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:: ‘Ailton Silva’

APONTAR A CORRUPÇÃO DO OUTRO É FACIL. E A NOSSA?

ailtonsilva artigoAilton Silva | ailtonregiao@gmail.com

 

É muito fácil apontar e condenar a corrupção do outro. Vamos fazer uma reflexão sobre os nossos comportamentos e começar a mudança por nós.

 

Desde o ano passado que acompanhamos, em todo o Brasil, gente anônima, lideranças políticas, empresários, dirigentes de organizações não governamentais, representantes de entidades de classe e integrantes de “grupos revolucionários” como Movimento Brasil Livre (MBL), entre outros, gritando bravamente contra a corrupção. Muitas pessoas que se mostravam indignadas com o descaso com o dinheiro público estão me deixando confuso.

Quando as pessoas tomaram às ruas, pensei: já passou da hora de acabar com esse câncer. Até imaginei que a virada iria começar com a revolta do povo. Eram empolgantes o debate, a articulação pelas redes sociais, a cobertura da mídia e as pessoas nas ruas contra a corrupção. No meio de tudo aquilo, as operações da Polícia Federal, que resultaram em prisões de figurões da política e representantes de grupos empresariais. Pensava, a mudança já começou…

Para ficar perfeito, só aumentava o número de pessoas que condenavam a corrupção, o que era altamente positivo. Mas, sinceramente, nunca acreditei na honestidade de muitos dos líderes que estavam à frente desses movimentos. Minha desilusão aumentou quando se tornou público que um dos integrantes do MBL respondia a mais de 60 processos na justiça, incluindo ações por fraude.

Mais adiante, outra pancada: esse mesmo movimento recebeu dinheiro de partidos políticos para as manifestações e, nas eleições municipais deste ano, em Porto Alegre, promoveu uma batalha interna – grupo dividido entre dois candidatos. A guerra e troca de acusações podem ter motivado a morte de um dos integrantes do movimento.

Mas tem os líderes do Movimento Vem para Rua que são honestos, éticos e que lutam por um Brasil decente.  Sim, deve ter muita gente correta. Esse, porém, não parece ser o caso de Jailton Almeida, servidor público federal, integrante do movimento e que fazia em Brasília, nos carros de som, discursos inflamados contra a corrupção. No entanto, em junho foi nomeado para cargo de “coordenador-geral de participação social na gestão pública”, logo após a posse do novo governo. É ilegal? Não. Mas imoral, sim.

Outro “exemplo” é do presidente da Federações das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que participou ativamente dos protestos, mas é acusado de caixa dois nas eleições de 2014. Aliás, é imensa a lista de políticos que apareceram discursando pela moralidade, ética e respeito ao dinheiro público, mas investigados exatamente por desvio de dinheiro do contribuinte. Neste meio, há até acusados de formação de quadrilha, extorsão, falsidade ideológica, trabalho escravo, fraude, dentre tantos outros crimes.

Quem também tinha o discurso bonito contra a corrupção era a estudante Sofia Azevedo Macedo, de Minas Gerais. A jovem agora aparece nos noticiários como uma das pessoas que tentaram fraudar as provas do Enem 2016.  São tanto casos de quem nos últimos meses gritou contra corrupção e foi flagrado exatamente fazendo o que se dizia condenar.  É verdade que existe muita gente honesta e decente, mas também não faltam hipócritas. É muito fácil apontar e condenar a corrupção do outro. Vamos fazer uma reflexão sobre os nossos comportamentos e começar a mudança por nós.

Ailton Silva é jornalista.

A LEI DA FICHA LIMPA E AS CONTRADIÇÕES DOS BRASILEIROS

Ailton Silva | ailtonregiao@yahoo.com.br

Na verdade, a lei barrou apenas os políticos condenados por colegiados (formados por desembargadores e ministros) ou os que renunciaram ao mandato depois da representação ou pedido de abertura de processo.

Nos últimos dias acompanhamos as comemorações de partidários e simpatizantes porque os seus candidatos foram liberados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).  Tenho certeza que muitas dessas pessoas ajudaram a criar a Lei Complementar 135/2010.

