Arroz puxou queda no custo da cesta básica em agosto || Foto Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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O orçamento das famílias brasileiras teve um alívio em agosto. Nessa quarta-feira (10), o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, disse que o arroz se destacou com preços atrativos nas prateleiras dos supermercados.
Os produtos importantes na mesa do consumidor que apresentaram redução de preços em agosto foram o tomate (-13,39%), a batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), o arroz (-2,61%) e o café moído (-2,17%). Nos combustíveis, a gasolina teve queda de 0,94%, o etanol recuou 0,82% e o gás veicular, 1,27%.
Paulo Teixeira comemorou a redução no saco de arroz de cinco quilos. “Digamos que o carro-chefe dessa deflação é o arroz. Quem pagava no ano passado, nessa época, 5 quilos de arroz a R$ 30, R$ 27, R$ 28 -, hoje está pagando R$ 15, R$ 16, R$ 17, R$ 18”, afirmou. O ministro falou da queda de preços em entrevista a um programa do governo federal.
O ministro destacou a produção agrícola brasileira como um dos agentes de redução dos preços. Ele adiantou que os resultados do último Levantamento da Safra de Grãos 2024/2025 registraram recorde.
“Nós temos pelo terceiro ano, e será anunciada nesta quinta-feira (11) , recorde de safra, foi em 2023, em 2024 e bateremos também este ano. Pelo terceiro ano também, temos recordes do Plano Safra e no investimento na agricultura. No Plano Safra em geral, cerca de R$ 500 bilhões, na agricultura familiar, R$ 78 bilhões, com a diferença que a agricultura familiar tem juros negativos, juros subsidiados”, lembrou.
Com influência da queda nos preços dos grupos habitação, alimentação e bebidas, o Brasil teve inflação negativa de 0,11% no mês passado. O resultado é 0,37 ponto percentual abaixo do registrado em julho, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nessa quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Layandes, da Cooperast, e o deputado Rosemberg Pinto || Foto Divulgação
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A direção da Cooperast e o deputado estadual e líder do Governo Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa, Rosemberg Pinto (PT), avaliaram os esforços por mais investimentos para fortalecer a agricultura familiar na Bahia. Marcelo Layandes, da Cooperast, e o parlamentar tiveram encontro, neste final de semana, em Ilhéus.
Durante a agenda, o parlamentar ressaltou a relevância da atuação da Cooperast, que presta serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) a agricultores familiares e comunidades locais nos territórios Litoral Sul e Médio Sudoeste. Segundo Rosemberg, o fortalecimento da agricultura familiar é essencial para o desenvolvimento regional e para a segurança alimentar do estado.
O presidente da Cooperast, Marcelo Layandes, destacou a importância do apoio recebido do mandato do líder do Governo Jerônimo. “O deputado Rosemberg tem feito um trabalho digno de elogios. Sua parceria tem contribuído diretamente para o avanço da agricultura familiar em diversas regiões do estado”, disse.
O apoio, reforça Layandes, é assentado na aggricultura familiar como eixo estratégico de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e fortalecimento da economia local.
O azeite de dendê Unauê recebeu esse nome em
homenagem ao município de Una, onde é produzido || Foto Walmir Rosário
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Walmir Rosário
Sempre acreditei piamente que Deus deixou as coisas boas do mundo para todos os seus filhos, indistintamente, embora alguns se deem ao luxo de esnobar algumas comidas e bebidas por algum motivo. Mas não cabe eu analisar o que eles pensam, o que gostam ou desgostam, nem os motivos que os levaram a abominar certos tipos de comes e bebes. Mas que acho estranho, isto é fato.
Na Bahia protegida por todos os santos, então, é uma infâmia desprezar as iguarias africanas, a exemplo do abará e do acarajé, que fazem sucesso e enchem a boca de água só em pensar. Bote sua cabeça para funcionar e se imagine comendo um acarajé com todo aquele recheio escorrendo pelos “cantos da boca”, com realce para o azeite de dendê! Comida dos orixás, dos deuses!
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Fizemos uma moqueca de vermelho do olho amarelo usando todos os temperos habituais, inclusive gengibre e a banana da terra. A novidade foi o dendê Unauê, que proporcionou sabores incríveis.
Se vosmicê se contenta com uma moqueca sem dendê, do jeito que é cozida em alguns estados, não sabe o que está perdendo. Mas ainda dá tempo de recuperar o atraso e conhecer o novo tipo de dendê que é produzido pela Ceplac, em Una, no Sul da Bahia. Portanto, ao chegar a um bom restaurante ou tabuleiro de baiana do acarajé, pergunte primeiro: Esse prato é feito com o azeite de dendê Unauê?
Caso a resposta seja positiva, sossegue, relaxe e se sinta um privilegiado. Vosmicê estará prestes a embarcar numa experiência gastronômica sem precedentes. Sinta-se no Olimpo e deixe que suas papilas gustativas viajem pelos sabores despertados pelos temperos, gostos e, sobretudo o umami, presente no dendê Unauê.
O engenheiro florestal José Inácio, da Ceplac
Como disse no início dessa crônica, tenho que compartilhar com vocês essa novo dendê, que acredito ser uma iguaria dos deuses. Numa de minhas incursões por Una, encontrei com o colega ceplaqueanos José Inácio Lacerda Moura, engenheiro florestal da Ceplac, e responsável pela introdução do cultivar híbrido desse dendê na Bahia.
