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:: ‘Entrevistas’

JOÃO ALMEIDA DIZ QUE PSDB “NÃO TEM NOME COMPETITIVO EM ITABUNA”

O vice-presidente nacional do PSDB, João Almeida, disse que os tucanos vão se esforçar pela unidade das oposições na Bahia. O ex-deputado esteve em Itabuna nesta quinta (1º) e afirmou que a tendência do partido é pelo apoio à reeleição do prefeito Capitão Azevedo (DEM). “O PSDB não tem candidato competitivo em Itabuna”, explicou em entrevista ao PIMENTA.

Almeida disse que no campo das oposições aos governos federal e estadual o melhor nome no município é o de Azevedo. “Uma das diretrizes do PSDB nacional é fortalecer candidaturas de aliados que estejam bem, onde não temos candidatura competitiva”, repete.

O diretório nacional recebeu até pedido de intervenção no diretório itabunense para que os tucanos apoiem a candidatura democrata. O diretório municipal, no entanto, defende candidatura própria e apresenta como nome o empresário Ronald Kalid, ex-secretário de Obras de Itabuna na década de 80.

Confira trechos da entrevista.

PIMENTA – Olhando para 2012, qual a tendência do partido em Itabuna?
JOÃO ALMEIDA –
É natural que apoiemos candidato melhor posicionado e [a tendência] é pelo apoio à reeleição do prefeito Azevedo. Do que conheço do PSDB, não temos candidato competitivo em Itabuna. Temos bons quadros, como o próprio José Adervan, [presidente do partido], mas não sem força eleitoral. Ele já foi candidato, mas não se mostrou competitivo.

A direção local do partido defende o nome de Ronald Kalid. O sr. acredita que ele não tem potencial eleitoral?
Eu não entro nesse mérito, pois posso cometer alguma injustiça. Mas o PSDB não demonstrou força política na outra eleição (2008). Não se constrói uma candidatura de véspera, a não ser em um contexto de emergência de um quadro que esteja vinculada a uma ação social e ainda não era político e resolve ser candidato. Esses fenômenos acontecem às vezes, mas desde que tenha apoio político grande. É raro.

Indo para o plano nacional, o PSDB trabalha de que forma para 2014? Qual seria o nome?
O nome para 2014, inquestionavelmente, é o de Aécio Neves. Não há outro.

Nem Geraldo Alckmin nem José Serra?
Ambos têm grandes méritos, mas vejo Alckmin, por exemplo, disputando a reeleição ao governo de São Paulo. Aécio é o nome.

O senhor acredita que a oposição terá sucesso em 2014 na Bahia?
Agora não é só uma questão de boa vontade ou bom senso, mas de necessidade. Ou nós nos apresentamos unidos, com proposta, ideias claras para a população baiana ou não haverá disputa. A oposição erra muito, mas chega uma hora em que o bom senso baixa. Necessitamos de bom senso, pois é inadmissível que tenhamos um governo tão medíocre como esse. Viu o que aconteceu ontem em Porto Seguro? O cerco aos bandidos se fecha em outros lugares [São Paulo] e eles correm para a Bahia.

VERIDIANO: “Eu tenho vergonha dessa Câmara de Vereadores”

O ex-vereador José Carlos Veridiano (Badega) pode voltar ao PT e disputar novamente uma vaga à Câmara de Vereadores de Itabuna. No início desta tarde, Badega concedeu entrevista ao PIMENTA e disse que a tendência é pela volta ao partido que ajudou a fundar.

O ceplaqueano foi presidente da legenda em Itabuna e também o primeiro vereador petista no município, na legislatura 1993-1996, quando três edis foram cassados por “malfeitos” e só retornaram à Casa, pela via Judicial.

Ontem à tarde, Badega ouviu pedidos dos dirigentes locais para que retornasse, dentre eles o da prefeiturável Juçara Feitosa. Veridiano, que esteve no PMDB, disse na entrevista que volta ao partido por causa da militância e não a serviço de alguém.

Na entrevista, ele fala do possível retorno, prevê eleição disputadíssima a prefeito e definição entre Capitão Azevedo (DEM) e o nome do PT (Juçara Feitosa e Geraldo Simões são os nomes petistas) e analisa o desempenho dos vereadores:

– Eu tenho vergonha dessa Câmara.

Confira.

PIMENTA – O senhor retornará mesmo para o partido?
JOSÉ CARLOS VERIDIANO – O partido vem conversando comigo há sete, oito meses. Como eu tenho sido e sempre fui tratado de uma maneira tão especial pelos militantes, resolvi conversar com a direção do partido.

E a conversa vai dar em retorno?
Eles fizeram um apelo unânime, insistiram. Resolvi apreciar esse convite, consultar minha família e pessoas com quem sempre converso. A sinalização dessas pessoas é positiva [pelo retorno]. Não está 100% decidido, mas a tendência é pelo retorno.

O partido já divulga sua refiliação amanhã, no Grapiúna. O senhor vai ao evento?
Eu pedi ao pessoal para me preservar em relação a esse movimento. Se for para ajudar a levantar o astral do partido, eu gostaria de ir, porém, ainda não fechei o círculo de reuniões. Mas eu gostaria de deixar claro que em um retorno não serei pró Josias [Gomes] nem Geraldo [Simões]. Volto pela militância. Não estou retornando para servir a ninguém. Meu compromisso é com o partido.

O senhor disputará vaga à Câmara em 2012?
Inicialmente, não. Gostaria de ter mandato para trabalhar, dar o melhor para a minha cidade e não repetir o que vemos aí, gente preocupada em fazer pé-de-meia. Mas não reúno condições financeiras para sair candidato. Se as condições forem dadas mais adiante, até posso ser.

O Caso Sérvia é hoje uma gota d´água no meio do oceano em relação ao que acontece atualmente. Eu tenho vergonha dessa Câmara de Vereadores.

O senhor foi o primeiro vereador do PT em Itabuna, no início da década de 90. Era uma legislatura diferenciada, apesar do Caso Sérvia. Como é que vê a Câmara que temos hoje?
Mas o Caso Sérvia foi investigado. Apuramos e punimos com rigor os envolvidos, cassamos vereadores (no episódio, foram cassados José Raimundo, Herlon Brandão e Gegéu Barbosa, que depois retornaram por via judicial, mas absolvidos Eli Barbosa e José Domingos). Aquele caso é hoje uma gota d´água no meio do oceano em relação ao que acontece atualmente. Eu tenho vergonha dessa Câmara de Vereadores.

No que aquela legislatura se diferencia da atual?
Olha, naquela época nós tínhamos quatro assessores para 17 vereadores, e estes eram funcionários da Câmara. Era o assessor de comunicação da Câmara (Gonzalez Pereira, que era efetivo), os assessores jurídico e parlamentar e o diretor-administrativo. Não tinha verba parlamentar, não. O repasse era correspondente a 30%, 40% do que se recebe hoje em relação ao Orçamento. Agora, passa dos R$ 700 mil e esse dinheiro se consome todo. Isso é absurdo.

Eram quatro assessores para a Câmara?
Sim, e a Câmara funcionava. No meu gabinete, era eu e eu mesmo. Tudo era feito por mim com auxílio de colegas experientes ou de voluntários como os jornalistas Luiz Conceição e Ederivaldo Benedito e outras pessoas que sempre nos davam sugestões. Os vereadores hoje deveriam ter, no máximo, três, quatro assessores cada e não torrar dinheiro público enquanto vemos a cidade entregue ao lixo e às baratas.

O número de vereadores vai aumentar em Itabuna para 21 em 2013.
Eu acho muito. O ideal seriam 17. Eu acho muito para Itabuna 21 vereadores, até porque boa parte não pensa na população, mas em salário, pé-de-meia.

E o senhor disputando em 2012, terminando eleito…
Sendo vereador? Eu dispensaria metade dessa verba de gabinete. A Câmara não poder ser “Ilha da Fantasia”. Temos que nos adaptar à realidade da nossa região. O pior é vereadores fazerem empreguismo na Câmara. Eu era do partido de Geraldo [prefeito à época], mas nunca empreguei ninguém na prefeitura, nem botei parente meu. Nunca pedi emprego para nenhuma pessoa nem fiz empreguismo na Câmara ou na prefeitura.

Não sei o que o Ministério Público fazendo, porque foram feitas denúncias e ninguém ouviu um pio dos promotores.

Nesse sentido, a pressão em 2013 vai ser ainda maior, não?
É… O prefeito que for eleito vai perder os cabelos. Em vez de negociar com 13… Vamos ter poucos que não vão querer vender seu mandato [ao prefeito]. Isso é uma coisa deprimente. É corrupção deslavada que deve ser combatida duramente pela imprensa e pelas pessoas. Não sei o que Ministério Público fazendo, porque foram feitas denúncias no MP e ninguém ouviu um pio dos promotores. E a cidade entregue aos desmandos. Assim, a população começa a desacreditar em todo político.

É por causa dessa descrença que o senhor não pensa em disputar eleição?
Não, não é. Gostaria de ter mandato para fazer diferença. A gente tem que ir pelos meios legais para ser direito. Ter mandato pelos meios direitos é difícil, a não ser que tenha grupo de pessoas amigas, amigos direitos e que depois não queiram cobrar nenhum tipo de benefício pessoal. Mas não descarto a candidatura. A gente nunca deve perder a esperança.

Eu não perdi a esperança, gosto de fazer política. Na minha Câmara, a maioria era de pessoas direitas.

Mesmo com os fatos recentes?
Eu não perdi a esperança, gosto de fazer política. Na minha Câmara, a maioria era de pessoas direitas, Leo Guimarães, José Domingos, Herlon Brandão, Ana Carolina, Davidson Magalhães, José Japiassu, Anorina [Smith Lima]. Tínhamos grupo qualificado que discutia política e trabalhava mesmo.

O senhor tem a dimensão do que representaria retornar ao partido?
A dimensão exata eu não tenho (risos). Mas nunca fui uma pessoa que desacreditou na política. Acho desperdício não participar, com ideias, debates. Outra coisa que me influenciou a retornar para o PT foi o projeto nacional, que está dando certo. Antes de Lula, a Bahia só tinha uma universidade federal e agora vai ter quatro.

O senhor acha que o PT chega em condições favoráveis para disputar a prefeitura de Itabuna?
Itabuna ainda tem perfil de Vasco x Flamengo, de eleição disputada. Um bom número vai votar em que está na prefeitura pela questão ideológica. Pelo que está a cidade, o prefeito teria 3%, 4% dos votos. Vai ganhar em 2012 quem agregar mais. A disputa será definida entre o grupo que está na prefeitura e o grupo do PT. Não será eleição fácil para ninguém.

JOAQUIM BASTOS: “DIZEM QUE TEM MUITA COISA PARA CONSERTAR [NA PREFEITURA DE ILHÉUS]”

Reitor em final de mandato na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o professor Joaquim Bastos está com um pé na política partidária e os olhos voltados para 2012.

Ele promete definir, até o dia 31, a qual partido irá filiar-se caso concorde em disputar a prefeitura de Ilhéus. Convites parecem não faltar. PDT, PMDB e PCdoB cortejam o reitor.

O reitor não esconde o espanto com os valores gastos numa campanha para prefeito em cidades do porte de Ilhéus. “Fico pasmo”, disse ao PIMENTA.

Joaquim está com 62 anos e em processo de aposentadoria como professor e a idade, segundo ele, também pesará na decisão. Confira a entrevista concedida ao blog.

PIMENTA – O senhor recebeu convites de pelo menos três partidos. Já se decidiu pela candidatura e por qual legenda sairá? 
JOAQUIM BASTOS – Eu tenho conversado sobre política há mais de seis anos e alguns partidos me convidaram para a eleição. Com o final do mandato de reitor e o processo de aposentadoria, agora eu posso pensar nisso.

Qual a legenda escolhida?
Tenho conversado com alguns partidos. O tipo de política que faço é política acadêmica, então, tenho discutido bastante. Até o final do mês eu defino a filiação. Ainda não tenho definição clara sobre qual partido. Tenho conversado para me familiarizar [com a política partidária].

O que o senhor analisa para definir pré-candidatura?
Estou vendo as possibilidades concretas, para realmente me envolver com a vida política da cidade e entender também como funciona um partido.

Com quem o senhor tem conversado?
As conversas se dão em Salvador, Brasília e Ilhéus, para ver se realmente tomo essa decisão na minha vida. Aos 62 anos, tenho que pensar se realmente quero quatro anos na prefeitura.

A gente vê cidades como Itabuna e Ilhéus captando menos dinheiro fora do que a Uesc. 

Existe ainda um temor do que pode vir pela frente, caso vença?
Dizem que vai ter muita coisa para consertar, para fazer. Aí tenho que analisar. A gente vê cidades como Itabuna e Ilhéus captando menos dinheiro fora do que a Uesc. Precisamos ver por que isso acontece. Enfim, tem muita coisa que a gente desconhece [da estrutura partidária e da prefeitura].

Mas não dá para adiantar para onde o senhor vai, politicamente falando?
Conversei com quatro partidos. Me chamaram pra conversar. Tô indo numa boa. Tenho mais três, quatro pessoas comigo, pessoas que têm noção mais aprofundada de política partidária e que vão me ajudar [na decisão].

As propostas de filiação partem mesmo de PDT, PCdoB e PMDB? Qual seria o quarto partido?
(risos) Semana passada, conversamos com um grupo de 12 pessoas, e ficamos em 14. Conversa muito interessante, mas por vezes fico pasmo quando falam em valores de uma campanha a prefeito.

Quanto?
A gente tá acostumado a fazer campanha para reitor com 30 mil reais.  O prefeito de Ilhéus mostrou o contracheque dia desses e daria R$ 600 mil, R$ 650 mil de salário em quatro anos. Eu não admitiria gastar metade disso em campanha. A única coisa que tenho para colocar na mesa é o meu currículo. Dinheiro, moeda, eu não tenho um centavo para colocar em política. Gastar aquilo que se ganha em 25 dias de pauleira…

Depois das conversas iniciais, já há sinalização clara sobre para onde ir?
Há partido que eu considero grande, mas temos outros de estrutura menor, porém, com capacidade de aglutinação. Tenho 37 anos de universidade, uma certa rodagem em relação a acomodar pessoas. Gosto de compartilhar trabalho, responsabilidade, mas também decisão. Ninguém consegue administrar Uesc sozinho. Prefeitura, então, nem sonhando. Mas teria que ter condição.

Não dá para nomear pensando em simpatia, mas eficiência produtiva.

E qual seria, além da capacidade de formar uma boa coligação?
Por exemplo, que não seja indicado apenas um nome para determinado cargo, mas vários. Não dá para nomear pensando em simpatia, mas eficiência produtiva.

O senhor conhece a realidade da prefeitura?
A gente sabe, conhece o orçamento, que é público. Dá para identificar alguns componentes de despesa, receita. Quanto a prefeitura arrecada com a taxa de iluminação? Quanto custa o serviço? Saber se a prefeitura está em dia, se permite retirar as três certidões [para firmar convênios, captar recursos]? Até dia 31, eu vou tomar minha decisão.

