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:: ‘Entrevistas’

NAZAL: “PARA MIM, ACABOU. ESTOU VENDO O GOVERNO DE MÁRIO DEGRINGOLAR”

Nazal diz que casamento político com Marão acabou e vê governo “degringolar”

José Nazal Pacheco Soub, 62 anos, era, até o dia 30 de abril, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Ilhéus. Pediu exoneração ao final da tarde daquela segunda-feira, véspera do 1º de Maio, Dia do Trabalhador. Passou a ser, a partir dali, apenas vice-prefeito. Ou, como diz, “figura decorativa”.

O casamento político com o prefeito Mário Alexandre (Marão) acabaria dois dias depois. O prefeito tentou dissuadi-lo. Ouviu de Nazal uma espécie de “Ou Bento ou eu”. Bento Lima vem a ser o secretário de Administração de Ilhéus. Mandachuva do governo, como define Nazal. Marão não topou abrir mão de Bento.

Nazal faz críticas e autocríticas. Para ele, o Governo Marão está degringolando (palavras dele) e a hora é da “cidade acordar” e a gestão ter pessoas comprometidas com Ilhéus. Aponta desvios éticos e afrontas ao erário.

O vice-prefeito acredita que Marão governa sem compartilhar poder. E, mais que isso, sem comparecer ao próprio gabinete. Pior, diz que o prefeito passou mais de 8 meses sem reunir o secretariado. Também não acredita que o governo melhore. Diz ter batido de frente com mandachuvas do governo – secretários Bento Lima, Alisson Mendonça e Alcides Kruschewsky.

Membro da Rede, o vice-prefeito fez autocrítica: enxerga-se como intransigente com várias coisas. Na tarde da última quinta-feira (17), Nazal concedeu a seguinte entrevista ao blog:

PIMENTA – Começando do começo, como é que surge a aliança com Marão?

JOSÉ NAZAL PACHECO SOUB – Lançamos pré-candidatura para discutir os problemas de Ilhéus. Para mim, era muito mais importante governar do que ganhar. Ficamos em um grupo menor. Terminou não dando certo, mas tivemos uma relação boa [em uma aliança inicial de 7 legendas]. Na última semana para convenções, Mário ficou sozinho. De 7 partidos daquele grupo, ficaram 5. Depois, um. Rachou tudo. Foi quando houve proposta de [Emílio] Gusmão e Hélio Ricardo: Por que não junta com Nazal? Aí, marcamos uma conversa, no dia 30 de julho, 10 da manhã. Conversamos. Lá, eu disse: se a gente fechar um acordo, a minha proposta é só uma. É Ilhéus, é por Ilhéus. Não sabíamos se iríamos ganhar ou não. Dia 31, convenção do PSD, sentamos novamente. No outro dia, ele vira pra mim e diz: Essa noite eu dormi. Os acordos que eu tentei fazer, todo mundo trabalhou na faixa de 50%, dividindo loteando o governo.

PIMENTA – E contigo?

NAZAL – Eu disse: minha proposta é por Ilhéus. Agora, tem uma condição. Se sair da linha, eu grito. Ganhamos a eleição sem dívida política nenhuma. Eram cinco partidos. Um grande e os nanicos: O PSD, PTdoB, PTB, PSL e a Rede.

PIMENTA – Você impôs condições, Marão aceitou. Pelo que aconteceu no governo, você se sentiu usado?

NAZAL – Não me senti, pois não me subjuguei. Não concordei, um abraço. Muitos dizem você foi importante para a eleição de Mário. Talvez não tenha essa dimensão. Eu era pré-candidato, tinha 2%, sem estrutura e densidade eleitoral. Mas algo mudou quando tornei-me vice. Mas não me senti usado. A discussão, o discurso eram um. Mas, eepois, a prática… Mas o meu permaneceu o mesmo. O que eu não aceitava, eu dizia. Coisa que não aceitei, eu sempre bati de frente.

PIMENTA – Com o prefeito?

NAZAL – Com Mário e com algumas pessoas do governo que são mandachuvas: Bento Lima (secretário de Administração), Alisson Mendonça (Governo, e agora na Seplandes) e Alcides Kruschewsky (Comunicação). Com Alcides, menos, para não ser injusto. Com Alisson, forte… Eu não entrei para disputar o poder, mas para compartilhá-lo. Essa é a diferença. Eu dizia com Alisson: ‘o meu compromisso é muito maior que o seu. Você é secretário. Eu sou secretário e vice-prefeito’. Eu botei meu nome. Meu nome estava na tela [da urna]. O de Mário foi para a tela, o meu foi para tela. Eu não queria ser um vice decorativo como agora vou ficar.

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Tem pessoas que chegaram no governo, não conhecem nada, fazem um bocado de porcaria, não botam a cara na tela…

PIMENTA – E qual é o sentimento?

NAZAL – Poderia ter contribuído até mais, mas ele [o prefeito] não quis. A Marão, eu disse: você toma decisões que eu não concordo. Como você quer que eu concorde, se eu não fui, sequer, ouvido? Tem pessoas que chegaram no governo, não conhecem nada, fazem um bocado de porcaria, não botam a cara na tela…

PIMENTA – Que tipo de porcaria?

NAZAL – Tem várias coisas. [O prefeito] pegou um cara de Maraú para a Odontologia que fez horrores na área. Eu concordo, tem que botar o pessoal para trabalhar, mas você não tem o direito de dar grito, assediar. Eu disse, Mário, você não trata ninguém mal, eu não trato ninguém mal. Aí vem um cara de fora, em nome da gente, para tratar os funcionários mal? Não dá. Não sou xenófobo. Pode ser de fora, mas tem que ter compromisso com Ilhéus.

PIMENTA – Após o pedido de exoneração, o prefeito não tentou mantê-lo na Seplandes?

NAZAL – Eu disse ao prefeito… A condição para eu ficar, é você tirar Bento e um bocado de gente. Ele: então me dê nomes. Ele não tiraria.

PIMENTA – A decisão foi apenas de sair só da secretaria ou o casamento, realmente, acabou?

NAZAL – Para mim, acabou. Mário é uma pessoa que eu gosto, não há nada de pessoal, não sou de ofensas, de xingar. Agora, quando quebra a confiança, quando quebra a proposta… Eu estou vendo o governo degringolar. Eu ando na rua, eu vou para a padaria, feira, ando de chinelo na rua, ando de calção, vou para fila de banco pagar minhas contas… Eu não mudei minha forma de viver. E espero não mudar. O poder é tão efêmero. Eu não fiz campanha e nos elegemos para pensar, imediatamente, em reeleição. Para mim, reeleição é consequência, tem que acontecer de forma natural. Meu compromisso é com Ilhéus, em primeiro lugar. Então, para mim, acabou.

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Mário está governando só com Bento. Disse isso a ele. Eu não fiz campanha para uma pessoa governar sozinha.

PIMENTA – Você falou em quebra de confiança. O que minou essa confiança?

NAZAL – Sempre fiz críticas aos governos dos quais participei. Eu me afastei politicamente de Jabes em julho de 2006. Eu disse, Jabes você errou quando governou sozinho com Isac Albagli, John Ribeiro, com núcleo fechado, que acha que não erra, que acha que é infalível. Isso é ruim. Depois, veio Newton Lima e governou discutindo tudo. Tudo era na mesa. Foi reeleito com mais de 60% dos votos válidos de Ilhéus, algo que não irá se repetir por muitos anos. E aí, Jabes voltou para o governo [em 2013] e repete-se situação que você fecha o governo para decidir com poucos. Aí vem Mário e está governando só com Bento. Disse isso a ele. Eu não fiz campanha para uma pessoa governar sozinha. Fiz campanha para governar discutindo dentro do governo e com o povo. Então, não vou recuar no meu modo de pensar. Agora, a decisão foi minha por um único motivo. Eu levei 75 dias para Mário me receber esse ano.

PIMENTA – Quantas reuniões como secretário?

NAZAL – Apenas duas em todo o governo. É uma crítica que eu tenho com Mário. Por exemplo: ele não tem rotina para despachar. Todo governo deve ter. Se ele está te atendendo, chega outro secretário e entra na conversa. Então, não pode ser assim. Não é que seja sigilo, segredo, mas tem coisas que exigem foco. Eu fiz uma crítica a ele, de frente. Você não está indo ao gabinete, que está às moscas. Eu vou lá todo dia.

PIMENTA – Nem vai à rua?

NAZAL – Ele despacha em casa. Está errado.

PIMENTA – O que distancia o prefeito do próprio gabinete?

NAZAL – Decisão pessoal dele. Eu não tenho dificuldade de dizer não. Se posso dar um sim, será um prazer imenso. Se não, será com dor forte, mas terei que dizer não posso. Governar é tomar decisões. E não ter decisão é pior que protelar. Eu disse a ele: Jabes entrava pelos fundos, mas ia ao gabinete, mas você nem isso.

PIMENTA – Dá para administrar uma cidade como Ilhéus, assim, desta forma?

NAZAL – Não dá. Diversas vezes, e abertamente, propus fazer o seguinte: nós dois vamos entrar em um carro, ir a posto de saúde, escola, unidade administrativa para ver como as coisas estão acontecendo. Vamos chegar em uma escola na hora da merenda para ver como está a merenda. Vamos chegar em um posto às cinco horas da tarde, para ver se tem alguém lá, que o horário é até as 18h. Não tem ninguém em nenhum posto. A gente perdeu, agora, do meu ponto de vista, o apoio que estava tendo do governo do estado na área da Saúde.

PIMENTA – Por quê?

NAZAL – As coisas não estão acontecendo. Não vamos ter mais o apoio que estávamos tendo do Estado e que, inclusive, causou ciúmes em políticos do passado. Tínhamos um apoio muito forte, mas hoje está meio frio.

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Meu amigo, tá faltando copinho para fazer exame de tuberculose. Copinho que custa centavos.

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PIMENTA – Esse novo comportamento do estado se dá por causa do prefeito ou de quem comanda a Pasta?

NAZAL – O prefeito é quem governa, mas vem também da pasta. Algumas coisas melhoraram. É inegável. O atendimento na pediatria… Mas não está ainda bom. Eu não concordo com governo que vive de releases. Tem que viver com ações concretas. Hoje (quinta), de manhã, recebi solicitação que não vou poder ajudar. Meu amigo, tá faltando copinho para fazer exame de tuberculose. Copinho que custa centavos. Cheguei no Ilhéus II, e uma senhora me disse que comprou fita – R$ 5,80 – para o posto de saúde marcar a consulta dela. Tenho que ficar com vergonha. A Prefeitura de Uruçuca está com 4 escolas dentro de Ilhéus. E Uruçuca construiu uma escola dentro de Ilhéus, em Banco Central, ano passado. Eu reclamei, reclamei e nada foi feito. Reclamei até ontem (15), meia-noite. Pode ser que tenha sido feito hoje. Construída.. Isso é improbidade administrativa. Na revisão do limite, a pessoa pode dizer que quer ser de Uruçuca. Ninguém toma providência. Não é a defesa intransigente, mas a gente tem que tomar conta do nosso chão.

PIMENTA – O governo tem tempo para mudar, melhorar?

NAZAL – Todo mundo, na hora que quer mudar, muda. Mas tem que querer. Se não houver vontade… Eu acho difícil acontecer [mudança]. Eu vi pesquisa com recortes pontuais. Disse na cara, não acredito. Pesquisa eu acredito vendo-a completa, quem fez… Pode ser Ibope, Datafolha… Vendo pedacinho, não acredito. A pesquisa verdadeira é a do dia a dia. Vai na feira, pergunte. Vai…

PIMENTA – O prefeito sempre foi visto como acessível, afável. O que provocou essa mudança, esse distanciamento do gabinete?

NAZAL – Não vejo ninguém melhor que Mário para fazer esse corpo-a-corpo, mas ele está deixando a desejar. Tem coisas que não justificam. O atendimento ao público… Infelizmente, a maioria vai fazer pedido pessoal, mas há quem peça coletivamente, de forma plural. Então, tem que ter atenção. Vou dar exemplo. Inema, no interior, ele não tinha ninguém na campanha. Eu abri conversa e o grupo nos deu votação expressiva. O grupo não foi atendido em nada. Eram pedidos coletivos. Foram atendidos por mim, Alcides, Alisson. Mas ele, nada.

PIMENTA – O governo reage da melhor forma às críticas de opositores?

NAZAL – Sabe a história do avestruz, do enterrar a cabeça pra não ver… Eu não sou o prefeito. Prefeito é Mário. A minha rede social quem responde sou eu. Se acho que é pertinente a reclamação, dou a devida resposta. Ontem, fiz uma observação ao governador [Rui Costa]. Fui ver uma reclamação quanto à obra de esgoto na zona sul. De fato, está uma porcaria. Mostrei ao governador e avisei à Embasa. Ele respondeu meia hora depois, dizendo que tomaria providência. É um problema sério. São R$ 52 milhões investidos, uma grande obra. Ilhéus vai chegar a 92% de esgoto tratado.

PIMENTA – E na sua Pasta, o Planejamento? 

NAZAL – Briguei no governo e não consegui dar conta do Plano Municipal de Saneamento Básico. Nós precisamos fazer. Se não fosse prorrogado o prazo para 2019, ficaríamos sem receber dinheiro nenhum, nem de emenda nem de nada, por falta do plano. Ninguém no governo dá importância. Fizemos um convênio com a UFSB, e espero que continue, de levantamento arbóreo, isso é importante para a população viver, ar mais limpo, respirar melhor, fizemos um trabalho para a Bacia do Iguape, que é um problema grave d´água. Espero que deem continuidade. Uma série de coisa que a gente encaminhou, mas paciência.

PIMENTA – Sua secretaria foi boicotada?

NAZAL – A dificuldade que tínhamos era com pessoal. Por meio de parceria com o Ministério Público, conseguimos fazer algum tipo de capacitação. Agora mesmo foi curso de poda de árvore, por uma semana… Temos condições péssimas de trabalho, de estrutura. Tínhamos uma pessoa para fazer todo o licenciamento ambiental de Ilhéus. Ficamos um ano com só uma pessoa. É, humanamente, impossível dar conta com uma só pessoa. Claro que não dá conta. Aí foram chamados mais 4, mas somente no final do ano passado.

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Tem empresas grandes que estão enganchadas porque têm passivo ambiental pesado e pedem para dar jeitinho.

PIMENTA – Havia queixa quanto à concessão das licenças ambientais.

NAZAL – Fomos duros na concessão de licenciamento, construção em áreas de proteção, construção irregular. No dia que se dava uma notificação, havia dez pedidos políticos para dar um jeitinho. Tem um prédio que estava sendo construído na zona sul e foi embargado porque estava sem licença, alvará, sem nada. Ainda veio pedido para ter paciência com um negócio desse… Tem empresas grandes que estão enganchadas porque têm passivo ambiental pesado e pedem para dar jeitinho.

PIMENTA – O governo ficou aquém do pensado?

NAZAL – Muito. Por exemplo, transparência de todos os atos. É uma obrigação legal. Mas temos que fazer mais que a obrigação. O que é isso? É contratar bem, saber se o serviço está sendo bem feito. Deficiência no serviço de transporte escolar, na merenda, na atenção básica de saúde… Agora, como vice-prefeito, vou ter condição de enxergar mais…

PIMENTA – A secretaria conseguiu desempenhar o papel, de planejar, discutir a cidade?

NAZAL – Conseguiu. Tem vários projetos prontos. Nunca é um trabalho sozinho. A gente teve discussão muito forte sobre a mobilidade urbana, resultando em projeto que se for implantado terá grande impacto. Temos projeto para fazer escola na área social do Clube do Pontal… Está bacana. O Clube tem projeto de doar terreno para o município, mas nunca consegui apresentá-lo ao prefeito. Temos a mudança do projeto de transporte coletivo, de diametral para radial, com o usuário podendo usar ônibus por 2 horas pagando só uma passagem. O transporte público é deficiente em Ilhéus. Por isso, temos o avanço do transporte clandestino. Precisamos discutir a questão da água. O prefeito perdeu uma ligação da cidade de Sobral, Ceará. Vinham propor implantar em Ilhéus um sistema de educação que é modelo no Brasil e no mundo. Sabe onde está sendo implantado? Em Vitória da Conquista. O prefeito Herzem está entusiasmado, encantado.

PIMENTA – E qual seria o custo?

NAZAL – O operacional, o normal. Ele [Marão] nem ouviu, não houve interesse. Falei com a secretária… Então, essas coisas… A cidade precisa acordar. Incomodou tanto eu me separar, politicamente, do governo que tá saindo um bocado de meme dizendo Nazal, Mário e a deputada. Tem culpa. Mas eu sei de onde está partindo… Nesta semana, fizeram uma reunião grande para entrar nessa linha do desgaste de Mário.

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Quem governar diferente, está governando certo. Agora, eu não fiz campanha em 2016, andei por Ilhéus, para fazer um governo como está sendo feito.

 

PIMENTA – Sinaliza preocupação com 2020. Você será candidato a prefeito?

NAZAL – Em 2006, eu dizia que seria candidato a prefeito de Ilhéus não para ganhar, mas para puxar temas, discutir Ilhéus, que queria ser diferente. Fui secretário de Uruçuca no Governo de Fernanda Silva [2013-2016]. Na primeira reunião em dezembro de 2012, no Barravento, ela queria ouvir cada um. Eu não tinha tanta intimidade. Disse, prefeita eu só tenho uma sugestão para a senhora. Faça diferente. E ela, como é que governa diferente? Respondi: governe certo. Quem governar diferente, está governando certo. Agora, eu não fiz campanha em 2016, andei por Ilhéus, para fazer um governo como está sendo feito.

PIMENTA – E como está sendo feito?

NAZAL – Principalmente com o erário. Fui contra fazer o carnaval desde o primeiro ano. Adoro carnaval, mas só faz festa quem tem dinheiro sobrando. Um milhão e duzentos que gastou no carnaval consertava quantos postos de saúde, quantas escolas? A Escola de Tibina tem mais de cinco anos que está sem teto. Fui à secretária [de Educação] Eliane Oliveira. E ela respondeu que foi a primeira que pediu para consertar. E mostrou: aqui a prova. Quem mudou a prioridade? Não sei, mas foi a primeira escola. Tem oito meses que não fazia reunião de secretário. Fez na terça (15). Como governa dessa forma? Que unidade tem esse governo? Até para discutir, até para brigar… Um não sabe o que o outro está fazendo… O plano de iluminação da Soares Lopes quem fez foi a Administração. A Secretaria de Serviços Urbanos, na época era Jorge Cunha, não sabia de nada. Alcides levantou uma questão, e tinha razão. O projeto da Avenida era um e o da ponte, feito pelo Estado, era outro. Não se comunicou. Ontem, o pessoal da obra da Ponte me pediu que enviasse a referência do poste [de iluminação pública] para planejar igual. Coloquei em contato com Hermano Fahning para fazer.

PIMENTA – O projeto é bom?

NAZAL – É bom. Vou dar exemplo… Marão estava viajando e eu entrei em contato com o governador para falar do projeto. Governador, queremos fazer um estacionamento aqui. Ele respondeu, façam um projeto bonito… Até agora, não foi levado ao governador. Não é um projeto caro. Fiz pedido ao prefeito na minha carta. Aquelas pedras da construção da ponte serão retiradas, está no contrato. devem ser jogadas em área licenciada ambientalmente. A licença indica que se jogue na Sapetinga, no São Miguel e São Domingos. No São Domingos, o SIT (Governo do Estado) está fazendo a licença. Na Sapetinga e no São Miguel, a prefeitura terá que fazer. Ninguém fez. Será que vão querer fazer de qualquer jeito? Tem que ter responsabilidade. Civil, inclusive. A gente não tem em Ilhéus uma cascalheira licenciada. Como é que se faz manutenção de estradadas? Ilhéus não se tem uma sequer. O governo não discute. Acha que é besteira isso? Quem está no campo, sofre. O lavrador, o agricultor, quem precisa usar o ônibus. Em Uruçuca, teve aquele acidente com morte da estudante. Em Ilhéus, tem veículos rodando naquelas condições. Mas como dá manutenção se não tem cascalheira licenciada?

PIMENTA – Começamos falando do casamento… Em casamento, ambos têm responsabilidade, se na união ou na separação. Que autocrítica você faz?

NAZAL – Faço todo dia, todo dia, todo dia. A minha talvez seja a de ser intransigente com algumas coisas, com as coisas que têm de ser feitas da forma certa. Há coisas que você possa achar um caminho. Mas sou intransigente com o interesse público estar acima do privado.

PIMENTA – O privado se sobrepõe ao público com grande incidência em Ilhéus?

NAZAL – Em todo governo. A pessoa chega com o projeto, tudo bacana. Aí o sujeito chega e a gente pergunta das desvantagens. Ah, não tem. Como? Só tem vantagem? Mas é preciso ter coragem para enfrentar isso.

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O prefeito deu declaração de que a usina vai funcionar [essa semana]. Se funcionar, vai ser de forma irregular.

 

PIMENTA – Falando ainda das causas do rompimento, os atritos com secretários pesaram na decisão?

NAZAL –Atrito teve, mas não a ponto de criar trauma. O mais melindroso foi a coragem que a gente teve de fechar a usina, estando a usina irregular. Como é que nós, como governantes, exigimos que esteja correto e libera a usina? Município tem que fazer correto. Não é favor fazer o correto. Agora, para resolver o problema da usina, a gente escolheu algumas áreas. Mas a decisão de Bento, do prefeito, foi desapropriar a área onde a usina está, sem observar o valor venal da área, que é alto. O prefeito deu declaração de que a usina vai funcionar [essa semana]. Se funcionar, vai ser de forma irregular. E eu não sei se a empresa já devolveu todos os equipamentos, porque havia equipamento do município sendo usado em Itacaré. Até seis meses atrás, estava lá.

PIMENTA – Você se arrepende da aliança com Marão?

NAZAL – Não. Valeu a pena. Não é a posição pessoal de ser vice-prefeito. Isso é passageiro. Passa tão rápido. Vou me dedicar agora a um trabalho em função do Censo de 2020. Vou trabalhar sozinho. Depois, apresento. Até ao prefeito. É pelo município, por Ilhéus. Marina me disse uma coisa, meu filho, você fez um contrato com o povo. Eu vou me dedicar. Onde sou chamado e onde for chamado, eu vou.

PIMENTA – Já é o plano para 2020?

NAZAL – Pode até ser, mas eu sempre fui. Eu atendo telefone sem olhar quem está ligando. Devolvo todas as ligações que fazem para mim. Eu não sei se estarei vivo amanhã. Não sei se chego em casa hoje. Eu gostaria de ver o governo mudar, mesmo não estando nas decisões, mas pelo bem da cidade.

PIMENTA – Com as mexidas feitas na equipe, dá para mudar?

NAZAL – Só o tempo para dizer. Sem se reunir, sem interação entre as pastas, saber o que o outro está fazendo, ajudar o outro, não tem mudança.

PIMENTA – Dá para a equipe jogar bem com o técnico a distância?

NAZAL – Não. Mário tem que ter rotina de prefeito, não lê um processo para despachar. Tem coisas que você tem que saber, entender o que está fazendo. Tem coisas que a gente precisa não apenas conhecer, tem que saber daquela coisa lá. Agora, repito, tem que ter compromisso com a cidade. Eu moro na mesma casa há 62 anos. Não pretendo sair. Quero olhar para as pessoas. Está faltando amar as pessoas verdadeiramente. Trabalhei com vários prefeitos. Não encontrei um top. Tem que pensar no coletivo. Não gostou, mas quantos mil gostaram? É fazer o que tem que ser feito, mas não com interesse em ser reeleito. Ele dizia eu vou ser o prefeito top. Prefeito, não foi top.

LEÃO DESCARTA ASSUMIR MINISTÉRIO DA SAÚDE; ROBERTO MUNIZ É O INDICADO DO PP

João Leão diz que não tem interesse de deixar a chapa de Rui || Foto Pimenta

O vice-governador João Leão descartou que vá assumir o Ministério da Saúde em abril, quando o titular, Ricardo Barros, deixara o cargo para disputar reeleição a deputado federal. Segundo Leão, o posto deverá ser ocupado pelo senador baiano Roberto Muniz, conforme indicação dos deputados do partido.

Ainda em entrevista ao PIMENTA, o vice-governador João Leão classificou como “fofoca” os rumores de que o PP poderá apoiar a candidatura de ACM Neto a governador da Bahia, isso como parte do acordo para assumir o Ministério da Saúde.

“Não existe isso. O que existe é fofoca”, disse, nesta sexta (19), durante visita às obras de construção da ponte que ligará o centro à zona sul de Ilhéus. Leão estava ao lado do governador Rui Costa. “Não tenho interesse nenhum em sair da [vaga de] vice”.

PIMENTA – O PP continuará com Rui?

JOÃO LEÃO – (Risos) Eu estou fazendo o que aqui? Você quer prova mais concreta. Eu ao lado do governador, tirando uma foto. Não tenho interesse nenhum em sair da vice…

E na família?

Não tem nada.

Mas o que se diz é que Cacá, seu filho, está mais para fechar com ACM Neto…

Não existe isso. O que existe é fofoca. Cacá Leão não está hoje aqui porque está representando o partido em uma convenção no Piauí. Foi representando a Bahia.

O senhor chegou a receber convite para assumir o Ministério da Saúde?

Companheiros do partido me perguntaram se eu gostaria de ir. Eu disse que não. O partido agora está incentivando Roberto Muniz a ir. Eu sou, graças a Deus, o vice-governador que tem um filho senador e um filho deputado federal. Então, está razoável, não está?

SHOPPING JEQUITIBÁ COBRARÁ ESTACIONAMENTO EM BREVE, AFIRMA NETO

Shopping Jequitibá iniciará cobrança de estacionamento|| Foto TripAd

Manoel Chaves Neto, do Shopping Jequitibá.

O Shopping Jequitibá iniciará, em breve, a cobrança de estacionamento. De acordo com o diretor Manoel Chaves Neto, o valor da tarifa será de R$ 5,00 por 4 horas. A hora adicional custará R$ 1,00. O sistema será operado pela empresa Indigo e deverá gerar, segundo Neto, 13 empregos diretos.

A cobrança por estacionamento havia sido anunciada em 2016. Ao PIMENTA, Neto disse que a decisão pode impactar no movimento e operações do shopping em um primeiro momento, “pela quebra de padigma e cultura, apesar de já ser uma atividade já em prática” no município. Ele cita como exemplos a cobrança da Zona Azul e de estacionamento em locais como terminal rodoviário e hospitais da Santa Casa de Misericórdia. Confira.

Já foram iniciadas as montagens das cancelas na entrada e na saída dos estacionamentos. Vai iniciar a cobrança quando? Qual será o valor?

Manoel Chaves Neto – O estacionamento do Shopping Jequitibá será cobrado, sim, e em breve. O valor da tarifa será de R$5,00 por 4 horas, sendo R$1,00 a hora adicional.

Acredita que esta decisão terá impacto no movimento e operações do shopping?

Pode ser que tenha impacto no primeiro mês, diante da quebra de paradigma e cultura, apesar de ser uma atividade já em prática na cidade.

Qual a geração de emprego?

13 empregos diretos.

Por que a iniciativa de cobrar o estacionamento no início de 2018?

Porque fomos prudentes e cautelosos, pensamos nos nossos clientes e lojistas. Nos últimos 3 anos, tivemos muitas incertezas e uma grande oscilação na macroeconomia que prejudicou o varejista de forma acentuada. No último semestre de 2017, constatamos melhoras significativas na macroeconomia, nos indicadores econômicos e o retorno dos consumidores ao mercado.

O estacionamento será administrado pelo próprio Shopping?

Operação de estacionamento não faz parte do nosso core bussines. Buscamos no mercado nacional identificar as melhores empresas. Fizemos a seleção e optamos pela Indigo. A Indigo é uma empresa francesa, líder mundial em administração de estacionamentos, com mais de cinco décadas de experiência, atuando em 17 países, mais de 750 cidades, mais de 5.300 estacionamentos sob gestão, contendo 2 milhões de vagas, através de 19.000 colaboradores. No Brasil, a Indigo está presente em 17 estados, mais de 40 cidades, com amis de 190 estacionamentos sob gestão, com 192 mil vagas, através de 3.000 colaboradores genuinamente brasileiros.

Quais os benefícios que a cobrança do estacionamento trará para os clientes?

Maior disponibilidade de vagas para clientes em compras, maior e mais detalhado controle e segurança, monitoramento do estacionamento 100% com cobertura por CFTV e estacionamento assegurado por seguro RC Garagista.

Quantos shoppings no Brasil e Bahia cobram estacionamento?

98% dos shoppings inaugurados no Brasil antes de 2012 cobram estacionamento há mais de uma década. No estado da Bahia, a cobrança iniciou-se em todos os shoppings da capital em 2015. No interior da Bahia, acompanhou a mesma data, exceto Vitória da Conquista, motivado pela concorrência da implantação de um novo shopping vs localização descentralizada do centro do atual.

O sr. concorda com a Zona Azul e cobrança do estacionamento na Rodoviária e na Santa Casa de Misericórdia de Itabuna?

Quem somos nós para julgar ou opinar sobre a gestão de terceiros. Entretanto, utilizo todos os estacionamentos mencionados. Por sinal, acho que os mesmos são de qualidade e prestam um bom serviço. Sobre a Zona Azul, acho que houve uma melhora significativa nas disponibilidades de vagas para clientes em compras.

PSICÓLOGO APONTA TABUS E MITOS EM ABORDAGENS SOBRE O SUICÍDIO

Psicólogo Fernando Berbert, do Núcleo de Atendimento em Psicologia da Unime || Foto Pimenta

Psicólogo Fernando Berbert, do Núcleo de Atendimento em Psicologia da Unime || Foto Pimenta

Setembro é o mês de intensificação de atividades de prevenção ao suicídio em todo o país. As ações no mundo foram iniciadas pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (Iasp). No Brasil, Associação Brasileira de Psiquiatria, Conselho Federal de Medicina (CFM) e Centro de Valorização da Vida (CVV) coordenam as atividades neste mês.

De acordo com o coordenador de estágio em Psicologia da Unime, professor Fernando Berbert,  a campanha Setembro Amarelo é um passo para enfrentar um tema complexo e que envolve fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais e culturais. O professor critica a falta de atendimento gratuito para as pessoas que perderam o interesse pela vida e reclama da insuficiência de profissionais especializados em Itabuna.

Fernando Berbert diz que tabus e mitos sobre o assunto suicídio só fazem agravar uma situação que já é crítica. Ele alerta familiares para ficarem atentos às mudanças de comportamento, principalmente quando a pessoa apresentar desinteresse pelas coisas que sempre foram prazerosas, sentimento de inutilidade, cansaço extremo e despreocupação com a falta de higiene.

A seguir, trechos da entrevista concedida por Berbert ao PIMENTA.

Blog Pimenta – Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil registra média de 12 mil suicídios por ano. É uma taxa alta?

Fernando Berbert – Quando analisado a quantidade de ocorrências, principalmente as envolvendo pessoas com idade na faixa de 14 a 29 anos, o número parece pequeno, mas não é, porque existe uma subnotificação de casos.

Pimenta – Por que ocorre essa subnotificação?

Fernando – Enfrentamos um  grande tabu quando o assunto é suicídio. Pesquisas apontam que, historicamente, as famílias sentem vergonha, quando um dos seus membros comete o ato.  Por isso, acabam não notificando a causa mortis corretamente às secretarias de Saúde dos municípios. Muitas vezes, até solicitam aos médicos que coloquem em seus relatórios algum tipo de doença que justifique a morte.

Pimenta – O assunto é complexo e pouco abordado, não?

Fernando – Existem alguns quadros sobre mitos e verdades. Há quem acredite, por exemplo, que falar sobre o assunto é uma forma de propagação e incentivo à prática do suicídio. Isso é uma inverdade. Os estudos mostram que, quanto mais se fala e se debate sobre o assunto, a população fica mais ciente e, consequentemente, aumenta as chances de redução das taxas.

Pimenta – Há um aumento do número de brasileiros que abrem mão da própria a vida?

Fernando – A taxa de suicídios entre os jovens aumentou em torno de 10% ao ano no Brasil. De 2004 a 2012 foi verificado aumento substancial de ocorrências, principalmente entre os homens. E temos um ponto a ser esclarecido: embora o índice de suicídio seja maior entre as pessoas do sexo masculino, as mulheres fazem mais tentativas. As mulheres quase sempre tentam usando medicamentos; enquanto os homens recorrem, na maioria das vezes, a arma de fogo.

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As mulheres conseguem participar de redes sociais, vão mais ao médico para falar sobre o assunto e fazem o tratamento. Já o homem não tem essa iniciativa. A cultura nos coloca que temos que ser fortes.

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Pimenta – Essa seria a única justificativa?

Fernando – Não. As mulheres conseguem participar de redes sociais, vão mais ao médico para falar sobre o assunto e fazem o tratamento. Já o homem não tem essa iniciativa. A cultura nos coloca que temos que ser fortes. A pessoa do sexo masculino já faz a tentativa e comete o ato em um estágio bem avançado de algum transtorno. Por isso, a taxa de suicídios entre homens é maior.

Pimenta – Há como descobrir que a pessoa desistiu de viver?

Fernando – Nem a medicina nem a psicologia têm como determinar e antecipar que uma determinada pessoa vai cometer suicídio. O que sabemos é que quem tentou uma vez e não conseguiu tem 50% de chance de fazer uma nova investida. Mas, infelizmente, as pessoas não dão a devida atenção porque se apegam ao mito de que uma nova tentativa não será feita. A segunda tentativa acaba sendo concretizada em 50% dos casos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Pimenta – O que leva a pessoa desistir do mundo?

Fernando – Mais de 90% dos casos de suicídio têm relação com transtornos mentais. As ocorrências estão relacionadas com a depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e uso substâncias psicoativas, que vão potencializar para que a pessoa cometa o suicídio. :: LEIA MAIS »

VIVO LANÇA INTERNET ULTRA RÁPIDA EM ITABUNA; ILHÉUS PODE SER ATENDIDA EM 2018

Pontual lança Vivo Fibra em Itabuna e fala de planos para Ilhéus || Foto Pimenta

Pontual lança Vivo Fibra em Itabuna e fala de planos para Ilhéus || Foto Pimenta

A Vivo investiu cerca de R$ 10 milhões para oferecer internet ultra rápida e telefonia fixa em Itabuna. As operações de vendas dos novos serviços começam nesta sexta (1º), após lançamento feito pelo diretor da empresa para o Nordeste, Renato Pontual, ontem (31), no Empório. O município foi o escolhido pela operadora para implantar serviços de telefonia fixa e banda larga 100% em fibra ótica.

A velocidade de conexão será, na média, seis vezes superior à obtida atualmente. O cliente poderá dispor de conexão em duas faixas – de 2,5 e 5Mhz. Nos próximos meses, disse Pontual, a Vivo oferecerá, além de telefonia fixa/móvel e internet banda larga, a TV por assinatura no município.

Com o investimento, segundo Pontual, a empresa poderá atender 27,1 mil domicílios e até 16 mil empresas em Itabuna em fibra ótica, com internet banda larga variando entre 25MB e 300MB de velocidade (veja lista de cobertura da nova rede). Os planos variam de R$ 119,99 a R$ 244,99. O pacote linha de telefonia fixa mais internet varia de R$ 124,98 a R$ 279,98.

O diretor acredita que a empresa tenha obtido já a liderança de mercado na área 73 em julho – números ainda não foram divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A consolidação, prevê, ocorrerá com a ofensiva na principal economia sul-baiana. A área 73 é composta por 90 municípios. Destes, 19 possuem rede 4G, segundo a empresa, devendo chegar a 40 até o final de 2017.

O PIMENTA fez entrevista exclusiva com o diretor da Vivo Nordeste. Veja alguns pontos:

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A grande motivação de estarmos aqui é o que Itabuna vem demonstrando nos últimos anos.

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EXPECTATIVA
“A gente está começando a operação agora. A expectativa é do tamanho do que Itabuna representa para a economia baiana, quinto maior município [número de habitantes]. A gente já estava em seis municípios da Bahia.”

MOTIVAÇÃO PARA INVESTIR EM ITABUNA
“Itabuna vem demonstrando, nos últimos 10, 15 anos, um desenvolvimento alavancado, tem a habilidade de crescer na parte comercial, de serviços… A grande motivação de estarmos aqui é o que Itabuna vem demonstrando nos últimos anos.”

CRESCIMENTO SOCIOECONÔMICO
“A gente acredita que, trazendo esse serviço de banda larga para a cidade, contribui com esse crescimento não só do ponto de vista de ofertar o serviço de telefonia, mas o que esse serviço pode possibilitar para empresas que poderiam, mas não vieram por essa falta de estrutura de dados boa, de qualidade. Agora, passa a ter e passa a ser um catalisador de crescimento para a cidade nos próximos anos”.

QUANDO CHEGA A ILHÉUS?
“É possível em 2018. Não posso falar, pois temos concorrência pesada e se a gente divulga essas cidades de longo prazo, podemos ser prejudicados. Agora, é fato que, no final de setembro, chegaremos a Vitória da Conquista. Nos próximos anos, chegaremos não só em Ilhéus, como Juazeiro, Teixeira de Freitas, cidades que têm relevância para o estado”.

Durante o lançamento dos novos serviços de ultra velocidade, Pontual também citou estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre o impacto do acesso à banda larga de qualidade na economia. O aumento do PIB pode chegar a 3,2% a cada aumento de 10% de penetração do serviço, conforme o estudo.

LOCALIDADES ATENDIDAS EM ITABUNA
O investimento feito possibilitará à empresa atender a clientes residenciais de 24 localidades de Itabuna. São elas Alto Maron, Banco Raso, Caixa D´Água, Castália, Centro, Conceição, Fátima I e II, Góes Calmon, Jaçanã, Jardim das Acácias, Jardim Primavera, Jardim Vitória, João Soares, Rua Juca Leão, Mangabinha, Novo Horizonte, Pontalzinho, São Caetano, São Judas, São Roque, Sarinha, Santo Antônio e Zildolândia. Já para clientes pessoa jurídica, a empresa poderá oferecer serviços em qualquer região da cidade, segundo o diretor.

CACAU PROTÁSIO: O HUMOR ME ENCONTROU

CACAU PROTÁSIO EM ILHÉUS - INSTAGRAM

Karoline Vital

Enquanto Cacau Protásio publicava um vídeo dos presentes que recebeu dos fãs de Ilhéus em seu perfil do Instagram, eu procurava me situar na realidade para iniciar minha missão. Sob o olhar fulminante da produtora, que controlava a duração da conversa a fim de não atrasar o início do espetáculo. Tentei, ao máximo, manter a objetividade em pouco mais de 10 minutos.

Em seu primeiro monólogo, Deu a louca na Branca, Cacau Protásio desconstrói a figura clássica dos contos de fada dos Irmãos Grimm e transformada em pop-star por Walt Disney, sendo a primeira princesa a ter o nome estampado na Calçada da Fama de Hollywood.

Deu a louca na Branca apresenta o lado humano da personagem, revelando como é possível se divertir mesmo fora dos padrões impostos pela mídia ou convenções sociais. Negra, acima do peso, periférica, a Sebastiana assume o arquétipo da Branca de Neve, dando o seu tom particular.

A ideia para a peça surgiu após Cacau Protásio desfilar na comissão de frente da escola de samba União da Ilha, caracterizada de Branca de Neve, no carnaval de 2015. Uma semana antes do episódio, o autor Cacau Hygino havia começado a escrever a peça e convidou a atriz para dar vida à personagem irreverente. E, através da WB Produções, do Espírito Santo, o espetáculo virou realidade, conseguindo captar recursos por meio de lei de incentivo no tempo recorde de seis meses.

Com muito bom humor, o texto de Cacau Hygino demonstra a liberdade de poder ser quem você deseja, independente da imagem construída pelos outros. A atuação de Cacau Protásio, dirigida por Regiana Antonini, pontua os contrastes entre a ludicidade e a carnalidade, por meio de uma performance dinâmica, seguindo arte clownesca, em que o humor físico se sobressai, possibilitando um riso universal.

Ilhéus foi a terceira cidade da primeira turnê de Deu a louca na Branca. A estreia nacional, em julho deste ano, ocorreu em Vitória (ES). A peça também passou por Curitiba (PR) e segue para Teresina (PI). Nas terras sul-baianas, a produção local ficou a cargo da Fase Produtora. As três sessões no Teatro Municipal de Ilhéus tiveram casa cheia e, ao final de cada apresentação, a atriz fez questão de atender os fãs, retribuindo todos os carinhos – apesar da produtora…

Cacau Protásio fala de carreira e comédia || Foto Janderson Pires

Cacau Protásio fala de carreira e comédia || Foto Janderson Pires

Eis a entrevista feita para o PIMENTA.