Era o ano de 2009 e o projeto previa a associação da alta produtividade do dendezeiro africano com a resistência ou tolerância a pragas e doenças, porte baixo e qualidade do óleo do caiaué. Esse trabalho contou com o apoio da Embrapa Amazônia Ocidental, e a intenção principal era evitar o debacle desse cultivo no Sul da Bahia.
José Inácio é Doutor em Entomologia Agrícola pela Unesp/Jaboticabal-SP; Especialista em Pragas das Palmeiras e Endoterapia Vegetal, também chefe da Estação Experimental Lemos Maia/Ceplac, em Una-BA, e que goza de conceito internacional. Ele explica que o declínio da dendeicultura baiana estava e ainda está calcado em vários fatores, tais como os cultivares existentes, o custo com a colheita em razão da altura, baixa produtividade, óleo com alta acidez em virtude do mau manejo, falta de assistência técnica e problemas fitossanitários.
O problema é agravado no pequeno agronegócio dendê na Bahia, constituído pelos chamados “roldões” que representam a grande maioria das unidades processadoras do óleo, localizadas na região conhecida como Baixo Sul, vem sofrendo sério revés econômico pela diminuição da matéria-prima, ou seja, cachos de dendezeiro. Esses “roldões” são responsáveis pela geração de cerca de 3 mil empregos diretos e de parcela considerável da renda regional.
O cientista ressalta que no campo a cultivar HIE OxG vem obtendo bons resultados, e no comércio o azeite Unauê inova pois tem menor quantidade de ácidos graxos livres do que o óleo do dendezeiro, por isso é um azeite com menor acidez e melhor qualidade. É também mais insaturado e com maior teor de vitamina “E” e carotenos que o óleo do dendezeiro.
Estudos também demonstraram que o azeite Unauê tem potencial para o preparo de alimentos funcionais, rico em polifenóis, com propriedades antioxidantes e impacto favorável sobre os lipídios plasmáticos humanos relacionados com os fatores de risco cardiovascular. Devido a essas características, o uso do azeite Unauê, principalmente no caso de produtos da culinária tradicional que utilizam o óleo de dendezeiro não refinado, proporcionará produtos de melhor qualidade, sabor, propriedades nutracêuticas e/ou funcionais.
Em tom de brincadeira, José Inácio diz que as baianas de acarajé “odeiam” o HIE (ou Unauê) por ter pouca estearina (mais oleina). Devido a isso, só permite uma fritada – o que é bom para o consumidor. Já o dendezeiro – por ter muita estearina –, permite até 5 fritadas – o que é péssimo para o consumidor. Por fim, a cor amarela da estearina (ou borra) dá o dourado. Já quando feito com o Unauê, fica escuro, pois tem muita oleina. Contudo, o acarajé quando feito com Unauê é maravilhoso.
Walmir finaliza moqueca de vermelho com Unauê
Neste mês realizamos uma experiência gastronômica em casa com o Unauê e fomos bem sucedidos. Fizemos uma moqueca de vermelho do olho amarelo usando todos os temperos habituais, inclusive gengibre e a banana da terra. A novidade foi o dendê Unauê, que proporcionou sabores incríveis. Garanto que vamos repetir a prato, acrescentando outros temperos como experiência e inovação.
Operador de empilhadeira está entre as vagas disponíveis hoje || Foto RVMServiços
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Empresas dos setores de indústria, comércio, agricultura e serviços trazem 148 oportunidades profissionais nos municípios de Itabuna, Ilhéus, Eunápolis e Jequié nesta sexta-feira (28) com intermediação das unidades do SineBahia.
Das 148 vagas, Ilhéus oferta praticamente a metade (73). Jequié, com 32, e Eunápolis, com 30, vêm na sequência. Itabuna, que enfrenta manhã chuvosa nesta sexta-feira, oferece outras 14 oportunidades, dentre elas, para gerente de hotel, operador de empilhadeira e recepcionista. A relação completa das vagas pode ser conferida mais abaixo, no Leia Mais.
Os candidatos devem comparecer ao SineBahia na localidade desejada, ainda hoje – e, preferencialmente, pela manhã, com carteiras de Trabalho e de Identidade em mãos, além de CPF e comprovantes de residência e de escolaridade.
ENDEREÇO DO SINEBAHIA
A unidade de Eunápolis do SineBahia atende na Rua 5 de Novembro, no Centro. A de Ilhéus fica na Rua Eustáquio Bastos, ao lado do Mercado do Artesanato e em frente à Praça Cairu, no Centro.
Quem mora em Itabuna e está à procura de emprego, pode dar um pulinho no SineBahia, que, no município, fica no segundo piso do Shopping Jequitibá, na Avenida Aziz Maron (Beira-Rio), no Góes Calmon. A unidade de Jequié atende na Avenida Octávio Mangabeira, no Mandacaru. Confira, abaixo, as vagas anunciadas para hoje.
