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:: ‘Entrevistas’

“GOVERNO TEM QUE COMPROVAR QUE NÃO PODE PAGAR OS 22,22%”, DIZ PRESIDENTE DA API

Dezenas de professores e sindicalistas participaram do panelaço em Itabuna(Foto Jeremias Ribeiro).

Os professores da rede estadual entraram hoje no 42º dia de greve na Bahia ainda sem perspectivas de retomada de negociações com o governo baiano. Hoje, a categoria promoveu “panelaço” pelas principais ruas do comércio central de Itabuna.

João Rodrigues, presidente da Associação dos Professores de Itabuna (API), ligado à APLB-Sindicato, concedeu entrevista ao PIMENTA. Para ele, é necessário ao governo chamar a categoria para o diálogo e comprovar que não tem capacidade de pagar os 22,22% para todos os padrões (níveis) da educação.

Confira entrevista com o sindicalista momentos após o panelaço.

PIMENTA – O que a categoria exige para retornar à sala de aula?

JOÃO RODRIGUES – A nossa proposta é que o governo cumpra o acordo de 2011, pagando os 22,22% para todos os padrões. Do contrário, ele tem que comprovar que não tem condições de pagar e aí fazer a contraproposta. O que não pode ser é reajuste de 6,5%.

Se o governo reabrir o diálogo, a categoria retorna ao trabalho?

A gente precisa ver qual é a proposta de diálogo deles, porque dizer que vai restituir o que descontou e que vai pagar mais, negociar calendário… Isso é trâmite normal.

A categoria tem alguma avaliação do impacto de aumento de 22,22% para todos os níveis?

Não, até porque o estado não apresentou, claramente, quais as suas receitas e despesas na área da educação.  O estado tem que aplicar, na educação, o mínimo de 30% da sua receita.

O governo está testando o professorado, pra ver até onde a gente vai, está experimentando a força da categoria.

Qual é a média salarial do professor da rede, hoje?

O professor do padrão A recebe R$ 1.200,00 por 40 horas. O governo do estado desarticulou todo o piso básico. O salário vai para R$ 1.600,00 no padrão A com as incorporações e subsídios. O subsídio não é legal, não pode entrar nessa conta no piso.

Qual o nível de adesão à greve hoje em Itabuna?

Gira em torno de 90%. O [Colégio] Ciso aderiu à greve parcialmente, assim como duas outras escolas, a Carlos Salério e o Lions.

São 41 dias de paralisação, além da greve dos policiais militares. Quantos dias de greve mais não afetaria de vez o ano letivo?

50, 60 dias já afetaria o ano letivo, isso se não tiver recesso de junho e tivermos aula em todo mês de dezembro. Não queremos chegar ao nível de Minas Gerais, onde a greve dura 102 dias. Eu, pessoalmente, acho que o governo está testando o professorado, pra ver até onde a gente vai, está experimentando a força da categoria.

PRESIDENTE DO SIMPI DIZ QUE PROFESSORES ESTÃO VIGILANTES

“Na calada da noite, as coisas acontecem”, disse em entrevista ao PIMENTA  a presidente o Sindicato Municipal do Magistério Público de Itabuna (Simpi), Normagnolândia Sant’Ana, sobre o minitrio e no calor da passeata na Avenida do Cinquentenário, centro, na sexta-feira, 13.  A líder se referia à vigilância que deve ser feita quanto à tramitação de projeto de reajuste salarial dos professores. A proposta foi protocolada na Câmara de Vereadores pelo prefeito Capitão Azevedo na noite do dia 10.

Na sexta, os professores desfilaram pela avenida em protesto que reuniu instituições sindicais dissidentes: a API/APLB e o Sindicato do Magistério Municipal Público de Itabuna (Simpi). Em faixas, cartazes e camisetas docentes municipais e estaduais chamaram a atenção de transeuntes e comerciantes para a luta salarial.  Confira a entrevista com Normagnolândia.

PIMENTA – O prefeito mandou à Câmara de Vereadores projeto de lei com reajuste para os professores na noite do dia 10. A greve continua?

 NORMAGNOLÂNDIA SANT´ANA – No dia 10, a categoria esteve no plenário e na presidência da Câmara com o vereador Ruy Machado. Acontece que o prédio estava às escuras. A Câmara até hoje (sexta-feira, 13) está sem energia. Nós professores estamos indignados com o percentual de 15% parcelado, sendo 8% para abril e 7% para o mês de setembro. Saímos em caminhada até a Praça Adami onde fizemos manifesto em protesto ao desrespeito do governo com a categoria.

Os professores vão aceitar o percentual no projeto que está Câmara ou vão tentar pressionar os vereadores a elevar isso?

O que pleiteamos? A gente tem um Plano de Carreira de 2003 que garante que reajuste para um nível seja para todos. O nível I é regulamentado pelo piso nacional do magistério, que é de R$ 1.451,00 para quem não tem nível superior. O que a gente quer é que se estendam os 22,22% aos níveis II e III pela linearidade estipulada no Plano de Carreira dos Professores Municipais.

Você sabe que temos de ficar de olho. Na calada da noite, as coisas acontecem…

Passado o dia 10 de abril, a lei eleitoral proíbe percentual maior que a inflação. O que fazer?

Estamos analisando a questão com o consultor jurídico do sindicato. Na segunda-feira, na assembleia, vamos ver como levar adiante o movimento grevista. Tivemos adesão dos professores estaduais, que exigem o cumprimento pelo governador da lei do piso, que não está sendo cumprida.

Em nível local, a Câmara não teve nenhuma sessão, não leu o projeto e nem deu conhecimento do conteúdo. Como vai ser?

A Câmara está às escuras e sem funcionamento. A partir de segunda-feira vamos lá ver como está a tramitação, se realmente foi dado entrada. Você sabe que temos de ficar de olho. Na calada da noite, as coisas acontecem…

GREVE DOS PROFESSORES: “NÃO SERÃO 15% OU 6% QUE VÃO MUDAR A HISTÓRIA DA CATEGORIA”

Professores fazem caminhada e protestam pela linearidade (Foto Luiz Conceição/Pimenta).

Professores da rede municipal de ensino fizeram passeata pela Avenida do Cinquentenário e ato público na Praça Adami, no centro de Itabuna, em protesto contra o Capitão Azevedo, que não havia mandado à Câmara de Vereadores projeto de reajuste linear pedido pela categoria. Depois de aguardar por mais de 2h30min no Plenário, às escuras e sob forte calor, os docentes decidiram sair do prédio do Legislativo. O projeto de reajuste escalonado para os níveis 2 e 3 foi enviado no início da noite à Câmara.

Em carro de som do movimento grevista, uma professora fazia discursos de protesto e cantava engraçados refrões contra os governantes. “É ou não é, piada de salão, dinheiro paga tudo, mas não paga a educação” entoavam grupo de professores acompanhado de palmas e muito barulho para chamar a atenção da população e do comércio para sua luta salarial. A seguir entrevista com a presidente do Sindicato Municipal do Magistério Público de Itabuna (Simpi), Carminha Oliveira.

PIMENTA – O prefeito não enviou o projeto à Câmara de Vereadores. A greve continua?
Carminha Oliveira – A greve continuará por tempo indeterminado. Tentamos de todas as formas negociar com o prefeito. A lei nos garante, no artigo 26 do Plano de Carreira, o direito à linearidade. Então, o prefeito também teria que repassar aos professores dos níveis II e III, que são os professores graduados e com especialização, o mesmo percentual do nível I, que foi 22,22%, que é o determinado pela lei do piso nacional.

A greve continua?

Continua, apesar de a lei eleitoral fixar prazo de 10 de abril para que o governo repasse apenas o percentual inflacionário, que foi de 6,5%. Os professores rejeitaram a proposta dos 15%, escalonados em duas vezes.

Isto não trará prejuízos à categoria, caso perca os 15% da contraproposta?

Não traz prejuízo porque já vivemos em prejuízo, historicamente, neste município, na Bahia e no Brasil. O professor passa por diversas dificuldades. Não serão 15% ou 6% que vão mudar a história da categoria. Exigimos eleições diretas, com direito de votar nos gestores escolares; pagamento em dia do vale-transporte e auxilio alimentação. Nada disso foi acatado pelo governo municipal, que ainda apresentou percentual irrisório em relação ao que categoria merece, que é a linearidade, os 22%.

O governo foi intransigente na negociação?

O canal se manteve aberto. Como o professor Gustavo disse que, em termos de orçamento, o governo não poderia de forma alguma dar valor acima disso… Então, o professor Gustavo declarou, infelizmente, o percentual máximo de 15%, o que rejeitamos. Rejeitamos porque o governo municipal tem que fazer, na verdade, uma estruturação administrativa de forma a promover choque de gestão, organizando aquela casa, a prefeitura de Itabuna, para que possa valorizar não só professores como todos os servidores públicos municipais.

O prefeito já vem se queimando com os professores desde o ano passado.

O governo se queimou com os professores?

O prefeito já vem se queimando com os professores desde o ano passado, quando foi aprovada a lei da eleição direta e ele prometeu que faria a lei nem que fosse por decreto. Nada foi feito e nem atendido. O mesmo se dá com o vale-transporte que o professor paga. Paga no seu contracheque e só recebe com atrasos.

Há expectativa de o prefeito ainda mandar à Câmara amanhã, dia 11, o projeto de reajuste?

O valor proposto pelo governo de 15%, que a categoria rejeita, terminantemente, infelizmente nesse valor não pode. Ele só dar hoje, por conta da lei eleitoral, o percentual de 6,5%. A categoria sabia disso, mas ainda assim, a categoria achou desrespeitoso o trato do Poder Executivo com as questões educacionais. O que a categoria quer é apenas aquilo que lhe é de direito, não pede nada fora da lei. Quer o que se mantém no Plano de Carreira, o direito à linearidade, o valor inicial da carreira dos 22,22%, do nível I seja dado também aos níveis II e III.

VOTAÇÃO DE REAJUSTE DOS PROFESSORES DEPENDERÁ DE CONSENSO, DIZ WENCESLAU JÚNIOR

Wenceslau Júnior conversa com grevistas (Foto Luiz Conceição/Pimenta).

Para Wenceslau Junior, dependerá do consenso entre líderes políticos em plenário para que a matéria seja apreciada. E desde que o projeto chegue ao Legislativo em tempo hábil. A seguir a entrevista do vereador:

PIMENTA – Há condições técnicas e políticas para votação do projeto de reajuste dos professores dentro do prazo que a lei estabelece?
Wenceslau Júnior – No que depender do Legislativo, já conversei com o presidente, vamos envidar esforços para votar o mais rápido possível. Espero que o projeto chegue com conteúdo que, de fato, satisfação às reivindicações dos professores. Caso contrário, haverá empecilho…

Tecnicamente, é possível votar o projeto esta semana?
Na verdade tudo depende de consenso de lideranças. Havendo consenso, acordo do colégio de líderes poderemos votá-lo em primeira discussão nesta terça-feira e encerrar com a segunda votação amanhã. Caso o projeto chegue em tempo hábil.

Essa votação urgente não atropelaria questões regimentais e legais?
O Regimento Interno é claro com relação a isso. Mas, por outro lado, o acordo de lideranças e o consenso do plenário pode suprir, efetivamente, qualquer questão relativa a prazo. O próprio Regimento permite esse entendimento. Mas se houver divergências nas lideranças que compõem o Pleno da Câmara, teremos dificuldades de cumprir prazos, rigorosamente, como o Regimento prevê.

A divergência que existe entre o movimento e a Secretaria de Educação é a tentativa de achatamento da diferenças entre níveis I, II e III.

Há condições financeiras de votar pelo reajuste linear?
Em Itabuna, a divergência que existe entre o movimento e a Secretaria de Educação é a tentativa de achatamento da diferenças entre níveis I, II e III por progressão da carreira de pessoas que fizeram mestrado e doutorado e acabam sendo prejudicadas se não há linearidade nesse reajuste.

A folha de pagamento de professores é limpa ou existem penduricalhos?
Sindicato e o movimento grevista não tiveram acesso a essas informações. Ontem recebemos conjunto de professores pedindo que a Câmara faça esse pedido ao Executivo. Há desconfiança de que existe grande número de contratados e cargos comissionados, portanto, pessoas que não deveriam estar contando com recursos do Fundeb. Talvez possibilitasse reajuste maior e cumprimento da legislação do Plano de Cargos, que prevê salários diferenciados em razão do nível de cada profissional.

ILHÉUS NO ROTEIRO GASTRONÔMICO DO FESTIVAL DA TILÁPIA

Isaac e Luiz Henrique lançam festival (Foto Rildo Mota).

