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:: ‘Destaque5’

“AGORA”, MÍDIA IMPRESSA, SEUS DESAFIOS E O FUTURO

luizconceiçãoLuiz Conceição | jornalistaluizconceicao2@gmail.com

 

O impresso/eletrônico sempre terá lugar em nossas vidas, já que intrinsecamente ainda vinculado à cultura e sociedade a que estamos integrados. Mesmo porque, a apuração dos fatos cotidianos e sua publicização sempre vai exigir a atenção de repórteres fiéis e editores criteriosos.

A vida transcorre em ciclos, segundo avalizam filósofos. Cada ciclo que se sucede é carregado de experiências positivas e negativas, conhecimentos adquiridos no anterior e busca-se um novo desafio. Certamente, com o advento da Internet as pessoas passaram a compreender o exaurimento cíclico de suas vidas e, talvez, se perguntem o que é o futuro e não como será, diante da velocidade como o novo chega.

As redes sociais são ferramentas tecnológicas, eletrônicas e modernas (!?) de comunicação social. É o futuro que chegou, antes de o presente sedimentar-se e muito mais rápido da compreensão do passado que se foi. Embora mais antigos, os blogs e portais também se incluem nesta realidade desafiadora.

Mesmo com tais novidades, a mídia impressa continuará tendo seu lugar destacado se se aproveitar da tecnologia e adaptar-se com boas pautas e relatos, como se viu à chegada do rádio e da televisão em meados do século XX. Foi, talvez, a primeira via-crúcis da mídia impressa, que acabou superada com inteligência, já que tais veículos acabaram se integrando.

É nesse contexto que merece saudação a iniciativa do grupo de empresários que assume a direção do jornal Agora, primeiro veículo offset colorido do sul da Bahia, editado há 35 anos.

Sua história, a partir de seus fundadores Ramiro Aquino e do lembrado José Adervan de Oliveira, contém os desafios do novo e a certeza do bem-feito e verdadeiro, tal sua posição de vanguarda na defesa dos interesses da sociedade grapiúna, apesar da desmemória de que todos somos autores e vítimas.

O impresso/eletrônico sempre terá lugar em nossas vidas, já que intrinsecamente ainda vinculado à cultura e sociedade a que estamos integrados. Mesmo porque, a apuração dos fatos cotidianos e sua publicização sempre vai exigir a atenção de repórteres fiéis e editores criteriosos.

O uso indiscriminado das tais redes sociais geram notícias falsas (fake new), intrigas e mentiras que são propagadas quase impunemente, a partir das consequências da sordidez humana que uma tela em branco permite. Causam terrível dano à sociedade e aos processos comunicacionais necessários à vida moderna.

Somente jornalistas sabem que a verdade será sempre um bem tutelado ao interesse e à informação públicos. Vida longa ao Agora!

Luiz Conceição é jornalista com atuação na Rádio Clube de Itabuna (Rádio Nacional), jornais Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, A Tarde e A Região e assessorias de comunicação e imprensa.

O LEGADO DAS COOPERATIVAS BAIANAS PARA O BRASIL

cergio tecchioCergio Tecchio

 

 

A preocupação de todos nós, cooperativistas, está focada no mundo que vamos deixar para as próximas gerações.

 

 

A preocupação com a comunidade está e sempre esteve no DNA dos cooperativistas. Para pessoas com um sonho em comum, que se associam em um empreendimento cooperativo, buscar a felicidade dos cooperados é também nunca esquecer daqueles à sua volta, em suas mais diversas privações. E por essa natureza colaborativa, o movimento cooperativista viu a oportunidade de unificar seus esforços em uma grande corrente do bem. Foi assim que surgiu o Dia de Cooperar, mais conhecido como Dia C.

O Dia de Cooperar nasceu em Minas Gerais, em 2009, e logo ganhou o Brasil. Nessa trajetória, os últimos cinco anos foram cruciais para transformar o Dia C em um grande programa nacional capaz de promover iniciativas socioambientais e assim transformar realidades em todo o país.

Mais recentemente, o Dia C ganhou força ao contribuir com seus projetos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para quem ainda não os conhece, são 17 objetivos e 169 metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) por um mundo mais justo e menos desigual, que devem ser atingidas pelos países signatários até 2030.

E as cooperativas, preocupadas com o legado que vão deixar para as próximas gerações, oferecem voluntariamente sua contribuição por meio de projetos que promovem educação de qualidade, democratização da cultura, acesso à saúde, cuidado ao meio ambiente e muitas outras iniciativas, conforme a necessidade local. Em 2017, a meta é beneficiar mais de um milhão de pessoas em projetos contínuos.

Os números não nos deixam mentir sobre a efetividade do Dia C. Em 2016, 1.278 cooperativas desenvolveram 1.180 projetos com a mobilização de mais de 86 mil voluntários. Essas atividades foram realizadas em 777 cidades espalhadas por todos os estados e no Distrito Federal. Na Bahia, o Sistema OCEB mobilizou 45 cooperativas, que empreenderam 44 projetos de voluntariado ao envolver 2749 voluntários. Com isso, 20 mil pessoas em 35 municípios do Estado foram beneficiadas.

Portanto, as cooperativas possuem um impacto muito positivo nos locais em que estão inseridas e, consequentemente, colaboram por um mundo justo e igualitário. A preocupação de todos nós, cooperativistas, está focada no mundo que vamos deixar para as próximas gerações.

Cergio Tecchio é presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado da Bahia (Oceb) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado da Bahia (Sescoop/BA).

“AGRESTE”: QUANDO 4 SÃO 2, QUANDO 4 SÃO 8, QUANDO 8 SÃO 1. E 1 SOMOS TODOS NÓS

IMG_20170625_113459Rafael Gama | gama.moreira@hotmail.com

Arthur Schopenhauer afirmou que “não ir ao teatro é como fazer a toalete sem espelho”. Esta assertiva potencializa o vigor de Agreste. Este espetáculo é espelho bifocal através do qual a vida se revela entre ser e existir, permitir-se ou submeter-se.

Disse certa vez Carlos Drummond de Andrade: “Ir ao teatro é como ir à vida sem nos comprometer”. Peço licença aos deuses da literatura a fim de poder discordar deste gênio das palavras, pois a experiência Agreste é teatro que compromete, implica, associa e desvela. É corpo, é alma, uma mística de luz e sombras. É verdade singular de um povo, de uma cultura, de um lugar. É uma totalidade que integra. Uma particularidade que molda o barro do ser. Um ocaso do que está por vir. Um alvorecer.

