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:: ‘Antônio Lopes’

A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS ALCANÇA O DIAMANTE – 60 ANOS DE INSTITUCIONALIDADE E DE IMORTALIDADE GRAPIÚNA

Efson Lima

Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los

Certo dia, falei a uma pessoa que estava pesquisando sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI). A interlocutora indagou: Por qual razão pesquisar sobre a Academia de Letras de Ilhéus? Agora, aproveito o momento para responder e abordar quanto essa instituição tem colaborado com a Bahia e a literatura nacional.

A Academia de Letras de Ilhéus alcança os 60 anos, precisamente em 14 de março de 2019. O professor Arléo Barbosa, historiador e membro da ALI, registra em Notícia Histórica de Ilhéus (2013) que a data para fundar a Academia foi escolhida em homenagem ao aniversário de Castro Alves, mas o patrono é Rui Barbosa, constituída a partir do arquétipo francês de 40 cadeiras, cujo modelo é observado em outras academias, inclusive na Academia Brasileira de Letras. As reuniões aconteciam aos sábados na casa de Nelson Schaun que, com Plínio de Almeida, Wilde Oliveira Lima e Nilo Pinto, traçou os desígnios da instituição. A instalação da Academia só aconteceria em 29 de junho de 1959, conforme apontou Francolino Neto em Reflexões Acadêmicas (1990) no capítulo “Jubileu de Pérola da Academia”, cuja data foi comemorada a 28 de dezembro de 1989 com a presença de Abel Pereira.

Transcorridos sessenta anos, podemos dizer que temos uma instituição regional? Recorro ao conceito de instituição apresentado por um dos membros da ALI e um dos nomes mais consagrados do Direito no Brasil, Edvaldo Brito, que considera “instituição” a repetição de fatos, acontecimentos que corroboram para a institucionalidade. Portanto, a ALI tem repetido seus atos durante todo esse percurso. Mesmo sem sede própria na maior parte do tempo – ora realizando reuniões na casa de um membro ora se encontrando na Associação Comercial de Ilhéus. Só em 2004 a ALI teve sua sede própria, graças à persistência de Ariston Cardoso, que solicitou ao então prefeito Jabes Ribeiro, que doou o imóvel. Atualmente o ex-prefeito é membro da ALI em virtude da promoção da cultura, recuperação e inauguração da Casa de Jorge Amado e reforma do Teatro de Ilhéus e da Maramata.

Sem exagero, temos um diamante. As bodas de diamante estão no salão. É como se estivéssemos diante de um casal que alcança os 60 anos de casamento. Significa que enfrentou muitos desafios, vivenciou fatos e acontecimentos, mas se mantiveram firmes no propósito do amor e não se desintegrou no momento da dor. Que bom! Pois, tudo parece ser fuga, as relações surgem e desaparecem instantaneamente. O arcadismo virou fichinha. Tudo parece ser tudo mais rápido. Mesmo assim, há casais que insistem em conviver, assim como a ALI que se manteve firme em seus objetivos.

As academias de Letras mundo afora são ecléticas, heterogêneas. São compostas de escritores, profissionais liberais, artistas. No Brasil, como o bacharelismo insiste em dar tônica, verifica-se massiçamente a presença de juristas, médicos e jornalistas nesses sodalícios. O importante é que elas são espaços que cultuam as letras, as artes, a cultura. Não por acaso são também adjetivadas como academia de letras, arte e cultura.

É obvio que as academias, por vezes, tornam-se espaços elitistas, entretanto, não podemos acusar de espaços ingratos com a identidade nacional, regional e/ou local. As academias colaboram para a perpetuidade da memória de um povo. É espaço de discussão, diálogo, é lugar de se retroalimentar. E em tempos difíceis são esses recintos que nos conduzem para momentos de sol. Aliviam nossas almas e nos levam à lua quando a Terra parece estar insuportável.

O jornalista Antonio Lopes, quando da sua posse de membro efetivo na ALI, comemorou os 42 anos da Academia e rogou por mais 42 anos, cujo discurso foi publicado no livro Estória de Facão e Chuva (2005). Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los, pensamentos e pessoas que pensam, esperança e pessoas que esperam, sempre, sempre e sempre, infatigavelmente… Foi assim nesses primeiros 42 anos e assim será nos próximos 42 anos, por vontade de Deus e por esforço dos homens.” Eu agora, humildemente, peço licença para desejar mais 60 anos. Precisamos acreditar nas instituições e nas pessoas. As instituições e a diversidade institucional enriquecem o mundo. Possibilita uma dialética saudável e colabora para um debate público e sincero.

A Academia tem o termo “Ilhéus” em seu nome, poderia até ter outra nomenclatura, mas preferiram os fundadores fixar no substantivo próprio da Princesa do Sul, mesmo tendo confrades de outras cidades. A ALI não é só uma instituição. Ela reúne várias instituições. É embrião intelectual da região sulbaiana, sem desmerecer o Grêmio Olavo Bilac. Pode causar estranheza quando algumas pessoas não oriundas do sul da Bahia fazem parte do sodalício, certamente, os membros sabem por qual razão justa estes fazem parte e podem ser chamados de confrades.

Estão cônscios também porque as pessoas que não nasceram no chão grapiúna foram convidadas nas primeiras horas para participarem do nascedouro da ALI. É o caso de José Cândido de Carvalho Filho, o único fundador vivo da Academia. Por sinal, possui uma trajetória de imensa envergadura profissional e intelectual, razão pela qual prédios públicos recebem seu nome. Foram as situações também de Jorge Medauar (em 1959 foi vencedor do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro na categoria “Contos/crônicas/novelas”) foi natural de Uruçuca, bem como Soane Nazaré, membro da ALI, que merece um livro título de livro que aborda sobre Nelson Schaun, um dos fundadores da ALI, organizado por Maria Schaun.

O professor Soane Nazaré está para a nossa formação educacional universitária assim como Edgar Santos está para Bahia com a UFBA e Edivaldo Boaventura com a UNEB e a interiorização do ensino superior no estado. Talvez, a mais firme e consistente contribuição da lavoura do cacau esteja reunida no “projeto de modernidade UESC”. Graças ao visionário Soane Nazaré, que também é membro da ALI.

Aliás, Jorge Amado, membro fundador da ALI, um ano antes da fundação da Academia, em Gabriela, Cravo e Canela, sinaliza parte da formação humana da nação grapiúna, evidenciando a presença de pessoas oriundas de outros lugares. A personagem principal da obra é retirante. Nascib sintetiza o estrangeiro. Jorge Amado, o filho de Ilhéus mais ilustre na literatura, dispensa comentários. Temos muito a pesquisar sobre ele, a sua obra e a repercussão desta para o mundo da Língua Portuguesa. Ilhéus deve muito a memória deste escritor. Em visita à Casa de Jorge Amado percebi o quanto pode ser juntado de material para tornar o ambiente ainda mais rico. A Semana de Jorge Amado precisa ser consolidada. Ilhéus é uma Cidade Literária. Precisa descobrir esse potencial. As ruas exalam literatura na Princesinha do Sul, como o fervo ferve em Olinda e a música toca em Salvador.

E ainda falando de gente grande, por qual razão não falar do professor e geógrafo Milton Santos, ganhador do Prêmio Vautrin Lud – o Oscar, o Nobel – da Geografia em 1994. Um incansável pesquisador e crítico do sistema capitalista e da globalização. Foi membro da ALI e professor do IME.

É necessário transcorrer sobre Adonias Filho, que foi residente da ALI no ano do Centenário de emancipação de Ilhéus. Este escritor conseguiu em uma palavra sintetizar o que a nação grapiúna também produzia além do cacau: escritores. Sem dúvida alguma, escritores e dos bons. Registra-se a passagem de Zélia Gattai pela Academia de Letras de Ilhéus, que também foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Discorrer sobre a ALI é encontrar Telmo Padilha, um poeta reconhecido no exterior. Lembro-me dos especiais do jornal Agora, informando sobre a presença do poema de Telmo Padilha na ONU. E Hélio Pólvora? Tive o prazer de em vida, quando da fundação do Grêmio do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Ilhéus, participar da concertação que o homenageia com o nome da agremiação. Nosso eterno contista e cronista. É não descansar sem abordar, mesmo de que forma singela, Sosígenes Costa. Nosso escritor premiado em 1960, na segunda edição do Prêmio Jabuti de Literatura, categoria Poesia, com o livro Obra Poética. É Sosígenes Costa que nomeia o campus da UFSB localizado em Porto Seguro.

