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:: ‘Entrevistas’

“CHEGA DESSA SEQUÊNCIA DOS XAVIER NO ITABUNA”, DIZ EX-TREINADOR

Beto Oliveira talvez seja dos nomes mais injustiçados na história do Itabuna Esporte Clube. Foi ele quem comandou a equipe em 2002, na campanha vitoriosa no Acesso, e que levou o time à semifinal do Baianão em 2003. Ele diz que a família Xavier contribuiu muito para o clube, mas está na hora de renovação.

Ainda lembra que seu nome circulou entre os cogitados para treinar a equipe em 2010. Houve veto de dois dirigentes do clube. Beto acredita que há perseguição contra a sua família. Mas nada o deixa mais triste por esses dias do que a notícia do rebaixamento do clube.

Ao final da tarde de ontem, o Pimenta conversou com Beto Oliveira, por telefone. Direto de Porto Seguro, ele falou o que anda fazendo na Terra do Descobrimento e relembrou a sua história como técnico de futebol, carreira recente que tem na galeria títulos de campeão do Intermunicipal em 2001 e 2004 e as boas campanhas no Itabuna.

Como está o planejamento de Porto para o Intermunicipal?

A seleção está quase toda montada. Estamos agora fazendo uma triagem de jogadores abaixo de 23 anos. Nosso planejamento é para sermos campeões. Em 2009, ficamos em terceiro lugar e por pouco não disputamos o título. Nesse ano, iríamos disputar o Acesso, mas os custos para uma nova equipe no profissional ficariam em 200 mil reais só para registrar na FBF (Federação Baiana de Futebol) e na Confederação Brasileira de Futebol.

Só para registrar?

Fizemos os cálculos e daria mais ou menos isso, excluindo os gastos mensais. Tem outras taxas que não me lembro aqui agora. Hoje, é mais viável comprar um time e disputar a Segundona. Mas Porto se prepara para jogar o Acesso no ano que vem.

Pequenos e médios municípios investem cada vez mais para disputar o Intermunicipal.

Em Porto Seguro, por exemplo, o investimento é de cerca de 30 mil reais, por mês. O time está quase formado, tem comissão técnica. A estrutura é de time profissional. A gente so não arrecada. Três jogadores saíram daqui pra jogar na Seleção de São Francisco do Conde, recebendo salário de 2 mi reais. Poucos times profissionais têm condições de pagar isso. Muitos jogadores estão desistindo do profissional para disputar o amador por conta de condições melhores.

Você foi o treinador que trouxe o Itabuna para a 1ª Divisão em 2002. Como viu o rebaixamento da equipe agora em 2010?

Com muita tristeza. Antes de subir em 2002, a equipe passou dez anos fora das competições. Estava na segunda divisão. Além de ser profissional, somos torcedores do Itabuna. Infelizmente, o time caiu. Agora é começar novo trabalho para que possa subir novamente, seja com essa ou com outra diretoria.

Qual a sua relação com os atuais dirigentes do Azulino?

Olha, é normal. Tem diretor que faz campanha negativa contra mim. Um, dois diretores acham que tem que se trazer técnico de fora. Quando disputamos a 1ª Divisão em 2003, o clube chegou à semifinal. Fomos eliminados pelo Vitória.

E o árbitro, no primeiro jogo, ainda deixou de dar um pênalti claríssimo para o Itabuna…

Exatamente isso. E o Vitória, ali, ganhou por 1×0, no Itabunão. Chegamos à semifinal e tivemos o direito a disputar a Série C do Brasileiro. Sabe, até hoje não entendo porque o time cedeu a sua vaga no Brasileiro à Catuense. É uma coisa que ninguém entende. Ricardo Xavier cedeu a vaga e não quis disputar a Série C.

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“Sinceramente, não entendemos. Na fase de classificação, o time só conseguiu duas vitórias e um empate.”

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Voltando a 2010, o que você acredita que tenha contribuído para a “degola”?

Sinceramente, não entendemos. Na fase de classificação, o time só conseguiu duas vitórias e um empate. O técnico Ferreira assumiu a equipe faltando três rodadas para o fim da fase classificatória. A equipe se classificaria com 13 pontos, mas perdeu todos os três jogos. No Torneio da Morte, jogou seis partidas e só venceu duas, dentro de casa. Antes, o Itabuna era a quarta, terceira força no Estado, só perdendo para Bahia e Vitória. O Itabuna é um time que toda região acompanha.

A campanha foi risível.

Mais que isso. Na primeira fase, a equipe obteve só sete dos 36 pontos disputados. No quadrangular do rebaixamento, só seis pontos de 18. É muito pouco para uma equipe da tradição do Itabuna.

Dos males, o menor: a equipe júnior, treinada pelo seu irmão Danielzinho está dando show de bola no Campeonato. É a prata da casa fazendo milagre?

Daniel foi treinador do júnior do Itabuna em 2003 e 2004 e fez das melhores campanhas dentre os times baianos. Em 2005, já não era mais treinador, ficou afastado do time júnior por três anos. Agora, está novamente no comando e tem chance de disputar o título. É prata da casa e tem conhecimento muito grande. A equipe atual possui três jogadores no profissional e mais três ou quatro podem subir de categoria pelas suas qualidades.

A história da sua família é ligada ao Itabuna. Você, Danielzinho e o seu pai, Danielzão. Você e a sua família se consideram perseguidos?

A gente acha que tem perseguição. Esse ano, novamente me contactaram e pediram uma proposta. Fiz e colocaram em votação. Foram dois votos a favor e dois contra, o pai do presidente [João Xavier] e o Luís Santana. Essa perseguição vem há muito tempo. Encaramos isso com muita naturalidade, mas ficamos chateados porque temos competência para trabalhar.

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Acho que seria bom e viável um novo nome para mexer com o clube, mexer com o torcedor do Itabuna, que ama futebol

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Você acredita que a família Xavier deixa o comando do clube, perde a hegemonia?

A família Xavier contribuiu muito. Ricardo deu sua contribuição. Acho que seria bom e viável um novo nome para mexer com o clube, mexer com o torcedor do Itabuna, que ama futebol, ama o IEC e o amador. Está na hora de mudar um pouco. Chega dessa sequência dos Xavier.

Como analisa a pré-candidatura de José Inácio Damasceno à presidência do Itabuna?

Atuamos com Zé no Grapiúna, que foi vice-campeão da Segundona em 2001, e não conseguiu subir. Temos muitos nomes, pessoas boas e de competência. A gente vê aí também o Álvaro Castro, que vem tentando ser presidente.

O sucesso da equipe Júnior, que está na semifinal do Baiano, também é atribuído a um toque de Beto Oliveira. Quais foram as suas contribuições para a equipe?

Demos sugestões, como Duílio, o atacante Wagner, que jogou na equipe profissional contra o Colo Colo e fez dois gols e fez também contra o Ipitanga, no Torneio da Morte. Tive o prazer de ver o Itabuna júnior aplicar 3×0 no Bahia, que é um time que investe muito na sua base. O Itabuna tem vários jogadores em condições de atuar no profissional. É uma safra nova e muito boa. Há muito tempo isso não acontecia. Infelizmente, o time profissional está indo para a 2ª Divisão, mas é um trabalho que se pode dar continuidade.

“GÁS NATURAL É MUDANÇA DE PARADIGMA PARA O SUL DA BAHIA”, AFIRMA DAVIDSON

Quando começaram as discussões para implantação de uma base de distribuição de gás natural em Itabuna, o economista Davidson Magalhães estava saindo da Secretaria de Indústria e Comércio do município para assumir o escritório baiano da Agência Nacional do Petróleo (ANP). À época, lembra, havia muita descrença em relação ao projeto bilionário do Gasoduto e seus efeitos para Itabuna e sul da Bahia. Era final de 2003, princípio de 2004.

Mais de seis anos depois, o presidente Lula e o governador Wagner vêm ao sul da Bahia, na próxima sexta-feira, 26, para inaugurar a primeira central de distribuição de gás natural do Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene). A primeira molécula de gás natural será comercializada para uma empresa que cresceu no município, a rede de postos Universal.

A nova realidade deixa emocionado o economista, ex-vereador de Itabuna e atual presidente de uma das maiores companhias de gás do país. “O Gasene, junto com o Complexo Porto Sul, representa uma mudança de paradigma para a região”, diz.

Magalhães lembra que há quase 100 anos o sul da Bahia teve o seu primeiro grande ciclo de desenvolvimento, com a construção da ferrovia de 56 quilômetros interligando Itabuna e Ilhéus a partes da Bahia e o porto de Ilhéus, em 1926. As ações posteriores não ajudaram na acumulação de riquezes. Agora, um novo ciclo se abre. Saberá o sul da Bahia aproveitar das novas condições oferecidas?

Abaixo, a entrevista exclusiva concedida pelo presidente da Bahiagás ao Pimenta na Muqueca.

Quais serão os impactos do gás natural para a economia sul-baiana?
A região passa a ser mais competitiva na atração de investimentos. Nos próximos dois anos, serão de R$ 40 milhões a R$ 60 milhões em investimentos da Bahiagás no sul do estado. Junto com o Complexo Porto Sul, a chegada do gás natural representará mudança de paradigma para a região. 27% da indústria baiana é movida a gás natural.

Já existem empresas interessadas em investir na região com a chegada do gás natural?

Existe um conjunto de plantas de investimentos industriais na Secretaria de Indústria e Comércio. Na Bahiagás, fomos procurados por vários empreendimentos voltados à indústria térmica para produzir energia elétrica através do gás natural. A gente já está pensando o sul da Bahia para além do cacau. O que temos não é um desafio de crise, mas de investimentos e de perspectivas. A região vai crescer, se desenvolver.

As prefeituras de Ilhéus e Itabuna estão se preparando para esse novo desafio?
A região ainda está perplexa, imaginando o que está por vir. Há seis anos, quando discutíamos a vinda do Gasene, ninguém acreditava. Hoje é uma realidade. E aí? Precisamos avançar. Itabuna e Ilhéus serão os mais impactados, mas outros municípios também sentirão os reflexos deste empreendimento.

Os governos federal e estadual possuem projeto que amenize possíveis efeitos negativos do projeto, como êxodo e bolsões de miséria em torno destas cidades?
O desafio posto para os governos é garantir os investimentos, que o Complexo Porto Sul seja uma realidade. No curso disso aí, é que temos que preparar a região para o dia seguinte, para que não atraíamos gente, de forma desordena, para estas cidades.

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“Nós estamos discutindo com o governo o lançamento de um pacote de incentivos para a conversão a gás natural”

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As vantagens do gás natural estariam restritas às empresas ou também são acessíveis a pessoas físicas?
Já de imediato, os taxistas serão beneficiados com a redução de 40% dos seus custos.

Estudos mostrariam que o gás natural veicular não seria competitivo em relação a outros combustíveis?
Mas é vantajoso, sim. Fica em torno de 40% mais barato.

Mesmo com os custos de uma conversão?
Nós estamos discutindo com o governo o lançamento de um pacote de incentivos à conversão. Possivelmente no próximo dia 26, o governador Jaques Wagner deve fazer o anúncio.

Mas beneficiaria apenas algumas categorias?
A ideia inicial é disponibilizar esse incentivo para quem faz do seu veículo um instrumento de trabalho, como taxistas, donos de carro de som, transporte escolar, turístico.

A expectativa era de o gasoduto funcionar em outubro de 2010, mas foi antecipado. Isso tem a ver com o calendário eleitoral e uma ‘ajudinha’ à pré-candidata Dilma Rousseff?
Não, tem a ver com a entrega do gás antecipado pela Petrobras. Não dá para inaugurar um gasoduto sem estar distribuindo gás no ponto principal. Então, nós antecipamos essa entrega, inclusive via GNC [gás natural comprimido], para março. Inicialmente, vamos fornecer com carretas, até que os gasodutos nossos, da Bahiagás, fiquem prontos. Para isso, estamos investindo R$ 2,7 milhões.

A base da Bahiagás fica pronta até o dia 26?
Sim, e nesse dia vamos vender a primeira molécula de gás. Será para a rede de postos Universal, o primeiro consumidor de Itabuna. Também forneceremos para a DPA [antiga Nestlé] e a Trifil, nesta primeira etapa.

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“Não houve agressão ao meio ambiente, as ações

foram todas dentro das normas técnicas”.

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Há denúncia de que a obra da Bahiagás em Itabuna começou sem licenciamento ambiental. O que ocorreu, de fato?
Foi algum problema técnico que deve ter ocorrido. Nós já estamos com o licenciamento encaminhado, discutido inclusive no Conselho Municipal de Meio Ambiente. Os problemas e as divergências técnicas levantados corretamente pelo conselho já foram tratados pela Bahiagás. Não houve agressão ao meio ambiente, as ações foram todas dentro das normas técnicas.

A Bahiagás sai de um fornecimento de mais de 3 milhões para 20 milhões de metros cúbicos de gás. A empresa está preparada para este novo momento?

Não vamos sair imediatamente para 20 milhões. Hoje são 3,7 milhões e devemos atingir 4,5 milhões de metros cúbicos com o fornecimento para o sul da Bahia. Esses 800 mil metros cúbicos para a região nessa primeira etapa equivale a várias distribuidoras de gás do Nordeste. Em cinco anos, devemos chegar à marca de 11 milhões de metros cúbicos fornecidos. O Gasene é que tem potencial para transportar 20 milhões.

Em 2004, havia muita desconfiança em relação a este projeto. Como você analisa esse novo momento?
Uma outra região está nascendo. A principal preocupação nossa com essa reunião [com prefeitos, na segunda, 15] foi para que as pessoas possam perceber a grandiosidade do que está acontecendo no sul da Bahia. Aqui nesse evento, a gente ainda viu pessoas com o discurso da síndrome da crise, que é quando a gente não percebe as coisas novas porque está presa a esta síndrome. A ficha, como diz a gíria, está caindo agora. Este é um novo momento para além do cacau, significa um novo modelo de desenvolvimento.

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“Temos que ampliar as alianças para construir

uma política hegemônica na Bahia”

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Mudemos para a política. Como é que você, comunista e sempre oposição ao carlismo, analisa essa aliança com parte do grupo que sempre dominou a Bahia por 30, 40 anos?
Eu não acho que há uma aliança com o carlismo, que está deixando de existir. O carlismo hoje é personificado em ACM Neto, Paulo Souto. Estes são os herdeiros do carlismo.

Você não vê César Borges como carlista?

As pessoas vão mudando seus projetos de acordo com o processo histórico. Não acho que é Wagner que está mudando seu projeto. Aliás, o governo muda a Bahia com essa visão de integração e desconcentração econômica. 18 municípios concentram 55% do PIB baiano com apenas 30% da população. Para mudar, você tem que fazer projeto amplo. Temos que ampliar para construir uma política hegemônica na Bahia. Não estamos virando um governo autoritário, centralizador, sem transparência. O projeto do governo é claro: fazer mais por quem mais precisa; pensar a Bahia não apenas como se só existisse a região metropolitana.

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“Gabeira (PV) era da resistência armada ao regime militar. Hoje é um cara a serviço da direita”.

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Então, é favorável à aliança?
Se tivermos mais aliados nesse projeto e que não o desconfigure, ótimo. É que a gente tem muito a visão de personificar as pessoas, lideranças. Fernando Gabeira (PV-RJ), no passado, jogou papel avançado de resistência armada ao regime militar. Hoje é um cara a serviço da direita, que ajuda o neoliberalismo. Assim como sai gente daqui [da esquerda], sai de lá para cá. Então, ele hoje faz parte do projeto tucano. Quando o projeto avança, as pessoas se reenquadram em outro momento histórico.

E no caso dos “ex-carlistas”?
Veja um exemplo aqui na Bahia: Waldir Pires, para derrotar o carlismo, puxou Nilo Coelho, Jutahy Magalhães, João Carlos Bacelar. Todos não eram de esquerda. Foi feito um acordo com segmentos do carlismo para derrotar o carlismo. Ali não deu certo não foi por conta da aliança, mas de um projeto que foi interrompido por busca de uma situação nacional.

Hoje, o governo se abre para agregar velhos opositores. O eleitor entenderá essa movimentação?
Ele vai se decidir em torno de projetos. E o nosso projeto é capitaneado por Wagner, projeto da continuidade a estes programas de transformação da Bahia. O outro é capitaneado por Paulo Souto, que quer retomar o passado. Tem um terceiro, que é um híbrido do PMDB, de oposição ao governo, mas oposição sem a consistência histórica que tem o carlismo. Ah, César Borges foi do carlismo. Quantas pessoas que foram do grupo de lá estão no governo hoje? Mas elas estão ajudando ou prejudicando o governo?

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“A saída do PMDB do governo ajudou, destravou a Bahiagás. Existia uma política deliberada de emperrar a empresa”.

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Você mesmo pode nos responder: a saída do PMDB e a chegada do PP ajudaram o governo?
A saída do PMDB ajudou, destravou. Temos uma experiência concreta na Bahiagás, com a mudança do secretário de Infraestrutura. Saiu o do PMDB [Batista Neves] e entrou o João Leão, do PP. Existia, antes, uma política deliberada de emperrar a empresa, as ações de governo.

Como essa, digamos, sabotagem ocorria na prática?
Havia dificuldade de aprovação dos projetos de investimento da Bahiagás. Ficamos atrasados dois anos e meio, seguidos, em nosso plano de investimento. Todas as iniciativas tomadas pela diretoria eram barradas no Conselho de Administração pelo ex-secretário, do PMDB. Não parecia que participávamos do mesmo governo.

Mas como Batista Neves exercia esse poder?
Todos os investimentos acima de R$ 2 milhões, R$ 3 milhões têm de ser analisados pelo conselho, do qual ele, como então secretário de Infraestrutura, era presidente. Denúncias infundadas contra a empresa eram divulgadas. A entrada do PP foi favorável. João Leão, em pouco tempo, destravou, facilitou, articulou. O governo do estado entrou coeso para defender os seus interesses junto aos demais acionistas da Bahiagás, coisa que não tínhamos antes.

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“Vamos reeleger Wagner e eleger Dilma a

primeira mulher presidente do Brasil”

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Como você vê os cenários baiano e nacional para 2010?
O projeto liderado pelo presidente Lula vai ser vitorioso na Bahia, com a reeleição de Wagner, e, no plano nacional, com a eleição da primeira mulher presidente da República, Dilma Roussef. Nós elegemos um operário e, agora, vamos eleger uma mulher. Na Bahia, existe uma identidade do projeto de Wagner com o novo país. Nosso projeto é diferente da visão tucana, que inseria o Brasil no cenário internacional de forma subalterna, projeto que foi rechaçado duas vezes na urna e será pela terceira.