Para quem não se lembra, trata-se da lei aprovada em 2010, após mais de um milhão de brasileiros – inclusive eu – colocarem os seus nomes em um abaixo-assinado. Na época, cheguei a acreditar que todos os corruptos desse país seriam banidos da política. Depois percebi muita ingenuidade da minha parte. Eles são os mesmos que aprovam as leis.

Minha ilusão ou ignorância durou quase dois anos, quando começou o prazo para o envio dos pareceres dos Tribunais de Contas dos Municípios (TCMs) para os promotores públicos estaduais. Os juízes de primeira de instância começaram a faxina e imaginei: nestas eleições não vai sobrar um ladrão. Os de galinhas, certamente, não, porque para estes as leis não são favoráveis.

Para os ladrões de milhões da nossa saúde, educação, saneamento básico, não há punição tão fácil, pois logo aquele jurista descobre que os pareceres dos TCMs não têm nenhuma serventia. Não valem nada se as câmaras de vereadores não seguirem.

Nesse ponto, vejo que não sou o único ingênuo na história da lei da Ficha Limpa. As entidades que lutaram pela moralização na política e pelo bom uso do dinheiro público também foram enganadas. Nunca que um prefeito, com a maioria na Câmara de Vereadores, terá suas contas rejeitadas.

Se seguirem o parecer do TCM, os parlamentares aliados vão deixar brechas para que o prefeito possa recorrer e derrubar a decisão. Há quem diga que existem punições para os presidentes de Câmara de Vereadores. Não sei de nenhum caso em que essa figura tenha colocado as contas em votação dentro do prazo estabelecido.

Na verdade, a lei barrou apenas os políticos condenados por colegiados (formados por desembargadores e ministros) ou os que renunciaram ao mandato depois da representação ou pedido de abertura de processo.

Os demais, para alegria do eleitor apaixonado (diga-se de passagem, muita gente que prega a moralidade na administração pública), estão livres para concorrer como se nenhum centavo tivesse sido desviado. E pior: desdenha do povo quando afirma ser honesto em seu programa eleitoral.

Tenho certeza que muita gente viu-se nesta condição em diferentes municípios do Brasil. Teve até carnaval fora de época por causa da liberação de ficha suja pelos Tribunais Regionais Eleitorais. Cenas de circo com carreatas, passeatas, queima de fogos e, nos braços do povo, o ímprobo (isso mesmo, ímprobo é o cidadão que rouba o dinheiro público. Não podemos chamá-lo de ladrão).

Por causa desse tipo de coisa, às vezes, penso que não me fizeram bem, na faculdade, as aulas de Sociologia e Psicologia (poderia incluir ética, mas foi uma disciplina que aprendi antes, em casa, com meus pais e amigos). Pensando bem, é melhor não pensar sobre as contradições do homem.

Finalizo recorrendo ao espetacular e genial Ruy Barbosa, que afirmou, em 1914: “de tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto…”. Tenho certeza que pelo menos um leitor desse blog vai concordar com Ruy.

Ailton Silva é jornalista.

OS VERDADEIROS HERÓIS FORAM ESQUECIDOS

Ailton Silva | ailtonregiao@gmail.com

Até o aeroporto internacional de Salvador teve o nome substituído para homenagear um político que, com todo o respeito aos seus familiares e admiradores, não terá nunca a importância da Independência do nosso estado e do Brasil.

As histórias sobre a independência da Bahia e do Brasil são ricas, embora parte delas recheada de contradições, assim como é contraditório o nosso comportamento com relação aos heróis e ao 2 de Julho de 1823.

Manipulados pelos políticos, permitimos que eles homenageiem a si mesmo com nomes de ruas, praças, hospitais, pontes, viadutos, avenidas e até municípios. Assim aceitamos, também, que os heróis da Independência da Bahia praticamente fiquem esquecidos.

O coronel que assumiu o comando geral do Exército Brasileiro e derrotou os soldados portugueses em 1823, por exemplo, sequer teve a honra de ter o nome cravado em um logradouro público importante. Não cabe aqui discutir os interesses da família dele.

