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:: ‘Entrevistas’

REDE DADALTO INVESTE NA ABERTURA DE LOJAS EM ILHÉUS E ITABUNA

miltom amorimMaior rede varejista do Espírito Santos, o grupo capixaba Dadalto investirá R$ 6 milhões na abertura de duas lojas de material de construção em Itabuna e Ilhéus, a D&D Home Center, e R$ 1 milhão na central de distribuição em Itabuna. As lojas serão inauguradas no próximo dia 18.

O sul da Bahia será a porta de entrada do grupo na área de construção civil na região Nordeste. Ainda em 2013, o grupo vai abrir lojas em Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro.

A expansão também contempla a região sudoeste baiana, com abertura de unidade em Vitória da Conquista, segundo o diretor comercial de varejo do grupo, Milton Amorim. Ele antecipa que a rede planeja abrir lojas do segmento magazine na região já em 2014.

Confira trechos da entrevista exclusiva.

BLOG PIMENTA – Qual o volume de investimento do grupo nas duas lojas no sul da Bahia?

MILTON AMORIM – Investimento de R$ 6 milhões nas 2 lojas do sul da Bahia. Também há o investimento de R$ 1 milhão no Centro de Distribuição.

BP – O centro de distribuição será em Itabuna. Dentro da política de expansão do grupo, quais serão os próximos focos do Grupo Dadalto no sul da Bahia e no estado?

MA – Este centro de distribuição em Itabuna servirá como um “pulmão” para armazenagem e distribuição de mercadorias. Nossa estratégia é consolidar o D&D com a presença nas maiores cidades do sul da Bahia no ano de 2013 (Ilhéus, Itabuna, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro) e Vitoria de Conquista, no sudoeste.

BP – O sul da Bahia terá filial do magazine Dadalto ou o grupo se concentrará em mix relacionado à construção?

MA – A estratégia inicial é chegar com o material de construção do D&D. Precisamos conhecer esse mercado e analisar seu comportamento.

BP – Há previsão de abertura de loja Dadalto Magazine na região?

MA – Sim. Nossa estratégia, após consolidação do D&D na região, é trazer para a Bahia as lojas da Dadalto. A previsão é para 2014.

BP – A escolha da região sul, especificamente os municípios de  Itabuna e Ilhéus, para entrar na Bahia em outro segmento que não o financeiro ocorre por estratégia da empresa ou é reflexo do mercado em crescimento?

MA – Nossa estratégia é dominar nas regiões que já atuamos: Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. O varejo ainda não estava presente na Bahia, mas nossa financeira (DaCasa) já atua na região há 8 anos. Os negócios do varejo e financeira, apesar de serem independentes, possuem uma relação muito forte. Cerca de 40% da venda do varejo (Dadalto e D&D) são feitas através do cartão próprio (bandeira Dacasa) e CDC via Dacasa.

CANDIDATO, LENILDO DEFENDE AMURC “SEM PARTIDARIZAÇÃO E PERSONALISMO”

lenildo-santana1A voz pausada e o perfil conciliador do prefeito de Ibicaraí, Lenildo Santana (PT), levaram à construção de candidatura única à presidência da Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc). Mas foi a proposta de uma entidade “sem partidarização e personalismo” que fortaleceu a candidatura do petista.

A postura equilibrada e de consenso do prefeito é elogiada pelo governador Jaques Wagner. “Lenildo se revelou grande prefeito e a sua reeleição demonstra isso”, disse o governador, que escolheu Ibicaraí como primeiro município do sul da Bahia a ser visitado em 2013, quando entregou as obras de reforma da BR-415.

Lenildo assume mais um desafio. É o candidato de consenso à presidência da Amurc. O pleito ocorrerá no dia 31. Atualmente, o prefeito de Ibicaraí é tesoureiro da entidade.

O candidato à presidência da Amurc conversou com o PIMENTA na redação do blog e falou de projetos e como os municípios podem se beneficiar dos projetos estruturantes e da chegada da Universidade Federal do Sul da Bahia.

 

BLOG PIMENTA – Quais são os projetos e metas mais importantes da sua campanha?

Lenildo Santana – Temos que incorporar, de forma muito clara e segura, os projetos macros mais importantes para a nossa região: o Complexo Intermodal Porto Sul e a Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufsba). Eles estão na linha de frente do debate.

BP – E nas questões “macro”, que dizem respeito à situação dos municípios?

LS – Temos que batalhar pela melhoria das receitas dos municípios. E aí a gente tem algo importante que é a redistribuição dos royalties, além da reposição do IPI [Imposto sobre Produto Industrializado] e das perdas do FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. Outro ponto importante é a capacitação dos servidores e gestores municipais.

BP – Qual dimensão dessas perdas com redução de IPI e queda do FPM?

LS – A Amurc participou do debate na CNM [Confederação Nacional dos Municípios], em Brasília, em quatro encontros, e tratou destes assuntos e o consequente encaminhamento deles. As perdas com redução de IPI e queda do FPM em Itabuna, Ilhéus e região ultrapassam R$ 10 milhões.

BP – Como interferir para que os municípios tenham gestões com melhor qualidade?

LS – A qualificação dos servidores dos municípios associados está entre as nossas metas. Há um outro fator interessante que é o trabalho articulado de comunicação, divulgando as ações positivas dos municípios. Existe hoje uma marginalização do gestor. Virou prefeito, já é ladrão. Nem todo mundo possui esse perfil. E isso [a estigmatização] é ruim por que pode desestimular quem entra na política buscando fazer o correto.

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Nossa ideia é desenvolver diagnósticos, identificar as necessidades de cada município e montar os projetos.

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BP – Como a Amurc pode fazer o papel de articulação com os municípios?

LS – Nossa ideia é desenvolver diagnósticos, identificar as necessidades de cada município e montar projetos. O gestor fará o acompanhamento na Amurc. Vamos trabalhar para garantir captação de projetos de R$ 300 mil a R$ 500 mil, como exemplo, permitindo soluções para cada município. Não são 20, 30 projetos para cada cidade. Por isso, define-se as prioridades. Algumas cidades não puderam ter acesso a dinheiro dos governos federal e estadual nem puderam apresentar projetos. A ideia é trabalhar com projetos para atender a quem também está, por questões judiciais, de certidões, excluído deste momento. Para quê isso? Os prefeitos estão distantes da entidade por que eles param para pensar e questionam: o que é que eu ganho com a Amurc? Hoje a gente já tem uma realidade muito melhor. As reuniões acontecem. Prefeito vai lá. A gente trabalha, auxilia. A gente mostra que a entidade pode, tem potencial para auxiliar, intervir.

BP – O senhor pertence a uma corrente política. Como conciliar interesses numa entidade suprapartidária?

LS – Localmente, temos o exemplo de Floresta Azul. A prefeita Sandra Cardoso é do DEM e possuímos ótimo relacionamento Floresta Azul-Ibicaraí. Fazemos cooperação em saúde, infraestrutura, assistência social. Quando a demanda ocorre e a solução pode ser feita, de forma legal, pelo município vizinho, é feita. Isso independe da bandeira partidária. Eu tenho isso com Jackson [Bonfim], que é do PP. Nós queremos fortalecer esse trabalho articulado, levar essa proposta para a Amurc.  Ou seja, queremos administrar a Amurc sem partidarizá-la e sem personalismo. Isso fortalecerá a entidade.

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E A Ufsba vai proporcionar qualificação diferenciada que vai acabar alterando os ambientes onde esses alunos estão inseridos.

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BP – Como os pequenos municípios poderão se beneficiar do Complexo Intermodal e da Ufsba?

LS – No caso da Ufsba, tenho o exemplo de Santa Cruz da Vitória. Talvez não chegue a dez o número de pessoas do município formadas em uma universidade federal. Agora, isso muda com a seleção de estudantes por meio dos colégios universitários da Ufsba. É um modelo altamente inclusivo. E A Ufsba vai proporcionar qualificação diferenciada que vai acabar alterando os ambientes onde esses alunos estão inseridos.

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“A DIREITA NÃO ACEITA DEZ ANOS DE GOVERNO DO PT”

Foto Pimenta

Foto Pimenta

ENTREVISTA

O deputado federal Valmir Assunção (PT) construiu sua trajetória política no seio do Movimento dos Sem-Terra e, como não poderia deixar de ser, faz uma defesa ferrenha das ocupações de áreas improdutivas, destinando-as aos assentamentos de reforma agrária. Para Assunção, embora tenha diminuído o apoio da sociedade ao MST, é necessário manter e intensificar as ações do movimento, para “mostrar à sociedade que a reforma agrária é viável”.

O PIMENTA conversou brevemente com o deputado sobre a agenda do MST em 2013 e a respeito da ofensiva da direita ao Partido dos Trabalhadores, que chegou a dez anos no comando do País.

 

PIMENTA – Qual é a agenda do MST para 2013?

Valmir Assunção – Nós estamos trabalhando para que em 2013 o MST possa se voltar internamente para a organização dos assentamentos e acampamentos, das atividades de produção, formação, por meio da realização de cursos, sem abrir mão da natureza e a razão da existência do movimento, que é a ocupação de terras.

PIMENTA – Haverá mais ocupações este ano?

VA – O Movimento dos Sem-Terra em 2013 tem que apertar o passo, do ponto de vista de ocupar terra, pois é isso que faz com que o movimento cumpra sua função, que é democratizar o acesso à terra. Só tem reforma agrária no Brasil porque o MST tem essa disposição e essa coragem de ocupar, resistir produzir e combater.

PIMENTA – Como a sociedade vê hoje o MST?
VA – O Movimento dos Sem-Terra já teve mais apoio da sociedade do que hoje, sem dúvida alguma. Nós já tivemos períodos na história do movimento em que havia até 80% de aceitação da sociedade. Hoje nós temos um pouco menos, mas não é porque diminuiu o apoio da sociedade à luta pela reforma agrária que nós deixamos de lutar por ela.

PIMENTA – Qual o caminho para recuperar o apoio da sociedade?

VA  – A nossa luta é justamente para poder mostrar para a sociedade que a reforma agrária é viável. Até porque 80% do alimento que chega na casa de qualquer pessoa vem da agricultura familiar e de assentamentos de reforma agrária. O agronegócio e as grandes empresas produzem simplesmente monocultura, enquanto o arroz, o feijão, a farinha, ou seja, o produto para consumo da população brasileira vem da agricultura familiar, daí a necessidade de democratizar o acesso à terra. Todas as terras improdutivas, que não cumpram sua função social, devem ser destinadas à reforma agrária. O Movimento dos Sem-Terra tem que enfrentar esse debate, fazer esse debate na sociedade e, ao mesmo tempo, promover as ocupações.

PIMENTA – Setores do PT apontam uma reação conservadora ao partido, manifestada por exemplo no julgamento do “mensalão”.

VA – É lógico que existe uma ofensiva por parte de segmentos da direita, que não engolem e não aceitam dez anos do governo do PT, mas a sociedade brasileira, por meio das pesquisas, está dizendo que o PT faz uma boa gestão. Eu tenho certeza que, em virtude dessa avaliação positiva, nós iremos governar por muitos e muitos anos. O segredo do governo está justamente nas políticas sociais. Quando o (ex) presidente Lula e a presidenta Dilma fazem Luz Para Todos , Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, trabalham o Brasil Sem Miséria, quando há uma crise internacional e ainda assim, aqui no Brasil, preserva-se o emprego, o salário e a condição de vida das pessoas, lógico que a população reconhece isso.

“A GENTE VÊ MUITAS POSSIBILIDADES PARA A CULTURA DO CACAU”

ENTREVISTA

O paulista Helinton Rocha substituiu na semana passada o paraense Jay Wallace Mota no cargo de diretor geral da Ceplac. Quem saiu era criticado por privilegiar as atividades do órgão no Pará e o sucessor chega com a missão de preparar a Ceplac para um novo momento, no qual a questão ambiental se tornou prevalente e o diálogo com a sociedade absolutamente necessário para romper uma estrutura encastelada.

Engenheiro agrônomo, com duas pós-graduações (uma delas em Tecnologia de Sementes pela Universidade de Pelotas), Rocha está no Ministério da Agricultura há quase 30 anos.

Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida ao PIMENTA, na qual o novo diretor mostrou irritação quando ouviu que sua nomeação seria para um período não muito longo:

PIMENTA – O senhor foi escolhido como um nome de transição pelo Ministério da Agricultura para dirigir a Ceplac. Qual é a sua missão?

HELINTON ROCHA – Transição em que sentido você fala?

PIMENTA – É que há a expectativa de que essa gestão seja por um período transitório.

HELINTON ROCHA – Tudo é transitório. Minha nomeação é até que o ministro queira. Eu tenho 30 anos de Ministério e nunca assumi um cargo vitalício ou hereditário.

PIMENTA – Mas foi noticiado que sua nomeação será para uma temporada breve…

HELINTON ROCHA – Isso é boato, até agora eu não sei. Toda missão tem um fim. Eu por exemplo estou há sete anos ocupando diretorias dentro da Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário. Depende sempre da conveniência da administração e da confiança do ministro, e acho que é natural. O Jay (Wallace) fez um brilhante trabalho e estava com interesses pessoais, de voltar ao Pará, e acredito que isso motivou essa transferência, mas isso é natural. Cada administrador busca perfis diferentes para diferentes missões. A gente tem que estar preparado para isso, formando lideranças e buscando as parcerias necessárias para tocar o que faz.

PIMENTA – Qual é sua prioridade na gestão da Ceplac?

HELINTON ROCHA – A Ceplac tem um planejamento estratégico e não é um fim em si mesmo. Ela é um instrumento de desenvolvimento das culturas – da cacauicultura, do dendê, da borracha, da agrofloresta – e que são importantes. Há soluções que já estão encontradas há bastante tempo, então a missão da Ceplac tem acompanhado a questão do desenvolvimento sustentável. Acredito que o período que estamos vivendo, pós-Rio + 20, define papéis novos para as instituições. Acontece que a Ceplac já tem um rumo muito bem definido e acredito que nós vamos ter oportunidade de fazer o amadurecimento, a institucionalização e outros processos. A Ceplac é um órgão federal e há necessidade sempre de harmonizar essas políticas com as políticas regionais. A regionalização é uma bandeira do ministro Mendes (Ribeiro), e a Ceplac tem soluções regionais para problemas regionais no que diz respeito à questão do desenvolvimento sustentável.

 

O Jay (Wallace) fez um brilhante trabalho e estava com interesses pessoais, de voltar ao Pará.

 

PIMENTA – A produção de cacau tem crescido, mas ainda é necessário aumentar a produtividade por hectare. Como a Ceplac pode ajudar o produtor a enfrentar esse desafio?

HELINTON ROCHA – Esse é um desafio que faz parte da história da Ceplac, que nunca descuidou da questão da produtividade, da eficiência e estabilidade do sistema de produção, da melhoria da renda e portanto da distribuição do benefício gerado pela cadeia do cacau. Já existe uma estrutura definida e o que a gente pode eventualmente contribuir é fazendo com que ela seja uma instituição que se articule ainda mais com as forças e possibilidades. A gente vê muitas possibilidades para a cultura do cacau.

PIMENTA – A cabruca oferece um ganho ambiental importante, com a preservação da Mata Atlântica, mas hoje existe uma proposta de se investir na cacauicultura em outras regiões, inclusive com o cacau irrigado no semiárido, que oferece maior produtividade. Como o senhor vê essa tendência?

HELINTON ROCHA – É um caminho natural. A cacauicultura baiana tem suas peculiaridades e as potencialidades disso vão ocorrer fundamentalmente com o apoio da cacauicultura baiana, porque aqui você tem as melhores referências científicas, técnicas, conceituais e que são capazes de instrumentalizar essa nova experiência. Não podemos imaginar que as coisas vão nascer da estaca zero com todo esse capital humano que nós temos dentro da Ceplac.

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VANE DIZ QUE PT DE ITABUNA PRECISA “SE ABRIR” E PROMETE GOVERNO COM PERFIL TÉCNICO

Vane do Renascer deixou o PT em 2011 para concorrer à prefeitura de Itabuna. Filiou-se ao PRB e derrotou não apenas a escolhida pelo antigo partido, Juçara Feitosa, como o prefeito Capitão Azevedo (DEM). A peleja não foi fácil. “Eleitoralmente, nós vencemos uma guerra”.

Agora, Vane trabalha em outra missão: compor a equipe de governo. Ele espera definir o secretariado até o dia 15 deste mês. Pelas informações colhidas, uma das áreas mais urgentes é a da Saúde. E o prefeito eleito promete trabalhar para que o município tenha o retorno da Gestão Plena logo no início do governo, em janeiro. Para isso, vai a Salvador nesta semana.

O futuro prefeito de Itabuna concedeu entrevista exclusiva ao PIMENTA na qual fala de temas espinhosos, anuncia trabalho conjunto com o prefeito eleito de Ilhéus, Jabes Ribeiro (PP), e avalia que o PT itabunense precisa “se reestruturar, se abrir”. Vane já fala em ter petistas no seu governo, mas exclui da lista a ala geraldista do antigo partido.

Confira a entrevista.

PIMENTA – O senhor já provou ser bom de urna, vencendo as três eleições que disputou, mas agora o desafio é outro. Como tem se preparado para administrar Itabuna?

VANE DO RENASCER – Eleitoralmente, nós vencemos uma guerra. Teremos governo sério, de austeridade, de redução de custos e de enxugamento da máquina para que possamos fazer os investimentos necessários. A preocupação é fazer governo com secretariado técnico, com planejamento, e atender com eficiência as necessidades da comunidade.

O sr. esperava embate eleitoral na intensidade como ocorreu?

Confesso que não esperava, pelo menos, da forma acentuada como foi. Em alguns momentos, pessoas perderam o equilíbrio, foram para a baixaria. Mostramos a verdade, aquilo que sentimos, e ganhamos a eleição de uma maneira muito ética e extremamente democrática.

O novo governo foi o primeiro no sul da Bahia a montar a sua equipe de transição. Com base nesses contatos e com as informações que o senhor já dispõe, como encontrará a máquina municipal?

A gente sabe e a comunidade percebe que Itabuna vive um momento difícil na administração pública. Nossa cidade tem uma infraestrutura que está abandonada, a saúde piora cada vez mais, o índice de violência cresce, Itabuna permanece suja, mal iluminada.

Como foram os primeiros contatos da equipe de transição com o governo?

A equipe foi bem recebida no primeiro contato. Eles não colocaram obstáculo algum. Não acredito que iremos ter dificuldades e entendemos que o prefeito José Nilton Azevedo é uma pessoa acessível. A partir desses contatos e das informações, chegaremos a um diagnóstico exato dos problemas, das dificuldades de Itabuna.

Dá para definir quais as prioridades dos 100 primeiros dias de governo?

Já fizemos contatos com a Caixa Econômica e alguns programas do governo federal precisam ser renovados, de obras federais que estão sendo feitas na cidade. Pela Caixa, temos 22 convênios e alguns se encerram agora. São 22 obras de saneamento, quadra de esportes, infraestrutura nos bairros. Então, já estamos vendo essa questão com a Caixa e entendemos que a questão inicial será mesmo na área da saúde.

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Queremos definir logo o secretário de Saúde, mas dentro de uma realidade. Não podemos atropelar esse processo.

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Quando será anunciado o secretário da Pasta?

Queremos definir logo, mas dentro de uma realidade. Não podemos atropelar esse processo.

O ex-secretário de Saúde Edson Dantas disse ao Diário Bahia que ele é nome provável para a pasta e que o senhor diretamente ventilou essa possibilidade. Ele seria o escolhido para a Saúde?

Hoje, temos o prefeito eleito e o vice eleito [Wenceslau Júnior]. Só! Não temos mais nada definido. Estamos começando a conversar sobre isso com os partidos.

Uma das questões comentadas agora é a coleta de lixo. O município vai criar cooperativa ou esse serviço continuará sendo executado por empresas?

Durante a campanha, falamos que teríamos empresa para fazer a coleta e também que criaríamos uma cooperativa para colocar essa mão de obra a serviço da limpeza pública e nós vamos realizar isso sim. Vamos criar essa cooperativa para que as pessoas, em maior número, possam estar contribuindo com a limpeza pública e que tenham retorno financeiro.

Outro detalhe, ainda na questão do lixo, é que a empresa já teria sido definida. O que há de verdade?

Não, não.

Fala-se, por exemplo, que a escolhida seria a Eco Limp, de Itabuna.

Pode ser, mas não temos nada definido. Isso será definido em janeiro.

Itabuna enfrenta problemas na destinação do lixo. A cidade até parou a coleta devido à falta de manejo no lixão [na semana passada]. O senhor tem alguma proposta para construção de aterro sanitário?

Itabuna e Ilhéus vivem momento muito bom. Nós apoiamos Jabes [Ribeiro] em Ilhéus, como ele nos apoiou aqui. Então, muitas ações serão conjuntas, inclusive o aterro sanitário. A legislação prevê que todos os municípios tenham aterro. Vamos tentar construir isso com Ilhéus e com outras cidades.

Ilhéus possui o aterro de Itariri, que enfrenta problemas. A proposta seria a construção de um novo aterro?

Sim, outro aterro. Claro que a gente vai tentar fazer isso, estreitando essa relação com Jabes [Ilhéus]. A gente já sinalizou que algumas coisas vão ser discutidas [conjuntamente]. Se for possível, faremos em conjunto. Do contrário, faremos sozinhos.

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O Complexo Intermodal, por ser obra grande e ter a questão ambiental, está lento, mas é uma conquista da região e temos certeza que o processo vai acelerar agora.

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Quais outros projetos, propostas que o sr. já pensa em construir de forma consorciada, conjunta com Ilhéus?

A própria duplicação da Ilhéus-Itabuna, o próprio Complexo Intermodal Porto Sul, que será em Ilhéus e nós precisamos discutir como melhor aproveitar essa oportunidade.

Existem críticas quanto à lentidão da implantação do projeto do Complexo Intermodal. O sr. compartilha dessa opinião?

O complexo, por ser obra grande e ter a questão ambiental, está lento, mas é uma realidade, uma conquista da região e temos certeza que o processo vai acelerar agora.

O senhor venceu o pleito a prefeito e logo foi afastado do mandato de vereador. Ainda há questionamento se o senhor assumirá ou não o mandato de prefeito. Há esse risco, o senhor assume no dia 1º de janeiro?

Não há essa possibilidade de não assumirmos o mandato. O que houve foi um afastamento liminar (preventivo) numa ação penal. O prazo para defesa nem foi aberto ainda. O que há é muita especulação. A parte jurídica está cuidando disso.

Muito se comenta da força do PCdoB na campanha do senhor e no governo eleito. Há até quem veja no conjunto comunista a personificação da “Joelma” de Vane. Qual será o estilo de governar do senhor?

O prefeito eleito é Vane. O PCdoB tem a sua parcela e os demais partidos, também. Todo mundo vai ter a sua oportunidade, terá vez no governo. Nós, democraticamente, vamos dar espaço aos partidos, que vão contribuir, colaborar com a administração.

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O secretariado vai ser uma indicação política, mas o perfil do escolhido vai ser técnico.

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Qual vai ser o critério para montar o governo?

Não vamos abrir mão do secretariado ser de pessoas das áreas para as quais foram escolhidas. O secretariado vai ser uma indicação política, mas o perfil do escolhido vai ser técnico.
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Clique no link e confira respostas de Vane sobre choque de gestão, influência da Igreja Universal em seu governo, relação com os governos estadual e federal e participação do PT itabunense na gestão municipal
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JABES RIBEIRO: “SE TIVERMOS UMA VISÃO AMPLA, TODOS VAMOS CRESCER”

ENTREVISTA

Prefeito eleito de Ilhéus, Jabes Ribeiro (PP) fará a partir de 1º de janeiro de 2013 seu quarto mandato à frente do município. Ele venceu as últimas eleições a bordo de uma aliança formada por 16 partidos, e talvez uma de suas tarefas mais complicadas será compor os diferentes interesses de um grupo heterogêneo. Nesta entrevista concedida ao PIMENTA, Jabes assegura que em seu governo não haverá loteamento de cargos e a ocupação das funções levará em conta, além da indicação política, o perfil do indicado. O futuro gestor fala ainda, entre outros assuntos, sobre a questão dos precatórios, que trava o governo ilheense, e as perspectivas do município com a implantação do Porto Sul. Jabes diz defender o desenvolvimento sustentável e salienta: “não sou ecochato nem irresponsável”.