Os pratos servidos durante o coquetel de lançamento do Festival da Tilápia 2012 no lendário Bataclan, no Quarteirão Jorge Amado, Centro Histórico de Ilhéus, segunda-feira, 9, à noite, deram pista da riqueza gastronômica que baianos e turistas têm até o próximo dia 16 em Salvador e  municípios do interior. O peixe de água doce foi servido de deliciosas maneiras, encantando autoridades, convidados e jornalistas do eixo Ilhéus-Itabuna.

A 3ª edição do Festival da Tilápia começou no dia 26 de março numa promoção da Bahia Pesca, empresa estatal baiana, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O evento é realizado, simultaneamente, em 44 restaurantes de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Porto Seguro, Ilhéus, Paulo Afonso e Vitória da Conquista.

O presidente da Abrasel, Luiz Henrique Amaral, destacou que o Festival de Tilápias visa fortalecer o segmento de bares e restaurantes que se especializa no fornecimento de pratos diversificados, incluindo o pescado.

O presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli, afirma que o consumo de pescado no estado tem déficit de 40 mil toneladas que serão compensadas nos próximos anos com a produção de peixes em águas interiores, a exemplo de açudes e barragens Confira entrevista concedida por Albagli.

PIMENTA – Qual o objetivo do Festival da Tilápia?
Isaac Albagli – A Bahia tem um déficit entre a produção e consumo do peixe. Após o salmão, a tilápia é o peixe mais cultivado no mundo e se adaptou bem ao Brasil. Então, estamos promovendo a tilápia para dar certeza ao produtor de que pode comercializá-la.

Quais condições a Bahia Pesca oferece ao produtor no cultivo de peixes na propriedade?
Estamos aumentando muito nossas ações. A principal delas é a oferta de alevinos. Nos últimos cinco anos, saímos de uma produção de 15 milhões de alevinos/ano para 75 milhões/ano. São oito estações de piscicultura em funcionamento e mais uma vai entrar em operação ainda este ano e assistência técnica: passamos de oito para 28 unidades para dar conforto e segurança ao produtor.

Quais são as condições atuais da pesca na Bahia?
A pesca sempre é um problema, passa por dificuldades e está sempre no limite da sustentabilidade. Hoje, existe sobrepesca muito grande e as condições decorrentes de poluição e outros problemas ambientais que faz diminuir a quantidade de pescados. Daí, a necessidade de pesca oceânica, ou seja, mais profissional, e é o que estamos fazendo com os terminais pesqueiros de Salvador e Ilhéus.

A Bahia saltou de quinto para terceiro colocado no País, com crescimento de 52% nos últimos cinco anos e a produção continua aumentando.

Como a Bahia Pesca imagina o futuro do setor na Bahia?
O futuro é promissor. A Bahia saltou de quinto para terceiro colocado no País, com crescimento de 52% nos últimos cinco anos e a produção continua aumentando. A Bahia é o estado com maiores condições de crescimento na pesca e aquicultura.

A Pesca é um bom negócio?
Sim. Agora é preciso tecnologia, capacitação, investimento, financiamento público e assistência técnica. Estamos trabalhando na linha de dotar o produtor e o pescador das condições para produzir e se desenvolver e trabalhar profissionalmente.

Há recursos disponíveis para investimentos do produtor e o pescador?
Existe sim, mas a rede bancária tem dificuldades em financiar por inadimplências do passado. Fizemos desafios aos bancos do Nordeste e do Brasil demonstrando que com assistência técnica presente isto não vai mais acontecer. Antigamente se dava o recurso ao produtor, pescador, dono de embarcação e armador sem acompanhamento técnico algum e a resposta não era positiva. Agora, não. Todo programa de financiamento terá acompanhamento da Bahia Pesca e a coisa muda de figura…

“A INTERNET É UM FAROESTE MODERNO”

Criador do Blog de Redação, considerado um dos dez melhores dessa modalidade no Brasil, o professor itabunense Gustavo Atallah Haun acredita que a escola deve compreender e conviver com a nova realidade trazida pela internet. “Aproveitar o que se tem e acrescentar o novo” – é o que ele prega nessa entrevista concedida ao PIMENTA, na qual o professor fala também sobre sua experiência na blogosfera e o que pensa sobre os blogs da região. Um bate-papo bem interessante, que você confere nas linhas abaixo:

 

PIMENTA – De onde surgiu essa ideia de criar um blog sobre redação?

Gustavo Haun – Olha, eu tinha uma sensação, como articulista diletante de jornal escrito, de não ter respaldo, de ter pouco retorno dos leitores. Sentia-me como um pregador no deserto. São mais de duas centenas e meia de textos publicados no Diário de Ilhéus, alguns no Jornal Agora e no Diário Bahia. Um número considerável para um amador. Mas havia esse vazio. Com a experiência de publicar alguns artigos aqui no Pimenta na Muqueca, que sempre me abriu as portas, vi que o resultado era imediato. Então, tive uma sacada com a disciplina que ministro aula: que tal postar tudo o que escrevi, a minha experiência de 11 anos de sala de aula e tal? Daí surgiu, despretensiosamente, o blog.

PIMENTA – Seus alunos acessam o blog? O que eles acham?

GH – Meus queridos alunos são sujeitos privilegiados que nasceram com essa ferramenta, para mim pedagógica, para eles de mero entretenimento. Eles acessam e vão me dando dicas: faça assim, faça assado… Mas a maioria que frequenta o blog é de cursinhos para concurso, pré-vestibulares e pré-Enem, tem uma busca mais objetiva, pois evito textos engraçadinhos, rasteiros, só para fisgar alunos. A minha meta é o bom conteúdo, prezo por isso. Evito que se torne um consultório gramatical ou redacional, algo assim.

PIMENTA – Legal quando você chama seu blog de “pedacinho de chão virtual”. Como você se sente nesse terreno relativamente novo e ao mesmo tempo já tão complexo e abrangente, que é a internet?

GH – Um peixe fora da água tentando se aprumar. É um mar de informações, ondas de opiniões, de doideras de todos os lados, respaldados ou não. Não sei como as gerações futuras farão para filtrar tudo isso… Liberdade demais, talvez, pode levar ao caos, não sei. A internet é um faroeste moderno, terra de ninguém, e de todos ao mesmo tempo. Mas depois da sacada inicial e de assistir ao belíssimo filme Escritores da Liberdade (2007) vi que era possível fazer o link com o que pretendia.

 

A sala de aula pode ser uma coisa muito, muito chata, insuportável até, quando a relação lá existente é baseada em interesse de nota ou em pura obrigação.

 

 

PIMENTA – Em um artigo postado no seu blog, você afirma que a escola perdeu a antiga condição de templo sagrado e único do saber. Já que as evidências indicam que esse é um processo irreversível, o que a escola precisa fazer para conviver com a nova realidade?

GH – Se adaptar aos tempos modernos, meu caro. O homem é moldável, a educação tem que entrar nesse balaio de gato, afinal, ela é o resultado de homens e de práticas. Frases como a de Rosely Sayão, tão famosas no meio educativo, como “Não há Educação sem repressão”, felizmente ou infelizmente, estão absolutamente fora de moda. A parada do momento agora é incluir, é aproveitar o que se tem e acrescentar o novo. A internet pode, e deve, ser usada com esse fim, tendo o cuidado com o caos que falei acima, não cair em um liquidificador cultural louco e sem nexo.

PIMENTA – Quais são as dores e as delícias de ser professor?

GH – Poxa, já escrevi vários textos sobre isso… A sala de aula pode ser uma coisa muito, muito chata, insuportável até, quando a relação lá existente é baseada em interesse de nota ou em pura obrigação. Então, pode ter sentido Paulo Mendes Campos afirmar que “aprender é uma mutilação”. Porém, há os gozos, há os momentos em que tudo vale a pena e que penso que escolhi o caminho certo. Por exemplo, recentemente postei um texto nota dez de uma aluna do segundo ano do Ensino Médio. Nessas horas, bate um orgulho de ser professor, apesar de que a pessoa que escreve é quem tem o mérito total do que escreveu. Eu só oriento, mostro caminhos, possibilidades. O escrevente é quem resolve, com o seu mundo, com suas leituras prévias, com a sua linguagem. Desculpem o lugar comum, mas a expressão que poderia sintetizar tudo isso que estou falando é “padecer no paraíso”.

PIMENTA – Falando de blog, o que você acha da blogosfera regional? Você acha que os blogs da terrinha cumprem um papel importante? O que lhes falta?

GH – Eu sou frequentador assíduo dos blogs grapiúnas, alguns inclusive estão linkados no meu. Gosto de muitos, mas sinto falta de blogs culturais na nossa região: os nossos artistas ainda não descobriram esse portal interessante e essa força incrível que é a internet. Alguns blogs jornalísticos – que não acesso – exploram a desgraça alheia; outros viraram palanque de figurinhas políticas carimbadas. Sei que a imparcialidade da imprensa é uma utopia, mas acho que deve ser perseguida, em nome da ética, da boa informação. Penso que os blogs, muitos discípulos do nosso Pimenta, cumprem, hoje, quem sabe, o papel que o jornalismo escrito não vem cumprindo em nossa cidade e região.

ILHÉUS: A CAPITAL DO CINEMA BAIANO

Cristiane Santana ao lado do produtor executivo do Feciba, Edson Bastos

Formação de público e mão de obra para o audiovisual, e a difusão do cinema produzido na Bahia. São essas as ideias que o Núcleo de Produções Artísticas e a Panorâmica Produções  teve antes de promover o Festival de Cinema Baiano (Feciba). A ideia se concretizou em 2011 e o evento, que acontece pela segunda vez em Ilhéus, já tem sua importância no calendário cultural do Estado.

Na segunda versão do festival foram submetidos 35 curtas-metragens à curadoria da Mostra Competitiva: 24 inscrições vieram de Salvador, 3 de Itabuna e 2 de Ilhéus. Feira de Santana, Vitória da Conquista, São Félix, Palmeira, Gandu e Itajuípe também participam, com uma inscrição cada. As exibições, além de várias oficinas, acontecerão no Teatro Municipal e na Fundação Cultural de Ilhéus.

A seguir, entrevista com a coordenadora geral de Produção do Feciba, Cristiane Santana:

PIMENTA – Como nasceu a ideia do Festival de Cinema Baiano em Ilhéus?
Cristiane Santana – No ano de 2009, movidos pela necessidade de promover ações de formação de público e mão de obra para o audiovisual, além de criar um espaço de difusão da cinematografia produzida no Estado da Bahia, o Núcleo de Produções Artísticas e a Panorâmica Produções pensaram em promover um evento com essas características. Foi então que elaboramos a proposta do Festival de Cinema Baiano e desde o ano de 2011 colocamos a ideia em prática, tornando o FECIBA um evento importante no calendário cultural da Bahia.

PIMENTA – Quais as características do festival?
Edson Bastos – O Festival de Cinema Baiano sempre buscou facilitar o acesso às produções audiovisuais baianas, que até então eram pouco vistas e conhecidas. Buscamos mostrar produções que fazem parte da história, além de apresentar o que há de mais atual na nossa cinematografia, abrindo espaço para a produção de curta-metragem, formato essencial para o desenvolvimento da linguagem e experimentação. Valorizamos todos os vídeos inscritos, dando a possibilidade de serem exibidos, premiando em dinheiro o que mais agradar ao público, além de reconhecer o talento dos profissionais envolvidos nas produções.

PIMENTA Qual a peculiaridade de Ilhéus para sediar o evento?
Cristiane Santana – Escolhemos Ilhéus para realizar o evento, pois encontramos na cidade o ambiente ideal. Ainda não havia na região nenhuma mostra ou festival de cinema e vídeo, tampouco cinemas que exibissem filmes que não estavam no circuito comercial. Ilhéus possui uma cultura peculiar e muito representativa na Bahia, cidade-mãe de grandes artistas e talentos que são destaque no mundo inteiro, a exemplo do nosso homenageado Jorge Amado. Por isso, a cidade merecia um evento que celebrasse a Bahia.

 

O público quer se ver, quer se reconhecer e reconhecer a sua cultura sendo representada nas imagens dos filmes.

 

 

PIMENTA – Onde serão as sessões e oficinas e como será o acesso do público?
Cristiane Santana- O Feciba acontecerá no Teatro Municipal de Ilhéus e na Fundação Cultural de Ilhéus, parceiros fundamentais do projeto. As exibições da Mostra Competitiva de curta-metragem, Mostra Homenagem, Mostra Atualidades, Mostra Retrospectiva e Mostra Sexualidades acontecerão no Teatro Municipal de Ilhéus, com sessões às 14h, 16h, 18h30 e 20h30min.