José Joaquim de Lima e Silva assumiu as tropas brasileiras em um momento crucial. Ele substituiu o general Pedro Labatut, que fora capturado pelas tropas inimigas que chegaram a dominar parte da Bahia, principalmente a região de Salvador.

De igual modo, a heroína Maria Quitéria de Jesus (1791-1853) mereceu o esquecimento do povo baiano. Pioneira na luta para expulsar os portugueses do Brasil, a filha de fazendeiro inscreveu-se voluntariamente no Exército para lutar contra os invasores.

Com grande habilidade no manuseio das armas de fogo e ótima em montaria, Quitéria cortou o cabelo, vestiu-se de homem para ingressar no Exército, em 1822, com o nome de José Cordeiro de Medeiros, o seu cunhado. Fez isso escondido do pai, o fazendeiro Gonçalo Alves de Almeida.

Nascida em 27 de julho, no arraial de São José de Itapororocas, hoje município de Feira de Santana, a heroína foi condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Ela recebeu a medalha das mãos do imperador Dom Pedro I.

Quitéria lutou por mim, por você, caro leitor; por nós, que não erámos nascidos;  pelos filhos dos coronéis que fugiram do alistamento, mas, principalmente, pela verdadeira independência política e administrativa do Brasil. Ela foi integrante do Batalhão dos Voluntários do Príncipe, conhecido, também, como “Batalhão dos Periquitos”, por causa dos punhos e golas de cores verdes de seu uniforme.

A nossa heroína morreu em Salvador em 1853, praticamente cega e no anonimato. Ao contrário dos nossos “heróis políticos”, que estão com os seus nomes gravados pelos quatro cantos do Brasil, em logradouros construídos com o nosso dinheiro.

Ah, depois de anos no esquecimento, em 28 de junho de 1996, Maria Quitéria passou a ser reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A história da mulher é admirável e deslumbrante.

Outra heroína brasileira, só lembrada na celebração do 2 de Julho, é a freira Joana Angélica de Jesus. Ela tentou abrigar, no convento em Salvador, os soldados brasileiros que tinham sido cercados, mas foi fuzilada pelas tropas portuguesas. Pouco se fala sobre a brava mulher.

Os políticos reduziram a importância dos nossos heróis para desvalorizar o 2 de Julho,  dia em que os soldados brasileiros conseguiram a separação do país do domínio de Portugal.

Até o aeroporto internacional de Salvador teve o nome substituído para homenagear um político que, com todo o respeito aos seus familiares e admiradores, não terá nunca a importância da Independência do nosso estado e do Brasil.

O 2 de Julho não deveria ser feriado estadual, mas nacional porque foi a verdadeira independência do Brasil. Parabéns aos nossos verdadeiros heróis!

Ailton Silva é repórter de A Região, chefe de jornalismo da Morena FM e assessor de comunicação.

 

TROCARAM O LÁPIS E O CADERNO PELO REVÓLVER

Ailton Silva | ailtonregiao@yahoo.com.br

A diferença daqueles meninos do passado, não tão distante, é que tinham pais que não fugiam de suas responsabilidades.

Nesta semana ficamos estarrecidos com as imagens de câmara de segurança mostrando duas crianças assaltando uma ótica no movimentado bairro São Caetano, em Itabuna. Os meninos, com menos de 12 anos de idade, trocaram a caneta e o lápis por um revólver. Usaram a mochila, que deveria carregar cadernos e livros, para transportar o resultado de um crime.

A bicicleta, que deveria ser para conduzi-los até uma escola, serviu para a fuga. Somente quando ocorre coisa desse tipo é que fazemos uma série de questionamentos e buscamos ter a dimensão da realidade que vivemos. Muitos aparecem dizendo que isso acontece por causa de um sistema falido de educação, saúde, habitação e falta de políticas públicas etc. Pode ser também.

Mas muita gente culpa apenas e tão somente os governantes pelo aumento da criminalidade. Essas mesmas pessoas esquecem-se das responsabilidades das famílias. É verdade que em Itabuna não existe espaço de lazer. As quadras de esportes estão abandonadas, os campos de futebol idem e as praças encontram-se em estado lastimável. Mas nada disso tira a responsabilidade dos pais de cuidar de seus filhos.