Num jogo de luz e sombras, onde quatro são dois, quatro se tornam oito, oito se tornam um. A plateia soma-se a eles e as dezenas se tornam um. A experiência mais marcante de Agreste é a experiência do corpo, do sentires, fazeres, olhares, sucederes. Um corpo estigmatizado pelas cercas impostas, pelos grilhões que aprisionam, pelas incoerências de quem cerceia, sendo em si mesmo prisioneiro.

Agreste lança gotas de ternura sobre a aridez de nossa compreensão acerca do que é o amor. Retira a centralidade do binário e revela o múltiplo. A leveza dos seus tecidos é motor de sensualidade, o canto triste do sertanejo ao velar seus idos é a crueza da realidade. A vida no sertão
é dura como são duros nossos conceitos binários, como são duras as verdades absolutas a quem Agreste busca contestar.

IMG-20170624-WA0034A tessitura da história se dá com a sutileza dos fios do calor dos corpos. As palavras possuem textura, sabores, odores, eroticidade. Dos receios cintilantes à voracidade dos prazeres tudo em Agreste é intenso, permanente, necessário, salutar. A flauta marca a suavidade e a doçura do amor encantamento, do amor pureza, da ternura de gente simples que busca “a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”.

Em cena estão parelhas simplicidade e sofisticação, um texto fluído, oito atores intensos (sim, oito!), suas sombras contracenam numa geometria singular, num balé oculto prestes a revelar o grande ato. Essência de seres ocultamente revelados, secretamente guardados. Como eu gostaria de que todos fôssemos um pouco daquilo que Agreste é.

Arthur Schopenhauer afirmou que “não ir ao teatro é como fazer a toalete sem espelho”. Esta assertiva potencializa o vigor de Agreste. Este espetáculo é espelho bifocal através do qual a vida se revela entre ser e existir, permitir-se ou submeter-se. Agreste transcende, ousa, posiciona-se, contesta, faz sentir. Agreste é um pouco daquilo que é o Grupo de Teatro Vozes, uma militância em favor da pluralidade dos afetos.

Rafael Gama é professor.

O AUMENTO DA VERGONHA

josé januárioCabo Neto

 

Ao votar um aumento disfarçado de revisão, eles atacam a confiança daqueles que votaram suscitando mudanças significativas na política local.

 

Em ação descabida e vergonhosa, a atual legislatura da Câmara Municipal de Itabuna abre votação e, por 19 votos a 0, aprova “a revisão” dos próprios salários.

Em tempos de crise moral e instabilidade entre a classe política e a sociedade, os edis itabunenses demonstram total descompromisso com o município.

Isso mesmo!

Ao votar um aumento disfarçado de revisão, eles não somente atacam a Constituição Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal, como também, a confiança daqueles que votaram suscitando mudanças significativas na política local.

Fachada do Espaço Cultural, que abriga a Câmara de Vereadores (Foto Pedro Augusto).

Fachada do Espaço Cultural, que abriga a Câmara de Vereadores (Foto Pedro Augusto).

O termo revisar é autoexplicativo. Revisar é rever algo que você ou outrem tenha realizado, mas, nesse caso – e juridicamente conceituando, o termo revisar é impróprio e antijurídico, pois a Carta Magna (Constituição Federal) e a Lei Complementar 101/2000 vedam tal ação legislativa, tornando-a nula.

Há uma enorme crise financeira incessante na Santa Casa de Itabuna.

Há um aumento/aditivo significativo na prestação de coleta de lixo no município, o qual merece publicidade e investigação nos contratos.

Há uma crise educacional, escolas municipais fechando e alunos sendo redirecionados para outros ambientes escolares.

E os nobres edis, votam REVISÃO salarial!!?

É VERGONHOSO e ULTRAJANTE!

Cabo Neto é bacharel em Direito e policial militar.

O QUE O PROVEDOR DA SANTA CASA NÃO DISSE

raimundo santanaRaimundo Santana | jrssantana13@gmail.com

 

Ao propor manter o triênio e a produtividade apenas aos trabalhadores que hoje estão contratados, a Instituição busca baratear a mão de obra para, em um futuro próximo, demitir os trabalhadores hoje contratados.

Sobre a negociação coletiva 2017/2018 com a Santa Casa é imperativo registrar que a postura da comissão que representa a Santa Casa neste ano foi, desde o início, extremamente desrespeitosa, trazendo de volta à negociação pontos que já haviam sido objeto de consenso, para impedir que a negociação avançasse. Deixou claro o interesse em inviabilizar um entendimento no processo de negociação.

Estimulado pela publicidade do governo federal que entende ser possível convencer a população que a perda de direitos é boa, o provedor tenta convencer os trabalhadores da Santa Casa do mesmo absurdo. O que se vê é um processo de tentativa de barateamento da mão de obra, desprezando, assim, o valor do trabalho.

O objetivo da Santa Casa de Itabuna é claro. Ao propor manter o triênio e a produtividade, presentes nos salários dos trabalhadores há mais de 20 anos, apenas aos trabalhadores que hoje estão contratados, a Instituição busca baratear a mão de obra para, em um futuro próximo, demitir os trabalhadores hoje contratados, que, na opinião do Provedor, são caros, por uma mão de obra mais barata.

O SINTESI não vai admitir isso!

Essa história de crise da Santa Casa é uma alegação que não convence mais ninguém. Já foi dito por esse sindicato em mesa de negociação que a ação para estancar a crise, caso ela exista de fato, seria renegociar os valores dos contratos com os parceiros da Santa Casa, os que exploram os serviços lucrativos e são muito bem remunerados por eles. Retirar direitos de trabalhadores que recebem salários tão baixos não é a saída.

Raimundo Santana é dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região (Sintesi).

ALIMENTANDO O MONSTRENGO

marco wense1Marco Wense

O princípio constitucional que mais simboliza o estado democrático de direito, é o que diz “que todos são iguais perante a lei”. Do contrário, é farsa, simulacro de democracia.

 

Não tenho a menor dúvida de que a impunidade é a grande responsável por todo esse lamaçal que toma conta do país.

Essa MP editada pelo presidente Temer que mantém Moreira Franco como ministro e com foro privilegiado é a prova inconteste de que o monstrengo está vivíssimo.

Aliás, a impunidade é a grande inimiga do cidadão comum. É preconceituosa com os pobres e com quem não tem prestígio.

Pois é. O senhor Moreira Franco, ex-governador do Rio de Janeiro, é investigado em dois inquéritos autorizados pelo STF, sendo que um deles no âmbito da Operação Lava Jato.

O senhor Moreira Franco foi citado mais de 30 vezes nas delações dos diretores da Odebrecht e é investigado na chamada “Farra das Passagens”.

Enquanto isso, as penitenciárias estão abarrotadas de “ladrões de galinhas”, sem falar nos presos que já deveriam estar soltos.

O princípio constitucional que mais simboliza o estado democrático de direito, é o que diz “que todos são iguais perante a lei”. Do contrário, é farsa, simulacro de democracia.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia e editor d´O Busílis.

SANTA CASA DE ITABUNA EM DESEQUILÍBRIO

raimundo santanaRaimundo Santana | jrssantana13@gmail.com

 

A influência desses profissionais aumentou na instituição, passando por um processo de loteamento dos setores lucrativos da Santa Casa de Itabuna, onde os parceiros também são médicos. O referido modelo de gestão sofre críticas severas de toda a sociedade, principalmente pelos resultados que produziu.

 

 

Já faz algum tempo que a Confederação Nacional das Santas Casas recomendou que as instituições, em nível nacional, inserissem nos seus estatutos cláusula impeditiva para que médicos fossem provedores das instituições. Tal orientação se deve a experiências malsucedidas de médicos/provedores que não conseguem compreender as Santas Casas no todo, e sim os seus próprios interesses.

Pois bem! Há algum tempo, a Santa Casa de Itabuna rompeu com esta orientação, excluindo tal cláusula impeditiva, para eleger um médico provedor.

Desde então, a influência desses profissionais aumentou na instituição, passando por um processo de loteamento dos setores lucrativos da Santa Casa de Itabuna, onde os parceiros também são médicos. É importante que se diga que o referido modelo de gestão sofre críticas severas de toda a sociedade, principalmente pelos resultados que produziu.

Estes mesmos parceiros hoje ocupam cargos de decisão politica e gestão econômica da instituição, em uma confusão administrativa em que, às vezes, fica difícil se definir quando agem defendendo os interesses da Santa Casa, ou os interesses de suas empresas “parceiras”.

Esse fato tem criado dificuldades na condução da negociação coletiva, pois a estrutura administrativa da Santa Casa só consegue enxergar os interesses dos médicos, levando o atual provedor a fazer pouco caso do processo de negociação coletiva, na data base da categoria, impondo aos trabalhadores um processo de mobilização e enfrentamento a essa situação.

Raimundo Santana é dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região (Sintesi).

A DELAÇÃO DE GEDDEL

marco wense1Marco Wense

 

Geddel não é um José Dirceu, hoje o maior herói do PT, mesmo que nenhuma liderança do partido, incluindo aí o próprio Lula, queira tirar uma foto ao seu lado.

 

Saiu na imprensa que o ex-ministro Geddel Vieira Lima, comandante-mor do peemedebismo da Bahia, caminha a passos largos para uma delação na Lava Jato.

O depoimento de Geddel cria grandes expectativas em decorrência de ter ocupado importantes cargos nos governos Lula, Dilma e Temer.

A cúpula palaciana não acredita na hipótese de uma delação que possa piorar a situação do ainda presidente Michel Temer.

O problema é que delação que não envolve Lula e, agora, Temer, não é uma boa delação. O anzol da Lava Jato gosta de fisgar peixes graúdos, principalmente no campo político. São eles que dão manchetes nos grandes jornais.

É bom lembrar que Geddel não é um José Dirceu, hoje o maior herói do PT, mesmo que nenhuma liderança do partido, incluindo aí o próprio Lula, queira tirar uma foto ao seu lado.

CONTINUA O MESMO
tucano

Os petistas andam dizendo, em tom de deboche com ingredientes provocativos, que o PSDB é o partido mais democrático do Brasil.

A provocação é mais acentuada no tucanato baiano, que está dividido entre o “Fica Temer”, “Fora Temer” e o “em cima do muro”.

Na frente do “Fica Temer”, garantindo o seu emprego, o deputado licenciado Antônio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo.

Protagonizando o “Fora Temer”, o também parlamentar João Gualberto, cotado para ser o candidato da legenda ao Palácio de Ondina em caso de desistência de ACM Neto (DEM).

E, por último, seguindo o que é de verdade o PSDB, a marca da agremiação, o outro federal Jutahy Magalhães sendo porta-voz do “em cima do muro”.

O PSDB continua o mesmo. Sempre na incerteza e cada vez mais sem identidade.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia e editor d´O Busílis.

BRASILEIRÃO OU BRASILEIRINHO?

dt-chargeDaniel Thame

 

Na Sul-Americana, o Fluminense suou sangue para passar pelo Liverpool, não o inglês, mas o genérico uruguaio, o Cruzeiro caiu diante de um timeco paraguaio e pior ainda fez o outrora glorioso São Paulo, eliminado em pleno Morumbi pelo Defensa y Justicia (quem?)…

 

Começa neste final de semana o Campeonato Brasileiro de 2017, que os exagerados chamam de Brasileirão e os mais exagerados ainda chamam de maior campeonato de clubes do mundo.

A menos que os campeonatos da Inglaterra, Espanha, Alemanha e até da Itália sejam disputados em outro mundo e a Champions League em outra galáxia, a megalomania é digna de certos juízes que mourejam nessa republiqueta bananeira.

O Campeonato Brasileiro (não chega a ser um brasileirinho, façamos a concessão) pode ser um dos mais equilibrados do planeta, mas isso não tem nada a ver com o poderia técnico dos clubes que o disputam.

Ao contrário, o equilíbrio se dá justamente porque temos até bons times como o Palmeiras, o Flamengo, o Santos, o Atlético Mineiro; times equilibrados como Cruzeiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio e Atlético Paranaense;  mas não temos nenhum super time, desses que despontam como favoritos.

Nenhum time em que o torcedor saiba a escalação de cor.

Nenhum fora de série, a menos que se entenda Guerrero, Lucas Limas, Robinho, Fred, Diego, Guerra, Cueva como foras de série.

O desempenho dos times  brasileiros na Libertadores, em que a classificação de quase todos para próxima fase virá mais pela mediocridade dos adversários do que pela qualidade demonstrada até aqui, é um sinalizador de a quantas anda (ou não anda) o futebol brasileiro. O “poderoso”  Palmeiras andou perdendo até para times marca bufa da Bolívia e o Grêmio para times igualmente marca bufa do Chile.

Na Sul-Americana, o Fluminense suou sangue para passar pelo Liverpool, não o inglês, mas o genérico uruguaio, o Cruzeiro caiu diante de um timeco paraguaio e pior ainda fez o outrora glorioso São Paulo, eliminado em pleno Morumbi pelo Defensa y Justicia (quem?), time molambento que estava fazendo sua primeira partida internacional fora da Argentina.

O fato é que nossos times só conseguem contar com veteranos que já não têm mercado na Europa ou na China, uruguaios, argentinos, paraguaios, chilenos, peruanos e venezuelanos por quem europeus e chineses não se interessam e promessas que não passam disso, promessas.

Esse bolodório todo significa que o Campeonato Brasileiro será um retumbante fiasco?

Não necessariamente.

O tal equilíbrio entre os times, lampejos de craque de alguns jogadores acima citados e a paixão do torcedor pelo seu time (seja ele formado por gênios da bola ou notórios pernas de pau) pode garantir um campeonato que ainda que não seja um primor de técnica, nem por isso será menos emocionantes, numa luta ferrenha pelo título na parte de cima e contra o rebaixamento na parte de baixo da tabela.
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É GOL – Real Madri e Juventus farão a final da Champions League.  Justo, justíssimo. Um ataque avassalador contra uma defesa quase intransponível. Cristiano Ronaldo x Buffon. Imperdível.
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É PÊNALTI – O juiz vibrou mesmo com o gol do Flamengo na decisão do Carioca? Tempos estranhos, tempos estranhos no mundo da bola. Só da bola?

Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.

TREBLINKA AO CÉU AZUL

helenilsonHelenilson Chaves 

 

Desde que a vassoura-de-bruxa chegou ao sul da Bahia, de forma intencional ou por absoluta negligência dos órgãos de vigilância fitossanitária, a outrora pujante civilização cacaueira vem definhando, mergulhada numa crise que parece não ter fim.

 

 

Treblinka, o terrível campo de concentração na gelada  Polônia em que milhares e milhares de judeus foram brutalmente assassinados pelo terror nazista durante a 2ª. Guerra Mundial, é um dos símbolos trágicos da história recente da humanidade.

Guardadas as devidas proporções e com o necessário respeito à memória dos que pereceram e de seus familiares que sobreviveram com as marcas da dor irreparável, temos no sul da Bahia uma espécie de Treblinka ao céu azul, em que milhares de pessoas foram condenadas, senão à morte brutal, a um definhamento lento e progressivo, que se arrasta há quase três décadas.

Não é propriamente um campo de concentração, longe disso, mas criou-se uma espécie de gueto formado por mais de 100 cidades e com uma população superior a um milhão de pessoas, vítimas de uma  insensibilidade que supera todos os limites do tolerável.

Desde que a vassoura-de-bruxa chegou ao sul da Bahia, de forma intencional ou por absoluta negligência dos órgãos de vigilância fitossanitária, a outrora pujante civilização cacaueira vem definhando, mergulhada numa crise que parece não ter fim.

Uma região que gerava 1 bilhão e 600 milhões de dólares, viu esse valor minguar para 240 milhões de dólares em duas décadas e a produção de cacau, seu principal produto, cair em 80%. O impacto dessa catástrofe atingiu a todos, ricos e pobres, gerou desemprego em massa, fechamento de empresas e uma crise social que pode ser sentida nas pequenas, médias e grandes cidades.

Quando precisou agir, o governo agiu mal e errado. Um plano de recuperação da lavoura completamente equivocado, que fez a produção cair em vez de aumentar, e elevou as dívidas dos produtores à estratosfera. O remédio que era para salvar levou a região à UTI, onde ela definha até hoje, porque em outro gesto de insensibilidade, o governo passou a cobrar por dívidas impagáveis, através dos bancos oficiais, pelas quais os produtores não eram responsáveis.

A falta de lideranças políticas com poder de reivindicação e capacidade de mobilização só fez agravar esse quadro. Governo após governo, a região continuou relegada ao abandono, apesar de em épocas passadas ter contribuído de forma substancial com a economia baiana e brasileiro.

Planos efetivos de renegociação das dívidas dos produtores em condições reais de quitação dos débitos (mesmo quando o caso é de perdão das dívidas) e da liberação de recursos para a retomada da produção de cacau, que a despeito da necessidade de diversificação continua e continuará sendo nosso principal produto, nunca saíram do campo da promessa.

Não é possível esperar mais. É preciso que as autoridades adotem medidas efetivas para a recuperação da lavoura cacaueira e a consequente retomada do desenvolvimento regional.

Caso isso não ocorra – e ocorra já – nossa região estará condenada ao extermínio econômico, com todas as consequências nefastas que isso representa para toda a sua gente.

Helenílson Chaves é diretor do Grupo Chaves.

Publicado originalmente em www.blogdothame.blog.br

MUDAM-SE OS COSTUMES – NEM SEMPRE PARA MELHOR

walmirWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

 

Acordos eram feitos dentro e fora dos recintos parlamentares, principalmente na calada da noite nos badalados restaurantes. Local melhor para conspirar, trair e até mesmo acordar não existiam e tudo era percebido no plenário.

É um sufoco diário para produtores e editores dos veículos de comunicação do Brasil. Têm que se virar nos 30, como diz Faustão, para conseguir fazer um programa redondinho. E o motivo não é outro, senão a política (e os políticos), que simplesmente mudaram de editoria: ao invés da tradicional e prestigiosa editoria de política, elas passaram a engordar a editoria de polícia, que nunca teve esses prestígios todos, a não ser em determinados horários ou meios de comunicação especializados.

E olha que os coitados dos jornalistas, radialistas e blogueiros até que tentam emplacar as notícias vindas de Brasília – sobretudo – na tradicional editoria de política, mas é muito difícil conseguir, e muitas vezes não encontram outro recurso que não seja a apelação. Como costumo dizer, não se deve brigar com a notícia, mas nem sempre essa máxima é seguida à risca e o público termina por não acreditar no que está vendo, lendo ou ouvindo. Ao invés de política, polícia no programa inteiro.

A depender o horário, aí é que o programa vai pro brejo. A escalada feita com todo o esmero para dar ênfase às chamadas e conseguir uma boa audiência é toda trocada no decorrer do programa, nos casos de emissoras de rádio e televisão. Já os impressos e blogs, passam o tempo esperando que a grande imprensa e agências de notícias transmitam os debates do Congresso Nacional, acerca de temas relevantes para as áreas econômica, saúde, educação e cidadania. Mas é tudo em vão.

Como sempre acontece de uns tempos pra cá, oposição e situação não costumam travar os fenomenais debates com políticos importantes e que faziam vibrar a nação com seus discursos. Os grandes tribunos do naipe de Ruy Barbosa, Tarcilo Vieira de Melo, Aliomar Baleeiro, Carlos Lacerda, ou raposas políticas, a exemplo de Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, desapareceram e deram lugar à política de bastidores. Se antes se privilegiava o debate sobre os temas, à vista de todos, hoje a população costuma “comer o prato feito” preparado nos recônditos das cozinhas palacianas.

Não quero aqui afirmar que na política de antes corredores, gabinetes, salas, restaurantes e cafezinhos do Congresso Nacional não fossem testemunhas de olhos e ouvidos – de mercador – do que e sobre o que se conversava nesses locais. Acordos eram feitos dentro e fora dos recintos parlamentares, principalmente na calada da noite nos badalados restaurantes. Local melhor para conspirar, trair e até mesmo acordar não existiam e tudo era percebido no plenário.

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E até mesmo o Jornal Nacional, que evitava a notícia policial como “satanás corre da cruz”, adotou e proporciona espaços generosos, prometendo, ainda, mais desdobramentos para o dia seguinte.

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Uma das grandes diferenças era, àquela época, a presença das convicções, tempos ainda marcados pela ideologia política, comportamento tão escasso no Brasil de hoje, e prova melhor não há do que uma simples e perfunctória análise da mudança de partidos de nossos parlamentares. Transitam da esquerda à direita sem a menor cerimônia, sequer fazem um simples estágio no centro nessa temida e nefasta trajetória. E aí está o xis do problema: Hoje, em Brasília, até a raiva é combinada.

E os pensamentos são mudados, as consciências são compradas por qualquer dois mil réis. Aliás, essa antiga expressão não tem a menor chance de sobreviver em Brasília, onde as conversas começam com milhões, distribuídos generosamente pela nossas gentis empreiteiras, de forma das mais generosas. São todos bonzinhos e inteligentes ao interpretar a oração de São Francisco de Assis, principalmente naquela parte do é dando que se recebe. No popular, um caminho de duas vias: eu contribuo e você me devolve a gentileza com pequenas ações e atos no parlamento.

Mas ao fim e ao cabo, não conseguiram antever a recusa de cumplicidade dos Procuradores da República, Juízes Federais e da Polícia Federal. A partir daí, a atividade desenvolvida pelos políticos passou a ser publicada nas editorias de polícia. Ao invés de apresentações projetos de lei, operações da polícia federal; apreciações de projetos foram substituídas pela denúncia dos procuradores; e o espaço dado às ações parlamentares no dia a dia trocadas pelas prisões em casas, ao amanhecer do dia, embora todos se declarem inocentes.

Os jornais e revistas – inclusive os eletrônicos – que reservavam mais espaços para a vida em sociedade, o cotidiano, a economia, a cultura, passaram a dar manchetes sensacionalistas das atividades criminosas dos parlamentares. E até mesmo o Jornal Nacional, que evitava a notícia policial como “satanás corre da cruz”, adotou e proporciona espaços generosos, prometendo, ainda, mais desdobramentos para o dia seguinte.

É de matar de inveja antigos jornais como Notícias Populares, A Luta Democrática e o Jornal O Dia (em seu antigo formato) adjetivados como do tipo “se espremer, sai sangue”. Hoje, esses modelos são copiado largamente pelos blogs, que expõem imagens cruéis de pessoas mortas e esquartejadas, sejam pelas chacinas ou em acidentes automobilísticos. Quanto aos coitados dos editores, só duas alternativas: manter o novo formato policialesco ou perder audiência para os concorrentes.

Não esqueçamos, porém, que a sociedade mudou em seus costumes, com o embrutecimento das pessoas, para os quais miséria pouca é bobagem.

Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado.

NOSSOS ÍDOLOS AINDA SÃO OS MESMOS…

luizconceiçãoLuiz Conceição

 

Na época, 1993, descobriu-se que uma holding formada por 12 construtoras, comandada pela Odebrecht, garantia a divisão equitativa das obras realizadas com recursos do Orçamento entre as empreiteiras.

 

Perdão Antonio Carlos Belchior, mas parte de sua poesia Como nossos pais, estrondoso sucesso na voz da inesquecível Elis Regina e majestoso arranjo de César Camargo Mariano, em 1976, está agora muito mais que real. Pelo menos, para aqueles que mergulham na rede mundial de computadores, a bordo de quaisquer buscadores, na tentativa de compreender a atual narrativa daquilo que enodoa o país.

A mídia, principalmente a televisiva, teima em mascarar a realidade. Mas, de um passado não muito distante, emergem cenas perversas, que a todos os brasileiros faz sofrer, com tungadas às claras e às escuras no seu bolso, capitaneadas pelos mesmos corruptores. Por isso, “nossos ídolos, ainda são os mesmos. E as aparências, não enganam não. Você diz que depois deles, não apareceu mais ninguém…”, cantou sua poesia.

Mas, com a Lava Jato, algo deve mudar…

Isto, apesar de, há 24 anos, a corrupção envolvendo empreiteiras ter sido motivo de debates na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento, no Congresso Nacional, como evidencia capa do Jornal do Brasil, de 2 de dezembro de 1993! Na época, descobriu-se que uma holding formada por 12 construtoras, comandada pela Odebrecht, garantia a divisão equitativa das obras realizadas com recursos do Orçamento entre as empreiteiras.

As licitações eram fraudadas ou acertadas previamente, com a vencedora repassando 36% do valor da obra à holding. Entre as empresas participantes do esquema, estavam algumas das mesmas empreiteiras, cujo envolvimento na festejada Operação Lava Jato é de conhecimento de todos: OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e a própria Odebrecht.

Portanto, é também o caso de lembrar-se da genial frase do príncipe de Falconeri, no romance Il Gattopardo (O Leopardo, em italiano), obra literária de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (Palermo, 1896 — Roma, 1957): “Algo deve mudar para que tudo continue como está”.

Luiz Conceição é jornalista.

UNIDADE DEMOCRÁTICA: CAMINHO PARA SUPERAÇÃO DAS CRISES

rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

A melhor saída para estabelecermos um novo momento para o Brasil seria uma nova eleição, mas essa saída não permitiria sobrevida para a maioria das atuais lideranças nacionais, que constroem na calada dos bastidores uma eleição em lista, caminho protetivo para escaparem do julgamento sumário dos eleitores.

A mais recente delação de Marcelo Odebrecht colocou mais lenha na fogueira em que hoje está a política brasileira. Vivemos um momento de muita agitação, instabilidade institucional e uma crise econômica de grande repercussão na vida das famílias. Saímos divididos das urnas da última eleição presidencial e as forças opositoras decidiram que aquele era o melhor momento para criar resistência à governabilidade da presidente reeleita.

Com a agenda de obstáculos então imposta nas Casas Legislativas, no mercado financeiro e em outros setores, como parte da mídia, houve a tomada do controle político do país por essa coalizão, a união Cunha, Aécio e Temer construiu as pautas bombas, até chegarem à tese das pedaladas fiscais, que dias depois do impeachment foi “regularizada” num circo nacional. Deram o golpe de mestre.

O desejo de extirpar a corrupção acabou sendo o pano de fundo para levar parcela significativa da população às ruas. Uma ofensiva política e midiática construiu o senso comum de que a causa e o efeito de todos os males nacionais era o PT, partido hegemônico, que liderava as forças que comandavam o governo central há 12 anos e que tem alguns nomes inseridos na corrupção. O resultado desse processo, todos sabemos, além da queda da presidente, foi termos nossas maiores empresas atingidas, produzindo uma massa de desempregados que, segundo o Dieese, passam de 13,5 milhões de pessoas.

Os autores da tese para chegarem ao poder se deleitam no governo central sem apresentar uma saída para a crise. Ao contrário, diante da crise política que virou crise econômica, eles tentam modificar a estrutura de Estado, construída a partir da Constituição de 1988 e ampliada pelas políticas públicas de inserção socioeconômica implantadas no ciclo do PT.

Esse esforço trouxe de volta as políticas neoliberais e a tese do estado mínimo, programa diferente à escolha que o povo fez nas urnas. Por outro lado, a Operação Lava Jato, por mais que sofra críticas de ser seletiva, não pode ser paralisada, e os que antes atacavam o governo, usando a bandeira de combate à corrupção, se vêm agora expostos e citados nas delações. A extensão da crise política não fora dimensionada pelos idealizadores do impeachment.

Na saga pelo poder, pensaram que uma vez tomando posse do Planalto conseguiriam afogar a Lava Jato. Erram duplamente: esqueceram-se de mensurar as novas ferramentas (redes sociais) que retroalimentam e pressionam as instituições a seguirem em frente no cumprimento dos seus papéis, e a perda de apoio popular em função das medidas de retiradas de direitos.

A melhor saída para estabelecermos um novo momento para o Brasil seria uma nova eleição, mas essa saída não permitiria sobrevida para a maioria das atuais lideranças nacionais, que constroem na calada dos bastidores uma eleição em lista, caminho protetivo para escaparem do julgamento sumário dos eleitores.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

FIM DA REELEIÇÃO NO LEGISLATIVO DA BAHIA

angelocoronelAngelo Coronel

 

A paternidade desta Emenda Constitucional é de todos os 63 deputados – da maioria, da minoria, dos independentes.

 

Reputo que o Legislativo da Bahia viveu ontem um dos seus momentos mais importantes em toda a sua história, quando aprovou o fim da reeleição para presidente da Assembleia em uma mesma legislatura. Porque um parlamento democrático, diverso e plural, formado por 63 deputados escolhidos pela vontade soberana do povo, simplesmente não pode ter dono.

A reeleição feria de morte um princípio basilar da democracia que é, justamente, a alternância de poder. O princípio da vitaliciedade não se aplica ao poder político porque a excessiva permanência e a continuidade de quem enfeixa o poder em suas próprias mãos embalança, inexoravelmente, o berço do mandonismo.

Quando tomei a decisão de disputar a chefia do Poder Legislativo da Bahia disse aos meus 13 pares que cerraram fileira comigo na primeira hora: “Só há duas condições sine qua non para que entremos na disputa. Uma é o fim da reeleição para presidente da Assembleia na mesma legislatura; a outra é que vamos voltar a fazer do Legislativo um Poder realmente independente e soberano”.

Ao consultar o presidente Otto Alencar, do meu partido, o PSD, sobre a nossa decisão em postular a presidência da ALBA, ele me lembrou que havia sido presidente daquela Casa e que não havia admitido a reeleição, que chegou a ser articulada pelo então deputado estadual Luiz de Deus. “A pior coisa de uma pessoa é ser vintém e pensar que é milhão”, disse-me Otto.

Na condição de presidente, não podia – até então – apresentar projetos de lei. A missão então coube ao deputado Adolfo Menezes, meu companheiro de partido, e que já possuía uma Proposta de Emenda Constitucional, que alterava parte do artigo 67 da Constituição do Estado da Bahia. E, justiça se faça à história, sucedânea de uma PEC já antes, em legislaturas passadas, apresentada pelo deputado Rosemberg Pinto (PT).

A paternidade desta Emenda Constitucional é de todos os 63 deputados – da maioria, da minoria, dos independentes. Sobretudo, é ela uma oferenda à sociedade democrática, plural e diversa da Bahia, cuja história civilizatória jamais compactuou com a tirania, como bem reflete o nosso Hino da Bahia.

Toda instituição precisa ser renovada. A fomentação de novas lideranças é o oxigênio de que ela precisa para resplandecer e não caducar. Quando não há renovação, não há estímulo para o despontar de novas idéias e novos modos de fazer. E isso vale para o poder público e para o setor privado; para as federações esportivas e os clubes de futebol; para as associações, sindicatos e condomínios.

Lembrando da máxima do senador Otto Alencar, só quero entrar para a história como “o vintém” que contribuiu para aumentar ainda mais essa extraordinária e secular riqueza democrática, diversa e plural da Bahia.

Angelo Coronel é presidente da Assembleia Legislativa da Bahia.

ATÉ BREVE, DOM CESLAU!

Dr. Eric Ettinger Junior, Provedor eleitoEric Ettinger Júnior

 

Como não se empolgar com um senhor de 77 anos dizendo que precisamos ser mais fortes que as dificuldades e que não podemos sucumbir?!

 

E essa semana termina mais triste do que as outras: chega ao fim o comando de Dom Ceslau Stanula frente à nossa diocese!

Um homem culto, inteligente e humilde, que ajudou a resgatar a igreja católica em nossa cidade. O polaco mais itabunense que existe, que se encaixou perfeitamente em nossa região defendendo os ideais cristãos, se engajando em várias frentes sociais, ajudando a nossa Santa casa de Misericórdia e fazendo muito mais do que seu papel pede. Por isso, a saudade já aperta!

Como não sentir saudades de um senhor tão jovem, com tanta garra e vontade?!

Como não se empolgar com um senhor de 77 anos dizendo que precisamos ser mais fortes que as dificuldades e que não podemos sucumbir?! Como não tirar forças de sei lá onde e fazer isso?! Esse é Dom Ceslau! Muito mais que um bispo, um amigo! Sentiremos saudades…

A Dom Carlos Alberto, que seja bem-vindo a esta terra que é conhecida por acolher bem aos que chegam. Que a luz do Divino Espírito Santo o ilumine na condução neste novo Bispado.

Eric Ettinger Jr. é provedor da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna

O REI DA AMÉRICA QUER O MUNDO

DanielThameDaniel Thame | danielthame@gmail.com

A Seleção Brasileira pratica, indiscutivelmente, o melhor futebol da América.

Classificou-se para a Copa da Rússia com quatro rodadas de antecedência e vem de inéditas 8 vitórias nas Eliminatórias, uma trajetória mágica que incluiu shows de bola contra Argentina (3×0), Uruguai (4×1) e Paraguai (3×0).

Mais do que os resultados expressivos, vem jogando um futebol que resgatou a paixão pela Seleção, fazendo inclusive com que o exigente torcedor paulista (de vaias memoráveis e atitudes incivilizadas como atirar bandeiras do Brasil no gramado do Morumbi num jogo horrendo contra a Colômbia), se rendesse ao time de Neymar e Cia.

titeAo time de `seu` Adenor, mais conhecido como Tite.

O que se viu na Arena Corinthians foi uma verdadeira lua de mel entre time e torcida, com direito a um “olê, olê, olê, Tite, Tite…” no final do jogo.

Consagrador.

O Brasil voltou o ser o Rei da América.

Ponto.

Parágrafo.

Como quase tudo nesse paraíso tropical bipolar (há controvérsias quanto ao paraíso) vai-se do inferno ao céu e vice-versa num piscar de olhos.

A Seleção, com praticamente os mesmos jogadores, era um quase-Ibis há menos de um ano atrás. Agora é o suprassumo do suprassumo do mundo da bola.

A maravilha da galáxia.

Neymar que era um craque mascarado e individualista, que pipocava na Seleção, agora já é melhor do que Messi e Cristiano Ronaldo juntos, um quase-Pelé.

E por aí vai…

Galvão Bueno puxa o coro da louvação, seguido pelos colegas da imprensa, numa unanimidade em que se ouvem poucas vozes sensatas.

E é preciso mesmo um pouco se sensatez.

Se é verdade que Tite fez da Seleção uma equipe respeitada, que pratica um futebol de primeiro nível, transformou Neymar num craque que joga para o time, letal e as vezes genial, não é menos verdade que a conquista do mundo em 2018 não é algo líquido e certo, como se a gente fosse lá pra Russia, tomasse umas vodcas, dançasse umas balalaicas na praça Vermelha, comprasse umas matrioskas pra agradar as filhas e a patroa, pegasse a taça e voltasse pra casa.

Seria ótimo se fosse assim, mas não é.

Falta combinar com os russos, como diria o saudoso Mané Garrincha. Agora literalmente.

O time está bem, Neymar joga cada dia melhor, Casemiro, Paulinho e Phillipe Coutinho tem se revelado gratas surpresas, mas é preciso manter o foco, saber que tem que evoluir sempre e não cair na tentação do `já ganhou`.

A história está repleta – e Tite sabe disso- de times e seleções que ganharam de véspera e na hora na oncinha beber água ficaram de bico seco.

Ou engoliram um 7×1 ainda não devidamente digerido.

Portanto, é de bom alvitre deixar a torcida e a mídia com os pés nas alturas e manter as chuteiras com pés no chão.

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É PÊNALTI – A FIFA e seu espírito de Máfia. A punição a Lionel Messi é absolutamente desproporcional e pode custar a vaga da Argentina na Copa. Verdadeira vinditta contra Maradona e sua coragem de denunciar os ´santinhos` da entidade.

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É GOL – Tite para Presidente? Então tá! E Neymar, seria o quê? Ministro da Fazenda ou superintendente da Receita Federal?

Fora Temer (ops!), quem mais se candidata?

Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.

O BRASIL DE ADRIANA ANCELMO E O BRASIL DE RAFAELA. DE MILHÕES DE RAFAELAS…

IMG-20170330-WA0030Maurício Maron | mauricio.maron@gmail.com

 

Se hoje a pena de Adriana Ancelmo é não poder falar ao telefone nem acessar a internet, a de Rafaela é estar longe de quem ama e de quem precisa dela.

 

 

O Brasil de Adriana Ancelmo é diferente do Brasil de Rafaela. Diferente e desigual.

A ex-primeira dama do Rio de Janeiro, acusada de integrar uma organização criminosa e roubar milhões de reais de recursos públicos ao lado do marido, Sérgio Cabral, já está em casa, cuidando dos filhos.

Um direito que a justiça lhe concedeu sob a alegação de que ela necessitava cuidar dos menores.

Rafaela mora no Pará. Tem três filhos. Um deles, autista.

Em 2009 foi presa acusada de furto em uma loja. Quatro anos depois, voltou a ser presa após uma tentativa de assalto. Na Páscoa de 2015, saiu para passar o final de semana em casa e decidiu não voltar. Ficou desesperada ao ver que o filho precisava da sua presença. Ficou foragida até novembro do ano passado e hoje cumpre pena em regime fechado.

Se Adriana, agora no aconchego dos filhos e da casa, por certo, sorri, Rafaela chora.

A justiça que concedeu o benefício à ex-primeira dama fluminense é a mesma que acaba de negar o mesmo direito à Rafaela.

Que fique claro que esta análise não revoga o dever de ambas em cumprir as penas a que estão condenadas. Uma é acusada de ter roubado milhões. Outra, acusada de tentar roubar.

As duas, portanto, devem à justiça e precisam pagar pelo que devem.

Bom também lembrar que no Brasil que a gente vive, há milhares de Adrianas.

E outras milhares de Rafaelas.

O que se questiona é o poder da balança em pender mais para um lado. Ela, que é o símbolo místico da justiça, representa a equivalência e equação entre o castigo e a culpa. Na teoria traz como principais conceitos a equidade e a igualdade.

Mas na prática…

Se hoje a pena de Adriana Ancelmo é não poder falar ao telefone nem acessar a internet, a de Rafaela é estar longe de quem ama e de quem precisa dela.

A Defensoria Pública do Pará pediu que ela pudesse ir para casa cuidar dos filhos. O Ministério Público estadual concordou com o pedido. A juíza, no entanto, decidiu que não iria avaliar o pedido e adiou o julgamento.

Do sofá de sua casa, Adriana Ancelmo neste momento deve estar acariciando os filhos, alicerçada em um direito constitucional.

Rafaela está atrás das grades. Ela, solitária. Os filhos, idem.

Este País precisa urgentemente ser menos desigual.

Mauricio Maron é jornalista é editor do Jornal Bahia Online.