Você acha que o eleitor avançou a esse ponto, de eleger por comparação?

Acho que sim. A última eleição deixou muito claro que certos setores da grande mídia, que manipulavam a opinião pública, foram derrotados porque não representam essa opinião. Mais do que isso, o povo tem o seu dia-a-dia, sua experiência. Uma experiência vale muito mais do que dez discursos, dez editoriais do Jornal Nacional. O eleitor tem consciência do projeto que ele está abraçando. Pode não ter uma visão articulada de todos os efeitos, consequências e dimensão deste programa, mas tem visão muito clara do que esse projeto do governo Lula representa.

Você, como uma das principais lideranças do PCdoB na Bahia, visualiza qual cenário para o partido em 2010 na Assembléia e Câmara Federal?
Nós devemos ampliar o número de deputados federais. Vamos trabalhar para reeleger Alice Portugal e Daniel Almeida e eleger Edson Pimenta. Temos três deputados estaduais e queremos passar a cinco. Crescemos na Bahia, não tínhamos prefeito e em 2008 elegemos 18, temos 19 vices, 150 vereadores aqui, o partido presente no estado e nossa participação no governo Wagner trazendo resultados positivos. Isso tudo nos credita a ter um projeto eleitoral vitorioso em 2010.

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“Um nome da esquerda na majoritária é o de Wagner e o outro nós defendemos que não seja do PT”.

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O nome de Haroldo Lima foi até defendido, no partido, para disputar o Senado. O PCdoB abre mão e aceita chapa majoritária composta por Otto Alencar e César Borges?
O Haroldo não vai ser candidato, porque joga papel importantíssimo, principalmente nesse momento de decisões importantes acerca do pré-sal, à frente da ANP [Agência Nacional do Petróleo]. Não tem como ele sair da discussão. Nós entendemos que a chapa do governo deve ter composição que represente o arco de alianças: dois representantes de esquerda e dois do centro que se agregou ao projeto. Achamos que deve ter esse perfil. Um nome da esquerda é o de Wagner e o outro nós defendemos que não seja o do PT, pois não representaria a correlação de forças no governo.

A sua última eleição foi em 1998, para deputado estadual. Você ainda tem projeto eleitoral?
Por enquanto estou firme nesse projeto da Bahiagás. Eu estou na administração, mas não é que deixei de fazer política. Faço, sim, mas com outros instrumentos. Hoje, sou o vice-presidente do PCdoB no estado.

JOSIAS GOMES: “A RAÇA DO DEM ESTÁ ACABANDO”

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O ex-deputado federal e ex-presidente do PT na Bahia, Josias Gomes, está com o pé na estrada para voltar à Câmara dos Deputados. Passou recentemente alguns dias em Itabuna, segundo ele para manter contatos com grupos que o apoiam nesta cidade e em outras da região sul da Bahia.

Numa entrevista ao Pimenta, o político abordou de maneira positiva a aproximação entre o governador Jaques Wagner e forças que fizeram parte do núcleo duro do antigo carlismo, a exemplo do senador César Borges. Para o ex-deputado, a ampliação da base é necessária para consolidar o processo de mudança no comando do Estado. No entanto, ele afirma que o modelo da gestão não será alterado pelas novas composições.

Josias também relembrou o episódio do mensalão que, segundo ele, não passou de uma tentativa da oposição e da “imprensa golpista” de interromper o mandato do presidente Lula. Embora elogie o chamego de Wagner com os legatários do carlismo, o ex-deputado não perdoa o DEM, ao lembrar que o ex-presidente do PFL (antiga sigla do partido), Jorge Bornhausen, vaticinou o fim da “raça” do PT. “Felizmente, a raça que está acabando é a dele e não a nossa”, contra-atacou o petista.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

O que você pensa a respeito da costura política que vem sendo realizada pelo governador Wagner? O grupo não está muito permeável aos antigos carlistas?

Com relação às críticas dos petistas a essa “aproximação ao carlismo”, eu vejo com naturalidade. Não fosse assim não seríamos esse partido com uma multiplicidade de correntes e pensamentos, que torna o PT especial. Agora, tem mais gente de fora do PT que não está compreendendo o momento político que a Bahia vive, que é de transição. E essa transição o governador Jaques Wagner conduz de forma ímpar, reerguendo valores democráticos importantíssimos e ampliando o espaço da cidadania. Ao mesmo tempo, sabe-se que nós temos a necessidade de aumentar o espaço do PT junto com os aliados na política estadual para que o processo se conclua com o nosso partido sendo o grande timoneiro desse momento político rico que nós estamos vivendo. Se por um lado os petistas fazem a crítica, correta ou não, por outro a preocupação de alguns está no fato de que a ampliação implica na possibilidade concreta de ganharmos as eleições. E isso incomoda muita gente.

É fácil explicar essas novas opções de Wagner para o eleitorado?

Não se trata de uma mudança de rumo estratégico do PT em relação ao eleitorado cativo e tradicional do PT. Nossas políticas públicas voltadas para o atendimento da maioria do povo baiano vão continuar existindo. Nós continuaremos sendo um partido de esquerda, socialista. O que estamos buscando, se ocorrer a vinda do senador César Borges, é a ampliação do nosso raio de ação política no Estado, o que difere radicalmente da visão de que nós estamos nos misturando ao carlismo. São os políticos egressos dessa corrente que já enxergam no PT uma nova forma de se fazer política e estão vindo pra cá. Eles terão que ser bem-vindos, a exemplo do que Lula fez no País quando, precisando ampliar sua base de sustentação no Congresso, buscou apoio em setores que antes não seguiam conosco. Nem por isso nós deixamos de fazer as mudanças estruturais no País e de nos mantermos como o partido de esquerda e socialista que somos.

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“Ao destroçar o núcleo hegemônico do carlismo, só quem ganha é o PT, que tem massa crítica, organização social e é um partido do tamanho da Bahia e da grandeza do povo baiano”

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Mas há alguns anos esse cenário que está sendo traçado na Bahia seria inimaginável.

Essa é uma situação normal na política de um Estado onde há quarenta anos foi criado um modo próprio de agir na política e pouco espaço restou. Agora, as pessoas precisam entender que nós estamos nisso por mérito do nosso partido. Não devemos favor a quem quer que seja do carlismo por ter chegado aonde chegamos. Foi por mérito, porque fizemos e temos uma militância aguerrida, movimento social e sindical conosco e esses companheiros e companheiras de todo o Estado é que nos tornaram esse partido líder, que está promovendo transformações das mais importantes, seja no campo da educação, da saúde, seja na remontagem da infraestrutura do Estado, como também operando em alta na política baiana. Ao destroçar o núcleo hegemônico do carlismo, só quem ganha é o PT, que tem massa crítica, organização social e é um partido do tamanho da Bahia e da grandeza do povo baiano. Quem ganha é o PT, ao desmontar esse esquema e ser o partido que recebe grande parte das pessoas que foram legatárias de um tipo de política que já está ultrapassado.

Essas alianças se dão porque figuras como César Borges e Fernando de Fabinho acreditam no projeto do PT ou seria, para eles, uma estratégia de sobrevivência política?

Eu acredito na seriedade das pessoas e tenho visto várias lideranças locais dizendo que pela primeira vez elas estão vendo pessoas fazerem política de outra forma na Bahia. Eu acredito na mudança das pessoas, embora alguns possam até vir por achar que sem governo não dá para sobreviver politicamente.

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“Para quem esteve na oposição e agora está na situação não há nada que não possa ser modificado”

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Quando o governador nomeia para a Procuradoria-Geral do Estado um nome que ficou em último lugar na lista tríplice, ele não acaba se assemelhando ao carlismo também nas práticas administrativas?

Essa é uma questão pela qual nós temos até que nos penitenciar porque lá atrás nós éramos muito defensores da tese de que o primeiro lugar é que deveria ser indicado a qualquer custo. Acontece que a legislação é clara ao prever que são os três mais votados que vão à chancela do governador. Ele ouviu os três e ponderou que para o andamento do processo no Ministério Público convinha a indicação do terceiro colocado. Havia uma crítica nossa, mas para quem esteve na oposição e agora está na situação não há nada que não possa ser modificado. Eu não vejo esse episódio como uma semelhança ao carlismo. Nós somos, eu repito, um partido socialista e de esquerda.

Até onde o governo Wagner estaria disposto a ceder para que haja uma harmonização de interesses com as novas forças que passarão a apoiá-lo?

Todo governo tem um núcleo orientador das suas ações e aqui eu não me refiro a pessoas, mas a um núcleo ideológico e político. Esse é um centro do qual nós não podemos nos afastar. Em qualquer administração do PT, isso é muito patente. As políticas públicas devem ser bem feitas, gerenciadas com muito carinho, transparência e a capacidade de chegar aos que mais necessitam do serviço público com muita qualidade. Essa marca do PT tem orientado todas as nossas gestões e disso nós não vamos abrir mão. Não tenho dúvida de que o ato de ceder na política é importante, mas não devemos perder os princípios norteadores das nossas ações.

A capacidade de articulação do governador Wagner sempre foi elogiada. Você acha que o Wagner administrador está no mesmo nível?

A crítica que se faz à nossa gestão é muito em função primeiro de um preconceito de que o PT não sabe administrar, que só sabia fazer greve etc. e infelizmente alguns setores na Bahia ainda continuam com essa visão. Depois, tem o fato de ser a primeira vez que participamos da administração do Estado e ainda a circunstância de termos administrado poucas grandes cidades baianas. Então, a visão das pessoas é a de que nós não temos técnicos para gerir a máquina pública, o que é uma falácia. Se fosse assim, o governo Lula não seria o sucesso que é. Haverá oportunidade agora na eleição de provarmos o que foi feito nesses quatro anos e o que foi realizado pelo governo anterior. Assim a população poderá observar que temos, sim, gerentes capazes de fazer muito bem feito, com o olhar voltado especialmente para os que mais necessitam do serviço público.

Voltando ligeiramente à política de alianças, podemos considerar que o governo Lula só começou a se acertar quando se abriu mais para os aliados…

Tudo é um aprendizado. Foi o primeiro governo de Lula, uma gestão na qual estávamos ancorados à Carta ao Povo Brasileiro e precisávamos cumprir com aquilo. É natural que no primeiro momento tenhamos tido erros e acertos. Agora, se fizermos um balanço, e o povo brasileiro está fazendo, terão destaque os acertos do nosso governo, inclusive o fato de termos aberto espaço para os aliados. E isso é uma marca do nosso partido, apesar de as pessoas dizerem que nós gostamos de administrar sozinhos, o que não é verdade. De 36 ministérios no governo federal, o PT tem apenas 18.

A participação do PT é menor no governo baiano.

O importante é que na Bahia os cargos foram divididos para o PT e os partidos aliados de modo que todos pudessem ocupar posições de ponta. Você pode ver que os partidos aliados estão em grandes secretarias, que aliás estão tocando muito bem. Não podemos deixar de reconhecer o trabalho que o PP vem fazendo, assim como o PDT, o PCdoB, o PSB, o PV… Então, observe que tanto os aliados quanto o PT estão contemplados na gestão.

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“A violência não é um fenômeno baiano, mas um problema que aflige a humanidade e isso nos remete a uma questão de valores”

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Como você analisa a dificuldade do governo Wagner para enfrentar os problemas relacionados à segurança pública?

O governador Jaques Wagner tem sido muito competente para enfrentar esse problema que a Bahia, o Brasil e o mundo enfrentam. Na verdade, a violência não é um fenômeno baiano, mas um problema que aflige a humanidade e isso nos remete a uma questão de valores. As pessoas precisam se dar conta de que nos encontramos numa situação em que determinados valores que serviam para a agregação e o controle social passaram a não ser mais respeitados. Estão surgindo determinadas mudanças de comportamento nas pessoas… É um choque ver as gangues que aparecem em Salvador proveniente de gente de classe média-alta, que você jamais poderia imaginar. Claro que a repressão ao crime tem recrudescido, tanto nas grandes cidades quanto no interior. O aumento do efetivo humano, da quantidade de viaturas nas polícias civil e militar, são fatos notórios, mas ao mesmo tempo nós temos que buscar outras explicações que deem conta dessa mudança comportamental no povo brasileiro. É algo que nos assusta ver como a banalização da vida está sendo uma constante.

Já que você almeja retornar à Câmara dos Deputados, que projeto de lei defenderia para atacar o problema da violência? Reduzir a maioridade penal seria uma solução?

Essa questão de reduzir a maioridade é uma bobagem, até porque o nosso sistema prisional não ressocializa ninguém. Eu creio que as políticas sociais implementadas no Brasil pelo governo Lula ajudarão sobremaneira a elevar a auto-estima do povo e assim reduziremos muito a questão da violência. Claro que não é atributo de pobre e favelado serem violentos, mesmo porque eu acabei de citar a existência de gangues de classe média. Quero dizer que o conjunto da obra é que fará uma mudança comportamental para melhor do povo brasileiro de modo geral.

Como você vê o envolvimento cada vez maior de policiais militares e civis com o tráfico e grupos de extermínio?

Lamentavelmente, ainda existe uma parte da polícia que exige certo cuidado por parte dos governantes. Não sei se é despreparo ou má-índole mesmo, mas o fato é que isso cria uma sensação de insegurança. Eu quero deixar claro para a população que isso logicamente não é o que predomina. São exceções que infelizmente existem, mas as corporações são muito bem preparadas para a defesa do povo. Os desvios comportamentais estão presentes na sociedade e a polícia é também um extrato da nossa sociedade.

A classe política de modo geral enfrenta um descrédito e a sua situação não é diferente, em função do desgaste enfrentado no primeiro mandato com o episódio do “mensalão”. Como está sendo o trabalho de reconquistar o eleitor?

Em relação a mim, a recepção à proposta de voltar à Câmara tem sido muito positiva. Felizmente, as pessoas entenderam que houve um forte exagero, uma tentativa, por meio daquela crise de 2005, chamada crise do mensalão, de desestabilização do presidente Lula. Na verdade, desestabilização é pouco, pois a direita entendeu que aquele era o momento de decretar o impeachment de Lula. Eles não imaginavam ser possível que um governo de esquerda tivesse sucesso no país e já sentiam uma necessidade de intervenção brusca no sentido de interromper esse governo que viria a mudar sensivelmente a face política brasileira. Nesse sentido, é lapidar a frase do então presidente do PFL (atual DEM), senador Jorge Bornhausen, que disse: “está na hora de acabar com essa raça”. Felizmente, o Jorge Bornhausen profetizou errado, pois a raça que está acabando é a dele e não a nossa.

Mas você saiu bem chamuscado do episódio…

Eu fui tragado por aquela onda de parte da imprensa brasileira, mas essa fase passou. O PT recuperou a sua imagem perante a população e tem sido muito frutífera a minha busca pelo retorno à Câmara. Por outro lado, sempre houve processos semelhantes na história política do Brasil, como se deu com Getúlio Vargas. Há uma recorrência nesse tema na política brasileira, o que desacredita muito os políticos. Parte da imprensa insiste nessa tese porque cada vez mais o povo se interessa por política e, num momento como esse, o interesse maior é pelo partido da vez, que é o Partido dos Trabalhadores. Não interessa à imprensa golpista, que está a serviço da minoria que governou o país durante mais de 500 anos, que o PT faça história nesse país positivamente como está fazendo. Neste ano, a imprensa golpista já tentou emplacar três histórias de corrupção no PT: a primeira com (Fernando) Pimentel, que estaria transacionando com doleiro – o procurador que está investigando essa questão declarou que o Pimentel não estava indiciado pelo que o noticiário falou; depois veio o caso da banda larga, onde disseram que o companheiro José Dirceu estava fazendo transações e de novo houve desmentido, inclusive da CGU…

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“Se não tivéssemos atacado, talvez hoje a Petrobras, o Banco do Brasil, a Codevasf, a Chesf e tudo mais estaria privatizado”

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O José Dirceu admitiu que recebeu R$ 620 mil para consultoria a empresas interessadas na expansão da banda larga.

Mas isso não tem relação com o projeto do governo de reequipar a Telebras para implantar a banda larga em todo o País. Na medida em que isso deixa de ser feito por empresas privadas e passa a ser feito pelo Estado, quem é contra o Estado grande, como os tucanos e o DEM,  vai tentar de toda forma denegrir, criando situações para que nós façamos o que eles fizeram, privatizar o País como eles tentaram. Se nós não tivéssemos atacado em boa hora, talvez hoje a Petrobras, o Banco do Brasil, a Codevasf, a Chesf e tudo mais estaria privatizado.

O terceiro caso seria o do Bancoop…

Pois é, mais uma vez o promotor que acusa o Vaccari [João Vaccari Neto, secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT], a história dele vocês podem conferir na imprensa que ele, o promotor, sempre serviu aos tucanos. Essa é uma história requentada, pois a questão do Bancoop vem há mais de dez anos. Eles requentam e trazem nesse momento para vir reacender esse tema de corrupção junto ao PT. Isso não cola, não há hipótese de colar em nós essa pecha. O povo brasileiro já sabe distinguir o que é essa tal imprensa golpista.

A denúncia é do promotor. Então, seria ele também um golpista?

O promotor requentou uma denúncia de mais de dez anos contra a Cooperativa dos Bancários de São Paulo e foi procurar a imprensa. O [José Carlos] Blat é conhecido nisso e aparece novamente com a mesma história.

Voltando ao plano estadual, Wagner liquida a fatura no primeiro turno?

Eu torço para que isso ocorra. Quatro anos não é um tempo suficiente para que nós possamos concluir esse processo de transição política, de afirmação da cultura dos direitos junto à população e de mudar a concepção da gestão pública. Existem acertos do núcleo político do governo, que tem atuado com muita maestria e criado, em consequência, a possibilidade real de ganharmos essa eleição no primeiro turno.

“NÃO VOU FAZER OPOSIÇÃO AO PREFEITO, MAS VOTO COM O DEM”

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Se tem uma secretaria que é alvo das maiores críticas, dentro e fora do governo, essa é a da Saúde. Também, pudera. Abriga em seu guarda-chuva desde o Samu até o Hospital de Base, passando pela coordenação de combate a dengue, zoonoses e postos de saúde.