Não é aceitável que crianças fiquem fora da escola. Ela é o único caminho para o sucesso, principalmente daqueles nascidos em famílias miseráveis. Hoje, nas séries iniciais, o governo distribui livros, cadernos lápis, oferece transporte e manda dinheiro para as prefeituras comprarem merenda. E mais: o governo paga para o aluno estudar, com programas como Bolsa Família e Projovem.

Muitos vão dizer que é uma esmola, que não serve para nada. Para esses, eu respondo que gostaria muito de ter tido isso no tempo que estudei em escola pública e muitos dos meus amigos, que têm uma carreira de sucesso hoje, também gostariam muito dessa ajuda. Nós, os miseráveis, tínhamos que recorrer a livros emprestados e trabalhar aos 10 anos para comprar os nossos cadernos.

Tínhamos que caminhar quilômetros para chegar a uma escola mais próxima e quase nunca havia merenda. Nem por isso deixamos de perseguir e realizar o sonho de ter uma profissão e vida decentes. Tenho muitos amigos que passaram por isso. Tornaram-se servidores públicos, professores, advogados, dentre outros profissionais de respeito.

A diferença daqueles meninos do passado, não tão distante, é que tinham pais que não fugiam de suas responsabilidades de matricular – e acompanhar – seus filhos. Além disso, eles cobravam e tinham respeito. O resultado não poderia ser melhor. Vendo a cena dos dois meninos assaltando, lembrei logo da história que uma amiga minha relatou durante uma viagem ao Recife.

– Há alguns anos, quando criança e acompanhada da minha família, passei aqui como mendiga. Nesta mansão, pedi alguma coisa para comer. Disseram que tão tinha nada e acabei aceitando um copo com água e uma manga. Hoje, estou em um hotel cinco estrelas na Praia de Boa Viagem, um dos metros quadrados mais caro do país – narrou, emocionada.

Minha amiga prosseguiu afirmando: “como foi bom minha mãe ter ensinado que o conhecimento transforma vidas. A negra era analfabeta, mas sabia o valor do estudo”. Por causa de uma mãe cuidadosa, ela hoje tem um salário de R$ 7 mil e pode se dar ao luxo de viajar não só pelo Brasil, mas para o exterior também. Mais que isso, tem dignidade.

Poderia aqui citar vários exemplos, inclusive o meu, mas acredito que apenas este caso serve para comprovar que o conhecimento pode transformar a vida das pessoas e que os pais têm a obrigação de mandar seus filhos para a escola. É uma responsabilidade mínima. É inaceitável que crianças de 12 anos troquem caneta e lápis por revólver.

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A CORRUPÇÃO NO BRASIL “FORMALIZOU-SE” COM DOM JOÃO VI

Ailton Silva | ailtonregiao@yahoo.com.br

Bandidos eram nomeados governadores de capitanias e a lei punia apenas os criminosos pobres.

O livro 1808, um excelente trabalho investigativo do jornalista Laurentino Gomes, ajudou-me a entender melhor o porquê de tantas autoridades brasileiras, ex-políticos e grandes empresários livrarem-se de condenações depois de flagrados em esquemas de corrupção.

E melhor: hoje, compreendo, de forma cristalina, como um ex-vaqueiro tornou-se milionário “trabalhando” como político; e um ex-presidiário é eleito e passa a vender-se como moralizador do bem público. O engraçado é que há quem compre.

A obra de Laurentino ajuda-nos a entender porque o pagamento de propina é encarado como normal por parte dos brasileiros e porque muitos servidores públicos (escrevi muitos, não todos) acham que não precisam cumprir bem a sua função.

É raro o funcionário público buscar oferecer um atendimento humanizado; aliás, muitos levam meses sem bater o ponto, viajam para fazer compras para seus comércios e acreditam cegamente que não estão cometendo nenhuma falta grave.

Quem fiscaliza isso? Ninguém. Eu mesmo, que sou um dos patrões e pago o salário através dos impostos, nunca me importei quando não fui diretamente afetado, tenho que confessar.

