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:: ‘Artigo’

PORTO SUL – BOM SENSO PREVALECENDO

Alan Dick Megi

 

Muitos não entenderam ou não quiseram entender e me colocaram no rol dos que eram contrários ao porto, reduzindo e desqualificando o diálogo e a análise técnica para uma simplória discussão de ser “contra ou a favor” do porto sul.

 

Desde o início das discussões sobre a construção do Porto Sul em nosso município, eu tive a oportunidade de emitir minhas opiniões de forma clara, deixando-as registradas “por escrito” nos jornais ou nos blogs.

Para relembrar, nas minhas colocações deixava claro o meu contentamento com a possibilidade de novos investimentos em infra-estrutura, porém tive posição frontalmente contrária à sua localização na Ponta da Tulha, principalmente da área de 1700 hectares desapropriada pelo Governo do Estado, a qual seria inicialmente destinada a uma zona portuária e industrial ao longo do litoral norte, entre o loteamento Jóia do Atlântico e a Ponta da Tulha. Em minha posição contrária a essa localização, argumentava eu que se tratava de uma área ambientalmente frágil e ao mesmo tempo extremamente importante para o desenvolvimento turístico do município. Que poderíamos perfeitamente ter um novo porto sem perder tão importante zona de desenvolvimento urbano e turístico. Bastaria que mantivéssemos a zona portuária e industrial com seus galpões, depósitos e indústrias do outro lado do rio Almada, mais próximo ao Distrito Industrial e à rodovia BA-262 (Ilhéus/Uruçuca) em ligação com a futura ZPE. No texto uma “Parábola Tupiniquim”, fazendo uma analogia com nossas residências, dizia eu que uma máquina de lavar roupa, muito necessária e importante para a família, não deveria ser instalada na sala de visitas e sim na área de serviço da casa. Para aqueles que diziam que “não se podia fazer omelete sem quebrar os ovos”, eu respondia que a omelete poderia ser feita e quebrados quantos ovos fossem necessários, porém deveria ser feita na cozinha e não no meio da sala.

Muitos entenderam e concordaram, mas muitos não entenderam ou não quiseram entender e me colocaram no rol dos que eram contrários ao porto, reduzindo e desqualificando o diálogo e a análise técnica para uma simplória discussão de ser “contra ou a favor” do porto sul. Essa simplificação, que beirava o ridículo, gastou energia e tempo que atrasaram as análises e estudos verdadeiramente importantes sobre a melhor forma e melhor local para implantar o novo e importante equipamento de infra-estrutura, de forma a possibilitar enormes ganhos com mínimas perdas para toda a região.

Mas as questões puramente urbanísticas nem sempre tem importância frente aos grandes interesses econômicos ou às decisões politicamente equivocadas. Mas, por sorte, a área inicialmente escolhida era tão inapropriada em todos os sentidos, principalmente na questão ambiental, esta sim com força suficiente para frear os ímpetos vorazes do pseudo-desenvolvimento baseado apenas nos lucros de alguns, determinou a necessidade de encontrar outro sítio para a sua implantação.

Com isso os projetos se voltaram para as áreas situadas a oeste do rio Almada, próximo a Aritaguá, ao Distrito Industrial e à ZPE.

Exatamente como eu sugeria!

Que bom! O bom senso está prevalecendo! Pelo menos do ponto de vista urbanístico estamos de acordo.

Agora, que sejam feitos todos os estudos para minimizar os impactos ambientais, assunto que eu não tenho conhecimento técnico suficiente para opinar, portanto, com a palavra os biólogos, hidrologistas e demais especialistas em meio ambiente que podem contribuir para que seja possível a implantação deste tão importante investimento.

Mas não nos esqueçamos de lutar decisivamente para que sejam elaborados todos os planos de desenvolvimento do município de forma a garantir que tenhamos um investimento ainda maior do que o investido nas instalações portuárias, em habitação, saúde, educação, saneamento básico, infra-estrutura viária e segurança, pois a região precisa crescer com harmonia para não inchar no meio do caos e da desordem.

