaram: proibido no Brasil, O cavaleiro… (em espanhol) era vendido clandestinamente, às vezes por preços absurdos. Também apareciam cópias datilografadas e em fac-símile, que passavam de mão em mão, sem dono certo. O livro ganhou nomes carinhosos, como Vida de são Luís, Vida do rei Luís e Travessuras de Luisinho. No governo Perón, O cavaleiro… foi proibido também na Argentina e queimados os exemplares encontrados, valorizando ainda mais os que circulavam no Brasil. “Houve quem vivesse do aluguel de exemplares”, contou Jorge Amado.

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O SORRISO AMARELO DA SOCIEDADE

A pena de Jorge Amado nunca esteve a serviço da literatura dita “o sorriso da sociedade” (expressão cunhada por Afrânio Peixoto) e que Graciliano Ramos bem definiu como “uma literatura antipática e insincera que só usa expressões corretas, só se ocupa de coisas agradáveis, não se molha em dias de inverno e por isso ignora que há pessoas que não podem comprar capas de borracha”. É a literatura dos saraus, da poesia tatibitate e bem comportada, que não incomoda. “Foi ela que, em horas de amargura, receitou o sorriso como excelente remédio para a crise”, resume o mestre de Quebrangulo. Jorge Amado trouxe para o romance brasileiro os negros, os pobres, os trabalhadores do cacau, as prostitutas e, avant la lettre, os meninos de rua.

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PREMONIÇÃO SOBRE MENORES INFRATORES

Capitães da areia (808 exemplares queimados), uma premonição sobre os menores infratores de hoje, saiu do prélio em 1937 e logo foi para o fogo. Não valeu esse “sacrifício” do governo: quando veio a anistia, em 1945, Capitães… vendeu feito pão quente, sendo até hoje uma das obras mais lidas do autor. Os demais romances levados à fogueira são Jubiabá (267 exemplares), O país do carnaval (214), Suor (93) e Cacau (89). Jorge Amado retomaria as questões sociais, dentre outros títulos, em Terras do sem fim (1943), São Jorge dos Ilhéus (1944), Os subterrâneos da liberdade (1954) e, principalmente, em Seara vermelha (1946), que, por óbvios motivos, não viraram cinza. Faltou dizer que 223 exemplares de Mar morto também foram queimados.

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SÓFOCLES ESCAPOU DO PAU-DE-ARARA

Mar morto? – perguntaria a atônita leitora; Mar morto? – ecoaria o atônito leitor (desde que cultuem este objeto em extinção chamado livro), e concluiriam que este velho O. C. perdeu de vez o juízo ou bebeu em má fonte. Mar morto, sim, insisto, lembrando-lhes que nas ditaduras a burrice é uma segunda natureza. E afianço ainda que esse mal é contagioso e longevo: em1965, esbirros da ditadura militar (“herdeiros” da fogueira de 1937) invadiram um teatro no Rio de Janeiro, para prender o autor da peça em cartaz, um certo Sófocles, e submetê-lo ao pau-de-arara, choque elétrico nas partes baixas e outros mimos. Pois saibam todos que destas linhas tomarem conhecimento que Sófocles escapou – tinha-se dado ao luxo de morrer há 565 anos.

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JORGE AMADO É MELHOR DO QUE VICTOR HUGO

Faltou dizer que Mar morto, leitura de infância em Buerarema, a história de Lívia e Guma, é um dos mais belos textos de Jorge Amado. Para mim, foi o contato com o que se chamava de “poesia em prosa”: o cotidiano dos trabalhadores do mar em permanente risco, a vida árdua, mas narrada com surpreendente lirismo. Penso que só alguém doente da cabeça ou do pé (talvez dos dois) seria capaz de ver ali obra de ameaça ao regime, livro “simpatizante do credo comunista”. A quem não percebeu a citação, informo que “trabalhadores do mar” é o título de festejado livro de Victor Hugo (traduzido por Machado de Assis), que não chega aos pés de Mar morto.

O lirismo de Jorge Amado chegou também à MPB, numa parceria de Jorge Amado e Dorival Caymmi. 

O.C.

CAETANO, JORGE E UM VÍDEO HISTÓRICO

6 de agosto de 2001. Caetano Veloso se apresentava na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, quando recebe a notícia da morte do escritor Jorge Amado. O músico, que faz aniversário no dia 7 de agosto, ouvia “parabéns” entoados pelo público. Caetano planejava cantar três outras músicas, mas, em homenagem ao menino grapiúna, retorna e canta Milagres do povo. “Essa é a festa do meu aniversário e é a festa da vida de Jorge Amado”, disse para o público. Confira:

Caetano se apresenta hoje, em Ilhéus, no dia do centenário de nascimento de Jorge Amado. O show gratuito será na praça da Catedral de São Sebastião, no centro histórico, às 22h.

Confira a programação de hoje do Festival Amar Amado. Clique no “leia mais”, abaixo.

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CAETANO VELOSO E O SONHO DE NATIVA

Internautas torcem pelo encontro de Caetano e Nativa.

Internautas iniciaram uma campanha nas redes sociais para que uma fã de Caetano Veloso possa ser recebida pelo astro da MPB na próxima sexta-feira, 10, em Ilhéus. De origem humilde e semianalfabeta, Nativa enfrenta uma doença que atinge o nervo trigêmeo e a debilita a ponto de ter dificuldades para enxergar e andar.

Quem a conhece sabe que as fortes dores cedem espaço à alegria quando Nativa ouve ou canta músicas do ídolo. Ísis Sampaio foi quem iniciou a campanha pela internet. No Facebook, a iniciativa conta com mais de 400 compartilhamentos para que Caetano receba Nativa, que reside em Coaraci, a 60 quilômetros de Ilhéus (clique aqui para compartilhar ou curtir a iniciativa).

Isis diz que a fã conhece – e canta – todas as músicas de Caetano, embora a doença afete também a voz. Confira “Tiva” cantando Podres Poderes.

 

Em tempo: André Guimarães, da Maná Produções, disse ao PIMENTA que o show de Caetano Veloso está confirmado. Até a semana passada, havia dúvidas devido a questões contratuais com o Governo Baiano. Problema contornado, pois.

CINCO DÉCADAS SOB O OLHAR DE CAETANO

Um dos maiores nomes da MPB, Caetano Veloso “setentou” hoje. O leitor pode pescar muito da discografia e da própria história do músico baiano. No Youtube, estão disponíveis vídeos em que Cae aborda as décadas de 40 a 80. No vídeo abaixo, o músico baiano fala da década de 50. Confira: