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:: ‘Destaque5’

ARTIGO || OS MUROS DE BOLSONARO

Sócrates Santana

 

 

A falta de cordialidade do presidente empossado Jair Bolsonaro e o seu empenho de realizar uma cruzada ideológica contra os vermelhos incluiu no seu alvo o maior destino da exportação brasileira, a China. O resultado: o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China, Charles Tang, confirmou que seu país colocou o Brasil em stand by.

 

A mais enraizada e consensual tradição da família brasileira está sendo violentada pelo novo governo: a cordialidade. Ao menos, desta maneira conceituou um dos mais importantes pensadores da formação do povo brasileiro, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda. Segundo o autor da célebre obra Raízes do Brasil, a cordialidade revela a vontade da família brasileira aproximar o que é distante do nível do afeto. O “homem cordial” é, portanto, um artifício, encrustado em nossa formação enquanto povo. É por isso que Sérgio Buarque disse, também, que: “a contribuição brasileira para a civilização será o homem cordial”. Uma promessa conjugada verbalmente no tempo do futuro do presente do indicativo.

A emissão de um telegrama à ONU do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pôs em risco o prelúdio do pensador brasileiro com o fim da participação brasileira no Pacto Global para a Migração. Uma decisão, ideologicamente contaminada, tomada pelo presidente recém empossado, Jair Bolsonaro, que colocou 3.083.255 brasileiros que vivem no exterior a mercê de um benefício internacional, não sendo o país mais “signatário do pacto global para migração segura, ordenada e regular”.

O fato é que o Brasil não tem um problema sério de migração. Ou seja: estrangeiros que moram no Brasil são poucos proporcionalmente aos brasileiros que vivem no exterior. Temos uma parcela muito pequena da nossa população composta por migrantes, são cerca de 0,4% de migrantes chegando no Brasil, e temos muito mais brasileiros vivendo no exterior do que estrangeiros vivendo no nosso país. Então, a saída do pacto prejudica mais os brasileiros do que a permanência no pacto.

Obviamente, a decisão não é uma atrapalhada do presidente Jair Bolsonaro. É um risco mal calculado por quem não governa para todos, mas apenas para os 57.796.986 de brasileiros que votaram nele. Eu vou explicar o meu argumento e mostrar como o cálculo do Palácio do Planalto é baseado no resultado das urnas. O presidente Jair Bolsonaro sabe que o número de brasileiros no exterior não representa necessariamente a totalidade dos brasileiros residentes nos 120 países dos 193 membros da ONU que assinaram o Pacto Global para Migração, mas, simplesmente, menos da metade.

Coincidência ou não, o maior número de brasileiros no exterior reside nos EUA. Um total de 48%. Os brasileiros de Miami garantiram uma vitória esmagadora de Bolsonaro no exterior. Esses dados mostram como as decisões do presidente Jair Bolsonaro são tendenciosas e ideologicamente contaminadas pelo mapa eleitoral. A decisão, portanto, não é fruto de uma atrapalhada e uma decisão sem fundamento. É uma decisão de quem resolveu apostar todas as fichas no segundo maior importador do Brasil. Este, talvez, seja outro risco mal calculado pelo presidente Jari Bolsonaro.

Hoje, os EUA correspondem a apenas 16% das exportações brasileiras, enquanto os chineses, por exemplo, correspondem a mais de 30%. Todos os indícios da política internacional do governo empossado apontam para uma busca desenfreada e de alinhamento com o Tio Sam. Mas, todos os números da economia brasileira mostram como o governo americano busca ocupar espaços e concorrer com os produtos de exportação do Brasil, que sofrem ainda mais com a redução do dólar.

Enquanto isso, o presidente norte-americano, Donald Trump, celebra o crescimento das exportações de carne dos EUA para o Brasil que, desde 2003, não vendia para o país sulamericano. Aliás, o Brasil pode se preparar para uma concorrência maior dos Estados Unidos no setor de carnes em 2019. A produção e exportação deverão ser recordes em alguns dos setores de proteína deste país, concorrente direto do Brasil. Uma das apostas dos americanos é exatamente a China, com quem selou recentemente uma trégua na guerra comercial. Mas, só que não…

A falta de cordialidade do presidente empossado Jair Bolsonaro e o seu empenho de realizar uma cruzada ideológica contra os vermelhos incluiu no seu alvo o maior destino da exportação brasileira, a China. O resultado: o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China, Charles Tang, confirmou que seu país colocou o Brasil em stand by. Tradução: bye, bye US$ 19 bilhões em soja vendidas para a China. Ou pior: zài jiàn 80% de toda a soja produzida por fazendeiros brasileiros comprada pelos chineses.

“A verdadeira força moral da Casa de Rio Branco” está em pânico com tamanhos disparates e mostrou em manifestação pública a sua preocupação sobre o futuro sem cordialidade do Itamaraty brasileiro. O presidente Jair Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo precisam da razão esclarecedora do homem cordial, segundo Sérgio Buarque, inspirado em caminhos sem muros, mas, cheios de fronteiras para aproximar quem precisa “viver nos outros” e não suporta o peso da individualidade.

Para alguns, estabelecer fronteiras significa apenas divisão e construção de muros para separar pais e filhos, a exemplo de Donald Trump em relação aos imigrantes mexicanos. Para outros, erguer fronteiras significa garantir a unidade de pontos diversos, a exemplo da Grande Muralha da China, que gerou emprego e, principalmente, uniu sete reinos em um país. Para os brasileiros, as fronteiras são possibilidades de amarrarmos a nossa soberania com os laços do coração, aproximando a civilidade do diálogo permanente com o outro, dando uma chance para todos recomeçarem, imigrantes ou não, brasileiros ou não, eleitores de Bolsonaro ou não.

Sócrates Santana é jornalista e brasileiro. Atualmente, atua como mentor de startups e gestor de inovação para o Governo da Bahia.

MINHA CIDADE É UMA PIADA PRONTA!

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

 

E eu fico daqui, passando o olho e – vez ou outra – até torcendo que algo realmente bom saia daquilo tudo, mas confesso que aprendi a sorrir mais e a levar tudo menos a sério.

 

Só cresce o número de grupos no Whatsapp com pessoas bem intencionadas em resolver os problemas da minha cidade, Itabuna. De todas as áreas possíveis, incluindo políticos em exercício, as discussões são intermináveis: “vamos construir uma agenda”, “precisamos nos unir” etc… E eu fico daqui, passando o olho e – vez ou outra – até torcendo que algo realmente bom saia daquilo tudo, mas confesso que aprendi a sorrir mais e a levar tudo menos a sério.