Governador Jerônimo Rodrigues participa do lançamento do programa, em Ipiaú || Foto Thuane Maria/GovBA
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O Projeto Parceiros da Mata, do Governo da Bahia, promete levar mais qualidade de vida para cerca de 352 mil pessoas de comunidades rurais dos territórios de identidade do Baixo Sul, Litoral Sul, Vale do Jiquiriçá e Médio Rio das Contas. A Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), lançou o programa nesta quinta-feira (20), em Ipiaú, durante solenidade com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Com foco na promoção do desenvolvimento sustentável nas áreas rurais da Mata Atlântica da Bahia, a iniciativa abrange 77 municípios e prevê investimentos de R$ 750 milhões até 2030, informa o estado. Engenheiro Agrônomo e mestre em Agronomia pela Universidade Federal da Bahia, Jerônimo afirmou que o “Parceiros da Mata” une o estímulo ao desenvolvimento rural aliado à conservação da floresta:
– O foco mais forte é garantir a preservação da Mata Atlântica e a recuperação das nascentes, mas, acima de tudo, promover melhorias na vida das pessoas que ali moram, como as comunidades indígenas, quilombolas, com investimentos que vão desde o acesso ao tratamento de água e a saneamento básico.
Jerônimo também ressaltou o incentivo à agroindustrialização das cooperativas, com o beneficiamento dos produtos do campo, o que favorece a agregação de valor a produtos agrícolas, aumentando a renda gerada pelas comunidades da agricultura familiar e de pequenos produtores.
EXPECTATIVAS
Na Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), no município de Tancredo Neves, o projeto vai beneficiar 382 famílias que produzem mandioca, banana e seus derivados. “Vamos transformar a realidade do nosso município e da região, elevando os níveis de produtividade, formando jovens, transformando agricultores em empresários rurais e diminuindo o êxodo rural”, comemorou a diretora Fernanda Santana.
Esse também é o sentimento de Daniel Oliveira, representante da Associação Agroecológica Jaqueira de Amargosa. “Estamos bem esperançosos para construir um futuro com sustentabilidade, agroecologia e economia solidária. Que possamos conciliar o crescimento econômico com a proteção da natureza, tão necessária. Esse projeto é um grande alento para conseguirmos estruturar a nossa associação e atender melhor a população”, afirmou.
Co-financiado por meio de um empréstimo de US$ 150 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), com contrapartidas do Governo do Estado da Bahia, o projeto Parceiros da Mata terá vigência até 2030, com impacto direto nas comunidades rurais e na preservação da Mata Atlântica.
“Vamos envolver 88 mil famílias de 77 municípios, com ações voltadas para inclusão socioprodutiva, produção de alimentos. São atividades que estão enlaçadas com a realidade local, que tem uma bacia hidrográfica riquíssima. Então, o projeto surge na perspectiva de produzir alimentos com qualidade, preservando o ecossistema”, declarou o diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro.
O secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Osni Cardoso, explicou que o estado investe em projeto estratégicos por toda a Bahia e, no caso da Mata Atlântica, uma das atividades beneficiadas será a produção de cacau no sistema agroflorestal cabruca, que mantém a mata de pé.
Conforme o gestor, outras lavouras também terão cuidado especial, levando em consideração as particularidades de cada um dos quatro territórios de identidade envolvidos no programa. “Por cinco anos, vamos acompanhar de perto as melhorias na produção do campo, garantindo a comercialização com olhar para a sustentabilidade e para a renda do homem e da mulher do campo”, acrescentou.
PÚBLICO BENEFICIADOProjeto beneficia mais de 300 mil pessoas, segundo o estado || Foto Thuane Maria/GovBA
O público beneficiado é formado por jovens, mulheres, assentados de reforma agrária, povos originários, comunidades quilombolas, pescadores, marisqueiros e ribeirinhos, visando garantir a inclusão social, a equidade de gênero e o fortalecimento da participação de comunidades históricas no processo de desenvolvimento sustentável da região.
As ações vão levar melhoria da infraestrutura básica, como acesso à água potável, saneamento rural e infraestrutura hídrica, elevando a qualidade de vida de até 900 comunidades rurais, como a de Sônia Maria, da comunidade quilombola de Nova Ibiá, município do Médio Rio das Contas. “A gente trabalha com cacau, banana e também polpa de frutas. São mais de 150 pessoas que dependem dessa renda. A chegada desse projeto vai melhorar muito a vida de todos”, disse.
Na outra ponta, os “Parceiros da Mata” vão atuar no combate à insegurança alimentar e nutricional da população, dentro do Programa Bahia Sem Fome. “A iniciativa chega em um momento oportuno em que se faz necessário potencializar a produção de alimentos. Vivemos uma crise alimentar e esse projeto arrebate diretamente na base produtiva. Vai fortalecer a agricultura familiar, os povos e comunidades tradicionais, dinamizar os processos produtivos, viabilizar recursos financeiros para que a gente possa potencializar as cadeias produtivas no estado da Bahia”, afirmou o coordenador do programa, Tiago Pereira.
Bahia registra saldo de empregos formais em janeiro|| Foto Yago-Matheus/Sattre
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A Bahia gerou, em janeiro, 6.932 postos de trabalho com carteira assinada, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (26). De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged, do Ministério do Trabalho, foram registrados 87.155 admissões e 80.223 desligamentos no mês passado.
Com 6.932 novos vínculos, a Bahia registrou um saldo superior ao do mês de janeiro do ano passado (+3.712 vagas). Dessa forma, o estado passou a contar com 2.144.553 empregos com carteira assinada, uma variação de 0,32% sobre o quantitativo do mês anterior.
