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:: ‘Destaque5’

NÃO É FÁCIL SER “NOVO”

Marco Wense

 

Nos bastidores da legenda, em conversas reservadas, o que se comenta é que haverá um novo comando do Novo em Itabuna, que Harrison não será mais o porta-voz da agremiação partidária.

 

O partido Novo de Itabuna não conseguiu empolgar uma considerável fatia do eleitorado ávido por um caminho diferente na política.

A legenda, sob a tutela nacional de João Amoêdo, ex-postulante à presidência da República, esperava muito mais da coordenação do partido em Itabuna. A meta de 150 filiados, condição para a formação do diretório municipal, não foi atingida.

Amoêdo deve ter ficado insatisfeito com a coordenação do partido em Itabuna, que tem na linha de frente Harrison Nobre, ex-filiado do PDT. A exigência não foi cumprida. “Conseguimos pouco mais de 120 filiados ativos, mas vamos continuar firmes tentando fazer o partido crescer no município”, disse Harrison, coordenador geral do núcleo de Itabuna.

Nos bastidores da legenda, em conversas reservadas, o que se comenta é que haverá um novo comando do Novo em Itabuna, que Harrison não será mais o porta-voz da agremiação partidária.

O partido não terá candidato a prefeito e nem a vereador, o que não deixa de ser um preocupante baque para a sigla. O apoio a um determinado prefeiturável não está descartado, desde que não seja nenhuma velha e empoeirada raposa que quer retornar ao centro administrativo Firmino Alves.

Muita gente séria, qualificada e honrada com respaldo para disputar a sucessão de 2020. Só tenho a lamentar o desfecho do Novo em Itabuna.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A CAMPANHA ELEITORAL QUE SE APROXIMA E O MODELO ULTRAPASSADO QUE SE DESENHA

Maurício Maron

 

Ainda há aqueles que têm vontade, mas não têm sequer partido. Outros que têm partido… mas não têm sequer a noção do que seja uma candidatura. Nem aparentam ter jeito para a coisa. Fora os que estão de um lado agora e estarão do outro durante a campanha, sem avaliar critérios ideológicos e optar por critérios de ocasião.

 

A divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para a eleição de 2020 acabou antecipando a movimentação política de Ilhéus a um ano do pleito. Pena que as movimentações continuem sendo tão amadoras quanto é o processo eleitoral na cidade.

Um publicitário acostumado a mercados eleitorais mais emergentes e, portanto, mais a cara do século 21, participou recentemente de uma campanha na cidade. E se assustou.

Em plena era tecnológica, foi difícil assimilar que o principal meio de divulgação de uma campanha por aqui, aquela que dá efetivamente a temperatura das candidaturas com maior potencial eleitoral, seja o uso de carros de som nas ruas tocando o jingle de campanha.

Não é exagero afirmar. Descontando o fenômeno mundial das redes sociais, que independem de investimento local mas que ainda contam com pouca atenção dos políticos tupiniquins (exceção do prefeito Mário Alexandre que enxerga na estrutura institucional de governo uma forma de usar bem a ferramenta em proveito pessoal), a formatação de uma campanha em Ilhéus, hoje, em pleno ano de 2019, século 21, repete a fórmula dos anos 70 do século passado: Horário Eleitoral nas emissoras de rádio (onde a grande maioria da população não se predispõe a escutar), panfletagem de casa em casa divulgando os seus feitos e apoio velado (obviamente) de alguns veículos de comunicação diante de suas preferências.

E o que isso, na prática, representa? A mesmice de sempre. Uma campanha sem atrativos, sempre igual, onde a capacidade propositiva dos candidatos perde para o critério “entre fulano e sicrano é melhor não arriscar – ou arriscar tudo de olho fechado”.

Sabedores disso, os pretensos candidatos usam a velha fórmula e jogam para um nível muito aquém da sua capacidade cidadã, a campanha eleitoral de um lugar eleitoralmente representativo.

Isso, infelizmente, já começou.

Veja.

O atual prefeito, que é médico, aproveita um mutirão de saúde da Prefeitura para atender e consultar pacientes e lhes dizer que “eu sou o doutor que cuida de você, viu?”, repetindo o seu slogan de campanha que lhe levou ao poder em 2016. Com direito a foto distribuída para a imprensa, naturalmente.

O pepista Carlos Machado, o Cacá Colchões, vê publicado nas redes sociais, o “sincero agradecimento” dos seus correligionários, pela ponte que a cidade está a ganhar.

Para dar um tom subliminar à sua candidatura, comemora o 11º cabo estaiado instalado na obra.

Bom lembrar: 11 será o número de Cacá, caso confirmado no pleito.

Um ex-deputado que durante três anos permaneceu calado a respeito dos caminhos da atual gestão, nomeando, inclusive, aliados seus em cargos estratégicos do mesmo governo, agora aparece para criticar os caminhos da Prefeitura, mantendo os cargos e reprovando o coletivo que avaliza.

Um outro político se autopromove em sua emissora de rádio de grande audiência, repetindo o feito do próprio pai, uma fórmula que, enquanto foi campanha, deu certo.

Do lado das mulheres, o discurso (acertado) de que o sexo feminino soma a uma candidatura. Mas… e aí? Será mesmo de uma hora para outra que se constrói isso? Durante todo este tempo elas estiveram onde? Participaram de qual discussão? Com qual conteúdo de defesa do coletivo?

Ainda há aqueles que têm vontade, mas não têm sequer partido. Outros que têm partido… mas não têm sequer a noção do que seja uma candidatura. Nem aparentam ter jeito para a coisa. Fora os que estão de um lado agora e estarão do outro durante a campanha, sem avaliar critérios ideológicos e optar por critérios de ocasião.

Vale aqui destacar: se não estão todos nominalmente lembrados aqui, citamos alguns exemplos mas que valem para todos.

Enfim…

Ou a campanha eleitoral em Ilhéus ganha um rumo inovador, diferente, ou iremos vivenciar mais um modelo de campanha do século passado, desta vez reforçada pela famigerada fake news (notícias falsas), que não qualifica o debate, mas que alimentará a desconstrução dos adversários.

Esta fórmula já deu certo (para poucos). Em especial àqueles que sempre que podem dizem antecipadamente estar totalmente fora do pleito.

Mas que, inteligentemente, nunca estiveram tão dentro dele.

Dá pra entender, né?

Maurício Maron é jornalista e editor do Jornal Bahia Online.

A UNIVERSIDADE NÃO É PARA TODOS?

Rosivaldo Pinheiro 

 

Esse novo momento na composição da Universidade no Brasil fez nascer uma série de críticas e ataques por parte de setores da elite econômica e de veículos de comunicação patrocinados e vinculados aos interesses da classe dominante e dos grandes grupos privados ligados à educação superior particular no país, agravando-se agora com a visão do governo atual e a proposta contida no projeto “Future-se”.

 

Compreender a Universidade como espaço de construção e afirmação de uma sociedade é necessário, principalmente quando assistimos ao conjunto de ataques direcionados e orquestrados com o propósito de enfraquecê-la. Ter percepção do momento atual e defender a autonomia da gestão das universidades e a sua contribuição como espaço de ensino, pesquisa e extensão – tripé principal – é tarefa urgente e imperativa para o fortalecimento desse instrumento importante à construção de uma nação.

No Brasil, a Universidade tem início com a chegada da família real portuguesa em 1808. Portanto, historicamente a universidade brasileira foi um instrumento apropriado pela elite, como um entre tantos espaços sob o seu domínio. Da sua implantação para a atualidade, muita coisa mudou, mas, ainda assim, continuou sendo um espaço onde a maioria da sua comunidade faz parte da parcela com melhor nível de renda.