Acompanhei uma discussão interessante sobre a reconstrução de praças, após a publicação da imagem de um empresário local fazendo uma doação de sacos de cimento. “E pode?”, alguém questionou, abrindo precedente para os ânimos mais exaltados fuçarem matérias sobre cidades onde as praças são adotadas por empresas particulares – e aquele blá-blá-blá todo que a velocidade da internet permite. Não opinei, mas lembrei de uma situação que aconteceu recentemente, envolvendo uma cidadã comum, moradora do Banco Raso, bairro localizado no fundo da Prefeitura Municipal de Tabocas Ville, a terra onde tudo pode acontecer a qualquer momento.

Segundo informações, a senhora de meia-idade utiliza, diariamente, a área física da prefeitura como passagem para a Avenida Princesa Isabel. Ela sai da sua residência, trafega pelos corredores do prédio administrativo e chega ao seu destino, evitando a volta pelo prédio. Acontece que, observando que a porta que proporcionava sua comodidade estava trancada por dias, a mesma teria procurado um representante da Guarda Municipal. Ele, por sua vez, teria explicado que a fechadura estava com defeito, coisa que a senhora se prontificou a resolver.

Segundo um familiar, ela teria chamado um chaveiro, trocado o entrave e entregado a cópia das chaves. Nessas, claro, fora repreendida pelo responsável da manutenção. Alguns xingamentos depois, eis que a mesma teria ido parar na Delegacia Especializada de Apoio à Mulher. “Mas a senhora não pode fazer isso!”, teria dito a delegada. “Pegue a Constituição Federal e me mostre onde isso está escrito! Porque até onde eu sei, nela consta que eu não posso depredar um bem público. Zelar por ele, eu posso sim!”

O tempo urge, a sapucaí é grande e Itabuna, minha terrinha natal, se alguém inventar de cobrir, vira circo!

Manuela Berbert é publicitária e escritora.

UM NOVO TEMPO

Rosivaldo Pinheiro

Precisamos mentalizar que o relógio do tempo não para, que a nova contagem dos dias do próxima ano é apenas simbólica, resultado da capacidade humana de criar cenários e caminhos para tornar menos estafante a caminhada na oxigenação da nossa existência.

Estamos encerrando mais um ano. 2018 foi um ano em que vimos escancarada a face do ódio, do conservadorismo, das liberdades avassaladoras e do impacto das redes sociais. Percebemos o impacto do mundo virtual sobre o mundo real. 2018 será um ano de ensinamentos, um ano régua, para aferição do processo de organização sociopolítica do nosso país.

Esperamos que tenha sido um ano de rupturas com as falsas verdades, de desconstrução das falsas moralidades. Foi um ano difícil, mas de necessária razão de existir para o fortalecimento da nossa ainda jovem democracia. Que tenhamos capacidade de tirar desses acontecimentos lições para superação das diferenças e nos fortalecer na formação de um projeto de nação. Que possamos olhar a história, nossos fossos pessoais, respeitar as diferenças e avançar na construção dos saberes, dando vasão a um ambiente forjado no bom debate, superando a ignorância conveniente e entendendo que uma sociedade democrática nascerá a partir da educação do seu povo, na convivência sadia entre os diferentes, em todos os níveis da livre manifestação.

2019 bate à porta. É logo ali, na esquina do tempo. Uma nova oportunidade para nos melhorarmos e que exige de nós uma autoavaliação, assumindo responsabilidades e direitos, sem avançar no terreno alheio. Precisamos romper com as nossas convicções e, de certa forma, superar as nossas hipocrisias – aquelas que conhecemos ao conversar com o espelho -, aprendendo que ninguém muda o outro, sem, antes, mudar a si.

Precisamos mentalizar que o relógio do tempo não para, que a nova contagem dos dias do próxima ano é apenas simbólica, resultado da capacidade humana de criar cenários e caminhos para tornar menos estafante a caminhada na oxigenação da nossa existência. Um novo ano só acontecerá se no interior de cada um de nós brotar um ano novo. Precisaremos, então, fixar metas, cumprir palavra, policiar-nos nas certezas e separar as “massas das maçãs”. Assumir novas atitudes. Precisamos ser indivíduos melhores em cada amanhecer, gerando, diuturnamente, um planeta melhor a partir das nossas casas. Feliz 2019!

Rosivaldo Pinheiro é economista com especialização em Planejamento de Cidades.

ALEJANDRO E O OUTDOOR

Cláudio Rodrigues

 

Mas o que Alejandro e os 18 milhões de meninos e meninas desse Brasil desejam é não serem privados de direitos básicos como moradia digna, educação, informação, água, saneamento e proteção contra o trabalho infantil.

 

“O futuro de seu filho começa aqui!”. O outdoor com a chamada de uma escola para o início de matrículas para o próximo ano letivo é uma ironia para Alejandro, de 6 anos, e outras 13 crianças que há duas semanas montaram abrigo na Avenida Contorno, em Feira de Santana, tendo como base para a instalação de suas tendas, a placa de publicidade que vende a educação como futuro.

Alejandro e a placa de outdoor em Feira || Foto Reginaldo Tracajá Pereira

Futuro esse que Alejandro e as demais crianças que ali “habitam” sabem que é incerto. O espaço é dividido por oito famílias que saíram do interior da Paraíba, fugindo da fome e falta de emprego. As famílias ali instaladas ilustram os gráficos da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a qual 50 milhões de brasileiros – 25 por cento da população – vivem abaixo da linha de pobreza, com renda familiar de US$ 5,5 por dia, sendo que 43 por cento desse contingente está na região Nordeste.

No País em que seis em cada dez crianças vivem na pobreza, conforme estudo inédito do Fundo das nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado no último dia de novembro 14, a futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, pastora Damares Alves, em mais uma declaração ideológica sobre gênero, afirmou que vai tratar meninas como princesas e meninos como príncipes. Mas o que Alejandro e os 18 milhões de meninos e meninas desse Brasil desejam é não serem privados de direitos básicos como moradia digna, educação, informação, água, saneamento e proteção contra o trabalho infantil.

Na semana em que se comemora os 70 anos da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o que a família de Alejandro e tantas outras na mesma situação desejam é que o Brasil faça valer seu o Artigo 25:

I) Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si mesmo e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez ou casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

A pastora e futura ministra – que durante uma pregação em um culto evangélico disse ter visto Jesus Cristo quando estava em cima de uma goiabeira e impediu que o mesmo subisse na árvore para não se machucar – talvez consiga, num milagre ou passe de mágica, tratar meninos como príncipes e meninas como princesas. Porém, se ela fizer valer o Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os milhões de Alejandros desse país já se darão por satisfeitos.

Cláudio Rodrigues é consultor de empresas.

ARTIGO || DESAFIOS DO CHOCOLATE

Alcides Kruschewsky

 

Há anos, quando fui àquele encontro de sonhadores, de gente que falava em conto de fadas, Floresta de Chocolate, em vencer a crise econômica, tirar a região e os produtores da estagnação, levantar a autoestima, senti algo positivo, diferente no ar.