O secretário Antônio Vieira divide seu tempo entre administrar a pasta e explicar o que muita gente chama de caos. Bom, nessa quinta-feira ele esteve na redação do Pimenta para fazer mais esclarecimentos. Em uma entrevista de mais de 1h20min de duração, respondeu a perguntas dos blogueiros sobre dengue, Samu, gestão plena da saúde, candidaturas e eleições.

Mas nem só de explicações e administração do caos vive o secretário. Ele é, essencialmente, político. Tanto que o momento em que mais se mostrou entusiasmado foi quando falou de política e mandou um recado a Azevedo. “Não vou fazer oposição ao prefeito, sou Democratas e voto com os candidatos do DEM”. A seguir, a entrevista.

Como está o combate à dengue em Itabuna nesse início de ano? Aliás, hoje ainda se fala em controle da dengue ou é combate mesmo?

Combate. Iniciamos a guerra contra a dengue exatamente há um ano, no dia 14 de janeiro de 2009. Seria no dia 13, mas o prefeito preferiu dia 14. Ele disse: ‘pelo amor de Deus, 13 não!’ Claro que foi brincadeira, mas estamos em guerra contra a dengue desde aquela data.

O que é possível assinalar como mudança daquela situação, do início de 2009, para a de hoje?

Ainda temos um índice altíssimo. Pegamos o município com uma infestação predial de 25%, hoje estamos com 7%, de acordo com os números do último ciclo, o sexto, que completamos em dezembro. O preconizado é abaixo de 1%. Em 2008 foram feitos apenas quatro ciclos. Tínhamos, em 2009, 100 casos suspeitos, hoje temos apenas 25.

O município prepara um plano de combate à dengue, que está para ser lançado. O que está previsto, em termos de ações da prefeitura, para impedir uma nova epidemia?

Não creio que tenhamos uma epidemia. Poderemos ter um surto, que difere da epidemia. Não temos casos de internação que sugiram uma possível epidemia. Temos acompanhamento na atenção básica, nas unidades hospitalares, mas não temos nada que fuja desse controle. E também não omitimos casos. Eu sei de município aí, até menor que Itabuna, que omite casos de dengue e ninguém fala nada.

Qual é o município?

É Jequié, mas como é ligado ao governo, fica todo mundo calado.

Mas a prefeitura de Jequié é do PMDB, que é oposição a Jaques Wagner…

Nada, nada… Fizeram tudo por Jequié, fizeram varredura na cidade toda, limparam esgotos, fizeram tudo. Aqui, até prometeram, mas já estamos em 14 de janeiro e cadê as máquinas do governo?

“O diálogo dele é mais com o prefeito, não sei qual é a deles”

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Se bem que Roberto Brito, que está sempre com o prefeito Azevedo, poderia reforçar esse pedido…

Ele tem ajudado Itabuna… Roberto Brito foi meu estagiário, tenho uma boa relação com ele. Mas o diálogo dele é mais com o prefeito, não sei qual é a deles. [mudando o discurso para a política]: Só sei que vou ter que tomar alguma posição política. Eu sou do Democratas, quero deixar isso bem claro. Não vou fazer oposição ao prefeito, nada disso, mas vou acompanhar candidatos ligados ao Democratas, principalmente os que nos ajudem.

Há uma crítica ao prefeito, nesse seu posicionamento?

Não. Mas até agora ainda não conversamos sobre política. Somos do mesmo partido, conversamos sobre tudo na administração, mas politicamente ainda não conversamos. Eu não me meto nas decisões dele, agora na hora que tiver que… [cortando o raciocínio]: Inclusive eu já o chamei para uma conversa política, no ano passado, e ele disse que ainda estava muito distante, que conversaríamos agora.

O senhor citou o exemplo de Jequié, que tem forte representação política e foi contemplada com várias ações do governo no combate à dengue. Acredita que essa tenha sido a razão para que as ações não tenham vindo para cá?

Exatamente. Os eleitores de Itabuna precisam aprender a votar. Se Itabuna e Ilhéus, com mais de 270 mil eleitores, votassem em candidatos daqui, a situação seria diferente. Poderíamos votar em quatro ou cinco candidatos da região, que tem bons candidatos. Eu, mesmo, tenho grande simpatia pelo coronel Santana. Não sei qual o caminho que vamos tomar, mas tenho grande simpatia por ele.

Ele é do PTN…

Mas o PTN é ligado ao Democratas. Quem é que comanda o PTN na Bahia? É ACM Neto. Mas, voltando, eu acho que falta ao nosso eleitor aprender a votar. Não admito que Itabuna vote em 280 candidatos a deputado estadual.

“Quem é que comanda o PTN na Bahia? É ACM Neto”

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O senhor fala que vai apoiar quem ajudar sua gestão. Nesse sentido, que avaliação o senhor faz da atuação de ACM Neto em favor da saúde em Itabuna?

ACM Neto, o ar da graça que ele deu para Itabuna foi a liberação de uma verba de R$ 300 mil, para recuperação de equipamentos de uso permanente das unidades de média e alta complexidade. Estamos aguardando só a liberação da Caixa.

Ainda se pensa, no governo, em mudar a secretaria da Saúde para a área do aeroporto?

Não estou convencido de que lá seja o melhor local. Ficaria muito distante do restante da administração, com quem temos que ter contato constante, a exemplo do setor de licitações, secretaria das Finanças. Nosso espaço no Centro Administrativo nos atende perfeitamente, e deve ser mantido lá.

Fale mais sobre esse mutirão que está sendo planejado para o combate à dengue. O que ele vai envolver, quem participa…

Vamos fazer, durante seis semanas, um grande mutirão, cobrindo toda a área da cidade, utilizando em torno de 1.500 funcionários de todas as secretarias, além dos voluntários dos clubes de serviço, maçonaria e outras entidades. Vamos fazer uma varredura por módulos, e começaremos, nesse sábado, pelo módulo 1, que envolve os bairros Novo Horizonte, Santo Antônio e Mangabinha. Vamos fazer a doação de brindes para aquelas famílias eu conseguirem manter suas casas livres do mosquito da dengue.

O senhor acha que esse expediente surte efeito?

Esperamos que sim. Vamos trabalhar com famílias de baixa renda e poderemos dar cestas básicas a quem cumprir as recomendações para o combate ao mosquito.

Em relação às projeções para este ano, qual seria um número aceitável de casos de dengue, dentro do que se tem hoje de infestação, de casos de dengue este ano?

Falando em probabilidade, acreditamos que em torno de 100 casos/mês estará dentro do aceitável, para o que temos observado.

E se, Deus nos livre, ocorresse nova epidemia como a de 2009, qual a capacidade do município para enfrentá-la?

Toda, porque todos os equipamentos que utilizamos no ano passado estão à nossa disposição. Temos agora as ótimas instalações do Hospital São Lucas, a Unidade de Pronto Atendimento Valdenor Cordeiro está em plena condição de funcionar. Estamos melhor que o ano passado, quando a rede não tinha sequer soro para os pacientes e tivemos que comprar às pressas.

Os médicos receberam treinamento para o diagnóstico?

Os da atenção básica estão treinados, todos sabem como fazer um diagnóstico. Infelizmente, tenho que dizer, os médicos intra-hospitalares não dão a devida atenção a isso. São poucos os que fazem o treinamento. Vamos fazer agora um treinamento com um representante do Ministério da Saúde e vamos tentar trazer todos eles.

“Os médicos intra-hospitalares não dão a devida atenção”

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No ano passado foi feito pouco isolamento viral, para saber qual o tipo de vírus que temos aqui. Isso não é preocupante para esse ano?

É preocupante, sim. Felizmente no Brasil não temos o tipo quatro – são quatro tipos de vírus. Temos os tipos um, dois e três no Brasil, e na Bahia temos mais o um e o dois. Por isso não podemos ter vacina, porque são vários tipos. Um é mais patogênico que o outro.

O senhor acha que depois da epidemia de 2009, a população está mais conscientizada?

Me parece que sim. E tem que haver, cada vez mais, essa responsabilidade. Temos uma série de ações que estaremos implantando e que terão que ter maior participação da comunidade. Por exemplo, na execução dos ciclos, visitamos toda a cidade, casa por casa. Depois de 60 dias, voltamos, e se o morador não tiver consciência e abrir suas portas, prejudica o trabalho. E é nesse ponto que está a diferença, porque hoje até recebemos denúncias de focos. No ano passado era muito mais difícil até você entrar nas casas.

Mas aí entra a questão da identificação dos agentes, fardamento sem uniformização…

É, inclusive estamos comprando novo fardamento, porque os primeiros vieram fora de padrão. Compramos de uma empresa de Feira e Santana, que nos mandou fora das especificações. Já está desqualificada para as próximas licitações.

Saindo um pouco de dengue, e chegando no Samu. O senhor viu que o coordenador administrativo do Samu reclamou da falta de autonomia na gestão do órgão…

Isso aí se refere a recursos financeiros. Quando se fala em autonomia administrativa, fala-se em autonomia dos recursos financeiros. O Samu não tem esse fluxo de recursos na unidade. Tem lá a conta específica do Samu, para onde vão os recursos. Mas, tudo o que foi requisitado, foi liberado. Não há pendências.

Como o senhor viu a informação de que funcionários da saúde estão novamente assinando o livro de ponto antes de trabalhar?

Estou indo no Samu, verificar isso. Se for comprovado, será afastado quem fez isso.

O coordenador do Samu, Carlos Coelho, sequer quis aparecer no órgão, para acompanhar uma visita do Conselho Municipal de Saúde. Dizem que ele não aparece muito por lá também…

Ele não foi porque estava no plantão, na Maternidade Esther Gomes. Eu soube o que aconteceu, ele disse que não se programou porque não foi avisado da visita do Conselho.

E essa dificuldade para fazer as ambulâncias rodar?

Esses veículos estão com sua vida útil muito além do que é o recomendado. Temos a dificuldade de manutenção, por serem importados.

A oficina da prefeitura não tem a menor condição de fazer reparos, por exemplo, na parte eletrônica de qualquer veículo. E, por outro lado, os carrinhos da saúde, de marca nacional, estão completamente desmantelados.

A oficina não tem condições mesmo. Mas os carrinhos da saúde nos foram entregues daquele jeito. Acabaram com tudo, carregaram até cimento em ambulância.

O Samu de Ilhéus não tem tantos problemas com as ambulâncias, que são importadas também…

O segredo é a manutenção, sim. Mas lá, também, não tem a mesma demanda que Itabuna. Não tem uma BR-101 para dar cobertura. Aí também entra a questão da cidade pavimentada, o que leva os veículos a quebrar menos. Mas estamos para receber três novas ambulâncias, e vamos recompor a frota, com as unidades de campo e as reservas técnicas.

“O segredo é a manutenção, sim”

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O senhor está acompanhando aquele caso do idoso Ailton Prado, que tem um tumor cerebral e enfrentou dificuldades para a cirurgia na Santa Casa de Misericórdia?

Ainda ontem (quarta, 13) o doutor Valdece me ligou, e eu já autorizei a compra dos materiais que o SUS não cobre e a Santa Casa não quer bancar. É uma obrigação do estado, mas vamos comprar, para ver a cirurgia ser realizada.

Por falar em compra, a secretaria da Saúde agora se reporta à da Fazenda para qualquer procedimento financeiro. Antes, a Saúde concentrava essas soluções. Isso não atrapalha o andamento das ações?

Atrapalha, um pouco, mas eu não atribuo tanto ao secretário [da Fazenda, Carlos Burgos]. Temos é uma dificuldade da secretaria do Planejamento de fazer as coisas saírem em tempo hábil, mas até isso já estamos melhorando, já foi pior.

Pior?

O governo federal quer o secretário da Saúde gerindo tudo, eu até prefiro que seja assim, como está. Estamos vendo lá o que aconteceu, no governo passado. A gente recebeu muita coisa, que estamos resolvendo agora. Acho que Jesuíno acabou se perdendo em algumas coisas, mesmo ele sendo um contador.

Por que o senhor acha isso?

Porque todo dinheiro que chega é destinado a algo, você não pode misturar as verbas, comprar algo que não foi determinado. Por exemplo, eu tenho recursos lá, para comprar medicamentos, que não posso fazer mais nada. São verbas carimbadas, do governo federal, que estamos respeitando rigorosamente e o dinheiro está dando pra tudo.

Houve desvios na gestão de Jesuíno?

Não, não. Não estou falando de desvio de recursos.

Não de recursos, de finalidades.

Ah, tem algumas coisas que estamos resolvendo agora. Porque ele comprava, ordenava… É por isso que, comigo, antes de eu assinar, passa por três leituras. Depois eu leio tudo de novo, para botar minha assinatura.

Vocês têm interesse ou alguma previsão de retomar a plena?

Estamos conversando com o prefeito e temos planos de tentar definir em até 90 dias. Ele já está aceitando [a ideia]. Aí, sim, o Hospital de Base vai poder funcionar direitinho, tudo vai para os seus lugares. Com recursos suficientes, porque não pode funcionar bem com R$ 1,5 milhão.

O estado faz alguma complementação em cima desse valor?

Nada, quem está complementando sou eu, que estou fazendo convênios para levar recursos para lá porque, se não, não funciona. O hospital precisa, no mínimo, de R$ 2,2 milhões. Tem um milhão e meio e colocamos todo mês R$ 300 mil. O Regional de Ilhéus recebe R$ 3 milhões, e não tem a resolutibilidade que nós temos. Fazemos em média 450 cirurgias/mês.

Mas essa questão do fundo municipal de saúde é condição para o retorno da gestão plena, não é?

É condição, sim. Mas veja que quando assumi a secretaria, recebi da Receita Federal a indicação de como seriam gerenciados os recursos do SUS, do municipal de saúde, juntamente com o prefeito e o secretário da Fazenda. O que existe é uma dificuldade de a gente agilizar as coisas.

Pra finalizar: o senhor será candidato a algum cargo?

Não, não tenho nenhuma pretensão, até porque não morro de amores por ser deputado. Não vou aqui fazer qualquer tipo de crítica, porque eu sei tudo o que acontece lá. É igual a Câmara de Vereadores, só se sentam para negociar. Negociar o quê? Os interesses do povo? Isso ocorre tanto na esfera estadual como na federal.

ALCIDES: “O DESEMPENHO DO GOVERNO EM 2009 FOI MUITO RUIM”

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O vereador Alcides Kruschewsky participou da engrenagem que levou Newton Lima para o PSB, em 2007, logo após a cassação de Valderico Luz Reis, de triste memória. De lá para cá, viu o PSB ter participação mínima no governo de Newton e a ascensão de peças mais ligadas ao jabismo.

O tempo passou e o governo de Newton esteve entre Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) para depois de definir por Jaques Wagner (PT). A definição aconteceu momentos após o prefeito meter a canetada e exonerar quase todos os secretários.

No início da tarde, o vereador do PSB conversou com o Pimenta. Ele avalia o momento político-administrativo em Ilhéus e diz acreditar em mudança de rumo do governo. “O prefeito não pode retroceder”, diz em relação ao secretariado. E constata: “O desempenho do governo em 2009 foi muito ruim”.

Leia os principais trechos:

Pimenta – O sr. tem participado das negociações. Existem novidades em relação ao secretariado?

Alcides Kruschewsky – Os novos secretários já estão nomeados e trabalhando. Poderemos ter mais novidades quando o prefeito Newton Lima chegar de Salvador, no sábado. É necessário mudar o secretariado.

E quanto ao senhor, vai para a Secretaria de Governo?

As conversas neste novo momento acontecem com os partidos e os seus dirigentes.

Como fica o PSB, então?

O PSB não vai aceitar fazer o mesmo papel de 2009, quando foi alijado administrativamente. O PSB teve espaço pequeno no governo, precisamos ser valorizados. O partido esteve sempre ao lado do prefeito e não criou embaraços para a administração. Aproximamos o prefeito de um segmento positivo e novo com a definição de apoio ao governador Jaques Wagner. Newton saiu de uma eleição história, 54 mil votos, e encerrou o ano passado com uma forte rejeição.

Rejeição de 51%, segundo pesquisas.

Pois é, e só crescendo [a rejeição]. Deveríamos iniciar o ano comemorando, cidade cheia…

“Newton não pode mais retroceder”.

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Como fica Newton Lima em relação à sua equipe de governo, muitos voltam?

Ele não pode mais retroceder, precisamos de novos nomes e não mais os mesmos. Esse rumo tem que ser imprimido. O desempenho [do governo] foi muito ruim em 2009. A administração deve reconhecer isso e ter a capacidade de promover mudanças de conceito e de quadros. Foi essa conversa que tivemos com os partidos.

Como trabalhar essa mudança de conceito?

Vamos até criar o Conselho Político para discutir questões de governo para que as decisões não sejam tomadas de forma isolada ou anunciadas sem prévio estudo. Veja o caso das demissões de efetivos, contratados entre 1983 e 1988. Ela foi anunciada sem nenhuma discussão.

E gerou confusão entre os servidores.

Foi posta de forma isolada. Não podemos mais fazer as coisas de forma monocrática. Até tive essa conversa com o prefeito para fazermos essa reflexão.

O ex-prefeito Jabes Ribeiro comentou que a decisão de demitir os efetivos não-concursados geraria um enorme passivo.

Esse acompanhamento e cuidado quanto ao passivo e a precatórios deveriam ser exercidos permanentemente. No passado, isso não ocorreu. Isso não é uma crítica específica a Jabes, mas aos governos anteriores, que descuidaram nesse sentido e geraram grandes dívidas com precatórios.

O sr. acredita que o prefeito não estava sendo bem orientado?

Ele não estava contando com melhor conselho técnico. Em 2008, o município concedeu reajuste de 10% e em 2009, 12%. Só aí, a folha teve acréscimo de R$ 15 milhões. Os reajustes sem um melhor aconselhamento técnico geraram atrasos com fornecedores, empreiteiros e funcionalismo. Parte dos servidores ainda não recebeu o décimo terceiro. Certo que a crise econômica e as desonerações de impostos do presidente Lula também influenciaram nesta crise. O pagamento da empresa de lixo está atrasado.

São quantos meses de atraso, seis, sete?

A empresa apresentou estudos para atender determinado número de habitantes, dentre eles os distritos, mas eles não são atendidos pela Marquise. A empresa reduziu o número de caminhões da coleta, retirou dois compactadores. Entendemos isso como retaliação.

“O prefeito está ouvindo e está determinado.

Sinto mudança.”