Em janeiro, quatro das cinco atividades registraram saldo positivo. O segmento de Serviços (+3.543 vagas) foi o que mais gerou postos de trabalho. Em seguida vieram, Construção (+2.158 vagas), Indústria geral (+1.982 vínculos) e Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+1.295 empregos). O setor de Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (-2.046 postos) foi o único com perda líquida.
NORDESTE TEM SALDO NEGATIVO
Em janeiro, o Brasil preencheu 137.303 novas vagas e o Nordeste contabilizou uma perda líquida de 2.671 postos – alta de 0,29% e recuo de 0,03% sobre o estoque do mês anterior, respectivamente. A Bahia (+0,32%), portanto, exibiu aumento relativo maior tanto do que o do país quanto do que o da região nordestina.
No geral, 17 estados registraram saldo positivo de empregos com carteira assinado. A Bahia apresentou o oitavo maior saldo. Em termos relativos, a unidade baiana situou-se na 11ª posição.
No Nordeste, apenas dois estados experimentaram alta do emprego formal, com a Bahia assinalando o melhor resultado. O Maranhão (+1.019 vínculos) foi o outro com saldo positivo. Em termos relativos, o estado baiano também se situou na primeira posição.
Agricultores já sentem impactos positivos de assistência a sistemas produtivos || Foto Andressa do Rosário/Instituto EcoBahia
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Mariana Ferreira
A vida de 34.937 famílias agricultoras baianas está passando por mudanças significativas após a chegada da ATER Biomas da Bahia em seus lares e comunidades. A chamada pública da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), está levando mais sustentabilidade aos biomas baianos e integrando o saber das famílias do campo com o conhecimento técnico das equipes da Bahiater, fortalecendo os mais diversos sistemas produtivos presentes na Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
“Meus sonhos não são pequenos, são grandes. E vendo a Bahiater, o Instituto Ecobahia aqui, a gente tem uma luz, a gente sabe que algo está sendo feito, foi uma luz no fim do túnel, muito boa, algo diferente que a gente não tinha. Esse apoio do projeto, essa caminhada que vocês fazem… Aqui eu produzo silagem, alimentos, capim para minhas vacas, feijão sempre tenho, aipim sempre tenho, coco, laranja… tem tudo para consumo e ainda vendo silagem para meus vizinhos. Então eu consigo movimentar na minha área coisa que grandes não conseguem”, contou o agricultor familiar Jair Vieira, da Comunidade Arara, em Teixeira de Freitas. Jair e sua família são beneficiários da ATER Biomas da Bahia.
Lanns avalia dados parciais e fala em transversalização para melhores resultados || Foto Rafael Barreto/CAR
A política pública completou dois anos e meio de execução e seus resultados parciais foram apresentados nesta segunda-feira (24) para um público composto por agricultores familiares, indígenas, povos e comunidades tradicionais e setores do Governo do Estado. “A Bahiater está trazendo os resultados parciais para que possamos transversalizar, trazendo os dados todos geolocalizados. Um momento de muita troca, com várias Secretarias de Estado, para levarmos mais e melhores políticas públicas, ações e projetos para toda nossa agricultura, todo nosso rural baiano”, destacou o titular da Bahiater, Lanns Almeida.
“Um trabalho de excelência que está sendo feito pela Bahiater, que é fundamental para a inserção das políticas públicas na agricultura familiar. Dados e números extremamente importantes para o Governo do Estado, que tem cuidado dessa pauta com tanto carinho, com a Bahiater cada vez mais forte, produzindo riqueza e gerando renda na agricultura familiar”, refletiu o assessor especial do Governo da Bahia, Rosival Leite.
AVANÇOS
A cobertura territorial da chamada já chega a 274 municípios, alcançando etnias e comunidades diversas, promovendo inclusão e diversidade com ações individuais e coletivas para potencializar as cadeias produtivas, gerar renda e fortalecer as unidades familiares. Em relação à equidade de gênero, 56% das atividades contam com a participação de mulheres, incentivando seu maior envolvimento na agricultura familiar.
Além da ampliação do acesso à assistência técnica, à melhoria na produção e à comercialização, a política pública tem impacto social direto no desenvolvimento das comunidades rurais, alcançando cerca de seis mil crianças e adolescentes, 11 mil jovens, 40 mil adultos e 12 mil idosos. Os números são sistematizados por meio de ferramentas como o Power BI, SIGATER e Coletum, garantindo maior precisão, controle, transparência e organização das atividades.
PRÓXIMOS PASSOS
Até 2027, serão ao todo 35.640 grupos familiares acompanhados somente pela ATER Biomas da Bahia nos 27 territórios de identidade do estado, com investimentos de R$ 223.618.655,00, aplicados em ações estratégicas para o desenvolvimento local e conservação dos biomas. Durante o processo, novas práticas sustentáveis serão fomentadas pela política pública, com monitoramento e melhoria dos serviços e expansão da cobertura à agricultura familiar baiana.
“Foram apresentados dados extremamente importantes dos resultados já alcançados pelo edital. Vem avançado, e a gente percebeu a integração desse movimento, da assistência técnica e a agricultura familiar, e ações conjuntas, como cultura, saúde e meio ambiente. Muito bom ter a certeza de que a SDR está no caminho certo, numa ação integrada, com a CAR e a Bahiater atuando juntas pelo fortalecimento da agricultura familiar”, finalizou a diretora executiva do Projeto Parceiros da Mata, apoiado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Cida Oliva.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima para safra baiana produção de cereais, oleaginosas e leguminosas de 12,1 milhões de toneladas. O volume representa um avanço de 6,7%, em relação a safra de 2024.