A morte é termo certo, na linguagem do direito, mas causa-nos surpresa toda vez que alguém parte. Em 08 de março do corrente ano, fomos surpreendidos com a notícia da morte de João Hygino via o Blog Pimenta. Ele foi membro da ALI e persistente acadêmico do sodalício, deixando ociosa a cadeira n.01. Foi autor de Deus e os Deuses (2008) e exaltou Porto Seguro, sua cidade natal, em 1966. O mais significativo é que o corpo físico da pessoa pode desaparecer, mas não submergem as ações, o pensamento e a produção intelectual. O cultivo da imortalidade intelectual é parte contributiva desses silogeus. :: LEIA MAIS »

HÉLIO PÓLVORA RECEBE HOMENAGEM NA ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA

A partir da esquerda, Antônio Lopes, Aramis Ribeiro Costa, Evelina Hoisel e Gerana Damulakis

O escritor itabunense Hélio Pólvora, falecido em 26 de março de 2015, recebeu importante homenagem no urso Castro Alves de Literatura da Academia de Letras da Bahia (ALB), na quarta-feira (4), em Salvador.

A solenidade foi realizada num dos auditórios do Solar Góes Calmon, sede da ALB, em Nazaré, perante um público formado por familiares de Hélio (entre os quais a viúva Maria Pólvora e Hélio Jr.), estudantes, intelectuais e amigos do escritor.

A obra literária do autor de Os galos da aurora foi na alisada por três convidados. Pela ordem de apresentação: Antônio Lopes falou sobre a crônica (“Entre o vivido e o imaginado”), Aramis Ribeiro Costa, sobre o conto (“O singular contista”) e Gerana Damulakis discorreu sobre o romance (tendo por tema “o romance como consequência”).

A sessão foi presidida pela presidente da ALB, a escritora Evelina Hoisel, ficando a organização geral do encontro a cargo do acadêmico Aleilton Fonseca e da professora de literatura Rosana Patrício.

“ILHÉUS MANTÉM EXÓTICA AURA ATRAENTE”, DIZ RAMAYANA AO TOMAR POSSE NA ALI

Ramayana, de gravata, ao lado de acadêmicos como Antonio Lopes e presidente André Rosa.

O professor e jornalista Ramayana Vargens agora é membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), ocupa a cadeira nº 11, na posição 3. A solenidade de posse aconteceu no dia 18 de abril, às 19h30min, na sede da entidade, localizada na Rua Antonio Lavigne de Lemos, no centro histórico da cidade. O presidente da Academia, André Rosa Ribeiro, destacou que antes ocuparam a cadeira o jurista Carlos Ribeiro, patrono, e o filósofo, advogado e professor Dorival de Freitas, que antes de falecer havia indicado Vargens para compor a entidade.

Fundada em 1959, a Academia de Letras de Ilhéus foi saudada pelo novo membro imortal. Ele disse: “É um privilégio ser parte de uma Casa devotada às Letras, especialmente numa terra de longevos escritos dos tempos dos primeiros desbravadores portugueses. Nas páginas dos cronistas do descobrimento, aparecem as primeiras palavras sobre Ilhéus. As cartas dos jesuítas, que aqui fundaram um colégio, mostram que Ilhéus, desde os primeiros anos de sua
existência, é um polo pioneiro de educação.”

Ramayana Vargens também evocou a poesia de padre José de Anchieta, “Sobre os feitos de Mem de Sá” (que narra a Batalha dos Nadadores, no Cururupe), de Bento Ribeiro, nas referências a Ilhéus, terra que adotou para morar, há 30 anos. “Com quase 500 anos de vida, Ilhéus ainda mantém uma exótica aura atraente. Fascínio enriquecido com a literatura reveladora dos sensuais segredos da civilização do cacau, que tinha Ilhéus como capital”, enfatizou.

O professor ainda ressaltou: “Como nos romances de Jorge Amado, Ilhéus consegue avançar, progredir e acompanhar os tempos de transformação sem perder a baianice brejeira e a convivência familiar de sossegada província. A Ilhéus de ontem permanece na Ilhéus de hoje, mesmo que estejamos na inevitável rota do amanhã. Nesse vértice do tempo, que aproveita o passado, desfruta o presente e projeta os sonhos do futuro, é que situo a Academia de Letras de Ilhéus”, acrescentou Vargens.

A cerimônia contou com a presença de membros da ALI, dos secretários municipais de Relações Institucionais, Sérgio Souza – que representou o prefeito Mário Alexandre, e de Cultura, Pawlo Cidade, do professor emérito e ex-reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Joaquim Bastos, a também ex-reitora Renée Albagli, a presidente do Conselho Municipal de Cultura, Janete Lainha, a viúva do acadêmico Dorival, Marita de Freitas, a diretora do Instituto Piedade, Irmã Georgina Carvalho, entre outras personalidades. :: LEIA MAIS »

NOVA OBRA DE LOPES

Lopes lançará nova obra pela Editus em breve (Foto Divulgação).

Lopes lançará nova obra pela Editus em breve (Foto Divulgação).

O jornalista e escritor Antônio Lopes lançará nova obra em breve.

Manoel Lins: O Canto da Eterna Esperança é o título do livro.

Será publicado pela editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, a Editus.

 

LÉO, O FERA

Na semana passada, Itabuna perdeu figuras-símbolo de sua história centenária. Vivaldo Moncorvo, Adonias Oliveira, José Carlos “Bocão”, Benedito Soriano e Léo Briglia, craque do futebol brasileiro que fez chover nos gramados brasileiros. A seguir, um email enviado pelo jornalista e escritor Antonio Lopes ao também jornalista Marival Guedes, autor do texto “Valeu, Léo”, publicado no último sábado (27). Na sequência, encerrando a série de artigos em homenagem a Briglia, trazemos texto do advogado Allah Góes, amigo do ex-jogador. Confira.

antônio lopes pimentaAntônio Lopes | abcdlopes@gmail.com

 

Perguntei se ele sofreu com a possibilidade de o Bahia ser derrotado (o jogo foi zero a zero), e ele, contrariando minha expectativa, disse que não. “Afinal de contas, sou Vitória”, explicou, para meu espanto.

 

Oi, Marival! A sua foi a melhor matéria que vi na mídia, a respeito da fera Léo Briglia. As notícias omitiram coisas importantes, como ele ter jogado no América (Rio) e no Colo Colo (Ilhéus). Em geral, falam apenas em Fluminense e Bahia. Também não falaram que ele era um dos líderes do “ingênuo” carnaval da Ponta da Tulha, com um bloco, creio que As muquiranas, na tradicional fórmula de homens vestidos de mulheres.

Eu o conheci, quem diria, no Brasil de Buerarema, e disse, em algum lugar, nunca ter visto alguém que jogasse tanta bola. Pode ter sido uma visão distorcida de menino perna-de-pau? Talvez. Mas digo e provo que, mais tarde, já metido a entender do famoso esporte bretão (cheguei a cometer análises na Rádio Difusora, ao lado dos insuspeitos Orlando Cardoso e Geraldo Borges), vi Pelé e Zico, craques acima de qualquer suspeita, comparei-os com o Léo da minha infância e sequer me bateu a passarinha.

Sobre o América, também não falaram que o time de Orlando Cardoso foi a perdição do craque itabunense. Lá, ele conheceu o técnico Martin Francisco, de quem se fez grande amigo. E esse Martim Francisco (Ribeiro de Andrada, descendente daqueles Andradas famosos de Minas) sabia tudo de bola e de copo. Fome e vontade comer: Léo, chegado aos etílicos, encontrara o “chefe” que pedira a Deus.

MF, chamado de lorde dos gramados brasileiros, professor e cientista do futebol, morreu com apenas 54 anos, vítima de “doenças relacionadas com o álcool”.

Em 1988, A Tarde me escalou para acompanhar a decisão do Campeonato Brasileiro ao lado de Léo, na Ponta da Tulha. Lá fui, com o fotógrafo Zeca, encontrar o ex-jogador numa roda de cerveja e papo descontraído, num dos botecos que frequentava. Expliquei meu objetivo, e ele não se fez de rogado: “Vamos lá”, disse. Encerrou a conversa e nos levou para sua casa. Lembro que, no sagrado recesso do lar do craque, enxugamos duas ou três cervejas.

O resultado, todos sabem: o Bahia empatou, o que era suficiente para sair do Beira-Rio campeão brasileiro. Anotei, durante o jogo, alguns comentários de Léo, mas só depois do apito final “encontrei” minha matéria. Perguntei se ele sofreu com a possibilidade de o Bahia ser derrotado (o jogo foi zero a zero), e ele, contrariando minha expectativa, disse que não. “Afinal de contas, sou Vitória”, explicou, para meu espanto.

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EDITUS LANÇA LIVRO DE ANTÔNIO LOPES

Antônio Lopes, na Uesc, com a poeta Dinah Hoisel (Foto Divulgação).

Antônio Lopes, na Uesc, com a poeta Dinah Hoisel (Foto Divulgação).