JABES: “O PT JÁ ME APOIOU E EU JÁ APOIEI O PT”

O PIMENTA inicia a publicação de uma série de entrevistas com os principais atores do cenário político regional, nomes que certamente terão influência ou estarão diretamente na disputa pelo comando de Ilhéus e Itabuna, as maiores cidades do sul da Bahia. A primeira conversa foi com o secretário-geral do PP da Bahia, Jabes Ribeiro, que trabalha para conseguir mais um mandato à frente do governo ilheense.

Advogado e professor, Jabes já governou Ilhéus em três gestões. Foi também deputado federal e chegou a ocupar a vice-liderança do governo Itamar Franco (1992-1994) na Câmara. No período em que Waldir Pires governou a Bahia, Jabes foi seu secretário estadual do Trabalho.

Nesta entrevista, o político ilheense ataca com dureza a atual administração do município e, entre outros adjetivos, diz que o governo Newton Lima é “inepto” e “ineficiente”. Sobre a polêmica gerada com o PT, quando disse que não aceita fazer aliança com quem detém cargos na Prefeitura de Ilhéus (caso petista), Jabes afirma que não deu ultimato nem nominou qualquer partido.

O pepista diz que seu grupo está aberto a conversar com todas as legendas que integram a base aliada do governo Wagner, mas repete: “quem está com Newton, que fique até o final”.

 

PIMENTA – O PP ficou com uma bela fatia na distribuição dos cargos do Estado em Ilhéus. Isso gerou ciúme entre as demais legendas da base aliada?

JABES RIBEIRO – É do jogo democrático que aqueles que venceram as eleições normalmente ajudem a governar. É assim em qualquer democracia do mundo. Creio que o governador foi muito hábil no momento em que, ao invés de sair fazendo uma distribuição por pessoas, por deputados, ele resolveu convocar os partidos políticos para participar desse entendimento. Foi um debate longo e intenso, mas acredito que o resultado, mesmo não agradando a todos, foi o melhor que se poderia conseguir.

PIMENTA – A seu ver, não existe nenhum desequilíbrio?

JR – Essa distribuição representa o resultado das eleições de 2010. Os partidos que tiveram uma melhor performance acabaram tendo um posicionamento melhor. Falam: “ah, mas tirou o cargo de Fulano”. Não existe isso, o cargo não é de ninguém, senão do governador, do Estado. Eu representei o PP em toda a Bahia e fizemos um trabalho em que ocupamos os cargos com base na votação que tivemos. Por exemplo, no território sul o meu partido teve uma performance e em torno dela teve uma ordem de participação nos cargos. Em Ilhéus, nós ficamos com Detran, um cargo da Bahiapesca, uma coordenação da Direc, a Sudic e alguns outros cargos menores. Enfim, esse foi o espaço que nos coube dentro dessa distribuição e todos os partidos da base aliada participaram desse processo.

PIMENTA – Esse espaço que o PP está ocupando fortalece o partido para 2012. Como você faz essa análise e como está construindo um diálogo com os aliados para viabilizar o caminho para as próximas eleições?

JR – O PP tem um relacionamento ótimo e sem nenhuma contestação com todos os demais partidos da base aliada. Nosso relacionamento com o PT, o PCdoB o PSB, com o PDT, é absolutamente democrático, civilizado, solidário, contributivo. Não tem problema nenhum, tanto que, em vários locais da Bahia, após a distribuição dos espaços políticos, nós fizemos negociações com os partidos. Fizemos negociações com o PDT, o PCdoB, o PSB. Nós não tivemos nenhum problema nesse sentido. O relacionamento é absolutamente positivo com todos os partidos da base aliada.

PIMENTA – Em Ilhéus esse relacionamento não é tão positivo…

JR – É evidente que nos municípios existem problemas, mas eu acho que o diálogo, a conversa, o esforço no sentido da gente encontrar o caminho, isso tudo é absolutamente possível. É claro que você vai encontrar problemas aqui e acolá, mas nós partimos de um princípio: há um projeto nacional, esse projeto é comandado pela presidente Dilma Rousseff, e há um projeto estadual comandado pelo governador Wagner. O nosso partido está absolutamente comprometido com esses projetos.  Nos municípios, é natural que cada partido lute para ocupar o poder e se fortalecer, mas nós partimos do princípio de que onde haja condições de disputar as eleições, nós vamos disputar. Onde existe segundo turno, disputaremos comprometidos a no segundo turno estarmos juntos, dentro da base aliada.

 

Quando você tem um comandante que não gosta do que faz, não tem aptidão, não tem autoridade, gera esse caos que está aí, em que você tem vários prefeitinhos.

 

PIMENTA – O senhor acredita que os conflitos locais podem trazer dificuldades para o seu projeto de eleição?

JR – As disputas locais são absolutamente naturais. Veja em Itabuna, por exemplo,  a disputa do PCdoB com o PT. Em Salvador, praticamente todos os partidos têm candidato a prefeito. Em Ilhéus, da mesma forma, temos um debate natural e democrático. O governador sabe disso, não tem nada que esteja acontecendo em Ilhéus que não seja do conhecimento do governador. Nesse sentido, não creio que haja nenhum problema, muito pelo contrário. O PP quer se fortalecer em Ilhéus para ajudar o governador Wagner e a presidente Dilma Rousseff.

PIMENTA – Causou certo incômodo, sobretudo a pessoas ligadas ao PT, a espécie de ultimato feito pelo senhor, avisando que não faria aliança com pessoas que estão no governo municipal. Como fica isso?

JR – Eu nego veementemente ter dado ultimato a quem quer que seja, esse não é um papel meu. Eu tenho um projeto como líder do meu partido: nós trabalhamos em Ilhéus com um projeto de chegar à prefeitura. Há pessoas no PT de Ilhéus com quem eu tenho um ótimo relacionamento, assim como no PSB. Muitos até já estiveram comigo ao longo da história. Às vezes eu pergunto:  quem não esteve? O que eu disse e quero reiterar foi que eu e o meu partido estamos absolutamente abertos a conversar com todos, mas decidimos não fazer aliança com nenhum partido que esteja dentro do atual governo municipal. Não estou me negando a conversar, muito pelo contrário.

 

PIMENTA – Mas há lideranças locais que parecem não querer conversa.

JR – Quem conhece política sabe que isso é bobagem. O que não dá é as pessoas tentarem a vida inteira um artificialismo, um jogo de enganação que não funciona. A nossa posição clara é a seguinte: nós não iremos fazer nenhuma aliança com o atual governo de Ilhéus. Não cabe, pois temos uma atitude institucionalmente de oposição a esse governo. Não há nada de pessoal contra o Newton (Lima), e eu tenho dito isso. Muito pelo contrário, ele é uma pessoa cordial, não temos problema nenhum.  Agora, politicamente falando, o governo é um desastre, um caos, é uma desorganização completa, é a negação do que seja um governo. Mas isso quem está dizendo não sou eu, é quase 90% dos ilheenses.

PIMENTA – E como fica, então, a chance de prosperar algum diálogo com o PT, que está no governo municipal?

JR – Eu não quero nem nominar, nunca nominei. Eles ficam meio nervosos comigo, mas eu quero até que tenham tranquilidade. Quem quiser considerar que o projeto para 2012 passa por esse governo que está aí, fique com ele. Estou disposto a conversar com o PT, o PSB, PCdoB, PDT e já tenho conversado com muitos. Estão enganados aqueles que pensam que eu estou voltado apenas para o meu partido.  Não é essa a minha experiência e vale lembrar que no passado eu já tive alianças com o PT. O PT já me apoiou em Ilhéus, o PSB já me apoiou, e eu já apoiei o PT. Nas últimas eleições eu apoiei o PT a pedido do governador.

Já conversei com o deputado Josias (Gomes, do PT), com quem tenho um bom relacionamento e considero um político capaz, competente, que não age com o fígado, como muitos.

PIMENTA – Chegou a existir de fato algum ensaio de acordo para que o PP apoiasse o PT em Itabuna em troca de uma reciprocidade em Ilhéus?

JR – O que acontece é o seguinte: há em Salvador uma comissão com representantes de cada partido da base aliada. Tem o representante do Partido Progressista; tem lá o Jonas Paulo, do PT; Alexandre Brust, do PDT; Daniel Almeida, do PCdoB; Lídice da Mata, do PSB;  Toninho, do PSL; Bispo Márcio Marinho, do PRB, e por aí vai… Nós estabelecemos nesse grupo que vamos buscar o máximo de esforço para que haja uma unidade da base aliada nas 30 maiores cidades da Bahia, o que inclui Itabuna, Ilhéus e tantas outras. É uma conversa que se faz priorizando a defesa do projeto nacional e do projeto estadual . Se haverá possibilidade de termos êxito em todos os lugares, não sabemos. É evidente que em situações desse tipo, existem composições. Por exemplo, o PT pode precisar do nosso apoio em Vitória da Conquista, em Feira de Santana, em Salvador e nós poderemos precisar do apoio do PT em Ilhéus. Não significa que cada partido não irá consultar suas bases locais, agora há uma resolução do PT, assim como no PP, de que as questões locais terão que passar por uma análise da executiva estadual de cada partido. Eu, por exemplo, já conversei com o deputado Josias (Gomes, do PT), com quem tenho um bom relacionamento e considero um político capaz, competente, que não age com o fígado, como muitos. Converso com Geraldo (Simões), conversei há poucos dias com Everaldo Anunciação (secretário de Organização do PT na Bahia). Estão enganados aqueles que pensam que eu não estou conversando. É que tem alguns que estão tão envolvidos com o governo municipal, que não têm tempo para conversar.

PIMENTA – Nessas suas conversas com lideranças do PT, já se estabeleceu algum critério para definição de alianças, como desempenho em pesquisa, por exemplo?

JR – Não, mas eu topo. Pelo critério de pesquisa eu topo discutir aliança em Ilhéus com qualquer partido da base aliada, exceto, repito, com aqueles que fazem parte da atual administração municipal. Porque senão a gente descaracteriza nosso discurso. Ao escolher o nome que disputará as eleições com base em pesquisa, estaremos demonstrando consideração pelo que pensa a opinião pública, mas é claro que não é só o critério da pesquisa. Existem outros que podem ser utilizados e eu não tenho problema nenhum.

PIMENTA – Ilhéus tem problemas financeiros graves, com um volume imenso de precatórios e inadimplência que gera até a impossibilidade de firmar convênios para projetos e obras. Como equacionar isso?

JR – Eu deixei o município, no final de 2004, com os precatórios todos negociados. Eu fiz essa negociação quando era presidente da Amurc, e não foi só para Ilhéus. Itabuna negociou, Jequié negociou, toda a região negociou. Ilhéus teve uma administração, com o ex-prefeito Antônio Olímpio, que gerou milhões de precatórios. Isso está registrado, não tem o que se discutir, mas, enfim, existem os precatórios e nós negociamos em condições de honrar. Veio Valderico (Reis, ex-prefeito) e chutou tudo pra cima. As negociações com o INSS, eu deixei todas organizadas. Por que eu assinei convênios com os governos federal e estadual até o último dia do meu governo? Assinei porque estava tudo absolutamente em dia, as contas estavam organizadas. Deixei a folha de pagamento com menos de 50%, abaixo do limite legal. A Prefeitura estava organizada, as contas estavam organizadas. Eu vou apresentar no momento certo os dados que demonstram que Ilhéus estava crescendo. Foi feita uma reportagem naquele período, publicada na revista Veja ou na Época, que listava Ilhéus entre as dez melhores cidades do Brasil para se viver. Está escrito. Não dá para as pessoas ficarem na enganação, na mentira,na malandragem. Não existe isso.

PIMENTA – Quer dizer que todos os problemas da cidade são culpa do atual governo?

JR – O que está aí é produto de dois governos desastrados, que desorganizaram as contas públicas, o setor de pessoal, os programas sociais, a saúde, a educação. Esse é um desgoverno porque desorganizou todas as políticas de Ilhéus e acho que nós, ou qualquer outro que chegue à prefeitura, teremos um grande trabalho para enfrentar isso. Programas como o “Escola Campeã”, do Instituto Ayrton Senna, cadê? Ilhéus era a única cidade da Bahia que tinha esse programa. Cadê os programas voltados para a geração de emprego, como o Pead, por exemplo? Acabou tudo. Na área cultural, o que se fez? Fecharam biblioteca, fecharam o Circo Folias da Gabriela, que era um espaço importante para a cultura, as manifestações artísticas do povo de Ilhéus. O que eles fizeram mais de importante para a cultura? Fecharam o Memorial da Cultura Negra. Fizeram o que a mais? Transformaram o Bataclan num restaurante, só isso. Não tenho nada contra, acho até que está legal, mas era esse o projeto? Ou era o projeto de uma casa de cultura, que contou com dinheiro público, do município e da Petrobras? O restaurante está até bonito, mas você não vê uma placa que indique o que é aquilo. Será que a Petrobras iria me ajudar a fazer aquele trabalho se eu dissesse que seria um restaurante, por melhor que seja? Esse governo é inepto, ineficiente. Quando você tem um comandante que não gosta do que faz, não tem aptidão, não tem vocação, não tem talento, não tem liderança, não tem autoridade, gera esse caos que está aí, em que você tem vários prefeitinhos. Todo mundo manda e a cidade não avança.

Romualdo Lisboa: “A gente faz a desconstrução do marketing”

Em 2007, quando o governo do prefeito Valderico Reis em Ilhéus se afundava em uma sucessão de escândalos, os principais personagens daquela história política macabra se transportaram, em forma de verdadeiros mondrongos, para os palcos e ruas de Ilhéus. Surgia Teodorico Majestade, o prefeito da fictícia Ilha Bela, e todo o seu “staff” de malandros.

Criação de Romualdo Lisboa, encenada pelo Teatro Popular de Ilhéus, Teodorico é um tapa na cara da classe política, a vingança do povo ou a “desconstrução do marketing”, como diz o autor. A peça, indicada para dois prêmios Braskem, foi encenada no Rio de Janeiro e participou recentemente da 6ª Mostra Latino Americana de Teatro, em São Paulo. Sucesso de público e crítica, teve casa cheia todos os dias numa temporada de dois meses na capital paulista.

Sai o prefeito, entra o vice. Agora é a vez do Inspetor-Geral, que estreou em São Paulo e ainda terá uma temporada de dois meses por lá, antes de chegar a Ilhéus. Com sua linguagem universal, o Teatro Popular conquista outros palcos.

Leia abaixo os principais trechos do bate-papo do PIMENTA com o criador de Teodorico e do Inspetor :

PIMENTA – Como vocês chegaram à Mostra Latino-Americana?

Romualdo Lisboa – É a Cooperativa Paulista de Teatro que faz um levantamento das produções, sai para ver coisas. No nosso caso, eles sabiam que a gente já tinha feito temporada no Rio, Salvador e havíamos sido indicados para dois prêmios Braskem, o que despertou o interesse. O curioso é que durante a mostra, a crítica para a maioria dos espetáculos não foi boa. Eles contratam críticos de todos os países que participam e cada espetáculo é avaliado por dois deles. No começo, as análises estavam muito ruins, o que deixou os organizadores preocupados.