É preciso que fique bem claro e bem documentado que esses investimentos serão feitos dentro de um cronograma pré-estabelecido e com as responsabilidades de cada esfera governamental e de cada empresa privada, devidamente claras e aprovadas em documentos públicos, para que no futuro, a sociedade, junto com o Ministério Público, possa cobrar de cada órgão ou empresa, o cumprimento de suas obrigações.

Se assim se fizer, que venha o Porto Sul, que venha a ferrovia, que venham os empreendimentos turísticos. Que venha o desenvolvimento sustentável.

Alan Dick Megi é arquiteto, especialista em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades.

(Artigo extraído do site R2C Press)

EDUCAÇÃO: UM ÍNDICE

Valéria Ettinger | lelaettinger@hotmail.com

 

O caminho ao pleno desenvolvimento humano através da educação segue caminho inverso de uma educação conteudista, voltada para os índices.

 

Estava lendo o artigo de Thomaz Wood Jr. na revista Carta Capital que relata dois casos que não encontro um adjetivo para classificá-los.

Primeiro retrata o caso de uma mãe na Indonésia que denunciou à mídia local que “seu filho, durante um exame nacional, fora forçado por seus próprios professores a passar suas respostas para colegas menos capazes”. Essa mãe fez a denúncia porque a escola não aceitou a sua reclamação. Após a divulgação da mídia os professores justificaram seu comportamento com base nas pressões que as escolas sofrem para conseguir bons resultados nos exames nacionais para obter recursos do governo.

Do outro lado do planeta, na cidade de Atlanta nos EUA, foi descoberto que professores forneciam as respostas aos estudantes e permitiam que alunos com baixo desempenho escolar copiassem dos colegas mais capazes e até preenchiam eles mesmos as folhas de respostas. Isso tudo ocorreu para a obtenção de premiações e recursos governamentais relacionados a resultados excepcionais alcançados pelos estudantes.

Esse quadro não é diferente no Brasil, pois considera-se uma boa educação aquela que mais aprova em exames nacionais e concursos públicos, resultando, a meu ver, uma educação mecanicista voltada aos resultados.

Esse modelo de educação poderá, até, promover uma seleção das melhores instituições de ensino, mas jamais poderá promover o pleno desenvolvimento da pessoa, o seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, como diz a Constituição Federal de 1988 em seu art. 205.

O caminho ao pleno desenvolvimento humano através da educação segue caminho inverso de uma educação conteudista, voltada para os índices, pois nesse modelo de educação o estudante é um mero reprodutor de uma linguagem já sedimentada, de um conteúdo já construído e de uma orientação apenas aos resultados e não prepara o homem conforme suas habilidades e competências.

Como desenvolver um homem se ele não é tratado de forma singular sendo um ser diferente? Como desenvolver um homem se a educação não produz autonomia? Como desenvolver um homem se o conhecimento é apenas um meio para a obtenção de uma carreira ou de um salário?

Nesse modelo de educação o homem não é o objeto principal, mas é o meio para a obtenção de resultados. Esse modelo de educação gera uma padronização de desempenho. Nesse modelo de educação não se valoriza as habilidades. Esse modelo de educação está criando uma sociedade de estressados e depressivos. E por fim, esse modelo de educação não produz a libertação como diz o prof. Paulo Freire, mas expõe o homem a um padrão de sucesso, que longe estará de ser o caminho ao seu pleno desenvolvimento.

Valéria Ettinger é professora universitária.

O MAPA DO CAMINHO

Gerson Marques | gersonilheus@gmail.com

 

A política real não é a dos bastidores, do acerto por cima ou da rasteira quase certa; ela é feita aqui na cidade, com gente de carne e osso.

 

Estamos na entressafra política, em um ano que não é de eleições e nos permite tempo suficiente para especular. Alguns pré-candidatos, os mais experientes, aproveitam essa época em que as coisas estão assim “meio confusas” para “vender seus peixes” e algumas “ideias mirabolantes”.