A entrevista com Jabes Ribeiro abre a série que o PIMENTA fará com prefeitos eleitos no Sul da Bahia. Confira abaixo os principais trechos:

PIMENTA – Esta última eleição em Ilhéus mostrou uma população dividida e aparentemente desestimulada com a política. Mais de 33 mil ilheenses deixaram de votar e houve ainda 3.115 votos brancos e 6.105 nulos. O senhor acha que esses números refletem a descrença do eleitorado?

Jabes Ribeiro – De forma alguma. Ilhéus tradicionalmente tem um alto índice de abstenção, primeiro em função da área rural, que é muito grande, e muitos eleitores moram em fazendas. Antigamente, havia o hábito de se fazer o transporte dessas pessoas, mas isso não é mais possível em função da legislação e a justiça eleitoral não toma as providências para viabilizar o deslocamento dos eleitores. Por outro lado, no dia anterior à eleição o tempo não estava bom. Na véspera choveu muito e eu acho que isso foi um fator decisivo para essa abstenção.

PIMENTA – O município enfrenta precariedade em diversos setores, inclusive nos mais essenciais, que são saúde e educação. O senhor já definiu uma estratégia para superar as dificuldades e fazer com que a população possa ter um serviço público mais qualificado?

JR – Ilhéus vive uma situação extremamente grave em todos os setores. Eu fiz uma visita ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e, conversando com alguns técnicos, pessoas que conhecem a realidade de Ilhéus, a constatação é de que o quadro é assustador. O município tem as suas contas rejeitadas desde de 2006. Isso significa que, sucessivamente, O tribunal tem dado parecer contrário, basicamente em função, entre outros, de três itens: problemas na saúde, educação e na área de pessoal. São questões graves. Por outro lado, você tem uma desorganização financeira tal que acaba prejudicando os serviços essenciais. Não funcionam limpeza urbana, iluminação pública, saúde, educação, as estradas rurais se encontram em péssimo estado. Não é uma situação simples, nós já tínhamos essas informações e ninguém está se surpreendendo com nada, mas a cada dia está sendo constatado o fato de que efetivamente o município está na UTI.
PIMENTA – Esse cenário exige a definição de prioridades. O que já se vislumbrou nesse sentido?

JR – Aproveitando até declarações do prefeito, quando estive com ele, de que tem interesse em contribuir com a transição, nós esperamos que na prática isso aconteça. Nesta segunda-feira (29), nós estaremos entregando ao prefeito um ofício, no qual fazemos algumas solicitações. Entre elas, apresentamos o grupo que vai colher os dados dentro da comissão de transição, de acordo com Resolução do TCM. Essa coleta de dados será muito importante para fazermos um diagnóstico. Com ele é que nós teremos condições de tomar as medidas necessárias, primeiro no sentido de saber qual a estrutura administrativa possível, dentro da realidade do município, e a partir daí definir a equipe de governo para que possamos adotar as providências já no início da administração, procurando arrumar a cidade, organizar as finanças e, efetivamente, trabalhar para melhorar os serviços essenciais.

 

Ninguém está se surpreendendo com nada, mas a cada dia está sendo constatado o fato de que efetivamente o município está na UTI.

 

 

 

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VALÉRIA MORAIS: “NUNCA TIVE MEDO DE ENFRENTAR DESAFIOS”

Campeã das urnas para a Câmara de Vereadores de Itabuna nas últimas eleições, tendo conquistado 2.054 votos, a Soldada PM Valéria Morais não se intimida quando lhe cobram experiência. A falta deste quesito é colocada como barreira para ela pleitear a presidência do legislativo, mas Valéria rebate a crítica, sustentando que é capaz de aprender e pretende atuar em harmonia com os colegas da Câmara.

Nesta entrevista ao PIMENTA, a vereadora eleita optou por não criticar a atual legislatura e afirmou que pretende pautar seu mandato em valores como fidelidade, respeito e compromisso. Valéria não descarta a possibilidade de vir a se candidatar para a Assembleia Legislativa em 2014.

Confira os principais trechos: 

PIMENTA – Quem é a Soldada Valéria Morais?
Valéria Morais – Sou mineira de Nanuque e vim para Itabuna aos seis anos de idade. Meu pai era motorista da Águia Branca e foi transferido para cá. Nós residimos ali na Vila das Dores, onde eu cresci. Fui feirante, já administrei loja, trabalhei no setor de topografia da Águia Branca. Aos 19 anos, ingressei nos quadros da Polícia Militar, onde estou há 15 anos. Tenho um casal de filhos.

PIMENTA – Como surgiu a decisão de entrar na política?
Valéria Morais – A partir daquele movimento, tivemos consciência de que era necessário ter presença nas Câmaras de Vereadores, assim como na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Nós somos politicamente fortes. Quem levantou o nosso nome foi a própria categoria, por acreditar em nossa capacidade de trabalhar pela comunidade.

PIMENTA – Qual o seu sentimento depois de ter sido a candidata mais votada para a Câmara de Vereadores?

Valéria Morais – Eu me sinto com mais responsabilidade, inclusive porque foi confiada a vários homens a missão de levantar essa candidatura e a escolhida é uma mulher. O que esse resultado me transmite é necessidade de atuar com firmeza nas atitudes e a manter meu compromisso de respeito ao povo de Itabuna. Tive 2.054 votos e não foi fácil. A categoria levantou meu nome e as pessoas acreditaram. Eu sempre falava que nossos votos estavam dentro de nossas próprias casas. Foram muitas igrejas que oraram pela nossa campanha e eu confirmei que nosso Deus não dá nada pela metade a ninguém. Quando Ele dá, é o primeiro lugar.

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WAGNER FALA DE GOVERNO, ELEIÇÕES E MENSALÃO E DIZ QUE A “VEJA VIROU PARTIDO POLÍTICO”

Governador durante inauguração de base comunitária em Itabuna (Foto Pimenta).

O governador Jaques Wagner esteve no final de semana em Itabuna, onde inaugurou a primeira Base Comunitária de Segurança no interior da Bahia. A base de segurança é aposta para redução dos índices de criminalidade em áreas onde há domínio do crime.

Após a inauguração no Monte Cristo e entrevista ao Alerta Total, da TV Cabrália, o governador concedeu entrevista ao PIMENTA. O mandatário baiano falou de greves no funcionalismo, gestão pública, eleições e reflexos eleitorais do julgamento do Mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). Wagner fez crítica à Revista Veja pela postura de “partido político” assumida pela publicação da Editora Abril.

O governador também abordou o processo eleitoral na Bahia e ainda vê a disputa embolada em Itabuna. Ele afirmou que, na reta final, poderá vir a Itabuna apoiar o candidato da base aliada que estiver melhor posicionado – Vane do Renascer (PRB) ou Juçara Feitosa (PT).

PIMENTA – Quais os resultados já obtidos com as Bases Comunitárias nas áreas onde foram instaladas?

JAQUES WAGNER – A depender do tempo de instaladas, os índices de criminalidade apresentam redução de 40% a 50%. Na área do Calabar [Salvador], tivemos período longo com zero homicídio e as bases têm se mostrado a melhor política, mas é óbvio que não vamos colocar bases em todos os bairros, todo interior, mas as colocamos em cidades com índices elevados, como é o caso de Itabuna. Semana que vem estou indo a Feira de Santana, tem uma projetada para Porto Seguro, é uma política de instalar em bairros onde existe o tráfico conflagrado.

O governo fez opção de instalar a Base Comunitária numa área de quadra poliesportiva. Não há uma incoerência governamental entre discurso e combate ao crime?

Na verdade, foi demandado à prefeitura o oferecimento de um terreno. Também acho que é ruim suprimir uma quadra de esporte para colocar uma base comunitária, que é bem-vinda. A unidade nossa é provisória, mas o terreno ao lado [da quadra] é que será usado.

Existem demandas no sul da Bahia, como a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna . Quando esta obra vai sair?

A duplicação ficou a cargo do governo federal . O Derba [órgão estadual] já entregou o projeto ao Dnit e está sendo adequado pelo Ministério dos Transportes. O dinheiro está reservado dentro do PAC II. É o Dnit terminar o projeto, sair a licença ambiental e fazer a obra. Eu tenho convicção de que a gente consegue começar essa obra no primeiro semestre de 2013.

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Com a aproximação da eleição, se um candidato da base estiver disputando com o adversário, no caso de Itabuna é com o DEM, a gente pode vir para reforçar.

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Falando de eleições, como se posicionará em Itabuna, onde a base tem dois candidatos?

Para não ser desleal, a minha postura é sempre ficar equidistante onde temos dois candidatos e estes participaram da minha campanha [em 2010]. Com a aproximação da eleição, se um candidato da base estiver disputando com o adversário, no caso de Itabuna é com o DEM, a gente pode vir para reforçar. Por enquanto, há a informação de que a disputa está embolada e eu estou me mantendo distante não só aqui como em todos os lugares. Sou do PT, mas sou de uma coligação. Então, se existem dois candidatos da base, a gente mantém essa distância.

Qual o mapa eleitoral que o governo projeta para este ano?

A projeção que temos é de que, dos 417 municípios, faremos 320. Gente mais otimista fala em 330. Eu boto 320, o que já seria um número bastante representativo, ficando perto de 100 com a oposição, mas ressalvando alguns municípios, pois o PMDB é parte do governo da presidenta Dilma e oposição ao governo estadual, mas não há “interdição” de alianças. Tem prefeitura que vai ser ganha pelo PMDB, mas com o apoio de gente nossa e do PT. E tem lugares onde o PT deve ganhar com o apoio do PMDB. Mas eu diria que, na minha base, estaremos acima de 320 prefeituras.

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Nelson Pelegrino tem crescido bastante e o candidato do DEM, na minha opinião, vem perdendo fôlego.

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E Salvador?

Nelson Pelegrino tem crescido bastante e o candidato do DEM, na minha opinião, vem perdendo fôlego. Em Feira, a eleição é dura, mas a reação de [Zé] Neto é muito boa. Já em Vitória da Conquista, Guilherme Menezes está bem. Aqui em Itabuna, como já disse, está embolado e em Ilhéus nós temos dois candidatos da base, assim como em Barreiras. Então, acho que o resultado vai ser bastante positivo.

Nacionalmente, qual será o impacto do Mensalão para o projeto eleitoral do PT?

Eu estava dizendo que houve julgamento do povo. O episódio do Mensalão já foi público. Em 2005, 2006, teve gente cassada ou que renunciou para não perder o mandato… Na minha opinião, o impacto maior se deu naquela época. Nós já tivemos as eleições de 2006, 2008 e 2010. Algumas pessoas se desestimularam em relação ao PT, mas, pelo desempenho nas eleições, eu diria que não foi um golpe como a oposição gostaria que fosse. Até porque, se o PT tem erros, e seguramente tem, os outros não estão isentos.

Os reflexos hoje seriam menores?

A população não é mais ingênua. Sabe que fazer o discurso da moralidade é fácil, mas teve, por exemplo, o episódio do Mensalão do DEM, com gente filmada colocando o dinheiro no bolso e por aí vai. E o PSDB, também [Minas Gerais]. Então, eu não gosto de generalizar. Seguramente, não somos um partido dos santos, mas de homens e mulheres, como todos são, com erros e acertos. Agora, alguém tentar posar de partido dos santos, de partido detentor da moralidade absoluta acaba soando como mentira para a população. Então, algum impacto acho que tem, mas não estou sentindo, pelo menos por onde tenho andado.

E na Bahia?

É óbvio que não tenho andado por outros estados, mas não estou sentindo isso.

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Eu digo sempre que com o pecado do pecador o povo já se acostumou. O pecado do pregador assusta muito mais. Quando acontece alguma coisa com alguém do PT, vira escândalo.