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Voltando ao tema secretariado, o senhor assume após formar a equipe e fazer sondagem sobre qual será o caminho adotado pelo governo?

A ida do PT é um passo longo nesse sentido, essa construção para opiniões diferentes, e com grau de autonomia. Aceitaremos o convite se for para trabalhar com autonomia na função. Será um grande prazer fazer parte do governo. Newton é hoje a maior expressão do PSB no sul da Bahia.

O prefeito está disposto a ouvir, mudar?

Ele está ouvindo e está determinado. Sinto mudança. Ele está comprometido com Ilhéus. Há uma mudança. O prefeito não pode mais estar no universo político e abdicar de fazer política.

“NÃO TENHO COMPROMISSO COM NENHUM CANDIDATO”

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O vereador Raimundo Pólvora (PPS), um dos caçulas da Câmara, quem diria, já está mais do que articulado. Como quem não quer nada, já se garantiu como 1º secretário da mesa Diretora da Câmara a partir de 2011, deu um “rabo de arraia” na turma da prefeitura, na votação da reforma do Código Tributário, e peitou o prefeito quando foi ameaçado com a principal arma do Executivo para dobrar os vereadores: as indicações para cargos de confiança.

“Disse à secretária dele [Azevedo] que podia tirar os cargos, na hora que o prefeito quisesse”, orgulha-se. Nesse bate-papo com o Pimenta, Pólvora revela que não tem compromisso com nenhum candidato a deputado estadual – o que inclui, claro, seu correligionário e colega de vereança, Clóvis Loiola. “Não tenho compromisso com nenhum candidato. Estou esperando o partido me indicar um nome”. A seguir, a entrevista.

O senhor, assim como vários outros vereadores, foi assediado pelo Executivo para garantir a votação do projeto de reforma do Código Tributário do município, no final de dezembro. Como foram essas conversas?

O prefeito esteve em minha casa, me pedindo para votar no projeto de reforma tributária. Não garanti a ele que faria isso. Ele queria que eu assinasse um documento me comprometendo a votar a favor do projeto. Analisei aquilo achei melhor não assinar.

O senhor se negou a assinar, mas chegou a afirmar que não ia votar?

Primeiro me neguei a assinar. Depois pensei no que aquele voto poderia representar para mim, diante da sociedade. Sabia que ia ser polêmico, porque a gente não teve tempo de estudar o projeto, e o que eu soube é que poderia prejudicar a população. Decidi que não iria dar um presente daqueles a Itabuna e não fui lá, no dia da votação.

O que o senhor temia, em relação aos seus eleitores e à sociedade?

Ah, não queria ser chamado de traidor, como o presidente [Loiola] está sendo. E outra, a Câmara é para ser respeitada. A gente sabe que em todos os outros municípios que reformaram seus códigos tributários, os vereadores receberam os projetos ainda em junho. Tiveram tempo de estudar direitinho. A gente aqui recebeu quase em dezembro, ainda chegou a contratar técnicos pra nos ajudar, mas não dava para aprovar a toque de caixa.

“Decidi que não iria dar um presente daqueles a Itabuna”

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O senhor disse que “a Câmara deve ser respeitada”. O presidente Loiola, na sua visão, tem condições de garantir esse respeito, essa independência do Executivo, ou é preciso que o grupo de oposição assegure isso?

Quem tem que garantir isso é o presidente. Ele foi eleito para isso. O grupo deve estar unido para dar algum suporte, ser uma voz de apoio às suas decisões nesse sentido. Mas é papel do presidente garantir que o Legislativo seja respeitado.

O senhor foi retaliado pelo governo, por não ter votado no projeto do Executivo?

Eu recebi, sim, uma ligação da secretária do prefeito, dizendo que meus cargos seriam desligados. Disse a ela: ‘faço questão que vocês demitam todos’. Não aceitei aquela ameaça. Depois recebi outra ligação dela, dizendo que não era bem assim que a coisa devia ser feita, essas coisas.

Quantos cargos o senhor indicou no município?

Tenho sete cargos, num valor de R$ 5.200 por mês. Se fossem demitidos, eu iria arcar com a minha responsabilidade. Fome eles não iriam passar.

É possível saber, hoje, quem é oposição e quem é situação na Câmara?

Aquele grupo dos sete andou tendo umas baixas, mas parece que está voltando. Se não sete, possivelmente seis. Mas, com certeza, mesmo, parece que só vamos  ter cinco. Porque com o presidente não dá pra contar. E você sabe que tem um dos que eram nossos que está todo dia no gabinete do prefeito… Esse já é dele [Azevedo]. Porque vereador em gabinete de prefeito quer cargo, e disso esse vereador gosta muito. Não existe conversa de prefeito com vereador, que não seja política, voto, compromisso.

“Vereador em gabinete de prefeito quer cargo”

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E quem é esse vereador?

Prefiro não dizer o nome.

Ok, vamos por outras vias: qual é o mapa da câmara hoje?

Temos eu, Roberto de Souza, Claudevane Leite, Wenceslau Júnior, Ricardo Bacelar. Soube que o Dr. Gérson está voltando ao grupo e tem Loiola, que a gente não pode confiar como sendo da oposição. Do outro lado tem Milton Gramacho, Milton Cerqueira, Ruy Machado, Didi do INSS, Rose Castro e Solon Pinheiro. [surpreso com seu ‘fora’]: Ah, meu Deus, já disse o nome do vereador. É Solon Pinheiro, você já sabia mesmo…

O que gosta de cargos e está todos os dias na sala do prefeito?

Sim.

Não se preocupe. A cidade já sabia. Uma pergunta simples: o senhor vota em Loiola para deputado, já que são os dois do mesmo partido?

Essa pergunta é muito complicada… muito complicada…

Vamos refazer: o senhor tem compromisso com algum candidato a deputado?

Não. Com nenhum. Disse ao meu partido, o PPS, que vou esperar eles me indicarem o candidato. O PPS é um partido muito sério, você sabe, e eles só vão permitir apoio a quem for da coligação. Mas eu fiz uma proposta ao partido: eles me indicam o nome, dou meu apoio para estadual, e eu escolho o meu federal. Estou aguardando uma resposta.

Pelo jeito, se o partido não disse quem é o estadual, nem eles estão com Loiola… Mas não vamos entrar nisso.

É, não vamos entrar. Mas fiz essa proposta, e estou aguardando.

Finalizando: o que aconteceu no dia da votação para criação da CEI da Saúde?

Quando eu estava no plenário, a matéria estava em discussão. Eu era favorável à criação. Recebi uma ligação de minha esposa e fui atender, achando que a discussão ainda ia demorar, que daria tempo eu voltar. Quando retornei já tinham votado. Mas faltou um voto também, que foi do Dr. Gérson. Agora temos que entrar no Ministério Público.

PT PODE ASSUMIR SECRETARIA DA SAÚDE EM ILHÉUS

Josias Gomes (Arquivo Pimenta)

Josias Gomes (Arquivo Pimenta)

O Pimenta conversou há pouco com o ex-deputado federal e ex-presidente do PT baiano, Josias Gomes, sobre a turbulência político-administrativa em Ilhéus, quando o prefeito Newton Lima exonerou 13 dos 15 secretários e outros 230 ocupantes de cargos comissionados.

Josias disse acreditar em acordo entre o prefeito e o Partido dos Trabalhadores, convidado a participar do governo municipal.

As bases serão consultados antes do “sim” – ou “não” – ao convite de Newton. O atual presidente do diretório do PT estadual, Jonas Paulo, estará em Ilhéus amanhã, dia 8, para conversar com o prefeito ilheense e ouvir os dirigentes do partido no município.

Caso o PT aceite o convite, poderá assumir uma importante secretaria do governo. Pode ser a Saúde, conforme deixa escapar o ex-deputado. Confira a entrevista.

O PT esperava um início de ano conturbado como este em Ilhéus?

Olha, desde o final do ano passado que estamos conversando com Newton [Lima], para compor. Mas ele mostrava resistência. Ontem, houve essa conversa do prefeito com o governador.

E Jaques Wagner, realmente, jogará a “bóia” para Newton?

Wagner topa apoiar [o governo] e se colocou à disposição de Ilhéus e da gestão.

E como é que fica agora?

Olha, Jonas [Paulo, presidente do PT baiano] terá conversa com Newton, amanhã. Sabe Deus no que vai dar. Ele [Newton] é muito imprevisível, mas eu estou animado em relação a essa conversa. A gente sabe que a situação do governo [de Ilhéus] não é nada boa, mas estamos dispostos a ajudar.

E com essa briga com o presidente da Câmara, ele terá que buscar novos aliados…

Isso, vai ter de se aliar mais, politicamente, conosco. Ele ficou de anunciar esse apoio à reeleição de Wagner em um ato em Ilhéus. Então, a minha impressão é que vai dar certo. O governo [o segundo mandato] ainda está começando. Se direcionar o governo para uma tomada de posição mais positiva, pode dar certo.

Mesmo após a campanha tensa de 2008, o senhor acredita nessa “concertação”, com o PT apoiando Newton?

Há uma certa desconfiança, mas o PT ilheense está aberto, bem aberto, para dialogar e ajudar o governo.

A conversa em Salvador definiu qual a participação do partido na gestão de Newton?

O PT não terá a Educação. É provável que assuma a Saúde, pois a menina [Marleide Figueiredo] vai sair.

E como é que fica essa negociação, tendo a deputada Ângela Sousa e o vice Mário Alexandre, interessados?

Ele [Newton] procurou o PT em busca de solução. Então, é a partir daí que vamos conversar. Não é arrogância.

O sr. diz que o diretório ilheense está aberto. Diz isso com base apenas na opinião de dirigentes?

Não. O presidente do diretório precisou viajar a Itambé, não está em Ilhéus. Digo isso pelo clima de mudança, virada na administração. É nesse espírito que vamos conversar.

Se o PT entrar no governo e a pasta for a Saúde, qual o nome do partido para o cargo?

Olha, nós ainda não conversamos com ele, mas o nome pode muito bem ser [o do médico Antônio] Rabat. Qual a nossa participação e se o PT entra no governo a gente saberá amanhã, nessa conversa do prefeito com Jonas [Paulo].

LOIOLA: RETALIAÇÃO DE PREFEITO ATINGE POPULAÇÃO

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Ainda rende – e se depender dele renderá muito mais! – a sessão de fim de ano convocada pelo prefeito Capitão Azevedo para votação da reforma do Código Tributário do Município.

Mesmo com o propalado reconhecimento do prefeito de que o projeto continha vários erros, o vereador Clóvis Loiola, presidente da Câmara, está associando estranhos fenômenos ocorridos à época e que perduram até hoje, à não aprovação daquele texto.

Em outras palavras, Loiola acredita que está sofrendo retaliação do governo por não ter garantido a sessão que prejudicaria a população. “Eu não podia ir de encontro à vontade da sociedade. Mas a retaliação do prefeito está atingindo a população, que por sinal votou nele em 2008”.

Veja as retaliações a que Loiola se refere e ainda outras interessantes declarações do presidente do Legislativo na entrevista a seguir.

Hoje pela manhã o Pimenta publicou uma nota dando conta de que o senhor está sofrendo perseguição do governo, por não ter garantido a sessão do dia 23 de dezembro. O que o senhor tem a dizer?

Eu estranhei muito, quando soube que, naquele dia, o presidente da Emasa, Alfredo Melo, tinha mandado retirar as máquinas e todo o material de uma obra que a prefeitura estava fazendo no Santa Inês. Uma obra que começou de manhã e, se as máquinas continuassem trabalhando estaria pronta às 18 horas. A retirada ocorreu logo quando saiu a notícia que a sessão não ia ser realizada, por volta das 16 horas.

E quanto aos seus cargos, indicados na estrutura do município?

Também tem essa situação. Até hoje não receberam salário e eu soube que iam ser demitidos. Não sei se isso é verdade, mas achei muito estranho. A obra e essas pessoas sofrendo essa retaliação…

E essa obra, de que se tratava? A gente sabe o quanto é difícil até para os vereadores conseguirem a realização de qualquer coisa pela prefeitura…

Até eu estranhei. Pedi num dia, no outro as máquinas chegaram. É um esgoto que eu pedi para que fosse coberto, colocado manilhas. No outro dia pela manhã a máquina já estava lá. À tarde, o presidente da Emasa mandou retirar tudo, prejudicando a população. Isso tem que ficar claro: a perseguição do prefeito prejudica a população.

“Até eu estranhei. Pedi num dia, no outro as máquinas chegaram”

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Mas o senhor disse que foi o presidente da Emasa que mandou retirar os equipamentos…

E é verdade. Nem sei se o prefeito ficou ou não sabendo disso. Mas, como a gente sabe que muita gente manda na prefeitura mais do que ele [Azevedo]… É fácil o presidente da Emasa ter feito isso sem que ele soubesse. De qualquer forma, é o governo, e ele é o chefe, deveria estar no comando.

Vamos falar da sessão. O que ocorreu naqueles dias que levaram ao desfecho que resultou nessas retaliações?

O prefeito nos procurou, pedindo a convocação dos vereadores para votar o projeto. Eu disse que tudo bem, desde que estivesse dentro da lei e do regimento. Aconteceu que quando a gente chegou na Câmara já encontrou manifestação do sindicato dos comerciários, depois recebemos manifestação do pessoal do comércio – CDL, ACI, Sindicom – e também ouvimos os vereadores da oposição.

“Muita gente manda na prefeitura mais do que ele [Azevedo]”

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O senhor está dizendo que recuou, retirou sua promessa ao prefeito, porque foi pressionado?

Ficou claro que não era uma coisa boa para a população, do jeito que estava sendo encaminhado. Havia ainda a questão da ilegalidade. Assim, achei por bem não realizar. Tudo bem que eu disse que ia fazer, mas se fosse legal. Chegando aqui, com assessoria parlamentar, vereadores e a sociedade apontando as falhas não tinha condição de levar aquilo adiante.

Logo após aquela sessão apareceram informações dando conta de que houve um “mensalinho”, um 13º de R$ 6 mil, por fora, oferecido pelo governo aos vereadores para que esse projeto fosse aprovado. O senhor recebeu ou soube de algo referente a isso?

Não tive conhecimento disso. Nem ouvi falar.

Não que fosse algo novo na política nacional, nem mesmo na de Itabuna. Alguns até acham que não é ilegal. Então, o senhor não recebeu?

Não, nem soube disso.

E quanto à sua assessoria de comunicação? Já achou um profissional que atenda às suas exigências?

Não são exigências…

Corrigindo: suas necessidades…

Pois é. Eu não fico parado. Hoje mesmo já rodei a cidade toda, ouvindo a população e pedindo que a prefeitura realize as obras. Se o prefeito não atender, é outra coisa, mas faço a minha parte. Então, eu preciso de ter essa resposta na mídia, até porque eu estou fazendo aquilo que é para o bem do povo. Se a pessoa que trabalha comigo não conseguir dar esse retorno, fica difícil…

Voltando à obra-relâmpago do Santa Inês. Como vai ficar? O buraco vai ficar aberto, a prefeitura já se manifestou?

Até agora, não. Eu já mandei recado por pessoa de Azevedo, mas não temos nada. Como foi uma coisa que eu pedi e o prefeito logo atendeu, a população também me dá o crédito. Assim, eu também virei responsável. Se nada for feito pela prefeitura, eu mesmo vou ter que alugar uma máquina e mandar fazer. Porque a população não pode sofrer as conseqüências dessa política do governo.

“Se eu for candidato e ganhar, e Wagner se reeleger, tenho que ver o que é melhor para o povo”

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Até porque o senhor também é pré-candidato a deputado. Por falar nisso, o senhor se elegeu na coligação de Juçara e logo depois já estava no apoio ao prefeito Capitão Azevedo. Como o senhor iria se comportar, caso fosse eleito deputado, em relação ao governo?

Disso não tem dúvida. Sou de um partido (PPS), que tem seu posicionamento. Mas, e o povo? Se eu ficar só brigando, como consigo ajudar o povo que me elegeu? Se eu for candidato e ganhar, e Wagner se reeleger, eu tenho que ver o que é melhor para o povo. Se o partido não seguir essa linha, eu tenho que fazer. Acho que o político não deve radicalizar contra tudo só porque é de partido A ou B. Primeiro, quem tem que ser atendida é a população.

Uma última pergunta sobre a sessão fatal: o senhor chegou a ouvir que, caso levasse adiante a votação da reforma do código tributário, alguns vereadores iriam pedir seu afastamento…

Isso mostrou muita coisa. Três dos vereadores da base do governo que antes queriam que houvesse a sessão, disseram que garantiriam três votos contra mim. Todos da base do prefeito. E eu é que sou perseguido.

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Da Redação: Não podemos deixar de observar, porém, que essa subserviência pretendida pelo Executivo na relação com o Legislativo encontra forças justamente nas armadilhas do jogo político: indicações de cargos, propinas e outras formas de rendição. Vereador que se esbalda, acaba sendo cobrado. Que sirva de alerta!

“VIEIRA MANDOU ESCONDER MEDICAMENTOS VENCIDOS”, DIZ CHEFE DO ZOONOSES

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Nailton Silva Almeida, chefe da Divisão de Zoonoses da prefeitura de Itabuna, não agüentou o tranco. Depois de ser vítima de várias matérias e denúncias por não fazer o seu trabalho, já que os animais soltos pela rua se multiplicavam, ele decidiu deixar o polpudo salário para manter sua honra, segundo afirma ao Pimenta. Vai entregar o cargo nessa sexta-feira, 4.

Explica-se. Nailton, um dos muitos colaboradores da campanha de Azevedo, foi mandado para a Zoonoses, o que ele aceitou numa boa. Antes, no governo de Fernando Gomes, era chefe do Caps.

O problema foram os rumos – ou a falta de – que o governo adotou. “O governo não me deu respaldo algum. Nunca tivemos condições de fazer o trabalho, e só víamos nosso nome ser enxovalhado nas ruas, na imprensa”. Mas essa é apenas a parte ‘administrativa’ da história.

“O Centro de Zoonoses é um depósito de remédios vencidos, que a prefeitura não distribui à população. Contra a dengue, por exemplo, são muitos. Todos escondidos lá, a mando do secretário da Saúde, Antônio Vieira, e do chefe da Vigilância à Saúde, Florentino Filho”.

Muito mais, na entrevista a seguir.