Com o Mar Entre os Dedos-CapaEm solenidade na sexta-feira (20), a Editus-Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e o Instituto Macuco Jequitibá promovem o lançamento do livro Com o mar entre os dedos, do jornalista Antônio Lopes. O evento será às 18h30min, na Casa de Cultura Jonas & Pilar (Praça Cristovaldo Monteiro, em Buerarema). 

Com o mar… abriga 57 crônicas, muitas delas “rascunhadas” neste Blog, na coluna Universo Paralelo, que publicamos em duas temporadas, a primeira a partir de 2010, a segunda a partir de agosto de 2012.

Neste quinto título, Lopes retoma a forma de expressão literária em que se fez conhecido do público regional:  Estória de facão e chuva (Editus/2005) e Luz sobre a memória (Agora Editoria Gráfica/2001) estão em segunda edição – respectivamente pela Editus e a Mondrongo. O novo livro tem apresentação do ficcionista e professor de literatura Aleilton Fonseca, da Academia de Letras da Bahia.

A crítica também tem sido favorável ao autor de Buerarema falando para o mundo:  se pronunciaram favoravelmente a respeito da produção do cronista que, segundo Hélio Pólvora, botou Buerarema no mapa da literatura.

O editor Gustavo Felicíssimo, que fez a segunda edição de Luz sobre a memória (Mondrongo/2013), afirma que a escrita de Antônio Lopes é contemporânea, simples, do nosso tempo, “pois é quando carrega no aspecto aparentemente despreocupado, como quem escreve sem maior consequência, muito embora com mergulhos profundos na memória e no significado dos atos e sentimentos humanos, que seus escritos saltam da página”.

Com o mar entre os dedos é o quinto livro de Lopes, o quarto de crônicas literárias e o terceiro publicado pela Editus-Editora da Uesc.

SERVIÇO
Com o mar entre os dedos, Antônio Lopes
Quando – Dia 20
Horário – 18h30min
Onde – Casa de Cultura Jonas & Pilar

WALDICK SORIANO II

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

O artista olhou pra ele, pediu mais uma, chegou mais perto e gritou: “é claro, porra!”

Perdoem-me a overdose “waldickiana”. Mas, além de comentários através de telefonemas e mensagens, o secretário Estadual de Cultura, Jorge Portugal, me contou duas histórias. Começo opinando sobre comentário do leitor, Sergio Malvar:

“Marival bem que poderia ter feito uma abordagem do lado positivo do artista baiano. Bem sei que o ser humano é composto de dualidade, daí só abordar o lado negativo é complicado.”

Meu caro Sergio, entendo que o embate em Itabuna teve desfecho positivo. Em vez de ficar magoado, Waldick foi cantar gratuitamente na janela do hotel. Atitude inusitada e grandiosa.

Do amigo Antonio Lopes, jornalista e escritor de mão-cheia: “Muito bom (não Waldick, o texto!). Não sabia desse arranca-rabo dele com meu compadre Hercílio Nunes, grande figura. Tenho lido semanalmente, com prazer, suas publicações no Pimenta. Bola pra frente!”

Uma informação fora deste contexto que merece ser compartilhada. Com bom humor e criatividade características, Lopes informa que está “finalizando um livrinho, que pretendo apresentar à Editus ainda este mês, esperando que cometam a insensatez de publicá-lo.”

De Cuiabá, a jornalista Luana Rodrigues escreveu: Fiquei saudosa. “Aos oito anos, em Fortaleza, cheguei empolgada para a professora e mostrei um autógrafo ‘de um artista famoso que me recebeu super bem no aeroporto.’ Ela olhou e disse: ‘Não tinha outro artista melhorzinho que o Waldick Soriano, não?’. Fiquei chateada e frustrada, kkkkkk. Beijos.”

Já o também compositor Jorge Portugal, me contou que, ainda garoto em Santo Amaro, entrou num bar e fez uma pergunta/provocação: “Waldick , Tortura de amor é realmente composição sua?”

O artista olhou pra ele, pediu mais uma, chegou mais perto e gritou: “é claro, porra!”

Anos depois, Portugal produziu show do cantor. Um grupo de ciganos ficou em frente ao palco. Quando ele chegou, tiraram o chapéu, curvaram-se e o chefão falou: “Sr. Waldick, estamos ao seu dispor”.

Encerro com mais uma confissão de Waldick: “passei dois anos num garimpo sem ver uma mulher. A salvação foi que meu pai mandou um presente.”

O que ele recebeu, não revelo nem sob tortura.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas semanais no PIMENTA.

ADVOGADO LANÇA LIVRO DE MEMÓRIAS, DIA 19

Humberto Cavalcante lança "Reminiscências".

Humberto Cavalcante lança “Reminiscências”.

Foto Humberto Cavalcante.1Reminiscências, do advogado Humberto Cavalcante, será lançado em Ilhéus, na sexta-feira (19), na Loja Maçônica Regeneração Sul Baiano (Rua Antônio Lavigne de Lemos), às 19 horas.

O livro resume a longa vida profissional do autor, tangenciando diversas atividades: Humberto, hoje residindo no extremo sul, atuou nos meios forenses de Itabuna e Salvador, em todas as áreas do Direito, com exceção da penal.

Antes, trabalhando desde cedo para manter-se, foi comerciante de farmácia, representante de laboratório farmacêutico (tendo chegado à gerência distrital), funcionário da Infraero e da Ceplac (entrou por concurso nas duas instituições) e corretor de imóveis.

Humberto Cavalcante é também apaixonado pelo jogo de xadrez, que estuda e pratica sempre que tem oportunidade. Participou de diversos torneios, e conquistou diversos troféus.  Numa simultânea nos anos setenta (quando um grande mestre enfrenta vários amadores), empatou com o campeão mundial Max Euwe (1931-1981). “Minha posição era ganha, mas fui tomado de nervosismo diante da possibilidade de vencer um Grande Mestre Internacional, fiz um lance passivo e cedi o empate”, lamenta o advogado.

Reminiscências (que sai pela Via Litterarum Editora/Itabuna) tem prefácio do jornalista Antônio Lopes.

ENTRE A ELEGÂNCIA E A FIDALGUIA

antônio lopes pimentaAntônio Lopes | abcdlopes@gmail.com

E saibam todos quantos este textinho lerem que o Barão recusou-se a morrer durante o Carnaval, para não entristecer a cidade nem piorar mais o trânsito. Aguentou o tranco até os albores da quarta-feira de cinzas, beijou Denise, sorriu e se foi. Será isto elegância ou fidalguia?

 

Com o Barão de Popoff, que nos deixou na madrugada de quarta-feira, morre um estilo. Exercício que costumo fazer (identificar pessoas ou situações numa palavra só) pensei que “elegante” seria apropriada ao Barão, mas me pus em dúvida: seria “fidalgo”?

Fiquei com as duas: Popoff era tão elegante quanto fidalgo (e saibam todos quantos este texto lerem que essa associação não é tão comum quanto à primeira olhada possa parecer). O comportamento, a forma como se colocava perante o mundo e as pessoas, a solidariedade, o ombro amigo, a paz que transmitia à sua volta, a nobreza dos gestos, a alegria autêntica – e contida, sem os exageros de certas pessoas – eram seus atributos.

Conheci-o nos longínquos anos sessenta, eu estudante do lendário I. M. E., ele morador numa travessa próxima, já casado com a professora Denise (irmã de um querido colega meu, César, e de uma grande admiração, Armando Oliveira).  A mim ele veio conhecer quase 40 anos mais tarde, quando eu fazia pesquisa para o livrinho Solo de Trombone – Ditos & feitos de Alberto Hoisel – e ele se tornou uma das fontes mais importantes.

Empresário de turismo e guia (após aposentar-se do Banco do Brasil), orientou-me na primeira viagem que fiz. Na casa de Farias, entre um uísque e outro (ah, meus tempos!), consultei-o sobre tal iniciativa, e ele, sem mais aquela, olhou-me de cima a baixo, sorriu e sentenciou:

– Seu perfil é Europa!…

Na mosca. Antiamericano por formação, francófilo não sei por que, achei curioso o diagnóstico de Popoff, mas não lhe pesquisei as técnicas e mistérios.

Hoje, descubro que o Barão se foi. Por estar adoentado e ser dono de incontrolável tendência para o ridículo diante de amigos mortos, não vou a suas exéquias. Indo, correria o risco de ter em manchete o meu escandaloso choro público. Faço-o, então, mais discretamente, no silêncio do meu quarto.

E saibam todos quantos este textinho lerem que o Barão recusou-se a morrer durante o Carnaval, para não entristecer a cidade nem piorar mais o trânsito. Aguentou o tranco até os albores da quarta-feira de cinzas, beijou Denise, sorriu e se foi. Será isto elegância ou fidalguia?