Mas, todos nós, somos vítimas desses maus hábitos que foram praticamente oficializados com o desembarque da Família Real portuguesa no Brasil, em 1808. Ou alguém acredita que muitas prefeituras pelo País a fora inventaram esse negócio de contratar centenas de funcionários que só aparecem na hora de sacar o salário, os conhecidos fantasmas? Nessa época, conta o jornalista Laurentino Gomes, muitos funcionários públicos nem conheciam sequer os locais em que estavam lotados.

Os protegidos políticos, aqueles que vivem carregando a bandeira do candidato no período da campanha, são beneficiados desde muito antes do povo sonhar com eleição direta para  a escolha dos seus  “representantes”.

O príncipe regente (isso mesmo, ele só foi coroado rei em 1818, após a morte da rainha Maria I) Dom João VI chegou ao Brasil trazendo entre 10 e 15 mil pessoas, que durante anos foram sustentadas pelo erário.

Ainda mais grave que isso foi o fato de muitos conselheiros do príncipe terem enriquecido cobrando propina dos grandes fazendeiros já estabelecidos na mais rica Colônia de Portugal. Até serviçais mais espertos se tornaram homens ricos.

A esculhambação não parava por aí. Bandidos eram nomeados governadores de capitanias e a lei punia apenas os criminosos pobres. O acesso à educação e ao sistema de saúde era para poucos. Há muita diferença do que ocorre hoje no Brasil “democrático”?

É verdade que o País evoluiu em muitos aspectos com a fuga da Família Real para cá. Ma o pagamento de propina, o esquema para desviar dinheiro e a premiação para o servidor ineficiente fazem parte de um conjunto de maus hábitos do passado, que não conseguimos nos livrar. Será que vamos conseguir um dia?

Ah, a família Real saiu de Portugal para escapar de um ataque do imperador francês Napoleão Bonaparte. O livro 1808 traz toda a história dessa fuga desesperada da família de Dom João VI e a relação promíscua estabelecida na época. Eu fiz uma viagem deliciosa, acho que você, leitor do Pimenta, também vai amar o livro. Agora, estou partindo para 1822, outra obra do jornalista Laurentino Gomes.

Ailton Silva é repórter d´A Região, editor do Jornal das Sete, da Morena FM, e assessor de imprensa.

GENTE BOA NA NIGHT

Num flagrante do PIMENTA pelos bares da vida, duas figuras da maior qualidade: os jornalistas Luiz Conceição, da assessoria de imprensa da Ceplac, e Ailton Silva, editor d'A Região e do jornalismo da Rádio Morena. Dois amigos-irmãos nossos, que inspiram este blog. Conceição tem o faro dos grandes repórteres; Ailton é um guerreiro, que superou muitas adversidades para se tornar o profissional competente e respeitado que é hoje. Dá orgulho conviver com gente assim.

QUAL A CULPA DOS NORDESTINOS?

Ailton Silva

Os que acham que somos um bando de analfabetos esquecem que temos mestres, pesquisadores, doutores, grandes empresas e estamos na terra do jurista Ruy Barbosa (…).

A campanha eleitoral deste ano foi marcada mais pela troca de agressões entre os candidatos do que por debates sobre temas como reforma tributária e investimentos em infraestrutura. Outra constatação foi que, em muitos momentos, a mídia deixou de fazer o bom jornalismo, prestar um serviço ao cidadão, independente da opção eleitoral, para fazer panfletagem.

Uma vergonha para quem diz que faz jornalismo independente. O enquadramento “a gosto” ocorreu, muitas vezes, nos pequenos e grandes veículos. Mas não vou entrar neste mérito, pois os leitores, telespectadores e ouvintes perceberam isso claramente.

Talvez o que muita gente não percebeu foi o preconceito de algumas pessoas do Sul e Sudeste (muitos de São Paulo) contra o nordestino e nortista. Os comentários nas redes sociais, revistas, jornais foram muitos. E vergonhosos. Os mais leves foram: burros, imbecis, idiotas, dependentes de “bolsa esmola”.