 

Grandes desafios podem ser vencidos pela união de talentos e esforços. Com cada um fazendo a sua parte, chega-se aos objetivos. No nosso caso, poderíamos falar só dos problemas e dificuldades do nosso dia a dia. Isso é necessário, mas é também o mais fácil. Estamos estimulados com as perspectivas do turismo rural e com os passos largos do chocolate de origem do sul da Bahia. Esses serão pilares do turismo em Ilhéus, sem dúvida. Hoje já dão grande contribuição para o grau de satisfação dos nossos visitantes.

Quem viu essas propostas embrionárias, pouco acreditava que pudesse acontecer. E já é uma realidade. A “Floresta de Chocolate” parecia apenas um conto de fadas para quem assistia à difusão da ideia na fase de “gestação”. Hoje a sensação de apenas um sonho vai se afastando, ao passo que 70 marcas de chocolate de origem carimbam a nossa identidade, número que continua crescendo.

O Festival do Chocolate é um bom parâmetro dessa evolução em número e qualidade. Produtores oferecem ao mercado uma diversidade de derivados de cacau, cada vez maior e mais inusitada. Por isso, convido-os a imaginar essa mesma iniciativa semeada apenas entre os incrédulos e opacos, que se ocupam mais com as teses dos porquês do não daria certo, realçando sempre o que falta, os óbices e as deficiências.

Certamente Ilhéus e a região não teriam essa quantidade de produtores de chocolate, não teria os prêmios e destaque internacional para o cacau fino e chocolate de origem, nem os empregos e renda que em parte já foram resgatados. Com certeza ainda teríamos somente o Chocolate Caseiro Ilhéus, e isto graças a um visionário que não dava “bolas” para as “vozesinhas” que jogam tudo pra baixo. Se essas vozes prevalecessem não teríamos Mendoá, Sagarana, Yrerê, Haras Ilha Bela, Maltez, Policarpo, Tavares, Badaró, Capela Velha e a nova fábrica ICB, de chocolates finos, aqui no Iguape, alem de estrada e rotas do cacau e do chocolate em implantação, entre outros.

O mundo dos desafios não é para os fracos, para os pessimistas, para os que reclamam muito e trabalham pouco. Nem é para os que se ocupam apenas de se queixar e reclamar. O mundo dos grandes desafios é para aqueles que creem na capacidade de superação, no esforço comum e na criatividade. O mundo dos desafios exige mais foco no “o que cada um pode fazer” para somar, para juntar forças, conhecimento e espírito de nação, patriotismo. Os desafios e os sonhos caminham juntos. Só os que sonham realizam e vencem as dificuldades.

Há anos, quando fui àquele encontro de sonhadores, de gente que falava em conto de fadas, Floresta de Chocolate, em vencer a crise econômica, tirar a região e os produtores da estagnação, levantar a autoestima, senti algo positivo, diferente no ar. Era a energia contagiante dos que não se dão por vencidos, dos que não se entregam perante as adversidades. Quando perguntei a um deles o porquê, se vai ser tão difícil, ouvi a resposta: “Porque se fosse fácil, qualquer um faria”.

Portanto, ser vitorioso, vencer desafios, superar obstáculos, não é para qualquer um. Cada um tem a capacidade de sonhar e transformar sonhos em realidade. Mas há uma escolha a ser feita entre o lugar comum e a “floresta de chocolate”. Eu prefiro me deixar guiar pelo aroma que me inebria e inspira desde sempre, e ele é de chocolate. Sigo em busca de realizar os meus sonhos, que onde eu for, irão comigo.

Alcides Kruschewsky é secretário de Turismo de Ilhéus.

O BRASIL E A COP 25

Gerson Marques | gersonlgmarques@gmail.com

A desistência do Brasil em realizar a 25ª Conferência Internacional do Clima, a COP 25, demonstra bem o alinhamento ideológico de Jair Bolsonaro a Donald Trump e provoca uma mudança radical no papel internacional do Brasil, sempre marcado por uma política de independência ideológica na geopolítica global.

Os defensores do novo governo dizem que a questão é o custo elevado do evento, orçado em quinhentos milhões de reais. Segundo o Itamaraty, cem milhões de dólares. Os recursos, porém já estavam garantidos no orçamento de 2019, alocados no próprio Fundo do Clima, uma reserva do Brasil para este tema.

A negativa, na verdade, nada tem a ver com dinheiro. Trata-se de uma posição política, altamente influenciada pelo alinhamento ideológico com a extrema-direita americana, para quem a questão climática é ativismo esquerdista e não
representa de fato uma ameaça, apesar de todas as evidencias e estudos, como o produzido recentemente por treze departamentos e agências federais americanas, inclusive a Nasa, onde prevê que os EUA vão perder até 10% do PIB com as mudanças climáticas. Na mesma linha, o futuro chanceler brasileiro indicado por Bolsonaro, Ernesto Henrique Fraga Araújo, publicou recentemente um artigo em que afirma que a questão climática é uma agenda marxista, numa preocupante demonstração de profundo desconhecimento sobre o tema.

A linha de trabalho da COP visa comprometer os governos a enfrentar o desafio de manter o aquecimento global dentro dos 1,5 graus, a meta estabelecida para este século. Estudos coordenados pela ONU, no entanto preveem que este aquecimento pode chegar a até 5 graus, caso não sejam implantada as resoluções dos acordos de Kyoto e de Paris.

Um aquecimento deste tamanho faria da terra um mundo impossível. Áreas costeiras seriam redesenhada e milhões de pessoas perderiam suas moradias e grandes cidades litorâneas seriam ocupadas pelo mar. O impacto na agricultura levaria à inviabilidade de muitas atividades e a perdas de até 80% da capacidade agrícola do planeta. A fome dizimaria bilhões de pessoas e animais.

O Brasil é o sétimo maior produtor de CO2 do planeta. A maior parte destes gazes vem da destruição das nossas florestas, que cresceu 8,5% em 2017 e 16% em 2018. Batemos em dois anos todos os recordes de destruição da
Amazônia. Pelo previsto e dito até aqui, esta será uma tendência que vai se acelerar nos próximos anos, visto que a política de Bolsonaro para a Amazônia é de apoio ao avanço do agronegócio, relaxamento das políticas de combate
ao desmatamento e facilidades na liberação de licenças ambientais. Um desastre.

O debate sobre as mudanças climáticas globais não podem ser encaradas pela ótica ideológica. Trata-se de desafios e oportunidades. Esta questão tem consequências sobre a humanidade, mas também oferece oportunidades, até porque somos um dos países com maiores chances de oferecer soluções, inovações e experiências, a exemplo da geração de energia a partir de biomassas ou do rápido crescimento das fontes limpas na matriz energética.

No acordo de Paris, assinado na COP 21, as nações desenvolvidas se obrigaram a investir cem bilhões de dólares por ano em políticas de compensação e mitigação. O Brasil é um dos maiores beneficiados com esta cláusula. Por este acordo, podemos captar bilhões de dólares para preservação de nossas florestas e ampliar as políticas de mudança energética em nossa matriz, abandonando a construção de hidroelétricas, por exemplo.