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“MARKETING POLÍTICO GANHA ELEIÇÃO”, DIZ ESPECIALISTA

José Carlos Silva profere palestra sobre marketing político (Foto Josevaldo Lino).

O marketing político deve funcionar como o marketing empresarial nas organizações, defende o professor José Carlos Silva, integrante da graduação e pós-graduação da Universidade Regional da Bahia (Unirb), em Salvador, e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A preocupação com a imagem também é fundamental, mas é preciso cuidado para não descaracterizar o candidato.

Na sexta, José Carlos Silva foi o conferencista do seminário “Estratégias e táticas para as eleições 2012”, promovido pela Prospect Propaganda. O especialista conversou com o PIMENTA. Ele explica conceitos do marketing político e dá conselhos aos que almejam participar da disputa eleitoral, seja como candidato ou assessor.

PIMENTA – O que é marketing político?
José Carlos Silva – De maneira bem objetiva e clara é a arte de conquistar novos eleitores, novos voluntários e novos aliados para ajudar você a se dar bem nas eleições. Em síntese, é isto.

Quais são as ferramentas mais importantes para ganhar uma eleição?
Primeiro, ser bom produto político. Segundo, ter a melhor estratégia que se recomenda seja segmentada, voltada para a mulher, o jovem, aos idosos, revitalizar o comércio, o turismo etc. Por último, ter equipe capacitada.

Como o candidato não ser vendido como produto, um sabonete, por exemplo, e ser político de ideias?
Deve entender que ele não é materializado, que o problema do ser humano e dos eleitores de modo geral não está apenas no material ou na grana. Está no respeito, na dignidade e na emoção.

Marketing político ganha eleição?
Não tenho nenhuma dúvida. Até porque é uma ciência, queiramos ou não. É ciência aprovada mundialmente. O que não ganha eleição é malandragem política. Já ganhou. Hoje não ganha mais.

O sr. disse que esta será eleição judicializada. A Lei da Ficha Limpa deve preocupar os candidatos? 
Sem dúvida. É ampla, não há jurisprudência ainda sobre a lei. Então, qualquer arranhão, qualquer problema pode torná-lo inelegível. É um fato: muitos serão os que não participarão do processo por [serem] inelegíveis. Por isso, dissemos que é preciso, antes de tudo, consultar especialistas. E o especialista é o advogado da área eleitoral.

Além de contar com especialistas e manejar instrumentos do marketing eleitoral, o que é essencial ao candidato?
Transparência, cuidado com alianças. Às vezes é melhor andar só que mal acompanhado. Ter dignidade e respeitar os valores humanos.

NILO: “ACORDO E DURMO TODOS OS DIAS PENSANDO NA CANDIDATURA A GOVERNADOR”

Presidente da Assembleia Legislativa baiana, o deputado estadual Marcelo Nilo (PDT) não esconde de ninguém o sonho de tornar-se governador. Numa entrevista exclusiva ao PIMENTA, Nilo afirma que acorda e dorme pensando na candidatura, embora saiba que outros nomes da base estão na disputa.

Nilo também comenta sobre o projeto Assembleia Itinerante e o tumulto ocorrido na sessão em Itabuna. “Tinha sujeito com crachá que, claro, veio encomendado para vaiar A ou B”. Para ele, os tempos são outros. “Você tem que conquistar votos no convencimento e não na porrada”. Confira a entrevista.

PIMENTA – Como o sr. avalia a sessão em Itabuna?
Marcelo Nilo – Sucesso. Foi muito importante. Tivemos a presença de 42 deputados debatendo diversos problemas da região sul do Estado. Tivemos a presença popular. É óbvio que estamos vivendo momento político, cada um defendendo seu partido, seu candidato. Foi positivo, ficamos sabendo os problemas mais importantes: a duplicação da rodovia BR-415, segurança pública, saúde, educação, barragem, universidade federal. Somos legisladores, elaboramos as leis e fiscalizamos o Executivo. Podemos contribuir nas soluções aos Governos federal e estadual.

Houve certo tensionamento entre grupos políticos locais, o sr. foi severo, ameaçou suspender os trabalhos, mas conseguiu equilibrar e levar a sessão até o final.
Tenho experiência… Se deixasse, aquele conflito viraria bagunça. Então tive que fazer um jogo mais duro. Claro que compreendo que vivemos em um regime democrático e o povo tem que falar. Agora é preciso que se compreenda o esforço de trazer a sessão da AL de Salvador para Itabuna para prestigiar a cidade. O deputado Geraldo Simões disse que este foi fato político mais importante para a cidade que a emancipação em 1910. Então trazer a AL para a cidade e aqui ser vaiado…

Tinha um sujeito com crachá que, claro, veio encomendado para vaiar A ou B. Esse tipo de político já passou.

Não seria uma manifestação natural do cidadão?
É fácil botar claque para vaiar, é muito fácil. Tinha um sujeito com crachá que, claro, veio encomendado para vaiar A ou B. Esse tipo de político já passou. Sou presidente da Assembleia Legislativa três vezes porque respeito o contraditório. O tempo de arrogância, prepotência e de ofensa acabou, o povo da Bahia sepultou. Agora é tempo de respeitar as pessoas que pensam diferente. Só ganhará eleição, quem tiver diálogo com aqueles que não acompanhem seus projetos. Você tem que conquistar votos no convencimento e não na porrada.

Após sessões em Feira, Conquista e Itabuna, como o senhor avalia o projeto Assembleia Itinerante?
Vitorioso. Disso não tenho dúvidas. O próximo presidente da AL terá que mantê-lo. A agenda de reuniões prevê sessões em Juazeiro, Teixeira de Freitas, Jequié… O critério usado é o de população. Fizemos Feira da Santana, Vitória da Conquista e Itabuna. Coincidentemente, PDT, PT e DEM. As seguintes são lideradas pelo PC do B, PSDB e a sexta do PMDB. Então dá para se fazer arrumação partidária. Sou presidente dos iguais que na AL são muito diferentes.

Quero sentar na cadeira de governador com tinta na caneta para fazer o que penso.

O senhor será mesmo candidato a governador?
Estou trabalhando para ser o candidato a governador. Acordo e durmo todos os dias pensando na candidatura a governador. Nasci na roça, no sertão, no semiárido. Fui estudar em Salvador, morei em pensionato, estudei em escola pública. Entrei na Embasa como estagiário e saí como presidente. Seis vezes deputado estadual. Sou único deputado estadual na história da Bahia 16 anos na oposição. Três vezes presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual mais bem votado da Bahia. Fui governador interino cinco vezes. É óbvio que a caneta não tinha muita tinta porque o cargo não era meu. Quero sentar na cadeira de governador com tinta na caneta para fazer o que penso.

Na base, existem outros nomes…
Estou preparado para ser governador da Bahia. Agora, preciso trabalhar. O PT tem a preferência, mas não tem a exclusividade. Vou lutar, subindo degrau por degrau. Lento, mas constante. São 200 andares, mas chego lá.

VANE: “NÃO TRABALHO PARA SER VICE”

Num bate-papo com o PIMENTA, o vereador Claudevane Leite, ou simplesmente Vane do Renascer, do PRB, fala sobre a pretensão de ser candidato a prefeito de Itabuna e do cortejo que recebe de outros candidatos, no intuito de tê-lo como vice. Vane afirma que tem recusado essas propostas e assegura que seu objetivo não é outro, senão o de encabeçar uma chapa. O ex-petista fala também sobre as contas do prefeito José Nilton Azevedo (DEM) e da crise moral que atinge o legislativo itabunense.

Confira:

 

PIMENTA – Muita gente duvida de sua candidatura e acha que você quer mesmo negociar uma vice. O que você tem a dizer a respeito?
Vane – Eu tive acesso a pesquisas de consumo interno que me colocam em uma posição bastante competitiva e olha que eu nem estou fazendo campanha. Tenho também um baixíssimo índice de rejeição. Meu sentimento é de que grande parcela dos itabunenses me quer como prefeito dessa cidade. O sonho de consumo de muito candidato por aí é que eu seja vice, mas você pode ter certeza de que não vou entrar nessa disputa para pleitar essa posição.

PIMENTA – O que já lhe ofereceram para tê-lo como vice?
Vane – Da parte do governo, já houve oferta de secretarias e a promessa de que eu seria o candidato à sucessão em 2016, o que eu recusei. Já houve sinalizações nesse sentido também do PT e eu rejeitei da mesma forma. Se todos querem fechar essa composição, é porque sabem que não estou mal.

PIMENTA – Mas o senhor faz parte de uma frente de partidos. Dentro desse grupo, não existe a possibilidade de negociar a formação da chapa?
Vane – Somente nesse caso, pois há um acordo entre o PRB, que é o meu partido, o PCdoB do vereador Wenceslau, o PDT da professora Acácia Pinho e mais o PSC e o PV. Dentro desse grupo, o acordo é o seguinte: quem estiver melhor terá o apoio dos demais.

PIMENTA – Que espaço o senhor espera preencher na política de Itabuna?
Vane – O espaço aberto pelos que estão insatisfeitos com a atual administração e ao mesmo tempo não querem o retorno do PT com a imposição do nome de Juçara Feitosa pelo deputado Geraldo Simões.

 

Há uma outra etapa das investigações, a que apura as fraudes com empréstimos consignados. Isso vai complicar muita gente.

 

PIMENTA – O prefeito Azevedo teve suas contas rejeitadas pelo TCM e agora a Câmara deverá apreciar o parecer do tribunal. Quais as chances disso ocorrer antes das eleições?
Vane – Na semana passada, eu fiz um pronunciamento em plenário cobrando a votação das contas, e confirmarei isso nesta semana, em um requerimento que encaminharei à mesa diretora da Câmara. Há uma manobra na casa para deixar a votação para depois das eleições, mas eu vou combatê-la. Se o parecer do TCM não for apreciado antes das eleições, o legislativo dará um atestado de imoralidade.

PIMENTA – O senhor quer dizer “mais um atestado de imoralidade”, porque esse legislativo já deu vários… Como o senhor se sente fazendo parte de uma Câmara de Vereadores tão mal-vista pela sociedade?
Vane – Hoje é muito difícil fazer parte do legislativo dessa maneira. Além da corrupção, há uma guerra pessoal travada lá dentro. A gente se sente muito mal, mas a comunidade nos deu esse mandato e temos que cumprir o nosso papel.

PIMENTA – No caso Loiolagate (esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos), o senhor acha que cumpriu seu papel?
Vane – Como relator da Comissão Especial de Inquérito que investigou esse caso, é bom lembrar que foi nossa a iniciativa de procurar o Ministério Público. Não fomos omissos. Se não nos posicionássemos, o Ministério Público não faria nada. Até agora, tudo o que foi apurado pelo MP e pela Polícia Federal está baseado no trabalho da CEI.

PIMENTA – Mas até agora, tirando três vereadores afastados (um voltou amparado em liminar e dois continuam fora), as consequências dessas investigações são muito tímidas…
Vane – Só que ainda há uma outra etapa das investigações, a que apura as fraudes com empréstimos consignados. Isso vai complicar muita gente.

FORA DA TV, GAGA VENDE COCADA EM FRENTE AO BATACLAN

Solange exibe suas cocadas

Solange Damasceno, ou simplesmente “A Gaga de Ilhéus”, continua fazendo sucesso, embora já não esteja na TV. Até o segundo semestre do ano passado, a dicção travada da ilheense provocava gargalhadas no público do Show do Tom, programa humorístico que era comandado na Rede Record por Tom Cavalcante.

O programa acabou e Solange ficou sem emprego, mas não perdeu o “glamour”, como diria outra comediante da TV. Em frente ao Bataclan, em Ilhéus, a gaga hoje sobrevive da venda de cocadas como a de “cho-cho-cho-cho-cho-cho-cho-chocolate”. É assim que ela pronuncia o sabor, fazendo rir os turistas, que não resistem a tirar uma foto ao seu lado.

O PIMENTA encontrou a gaga no início da tarde desta quinta-feira, 23, em seu novo local de trabalho, e conversou rapidamente sobre o momento atual, o tempo que passou na televisão e os planos para o futuro. A gaga repete a todo momento que sua vida está “nas mãos de Deus” e não cansa de elogiar Tom Cavalcanti – segundo ela, “o melhor patrão do mundo”.

PIMENTA – O que você está fazendo agora, depois de sair da televisão?
Solange – Eu fui a Salvador fazer uma propaganda do Trident, que é o chiclete. Graças a Deus fiz o evento e adorei, me pagaram direitinho… Glória a Deus por isso! E eu vendo cocada aqui pros turistas quando chega o navio. Estou esperando no Senhor, tá na mão de Deus, seja o que Deus quiser. Porque ele me libertou e não vai mais me deixar voltar pro lugar que eu era.