Tantos “adjetivos” porque o Nordeste e o Norte foram duas das três regiões do Brasil nas quais a maioria dos eleitores preferiu Dilma Rousseff (PT) a José Serra (PSDB). É verdade que essas duas regiões têm alto índice de analfabetismo, são carentes de saúde pública de qualidade, esgoto tratado, mais moradia, segurança pública e salários melhores. As consideradas regiões ricas não sofrem com nada disso?

Tentar separar o Brasil entre regiões ricas e pobres não é nada inteligente. Somos todos brasileiros, filhos de uma só nação e sonhamos com melhoria em todos os setores, com mais pessoas ascendendo de classe social. O Nordeste e o Norte merecem respeito.

Para Mayara, xenofobia pouca é bobagem.

Não venham argumentar que não há preconceito. Ele, infelizmente, vai existir por algum tempo, enquanto as pessoas acreditarem que as manifestações durante o período eleitoral e logos após resultado da eleição são fatos isolados. Não são. Existem, sim, muitos preconceituosos, entre eles a estudante de direito Mayara Petruso, que chegou a postar, na sua página, frase como “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”,

A estudante paulista escreveu ainda: “Dêem direito de voto pros (sic) nordestinos e afundem o país de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos pra ganhar o bolsa 171”.

Sei que esse, felizmente, não é o sentimento da maioria do povo de São Paulo nem de outros estados das regiões Sudeste e Sul, mas que há muita gente que pensa como essa patricinha, como tem!

Para nós, nordestinos com muito orgulho, o que importa é que estamos em processo de desenvolvimento e caminhando para um dia termos estados com mais qualidade de vida.

Os que acham que somos um bando de analfabetos esquecem que temos mestres, pesquisadores, doutores, universitários, veículos de comunicação fortes, grandes empresas, artistas da música, do teatro, da televisão e estamos na terra do jurista Ruy Barbosa, o Águia de Haia, que foi para a Inglaterra ensinar inglês. Além de tudo, temos gente que trabalha, vive com dignidade e que ajuda a manter esse país.

No mais, qualquer pessoa sensata sabe que não foram apenas o Nordeste e Norte que asseguraram a eleição da candidata do PT. José Serra, também, perdeu em estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro. Perdeu na região Sudeste. E mais: a petista se elegeria mesmo se, como querem alguns, o Nordeste fosse riscado do mapa.

O pior: o candidato venceu em São Paulo por menos de dois milhões de votos (12.308.038 dele contra 10.462.010 dela). Como um excelente administrador como apregoam alguns veículos de comunicação, ele deveria vencer de goleada no próprio estado. Ou Não?

Então, seguindo a lógica dos que estão revoltados com os nordestinos e nortistas, o eleitor de São Paulo, que preteriu o candidato do PSDB, é burro, é imbecil? Tenho certeza que não. Como homem perfeito como se vendeu e foi repassado por parte da mídia, ele poderia ter saído do estado como pelo menos 15 milhões de votos. Não saiu.

Poderia muito bem ter vencido em Minas Gerais, estado em que o ex-governador Aécio Neves, seu aliado, teve mais de sete milhões e meio de votos para o Senado. Agora, culpar o nordestino e nortista, porque muitos preferiram a continuidade, é coisa de quem não tem classe para perder.

O preconceito não é o melhor caminho em um país democrático e cheio de contrastes que precisam ser resolvidos. Somos um só povo e quem votou em Dilma merece respeito e quem optou por Serra também. O resto é torcer para que os nossos problemas econômicos e sociais sejam resolvidos nos próximos anos.

Ailton Silva é jornalista, editor do Jornal das 7 (Morena FM) e repórter d´A Região.

A SERVIDORA QUE ROUBOU O TELEVISOR DA ESCOLA

Ailton Silva

Foi simplesmente genial a idéia do CQC de doar um televisor de plasma para uma escola da rede municipal de Barueri e monitorar o seu destino. Na terceira temporada do programa, os meninos do “Custe o Que Custar”, que é veiculado nas noites de segunda-feira pela TV Bandeirantes, decidiram medir o nível de honestidade dos gestores e servidores públicos do município paulista.