Como está sendo a experiência do primeiro monólogo?

Está sendo maravilhoso, graças a Deus. É muito bom você fazer um espetáculo de uma hora e ver que as pessoas conseguem se divertir, interagir, conseguem rir com você. É um presente de Deus, eu só tenho a agradecer. Eu só tenho recebido mensagens positivas e muitas gargalhadas, que é isso que a gente gosta de receber do público.

E o desafio de ressignificar personagens do universo infantil para o público adulto?

Apesar de sempre frisarmos que não se trata de um espetáculo infantil, tem mães que trazem crianças. Eu faço coisas que só adultos entendem. As crianças não veem malícia, elas veem o colorido, uma Branca de Neve diferente. Pois sempre é apresentada uma Branca de Neve magra e branca e agora as crianças estão vendo uma Branca de Neve negra e gorda e estão aceitando.

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A minha cena mais conhecida da novela, que foi eu fazendo a Dança do Amendoim, foi numa época em que Avenida Brasil estava num período tenso e a diretora falou para mim “Cacau, você é a única que pode fazer graça nessa casa”.

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Sua formação não é de uma atriz de humor. De que maneira chegou a esse universo?

O humor me encontrou. Não fui eu que encontrei o humor. Quando eu fui chamada para fazer a novela Avenida Brasil, eu já tinha feito uma outra que não tinha tanta graça. Em Avenida Brasil, eu fui um gatinho jogado no meio de leões e fui recebida muito bem. E eu entrei por um caminho de humor que nem eu sabia que fazia graça. A minha cena mais conhecida da novela, que foi eu fazendo a Dança do Amendoim, foi numa época em que a novela estava num período tenso e a diretora falou para mim “Cacau, você é a única que pode fazer graça nessa casa”. Então, (a empregada Zezé da vilã Carminha) era a personagem mais leve, mais brincalhona. E foi aí que o humor me descobriu, tanto que a direção do Vai que Cola (Multishow) me chamou depois da Zezé. E é maravilhoso eu ser mulher, estar com 40 anos e poder fazer o meu primeiro monólogo, fazendo com que as pessoas se divirtam. Eu sou muito grata a Deus por me dar esse dom, por ouvir de várias pessoas “você me tirou da depressão”. Mas foi mais um que Deus salvou, pois não sou eu que salvo, eu sou um instrumento.

No Vai que Cola, por ser num canal fechado, você consegue manter a liberdade do humor que tem no teatro?

Lá no Vai que Cola a gente faz o que a gente quiser, é a nossa casa. Óbvio que tem um diretor que está lá para amarrar, tem um roteiro, mas a gente é muito livre para brincar. No Vai que Cola nós temos uma plateia, é uma peça de teatro diária. Em televisão, a gente só tem o retorno do público depois de um mês que a novela vai ao ar. E, no teatro, é ali, no momento, é o agora.

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Eu falo que, se eu morrer amanhã, eu fui feliz até hoje, pois realizei todos os meus sonhos.

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Quais são os projetos atuais e futuros?

Eu gravo o Vai que Cola durante a semana, no Rio de Janeiro, e viajo com a peça Deu a louca na Branca nos finais de semana. Eu quero que a “Branca” tenha vida longa, que todos se divirtam com ela, e levá-la ao mundo inteiro. Em janeiro de 2018, eu estreio o filme Os farofeiros com Maurício Manfrini, o Paulinho Gogó, e estou divulgando o livro de crônicas Gordelícias, que escrevi com a Fabiana Carla, Mariana Xavier e Simone Gutierrez.

Com esses projetos no teatro, na televisão e no cinema, está conseguindo se realizar?

Eu falo que, se eu morrer amanhã, eu fui feliz até hoje, pois realizei todos os meus sonhos.

NETO: “A RENNER AJUDA A POSICIONAR O JEQUITIBÁ COMO ÍCONE DE MODA NO SUL DA BAHIA”

 

Manoel Chaves Neto, do Shopping Jequitibá.

Manoel Chaves Neto, do Shopping Jequitibá.

As perspectivas para a economia do Brasil nos próximos anos e os planos de investimentos para tornar o Shopping Jequitibá completo foram temas abordados na entrevista com o empresário Manoel Chaves Neto. O diretor do centro de compras do sul da Bahia mostra-se otimista com os números recentes da economia. 

Neto ainda aborda a polêmica envolvendo a CineSercla, que anunciou a inauguração de salas de cinema no shopping em 2018. “Fui pego de surpresa. Não temos contrato assinado com ninguém”, disse.

O diretor do Shopping Jequitibá também abordou o peso da chegada das Lojas Renner. Para ele, o empreendimento ajuda a posicionar o centro de compras como referência de moda na região. A filial da Renner será inaugurada na próxima sexta (16).

Neto ainda fala de família. Empresário pioneiro em várias áreas, Helenilson Chaves submeteu-se a cirurgias e se recupera em Salvador. Confira. 

Qual a perspectiva para o varejo nos próximos anos?

Resposta dificílima, pois no Brasil está quase impossível prever algum tipo de conjuntura econômica, política, etc. O que podemos afirmar é sobre o agora. Vemos, nos últimos meses, declínio da inflação ao patamar de 4% , abaixo da meta se 4,5%, com perspectiva de manutenção, em paralelo a taxa de juros Selic, antes 14,25% ao ano, hoje 10,25%, mas com prognóstico de estar abaixo dos 2 dígitos, na casa de 8,5% ao ano em dezembro. Estes fatores nos animam e fazem acreditar que o país entrará numa estabilidade em breve, pois quanto menor inflação e juros, mais sobra para consumo, que puxa a indústria e que gera emprego, situação está que se reverterá lentamente, com retorno dos investimentos e consumo.

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Temos seguido nosso plano estratégico. Chegaremos no final de 2018 com um Shopping Regional Dominante.

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Como o Shopping Jequitibá se encaixa neste cenário?

Não resta dúvida que o cenário é e continuará sendo bastante desafiador, motivo pelo qual temos focado nossos esforços na redução dos custos operacionais e despesas. Por outro lado, no complemento de mix do shopping, trazendo novidades e lojas que agreguem produtos e serviços para nossos clientes. Temos seguido nosso plano estratégico. Chegaremos no final de 2018 com um Shopping Regional Dominante.

E a inauguração da Renner?

A inauguração da Renner vem nos abrilhantar, nos fortalecer e ajudar a posicionar ainda mais o Shopping Jequitibá como ícone de moda no sul da Bahia , além de potencializar o poder de atratividade e vendas do nosso empreendimento. A loja Renner do Shopping Jequitibá terá 2.200 metros quadrados em 2 andares, térreo e primeiro andar, interligados por uma enorme escada rolante, elevadores e escada fixa com objetivo de proporcionar maior conforto e comodidade para nosso cliente. Realmente está linda. Não deixem de visitar, na próximo sexta (16), a partir das 10 horas.

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As vendas vão bem. Estamos com 3% de crescimento nas lojas âncoras e megalojas e 15,98% nas lojas satélites.

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Como estão as vendas no Shopping Jequitibá?

Graças ao bom Deus, ao trabalho assertivo do marketing, ao atendimento gentil da nossa equipe, ao treinamento contínuo dos vendedores e aos nossos empreendedores lojistas, as vendas vão bem… Gostaríamos sempre que estivessem melhores, mas, diante de toda circunstância, estamos com 3% de crescimento nas lojas âncoras e megalojas e 15,98% nas lojas satélites.

Além da Renner, o que mais foi realizado?

Nesta etapa de investimento, além de termos construído o shell da Renner e Ricardo Eletro, construímos em cima da Renner uma laje com 1.350 metros quadrados que permite, no futuro, ter 55 novas vagas de estacionamento. Além disto, no L1, destelhamos 1.700 metros quadrados, onde conseguimos implantar mais 68 novas vagas de estacionamento para uso imediato.

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O nosso complemento de mix contempla um multiplex com salas de cinema, academia, Centro Médico de última geração e ampliação da área de lazer e restaurantes

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O que tem mais por vir no complemento de mix, deste projeto de shopping completo, dominante?

O nosso complemento de mix contempla um multiplex com salas de cinema, academia, Centro Médico de última geração e ampliação da área de lazer e restaurantes.

Qual a previsão de inauguração?

Tenham certeza: quem mais está ansioso para entregar estes projetos e complemento de mix somos nós, empreendedores, juntamente com toda nossa equipe. Entretanto, por ainda não ter dada certa e nenhum contrato já assinado, preferimos agir com cautela para que, no momento certo, façamos o pronunciamento com dia e hora para data de inauguração.

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Sobre a CineSercla – Fui pego de surpresa. Não temos contrato assinado com ninguém. O escritório de advocacia que nos assessora está tratando dos assunto.

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A Cine Sercla confirma que vai inaugurar 5 salas de cinema no Jequitibá em 2018. Como ficou isso?

Assunto que me entristece, frustra nossos clientes, desgasta nossa imagem e prejudica outras negociações. Fui pego de surpresa. Não temos contrato assinado com ninguém. O escritório de advocacia que nos assessora está tratando dos assunto.

Referência de empreendedorismo no sul da Bahia, Helenilson Chaves fez 70 anos na última semana. Como ele está?

Meu grande pai, minha mãe, grandes exemplos para mim. Eles vão muito bem, pois têm estado bastante colados em todas as horas e momentos. Recentemente, meu pai passou por uma cirurgia em São Paulo. Está fazendo tratamento em Salvador, onde acredito que até o Natal ele estará de volta a sua amada cidade de Itabuna. Na verdade, chego até dizer que parte dele está aqui presente nos meus movimentos e ações, como também dos meus irmãos, pois tivemos uma criação muito próxima no qual seus ensinamentos e a sua forma de ser, pensar, agir, seu caráter e postura, guardando as devidas proporções e particularidade, estão incutidos em nós.

Como o senhor tem analisado a política de Itabuna?

Política deixo para ser comentada por políticos. Agora, queremos cada dia mais o melhor para Itabuna, Ilhéus e todas os 41 municípios do sul da Bahia. Por fim, agradeço aos meus sócios, toda minha equipe do Shopping Jequitibá e da JPS, a todos mesmos, pelo empenho e dedicação que contribuem de forma significativa para fazer do Shopping Jequitibá cada dia melhor, maior e mais feliz.

ALBAN, DA FIEB: “CRIAMOS AS CONDIÇÕES DE INTERIORIZAÇÃO DA INDÚSTRIA”

Ricardo Alban, presidente da Fieb (Foto Pimenta).

Alban, presidente da Fieb (Foto Pimenta).

Presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Ricardo Alban inaugurou na última sexta (2), na Rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415), a unidade integrada de ensino e capacitação profissional. O complexo reúne serviços IEL, Sesi e Senai, representando investimento superior a R$ 19 milhões.

Após a inauguração da unidade ilheense, Alban concedeu entrevista ao PIMENTA. Abordou o processo de interiorização da indústria na Bahia, investimentos em qualificação profissional e a necessidade das reformas previdenciária e trabalhista.

Para ele, não deve haver solução de continuidade na votação das reformas, apesar da crise política instalada em Brasília. Também aborda o embate ético que juntou grupos de empresários e políticos. Alban defende atitude proativa. Assim como o dirigente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Robson Braga de Andrade, Alban separa a minoria dos empresários corruptos daquilo que representa o empreendedor brasileiro. Confira:

PIMENTA – O sr. defende que, apesar da crise política, não haja solução de continuidade na votação das reformas trabalhista e previdenciária. Por que o sr. considera as reformas imprescindíveis?

ALBAN – As reformas são necessárias para criar as condições macroeconômicas e o país volte a crescer. Não podemos conviver com legislação trabalhista de 50, 60 anos atrás. O mundo mudou, as relações de trabalho mudaram. O trabalhador hoje não é o mesmo de 60 anos atrás. Temos que modernizar. Eu não enxergo perdas de direitos [com as reformas], mas de buscar o negociado sobre o legislado. Óbvio que temos que ter certos controles.

PIMENTA – E a reforma previdenciária?

ALBAN – O governo anterior já mostrava essa necessidade [da reforma previdenciária]. O mundo inteiro já fez. A França já fez duas vezes, os Estados Unidos… Nós estamos em um mundo cada vez mais longevo. O mundo está ficando velho. Precisamos adequar a realidade de longevidade com a capacidade financeira de manter os programas de previdência.

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DEBATE ÉTICO – Existem empresários e empresários, políticos e políticos. Isso tudo faz parte de uma sociedade. O que não podemos é fazer com que uma realidade minoritária prevaleça sobre uma realidade total. Precisamos dar muito mais valor aos bons exemplos e atitudes positivas.

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PIMENTA – O presidente da CNI abordou o debate ético ao citar relacionamento entre o empresariado e os políticos. O que os empresários podem fazer para mudar estas práticas?

ALBAN – Nós já colaboramos. Logicamente, existem empresários e empresários, políticos e políticos. Isso tudo faz parte de uma sociedade. O que não podemos é fazer com que uma realidade minoritária prevaleça sobre uma realidade total. Precisamos dar muito mais valor aos bons exemplos e atitudes positivas do que ficar sempre valorizando os maus exemplos. Óbvio que precisamos corrigir, tomar as providências necessárias. Precisamos pensar proativamente. Precisamos consertar o presente, mas sem perder de vista o depois, o amanhã.

PIMENTA – As unidades integradas da Fieb são parte dessa filosofia?

ALBAN – Isso é um dever nosso. É uma prova inequívoca que o Sistema S dá resultado. Esses recursos [para construir unidades de ensino e capacitação] são das empresas, não são recursos tirados do trabalhador. Nós também somos responsáveis por criar as condições quer seja de educação, quer seja de profissionalização, quer seja de inovação e de sustentabilidade na área da indústria.