PIMENTA – Você tem participado de eventos?
Solange – Tô fazendo eventos. Eu canto também, gravei um CD que tem um Funk do Inglês Doido. Fui pra Santa Catarina, cantei lá e o povo amou. Por enquanto, graças a Deus, o povo ainda gosta de mim, os fãs perguntam por Tom (Cavalcante). Ele tá lá, nas mãos do Senhor. É um ótimo homem, um ótimo patrão, um homem abençoado. Um humorista daquele não se acha mais não. Se tiver, é do Paraguai, pois verdadeiro só existe um, que é ele.

Fantasiada de paquita, ao lado do "Mendigo", no Show do Tom

PIMENTA – Que estilo de música você canta no CD?
Solange – Tem o Forró da Gaga, o arrocha, o funk, o Rap do Estudante…

PIMENTA – Como você se sente fora da TV?
Solange – Eu tô despreocupada, deixa Deus trabalhar. Meu empresário é o Senhor Deus vivo, Nosso Senhor Jesus Cristo. (Eu espero para) ver o que Deus vai fazer na minha vida.

PIMENTA – Nenhum contato ou proposta à vista?
Solange – Não, ainda não. Mas eu tenho fé em Deus que ainda vou trabalhar com Tom Cavalcante. Patrão que nem ele não tem não.

Blogueiro reclama dos “telefones melosos” de assessores de imprensa

Do Comunique-se

Ex-diretor de redação do jornal Propaganda e Marketing e atualmente à frente do Blog do Adonis, o jornalista Adonis Alonso revela não gostar de alguns contatos feitos pelas assessorias de imprensa que tentam vender uma pauta ou insistir em algum material que não será publicado em sua página. O blogueiro também tem passagens por agências de comunicação. Confira trechos da entrevista concedida por Adonias ao site PR News.

PR Interview: O que uma assessoria de comunicação deve fazer para se relacionar bem com um blogueiro?
Adonis Alonso: Tratá-lo da mesma forma como faz com jornalistas de veículo. Na maioria das vezes, também são profissionais dessa área. Por outro lado, como os blogs procuram abordar a notícia de forma diferenciada, é preciso atender suas solicitações com relação a dados adicionais, imagens ainda inéditas se possível, entrevistas que não fazem parte do press release original etc.

PR Interview: As assessorias de comunicação já entendem a importância dos blogs?
Adonis Alonso: Penso que sim. Pelo menos no meu caso, que abrange uma área de atuação específica e também pela minha origem em veículo especializado tradicional. Como o blog trabalha com menos espaço e volume e procura matérias diferenciadas, além de incluir opinião em muitos casos, essas acabam tendo um peso relevante no total do material publicado.

PR Interview: No seu blog, você publica somente notícias exclusivas ou com abordagem diferenciada. Mesmo assim algumas agências insistem em te oferecer conteúdos já publicados em outros veículos?
Adonis Alonso: Isso ocorre diariamente. Recebo o mesmo material enviado a todos os jornalistas do setor. Quando a matéria em questão não se trata de furo ou notícia exclusiva, preciso trabalhar o material.  Peço todo tipo de informação que possa contribuir para que a minha nota seja diferenciada. São vários casos semelhantes. É só conferir uma notícia largamente divulgada por vários sites e observar seu conteúdo no meu blog.

PR Interview: Você gosta de receber telefonema de assessor de comunicação?
Adonis Alonso: Quero ser tratado como um jornalista comum de qualquer veículo. Atendo a todos, discuto a pauta com todos e digo claramente quando e porque determinada notícia não será publicada no blog. Só não gosto de receber telefonemas melosos perguntando se curti ou gostei do release. Eu não tenho que curtir nem gostar. Tenho que achar a informação relevante para o público que lê o meu blog.

Confira a íntegra da entrevista

CLEBINHO: “ITACARÉ E ILHÉUS SERÃO O MELHOR DESTINO DO NORDESTE PARA UM TURISMO INTELIGENTE”

Cleber Isaac Soares (Foto Ed Ferreira).

O empresário Cleber Isaac Ferreira Soares, do Eco Resort e do Itacaré Village, é o novo secretário de Turismo de Itacaré. Nesta entrevista ao PIMENTA, ele aborda sua relação com o município que virou febre no turismo brasileiro, os projetos para a pasta e afirma acreditar que o prefeito Tonho de Anízio terá mais quatro anos de governo pela frente.

Cleber ressalta que Itacaré é o único destino do Nordeste que tem potencial “nota 10” para o turismo rural, ecoturismo e turismo de praia. Ele também aposta na sinergia Ilhéus-Itacaré.

–  Essa sinergia e a capacidade de reação do prefeito Antônio de Anízio vão transformar este eixo até o final do seu segundo governo no melhor destino do Nordeste para um turismo inteligente e não-massivo.

Confira a entrevista.

PIMENTA – Qual é sua relação com Itacaré?
Cleber Isaac Soares – Minha família está em Itacaré há um século e meio. Eu nasci em Salvador e moro em Itacará há 15 anos. Depois de formado, resolvi aproveitar o potencial das propriedades da família na região. Fomos pioneiros no Brasil na implantação de resort-condomínios com o Villas de São José, em 1999.

Como se deu sua ida para a Secretaria de Turismo de Itacaré?
Pelo lado político, agradeço a confiança depositada pelo prefeito Antonio de Anízio, que terá em mim um soldado a serviço de seu projeto. Acredito que o prefeito, que acompanha tudo no município, sabe  do nosso potencial logrado em outras áreas relacionadas também ao turismo. Mas o convite veio principalmente pelo lado técnico – e assim pretendo atuar -, após o afastamento de Diana Quadros por razões pessoais, no final do ano passado. Ela deixa uma secretaria bem-estruturada e uma equipe técnica de qualidade.

Fale de suas experiências nesse setor.
Para mim, o mais importante foi o que citei no início, o Villas de São José, projeto que trouxe para o destino Itacaré pessoas famosas e de alto poder aquisitivo, despertando mundialmente o interesse por conhecer Itacaré. Fui fundador e presidente do Instituto de Turismo de Itacaré, em 2005,  ajudamos no processo de implantação do Conselho de Turismo em 2009, implantamos e operacionalizamos os hotéis Eco Resort e Itacaré Village, ambos situados no condomínio Villas de São José, e idealizamos o projeto Vilas do Rio de Contas, que visa o desenvolvimento do ecoturismo do Rio de Contas em Itacaré.

Temos ideias e projetos para curto, médio e longo prazos.

 

O senhor assume a pasta e já com um projeto para o setor?
Temos ideias e projetos para curto, médio e longo prazos. Tomo a liberdade de incluir o segundo governo de Antônio de Anízio. A princípio, citarei alguns dos projetos que estamos amadurecendo e pretendemos expor ao prefeito e toda sua equipe e aos colegas secretários para que possamos fazer um trabalho em conjunto.

De toda essa experiência e vivência do turismo em Itacaré, quais projetos o senhor encara como fundamentais?
De forma resumida, pensamos em ações de interiorização do turismo, estimulando o turismo de aventura (rafting, rapel e a tirolesa), a inclusão social com agricultores familiares fornecendo produção para pousadas e restaurantes da cidade, o incremento de ações na área de segurança em parceria com o setor privado (videomonitoramento e rádio), projeto de saneamento e a criação de uma agenda de grandes eventos musicais para o destino. Mas gostaríamos de frisar que todas estas iniciativas só resultarão em sucesso se todos comprarem a ideia e participarem.

Itacaré é vista como um paraíso por gente de todo o mundo, mas ainda tem desafios a enfrentar nas áreas social e ambiental, por exemplo. Como superá-los?

Como um desafio possível de ser enfrentado, por termos o apoio do prefeito e sua equipe e do empresariado local. As soluções já foram testadas em destinos como Parati, Búzios, Ouro Preto, Bonito e Fernando de Noronha, para citar apenas destinos nacionais, mas a Costa Rica é o país que teve maior êxito na aplicação de turismo ecológico e rural para ter o verdadeiro desenvolvimento. Nunca esquecerei o que aprendi neste país, in loco.

Como alguém com perfil empresarial pode colaborar com o desenvolvimento de políticas públicas para o turismo?
A cabeça de empresário me dá a facilidade para trazer os colegas para apoiar as políticas públicas – seja em parcerias públicas ou apoios institucionais, em especial com os empresários ligados ao ITI,  que têm uma visão estratégica de longo prazo do destino. Além disso, a eficiência e eficácia da vida empresarial me dá o senso de urgência necessário para gerar os resultados pelos quais o prefeito me incumbiu.

Itacaré é o único destino nordestino que tem potencial nota 10 para turismo rural, ecoturismo e turismo de praia

 

Como o senhor vê o futuro do turismo em Itacaré?  Quais são as tendências para o setor nesta cidade?
Itacaré é o único destino nordestino que tem potencial nota 10 para turismo rural, ecoturismo e turismo de praia – comparado apenas a Parati. Ao mesmo tempo, está ao lado de Ilhéus, que tem o maior potencial do Brasil (ainda não explorado em seu potencial máximo) para o destino cultural, em especial com a refilmagem de Gabriela, 100 anos de Jorge Amado.  Essa sinergia Ilhéus–Itacaré e a capacidade de reação do prefeito Antônio de Anízio vão transformar este eixo até o final do seu segundo governo no melhor destino do Nordeste para um turismo inteligente e não-massivo.

O senhor já pensou em ser prefeito de Itacaré. Os projetos políticos continuam?
Minha pretensão política é clara: apoiar Antonio de Anízio para fazer a melhor gestão possível nos próximos 5 anos e colocar Itacaré no patamar que merece. O restante será consequência.

O poder público local entende a importância do turismo?
Hoje, sim, e a prova é que Itacaré nunca teve uma Secretaria de Turismo com sede, gerente de cultura, gerente administrativa, gerente de eventos… Nos governo anteriores não existia nem uma mesa para a secretaria nem uma cadeira. Antes, o secretário de Administração dispunha de parte de seu tempo para o turismo com as dificuldades que esta falta de exclusividade gera.

RENATO COSTA: “ALIANÇA COM O DEM E O PSDB NÃO SERÁ OBRIGATÓRIA EM ITABUNA”

O presidente local do PMDB, ex-deputado Renato Costa, está fora do páreo em 2012, mas diz que trabalha pela candidatura própria do partido. Até aqui, a legenda possui quatro pré-candidatos: Maruse Xavier, Ruy Côrrea, Edmilton Carneiro e Leninha Duarte.

O partido define até o final deste mês qual deles será o pré-candidato. O escolhido terá até maio para viabilizar-se, segundo Renato, que não descarta aliança com o PT itabunense, embora haja acordo antipetista firmado entre os diretórios estaduais do PMDB, PSDB e DEM. “Nosso plano “A” é viabilizar nossa candidatura própria”, diz o presidente, que completa: ‘Estaremos abertos a aliança com quem quer que seja”.

Confira bate-papo do PIMENTA com o presidente do PMDB itabunense.

Como o partido se posicionará em 2012?
O PMDB trabalha pela candidatura própria. Definiremos até o fim deste mês quem será o pré-candidato. Enquanto isso, vamos manter conversa com os outros partidos, com a Terceira Via, para ver se a gente apoia ou será apoiado. E, por outro lado, caso não consiga viabilizar candidato ou não compor com a Terceira Via, estaremos abertos a aliança com quem quer que seja.

O PMDB seguirá a orientação da estadual para fechar com o DEM e o PSDB?
O PMDB, por tradição, não costuma agir assim, empurrando goela abaixo. Evidentemente que se for por esse caminho, de fazer alianças, passaremos pelo crivo da Estadual. Não há obrigatoriedade [de compor com o DEM e o PSDB]. Caso a candidatura própria não se viabilize, estaremos livres para fazer aliança com quem acharmos melhor.

Na eleição a governador em 2010, havia expectativa de Geddel ter o apoio de Azevedo, o que não aconteceu. Esse fato atrapalharia o diálogo com o DEM em Itabuna?
Isso foi o que eu disse ao prefeito, de que não haveria nenhuma obrigação de apoiá-lo, pois ele não criou essa obrigação. Ele não se definiu na eleição a governador. Além do mais, Geddel trouxe para Itabuna a maior obra, a mais visível [a cobertura do Canal da Amélia Amado]. Agora essa história de verticalizar as decisões, isso é complicado, não existe. Se fosse para alinhar [de cima], nós já temos o PMDB aliado ao PT no plano nacional. Cada município tem sua realidade, suas diferenças. É muito difícil [verticalizar], não há isso de não pode apoiar esse, não pode aquele. Nós não temos nenhum veto. Nosso plano “A” é viabilizar nossa candidatura própria.