Nos últimos anos, há quase duas décadas, vemos a introdução de um conjunto de políticas públicas que começaram de fato a possibilitar uma maior presença de setores mais populares socioeconomicamente falando nas universidades Brasil afora, a exemplo da nossa Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Esse novo momento na composição da Universidade no Brasil fez nascer uma série de críticas e ataques por parte de setores da elite econômica e de veículos de comunicação patrocinados e vinculados aos interesses da classe dominante e dos grandes grupos privados ligados à educação superior particular no país, agravando-se agora com a visão do governo atual e a proposta contida no projeto “Future-se”.

Reagir e resistir a esses ataques é tarefa básica para não permitirmos o retrocesso e dificultarmos ainda mais a mudança da lógica dominante ao longo desses dois séculos de existência da universidade pública nacional, garantindo a construção de um modelo de educação superior público, voltado para o interesse de todos e, portanto, consagrando a Universidade como um espaço plural, um espaço para todos os brasileiros.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

JOÃO GILBERTO, O MESTRE AVOADO

Marival Guedes || marivalguedes@yahoo.com.br

 

 

João Gilberto, principal nome da Bossa Nova, levou esta nova batida e jeito de cantar para o Brasil e vários outros países influenciando decisivamente uma geração de grandes nomes da MPB. Um mestre que deixou um imenso legado.

 

 

Escrevi este texto há cerca de dois meses para o programa Multicultura da rádio Educadora onde fui premiado ao responder uma questão sobre a Bossa Nova. Dentre os brindes, o livro Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova (Ruy Castro).

O livro contribuiu para eu entender melhor João Gilberto, incluindo seus atrasos e “desligamentos”. Desde criança é avoado: esquecia livros, cadernos, canetas e até as sandálias.

Um dia a mãe lhe deu um par de sapatos e o advertiu para ter cuidado. Na rua foi convidado a jogar bola e enterrou os sapatos com medo de perdê-los. No final do jogo não lembrou o local e voltou pra casa descalço.

Quando estava em Porto Alegre decidiu ir à Diamantina (MG) visitar a irmã Dadainha e o cunhado Péricles. Ao chegar, notou que não havia levado o endereço e saiu perguntando onde morava o casal. Ficou impossível. João desembarcou na cidade errada, em Lavras, a quatrocentos quilômetros do seu destino.

Episódio também interessante ocorreu quando já fazia sucesso: depois de um show em Belo Horizonte um músico cego foi visitá-lo no hotel e elogiou o som do violão. João lhe ofereceu o instrumento de presente. O músico recusou, mas João insistiu: “faço questão. Leve como lembrança”.

Detalhe: o violão não era dele e o dono, seu amigo Pacífico Mascarenhas, responsável pela contratação do show, assistia incrédulo àquela cena. Mas não interferiu.

Na juventude em Juazeiro, introspectivo dentro de casa, só queria tocar e cantar. O pai avaliou que Joãozinho estava “ficando tantã” e um primo-irmão o levou para uma consulta no Hospital das Clínicas, em Salvador, setor psiquiátrico.

Da janela do hospital João, contemplando a paisagem, falou:

“Olha o vento descabelando as árvores”.

Uma psicóloga comentou: “Mas árvores não têm cabelo, João”.

Ouviu a tréplica genial: “E há pessoas que não têm poesia”.

João Gilberto, principal nome da Bossa Nova, levou esta nova batida e jeito de cantar para o Brasil e vários outros países influenciando decisivamente uma geração de grandes nomes da MPB. Um mestre que deixou um imenso legado.

Marival Guedes é jornalista.

A OUSADIA DE SONHAR

Vinícius Alcântara

 

A ideia de alfabetizar alguém parecia fácil no começo. Bastava mostrar as letrinhas que o milagre aconteceria. Só me esqueci de considerar os problemas de visão, de dicção por falta dos dentes, do cansaço de um dia inteiro de trabalhos braçais, de fome (pasmem!) e dos vícios que impediam alguns de permanecer no desafio de conhecer um novo mundo de possibilidades.

 

A ousadia de sonhar com uma escola do campo instalada na delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Itabuna começou no final de 2017.

Antes disso, eu só “sabia” que nossos vizinhos haviam “invadido” a faixa de domínio para morar, há mais de 40 anos. Desconhecia a condição de extrema pobreza e as tragédias pessoais que os obrigaram a viver em condições tão desumanas, por tanto tempo.

Excluídos da dinâmica econômica e invisíveis às políticas públicas, levantar barracos à beira da rodovia era a única e desesperadora solução para aquelas famílias.

Ainda hoje, algumas dessas habitações não têm energia elétrica. Quase todas não têm água encanada. Acesso à saúde? Imagine… Escola? Pais analfabetos e crianças que andam quatro quilômetros, todos os dias, no sol do meio dia.

Quem aguenta?

Só quem tem a fome batendo na porta e não tem outra alternativa de alimentação, senão a merenda escolar. Sem falar nas desavenças mortais originadas de fatos incrivelmente fúteis dentro da comunidade.

Divididos, abandonados, esfomeados e desinformados. Que realidade absurda era aquela e quais suas consequências?! E o que dava para fazer?

A ideia de alfabetizar alguém parecia fácil no começo. Bastava mostrar as letrinhas que o milagre aconteceria. Só me esqueci de considerar os problemas de visão, de dicção por falta dos dentes, do cansaço de um dia inteiro de trabalhos braçais, de fome (pasmem!) e dos vícios que impediam alguns de permanecer no desafio de conhecer um novo mundo de possibilidades.

Assim, foram as 50 primeiras aulas e nossos 13 primeiros alunos. Mas poderíamos fazer mais por eles, muito mais.

Com a ajuda do chefe da delegacia, Marcus Vinícius Rodrigues, foi estabelecida uma parceria com a Prefeitura de Itabuna, através da Secretaria Municipal da Educação de Itabuna; e no dia 16 de maio de 2019 deu-se início às aulas da turma infantil e adulta na Escola Municipal do Campo João Café, na sede da delegacia.

Nossa estrutura completamente à disposição: auditório climatizado, cadeiras acolchoadas, acesso à internet, data show, armários, banheiro, cozinha e pátio. Por sua vez, a prefeitura disponibilizou a competentíssima professora Sílvia, o material didático e a alimentação para mais de 30 matriculados.

Estamos só começando e teremos mais vitórias. Levar dignidade a quem precisa também é uma forma de SALVAR VIDAS! PRF, BAHIA, BRASIL!

Vinícius Alcântara é inspetor da delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Itabuna (BA).

HÁBITOS E IMPACTOS SOBRE O MEIO AMBIENTE

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

 

 

Kofi Annan passou parte de sua vida repetindo que padrões insustentáveis de produção e consumo e mudanças climáticas são problemas centrais da humanidade. Deixar essa discussão para depois foi um dos maiores erros cometidos por todos.

 

O mundo vive uma constante busca por consumo, os países vivem escravos de um modelo de produção que tem no Produto Interno Bruto (PIB) a principal variável para avaliação do crescimento e, portanto do padrão de vida da população. Essa visão não considera a taxa de concentração de renda nem outras variáveis que evidenciam o nível de qualidade de vida da população de forma mais estratificada.

Vivemos sob a lógica do agronegócio – “agro é tudo!”. Mas nossa maior produção de alimentos advém da agricultura familiar. São necessárias políticas públicas que estimulem a vida no campo, permitindo fixação e qualidade de vida para esse importante contingente, responsável por abastecer diuturnamente as nossas mesas.

A morte de abelhas, por exemplo, é um claro demonstrativo de que precisamos mudar métodos, conteúdo e forma do modelo agroexportador na direção de um comportamento mais humanista, conforme defende o setor agroecológico. Somente em três meses desse ano no Brasil, foram encontradas mortas 500 milhões de abelhas – e isso em apenas quatro estados – Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul (Exame, 16/03/19).