PIMENTA – Qual o impacto da Unidade Integrada ilheense para a indústria sul-baiana?

ALBAN – Com certeza, nosso objetivo é que as unidades integradas representem um processo de industrialização em todo o estado da Bahia. Estamos fazendo esse equipamento aqui, em Ilhéus, também em Vitória da Conquista, Luís Eduardo Magalhães, em Barreiras, Feira de Santana e, até o próximo ano, em Juazeiro. Criamos as condições de interiorização da indústria e, com isso, nós teremos uma Bahia mais igual, mais equitativa no processo industrial.

MARÃO DIZ TER FICADO SURPRESO COM NOMES ENVOLVIDOS NA OPERAÇÃO CITRUS

Marão Entrevista 29.03.2017

Mário Alexandre, de Ilhéus, fala de operação e reflexos no governo (Foto Pimenta).

Após decretar situação de emergência na Secretaria de Desenvolvimento Social na última semana, o prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), disse que a ordem é não parar os serviços da Pasta. O gestor avaliou como “triste, negativo” para a cidade o impacto da Operação Citrus.

A investigação do Ministério Público Estadual (MP-BA) resultou em seis prisões temporárias, dentre as quais a de dois ex-secretários, um deles reeleito vereador mais votado de Ilhéus, Jamil Ocké (PP), que permanece no Presídio Ariston Cardoso. Marão disse ter ficado surpreendido com os nomes envolvidos, embora – e sem emitir juízo de valor – ressalte que todos estão tendo direito a defesa.

Ontem à tarde, Marão participou de evento da Caravana Pacto pela Vida, na Rodovia Ilhéus-Itabuna, onde foram entregues viaturas para as polícias civil e militar e para grupamentos do Corpo de Bombeiros em Ilhéus e Itabuna. Afirmou que a luta tem sido em elevar a autoestima do ilheense. Abaixo, numa entrevista ao site, o prefeito fala de providências do governo no âmbito da Operação Citrus.

BLOG PIMENTA – A Operação Citrus abrange período de oito anos, a partir de 2009. Quais os efeitos da operação no seu governo?
MÁRIO ALEXANDRE (MARÃO) –
Para a cidade, foi triste, negativo. Colocamos o governo às ordens da promotoria e do judiciário para auxiliar nas investigações. Por recomendação do Ministério Público Estadual, tivemos que cancelar os contratos com as empresas envolvidas na Operação Citrus. Estamos fazendo contratação emergencial para a secretaria (de Desenvolvimento Social) não parar.

PIMENTA – Essa contratação emergencial já foi feita?
MARÃO –
As contrações estão sendo feitas. Passamos à Procuradoria-Geral do Município para seguirmos os trâmites e fazermos as novas contratações.

PIMENTA – A secretaria continuará fechada ao público?
MARÃO –
A nossa orientação é para que funcione normalmente.

PIMENTA – Os contratos suspeitos com a deflagração da Citrus foram firmados neste governo?
MARÃO –
Esses contratos foram prorrogados, por 90 dias [no início da gestão], enquanto fazíamos nova licitação. Em Ilhéus, não decretamos situação de emergência, aliás um dos poucos [municípios] na Bahia.

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OPERAÇÃO CITRUS – Qualquer fato negativo desses é ruim para quem faz política, para quem está no meio político, mas a gente leva a questão positiva da cidade, levantando a autoestima do nosso povo, de ver uma cidade melhor, de vermos uma cidade com infraestrutura melhor, turismo.

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PIMENTA – Fez na saúde.
MARÃO –
Na Saúde, porque os contratos já tinham sido vencidos. Mas fomos um dos poucos na Bahia que decretamos situação emergencial em nenhum setor, inclusive parabenizado pela associação dos municípios da Bahia.

PIMENTA – O ambiente político na cidade ico tenso. E o governo, está tranquilo quanto à operação?
MARÃO –
Sim. Qualquer fato negativo desses é ruim para quem faz política, para quem está no meio político, mas a gente leva a questão positiva da cidade, levantando a autoestima do nosso povo, de ver uma cidade melhor, de vermos uma cidade com infraestrutura melhor, turismo. Tenho orientado a nossa equipe a passar esse pensamento positivo, não só da nossa cidade, mas da região.

PIMENTA – Para o senhor, foi uma surpresa os nomes dos personagens envolvidos na operação?
MARÃO –
É sempre surpreendente. A gente que não conhecia esse tipo de trabalho… A gente se surpreende, a prisão… Eles também têm como se defender. A prisão é temporária. E aí, a partir da acusação e da defesa, é que vai se chegar a um veredito final…

NETO: JEQUITIBÁ BUSCA SE CONSOLIDAR, ATÉ 2018, COMO SHOPPING COMPLETO

Neto diz que missão é consolidação como shopping completo até 2018 (Foto FEmpresarial).

Neto diz que missão é consolidação como shopping completo até 2018 (Foto FEmpresarial).

O Jequitibá trabalha para consolidar-se como shopping center completo até 2018, revela o diretor do Grupo Chaves, Manoel Chaves Neto, nesta entrevista. “Para que isso aconteça, temos que ter um shopping com cinema, academia, restaurantes, espaço para medicina e laboratório etc”, completa.

O executivo do Grupo Chaves também aborda, nesta entrevista, a crise econômica nacional e emite opinião quanto ao futuro da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa).

Neto fala, ainda, das obras de construção da primeira unidade de uma das principais redes de loja de departamentos, a Renner, no sul da Bahia. A previsão é de que a inauguração ocorra antes do Dia das Mães. Confira.

Estrutura sendo edificada para abrigar loja e mais operações do shopping.

Montagem da estrutura da Renner e – em breve – cinema e estacionamento.

As obras estão dentro do prazo?

Sim. Iniciamos as obras da Renner em 13 de novembro. Ontem (sábado, 14), finalizamos toda a montagem estrutural – pilares, vigas e lajes – faltando apenas fechamento lateral e impermeabilização.

Toda esta obra foi para Renner?

A Renner terá uma loja de 2.100 metros quadrados em 2 andares, ligados internamente por escadas rolantes, escadas fixas e elevadores. Acima da Renner, no L3, já fizemos investimentos para que, num futuro próximo, utilizemos como estacionamento. Aproveitamos esta intervenção para fazer fundações e colocar pilares que suportem construção de deck park, prédio comercial, cinema…

A fase de fundação e montagem foi bem rápida. O que permitiu essa agilidade?

Optamos pelo método construtivo com pré-moldados, método este que nos dá mais velocidade, diante da necessidade da Renner de inaugurar a loja antes dos Dia das Mães. As equipes do shopping e da obra, afinadas com os objetivos comuns, foram também fundamentais para este êxito.

Estrutura terá capacidade para várias operações do shopping, incluindo academia e espaço para medicina e laboratório.

Estrutura terá capacidade para várias operações do shopping, incluindo academia e espaço para medicina e laboratório.

Qual a estimativa de geração de empregos com a Renner?

Nós acreditamos que uma loja deste porte deva gerar, inicialmente, 80 postos de trabalhos, sendo ao longo do tempo readequados para a realidade, entre 50 a 70 empregos.

A crise econômica tem afetado o movimento do Jequitibá?

Seríamos irresponsáveis se disséssemos que não, pois a crise atinge toda a população, de A a Z, quem consome, quem faz o varejo. Falando da crise no shopping, asseguro que atinge numa proporção bem pequena, sendo certo que são problemas pontuais. O que mais me preocupa é a falta de chuva, falta de água em nossa região.

Clique no “leia mais” e confira a íntegra da entrevista. :: LEIA MAIS »

“TERMÔMETRO PARA 2018”, DIZ JOSIAS SOBRE ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Secretário estadual Josias Gomes durante caminhada em Itabuna, ontem.

Josias Gomes, ao centro, durante caminhada de Geraldo, em Itabuna, ontem.

Secretário de Relações Institucionais da Bahia,  Josias Gomes disse enxergar com otimismo o cenário político-eleitoral de 2016 para a base aliada do governador Rui Costa. Ontem (1º), após participar de evento com o candidato a prefeito de Itabuna pelo PT, Geraldo Simões, o secretário concedeu entrevista ao PIMENTA.

Para Josias, os resultados deste domingo serão “importantes para continuar sustentando, politicamente, o governo estadual” e as gestões aliadas. “A eleição municipal acaba sendo um termômetro [para 2018]”, reconhece, embora observe que existam outras variáveis importantes. Josias também trata, na entrevista, de um resultado em particular, o do PT em Vitória da Conquista.

BLOG PIMENTA – Quais são as perspectivas do governo para este domingo?

JOSIAS GOMES – Nós estamos otimistas quanto ao resultado eleitoral. Percorremos todo o estado e temos expectativa muita otimista, sobretudo em grandes cidades. Com certeza, teremos resultado excelente. Mesmo onde não ganharmos, nossas votações serão importantes para continuar sustentando, politicamente, o governo e os nossos aliados.

PIMENTA – Deverá ter peso decisivo para 2018?

JOSIAS – A eleição municipal acaba sendo termômetro. No entanto isso não é um axioma. É uma realidade que, na política, a gente trata como sendo, mas existem outras variáveis que devem ser levadas em conta. De todo modo, temos a clareza de que esta eleição será importante para o governo.

PIMENTA – O presidente do PT, Everaldo Anunciação, aposta que a base aliada deva fazer 70% das prefeituras. O governo também faz essa estimativa?

JOSIAS – Pessoalmente, tenho avaliação muito positiva. Nos últimos dias, tem havido mudança muito significativa em cidades que não considerávamos sequer a possibilidade da disputa e hoje estamos em condições de vitória

PIMENTA – Quais?

JOSIAS – Não vou citá-las, mas são algumas das maiores cidades da Bahia. Por exemplo, Irecê, tínhamos candidatura que não era considerada competitiva e hoje está para ganhar. Mas não tenho, percentualmente, previsão, se 40%, 50% ou 60%.

PIMENTA – Uma das prefeituras-símbolo do PT no Brasil é Vitória da Conquista. Lá, o candidato da oposição liderava as pesquisas. Qual cenário para este domingo?

JOSIAS – Trabalhamos com algumas candidaturas da base aliada para levar o pleito para o segundo turno. As outras candidaturas lançadas não estão tendo essa condição em Conquista. Ao que tudo indica, teremos eleição em primeiro turno, mas a condição de Zé Raimundo (PT) melhorou muito nas duas últimas semanas.

JUVENAL: “A MODERNIDADE CHEGOU E ENGOLIU A VELHA CEPLAC”

Juvenal: Ceplac precisa ir além dos portões.

Juvenal Maynart.

Juvenal Maynart, ex-superintendente regional da Ceplac, tem uma visão polêmica do órgão federal que, por décadas, foi uma das principais referência para a antes pujante região sul da Bahia. Para ele, o que antes era sinônimo de região cacaueira hoje precisa se reinventar. “A modernidade chegou e engoliu a velha Ceplac”.

O ex-superintendente empolga-se ao falar de outros temas que se relacionam ao – e com o – órgão federal, a exemplo de sistema cabruca e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Para ele, a instalação do Centro de Formação em Tecnologias Agroflorestais representa um novo paradigma, assim como a própria universidade.

Confira um papo rápido com ele, que, na segunda passada, disse rejeitar um retorno ao comando regional da Ceplac. 

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A UFSB acaba de lançar um equipamento que sequer estava previsto para Itabuna, em seu planejamento inicial. O que muda na relação institucional e como o produtor e a sociedade vão ser beneficiados?

Juvenal Maynart – Entendo que a instalação do Centro de Formação em Tecnologias Agroflorestais, numa proposta de levar domínio dessas tecnologias – com a transversalidade da sustentabilidade ao produtor, será uma revolução na ciência e na extensão rural. É a ocupação do novo paradigma. A implantação de uma visão da extensão que levará engenheiros florestais e agrônomos a núcleos regionais, em que a ciência prática será a validadora do final de cursos de cada discente (aluno), um projeto com aplicação prática será o passaporte para a conclusão do curso. É uma visão totalmente nova de extensão.

Explique o que o senhor chama de novo paradigma na ciência e na extensão. Para onde ele nos levaria, em sua visão?

Juvenal – É uma visão de extensão multiplicada com tecnologia, inovação, sustentabilidade e, acima de tudo, a matriz de cacau cabruca em usos de Áreas de Proteção Permanente (APP), a implantação de reservas legais com árvores nativas, dentro de um projeto maior, a Conservação Produtiva, que é o que foi validado na Rio+20. Aonde nos levaria? À recuperação das bacias dos rios Cachoeira e do Almada. Falei de tecnologia, uso do sistema cabruca em APP, implantação de reservas com nativas. Isso resultaria na recuperação das nascentes e das nossas bacias.

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A Ceplac ainda fala em contratar novos extensionistas para ir de porteira em porteira, chegando pela manhã e saindo à tarde, esperando o almoço do fazendeiro e pleiteando meia diária do governo.

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A UFSB vai “engolir” a Ceplac?

Juvenal – Estamos falando de uma instituição que tem, nesse campo de que tratamos, um pró-reitor que emplacou um artigo na capa da Nature. A Ceplac se tornou uma instituição analógica. Falei que a nova extensão é revolucionária, exatamente, porque prevê uma multiplicação a partir de um uso intenso da tecnologia. A Ceplac ainda fala em contratar novos extensionistas para ir de porteira em porteira, chegando pela manhã e saindo à tarde, esperando o almoço do fazendeiro e pleiteando meia diária do governo. Não há espaço para esse extensionista no modelo proposto pela UFSB.

Vai engolir?