Para evitar confusões e permitir a todos entender o jogo, resolvi escrever umas pretensiosas linhas, com opiniões pessoais sobre esse processo. Espero com isso ajudar os candidatos perdidos a encontrar o mapa do caminho.

1. A sucessão de 2012 para prefeito de Ilhéus passa, segundo qualquer analista político, pelo governador Wagner. Seu peso será maior ou menor à medida que as muitas obras previstas para Ilhéus estejam iniciadas ou não, e o apoio de Wagner ainda tem um enorme ganho extra: traz de quebra o apoio de Lula e Dilma.

2. O partido de Wagner é o PT, que, junto com outros partidos, forma a base do governo. O PT de Ilhéus aceitou em janeiro de 2010 a orientação do governador e da direção estadual no sentido de aliar-se ao PSB. Então é fato: PT e PSB são aliados em Ilhéus.

3. Até o momento não houve nenhuma orientação em sentido contrário a esta aliança. O PT estadual, através de Wagner, assim como o PSB da senadora Lídice da Mata, acabaram de reafirmar a aliança durante a última visita do governador à nossa cidade, onde mais uma vez o governador tratou da agenda de obras e ações para Ilhéus com o governo municipal, ampliando e reafirmando compromissos.

4. Sendo esses os dois maiores partidos da base do governador em Ilhéus, é natural que juntos liderem a formação de uma grande frente, capaz de reproduzir a base de sustentação do governador aqui em nossa cidade. Essa frente deverá ter ainda a presença do PCdoB, PRB, PDT, PSD e outros a serem convidados. Dentre eles, sairá o candidato que nos unifique.

5. E o PP? Bem, é claro que o PP também é base do governador e, por isso, cabe nessa frente; mas quem tem de definir seu rumo é o próprio PP. Como no momento a tese do partido é de não conversar com os partidos que estão no governo municipal, isso isola o PP fora da base do governador em Ilhéus, mas essa é uma opção deles.

6. Não existe a menor chance de acerto por cima no PT, como pretende certo candidato. O PT não funciona assim, a base tem muita importância e a opinião do diretório local é que vale. Repito: a opinião do diretório local é que vale, além disso a nossa turma “de cima”, leia-se Wagner, Josias Gomes, Geraldo Simões, Fátima Nunes, Jonas Paulo, Everaldo Anunciação etc., é a mesma que nos indicou o caminho da aliança com o PSB e até agora não “desindicou”, se assim pode ser dito e entendido.

7. A manutenção e ampliação da aliança PT e PSB têm sido amplamente discutidas pelas executivas locais nos últimos dias, e é aceita por praticamente a totalidade do partido. Nossos vereadores são unanimes neste caminho.

8. Este projeto não é contra ninguém, é por Ilhéus, é para viabilizar nosso futuro. Nosso desafio será construir a Ilhéus de amanhã, a aliança PT/PSB está por trás dos grandes projetos que começam a mudar o rumo de nossa história, a segunda ponte para o Pontal, a duplicação da Ilhéus/Itabuna, o novo aeroporto, o porto e a ferrovia Oeste/Leste entre outras. Nos próximos meses estaremos iniciando a preparação da cidade para as comemorações do centenário de Jorge Amado (ano que vem), assim como para a Copa do Mundo (quando poderemos hospedar algumas seleções).

9. A política real não é a dos bastidores, do acerto por cima ou da rasteira quase certa; ela é feita aqui na cidade, com gente de carne e osso. É verdade que existem projetos maiores em nosso partido como, governar a Bahia e o Brasil. É verdade que a política de alianças exige reciprocidade, mas é verdade também que quando um não quer dois não se juntam

10. O mapa do caminho passa pela humildade, confiança mútua e muita vontade de lutar por Ilhéus, por uma Ilhéus mais justa e mais desenvolvida, por uma nova Ilhéus.

Gerson Marques (PT) é diretor de Planejamento Estratégico da Prefeitura de Ilhéus.