O Pimenta, assim como parte da imprensa itabunense, denunciou várias vezes o seu trabalho. Os animais não eram retirados das ruas e até causaram acidentes. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Nós passamos quatro meses sem uma carroça e sem a Hilux [picape usada para puxar a carrocinha que recolhia os animais das ruas]. Nesse período, nem um detergente entrou no centro. Nada. Nosso freezer, que era usado para congelar os animais sacrificados antes de serem levados para o descarte no lixão, quebrou e não foi consertado.

Hoje, após a eutanásia, os bichos se decompõem lá mesmo, até a chegada do carro da Marquise, para fazer o recolhimento. Ou seja, nunca tivemos condições de fazer o trabalho.

DESPERDÍCIO: medicamentos que deveriam ser doados à população foram parar no centro de zoonoses

O senhor falou em eutanásia. Essa é a recomendação ou o sacrifício lá é feito por conta própria e indiscriminadamente?

Veja bem. Animais que estão com doenças transmissíveis ou em estado terminal, são sacrificados. Mas veja o que acontecia em Itabuna há até um mês, antes da chegada de uma veterinária, que está tratando dos animais. Todos os animais doentes recolhidos das ruas (cães e gatos, principalmente), eram sacrificados. Se chegasse lá com o pêlo caindo, recebia a injeção letal. Eram de 10 a 12 animais sacrificados ao dia.

Temos informações de que o canil e outras dependências do centro são totalmente insalubres. Como o senhor descreveria as condições de higiene e segurança do local onde esses animais são sacrificados ou mesmo onde eles ficam durante o tratamento?

São péssimas condições de trabalho. Péssimas. Funcionários trabalham sem proteção, sem luvas, sem máscaras. São condições insalubres, perigosas, mesmo.

São quantos funcionários?

Dois, que cuidam do canil, do gatil e do local onde ficavam os outros animais de grande porte.

“Se chegasse lá com o pêlo caindo, recebia a injeção letal. Eram de 10 a 12 animais sacrificados ao dia”

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E esses outros animais, onde estão sendo guardados agora?

Ah, agora a Settran pega nas ruas e leva para a Adei, ficam num cercadinho que fizeram lá. Eles estão dizendo que esses animais são levados para a Zoonoses. Não são. Quando ainda estão na Adei, a nossa veterinária vai lá, classifica, ferra e depois eles são levados para a fazenda de ‘Alvinho’ [Álvaro Catarino], coordenador do Samu.

Por que o trabalho do Zoonoses só aparecia em notícia ruim?

Tentei trabalhar e não tive apoio do secretário da Saúde, Antônio Vieira, nem do diretor da Vigilância Epidemiológica, Florentino Filho. Esse é um zero à esquerda.

“São medicamentos que eram para ser entregues à população nos postos de saúde, mas não são distribuídos”

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O senhor falou, antes da entrevista, que vários medicamentos que deveriam ser entregues à população, foram descartados no Centro de Zoonoses. Fale sobre esses medicamentos.

São medicamentos que eram para ser entregues à população nos postos de saúde, não são distribuídos, têm os prazos de validade vencidos e eles levam pra lá, para transformar em remédios para animais. Às vezes, até humanos tomam desses medicamentos, com prazos de validade vencidos.

Qual deveria ser a destinação desses medicamentos?

Deveriam ser incinerados.

E lá no centro tem incinerador?

Não tem incinerador nem teve autorização de ninguém para que… Mandaram só esconder esses medicamentos.

Esconder?

Esconder.

“Quem fiscaliza é a Vigilância Epidemiológica, que é quem encaminha os medicamentos pra lá”

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Vamos só fazer uma recapitulação. O senhor está falando que medicamentos, que são adquiridos por meio de convênios com o Ministério da Saúde, não são distribuídos à população e, quando ficam vencidos, o secretário da Saúde pede para que os escondam no centro de zoonoses.

Isso mesmo. Pede ao setor de Vigilância à Saúde, que fica a cargo de Florentino. Este, por sua vez, manda os medicamentos pra lá para que sejam escondidos. Vieira o manda e ele, por sua vez, nos manda esconder tudo.

Pelo que o senhor nos descreveu das condições do lugar, que não seria seguro nem agradável aos seres humanos, e não tem incinerador, esses medicamentos estariam, ao juízo dessas autoridades, num lugar perfeito para ficarem longe dos olhos da população e da imprensa.

Quem fiscaliza é a Vigilância Epidemiológica, que é quem encaminha os medicamentos pra lá. Nunca vai ter fiscalização, né?

O senhor está deixando um cargo que lhe garante uma boa remuneração. Por outro lado, o que se percebe é que isso ocorre depois que os animais começam a ser retirados da rua pela Settran…

Pois é. O secretário Wesley Melo virou o artista de cinema que manda na parada. Mas ele está com quatro motos, está com um Uno, com um carro-gaiola e com a polícia, na captura de animais. Aí, é muito bom. Nós não tínhamos nada disso. E o meu nome na imprensa era só levando porrada. E o secretário da Saúde nunca tomou paternidade de nada.

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E sua atitude então foi…

Minha atitude é pedir demissão do cargo. Porque eu não tenho condições de continuar, estou vendo meu nome ir pra rua como incompetente. Porque, se falar, vai ser posto fora. Você tem que ser desmoralizado, engolir isso, e depois vem o outro, que não tem nada a ver, para ir pra rua [fazer o trabalho]. Primeiro, o prefeito pediu que ele [o secretário Wesley Melo] me desse suporte. Só que o suporte era de transporte, carro e a carretazinha para pegar os animais. Agora, ele me dar aula de administração, não aceito.

Antes do centro de zoonoses, o que o senhor fazia?

Sou formado em Economia. Fiquei à frente do Caps, no governo de Fernando Gomes, por quatro anos. Também fui funcionário da Embasa, da Ceplac. No Caps, fiz um trabalho que todos lá reconhecem, porque eu tive apoio do governo, do secretário da Saúde. Mas, hoje, o secretário da Saúde não ajuda ninguém. O Florentino, que se diz doutor, é um bioquímico, que nunca foi doutor em lugar nenhum, é um zero à esquerda.

Pra resumir: renuncia ao cargo, ao salário de chefe de divisão, para manter a honra.

Para manter a honra. Pra mostrar que eu sou Nailton. Porque, se eu ficar nesse jogo de empurra, eu vou compactuar com ele e me tornar inoperante perante qualquer trabalho público. E eu não quero isso.

“PRÁTICAS DA DIREITA ESTÃO SENDO REPETIDAS NO GOVERNO WAGNER”, DIZ DEPUTADO DO PV

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O líder da bancada do PV na Câmara Federal, Edson Duarte, está entre os defensores da candidatura própria “dos verdes” a governador na Bahia. Para ele, seria incoerente defender o projeto Marina Silva e, ao mesmo tempo, estar no palanque reeleitoral de Jaques Wagner, que apoiará a petista Dilma Roussef a presidente.

Ele conversou com o Pimenta, ontem à noite, fez duras críticas à articulação política do governo estadual e disse que disputará, em 2010, uma das duas vagas baianas ao Senado Federal, missão para a qual assegura contar com o apoio da presidenciável Marina Silva.

Comparando o governo de Wagner a uma igreja. Sustentou que o governo privilegia os neoaliados em detrimento de antigos amigos de caminhada e disse que não é a igreja que deve se adequar ao pecador. Aí, uma crítica direta ao jogo sem regras da direita que se apossou de cargos importantes no governo.

Neste final de semana, o PV realizou o quarto encontro regional para analisar o cenário para 2010 e reforçar a tese de candidatura própria a governador em 2010. O nome mais forte até aqui para disputar o Palácio de Ondina é o do ex-petista Luiz Bassuma, hoje deputado federal. Confira a entrevista:

Pimenta na Muqueca – Por que o sr. também é defende candidatura própria a governador?

Edson Duarte – Estamos defendendo o nome de Marina Silva, novo projeto, nova forma de fazer política, voltado para princípios éticos. Para fazer política, não precisa incidir naquelas práticas que a sociedade tanto condena…

E no estado?
Pois é. Como podemos defender um projeto novo e estarmos em outro palanque [o de Jaques Wagner], que é do projeto que condenamos no plano nacional [Dilma Roussef]? A nossa vontade, sentimento é de termos um projeto próprio. Precisamos ser reféns das nossas consciências e dos nossos princípios. No plano nacional, somos um dos coordenadores da campanha de Marina, além de ser  o líder da bancada do PV na Câmara Federal.

Sendo assim, como o partido planeja 2010?

As conversas estão avançadas com o PSOL e o PSC no plano nacional. Aqui na Bahia, estamos formando uma frente de partidos de esquerda com PPS, PMN…

“Eu vou sair candidato ao Senado; a própria

Marina Silva tem me instigado nessa direção”.

__________

Internamente, quais os nomes postos para a disputa majoritária?

Eu vou sair candidato ao Senado, não vou mais disputar vaga na Câmara Federal. A própria senadora Marina Silva tem me instigado bastante nessa direção. Isso representa uma oxigenação da política, até baiana, uma alternativa a essa briga grande, que é a briga do poder pelo poder. Vamos inserir no caldeirão da política a questão ética.

O senhor acredita que o eleitor, frustrado com tantos casos de corrupção, ainda vote em quem levanta a bandeira da ética?

(…) Principalmente agora. Eu também achava que, com os escândalos, as pessoas se afastariam, perderiam o interesse pela política. A sociedade se renova e surpreende a cada instante. O que vemos é o interesse de participar do processo político, grupos interessados nos seus projetos. Nunca recebi tanto convite para debater. A sociedade despertou para a política, só que com senso crítico maior…

E como atrair estes eleitores?

Eles deixam claro que não há espaço para promessas demagógicas. Hoje, o eleitor está mais criterioso.

“Juliano está sendo convencido de

que a saída é a candidatura própria”.

__________

A maioria defende a candidatura própria, mas como fica a situação do secretário de Meio Ambiente, Juliano Matos?

Ele está se convencendo que esta é a saída, a candidatura própria. A lógica mostra isso: como defender um projeto nacional diferente estando em uma coligação que, no estado, é palanque de Dilma [Roussef]? Não vejo outra alternativa que não seja a candidatura própria. Ai, ele será convencido. Firmamos uma aliança eleitoral em 2006, mas não está escrito em cartório que tenhamos que mantê-la para o resto da vida.

Há frustração com Wagner ou a candidatura própria a governador visa apenas fortalecer o projeto nacional?

As duas coisas… O governo Wagner tem alguns avanços, mas é muito tímido para o que se propôs. Apenas gerenciar bem e criar um ou outro programa é muito pouco. O governo faz mais política olhando a próxima eleição do que vendo aquilo que se está construindo para o povo.

Qual a proposta, então, do PV?

Hoje, o governo não discute com a sociedade um desenvolvimemto que seja sustentável, por exemplo. Há limitações muito sérias. O governo não faz política. Há um conselho político que se reuniu apenas duas vezes em quase três anos. A última vez, para discutir a campanha de 2010. Ter Rui Costa como secretário de articulação [política] é muito pouco para o que propomos. Veja: temos a maior área semi-árida que temos notícias e não possuímos um programa para aquela região. No sul da Bahia, o que existem são ações pontuais, nada para curto, médio e longo prazos.

“Nós pretendemos ser diferentes, não repetir

os erros do PT, que se misturou com quem não devia”.

__________

E a solução é romper?

Todo partido político precisa ousar, não pode ficar sendo coadjuvante o tempo todo. Não há democracia sem partidos fortes. Partido que passa a vida toda sendo base de sustentação e vivendo de projeto alheio, não sobrevive, não é partido político. Nós, pelo menos, pretendemos ser diferentes, e não repetir os erros do PT, que se misturou com quem não devia.

Aqui no estado?

Se misturou. Se você abre a porta da igreja, é para que os pecadores entrem. Quem está no poder, não pode ser excludente. Mas o pecador tem que se adequar às normas da igreja e não a igreja às normas do pecador. Com a entrada de figuras históricas da direita no governo Wagner, as práticas estão sendo repetidas…

Do que o senhor fala, especificamente?

Ah, fica aquela conversa do “libero recurso para quem vota em mim”. São práticas políticas pequenas. Deveríamos estar trabalhando em outro patamar. Isso não vem de Wagner. Ele é sério. Mas nós não estamos olhando o indivíduo [Wagner], mas avaliando o governo como um todo.

“A articulação política foi uma das

[áreas] mais fracas do governo”.

__________

E onde estariam ocorrendo essas práticas?

A articulação política foi uma das mais fracas do governo… Privilegiou novos aliados em detrimento de quem sempre acompanhou o projeto progressista. Você pode atrair novos aliados, mas sem esquecer dos antigos amigos. Foi o que aconteceu na Bahia e no plano nacional… PPS, PV, PDT romperam.

Mas o PDT está no governo.

Mas a base parlamentar [federal] está muito insatisfeita. Foi preciso dar um ministério. Então, não conquista pelos métodos, pelas ações, mas pelo cargo. Economiza palavras e ações.

O diretório do PV de Itabuna vive confusão sem-fim. Haverá mudança por aqui?

Vamos anunciar, nas próximas horas. O partido deverá ser presidido por Gerson Nascimento, que é um homem que pacifica o partido em Itabuna. Ele não queria, não era o seu desejo, mas é um nome que unifica o diretório local e agrada o PV da Bahia. Gerson conhece o projeto e está bastante tentado a aceitar esse convite.

Por que o sr. também é defensor da candidatura própria a governador?
Edson Duarte – Estamos defendendo o nome de Marina Silva, novo projeto, nova forma de fazer política, voltado para princípios éticos. Para fazer política, não precisa incidir naquelas práticas que a sociedade tem tanto condenado…

E no estado?
Pois é. Como podemos defender projeto novo e estarmos em outros palanques que são do projeto que condenamos no plano nacional? A nossa vontade, sentimento é de termos um projeto próprio. Precisamos ser reféns das nossas consciências e dos nossos princípios. No plano nacional, somos um dos coordenadores da campanha de Marina, além de ser  o líder da bancada do PV na Câmara Federal.

E como ficam as discussões regionais?
As conversas estão avançadas com o PSOL e o PSC no plano nacional. Aqui na Bahia, estamos formando uma frente de partidos de esquerda com PPS, PMN…

Quais os nomes postos para a disputa majoritária?
Eu vou sair candidato ao Senado, não vou mais disputar vaga na Câmara Federal. A própria senadora Marina Silva tem me instigado bastante nessa direção. Isso representa uma oxigenação da política, até baiana, uma alternativa a essa briga grande, que é a briga do poder pelo poder. Vamos inserir no caldeirão da política a questão ética.

O senhor acredita que o eleitor, frustrado com tantos casos de corrupção, ainda vote em quem levanta a bandeira da ética?

(…) Principalmente agora. Eu também achava que, com os escândalos, as pessoas se afastariam, perderiam o interesse pela política. A sociedade se renova e surpreende a cada instante. O que vemos é o interesse de participar do processo político, grupos interessados nos seus projetos. Nunca recebi tanto convite para debater projetos. A sociedade despertou para a política, só que com senso crítico maior…

E como atrair estes eleitores?

Eles deixam claro que não há espaço para promessas demagógicas. Hoje, o eleitor está mais criterioso.

A maioria defende a candidatura própria, mas como fica a situação do secretário de Meio Ambiente, Juliano Matos?

Ele está se convencendo que esta é a saída. A lógica mostra isso: como defender um projeto nacional diferente estando em uma coligação que, no estado, é palanque de Dilma [Roussef]? Não vejo outra alternativa que não seja candidatura própria. Ai, ele será convencido. Firmamos uma aliança eleitoral em 2006, mas não está escrito em cartório que tenhamos que mantê-la para o resto da vida.

Há frustração com Wagner ou a candidatura própria a governador visa apenas fortalecer o projeto nacional?
As duas coisas… Primeiro, o governo Wagner tem alguns avanços, mas é muito tímido para o que se propôs. Apenas gerenciar bem e criar um ou outro programa é muito pouco. O governo faz mais política olhando a próxima eleição do que vendo aquilo que se está construindo para o povo.

Qual a proposta, então, do PV?

Hoje, o governo não discute com a sociedade um desenvolvimemto que seja sustentável, por exemplo. Há limitações muito sérias. O governo não faz política. Há um conselho político que se reuniu por apenas duas vezes em quase três anos. A última, agora, para discutir a campanha de 2010. Ter Rui Costa como secretário de articulação [política] é muito pouco para o que propomos. Veja: temos a maior área semi-árida que temos notícias e não possuímos um programa para aquela região. No sul da Bahia, o que existem são ações pontuais, nada para curto, médio e longo prazos.

E o PV acredita que essa relação só muda se romper?

Todo partido político precisa ousar. Não pode ficar sendo coadjuvante o tempo todo. Não há democracia sem partidos fortes. Partido que passa a vida toda sendo base de sustentação e vivendo de projeto alheio, não sobrevive, não é partido político. Nós, pelo menos, pretendemos ser diferentes… E não repetir os erros do PT, que se misturou com quem não devia.

Aqui na Bahia, também se misturou?

Se misturou. Se você abre a porta da igreja, é para que os pecadores entrem. Quem está no poder, não pode ser excludente. Mas o pecador tem que se adequar às normas da igreja e não a igreja às normas do pecador. Com a entrada de figuras históricas da direita no governo Wagner, as práticas estão sendo repetidas…

Do que o senhor fala, especificamente?
Ah, fica aquela conversa do “libero recurso para quem vota em mim”. São práticas políticas pequenas. Deveríamos estar trabalhando noutro patamar. Isso não vem de Wagner. Ele é sério. Nós não estamos olhando o indivíduo [Wagner], mas avaliando o governo como um todo.

E onde estaria ocorrendo esse, digamos, problema?

A articulação política foi uma das mais fracas do governo… Privilegiou novos aliados em detrimento de quem sempre acompanhou o projeto progressista. Você pode atrair novos aliados sem esquecer dos novos amigos. Foi o que aconteceu na Bahia e no plano nacional… PPS, PV, PDT romperam.

Mas o PDT está no governo?

Mas a base parlamentar [federal] está muito insatisfeita. Foi preciso dar um ministério. Então, não conquista pelos métodos, pelas ações, mas pelo cargo. Economiza palavras e ações.

O PV vive uma briga antiga no diretório local. Haverá mudanças por aqui?

Vamos anunciar, nas próximas horas. Gerson Nascimento é um homem que pacifica o partido em Itabuna. Ele não queria, não era o seu desejo, mas é um nome que unifica o diretório local e agrada o PV da Bahia. Gerson conhece o projeto e está bastante tentado a aceitar esse convite.