Juvenal – A modernidade chegou e engoliu a velha Ceplac, mesmo que esta ainda não tenha sido digerida. Já a UFSB, chega antenada com a modernidade no fazer científico. O que a sociedade clama é que a Ceplac seja capaz de se ajustar ao novo paradigma, que seja mais moderna, que se insira dentro da GigaSul, a rede de banda larga que vai atender a UFSB, mas também às outras instituições. Claro, não é apenas estar dentro dessa rede, mas o que vai se fazer estando ali.

O que quer a Ceplac?

Juvenal – Na verdade, a luta do velho é pela manutenção do status quo. Quando falo do velho, falo de seu corpo diretivo. A luta do velho é apenas por um mecanismo que dá a ele plenos poderes, que é a singularidade ceplaqueana. Querem ser autônomos, distantes do Ministério da Agricultura. Será que essa singularidade é boa para a sociedade? Claro que não. Essa luta pelo velho modelo só atende a esse desejo de se manter fechado dentro daqueles portões.

Há saída?

Juvenal – Claro. Se o velho estiver disposto a se adaptar ao novo modelo, é claro que a sociedade abraça. Agora, não dá para continuar eternamente enganando. A sociedade está atenta, os produtores melhoraram seu discurso e a imprensa está acompanhando tudo.

O senhor já foi superintendente para a Bahia e foi coautor desse processo de aproximação entre Ceplac e UFSB. Voltaria a dirigir o órgão nesse momento?

Juvenal – Como agente político, em exercício pleno dessa proposta, como quadro de meu partido, [o PMDB], estou disposto a ajudar no debate. Agora, pensar numa volta à Superintendência, jamais. Me sinto realizado com o trabalho feito. Figurinha repetida não completa álbum.

VANE CONFIRMA CONCESSÃO E DIZ QUE “CRISE HÍDRICA INVIABILIZOU A EMASA”

Prefeito ao anunciar, hoje, que fará concessão da Emasa.

Prefeito ao anunciar, hoje, que fará concessão da Emasa.


A crise hídrica tornou a Emasa inviável, segundo disse o prefeito Claudevane Leite (Vane do Renascer) em entrevista exclusiva ao PIMENTA. O baque financeiro provocado pela falta d´água e a forte queda na arrecadação da empresa seriam os motivos para decidir passá-la à iniciativa privada por meio de concessão.

Durante a entrevista, o prefeito rejeita especulações que ligam o interesse na privatização à campanha eleitoral e disse que medidas serão tomadas para garantir tarifa de água justa, mesmo diante da necessidade de investimentos de R$ 500 milhões no sistema. De acordo com ele, haverá reajuste, mas não aumento da conta de água.

Vane também explica porque considerou inviável repassar a Emasa para o comando do governo estadual, via Embasa. Conforme disse na entrevista, a empresa estadual não teria, neste momento, como assegurar a manutenção dos empregos e os investimentos necessários. Confira a íntegra da entrevista abaixo.

Blog Pimenta – O senhor disse em artigo que não privatizaria a empresa. Acabou optando pela concessão. Por que não devolvê-la à Embasa?

Vane do Renascer – Desde 2013, o governo estadual solicitava que nós repassássemos os serviços de água e esgoto para a Embasa. Quando a unidade estava com o Estado, era a terceira da Bahia. Só perdia [em arrecadação] para as unidades de Feira de Santana e de Salvador. Em 2013, quando assumimos, a Emasa devia R$ 85 milhões. A cidade tinha zero por cento de esgoto tratado. Mesmo assim, não desistimos dela. Fizemos investimentos, reduzimos gastos e o número de comissionados para 60%. A crise hídrica inviabilizou a empresa.

A situação está muito difícil. O sindicato [Sindae] é contrário. Mas, como prefeito, tenho que pensar nos funcionários e na cidade também, no que é melhor para o município.

Pimenta – Inviabilizou de que forma?

Vane – Com a água salobra, muitos [consumidores] deixaram de pagar a conta de água. A empresa ficou fragilizada financeiramente. Arrecadávamos R$ 3,8 milhões por mês. Hoje, não passa de R$ 2,6 milhões. Porém, os gastos aumentaram demais. Decretamos situação de emergência, mas esse decreto leva algum tempo para ser reconhecido. Os primeiros meses da crise nós tivemos que assumir sozinhos.

Pimenta – Quais as garantias de que a concessão vai melhorar o sistema de abastecimento e como ficam os funcionários da Emasa?

Vane – Conversamos com o servidor hoje. Para fazer a concessão, primeiro queremos a garantia de que a nova empresa vai absorver esse pessoal. Se a empresa [que ganhar a licitação] não assumir, [parte dos funcionários] ficará com a Emasa, que não deixará de existir. Vai atuar como agência  [de saneamento]. A empresa vencedora terá que investir R$ 500 milhões e isso estará no edital. A situação da cidade está muito difícil. O sindicato [Sindae] é contrário. Mas, como prefeito, tenho que pensar nos funcionários e e na cidade também, no que é melhor para o município.

Não houve garantia [da Embasa] para os funcionários nem para os investimentos necessários. A cidade não pode continuar nessa crise [de falta de água].

Pimenta – Voltando à questão Embasa. Devolver o sistema para o estado não seria a melhor solução?

Vane – Não, pois não houve garantia para os funcionários nem para os investimentos necessários. A cidade não pode continuar nessa crise [de falta de água].

Pimenta – Quais são os prazos com os quais o senhor trabalha para esta licitação?

Vane – A empresa será conhecida 90 ou, no máximo, 120 dias. Precisaremos de aprovação da Câmara. A cidade não está pensando em outra coisa que não seja a água.

Pimenta – Quais são as interessadas?

Vane – Participarão da PMI (Proposta de Manifestação de Interesse) quatro empresas. A Embasa, a Cana Nova, Águas do Brasil e a Odebrecht. A licitação é aberta. Outras empresas poderão participar.

Pimenta – Hoje, a questão é de onde captar, de onde virá a água. A empresa vencedora participará da construção e captação de água da Barragem do Colônia?

Vane – O processo da barragem é outro. A gente não vai poder esperar três, quatro anos até a barragem encher. A previsão é que a barragem fique pronta em novembro do ano que vem. Mas tem a captação de água, o desvio da estrada e das redes de transmissão. O governador [Rui Costa] está trabalhando muito por isso.

Para dessalinizar 200 litros por segundo, gasta R$ 2 milhões por mês. Itabuna precisa de 800 litros por segundos. Então, a gente não tem esse dinheiro.

Pimenta – Então, de onde virá a água até lá? 

Vane – A empresa que ganhar vai poder investir em dessalinização, captar em outros mananciais. Para dessalinizar 200 litros por segundo, gasta R$ 2 milhões por mês. Itabuna precisa de 800 litros por segundos. Então, a gente não tem esse dinheiro. A empresa que ganhar a licitação terá que fazer isso. Vamos colocar no edital.

Pimenta – Estamos em período de pré-campanha, justamente quando é anunciada a concessão do sistema. As especulações são de toda ordem, inclusive de que essa concessão poderá bancar campanhas. Como o senhor vê estes comentários?

Vane – Como prefeito, pensamos na cidade. Quando assumi a prefeitura, fizemos uma cerimônia modesta. Gastamos só R$ 1,2 mil com água. Disseram que eu tinha gastado R$ 40 mil. Então, a gente já se acostumou [com as especulações e boatos]. O que tenho que pensar é que, com a concessão, a mudança será imediata, com a dessalinização, pequenas barragens, novos mananciais.

Itabuna tem potencial. Já foi a terceira em arrecadação. O que precisamos é ganhar eficiência, reduzir as perdas de água. Hoje, a gente perde de 55% a 60% da água captada.

Pimenta – Qual o custo estimado para estas obras iniciais?

Vane – Será feito um estudo e isso estará no edital. É muito recurso.

Itabuna é atrativa para um empresa investir os R$ 500 milhões da concessão? Quais são as garantias de execução [das obras]?

Vane – Itabuna tem potencial. Já foi a terceira em arrecadação. O que precisamos é ganhar eficiência, reduzir as perdas de água. Hoje, a gente perde de 55% a 60% da água captada. A Emasa é uma empresa viável, desde que tenha investimento. Não conseguimos por causa dessa crise hídrica.

“ACREDITO QUE SÓ VOU PARAR QUANDO DEIXAR DE EXISTIR”

Campeão da vida, Enault Freitas será um dos condutores da tocha olímpica em Itabuna (foto Pimenta)

Campeão da vida, Enault Freitas será um dos condutores da tocha olímpica em Itabuna (Na foto do Pimenta, ele posa com a réplica que faz parte do acervo do museu itinerante organizado pelo Bradesco)

Em sua trajetória pelo Brasil, o fogo olímpico certamente irá iluminar belos exemplos de vida. Não será diferente em Itabuna, onde a chama estará no dia 21 deste mês, sendo conduzida por verdadeiros campeões. Um deles é Enault Freitas, funcionário aposentado do Banco de Sangue de Itabuna, cuja história comoveu a cidade há dois anos e agora será projetada para fronteiras distantes.

Desde que começou a trabalhar na área da saúde, em 1974, Enault luta para conscientizar as pessoas sobre a importância de doar. Em 2014, por ironia do destino, ele viu seu filho perder uma batalha contra a leucemia justamente por falta de um doador. Durante dois anos, Enault lutou em busca de alguém compatível e promoveu uma campanha que conseguiu realizar mais de 2,3 mil cadastros de doadores de medula óssea em Itabuna.

Infelizmente, o filho de Enault morreu no dia 14 de julho de 2014, em Aracaju, enquanto aguardava liberação do plano de saúde para um tipo de transplante ainda considerado experimental no Brasil. O pai, que fundou uma ONG e continua lutando para salvar vidas, participará com todo mérito da cerimônia que simboliza a presença do espírito olímpico no país. Enault Freitas não é apenas um pai que lutou por amor ao filho, mas um guerreiro que considera toda vida preciosa, por isso continua a lutar.

Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida por ele ao PIMENTA:

 

PIMENTA – A maioria das pessoas provavelmente entregaria os pontos depois de perder um filho. Por que você decidiu continuar lutando para aumentar o cadastro de doadores de medula?

Enault Freitas – Quando você está em uma causa social, o que se pensa é que a luta é por alguém seu. Está aqui a foto do meu filho (aponta para a imagem do filho estampada na camisa, ao lado da frase “Eu faria tudo pra não te perder, mas o dia vem e deixo você ir”). Essa frase diz tudo, não é?… Eu poderia me acomodar porque não consegui, mas essa minha luta vem desde 1974. Trabalhei como técnico de laboratório do banco de sangue e já me mobilizava para ajudar as pessoas acometidas de doenças do sangue. Só não imaginava nunca que um dia eu iria me deparar com essa situação na minha pele.

PIMENTA – Como foi diagnosticada a leucemia de seu filho?  

Enault Freitas – Meu filho sempre foi saudável, atleta, a gente jogava bola junto. Tinha 34 anos quando a leucemia foi diagnosticada. Primeiro, descobrimos que ele tinha um pigarro e a gente imaginava que fosse ar condicionado demais. Todos os exames deram negativo, os médicos diziam que estava tudo bem. Mas, como o problema não desaparecia, decidimos fazer uma punção na medula porque tinha muita coisa estranha. Por exemplo, a taxa de hemoglobina, que deveria ser entre 14 e 16, a dele estava em nove. Os médicos começaram a descartar uma série de doenças e fizeram a punção medular, que detectou leucemia linfoide aguda.

PIMENTA – O que aconteceu a partir deste diagnóstico?          

Enault Freitas – Saímos do hospital, já com a medicação e a solicitação do internamento. Ele ficou nesse primeiro momento 23 dias internado. A quimioterapia inicialmente fez efeito e ele teve alta. Depois de 30 dias, os exames deram negativo. Ele até chegou a voltar a trabalhar, mas, depois de alguns meses, apareceu um pequeno caroço no rosto. Voltou ao médico, fez nova punção e a doença estava lá. Aí a médica disse que o único jeito era realizar o transplante.

PIMENTA – Aí surge a dificuldade de encontrar um doador compatível…

Enault Freitas – Começamos a fazer exame na minha filha, mas ela era incompatível. Em fevereiro de 2013, a gente começou a correr o Brasil em busca de um doador porque na família não havia. Começamos a distribuir os pedidos para que as pessoas se cadastrassem no banco de dados para doação de medula óssea em todo o Brasil e em outros países da América do Sul. E pedimos autorização ao Hemoba para fazer campanha aqui em Itabuna.

PIMENTA – Enquanto isso, seu filho seguia com o tratamento…

Enault Freitas – Como nós não conseguimos essa medula, enquanto ele estava internado em São Paulo, um médico disse que poderia realizar o transplante haploidêntico, que utiliza doador 50% compatível. No caso, o doador seria eu ou a mãe, porque esta seria talvez a última alternativa que a gente tinha. :: LEIA MAIS »

JOSIAS GOMES DIZ CRER EM VITÓRIA DE DILMA CONTRA IMPEACHMENT

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Rui e Josias com os 24 deputados federais baianos contrários ao impeachment.

Deputado federal licenciado e secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes acredita em vitória da presidente Dilma Rousseff no próximo domingo (17), quando será votado o processo de impeachment pela Câmara dos Deputados.

O secretário e o governador baiano, Rui Costa, se reuniram com 24 parlamentares federais da bancada baiana em Brasília. Todos, segundo Josias, fecharam questão contra o impeachment. Há pouco, o secretário concedeu a seguinte entrevista ao PIMENTA:

Blog Pimenta – Nas contas do governo, dá para vencer este processo?
Josias Gomes –
Sendo pés no chão, digo que dá. Somente no PMDB, temos 10 votos. No PSD, que eram 7, hoje são 10 contra o golpe. No PSB, já são 7 votos. Eles [os oposicionistas] é que precisam de 342 votos para aprovar o golpe. Sem contar que alguns deputados que poderiam votar pelo impeachment poderão estar ausentes.