PIMENTA – Até Teodorico entrar em cena…
RL – Aconteceu que alguns espetáculos, antes do fim da semana, começaram a ganhar uma crítica bacana. Os da Colômbia e da Argentina, por exemplo, ajudaram a melhorar a crítica. O nosso espetáculo estava programado para o final e a opinião dos críticos foi muito boa. O resultado foi que Teodorico acabou fazendo a primeira temporada longa naquele teatro do Sesi e iniciou um projeto de vincular mais a comunidade da zona leste de São Paulo àquele espaço cultural.

PIMENTA – Eles já conheciam a experiência do Teatro Popular em Ilhéus?

RL – Eles conhecem a nossa identidade aqui na região, sabem como nós tornamos a Casa dos Artistas mais próxima da comunidade, como a gente vai para os bairros, os distritos. Essa política do grupo lhes interessou para aquele espaço. Estrategicamente foi bacana, porque a gente lotou sempre. Os ingressos eram reservados para três, quatro semanas. Estreamos no dia 13 de maio e ficamos até 2 de julho, realizando nesse período 32 apresentações.

 

Tinha gente que chegava e dizia: ‘vocês estão falando de Campinas? Porque tá acontecendo isso lá em Campinas’.

 

PIMENTA – Isso significa que o público paulista entendeu perfeitamente a mensagem de Teodorico
RL – Isso foi muito legal. Tinha gente que chegava e dizia: “vocês estão falando de Campinas? Porque tá acontecendo isso lá em Campinas”. Ou seja, a história não é só de Ilhéus, ela é universal.

PIMENTA – Vocês tinham ideia da dimensão que a peça tomaria quando começaram a encená-la na rua e até em frente à Prefeitura de Ilhéus (no período de crise política que levou à cassação do então prefeito Valderico Reis)?
RL – Não tínhamos a menor ideia. Teodorico eu escrevi com raiva e aquilo me deixou muito mal no começo. Houve uma cobrança das pessoas, que chegavam ali da janela (da Casa dos Artistas) e gritavam : “e aí, vocês não vão fazer nada não, é?”. Eram professores, gente da imprensa, que estavam indignados com aquela sequência de escândalos.

PIMENTA – Você conseguiu transformar essa raiva em um negócio engraçado.
RL – É, à medida que ia escrevendo, eu perdi a raiva e o negócio começou a ficar tão engraçado que a gente decidiu fazer uma pesquisa sobre literatura de cordel. O texto de Teodorico foi todo escrito em cordel, em sextilhas. Foi muito divertido. Em vez da gente fazer uma coisa com raiva, agredindo de maneira panfletária, a gente fez uma brincadeira.

PIMENTA – Que é muito mais eficaz…
RL – Com certeza, o humor é muito mais poderoso. O então prefeito de Ilhéus me encontrou algumas vezes e virou a cara, gritou, me xingou, e eu me divertia demais com aquilo. Havia uma evento grande, nós íamos mesmo sem sermos convidados. Os personagens estavam lá na porta, tocando, cantando, e de repente o prefeito chegava e via, e se via, era um inferno. Chegou num nível de estresse dele com isso que o então presidente da Fundação Cultural, Arléo Barbosa, negou uma pauta pra gente no Teatro Municipal. Ele dizia que até liberava a pauta, desde que a gente não encenasse Teodorico. Dizia assim: “ah, vocês têm tantos espetáculos legais, façam os outros, esse não”. Arléo Barbosa é uma pessoa super gente fina, mas estava numa situação em que não tinha autonomia. Como a gente não aceitava deixar de encenar a peça, ele aconselhava: “então fale com o prefeito”. Eu fui falar e o prefeito me enxotou de lá. O segurança dele é que interveio para que ele não me batesse. No dia seguinte, a gente colocou em todos os jornais que o prefeito havia censurado Teodorico Majestade no teatro.

 

Um começa a entregar o outro, até que o prefeito toma uma decisão. Eu não sei se na vida real isso é possível, mas na nossa história acontece.

 

PIMENTA – Quanto tempo durou a censura?

RL – A notícia saiu no sábado e a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Ilhéus) nos convidou para participar no mesmo dia de um almoço oferecido à imprensa. Eles pediram que levássemos algum espetáculo nosso e é claro que a gente levou Teodorico (risos). O prefeito estava lá e a gente encenou a peça diante dele. Naquele momento, meio na pressão, ele anunciou que o espetáculo poderia ser apresentado no teatro. Isso foi menos de 24 horas depois dele ter me enxotado da Prefeitura.

PIMENTA – E O Inspetor…?
RL – O Inspetor é a segunda parte de Teodorico. Sai o prefeito, entra o vice Gilton Munheca. Ele e a família estão numa situação muito bacana, vivendo dias muito felizes. A mulher vive na capital, só anda no luxo. Ele distribuindo uísque, fazendo festas. O irmão dele, Zé de Minga, é o responsável pelas festas. É uma orgia o tempo inteiro.

PIMENTA – Até que…
RL – Aí surge uma carta, avisando da chegada de um Inspetor-Geral, que viria em missão secreta para apurar todos os malfeitos. Então eles ficam alucinados: Gilton Munheca, Cacau das Treitas, Pai Didão, Jorge Paraíba e a mulher do prefeito, que na nossa história é a secretária de Educação. E um começa a entregar o outro, até que o prefeito toma uma decisão. Eu não sei se na vida real isso é possível, mas na nossa história acontece (risos). Ele toma a iniciativa de mandar arrumar a casa. Manda colocar funcionários para melhorar a limpeza das ruas, pintar meio-fio, consertar aqui e ali, trocar luz dos postes…
Nesse ínterim, surge a história de que tem uma pessoa estranha na única pensão da cidade. Aí eles entendem que só pode ser o inspetor geral e vão tentar comprar o cara. O prefeito leva o dito inspetor-geral pra casa, cada um leva um dinheirinho e o cara fica cheio de grana. No final das contas ele vai embora noivo da filha do prefeito, já perto do casamento, mas há uma série de outros fatos que complicam toda essa história.

PIMENTA – Na essência, o que tem de diferente nessa história em relação à de Teodorico?
RL – Diferentemente de Teodorico, O Inspetor-Geral… traz uma outra perspectiva desse universo. É quase um processo de expiação. A gente promove uma vingança no Teodorico, a gente se vinga dele e de todos os outros. E no Inspetor-Geral, a gente só constata esse tipo com quem a gente está lidando. Em seu discurso final, o prefeito diz assim: “Somos porcos miseráveis, grandes ratos abomináveis”. Ele e todos os demais acabam se enxergando como um mal para a sociedade.

PIMENTA – E o público acaba os enxergando como de fato são…
RL – A ideia é fazer a identificação dessa espécie de gente. É preciso que o público, quando vir na TV aquele discurso muito bem arrumado, ele enxergue as deformações daquele discurso. A gente faz a desconstrução do marketing, precisa fazer.

PIMENTA – Quando O Inspetor estreia em Ilhéus?
RL – Só depois que a gente encerrar o contrato com o Sesi de São Paulo, que inclui uma próxima temporada em outubro e novembro, no teatro da Vila das Mercês. É possível ainda uma temporada extra, de um mês, que pode ser em dezembro ou janeiro. Isso significa que provavelmente só em fevereiro a gente esteja aqui em Ilhéus com o espetáculo.

UM BATE-PAPO COM O JORNALISTA PAIXÃO BARBOSA

Trinta e três anos depois de iniciar sua vida profissional n’A Tarde, de Salvador, o jornalista Paixão Barbosa, um dos mais respeitados da Bahia, foi desligado do diário da família Simões. A empresa enfrenta uma crise séria, que levou ao fechamento de sucursais e à demissão de muita gente boa. Nesta entrevista concedida ao PIMENTA, Paixão Barbosa comenta sobre as dificuldades de A Tarde, os desafios da mídia impressa e o avanço da internet. A conversa também tratou, entre outros assuntos, sobre a política baiana, destacando a desfaçatez com que muitos oposicionistas têm migrado para o lado do governo.

Leia abaixo os principais trechos:

PIMENTA – Pra começar, queremos um breve relato sobre o cidadão Paixão Barbosa, desde a infância no sul da Bahia até a ida para Salvador, onde estudou, família etc…
Paixão  Barbosa – Nasci em Coaraci e passei minha infância entre os períodos de aula na cidade e as férias entre os cacauais uma vez que meu pai, Laudelino Barbosa, era administrador de fazendas e fazia questão de levar os filhos para fazer companhia a ele. Tive a sorte de ter uma família maravilhosa, somos nove irmãos, e especialmente de ter irmãs professoras, fato que me aproximou dos livros desde muito cedo. Tanto que, apesar de gostar muito das brincadeiras de rua – bolinhas de gude, futebol, empinar arraias, tomar banho no Rio Almada (quando isto era possível e prazeroso) etc – sempre dediquei algum momento do dia para ler. A partir dos meus 10 anos tornei-me um leitor voraz e muito eclético: lia tudo o que me caísse às mãos, desde os autores clássicos aos populares livros de bolso, jornais, revistas de esporte, Manchete, Cruzeiro, passando por enciclopédias (lembro-me bem que li e reli pelo menos duas vezes cada um dos compêndios da Delta Júnior).

PIMENTA – É verdade que você já foi técnico agrícola?
Paixão  Barbosa – Quando concluí o que se chamava então de quarta série ginasial, em 1970, tive que optar pelo curso de técnico em Agropecuária, na cidade de Catu (Recôncavo Baiano) que era gratuito e em regime de internato, uma vez que minha família não tinha condições de me manter em Salvador. A chama da leitura e da literatura continuava acesa, mas novamente tive que optar pela questão financeira e, ao concluir o curso, em 1973, fiz um concurso para a Ceplac e trabalhei durante dois anos como técnico agrícola (na bela cidade de Gandu, onde ainda tenho muitos amigos), ajudando agricultores e trabalhadores rurais a plantar e a cuidar de cacau. Após dois anos, porém, o chamado foi mais forte e larguei tudo para estudar Jornalismo em Salvador, tendo passado no Vestibular da UFBa em 1976. Entrei no jornal A TARDE em 22 de novembro de 1977, ainda estudante do 4º semestre de Jornalismo, e lá fiquei até o dia 2 de maio passado, depois de ter sido, pela ordem, revisor, repórter de Cidade, repórter, subeditor e editor de Política, editor de Cidade, editor da primeira página, secretário de redação de Planejamento e coordenador da Agência de Notícias A TARDE. Durante este período ainda exerci algumas funções na área pública, a exemplo de assessorias na Prefeitura de Salvador e na Secretaria Estadual da Indústria e Comércio e como chefe de gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (com o deputado José Amando, de 1989 a 1990).

PIMENTA – E a família?
Paixão Barbosa – Sou casado há 27 anos com uma itabunense, Rosilane, que também é jornalista, e tenho um filho, Lúcio, que preferiu não seguir os pais e é doutorando na área de biogenética. Ainda compõem a família duas figuras lindas que ajudamos a criar, como filhas, Lila e July (ambas de Jussari), que já nos deram duas netas, Brenda e Alice.

PIMENTA – Por que a opção pelo jornalismo?
Paixão Barbosa – Além do fato de ser uma profissão que lida diariamente com minhas duas grandes paixões de infância, a leitura e a escrita, muito ajudaram a inquietação e a curiosidade intelectual que possuo, duas características que se encaixam muito bem com o fazer jornalismo. Além da grande contribuição que sempre considerei que o trabalho de um jornalista pode dar para o desenvolvimento e a melhoria da sociedade ao exercer seu papel de crítico e de vigilante das ações dos governantes, apontando os erros e as omissões ou divulgando benefícios e acertos.

PIMENTA – Como vê a profissão hoje, inclusive no aspecto do mercado de trabalho?
Paixão Barbosa – Os princípios básicos do fazer jornalismo não mudam, sejam quais forem os veículos usados para isto. E refiro-me às preocupações básicas com a precisão e a veracidade das informações divulgadas. Mesmo quando se faz análise ou comentários. O que pode mudar é a forma, ou a linguagem, mas seja jornalista formado ou não, profissional da imprensa escrita, de rádio ou TV ou de internet. E mesmo aqueles que não são jornalistas devem sempre ter em mente aquelas duas preocupações quando produzem algum texto que possa ser chamado de jornalístico. Esta diversidade de meios ampliou muito, de forma incalculável eu diria, o mercado de trabalho e tirou os jornalistas tradicionais da sua zona de conforto. Refiro-me àquele modelo tradicional de Redação, no qual os jornalistas transformavam-se praticamente em donos da verdade porque o poder de reação dos envolvidos era mínimo e restrito. Hoje, com a amplitude e, especialmente, com a instantaneidade da mídia digital, os jornalistas precisam ter muito mais responsabilidade e necessitam apurar melhor os fatos caso não queiram ter o desgosto de ser desmoralizados imediatamente depois.

 

Não acredito que a crise enfrentada pelo Grupo A Tarde tenha a internet como responsável.

 

PIMENTA – A ansiedade em sair na frente é um estímulo à irresponsabilidade?
Paixão Barbosa – Em alguns casos, a velocidade do veículo e a ansiedade de sair na frente dos concorrentes estimulam a irresponsabilidade de alguns, especialmente no caso dos que operam nos meios digitais, com o argumento de que a informação errada pode ser corrigida logo depois. Acontece que, assim como ocorre nos meios impressos, nem sempre quem lê a notícia equivocada toma conhecimento da correção e pode se causar prejuízos irreparáveis à vida de muita gente.

PIMENTA – A internet vai desbancar os jornais? A crise do jornal A Tarde é emblemática nesse momento?
Paixão Barbosa – Acredito que a mídia impressa ainda tem muita lenha para queimar e acho que ela não irá desaparecer, pelo menos não tão cedo. O que se faz necessário é que os jornais impressos se adaptem aos novos tempos e entendam que os leitores de hoje não são mais os de antigamente e que as pessoas que compram os impressos estão em busca do aprofundamento da notícia, da análise, do contraponto, uma vez que o relato dos acontecimentos é feito em tempo real pelas novas mídias. O que não dá é para o jornal impresso tentar concorrer com a internet (sites, blogs, twitter ou redes sociais) ou com a TV, no papel de dar a informação em primeira mão, porque esta é uma batalha já perdida.

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SECRETÁRIO RESPONSABILIZA A SR POR LAMBANÇAS NO CONCURSO PÚBLICO DE ILHÉUS

“Devido aos inúmeros acessos simultâneos ao sistema, referente ao concurso de Ilhéus, o servidor sofreu uma pane, o que já está sendo solucionado. Tendo em vista o ocorrido, pedimos desculpas por eventuais transtornos, com a promessa de normalizar o serviço o quanto antes”.

A explicação acima foi a encontrada pela SR Concursos e Pesquisas para os milhares de inscritos e que fizeram as provas do concurso público de Ilhéus. A lista foi publicada na quarta (1º) e saiu do ar poucas horas depois de publicada.