De acordo com o IBGE, a área plantada para 2025 é de 3,65 milhões de hectares, com crescimento de apenas 2,8% em relação à safra de 2024. Assim, o rendimento médio (3,33 toneladas/ha) da lavoura de grãos no estado da Bahia é 4,0% acima da safra anterior.
O volume de soja colhido está estimado em 8,33 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 10,6% sobre o verificado em 2024. A área plantada com a oleaginosa no estado é de cerca de 2,1 milhões de hectares. O rendimento médio de 3,09 toneladas/ha, tem relevância nesse desempenho positivo, com aumento de 4,0% em relação à safra anterior.
ALOGODÃO E FEIJÃO
Outro importante produto da safra baiana, o algodão (caroço e pluma), tem produção estimada em 1,78 milhão de toneladas, o que representa aumento de 0,7% em relação ao ano de 2024. A Bahia é o maior produtor da Região Nordeste e o segundo do Brasil, responsável por 19,8% da safra nacional. A área plantada com a fibra aumentou 0,5%, alcançando 382 mil ha em relação à safra de 2024.
Para a lavoura do feijão, a estimativa é de aumento em 5,1% na comparação com a safra de 2024, totalizando 234 mil toneladas. O levantamento tem estimativa de 385 mil hectares plantados, 1,3% maior que a safra anterior. A primeira safra da leguminosa (143 mil toneladas) é 4,2% superior à de 2024, e a segunda safra (91 mil toneladas) teve uma variação positiva de 6,7%, na mesma base de comparação.
MILHO E CAFÉ
As duas safras anuais do milho, estimadas pelo IBGE, devem alcançar 2,27 milhões de toneladas, o que representa declínio de 2,1% na comparação anual. Com relação à área plantada, houve queda de 3,4% em relação à estimativa da safra anterior de 605 mil ha. A primeira safra do cereal está projetada em 1,5 milhão de toneladas, 2,9% abaixo do que foi observado em 2024. Já para a segunda safra é esperado um recuo de 0,5% em relação à colheita anterior, totalizando 762 mil toneladas.
Em relação ao café, está prevista a colheita de 266 mil toneladas este ano, 6,8% acima do observado no ano passado. A safra do tipo arábica é de 110 mil toneladas, com variação anual de 5,9%. Por sua vez, a safra do tipo canéfora foi de 156 mil toneladas, 7,5% acima da colheita do ano anterior.
Para a lavoura da cana-de-açúcar, o IBGE estima produção de 5,49 milhões de toneladas, revelando decréscimo de 1,0% em relação à safra de 2024. A estimativa da produção do cacau, por sua vez, ficou em 119 mil toneladas, apontando um avanço de 7,0% na comparação com a do ano anterior.
Valdemir Santos, da Biofábrica, explica avanços com novo protocolo com a Embrapa || Foto Divulgação
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A Biofábrica da Bahia recebeu na sua sede, em Banco do Pedro, em Ilhéus, missão técnica da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Os profissionais ministraram treinamentos sobre o novo protocolo de propagação por talos de abacaxizeiro, técnica que promete otimizar a produção de mudas de alta qualidade. O protocolo, segundo a direção da Biofábrica, além de fortalecer a cadeia produtiva do abacaxi, proporciona fonte de renda para os agricultores.
O presidente da Biofábrica, Valdemir Santos, mostrou o resultado desse intercâmbio de conhecimentos e práticas em perfis nas redes sociais (veja aqui). Val, como é mais conhecido, explicou que a introdução de novos materiais pelo protocolo desenvolvido para o abacaxi reforça a capacidade de inovação da Biofábrica da Bahia em adaptar-se às necessidades do mercado agrícola, diversificando a produção e contribuindo para a sustentabilidade do setor.
Wallison Torres (Tum), titular da Seagri-BA, na 4ª edição do Feagri
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Gestores municipais, técnicos, produtores rurais, especialistas e demais profissionais do setor agropecuário estarão reunidos até quinta-feira (23) no 4º Fórum Estadual de Gestores da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Feagri). O evento ocorre no Centro de Convenções Salvador, no bairro Boca do Rio. A intenção é discutir temas estratégicos, com foco no desenvolvimento do agronegócio baiano.
A programação, aberta oficialmente nesta quarta (22), conta com plenárias abordando assuntos como a conjuntura da agropecuária da Bahia e a sustentabilidade no campo, lançamentos inovadores e uma reunião exclusiva para gestores municipais. Também fazem parte do fórum palestras, workshop com especialistas e painéis de debates.
Para o secretário da estadual da Agricultura, Wallison Torres, eventos como este têm grande significado, por aprofundar temas estratégicos para o setor. “É um encontro que envolve todos os secretários de agricultura do estado para a gente dialogar e juntos construirmos uma Bahia com a vocação real de cada município”.