A CULPA NÃO É DOS FLANELINHAS

Allah Góes | allah.goes@hotmail.com

O fato ocorrido há alguns dias, em que, após uma discussão sobre o valor a ser pago pelo uso de uma vaga de estacionamento, que a princípio seria gratuita, no centro da cidade de Itabuna, ocorreu a agressão ao motorista do carro por um flanelinha, expôs para todo o Brasil (pois foi até notícia no Jornal Nacional), a grande bagunça que hoje se vê no centro de Itabuna.

Mais que um fato isolado, a agressão ocorrida é apenas um sintoma da grave doença que há muito tempo acomete a região central de nossa cidade, que sofre com a falta crônica no planejamento de ações, pois hoje por ali: se brinca de re-locação de ambulantes; graceja-se com a questão do transito; zomba-se da segurança.

Nossa principal via central, a Avenida do Cinquentenário, que passou recentemente por uma reforma, está mais para Bangladesh que para Champs-Élysées, pois a sua desorganização, não apenas por conta da questão da disputa pelas vagas de estacionamento, engloba também nosso caótico sistema viário e o falho sistema de videomonitoramento, fazendo com que se questione, tanto a utilidade da obra quanto o valor ali gasto.

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A SANDICE A FAVOR DO BAIRRISMO

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

 

O que pensam os que irresponsavelmente alimentam essa rixa, quando deveriam estar construindo propostas sérias, como a criação de uma região metropolitana?

 

Vem de muitas décadas o bairrismo entre Ilhéus e Itabuna, cidades-irmãs e que se complementam, mas ambas prejudicadas por velhas cabeças de jegue existentes em seu subsolo. Não se sabe porque, dois núcleos urbanos que tanto poderiam ganhar se procurassem somar suas qualidades e construir propostas conjuntas para resolver uma série de problemas – desde a questão do transporte coletivo até a destinação dos resíduos sólidos – preferem alimentar brigas que não conduzem a lugar algum.

Pior é ter lideranças políticas que não possuem espírito público e vivem de criar factoides ou alimentá-los, na esperança de obter algum benefício eleitoral. Fala-se, por exemplo, que a briga do deputado Gilberto Santana para tirar um pedaço de Ilhéus é uma estratégia para agradar o eleitorado itabunense e se cacifar para a disputa sucessória do ano que vem. E agora, com a possibilidade de apoio sinalizada pelo deputado federal ACM Neto, que pode fritar o correligionário Azevedo, sabe Deus o que pode acontecer…

No último fim de semana, Santana e o secretário de Desenvolvimento Urbano de Ilhéus, Carlos Freitas, bateram boca em uma reunião política em Salvador e por pouco não foram às vias de fato. Uma baixaria que diz muito sobre o nível de todo esse debate, provocado pela instalação de dois supermercados dentro do território ilheense, mas bem perto do limite com Itabuna.

Será que a arrecadação tributária gerada pelas duas empresas vale tanto desgaste político e a criação de um clima de animosidade entre Ilhéus e Itabuna? O que pensam os que irresponsavelmente alimentam essa rixa, quando deveriam estar construindo propostas sérias, como a criação de uma região metropolitana capaz de alavancar o desenvolvimento local de maneira consistente, não apenas com a fome de encher os cofres com uma receita que muitas vezes escapa pelos ralos da burocracia e da corrupção antes de chegar a se constituir em benefício real e concreto para os cidadãos?

Escrevo esse artigo após ter recebido uma ligação de um amigo ilheense, afirmando ter sido informado de que circulam em Itabuna carros com um adesivo no qual se lê “Ilhéus: o novo bairro de Itabuna”. Como resposta, e fazendo alusão aos buracos da cidade vizinha, este mesmo amigo disse que mandaria produzir adesivo com a seguinte mensagem: “Itabuna, o campo de golfe de Ilhéus”.

Por enquanto, o negócio está na base da galhofa e do comportamento reprovável de políticos, o que poderia nos envergonhar se já não estivéssemos acostumados e tristemente conformados com as atitudes ridículas daqueles que se dizem nossos representantes. Mas tomara que a coisa não descambe para uma onda de hostilidades entre itabunenses e ilheeenses, o que seria um preço alto demais a se pagar pela área onde foram construídos dois supermercados.