No final do ano passado, a turma do CQC instalou GPS e alarme e doou o aparelho para a Secretaria de Educação de Barueri para que o mesmo fosse utilizado por alunos de uma das escolas da rede municipal. A história terminaria por aí, não fosse a desonestidade de funcionários da Escola Tarso de Castro.

O aparelho de última geração foi levado para a casa por uma funcionária e era utilizado como se lhe pertencesse. No quadro “Proteste Já” desta segunda-feira, 22, o CQC mostrou como o televisor era usado pela família de uma servidora pública. O GPS permitiu que o aparelho fosse monitorado 24 horas.

Constatadas as irregularidades, os meninos do CQC, que por sinal é melhor programa de humor da televisão aberta brasileira, foram até a Secretaria Municipal de Educação saber em que escola estava o aparelho. O secretário Celso Furlan (irmão do prefeito), sem saber que o televisor era monitorado, apressou-se em informar que estava sendo utilizado por alunos de uma das escolas da rede municipal.

No local, na verdade, o aparelho ficou por muito pouco tempo. O engraçado foi a funcionária tentado devolver o produto roubado da escola. Coloca o televisor no carro e é perseguida até a escola; descontrolada, tenta voltar e, no final, encurralada, acaba devolvendo o aparelho de onde nunca deveria ser saído.

Mais interessante ainda foram as desculpas apresentadas para tentar justificar o roubo. A diretora da escola alegou que o televisor foi retirado da escola para que os carnais fossem sintonizados. Isso por um período de mais de quatro meses. Sem explicação. As perguntas dos repórteres Rafinha Bastos e Danilo Gentil, apesar de básicas, foram sensacionais, muito bem casadas com imagens.

Hilário também foi a reação do prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), ao ser questionado sobre a ação da servidora pública. Ao invés de ficar indignado com o mau exemplo da funcionária desonesta, partiu para o ataque aos integrantes do CQC, os chamando de babacas, entre outros adjetivos peculiares de um político descontrolado.

Depois, ao perceber a merda que havia falado, decidiu fazer média com o programa. Não tinha mais jeito. Ah! Uma semana antes, o mesmo Rubens Furlan ingressou na justiça e uma juíza proibiu e veiculação do “Proteste Já” alegando falta de “direito de resposta”. Isso mesmo, direito de resposta de uma matéria que nunca havia sido veiculada. O Tribunal de Justiça de São Paulo colocou ponto final na aberração jurídica.

Elaborada com muito bom humor, a matéria mostra que a desonestidade está enraizada em quase todos os escalões da administração pública. Ela atinge do simples servidor ao prefeito, ao deputado, ao governador. Fiquei imaginado como seria a colocação de um chip no dinheiro que é pago pela coleta de lixo, pela reforma da escola e a construção do hospital.

Seria uma festa de políticos flagrados levando os seus 10%. Seria uma farra de liminares impedindo a veiculação das matérias?Talvez, no Brasil, quase tudo é possível.

O certo mesmo é a falta punição para políticos corruptos. Muitos semi-analfabetos, que nunca estudaram nem trabalharam na iniciativa privada, mas são ricos porque se tornaram PhDs na roubalheira.

Eles respondem a dezenas de processos por desvio de dinheiro, mas aí a justiça não funciona. O que justifica um pobre, analfabeto; que não ganhou na loteria, não herdou bens, torna-se um dos homens mais ricos do Brasil? Viva a idéia genial do CQC! Vamos colocar chip no dinheiro público, vamos investigar e condenar. Tá na hora. Brincadeira, não vai acontecer tão cedo. Olha que sou otimista, viu.

Ailton Silva é jornalista, editor de A Região e do Jornal das Sete, da Morena FM.

ELE É “O CARA”

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O jornalista Ailton Silva deu um fim temporário à cansativa rotina de estudos. Segundo conta, praticamente tornou-se abstêmio de muita coisa boa (inclusive aquilo!) nos últimos meses.

“O cara” meteu-se a pesquisar o aproveitamento dos releases (textos enviados por assessorias de órgãos públicos e empresas privadas) por parte das redações dos principais jornais sul-baianos.