“O MUNICÍPIO VIVE UMA CRISE DE COMANDO”

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Debates acalorados, milhões de reais envolvidos e um secretário que não manda nada. Esse é o resumo da reunião da tarde/noite de ontem no Conselho Municipal de Saúde, em que foram convidados quatro secretários e o prefeito Capitão Azevedo, mas só o titular da Saúde, Antônio Vieira, compareceu.

O problema é que, justo ele, que não tem poder nem sobre as finanças de sua secretaria, se coloca para negociar com os empresários que prestaram serviço à prefeitura e não receberam no mês de outubro de 2008. A reunião foi sugerida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região (Sintesi), indiretamente interessado nessa dívida.

Fala o coordenador do Sintesi, Raimundo Santana: “Com as empresas descapitalizadas, quem sofre são os trabalhadores. Muitos nem receberam o 13º de 2008, e ainda estão com os meses de setembro e outubro em atraso”.

Sobre a convocação de metade do governo, Raimundo é claro: “convocamos todos eles porque há uma crise de comando no município. Como todos têm responsabilidade direta sobre a questão, os chamamos”.

O Pimenta conversou, por telefone, agora pela manhã, com o coordenador. A seguir, a entrevista completa.

O Sintesi foi o responsável pela convocação dessa reunião que, olhando superficialmente, atende à necessidade dos patrões. Qual o interesse dos trabalhadores nessa questão?

Entendemos que a supressão de um mês de receita agrava a situação de qualquer empresa, o que ocorreu com os hospitais e clínicas e todos os prestadores que não foram remunerados em outubro de 2008. O Hospital São Judas, por exemplo, está totalmente descapitalizado. A maternidade Esther Gomes, também. A Santa Casa, que aparentemente tem mais recursos, também se ressente, porque os valores envolvem milhões. E, na ponta do processo, o trabalhador é quem mais sofre, assim como a população, que depende desses atendimentos.

E isso se refletiu nos trabalhadores de que forma, na prática?

As consequências foram severas para o trabalhador. Veja que o São Judas, por exemplo, ainda não pagou o 13º de 2008. Esse ano, capengou no pagamento dos salários mensais e já está devendo setembro e outubro. E sem perspectiva de pagar o 13º de 2009. A Maternidade Esther Gomes conseguiu agora pagar o 13º de 2008, mas já deve setembro e outubro, e não tem previsão de pagamento do 13º desse ano.

Existe divergência de valores: quem deve diz que a dívida é bem menor do que afirmam os que têm a receber [os prestadores de serviço dizem que passa de R$ 9 mi; a secretaria de Saúde fala em pouco mais de R$ 5 milhões]. Quanto o município deve a cada um?

Eu até quero me abster dessa resposta. Aliás, digo que em relação ao São Judas chegou-se a um denominador comum, se acertaram. Mas os outros estão discutindo e acredito que eles terão maturidade para chegar também a um valor.

Esse convite, que na verdade seria uma convocação do Conselho, foi endereçado aos representantes do chamado núcleo duro do governo Azevedo. Foi uma estratégia, jogar uma tarrafa tão grande para ver se pegava, ao menos, um peixe graúdo?

Na verdade, a convocação foi para o prefeito e todos os secretários envolvidos na questão [Saúde, Finanças, Planejamento e Administração]. O problema é que existe, na nossa visão, uma crise de comando na prefeitura, de quem manda de verdade. Por isso, chamamos todos. E era para que todos comparecessem, porque todos têm responsabilidade direta na questão.

“Vieira não manda nada em relação às finanças da sua secretaria”

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Você fala em crise de comando, o que também se ouve muito de outras pessoas. De que forma ela se reflete, por exemplo, nessa questão da dívida e no problema da saúde como um todo?

Um exemplo básico. O secretário da Saúde, Antônio Vieira, não manda nada em relação às finanças da sua secretaria, que tinha autonomia financeira. O Fundo Municipal da Saúde foi extinto, e todo o dinheiro, aquele da chamada verba carimbada da saúde, hoje, é administrado pela secretaria de Finanças, pelo secretário Carlos Burgos. Por isso, ele também foi chamado, mas não apareceu, assim como todos os outros. Só Vieira…

…Que não decide. A extinção do fundo da saúde pode comprometer em quê as políticas públicas de saúde? Há risco, por exemplo, de desvio de dinheiro para outras áreas do governo?

Acredito que esse foi o pior retrocesso dessa administração em relação à saúde. E olha que temos inúmeros problemas. Mas vejo a extinção do fundo como o pior deles. Porque agora o secretário não pode fazer seu planejamento em cima das receitas que dispõe. Ele precisa pedir autorização a outro secretário para executar essas ações. E a secretaria das Finanças tem muitas prioridades, que nem sempre são relacionadas à saúde. O risco de desvio de finalidade sempre existe porque fica difícil fiscalizar, uma vez que as receitas se diluem no meio do orçamento de todo o governo. É grave, repito.

E a reunião de ontem, pode ser considerada um avanço ou nada mudou?

Já havia tido uma reunião, com o município e os prestadores. Dali saiu uma solução, que os secretários ficaram de submeter ao entendimento do prefeito. Depois disso, tudo voltou à estaca zero. O que se decidiu  ontem foi pela cobrança dessa dívida na Justiça [Federal]. Pelo menos, ficou decidido o caminho que eles vão querer trilhar. O CMS vai provocar o Ministério Público, para debater qual a melhor estratégia jurídica para solucionar o problema. A princípio seria uma ação coletiva em favor dos prestadores.

“O risco de desvio de finalidade sempre existe”

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Você realçou o fato de o problema estagnar quando chegou à decisão do prefeito Capitão Azevedo. Ontem, apesar de convidado, ele não apareceu. Como é a relação do Conselho com o prefeito, com o governo?

Acredito que essa é a pior relação do Conselho Municipal de Saúde com o Executivo que se tem notícia. Não parece haver respeito institucional do prefeito com o colegiado. Por outro lado, ele se compromete ainda mais. Não existe outra saída: qualquer ação do município em relação à saúde a partir de agora deve ser uma ação de governo. A secretaria não tem mais esse poder, agora é do governo. Isso porque, como disse, ela perdeu o controle do fundo [monetário]. Então tudo agora é governo. Enquanto o governo se exime de apresentar as soluções, ele mesmo se compromete cada vez mais com as demandas.

E o secretário Antônio Vieira, como fica nisso tudo?

A gente até percebe a boa vontade do secretário, mas vê também que ele está de mãos atadas. Não quer dizer que ele resolveria se tudo fosse de sua competência – nem que não – mas da forma como está, ele não pode fazer muita coisa. Claro que isso não exime sua pasta da condução das políticas públicas de saúde. O problema é que ele não tem mais a chave do cofre.

PAULO SOUTO: “POLARIZAÇÃO É ENTRE DEM E PT”

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O ex-governador Paulo Souto ‘escanteou’ o PMDB da disputa nas eleições de 2010. Literalmente. Falando ao Pimenta, após a palestra que proferiu na noite de ontem, no auditório da Faculdade de Ilhéus, o pré-candidato a governador pelo DEM deixou claro que a disputa se dará entre o seu partido e o PT. “Não quero deixar ninguém molestado. Mas a polarização, se existe, é entre as coligações DEM/PSDB e o PT”.

Outro petardo contra o PMDB: Souto reivindicou para o DEM o papel de oposição legítima ao governo, porque, segundo ele, desde o primeiro momento após as eleições de 2006, o povo escolheu seu partido para essa missão.

Quando gira a metralhadora para o Palácio de Ondina, Paulo Souto apenas confirma as expectativas e elege a segurança pública como o alvo preferido. “O governo não investe. Este ano estão previstos R$ 140 milhões para a segurança, e até agora ele gastou R$ 13 milhões”.

O senhor acaba de fazer uma palestra em que discorreu sobre o comportamento do PIB na Bahia entre 1975 e 2005. Mas o que podemos esperar para a Bahia nos próximos anos?

A Bahia está passando um momento difícil, porque não conseguimos, nesses últimos três anos, atrair novos investimentos. Mas o efeito disso não é imediato, vamos sentir daqui a dois, três anos. Então, os próximos anos vão exigir, de quem vier a governar a Bahia, um esforço muito maior para recuperar esse tempo perdido.

O que falta, então?

Ninguém é capaz de apontar, nesses três anos, um grande investimento estruturante, do ponto de vista industrial, que tenha vindo para a Bahia. Claro, também vamos precisar muito do governo federal, para qualificar melhor a infraestrutura, embora eu não acredite que a falta de infraestrutura tenha colaborado para que não viessem os investimentos necessários.

O senhor falou também da preparação que o estado teve, no período delimitado de sua palestra, para o crescimento econômico apontado. Mas o governador Jaques Wagner fala justamente o contrário, que encontrou um estado sucateado, o que prejudicou, em muito, seu governo até aqui. É a chamada herança maldita.

Eu acho que a única herança maldita de que ele se queixa é a sua própria herança. Já tem três anos no governo, é responsável pela maior crise na segurança pública que o estado já sofreu. O estado está sendo atacado pelo crime organizado, e isso é um novo patamar na violência. Ele assistiu a isso passivamente nos últimos três anos, não entendeu o problema, não reagiu. Os únicos investimentos importantes em segurança pública que estão sendo feitos agora foram contratados pelo meu governo. De modo que nem ele, Wagner, acredita em herança maldita.

A segurança é o maior problema que o senhor vê nesse governo?

Imagine que Salvador passou de uma taxa de homicídios de cerca de 30 por cada 100 mil habitantes para mais de 60 homicídios por cada 100 mil habitantes. A violência teve um crescimento acumulado de 80% em 2008. E o governo não investe. Este ano estão previstos R$ 140 milhões para a segurança, e até agora ele gastou R$ 13 milhões.

Sobre os investimentos, quais as áreas que o senhor identifica como problemáticas?

É incrível, mas se você chegar nessa região [Sul da Bahia], não vai encontrar uma escola que tenha sido iniciada e concluída nesse governo. Hoje mesmo, acabei de mostrar, o governo usou dados que não são verdadeiros, em um artigo que escreveu, sobre a queda do analfabetismo na Bahia. Então, o que vemos é que ele ficou esse tempo tentando desculpar o fracasso de sua administração com essa história da herança maldita. O povo espera que ele comece a trabalhar.

Recentemente o deputado federal Félix Mendonça (DEM), declarou voto em Wagner, e ainda acusou vários seguidores do carlismo de não serem carlistas, o senhor incluído. Como o senhor vê essa disputa pelo espólio político do ex-senador ACM?

Quem nos faz oposição adota uma tática interessante. Diz o tempo todo que o carlismo acabou e fala a toda hora em anticarlismo, como uma tentativa de iludir o povo. A verdade é que o momento é diferente, são três forças políticas que vão disputar as eleições no próximo ano. O que está parecendo até agora? Um sentimento de desaprovação do povo da Bahia ao governo.

E isso favorece a oposição.

Favorece a oposição. E, no campo da oposição, acho que nós temos mais legitimidade, porque desde o primeiro momento, com coerência, com identidade, nos mantivemos na oposição. Não uma oposição sistemática, mas responsável, que em nenhum momento tenta prejudicar o estado.

Essa semana apareceu uma pesquisa, divulgada pelo deputado ACM Neto, em que o senhor aparece muito bem posicionado. O senhor tem conhecimento dela?

Eu não tive acesso a essa pesquisa. Mas o dado importante é que todas as pesquisas mostram um baixo índice de aprovação do governo e um baixo índice de intenção de voto no governo. Essa será uma eleição com tendência para a oposição.

O senhor acha que seria então uma disputa, ao final, entre PMDB e DEM?

Não, não. Eu não quero deixar ninguém molestado com o que vou dizer, mas se existe uma polarização, ela se dá entre a coligação DEM/PSDB e o PT.

“DROGA É PROBLEMA SOCIAL”, DIZ COMANDANTE DA PM

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A polícia militar vem conseguindo, nas últimas semanas, implementar várias ações de combate ao tráfico em Itabuna, o que resultou nas maiores apreensões de drogas no ano. Nessa entrevista ao repórter Fábio Luciano, o tenente-coronel Jorge Ubirajara Pedreira fala do atual momento da segurança em Itabuna.

Ele observa que o trabalho que vem desenvolvendo já apresenta resultados positivos, e assegura que será ampliado, em duas frentes: as operações especiais, como a que está em curso – Visão Noturna – e o projeto Comando nos Bairros.

Sobre o crescimento do consumo de drogas, especialmente o crack, na região, ele diz ter consciência de que esse é um problema, primeiro, de ordem social. “Acaba desembocando na segurança pública. Mas deve ser tratado como um problema social”.

Que a avaliação já é possível fazer da operação Visão Noturna, que a PM iniciou na semana passada?

A avaliação é positiva. Estamos contando com apoio de outras forças policiais.  Mas o que observamos é que operações como essa garantem um suporte para a atuação da própria polícia. A cada operação desse tipo, nosso trabalho tende a melhorar. Em breve os resultados serão cada vez mais aparentes.

Como o senhor vê esse crescimento do consumo de drogas na região, especialmente o crack?

Na verdade essa é uma questão que tem que ser acompanhada por todos os segmentos da sociedade, pelas autoridades e poderes constituídos. Tenho dito que está na hora de se repensar essas questões. Primeiro, não é uma questão de segurança pública. Obviamente que desemboca na segurança pública, porque gera conflitos, crimes, infrações de toda sorte. Mas deve ser encarado, primeiro, como um problema social.

Mas, no campo da segurança pública, o que Itabuna pode esperar, em termos de combate a esses crimes?

Estamos realizando operações integradas com a Polícia Civil, inclusive essa operação que está em andamento [Visão Noturna]. Aliás, todas as outras operações que realizamos contamos, cada vez mais, com essa parceria. Cada órgão dentro de sua missão institucional, mas ambos trabalhando de uma forma integrada. E os resultados são positivos.

Qual o contingente do 15º BPM e qual seria o numero ideal de policiais para Itabuna?

Trabalhamos geralmente com a perspectiva de um policial para cada 250 habitantes, seguindo orientações da própria Organização das Nações Unidas (ONU). O efetivo do batalhão é de 626 policiais militares [o que estaria abaixo do ideal]. Mas o Estado já está convocando, a partir de 1º de dezembro, após a formatura, 3.200 novos policiais militares. Certamente vamos poder contar com uma parte desse contingente.

O que a população pode esperar desse projeto Comando nos Bairros, que já foi levado a alguns bairros de Itabuna?

O objetivo é aproximar a polícia militar da comunidade, e discutir com a população questões de Segurança Pública. Já podemos ver resultados positivos, porque, a partir do momento em que a gente abre um fórum de discussão com a comunidade, as soluções aparecem, e é isso o que está começando a acontecer.

Esse projeto fica restrito a Itabuna ou será ampliado aos municípios jurisdicionados ao 15º Batalhão?

Em Itabuna, já fizemos nos bairros de Fátima, Maria Pinheiro e Ferradas. Já expandimos para o município de Coaraci e vamos levar o próximo para Itapé, provavelmente na semana que vem.

GILSON: “AZEVEDO TERÁ QUE SE DECIDIR ENTRE SOUTO E GEDDEL”

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O secretário da Administração, Gilson Nascimento, é o que se pode chamar de homem da confiança do prefeito Capitão Azevedo, na prefeitura. Tanto que fala, por várias vezes, em nome do governo com uma autoridade que passa a impressão de que ele é quem é, de fato, o prefeito.

Ele nega, e diz que o capitão tem todo o controle do governo. “Quem manda é ele. Tudo o que se passa no governo, passa por ele”. Nessa entrevista ao Pimenta, Gilson fala da demissão dos garis, garante que não chamará concursados e defende os comissionados.

E arrisca um recado para Azevedo que,  acredita, não deverá dar o pulo do gato e apoiar Geddel e Souto em 2010. “Acho difícil. Na política, sempre chega um momento em que você tem que se decidir”. A seguir, os principais trechos.

A prefeitura tem vários servidores em cargos comissionados. Por que o governo decidiu demitir 65 garis?

Porque esses 65 pais de família têm amparo social, do seguro-desemprego. Fizemos várias projeções e a menos traumática foi a redução no contrato da Marquise. São 65 funcionários, que fazem os serviços de poda de árvores, limpeza de bueiros, de sarjetas. Vamos arrumar a casa e esperamos recontratá-los até março de 2010.

E esses serviços que a Marquise não vai mais executar?

A prefeitura assume. Já estamos providenciando isso. O secretário Fernando Vita já está disponibilizando pessoal da Sedur [Secretaria de Desenvolvimento Urbano]. Vamos absorver, com funcionários da casa, essas vagas da equipe padrão da Marquise, que serão demitidos.

Isso não vai prejudicar o andamento das outras obras do município?

Vamos reduzir equipes em alguns serviços que estão sendo realizados, a exemplo de terraplenagem, asfalto, manutenção. A tentativa é não prejudicar tanto os outros serviços, e atender ao que vinha sendo feito pela equipe padrão.

Quanto foi reduzido do contrato com a Marquise e o que isso representa de economia para o município?

Cerca de R$ 200 mil. Isso dá de 2% a 3% em relação à folha de pagamento do município.

“A demissão dos 65 vai garantir parte da redução que precisamos, mas estamos com outras ações, como fim das horas extras”

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Se os funcionários são da Marquise, por que o município conta como redução para a sua folha a demissão desses trabalhadores?

Todo funcionário de empresa terceirizada entra como índice de folha do município. E o limite desse índice é de 54% da receita do município para gasto com pessoal. A demissão dos 65 vai garantir parte da redução que precisamos, mas estamos com outras ações, como fim das horas extras, redução de funções gratificadas entre outras.

Ainda se fala em demissão de comissionados?

Nesse primeiro momento, não. Apenas se não conseguirmos recuperar nossas receitas. Se isso acontecer, começaremos pelos cargos comissionados. Mas acredito que vamos conseguir, porque esses últimos meses do ano são os melhores para a arrecadação.

Chamar concursados, então, nem pensar…

Por enquanto, não. Existe uma comissão que representa os aprovados no concurso, que está acompanhando todo o processo. Essa comissão, assim como a associação que eles criaram, tem acesso a todos os índices. Eles sabem que o município não pode contratar ninguém agora.

São quantos comissionados na prefeitura hoje?

Cerca de 310.

E se a demissão começasse por esses, não seria melhor?