A justificativa da SR para o público é bem diferente daquela repassada à prefeitura de Ilhéus, conforme o PIMENTA constatou ao entrevistar o secretário de Administração, Antônio Bezerra.

Mais uma vez a empresa – seria de fundo de quintal? – cometeu barbeiragem das grossas: simplesmente deixou de fora da lista, divulgada na quarta, nomes de pessoas que fizeram as provas e pontuaram, mas incluiu outras que simplesmente desistiram do concurso, tal a sucessão de lambanças – e, inacreditavelmente, apareceram pontuando na relação da SR.

O secretário Antônio Bezerra demonstra preocupação com a série de “erros” da SR. O secretário ressalta que o município seguiu todas as recomendações feitas pelo Ministério Público estadual (MP). Confira:

PIMENTA – Secretário, o que aconteceu com o resultado do concurso? O que levou a SR a publicá-lo e, imediatamente, retirar do ar?
Antônio Bezerra –
A informação que eu tenho é que foi um resultado parcial. Até a lista foi colocada em ordem alfabética e não pela ordem de classificação. Indagamos sobre a retirada, e [a SR] disse que, na verdade, muitos candidatos ligaram ou passaram email por conta de não terem aparecido nomes de alguns que fizeram a prova e constavam como ausentes ou terem aparecido com pontuação zerada ou com erro de identificação. O fato é que eles tiraram do sistema para corrigir esses detalhes e vai voltar. Agora, o resultado foi parcial.

Claro. Até porque ainda existe prova de aptidão, exame de títulos. Mas ele não é parcial em relação à prova objetiva, não é mesmo?

Isso. Não haverá alteração quanto aos nomes divulgados. A empresa vai corrigir [incluir] apenas alguns que não estavam.

No resultado divulgado quarta, até quem não fez a prova, pontuava…
Eu não sabia disso, mas felizmente algumas pessoas salvaram os [arquivos] com os resultados destas provas.

A administração está preparada para a enxurrada de ações judiciais?
As ações seriam contra a empresa…  A administração municipal fez a licitação que teve, inicialmente, oito e depois cinco empresas, tudo legalmente. Não esperávamos por  isso.

Como o senhor define essa lambança da SR?
Primeiro, tivemos a alteração da data do concurso, prorrogação das inscrições e cancelamento após a venda de gabarito, mas, quanto à nossa gestão, está tudo legal. Nós procuramos seguir as orientações do Ministério Público Estadual. Evidentemente, a nossa Procuradoria [Jurídica] estará atenta a tudo.

A SR informou ao governo quando divulgará o resultado corrigido?
A empresa nos disse que está fazendo as correções e publicaria logo.

ROBERTO CRITICA GERALDO E WENCESLAU E SINALIZA APOIO À REELEIÇÃO DE AZEVEDO

O vereador Roberto de Souza (PR) sempre foi dos homens fortes na Câmara de Itabuna e por vários anos ocupou um dos cargos mais cobiçados da Casa, o de primeiro-secretário.

O poder e o prestígio ruíram com uma sequência de golpes disparados pelo governo de Azevedo, culminando com as investigações de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). Agora, porém, Roberto tornou-se amigo do “Rei”. Pretende fechar até o início do próximo mês uma aliança com o Capitão Azevedo (DEM).

Quer, com Azevedo, curar as feridas de antigos amores:   Geraldo Simões (PT) e Wenceslau Júnior (PCdoB), acusados de deixá-lo sozinho nos momentos de tristeza.

O vereador concedeu entrevista ao PIMENTA. Para não perder a forma, também mirou no atual presidente da Casa, Ruy Machado, a quem chama “carinhosamente” de “Ruy Porquinho”. À entrevista, pois:

O PR adere ao governo de Azevedo?
Um emissário nos procurou e eu disse que poderia conversar a partir do momento que houvesse mudança no governo. Até acho que a gestão melhorou um pouco. Agora, vamos para o governo desde que haja respeito mútuo. O que eu quero é participação política, não quero fazer como outros vereadores. Não quero barganhar cargos.

Se não é barganha, como seria?
Participação, ter um cargo efetivo. Acho que o prefeito é muito mal assessorado politicamente.

O PR vai reivindicar a secretaria de Governo, então?
Vamos conversar. Estou falando por mim, mas temos o PR regional e o estadual. O partido tem um débito com Azevedo, que apoiou a candidatura de César Borges [ao Senado]. Temos esse débito. Só não sei se será pago agora ou mais adiante.

Aceitaria ser secretário?
Eu não. Vou ficar na Câmara e acho que meu papel lá é fundamental. Ainda não conversamos em termos de partido. Já houve conversa oficial, mas ficou acordado que definiríamos isso a partir de 20, 25 de maio.

Apoiei Geraldo e Juçara, mas na eleição da Câmara eles deram sustentação a Ruy Porquinho. O PCdoB de Wenceslau, com quem eu conversava sobre 2012, me abandonou.

O governo trabalhou para derrubá-lo na Câmara. Como o senhor explicaria essa aliança, agora?
Eu tive esse embate aí na Câmara [briga com governo e investigação de desvios de dinheiro]. Apoiei Geraldo e Juçara, mas na eleição da Câmara eles deram sustentação foi a Ruy Porquinho [Machado]. O PCdoB de Wenceslau [Júnior], com quem eu conversava sobre 2012, me abandonou. Então, não tenho mais compromisso com os outros. Ficou uma mágoa.

E por que o senhor foi lardado na beira da estrada?
Eu estava crescendo muito politicamente e isso deve ter assustado. Meu nome é leve e assim continua, pois aonde chego as pessoas são solidárias a mim. E sabe por quê? Eu tenho passado. O povo conhece o meu passado.

Mas o senhor enfrentou uma CEI. O que diria em relação aos desvios na Câmara?
Quem pediu a CEI fui eu.

O relatório o acusa de, pelo menos, ter sido omisso na roubalheira.
Eu não era o presidente. Quem manda, quem tem o poder é o presidente. Você já viu Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) falar em rejeição de contas de primeiro secretário? Cita o presidente.

Ele tem é que lembrar quem trocava cheques da Casa numa lotérica da Cinquentenário e usava fantasmas no gabinete para fazer dinheiro.

E o próprio ex-presidente fala em desvios de até R$ 5 milhões.
Os desvios que falaram aí são da publicidade, coisa do presidente com o ex-assessor, e os contratos dos créditos consignados.

O esquema também ocorria nas licitações.
Havia uma comissão de licitação responsável pela contratação das empresas, serviços. O Ministério Público está investigando.

E o senhor acha que escapa da cassação?

O presidente [da Câmara, Ruy Machado] tá falando isso aí. Ele tem é que lembrar quem trocava cheques da Casa numa lotérica da Cinquentenário e usava fantasmas no gabinete para fazer dinheiro.

Quem foi?
(risos) Ele sabe. Se investigado [o esquema], sobra até para o dono da lotérica.

OS 12 ANOS DO DIÁRIO BAHIA

Pense em investir em jornalismo impresso num cenário adverso como o de 1999 no sul da Bahia. Pois a ousadia do jornalista Valdenor Ferreira foi ainda maior: lançou não um semanal para competir com as publicações de então, mas um diário, o Diário Bahia.

Exatamente nesta quarta (4), a publicação completa 12 anos. O jornal deu frutos (revista Bellas, mensal, e Contudo, semanal). Valdenor não esconde a receita que fez o filho pródigo vingar: “Muito trabalho, persistência e coragem”, ensina.

O projeto diário deu tão certo que revigou o mercado e foi seguido pelo concorrente Agora, até então uma publicação semanal.

Num papo rápido com o PIMENTA, Valdenor fala desses 12 anos de caminhada.

PIMENTA – Qual a receita pra manter um jornal diário circulando 12 anos, no sul da Bahia?
Valdenor Ferreira – Muito trabalho, persistência e coragem. É preciso também saber administrar poucos recursos e trabalhar com base em nossa realidade.

Nestes 12 anos, você lembra quais as edições de maior impacto?
Uma foi a de um cara maluco que cortou o pênis e o jogou no rio Cachoeira. Fizemos uma sequência de fotos e vendemos muito jornal. Geraldo Borges fez a cobertura fotográfica. Outra, foi em 2002, quando Fernando Gomes, candidato a deputado estadual, saiu das urnas pensando que estava eleito. Toda a cidade pensava assim também. Nós apuramos e colocamos na manchete o contrário.

Lá no início, o que as pessoas diziam quando você anunciou que iria lançar um impresso diário em Itabuna?
Que não ia durar um mês. Passamos um ano no vermelho, como era previsto. Depois as coisas melhoraram. É aquela história, toda empresa tem prazo para começar a faturar. Somos o primeiro diário em offset.

Qual a marca do Diário e a sua maior contribuição nesses 12 anos?
Você sabe que a informação é, hoje, um patrimônio para quem sabe usá-la. Então, toda vez que a gente publica uma informação bem apurada, com todo o rigor jornalístico, estamos contribuindo para o crescimento da comunidade.

Jornal completa 12 anos acompanhando o dia a dia dos sulbaianos.

VANE CONFIRMA NAMORO COM O PRB, DEFENDE CANDIDATURA E AMEAÇA SAIR DO PT

O vereador Claudevane Leite (Vane do Renascer) é o único nome do PT na Câmara itabunense, mas – de olho na sucessão municipal – não esconde que pode mudar de partido até setembro.

A mudança vai depender do que disserem as pesquisas sobre a sucessão municipal e, claro, do tratamento que lhe for dispensado pelo cacique do PT itabunense, o deputado federal Geraldo Simões.

O vereador evangélico que ficou conhecido por desenvolver trabalho de ressocialização de dependentes químicos ainda disse que seu nome não será imposto:

– Se eu ver que o meu nome está melhor do que o de Juçara [Feitosa, nas pesquisas], eu naturalmente serei candidato. Ou pelo PT ou por outro partido.

Confira a entrevista concedida há pouco ao PIMENTA.

PIMENTA – A filiação do senhor ao PRB será definida mesmo no sábado?
Vane do Renascer – Muitos partidos têm me procurado, mas eu, apesar de estar na política, tenho só uma palavra. Digo a todos que estou trabalhando para sair candidato a prefeito pelo PT.

E o convite do PRB?
Eu tenho conversado com muita gente. Conversamos com o PV, PSB, outros partidos e vamos conversar com o PRB.

Tendo em vista o cenário de hoje, quais as chances de o senhor sair do PT?

Eu não trabalho com esse cenário. Estou trabalhando para ser candidato a prefeito pelo partido. As intenções de voto, as pesquisas vão nos dar um norte. Se eu tiver densidade [eleitoral] e não puder ser o candidato, aí vou procurar outro partido.

E qual seria o prazo fatal para o senhor tomar essa decisão?

Será setembro, quando abre-se uma janela para mudar de legenda. Mas reafirmo que trabalho para sair candidato pelo meu partido.

O senhor permanece no partido só se for candidato a prefeito? Descartaria disputar um novo mandato legislativo?
Eu não tenho interesse em ser candidato a vice de ninguém. Posso até ser, mas quero ser prefeito de Itabuna. Agora, não tendo como ser candidato a prefeito, sairia novamente a vereador. A minha pretensão é real.

Então…
(…interrompe) Nenhuma candidatura pode ser imposta. Mas o que eu tenho recebido de apoios me faz caminhar nesse sentido, da disputa pela prefeitura. Muitas pessoas de vários segmentos da sociedade têm me procurado para me apoiar. Essa procura está sendo maior ainda agora.

Internamente, o senhor vê possibilidade de ter o apoio do deputado Geraldo Simões ou acha que ele vai impor o nome da esposa?
Há essa disputa interna, não é? E se for para a disputa interna, eu levo uma desvantagem monstruosa [em relação ao grupo geraldista].

E mesmo assim vai para a disputa?
Se eu ver que o meu nome está melhor do que o de Juçara [Feitosa], eu naturalmente serei candidato. Ou pelo PT ou por outro partido. Sair ou não do partido vai depender do respaldo popular.

MIRALVA NEGA ATRASO NO PAGAMENTO AOS PRESTADORES DE SERVIÇO

O governo baiano não reconhece os atrasos médios de três meses no pagamento dos prestadores de serviço temporários (PSTs) da área de educação (veja denúncia aqui). Por telefone, a diretora da Direc 7, Miralva Moitinho, disse que os prestadores de serviço (porteiros, merendeiras, auxiliares administrativos e de serviços gerais) estão em dia.

A dirigente atribui um eventual atraso a falhas documentais. A realidade, porém, é outra: os pagamentos são feitos com atraso médio de dois a três meses.

Miralva nega também nega que esteja de mudança para a capital baiana. “Não tenho nenhuma aptidão para ir para Salvador. Recusaria [um convite]”. Abaixo, a entrevista.

PIMENTA – A Secretaria da Educação está devendo quantos meses aos PSTs?
Miralva Moitinho – Não há atraso. Pode ser problema de documento. Eu não li a matéria. Aqui na Direc a gente não acessa o site [o acesso ao PIMENTA foi bloqueado naquele órgão estadual]. Pelo menos no gabinete, não. Alguém me ligou dizendo da matéria.

Então não há atraso de três meses?
Não há. Nem de cinco meses. Todo mundo já recebeu janeiro, todo mundo já recebeu fevereiro. Quem não recebeu deve me procurar, para a gente regularizar. O pagamento de março deve estar saindo esta semana.

Os PSTs insistem que recebem sempre em atraso, alguns até passam fome.
Possa ser que tenha uma ou outra pessoa em atraso. A gente faz reformulação mês a mês. Pode ter alguma pendência. Se muda de uma escola para outra, há uma desprogramação e atrasa.

Quem está no PST, que não mudou de escola, que não é novo [na rede], não tem atraso de salário.

Esses atrasos de três meses são constantes. Isso ocorre por qual motivo?
Quem está no PST, que não mudou de escola, que não é novo, não tem atraso de salário. Depois do primeiro pagamento, regulariza. É uma parte burocrática. PST não é salário, não é votado na Assembleia, tem toda uma burocracia [de contratos]. Mas estando com a documentação em dia, não existe atraso no pagamento.

A senhora diz que não há atrasos, mas as reclamações nesse sentido são muitas.
As pessoas têm dificuldades na hora da contratação. Por vezes, elas preenchem a ficha, mas não tem CPF correto etc. Pode ser que haja pendência, mas é localizada. Eu sei onde existem as pendências, mas são coisas que a gente administra. Sabemos das dificuldades das pessoas em sobreviver.

As reclamações também são contra a qualidade do atendimento.
Eu tenho me reunido com as pessoas que atendem, da portaria até o gabinete, faço questão de explicar, de dizer. Atendo um por um dos contratados, para explicar, para dizer. Eu entendo a indignação das pessoas. Digo sempre que tenham paciência, existe esse atraso no início do contrato, explico que o estado não paga vale-transporte. E explico para evitar problemas. Eu tenho essas preocupações e se eu colocar pessoas que moram afastadas da escola, as coisas ficam pior ainda.