Qual será o nome do partido?
Nós temos Ruy Correa, Maruse [Xavier], Leninha [Duarte] e [Edmilton] Carneiro. Dentro de 15 dias, teremos só um nome.

Essa aliança de Salvador [com o DEM e o PSDB] não será obrigatória aqui. Pode até acontecer, mas não é obrigatória.

E a aliança com o PT, está descartada?
Não há proibição nem obrigação de apoiar. A primeira opção é com os partidos menores, com Vane, PCdoB, Acácia Pinho. Caso não seja possível, a gente vê. Mas isso é lá para maio ou junho. Nós vamos trabalhar pela candidatura própria. Essa aliança de Salvador [com o DEM e o PSDB] não será obrigatória aqui. Pode até acontecer, mas não é obrigatória.

O PMDB tem orientado os diretórios a não se aliar ao PT no interior?
Não, eles apenas dizem que aliar-se ou não com o PT é uma decisão nossa, do diretório. Se a candidatura própria não ganhar musculatura, nós buscaremos aliança. Mas agora vamos decidir o nome do PMDB de forma consensual, apoiar quem tem mais visibilidade.

Juvenal Maynart, do diretório estadual, falou que, dos nomes postos, Leninha seria o melhor do PMDB por ter os três Dês: dimensão, densidade, democracia.
E vocês até falaram do outro D, de dinheiro, né? (risos). Mas os outros nomes também têm simpatia.

HOJE NÃO TEM UNIVERSO PARALELO

O PIMENTA publicou no dia 11 de dezembro a última edição da coluna Universo Paralelo, que este site levou ao ar, semanalmente e sem interrupções, ao longo de dois anos. A coluna era assinada por um misterioso Ousarme Citoaian, pseudônimo – ou heterônimo – do jornalista e escritor Antônio Lopes. Hoje, em vez da coluna, apresentamos aos leitores a verdadeira identidade do colunista que dava um molho cultural ao PIMENTA todos os domingos.

Nesse bate-papo, Lopes conta como surgiu o UP e porque ele decidiu encerrar as atividades na coluna. Fala também sobre sua trajetória, que começou no interior de Pernambuco, passou por Buerarema, Ilhéus, Rio de Janeiro e Itabuna. Sobre si mesmo, Ousarme Citoaian – ou melhor Antônio Lopes – afirma o seguinte: “sou um cangaceiro domesticado”.

Confira:

PIMENTA – Como surgiu o Universo Paralelo?
LOPES – O PIMENTA havia me pedido para fazer uma coluna sobre cultura e não tinha um formato definido para ela. A partir daí eu pensei em fazer uma coisa que ficasse um pouco destoante da imprensa de todos os dias. O fato é que a coluna foi se formatando com o tempo. Se a gente pegar a primeira e a última, vai perceber que são bem diferentes.

PIMENTA – A coluna sempre mesclou informações sobre música, história, literatura e aquilo que Odilon Pinto chama de “usos do português”. Como você chegou a essa fórmula?
LOPES – Odilon Pinto às vezes usa uma expressão mais cortante, que é pronto-socorro da língua portuguesa. Eu nunca quis ser isso, mas é uma tendência que a gente tem de achar que o jornalismo é um guardião da boa linguagem, embora não possa negar que a mídia às vezes não é muito correta com relação a isso. Não há muita novidade nisso, mas eu sempre quis produzir uma espécie de crítica, porém sempre me resguardei porque isso levaria a um confronto com colegas e eu não gosto disso. De qualquer modo, penso que encontramos um meio de dizer essas coisas.

PIMENTA – Já que falamos em Odilon, qual é sua opinião sobre os linguistas de modo geral?
LOPES – Há linguistas e linguistas. O que me desagrada é que tenho uma formação clássica, apesar de parecer meio presunçoso dizer isso. O que eu quero dizer é que sou de um tempo em que mulher bonita, mulher sensual, a gente chamava de mulher bonita, mulher sensual. Não chamava de gata, de pitéu, galeto nem filé. A boa linguagem precisa prevalecer e o que às vezes me preocupa é a existência de uma corrente que vê as coisas assim: “se você entendeu, está certo”. Se a gente vai à escola, o professor quebrou a cabeça para ensinar como devem ser as coisas, a gente tem uma responsabilidade com isso. Não é na base do “tudo está certo”. Tudo está certo para o homem que lastimavelmente não foi à escola, mas o jornalista foi e tem obrigação de zelar pela linguagem chamada culta.

 

É melhor parar com a coluna num momento em que imagino que ela deu o recado.

 

 

PIMENTA – Sem medo de parecer cabotino, eu gostaria que você falasse sobre a contribuição que a coluna deu à imprensa regional.
LOPES – Na verdade, a coluna me surpreendeu porque eu não imaginava que as pessoas estivessem muito interessadas em saber, por exemplo, sobre uma modinha de Villa Lobos. E de repente você posta isso e surgem comentários. Ou que alguém esteja preocupado com essas filigranas sobre a melhor forma de dizer as coisas. Os muitos comentários que a coluna gerou provam que ela acordou pessoas que eu imaginava não estarem afinadas com essa moderna linguagem dos blogs. Elas me deram uma responsabilidade muito grande, na medida em que passaram a participar e a cobrar. Essa participação já foi um grande prêmio que a coluna teve.

PIMENTA – O fato de estar publicado na internet foi essencial para a repercussão que o Universo Paralelo conquistou? Aproveitando, nós gostaríamos que você desse sua opinião sobre esse fenômeno dos blogs, avaliando o papel que eles exercem.
LOPES – Eu não sou exatamente um entusiasta das chamadas novas tecnologias, mas isso não me impede de reconhecer que a coluna não daria tão certo se fosse impressa. Essa resposta rápida só a internet permite. Foi surpreendente a aceitação e concordo que a mídia escolhida, particularmente o blog Pimenta na Muqueca, pela audiência e prestígio que tem, foi o melhor lugar onde a coluna poderia ter sido abrigada.

PIMENTA – E por que parou?
LOPES – Parei porque tenho a convicção de que as coisas não são eternas. Dois anos são o bastante e aqui tem um pouco da “síndrome” de Pelé. É melhor parar com a coluna num momento em que imagino que ela deu o recado, do que esperar chegar o ponto em que as pessoas não queiram mais. Se ela deixar alguma saudade, e tomara que deixe, eu terei cumprido meu objetivo. Tive sempre um tratamento muito cortês no blog, mas acho que é tempo de parar. Na vida a gente faz estágios e esse foi um estágio. Se você me perguntar qual é o próximo, não sei lhe dizer.

PIMENTA – Você nasceu em Pernambuco, viveu em Buerarema, estudou em Ilhéus, trabalhou no jornal Última Hora no período da ditadura militar, escreveu livros…
LOPES – Eu nasci no município de Triunfo, em Pernambuco, numa família de pequenos agricultores, aquela gente que planta, colhe e se sobrar vende. Meus antepassados continuam lá, num lugar chamado Lagoinha, em Pajeú de Flores, terra de xique-xique, bode, Lampião, de cangaceiro. Eu mesmo costumo me classificar como um cangaceiro domesticado. Mas apenas nasci lá. Meus pais morreram muito cedo, então foi meu irmão quem me criou em Buerarema.

PIMENTA – Buerarema é sua maior referência…
LOPES – A minha “mitologia” mesmo é a de Buerarema. Foi sobre este lugar que eu publiquei três livros (“Buerarema falando para o mundo”, “Luz sobre a memória” e “História de Facão e Chuva”), sobre gente que mora lá, alguns até hoje. Na verdade, “ Buerarema falando para o mundo”, apesar do título, não é só Buerarema. Os livros sobre Buerarema são Luz sobre a memória e História de Facão e Chuva. Tive a sorte de ter um deles editado pela Uesc, além de outro livro, “Solo de Trombone”, sobre o satírico Alberto Hoisel. Em Ilhéus, estudei no IME (Instituto Municipal e Educação Eusínio Lavigne), conheci Milton Santos, José Cândido de Carvalho, Leopoldo Campos Monteiro, Washington Landulfo, Horizontina Conceição, Pedro Lima, enfim, os nomes que as velhas gerações de Ilhéus têm como grandes professores. Eu os conheci todos e foi um período muito bom. Depois disso, eu me meti nessa coisa de jornalismo, fiz estágio no jornal Última Hora, em São Paulo, voltei para o sul da Bahia nos anos 60, justamente no período do golpe militar, que me obrigou a retornar um pouco antes do planejado. Foi a época em que surgiu o jornal Tribuna do Cacau, com Telmo Padilha, Milton Rosário, Artur Brandão. E fui ficando. Casei, tive duas filhas, cinco netos, e vai por aí a vida.

VIVEIROS: “O PORTO SUL TRARÁ PARA ESTA REGIÃO UMA IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA INÉDITA”

Entrevista com o presidente da Bamin (publicada originalmente no Jornal Agora)

A despeito da polêmica, o projeto Porto Sul, do Governo da Bahia, aponta inegavelmente para um horizonte de desenvolvimento para a região. Parceira do governo no empreendimento, a Bahia Mineração (Bamin) pretende construir em Ilhéus, agregado ao Porto Sul, o seu Terminal de Uso Privativo (TUP) para escoar o minério de ferro, inicialmente da jazida de Caetité, mas que no futuro poderá receber também o minério procedente do norte de Minas Gerais, onde a ENRC, empresa que controla a Bamin, realiza estudos. Em entrevista ao Jornal AGORA, o presidente da empresa, José Francisco Viveiros, afirma que a parceria da BAMIN com o Estado faz parte de um complexo logístico que permitirá ao sul da Bahia escoar uma variedade de cargas, que inclui soja, algodão e outros grãos, além de clínquer (usado na produção de cimento), fertilizantes e etanol. O presidente da Bamin também afirma que a empresa tem como um de seus pilares o compromisso com as comunidades nas quais terá influência e exigirá “o mesmo comprometimento social” das empresas que serão contratadas para a construção do TUP.

Qual a expectativa da Bamin com relação ao licenciamento ambiental do Porto Sul?
José Viveiros – O processo de licenciamento do Porto Sul, do qual o nosso Terminal faz parte, está sendo conduzido pelo Governo da Bahia. Como parceiros desse empreendimento, nós observamos que todas as ações relativas ao licenciamento ambiental vêm sendo conduzidas de maneira correta e com toda transparência. Foram realizadas mais de 30 reuniões com comunidades e grupos como pescadores, empresários e jornalistas. Além de Ilhéus, essas reuniões ocorreram em outros municípios da região e todo esse trabalho de informação culminou na maior audiência pública já realizada pelo Ibama no Estado da Bahia. A audiência reuniu mais de 3.700 pessoas e foi uma grande oportunidade para esclarecer sobre o empreendimento em todos os seus aspectos, além de ouvir as sugestões e críticas da população.

JORNAL AGORA – O Porto Sul terá impactos positivos e negativos. O que pesa mais nessa balança?
José Viveiros – Primeiramente, é importante lembrar que os benefícios do Porto Sul são muito mais abrangentes do que vem se falando por aí. O Brasil precisa de portos para poder seguir com seu processo de desenvolvimento. A costa da Bahia tem quase 1000 km de extensão e não é possível que uma pequeníssima faixa não possa ser usada para a construção de portos. Se fosse assim, o sertão semiárido não teria nenhuma esperança de, um dia, ver o progresso chegar, melhorando as condições de vida locais. Se fosse assim, a nova fronteira agrícola do oeste do Estado não teria possibilidade de expansão. Se fosse assim, a ligação entre o Atlântico e o Pacífico, tão sonhada por brasileiros e vizinhos da América do Sul, nunca poderia se concretizar. O progresso tem sempre impactos negativos. Asfaltar ruas e estradas, iluminar casas, trazer água, esquentar a comida e dispor o lixo são coisas corriqueiras e indispensáveis, que produzem impactos negativos muito significativos. Porém o que deve ser lembrado é que ninguém está preparado para abrir mão disto. O Porto Sul é uma alavanca para que muitos brasileiros possam passar a ter acesso às coisas anteriormente mencionadas. O Estudo de Impactos Ambientais foi realizado por técnicos da maior competência, com critérios científicos bastante rigorosos. Esse estudo não somente diz quais são os impactos, mas procura apontar os caminhos para ameniza-los

JORNAL AGORA – Por que a Bamin escolheu escoar minério de ferro por Ilhéus?
José Viveiros – São várias razões e a principal delas é o fato de Ilhéus possuir uma forte vocação para as atividades portuárias e uma população empreendedora e acolhedora, que nos recebeu muito bem. Além disto, o Governo do Estado já tinha a pretensão de construir o Porto Sul em Ilhéus, depois de analisar outras áreas, como Campinhos e Aratu. Nenhuma delas foi considerada tão boa para o empreendimento como Ilhéus e, além de tudo, existe o entendimento de que o porto irá atrair desenvolvimento para a região, descentralizando a economia.