Outro ponto destacado por ele foi o investimento do governo baiano no setor produtivo. “Os investimentos da Bahia estão cada vez mais pujantes. Nós tivemos o maior plano safra da história do Brasil com esse governo. A Bahia tem o potencial de se tornar, de se consolidar ainda mais na agricultura familiar e no agronegócio. Então, nós somos o estado com o maior potencial no agronegócio do Brasil”.
INTERLOCUÇÃO
O secretário-geral do Feagri, Thiago Guedes, explica que o fórum é um espaço para estreitar as relações entre estado, União e municípios. “Esse é um grande momento de troca de saberes, de uma ampla discussão, de debate, de informações e de articulação dos gestores municipais, sendo capacitados, fomentados, orientados em diversas temáticas do setor produtivo”.
Os organizadores estimam que 500 pessoas passem pelo local, aprofundando os conhecimentos em áreas como captação de recursos, gestão e política pública, produção agropecuária municipal, indicação geográfica e marcas coletivas, inspeção de produtos de origem agropecuária, certificação e produção orgânica, pagamento por serviços ambientais, tecnologias do plano de agricultura de baixo carbono, defesa sanitária vegetal, sistema unificado estadual de sanidade agroindustrial familiar, artesanal e de pequeno porte, além de defesa sanitária animal.
Luciano disputa o Oscar da produção de cacau || Foto Divulgação
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O cacauicultor Luciano Ramos de Lima, de Ilhéus, no sul da Bahia, é um dos três brasileiros na disputa pelo título do Cacau of Excellence. O vencedor será conhecido em 8 de fevereiro, em Amsterdã, na Holanda. Miriam Aparecida Federrici e Robson Brogni, do Pará, são os outros dois brasileiros que concorrem ao título de melhor cacau do mundo.
Luciano tem grandes chances de vencer, pois sua amêndoa, classificada como varietal BN 34 (considerada uma boa variedade para a produção de chocolate), já foi reconhecida como a segunda melhor do Brasil, na 4ª edição do Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, em 2022. Esse prêmio lhe abriu as portas para a competição internacional. Ele é o único representante da Bahia, o estado que é sinônimo de cacau no Brasil.
O baiano cultiva o fruto na Fazenda São Sebastião, seguindo os padrões de excelência que fazem de Ilhéus um polo de produção de cacau de alta qualidade. “Estou muito feliz em participar da competição Cacao of Excellence, pois é o reconhecimento de todo o meu trabalho e dedicação ao cacau. É uma honra representar a Bahia e Ilhéus, a cidade que me ensinou a amar o fruto de ouro. Espero trazer o título de melhor cacau do mundo para o Brasil, e mostrar ao mundo a qualidade e a paixão do nosso fruto”, destaca o cacauicultor.
EXCELÊNCIA
O Cacau de Excelência é um prêmio internacional que reconhece os produtores de cacau de alta qualidade. Para participar, os produtores enviam suas amostras de amêndoas para serem avaliadas por um comitê técnico e um júri de especialistas em cacau e chocolate.
Amêndoas de cacau produzido na Fazenda São Sebastião, de Luciano Ramos de Lima
As amostras são processadas em licor e em chocolate amargo, seguindo uma receita padrão, e analisadas sensorialmente às cegas. As 50 melhores amostras são selecionadas para a final. O objetivo do prêmio é valorizar a diversidade e a qualidade do cacau, e educar os consumidores sobre a origem e o sabor do chocolate.
INOVAÇÃO
Lançado em dezembro de 2023, o Plano Inova Cacau 2030, uma estratégia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da CocoaAction Brasil, iniciativa da Fundação Mundial do Cacau (WCF), com articulação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri).
O Plano traça metas estratégicas que visam não apenas aumentar a eficiência produtiva da cacauicultura brasileira, mas também aumentar a renda dos produtores. Com a ambição de superar a marca de 400 mil toneladas de amêndoas ao ano até 2030, o plano prioriza a promoção do uso sustentável dos recursos naturais nas regiões produtoras, utilizando tecnologias eficientes e de baixo impacto ambiental.
O secretário estadual da Agricultura, Wallison Tum, enfatizou a importância dos projetos para o setor: “Estamos comprometidos em contribuir para a produção de cacau de forma sustentável e inovadora, garantindo a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Os planos lançados aqui hoje representam passos significativos para o futuro da agricultura na Bahia”.
Luiz Ferreira defende programa de recuperação da cacauicultura no sul da Bahia
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“A cacauicultora sul-baiana passa por maus momentos, mas ainda pode ser importante ao país e sobretudo à Natureza”.
Luiz Ferreira da Silva
A Natureza proporcionou ao homem dos trópicos úmidos uma árvore frutífera, o cacaueiro, que pudesse ser utilizada sem causar danos ao seu ambiente florestal.
Ao facultar um produto nobre – o chocolate –, adicionou características fisiológicas inerentes ao complexo do seu habitat, quente, chuvoso e rico em espécies consortes e fauna agregada.
Teria que ser uma planta que reciclasse com eficiência, mantendo a capa orgânica do solo, fator importante para alimentar as raízes finas, que têm a função de arejar o solo, agregar as partículas e evitar a perda de nutrientes. Enfim, manter a vida do solo.
E para tanto, sob a mata, recebendo pouca luz, forma um “túnel folear”, com as copas se encontrando, evitando que a luz solar danifique o solo. A luz é para as folhas fazerem a sua “química carboidrática” de transformação – fotossíntese, para os puritanos.