É por isso que, se fôssemos considerar o valor a ser gasto pelo Brasil, como argumentado pelos apoiadores do futuro governo, cem milhões de dólares não é nada. Falta a esta turma a noção real do papel e do tamanho do Brasil no
mundo. Falta, também, entender o que significa receber uma conferência deste porte. Na edição de 2018, na Polônia, dezesseis mil estrangeiros foram ao evento, com impacto significativo no turismo, mas o maior ganho está na
exposição do país na mídia internacional. Milhões de dólares em mídia espontânea positiva, a relação ganho e benefício para o Brasil seria infinitamente maior, sem falar em nossa capacidade de influenciar a agenda e
manter o papel de protagonista.

A negativa da COP 25 no Brasil expõe o primarismo enviesado e ideológico do novo governo na questão do clima e abre mão do papel que o Brasil sempre teve de protagonista e liderança mundial nesta área. Sairemos da condição de
liderança respeitada para nos submeter a um alinhamento subserviente ao atual governo americano, isso sem nenhum debate interno, jogando fora um capital político internacional acumulado por anos.

Os custos ambientais, sociais e econômicos desta guinada serão sentidos pelas atuais e próximas gerações. Infelizmente, é só uma parte dos grandes problemas que enfrentaremos por eleger um governo sem debates, sem conhecer suas propostas, sem construção de compromissos, motivados por ódio e fake news.

Gerson Marques é consultor e administrador de empresas

AS NULIDADES CONTINUAM PROSPERANDO, INFELIZMENTE

Walmir Rosário

 

A notícia, como era de se esperar, causou indignação no meio rural, notadamente em Buerarema, município que vem sofrendo com as atrocidades praticadas por esse bandido travestido de indígena.

 

Conforme prevista pelo sábio jurista baiano Ruy Barbosa, no seu discurso no Senado Federal, ao reclamar das mazelas e injustiça cometidas pelo governo aos brasileiros, as nulidades continuam prosperando, no Brasil e, particularmente, na Bahia. Nesta nossa Bahia, como já dizia o ex-governador Otávio Mangabeira, “pense num absurdo, na Bahia tem precedente”.

E tem aos montes. Hoje, 30 de novembro de 2018, um desses absurdos está marcando para acontecer, justamente na Assembleia Legislativa da Bahia, que comete a leviandade de conceder uma honraria ao nefasto e falso índio conhecido como cacique Babau. E será exatamente a Comenda 2 de Julho, honraria maior da Bahia, que os deputados estaduais concederão ao promotor de badernas invasões, roubos e assassinatos de pequenos produtores da Bahia.

E, como era de se esperar, a comenda foi proposta por um deputado petista (sempre eles), o Marcelino Galo, que apoia todas as excrescências praticadas contra quem trabalha no campo para produzir alimentos e riquezas. A notícia, como era de se esperar, causou indignação no meio rural, notadamente em Buerarema, município que vem sofrendo com as atrocidades praticadas por esse bandido travestido de indígena.

E Buerarema foi uma das pouquíssimas cidades baianas a derrotar o petismo nas urnas, na eleição de 2018, numa demonstração clara e límpida de que não admite e nem esquece do sofrimento resultante da monstruosidade cometida por Babau e seus asseclas contra uma população honrada e trabalhadora. E absurdo maior é que contou com o apoio do governo petista da Bahia, do Brasil e até com representantes do Ministério Público Federal.

Como não poderia deixar de ser, a entrega dessa comenda – a 2 de Julho – é mais um escárnio na cara do povo baiano, instituída para homenagear pessoas que contribuíram para o desenvolvimento de nosso estado e do seu povo. A Comenda é destinada a pessoas de reputação ilibada e que possuam uma ficha limpa, responsáveis por atos de altruísmo e que vivam com dignidade.

Babau e o deputado Marcelino Gallo

Inversamente, como sempre faz e é da prática do Partido dos Trabalhadores (PT), foi destinada à pessoa mais imprópria para receber tamanha homenagem, haja vista o seu histórico nas instituições policiais e judiciais. Na verdade, o ato nefando perpetrado pelos deputados estaduais baianos é uma apologia ao crime, numa clara demonstração que no Brasil – notadamente na Bahia – o crime compensa.

O sentimento de sofrimento e a apreensão por que passa a população dos municípios de Ilhéus, Una, Buerarema e São José da Vitória não tem chegado aos conterrâneos vizinhos, que assistem, de camarote, a maior ação de banditismo já praticada no Sul da Bahia. Essas invasões e agressões praticadas por pseudos índios aos produtores rurais fariam corar os coronéis do cacau e seus jagunços, transformando-os em anjos de candura e bondade.

A crescente desmoralização do Estado nos traz a necessidade iminente de uma reflexão sobre tão importante tema na vida da sociedade moderna. Gerido por pessoas, o Estado, como uma instituição, deve estar acima do interesse de grupos ou partidos políticos, sob pena de ingressamos no poço sem fundo da anarquia. Mas, infelizmente, esse cuidado não tem sido objeto de preocupação do governo atual, ao contrário, é instado a servir como ferramenta para a consecução dos seus interesses.

Como disse na abertura desse escrito, a conhecida oratória de Ruy Barbosa no Senado Federal, como parte do requerimento de informações sobre o caso do navio Satélite: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto… Essa foi a obra da república nos últimos anos. No outro regime [Monarquia] o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para sempre. As carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos temiam a que, acesa no alto, guardava a redondeza como um farol que não se apaga… Em proveito da honra… da justiça… E da moralidade gerais.”

Nem passava pela cabeça do bravo povo de Buerarema, Una, Ilhéus e São José da Vitória perder tudo o que fizeram ao longo dos anos para bandidos travestidos de índios, com o beneplácito governamental, que ainda concede honrarias indevidas a quem nunca mereceu. Num país civilizado e cumpridor das leis, a homenagem correta ao Babau seria a cadeia. Mas essa é a vida! A guerra civil está perto de nós que nem notamos. Ou fazemos questão de não notar.

Walmir Rosário é advogado, radialista e jornalista, além de editor do Cia da Notícia.

1968: O ANO QUE INSISTE EM NÃO TERMINAR

Cláudio Rodrigues

 

 

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva

 

 

1968 foi um ano conturbado, marcado por fatos que viraram de ponta cabeça o Brasil e o mundo. O jornalista e escritor Zuenir Ventura é um estudioso do referido ano. Em seu livro 1968: O Ano que não Terminou (Nova Fronteira – 1989), Zuenir cita importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte do período.

Figuras emblemáticas como a atriz italiana e esquerdista Claudia Cardinale, o militante do MR-8 César Benjamin, “Cesinha”, que participou da luta armada, e Carlos Lamarca, “O Capitão da Guerrilha”, que militava na VPR e do MR-8 são personagens da obra de Zuenir. O livro faz referência a artistas que tiveram papel de suma importância nos anos que se passaram, a exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Geraldo Vandré, que agitavam os festivais com suas músicas. Já o teatro era a representação do momento peças como Roda Viva. Atraíam uma geração com muita fome e sede de cultura.