Antônio Lopes é jornalista.

POETISA GRAPIÚNA LANÇA LIVRO EM SALVADOR

Ceres Marylise com os jornalistas Marival Guedes (esq.) e Antônio Lopes no lançamento de Atalhos...

Ceres Marylise com os jornalistas Marival Guedes (esq.) e Antônio Lopes durante lançamento.

A poetisa Ceres Marylise, nascida em Ubaitaba e residente em Itabuna, lançou no último sábado, em Salvador, seu livro de poemas Atalhos e descaminhos, editado pela Editora Mondrongo, de Ilhéus.

O lançamento e deu na livraria Porto dos Livros (Avenida Sete, 3.564/Loja 2 – Porto da Barra) e contou com a presença de escritores, artistas em geral, jornalistas e amigos da autora, incluindo-se uma delegação de Ubaitaba.

Entre os residentes na Capital que foram prestigiar Ceres Marylise estavam as professoras Consuelo Pondé de Sena e Margarida Cordeiro Fahel e o escritor e jornalista Florisvaldo Mattos.

A poética de Ceres Marylise, sintetizada em Atalhos…, já ecoou em várias cidades brasileiras, a exemplo de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Bento Gonçalves, Brasília, Itabira e, na semana passada, Salvador. Após o lançamento em Paris, em março deste ano, a autora tem sido sondada para editar sua poesia em francês e espanhol, com adiantados entendimentos para leva-la a Lisboa e Coimbra.

Da esquerda para direita, Florisvaldo Matos, Consuelo Pondé e Margarida Fahel.

Florisvaldo Matos, Consuelo Pondé e Margarida Fahel participaram do lançamento.

ANTÔNIO LOPES LANÇA “LUZ SOBRE A MEMÓRIA” EM ITABUNA

Antônio Lopes

Obra ganha nova edição, atualizada e com duas crônicas inéditas.

Obra ganha nova edição, atualizada e com duas crônicas inéditas.

O jornalista Antônio Lopes lançará na próxima quinta-feira (6), às 19h, na Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), a nova edição do livro de crônicas Luz sobre a memória. O livro foi lançado em 2001.

O escritor apresenta novidades nesta edição. Às 34 crônicas da edição anterior, somam-se outras duas, inéditas.

Gustavo Felicíssimo, da Editora Mondrongo, informa que as crônicas foram feitas para o atual momento e as demais foram atualizadas em sua linguagem por Lopes.

A nova edição teve grande lançamento na Casa da Cultura Jonas & Pilar, em Buerarema, em dezembro.

A obra tem apresentação do saudoso Marcos Santarrita, que coloca o jornalista Antônio Lopes entre grandes nomes da crônica brasileira, dentre eles Machado de Assis e Fernando Sabino.

LANÇAMENTO ADIADO

O lançamento da nova edição de Luz sobre a memória, do jornalista Antônio Lopes, foi adiado para a próxima segunda (23), na Casa da Cultura Jonas & Pilar, em Buerarema. O adiamento ocorreu porque a gráfica que imprimiu o material não teve condições de entregar a segunda edição da obra em tempo hábil.

– Pedimos desculpas, em nome da Editora e dos demais promotores do evento (Jornal Agora e Instituto Macuco Jequitibá), mas prometemos a todos que faremos a festa devida no momento oportuno – disse Gustavo Felicíssimo, diretor da Editora Mondrongo.

ANTÔNIO LOPES LANÇA NOVA EDIÇÃO DE “LUZ SOBRE A MEMÓRIA”

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Lopes lança nova edição de “Luz sobre a memória” em Buerarema e Ilhéus.

Luzsobreamemória (1)
O livro de crônicas Luz sobre a memória,  do jornalista Antônio Lopes, chega às livrarias esta semana, em nova edição da Editora Mondrongo. Lançado em 2001, a coleção de 34 textos  está esgotada. “A edição atual tem duas crônicas inéditas, feitas especialmente para este momento, sendo que as outras crônicas tiveram a linguagem atualizada pelo autor”, explica Gustavo Felicíssimo, diretor da editora.

O livro será lançado na Casa da Cultura Jonas & Pilar, em Buerarema, na segunda-feira (23), às 19 horas.

O romancista Marcos Santarrita (1941-2011), que faz a apresentação do livro, lista Lopes entre os grandes cronistas brasileiros, ao lado de Machado de Assis e Fernando Sabino. – Lopes é um mestre da crônica, esse gênero ingrato e difícil, híbrido de jornalismo e literatura – diz Santarrita.

Já Felicíssimo afirma que “a crônica de Lopes é permanente, devido ao frescor de uma escrita que aproxima o simples e o profundo, aparentemente despreocupada, mas de olho no significado dos atos e sentimentos humanos”.

Atualizada às 15h33min

UNIVERSO PARALELO

PESADELO: OS BÁRBAROS ESTÃO CHEGANDO?

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1La FontaineTive um sonho (melhor: pesadelo) em que os Estados Unidos se preparavam para invadir o Brasil. Um amigo, a quem consultei sobre a estranha premonição, analisou o quadro e me diagnosticou com uma só palavra, pronunciada entre dentes e com olhar de pena: “Paranoia”. Sem me dar por vencido, argumento que eles consideram os três últimos governos brasileiros (Lula-Lula-Dilma) como “anti-americanos”; digo que aqueles gringos se acham os xerifes do mundo, com direito a invadir qualquer espaço, em nome da “democracia” ou mesmo em nome de coisa nenhuma. Lembram da fábula “O lobo e o cordeiro”, de La Fontaine? O lobo buscava razões para comer o cordeiro…

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Sob as justificativas de fome e força

Não encontrou motivos, mas o borrego foi almoçado assim mesmo, sob as suficientes justificativas de fome e força. Os americanos queriam invadir o Iraque, criaram o manto (ou o mito) das armas químicas e lá foram. Não encontraram tais armas, mas quem estava interessado nisso? Meu amigo me aconselha a abandonar a ficção e cair na real: “Tá certo que os americanos não são flores que se cheire, mas eles têm maiores preocupações do que o Brasil, pois vão invadir o Irã”. Não desisto. Eles já invadiram Cuba (bem menos importante do que o Brasil) e aqui, em 1964, derrubaram um presidente eleito e treinaram torturadores para o regime militar. E depois do Irã?

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Ele queria dobrar Lula e não conseguiu

Noto que, com essas lembranças, ele se mostra de semblante ensombrado. Aproveito o ferro quente, e malho, com esta pergunta: Qual foi o primeiro país latino-americano que Obama visitou? E ele responde, orgulhosão: “Brasil!” Pois é, digo, à  moda de Ataulpho Alves. Ele queria dobrar Lula e não conseguiu; depois, quis dobrar Dilma (quem é ele, tão fraquinho, pra enfrentar Dilmona!), não conseguiu… Quis dar uma de araponga, se ferrou, pois a velha Dilma descobriu a safadeza e até cancelou a visita… “Nada disso tem peso diplomático…”, disse ele, pouco convicto. Aí, fui-lhe à garganta: E o petróleo do pré-sal? Ele pôs as mãos na cabeça: “Meu Deus!”

ENTRE PARÊNTESES, OU

4convite2Literatura regional em tempo de festa
A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) promove de 21 a 24 deste mês a I Feira Universitária do Livro, uma espécie de festa da literatura regional. Nomes como Aleílton Fonseca, Ruy Póvoas, Cyro de Mattos e Antônio Lopes terão o lançamento coletivo de escritos seus publicados pela Editus.  Aleílton e Ruy, além de autografarem suas produções recentes, terão um “papo literário” com a plateia, quando discorrerão sobre o tema “Novas leituras, novos leitores” – isto tudo no dia 21, às 19 horas, no Auditório Paulo Souto.  No dia 23, teremos Daniela Galdino, Aquilino Paiva e Gustavo Felicíssimo discutindo a literatura grapiúna de hoje (sala de treinamento da CDRH às 9 horas).

“O MUNDO EVOLUIU. É UMA PENA DANADA”

5PattonO general Patton, saudosista incorrigível (interpretação magistral de George C. Scott), diz a Dick, seu ajudante de ordens, que gostaria de decidir, pessoalmente, a II Guerra: “Rommel no tanque dele, eu no meu. Pararíamos a uns 20 passos, apertaríamos as mãos, depois combateríamos, só nós dois. O combate decidiria a guerra”. Responde o subordinado: “É uma pena que os duelos tenham saído de moda. É como sua poesia, general, não faz parte do século XX”. E o general, com ar tristonho: “Tem razão, Dick. O mundo evoluiu. É uma pena danada”. As frases estão no magnífico Patton – rebelde ou herói?, de Frank J. Schaffner.
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Sem bom texto, não existe bom cinema

A publicitária carioca Mariza Gualano, fã de cinema, selecionou cerca de 840 frases de mais de 600 filmes, para o livro Ouvir estrelas. Aqui, aproveitando o tema, algumas frases sobre guerra: “Acusar um homem de assassinato por aqui é como multar alguém por excesso de velocidade na Formula Indy” (Martin Sheen, em Apocalipse); “Eu não sirvo para a guerra, pois dormi com a luz acesa até os 30 anos” (Wood Allen, em A última noite de Boris Grushenko); “Sobreviver é a única glória da guerra” (David Carradine, em Agonia e glória); “Eu gosto do cheiro de napalm de manhã. Cheiro de… vitória” (Robert Duvall, em Apocalipse).