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O senhor esteve em São Paulo em apoio a Fernando Haddad. Lá, o senhor não sentiu?

Algum reflexo tem, é óbvio. Eu digo sempre que com o pecado do pecador o povo já se acostumou. O pecado do pregador assusta muito mais. Como nós sempre pregamos a moralidade e o bom uso do dinheiro público, quando acontece alguma coisa com alguém do PT vira um escândalo. Por quê? Porque somos pregadores do bom uso do dinheiro público. O episódio foi em 2005, há o julgamento e a postura de condenação. Agora, não acredito que isso vá ser… Vamos ver em São Paulo, onde o Haddad está crescendo, o Russomano está consolidado na primeira posição. Espero que [no segundo turno] dê Russomano e o Haddad, mas vamos esperar mais um pouquinho.

E o que muda com o envolvimento do nome do ex-presidente Lula, segunda a Veja?

Olha, a Revista Veja, ultimamente, tem se transformado quase que num partido político, como já aconteceu em outros países democráticos como Inglaterra, Estados Unidos. Alguns órgãos de imprensa esquecem de que a imprensa tem direito a ter sua opinião – e nós defendemos a liberdade de imprensa, mas tem momentos que ela assume uma posição e se contamina até diante da sociedade. A tentativa, na minha opinião, é absurda. Eu fui ministro que cuidava de toda aquela questão à época do Mensalão. Eu era o articulador político do presidente Lula… No dia que estive em São Paulo, estava saindo a revista e eu disse “posso garantir que o presidente nunca se encontrou com Marcos Valério nem no Palácio do Planalto nem no Alvorada ou na Granja do Torto”.

Mas a pressão é grande.

Essa tentativa [de envolver o ex-presidente Lula] já foi rechaçada no começo pelo Supremo. É tentativa de contaminar uma pessoa que, para tristeza das oposições, continua morando no coração de 80% dos brasileiros, pelo trabalho que ele fez. Mas não acho que isso vá prosperar. Insisto que é falta de argumento da oposição e aí tenta bater só nessa tecla. O povo ouve a palavra, mas julga pela ação. Creio que a ação do PT ao longo desses anos, seguramente, não é perfeita, mas a gente tem feito processo de prosperidade bastante grande no Brasil e na Bahia.

O senhor sempre foi visto como homem do diálogo e oriundo da base sindical. Por que se enfrentou duas greves duras só neste ano, principalmente a dos professores, que foi a mais desgastante e longa?

A greve da Polícia Militar, na verdade, tinha uma agenda nacional, que era a PEC 300. Então, iniciou-se um processo de greves em outros estados e chegou na Bahia e tomou contornos inaceitáveis e violentos. Graças a Deus, superamos aquela fase. Fizemos uma oferta salarial à Polícia Militar que começa a ser cumprida agora em novembro.

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Os negociadores do meu lado e do lado dos professores não exercitaram bem o que é sagrado – a mesa de negociação e o diálogo – e a greve acabou adentrando por uma conotação de politização.

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E na greve dos professores?

No caso dos professores, considero que houve erro de parte a parte na mesa de negociação. Os negociadores do meu lado e do lado dos professores não exercitaram bem o que é sagrado – a mesa de negociação e o diálogo – e a greve acabou adentrando por uma conotação de politização. Só lembrar que, seguramente, não sou governador da Bahia duas vezes, deputado três vezes e ex-ministro do presidente Lula por que seja burro. É óbvio que se num ano eleitoral eu pudesse alargar os proventos do funcionalismo público para estar em cada canto com gente satisfeita… Eu tenho limite e tenho que governar dentro da responsabilidade fiscal. Eu só quero lembrar, sem voltar a esse debate, que nós fizemos e vamos completar em março 53% de ganho real sobre a reposição da inflação. Houve desgaste, mas ele vai sendo superado. O governo não é julgado só por esse episódio. É julgado pelo conjunto da obra de cinco anos e meio. Graças a Deus, a gente tem avaliação bastante positiva da população.

Só que as pesquisas ainda apontam desgaste.

Não, você está falando da pesquisa de Salvador. É que o povo tem a mania de pegar pesquisa de Salvador.

Nos maiores centros, como Itabuna, também ainda há reflexo.

Em Feira de Santana virou completamente. Pode não ser igual às outras cidades do interior, mas a avaliação é positiva. Inclusive, em Salvador a regressão da desaprovação já é bastante grande e a gente já tem aprovação superior a não-aprovação. Salvador foi o grande foco da greve dos professores. Mas em época de eleição as coisas são… (pausa)

Mais acirradas?

(…) Mais acirradas e ninguém [da oposição] vai falar das bondades. Mas sou pessoa tranquila. Vou dar o exemplo de Salvador [em relação a pesquisa]: tinha gente comemorando antes da hora e me parece que a festa não vai ser como eles estavam imaginando. Vamos aguardar porque, pelas pesquisas, eu não iria nem para o segundo turno em 2006 e acabei ganhando no primeiro. Achava impossível ganhar do primeiro turno em 2010… Não falo isso com arrogância, mas como recomendação porque pesquisa é fotografia do momento. Eu acabei de ouvir do diretor da própria rede aqui [Marcelo Almeida, da TV Cabrália] que as coisas mudam com muita rapidez em Itabuna. Em São Paulo, todo mundo achava que Celso Russomano (PRB) ia cair [nas pesquisas]  com duas semanas de televisão. Consolidou em 35% e está todo mundo agora batendo perna, não entendendo o que está acontecendo. Então, vou continuar com minha humildade. Evidente que eu sei os problemas que o governo tem, mas também eu sei das entregas que a gente fez e não são poucas, e o povo julga pelo conjunto da obra.

JUTAHY VÊ DISPUTA ENTRE AZEVEDO E VANE E DIZ QUE PT ERRA AO NACIONALIZAR ELEIÇÕES

O deputado federal Jutahy Júnior circulou neste final de semana no sul da Bahia em atividades de apoio a candidaturas do arco de alianças do PSDB. Ontem à noite, o parlamentar falou do mensalões do PT e do PSDB mineiro (claro, diferenciando-os), eleições de 2014 e fez avaliação das disputas eleitorais em Ilhéus e Itabuna.

Jutahy vê corrida acirrada pelo voto em Itabuna sendo travada entre o prefeito e candidato à reeleição, Capitão Azevedo (DEM), que tem apoio do PSDB, e Claudevane Leite, Vane do Renascer (PRB).

Para ele, o cenário em Itabuna ficará mais nítido quando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) liberar o registro de candidatura de Azevedo, barrado em primeira instância por irregularidades insanáveis em licitações e contratos nos anos de 2009 e 2010.

Jutahy disse que, no geral, o PSDB acertou ao abrir mão de candidaturas próprias a prefeito nos grandes municípios baianos em favor de aliados mais viáveis eleitoralmente, a exemplo de Azevedo em Itabuna. E critica a estratégia petista de nacionalizar a disputa de 2012.

PIMENTA – O PSDB, taticamente, agiu certo ao abrir mão de ter candidaturas próprias a prefeito nos principais municípios da Bahia?

JUTAHY JÚNIOR – A estratégia foi exatamente essa: fortalecer as candidaturas aliadas mais viáveis. Mesmo onde abrimos mão, temos chapas fortes para vereador. Esperamos fazer três vereadores em Itabuna, onde tínhamos nome respeitado para disputar a prefeitura, Ronald Kalid. No geral, nossa estratégia é inversa à do PT, que preferiu nacionalizar as campanhas com o “time” de Lula, Dilma e Wagner.

A estratégia do PT é errada?

O PT cometeu maior equívoco. A [estratégia] é completamente furada. Impuseram candidaturas artificiais, esqueceram de propostas com identidades nas cidades. Achava que só o marketing político era suficiente. Mas é indiscutível que houve desgaste do PT com o mensalão. A imagem foi atingida. Somou-se ao erro de estratégia nacionalizada o mensalão.

No plano nacional, o PSDB lidera em duas capitais, mas não aquelas de grande expressão. As estratégias tucanas também não têm sido equivocadas?

Lideramos em Macéio (AL), Teresina (PI), Vitória-ES, Rio Branco (AC) e São Luís (MA).

O que está acontecendo em São Paulo, com José Serra?

A luta é levar o Serra para o segundo turno. E acho que isso é muito provável, que chegue ao segundo turno.

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Na cidade de São Paulo, tem quem o quer, mas também tem o petista e quem é próximo ao PT que tem em Serra o antagonista.

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Mas ele, segundo as pesquisas, tem rejeição superior a 40%. Como se explica essa rejeição?

Serra foi candidato tendo embates muito fortes. Foi para o segundo turno contra a Dilma em 2010. Foi contra Marta Suplicy em 2004, na disputa pela prefeitura. Na cidade de São Paulo, tem quem o quer, mas também tem o petista e quem é próximo ao PT que tem em Serra o antagonista. Tem o que vota e o que não vota nele. A campanha, dessa vez, é acirrada. É impositiva do Lula no apoio a [Fernando] Haddad. Dilma, também [apoia].

Qual a análise do senhor quanto às disputas em Itabuna e Ilhéus?

A questão de Ilhéus eu não tive participação. Estou mais envolvido com os vereadores. [Os deputados] Imbassahy e Augusto Castro que definiram [apoio a Jabes Ribeiro, do PP]. Já em Itabuna, eu participei diretamente na decisão, no convencimento do diretório municipal, de fazer essa aliança.

E a disputa em Itabuna, que cenário o senhor enxerga?

Em Itabuna, é disputa que ainda está em aberto. Acho que a eleição vai ser entre o Capitão [Azevedo] e Vane. Mas na hora que sair o registro [de Azevedo], teremos cenário mais nítido. Existem muitos eleitores indecisos.

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Em Itabuna, estamos muito otimistas [quanto à disputa no legislativo], esperamos fazer três vereadores do PSDB.

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Mas as sondagens revelam o contrário: o percentual de indecisos é muito baixo.

Acho que [a disputa] vai ser entre Azevedo e Vane, com boas perspectivas para o capitão. Em Itabuna, estamos muito otimistas [quanto à disputa no legislativo], esperamos fazer três vereadores do PSDB.

Como o PSDB sai das urnas na Bahia?

As projeções são razoáveis no quantitativo. No sentido político, será positivo.  Temos o vice em Conquista, abrimos mão em Salvador e em Camaçari [onde o partido renunciou em apoio a Maurício de Tude, do PTN]. Nossa estratégia foi apoiar, eleger prefeitos eficientes para pensar em 2014. O trabalho [de alianças] que o Augusto tem feito ajudou o PSDB a expandir muito aqui na região sul.

O senhor falou de Itabuna. E Ilhéus?

Jabes é favorito. Isso é indiscutível.

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DIRETOR DIZ QUE CIA DE PATIFARIA FAZ TEATRO DE REFLEXÃO

Jarbas Oliver e Lelo Filho contracenam em A Bofetada (Foto Leto Carvalho).

“Não fazemos teatro de puro entretenimento, mas de reflexão”, afirma o ator, produtor e diretor da peça A Bofetada, Lelo Filho, da Cia Baiana de Patifaria. Ele teve um dedinho de prosa com o PIMENTA na quinta, 5, um dia antes de iniciar a série de três apresentações da peça no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna.

A Bofetada tem 24 anos de apresentações contínuas pelo País e interior baiano com o texto sempre renovado de ingredientes a partir de pesquisas de situações locais.

Lelo disse que na curta temporada em Itabuna não faltarão críticas bem-humoradas. “Fizemos pesquisa para ver o que está acontecendo [na cidade] e sobre coisas que se pode mencionar no texto. É um espetáculo renovável”, resumiu.  A seguir, os principais trechos da prosa.

PIMENTA – Como tem sido a experiência de levar ao público um espetáculo como este por tanto tempo?

LELO FILHO – A Bofetada é um espetáculo que se renova o tempo inteiro. A cada nova temporada, a cada cidade visitada, a gente sempre insere alguma coisa. A Bofetada comemora 24 anos. É um trabalho de ator, bacana. Para quem fez ou está fazendo, é um trabalho de memorizar coisas novas. A gente monta o espetáculo como se tivesse sido feito em cada lugar que a gente visita.