Na política, o Brasil vivia uma grande tensão, passados quatro anos do Golpe Militar. A censura, punições, cassações, tortura, exílio e repressão eram a marca do governo dos generais. Diante do Regime, os estudantes inspirados no movimento Maio de 68, que acontecia em Paris, sentiram a necessidade de criar um movimento estudantil articulado politicamente e crítico em relação à Ditadura Militar.

Ao movimento estudantil os militares responderam com mais e mais repressão, e em 13 de dezembro de 1968, no governo do general Artur da Costa e Silva, o seu ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, foi o redator e locutor do Ato Institucional nº 5. O AI-5 foi o golpe dentro do golpe: fechava o Congresso Nacional, autorizava o presidente da República a cassar mandatos e a suspender direitos políticos, o habeas corpus deixava de existir, a censura estava oficializada e outras medidas repressivas foram adotadas.

Gama e Silva foi jurista, juiz do Tribunal de Contas, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e reitor da mesma USP. Enquanto reitor da USP, elaborou a lista com nomes de professores universitários, colegas seus, que viriam a ser processados no Inquérito Policial Militar da USP, entre os quais Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Pelo papel de dedo-duro de Gama e Silva foi agraciado com o cargo de Ministro da Justiça.

Outubro de 2018! O deputado e capitão reformado do Exercito Brasileiro Jair Messias Bolsonaro é eleito presidente do Brasil, na oitava eleição direta pós-Ditadura Militar. O presidente eleito escolhe para chefiar a futura super pasta da Justiça o juiz de direito Sérgio Fernando Moro. Moro tornou-se uma espécie de “herói nacional” depois de ser o juiz da Operação Lava-Jato, que desvendou um esquema de corrupção que envolvia políticos e seus partidos, empreiteiros e grandes empresários.

Juiz de primeira instância, Sérgio Moro usou e abusou da prisão preventiva, sem previsão, para obter delações premiadas. As delações tinham aceitação e valia rápida quando envolvia pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Dessa forma o “juiz herói”, mandou para a cadeia figuras de proa do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista era líder nas pesquisas de intenções de voto e maior nome da esquerda na América Latina, em uma ação muito questionada por juristas do Brasil e do exterior, inclusive o Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Mesmo preso e impedido pela justiça brasileira de disputar o pleito de outubro último, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores lançaram seu candidato e a apenas a seis dias da disputa do primeiro turno das eleições o “juiz herói”, liberou parte da delação do ex-ministro dos governos petistas Antônio Palocci, delação rejeitada pelo Ministério Público Federal e aceita pela Policia Federal e o juiz Sérgio Moro. A divulgação da delação de Palocci fez a festa dos opositores do PT e por pouco o capitão reformado não levou a disputa já no primeiro turno.

Passado a eleição, o “juiz herói” é agraciado com o convite para assumir o Superministério da Justiça. Mais: o capitão reformado e presidente eleito diz, em entrevista à imprensa, que o trabalho do “juiz herói” o ajudou a crescer politicamente. Já o vice-presidente eleito, o general Hamilton Mourão, que não tem papas na língua, soltou que o convite ao juiz foi feito ainda durante a campanha, o que deixa uma imensa suspeita no ar em relação ao papel do “juiz herói” no processo eleitoral.

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva, uma vez que existem algumas semelhanças nos “méritos” que os levaram a chefiar a pasta. Zuenir Ventura acertou: 1968 é o ano que insiste em não terminar.

Cláudio Rodrigues é consultor e colaborador de Pimenta.

DESAFIOS DE UMA DEMOCRACIA

Rosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

O Brasil e o mundo não aceitam a obscuridade como regra no exercício da governança, nem decisões que firam o estado democrático de direito e os tratados internacionais. A democracia exige a aceitação do contraditório e a tolerância às diferenças.

 

É perfeitamente compreensível a decisão democrática do voto. Sabemos que essa decisão ocorre, na maioria das vezes, por avaliações subjetivas do que por variáveis mensuráveis, embora o que os eleitores declamem seja que as escolhas estejam em sintonia com as propostas dos candidatos aos problemas que atingem a nossa vida individual e em comunidade. Fosse essa a verdadeira medida para a escolha, dificilmente teríamos na liderança das disputas e no pós-eleição tanta gente frustrando as expectativas dos eleitores Brasil afora.

No cenário atual, essa frustração leva a posicionamentos radicais. E parte significativa das pessoas parece, ultimamente, ter liberado os seus monstros interiores, o lado obscuro da personalidade – um espírito primitivo com um misto de irracionalidade, pondo em risco a nossa própria liberdade, face às tensões criadas por esses posicionamentos no ambiente social que nos cerca.

A discussão em curso exige um olhar mais aprofundado, uma superação do viés partidário quase sempre raso e fruto do maniqueísmo existente: o bem versus o mal. É preciso percebermos que o resultado das urnas por si só não garantirá ao eleito superar as divisões atualmente existentes.

Essa superação só se dará se o eleito conseguir se posicionar como líder representante de todos, condição necessária para que assuma o poder e seja revestido da autoridade que o cargo exige, adotando as prerrogativas necessárias e estabelecendo o conjunto de ações para a gestão do país num ambiente de normalidade, de paz social e com o devido respeito à independência e harmonia entre os poderes.

O Brasil e o mundo não aceitam a obscuridade como regra no exercício da governança, nem decisões que firam o estado democrático de direito e os tratados internacionais. A democracia exige a aceitação do contraditório e a tolerância às diferenças.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

BENDITO “KIT GAY”!

Ederivaldo Benedito | ederivaldo.benedito@gmail.com

 

O ambiente está claro e isso é salutar. Mostra que o Brasil – construindo verdades baseado em mensagens postadas nos aplicativos, informações manipuladas e distorcidas, em mentiras, falsas notícias, boatos – está fora do armário mostrando outra face. Tirou a máscara e não é apenas um inimigo oculto, à espreita, atrás da tela do celular.

 

A onda moralista pós-vitoriana que vem abalando o país em torno do chamado ‘kit gay’ bem que poderia alcançar todos os espaços da sociedade brasileira. Não se discute, aqui, ou questiona-se ou não a origem do ‘kit gay’ e a sua utilidade nas escolas infantis, mas os rumores que, nos últimos meses, o transformaram em debate nacional. Não se observa que a questão é a preocupação com o presente e o futuro das nossas crianças, mas que é a hipocrisia e o conservadorismo que estão se rebelando. Estão saindo do armário e se manifestando contra essa inusitada prática educacional.