A mudança se faz urgente para garantir sustentabilidade, inclusive a do próprio agronegócio. A morte desses insetos nos coloca em alerta, dada a importância deles para a produção e para o equilíbrio da vida humana, face o importantíssimo papel que cumprem para o equilíbrio ambiental.

Diante dessas percepções, vem avançando no mundo a opção pelo consumo de alimentos saudáveis e socialmente justos – o crescimento é de 20% ao ano. Nessa opção, busca-se a aplicação de práticas socioambientais com vistas à eliminação das compensações químicas e dos experimentos laboratoriais de resistência a pragas e aumento da escala de produção.

Kofi Annan passou parte de sua vida repetindo que padrões insustentáveis de produção e consumo e mudanças climáticas são problemas centrais da humanidade. Deixar essa discussão para depois foi um dos maiores erros cometidos por todos. Num ritmo de vida cada vez mais fugaz, faz-se necessário termos consciência de que a mudança que queremos no mundo começará quando incorporarmos dentro de cada um de nós um novo modelo de hábitos que melhore os impactos sobre o meio ambiente. E não será possível obtermos esse resultado sem mudarmos o nosso padrão de consumo e mentalidade.

Rosivaldo Pinheiro é ex-secretário de Agricultura, Indústria e Comércio de Itabuna, economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

AGRAVAMENTO DA CRISE NA SAÚDE DE ITABUNA

Raimundo Santana

 

 

Os serviços ofertados na UPA foram reduzidos – para diminuir custos – e o Hospital São Lucas e o Cemepi (pediátrico) fecharam, mas esses valores não foram alocados em novos serviços. Ainda assim, com a “sobra” a Secretaria de Saúde de Itabuna não consegue pagar com regularidade os prestadores em funcionamento, apesar de receber rigorosamente do Fundo Nacional de Saúde

 

 

A população de Itabuna, que tem sofrido sucessivas perdas de oferta de serviços de saúde nos últimos tempos, irá se deparar com mais um risco de desassistência. No dia 31 de julho de 2019, encerra-se o contrato de prestação de serviços de saúde entre o Hospital Manoel Novaes (Santa Casa de Misericórdia) e o poder público municipal.

A Santa Casa tem debatido nas suas instâncias internas. Inclusive, apresentou os números do balanço financeiro da instituição no Conselho Municipal de Saúde, em reunião que contou com a presença do Secretário Municipal de Saúde. Durante a reunião, o consenso entre os presentes foi de que a situação da Instituição é preocupante.

O Hospital Manoel Novaes, unidade materno-infantil cujo atendimento é 90% SUS, referenciada na realização de partos de alto risco, está entre as três unidades hospitalares que realizam cirurgias pediátricas no Estado – as outras são Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, e Hospital Estadual da Criança, em Feira de Santana. O Manoel Novaes é uma das duas instituições hospitalares que realizam atendimentos em oncologia pediátrica no estado. Nessa especialidade, o hospital itabunense atende a pacientes de mais de 300 municípios do Estado da Bahia.

Na apresentação, a Santa Casa informou um déficit operacional mensal de R$ 1 milhão e 457 mil, que, segundo a mesma, vem sendo debatido com a SESAB e com a Secretaria Municipal de Saúde, sem, contudo, receber dos entes públicos garantias de um encaminhamento que sane tal dificuldade até o momento. O coordenador administrativo da Santa Casa de Itabuna, André Wermann, afirmou que não será possível manter a instituição nesse nível de endividamento contínuo, sob pena de inviabilizá-la.

A politica de saúde em Itabuna precisa passar por um debate importante de financiamento e viabilidade de manutenção dos serviços de saúde em funcionamento, necessariamente envolvendo SESAB e Secretaria Municipal de Saúde. É importante registrar que os valores mensais de repasses da MAC (média e alta complexidade) para Itabuna são insuficientes – cerca de 8 milhões e 400 mil reais.

Por sua vez, os serviços ofertados na UPA foram reduzidos, para reduzir custos, o Hospital São Lucas e o Cemepi (pediátrico) fecharam e esses valores não foram alocados em novos serviços. Ainda assim, com a “sobra” a Secretaria de Saúde de Itabuna não consegue pagar com regularidade os prestadores em funcionamento, apesar de receber rigorosamente em dia do Fundo Nacional de Saúde, por volta do dia 12 de cada mês, o que agrava e muito a situação dos prestadores. Isso é inexplicável.

Se não quisermos passar pela destruição total do sistema de saúde em nosso município, precisamos também de uma atuação contundente do Conselho Municipal de Saúde, do Ministério Público Estadual (MP-BA) e da Vara da Fazenda Pública para que esses abusos de poder praticados pelas autoridades politicas sejam coibidos. Assim, asseguramos a assistência e proteção aos usuários dos serviços de saúde.

Raimundo Santana é dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região (Sintesir).

A BAHIA SOLAR E O LIXO RADIOATIVO

Josias Gomes

 

 

O povo desse Estado solar tem luz em abundância e cega o breu de mentes que vivem em eternas cavernas. Afaste-se da Bahia com o seu lixo radioativo.

 

O Sol é como uma mãe. Foi do sol que surgiram outros planetas e a vida no universo se tornou democrática.

O fogo do Sol não se apaga nem com água. Porque o sol é absoluto, nasceu da explosão dos átomos.

Assim é a Bahia, mãe generosa. Semelhante ao Sol, qualquer poeira cósmica, que tente ofuscar a sua luz, a fará mais forte e iluminada.

Antes da escuridão necessitamos de luz.

Introduzimos este texto com a analogia solar porque o mundo precisa de luz, educação, ciência, arte. Devemos estar atentos à beleza da vida. Sempre seremos respeitosos e generosos com quem jamais nos ergueu a voz.

A nossa existência no planeta Terra pode nos proporcionar momentos iluminados. Mas, para os brutos, só resta a natureza morta, que engana olhar dos míopes de existência ou de quem não sabe enxergar uma luz viva.

Antes de entrarmos no mar morto e infecundo que foi o escândalo, a afronta e pequenez inaceitável do dito deputado Delegado Waldir, ‘o poeira cósmica’, façamos uma reflexão: uma poeira cósmica-mórbida tem alguma relevância diante do Sol invicto?

Delegado leigo, já que o senhor se tornou deputado, agraciado com votos de gente da sua estrutura mental, faço uma recomendação: desça do personagem Conga num circo de quinta categoria.

Respeite a Casa do Povo. O que o senhor fez, ofendendo a Bahia, foi para merecer a nossa mais alta repulsa.

Não vou entrar no mérito da sua fala em relação ao PT, porque não posso levar a sério um deputado que é “líder” do desgoverno mais incompetente e reprovado da história do Brasil.

O sujeito é filiado ao PSL, partido oficial dos laranjas e milicianos, e se acha no direito de dirigir insultos.
Se oriente, mente oca!

Quanto a chamar a Bahia de lixo, não posso me conter em dizer que você é apenas um analfabeto político e funcional.

A Bahia e os baianos merecem respeito!

Também não aceitamos as suas desculpas. Sabemos que este é o pensamento fétido que pessoas como você e os seus apoiadores verdadeiramente têm.

Em contrapartida, vou mostrar um pouco de generosidade.

Estude o básico sobre a Bahia, descubra que esta terra é mãe do Brasil e de filhos como o geógrafo Milton Santos, educadores como Anísio Teixeira e tantos outros pensadores, professores e professoras que dão saber e dignidade aos baianos.

A nossa música você conhece, ainda que seja por osmose.