Nesses 25 anos, dá para sentir renovação de público no interior da Bahia, onde há carência de produção, espetáculos e espaços teatrais?

Com A Bofetada, a gente percorreu 50 cidades do Brasil. O interior da Bahia sempre. Foram longas temporadas no Rio, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte. Só não fizemos a região Norte. Acredito que o espetáculo também seja responsável pelo bom momento do teatro baiano, que começou na virada dos anos 80 e 90, quando se chamou o público de volta para ver espetáculos produzidos na Bahia. Quando a gente volta, a plateia se renova com gerações que não viram o espetáculo. Há cinco anos que a gente não vem a Itabuna.

 

Basta você ligar a TV e assistir ao noticiário político da cidade e do país para ter grande arsenal de piadas.

 

Você se recorda de algum fato pitoresco envolvendo o espetáculo em cena e a plateia nas apresentações feitas aqui na região?

Quando você fala de coisas locais, como a Ilha do Jegue, o Bairro Maria Pinheiro e a divisa com o Daniel Gomes, ou inserindo locais, coisas que o público entende, gera humor, risos. Meu personagem mora na divisa dos dois bairros. Há certa ironia. A gente faz com o intuito de aproximar, o que acaba ficando até mais engraçado.                                                                      

Muitas mudanças no elenco durante esse longo período?

Sou o único ator da formação original. Pelo espetáculo, já passaram 14 atores. O atual núcleo tem Alexandre Moreira, Jarbas Oliver, Nilson Rocha e eu. Em paralelo, estamos com o espetáculo Siricotico, que já esteve em Itabuna, uma das poucas cidades baianas a recebê-lo.

Deve ser prazeroso fazer A Bofetada com o texto renovado. Ainda há muito a oferecer ao espectador?

O Brasil é país rico em fornecer material. Basta você ligar a TV e assistir ao noticiário político da cidade e do país para ter grande arsenal de piadas. Não que seja uma coisa boa, mas, na verdade, a gente ironiza essas mazelas todas para que a plateia reflita. Não fazemos teatro de puro entretenimento, mas de reflexão.

Serviço
Peça A Bofetada (Cia Baiana de Patifaria)
Quando: 7 e 8 de Julho / 20h
Onde: Centro de Cultura Adonias Filho (Itabuna)
Ingresso: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia)

SERPA: “VOU PENSAR EM POLÍTICA SÓ EM 2014”

O tenente-coronel Valci Serpa descartou a possibilidade de ingressar na política neste ano e ser o candidato a vice-prefeito na chapa da petista Juçara Feitosa. “Vou pensar em política só em 2014”.

O militar atuou por vários anos no comando regional da Polícia Rodoviária Estadual no sul da Bahia, com sede em Itabuna. Seria um nome novo, leve e com carisma na política local. Traduzindo para o bom politiquês, daria leveza à chapa petista.

Ao PIMENTA, Serpa disse que assumiu hoje o comando do 19º Batalhão da PM em Jequié e soaria deselegante deixar o cargo agora para disputar eleição.

PIMENTA – O senhor vai aceitar a vice?

VALCI SERPA – Assumi o batalhão há pouco, tá doido? (risos). Não fui convidado por ninguém. Nem que me convidassem, eu aceitaria, pois estou começando o trabalho [em Jequié] hoje. Ficaria estranho e seria deselegante com o meu comando [sair agora].

O senhor descarta entrar na política agora?

Vou pensar em política só em 2014. Não partiria [para disputa] agora, sem ter formado meu grupo político. Até 2014, estou fora. Mas não recebi convite para ser vice de Juçara ou Geraldo Simões. Isso é só especulação.

E como o senhor está encarando o desafio de comandar a polícia militar em Jequié?

É uma missão boa, desafio novo. Estou pronto para fazer trabalho de polícia comunitária, cidadã.

Havia expectativa do senhor assumir o comando em Itabuna…

Itabuna, por agora, não. No próximo ano, 2014, talvez.

ASSEDIADO PELO PT, BISPO MARINHO DIZ QUE MANTERÁ CANDIDATURA “ATÉ O FIM”

O deputado federal Bispo Marinho (PRB) lançou-se na disputa pela Prefeitura de Salvador e espera ter seu nome confirmado em convenção partidária no próximo sábado, 30.

Ele afirma que tem mantido contato com vários partidos em busca do vice. As especulações apontam para uma chapa puro-sangue ou até mesmo o deputado ser o vice na chapa encabeçada pelo petista Nelson Pelegrino.

Marinho diz que manterá seu nome na disputa até o fim e já definiu, pelo menos, propostas, estrutura de campanha e a agência que cuidará do marketing da campanha, a Go. Acompanhe o bate-papo ocorrido na semana passada.

PIMENTA – O senhor manterá o nome na disputa até o fim?

BISPO MARINHO – A nossa candidatura está posta. Será homologada no dia 30, na Casa de Espetáculos, ao lado da sede de praia do Bahia, às 16h. Fizemos reunião com 90 candidatos a vereador em Salvador, já definimos algumas metas, para iniciarmos bem a nossa campanha.

Como está a montagem da chapa?

A gente tem feito contato com vários partidos para integrar nossa chapa e fazer aliança conosco. Ainda não temos vice. Estamos trabalhando para atrair quem possa contribuir politicamente. Dar opção em Salvador. A eleição realmente vai para o segundo turno. Vamos discutir, então, quem será colocado nesse projeto.

O PRB dispõe de pouco tempo de televisão. Qual vai ser a estratégia eleitoral?

Nós vamos trabalhar muito na rua. As pessoas que nos apoiam politicamente e os candidatos a vereador têm penetração muito grande na massa. Trabalho articulado de base, forte para tirar essa diferença de tempo de televisão. Com esse tempo, dá para fazer trabalho para se comunicar com a população.

A candidatura do senhor é irreversível ou o senhor coliga com o PT de Nelson Pelegrino?

É para se manter até o fim. Vamos trabalhar forte. Nós tivemos 83 mil votos em Salvador na disputa acirrada para deputado federal. A gente tem conhecimento da cidade, das lideranças. Sou único evangélico dentre os prefeituráveis. Não serei só dos evangélicos. Sou o único negro dentro deste leque. Além disso, transito muito bem em todos os segmentos. Já temos plano de governo, estrutura sendo montada e agência de propaganda, a Go, G-O. O L eu vou colocar [fazer] no dia 7 de outubro (risos largos).

O senhor é dirigente estadual do PRB. Como o partido vai para a disputa na Bahia?

Teremos candidatos em, pelo menos, 40 municípios, além de 20 candidatos a vice. No sul da Bahia, teremos Vane do Renascer em Itabuna, Milton Cerqueira em Coaraci…

 

Montamos frente partidária para ter viabilidade político-eleitoral contra o candidato do Democratas. O nosso adversário político vai ser o Democratas.

 

Em Itabuna, ainda há possibilidade do PRB, por ser da base estadual, aliar-se ao PT?

Não temos absolutamente nada contra Geraldo Simões e Juçara. Estamos na mesma base estadual, mas regionalmente nos encontramos em campos opostos. Montamos frente partidária para ter viabilidade político-eleitoral contra o candidato do Democratas. O nosso adversário político vai ser o Democratas. Fazemos humildemente convite para PT, PSD e PSB venham integrar essa chapa para faze enfrentamento positivo.

O senhor tem acompanhado as denúncias d´O Globo quanto à venda de emendas parlamentares?

Vi por alto essa matéria. Não sei que fundo de verdade tem nisso. Acho que cada um é adulto, sabe o que fez ou deixou de fazer. Cabe a cada um deles provar se não houve algo de ilícito.

JUÇARA FEITOSA: “NOSSO ADVERSÁRIO É O DEM”

A suplente de senadora e petista Juçara Feitosa disputará a prefeitura de Itabuna pela segunda vez. A convenção que confirmará a candidatura ocorre no próximo dia 30.

Ela acredita que o atual modelo de administração em Itabuna “está esgotado” e defende que os partidos da base aliada se juntem à sua candidatura “pelo desenvolvimento da cidade”.

Juçara também crê que a alta aprovação popular da presidente Dilma Rousseff ajudará a quebrar resistência do itabunense em eleger uma mulher prefeita.

Nesta entrevista, a ex-secretária de Desenvolvimento Social desfere estocada no Capitão Azevedo (DEM). Para ele, o prefeito enganou o eleitor com promessa de “20 mil bolsas renda, carteiras de motorista gratuita, terra pra todo mundo e prefeitura móvel”

PIMENTA – A senhora teve 42 mil votos em 2008, mas perdeu a eleição para seu oponente por 12 mil fotos de frente. Por que manter sua candidatura?

JUÇARA FEITOSA – Itabuna e região estão recebendo grandes investimentos. É importante que o município esteja próximo dos governos federal e estadual, pois o modelo que administra a cidade, o DEM, está esgotado, sem criatividade e sem capacidade de gestão. Por isso, sou candidata.

Mas esse discurso de proximidade com os governos federal e estadual já não deu certo, não é? 

Os governos Dilma e Wagner são do PT e vão nos ajudar a colocar Itabuna no contexto do desenvolvimento. Estamos vivendo isso com o Brasil e queremos que seja assim também com a nossa cidade.

A presidente Dilma pode ajudar sua campanha?

A presidente Dilma se mostra grande gestora, faz excelente trabalho e é respeitada mundialmente por isso. O Brasil, após Lula e com Dilma, só tem boas notícias. Acredito que podemos fazer o mesmo com Itabuna. Ter boas notícias em vez de ser apontada como campeã da dengue, campeã da mortalidade infantil, campeã em índices de violência.

Como está a sua pré-campanha?

Tenho conciliado apoios e conversado com as pessoas. Tenho visto de perto as carências de famílias mais humildes de nossa cidade. Percebo o desejo de mudança para vida digna, de qualidade e compromisso com a saúde, infraestrutura dos bairros e o social.

A saúde é das áreas mais criticadas em Itabuna. O que fazer?

Defendo que é urgente reformular a política de saúde, aplicando além dos 15% exigidos pela Constituição, e reforçar os recursos federais e estaduais que vêm para o município. Reorganizar os hospitais e recuperar e melhorar as unidades básicas de saúde com mais cotas de exames, médicos, remédios, equipamentos. Defendo ainda criar centros especializados de saúde da mulher e da criança.

 

RECURSOS FEDERAIS: As obras começam, mas não terminam, ou fazem obra de qualidade duvidosa.

 

A senhora fala em afinidades do seu partido e de seu projeto com os governos estadual e federal. Mas a cidade tem tido muitas obras.

É verdade, mas são obras estruturantes previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que não mede esforços em repassar recursos para cidades acima de 200 mil habitantes. Os projetos chegam, as ações são importantes, mas os recursos não são aplicados como deveriam pela prefeitura. As obras começam, mas não terminam ou se faz obra de qualidade duvidosa.

Um dos grandes debates nesta eleição será o avanço da criminalidade. Qual seria a solução para a violência?

É preciso ação firme no combate à violência que afeta crianças, jovens e toda a sociedade. O combate não pode ter somente repressão, mas políticas públicas inclusivas. Defendo a criação da Secretaria da Segurança Pública e Trânsito e ações coordenadas com o Ministério Público e polícias Civil e Militar, além de programas sociais para jovens de 15 a 29 anos, a faixa mais vulnerável, inserindo-os no grupo de população economicamente ativa da sociedade.

Como está o quadro de alianças para sustentação de sua candidatura a prefeita?

Já temos um número significativo de partidos, mas isso será definido até o dia 30 de junho, dia de nossa convenção.

As conversas com os partidos da base aliada do governo estão em que nível?

Estamos conversando com todos. O PT trabalha pela união e defesa do povo, independente das vaidades das lideranças. O nosso adversário é o DEM.

 

O VICE: Não definimos ainda. Será uma grande surpresa que iremos apresentar na nossa convenção.

 

Quem será o candidato a vice de sua chapa?

Não definimos ainda. Será uma grande surpresa que iremos apresentar na nossa convenção, no dia 30.