O resultado de meses de trabalho foi apresentado neste sábado. Testemunha da apresentação da monografia do colega, o jornalista Maurício Maron resumiu: “Deu show”.

“O cara” obteve nota máxima tanto no trabalho escrito como na defesa oral, feita ontem, diante de uma banca mais do que exigente, concluindo a graduação em jornalismo, na Facsul-Unime.

A IMPRENSA QUE NÃO ACEITA CRÍTICAS

Ailton Silva

ailtondião

Alguns veículos de comunicação social no Brasil vivem tentando apagar o passado (a sua ligação com o Regime Militar) e a todo o momento tentam vender uma imagem de que são referência quando os assuntos são ética, independência, imparcialidade e transparência. Eles ainda não entenderam o espírito democrático e não aceitam críticas.

A verdade é que a máscara da imparcialidade cai em muitos momentos. O estudante de comunicação social, por exemplo, logo percebe que a farsa, em muitos veículos, é maior do que ele visualizava quando não passava de simples telespectador, leitor ou ouvinte.

Com os quatro anos de faculdade e a prática do dia-a-dia, é que se percebe  com mais facilidade o que está por trás de cada notícia. Muitas, realmente, são de interesse da população. Outras, nem tanto. É só fazer uma busca nos livros sobre ética e teoria de jornalismo.

A conclusão, infelizmente, é que muitas vezes não existe imparcialidade na produção e divulgação de notícias. Transparência, às vezes. Independência, quase nunca, pois o “veículo de comunicação é uma empresa e, como tal, depende de dinheiro para funcionar”, defende o professor Felipe Pena, na Teoria Organizacional.

Bem, é muito cansativa essa parte conceitual. Vamos para prática do jornalismo, o dia-a-dia da notícia. Nos últimos dias, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) foi notícia em todo o país.

Os enfoques dados pela mídia foram variados. Uns veículos mostraram a importância da prova, outros preferiram falar da exigência do Ministério da Educação para liberar o diploma. Um direito legítimo e sagrado da imprensa.

Entendi como normal a inclusão de algumas questões na prova do Enade.  O que há de errado em informar que em 2009 o Ministério do Meio Ambiente lançou uma campanha para utilização consciente de sacolas plásticas e perguntar ao estudante o que é necessário para um possível êxito da campanha?

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O que existe de errado em relatar que o Ministério da Educação (MEC) realizou pesquisa e descobriu que há no Brasil um dos melhores parques gráficos do continente Americano? Diante de tal situação, o exame questionou o que seria necessário para que os livros chegassem às mãos dos leitores, uma vez que somente 16% da população do país têm acesso a eles.  Se os dados são verdadeiros, o que há de errado nisso? Para o Jornal Nacional, tudo não passou de propaganda do governo.

Mas, na realidade, o que gerou uma pauta que resultou em matéria exibida ontem [terça-feira, 10] pelo JN, foi a questão 19 (confira o vídeo). Ela traz o seguinte enunciado: “Quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou que a crise financeira mundial era um tsunami no exterior, mas, no Brasil, seria uma ‘marolinha’, vários veículos da mídia criticaram a fala do presidente. Agora é a imprensa internacional que lembra e confirma a previsão de Lula”.

O enunciado segue: É correto afirmar que houve, por parte dos críticos:

A) atitude preconceituosa; B) irresponsabilidade; C) livre exercício da crítica; D) manipulação política da mídia e E) prejulgamento. A resposta correta foi a letra C. Foi o suficiente para a Globo entender como um ataque mortal e trazer entrevistas com críticos.

Ah, o Jornal Nacional não deu espaço para oposição “descer a madeira” nas declarações do presidente? Não colocou no ar economistas comentando a fala do Lula?

Consta alguma inverdade do enunciado? Pelo que eu saiba, não. Sim, seria um escândalo se a resposta correta fosse outra alternativa ou houvesse inverdade no enunciado. O que, sinceramente, acho que não ocorreu. Alguns setores da imprensa precisam entender que não são donos da verdade, e todos nós podemos receber críticas.

Ailton Silva é jornalista






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