Não seria representativo. E os comissionados já estão previstos na estrutura organizacional do município. Sem falar que essa é a primeira vez que a prefeitura tem um número reduzido de comissionados. Antes, todos lembram, eram três mil que entravam, três mil que saíam. Hoje nós temos 89,7% do funcionalismo de efetivos.

Se fossem chamados todos os aprovados do último concurso esse número poderia ser melhor…

Poderíamos ter mais efetivos, se alguns cargos que tivessem sido preenchidos no concurso. É o caso, por exemplo, dos técnicos de enfermagem. Muitos estão trabalhando em regime de contratos temporários, porque o índice de aprovação foi insuficiente para o preenchimento de todas as vagas. E temos vários cargos nessa situação. Vamos resolver com outro concurso, em breve, para que se transformem todos em efetivos concursados.

Concurso interno?

Não, externo, mesmo. Mas vamos dar ênfase à prova prática. Nesse último concurso, não teve prova prática. Muita gente passou, por exemplo, para assistente de infra-estrutura, e na hora em que foi chamado, não quis assumir, dizendo que não sabia fazer o que o cargo exigia. Aí, entra a tentativa de burlar a coisa, pedindo para ser alocado em uma portaria de escola, em uma secretaria ou em outra função, diferente daquela para a qual ele foi aprovado.

Tem muita esperteza, para não dizer malandragem, nesse sentido, não?

Muita. Uma das graves é o desvio de função [premeditado]. Muita gente aproveita o concurso, passa para serviços gerais e, quando entra, quer ser advogado, administrador, engenheiro. Às vezes, até tem o curso dessas áreas, mas entraram pela porta mais fácil.

Muitos tentam isso com ajuda de políticos…

Muitos, mas isso é em todo o Brasil. Não vamos permitir essa situação. Veja bem, no ultimo concurso, foram aprovados 362 agentes de serviços gerais. Chamamos todos, logo nos primeiros dias de janeiro. Fizemos uma reunião, mostrando a eles as funções, como seria o fardamento, todos os detalhes do cargo. Não deu outra: no outro dia, 114 já haviam desistido. Por que? Eram professores, estudantes de enfermagem, que queriam entrar aqui pela porta mais fácil. E fomos chamando os outros. Até hoje, chamamos gente, e quando chegam aqui, dizem que não era bem isso que queriam.

Ainda existem muitos servidores fantasmas, que só aparecem para pegar o dinheiro. Apenas fazem política para seus padrinhos e prejudicam o serviço público.

É verdade. Isso é uma cultura antiga. Mas a gente não deixa passar. Se soubermos, a gente apura e toma as atitudes. Eu costumo dizer que aqui todas as denúncias são apuradas. E eu acompanho tudo, leio todos os blogs diariamente. Hoje mesmo [terça-feira, 13] já encaminhei uma denúncia, que li em um blog, para a devida apuração. Nosso lema, aqui na administração é: ‘todos os direitos serão dados, todas as obrigações serão cobradas’.

Mudando para a questão política: como está a sua situação com o PTB?

Não tenho nenhum conhecimento sobre isso que está sendo divulgado [uma possível ida para o PTB], não sou filiado a nenhum partido político, nunca fui chamado pelo PTB. Se existe alguma intenção do prefeito de pegar o PTB, ele não me chamou pra isso. Sou convidado sempre por vários partidos, mas aguardo o aval do prefeito. Toda vez que me convidam, comunico a ele, e ele me diz para aguardar um pouco mais que, no momento certo, vamos entrar num mesmo partido, juntos. Se não der, entraremos em partidos diferentes, mas de comum acordo.

“Na política, sempre chega uma hora em que você tem que se decidir”

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Esse assédio vem de onde? PMDB…

Ah, tem assédio do PMDB, PP, do próprio PTB, que eu soube essa semana que vem para a base aliado do governo, que será presidido pelo secretário [da Assistênci Social, Antônio] Formigli, segundo informações dos blogs. Fora isso, tem outros grandes, como o PSDB. É natural, porque ainda se está montando a estrutura e o governo Azevedo se mostra aberto a todas as legendas. Hoje, ele tem compromisso com o DEM. Mas na hora que ele tiver que decidir, poderá sair ou permanecer no que está.

Ele se sente confortável, hoje, no DEM?

Sim, muito confortável. Goza de prestígio junto aos diretórios estadual e municipal. Não tem nenhum problema.

A gente sabe que existe uma forte disputa pelo verdadeiro poder dentro da prefeitura. Sempre ouvimos que o secretário Carlos Burgos é o prefeito de fato, que Gilson é quem manda… Como o prefeito administra isso?

A gente tem essa cultura na cidade. Desde o primeiro dia, na primeira reunião, surgiu essa especulação: quem manda é Burgos, é Gilson, é fulano, é sicrano… Nada disso. Quem manda é ele, Azevedo. Toda ação do município, ele tem conhecimento e está à frente. Nem sempre ele está executando, mas tudo passa por ele.

Então não existe essa disputa?

Se eu disser que não existe problema no governo, vou estar mentindo. Mas sabe por que existe? Porque, durante 25 anos, existia uma lacuna na gestão pública de Itabuna, no gerenciamento do poder executivo. Nós éramos divididos em dois grupos, A e B. De repente, entra um grupo C, que pega uma fatia de descontentes do grupo A e outra do grupo B. Com isso, somos bombardeados pelos dois grupos. Essa é a equação que explica a briga política na prefeitura.

E a eleição para governador? Azevedo fica com Geddel, Paulo Souto ou com os dois?

Por enquanto, o prefeito não se decidiu. Não nos chamou para dizer quem ele vai apoiar. Eu acho muito difícil ele apoiar os dois. Não sei o que se passa na cabeça dele, mas, na política, sempre chega uma hora em que você tem que se decidir. O que existe, nesse momento, é um namoro, de ambas as partes [com o PMDB], com Geddel trazendo uma obra de 18 milhões para Itabuna.

E essa obra sai?

Estamos batalhando. O prefeito está em Salvador, resolvendo problemas. O município está inadimplente, há muito tempo. O licenciamento ambiental, acredito, que temos tudo para resolver logo. Na última reunião, vimos que as pessoas estão querendo que a obra saia. Porque o impacto ambiental é mínimo, uma vez que aquilo ali já é um esgoto, há muito tempo. E as árvores que precisarão ser retiradas, as amendoeiras, podem ser replantadas em outros locais.

MOACIR: “SAÍ PORQUE NÃO ‘ME ALINHAVA’ AO SECRETÁRIO”

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O técnico agrícola Moacir Smith Lima deixou a direção do Instituto Biofábrica de Cacau da forma como entrou: por vontade política. Nada a estranhar, uma vez que, apesar de ser uma Organização Social Sem Fins Lucrativos – empresa de direito privado –, a Biofábrica sempre teve, sem exceções, sua diretoria constituída dessa forma, por indicação política.

“O que ficou feio foi a forma. O secretário Roberto Muniz obrigou o conselho a pedir minha cabeça e aceitar o nome que ele queria”, afirma o ex-diretor. Moacir conversou hoje com o Pimenta, e revelou os bastidores da sua queda. Falou de como a Seagri reteve milhões de reais enquanto mais de 200 famílias passavam necessidade, com salários atrasados e o quanto o governador Jaques Wagner tem de responsabilidade em todo processo.

“Ele tem 100% de responsabilidade. Ele é o governador, tem obrigação de saber o que se passa nas secretarias. E eu alertei várias vezes a Seagri para o grande prejuízo social e político que ela estava causando à população e ao governo com sua política da inanição”. Confira a seguir os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Pimenta.

Vamos começar pelo fim: como se deu a reunião do secretário Roberto Muniz, conselheiros administrativos e o senhor, aqui em Itabuna, na terça-feira, 15 de setembro, em que ele veio pedir sua cabeça ao Conselho Administrativo?

Foi uma coisa constrangedora. Veja que o secretário chegou ao ponto de dizer aos conselheiros que ou eles me tiravam da direção e aprovavam outro nome, ou ele deixaria a Biofábrica de mão e eles, os conselheiros, que se virassem para descascar o abacaxi.

E então, o que fizeram os conselheiros?

Nesse dia, nada. Mas depois foram chamados a Salvador, para um reunião sem minha presença. Lá foram coagidos a me tirar da direção, e a aprovar o nome que a secretaria indicou. Quero deixar claro que nada tenho contra o novo diretor, que, inclusive, foi muito cortês no período de transição.

Mas nesse caso, a cortesia não deveria ter sido sua, uma vez que é quem estava de posse de documentos, que seriam passados a ele?

É, sim. Mas repare que esse processo foi sumário. Assim que o conselho aprovou o novo nome, em Salvador, o secretário exigiu a publicação imediata de minha exoneração. E Henrique me disse que eu poderia fazer a transição com calma, não precisava evacuar o local assim, às pressas. Achei que foi cortesia da parte dele.

“Se me alinhasse, talvez não estivesse recebendo o reconhecimento dele, de que sou probo, honesto.”

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Voltando à reunião do dia 15, que o senhor diz que foi constrangedora. O que aconteceu ali?

Para começar, o doutor Roberto Muniz disse que eu era um homem probo, honesto, que era apaixonado pelo que faço. Em seguida, soltou: ‘mas Moacir, você, por outro lado, é uma roda quadrada, que não se alinha’. Para ele, se eu me alinhasse, seria possível minha permanência. Eu respondi que, se me alinhasse, como ele queria, talvez não estivesse ali, naquela reunião, recebendo o reconhecimento dele, de que sou um homem probo, honesto.

E os conselheiros, o que o senhor acha da postura deles?

O que eles poderiam fazer? Ficar com o abacaxi? Apenas não achei correta a ida deles para Salvador, atendendo a um pedido do secretário. Acho que eles poderiam dizer: ‘escolha o nome, que aprovamos’. Mas ir lá, em reunião a portas trancadas, ficou estranho.

Mas o senhor nos disse, antes dessa entrevista, que essa situação foi antecedida por uma ação deliberada do secretário para inviabilizar sua gestão.

A Biofábrica trabalha com base em um contrato de gestão com o governo do estado, através da Seagri. Basicamente, o governo, através da Seagri, paga um valor para que a Biofábrica forneça mudas para as políticas públicas do governo na área da agricultura. Na época do ex-secretário Geraldo Simões, enfrentamos dificuldades, por conta do fim do primeiro contrato e da demora da Procuradoria Geral do Estado em analisar o novo.

Nesse meio tempo, antes que fosse aprovado ao menos um contrato de emergência, a Biofábrica sustentou a produção de mudas para o governo com seus próprios recursos, no valor de R$ 605.600,00. Entramos com pedido de indenização, e a PGE nos deu parecer favorável. Quando começamos a receber as verbas, a título de indenização, houve a troca de secretários. Geraldo deixou tudo lá, empenhado, mas esse dinheiro não chegou. Pelo menos não chegou da forma que deveria.

“A intenção de Muniz era inviabilizar

a Biofábrica para forçar a minha saída”.

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Não chegou por que?

Porque a intenção era inviabilizar a Biofábrica para forçar a minha saída. Começou uma espécie de auditoria nas notas, que a gente via que era fachada, apenas para burocratizar o processo e postergar os pagamentos, enquanto os trabalhadores ficavam meses e meses sem salários. Tenho aqui anotados todos os pagamentos que recebemos, todas as injeções de recursos próprios. Cada centavo recebido ou pago foi anotado.

O senhor tem conhecimento de boatos que dizem que o dinheiro da Biofábrica foi usado na campanha para prefeita de Juçara, em 2008?

Juçara teve mais de 40 mil votos, não foi? Se dependesse do dinheiro da Biofábrica, não teria quatro votos. Tudo o que entrou e saiu de recursos foi registrado e aprovado pelos conselhos. Essa avaliação de contas é a cada dois meses, e lá não tive uma conta reprovada. E aqui estão todos os recursos da Biofábrica [mostra documentos]. Tenho um nome a zelar. Aliás, só tenho isso, meu nome, minha biografia. Não faria isso em hipótese alguma.

Nesse processo, o senhor teve apoio do deputado Geraldo Simões?

Tive na medida do possível, para ele. Como ex-titular da secretaria, se ele fosse para a briga direta, na imprensa, ficaria parecendo que era uma tentativa de vingança contra o atual secretário. Mas tive, sim, apoio dele, dessa forma, que acaba sendo insuficiente. Agora, em nenhum momento as lideranças de Itabuna levantaram a voz.

“O secretário Muniz está fazendo da Seagri um departamento do PP. Não imagino que o governador não esteja vendo isso”.

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E o governador Jaques Wagner, que avaliação o senhor faz de sua atuação nesse episódio?

Eu credito a ele toda a responsabilidade pelo que está acontecendo. Ele é o governador, deve saber o que se passa nas suas secretarias. Sem falar que o processo da troca de secretário foi acordado de uma forma e executado de outra. Seria mais honesto o PP dizer: “governador, aceitamos a secretaria, mas tem que ser verticalizada”. Ao contrário, aceitou as regras, e depois colocou as mangas de fora. O secretário Roberto Muniz está fazendo da Seagri um departamento do PP. Todo mundo está vendo isso, não imagino que o governador não esteja.

Como está sua situação no PTB, que fechou apoio a Geddel?

Não tenho como ficar, não é? Vou sair, junto com meu grupo. São 455 filiados que saem comigo e se filiarão também junto comigo em outro partido.

Qual partido?

Ainda não temos destino, estamos analisando. Mas tem que estar alinhado com o projeto do governo e do governador.

Que avaliação o senhor faz de sua gestão na Biofábrica?

Tivemos muitos problemas, principalmente com esses repasses e com o fim do contrato de gestão, mas saio deixando 659.708 mudas clonais de cacau (prontas para comercialização), outras 300 mil enraizando, 92.540 mudas de essências florestais; 77.673 mudas de fruteiras – outras 160 mil germinando. Do programa Mata Verde (seringueiras), foram entregues 150 mil mudas e mais 1,1 milhão estão germinando e sendo plantadas. Os resultados, do que foi possível fazer, nós temos. O que não foi possível, não foi por falta de vontade, como o próprio secretário reconheceu.

EM ITABUNA, IMBASSAHY ANUNCIA NILO NO PSDB

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Ex-governador baiano e ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy se dedica a reorganizar o PSDB na Bahia. O presidente estadual da legenda concedeu entrevista exclusiva ao repórter Fábio Luciano, do Pimenta.

O tucano dá como certo o ingresso do ex-governador Nilo Coelho no ninho tucano, faz críticas ao governo de Jaques Wagner, ameniza a queda de intenções de voto no presidenciável José Serra e fala dos projetos regionais do seu partido.

Ele reforça que o plano para 2010 é formar chapas proporcionais fortes na Bahia. Ainda aborda a aliança do PSDB com o DEM na Bahia, algo inimaginável há três anos, quando ainda era vivo o cacique político Antônio Carlos Magalhães, falecido em 2007.

Pimenta na Muqueca – A aliança com o DEM, na Bahia, é para valer ?

Antônio Imbassahy – É uma aliança feita a partir da direção nacional do PSDB, através do nosso presidente, o  senador Sérgio Guerra, das principais lideranças do PSDB no Brasil, os governadores José Serra e Aécio Neves, e aqui na Bahia também consolidada. Trata-se de uma aliança em que o DEM apóia o nosso candidato à presidência da República, e nós, aqui no estado, apoiamos o candidato do DEM ao governo da Bahia, que deverá ser o ex-governador Paulo Souto.

O vice na chapa de Paulo Souto será do PSDB? O ex-governador descartou o nome do deputado João Almeida?

Não tem definição ainda com relação a nomes , de vice e nem Senadores , o que tem é a presença de um  componente do PSDB, que vai participar da chapa majoritária ocupando uma das vagas. Mas neste momento não se discute este assunto.

Como o sr. avalia o governo de Jaques Wagner, ao qual o PSDB deu apoio nos primeiros anos ?

Olha, a avaliação não é pessoal. É uma avaliação de pesquisas de opinião que a gente colhe, no interior do Estado e na Região Metropolitana. Não é positiva tendo em vista, sobretudo, as dificuldades com as áreas de segurança pública, saúde e educação. Recentemente, saiu uma matéria na revista Veja com o título Triste Bahia. Ela dizia que a Bahia, em um passado recente, dava sempre notícias boas para o Sul do Brasil e, hoje, não é mais isso. Enquanto Pernanbuco experimenta um crescimento econômico acelerado, enquanto Sergipe ganha a instalação de 25 novas indústrias de 2007 para cá, a Bahia assiste a um quadro de grave dificuldade, inclusive com ataques de bandidos a ônibus. Incendiando ônibus e, também, desafiando a polícia em Salvador.

“Não houve queda abrupta de Serra [nas pesquisas],

o que houve foi uma discreta redução.”

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No plano nacional, o que explicaria a abrupta queda de intenções de voto no candidato a presidente José Serra ?

Não houve queda abrupta do candidato José Serra, o que houve foi uma discreta redução [de intenções de voto], em função da entrada em cena da Senadora Marina, também do Ciro Gomes. Os dois ocuparam a mídia televisiva com intensidade às vesperas da realização das pesquisas. Então, a gente está absolutamente tranqüilo. O patamar do José Serra é mais que o dobro do segundo colocado, o que nos dá muita confiança e muita certeza de vitória.

Quais são as pretensões do PSDB quanto à Assembléia Legislativa e à Câmara federal? Quantos deputados espera eleger?

Olha, o PSDB vai ter uma chapa muito forte, para candidato a deputado Estadual, e um deles está aqui hoje, que é o Augusto Castro, que tem uma possibilidade concreta de vitória, para representar Itabuna e região. Nós hoje já estamos alcançando 50 nomes com densidade eleitoral para deputado estadual.

E na disputa às vagas na Câmara federal?

Para deputado federal, o número é menor, mas nomes estão surgindo, como o prefeito de Mata de São João, João Gualberto, o ex-deputado federal Coriolano Sales, a presença também do ex-governador e prefeito de Guanambi, Nilo Coelho. São tantos nomes que a gente está articulando no plano regional… Então, temos uma chance muito boa de aumentar as nossas bancadas estadual e federal.

A vereadora itabunense Rose Castro vai mesmo para o PSDB?