Estupidez tem limite.

 

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Et Cetera.

10 ANOS DO 16 DE MAIO E A DERROCADA DO IMPÉRIO CARLISTA

Do blog O RECÔNCAVO:

Há 10 anos, um grupo de estudantes mobilizou milhares de pessoas em uma série de manifestações, numa jornada de lutas que incendiou Salvado, acuou o carlismo e precipitou a sua derrocada. O seu ápice foi o dia 16 de Maio de 2001, com a invasão da UFBA.

O objetivo dos estudantes era mostrar ao Brasil que eles exigiam a cassação do mandato do Senador Antônio Carlos Magalhães, envolvido juntamente com o então senador José Roberto Arruda (ex-PSDB) num conhecido episódio de violação do painel do Senado e quebra do sigilo do voto de parlamentares. ACM falava de um amor que os baianos não nutriam. Era preciso, na opinião dos estudantes, mostrar que a Bahia não compactuava com aquilo. O poder de ACM, naquele momento, era baseado no temor. Rompido este último, o castelo desmoronou.

A estratégia para driblar a repressão consistia em enganar a polícia e mudar a direção da passeata, entrar pelo campus da Universidade Federal da Bahia e, por dentro da Faculdade de Direito, chegar à casa de ACM, no bairro da Graça. Pega de surpresa, a Polícia de Choque percorreu as ruas de Salvador num trote apressado, para recompor-se no Vale do Canela e na Faculdade de Direito. Então, mesmo diante de um Mandado Judicial expedido pela Justiça Federal, a Tropa de Choque da Polícia Militar, sob o comando da Secretária de Segurança Kátia Alves e do Governador César Borges, invadiu a Faculdade de Direito com bombas de gás lacrimogêneo, cães, balas de borracha, gás de pimenta, cavalos e toda parafernália repressiva. No Vale do Canela, estudantes buscavam se refugiar em caçambas de lixo e nas faculdades de medicina, administração e educação. Mas a polícia atirava dentro dos prédios. Nem mesmo durante a ditadura militar a UFBA tinha sido tão violada.

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PC DO B SEM PRECONCEITOS

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

O PCdoB talvez não seja tão atraente, mas está circulando com maior desenvoltura, esbanjando sorrisos, cumprimentando a todos e e talvez até “galinhando” um pouco, politicamente falando.

 

O cururu sentou-se à mesa com o coronel e quem ainda se surpreende com as artimanhas da política ficou apavorado. Pura bobagem, um alarde à toa, muito barulho por nada…

Se no passado o coronel empunhou o cassetete e o utilizou com gosto para golpear os lombos dos vermelhinhos, deixando-os roxos, no presente o que importa é unir forças, sem restrições (como disse o capa-preta-mor). O pragmatismo eleitoral é o que vale e 2012 é logo ali.

Enquanto o PT itabunense estufa o peito e anda de salto alto pela festa, sem olhar o que se passa ao redor, o PCdoB não faz pose e se abre a todas as possibilidades. As portas estão escancaradas não só ao Coronel Santana, mas também ao ex-prefeito Fernando Gomes, gente que a auto-intitulada esquerda local não suporta. Mas talvez a ala “não-geraldista” esteja mais propensa a rever conceitos e isso lhe dá alguma vantagem na futura disputa.

Se não acordar, o PT pode acabar como a moça que, apesar de ser a mais bonita da festa, tem uma atitude que repele aproximações e por isso acaba indo pra casa sem beijar ninguém. O PCdoB, por outro lado, talvez não seja tão atraente, mas está circulando com maior desenvoltura, esbanjando sorrisos, cumprimentando a todos e e talvez até “galinhando” um pouco, politicamente falando. Pode dar em alguma coisa, assim como pode não dar em nada, mas o comportamento pró-ativo favorece os cururus.