Até agora não foi possível encontrar uma empresa para implantar a terceirização dos serviços dos não-docentes.

Por que o estado insiste nessas relações precárias de trabalho, professora?
O Estado?

Sim.
Porque até agora não foi possível encontrar uma empresa para implantar a terceirização dos serviços dos não-docentes. Houve licitação, mas o contingente é muito grande e não havia política para não –docente. As escolas que encontramos não tinham funcionário. Concurso não dá porque o tesouro não comporta. Nós temos 50 mil professores e mais de 50 mil não-docentes. O Estado fez duas licitações, mas…

E qual seria o motivo, a proposta do governo é ruim para as empresas?
Não. É porque as empresas querem lotear, dividir por Direc, por exemplo, mas o estado quer uma empresa só para a Educação. Desde outubro que nós estamos esperando a nova empresa, mas tem recursos, recorre daqui, recorre dali… É muita confusão, mas a gente está lutando. O secretário nos pediu um prazo para que isso seja resolvido, pelo menos em parte, até o início do segundo semestre.

Se não for a Direc, eu saio, vou cuidar da minha vida, da minha cooperativa. Se fosse convidada, eu recusaria.

O que há de verdade na saída da senhora da Direc, para trabalhar na secretaria em Salvador?
(risos)… Eu não sei de onde esse menino desse blog [João Matheus, do Políticos do Sul da Bahia] tira isso, quem é que o alimenta.

Mas essa é uma hipótese que vem sendo discutida por gente do PT há mais tempo, não é invenção do blog, como a senhora quer fazer crer.
(interrompe…) Pois é. Não tenho conhecimento nem soube que seja um desejo do deputado Geraldo Simões nem do secretário [Osvaldo Barreto]. Nem é [desejo] do nosso grupo na Educação. Eu não tenho nenhuma aptidão para ir para Salvador. Minha família é daqui, minha casa. Na estrutura do estado, se não for a Direc, eu saio, vou cuidar da minha vida, da minha cooperativa. Se fosse convidada, eu recusaria. O que eu faço, faço com convicção. Acho que essa é a vontade de alguns petistas. E eu tenho certeza que não é [a vontade], desejo do secretário [Osvaldo Barreto], que sempre referencia a Direc 7… Positivamente (risos).

ENTREVISTA: A INCRÍVEL HISTÓRIA DE UMA JUÍZA DE ITABUNA

Aos 14 anos, ela trabalhava em um canavial no interior de Minas Gerais. Aos 17, era empregada doméstica em Belo Horizonte e, por não ter onde dormir, durante oito meses passou as noites em um ponto de ônibus em frente à antiga Telemig, que era a companhia telefônica de Minas.

Para conseguir aprovação em seu primeiro concurso, para oficial de justiça do Tribunal de Justiça daquele estado, ela catou folhas borradas de um mimeógrafo onde faziam apostilas de um cursinho preparatório. As folhas eram jogadas no lixo, de onde ela as recolheu, estudou e ficou em terceiro lugar no concurso.

A hoje Doutora Antônia Marina Faleiros é sem dúvida alguma uma vencedora, uma mulher que superou todos os obstáculos e dificuldades e veio a ocupar cargos importantes, como procuradora do município de Belo Horizonte e procuradora do Banco Central. Atualmente, ela é juíza da 1ª Vara Crime de Itabuna, que julga crimes relacionados a tóxicos.

Mas a magistrada não é somente uma pessoa que venceu na vida. Ela é também uma mulher singular, que não se limita às paredes de um gabinete e gosta de ir aos bairros, conhecer gente. Nessa entrevista concedida ao PIMENTA, a juíza surpreende, comove e demonstra que ainda é possível acreditar no ser humano.

PIMENTA – Eu gostaria que a senhora contasse o início de sua história: onde nasceu, sua infância…

Dra. Antônia – Eu nasci em Serra Azul de Minas, um lugar belíssimo, extremamente pobre, mas muito bonito. Era uma família grande, como todas as famílias do interior: pai, mãe e um monte de irmãos. E minha mãe sempre foi uma pessoa muito entusiasmada. Ela não teve oportunidade de estudar, só fez até o que se chamava na época de quarta série primária. E era professora rural, dava aula no Mobral e sempre teve uma exigência muito grande com os filhos, sempre quis botar os filhos pra frente.

PIMENTA – Quais são as histórias das quais a senhora se recorda dessa época?
Dra. Antônia – Há algumas histórias interessantes que envolveram minha mãe. Quando fiz meu primeiro concurso público, eu passei em terceiro lugar para oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, então eu fiquei entusiasmadíssima e fui contar para ela. Quando falei que havia passado em terceira colocação, ela disse: “mas a prova estava tão difícil assim?”. Eu mencionei a concorrência e salientei que muitas pessoas haviam ficado para trás, mas ela respondeu: “você já viu algum bom corredor olhar para quem está ficando pra trás? Ele olha para os concorrentes que estão na frente”. Esse é um exemplo do nível de exigência da minha mãe. Ela morreu dois meses depois da minha formatura em Direito e eu fiquei bastante magoada porque era meu sonho conseguir ter um emprego e poder dar a ela algumas coisas com as quais ela sonhava.

PIMENTA – Por exemplo…
Dra. Antônia – Eu me emociono sempre quando me lembro disso. Um dos sonhos da minha mãe era ir à Aparecida do Norte, que é um santuário católico no interior de São Paulo e nós não tivemos a oportunidade de atender esse desejo. Ela morreu antes que eu tivesse um emprego que me permitisse lhe dar o prazer de conhecer Aparecida do Norte.

PIMENTA – Vocês viviam na cidade ou na zona rural?
Dra. Antônia – Até os meus sete anos, nós morávamos na roça. Depois meu pai se mudou para a cidade, que era tão pequena que se pode dizer que é como se fosse uma roça. Eu fui conhecer luz elétrica aos 17 anos. Meu pai era trabalhador do DER, o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, trabalhador braçal.

 

Eu acabava ficando sem o café da manhã como punição por ter causado o “incêndio” e acordado todo mundo.

 

PIMENTA – Quantos irmãos?
Dra. Antônia – Éramos seis, mas um morreu há 11 anos. Eu sou a filha mais velha e depois de mim tem outra irmã e mais três irmãos. Muitos anos depois, quando eu já tinha deixado a casa de meus pais, minha mãe teve outra filha, que foi a irmã que eu criei, porque minha mãe a deixou pequena e ela acabou virando “minha filha” e veio comigo para a Bahia.

PIMENTA – Como foi a história do seu trabalho em um canavial?
Dra. Antônia – Quando eu terminei naquela época a quarta série, com 14 anos, não tinha continuação lá. E apareceram pessoas que contratavam trabalhadores, inclusive menores, para o corte de cana. Quem fazia a intermediação e ia pelas cidades procurando era chamado de “gato” e os capatazes que controlavam o trabalho no canavial preferiam menores, porque eles achavam que podiam até bater na gente. Como não tínhamos outro meio de sobrevivência, nós seguimos para esse trabalho, eu e mais dois irmãos, de 13 e 12 anos.

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GRUPO CHAVES ANUNCIA SEGUNDA EXPANSÃO DO JEQUITIBÁ E NOVO SHOPPING

A aposta do Grupo Chaves na área do consumo não se restringirá ao shopping itabunense. Hoje, o grupo anunciou que construirá também um centro de compras em Teixeira de Freitas, no sul da Bahia.

Manoel Chaves Neto, executivo do grupo, disse que o empreendimento terá 20 lojas-satélites e uma âncora. Neto concedeu entrevista exclusiva ao PIMENTA e explicou o andamento deste novo projeto.

Sobre o Jequitibá, ele antecipou que já trabalha no projeto de uma segunda expansão do shopping, que viria acompanhada do novo cinema. Pesquisas indicariam que há espaço para mais um lance ousado do empreendimento.

Confira.

Qual é o cronograma desse novo projeto, a construção de um shopping em Teixeira de Freitas?
O terreno já foi comprado em Teixeira de Freitas, já temos o projeto do shopping. Ainda tá faltando irmos ao município para conversarmos com o prefeito… Eu acredito que estejamos lançando o shopping em setembro, outubro deste ano com expectativa de inauguração entre novembro do próximo ano e março de 2013.

Já há uma idéia de qual vai ser o formato desse projeto?
Continua sendo um shopping regional com uma característica diferente por ser um shopping de estrada, a um quilômetro da BR-101 e do centro da cidade. O projeto está em fase de concepção, estamos contratando lojas âncora e satélites e temos certeza de que será um shopping adequado à realidade regional.

O grupo projetava uma expansão do Jequitibá como esta, que praticamente dobra o tamanho do empreendimento?
Sendo franco, nós esperávamos. Eu acreditava muito na expansão. Essa expansão era para ter ocorrido, parcialmente, há três, quatro anos. A gente viu agora essa nova oportunidade. Dobramos o shopping e deu tanto certo que nós temos lojistas em fila de espera, tanto para âncora como lojas-satélites.

Isso significa que o grupo já pensa em outra ampliação?
Justamente, no segundo piso. A nossa idéia é trabalhar nessa outra expansão com um segundo piso com umas 20 lojas-satélites e uma âncora.

Todo investimento que a gente tem feito é em cima de pesquisa. Nós contratamos a melhor empresa do mercado no segmento shopping center.

As pesquisas das quais o grupo dispõe indicam que há mercado para uma segunda expansão?
Acomodando esta expansão de agora, a gente vai analisar, mas acredito que há mercado sim, porque todo investimento que a gente tem feito é em cima de pesquisa. Nós contratamos a melhor empresa do mercado no segmento shopping center. Tudo está sendo feito com total consciência, responsabilidade e a nossa região tem essa demanda.

Agora estão sendo criadas 320 vagas de estacionamento. E como seria numa segunda expansão?
Nós faremos um deck park, com 800 a 1000 vagas de estacionamento.

A primeira expansão será entregue mesmo em 15 de maio?
Fechamos a data e a inauguração será mesmo no dia 2 de junho.

“AZEVEDO É CONTINUIDADE MAL-AMANHADA DE FERNANDO”, DIZ WENCESLAU JÚNIOR

O PCdoB itabunense quer fechar 2011 com o dobro de filiados e nesta sexta-feira (25) promoveu uma reunião com pré-candidatos a vereador já para definir plano de ação visando a disputa de 2012.

O partido definiu que não pensa em ser coadjuvante do processo eleitoral itabunense e quer a cabeça-de-chapa no arranjo de legendas oposicionistas. Falta definir “o nome” para a disputa. E possui três: Wenceslau Júnior, Luís Sena e Davidson Magalhães.

Vereador e presidente do PCdoB itabunense, Wenceslau conversou ao final desta manhã com o PIMENTA. E falou dos projetos do partido, como a legenda definirá o nome a prefeito e também fez avaliação do governo municipal.

A avaliação surpreende não pelo conteúdo, mas pelos adjetivos: ” Capitão Azevedo fracassou. É uma continuidade mal-amanhada de Fernando Gomes”, diz.

Noutro trecho, Wenceslau afirma que o prefeito agiu com covardia ao não entrar com processo de improbidade contra o ex-prefeito e, assim, tirar o município do cadastro de inadimplentes (Cauc).

Confira a entrevista.

A reunião desta manhã é já com foco também na disputa pela prefeitura em 2012?
O PCdoB reafirmou na reunião com os pré-candidatos que o PCdoB terá candidato a prefeito. Há unidade no partido em torno dessa proposta e a necessidade de ousar e apresentar projeto para Itabuna. Este projeto será construído com a comunidade, e não por marqueteiros.

E qual a estratégia do PCdoB para se viabilizar na disputa à sucessão?
Vamos dobrar o número de filiados até o final deste ano. Estamos preparando o partido para a batalha de 2012.

Davidson não esteve por aqui na tradicional procissão de São José e também falta a esta reunião de hoje. A ausência sinaliza algo para 2012?
Ele não esteve por causa da reunião do comitê central do PCdoB e esse processo de saída do [deputado federal] Edson Pimenta. Mas Davidson estará aqui no dia 2, quando faremos uma grande festa de aniversário do partido, na AABB.

Sendo mais direto, o partido já definiu qual será o nome da legenda na disputa?
Essa decisão sairá até o final deste ano, início de 2012.

Quais serão os critérios para definir o nome do PCdoB a prefeito de Itabuna?
O que vai contar é a viabilidade, capacidade de aglutinar. Vamos analisar as pesquisas, ver quem tem maior aceitação e, também, menor rejeição. Outro ponto será ver, ao final do processo, quem possui maior capacidade de atrair mais partidos em torno do projeto, se o companheiro Sena, Wenceslau ou Davidson.

Azevedo fracassou. O projeto não deu certo. É uma continuidade mal-amanhada de Fernando Gomes.

O PCdoB se lança na sucessão pela ambição de crescer ou por que discorda do governo local?
A avaliação nossa é que Capitão Azevedo fracassou. Por mais que se consiga alguma coisa agora, o projeto não deu certo. É uma continuidade mal-amanhada de Fernando Gomes. Há uma necessidade de novo modelo de gestão para Itabuna.

Se existem críticas ao senhor, algumas derivam mesmo das suas ligações com a gestão de Azevedo.
Existiram algumas pessoas que estavam no governo e me ajudaram, de fato, na campanha a deputado estadual, como o ex-secretário Gilson Nascimento. A gente não rejeita apoio. Mas existia um momento em que se podia dialogar e não podemos ser oposição por oposição.

E como se explica essa aproximação?
A aproximação ocorreu também como uma orientação do governo estadual. [Jaques] Wagner buscava o apoio eleitoral de Azevedo no ano passado. Havia um interesse em se aproximar. Mas digo que se Azevedo não veio, a estratégia valeu em 50%, porque se neutralizou a máquina [municipal].

O governo tem que limpar o nome da cidade e ter uma ótima equipe para elaborar projetos, captar recursos.

O senhor fala em construção de propostas, mas quais seriam os caminhos para mudar o quadro?
Pessoalmente, vejo que Itabuna tem dificuldades de captar recursos por problemas na prestação de contas de convênios, recursos. Nós batalhamos para que Itabuna tivesse o projeto Segundo Tempo. E por quê não teve? A cidade tem 13 tipos de pendências no Cauc (Cadastro Único de Convênio), inadimplente. O governo tem que limpar o nome da cidade e ter uma ótima equipe para elaborar projetos, captar recursos na União, Estado e organismos internacionais. Não temos isso hoje.

Como torná-lo adimplente?
Olha, se houvesse maior cuidado e rigidez na aplicação dos recursos nós não teríamos esse problema. Se tivesse esse cuidado, evitava o caos que vivemos na saúde. Evitava, por exemplo, tirar recursos que eram da dengue e fabricam nota para servir a interesses de outras áreas.

Azevedo teria que entrar com ação de improbidade administrativa contra Fernando, mas a covardia o impediu.