Mas seria a discussão em torno do ‘kit gay’ uma excelente oportunidade para a nobre família de tradição judaico-cristã, defensora da moral e dos bons costumes, ampliar o debate além da questão de gênero e sexualidade que afeta os nossos pequenos tão ameaçados por influência de ideologias malsãs? Um momento apropriado para a discussão de temas tão ou mais graves como esse, a exemplo da violência no ambiente escolar, dos baixos salários recebidos pelos professores, da qualificação dos nossos docentes, da ausência cotidiana dos pais e responsáveis, e além, é obvio, da ocupação dos estabelecimentos de ensino por parte dos traficantes?

Seria pertinente uma discussão em torno desses temas, considerando que afeta o futuro do país, sendo nossas crianças, os futuros cidadãos, independente da orientação sexual delas? Afinal, sendo macho ou fêmea, os anjos não perdem sua essência angelical.

Ocorre que o problema é muito sério e a questão mais profunda do que se imagina, porque o ser humano é preconceituoso e, historicamente, o brasileiro sempre foi contra gay, preto, pobre, candomblezeiro, maconheiro, sindicalista, comunista, mulher, capenga, cego, favelado, prostituta, analfabeto, banguela, nordestino, anão, gordo, careca, cigano, mas estava no armário. E dentro desse armário tinha mais preconceito do que próprios gays, com ou sem kits. Mas esse preconceituoso, por variados motivos, não tinha coragem de dizer que é preconceituoso. Ocorre que, de repente, não mais que de repente, alguém despertou e empoderou esse discurso, fortalecendo o preconceito.

Ora, se o preconceituoso, com seu preconceito guardado a sete chaves, passa a ver e ouvir figuras públicas – aparentemente poderosas, acima da lei – falando que se pode fazer o que sempre quis fazer, ele entra nessa frequência vibratória. Vai até o armário e pega seu revólver, porrete ou soqueira, carregado de intolerância, ódio, rancor e sai por aí destilando tudo que estava guardado em todos que encontrar pela frente e que, teoricamente, seja diferente dele. Para a tristeza de Jesus Cristo e alegria de Adolf Hitler.

Ao fazer esses estragos, não sabe esse preconceituoso que, num país miscigenado como o Brasil, poderá ser ele também alvo dessa sua ação violenta, preconceituosa, perpetrada sob o pretexto de proteger a criança do desvirtuamento dos valores da família tradicional brasileira. Isto porque esse preconceituoso – apesar de ser parente, colega de trabalho, vizinho de um gay ou deficiente físico; de alguém com Síndrome de Down, autismo, dificuldades motoras ou anencefálicas – não gostaria de ter um filho com essas condições. Essa possibilidade lhe causa repulsa, grande mal-estar, assim como os portadores de HIV, os mendigos, os alcóolatras, os leprosos, as crianças dos orfanatos e os velhinhos dos abrigos. O preconceituoso sonha, imagina em viver numa suposta sociedade perfeita, produtiva, bonita, composta apenas por pai, mãe e filhinhos. Se eles são hipócritas, se agridem, se traem, se destroem, se matam, aí são outros quinhentos…

O fato é que a polêmica em torno do ‘kit gay’ não é totalmente inócua, muito pelo contrário. É rica, engrandece, enriquece o debate. Está nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho, nas Redes Sociais e as pessoas estão se manifestando. O ambiente está claro e isso é salutar. Mostra que o Brasil – construindo verdades baseado em mensagens postadas nos aplicativos, informações manipuladas e distorcidas, em mentiras, falsas notícias, boatos – está fora do armário mostrando outra face. Tirou a máscara e não é apenas um inimigo oculto, à espreita, atrás da tela do celular.

Mas o ideal seria que essa discussão – madura e coerente – fosse ampliada para outros temas, uma contribuição para a construção da nova Escola brasileira, o desenvolvimento de ações com base na Doutrina da Proteção Integral preconizada pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O fortalecimento dos laços familiares, a luta contra a paternidade irresponsável e o acolhimento às abandonadas; o combate à pedofilia no ambiente familiar e a blindagem das nossas crianças às drogas. E mais: num país laico, heterogêneo, miscigenado, plural como o nosso – dá às nossas crianças uma formação humanista, respeitosa, cidadã para que no futuro elas possam colher bons frutos, olhar para trás e considerar que foi uma polêmica proveitosa e o ‘kit gay’, realmente, uma proposta abençoada.

Ederivaldo Benedito é jornalista, bacharel em Direito, licenciado em História e mestrando em Educação.

COMPROMISSO COM A MPE

Jorge Khoury

 

Implementar a Lei Geral da MPE é considerado pelo Sebrae como o passo inicial para se obter um ambiente favorável aos pequenos negócios. Contudo, o instrumento alcança apenas 40% dos 417 municípios baianos.

Hoje é dia de celebrarmos a força da micro e pequena empresa (MPE). Mas também é dia de reafirmarmos o nosso compromisso com esses empreendimentos que representam 93% do tecido empresarial baiano. São mais de 686 mil micro e pequenos negócios distribuídos pelo estado, sendo 408.113 formalizados como microempreendedores individuais.

Segundo dados do Caged, de janeiro a agosto de 2018, foram criados mais de 22 mil postos de trabalho pelos pequenos negócios na Bahia, que respondem por 25,4% do PIB do estado. As MPEs também revelam seu dinamismo, estando presentes em todos os setores econômicos, na vida rural e urbana.

Por isso, neste Dia da MPE, às vésperas das eleições, convocamos os próximos gestores públicos, no executivo e no legislativo, para também assumirem o compromisso de fomentar um ambiente favorável ao empreendedorismo no estado.  Abraçar esta causa é trabalhar para a geração de emprego e renda, desenvolvendo a economia dos municípios dinamizada pelos pequenos negócios.

Implementar a Lei Geral da MPE é considerado pelo Sebrae como o passo inicial para se obter um ambiente favorável aos pequenos negócios. Contudo, o instrumento alcança apenas 40% dos 417 municípios baianos.  Vale ressaltar que a Bahia ainda não possui a sua própria Lei Geral, importante para a integração de processos de licenciamento, para melhorias tributárias, acesso a compras públicas, educação e inovação.

A Lei Geral é fruto do Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa, criado em 5 de outubro de 1999. Por isso, neste 5 de outubro é celebrado o Dia da MPE, o que torna a data ainda mais oportuna para reiterarmos nossa missão para com os pequenos negócios.

É por sua força e por serem fonte de renda e serviços para milhões de famílias e trabalhadores, que o desenvolvimento e a sustentabilidade dos pequenos negócios são fundamentais para a justiça social. Em nome dos empreendedores baianos, reafirmamos aos futuros governantes que as MPE são fundamentais para uma Bahia mais próspera e desenvolvida.

Jorge Khoury é superintendente do Sebrae na Bahia.

A CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO E A REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA

Cláudio Rodrigues

 

Por prepotência, a emissora dos Marinhos mandou às favas a saúde das “crianças esperança” de todo o Brasil.