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JOÃO ALMEIDA DIZ QUE PSDB “NÃO TEM NOME COMPETITIVO EM ITABUNA”

O vice-presidente nacional do PSDB, João Almeida, disse que os tucanos vão se esforçar pela unidade das oposições na Bahia. O ex-deputado esteve em Itabuna nesta quinta (1º) e afirmou que a tendência do partido é pelo apoio à reeleição do prefeito Capitão Azevedo (DEM). “O PSDB não tem candidato competitivo em Itabuna”, explicou em entrevista ao PIMENTA.

Almeida disse que no campo das oposições aos governos federal e estadual o melhor nome no município é o de Azevedo. “Uma das diretrizes do PSDB nacional é fortalecer candidaturas de aliados que estejam bem, onde não temos candidatura competitiva”, repete.

O diretório nacional recebeu até pedido de intervenção no diretório itabunense para que os tucanos apoiem a candidatura democrata. O diretório municipal, no entanto, defende candidatura própria e apresenta como nome o empresário Ronald Kalid, ex-secretário de Obras de Itabuna na década de 80.

Confira trechos da entrevista.

PIMENTA – Olhando para 2012, qual a tendência do partido em Itabuna?
JOÃO ALMEIDA –
É natural que apoiemos candidato melhor posicionado e [a tendência] é pelo apoio à reeleição do prefeito Azevedo. Do que conheço do PSDB, não temos candidato competitivo em Itabuna. Temos bons quadros, como o próprio José Adervan, [presidente do partido], mas não sem força eleitoral. Ele já foi candidato, mas não se mostrou competitivo.

A direção local do partido defende o nome de Ronald Kalid. O sr. acredita que ele não tem potencial eleitoral?
Eu não entro nesse mérito, pois posso cometer alguma injustiça. Mas o PSDB não demonstrou força política na outra eleição (2008). Não se constrói uma candidatura de véspera, a não ser em um contexto de emergência de um quadro que esteja vinculada a uma ação social e ainda não era político e resolve ser candidato. Esses fenômenos acontecem às vezes, mas desde que tenha apoio político grande. É raro.

Indo para o plano nacional, o PSDB trabalha de que forma para 2014? Qual seria o nome?
O nome para 2014, inquestionavelmente, é o de Aécio Neves. Não há outro.

Nem Geraldo Alckmin nem José Serra?
Ambos têm grandes méritos, mas vejo Alckmin, por exemplo, disputando a reeleição ao governo de São Paulo. Aécio é o nome.

O senhor acredita que a oposição terá sucesso em 2014 na Bahia?
Agora não é só uma questão de boa vontade ou bom senso, mas de necessidade. Ou nós nos apresentamos unidos, com proposta, ideias claras para a população baiana ou não haverá disputa. A oposição erra muito, mas chega uma hora em que o bom senso baixa. Necessitamos de bom senso, pois é inadmissível que tenhamos um governo tão medíocre como esse. Viu o que aconteceu ontem em Porto Seguro? O cerco aos bandidos se fecha em outros lugares [São Paulo] e eles correm para a Bahia.

VERIDIANO: “Eu tenho vergonha dessa Câmara de Vereadores”

O ex-vereador José Carlos Veridiano (Badega) pode voltar ao PT e disputar novamente uma vaga à Câmara de Vereadores de Itabuna. No início desta tarde, Badega concedeu entrevista ao PIMENTA e disse que a tendência é pela volta ao partido que ajudou a fundar.

O ceplaqueano foi presidente da legenda em Itabuna e também o primeiro vereador petista no município, na legislatura 1993-1996, quando três edis foram cassados por “malfeitos” e só retornaram à Casa, pela via Judicial.

Ontem à tarde, Badega ouviu pedidos dos dirigentes locais para que retornasse, dentre eles o da prefeiturável Juçara Feitosa. Veridiano, que esteve no PMDB, disse na entrevista que volta ao partido por causa da militância e não a serviço de alguém.

Na entrevista, ele fala do possível retorno, prevê eleição disputadíssima a prefeito e definição entre Capitão Azevedo (DEM) e o nome do PT (Juçara Feitosa e Geraldo Simões são os nomes petistas) e analisa o desempenho dos vereadores:

– Eu tenho vergonha dessa Câmara.

Confira.

PIMENTA – O senhor retornará mesmo para o partido?
JOSÉ CARLOS VERIDIANO – O partido vem conversando comigo há sete, oito meses. Como eu tenho sido e sempre fui tratado de uma maneira tão especial pelos militantes, resolvi conversar com a direção do partido.

E a conversa vai dar em retorno?
Eles fizeram um apelo unânime, insistiram. Resolvi apreciar esse convite, consultar minha família e pessoas com quem sempre converso. A sinalização dessas pessoas é positiva [pelo retorno]. Não está 100% decidido, mas a tendência é pelo retorno.

O partido já divulga sua refiliação amanhã, no Grapiúna. O senhor vai ao evento?
Eu pedi ao pessoal para me preservar em relação a esse movimento. Se for para ajudar a levantar o astral do partido, eu gostaria de ir, porém, ainda não fechei o círculo de reuniões. Mas eu gostaria de deixar claro que em um retorno não serei pró Josias [Gomes] nem Geraldo [Simões]. Volto pela militância. Não estou retornando para servir a ninguém. Meu compromisso é com o partido.

O senhor disputará vaga à Câmara em 2012?
Inicialmente, não. Gostaria de ter mandato para trabalhar, dar o melhor para a minha cidade e não repetir o que vemos aí, gente preocupada em fazer pé-de-meia. Mas não reúno condições financeiras para sair candidato. Se as condições forem dadas mais adiante, até posso ser.

O Caso Sérvia é hoje uma gota d´água no meio do oceano em relação ao que acontece atualmente. Eu tenho vergonha dessa Câmara de Vereadores.

O senhor foi o primeiro vereador do PT em Itabuna, no início da década de 90. Era uma legislatura diferenciada, apesar do Caso Sérvia. Como é que vê a Câmara que temos hoje?
Mas o Caso Sérvia foi investigado. Apuramos e punimos com rigor os envolvidos, cassamos vereadores (no episódio, foram cassados José Raimundo, Herlon Brandão e Gegéu Barbosa, que depois retornaram por via judicial, mas absolvidos Eli Barbosa e José Domingos). Aquele caso é hoje uma gota d´água no meio do oceano em relação ao que acontece atualmente. Eu tenho vergonha dessa Câmara de Vereadores.

No que aquela legislatura se diferencia da atual?
Olha, naquela época nós tínhamos quatro assessores para 17 vereadores, e estes eram funcionários da Câmara. Era o assessor de comunicação da Câmara (Gonzalez Pereira, que era efetivo), os assessores jurídico e parlamentar e o diretor-administrativo. Não tinha verba parlamentar, não. O repasse era correspondente a 30%, 40% do que se recebe hoje em relação ao Orçamento. Agora, passa dos R$ 700 mil e esse dinheiro se consome todo. Isso é absurdo.

Eram quatro assessores para a Câmara?
Sim, e a Câmara funcionava. No meu gabinete, era eu e eu mesmo. Tudo era feito por mim com auxílio de colegas experientes ou de voluntários como os jornalistas Luiz Conceição e Ederivaldo Benedito e outras pessoas que sempre nos davam sugestões. Os vereadores hoje deveriam ter, no máximo, três, quatro assessores cada e não torrar dinheiro público enquanto vemos a cidade entregue ao lixo e às baratas.

O número de vereadores vai aumentar em Itabuna para 21 em 2013.
Eu acho muito. O ideal seriam 17. Eu acho muito para Itabuna 21 vereadores, até porque boa parte não pensa na população, mas em salário, pé-de-meia.

E o senhor disputando em 2012, terminando eleito…
Sendo vereador? Eu dispensaria metade dessa verba de gabinete. A Câmara não poder ser “Ilha da Fantasia”. Temos que nos adaptar à realidade da nossa região. O pior é vereadores fazerem empreguismo na Câmara. Eu era do partido de Geraldo [prefeito à época], mas nunca empreguei ninguém na prefeitura, nem botei parente meu. Nunca pedi emprego para nenhuma pessoa nem fiz empreguismo na Câmara ou na prefeitura.

Não sei o que o Ministério Público fazendo, porque foram feitas denúncias e ninguém ouviu um pio dos promotores.

Nesse sentido, a pressão em 2013 vai ser ainda maior, não?
É… O prefeito que for eleito vai perder os cabelos. Em vez de negociar com 13… Vamos ter poucos que não vão querer vender seu mandato [ao prefeito]. Isso é uma coisa deprimente. É corrupção deslavada que deve ser combatida duramente pela imprensa e pelas pessoas. Não sei o que Ministério Público fazendo, porque foram feitas denúncias no MP e ninguém ouviu um pio dos promotores. E a cidade entregue aos desmandos. Assim, a população começa a desacreditar em todo político.

É por causa dessa descrença que o senhor não pensa em disputar eleição?
Não, não é. Gostaria de ter mandato para fazer diferença. A gente tem que ir pelos meios legais para ser direito. Ter mandato pelos meios direitos é difícil, a não ser que tenha grupo de pessoas amigas, amigos direitos e que depois não queiram cobrar nenhum tipo de benefício pessoal. Mas não descarto a candidatura. A gente nunca deve perder a esperança.

Eu não perdi a esperança, gosto de fazer política. Na minha Câmara, a maioria era de pessoas direitas.

Mesmo com os fatos recentes?
Eu não perdi a esperança, gosto de fazer política. Na minha Câmara, a maioria era de pessoas direitas, Leo Guimarães, José Domingos, Herlon Brandão, Ana Carolina, Davidson Magalhães, José Japiassu, Anorina [Smith Lima]. Tínhamos grupo qualificado que discutia política e trabalhava mesmo.

O senhor tem a dimensão do que representaria retornar ao partido?
A dimensão exata eu não tenho (risos). Mas nunca fui uma pessoa que desacreditou na política. Acho desperdício não participar, com ideias, debates. Outra coisa que me influenciou a retornar para o PT foi o projeto nacional, que está dando certo. Antes de Lula, a Bahia só tinha uma universidade federal e agora vai ter quatro.

O senhor acha que o PT chega em condições favoráveis para disputar a prefeitura de Itabuna?
Itabuna ainda tem perfil de Vasco x Flamengo, de eleição disputada. Um bom número vai votar em que está na prefeitura pela questão ideológica. Pelo que está a cidade, o prefeito teria 3%, 4% dos votos. Vai ganhar em 2012 quem agregar mais. A disputa será definida entre o grupo que está na prefeitura e o grupo do PT. Não será eleição fácil para ninguém.

JOAQUIM BASTOS: “DIZEM QUE TEM MUITA COISA PARA CONSERTAR [NA PREFEITURA DE ILHÉUS]”

Reitor em final de mandato na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o professor Joaquim Bastos está com um pé na política partidária e os olhos voltados para 2012.

Ele promete definir, até o dia 31, a qual partido irá filiar-se caso concorde em disputar a prefeitura de Ilhéus. Convites parecem não faltar. PDT, PMDB e PCdoB cortejam o reitor.

O reitor não esconde o espanto com os valores gastos numa campanha para prefeito em cidades do porte de Ilhéus. “Fico pasmo”, disse ao PIMENTA.

Joaquim está com 62 anos e em processo de aposentadoria como professor e a idade, segundo ele, também pesará na decisão. Confira a entrevista concedida ao blog.

PIMENTA – O senhor recebeu convites de pelo menos três partidos. Já se decidiu pela candidatura e por qual legenda sairá? 
JOAQUIM BASTOS – Eu tenho conversado sobre política há mais de seis anos e alguns partidos me convidaram para a eleição. Com o final do mandato de reitor e o processo de aposentadoria, agora eu posso pensar nisso.

Qual a legenda escolhida?
Tenho conversado com alguns partidos. O tipo de política que faço é política acadêmica, então, tenho discutido bastante. Até o final do mês eu defino a filiação. Ainda não tenho definição clara sobre qual partido. Tenho conversado para me familiarizar [com a política partidária].

O que o senhor analisa para definir pré-candidatura?
Estou vendo as possibilidades concretas, para realmente me envolver com a vida política da cidade e entender também como funciona um partido.