Ah, é exatamente a sopa no mel essa vinda de Augusto e de Rose, né? Porque ter um nome como de Augusto Castro no PSDB, enriquece o nosso quadro partidário, dá uma solidez politica do ponto de vista da densidade eleitoral e abre também uma articulação muito grande no estado. Augusto tem muita habilidade e conhecimento na Bahia. Ele está nos ajudando, inclusive, nesta articulação. Quanto à vinda da vereadora Rose Castro, é uma decisão pessoal dela. Mas se ela assim decidir, o tapete vermelho estará estendido.

MARIA DEL CARMEN: LULA QUER CASAS CONSTRUÍDAS ATÉ 2010

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A consultora da presidência da Caixa Econômica Federal e coordenadora do programa Minha Casa, Minha Vida, Maria del Carmen Fidalgo, esteve hoje em Itabuna, discutindo com a coordenação regional do banco os rumos do programa na região.

Ela falou com o Pimenta sobre o programa em Itabuna, a necessidade de se atentar para o risco de não empurrar essas casas para localidades sem infra-estrutura, e longe da área urbana. “Esse é um fator que encarece as unidades, mas, por outro lado, confere dignidade às pessoas que são beneficiadas”, afirma Maria del Carmen.

Ex-deputada estadual, ex-vereadora de Salvador, com passagens pela secretaria municipal de Ação Social de Salvador em dois governos (Fernando José e Lídice da Mata), ela é também ex-presidente da Conder. Apaixonada pelo programa habitacional do governo Lula, a coordenadora diz que essa será uma das muitas marcas desse governo, e que servirá de base para avanços maiores na área social.

“O presidente já disse: ‘quem vier depois de mim, não poderá fazer menos que um milhão de casas’. Só que temos que correr, porque ele cobra prazos. E o nosso é até o final de 2010”. Veja a seguir os principais trechos do bate-papo.

Itabuna não tem conselho municipal de habitação de interesse social, muito menos fundo municipal para esse fim. Isso pode comprometer a execução do programa aqui?

Na verdade, o desejável é que todos os municípios constituam seus conselhos, porque isso facilita a atração de programas do governo, abre muitas portas. Por outro lado, nesse caso especifico do Minha Casa, Minha Vida, não se tem condições de exigir isso, porque senão seriam milhares de municípios pelo país afora impedidos de participar.

Itabuna tem o péssimo habito de empurrar a população beneficiada para localidades sem estrutura. Temos o caso do Nova Califórnia e, recentemente, a construção de dezenas de casa sobre a pista de um aeroporto. Que critérios a Caixa vai utilizar para aprovar esses projetos?

Novamente, ficamos presos à questão do bom senso das prefeituras. Se o município, que é dono do solo, autorizou a construção em determinada área, a Caixa não pode barrar. A comunidade deve estar atenta e discutir com o poder público essas localizações. O governo exige que as unidades sejam construídas em locais com estrutura, saneamento, transporte. Isso encarece as construções, mas confere dignidade ao beneficiário. Mas isso tem que ser discutido antes, e aí é que entra a necessidade de um conselho atuante.

Quantas casas serão construídas em Itabuna e qual é o prazo de entrega?

O déficit no município e de 7.592 unidades. Foram autorizados 20% desse total, o que foi feito em todo o país. O prazo do presidente Lula é final de 2010, e estamos correndo para cumprir. Aí tem uma dificuldade extra: para fazer um programa desses funcionar, é preciso ter projetos. E não se tinha projetos para isso.

Como assim?

Os técnicos estavam desacostumados a fazer projetos! Pior: estão faltando técnicos. Estamos vendo faculdades de engenharia sendo fechadas porque ninguém queria mais ser engenheiro. Com o crescimento econômico, o setor de construção civil voltou a crescer e estamos precisando de técnicos no país. Mas estamos correndo para cumprir o prazo do presidente.

A senhora se mostra uma pessoa muito entusiasmada com esse programa, inclusive porque ele tem esse viés de programa social, e aí entra sua forte atuação com os movimentos sociais. Fale um pouco de sua trajetória.

Ah, é um pouco longa. Sempre tive um contato forte com o serviço público, desde a minha formação. Fui secretária de Ação Social nos governos de Fernando José e Lídice da Mata, fui vereadora e deputada estadual. Foi como secretária que tive um contato primeiro com os movimentos, fizemos muita coisa juntos, em parceria. E foram obras maravilhosas.

Essa parceria foi meio que uma necessidade, dado o momento político, com ACM boicotando Salvador, toda aquela coisa.

Foi isso mesmo.Não tínhamos dinheiro do estado nem do governo federal. Tivemos que usar a criatividade. Mas, como disse, fizemos obras maravilhosas junto com a comunidade, colocávamos manilhas de um metro na mão, sem máquinas. Também, era um monte de loucos comandados por uma mais louca ainda…

E na Conder, o estádio de Pituaçu foi o seu  maior marco?

Ah, quando lembro quanto apanhei da imprensa por causa de Pituaçu. E hoje vejo os mesmos que me bateram elogiando, dizendo que é um estádio de primeiro mundo. Foi uma grande realização, mas deixamos a Conder em uma situação muito boa, com inúmeras obras. Hoje, me dedico a esse programa Minha Casa, Minha Vida, mas sei que temos uma trajetória que foi importante no meu município e no meu estado.

DINAILTON OLIVEIRA: “A ATUAL GESTÃO DA OAB REPRESENTA UMA DIMINUTA FATIA DA ADVOCACIA BAIANA”

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O Pimenta conversou esta semana com o advogado e ex-presidente da OAB baiana, Dinailton Oliveira, e abordou temas polêmicos, como as denúncias que o atual presidente da Ordem, Saul Quadros, faz ao “ex”.

O advogado, que é candidato a um novo mandato na OAB, afirma que, ao contrário do que dizem seus adversários, deixou a entidade com dinheiro em caixa. Segundo o ex-presidente, a atual gestão peca pela falta de transparência (“hoje está tudo muito obscuro”, ele diz) e pela omissão no que diz respeito à defesa dos advogados e da sociedade.

Oliveira, que chegou a ser pré-candidato a prefeito de Itabuna em 2008, pelo PDT, assegurou que está “aposentado” da política partidária, mas revelou que, como cidadão, está mais afinado com a banda pedetista que se aliou ao governador Jaques Wagner.

Confira os principais trechos dessa conversa, logo abaixo:

Pimenta na Muqueca – O senhor classifica a atual gestão da seccional baiana da OAB como omissa. Em que a sua atuação como presidente da Ordem diferiu da atual?

Dinailton Oliveira – Eu acredito que todos os advogados já perceberam a atuação das duas gestões. Uma na qual eles se orgulhavam de pertencer aos quadros da Ordem. Era uma Ordem atuante, não só na defesa das suas prerrogativas, mas também na defesa do exercício da cidadania. Nós promovemos várias ações e, inclusive, fomos a primeira seccional a criar uma comissão de defesa dos direitos dos afrodescendentes, que agora o Conselho Federal da OAB também implantou. Foi um grande trabalho e até no Carnaval de Salvador a Ordem estava presente, combatendo a violência policial. Tivemos uma atuação marcante na defesa da cidadania. Entramos com várias ações, por exemplo, contra o aumento nos planos de saúde, contra a transposição do Rio São Francisco, que foi a última que o governo conseguiu derrubar. Entramos também com várias ações civis públicas em defesa do meio ambiente.

E hoje, como está?

Observe que, regimentalmente, o presidente da Ordem tem que ser o presidente da Comissão de Direitos Humanos. No entanto, o atual presidente é presidente da Comissão de Meio Ambiente porque ele tem uma parceria com os grandes empresários que não permite que qualquer outro colega possa entrar em alguma defesa em situações de agressão ao meio ambiente. É uma coisa absurda. E é ainda mais absurdo que essa gestão seja totalmente omissa na defesa das nossas prerrogativas e não tenha nenhuma ação que possa ajudar a quem está chegando na advocacia a desenvolver suas atividades. A cada dia que passa, há uma dificuldade tremenda para que os novos advogados sejam inseridos no mercado de trabalho.

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Essa gestão (da OAB) representa uma diminuta fatia da advocacia, que se beneficia do status quo vigente.

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O que torna tão difícil a vida dos novos profissionais da advocacia?

Nós tivemos um aumento muito grande no número de advogados nos últimos anos e isso criou uma distorção aqui na Bahia com o surgimento dos chamados mega-escritórios. Hoje nós temos dois deles em Salvador, que asfixiam a advocacia da Bahia. Não pela competência, mas pela influência que exercem no poder judiciário do nosso Estado. Isso é uma distorção porque, nos mega-escritórios, os sócios se tornam empresários da advocacia e alguns deles não passam de meros assalariados, com salários baixíssimos. Eu tenho dito que isso é uma negação da advocacia, que deve ser sempre independente, livre e altiva. Há uma responsabilidade direta da Ordem em corrigir essas distorções.

Há quantos advogados em atividade no Estado?

Hoje nós temos quase 30 mil advogados inscritos na Bahia e estamos passando por um momento de grande dificuldade, porque não existe uma ação enérgica para modificar esse quadro da justiça. Nós promovemos aquela luta, denominada “Justiça pra Valer”, e conseguimos como resultado um convênio entre o Conselho Nacional de Justiça e os três poderes da Bahia, para que em 180 dias os técnicos do CNJ fizessem o levantamento das necessidades e, após isso, as carências seriam sanadas. Pois a primeira coisa que eles (a atual gestão da OAB baiana) fizeram quando entraram foi pedir o arquivamento dessa representação, o que fez cair por terra o nosso convênio. Essa gestão representa uma diminuta fatia da advocacia, que se beneficia do status quo vigente. O que nós queremos é modificar para que a Ordem represente a maioria dos advogados e também atenda aos anseios da sociedade, que constantemente necessita de uma instituição com a credibilidade que nós temos para defender as suas questões mais agudas.

A OAB é omissa?

A Ordem é omissa em tudo. Esse índice de violência aí, parte dele se deve ao fato de termos uma justiça engessada. Um promotor de justiça de Ipiaú chegou a declarar que aqui na Bahia não existe justiça. A que se tem aí presente é a justiça contra o pobre, para deixá-lo mofando nas cadeias públicas. É preciso que nós advogados, que temos uma responsabilidade social muito grande, promovamos o combate a isso.

Não seria importante o surgimento de um nome novo para disputar a presidência da Ordem?

Eu lhe confesso que não gostaria, nesse momento, de ser candidato. Fiquei três anos calado, esperando o surgimento de alguém que viesse se contrapor a tudo isso, mas como não surgiu ninguém, os colegas me convocaram e eu aceitei. Já disse que na nossa nova gestão teremos uma missão, que vai ser estimular os colegas  a participar mais da política institucional. Certamente, com esse estímulo surgirão pessoas outras para dar continuidade à democratização que vamos imprimir no seio da Ordem dos Advogados.

Como o senhor avalia a postura da OAB naquele episódio da denúncia de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia, em que alguns advogados chegaram a ser presos?
Com certeza, e eu apontei essa situação com a maior propriedade porque a nossa gestão foi a que mais suspendeu advogados. Eu digo isso até com tristeza, mas foram advogados que não trilharam pelo caminho da ética. Naquele caso em especial, eu critiquei a posição da Ordem porque se falava que eles (os advogados) estavam sendo presos por envolvimento na compra e venda de sentenças. Ora, a compra e venda é um contrato bilateral e se alguém comprou é porque outro vendeu. E ali nós tivemos só advogados acusados de comprar sentença e não saiu nenhum nome de juiz ou desembargador que tenha vendido sentença. Aquilo foi um absurdo e a Ordem se omitiu. Sua única manifestação foi dizer que estava abrindo um processo administrativo para suspender previamente aqueles advogados. Como a gente costuma dizer no interior, “nesse mato tem coelho” porque todo mundo se calou: o poder judiciário e a Ordem.

Qual foi o resultado disso?

Nove advogados foram presos e tiveram sua imagem arranhada. Soube que alguns desses colegas estão passando privações. O fato é que não houve continuidade nas apurações e a Ordem não se posicionou, o que é um absurdo.

Em que situação financeira o senhor deixou a OAB, uma vez que o atual presidente diz que herdou um débito de R$ 600 mil?
Olha, isso não é verdadeiro. Eles têm uma auditoria da época em que eu entrei, referente à gestão anterior à minha. Eu os desafio a mostrar essa auditoria e a que eles fizeram sobre a minha gestão. Nós deixamos a Ordem, do ponto de vista administrativo e financeiro, numa situação muito melhor do que encontramos. Nós tivemos, inclusive, que fazer uma suplementação a um convênio que eles tinham feito, de 30 de novembro (de 2006) a 31 de março (de 2007), ou seja, de um período posterior à derrota deles nas eleições.Era um convênio de R$ 500 mil e, de 30 de novembro a 31 de dezembro, eles gastaram R$ 496 mil. Só deixaram R$ 4 mil para que eu cobrisse o convênio de janeiro até março. Foi isso que eles deixaram para mim, além de uma farra de contratações de pessoal na Ordem.

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Ao longo dos anos, este órgão (Ipraj) sempre serviu como cabide para a cúpula do Tribunal colocar lá seus parentes e afilhados.

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O acusam de ter tido vários títulos protestados na OAB.

É verdade quando eles falam que tivemos títulos protestados no primeiro ano, mas no segundo ano já não tivemos nenhum título protestado. O primeiro ano foi por conta do reflexo do que eles me deixaram. Eles me deixaram de forma tal, que era para eu me desmoralizar do ponto de vista administrativo e financeiro, mas eu cuidei do dinheiro dos advogados e cuidei bem. Eu reverti tudo em serviço. Nós fizemos várias sedes com o dinheiro da seccional e não do Conselho Federal, como eles têm feito aí em Feira de Santana e outros. Fizemos várias reformas em sedes e diversas ações, nenhuma com o dinheiro do Conselho Federal. Ao contrário do que ele (Saul Quadros) diz, nós é que atingimos o superávit.

O que faltou, então?

O que nos faltou foi divulgar essa gestão administrativa e financeira. Eles disseram que eu cometi inúmeras irregularidades. Os advogados, conhecendo como conhecem o atual presidente, se por acaso eu tivesse cometido uma pequena irregularidade, eu teria uma ação contra. Fizemos uma excelente gestão administrativa e financeira e tenho certeza de que, nessa próxima, se os advogados nos derem novamente a honra, de que vamos fazer muito mais.

Como o senhor vê a decisão do CNJ de determinar o fechamento do Ipraj?

Eu tenho conhecimento de um parecer da Procuradoria, quando da criação do Ipraj há mais de vinte anos, pela inconstitucionalidade do órgão. Agora, o CNJ veio confirmar essa inconstitucionalidade, mandando acabar com o Ipraj. Ao longo dos anos, este órgão sempre serviu como cabide para a cúpula do Tribunal colocar lá seus parentes e afilhados. Veja que A Tarde publicou recentemente que são mais de 400 cargos comissionados e mais de 400 de Reda. São mais de 800 pessoas contratadas sem concurso público no Ipraj. Aquilo é a pontinha do iceberg do que hoje se constitui a justiça baiana.

E com relação ao tratamento que o Tribunal de Justiça dá às comarcas do interior, como o senhor o analisa? Só para lembrar,  há mais de um ano o presidente da subseção da OAB de Itabuna, Oduvaldo Carvalho, encaminhou algumas solicitações à presidente do TJB, Sílvia Zarif, e até hoje não obteve resposta.
Para mudar essa realidade da Bahia, é preciso fazer um movimento muito forte. Na nossa gestão, nós estávamos nesse caminho e fomos interrompidos. Veio a atual gestão, que ficou submissa a tudo. Não só em Itabuna, mas no interior quase todo e até mesmo na capital, você tem dificuldades quase intransponíveis para que o cidadão tenha acesso à justiça. Na região de Irecê,  há oito juízes para cuidar de 21 comarcas. Itabuna está no caos há muito tempo. Há quantos anos se reclama das precárias condições do fórum, número reduzido de magistrados e reduzidíssimo de serventuários? O que nós queremos é construir um Estado que proteja o cidadão. O Poder Judiciário, que é o último estágio ao qual o cidadão pode recorrer para ter assegurados os seus direitos, está nessa situação calamitosa e é necessário que todos nós , advogados ou não, nos mobilizemos para mudar essa realidade.

Qual a sua opinião sobre o crescimento do número de cursos de Direito na Bahia, notadamente em faculdades particulares?
Temos hoje 56 instituições particulares que possuem faculdade de Direito na Bahia. O que eu tenho a dizer a esse pessoal que está chegando é que não se preocupe, pois se corrigirmos as distorções que eu enumerei, é possível absorver todos tranquilamente. Em termos comparativos, o Rio Grande do Sul tem quase 3 milhões de habitantes a menos que o Estado da Bahia e lá, em 2006, havia 89 mil advogados inscritos.

O senhor continua no PDT?
Continuo apenas como filiado. Em toda a minha vida, eu só tinha sido filiado ao MDB, depois PMDB. No ano passado, entrei no PDT, assumindo a presidência do partido em Itabuna, mas já passei o bastão para o Sargento Raimundo (ex-vereador). Eu me filio para exercer meu papel de cidadão na comunidade, mas na política partidária eu encerrei minha carreira. Quero me dedicar apenas à advocacia e, daqui a algum tempo, quem sabe, só ensinar, escrever. Eu gostaria de, mais tarde, escrever livros sobre alguns temas jurídicos polêmicos. Também desejo voltar a morar em Itabuna, porque adoro essa cidade.

Dentro do PDT, o senhor se identifica mais com a corrente do hoje governista Alexandre Brust ou do geddelista Severiano Alves?
Como cidadão, confesso que, entre Wagner e Geddel, eu estaria com Wagner. Estou falando até o que não deveria como candidato a presidente da Ordem, mas como cidadão eu não posso me omitir.

Seu ingresso no PDT em 2008 foi fruto de um desejo real de se candidatar a prefeito de Itabuna ou uma estratégia para tirar o partido do raio de influência de Geraldo Simões?
Eu entrei no PDT porque vários colegas insistiam para que eu me tornasse candidato a prefeito de Itabuna. Lógico que eu, como gosto de Itabuna e sempre fui proativo na participação política, sempre achei que Itabuna mereceria um governante que reunisse alguns predicados. Itabuna já foi a segunda cidade do interior e hoje é a oitava. Isso me entristece. Eu não entrei no PDT para tirar do raio de influência de Geraldo, tanto que eu estive próximo de apoiar a candidata do PT. Só não seguiu esse caminho porque não foi esse o desejo da grande maioria dos nossos candidatos a vereador.








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