O portal de notícias UOL, do Grupo Folha, no dia de hoje (14/9), traz matéria sobre o boicote da Rede Globo, líder de audiência em TV aberta no País, à Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo e a Paralisia Infantil.  A alegação da “Deusa Platinada” para não veicular a campanha foi a presença de personagens de mídias concorrentes, no caso a Galinha Pintadinha e a apresentadora Xuxa Meneghel.

Os VTs a serem veiculados tinham Zé Gotinha ao lado da Galinha Pintadinha, de um personagem do game “Just Dance” e de Xuxa, madrinha da campanha, em dois momentos: nos anos de 1980, quando era uma das estrelas da programação global e agora depois de ser contratada pela Record. André Timóteo, executivo de Negócios da emissora, alegou que não seria possível apresentar os comerciais por uma série de restrições.

Em relação à Galinha, “além do Canal Youtube, é um desenho animado disponível em plataformas de streaming. Sendo assim, não pode ter veiculação na Globo”. Sobre a Xuxa, o executivo afirmou: “a TV infelizmente recusa mensagens publicitárias com personagens de programas da Globo ou que tenham a finalidade de evocar determinado personagem ou programa da Globo ou emissoras concorrentes”.

Como é do conhecimento geral, a Campanha de Vacinação alcançou números muito abaixo do esperado. A meta de imunizar 95% do público alvo, chegou a menos de 75%, o que obrigou o Ministério da Saúde a prorrogar a campanha até a data de hoje. Por prepotência, a emissora dos Marinhos mandou às favas a saúde das “crianças esperança” de todo o Brasil.

Nenhuma emissora de rádio ou TV brasileira é dona do canal em que sua programação é exibida. Todos os canais de sinal aberto pertencem ao Estado e são concedidos temporariamente às emissoras, via processo de licitação. Sendo assim, a Globo não poderia rejeitar a veiculação dos comerciais da Campanha Nacional de Vacinação por um pretexto tão fútil.

Os candidatos ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional deveriam aproveitar o momento da campanha eleitoral para discutir a Regulamentação da Mídia. O debate sobre a regulamentação dos meios de comunicação se faz necessário. Não se trata de controlar os veículos e impedir criticas ao mandatário de plantão.

A radiodifusão é um serviço público e tem que ser prestado com base no interesse público e não no interesse quase que exclusivo de certos grupos da sociedade. A mídia eletrônica representa um setor econômico dos mais importantes do país, por isso, precisa de regras para o seu funcionamento, para coibir a formação de oligopólios ou de monopólio.

Vale lembrar que alguns artigos da Constituição de 1988 que tratam do setor não foram regulamentados até hoje pelo Congresso. Essa discussão tem que entrar na pauta do próximo governo, para evitar que o alter ego dos chefões da mídia prevaleça sobre o interesse público.

Cláudio Rodrigues é consultor de empresas e de comunicação.

TARZAN VENCE GALINHO E ACABA UMA CARREIRA NEM TÃO PROMISSORA

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Com o numerário ganho nas lutas (principalmente essa) em Eunápolis, Tarzan voltou a ser o Dal Broa, abandonando as lutas e se tornando comerciante do ramo de bebidas e comidas de sustança em Itabuna, no conceituado Mocotó do Tarzan.

De início, um aviso aos navegantes: Dessa história, eu somente conhecia uma pequena parte, que assisti e presenciei com atenção. O restante me foi passado pelo memorialista Raimundo Antônio Tedesco, que conhece, de cor e salteado, fatos pretéritos e atuais passados e acontecidos tanto em Buerarema (desde que ainda atendia pelo nome Macuco) como em Canavieiras, já devidamente corrigidos e melhorados.

Estando eu em Eunápolis lá pelo começo década de 1970, num dia desses de folga, fui convidado por um amigo a assistir a uma contenda que prometia ser a do século, pelo alto grau e patente dos lutadores. De um lado, Tarzan, o sanguinário dos ringues, um itabunense que também atendia como Dal Broa, consagrado goleiro do Botafogo do bairro Conceição, que abandonou o gol e assumiu a luta livre.

Do outro lado do córner, um atleta, se é que poderia assim ser chamado, baixinho, magro, porém esbelto e com músculos aparente, apresentado como uma das revelações para a renovação do boxe sulbaiano. Embora amador, e sem um histórico de lutas (cartel) que metesse medo nos adversários, diziam que fora formado nas academias de boxe de Canavieiras, e que prometia galgar a carreira rivalizando com o galinho Éder Jofre.

À época, Eunápolis não se parecia nada com a metrópole de hoje, embora já fosse um próspero centro comercial e de serviços, sem contar com o grande número de indústrias madeireiras. Corria muito dinheiro, mas era pobre na área de diversões, o que fazia com que uma contenda de luta livre se tornasse, realmente, o evento do século para diante do escasso calendário de diversões.

Era só o que se falava em toda a cidade, com discussões e apostas, sempre com uma margem favorável a Tarzan, o sanguinário dos ringues, que reinava sozinho no próspero povoado, o maior do mundo, como se orgulhavam. Tarzan, todos conheciam, e seus feitos já ultrapassavam “as fronteiras”, principalmente após derrotar, nos primeiros rounds, dois lutadores de Itamaraju, vencedores nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais.

Do outro lado, os que torciam contra Tarzan queriam vê-lo derrotado, justamente por um atleta iniciante, boxista, peso-leve, como o ídolo Éder Jofre, que poderia se mover de forma incessante no ringue, até cansar o adversário. Nas constantes discussões, o lutador canavieirense era ressaltado pela sua jovialidade, e que desbancaria um lutador gordo, fora de forma e ultrapassado. Seria questão de minutos, diziam.

Parecia até coisa do destino, quando na sexta-feira chegou a Eunápolis um funcionário do Banco do Brasil, que ao tomar conhecimento da luta, exaltou os feitos do lutador canavieirense, aumentando o interesse e o ranking de aposta. E a luta passou a ser destacada como a “guerra” entre Davi e Golias, na qual o pequeno venceria o gigante, exatamente como estava escrito na Bíblia.

E esse zeloso funcionário do Banco do Brasil contou passagens da vida pregressa do galinho canavieirense, mostrando sua evolução física, desde que deixou o distante povoado do Pela Jegue, onde morava até chegar ao Três Xis, na cidade de Canavieiras. Já àquela época, disse que ele não levava desaforo para casa, e era um “Ás” nas brigas e lutas, perdendo apenas uma, por nocaute, para o Crente da Pipoca, mas que não seria uma mancha em seu currículo, o que aumentou seu cacife na banca de apostas.

À noite de sábado, num movimentado bar, próximo às casas de diversões noturnas, chegaram a levantar suspeitas da luta, que seria uma armação, com a finalidade de ganhar dinheiro. O que perdesse pediria revanche, e uma nova luta seria realizada no próximo domingo, com a renda dividida entre eles, inflamando ainda mais o debate, e por pouco não chegariam às vias de fato, não fosse a turma do deixa disso.