É impossível um brasileiro viver no Brasil e não ouvir Dorival Caymmi ou o descobridor da Bossa Nova, João Gilberto.

Na sua tacanha ignorância, mesmo sem querer, deve ter ouvido os Doces Bárbaros: Caetano, Gal, Bethânia e Gil. Os seus ouvidos moucos devem ter ouvido o som da terra que é capital da música.

Como diz Raulzito, o pai do rock: pra fazer sucesso “eu também vou reclamar”.

Mas a sua cultura é incauta.

A sua educação não deve alcançar o fato de que Salvador foi a primeira capital do país. Patrimônio histórico-cultural da humanidade.

Você não deve saber nada de cinema e não deve entender porque existem salas em todo Brasil chamadas de Cine Glauber Rocha. Ouviu falar algo de Cinema Novo? Duvido!

Não podemos exigir que um quase louco saiba que na Bahia nasceu Castro Alves, poeta abolicionista, libertador dos escravos – infelizmente não libertou todas as mentes vazias do Brasil. Lamentavelmente, o mal ainda tem raiz.

Estuda, deputado! Vá procurar saber quem é Jorge Amado. Quebra os pelourinhos mentais. Liberte-se da burrice.

Esqueça os tempos de porta de cadeia, delegado poeira!

Você jamais saberá que o sertão baiano tem um país que nem a própria história ainda deu cabo de contar.

A sua limitação jamais irá entender a amplidão que é a Chapada Diamantina. O que adianta jogar diamantes de beleza aos porcos?

É inútil dizer o que é o Sul da Bahia ou o nosso grandioso Oeste.

Convenhamos, deputado poeira cósmica, você não tem a mínima noção do que é a Bahia.

Não são os nossos verdes mares que darão luz a sua escuridão.

Acredito que nem a nossa Salvador possa salvar você do seu pobre mundo.

O povo desse Estado solar tem luz em abundância e cega o breu de mentes que vivem em eternas cavernas. Afaste-se da Bahia com o seu lixo radioativo.

Siga o seu caminho empobrecido. Você nem merece esse texto.

Mesmo assim, eu digo: respeite a Bahia e os baianos. Este solo não aceita fascistas!

“Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim”

Josias Gomes é Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

A SIMPLICIDADE DO IMPLANTE DENTÁRIO

Marcos Vinícius Muniz

 

 

O tratamento é realizado sob anestesia local e o processo de reparação é muito rápido. Com os implantes conseguimos devolver estética, função mastigatória e autoestima para nossos pacientes.

 

Muito se fala sobre implantes dentários, diversas são as propagandas e o paciente fica sem saber o que fazer. Neste breve explicativo, vamos sanar algumas dúvidas a respeito do assunto. O implante dentário é simplesmente um parafuso de titânio que geralmente tem a forma semelhante à da raiz do dente e é instalado no osso para nos auxiliar na colocação de próteses dentárias, substituindo os dentes perdidos.

Os implantes não têm rejeição, pois o material é biocompatível com o nosso organismo, sendo já utilizado na medicina há muitos anos. Após criteriosa avaliação clínica e dos exames de imagem, um plano individualizado de tratamento é elaborado.

No plano de tratamento, são passadas ao paciente todas as informações pertinentes, como, por exemplo, tempo de tratamento, necessidade ou não de enxertos, tipos de próteses que serão usadas no período de cicatrização e, até mesmo, a possibilidade de realização de uma carga imediata, que é a colocação de uma prótese já fixada nos implantes no período de até 72 horas. Por isso, é importante a avaliação do especialista para que todas essas situações sejam avaliadas e discutidas.

O tratamento é realizado sob anestesia local e o processo de reparação é muito rápido. Com os implantes conseguimos devolver estética, função mastigatória e autoestima para nossos pacientes. Na Clínica Odontoface, por exemplo, temos a opção de anestesia local sem dor. Essa tecnologia tem trazido muito conforto aos nossos pacientes.

Marcus Vinícius Muniz é dentista, especialista em implante e atua nas clínicas Odontoface.

O ENFRAQUECIMENTO DO “LULA LIVRE”

Marco Wense

 

 

O “Lula Livre” precisa de oxigênio, sob pena de definhar e desaparecer. Luiz Inácio Lula da Silva não merece essa indiferença dos “companheiros”.

 

 

O enfraquecimento do movimento “Lula Livre”, com a militância do PT acomodada, vem deixando o ex-presidente Lula muito chateado com os companheiros.

A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda, não menciona, pelo menos em público, a tristeza de Lula, que já aceita a possibilidade da prisão domiciliar, o que exige uma mudança no seu comportamento diante da Justiça.

Pessoas mais próximas do ex-presidente, que o conhecem muito bem, não só política como pessoalmente, falam até de início de depressão.

Essa acomodação da militância é muito pior do que ficar preso, do que a falta de liberdade e a solidão do encarceramento. A decepção e a ingratidão são ingredientes perversos no processo político.

Parece que o Lulopetismo jogou a toalha, não acredita mais em uma reviravolta que coloque Lula solto e com os direitos políticos restabelecidos, podendo disputar a próxima sucessão presidencial.

Esqueceram as ruas, guardaram as bandeiras vermelhas. A impressão é que todos estão hibernados, esperando a ajuda Divina. A esperança, palavra tão usada nos discursos do PT, já não é citada como em priscas eras.

Como não bastasse a dureza dos mais de 365 dias na prisão, tem a frieza da militância e, principalmente, de algumas lideranças políticas, hoje preocupadas exclusivamente com seus interesses e sua sobrevivência política.

O “Lula Livre” precisa de oxigênio, sob pena de definhar e desaparecer. Luiz Inácio Lula da Silva não merece essa indiferença dos “companheiros”.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

O PREÇO DA LIBERDADE

Josias Gomes

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

Quanto vale a liberdade de expressão? Sabemos que a liberdade não se negocia, não pode ser precificada. Esse texto tem o compromisso histórico de alertar muitos jovens que apoiam regimes totalitários e golpes militares com toda força que os opressores conseguiram penetrar em suas mentes.

O jovem, por si só, é um libertário e contestador nato, contudo num mundo opressor teriam as suas palavras e ações silenciadas. Durante os regimes democráticos, todo cidadão tem o direito de concordar ou não com um modelo político.

Na Ditadura Militar, não!

Uma ilustração clara é a do jornalista Reinaldo de Azevedo, que falou: “Eu escrevi uma matéria contra o Bolsonaro e fui ameaçado de morte. Eu escrevi quatro livros contra o PT e nunca fui ameaçado de morte”.

Cálice é uma canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, feita durante os anos atômicos da Ditadura Militar. Escolhi essa canção emblemática que foi censurada pelos milicos porque tem diversas metáforas que denunciavam um Brasil amputado e podemos fazer analogias com os dias atuais.

Cálice é uma canção poética poderosa que se refere ao silêncio obrigado da população brasileira. De uma maneira magistral, Chico e Gil (com interpretação livre) denunciam a tragédia vivida pelo povo brasileiro, comparando com o calvário que Jesus sofreu até a sua crucificação.

Em um verso da canção eles cantam: “Como beber dessa bebida amarga”. O vinho, que é para celebrar a vida, está cheio de sangue, amargo, adulterado por censura, desaparecimentos, torturas e morte. O cale-se da Ditadura é feito de ópio.

Jovens, não caiam no canto da serpente. Este canto triste pode durar décadas, gerações, e amanhã vocês podem ser senhores e senhoras arrependidos.

Provavelmente, muitos jovens não conheçam a canção Cálice, porque existe um processo de alienação brutal provocado pela mídia, indústria cultural, onde tentam apagar a memória de luta do povo, artistas e intelectuais brasileiros. Cálice é um hino da minha geração que lutou por um mundo livre, plural, sem vinhos envenenados de ódio e paranoia.

