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:: ‘A juventude passa’

UNIVERSO PARALELO

“DEPOIS DE LONGO E TENEBROSO INVERNO”

Ousarme Citoaian

Livre da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), em que amargou uma quase hibernação de seu fazer literário (o lugar-comum costuma chamar a isto de “longo e tenebroso inverno”), o escritor Cyro de Mattos emerge nesta primavera com toda força. Digo isto porque na mesma semana leio lúcido artigo seu n´A Tarde, vejo notícia do lançamento do livro 21poemas de amor e ouço falar dos primeiros movimentos da Academia de Letras de Itabuna (Alita),  da qual ele é o principal inspirador. Sobre o livro, que ainda não vi, e a Alita, que sequer teve tempo de dizer a que veio, me calo. Cito o artigo, sobre cultura, que “não se vê nem se pega, mas precisamos dela para sobreviver”.

OS SIGNOS CULTURAIS DÃO SENTIDO À VIDA

Preceitua o autor de Cancioneiro do cacau: “Cultura é uma rede de significados que dão sentido ao mundo. A religião, a culinária, o vestuário, o mobiliário, as formas de habitação, os hábitos à mesa, as cerimônias, o modo de relacionar-se com os mais velhos e os mais jovens, com os animais e com a terra, os utensílios, as técnicas, as instituições sociais (como a família) e políticas (como o Estado), os costumes diante da morte, a guerra, o trabalho, as ciências, a filosofia, as artes, os jogos, as festas, os tribunais, as relações amorosas, as diferenças sexuais e étnicas, tudo isso constitui a cultura como invenção da relação dos seres humanos com o outro”.

INCULTOS, SOMOS FRÁGEIS, “GADO HUMANO”

Em defesa do Museu Jorge Amado, argumenta Cyro que “um povo sem cultura é frágil, não percebe de onde veio nem para onde vai, vive à deriva, ou como gado humano”. Ele salienta que os imediatistas não exaltam esses valores, “só concebem a vida através dos meios materiais”. Entendem que “cultura não é base do equilíbrio social, meio para combater a pobreza” – é “pura distração, curtição, futilidade, ornamento”. Para essa gente, segundo o poeta, “a vida é produção e troca de valores materiais, empreendimento e lucro”. O museu também ajudaria as pessoas a “distinguir entre o bom e o ruim, o ético e o demagogo, a verdade e a mentira”. Falou e disse Cyro de Mattos.

MARCOS SANTARRITA, ITAJUÍPE NA FICÇÃO

O crítico Jorge de Souza Araujo, em Floração de Imaginários (espécie de quem é quem no romance baiano no século XX) disseca os (sete) romances de Marcos Santarrita (1941-2011) – e de outros 76 autores!  E diz que Danação dos Justos (1977) “movimenta danados por toda uma geografia humana e física, centralizando em Itajuípe as complexidades de seres existencialmente incompletados”.  Locus onde se formou a mitologia de Santarrita, “pano de fundo aparentemente imóvel, a cidade também é persona” da narrativa que impressionou Ernesto Sábato (1911-2010): “Senti que em alguma constelação distante fomos irmãos de leite”, disse o escritor argentino, a respeito de Danação dos Justos.

UM ESCRITOR “SEM PACTO COM AS SOMBRAS”

Danação… recebeu muitos elogios, incluindo de Jorge Amado, que o saudou como “um dos mais belos romances brasileiros dos últimos tempos”. Voltemos a Jorge, o de Souza Araujo (e Floração de Imaginários/Via Litterarum/2008), que destaca A Solidão do Cavaleiro no Horizonte (1978) e dá pistas sobre o romancista falecido no dia 5 de outubro. A Solidão…  – que forma com A Juventude Passa e Lady Luana Savage uma trilogia sobre a ditadura militar, “confirma, técnica e conteudisticamente, a precisa retórica narrativa de Marcos Santarrita”. Ainda Jorge Araujo sobre A Solidão…: “Faria Ernesto Sábato repetir o que disse a propósito de Danação dos Justos, porque se inscreve na mesma família dos que não pactuam com as sombras”.

ITAJUÍPE ACOLHE O SORRISO DO SEU FILHO

Santarrita alimentava, secretamente, uma frustração: reconhecido no Brasil, era estranho em Itajuípe. Queria ser profeta na própria terra. Sabendo disso, seu amigo Antônio Lopes propôs à professora Silmara Oliveira e ao jornalista Marcos Luedy (todos na foto) uma festa, em 2001, com Título de Cidadão e placa na casa onde o escritor viveu na infância, à beira do rio Almada. Silmara e Luedy, com suor e lágrimas, conseguiram que a Câmara aprovasse o título, o prefeito Paulo Martinho autorizasse as despesas (estadia e passagens, para o homenageado e Aldinha, sua mulher). A Caixa Econômica pagou a placa, Lopes fez a saudação a Santarrita – e este ficou muito feliz. Nunca soube quem, de fato, organizou sua festa, nem os entraves que Silmara e Marcos Luedy enfrentaram.

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RANCHO DAS FLORES CHEGA A SEIS PAÍSES

Por compromisso assumido, apresentamos outro vídeo dos mais populares da coluna (a idéia é mostrar os três primeiros colocados): o de hoje é Rancho das flores, postado em 15 de setembro de 2010 (com a voz de Fagner). É o segundo da lista, tendo recebido 3.422 visitas, até quando postamos esta nota. No item “popularidade regional” (seja lá o que isto signifique), nosso clipezinho teve 73% de visitantes no Brasil, 14% em Portugal, 7% na Argentina e 6% pulverizados pela Costa Rica, Sri Lanka, Venezuela, Chile e Espanha. Nada ruim, para o vídeo de coluna de amenidades que nunca aspirou a notoriedade internacional. Rancho…  já nasceu destinada a romper fronteiras.

PARA VINÍCIUS, BACH ERA POP E NÃO SABIA

À comovente letra de Vínícius junta-se a melodia de um compositor alemão de muito prestígio, ninguém menos do que o velho e sisudo Johann Sebastian Bach (foto).  Se a Cantata 147 (mais conhecida como Jesus, alegria dos homens) já possui forte apelo no público mais “culto”, Vinícius colocou o “parceirinho” ao alcance das massas. Como a melodia é de 1716 e os versos foram lançados em 1961, os dois estariam separados por 245 anos – mas não estão.  Estão casados, como feitos um para o outro. Baden Powell conta que, ao saber dessa “heresia” que Vínicius teria cometido contra o sacro alemão, ouviu do poetinha outra irreverência: “Eu descobri que Bach é o titio da marcha-rancho brasileira”. Mas não sabia.

BACH NÃO TEVE TEMPO PARA OUVIR VINÍCIUS

É um momento mágico poder-se cantar “o milagre do aroma florido” de Vinícius sobre a música de um artista do século XVII. O poeta parece se superar a cada verso (e a cada flor), com este destaque de intenso lirismo: “Olhem bem para a rosa/Não há mais formosa/É flor dos amantes/É rosa-mulher/Que em perfume e em nobreza/Vem antes do cravo/E do lírio e da hortência/E da dália e do bom crisântemo/E até mesmo do puro e gentil malmequer”. Um crescendo de (literalmente) tirar o fôlego. É pena que Bach não viveu mais dois séculos e meio para ouvir isto – aposto que ele aprovaria o ousado parceiro. A gravação de Fagner (do CD Fortaleza/2000) é das mais cultuadas.

(O.C.)







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