PREVIDÊNCIA SOCIAL, UM DEBATE INADIÁVEL

omarcostabancodopovoitabunaOmar Santos Costa

O ideal é reformar a previdência tendo como horizonte a segurança na velhice, e segurança é estruturar um sistema que considere elementos contributivos, mudanças na estrutura etária, mercado de trabalho, capacidade de financiar o modelo no longo prazo, entre outros.

 

 

Possivelmente até o mês de agosto de 2017, veremos no noticiário a reforma da previdência como um dos assuntos mais presentes. No geral o brasileiro não tem clareza de como funciona o nosso sistema, como é financiado e quais são seus objetivos. Com a proposta de reforma da previdência, a maior dentre as propostas apresentadas nos últimos 20 anos, o assunto vem tomando conta das discussões em todos os lugares, o que é muito positivo. O problema que observamos é a ausência de um debate que esclareça.

Como todo debate que antecede a definição ou reformulação de uma política pública, é natural que as partes não tenham o compromisso em explicar todos os detalhes. Além disso, cada agrupamento político tem por trás dos discursos uma visão de mundo e uma compreensão de que papel deve cumprir a Previdência Social, o que é legitimo e natural.

O debate se a previdência é ou não deficitária julgo inócuo. Objetivamente o gasto com previdência nas últimas duas décadas cresceu acima da inflação e/ou do PIB. O crescimento foi fruto das nossas escolhas e de mudança do perfil socioeconômico da população brasileira, no entanto não foi gastança como diz alguns críticos.  O financiamento do aumento foi viabilizado principalmente com ampliação da carga tributária, porém é pouco provável acreditar que conseguiremos financiar o crescimento do gasto da previdência com ampliação da carga tributária. Mesmo outras alternativas de financiamentos são pouco factíveis, do contrário governos de matizes diferentes já tinham realizado.

Outro elemento a considerar foram os formatos das reformas implementadas a partir da década de 90 (FHC, LULA e Dilma). Corrigiam alguns problemas, no entanto buscavam atender especialmente aspectos fiscais, equilíbrio do caixa no curto ou médio prazo. A reforma atual comete o mesmo erro, além de ser muito dura em alguns aspectos, em especial daqueles que afetam diretamente os trabalhadores que já estão no sistema por mais de duas décadas.

A concepção da nossa previdência é avançada, de repartição (contribuição dos trabalhadores da ativa mais impostos arrecadados de outras fontes que pagam os aposentados, pensionistas e beneficiários de hoje), que garante segurança a todos. O contexto atual e as expectativas futuras apontam a necessita de reforma que trate minimamente: da forma de financiamento; a idade mínima; a fusão para um só sistema; a eliminação das desigualdades dentro do próprio sistema; as questões de gênero, entre outros relevantes. Buscar na previdência compensações de problemas presentes em algumas carreiras ou de desigualdades de outra natureza é um equívoco.

O ideal é reformar a previdência tendo como horizonte a segurança na velhice, e segurança é estruturar um sistema que considere elementos contributivos, mudanças na estrutura etária, mercado de trabalho, capacidade de financiar o modelo no longo prazo, entre outros.

Com todas as questões em disputa, tanto daquelas que afetam diretamente os mais pobres, servidores públicos, como o próprio interesse do setor financeiro em acessar um lucrativo mercado de previdência complementar, um assunto tão controverso e que afeta a todos necessita de informações de qualidade.

Omar Santos Costa é economista, mestre, professor de Economia do Setor Público e Finanças Públicas e coordenador do curso de Economia da Uesc.

COMO BIG DATA PODE AJUDAR NA COMUNICAÇÃO DE MINHA EMPRESA?

Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

A migração acelerada para o campo digital faz com que os recursos de campanha devam ser pulverizados de acordo com a sinalização dessa realidade. O raciocínio é simplório: uma palavra é dado. Um comportamento é dado, uma imagem também. Mesmo os sentimentos – intensamente expressos nas redes sociais – também podem se tornar um número, uma informação.

 

Uma constatação sobre a comunicação feita hoje por diversas empresas: ultrapassada. O século XX ficou marcado como um espaço de grandes campanhas. O boom do mercado publicitário incutiu na mente dos investidores a necessidade de desembolsar grandes quantias visando atingir grandes públicos. Era o tempo da comunicação de massa, da grande mídia, pensada para atingir a maior quantidade de pessoas. Elegia-se um suporte, determinava-se uma área de abrangência e a marca era disparada para todas as direções. A contemporaneidade não suporta mais essa configuração.

Vivemos num tempo em que o consumidor, assim como todo o mundo, mudou. Poucos são os que aceitam passivamente as informações veiculadas numa campanha. Não aceitam qualquer informação, exatamente por essas estarem mais disponíveis. Se uma publicidade me garante que o produto “x” tem qualidades, posso, naquele mesmo momento, buscar mais dados sobre ele. Troco informações em redes sociais, leio críticas, vejo vídeos, comparo com concorrentes, analiso uma venda online. É o Big Data.

Hoje todos são produtores de informação. Toneladas de conteúdo virtual são produzidas a cada segundo. O Big Data fez com que o marketing, a publicidade, a ação comunicativa ultrapassasse a mera elaboração de campanha e passasse a analisar dados e atuar no planejamento, em ações de inteligência. A mídia contemporânea não admite mais, por exemplo, simplesmente investir numa revista aleatória ou determinar que um carro de som divulgue a marca de sua empresa sem que isso passe por uma intensa análise de dados dos potenciais clientes. A pessoa envolvida no investimento pode fazer isso? Sim. Contudo a chance de desperdiçar recursos e não obter retorno será elevada.

A migração acelerada para o campo digital faz com que os recursos de campanha devam ser pulverizados de acordo com a sinalização dessa realidade. O raciocínio é simplório: uma palavra é dado. Um comportamento é dado, uma imagem também. Mesmo os sentimentos – intensamente expressos nas redes sociais – também podem se tornar um número, uma informação. Tudo isso deve ser tabulado, organizado e alimenta o Big Data. Essas informações, expressas na rede, são capturáveis e passíveis de alimentar grupos de comportamento com indicadores que pautarão os investimentos. Pode parecer complexo de explicar, mas os resultados são impactantes. É uma comunicação para muitos, mas personalizada.

Em uma realidade em que 94 milhões de brasileiros têm acesso contínuo às redes sociais, desconsiderar essas informações que estão sendo disponibilizadas, continuamente, denota desperdício.

Qualifique sua comunicação. Qualifique sua empresa, independente do ramo que atua e do porte que tenha. Quer vender? Quer comunicar bem? O futuro é digital.

Felipe de Paula é professor da UFSB e pesquisador da comunicação social.



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