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

“Mesmo calada a boca, resta o peito”.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR-BA).

OS PREFEITURÁVEIS DO NOVO EM ITABUNA

Marco Wense

 

 

Edmilton Carneiro, Rafael Andrade e Ronaldo Abude integram a banda da política que ainda não apodreceu.

 

Em entrevista ao repórter Jota Silva, na Rádio Jornal de Itabuna, Gabriel Venturoli, presidente do Partido Novo na Bahia, falou sobre o comportamento que a legenda deve ter na sucessão do prefeito Fernando Gomes.

Satisfeito com a reunião em Itabuna, Venturoli disse que a agremiação partidária pretende disputar o cobiçado centro administrativo Firmino Alves na eleição de 2020.

Sobre coligações, o comandante estadual não descartou conversar com outras legendas, desde quando tenham posições e pensamentos bem parecidos com o Partido Novo.

Em relação as chamadas raposas políticas, deixou bem claro que quer distância. Não citou nomes, mas ficou subentendido que se referia aos ex-prefeitos da cidade e o atual, já alcaide por cinco vezes.

No que diz respeito ao governador Rui Costa (PT), reeleito para um segundo mandato consecutivo, não deixou nenhuma dúvida de que o Novo fará oposição.

No tocante ao governo Bolsonaro, como não houve nenhum questionamento, ficou no ar se apoia ou não. A reforma da Previdência não foi assunto da pauta.

Nas entrelinhas ficou claro que o advogado Edmilton Carneiro, presidente da OAB local, o médico Rafael Andrade e o empresário Ronaldo Abude são os prefeituráveis da legenda e os que vão ficar na linha de frente do Novo.

Portanto, mais um partido de olho na prefeitura de Itabuna, com um discurso que sempre atrai uma parcela significativa do eleitorado: a nova política.

O difícil é convencer os ressabiados de que não se trata de mais uma jogada de marketing. E aí não tem como não lembrar do surgimento do “Novo PMDB”. Deu no que: virou o MDB de Michel Temer, Moreira Franco, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Pezão, Geddel e companhia Ltda.

Que o Novo não seja mais um no meio dessa enxurrada de legendas. A grande maioria com caciques que se acham proprietários do partido, usando esse controle para obter vantagens pessoais.

O Partido Novo em Itabuna tem tudo para dar certo. Não vai ser fácil. O saudoso jornalista Eduardo Anunciação dizia que o couro tem que ser de crocodilo para enfrentar o movediço e traiçoeiro mundo da política.

O Partido Novo está em boas mãos. Edmilton Carneiro, Rafael Andrade e Ronaldo Abude integram a banda da política que ainda não apodreceu.

O modesto Editorial do Wense deseja tudo de bom e uma caminhada sem muitos obstáculos.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

PACIÊNCIA E SABEDORIA

Marco Wense

 

O que o povo brasileiro deseja é responsabilidade dos homens públicos, sob pena do bolsonarismo levar o país para o caminho do brejo, ressuscitando o “sapo barbudo”, como era chamado o ex-presidente Lula pelo saudoso Leonel Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

 

 

É preciso acabar com essa bobagem de que quem critica o governo Bolsonaro é petista. Do contrário, vai virar uma grande idiotice.

É só falar qualquer coisita do desastroso começo do governo de plantão para que seja logo taxado de esquerdista e lulista de carteirinha.

Temos que reconhecer que é uma estratégia interessante, que termina funcionando e inibindo quem tem pavor de ser rotulado de petista.

Conheço algumas pessoas que já deixaram de comentar sobre a gestão bolsonariana nas redes sociais. “Eles não aceitam opiniões contrárias ao governo, mesmo que seja uma crítica construtiva”, desabafa um deles.

Ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem que o governo Bolsonaro precisa deixar as picuinhas e o disse-me disse e cair na realidade de que é preciso governar, que os problemas são muitos e a maioria exigindo rapidez, sob pena do “trem verde e amarelo” sair de vez do trilho.

Todos os dias tem bate-boca entre o Executivo e Legislativo. A orientação constitucional de que os poderes devem ser harmônicos e independentes entre si é jogada na sarjeta, o que não é bom para o Estado democrático de direito.

Dizer que a situação não é preocupante é o primeiro sinal de cegueira diante dos fatos. É como querer tapar o sol com uma peneira.

A Reforma Previdenciária está subindo no telhado e, pelo andar da carruagem, com esse pega-pega entre os presidentes Jair Bolsonaro (República) e Rodrigo Maia (Câmara dos Deputados), vai continuar lá, esperando que eles se entendam e passe a pensar no Brasil, deixando a politicagem de lado.

O esforço tem que ser direcionado para melhorar a situação do cidadão-eleitor-contribuinte. Não pode gastar energia com briguinhas pessoais e fofoquinhas diárias.

Portanto, o que o povo brasileiro deseja é responsabilidade dos homens públicos, sob pena do bolsonarismo levar o país para o caminho do brejo, ressuscitando o “sapo barbudo”, como era chamado o ex-presidente Lula pelo saudoso Leonel Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

PS – E por falar no PDT, próximo mês de agosto faço 32 anos de filiação. Foi minha primeira e única legenda. Tive a honra e o prazer de ser o presidente do PDT de Itabuna por duas vezes. Tempos bons, quando a convicção, coerência e o forte e inabalável posicionamento ideológico ditavam o caminho a ser percorrido. Tive como padrinho político, o brizolista mais brizolista de todos, o também saudoso engenheiro Dagoberto Brandão, fundador do partido em Itabuna, hoje em um lugar chamado de eternidade.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A NOVA POLÍTICA DE BOLSONARO

Marco Wense

 

Além de todos os obstáculos que o presidente Bolsonaro tem que ultrapassar, cada vez mais complicado em decorrência da falta de diálogo com o Poder Legislativo, ainda tem um Olavo de Carvalho pela frente.

 

Quero logo dizer que não sou adepto da política do “quanto pior, melhor”. Torço para o sucesso de qualquer governo, independente a que partido pertença ou ao campo ideológico.

Inaceitável, no entanto, são os defensores do governo Bolsonaro acharem que as críticas sejam para alimentar o desejo de que as coisas piorem e caminhem até mesmo para um impeachment.

Ora, é inquestionável que o começo do governo Bolsonaro está sendo ruim. Nunca na histórica da República Brasileira se presenciou um início de gestão tão conturbado. É a verdade. Contra fatos não há argumentos.

E o pior é que fica parecendo que está tudo tranquilo, que as coisas estão caminhando a contento. Enquanto a crise política corre solta na Câmara dos Deputados, em torno da Reforma Previdenciária, o presidente Jair Messias Bolsonaro vai ao cinema com a primeira-dama em plena luz do dia, salvo engano às 9 horas.

Para colocar mais lenha na fogueira do imbróglio entre os poderes Executivo e Legislativo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não vai à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Parlamento para explicar sobre as propostas que alteram o sistema de aposentadorias.

Os mais lúcidos que integram o governo têm que alertar sobre a importância e a imprescindibilidade de se fazer um bom governo. O povo brasileiro, principalmente os que mais necessitam, não aguenta mais uma gestão desastrosa.

Como não bastassem os problemas internos, tem um Olavo de Carvalho com prestígio no bolsonarismo, incendiário e sem meias palavras, soltando o verbo sem medir as consequências.

Olavo, muito próximo do presidente Bolsonaro, uma espécie de guru filosófico, já foi chamado de “desequilibrado” pelo general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo.

Olavo, o sem papas na língua, já disse que o núcleo militar do governo tem “mentalidade golpista” e que o vice-presidente Hamilton Mourão seria “estúpido” e “idiota”.