Pimenta – Não está sendo muito otimista?
Josias –
Veja o PSB. Houve uma dissidência interna, aberta pelo deputado mineiro Júlio Delgado. Ele já disse que não vota com nenhum dos lados. Isso conta para nós. Estou sendo realista.

Pimenta – E na Bahia?
Josias –
Fizemos uma reunião, o governador Rui Costa e eu, com 24 deputados federais baianos. Todos votarão contra. Só aí são 14% dos votos que a presidenta Dilma precisa para impedir o golpe.

 

______________josias gomes

VOTOS NO DOMINGO – Fizemos uma reunião, o governador Rui Costa e eu, com 24 deputados federais baianos. Todos votarão contra. Só aí são 14% dos votos que a presidenta Dilma precisa.

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Pimenta – Que cenário o senhor visualiza com a vitória de Dilma, no domingo?
Josias –
Dilma vencendo e Lula vindo para o ministério [da Casa Civil], o governo começará de fato a existir, agindo como primeiro-ministro.

Pimenta – O senhor assume o mandato para a votação de domingo?
Josias –
Estamos atuando na coordenação política e, junto com o governador, conseguimos reunir 24 votos (dos 39 da bancada baiana). Conseguimos unificar os deputados em torno dessa proposta contra o golpe, o impeachment.

Pimenta – Estes votos estão assegurados ou o discurso muda na hora da votação?
Josias –
Os 24 deputados estão fechados mesmo. O que existe é muita fofoca, embora, no PP, haja uma briga por ministérios. No partido, o que tínhamos [de voto], não perdemos.

Pimenta – 10, 20 votos?
Josias –
Não. São 15 [votos]

ABRAÃO: PROS DEFENDE REELEIÇÃO DE VANE

Abraão RibeiroSecretário de Transporte e Trânsito e um dos dirigentes do Pros em Itabuna, Abraão Ribeiro defende que o prefeito Vane do Renascer dispute a reeleição. Para ele, dos nomes já postos, há a possibilidade de o município sul-baiano retroceder administrativamente. “Itabuna não pode voltar ao tempo do populismo nem do lero-lero”, disse.

Segundo ele, a posição de apoio a um novo mandato para o prefeito não é pessoal, mas da comissão municipal do Pros. Abraão aponta o prefeito como “transparente, honesto e justo” e tendo as condições para a reeleição, após sanear o município mesmo diante do cenário encontrado, com mais de R$ 500 milhões em dívidas e 83% da receita comprometida com gastos com pessoal.

O titular da Settran faz críticas a candidatos que, segundo ele, têm solução para tudo. Chama-os de ETs, vindos “de marte ou caído do céu”. E que é preciso ter cuidado com prefeituráves que ficam mais de três anos dentro de gabinete, “elaborando planos que jamais poderão ser executados”. A seguir, a entrevista.

Blog Pimenta – Defender um novo mandato para Vane é decisão pessoal ou do partido?

Abraão Ribeiro – Hoje, não tenho posição pessoal. É a posição do Pros, é a orientação da presidência, de defender a reeleição [do prefeito Vane]. Sou representante do partido neste momento. Até aqui, também é a orientação da estadual, que tem novo presidente.

Pimenta – Mas o Pros não já estaria aliançado com a candidatura do ex-prefeito Geraldo Simões?

Abraão – Não chegamos sequer a conversar com Geraldo. A estadual não conversou. Pelo menos que saibamos.

Pimenta – Como o Pros justifica essa defesa da reeleição?

Abraão – Fomos para o governo por uma decisão, um compromisso do prefeito Vane. Houve, ali, um acordo tácito de apoiar o governo e, junto com os partidos progressistas, fazer uma unidade para que Itabuna não retroaja mais na questão administrativa.

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500 MILHÕES EM DÍVIDAS – Era dívida com INSS, restos a pagar, Emasa endividada e com zero de tratamento de esgoto, 83% da folha comprometida com pagamento de pessoal. Ou seja, você tem cidade cheia de problema e prefeitura cheia de dívida, com apenas 17% para investimento.

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Pimenta – Por que o senhor fala em retrocesso?

Abraão – Quando este governo assumiu, a prefeitura estava com R$ 500 milhões de dívida. É dinheiro para construir 5 mil casas a R$ 100 mil, beneficiando, pelo menos, 20 mil pessoas. Era dívida com INSS, restos a pagar, Emasa endividada e com zero de tratamento de esgoto, 83% da folha comprometida com pagamento de pessoal. Ou seja, você tem cidade cheia de problema e prefeitura cheia de dívida, com apenas 17% para investimento. Retroceder é voltar para este estágio encontrado, amadorístico.

Pimenta – Por que se chegou a este cenário?

Abraão – Não digo nem que houve má-fé [dos antecessores]. Não quero julgar ninguém. Esse amadorismo levou Itabuna a uma situação de quase insolvência. Diante dessa crise nacional, que não é pequena, em que vemos governo estadual parcelando salário, prefeitos passando seus cargos para os vices por não terem condições de gerir, você vê a Prefeitura de Itabuna se enquadrando, tem contas aprovadas e também fez muita coisa. E por que que está fazendo? Está sobrando dinheiro? É dinheiro a mais? Não. É porque tem sido gerida com responsabilidade.

Pimenta – Mas o quadro deste momento é de obras paradas ou quase todas paradas.

Abraão – Estamos em início de ano, de novo orçamento, em que licitações e aditivos são refeitos. A gente tem certeza que, a partir de março, essas obras voltarão a ocorrer. Temos prefeito que é aliado do governo do estado, do governo federal. Ele está há uma semana em Salvador para conseguir recursos para tocar as ações e obras desta cidade. A gente pede moralidade, dignidade quando trata da coisa pública e a gente vê o prefeito vivendo como antes de assumir. Você não vê mudança repentina de ascensão social. É um prefeito que nos honra na questão da honestidade.

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CANDIDATOS DE MARTE – Às vezes, as pessoas caem de marte, do céu com solução pra tudo, mas a gente sabe que aqui era uma bagunça. O lixo custava R$ 1 milhão por mês. Hoje é R$ 600 mil. E a coleta de lixo tem 73% de aprovação da população.

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Pimenta – Há críticas ao perfil administrativo dele.

Abraão – Logo no primeiro dia de governo, simbolicamente, Vane reduziu o salário dele, dos secretários, quando outros estavam aumentando. Vane reduziu a folha funcional, reduziu em 50% os gastos com combustível e a gente fica tentando fazer um memorial porque estas coisas precisam ser ditas. Quem não lembra do lixo em Itabuna? Era uma confusão. Às vezes, as pessoas caem de marte, do céu com solução pra tudo, mas a gente sabe que aqui era uma bagunça. O lixo custava R$ 1 milhão por mês. Hoje é R$ 600 mil. E a coleta de lixo tem 73% de aprovação da população. A gente sabe que 73%, numa conjuntura atual, é uma vitória.

Pimenta – A percepção parece ser a de paralisia, não?

Abraão – Certas coisas precisam ser levadas para o público. Aí é onde vejo a marca da responsabilidade de Vane, que poderia ter tirado bastante dinheiro para comunicar, dourar a pílula, mas ele optou por economizar nesta área, fazendo com a direita sem que a esquerda visse. Ele teria que dar prioridade à publicidade, informar tudo que foi feito. Hoje tem o PAC, com R$ 32 milhões aplicados em Itabuna. Mas a população não sabe, a não ser as que moram naqueles bairros. A gente tem que ver para que não apareça, de última hora, aquelas pessoas que ficaram mais de 3 anos dentro do gabinete só elaborando programas fictícios que jamais poderão ser executados. Vêm como ETs, tem receita para educação, saúde, tudo. Então, a gente precisa saber que este é um governo que fala pouco e faz muito para que as pessoas soubessem, exatamente, tudo o que vem sendo feito nesta cidade. Se a gente olhar cidades vizinhas, vemos prefeituras com 5 meses de salários atrasados, prefeito abandonando os postos para os quais foram eleitos. Vane é a prova de que a honestidade ainda vale a pena, pois pela honestidade se consegue fazer alguma coisa.

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TRANSPORTE PÚBLICO – Pela primeira vez, Itabuna fará licitação do transporte coletivo. Antes, as concessões eram bilaterais. Quem tiver melhores condições, melhor tarifa, ganha. É melhor para a cidade.

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Pimenta – E o tratamento aos servidores?

Abraão – Aqui, há algum tipo de atraso, mas os servidores efetivos e contratados estão sendo pagos, se com algum atraso, mas dentro do mês. Isso ocorreu muito em função de um problema no final do ano, com pagamento do salário de dezembro e o 13º salário. Então, temos um governo de efervescência cultural e ações de inclusão do jovem, com ações com a Ficc, Marimbeta e Esporte, de transparência. Pela primeira vez, Itabuna fará licitação do transporte coletivo. Antes, as concessões eram bilaterais. Quem tiver melhores condições, melhor tarifa, ganha. É melhor para a cidade.

Quando será concluída a licitação do transporte?

Abraão – A previsão é ainda para este primeiro semestre. O governo é reconhecido pela CGU, pela Agência Austin Rating, pela Frente Nacional de Prefeitos. Agora mesmo receberá prêmio por estar em as 100 cidades brasileiras que investiram no resgate dos jovens, reconhecido pela Fundação Getúlio Vargas. Itabuna, proporcionalmente, é a segunda que mais entregará moradias do Minha Casa, Minha Vida no Nordeste.

ITABUNA: NOME DA BASE SERÁ DEFINIDO ATÉ ABRIL, DIZ JOSIAS GOMES

(Foto Pimenta)

(Foto Pimenta)

O governador Rui Costa espera haver unidade da sua base nas eleições municipais de Itabuna, lançando apenas um nome para disputar a sucessão no maior município sul-baiano. No último final de semana, o secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes, se reuniu com o ex-prefeito Geraldo Simões, pré-candidato a prefeito de Itabuna, e o presidente do PT baiano, Everaldo Anunciação, para costurar essa unidade.

Ao Pimenta, Josias disse que as negociações envolvem outros nomes do arco de alianças – Davidson Magalhães (PCdoB) e Carlos Leahy (PSB). “Esse processo será conduzido com calma. O nome da base deve sair até abril”.

Segundo Josias, o prefeito Vane do Renascer, que desistiu da reeleição, ajuda no processo de construção da unidade da base. Confira principais trechos da entrevista.

Blog Pimenta – O senhor se reuniu com petistas, o prefeiturável Geraldo Simões entre eles. Já existe uma definição do nome da base?

Josias Gomes – Conversamos com Geraldo e vamos construir essa unidade da base, identificar o melhor nome. Esse processo será conduzido com calma. O nome deve sair até abril. Estamos conversando com Vane, que ajuda nesse processo. Além de Geraldo, vamos também conversar com os outros candidatos da base, Davidson Magalhães e Carlos Leahy.

Pimenta – E Roberto José?

Josias – O que estamos propondo são as condições para que nossos partidos tenham uma candidatura. Nesse sentido, é de nosso interesse que ele consiga entender o propósito. E acho que dá para fazer isso muito bem. Vou aí [em Itabuna] para conversa com Davidson e, em seguida, fazer esse caminho.

Pimenta – O PSD apoiará o nome da base?

Josias – Otto [Alencar] tem sido um grande parceiro nosso. Temos estado com ele, já analisamos uma série de questões como, por exemplo, onde o partido tem interesse. Estamos muito alinhados. O PSD, assim como todos da base, tem sido parceiro. Nenhum [partido] tem se colocado em situação de confronto. Agora, é claro que cada partido tem um interesse eleitoral, ampliar número de prefeitos e vereadores.

Pimenta – E o PT, como se coloca nesse processo?

Josias – O presidente estadual do PT me disse que o partido deve apoiar aliados em mais de 300 municípios. E vai concorrer em pouco mais de 100. Ou seja, o partido vai apoiar, abrir mão na maioria dos municípios. Estamos buscando essa construção.

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PINHEIRO DE SAÍDA – Na visão dele próprio, seu ciclo no PT já se encerrou. E temos conversado no sentido de contribuir. É um grande parlamentar, é uma opção.

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Pimenta – O senador Walter Pinheiro deixará o PT? De fato, irá para o PSD?

Josias – Ele me disse que ainda não havia decidido. Na visão dele próprio, seu ciclo no PT já se encerrou. E temos conversado no sentido de contribuir. É um grande parlamentar, é uma opção. Ele deve ir para um partido da base [governista]. Conversou com o PDT, teve com Otto e com o pessoal da Rede.

Pimenta – Ou vai para a base de ACM Neto, como já foi especulado?

Josias – Eu não sei se houve isso, essa conversa. Seria uma coisa tão extravagante para a história dele fazer uma movimentação dessa… Não está no horizonte dele. Para mim, ele sempre negou [a ida para a base de Neto]. Pinheiro em 2010 não era o queridinho [do partido, quando foi eleito senador]. Teve nosso apoio. Fomos para cima e foi o escolhido com 80% dos votos da minha corrente [no PT, sendo depois eleito senador].

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CARMELITA, JABES E BEBETO – Como são nomes da base, preferimos que os partidos discutam, definam. Diferente de Itabuna. Estive com Carmelita, com Bebeto. Tenho conversado bastante.

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Pimenta – Falando da disputa no eixo Ilhéus-Itabuna, Professora Carmelita (PT) é candidata?

Josias – É sim. Lá, em Ilhéus, temos situação diferente da de Itabuna. Existem as candidaturas de Jabes e Carmelita. Podemos ter, também, Jabes e Bebeto. Carmelita pode fazer movimentação no sentido de apoiar Bebeto ou receber apoio do PSB. Pode resultar nisso: PT e PSB contra Jabes, esse tipo de situação. Como são nomes da base, preferimos que os partidos discutam, definam. Diferente de Itabuna. Estive com Carmelita, com Bebeto. Tenho conversado bastante. Demora um pouco mais pra definir em Itabuna.