Quanto a Itabuna, é algo difícil de resolver?
Acho que não foi ainda solucionado por covardia de Azevedo. Ele teria, por exemplo, que entrar com ação por improbidade administrativa contra Fernando [Gomes, ex-prefeito], mas a covardia o impediu. Não importa, sendo Fernando ou qualquer outro gestor, tem que se fazer o correto.

E quais seriam essas pendências?
Se o município faz prestação de contas dos convênios ou não presta contas, já vai para o Cauc. Por quê Vitória da Conquista teve um boom de crescimento com a gestão de José Raimundo? Ele correu atrás, limpou o nome da cidade, tirou a cidade do Cauc e montou uma equipe para elaborar projetos, captar recursos. Veja o caso de Itabuna. O nosso plano diretor tem três anos e já caducou. Foi feito num momento em que Ferrovia, Porto Sul e outros investimentos ainda não tinham saído do papel.

FÁBIO LAGO: “SE NÃO FOR DO INTERESSE DO ILHEENSE O DESENVOLVIMENTO, SEREI O PRIMEIRO A TIRAR O TIME DE CAMPO”

O ator ilheensee Fábio Lago chegou a Ilhéus na última quinta-feira, 10, com dois objetivos. Um deles foi comemorar o aniversário de 41 anos em companhia de sua família. O outro foi conversar com lideranças locais sobre o projeto do Complexo Intermodal Porto Sul.

Em uma reunião na sede do Sindicato dos Estivadores de Ilhéus, Lago ouviu diversas opiniões tanto sobre o Intermodal quanto acerca do terminal privativo da empresa Bahia Mineração. Particularmente, o artista inclina-se favoravelmente ao empreendimento, defendendo, porém, que ele seja implantado de uma forma que minimize os impactos ao meio ambiente.

Lago disse acreditar na importância dos investimentos que estão chegando a Ilhéus, como forma de dar novas perspectivas à comunidade local. Ele também pretende incentivar um projeto de reflorestamento em áreas degradadas da Mata Atlântica na região.

Sobre esses e outros assuntos (como o engajamento de colegas seus da Rede Globo em uma campanha contra o Porto Sul), Fábio Lago falou em entrevista concedida ao PIMENTA  e ao site JORNAL BAHIA ONLINE.

Há quem afirme que você esteja na contramão do que pensam os artistas da Rede Globo. Muitos já se posicionaram contrários ao Complexo Intermodal Porto Sul, alegando que o investimento traria sérios prejuízos às causas ambientais da região. Por que você decidiu defender o Complexo?
Primeiro não estou na contramão do que pensam os artistas da Rede Globo, porque não sei o que eles pensam, não parei para conversar sobre o Complexo Intermodal Porto Sul. E, segundo, te confesso que acho até normal que atores se engajem em campanhas que dizem respeito ao meio ambiente.  O que me incomodou ao ver a campanha, inclusive eu estava presente no dia que ela foi lançada, é que eles não conhecem profundamente a região em questão, nem o povo envolvido. Como sou filho apaixonado pela minha terra e sendo hoje o único artista que tem uma projeção em nível de imagem no contexto nacional, me senti na obrigação de pelo menos esclarecer o equívoco que a campanha “Porto Sul, não” representa.

Você deixa claro que não pretende ser um protagonista desta discussão, mas que será um ator importante no trabalho de consciência popular. Como você pretende se engajar nesta luta?
Quando digo que não quero ser um protagonista dessa discussão, tenho alguns motivos claros: Não sou ambientalista, não sou um político partidário, não sou técnico em construção de portos, rodovias e aeroportos, sou simplesmente um ator. Um ator popular. Além disso, tenho um dever como cidadão ilheense de me posicionar a respeito de um tema tão importante. Acredito numa nova cultura, numa cultura em que não há um único protagonista. No caso em questão, pretendo, com a minha popularidade, abrir os olhos (que estão fechados em alguns ilheenses) para uma das mais importantes oportunidades de crescimento, não só econômico e cultural, mas humano. Esse é meu maior interesse: o desenvolvimento do ser humano ilheense, elevando sua auto-estima e tentando criar uma consciência de que um indivíduo, mais outro indivíduo, mais um outro terceiro indivíduo, pode formar uma força agregadora que supera qualquer apatia do velho e caquético poder público. Mas para isso é preciso que a sociedade se organize e entenda que só existe um protagonista nessa história: ela mesma.

Achei, no caso da propaganda da Bamin, uma oportunidade incrível de investimento na minha região. Fazia pelo menos 25 anos que nada tão substancial acontecia por aqui.

Há algum tempo você apareceu numa propaganda da Bamin, uma das principais interessadas na consolidação deste projeto. Você não tem receio de te acusarem de estar a serviço da empresa?
Quando decidi ser ator eu tinha 16 anos, e o meu maior mestre, que se chamava Pedro Mattos, um dos maiores ativistas culturais que essa cidade já teve, era homossexual  e  não escondia isso de ninguém. Alguns amigos, alguns familiares e muita gente em Ilhéus torceu o nariz (preconceito puro) achando que eu era gay, porque eu fazia teatro com ele. Só tive o apoio, como sempre, da minha santa Mainha. Se tivesse parado para ouvir o que as pessoas pensavam de mim, eu não estaria aqui dando essa entrevista para você. Não me importo muito com o que as pessoas pensam sobre o que faço. Achei, no caso da propaganda da Bamin, uma oportunidade incrível de investimento na minha região. Fazia pelo menos 25 anos que nada tão substancial acontecia por aqui. Sou um ator. Faço teatro, cinema, TV e campanhas publicitárias em vários lugares do Brasil, mas essa campanha da Bamin era especial porque trazia a oportunidade de uma retomada da auto-estima do meu povo com os investimentos que a empresa prometia. Podia ser a Bamin, podia ser a Bavocê, Baeles, não me importava mesmo qual a empresa em questão. Sentia como artista, que deveria usar a minha imagem para me comunicar com meu povo, mesmo que ela sofresse críticas ou algum desgaste. Não me importo! O que me importa é essa discussão que estamos tendo agora, exercendo o que considero ser a maior conquista da nossa geração: a democracia. A Mata Atlântica nós podemos reflorestar.

O que você acha do movimento dos artistas contrários ao Porto Sul?
Acho um movimento perigoso e, ao mesmo tempo, necessário para essa discussão. Aprendi que, dependendo do ponto de vista, uma única árvore pode esconder uma floresta inteira. Você imagine alguém dizer para você que, num lugarzinho, ali no sul da Bahia, tem uma Mata Atlântica e uns corais que vão ser “destruídos” para construção de um porto que vai transportar minério de ferro. Talvez ouvindo uma afirmativa dessa, sem nenhum conhecimento de causa, cairia no mesmo erro e apoiaria um tipo de campanha como essa. Talvez se fosse para transportar passageiros para Itacaré e baía de Camamu, eles nem fossem contra, porque quando falaram em desmatar a mesma Mata Atlântica para fazer o Aeroporto Internacional de Ilhéus, não ouvi, nem li, nem vi nenhum ambientalista, nenhum artista de projeção nacional vestindo camisa, nem levantando a bandeira contra a construção de tal obra. Com isso, pretendo convidar os meus colegas e ambientalistas que encabeçam a campanha contra esse empreendimento, inclusive Caetano Veloso, que fez críticas ao Porto em sua coluna em um jornal, a virem conhecer a realidade da nossa região, ouvir o meu povo e debater sobre esse assunto aqui dentro da nossa terra, para que eles vejam a calamidade em que esse povo tão generoso se encontra, e ouvir a frase chocante de um jovem ilheense que me disse: “Estudar pra quê?”.

Serei a favor desse empreendimento e lutarei não só com unhas e dentes, mas com o coração e minha alma pelo nosso desenvolvimento humano.

Você acha que te diferencia deles o fato de ser daqui e conhecer como nenhum outro a realidade sócio-econômica da região?
Não tenho nenhuma dúvida disso. E até que meu povo me prove o contrário, serei a favor desse empreendimento e lutarei não só com unhas e dentes, mas com o coração e minha alma pelo nosso desenvolvimento humano.

Você tem um projeto de conscientização ambiental, de reflorestamento de áreas no sul da Bahia. Como pretende desenvolver esta sua proposta? E como engajar a sociedade nela?
É o que vim fazer aqui. Aglutinar. Encontrar atores que se comprometam junto comigo, com você, com toda sociedade para formalizarmos um projeto que visa o desenvolvimento humano. Tentando sensibilizar os empresários, o velho poder público, os líderes comunitários, estudantes, artistas e principalmente as crianças. O reflorestamento de áreas do sul da Bahia, limpeza de praias e manguezais, podem parecer apenas pequenas ações. Mas, meu amigo, eu aprendi a plantar uma árvore e te garanto, é estimulante e revitalizante. Espero que a sociedade entenda que é preciso o desenvolvimento, mas junto com esse vem a responsabilidade e comprometimento de cada cidadão.

A Rede Globo dá sinais bastante claros de que, talvez por interesse de alguns dos seus diretores, é contrária ao empreendimento. Aliás, é rotineiro matéria mostrando o lado negativo do Porto Sul. Você é funcionário da empresa. Não teme nenhum tipo de represália por estar contra ao que ela defende?
Não.

Não tenho interesse, nem autorização do meu povo para ser o defensor público número um de causa alguma. Ao contrário, quero ouvi-los.

Qual o sentimento de Fábio Lago, ilheense, ao abraçar esta causa?
Sentimento de responsabilidade com minha cidade e com o meu povo. Agora, quero deixar bem claro que não sou o único a defender essa causa. Não tenho interesse, nem autorização do meu povo para ser o defensor público número um de causa alguma. Ao contrário, quero ouvi-los. Porque se não for do interesse do povo ilheense o desenvolvimento, serei o primeiro a tirar o meu time de campo, com uma tristeza profunda no peito, mas respeitando o desejo da sociedade.

Que proposta você faria hoje aos artistas, colegas seus, para debater esse tema com mais profundidade e mais conhecimento sobre os dois lados da moeda?
Tive a impressão que alguns dos meus colegas de profissão que aderiram a campanha, não sabiam nem do que se tratava o projeto intermodal Porto Sul, pois, por acaso, estava presente no dia em que a campanha “Porto Sul, não”, foi lançada.  E eu questionei a um deles: Você conhece Ilhéus? A resposta foi clara: Não! Então, a proposta que faço é que venham debater sobre o tema e conhecer o povo mais acolhedor que eu conheço. O povo mais “boa praça” que eu conheço e muitas vezes, numa grande maioria, até apático. Esse último me incomoda profundamente. Acho que eles esqueceram de como eram corajosos e aguerridos nossos antepassados, quando expulsaram daqui os holandeses e os corsários franceses que queriam usurpar nossos bens e nossas riquezas. E é nessa força que estou apostando minha reputação, meu empenho e meu entusiasmo. Juntem-se a nós.

Essa é a maior ou talvez a última oportunidade de esperança de desenvolvimento humano que essa geração poderá ter nos próximos anos.

Em uma pequena frase, gostaria que você definisse o que representam estes investimentos para o povo daqui da região.
Quero deixar claro também que isso não será a salvação da lavoura, mas com o aumento da arrecadação, possivelmente surgirão novos empregos, aumentarão as perspectivas e auto-estima dos jovens, diminuirá a violência desenfreada, aumentará a qualidade de vida da população. Essa é a maior ou talvez a última oportunidade de esperança de desenvolvimento humano que essa geração poderá ter nos próximos anos.

GERALDO: “PERDEMOS EM 2008 PORQUE A NOSSSA EQUIPE DE MARKETING FOI MUITO RUIM”

Além de enfrentar a resistência do antigo aliado, o PCdoB, o PT itabunense também enfrenta turbulência interna com o desejo do vereador Claudevane Leite de ser o nome petista na sucessão de 2012. Até então, Juçara Feitosa ou Geraldo Simões eram os nomes que figuravam internamente, apesar de insatisfações publicamente já conhecidas.

O PIMENTA ouviu o deputado federal Geraldo Simões sobre essa disputa interna, o desejo do PCdoB de ser o cabeça de chapa do consórcio com o PT em 2012 (é isso ou divórcio…), a gestão municipal, os arranhões na imagem do parlamentar e da esposa e novamente prefeiturável, Juçara Feitosa.

O parlamentar também faz uma análise da derrota sofrida pela esposa, Juçara Feitosa, em 2008. E atribui o insucesso à equipe de marketing, que “foi muito ruim”. Confira abaixo:

2012 é “ali” e dentro do PT fala-se em três nomes: o seu, o de Juçara e o de Vane. Como ficará a situação de Vane, que pode até sair do partido para candidatar-se a prefeito?
Ele conhece as regras do partido. Elas valem para Lula, Juçara, para ele, para qualquer um petista. Quando se tem mais de uma candidatura, fazemos a prévia e os vencidos têm que acatar [o resultado dela]. Não se pode impor. Agora, se não concordo em ir para as prévias, procuro um partido que me garanta a candidatura.

O PT abriria mão de Vane sem buscar o mandato do vereador?
Se até casamento se desfaz, imagine filiação partidária. Falando por mim, eu não tomaria o mandato.

O senhor não entrará na disputa, não pensa em ser candidato a prefeito?
Olha, Lula ganhou na quarta eleição e não perdeu aliados. Todas as eleições que perdemos nós fomos bem. Itabuna perdeu oito anos com os últimos resultados daqui. Como a gestão está muito ruim, todos acham que eu devo ser candidato. Não sei se isso resolve.

Mas qual será seu posicionamento?
Pra mim, o que resolve é a articulação de forças políticas que devem contar muito com os governos federal e estadual. Mas não basta ser apenas aliado. Isso é importante, mas não é suficiente. São mais de 5,5 mil municípios, e mais de 4 mil são de prefeitos da base. E com a criação do PDB isso tende a aumentar ainda mais.

O PCdoB tem todo direito de ter candidatura. Mas você viu os números [da pesquisa Compasso]?

Quando o deputado cita articulação de forças, deve ter em vista que o PCdoB fala em voo solo. E aí?
O PCdoB tem todo direito de ter candidatura. Mas você viu os números [da pesquisa Compasso]? Deve-se ter em mente qual é o objetivo: o que querem é o crescimento do partido ou a recuperação da cidade? A cidade só tem perdido ao longo desses seis indo para sete anos nas mãos do DEM. Vamos insistir na aliança com o PCdoB, com o PPS, PP, PSB, com um conjunto de forças, para 2012.

Mas o PCdoB quer a cabeça de chapa. O PT topa ceder dessa vez?
Mas ceder como? Com estes números que temos hoje? Juçara é a primeira na pesquisa [Compasso]. Para ceder a cabeça de chapa, creio eu, teríamos que ser superados. O PT é o primeiro partido na preferência do eleitor. 26,7% preferem o PT em Itabuna. O segundo é o DEM, com 4,7%. O PCdoB tem 0,4%.

Apesar das intenções de voto, há também rejeição alta tanto em relação ao seu nome como ao de Juçara.
Essa rejeição alta foi na eleição de 2008. Hoje não é mais assim. Pode consultar qualquer pesquisa. E o que dizem de Juçara: “ah, ela é durona”. E de mim, dizem que sou ficha-suja e não cumpro acordo.