Pois é. Além de todos os obstáculos que o presidente Bolsonaro tem que ultrapassar, cada vez mais complicado em decorrência da falta de diálogo com o Poder Legislativo, ainda tem um Olavo de Carvalho pela frente.

Faltando pouco para os cem dias de governo, o que predomina é a incerteza e a certeza de que as coisas podem piorar. Infelizmente.

PS – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC, figura principal da “Privataria Tucana”, tem razão quando diz que “os partidos são fracos, o Congresso é forte. Presidente que não entende isso não governa e pode cair”. Ontem, 26, em votação relâmpago, a Câmara dos Deputados, presidida pelo demista Rodrigo Maia, retirou do governo poder que tinha sobre o orçamento. Outros exemplos de que o Parlamento é forte, podem acontecer a qualquer momento. Se esse indispensável diálogo não está acontecendo entre o Executivo e Legislativo, em decorrência do vergonhoso toma lá, dá cá, como alega o governo, aí é complicado.

O presidente Bolsonaro passa a ter razão, afinal foi promessa de campanha a implantação na “nova política”. Com efeito, esses slogans de novo isso, novo aquilo, é um marketing manjado. A sabedoria popular costuma usar a seguinte expressão: “Me engana que eu gosto”.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

UM DIA DE REFLEXÃO POSITIVA SOBRE O CACAU

Gerson Marques | gersonlgmarques@gmail.com 

 

Hoje, o sul da Bahia tem duas universidades públicas, dois Institutos Federais de Educação, alguns Institutos estaduais, centros de pesquisas e muitas iniciativas privadas voltadas ao universo do cacau, chocolates e derivados, além da sinergia com outros seguimentos como turismo, agroindústria, cosméticos e movelaria.

Hoje é o dia do Cacau, um momento de reflexão positiva para quem trabalha com esta fruta amazônica, considerada um dos alimentos mais nobres da humanidade, exatamente no momento em que construímos com muitas mãos uma nova realidade em seu contexto.

O sul da Bahia não é o berço do Cacau, mas é onde sua história moderna começou a ser escrita, na condição de agricultura. A cacauicultura é uma criação baiana de quase três séculos, apesar do cacau ter registros históricos com os Olmecas datada de dois mil anos AC.

No sul da Bahia o Cacau plantou uma civilização, com todas as mazelas e contradições dos modelos econômicos da colonização brasileira, foi um grande concentrador de riquezas nas mãos de poucos e deixou no rastro uma parcela significativa de pobreza e miséria, refletida em índices extremamente baixos de desenvolvimento social.

Por outro lado, promoveu a implantação de uma infraestrutura única para uma região do interior do Nordeste, fez surgir dezenas de cidades, vila e povoados, em especial as cidades de Itabuna e Ilhéus que são os centros econômico e político da zona cacaueira.

Promoveu também o erguimento de uma civilização própria, ainda que inserida no contexto geopolítico da Bahia, a mesorregião cacaueira do Sul Baiano e seu litoral, chamado de Costa do Cacau, reúne características culturais, econômicas e geográficas distintas das demais áreas da Bahia, em algum momento denominada de civilização Grapiúna.

Existem diversos aspectos a serem estudados sobre a importância e significado do cacau nesta região, mas um extrapola em evidencias, trata-se de sua relação com a Mata Atlântica, o modelo Cabruca de condução da lavoura, que ajudou a salvar mais de quatrocentos mil hectares de florestas com relativo grau de preservação, situação de importância vital, visto que nesta região encontra-se uma das áreas de maior concentração de biodiversidade do planeta, onde chaga a coexistir mais de quatrocentas e cinquenta espécies diferentes de vegetais em um só hectare, classificado pela Conservação Internacional (CI), entre os cinco primeiros colocados na lista de “hotspots” do planeta.

A profunda crise econômica que se abateu sobre o modelo da cacauicultura regional, primeiro pela concorrência da África e depois pela contaminação com a Vassoura de Bruxa, levou os produtores de cacau do Sul da Bahia a se reinventarem, tornando-se produtores de chocolates “bean to bar e tree to bar”, cacau fino, cacau orgânico, e ampliando em muito as derivações do cacau em produtos que nem existiam comercialmente há alguns anos como o nibs, cervejas de cacau entre outros.

Hoje a região tem um olhar positivo e proativo em relação ao cacau, com profundas mudanças no modelo sócio econômico resultante da áspera realidade da forte crise, com o passar dos tempos, já são trinta anos convivendo com a vassoura-de-bruxa, ouve uma melhora no perfil da inclusão social, nos dados socioeconômicos como um todo e na diversificação da matriz econômica, na maior parte da região atualmente predomina a agricultura familiar como produtora de cacau, apontando também para uma diversidade produtiva, e forte cultura preservacionista e sustentável.

É de se esperar para os próximos anos impactos significativos deste novo modelo na economia regional, o cacau e todo seu entorno biodiverso entrou com força na academia. Hoje, o sul da Bahia tem duas universidades públicas, dois Institutos Federais de Educação, alguns Institutos estaduais, centros de pesquisas e muitas iniciativas privadas voltadas ao universo do cacau, chocolates e derivados, além da sinergia com outros seguimentos como turismo, agroindústria, cosméticos e movelaria.

Gerson Marques é presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia.

A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS ALCANÇA O DIAMANTE – 60 ANOS DE INSTITUCIONALIDADE E DE IMORTALIDADE GRAPIÚNA

Efson Lima

Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los

Certo dia, falei a uma pessoa que estava pesquisando sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI). A interlocutora indagou: Por qual razão pesquisar sobre a Academia de Letras de Ilhéus? Agora, aproveito o momento para responder e abordar quanto essa instituição tem colaborado com a Bahia e a literatura nacional.

A Academia de Letras de Ilhéus alcança os 60 anos, precisamente em 14 de março de 2019. O professor Arléo Barbosa, historiador e membro da ALI, registra em Notícia Histórica de Ilhéus (2013) que a data para fundar a Academia foi escolhida em homenagem ao aniversário de Castro Alves, mas o patrono é Rui Barbosa, constituída a partir do arquétipo francês de 40 cadeiras, cujo modelo é observado em outras academias, inclusive na Academia Brasileira de Letras. As reuniões aconteciam aos sábados na casa de Nelson Schaun que, com Plínio de Almeida, Wilde Oliveira Lima e Nilo Pinto, traçou os desígnios da instituição. A instalação da Academia só aconteceria em 29 de junho de 1959, conforme apontou Francolino Neto em Reflexões Acadêmicas (1990) no capítulo “Jubileu de Pérola da Academia”, cuja data foi comemorada a 28 de dezembro de 1989 com a presença de Abel Pereira.

Transcorridos sessenta anos, podemos dizer que temos uma instituição regional? Recorro ao conceito de instituição apresentado por um dos membros da ALI e um dos nomes mais consagrados do Direito no Brasil, Edvaldo Brito, que considera “instituição” a repetição de fatos, acontecimentos que corroboram para a institucionalidade. Portanto, a ALI tem repetido seus atos durante todo esse percurso. Mesmo sem sede própria na maior parte do tempo – ora realizando reuniões na casa de um membro ora se encontrando na Associação Comercial de Ilhéus. Só em 2004 a ALI teve sua sede própria, graças à persistência de Ariston Cardoso, que solicitou ao então prefeito Jabes Ribeiro, que doou o imóvel. Atualmente o ex-prefeito é membro da ALI em virtude da promoção da cultura, recuperação e inauguração da Casa de Jorge Amado e reforma do Teatro de Ilhéus e da Maramata.