O PCdoB se mantém ressentido com o PT pelo episódio envolvendo o vereador Wenceslau Junior. Há diálogo com os comunistas?

Itabuna deve estar acima desses sentimentos. Caminhamos para fortalecer a cidade, que não pode perder tempo nem oportunidades.

A militância petista está animada com sua nova pré–candidatura?

A militância do partido está firme e confiante.

As eleitoras de Itabuna estão dispostas a mudar de opinião e votar na senhora?

A mulher tem papel importante na sociedade e sente mais as dificuldades dos serviços públicos de saúde, educação, infraestrutura, má-qualidade de vida e a violência. Tenho certeza que as mulheres de Itabuna responderão a esse chamamento.

A imagem da presidente Dilma pode contribuir para reforçar sua campanha nessa direção?

A presidenta Dilma será um dos nossos exemplos. Queremos convencer as mulheres que, mais próximos dos governos federal e estadual, poderemos realizar os investimentos na infraestrutura dos bairros, na saúde, na educação e na qualificação das pessoas.

 

ESTOCADA EM AZEVEDO: Não nos utilizaremos de mentiras nem falsas promessas, a exemplo de 20 mil bolsas renda, carteiras de motorista gratuita, terra pra todo mundo e prefeitura móvel…

 

Como a senhora acha que será a campanha no rádio e na TV?

Vamos fazer uma campanha de alto nível. Não nos utilizaremos de mentiras nem falsas promessas, a exemplo de 20 mil bolsas renda, carteiras de motorista gratuita, terra pra todo mundo e prefeitura móvel e de portas abertas… Itabuna não quer mais essa enganação. Mostraremos projetos concretos para provar a nossa real intenção em priorizar o cuidado com a cidade.

A senhora foi secretária municipal de Assistência Social como avalia o setor atualmente?

Quando dirigi a Assistência Social, fizemos ou trouxemos vários programas como Viva Maria, Grapiúna Cidadão, Alimenta Itabuna e Bolsa-Família. Muitos desses meninos conseguiram o primeiro emprego na Coelba, Banco do Brasil e na Prefeitura. Os projetos já não oferecem as mesmas oportunidades e caiu em qualidade. Poderia hoje estar atendendo a 30 mil famílias, mas não passa de 19 mil. Isso mostra a falta de prioridade e descaso com os mais humildes.

O Rio Cachoeira está morrendo. O que fazer para recuperá-lo?

A barragem do Rio Colônia é uma forma de recuperar o nosso Rio Cachoeira e irá melhorar o fornecimento de água e garantir abastecimento para mais de 50 anos. O Inema já concedeu a licença prévia e ajustes estão sendo feitos para que a licença definitiva saia. Além disso, o Governo Wagner está elaborando um plano diretor de saneamento básico em Itabuna que irá coletar e tratar 100% do esgoto.

As ações de saneamento que a senhora fala incluiria devolver o patrimônio, fundir a Emasa com a Embasa ou a privatização?

Está fora de cogitação a transferência da Emasa ao Estado ou à iniciativa privada. A empresa é municipal e precisa ser fortalecida e reestruturada para que continue cuidando das ações de saneamento. Pena que se tenha se transformado em cabide de emprego. A Emasa é essencial para continuar a atender a população carente com tarifas diferenciadas de água e esgoto e até isenções tarifárias.

VANE RESPONDE A AZEVEDO: “ELE PEGOU PESADO. NÃO SOU DE ESPALHAR BOATOS”

O vereador e prefeiturável Claudevane Leite, o Vane do Renascer (PRB), disse ter estranhado as críticas feitas pelo prefeito Capitão Azevedo (DEM) a ele, acusando-o de disseminar boatos sobre não-candidatura e pesquisas eleitorais. “Ele pegou pesado. Não sou de espalhar boatos”.

Vane disse não ter preocupação com pré-candidatos. “Preocupo-me com a minha pré-candidatura”, disse ele, que integra uma frente com cinco partidos (PRB, PCdoB, PDT, PV e PSC).

Acompanhe o bate-papo ocorrido nesta nesta manhã de terça, 12.

PIMENTA – Como o senhor recebeu as críticas do prefeito?

CLAUDEVANE LEITE – Ele pegou pesado. Muitas vezes tenho sido atacado na rede e nunca me pronunciei, pois entendo que as pessoas têm liberdade de falar aquilo que elas pensam. Tenho o prefeito como pessoa educada, que respeita as pessoas. Estranhei muito essa atitude

A relação do senhor com o prefeito é ruim?

É uma relação de respeito. Não somos os melhores amigos, mas não somos inimigos. É uma relação cordial.

Mas o senhor espalhou ou não o boato das pesquisas e da pré-candidatura do prefeito?

Não estou trabalhando para que o prefeito não possa sair. Nada disso foi pronunciado por mim. Não me preocupo com meus adversários, com Azevedo ou com Juçara. Preocupo-me com a minha pré-candidatura.

E as pesquisas?

Pessoas de Salvador e de Itabuna comentaram comigo que eu havia crescido bastante. Mas basta conversar com vereadores e assessores da própria base dele para saber que não sou de espalhar boatos. Estranho essa maneira grosseira com a qual ele me tratou. Não vou para campanha para difamar ninguém.

E o senhor acredita que terá apoio da Frente se for o escolhido pelo critério pesquisa?

Sou homem de palavra e acredito que as pessoas tenham palavra. Terei apoio da frente. Agora, se eu for ou não candidato, não vou mudar meu estilo de ser. Nunca vai faltar, da minha parte, o respeito às pessoas.

GEDDEL ALFINETA WAGNER E DESCARTA ALIANÇA PMDB-PT NAS 35 MAIORES CIDADES

O ex-ministro Geddel Vieira Lima descartou aliança do PMDB com o PT nos 35 maiores colégios eleitorais da Bahia. Por ele, o diretório estadual peemedebista vetaria toda e qualquer aliança com os petistas no estado. “Fui voto vencido nesse tema”, revelou em entrevista concedida ao PIMENTA.

Geddel explica as razões de o PMDB optar por não aliar-se ao DEM de ACM Neto na capital baiana, mas fechar apoio eleitoral ao prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, de quem o ex-deputado Renato Costa deverá ser o vice. Deixa claro que o jogo em Salvador tem a ver com 2014.

Vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica, deputado federal por cinco legislaturas e vice-presidente do PMDB baiano, Geddel também aproveitou para desferir ataques contra o seu alvo político preferido na Bahia, o governador Jaques Wagner. Disse que  o petista sofre crise de autoridade. E provoca: “Wagner zonzo”.

Confira a entrevista.

PIMENTA – O PMDB brigou com o DEM na capital baiana e lançou Mário Kertész a prefeito. Como explicar a postura em Itabuna, onde o partido vai ter a vice na chapa de um democrata?

GEDDEL VIEIRA LIMA – O PMDB não brigou com o DEM na capital baiana. A eleição em Salvador é em dois turnos. É impossível pensar que um partido que disputou a eleição de governador em 2010 e que tem projeto para 2014, abra mão de tentar conquistar a capital com suas próprias bandeiras, projetos e programas. No segundo turno, se para ele não formos – e acredito muito no nosso candidato, conversaremos com outras forças de oposição.

E Itabuna?

Em Itabuna, a eleição tem um turno só. O PMDB local entendeu que o prefeito [Capitão] Azevedo fez um bom trabalho e seria o melhor posicionado para derrotar o PT. Ele incorporará nossas ideias e vamos à campanha. Nenhuma contradição, nenhuma briga. Cada município tem sua realidade.

O que pesou na aliança com o DEM em Itabuna, já que tanto o PT como a Frente Partidária também namoravam o PMDB?

Não tem acordo com o PT em cidades grandes, formadoras de opinião. Além disso, temos uma opinião muito clara sobre o estilo dos líderes do PT de Itabuna fazerem política. Nossa opinião é de absoluta rejeição. Não acreditamos que o PT possa trazer avanços políticos-administrativos para Itabuna.

Em eleição de dois turnos, você só não participa do primeiro se faltar absoluta condição política.

O principal entrave em Salvador seria o fato de o PMDB buscar alianças talvez projetando 2014?

Foi o desejo de, na capital do nosso estado, o PMDB buscar, de forma legítima, apresentar seu próprio projeto político-administrativo para a cidade. Em eleição de dois turnos, você só não participa do primeiro se faltar absoluta condição política.

O petista Jonas Paulo vê PT e PMDB fazendo alianças em, pelo menos, 35 municípios. Essa é a mesma visão do senhor?

Não sei em quantos, mas é verdade que em alguns pequenos municípios, a executiva estadual, depois de examinar as realidades locais, admitirá algumas coligações com o PT. Fui voto vencido nesse tema.

Como o senhor avalia o quadro político-eleitoral em 2012? Wagner e Dilma terão a mesma força eleitoral mostrada pelos dois governos em 2008?

O Wagner está muito desgastado. É greve para todo lado, uma imensa crise de autoridade. E as promessas não cumpridas? Cadê a barragem em Itabuna? E a duplicação da Ilhéus-Itabuna? Nada acontece no governo, só lero-lero. Esse é um governo manso. A Dilma, de olho em 2014, vai se meter pouco em 2012.

O partido do senhor trabalha com cenário adverso em 2012 quando comparado a 2008. Quantos prefeitos o partido espera eleger agora?

Certamente não repetiremos o desempenho de 2008. A realidade é outra. Não sei quantos prefeitos elegeremos. Ganharemos umas, perderemos outras… Mas vamos participar do maior número possível de disputas, renovando nossas lideranças, difundindo nossas ideias.

O governador, tentando desmistificar o conceito de que não tem autoridade, age autoritariamente. Wagner  zonzo.

A divisão nas oposições em Salvador não terá reflexo em 2014?

Unidade não é um fim em si mesmo. Precisamos construir um projeto comum da confiança de todos. 2012 é um ano, uma realidade. 2014 será outro momento, outra realidade.

Na opinião do senhor, por que o Estado vem enfrentando dificuldade na negociação com os professores?

Porque o governador, tentando desmistificar o conceito de que não tem autoridade, age autoritariamente. Wagner zonzo.

O PMDB assumiu o comando regional da Ceplac. Recentemente, o secretário estadual de Agricultura, Eduardo Salles, defendeu a transformação do órgão em Embrapa Cacau. Seria esta a saída?

A solução é investir na modernização da Ceplac, na motivação das pessoas, na tecnologia. O doutor Juvenal [Maynart] vem realizando um trabalho que nos orgulha. O ministro [da Agricultura, Mendes Ribeiro], o tem elogiado muito.

ELEIÇÕES 2012: WENCESLAU JÚNIOR CRITICA PT E AZEVEDO E DIZ QUE FOI INJUSTIÇADO

O vereador Wenceslau Júnior está no terceiro mandato. Sonha com a cadeira principal do Centro Administrativo Firmino Alves, sede da Prefeitura de Itabuna. O sonho é alimentado pela possibilidade de uma composição de partidos que une desde o seu PCdoB ao PRB de Claudevane Leite e PDT de Acácia Pinho.

Na entrevista concedida ao PIMENTA, Wenceslau acha improvável composição com o PT em Itabuna e faz críticas ao Governo Azevedo (“não consigo enxergar marca positiva nesse governo”).

O prefeiturável também fala do processo de afastamento do mandato por ordem judicial e diz que a decisão foi injusta. Confira os principais trechos da entrevista que abre série com pré-candidatos a prefeito de Itabuna.

PIMENTA – Quem será o candidato da Frente Partidária?

WENCESLAU JÚNIOR – Há unidade e compromisso de avaliarmos a evolução das pesquisas para, em meados deste mês, afunilarmos para um nome.

O sr. acredita que a frente se mantém mesmo após definir o candidato?

Eu acredito nas palavras de Vane [do Renascer] e de Acácia Pinho. Esta frente não é voltada para interesses pessoais, tem princípios e compromisso de melhorar a cidade, fazer gestão inovadora. A frente também está dialogando com PPS e PP e abrindo perspectiva para ter tempo de televisão razoável e consistência política ainda maior.

Do outro lado, existem duas candidaturas com maior estrutura. A frente tem como ir para a disputa com chances até o final?