Olha, veja essa questão de Juçara. É igual a Dilma. Por que perdemos a eleição de 2008? Perdemos porque a nossa equipe de marketing foi muito ruim.

Mas as urnas…
Olha, veja essa questão de Juçara. É igual a Dilma. Por que perdemos a eleição de 2008? Perdemos porque a nossa equipe de marketing foi muito ruim. Os adversários diziam que Juçara não gostava de pobre e era durona. Mas quem foi que implantou os principais programas sociais de Itabuna? Quem criou o Alimenta Itabuna? Além disso, executamos ações para redução da violência entre os mais jovens.

O senhor insiste com Juçara. E Vane, estaria sendo desprezado?
Não, não estou desprezando, mas há uma provocação sistemática da outra parte. O que se tem é que colocar o nome para que o partido decida, via prévia, quem será o candidato.

O senhor falou de Juçara, mas o que responde em relaçã ao estigma de político ficha-suja e que não cumpre acordos?
Olha, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já deixou claro que não sou ficha-suja. Fui reeleito deputado. Na análise das minhas contas não há condenação por superfaturamento ou por obra que não foi feita.

Ubaldo rompeu comigo [no segundo mandato] e aí fui obrigado a tirar os cargos. Mas nunca tirei salário, carros e diárias dele, como outros já fizeram.

E, afinal, o senhor cumpre ou não cumpre acordo?
Qual acordo que não cumpri? Queria saber. Se você pegar Xavier, ele me ajudou na eleição [de 1992], foi meu vice e foi comigo até o final. Ubaldo rompeu comigo [no segundo mandato] e aí fui obrigado a tirar os cargos. Mas nunca tirei salário, carros e diárias dele, como outros já fizeram. E o que ele queria? Queria ser secretário de Saúde, mas eu priorizei Renato Costa, indicando Edson Dantas para a Pasta. Todos os partidos que me ajudaram a ganhar eleição, tiveram cargos no governo.

O senhor foi tachado de “inadimplente da palavra” justamente por não cumprir acordos. E quem assim o rotulou foi o ex-deputado Renato Costa.
Mas como inadimplente? Eu fiz tantos acordos, e cumpri todos. Agora, digo que nós temos um partido credenciado para administrar a cidade e já o fez por duas vezes. Temos hoje presidente da República, governador de Estado e uma candidata preparada para desenvolver este trabalho aqui.

Então, o senhor insiste no nome de Juçara?
O que tinham contra Juçara em 2008 era o preconceito contra a mulher, que também se manifestou contra Dilma, mas a equipe da presidente foi mais capaz do que a nossa para rebater isso. Era preconceito contra a mulher, que está se reduzindo com o bom início de gestão de Dilma. E isso vai ajudar [Juçara, em 2012].

Hoje a realidade é outra e será muito importante mostrarmos o que Juçara fez enquanto secretária de Desenvolvimento Social

Então o senhor descarta participar como candidato?
Nessa situação e com os números que as pesquisas mostram, com Juçara liderando largamente? Dificilmente o cenário se alteraria com o meu nome na disputa. Hoje a realidade é outra e será muito importante mostrarmos o que Juçara fez enquanto secretária de Desenvolvimento Social. Ela deu um show de competência administrativa.

E qual será a prioridade do seu novo mandato?
Nós temos defendido junto aos governos três ações que se complementam: a criação da universidade federal em Itabuna, do pólo têxtil e do distrito industrial de Itabuna. A nossa cidade precisa ser compensada pelos grandes investimentos que estão sendo feitos em Ilhéus. Eu defendo uma universidade federal multicampi.

O polo têxtil ainda vem, mesmo após três anos de discussões?
É uma das prioridades do meu mandato. Há pressões de grupos para que o pólo vá para o Oeste ou Salvador, assim como existem grupos pressionando para que seja instalado em Conquista. Por A mais B, estamos provando que Itabuna é o melhor lugar, tanto pela logística como pelo apelo de termos aqui uma grande indústria, que é a Trifil. Agora, o Distrito Industrial não será algo mambembe, não. Teremos que criar espaço e condições para atrair grandes empreendimentos. Ou se faz isso, ou Itabuna ficará de fora de todo esse processo que começa a ocorrer em Ilhéus.

CAETANO: “VAMOS DEMONSTRAR QUE É POSSÍVEL RESOLVER OS PROBLEMAS”

Amigo do governador, Caetano diz que UPB não será entidade chapa-branca (foto José Nazal)

Duas eleições tranquilas ocorrerão esta semana na Bahia. Sem grande dor de cabeça, o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, do PT, será eleito no próximo dia 27 como o novo presidente da UPB (União dos Municípios da Bahia). É candidato de consenso, após ter perdido por 12 votos em 2009. Outro que vencerá sem disputa é o prefeito de Ibicuí, Cláudio Dourado (PTB), candidato único à presidência da Amurc (Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia).

Caetano e Dourado se reuniram com 21 prefeitos sul-baianos na noite deste sábado, 22, em um jantar no Hotel Jardim Atlântico, em Ilhéus. No encontro, falaram de uma nova agenda para o municipalismo, do fortalecimento da luta pela reforma tributária e da consolidação dos territórios.

O prefeito de Camaçari defende uma UPB renovada e incorpora bandeiras como a luta pela distribuição dos royalties do pré-sal com base no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos municípios e a implantação de cursos de capacitação profissional no interior da Bahia.

O PIMENTA compareceu ao encontro e bateu um papo com Caetano sobre a eleição mais fácil da vida dele. Confira abaixo:

PIMENTA – O senhor tem pregado uma UPB mais forte e incisiva na defesa do municipalismo. Como está sendo formatada essa nova União dos Municípios?

LUIZ CAETANO – Nós estamos formatando um novo modelo de municipalismo, a luta do novo municipalismo. Estamos construindo essa nova agenda, em função de que o município de hoje não é como o da época de Lomanto Júnior, ou de outras épocas atrás. Hoje, com a globalização, a internet, a criação dos territórios, as novas leis, tudo mudou bastante.

PIMENTA – Mudou em que sentido?

CAETANO  – Por exemplo, hoje nós temos que pensar mais no território, o prefeito não pode ficar com a cabeça só no município, ele tem que estar unido em seu território com os outros prefeitos para que ele seja um líder regional e trabalhe regionalmente. Observe que são poucos municípios que podem fazer um aterro de lixo, e ainda tem a questão do transporte, da segurança pública, o problema ambiental, o desenvolvimento econômico com sustentabilidade… Essas questões todas precisam ser trabalhadas dentro de um perfil mais amplo e, para isso, nós precisamos de nossa entidade fortalecida. Ela precisa se comunicar, ter um sistema de comunicação, precisa ter uma estrutura para ajudar o conjunto dos gestores  a capacitar suas equipes. Por isso eu quero construir a escola de gestores, a escola de governo junto à UPB.

PIMENTA – E o que fazer para oxigenar o caixa dos municípios, já que quase todos estão sem recursos sequer para o custeio?

CAETANO – Nós não podemos deixar de lado a luta pela reforma tributária, a luta pela distribuição dos royalties do pré-sal, que deve ocorrer com base no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e não apenas para os estados produtores. Tudo isso está lincado com o discurso da (presidenta) Dilma. Se ela quer erradicar a miséria, nós vamos entrar com a agenda positiva para que isso possa de fato acontecer em nosso país.

Será uma relação elegante. Nós não vamos ser entidade chapa-branca, seremos independentes (sobre a relação da UPB com o governo Wagner).

PIMENTA – Mesmo após o governo Lula, ainda persiste essa queixa com relação à divisão do bolo tributário. Isso nos leva a entender que o presidente mais popular da história do país não foi assim tão bom para o municipalismo?

CAETANO – Lula ajudou muito os municípios e a maior conquista é a relação que passou a existir entre o poder central e o poder local. Lula fez a relação direta. Existe município que recebe mais recursos do Bolsa Família do que registra de arrecadação. Há uma relação mais direta e a tendência é cada vez mais descentralizar porque o cidadão mora no município. Então cada vez mais a federação vai ser o município. O que nós precisamos para ter essa independência maior? Reforma tributária, distribuição dos royalties do pré-sal. Vamos construir essa agenda e não é só gritando, brigando. É gritando, brigando, mas apresentando solução, demonstrando como é possível resolver os problemas.

PIMENTA – O senhor coordenou a campanha do governador Jaques Wagner à reeleição. Como será a relação entre a UPB e o governo?

CAETANO – Será uma relação elegante. Nós não vamos ser entidade chapa-branca, seremos independentes. Vamos nos mobilizar e criar um canal de negociação com o governo. Nós queremos fazer as escolas regionais de capacitação profissional e buscaremos a contrapartida do Governo do Estado, do Governo Federal. Queremos criar grupos de projetos para ajudar regionalmente os municípios e vamos precisar da ajuda do Estado e da União. Vamos realizar um grande seminário de planejamento, para não ficar com a agenda só de acordo com a cabeça do presidente. Ela deve ser fruto de um conjunto, que é esse movimento do novo municipalismo da Bahia.

PIMENTA – O senhor falou que foi uma maravilha construir uma chapa de consenso, mas que agora está complicado fechar a composição da chapa. Como está sendo esse processo?

CAETANO – Tem mais candidato a candidato do que vaga, mas esse é um bom problema. Isso mostra que o nosso discurso e que a nossa proposta estão empolgando e mobilizando as pessoas. É por isso que elas querem compartilhar. Eu deixei por último (o fechamento da chapa) exatamente por isso. Para o prefeito sentir que quem tem de ir pra lá é quem tem condição de dedicar um tempo maior, pra gente botar pra frente, botar pra brilhar.

PIMENTA – Já tem uma data prevista para o fechamento dessa composição?

CAETANO – Até terça-feira a gente tem que fechar, porque quarta tem que registrar.

PIMENTA – Como será a participação do sul da Bahia na chapa? A região terá duas vagas?

CAETANO – Teremos participação de praticamente todas as regionais, mas é um pouco complicado ter duas vagas. A indicação está sendo feita pela própria regional, sem a nossa interferência. Agora, repito: quem for pra lá, vai sabendo que terá de fazer alguma coisa e terá de prestar contas do que está fazendo. Cada integrante vai ter que dar plantão na UPB, pelo menos uma vez na semana.

FORMIGLI REBOUÇAS CRITICA FALTA DE SENSIBILIDADE DE AZEVEDO COM OS MAIS POBRES

O professor José Formigli Rebouças deixou ontem o comando da Secretaria de Assistência Social após dois anos e 18 dias no cargo. Saiu alegando boicote do prefeito Capitão Azevedo (DEM). “Os projetos que a gente propunha ele não deixava [executar]”. A pasta será comandada por Marina Santos, ex-auxiliar de Formigli.

Ontem à noite, o ex-secretário concedeu entrevista ao PIMENTA e revelou que a prefeitura devolveu recursos ao governo federal por não ter implantado projetos sugeridos pela sua equipe. Sobre a sua passagem pelo governo, avalia: “foi uma experiência boa, mas frustrante porque não tive apoio”.  Acompanhe os principais trechos da entrevista.

O que provocou a exoneração do senhor?
O prefeito está procurando os políticos e oferecendo as secretarias. No nosso caso, foi o [deputado estadual eleito, Coronel] Santana, que exigiu colocar lá uma pessoa dele, a Marina. Ele já entregou a Saúde ao [Augusto] Castro e a nossa secretaria ao Santana.

Como o prefeito lhe comunicou sobre a mudança?
Alegou que está em dificuldades financeiras e disse estar precisando da ajuda dos deputados. Esses deputados prometeram recursos. No entanto, dizem que têm que estar lá com pessoas deles. No nosso caso, foi o Santana que colocou a Marina.

O senhor ficou surpreso com esta decisão?
A exoneração não me pegou de surpresa, pois já esperava por isso. Eu não trabalhei na campanha dele e fui lá porque Azevedo tinha compromisso com uma pessoa que sugeriu o meu nome. Fui lá tentar fazer alguma coisa, mas não tive apoio de maneira nenhuma.

Tudo que a gente propunha, o prefeito não deixava [executar].

O prefeito não o apoiou?
Absolutamente. Tudo que a gente propunha, o prefeito não deixava [executar].

E qual a justificativa do governo?
Dou exemplos: apresentei projetos, parcerias para acabar com a mendicância e tirar o pessoal das ruas, mas nada disso foi aceito. O prefeito alegava sempre que não tinha recurso. No ano que passou, nós tivemos a oferta de mais um CRAS, para duplicar esse trabalho do Pró-Jovem e tudo isso foi rejeitado pelo prefeito sob a alegação de que não poderia contratar mais pessoas e não tinha recursos, mas nós devolvemos recursos ao governo federal.

Desde quando assumiu, o senhor nunca teve apoio do prefeito?
No começo, houve alguma manifestação. Muito pouca, mas normalmente não tive. O projeto que ele apoiou foi só o Bolsa-Renda, que era uma proposta que ele mesmo inventou [na campanha eleitoral]. Fora disso, não aconteceu.

Eu me sinto muito frustrado justamente porque ele não aceitava os projetos que apresentávamos, mesmo tendo recursos federais.

De toda a sua passagem, o que mais o deixou triste?
Eu me sinto muito frustrado justamente porque ele não aceitava os projetos que apresentávamos, mesmo, às vezes, tendo recursos federais. Sempre alegava a mesma coisa: falta de dinheiro, isso e aquilo.

A Casa dos Conselhos foi um desses projetos?
Nós batalhamos muito pela Casa dos Conselhos. Ele nos deu uma área, no antigo campo de aviação [aeroporto]. Quando estávamos terminando o projeto, ele embargou e alegou que vai usar aquilo ali para o Samu 192.

O Samu vai mudar do centro para lá?
Diz ele que vai mudar sim. Não se sabe quando. Chegou aí o novo secretário de Saúde e o prefeito está dando tudo que ele pede. Passaram por cima da gente.

Trabalhei com a Marina por muito tempo, mas sabendo que ela estava sempre querendo a secretaria.

O senhor se sentiu traído pelo prefeito?
Eu não digo que fui traído. Não fui apoiado. Conforme eu disse ontem lá na despedida, na minha secretaria havia a figura da Marina, que foi uma pessoa muito importante para a eleição dele e que tem uma penetração muito grande nos bairros. Ela tinha a certeza que a secretaria seria dela. Mas houve aí uma arrumação. Então, trabalhei com a Marina por muito tempo, mas sabendo que ela estava sempre querendo a secretaria. Agora que ela fez um esforço muito grande pela eleição do Santana. Ela, com o apoio dele, assumiu a secretaria.

O senhor foi convidado para outro posto no governo?
Não.

E se fosse convidado?
Olha, dependeria muito da circunstância, porque você sabe que gato escaldado tem medo de água fria. Então, a gente precisaria pensar duas vezes. Não seria muito agradável trabalhar ali naquele ambiente.

Falta sensibilidade das pessoas lá para com essas necessidades, carências da população, principalmente a parcela mais pobre.