Com quem o senhor tem conversado?
As conversas se dão em Salvador, Brasília e Ilhéus, para ver se realmente tomo essa decisão na minha vida. Aos 62 anos, tenho que pensar se realmente quero quatro anos na prefeitura.

A gente vê cidades como Itabuna e Ilhéus captando menos dinheiro fora do que a Uesc. 

Existe ainda um temor do que pode vir pela frente, caso vença?
Dizem que vai ter muita coisa para consertar, para fazer. Aí tenho que analisar. A gente vê cidades como Itabuna e Ilhéus captando menos dinheiro fora do que a Uesc. Precisamos ver por que isso acontece. Enfim, tem muita coisa que a gente desconhece [da estrutura partidária e da prefeitura].

Mas não dá para adiantar para onde o senhor vai, politicamente falando?
Conversei com quatro partidos. Me chamaram pra conversar. Tô indo numa boa. Tenho mais três, quatro pessoas comigo, pessoas que têm noção mais aprofundada de política partidária e que vão me ajudar [na decisão].

As propostas de filiação partem mesmo de PDT, PCdoB e PMDB? Qual seria o quarto partido?
(risos) Semana passada, conversamos com um grupo de 12 pessoas, e ficamos em 14. Conversa muito interessante, mas por vezes fico pasmo quando falam em valores de uma campanha a prefeito.

Quanto?
A gente tá acostumado a fazer campanha para reitor com 30 mil reais.  O prefeito de Ilhéus mostrou o contracheque dia desses e daria R$ 600 mil, R$ 650 mil de salário em quatro anos. Eu não admitiria gastar metade disso em campanha. A única coisa que tenho para colocar na mesa é o meu currículo. Dinheiro, moeda, eu não tenho um centavo para colocar em política. Gastar aquilo que se ganha em 25 dias de pauleira…

Depois das conversas iniciais, já há sinalização clara sobre para onde ir?
Há partido que eu considero grande, mas temos outros de estrutura menor, porém, com capacidade de aglutinação. Tenho 37 anos de universidade, uma certa rodagem em relação a acomodar pessoas. Gosto de compartilhar trabalho, responsabilidade, mas também decisão. Ninguém consegue administrar Uesc sozinho. Prefeitura, então, nem sonhando. Mas teria que ter condição.

Não dá para nomear pensando em simpatia, mas eficiência produtiva.

E qual seria, além da capacidade de formar uma boa coligação?
Por exemplo, que não seja indicado apenas um nome para determinado cargo, mas vários. Não dá para nomear pensando em simpatia, mas eficiência produtiva.

O senhor conhece a realidade da prefeitura?
A gente sabe, conhece o orçamento, que é público. Dá para identificar alguns componentes de despesa, receita. Quanto a prefeitura arrecada com a taxa de iluminação? Quanto custa o serviço? Saber se a prefeitura está em dia, se permite retirar as três certidões [para firmar convênios, captar recursos]? Até dia 31, eu vou tomar minha decisão.

JABES: “O PT JÁ ME APOIOU E EU JÁ APOIEI O PT”

O PIMENTA inicia a publicação de uma série de entrevistas com os principais atores do cenário político regional, nomes que certamente terão influência ou estarão diretamente na disputa pelo comando de Ilhéus e Itabuna, as maiores cidades do sul da Bahia. A primeira conversa foi com o secretário-geral do PP da Bahia, Jabes Ribeiro, que trabalha para conseguir mais um mandato à frente do governo ilheense.

Advogado e professor, Jabes já governou Ilhéus em três gestões. Foi também deputado federal e chegou a ocupar a vice-liderança do governo Itamar Franco (1992-1994) na Câmara. No período em que Waldir Pires governou a Bahia, Jabes foi seu secretário estadual do Trabalho.

Nesta entrevista, o político ilheense ataca com dureza a atual administração do município e, entre outros adjetivos, diz que o governo Newton Lima é “inepto” e “ineficiente”. Sobre a polêmica gerada com o PT, quando disse que não aceita fazer aliança com quem detém cargos na Prefeitura de Ilhéus (caso petista), Jabes afirma que não deu ultimato nem nominou qualquer partido.

O pepista diz que seu grupo está aberto a conversar com todas as legendas que integram a base aliada do governo Wagner, mas repete: “quem está com Newton, que fique até o final”.

 

PIMENTA – O PP ficou com uma bela fatia na distribuição dos cargos do Estado em Ilhéus. Isso gerou ciúme entre as demais legendas da base aliada?

JABES RIBEIRO – É do jogo democrático que aqueles que venceram as eleições normalmente ajudem a governar. É assim em qualquer democracia do mundo. Creio que o governador foi muito hábil no momento em que, ao invés de sair fazendo uma distribuição por pessoas, por deputados, ele resolveu convocar os partidos políticos para participar desse entendimento. Foi um debate longo e intenso, mas acredito que o resultado, mesmo não agradando a todos, foi o melhor que se poderia conseguir.

PIMENTA – A seu ver, não existe nenhum desequilíbrio?

JR – Essa distribuição representa o resultado das eleições de 2010. Os partidos que tiveram uma melhor performance acabaram tendo um posicionamento melhor. Falam: “ah, mas tirou o cargo de Fulano”. Não existe isso, o cargo não é de ninguém, senão do governador, do Estado. Eu representei o PP em toda a Bahia e fizemos um trabalho em que ocupamos os cargos com base na votação que tivemos. Por exemplo, no território sul o meu partido teve uma performance e em torno dela teve uma ordem de participação nos cargos. Em Ilhéus, nós ficamos com Detran, um cargo da Bahiapesca, uma coordenação da Direc, a Sudic e alguns outros cargos menores. Enfim, esse foi o espaço que nos coube dentro dessa distribuição e todos os partidos da base aliada participaram desse processo.

PIMENTA – Esse espaço que o PP está ocupando fortalece o partido para 2012. Como você faz essa análise e como está construindo um diálogo com os aliados para viabilizar o caminho para as próximas eleições?

JR – O PP tem um relacionamento ótimo e sem nenhuma contestação com todos os demais partidos da base aliada. Nosso relacionamento com o PT, o PCdoB o PSB, com o PDT, é absolutamente democrático, civilizado, solidário, contributivo. Não tem problema nenhum, tanto que, em vários locais da Bahia, após a distribuição dos espaços políticos, nós fizemos negociações com os partidos. Fizemos negociações com o PDT, o PCdoB, o PSB. Nós não tivemos nenhum problema nesse sentido. O relacionamento é absolutamente positivo com todos os partidos da base aliada.

PIMENTA – Em Ilhéus esse relacionamento não é tão positivo…

JR – É evidente que nos municípios existem problemas, mas eu acho que o diálogo, a conversa, o esforço no sentido da gente encontrar o caminho, isso tudo é absolutamente possível. É claro que você vai encontrar problemas aqui e acolá, mas nós partimos de um princípio: há um projeto nacional, esse projeto é comandado pela presidente Dilma Rousseff, e há um projeto estadual comandado pelo governador Wagner. O nosso partido está absolutamente comprometido com esses projetos.  Nos municípios, é natural que cada partido lute para ocupar o poder e se fortalecer, mas nós partimos do princípio de que onde haja condições de disputar as eleições, nós vamos disputar. Onde existe segundo turno, disputaremos comprometidos a no segundo turno estarmos juntos, dentro da base aliada.

 

Quando você tem um comandante que não gosta do que faz, não tem aptidão, não tem autoridade, gera esse caos que está aí, em que você tem vários prefeitinhos.

 

PIMENTA – O senhor acredita que os conflitos locais podem trazer dificuldades para o seu projeto de eleição?

JR – As disputas locais são absolutamente naturais. Veja em Itabuna, por exemplo,  a disputa do PCdoB com o PT. Em Salvador, praticamente todos os partidos têm candidato a prefeito. Em Ilhéus, da mesma forma, temos um debate natural e democrático. O governador sabe disso, não tem nada que esteja acontecendo em Ilhéus que não seja do conhecimento do governador. Nesse sentido, não creio que haja nenhum problema, muito pelo contrário. O PP quer se fortalecer em Ilhéus para ajudar o governador Wagner e a presidente Dilma Rousseff.

PIMENTA – Causou certo incômodo, sobretudo a pessoas ligadas ao PT, a espécie de ultimato feito pelo senhor, avisando que não faria aliança com pessoas que estão no governo municipal. Como fica isso?

JR – Eu nego veementemente ter dado ultimato a quem quer que seja, esse não é um papel meu. Eu tenho um projeto como líder do meu partido: nós trabalhamos em Ilhéus com um projeto de chegar à prefeitura. Há pessoas no PT de Ilhéus com quem eu tenho um ótimo relacionamento, assim como no PSB. Muitos até já estiveram comigo ao longo da história. Às vezes eu pergunto:  quem não esteve? O que eu disse e quero reiterar foi que eu e o meu partido estamos absolutamente abertos a conversar com todos, mas decidimos não fazer aliança com nenhum partido que esteja dentro do atual governo municipal. Não estou me negando a conversar, muito pelo contrário.

 

PIMENTA – Mas há lideranças locais que parecem não querer conversa.

JR – Quem conhece política sabe que isso é bobagem. O que não dá é as pessoas tentarem a vida inteira um artificialismo, um jogo de enganação que não funciona. A nossa posição clara é a seguinte: nós não iremos fazer nenhuma aliança com o atual governo de Ilhéus. Não cabe, pois temos uma atitude institucionalmente de oposição a esse governo. Não há nada de pessoal contra o Newton (Lima), e eu tenho dito isso. Muito pelo contrário, ele é uma pessoa cordial, não temos problema nenhum.  Agora, politicamente falando, o governo é um desastre, um caos, é uma desorganização completa, é a negação do que seja um governo. Mas isso quem está dizendo não sou eu, é quase 90% dos ilheenses.

PIMENTA – E como fica, então, a chance de prosperar algum diálogo com o PT, que está no governo municipal?

JR – Eu não quero nem nominar, nunca nominei. Eles ficam meio nervosos comigo, mas eu quero até que tenham tranquilidade. Quem quiser considerar que o projeto para 2012 passa por esse governo que está aí, fique com ele. Estou disposto a conversar com o PT, o PSB, PCdoB, PDT e já tenho conversado com muitos. Estão enganados aqueles que pensam que eu estou voltado apenas para o meu partido.  Não é essa a minha experiência e vale lembrar que no passado eu já tive alianças com o PT. O PT já me apoiou em Ilhéus, o PSB já me apoiou, e eu já apoiei o PT. Nas últimas eleições eu apoiei o PT a pedido do governador.

Já conversei com o deputado Josias (Gomes, do PT), com quem tenho um bom relacionamento e considero um político capaz, competente, que não age com o fígado, como muitos.

PIMENTA – Chegou a existir de fato algum ensaio de acordo para que o PP apoiasse o PT em Itabuna em troca de uma reciprocidade em Ilhéus?

JR – O que acontece é o seguinte: há em Salvador uma comissão com representantes de cada partido da base aliada. Tem o representante do Partido Progressista; tem lá o Jonas Paulo, do PT; Alexandre Brust, do PDT; Daniel Almeida, do PCdoB; Lídice da Mata, do PSB;  Toninho, do PSL; Bispo Márcio Marinho, do PRB, e por aí vai… Nós estabelecemos nesse grupo que vamos buscar o máximo de esforço para que haja uma unidade da base aliada nas 30 maiores cidades da Bahia, o que inclui Itabuna, Ilhéus e tantas outras. É uma conversa que se faz priorizando a defesa do projeto nacional e do projeto estadual . Se haverá possibilidade de termos êxito em todos os lugares, não sabemos. É evidente que em situações desse tipo, existem composições. Por exemplo, o PT pode precisar do nosso apoio em Vitória da Conquista, em Feira de Santana, em Salvador e nós poderemos precisar do apoio do PT em Ilhéus. Não significa que cada partido não irá consultar suas bases locais, agora há uma resolução do PT, assim como no PP, de que as questões locais terão que passar por uma análise da executiva estadual de cada partido. Eu, por exemplo, já conversei com o deputado Josias (Gomes, do PT), com quem tenho um bom relacionamento e considero um político capaz, competente, que não age com o fígado, como muitos. Converso com Geraldo (Simões), conversei há poucos dias com Everaldo Anunciação (secretário de Organização do PT na Bahia). Estão enganados aqueles que pensam que eu não estou conversando. É que tem alguns que estão tão envolvidos com o governo municipal, que não têm tempo para conversar.

PIMENTA – Nessas suas conversas com lideranças do PT, já se estabeleceu algum critério para definição de alianças, como desempenho em pesquisa, por exemplo?