O elenco de lideranças que compõem essa frente já é algo importante. Além disso, acho que estrutura não é algo tão definidor em eleição em Itabuna. Em 1992, Geraldo Simões caiu na graça do povo e foi eleito imprensado entre duas grandes candidaturas [Ubaldo Dantas e José Oduque].

Hoje não temos cenário de protestos, impeachment de presidente…

(Interrompe)… Em 2008, o prefeito [Azevedo] estava em último, não tinha ajuda da máquina municipal e só passou a contar quando cresceu na pesquisa. De início, foi uma candidatura franciscana. Em Itabuna, um bom programa de TV e militância aguerrida nas ruas são fundamentais para a eleição.

Pelo que se desenha, qual será o tipo de campanha que teremos em 2012?

O compromisso na Frente Partidária é discutir propostas para a cidade. A eleição em Itabuna, o debate tende a ser municipalizado, sem grande influência das políticas nacional e estadual.

O PCdoB se manterá na frente mesmo se ocorrerem pressões de cima?

Olha, o governador Wagner vem tendo postura elogiável em todo o processo. Tentar mediar, mas nunca impor. O PCdoB em Itabuna tem divergência com o PT local, o que não ocorre nos níveis estadual e nacional.

 

ALIANÇA COM O PT: Nada em política é impossível, mas acho um pouco distante essa reaproximação, até porque não há espírito despojado do outro lado.

 

Há possibilidade de coligação com o PT em Itabuna?

Nada em política é impossível, mas acho um pouco distante essa reaproximação, até porque não há espírito despojado do outro lado. Wenceslau pode abrir mão de ser candidato para apoiar Vane ou Acácia, Vane pode abrir mão, Acácia, também… Do outro lado [do PT], não. Isso dificulta qualquer conversa.

O senhor sofre críticas por ter atuação omissa na fiscalização do governo municipal…

Sempre vou ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). É um trabalho árduo e silencioso. Não foi à toa que as contas do prefeito [Capitão Azevedo], de 2009 e 2010, foram reprovadas. Agora eu tenho que reconhecer que foi mandato atípico, por causa da candidatura a deputado estadual. Tanto na pré-campanha, em 2009, quanto na campanha, em 2010, realmente me dediquei à atuação em nível estadual. Nas principais batalhas na Câmara, as questões da saúde, defesa dos salários dos servidores, professores, nós estávamos lá.

Como o senhor avalia a gestão municipal?

É uma gestão sem planejamento, que não consegue planejar e, por conta disso, compromete a execução. Tem muitas pessoas preocupadas com seus interesses pessoais. Azevedo não é bom coordenador e tem dificuldades de exonerar aqueles que não dão resultado. Pergunto ao leitor, qual é a marca positiva deste governo?

E qual seria esta marca?

Não consigo enxergar. Negativas, sim, existem. Aumento da violência na cidade, por que as pessoas são impedidas de ter acesso à educação, lazer. Nós nunca passamos situação tão vexatória na saúde. A marca mesmo é a de malversação de dinheiro público.

Quais seriam estes exemplos de malversação?

Nas obras, todas federais, mas executadas pelo município, a gente não sabe dizer se é construtora ou a prefeitura que está fazendo. Há uma mistura, confusão. Obras são licitadas e quem trabalha é a mão de obra da prefeitura. Sem falar das causas de rejeições de contas: exageros de gastos em alguns setores, aplicação abaixo do mínimo em saúde e educação…

 

FOLHA INCHADA: A folha consome 70% da receita. Existem muitas pessoas que estão na folha sem trabalhar, por apadrinhamento político, consumindo recursos públicos. Fantasmas.

 

Se as obras são federais, para onde está indo o dinheiro das receitas próprias?

Infelizmente, a prefeitura está completamente inchada. A folha consome 70% da receita. Existem muitas pessoas que estão na folha sem trabalhar, por apadrinhamento político, consumindo recursos públicos. Fantasmas.

O PCdoB e a sua campanha já avaliaram os efeitos do escândalo dos consignados na sua pré-candidatura?

O partido já avaliou. Depois do caso, nós fizemos pesquisa e constamos que crescemos ou mantivemos os percentuais. A população de Itabuna me conhece desde os tempos de movimento estudantil. Nunca respondi a processo, já participei de governo municipal, fui assessor parlamentar.

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DANIEL ALMEIDA CONFIRMA DIÁLOGOS COM GS, MAS DESCARTA ALIANÇA PC DO B-PT EM ITABUNA

O presidente estadual do PCdoB, deputado federal Daniel Almeida, confirmou ao PIMENTA que o colega Geraldo Simões o procurou para tratar de aliança eleitoral comunista em Itabuna, mas ressalvou: “decisão passa pelo diretório municipal”.

O dirigente também comentou os planos do partido para as eleições na Bahia em 2012 (“queremos ultrapassar a marca de 30 prefeitos eleitos”) e o mal-estar no partido com a punição pública ao sindicalista Rui Oliveira, líder da greve dos professores estaduais.

Confira os principais trechos da entrevista concedida nesta noite de segunda, 28, logo após reunião do partido. “Discutimos tática eleitoral em Salvador e em toda a Bahia”, enfatizou.

PIMENTA – O partido terá candidatura própria em Itabuna?

DANIEL ALMEIDA – Temos como prioridade a eleição em Salvador, com Alice Portugal, e em alguns municípios, dentre eles Itabuna. Trabalhamos para construir a candidatura de Wenceslau [Júnior]. Nesse momento, estamos construindo uma frente [PCdoB, PRB, PSC, PDT e PV] da qual o PT não participa.

A frente é para valer?

Vamos insistir na construção da candidatura e de projeto inovador dentro dessa frente. Essa polarização dos últimos anos [PT x DEM] não tem produzido os resultados que Itabuna necessita. Nós temos conversado com todos os partidos da base governista, mas em Itabuna insistimos na necessidade desse caminho novo. Wenceslau é alternativa necessária e viável.

O deputado Geraldo Simões tenta apoio do PCdoB. Disse, em entrevista, que a conversa no partido se dá com o senhor.

Converso com Geraldo todos os dias, são temas variados. Ele já demonstrou interesse em conversar sobre aliança, mas a decisão passa pelo diretório municipal, que tem autonomia e confiança para conduzir a tática eleitoral.

O PCdoB elegeu 18 prefeitos na Bahia em 2008. Qual é o cenário para 2012?

Queremos ultrapassar a marca de 30 prefeitos eleitos. No sul da Bahia, manter Gandu e Itacaré e conquistar outras, como Uruçuca, Itabuna, que é a principal cidade. Temos situação muito favorável em Itagibá e Camacan.

O PCdoB reconhece as reivindicações dos professores. Isso não pode levar dirigente do partido – e Rui é dirigente– a fazer discurso de ataque ao governo.

Como o partido explica a retirada do nome do deputado Jean Fabrício em Conquista, no sudoeste?

Quando lançamos Fabrício, levamos em conta a eleição em dois turnos. Houve afunilamento muito forte dos partidos [da base] em torno de Guilherme Menezes. Por essa razão, achamos que deveríamos somar nessa direção. Nunca nos afastamos do projeto.

Avançando em outro campo, a reprimenda ao professor Rui Oliveira não pegou mal para o partido?

O PCdoB reconhece as reivindicações dos professores. Isso não pode levar dirigente do partido – e Rui é dirigente– a fazer discurso de ataque ao governo, que se soma à oposição para fragilizar o projeto do qual participamos. Isso não tem nada a ver quanto ao reconhecimento do papel da APLB e das reivindicações dos professores. Da mesma forma, reconhecemos que o governo deve dialogar.

A greve de agora se aproxima da paralisação de 55 dias de 2007. Na opinião do senhor, o que está faltando desta vez?

Penso que é necessário ter mais sensatez por parte do governo e dos trabalhadores. O tensionamento que verificamos hoje não vai levar ninguém à vitória. Vai levar a resultado que contabiliza derrota para professores, governo, sociedade, sindicato e suas lideranças. O melhor caminho é o diálogo.

“GOVERNO TEM QUE COMPROVAR QUE NÃO PODE PAGAR OS 22,22%”, DIZ PRESIDENTE DA API

Dezenas de professores e sindicalistas participaram do panelaço em Itabuna(Foto Jeremias Ribeiro).

Os professores da rede estadual entraram hoje no 42º dia de greve na Bahia ainda sem perspectivas de retomada de negociações com o governo baiano. Hoje, a categoria promoveu “panelaço” pelas principais ruas do comércio central de Itabuna.

João Rodrigues, presidente da Associação dos Professores de Itabuna (API), ligado à APLB-Sindicato, concedeu entrevista ao PIMENTA. Para ele, é necessário ao governo chamar a categoria para o diálogo e comprovar que não tem capacidade de pagar os 22,22% para todos os padrões (níveis) da educação.

Confira entrevista com o sindicalista momentos após o panelaço.

PIMENTA – O que a categoria exige para retornar à sala de aula?

JOÃO RODRIGUES – A nossa proposta é que o governo cumpra o acordo de 2011, pagando os 22,22% para todos os padrões. Do contrário, ele tem que comprovar que não tem condições de pagar e aí fazer a contraproposta. O que não pode ser é reajuste de 6,5%.

Se o governo reabrir o diálogo, a categoria retorna ao trabalho?

A gente precisa ver qual é a proposta de diálogo deles, porque dizer que vai restituir o que descontou e que vai pagar mais, negociar calendário… Isso é trâmite normal.

A categoria tem alguma avaliação do impacto de aumento de 22,22% para todos os níveis?

Não, até porque o estado não apresentou, claramente, quais as suas receitas e despesas na área da educação.  O estado tem que aplicar, na educação, o mínimo de 30% da sua receita.

O governo está testando o professorado, pra ver até onde a gente vai, está experimentando a força da categoria.

Qual é a média salarial do professor da rede, hoje?

O professor do padrão A recebe R$ 1.200,00 por 40 horas. O governo do estado desarticulou todo o piso básico. O salário vai para R$ 1.600,00 no padrão A com as incorporações e subsídios. O subsídio não é legal, não pode entrar nessa conta no piso.

Qual o nível de adesão à greve hoje em Itabuna?

Gira em torno de 90%. O [Colégio] Ciso aderiu à greve parcialmente, assim como duas outras escolas, a Carlos Salério e o Lions.

São 41 dias de paralisação, além da greve dos policiais militares. Quantos dias de greve mais não afetaria de vez o ano letivo?

50, 60 dias já afetaria o ano letivo, isso se não tiver recesso de junho e tivermos aula em todo mês de dezembro. Não queremos chegar ao nível de Minas Gerais, onde a greve dura 102 dias. Eu, pessoalmente, acho que o governo está testando o professorado, pra ver até onde a gente vai, está experimentando a força da categoria.

PRESIDENTE DO SIMPI DIZ QUE PROFESSORES ESTÃO VIGILANTES

“Na calada da noite, as coisas acontecem”, disse em entrevista ao PIMENTA  a presidente o Sindicato Municipal do Magistério Público de Itabuna (Simpi), Normagnolândia Sant’Ana, sobre o minitrio e no calor da passeata na Avenida do Cinquentenário, centro, na sexta-feira, 13.  A líder se referia à vigilância que deve ser feita quanto à tramitação de projeto de reajuste salarial dos professores. A proposta foi protocolada na Câmara de Vereadores pelo prefeito Capitão Azevedo na noite do dia 10.

Na sexta, os professores desfilaram pela avenida em protesto que reuniu instituições sindicais dissidentes: a API/APLB e o Sindicato do Magistério Municipal Público de Itabuna (Simpi). Em faixas, cartazes e camisetas docentes municipais e estaduais chamaram a atenção de transeuntes e comerciantes para a luta salarial.  Confira a entrevista com Normagnolândia.

PIMENTA – O prefeito mandou à Câmara de Vereadores projeto de lei com reajuste para os professores na noite do dia 10. A greve continua?