A BOA MÚSICA BRASILEIRA “IMPORTADA”

7Leny AndradeA baiana Rosa Passos é um desses acontecimentos comuns à MPB: cantora que, a exemplo de Virgínia Rodrigues, Bebel Gilberto e Leny Andrade (foto), para citar apenas três) é mais conhecida no exterior do que no Brasil (observe-se que Leny Andrade é a cara da simpática professora itabunense Ritinha Dantas!). CDs dessas artistas são pouco encontrados nas lojas, dando a eles características de “importados”. Voltemos a Rosa, para dizer que ela é fã ardorosa de João Gilberto, segue-lhe os passos (ai!), toca violão ao estilo dele. Chegou a gravar um disco chamado Amorosa, que repete o Amoroso de JG, acrescido de umas poucas faixas. Mas Rosa Passos não pretende ser nenhum “João Gilberto de saias”.
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Presença de duas feras  internacionais

A expressão desrespeitosa foi empregada por um repórter, que ouviu o que não queria. Rosa Passos é Rosa Passos, cantora e compositora de recursos próprios – e diz do seu ídolo aquilo que muitos colegas seus sentem, mas nem sempre expressam claramente: “João Gilberto amigo/ eu só queria/ lhe agradecer pela lição”, canta a artista, em “Essa é pro João”, faixa nove do CD “importado” Amorosa. Prova do prestígio de Rosa Passos “lá fora” é a presença nesse disco de duas feras internacionais: o clarinetista cubano Paquito D´Rivera e um grande nome do jazz na França (falecido em 2008, aos 90 anos), Henri Salvador.

O.C.

ARAUTOS DA ESPERANÇA

campus jorge amado ufesbaEditorial do Jornal Agora

O prefeito de Itabuna, Vane do Renascer, não é dado às sentenças morais, ficando distante, em tempo e intenções, do Marquês de Maricá. Adiante-se, com desculpas a quem já o sabe, tratar-se de Mariano José Pereira da Fonseca (1773-1848), político e escritor da fase imperial do Brasil. Mesmo assim, o dirigente itabunense saiu-se bem ao apontar, no ritual de criação da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a sexta-feira (20) como “data histórica”. A UFSB, disse o prefeito, é “uma das mais importantes conquistas de Itabuna e região”. É bom saber que ele conhece a exata dimensão desse projeto.

Observando-se o comportamento da chamada sociedade organizada, atinge-se o sentimento de que,até agora, certos setores, sempre atentos na pregação contra o governo federal,não se aperceberam do significado da nova academia. Nem se considere exagero admitir(isto é visível nas diversas mídias regionais) a existência de grande torcida contra o projeto. A não concretização da UFSB seria, nesta perspectiva negativa, motivo para festejo de mais um fracasso da atual administração, mais uma promessa não cumprida etc. E como 2014 é ano de eleição, a palavra de ordem do momento é “quanto pior, melhor”.

Na semana passada, uma equipe de educadores, liderada pelo reitor Naomar de Almeida Filho, esteve entre nós, durante três dias, para estabelecer planejamento de trabalho e, prioritariamente, redigir a Carta de Fundação da nova Escola. Tal grupo de mestres e doutores, em outro local e circunstâncias, seria recebido com tapete vermelho. Para tanto, precisaríamos entender que esses “desbravadores”,portadores de nova proposta de política educacional, estão para nós como o iluminismo esteve para as trevas do século XVIII. São agentes da mudança, semeadores de ideias, arautos da esperança dos jovens.

Ao reconhecer na instalação da Universidade uma marcante “data histórica”, o prefeito Vane do Renascer externou, consciente ou inconscientemente, o que vai no imaginário daqueles que colocam o desenvolvimento regional acima das questiúnculas ideológicas. A UFSB é o farol no fim do túnel.

UNIVERSO PARALELO

PASSE LIVRE E A CONTRADIÇÃO ABERTA

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1SimancaOs tipos mais conservadores, que querem tratar os movimentos sociais na pancada, uniram-se aos progressistas, em apoio ao Movimento Passe Livre (MPL), escancarando uma contradição. Coerente mesmo foram as PMs da Bahia e de São Paulo, fazendo o que é da sua tradição fazer: baixar o pau (v. charge de Simanca). Cientistas sociais e palpiteiros em geral estão incertos quanto ao que pretende a massa: vagamente, menos corrupção, mais educação (quase criei uma “palavra de ordem”), mais saúde pública, menos futebol, mais seriedade com o dinheiro público, menos safadeza…  No atacado, todos aprovamos esta pauta, mas falta a ela o varejo, o foco concreto e claro.

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Movimento (ainda) simpático à direita

Tem sido uma festa protestar contra tais coisas (e ainda a sogra chata, o vizinho ranzinza e o preço do tomate), mas não me divirto tanto. Entendo ser este um movimento de esquerda (se me permitem usar a velha classificação francesa, para mim ainda válida). E a direita não tarda a tratar essa turma como trata índios, sem-terra e semelhantes, todos incluídos na vasta lista de “baderneiros”. Por menos disso ela já derrubou um presidente e pôs o Brasil em “ordem unida” durante 21 anos, enquanto arrancava as unhas dos descontentes. Freado o aumento das tarifas, o MPL, ao voltar às ruas (espero que volte), deverá focar-se em um dos muitos problemas nacionais.

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“DOR DE AMOR DÓI MAIS DO QUE BURSITE”

3Dor de amorO verbo amar transitivo indireto (com a preposição “a”) foi, em tempo que longe vai, exclusivo jargão religioso. “Amar a Deus sobre todas as coisas”, está grafado na tábua. A gramática quer, em relação a coisas e pessoas, o verbo não preposicionado. Amar era também de uso menos extenso: homens amavam mulheres, mulheres amavam homens, homens e mulheres amavam suas mães, estas os amavam sem medidas… Os para-choques repetiam uma frase produzida por alguém de coração dilacerado (ou vítima de crônica subliteratura): “Amor só de mãe!” – ai que me embriago de tanta poesia! Compreende-se. Quem leu Rubem Braga sabe que “dor de amor dói mais do que bursite”.
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Velha calça desbotada ou coisa assim
Voltando ao amar transitivo direto, diga-se que ele foi “democratizado”. Amavam-se pessoas, hoje se ama praia, macarrão com queijo, sorvete de coco, carro novo, a velha calça desbotada e, de moto, ama-se o vento na cara. São modismos que o tempo nos traz: conheço uma jovem senhora que ama seu iPhone de recentíssima geração (será isto o chamado sexo virtual que nunca entendi?). A boa linguagem, pela qual poucos na mídia ainda se interessam, recomenda que se goste das coisas citadas acima, sendo vedado amá-las. Se, por acaso, alguém não sabe a diferença entre gostar e amar, que tente beijar uma máquina. Adianto-lhes que não funciona, a não ser que seja uma… “máquina”.
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5Batata fritaAdoração ao arroxa e à batata frita
Cartola, em licença poética escreveu: “Não quero mais amar a ninguém…”, e caiu em “erro”, por usar a forma “religiosa” (“Não quero mais amar ninguém”, diz a norma). E quase tudo que foi dito vale para o verbo adorar, que igualmente nos remete à igreja. Adorar só a Deus e signos sagrados, era assim que era. Depois, o povo, que não está nem aí para gramáticas e gramáticos, mudou a regra. Hoje, com todo respeito, adora-se batata frita, novela de tevê, show de arrocha e de dupla “caipira”. Pelo sentido “clássico” do termo, tem-se a ideia de que o maluco se ajoelha diante do pacote de fritas e também genuflectido assiste à novela das nove. Medonhos tempos, estes.