JR – Não, mas eu topo. Pelo critério de pesquisa eu topo discutir aliança em Ilhéus com qualquer partido da base aliada, exceto, repito, com aqueles que fazem parte da atual administração municipal. Porque senão a gente descaracteriza nosso discurso. Ao escolher o nome que disputará as eleições com base em pesquisa, estaremos demonstrando consideração pelo que pensa a opinião pública, mas é claro que não é só o critério da pesquisa. Existem outros que podem ser utilizados e eu não tenho problema nenhum.

PIMENTA – Ilhéus tem problemas financeiros graves, com um volume imenso de precatórios e inadimplência que gera até a impossibilidade de firmar convênios para projetos e obras. Como equacionar isso?

JR – Eu deixei o município, no final de 2004, com os precatórios todos negociados. Eu fiz essa negociação quando era presidente da Amurc, e não foi só para Ilhéus. Itabuna negociou, Jequié negociou, toda a região negociou. Ilhéus teve uma administração, com o ex-prefeito Antônio Olímpio, que gerou milhões de precatórios. Isso está registrado, não tem o que se discutir, mas, enfim, existem os precatórios e nós negociamos em condições de honrar. Veio Valderico (Reis, ex-prefeito) e chutou tudo pra cima. As negociações com o INSS, eu deixei todas organizadas. Por que eu assinei convênios com os governos federal e estadual até o último dia do meu governo? Assinei porque estava tudo absolutamente em dia, as contas estavam organizadas. Deixei a folha de pagamento com menos de 50%, abaixo do limite legal. A Prefeitura estava organizada, as contas estavam organizadas. Eu vou apresentar no momento certo os dados que demonstram que Ilhéus estava crescendo. Foi feita uma reportagem naquele período, publicada na revista Veja ou na Época, que listava Ilhéus entre as dez melhores cidades do Brasil para se viver. Está escrito. Não dá para as pessoas ficarem na enganação, na mentira,na malandragem. Não existe isso.

PIMENTA – Quer dizer que todos os problemas da cidade são culpa do atual governo?

JR – O que está aí é produto de dois governos desastrados, que desorganizaram as contas públicas, o setor de pessoal, os programas sociais, a saúde, a educação. Esse é um desgoverno porque desorganizou todas as políticas de Ilhéus e acho que nós, ou qualquer outro que chegue à prefeitura, teremos um grande trabalho para enfrentar isso. Programas como o “Escola Campeã”, do Instituto Ayrton Senna, cadê? Ilhéus era a única cidade da Bahia que tinha esse programa. Cadê os programas voltados para a geração de emprego, como o Pead, por exemplo? Acabou tudo. Na área cultural, o que se fez? Fecharam biblioteca, fecharam o Circo Folias da Gabriela, que era um espaço importante para a cultura, as manifestações artísticas do povo de Ilhéus. O que eles fizeram mais de importante para a cultura? Fecharam o Memorial da Cultura Negra. Fizeram o que a mais? Transformaram o Bataclan num restaurante, só isso. Não tenho nada contra, acho até que está legal, mas era esse o projeto? Ou era o projeto de uma casa de cultura, que contou com dinheiro público, do município e da Petrobras? O restaurante está até bonito, mas você não vê uma placa que indique o que é aquilo. Será que a Petrobras iria me ajudar a fazer aquele trabalho se eu dissesse que seria um restaurante, por melhor que seja? Esse governo é inepto, ineficiente. Quando você tem um comandante que não gosta do que faz, não tem aptidão, não tem vocação, não tem talento, não tem liderança, não tem autoridade, gera esse caos que está aí, em que você tem vários prefeitinhos. Todo mundo manda e a cidade não avança.

Romualdo Lisboa: “A gente faz a desconstrução do marketing”

Em 2007, quando o governo do prefeito Valderico Reis em Ilhéus se afundava em uma sucessão de escândalos, os principais personagens daquela história política macabra se transportaram, em forma de verdadeiros mondrongos, para os palcos e ruas de Ilhéus. Surgia Teodorico Majestade, o prefeito da fictícia Ilha Bela, e todo o seu “staff” de malandros.

Criação de Romualdo Lisboa, encenada pelo Teatro Popular de Ilhéus, Teodorico é um tapa na cara da classe política, a vingança do povo ou a “desconstrução do marketing”, como diz o autor. A peça, indicada para dois prêmios Braskem, foi encenada no Rio de Janeiro e participou recentemente da 6ª Mostra Latino Americana de Teatro, em São Paulo. Sucesso de público e crítica, teve casa cheia todos os dias numa temporada de dois meses na capital paulista.

Sai o prefeito, entra o vice. Agora é a vez do Inspetor-Geral, que estreou em São Paulo e ainda terá uma temporada de dois meses por lá, antes de chegar a Ilhéus. Com sua linguagem universal, o Teatro Popular conquista outros palcos.

Leia abaixo os principais trechos do bate-papo do PIMENTA com o criador de Teodorico e do Inspetor :

PIMENTA – Como vocês chegaram à Mostra Latino-Americana?

Romualdo Lisboa – É a Cooperativa Paulista de Teatro que faz um levantamento das produções, sai para ver coisas. No nosso caso, eles sabiam que a gente já tinha feito temporada no Rio, Salvador e havíamos sido indicados para dois prêmios Braskem, o que despertou o interesse. O curioso é que durante a mostra, a crítica para a maioria dos espetáculos não foi boa. Eles contratam críticos de todos os países que participam e cada espetáculo é avaliado por dois deles. No começo, as análises estavam muito ruins, o que deixou os organizadores preocupados.

PIMENTA – Até Teodorico entrar em cena…
RL – Aconteceu que alguns espetáculos, antes do fim da semana, começaram a ganhar uma crítica bacana. Os da Colômbia e da Argentina, por exemplo, ajudaram a melhorar a crítica. O nosso espetáculo estava programado para o final e a opinião dos críticos foi muito boa. O resultado foi que Teodorico acabou fazendo a primeira temporada longa naquele teatro do Sesi e iniciou um projeto de vincular mais a comunidade da zona leste de São Paulo àquele espaço cultural.

PIMENTA – Eles já conheciam a experiência do Teatro Popular em Ilhéus?

RL – Eles conhecem a nossa identidade aqui na região, sabem como nós tornamos a Casa dos Artistas mais próxima da comunidade, como a gente vai para os bairros, os distritos. Essa política do grupo lhes interessou para aquele espaço. Estrategicamente foi bacana, porque a gente lotou sempre. Os ingressos eram reservados para três, quatro semanas. Estreamos no dia 13 de maio e ficamos até 2 de julho, realizando nesse período 32 apresentações.

 

Tinha gente que chegava e dizia: ‘vocês estão falando de Campinas? Porque tá acontecendo isso lá em Campinas’.

 

PIMENTA – Isso significa que o público paulista entendeu perfeitamente a mensagem de Teodorico
RL – Isso foi muito legal. Tinha gente que chegava e dizia: “vocês estão falando de Campinas? Porque tá acontecendo isso lá em Campinas”. Ou seja, a história não é só de Ilhéus, ela é universal.

PIMENTA – Vocês tinham ideia da dimensão que a peça tomaria quando começaram a encená-la na rua e até em frente à Prefeitura de Ilhéus (no período de crise política que levou à cassação do então prefeito Valderico Reis)?
RL – Não tínhamos a menor ideia. Teodorico eu escrevi com raiva e aquilo me deixou muito mal no começo. Houve uma cobrança das pessoas, que chegavam ali da janela (da Casa dos Artistas) e gritavam : “e aí, vocês não vão fazer nada não, é?”. Eram professores, gente da imprensa, que estavam indignados com aquela sequência de escândalos.

PIMENTA – Você conseguiu transformar essa raiva em um negócio engraçado.
RL – É, à medida que ia escrevendo, eu perdi a raiva e o negócio começou a ficar tão engraçado que a gente decidiu fazer uma pesquisa sobre literatura de cordel. O texto de Teodorico foi todo escrito em cordel, em sextilhas. Foi muito divertido. Em vez da gente fazer uma coisa com raiva, agredindo de maneira panfletária, a gente fez uma brincadeira.

PIMENTA – Que é muito mais eficaz…
RL – Com certeza, o humor é muito mais poderoso. O então prefeito de Ilhéus me encontrou algumas vezes e virou a cara, gritou, me xingou, e eu me divertia demais com aquilo. Havia uma evento grande, nós íamos mesmo sem sermos convidados. Os personagens estavam lá na porta, tocando, cantando, e de repente o prefeito chegava e via, e se via, era um inferno. Chegou num nível de estresse dele com isso que o então presidente da Fundação Cultural, Arléo Barbosa, negou uma pauta pra gente no Teatro Municipal. Ele dizia que até liberava a pauta, desde que a gente não encenasse Teodorico. Dizia assim: “ah, vocês têm tantos espetáculos legais, façam os outros, esse não”. Arléo Barbosa é uma pessoa super gente fina, mas estava numa situação em que não tinha autonomia. Como a gente não aceitava deixar de encenar a peça, ele aconselhava: “então fale com o prefeito”. Eu fui falar e o prefeito me enxotou de lá. O segurança dele é que interveio para que ele não me batesse. No dia seguinte, a gente colocou em todos os jornais que o prefeito havia censurado Teodorico Majestade no teatro.

 

Um começa a entregar o outro, até que o prefeito toma uma decisão. Eu não sei se na vida real isso é possível, mas na nossa história acontece.

 

PIMENTA – Quanto tempo durou a censura?

RL – A notícia saiu no sábado e a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Ilhéus) nos convidou para participar no mesmo dia de um almoço oferecido à imprensa. Eles pediram que levássemos algum espetáculo nosso e é claro que a gente levou Teodorico (risos). O prefeito estava lá e a gente encenou a peça diante dele. Naquele momento, meio na pressão, ele anunciou que o espetáculo poderia ser apresentado no teatro. Isso foi menos de 24 horas depois dele ter me enxotado da Prefeitura.

PIMENTA – E O Inspetor…?
RL – O Inspetor é a segunda parte de Teodorico. Sai o prefeito, entra o vice Gilton Munheca. Ele e a família estão numa situação muito bacana, vivendo dias muito felizes. A mulher vive na capital, só anda no luxo. Ele distribuindo uísque, fazendo festas. O irmão dele, Zé de Minga, é o responsável pelas festas. É uma orgia o tempo inteiro.

PIMENTA – Até que…
RL – Aí surge uma carta, avisando da chegada de um Inspetor-Geral, que viria em missão secreta para apurar todos os malfeitos. Então eles ficam alucinados: Gilton Munheca, Cacau das Treitas, Pai Didão, Jorge Paraíba e a mulher do prefeito, que na nossa história é a secretária de Educação. E um começa a entregar o outro, até que o prefeito toma uma decisão. Eu não sei se na vida real isso é possível, mas na nossa história acontece (risos). Ele toma a iniciativa de mandar arrumar a casa. Manda colocar funcionários para melhorar a limpeza das ruas, pintar meio-fio, consertar aqui e ali, trocar luz dos postes…
Nesse ínterim, surge a história de que tem uma pessoa estranha na única pensão da cidade. Aí eles entendem que só pode ser o inspetor geral e vão tentar comprar o cara. O prefeito leva o dito inspetor-geral pra casa, cada um leva um dinheirinho e o cara fica cheio de grana. No final das contas ele vai embora noivo da filha do prefeito, já perto do casamento, mas há uma série de outros fatos que complicam toda essa história.

PIMENTA – Na essência, o que tem de diferente nessa história em relação à de Teodorico?
RL – Diferentemente de Teodorico, O Inspetor-Geral… traz uma outra perspectiva desse universo. É quase um processo de expiação. A gente promove uma vingança no Teodorico, a gente se vinga dele e de todos os outros. E no Inspetor-Geral, a gente só constata esse tipo com quem a gente está lidando. Em seu discurso final, o prefeito diz assim: “Somos porcos miseráveis, grandes ratos abomináveis”. Ele e todos os demais acabam se enxergando como um mal para a sociedade.

PIMENTA – E o público acaba os enxergando como de fato são…
RL – A ideia é fazer a identificação dessa espécie de gente. É preciso que o público, quando vir na TV aquele discurso muito bem arrumado, ele enxergue as deformações daquele discurso. A gente faz a desconstrução do marketing, precisa fazer.

PIMENTA – Quando O Inspetor estreia em Ilhéus?
RL – Só depois que a gente encerrar o contrato com o Sesi de São Paulo, que inclui uma próxima temporada em outubro e novembro, no teatro da Vila das Mercês. É possível ainda uma temporada extra, de um mês, que pode ser em dezembro ou janeiro. Isso significa que provavelmente só em fevereiro a gente esteja aqui em Ilhéus com o espetáculo.








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