O senhor se arrepende de ter trabalhado no governo?
Não digo que me arrependo porque o trabalho em si é algo dignificante, principalmente com as pessoas mais carentes. Tive lá uma equipe muito boa e pessoas dedicadas e com as quais me dava muito bem, inclusive com a Marina. Foi uma boa experiência, mas frustrante porque não tive o apoio. Falta sensibilidade das pessoas lá para com essas necessidades, carências da população, principalmente a parcela mais pobre, gente de rua, as abandonadas. Às vezes, não é tanto o dinheiro. A alegação do dinheiro não convence.

Por que o senhor só preferiu falar agora sobre esses problemas?

Não estou falando só agora, mas há muito tempo. Digo que trabalhar na Assistência Social em Itabuna é como dar murro em ponta de faca. Então, existe essa alegação da falta de recursos. Realmente a prefeitura chegou a uma verdadeira falência. O prefeito sempre falava em modificações, melhoras. A gente vai esperando, esperando, mas de um tempinho para cá não tínhamos esperança e estava esperando a qualquer momento essa mudança. Eu não tinha ilusão de que iria continuar.

ENTREVISTA COM ROBINSON ALMEIDA, ASSESSOR-GERAL DE COMUNICAÇÃO DA BAHIA

“Nós entendemos comunicação como política pública”

Em um bate-papo com o PIMENTA, o assessor-geral de Comunicação Social do Governo da Bahia, Robinson Almeida, fala sobre as expectativas para o segundo mandato do governador Jaques Wagner e afirma que existe hoje mais unidade nas alianças políticas firmadas em torno do poder no Estado. Para o assessor, a relação tende a ser menos fisiológica e mais programática, calcada na liderança do governador.

Almeida aborda também questões sensíveis, como a situação da saúde, segurança e sistema carcerário, comenta sobre o desejo do Estado de assumir a gestão do Hospital de Base de Itabuna e dos serviços municipais de água e saneamento (diz que só depende do prefeito) e, naturalmente, defende o atual modelo de comunicação do governo, que se constitui em política pública..

Vários outros assuntos foram tratados nessa conversa, a exemplo das obras tão esperadas pela região sul da Bahia, como a Ferrovia Oeste-Leste, Porto Sul e duplicação da rodovia Ilhéus -Itabuna. Segundo o assessor, todos esses projetos serão concluídos neste mandato do governador Jaques Wagner.

PIMENTA – Nós temos hoje na Bahia um cenário político bem diferente de 2006. Naquele ano, Wagner ganhou como uma surpresa e ainda existia uma oposição com certa solidez. Hoje, temos o PT fortalecido e a oposição em processo de desmonte. Como você vê esse quadro?
Robinson Almeida – Nem o mais otimista dos petistas poderia imagina um cenário como esse. Nesses últimos anos, nós assistimos ao fim de uma oligarquia, de um modelo político que dominou o nosso Estado por décadas, e o surgimento e a consolidação de uma nova hegemonia, que a gente tem chamado de revolução democrática e tem a liderança do governador Jaques Wagner e do PT. A eleição agora de 2010 foi a afirmação desse projeto. Praticamente dois em cada três eleitores votaram na chapa Wagner e Otto [Alencar]. A maioria na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, os dois senadores, a vitória esmagadora de Dilma no primeiro e no segundo turno no Estado. Tudo isso resulta da consolidação dessa nova hegemonia, dessa nova forma de governar.

PIMENTA – Em relação às composições com os aliados, o que ficou de lição?
RA – Você tinha um cenário em 2006 no qual o fator de união e composição era o misto de um programa inspirado no programa do presidente Lula e também a unidade política de oposição ao sistema anterior. Isso foi o que consolidou a aliança de 2006. Em 2010, o que consolidou a aliança foi a identidade programática e o apoio à liderança do governador Jaques Wagner. Houve um processo efetivo do PMDB de estar na eleição de 2006 e depois tentou uma carreira solo que se demonstrou inviável na atual conjuntura baiana. Então eu acho que a aliança atual é muito mais sólida, muito mais calcada no programa e na liderança do governador, e com a perspectiva de ter mais unidade nesse futuro mandato que começa agora em 1º de janeiro.

PIMENTA – Essa unidade não será ameaçada pela disputa em torno da sucessão do próprio Wagner?
RA – Esse é um elemento que vai sempre contribuir para uma espécie de tensão no governo. É natural que todos os aliados busquem apresentar alternativas de condução desse bastão que será passado pelo governador Jaques Wagner. É natural que o PT se apresente para ser o condutor, assim como o PDT, o PP, o PCdoB, o PSB… Agora, acho que deverá prevalecer a unidade programática e o respeito à liderança do governador Jaques Wagner como principal condutor do processo político.

PIMENTA – Na transição federal, fala-se que Wagner optou por indicar menos ocupantes de cargos e priorizar a reivindicação de obras para a Bahia, mas os críticos afirmam que o governador está sem prestígio…
RA – A tradição política brasileira e baiana diz que governador forte é aquele que indica seus próprios ministros.Foi assim com Antônio Carlos, o Jutahy (Magalhães Jr.) chegou a ser ministro, o próprio Geddel (Vieira Lima), mas na prática essas indicações não se traduziram em investimentos para o Estado. Você às vezes tem a posição em uma área, mas não tem a capilaridade no conjunto do governo, que possa, no seu somatório, ser maior do que a presença em uma área. O governador fez uma opção estratégica, que foi a combinação dessas duas dimensões: ter presença em algumas áreas, mas não perder em hipótese alguma a capilaridade a partir da interlocução com a presidente eleita.

Claro que não tem sentido a ferrovia sem o porto, de modo que acreditamos que essas duas obras andarão em compasso para que a atividade econômica se instale em sua plenitude.

PIMENTA – Então é uma estratégia…
RA –
Sim e acho que essa estratégia está dando certo, porque o cenário que se apresenta é o governador e a Bahia com uma presença no Ministério das Cidades, com o deputado Mário Negromonte (PP). É um ministério que tem ações na área da infraestrutura urbana e mexe muito com a população que mora nas grandes cidades baianas; uma presença na condução da principal empresa estatal do Brasil e uma das maiores do mundo, a Petrobras, com o José Sérgio Gabrielli; no Ministério do Desenvolvimento Agrário, com a indicação de Lúcia Falcón, uma baiana que trabalhou com o governador no início da sua carreira e certamente terá uma interlocução com todo o Nordeste e a Bahia em particular; também na Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, com Luiza Bairros, atual secretária da mesma pasta no governo baiano.

PIMENTA – Isso significa que agora é só aguardar a realização dos projetos…
RA –
O cenário está se montando no sentido que o governador, a Bahia e as forças políticas do Estado ocupem espaços importantes no Governo Federal, mas sem deixar de de manter uma relação com a presidente Dilma, a fim de que os projetos estruturantes, que importam investimentos para o Estado, como foi agora a Ferrovia Oeste-Leste, como vai ser com o Porto Sul, e as intervenções na área de saneamento, de habitação, continuem em intensidade e possam melhorar as condições para o desenvolvimento econômico e social da Bahia.

PIMENTA – Com relação ao Porto Sul, ainda há pendências com relação ao licenciamento ambiental.
RA – O presidente da República, em sua última viagem à Bahia, estimou para o primeiro trimestre do ano que vem a possibilidade de resolução das questões ambientais. Então, esse é o prazo com o qual nós estamos trabalhando, até porque nós vamos começar a construção da ferrovia no trecho Ilhéus – Caetité e a principal operadora desse trecho, que é a Bahia Mineração, precisa da licença para a construção da parte privada do porto e assim poder exportar o minério que será extraído em Caetité. Claro que não tem sentido a ferrovia sem o porto, de modo que acreditamos que essas duas obras andarão em compasso para que a atividade econômica se instale em sua plenitude. Além das questões estruturantes, que não são pequenas, é bom salientar que esse complexo é a maior obra de infraestrutura da história da Bahia e vai alterar o nosso modelo de desenvolvimento. Nós vamos interiorizar o desenvolvimento, ativar cadeias produtivas no agronegócio, na mineração, com a possibilidade de criar uma zona industrial aqui na região, porque temos o Gasene. Então, nós vamos alterar aquele modelo centralizado na Região Metropolitana de Salvador e trazer desenvolvimento para o interior do Estado.

PIMENTA – O governo é criticado por não investir em Itabuna. Isso vai mudar no segundo mandato?
RA – Nós teremos uma atuação com mais densidade em Itabuna, na questão social e das carências locais. Além disso, acredito que teremos a duplicação da BR-415 e isso contemplará tanto Itabuna como Ilhéus. É uma obra estruturante regional importante, que vai se agregar a esse complexo (Porto Sul) e melhorar a trafegabilidade na região. Vamos ter também a barragem construída na região de Itapé para resolver a situação do abastecimento de água, que é crítica. E tem ações que dependem muito do comportamento do poder público municipal. Por exemplo, os problemas na área de saúde. O Governo do Estado topa assumir o Hospital de Base e resolver uma questão que se torna cada vez mais complicada e prejudicial à população. Além disso, há o interesse em estadualizar os serviços de água e saneamento, passando a ter uma eficiência na oferta desse serviço fundamental. A viabilidade de parceria com o poder público municipal é que irá também possibilitar uma presença maior do Governo do Estado.

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PASCOAL: “SE EU VOU NA DELEGACIA, SERIA PRESO”

O diretor de Obras da prefeitura de Itabuna, José Pascoal Alves de Brito, é tido como homem de confiança do prefeito Capitão Azevedo (DEM). No sábado 13, caiu em desgraça quando a polícia apreendeu um caminhão na rodovia Ilhéus-Itabuna, carregado de material. A carga era transportada para a casa de praia do diretor de Obras.

Pascoal concedeu uma entrevista ao PIMENTA. Ao se defender, disse que existe um grupo que está “armando” contra ele. Diz que o material de construção apreendido lhe pertence. Ou foi comprado por ele ou é fruto de doação, feita há mais de 60 dias. As notas de doação e fiscal o desmentem, pois foram emitidas há menos de 30 dias. Acompanhe a entrevista em que sobrou até para o secretário de Administração, Gilson Nascimento.

O sr. é acusado de desvio de material. Como o sr. explica essa situação?
O material é meu e provo isso com as notas. Não tinha bloco em cima de caminhão. Havia pedaço de bloco que foi doado a mim. Há mais de 60 dias que esse material estava guardado.

Como o sr. explica um caminhão guardado na prefeitura, mesmo pertencendo a particulares?
Esse caminhão não é da prefeitura. Ele presta serviços [ao município]. No fim de semana, ele estava disponível. Eu carreguei o caminhão [na ADEI] porque o motorista não tinha como guardar na casa dele. De manhã, carregamos o veículo e o motorista viajou.

E aí acontece a prisão.
É. Meia hora depois eu tô sabendo que o caminhão foi apreendido. Mas eu estava com as notas. O pessoal foi preso injustamente. As pessoas não tinham nada a ver, estavam apenas ajudando. Eram três pessoas, exclusive (sic) um de menor.

Eu considero isso uma ação criminosa e irresponsável. Tenho certeza que o relatório não terá nada que me comprometa.

Houve armação?
Se eles dizem que estavam me investigando, eu considero isso uma ação criminosa e irresponsável de quem provocou. Tenho certeza que o relatório não terá nada que me comprometa, pois sempre honrei o meu nome. Não tem nota fiscal nenhuma que prova que a prefeitura mandou pra lá.

O senhor fala em armação, mas quem teria o interesse de prejudicá-lo?
Eu não posso citar nomes, porque eu não tenho provas.

Existe disputa entre o senhor e o secretário de Obras, Fernando Vita?
Não. Eu sempre me dei bem com o secretário. A imprensa está aí dizendo que isso tem a participação do secretário Gilson. Eu quase fico sem acreditar porque a minha relação com ele é muito boa.

Como assim?
Todos os pedidos que o secretário fez a mim, eu atendi. Eu tenho bilhetes lá, assinados por ele, com pedidos de materiais fabricados nessa marcenaria comunitária. Eu quero que essas pessoas prova (sic) que a prefeitura comprou material e colocou lá.

Meu salário é de R$ 3 mil. Eles ganham muito mais do que eu e ficam colocando essa imagem triste em cima do cidadão.

Então, o sr. seria inocente?
Eu tenho consciência de que eu não fiz nada de errado. Meu salário é de R$ 3 mil. Eles ganham muito mais do que eu e ficam colocando essa imagem triste em cima do cidadão. Sábado, se eu vou na delegacia, eu seria até preso. Eu sou inocente. Falo isso com muita consciência.

O material apreendido era todo para a casa de praia?

Não era ainda para concluir, mas para fazer três paredes para cobrir [a casa na zona norte de Ilhéus]. Num canteiro, eu tenho telha e material usado para fazer cobertura para ver se eu posso rebocar e passar o  final de ano lá.

O sr. citou o nome do secretário Gilson. O sr. acha que ele tem participação nesse caso?
Não posso confirmar, até pela relação que nós sempre teve (sic). Eu acho um absurdo que Gilson tenha planejado isso. A Justiça vai apurar. Se foi ele, ele vai ter que pagar o preço. Eu confirmo que a ação foi irresponsável, criminosa. A imprensa tá dizendo que foi ele quem fez a açaão. Eu não quero acreditar nisso.

O senhor teve algum contato com o secretário após o episódio?
Não. Eu não quis me manifestar. A gente nesse momento fica muito abatido, abalado.

O senhor se reuniu a portas fechadas com o prefeito. Qual foi o teor dessa conversa?
Eu falei com ele por telefone. Ele falou que eu estava afastado do canteiro (ADEI) e disse que depois da apuração a gente conversaria. Ele é o gestor e tem que apurar mesmo. Eu tenho certeza que a verdade vai prevalecer.

O secretário [Vita] deu entrevista dizendo que a [obra da] Cinquentenário não tinha nada a ver com ele.  O secretário abandonou a obra.

O senhor era tido por Azevedo como um homem de confiança. Com essa denúncia, como é que o prefeito está lhe vendo nesse momento?
A colocação não é bem essa. O prefeito entendeu no cidadão Pascoal o profissional cuidadoso e dedicado. Ele me deu condição de trabalho. Para você ter ideia, o secretário [Fernando Vita, da Sedur] deu entrevista dizendo que a [obra de revitalização da avenida do] Cinquentenário não tinha nada a ver com ele.  O secretário abandonou a obra. Eu e minha equipe assumimos a obra. Pascoal é o homem de ação do prefeito. Enquanto alguns secretários iam descansar, Pascoal estava na rua.

O senhor acha que retorna ao cargo?
Quem põe a mão no arado não pode olhar para trás, tem que olhar pra frente. Voltar ou não vai depender do prefeito.

Mesmo sendo investigado há quatro meses, o senhor sustenta que é inocente?

Essa coisa de que eu estava sendo investigado… Como é que vai investigar um homem que está no campo acompanhando “pião”? Isso é mais uma versão para criar uma nova armação. Isso não procede.






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