QUEM DERA QUE ESSA RUA FOSSE MINHA!…

As ruas nos falam de dados momentos, lembranças que ficaram. “Se essa rua fosse minha/ eu mandava ladrilhar/ com pedrinhas de brilhante/ só pra ver meu bem passar”, diz o antigo frevo Vassourinhas. Antônio Maria (“o bom Maria”, como o chamava Vinícius, seu colega de quarto), morando no Rio e, ferido de saudades da terrinha, abre seu Frevo nº 3 dizendo: “Sou do Recife, com orgulho e com saudade”, para depois introduzir “Rua antiga da Harmonia,/ da Saudade, da Amizade e da União…/ São lembranças noite e dia”. Em poucos versos, quatro ruas de nomes sonoros, que mexem com os sentimentos da gente: harmonia, saudade, amizade, união.
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7AlceuMachado de Assis fala das ruas do Rio

Meu endereço em Buerarema era Manuel Vitorino, 6 (esquina com Siqueira Campos) – mania que as pessoas têm por vultos estranhos à cidade. Isso mudou um pouco. Já temos na antiga Macuco as ruas Paulo Portela, Manuel Lins, Pastor Freitas – personagens locais e já mortos, comme il faut. Mas eu queria falar era do fascínio que os nomes de ruas exercem sobre mim e, pelo que vejo, em vários autores. Lembro aqui de três deles, tocando o tema: Machado de Assis, Antônio Maria e Alceu Valença. Nos contos de Machado é possível saber muito do velho Rio, pelas ruas que o mestre cita: Larga de S. Joaquim, da Alfândega, do Lavradio, da Quitanda e, naturalmente, do Ouvidor.

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Um amor que sumiu nas ruas do Recife

“Sob uma chuvinha miúda, triste e cortante, como no enterro de Brás Cubas, o menino passeia sua melancolia por estas ruas que, transeuntes apressados sequer suspeitam, lhe pertenceram um dia. E chora as mudanças: mudou a cidade, mudaram os tempos, mudou ele, que ficou depressivo e meio adulto, morreu de velha a caramboleira, silenciaram os sabiás e bem-te-vis da infância que se foi” (Antônio Lopes: Luz sobre a memória – Agora Editoria Gráfica/1999). Perdidão da Silva, Alceu Valença parece procurar seu amor sumido nas ruas do Sol, da Aurora, da Matriz, das Ninfas, da Boa Viagem, da Soledade – mas como sempre acontece em casos semelhantes, o esforço é vão.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

BILHETE A UM JOVEM REDATOR DE JORNAL

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Em resposta a certa indagação, faço uma espécie de “carta a um jovem redator”, um bilhete, talvez. Digo-lhe: fuja do lugar-comum com a rapidez com que o Capeta corre da água benta. E tente riscar do seu vocabulário certas expressões: se lhe vier à boca “perguntar não ofende”, puxe as próprias orelhas e, enquanto elas ardem, a vontade passa. É garantido. Este método tão singelo também serve se lhe ataca um frenesi de dizer “a pergunta que não quer calar”. Não diga essa bobagem, pois você corre o risco de dirigir-se a um entrevistado inteligente (às vezes, ele é burrinho, mas o público, não). Tenha um olho na entrevista e outro no leitor, bicho decididamente no fim do ciclo de vida.

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Acalente a esperança de mudar o mundo

2RilkeOutra: nunca, jamais, em tempo algum se deixe vencer pela tentação de afirmar que tal coisa, atitude ou pessoa “faz a diferença”. Esta expressão está mais surrada do que notícia da contratação de Adriano, dito Imperador. No mais, como jornalista, conserve acesa a chama da esperança de mudar o mundo – mas antes procure mudar seu texto, em processo de contínua melhoria. Rainer Maria Rilke (1875-1926), que me soprou esta tirada, jogou duro numa de suas Cartas a um jovem poeta, dureza que transponho. “Pergunte a si mesmo, na hora mais tranquila de sua noite: ´Sou mesmo forçado a escrever?´”. Se a resposta for não, contente-se em saber que nem todos vieram ao mundo para ser jornalistas.

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“A aprendizagem é uma longa clausura”

Chamado a redigir anúncios (isto há de ocorrer, cedo ou tarde) não deixe que o cliente enxerte no texto coisas do tipo “ligue agora, está esperando o quê?” ou, esta, também abominável: “a prestação cabe no seu bolso”. Se ele insistir, desista: vá-se o cliente, fique a qualidade. Lembre-se de que você não é casa de tolerância, onde quem paga tem todos os direitos. Voltemos ao velho Rilke: “Pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar, têm que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar, mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura”. Troque amar por escrever e… boa sorte.

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DE HISTÓRIA, POESIA E AFRODESCENDÊNCIA

4O quibe no tabuleiro da baianaIntegrada ao seu tempo, a Editus, Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, acaba de entrar para o contemporâneo segmento dos livros digitais. Já estão disponíveis para leitura na maquininha três autores antes editados em papel: Ruy Póvoas (Versorreverso, Itan de boca a ouvido, A fala do santo e Itan dos mais velhos), Maria Luísa Silva Santos (O quibe no tabuleiro da baiana) e Antônio Lopes (Solo de tromboneditos & feitos de Alberto Hoisel). É só clicar e ler, sem mais desculpas, pois é de graça feito o ar que se respira. Sem trombetas ou megafones, confetes ou serpentinas, a Editus abre caminho para um excelente programa de leitura.
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“Meu sorriso, meu olhar, minhas mãos”
De Ruy Póvoas, escritor de méritos reconhecidos e ser humano sabidamente bom, nobre e justo, vai aqui o poema “Repetição”, pescado em Versorreverso: “Já te disse tudo. # Disse com meu sorriso,/ disse com meu olhar,/disse com minhas mãos,/ disse com meu cantar. # Disse com minhas crises,/ disse com os meus textos,/ disse com o meu corpo,/ disse com o coração. # Disse com minha glória,/ disse  com minha história,/ disse com o meu medo,/ disse com devoção.# Disse com minha alma,/ disse com minhas dores,/ disse com meus temores,/ disse com minha calma,/ disse com meu sofrer. # Agora, fico calado,/ mas até o meu silêncio/ é outra forma de dizer”.

(ENTRE PARÊNTESES)

6 MarcosTenho em mãos os originais do último livro de Marcos Santarrita (1941-2012), À sombra dos laranjais. Versado em romance histórico (fez, nesta linha, Mares do sul e Ilha dos trópicos – além de uma trilogia sobre a ditadura militar), o autor agora ambienta sua narrativa na Guerra do Paraguai. Tendo entre os personagens figuras como Caxias, Osório, D. Pedro II e Solano López, Santarrita desfia uma história de amor e guerra, sexo, espionagem e traição. Resultado de exaustiva pesquisa, o texto reconstitui usos e costumes da época, tendo até diálogos em guarani. À sombra… é o oitavo romance de Marcos Santarrita.

“NEGRA, POBRE, PROSTITUÍDA E DROGADA”

7 Billie e PrezEsqueçam o que eu escrevi. Lembram-se desta frase de famoso presidente? Tomo-a emprestado, noutro contexto, para mudar explicação aqui dada a respeito do registro, em 1958, de Fine and mellow, por Billie Holiday com um grupo all stars. Descrição muitíssimo melhor do que a minha é a de Sylvia Fol, em Billie Holiday (Coleção Biografias L&PM Pocket, tradução de Williams Lago/2010). É a pungente história de uma mulher negra, pobre, prostituída, drogada, de voz lânguida e vigorosa, que influenciou centenas de vocalistas. Não só sinônimo de jazz, Billie é também um caminho para a liberdade. A seguir, o texto de Mrs. Fol, em tradução livre.
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Para “Prez”, um olhar inesquecível

“Billie escuta os solos dos três melhores saxofonistas tenores da era do swing com reações diferentes. Cheia de boa vontade para com Ben Webster, plena de admiração com Coleman Hawkins. Marcando o ritmo, um vago sorriso erra sobre seus lábios, seus olhos se entristecem… Depois, Lester Young, parecendo extenuado e doente, se levanta, volta o rosto inchado para Billie, os olhos são fendas sem vida. Toca, com ar distante, mas seu solo, expressivo e sensual, é de uma nostalgia perturbadora, como se seu último suspiro fosse inspirado por essa mulher tão amada… Billie cobre ´Prez´ com um olhar inesquecível, cheio de bondade, ternura e reconhecimento”. Eu que agradeço.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

ENTREVISTA QUE PARECE FRATURA EXPOSTA

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1 ECAUm programa de tevê usou (é literal o termo) uma criança para entrevistar, comprometer e constranger o deputado José Genoíno – criando uma grande polêmica sobre se houve ou não arranhões ao direito da criança, definido em lei. Como este espaço fala de jornalismo, mesmo que ninguém haja pedido minha opinião, dou-a, ainda assim. Deixo a criança ao juizado competente e atenho-me à outra face, o “entrevistado”, para dizer que “arranhão” é muito pouco: o que percebi foi a ética gravemente traumatizada, algo comparável a uma fratura exposta. Genoíno, condenado pelo Supremo Tribunal, não é santo, mas não cabe à mídia fazer-se de carrasco e executar penas.