Sem exagero, temos um diamante. As bodas de diamante estão no salão. É como se estivéssemos diante de um casal que alcança os 60 anos de casamento. Significa que enfrentou muitos desafios, vivenciou fatos e acontecimentos, mas se mantiveram firmes no propósito do amor e não se desintegrou no momento da dor. Que bom! Pois, tudo parece ser fuga, as relações surgem e desaparecem instantaneamente. O arcadismo virou fichinha. Tudo parece ser tudo mais rápido. Mesmo assim, há casais que insistem em conviver, assim como a ALI que se manteve firme em seus objetivos.

As academias de Letras mundo afora são ecléticas, heterogêneas. São compostas de escritores, profissionais liberais, artistas. No Brasil, como o bacharelismo insiste em dar tônica, verifica-se massiçamente a presença de juristas, médicos e jornalistas nesses sodalícios. O importante é que elas são espaços que cultuam as letras, as artes, a cultura. Não por acaso são também adjetivadas como academia de letras, arte e cultura.

É obvio que as academias, por vezes, tornam-se espaços elitistas, entretanto, não podemos acusar de espaços ingratos com a identidade nacional, regional e/ou local. As academias colaboram para a perpetuidade da memória de um povo. É espaço de discussão, diálogo, é lugar de se retroalimentar. E em tempos difíceis são esses recintos que nos conduzem para momentos de sol. Aliviam nossas almas e nos levam à lua quando a Terra parece estar insuportável.

O jornalista Antonio Lopes, quando da sua posse de membro efetivo na ALI, comemorou os 42 anos da Academia e rogou por mais 42 anos, cujo discurso foi publicado no livro Estória de Facão e Chuva (2005). Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los, pensamentos e pessoas que pensam, esperança e pessoas que esperam, sempre, sempre e sempre, infatigavelmente… Foi assim nesses primeiros 42 anos e assim será nos próximos 42 anos, por vontade de Deus e por esforço dos homens.” Eu agora, humildemente, peço licença para desejar mais 60 anos. Precisamos acreditar nas instituições e nas pessoas. As instituições e a diversidade institucional enriquecem o mundo. Possibilita uma dialética saudável e colabora para um debate público e sincero.

A Academia tem o termo “Ilhéus” em seu nome, poderia até ter outra nomenclatura, mas preferiram os fundadores fixar no substantivo próprio da Princesa do Sul, mesmo tendo confrades de outras cidades. A ALI não é só uma instituição. Ela reúne várias instituições. É embrião intelectual da região sulbaiana, sem desmerecer o Grêmio Olavo Bilac. Pode causar estranheza quando algumas pessoas não oriundas do sul da Bahia fazem parte do sodalício, certamente, os membros sabem por qual razão justa estes fazem parte e podem ser chamados de confrades.

Estão cônscios também porque as pessoas que não nasceram no chão grapiúna foram convidadas nas primeiras horas para participarem do nascedouro da ALI. É o caso de José Cândido de Carvalho Filho, o único fundador vivo da Academia. Por sinal, possui uma trajetória de imensa envergadura profissional e intelectual, razão pela qual prédios públicos recebem seu nome. Foram as situações também de Jorge Medauar (em 1959 foi vencedor do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro na categoria “Contos/crônicas/novelas”) foi natural de Uruçuca, bem como Soane Nazaré, membro da ALI, que merece um livro título de livro que aborda sobre Nelson Schaun, um dos fundadores da ALI, organizado por Maria Schaun.

O professor Soane Nazaré está para a nossa formação educacional universitária assim como Edgar Santos está para Bahia com a UFBA e Edivaldo Boaventura com a UNEB e a interiorização do ensino superior no estado. Talvez, a mais firme e consistente contribuição da lavoura do cacau esteja reunida no “projeto de modernidade UESC”. Graças ao visionário Soane Nazaré, que também é membro da ALI.

Aliás, Jorge Amado, membro fundador da ALI, um ano antes da fundação da Academia, em Gabriela, Cravo e Canela, sinaliza parte da formação humana da nação grapiúna, evidenciando a presença de pessoas oriundas de outros lugares. A personagem principal da obra é retirante. Nascib sintetiza o estrangeiro. Jorge Amado, o filho de Ilhéus mais ilustre na literatura, dispensa comentários. Temos muito a pesquisar sobre ele, a sua obra e a repercussão desta para o mundo da Língua Portuguesa. Ilhéus deve muito a memória deste escritor. Em visita à Casa de Jorge Amado percebi o quanto pode ser juntado de material para tornar o ambiente ainda mais rico. A Semana de Jorge Amado precisa ser consolidada. Ilhéus é uma Cidade Literária. Precisa descobrir esse potencial. As ruas exalam literatura na Princesinha do Sul, como o fervo ferve em Olinda e a música toca em Salvador.

E ainda falando de gente grande, por qual razão não falar do professor e geógrafo Milton Santos, ganhador do Prêmio Vautrin Lud – o Oscar, o Nobel – da Geografia em 1994. Um incansável pesquisador e crítico do sistema capitalista e da globalização. Foi membro da ALI e professor do IME.

É necessário transcorrer sobre Adonias Filho, que foi residente da ALI no ano do Centenário de emancipação de Ilhéus. Este escritor conseguiu em uma palavra sintetizar o que a nação grapiúna também produzia além do cacau: escritores. Sem dúvida alguma, escritores e dos bons. Registra-se a passagem de Zélia Gattai pela Academia de Letras de Ilhéus, que também foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Discorrer sobre a ALI é encontrar Telmo Padilha, um poeta reconhecido no exterior. Lembro-me dos especiais do jornal Agora, informando sobre a presença do poema de Telmo Padilha na ONU. E Hélio Pólvora? Tive o prazer de em vida, quando da fundação do Grêmio do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Ilhéus, participar da concertação que o homenageia com o nome da agremiação. Nosso eterno contista e cronista. É não descansar sem abordar, mesmo de que forma singela, Sosígenes Costa. Nosso escritor premiado em 1960, na segunda edição do Prêmio Jabuti de Literatura, categoria Poesia, com o livro Obra Poética. É Sosígenes Costa que nomeia o campus da UFSB localizado em Porto Seguro.

A morte é termo certo, na linguagem do direito, mas causa-nos surpresa toda vez que alguém parte. Em 08 de março do corrente ano, fomos surpreendidos com a notícia da morte de João Hygino via o Blog Pimenta. Ele foi membro da ALI e persistente acadêmico do sodalício, deixando ociosa a cadeira n.01. Foi autor de Deus e os Deuses (2008) e exaltou Porto Seguro, sua cidade natal, em 1966. O mais significativo é que o corpo físico da pessoa pode desaparecer, mas não submergem as ações, o pensamento e a produção intelectual. O cultivo da imortalidade intelectual é parte contributiva desses silogeus. :: LEIA MAIS »

ILHÉUS – CIDADE LITERÁRIA

Efson Lima || efsonlima@gmail.com

Ilhéus deve perseguir o título de Cidade Literária da Unesco. Ainda não há cidade brasileira na área de literatura. Assim como Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a conquistar seu espaço na rede Unesco de Cidades Criativas pela área de gastronomia, em 2014, a Princesa do Sul merece que seu povo se reúna e a confirme como CIDADE LITERÁRIA.

A cidade de São Jorge de Ilhéus é conhecida internacionalmente pelas belezas naturais e pela História, mas não somente essas características demarcam a cidade. A Princesa do Sul chama a nossa atenção, a dos visitantes e de diversos interessados também pela literatura. Não nos resta dúvida que o campo literário é construtor do imaginário da cidade de Ilhéus. Vários são os espaços físicos, as ruas e os alimentos que nos tocam pela literatura. A literatura oriunda das terras de Ilhéus até pode ser considerada de cunho regionalista, mas foi universalizada e alcança o mundo.