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PESQUISA ELEITORAL EM ITABUNA – É o tipo de situação que não recomenda fazer projeção. Rui é um exemplo disso. Acabou eleito. Hoje, o que há é um sentimento. E pesquisa quantitativa não consegue identificar isso.

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Pimenta – O que as pesquisas sinalizam em Itabuna?

Josias – Não temos trabalhado com pesquisa quantitativa. Hoje, em fevereiro, não faz muita diferença para a eleição, que ocorre em outubro. Em 2012, [Jaques] Wagner pedia a desistência de Carmelita no início daquele ano. No período da campanha, chegamos a ter 32% a 30% entre ela e Jabes. É o tipo de situação que não recomenda fazer projeção. Rui é um exemplo disso. Acabou eleito. Hoje, o que há é um sentimento. E pesquisa quantitativa não consegue identificar isso. Em Itabuna, há o sentimento de setores da sociedade de que, isoladamente, sem ter esse diálogo com Estado e sem União, o prefeito não vai resolver as grandes questões daí.

Pimenta – E Salvador?

Josias – Há essa movimentação de PT mais PCdoB, PSD. Tem a candidatura de Sargento Isidório. Se esses partidos se entenderem para fazer confrontação política e ideológica com o Neto… Isso, espero que a gente consiga construir. Essa eleição não é fácil para Neto. Não se iluda. Sem ter contraponto, é fácil. Essa eleição em Salvador ainda tem desdobramentos. Rui é bem avaliado aqui. Teremos um confronto político bem interessante.

VANE DEFINE CANDIDATO GOVERNISTA ATÉ MARÇO E DEFENDE UNIDADE DA ESQUERDA

Vane discursa no QG contra Aedes aegypti (Foto Pimenta).

(Foto Pimenta).

O prefeito Claudevane Leite revelou ao Pimenta que o nome do governo para a sucessão municipal será definido, no máximo, até o início de março. Os mais cotados são o deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB) e o presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), Roberto José. Ele sinaliza que poderá trabalhar pela união das esquerdas.

Confira trechos da entrevista concedida momentos antes da entrega das instalações do QG de monitoramento e combate a vírus transmitidos pelo Aedes aegypti. Vane, aliás, cobra mais envolvimento da sociedade no combate à epidemia. “90% dos focos estão dentro das casas”, explica.

Blog Pimenta – Quando será definido o nome do governo à sucessão municipal?

Claudevane Leite – Até o final de fevereiro, início de março, a gente define essa questão. Em setembro (do ano passado), anunciei que não disputaria a reeleição. Sentaremos com os partidos da base para conversar, possivelmente já na próxima semana.

Pimenta – O nome do governo poderá ser de fora da base de apoio?

Vane – Vamos definir o nosso nome. Depois, vamos conversar com o governador Rui Costa para ver se unimos toda a esquerda [em torno de um nome].

Pimenta – Existe a possibilidade de recuo da decisão de não disputar a reeleição?

Vane – Há uma expectativa, as pessoas cobram para que eu saia [candidato], mas não existe a mínima possibilidade.

Pimenta – O sr. é do PRB. O partido terá candidato?

Vane – Houve essa discussão, o partido tem interesse, mas não serei [candidato]. A direção do PRB anunciou que pretende ter candidato e o nome de Tom [Ribeiro, apresentador do Balanço Geral, da TV Cabrália] foi cogitado.

Pimenta – Pesquisas qualitativas detectam, a seu favor, conceitos como transparência e até honestidade. Esse contexto não o estimula a sair candidato?

Vane – Os partidos da base e pessoas da sociedade comentam, reconhecem esse trabalho, mas não existe [possibilidade].

Pimenta –  Fazendo uma autocrítica, o município falhou nas ações preventivas contra o mosquito Aedes aegypti?

Vane – Olha, quando assumimos, em 2013, Itabuna tinha índice de infestação predial superior a 27%. Desde lá, trabalhamos e reduzimos para 13%. É mais da metade. Nenhuma cidade conseguiu isso e nosso trabalho foi referência para a Bahia. O trabalho foi feito. Veja que 90% dos criadouros, das larvas são encontrados dentro das casas. A sociedade precisa entender isso e colaborar mais. A zika e outras doenças [causadas pelo] Aedes aegypti são um problema mundial.

COM BAHIATURSA, ILHÉUS INVESTE R$ 800 MIL EM PRIMEIRO CARNAVAL ANTECIPADO

Josenaldo2A programação do carnaval antecipado de Ilhéus já está praticamente pronta, mas pode pintar surpresa (boa) entre as principais atrações, segundo o secretário de Turismo, Josenaldo Cerqueira (Jô). As surpresas dependem da Bahiatursa, patrocinadora da folia que vai rolar de 29 a 31 de janeiro, na Avenida Soares Lopes.

Até aqui, estão garantidos quatro trios e dois minitrios para o desfile de atrações como Durval Lélys, Tatau (ex-Araketu), Jammil e Vingadora. Jô concedeu entrevista ao Pimenta. Abordou carnaval antecipado, estratégias de atração de visitantes e falou da celeuma em torno do atendimento a turistas nos dias que a cidade recebe grandes cruzeiros marítimos. Confira.

Blog Pimenta – Como foi pensada a estrutura da festa?

Josenaldo Cerqueira – O município está montando uma estrutura para absorver grande número de foliões, cerca de 30 mil por noite, com grandes atrações, quatro trios e dois minitrios. A festa está sendo organizada pela prefeitura, Atil e Convention Bureau de Ilhéus, patrocinada pela Bahiatursa.

Pimenta – O tempo de divulgação é muito curto. Qual será a estratégia para atrair turista?

Josenaldo – A divulgação interna já vinha sendo feita desde 22 de dezembro, então já havia a expectativa em relação à festa nesse período, final de janeiro.

Pimenta – A definição só agora não atrapalha?

Josenaldo – O foco da festa é o público regional e manter esse nível de ocupação de 90% na rede hoteleira. A cidade está muito movimentada, com eventos também noturnos, como a ExpoIlhéus, na Soares Lopes. Todo esse esforço que o município está fazendo para o antecipado também gera retorno financeiro. Há um planejamento para que as coisas aconteçam, funcionem. Somente na semana passada, foram mais de sete mil turistas que chegaram à cidade em transatlânticos.

Pimenta – Houve crítica ao comércio no atendimento ao turista de cruzeiros. Como vê esses questionamentos?

Josenaldo – O comércio está aquecido também à noite. Os navios chegam às oito [da manhã], o comércio já estava aberto às nove horas. O comércio e o atendimento ao turista têm melhorado muito.

Pimenta – Como isso é percebido?

Josenaldo – Neste ano, houve aumento de 30% na circulação de turistas em Ilhéus. No réveillon, a rede hoteleira chegou a 100% de ocupação. A cidade ficou cheia tanto no litoral norte como no sul, até Olivença.

Pimenta – O carnaval será patrocinada pela Bahiatursa. O que deu errado com a empresa que faria o Antecipado?

Josenaldo – Fizemos um contrato e a empresa ficou com receio, por causa da multa [se não houvesse a festa]. Aí, a prefeitura abraçou para realizar o carnaval com a Bahiatursa.

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O carnaval é um ganho para a cidade. A gente calcula que cada turista movimente, na média, R$ 300,00, incluindo traslado, hospedagem, alimentação.

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Pimenta – Qual o custo da festa?

Josenaldo – Ficará em torno de R$ 800 mil, com a prefeitura entrando com R$ 200 mil. O carnaval é um ganho para a cidade. A gente calcula que cada turista movimente, na média, R$ 300,00, incluindo traslado, hospedagem, alimentação.

Pimenta – A grade de atrações está fechada?

Josenaldo – Poderemos ter surpresas, assim como ocorreu no réveillon, quando a grade estava fechada e a Bahiatursa nos deu mais uma atração, com Léo Santana. Há a possibilidade de o governador [Rui Costa] vir a Ilhéus curtir o nosso carnaval. Ele já passou o réveillon aqui.

Pimenta – Como a prefeitura está pensando o período de carnaval oficial?

Josenaldo – Nós não teremos o carnaval cultural, mas apoiaremos as festas tradicionais de rua, tanto no Pontal como no Hernani Sá, além da festa na zona norte, como em Ponta da Tulha.

MANGABEIRA DIZ TER AVAL DE FÉLIX E NEGA ADESÃO DO PDT AO GOVERNO VANE

Mangabeira diz que não há negociação para entrar no Governo Vane.

Assim como Wenceslau Júnior, o pré-candidato a prefeito de Itabuna pelo PDT, o médico Antônio Mangabeira, também negou a possibilidade de o seu partido ingressar no Governo Vane.

“Conversei com [o presidente do PDT baiano], Félix Júnior. Ele está no exterior. Não há nem ouve contato com Davidson [Magalhães, do PCdoB] sobre isso”, disse Mangabeira. Davidson também é pré-candidato.

Mangabeira diz enxergar este processo como “uma tentativa de colocar todos na vala comum deles. Querem me caracterizar como igual a eles. Sou diferente e vou até o fim”.

O pré-candidato disse não se importar se, mantendo a estratégia de evitar a velha política, não vencer o pleito em outubro. “Estou para poder fazer a diferença”, disse. Confira trechos da entrevista com Mangabeira:

Blog Pimenta – O PDT vai aderir ao Governo Vane? Recebeu convite?

Antônio Mangabeira – Conversei com Félix Júnior, que está no exterior. Não há nem houve contato com Davidson sobre isso.

Pimenta – E quanto ao senhor?

Mangabeira – Eu já disse. Vou até o fim. Félix me falou, no início: olhe, Mangabeira, as coisas vão passar por você. Vamos até o fim. Não há nada de negociação por fora, conchavos. Disse a Félix que a sobrevivência vai depender da nossa atuação.  Se ficar mentindo para a população, fazendo acordos espúrios, não vai pra frente. Ele tem aceitado e está junto com a gente. Estamos construindo a candidatura de forma correta, certa, e isso tem incomodado pessoas.

Pimenta – E de onde surgiu?

Mangabeira – É uma tentativa de colocar todos na vala comum deles. Querem me caracterizar igual a eles. Sou diferente e vou até o fim. Não vou fazer política com o toma lá dá cá. Dizem Ah, você não vai ser eleito. Não importa. Estou na política para poder fazer a diferença.

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É uma tentativa de colocar todos na vala comum deles. Querem me caracterizar igual a eles. Sou diferente e vou até o fim.

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Pimenta – E se, para vencer, o senhor tiver que recorrer a métodos já estabelecidos?

Mangabeira – Não, o método será o de procurar, esclarecer a população. Não vou procurar nenhum indivíduo desses aí que já foi candidato, fazer acordo de vender prefeitura. Se quiser apoiar, eu aceito o apoio, mas não vou fazer acordo, dar secretarias. Pode ser suicídio, mas vai ser sabendo do que estou fazendo. Não vou me curvar a esse pessoal. Vê aí como deixaram Itabuna. Vane fez isso e olhe como está! Era melhor ter perdido.

Pimenta – Não negocia?

Mangabeira – Não vou querer sair de 30 anos de confiabilidade para entrar na política e me desmoralizar em dois, três anos. Não vou compactuar com este pessoal. Estão preocupados e ficam fazendo este tipo de coisa, espalhando boatos, que o PDT vai assumir secretaria. Acácia Pinho está no governo pela atitude dela, não do partido.

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Não vou me curvar a esse pessoal. Vê aí como deixaram Itabuna. Vane fez isso e olhe como está! Era melhor ter perdido.

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Pimenta – Não é pelo PDT?

Mangabeira – Ela foi a Salvador, na época, dizer que iria assumir [a Fundação Marimbeta]. Félix disse que ela era livre, iria para onde quisesse, mas que o PDT tem candidato próprio.

SUBPROCURADORA DIZ QUE HOUVE NEGLIGÊNCIA E OMISSÃO DA SAMARCO EM MARIANA

Subprocuradora da República Sandra Cureau (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Subprocuradora da República Sandra Cureau (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil).

As causas e os impactos do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Bilinton, em Mariana (MG) ainda estão sendo investigados. A subprocuradora-geral da República, Sandra Cureau, afirma que já é possível dizer que houve “negligência e omissão” da empresa no caso.

Em entrevista à Agencia Brasil, a coordenadora da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal disse que há vários indícios de descuido, como a falta de um plano de contingência e de controle técnico sobre o volume que a barragem de rejeitos suportava. “A coisa foi tão negligenciada que nem a Samarco sabia exatamente o que estava acontecendo. Eles chegaram a falar em duas barragens rompidas, mas só se rompeu a de Fundão. Quer prova maior de negligência que isso?”

Durante a conversa, Sandra defendeu que a Samarco deve arcar com todos os prejuízos, criminais e cíveis decorrentes do desastre. Ela explicou que se a empresa não puder pagar pelo estrago, as controladoras da mineradora, a brasileira Vale e a australiana BHP Billiton, podem ser acionadas. “Não vai ser o contribuinte que vai pagar pelos prejuízos do desastre”, declarou.

A onda de lama formada a partir do rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro, destruiu o distrito de Bento Rodrigues e deixou mais de 600 desabrigados. Já foram confirmadas 11 mortes,  dois corpos aguardam identificação e oito pessoas estão desaparecidas. Desde que chegou ao Rio Doce, a lama impediu a captação de água em muitas cidades, provocou a morte de toneladas de peixes e destruiu a paisagem local, até alcançar o mar no Espírito Santo.

Confira os principais trechos da entrevista clicando no “leia mais”, abaixo.

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