A Natureza ainda deu uma colher de chá. Aumentou a sua “plasticidade fisiológica” – conviver em ambiente mais arejado, a exemplo de uma mata raleada – no limite que ainda mantém o cacaueiro na sua missão fitogeográfica de equilibrar o uso com a conservação.
Neste contexto interativo, o cacaueiro usufrui da fauna, notadamente dos insetos polinizadores, alimentados por frutas em decomposição, oriundos do andar de cima, as árvores tropicais.
A Natureza é sábia. Por um lado, criou o cacaueiro com o fenômeno da incompatibilidade sexuada, que se manifesta quando o pólen de uma flor em uma planta não consegue fecundar os óvulos das flores da mesma planta (autoincompatibilidade) ou de outras plantas (inter incompatibilidade). E até o cacaueiro “macho” ocorre, com raridade nas plantações, com floração e não produtores de frutos.
Pelo outro, resolveu a questão no próprio meio. Criou as mosquinhas chamadas “forcipomyas”, e não havendo polinização adequada, a lavoura não produz satisfatoriamente.
Por essa razão, alertou ao Homem sobre a importância delas, incumbindo-lhe de cuidar de seus criadouros, os seus locais naturais, a exemplo das bromélias.
Chegou o cacaueiro no Sul da Bahia. Uma floresta tal e qual a da sua origem, a Mata Atlântica. Encontrou aí condições favoráveis de clima, solo, topografia e rede hídrica, razões da sua expansão, chegando a ocupar 600 mil hectares, com a equivalência de uma fonte de divisas de quase 1 bilhão de dólares em determinado ano.
Os pioneiros souberam mesclar a lavoura com a floresta, sem macular o meio ambiente, satisfazendo com a produção auferida, com elevada liquidez, mantendo preservado o ecossistema e proporcionando um epicentro gerador de riquezas com o produto cacau, cujos reflexos se irradiaram pelas áreas circunvizinhas, criando uma estrutura de bens e de serviços que permitiu, com outras atividades agrícolas e congêneres, distribuir benefícios para todas as comunidades, o que infelizmente não foram aproveitados na magnitude dos bônus.
Sessenta anos atrás, um cacauicultor com pouco esforço, com seus 100 hectares de cacau, sem usar maquinaria e tudo no lombo do burro, gastando pouco, em sua área cabrocada, mesmo com uma produtividade não tão expressiva, colhia 4 mil arrobas, que o tornava um homem de classe média alta. Com maior presença e bom solo, muitos chegavam a 6 mil arrobas, tornando-se ricos.
Nessas circunstâncias, uma lavoura nota 10. Produtiva e conservacionista.
Um grupo formado por 35 especialistas, consultores, técnicos e representantes da cadeia cacaueira do Brasil vai se reunir em Ilhéus, de 5 a 7 de abril, para uma missão técnica coordenada pelo CocoaAction Brasil. Iniciativa da Fundação Mundial do Cacau (WCF), a ação busca fomentar a sustentabilidade da cadeia, em parceria com o Projeto Renova Cacau. Na agenda, estão previstas palestras, reuniões e visitas a fazendas de cacau para acompanhar os resultados da renovação de lavouras.
Iniciado em 2014, o Projeto Renova Cacau é realizado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) em conjunto com a empresa Mondelēz International, o Centro de Inovação do Cacau (CIC) e produtores. A iniciativa instalou, no sul da Bahia, 32 áreas experimentais em lavouras com cacaueiros antigos e pouco produtivos para buscar provar que é possível renovar lavouras e torná-las economicamente rentáveis.
Nos últimos dois anos, o projeto vem apresentando excelentes rendimentos. Algumas áreas chegaram a alcançar produtividade acima de 3.000kg/ha para alguns clones no ano de 2020, enquanto a média da produtividade na Bahia é de 217 kg/ha. Segundo os coordenadores do projeto, muitos agricultores já estão replicando os métodos adotados no experimento para renovar suas lavouras.
“Nesses dias de imersão no Renova Cacau, esperamos que o grupo técnico consiga perceber e sentir os resultados do projeto, que são bastante favoráveis. A opinião desses especialistas é muito importante para nós, pois tratam-se de técnicos que conhecem a fundo o cacau e podem nos ajudar nas discussões científicas. Por último, a missão também abre a possibilidade de ampliar o projeto aqui mesmo e para outras partes do Brasil”, destaca o agrônomo e professor Dário Ahnert, coordenador geral do Projeto Renova Cacau.
Além das visitas às fazendas do projeto, a missão também reunirá especialistas e consultores em cacau para fortalecer o recém-criado GTEC do Cacau. “Assim como o Grupo Técnico do Café, estamos consolidando o GTEC do cacau para promover estudos, trocas de experiências, discussões técnicas e o consequente desenvolvimento da cacauicultura no país”, explica Eduardo Sampaio, consultor do CocoaAction. Atualizado às 14h.
Em 2021, a Bahia bateu um recorde histórico na produção de cacau, com a entrega de 140.928 toneladas de amêndoas. O aumento foi de 39,72% em relação ao ano anterior, quando foram produzidas 100.864 toneladas, quantidade que já colocava o estado como o maior produtor de cacau do Brasil. As informações são da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).