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Chegaremos à tortura de entrevistados?

Diria aos jovens repórteres que o recurso da câmera escondida, comum nas tevês, me cheira a jornalismo policialesco, um segmento que me ocorreu inventar agora, e que nada tem de bom: tapeia-se o entrevistado para lhe “arrancar” o que ele não quer dizer. Se todos os meios são válidos para obter declarações (até explorar a inocência de crianças), daqui a pouco teremos “repórteres” torturando entrevistados, só para saber o que estes têm a declarar. Se o entrevistado não quer falar, precisamos respeitar seu direito (lembrem-se de que os tribunais, que têm a força, respeitam essa prerrogativa). Se Genoíno não quer falar à imprensa, está no direito dele.

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A lição que toda mãe pode transmitir

3Código de éticaEncerrando, uma observação para os repórteres que ainda raciocinam fora dos padrões em voga: todo entrevistado tem o sagrado direito de, em frente à mídia, saber com quem está falando e a que veículo pertence quem o entrevista. Se esse contato não for feito às claras, estaremos empregando truques e artimanhas que não pertencem à profissão, e tampouco a engrandecem. No mais, se alguém achar que esta coluna defendeu o deputado não terá entendido nada. Aproveitando, uma “lição” sobre ética, que qualquer mãe é capaz de transmitir ao filho (e que serve não só para o jornalismo, mas para a vida): trate os outros da forma como gostaria de ser tratado.

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(ENTRE PARÊNTESES)

Com nada menos do que três e-mails (supostos) leitores desta coluna perguntam onde e como adquirir o livrinho Estória de facão e chuva, do qual a Editus/UESC fez recentemente a segunda edição. Creio que, em sendo a leitura artigo de quarta necessidade, toda uma trinca de leitores potencialmente interessados já ascende o autor ao seleto panteão dos best-sellers regionais, e para atender a tanto interesse esta nota foi feita: Estória… está à venda (além da loja de varejo da Editus, na UESC) na Livraria Nobel, no Shopping, Itabuna, e na Livraria Papirus, na Dois de Julho, Ilhéus.

AUTOR “BRITÂNICA” DIVULGA OBRA DE MARX

David HarveyLeio, com alguma surpresa, este título de primeira página (os inventores de desnecessidades agora chamam primeira página de… “capa”!) num dos principais jornais de Salvador (um que antigamente se gabava de só “dar” verdades): Britânica explica obra de Marx. “Britânica”?  – me interrogo, olhando a cara barbadíssima e nada feminina do geógrafo britânico David Harvey, especialista no pensador alemão que remexeu o mundo e até hoje provoca insônia e urticária na sociedade capitalista. E retornei à antiga dúvida: as razões que levam a mídia a erros tão grosseiros (no caso, uma expressão com cinco palavras, que passou pelas vistas de várias pessoas na redação).
“Poucos se arriscaram a chegar perto”
Mas deixemos de lado o que não tem conserto e, parece, nunca terá. Importante é que o estudioso, com o livro Para entender O Capital (que está à minha cabeceira) incita o público a (re) visitar um dos autores mais importantes da humanidade, um de quem, nas palavras de Harvey, “todos já ouviram falar, mas poucos se arriscaram a chegar perto”.  Aos que, movidos por mercantis filosofias, trombeteiam “o marxismo acabou!”, o analista “britânica”, com 40 anos falando do tema em universidades americanas, afirma que o pensamento daquele barbudo com cara de Jorge Araujo pode ser usado para entender o mundo de hoje – e aponta condições de trabalho (China, Tunísia e México) “similares ao que Marx previu”.

WILSON SIMONAL E O TEMPO DAS CINZAS

7Simonal-SarahUm jovem cantor negro brasileiro dialoga com uma das divas do jazz, tratam-se como iguais e ele até a leva a pronunciar, em português, bobagens como “vou deixar cair” (uma gíria da época). O cantor é Wilson Simonal, aos 30 anos; a diva é Sarah Vaughan, com 45; o ano, 1970. Em outro momento, no Maracanãzinho lotado, ele transformou o público num imenso coral e pôs todos a cantar Meu limão, meu limoeiro em duas vozes, afinados, no tempo certo. Era o “Coro dos 30 mil”, regido por Simonal, que estava com tudo e não estava prosa, até vendia “Para, Pedro!” na França (alguém se lembra?), rivalizava em popularidade com Roberto Carlos. Mas como não há bem que seja eterno, veio o tempo cinzento.
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A queda tão rápida quanto a ascensão

Simonal sumiu das paradas, deixou de fazer shows, ninguém queria gravá-lo mais. Seu crime? Divulgou-se que ele era dedo-duro do DOPS, a entidade que investigava, prendia, torturava e matava os inimigos da ditadura militar. A queda foi rápida como a subida: em 1975, na RCA Victor, a todo vapor, em 1980 grava na Copacabana e vende pouco, em seguida o mesmo resultado na Ariola, vai de déu em déu, até seu último registro, na Happy  Sound (?) em 1998. Em 2000, esquecido e execrado, morreu de cirrose, provocada pelo alcoolismo em que mergulhou. Calava-se uma das mais esmeradas vozes da MPB. A familiares, o cantor dissera, pouco antes: “Eu não existo na história da música brasileira”. No vídeo, Simonal antes da queda, durante show em Lisboa.


(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

A VANTAGEM EM COMPRAR DISTANTE DA LOJA

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1VendedorNão sou bom com vendedores de livrarias e casas de discos. Muitos deles lá estão sem nenhum treinamento prévio, nada entendem de técnicas de vendas, não conhecem o produto com que trabalham. Em tempos imemoriais, eu resolvia este problema comprando pelo reembolso postal (os avós do amável leitor sabem do que estou falando). Depois veio a internet e me transformei num habitual comprador em lojas online.  Nunca tive problemas sérios (recentemente adquiri uma coleção de 25 CDs da Folha de S. Paulo e faltaram duas unidades: reclamei e foram repostas rapidamente). Pela internet não tenho de lidar com vendedores ignorantes e mal-humorados.

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O  jazz tratado como caso de polícia

“O livro de Billie Holiday (Lady sings the blues, da Brasiliense), lançado nos EUA em 1956, teve sua versão brasileira entre os mais vendidos de 1985, provando que o jazz é viável como negócio de livraria. Para os jazzófilos de qualquer idade, esta leitura é apaixonante e única. Afinal, a bibliografia por aqui é raríssima, discografia não existe e a ignorância dos que se dedicam ao negócio é, simplesmente, assombrosa: dia desses, mencionei a palavra jazz numa casa de discos de Itabuna, a mocinha ficou corada do dedão do pé à raiz dos cabelos e ameaçou chamar a polícia…” (Antônio Lopes – Buerarema falando para o mundo/1999).

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ENTRE PARÊNTESES

3Abel PereiraChova ou faça sol, haja frio enregelante ou calor de derreter o asfalto, qualquer tempo é tempo para se falar (bem) de Abel Pereira. Nesta lembrança, eu, que não sou poeta (“O que sou eu, afinal?” – a interrogação aflitiva ecoa dentro de mim), brinquei de fazer haicai. Nada sério, só saudade daquele bom e simples Abel Pereira que, já com mais de 90 anos quando o conheci, não me permitiu chamá-lo de “seu” Abel. Pedindo clemência à gentil leitora pela pieguice explícita, aqui vai o que parece ser uma eterna lida do homem:

 

Este amor tão puro

 

Tenta noite e dia abrir

Teu coração duro.

EM LITERATURA, É O LEITOR QUEM DECIDE

Em era que longe vai publicava o extinto Jornal do Brasil (bons tempos, aqueles!), semanalmente, uma seção chamada “O que você está lendo?”, com esta pergunta sempre dirigida a pessoas famosas, é claro. Por ali pesquei várias dicas de leitura, às vezes me dei bem, às vezes, não. É que opiniões sobre literatura (e acho que arte, em geral), por mais “técnico” ou “inteligente” seja quem opine, é sempre avaliação pessoal. O que um crítico conceituadíssimo como Wilson Martins, por exemplo, recomenda não vai, necessariamente, me agradar. Só acredito lendo. Voltando ao JB, foi naquela seção que “descobri” José Saramago. O ator José Lewgoy estava lendo A jangada de pedra – e eu fui na onda (ops!).

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5Harold BloomJosé Saramago, antes de ganhar o Nobel

Li A jangada… tão logo me foi possível, e fiquei zonzo: aqueles parágrafos imensos, às vezes tomando toda a página, me dificultaram o entendimento do que o autor queria dizer. Saliente-se que Saramago, naquele fim de 1986, não era o quase best-seller de hoje, Prêmio Nobel lido e aprovado até pelo festejado Harold Bloom: era pouco conhecido por aqui e digo que “estive a consultar” dois intelectuais itabunenses (de quem, compreensivelmente, omito os nomes) que de nada sabiam. No terceiro (aconteceu na fila do Banco Itaú), soube que José Saramago era “grande escritor português, um escritor verdadeiro”. Assim me falou, de passagem, Hélio Pólvora, mas este não conta, porque leu tudo (não de tudo!).