Domingo à tarde, ambiente lotado, como nunca foi visto, cerveja, whisky e outras bebidas rolando pelo salão, eis que chegam os lutadores, cada um com sua torcida, levando a plateia ao delírio. Roupa trocada, sobem ao ringue, o árbitro passa o regulamento e eles partem para o primeiro round, com fortes investidas do galinho boxeador para cima de Tarzan, o sanguinário dos ringues.

Soa o gongo, cada um para o seu córner, tomam água, molham a cabeça e voltam ao centro do tablado. De novo, o galinho canavieirense investe em Tarzan, que experiente, começa a se esquivar e rodar pelo ringue. Volta e meia, quando vê a guarda aberta, aplica uns diretos no fígado. No terceiro round, o galinho boxeador já não volta com tanto ímpeto recebe mais uma meia dúzia de ganchos no fígado e perde a mobilidade.

Experiente, o Tarzan abre a guarda, oferecendo a cara para o galinho boxeador, que cai no lero do esperto lutador, que inicia uma série de golpes até derrubar o adversário, que cai e não consegue mais levantar. A plateia foi ao delírio e chamaram um médico para atender o atleta, que sequer conseguia respirar. Medicado, foi aconselhado a ir ao hospital tomar duas injeções e se recolher ao descanso do lar por semanas. E assim foi feito. :: LEIA MAIS »

SOBRE O FECHAMENTO DO CEMEPI

Raimundo Santana | jrsantana13@gmail.com

 

O Sintesi requereu ao Ministério Público Estadual que promova uma mediação com o Município de Itabuna e a direção do CEMEPI, com vistas a tentar encontrar uma saída negociada em que os mais afetados não sejam os usuários do SUS, sobretudo os mais carentes.

 

Há uma guerra de versões sobre o fechamento do CEMEPI. A direção da unidade hospitalar alega que os recursos pagos pelo Município de Itabuna são insuficientes para manter a instituição, que funciona com 100% SUS com portas abertas, com pronto-socorro funcionando 24 horas. Afirma que só está em funcionamento, ainda, por causa do repasse mensal de um subsídio de R$ 100.000,00 que as duas gestões municipais anteriores faziam – e levantou o repasse ideal para abrir uma negociação, que já se arrasta, faz bom tempo, sem encaminhamento concreto.

Por sua vez, o secretário de Saúde, Isaac Nery, alega que já paga além do faturado pelo hospital e a direção da unidade hospitalar foi inflexível e precipitada no processo, não deixando margem para negociação que viabilize a manutenção do funcionamento do hospital. O secretário prometeu buscar uma alternativa com outro prestador que propicie a manutenção dos leitos que eram utilizados pelo CEMEPI. O hospital fazia cerca de 470 consultas/mês e cerca de 100 internamentos/mês.

Na verdade, o que está em jogo é a manutenção ou não de uma importante parcela do atendimento pediátrico em Itabuna e região com o fechamento de uma unidade hospitalar com 50 anos de serviços prestados, que emprega diretamente 46 funcionários.

Quando se fala em buscar alternativa de internamento para absorver essa demanda, não é tão simples assim. A Maternidade Ester Gomes encontra-se à beira da falência, com cerca de 7 meses de salários atrasados deixados pela gestão anterior e cerca de 3 meses de salários atrasados da atual gestão, problema com pagamento de folha médica, etc.

Já o hospital Manoel Novaes tem um papel importante no atendimento de pediatria, atendendo SUS e convênios de Itabuna e região, com uma considerável sobrecarga. A UPA chegou a ser um alento no atendimento de pediatria em nossa cidade, contudo o Município renegociou o contrato com o instituto que administra a unidade alterando de R$ 900 mil para R$ 500 mil o contrato e reduzindo os serviços. Porém, já no pagamento da primeira fatura, quitou-se apenas R$ 350 mil. Como ato final, os médicos pediram demissão coletiva.

O financiamento da SUS deveria ser tripartite (União, Estado e Município). Todavia, o gestor municipal não leva esse fato em consideração. Essa inobservância está transformando Itabuna e demais cidades da região em cemitérios de hospitais.

A partir dessa realidade, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna (Sintesi) requereu ao Ministério Público Estadual que promova uma mediação com o Município de Itabuna e a direção do CEMEPI, com vistas a tentar encontrar uma saída negociada em que os mais afetados não sejam os usuários do SUS, sobretudo os mais carentes.

Raimundo Santana é dirigente do Sintesi.

FG E SEUS CANDIDATOS

Marco Wense

 

É evidente que Wagner não criaria nenhum obstáculo para essa iniciativa de aproximá-lo do chefe do Executivo. Pragmático como é, não vai contrariar a máxima de que todo apoio é bem-vindo.

 

Só falta um nome para o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, sem partido depois que deixou o DEM, fechar sua chapa nas eleições de 2018.

Para o governo da Bahia, o alcaide vai votar na reeleição de Rui Costa (PT). Deputado federal e estadual, respectivamente Jonga Bacelar e Sérgio Gomes. Para o senado da República, em Ângelo Coronel.

O candidato de FG à presidência da República é Jair Bolsonaro, do PSL, que é também do vice-prefeito Fernando Vita e da maioria do secretariado do Centro Administrativo Firmino Alves.

O sólido antipetismo da campanha bolsonariana e a defesa do porte de armas são os pontos que são mais elogiados no staff fernandista.

Aliás, o próprio Fernando Gomes não cansa de dizer que seu único compromisso é com o governador Rui Costa, que quer distância do PT.

Seria uma inominável ingratidão se o prefeito tivesse outro comportamento com o governador, que o apoiou na última sucessão municipal, tanto no campo político como no jurídico.

Como são duas vagas para senador, fica faltando um voto do alcaide. A única certeza é que FG já descartou Jaques Wagner. As apostas giram em torno do Irmão Lázaro e Jutahy Júnior.

O único pedido que Fernando faz, de maneira mais incisiva, principalmente entre os que ocupam cargos de confiança, é em relação ao filho Sérgio Gomes, postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa.

A cobrança de FG está sendo ignorada por alguns secretários simpatizantes da candidatura de Rafael Moreira, hoje neopetista e muito próximo de Josias Gomes, ex-secretário estadual de Relações Institucionais.

Nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, a informação é de uma articulação para aproximar o prefeito do ex-governador Jaques Wagner.

É evidente que Wagner não criaria nenhum obstáculo para essa iniciativa de aproximá-lo do chefe do Executivo. Pragmático como é, não vai contrariar a máxima de que todo apoio é bem-vindo.

Não se sabe a opinião de FG sobre a tentativa de fazer as pazes com o responsável direto pela eleição de Rui Costa ao Palácio de Ondina.

Somente o governador Rui Costa pode ter sucesso nessa difícil missão, dizem os correligionários mais próximos do prefeito.

Marco Wense é articulista e editor d´O Busílis.






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