 NORMAGNOLÂNDIA SANT´ANA – No dia 10, a categoria esteve no plenário e na presidência da Câmara com o vereador Ruy Machado. Acontece que o prédio estava às escuras. A Câmara até hoje (sexta-feira, 13) está sem energia. Nós professores estamos indignados com o percentual de 15% parcelado, sendo 8% para abril e 7% para o mês de setembro. Saímos em caminhada até a Praça Adami onde fizemos manifesto em protesto ao desrespeito do governo com a categoria.

Os professores vão aceitar o percentual no projeto que está Câmara ou vão tentar pressionar os vereadores a elevar isso?

O que pleiteamos? A gente tem um Plano de Carreira de 2003 que garante que reajuste para um nível seja para todos. O nível I é regulamentado pelo piso nacional do magistério, que é de R$ 1.451,00 para quem não tem nível superior. O que a gente quer é que se estendam os 22,22% aos níveis II e III pela linearidade estipulada no Plano de Carreira dos Professores Municipais.

Você sabe que temos de ficar de olho. Na calada da noite, as coisas acontecem…

Passado o dia 10 de abril, a lei eleitoral proíbe percentual maior que a inflação. O que fazer?

Estamos analisando a questão com o consultor jurídico do sindicato. Na segunda-feira, na assembleia, vamos ver como levar adiante o movimento grevista. Tivemos adesão dos professores estaduais, que exigem o cumprimento pelo governador da lei do piso, que não está sendo cumprida.

Em nível local, a Câmara não teve nenhuma sessão, não leu o projeto e nem deu conhecimento do conteúdo. Como vai ser?

A Câmara está às escuras e sem funcionamento. A partir de segunda-feira vamos lá ver como está a tramitação, se realmente foi dado entrada. Você sabe que temos de ficar de olho. Na calada da noite, as coisas acontecem…

GREVE DOS PROFESSORES: “NÃO SERÃO 15% OU 6% QUE VÃO MUDAR A HISTÓRIA DA CATEGORIA”

Professores fazem caminhada e protestam pela linearidade (Foto Luiz Conceição/Pimenta).

Professores da rede municipal de ensino fizeram passeata pela Avenida do Cinquentenário e ato público na Praça Adami, no centro de Itabuna, em protesto contra o Capitão Azevedo, que não havia mandado à Câmara de Vereadores projeto de reajuste linear pedido pela categoria. Depois de aguardar por mais de 2h30min no Plenário, às escuras e sob forte calor, os docentes decidiram sair do prédio do Legislativo. O projeto de reajuste escalonado para os níveis 2 e 3 foi enviado no início da noite à Câmara.

Em carro de som do movimento grevista, uma professora fazia discursos de protesto e cantava engraçados refrões contra os governantes. “É ou não é, piada de salão, dinheiro paga tudo, mas não paga a educação” entoavam grupo de professores acompanhado de palmas e muito barulho para chamar a atenção da população e do comércio para sua luta salarial. A seguir entrevista com a presidente do Sindicato Municipal do Magistério Público de Itabuna (Simpi), Carminha Oliveira.

PIMENTA – O prefeito não enviou o projeto à Câmara de Vereadores. A greve continua?
Carminha Oliveira – A greve continuará por tempo indeterminado. Tentamos de todas as formas negociar com o prefeito. A lei nos garante, no artigo 26 do Plano de Carreira, o direito à linearidade. Então, o prefeito também teria que repassar aos professores dos níveis II e III, que são os professores graduados e com especialização, o mesmo percentual do nível I, que foi 22,22%, que é o determinado pela lei do piso nacional.

A greve continua?

Continua, apesar de a lei eleitoral fixar prazo de 10 de abril para que o governo repasse apenas o percentual inflacionário, que foi de 6,5%. Os professores rejeitaram a proposta dos 15%, escalonados em duas vezes.

Isto não trará prejuízos à categoria, caso perca os 15% da contraproposta?

Não traz prejuízo porque já vivemos em prejuízo, historicamente, neste município, na Bahia e no Brasil. O professor passa por diversas dificuldades. Não serão 15% ou 6% que vão mudar a história da categoria. Exigimos eleições diretas, com direito de votar nos gestores escolares; pagamento em dia do vale-transporte e auxilio alimentação. Nada disso foi acatado pelo governo municipal, que ainda apresentou percentual irrisório em relação ao que categoria merece, que é a linearidade, os 22%.

O governo foi intransigente na negociação?

O canal se manteve aberto. Como o professor Gustavo disse que, em termos de orçamento, o governo não poderia de forma alguma dar valor acima disso… Então, o professor Gustavo declarou, infelizmente, o percentual máximo de 15%, o que rejeitamos. Rejeitamos porque o governo municipal tem que fazer, na verdade, uma estruturação administrativa de forma a promover choque de gestão, organizando aquela casa, a prefeitura de Itabuna, para que possa valorizar não só professores como todos os servidores públicos municipais.

O prefeito já vem se queimando com os professores desde o ano passado.

O governo se queimou com os professores?

O prefeito já vem se queimando com os professores desde o ano passado, quando foi aprovada a lei da eleição direta e ele prometeu que faria a lei nem que fosse por decreto. Nada foi feito e nem atendido. O mesmo se dá com o vale-transporte que o professor paga. Paga no seu contracheque e só recebe com atrasos.

Há expectativa de o prefeito ainda mandar à Câmara amanhã, dia 11, o projeto de reajuste?

O valor proposto pelo governo de 15%, que a categoria rejeita, terminantemente, infelizmente nesse valor não pode. Ele só dar hoje, por conta da lei eleitoral, o percentual de 6,5%. A categoria sabia disso, mas ainda assim, a categoria achou desrespeitoso o trato do Poder Executivo com as questões educacionais. O que a categoria quer é apenas aquilo que lhe é de direito, não pede nada fora da lei. Quer o que se mantém no Plano de Carreira, o direito à linearidade, o valor inicial da carreira dos 22,22%, do nível I seja dado também aos níveis II e III.

VOTAÇÃO DE REAJUSTE DOS PROFESSORES DEPENDERÁ DE CONSENSO, DIZ WENCESLAU JÚNIOR

Wenceslau Júnior conversa com grevistas (Foto Luiz Conceição/Pimenta).

Para Wenceslau Junior, dependerá do consenso entre líderes políticos em plenário para que a matéria seja apreciada. E desde que o projeto chegue ao Legislativo em tempo hábil. A seguir a entrevista do vereador:

PIMENTA – Há condições técnicas e políticas para votação do projeto de reajuste dos professores dentro do prazo que a lei estabelece?
Wenceslau Júnior – No que depender do Legislativo, já conversei com o presidente, vamos envidar esforços para votar o mais rápido possível. Espero que o projeto chegue com conteúdo que, de fato, satisfação às reivindicações dos professores. Caso contrário, haverá empecilho…

Tecnicamente, é possível votar o projeto esta semana?
Na verdade tudo depende de consenso de lideranças. Havendo consenso, acordo do colégio de líderes poderemos votá-lo em primeira discussão nesta terça-feira e encerrar com a segunda votação amanhã. Caso o projeto chegue em tempo hábil.

Essa votação urgente não atropelaria questões regimentais e legais?
O Regimento Interno é claro com relação a isso. Mas, por outro lado, o acordo de lideranças e o consenso do plenário pode suprir, efetivamente, qualquer questão relativa a prazo. O próprio Regimento permite esse entendimento. Mas se houver divergências nas lideranças que compõem o Pleno da Câmara, teremos dificuldades de cumprir prazos, rigorosamente, como o Regimento prevê.

A divergência que existe entre o movimento e a Secretaria de Educação é a tentativa de achatamento da diferenças entre níveis I, II e III.

Há condições financeiras de votar pelo reajuste linear?
Em Itabuna, a divergência que existe entre o movimento e a Secretaria de Educação é a tentativa de achatamento da diferenças entre níveis I, II e III por progressão da carreira de pessoas que fizeram mestrado e doutorado e acabam sendo prejudicadas se não há linearidade nesse reajuste.

A folha de pagamento de professores é limpa ou existem penduricalhos?
Sindicato e o movimento grevista não tiveram acesso a essas informações. Ontem recebemos conjunto de professores pedindo que a Câmara faça esse pedido ao Executivo. Há desconfiança de que existe grande número de contratados e cargos comissionados, portanto, pessoas que não deveriam estar contando com recursos do Fundeb. Talvez possibilitasse reajuste maior e cumprimento da legislação do Plano de Cargos, que prevê salários diferenciados em razão do nível de cada profissional.

ILHÉUS NO ROTEIRO GASTRONÔMICO DO FESTIVAL DA TILÁPIA

Isaac e Luiz Henrique lançam festival (Foto Rildo Mota).

Os pratos servidos durante o coquetel de lançamento do Festival da Tilápia 2012 no lendário Bataclan, no Quarteirão Jorge Amado, Centro Histórico de Ilhéus, segunda-feira, 9, à noite, deram pista da riqueza gastronômica que baianos e turistas têm até o próximo dia 16 em Salvador e  municípios do interior. O peixe de água doce foi servido de deliciosas maneiras, encantando autoridades, convidados e jornalistas do eixo Ilhéus-Itabuna.

A 3ª edição do Festival da Tilápia começou no dia 26 de março numa promoção da Bahia Pesca, empresa estatal baiana, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O evento é realizado, simultaneamente, em 44 restaurantes de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Porto Seguro, Ilhéus, Paulo Afonso e Vitória da Conquista.

O presidente da Abrasel, Luiz Henrique Amaral, destacou que o Festival de Tilápias visa fortalecer o segmento de bares e restaurantes que se especializa no fornecimento de pratos diversificados, incluindo o pescado.

O presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli, afirma que o consumo de pescado no estado tem déficit de 40 mil toneladas que serão compensadas nos próximos anos com a produção de peixes em águas interiores, a exemplo de açudes e barragens Confira entrevista concedida por Albagli.

PIMENTA – Qual o objetivo do Festival da Tilápia?
Isaac Albagli – A Bahia tem um déficit entre a produção e consumo do peixe. Após o salmão, a tilápia é o peixe mais cultivado no mundo e se adaptou bem ao Brasil. Então, estamos promovendo a tilápia para dar certeza ao produtor de que pode comercializá-la.

Quais condições a Bahia Pesca oferece ao produtor no cultivo de peixes na propriedade?
Estamos aumentando muito nossas ações. A principal delas é a oferta de alevinos. Nos últimos cinco anos, saímos de uma produção de 15 milhões de alevinos/ano para 75 milhões/ano. São oito estações de piscicultura em funcionamento e mais uma vai entrar em operação ainda este ano e assistência técnica: passamos de oito para 28 unidades para dar conforto e segurança ao produtor.

Quais são as condições atuais da pesca na Bahia?
A pesca sempre é um problema, passa por dificuldades e está sempre no limite da sustentabilidade. Hoje, existe sobrepesca muito grande e as condições decorrentes de poluição e outros problemas ambientais que faz diminuir a quantidade de pescados. Daí, a necessidade de pesca oceânica, ou seja, mais profissional, e é o que estamos fazendo com os terminais pesqueiros de Salvador e Ilhéus.

A Bahia saltou de quinto para terceiro colocado no País, com crescimento de 52% nos últimos cinco anos e a produção continua aumentando.

Como a Bahia Pesca imagina o futuro do setor na Bahia?
O futuro é promissor. A Bahia saltou de quinto para terceiro colocado no País, com crescimento de 52% nos últimos cinco anos e a produção continua aumentando. A Bahia é o estado com maiores condições de crescimento na pesca e aquicultura.

A Pesca é um bom negócio?
Sim. Agora é preciso tecnologia, capacitação, investimento, financiamento público e assistência técnica. Estamos trabalhando na linha de dotar o produtor e o pescador das condições para produzir e se desenvolver e trabalhar profissionalmente.

Há recursos disponíveis para investimentos do produtor e o pescador?
Existe sim, mas a rede bancária tem dificuldades em financiar por inadimplências do passado. Fizemos desafios aos bancos do Nordeste e do Brasil demonstrando que com assistência técnica presente isto não vai mais acontecer. Antigamente se dava o recurso ao produtor, pescador, dono de embarcação e armador sem acompanhamento técnico algum e a resposta não era positiva. Agora, não. Todo programa de financiamento terá acompanhamento da Bahia Pesca e a coisa muda de figura…








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