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Atenção ao som e ritmo das palavras

Mais tarde, já consagrado, Saramago ouviu de um escritor um problema idêntico ao meu, a crítica à narrativa de difícil compreensão. O autor de Caim não passou recibo, não se mostrou disposto a alterar o modelo de escritura, dizendo que seu texto devia ser lido uma segunda vez, com atenção ao som e ritmo das palavras, sugerindo até que se leia em voz alta (ou se imagine uma leitura em voz alta). Parece-me que, por aí, ele se equipara a Guimarães Rosa, cuja beleza da escrita costuma “esconder-se” ao primeiro contato, para desabrochar numa segunda (ou terceira!) visão. Fico “a imaginar” (estou hoje, reconheço, um tanto lusitano) se todo autor não merece esta homenagem da segunda leitura.

 

UM NAMORADO DE ROSTO “INFOTOGRAFÁVEL”

7BroadwayJá virou lugar-comum neste espaço coluna: as canções mostradas aqui tiveram gravação de “todo mundo”. Por não ser especialista, nem a coluna ser lugar de experimentações, trato apenas de temas consagrados do jazz (os ditos standards), que os leitores já conhecem. É o caso de My funny valentine, da dupla de midas Rodgers-Hart (o que eles tocam vira sucesso), que já teve mais de 1.200 gravações. No original (uma peça da Broadway, de 1937), Valentine é o rapaz – ridicularizado pela namorada. Ela fala da cara risível (laughable) dele, que é “infotografável” (unphotographable) etc. Mas ele a faz rir e, portanto, não precisa mudar nem um fio de cabelo (don’t change a hair for me). Letrinha boba.
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Chet Baker, aos 58 anos, parecia ter 80

Tóquio, 1987. No palco, um Chet Baker devastado pela heroína. Ao seu lado, músicos de alta qualidade, embora os críticos não lhes reconheçam a excelência que o trompetista merecera outrora: Harold Danko (piano), Hein van de Gein (baixo) e John Engels (bateria), no show que resultou num CD duplo, com 11 faixas. Destacamos a quinta do CD 1, My funny valentine. A voz pequena e frágil de Baker teria inspirado um certo João Gilberto a fazer uma revolução no Brasil. Para mim, simples ouvinte, este solo de Chet é um emocionante momento do jazz: definhando a olhos vistos, o trompetista encontra pulmões para uma surpreendente cascata de notas. Morreu no ano seguinte, aos 58 anos. Parecia ter 80.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

DIANTE DA MÁQUINA, ABRA UMA VEIA

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Sobre as dificuldades de escrever já foi dito tudo (resisto a de tudo, conforme a detestável moda). Autores afirmaram escrever para não morrer, este para não se sentir só, aquele para se sentir vivo. Outros fazem versos como quem chora, e há ainda os que parecem escrever apenas para abusar da nossa paciência de leitores. Alguém com pendores para a economia de linguagem resumiu escrever a “cortar palavras”, enquanto Fernando Sabino diz que escrever é muito fácil: “basta sentar-se diante da máquina e abrir uma veia”. Claro que esses falares (melhor, escreveres?) são dos grandes, os que escrevem obra duradoura. Eu, escrevinhador de planície, tenho outras dúvidas e problemas.

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Dromedários são niilistas e fatigados

Luto profissionalmente com as palavras já faz pra lá de meio século, mais tempo do que tem de vida a gentil leitora (e o faço, tal qual o poeta, mal rompe a manhã). Por isso, tenho cá os meus truques, ditados pela prática, que não é pouca, não pela teoria, quase nenhuma. Sou, portanto, um dromedário, gíria antiga das redações, tão antiga que é difícil encontrar alguém na Fenaj que a conheça: dromedário é o antônimo de foca – o foca está sempre de nariz pra cima, farejando o grande “furo” de sua vida; o dromedário é niilista, fadigado, acha que já viu tudo (de tudo?) e pouco há no mundo que valha a pena. Dromedário é foca com desencanto; foca é dromedário com esperanças de mudar o mundo.

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A escrita entre o trabalho e o prazer

Telmo Padilha ensinava uma lição: discipline-se, escreva sempre, tente criar. Muitas vezes esse produto não valerá a pena, será descartado, mas o que importa é fazer. Outro truque aprendi com a vida: – texto é como massa de bolo, precisa “descansar”. Então, escreva e, se possível, engavete o trabalho por algum tempo, depois releia. Quase sempre as emendas saltarão aos olhos. Infelizmente, nós jornalistas trabalhamos sob pressão do tempo, sendo comum só vermos a bobagem que fizemos quando ela já está exposta nas bancas. Para Saramago, Nobel de Literatura, a escrita é só trabalho, sem prazer. Para mim, escriba municipal, é prazer, quase sem trabalho. Outra dica: se você escreve mais do que lê, desconfie.

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(ENTRE PARÊNTESES)

Dia desses mencionei Fernando Leite Mendes e seu livro de crônicas, cujo título presta homenagem à professora Alina, filha do advogado Afonso de Carvalho (nome que ela deu à escola famosa, já extinta). Conta-me Lino do Vale Coelho, coleguinha do lendário Instituto Municipal de Educação, que esse Afonso de Carvalho era homem fino, pra lá de elegante. Tanto assim que, certa vez, provocado por um desafeto, achou-se no dever de dirigir a este uns desaforos, mas o fez sem perder a linha. De paletó, gravata e colarinho duro de goma, foi ao Correio e de lá enviou ao mal educado um telegrama vazado nestes termos enigmáticos e ameaçadores: “PLANTEI BANANEIRA PT AGUARDE CACHOS SDS”. Xingar a mãe do atrevido nunca lhe passou pela cabeça.

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UMA FOLHA DE ALFACE PREGADA À LAPELA

“As lendas sobre Thelonious Monk (um gênio renovador da linguagem do piano de jazz) foram enriquecidas por determinadas atitudes bizarras assumidas pelo músico: conta-se que ele costumava passar dias e dias na cama, em completo mutismo, fingindo-se de morto, com um gorro vermelho à cabeça. Quando na rua, completava sua elegância indiscreta com uma folha de alface pregada à lapela e, além disso, repetia seu aforismo preferido, aparentemente lógico na sua insanidade: É sempre noite; se não fosse assim, não sentiríamos necessidade de luz (Antônio Lopes: Buerarema falando para o mundo – Letra Impressa/1999)”. O velho Monk nunca foi santo.

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“Desligado, insociável e taciturno”

Certa vez lhe perguntaram quem exercera maior influência sobre ele. A resposta: “Eu, naturalmente”. Depois de um começo difícil (sua música era tida como “incompreensível”), o sucesso lhe chegou a tal ponto que o levou à capa da Time, indiscutível atestado de êxito. É descrito como casmurro, difícil, insociável, taciturno, solitário, desligado. Conta-se que passou os dois últimos anos de sua vida quase sem falar, alheio a tudo que o cercava. Tem lugar no panteão do jazz, como um dos maiores pianistas do gênero. Entre seus temas mais conhecidos estão Misterioso, Crepescule with Nellie, Monks´dream, Something in blue e, o meu preferido, Round midnight.

Uma cantora de jazz muito “brasileira”

Carmem McRae (1920-1994) foi amiga de Billie Holiday, de quem sofreu influência, cantou com a orquestra de Count Basie e, no início dos anos 50, ganhou o prêmio de melhor cantora revelação da poderosa revista Down Beat. Tinha excelente formação musical (estudou piano) e era conhecida dos brasileiros (esteve aqui quatro vezes, a última delas em 1985). Gostava de caipirinha, feijoada e MPB – incluiu no repertório Flor de liz, de Djavan. Era exigente na escolha do que cantava, dos músicos que a acompanhavam e na produção de seus discos. Em 1988, fez o álbum Carmem sings Monk, em homenagem a Thelonious Monk – do qual tiramos este Round midnight.

Maysa e os “clássicos” americanos

As gravações de Round midnight mais divulgadas são instrumentais, mesmo que entre as versões cantadas estejam nomes como Sarah Vaughan e Ella Fiztegrald. No Brasil, Maysa, que cantou os grandes clássicos da música americana, gravou Round midnight (e também I love Paris, Mean to me, What’s new? Autumn leaves e outros standards). Aqui, por invenção da coluna, Carmen McRae canta sobre imagens do filme Por volta da meia-noite, de Bertrand Tavernier, que vocês já conhecem.

(O.C.)






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