Aproveito, com a devida vênia, para sensibilizar alguns, que Ilhéus pode aproveitar a qualidade de cidade literária para fazer parte do projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) batizado de Rede de Cidades Criativas. Salvador integra no campo da música. Ilhéus pode fazer parte do clube pela via da literatura. Certamente fará bem à Princesa do Sul e à literatura regional. Certa vez, o escritor Adonias Filho perguntado sobre o que Ilhéus produzia, além de cacau. Ele respondeu: escritores.

A Rede de Cidades Criativas foi criada pela Unesco em 2004, cujo objetivo é promover a cooperação com e entre as cidades que identificaram a criatividade como um fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável. A rede também está comprometida com o desenvolvimento da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e estão entre seus objetivos o estímulo e o reforço às iniciativas lideradas pelas cidades-membros para tornar a criatividade um componente essencial do desenvolvimento urbano por meio de parcerias entre os setores público e privado e a sociedade civil.

É transformador para os apaixonados por livros caminhar por cenários de obras e lugares onde viveram escritores. Pode se vislumbrar uma experiência romântica, alvissareira, transformadora ou até mesmo alfabetizadora… os sentimentos são os mais diferentes. Afinal, a literatura nos leva a diferentes lugares, deixa-nos curiosos para conhecer e Ilhéus desperta esse fascínio internacionalmente.

A literatura pode ser instrumento de emancipação. Lembro até hoje da minha primeira obra lida – Capitães da Areia, de Jorge Amado. Como não agradecer à professora Ana Maria, do IME. Nunca mais fui o mesmo. Obrigado!

Para uma cidade ser considerada literária, a Unesco impõe algumas exigências: que ocorram eventos literários, como festivais, a existência de bibliotecas, livrarias e centros culturais, públicos ou privados e que tenham por fim último a promoção da literatura.

A cidade de Ilhéus é também uma urbis literária pelos aspectos tão comuns ao campo literário. A cidade pertence a grandes escritores, como Jorge Amado, Adonias Filho, Sosígenes Costa, Hélio Pólvora. A cidade foi parar nos livros e se transformou em cenário e enredo. É a cidade também dos hai-kais de Abel Pereira. É a terra de coração do historiador Arléo Barbosa, personagem vivo e encantador, com seu best-seller regional Notícia Histórica de Ilhéus.

A cidade também é celeiro de jovens escritores como Fabrício Brandão, Gustavo Cunha, Marcus Vinicius Rodrigues, Carlos Roberto Santos Araujo, Geraldo Lavigne, do paulista Gustavo Felicíssimo, às vezes, alguns deles com origem extra Ilhéus, mas que burilam os textos a partir deste lugar. A cidade também é lugar privilegiado para a literatura popular. Aqui merecem registros os cordéis da Mestra Janete Lainha e a sua xilogravura que tanto abrilhanta o mundo da literatura e nos insere neste lugar de destaque.

A cidade é palco do Festival Literário de Ilhéus (FLIOS), que alcança a quarta edição em 2019. Vida longa! É lugar da Mostra Jorge Amado de Arte & Cultura. Esses eventos demarcam o lugar da literatura. A cidade é cenário para diversas obras literárias. É cidade de novela – isto soma e enriquece o aspecto literário.

A cidade possui a Academia de Letras de Ilhéus, que completa 60 anos em março de 2019, cujo lema de “Servir à pátria cultuando as letras”, e não deixa dúvida da qualidade destes abnegados que insistem e nos alimentam com a chama literária (André, Rosas, Pawlo Cidade, Maria Schaun, Maria Luiza Heine, Ruy Póvoas e tantos outros, que injustamente vou deixando de citar). Este é locus importante para a formação e promoção da cultura regional. A UESC pode contribuir para o projeto. Em seu seio está a Editus, que muito tem contribuído para as obras de escritores regionais. A própria Universidade tem desenvolvido seminários e inserido os estudos da literatura regional em seus cursos.

Não obstante, o Programa Estratégico da Cultura – Cultura 500, da Secretaria de Cultura de Ilhéus, traça um cenário para a cidade nos próximos 15 anos e lança as estratégias para Ilhéus chegar aos seus 500 anos, sendo um município referência na área da Cultura, portanto, Ilhéus, Cidade Literária é um caminho.

Por tudo isto, Ilhéus deve perseguir o título de Cidade Literária da Unesco. Ainda não há cidade brasileira na área de literatura. Assim como Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a conquistar seu espaço na rede Unesco de Cidades Criativas pela área de gastronomia, em 2014, a Princesa do Sul merece que seu povo se reúna e a confirme como CIDADE LITERÁRIA. De fato, ela já é. Mais que um título, é a confirmação de sua contribuição para a literatura e mais uma porta para a consolidação do turismo e da cultura local. A literatura, a História de Ilhéus com suas estórias e as belezas naturais da Terra de São Jorge encantam a todos.

Efson Lima é advogado, coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho, coordena o Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação. Organizador do Projeto Conviver – atividade responsável pela produção de livros/UFBA, além de ser doutorando, mestre e bacharel em Direito pela UFBA.

NINGUÉM SEGURA ESSA MULHERADA!

Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

A verdade é que, entre a mediocridade e o triunfo de muitas, entre o preconceito e a vitória de inúmeras, há uma força que muita gente ainda não quer ver, mas que é real e legítima. Ninguém segura mais a mulherada!

 

 

“Mulher está na moda”, escutei ontem. Prontamente discordei, claro! Ainda que durante séculos o papel da mulher tenha ficado restrito essencialmente às funções de mãe, esposa e dona de casa, são inquestionáveis os inúmeros êxitos femininos ao longo dos últimos tempos: o direito de votar, de participar ativamente da sociedade e do mercado de trabalho, além da revolução sexual que, a meu ver, ainda acontece, diariamente, nas nossas casas. É mais sobre CONQUISTA e menos sobre percurso efêmero.

Não precisamos nos remeter aos cenários mundial e nacional para falar de mulheres fortes e destemidas que estão imprimindo seus nomes na nossa história. Hoje, na Câmara de Vereadores de Itabuna, a edil Charliane Souza, única mulher daquela casa, enfrenta diariamente, além da grande maioria dos colegas, o prefeito da cidade, protocolando denúncias e cumprindo o papel de fiscalizadora da administração. Lados políticos e razões à parte, sua perspicácia desponta para todos.

Na Polícia Civil, instituição com carreira marcadamente masculinas até pouco tempo, posso citar Dra. Katiana Amorim, itabunense, delegada com mais de 30 cursos entre planejamentos estratégicos, táticos e operacionais.

Nos veículos de comunicação regionais a ascensão feminina também é nítida. Além do número de profissionais imenso posso citar Silmara Sousa, repórter da Rádio Difusora e da Record TV, que segura a audiência do polêmico Balanço Geral, líder no horário em quase todo o país, sempre que convocada por aqui, “dando a cara” contra a corrupção, o tráfico de drogas e demais mazelas regionais.

Adentrando na área da saúde, posso lembrar que, na última semana, a médica Lívia Mendes foi empossada nova diretora técnica do Hospital Calixto Midlej Filho, unidade da centenária Santa Casa de Misericórdia de Itabuna. Sua nomeação é um marco para a instituição, já que é a primeira vez que uma mulher é empossada no cargo.

São nomes que servem de exemplo e como exemplo, apenas para que eu não precise me estender citando tantas e tantas outras mulheres. A verdade é que, entre a mediocridade e o triunfo de muitas, entre o preconceito e a vitória de inúmeras, há uma força que muita gente ainda não quer ver, mas que é real e legítima. Ninguém segura mais a mulherada!

Manuela Berbert é publicitária e escreve o manuelaberbert.com.br.








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