Para o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado, João Carlos Oliveira, o aumento na produção de cacau é motivo ser comemorado. “Ainda mais nesse momento, em que estamos reorganizando toda a cadeia produtiva do fruto na Bahia, agregando valor ao produto e incentivando a criação de fábricas de chocolate no estado. Na região do sul da Bahia já existem mais de 100 marcas de chocolate de origem e o que estamos vivendo é um novo e poderoso ciclo do cacau em nosso estado”, comentou.
Os números da AIPC mostram que a Bahia entregou, em 2021, 71,30% do total de amêndoas recebidas pelas indústrias produtoras. O Pará, segundo colocado, entregou, no ano passado, 25,21% do total da amêndoa processada, apresentando uma produção total de 49.821 toneladas. Enquanto de 2020 para 2021, a produção baiana de cacau cresceu 39,72%, a do Pará decresceu 24,67% (foram 66.133 toneladas em 2020).
A cadeia produtiva do cacau vive um momento de incremento na Bahia. Além da ótima performance de produção e do agigantamento do número de marcas de chocolate no estado, existe também um reconhecimento internacional à qualidade dessa amêndoa.
MEDALHA DE OURO EM EVENTO INTERNACIONAL
No último mês de dezembro, as amêndoas de cacau da Bahia foram destaque no Cocoa Of Excellence – COEX2021. O produtor João Tavares, do município de Uruçuca, recebeu a Medalha de Ouro no concurso realizado em Paris, na França. E a produtora Angélica Maria Tavares, também de Uruçuca, ganhou a Medalha de Prata no evento internacional, considerado o mais importante no mundo para o setor.
Um mês antes, em novembro, durante a III Edição do Concurso Nacional do Cacau, a produtora Cláudia Calmon de Sá, de Itabuna, havia levado o primeiro lugar na categoria Varietal; o segundo lugar também ficou na Bahia, premiando a produção da Fazenda Vale do Juliana Fruticultura, localizada no município de Igrapiúna.
“Nosso crescimento é bem alicerçado, pois não se dá apenas nos números de produção, mas, também, na excelência de nossas amêndoas. Somam-se a isso os avanços no manejo técnico da produção no sistema Cabruca, a expansão do plantio do cacau em áreas não tradicionais, como a região Oeste da Bahia, e ainda a agregação de valor ao produto, a partir da produção de chocolate de origem. Tudo isso contribuiu para que a Bahia, no tangente ao setor do cacau, atingisse um outro patamar, um patamar mais elevado”, explicou o secretário João Carlos.
EMPREGOS
O setor do cacau responde por mais de 4 mil empregos diretos e indiretos, sendo um dos elos de uma cadeia de mais de 250 mil pessoas, na qual estão incluídos desde produtores rurais até trabalhadores das indústrias de chocolate. Estima-se que esse setor represente cerca de R$ 23 bilhões anuais de valor gerado ao país.
A produção de cacau no Brasil está concentrada nos estados da Bahia, Pará, Espírito Santo e Rondônia. Dados da AIPC mostram que cerca de 93 mil produtores rurais se dedicam ao cacau em terras brasileiras, sendo a maior parte pequenos proprietários que praticam a agricultura familiar em áreas entre 5 e 10 hectares.
Associação agroecológica de Ilhéus é primeira marca coletiva do sul da Bahia || Fotomontagem
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Um estudo científico feito pelo advogado Mateus Santiago para o mestrado em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), resultou na criação da primeira marca coletiva do sul da Bahia, a AMAREA. O registro da associação foi deferido e reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Marca Coletiva é um signo distintivo que indica aos consumidores que determinado produto ou serviço é originário de membros de uma determinada coletividade (associação, cooperativa, sindicato etc.).
A primeira marca coletiva do sul da Bahia pertence à Associação dos Produtores e Agricultores Rurais do Rio do Engenho e Adjacências (AMAREA), instalada no município de Ilhéus. Os produtos ofertados são baseados na agricultura familiar e no respeito ao meio ambiente por meio do manejo agroflorestal. Dentre os cuidados com a preservação ambiental, está a utilização de materiais recicláveis, folhas e fibras naturais nas embalagens dos produtos.
Produtos da agricultura familiar são a base da Amarea, de Ilhéus
A marca expressa em seu logotipo os valores da associação de agricultores, representando a sustentabilidade ao aliar a produção com a preservação do bioma mata atlântica, e a valorização do patrimônio histórico e cultural presente na região do Rio do Engenho.
FORTALECER CADEIA PRODUTIVAProdutos da agricultura familiar ganham embalagem especial da Amarea
O advogado Mateus Santiago diz que a AMAREA, enquanto associação, tem pautado seus esforços para amadurecer cada vez mais o associativismo, fortalecendo a organização produtiva e social, zelando pela melhoria da infraestrutura da região, para facilitar o escoamento da produção e a acessibilidade para a população local e para os visitantes que percorrem a trilha do Rio de Engenho através do turismo rural.
A marca coletiva, explica Mateus, vai agregar mais valor aos produtos, organizar e fortalecer a cadeia produtiva em que está inserida, potencializará ainda o trabalho em grupo dos produtores, trazendo mais maturidade de gestão do signo distintivo. Tudo isso, reforça, com o objetivo de conquistar novos mercados e fidelizar o público consumidor que valoriza a produção sustentável de alimentos saudáveis. A associação pode ser conhecida também pelo site www.amarea.com.br.