Os comunistas têm hoje, pelo menos para a torcida, três pré-candidatos a prefeito de Itabuna, enquanto no PT a decisão já foi tomada de cima pra baixo, na linha do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. O deputado federal Geraldo Simões quer mais uma vez lançar a mulher Juçara Feitosa e as tentativas de outros militantes de se mostrar em condições de entrar na disputa são vistas com pouca simpatia e nenhuma cortesia. Um jogo duro que, além de provocar descontentamentos internos, ainda afasta possíveis aliados.

Enquanto isso, o PCdoB conversa com PMDB, PTN, PSB e outros partidos. Se essa “ficação” vai resultar em namoro e se este dará em casamento, ninguém sabe. Mas os comunistas estão fazendo direitinho a sua parte, “cantando” quem passa pela frente. Quanto ao PT, nem encantando está.

Ricardo Ribeiro é um dos responsáveis pelo PIMENTA e também escreve no Política Et Cetera.

CULTURA É FRESCURA?

Allah Góes | allah.goes@hotmail.com

 

Ao se manter apenas a fachada do prédio, como alguns propõem, se destrói a nossa história.

 

De fato, corroborando com o pensamento lapidar de nosso ex-prefeito, a população itabunense dá mais uma demonstração de que a cultura grapiúna tem pouca (ou nenhuma) importância, pois assiste impassível ao desmonte de um dos últimos ícones da luta de nossos desbravadores pela construção de uma Itabuna melhor, o prédio do Ginásio Divina Providência.

Construído sob a liderança de Monsenhor Moises, que também foi o responsável pela instalação da Santa Casa de Misericórdia, o Ginásio Divina Providência, que foi criado há exatos 87 anos, além de servir como símbolo de que os desbravadores, apesar de incultos, diferentemente de nós, cultos cidadãos, davam a devida importância à cultura, nos faz lembrar que é somente através da educação que se pode construir o futuro.

E o futuro desta terra foi construído justamente por aqueles que ali estudaram, onde juntos, tanto os filhos das famílias mais abastadas, como os mais humildes que, através de bolsas oferecidas pela Sociedade São Vicente de Paulo, mantenedora do Colégio, conviviam e aprendiam, através do exemplo e da educação, que era possível transformar Itabuna numa cidade melhor.

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REGIÃO METROPOLITANA DO CACAU

Allah Góes | allah.goes@hotmail.com

 

Ao invés de se perder tempo com discussões menores, deveríamos nos concentrar em discutir fórmulas e programar ações que possam recolocar a nossa Região nos trilhos do desenvolvimento.

 

Alguns ditos “nossos representantes” se esforçam para acirrar ainda mais a rivalidade, que por aqui sempre é latente, entre Itabuna e Ilhéus, onde, em busca de um ganho menor (que é o imposto a ser pago por dois supermercados), deixa-se de discutir, e fomentar, o desenvolvimento de nossa região.

Esquecem-se estes “Senhores” que, infelizmente, existe uma série de dificuldades e “gargalos” que são comuns aos municípios do sul da Bahia e que, se houvesse um planejamento de forma integrada, através de ações conjuntas e permanentes, poderiam ser resolvidos, a exemplo das questões do transporte, do lixo, da segurança e da saúde, apenas para citar alguns exemplos.

Para se solucionar estes e outros problemas, ou pelo menos discuti-los, importante seria a implementação de uma Região Metropolitana que, conforme sugere o Deputado Coronel Santana, em bem-vinda indicação dirigida ao Governador do Estado, “representará um novo foco de desenvolvimento capaz de atrair atividades econômicas, através da autonomia administrativa de recursos e planejamento integrado”.

Sendo assim, poderemos ter a necessária, e sempre esperada, autonomia político-administrativa para, em conjunto e dentro dos anseios regionais, poder nos desenvolver sem os sobressaltos do improviso e da falta de planejamento.
Dentro do conceito clássico, as cidades de Itabuna e Ilhéus não poderiam ser consideradas como candidatas a formarem uma RM – Região Metropolitana, mas sim uma Microrregião, tipologia, inclusive, que é a utilizada pelo IBGE para nos “classificar”.

No seu conceito clássico, por conta de uma RM ser criada a partir da polarização de uma região ao redor de 01 cidade-polo, da qual se forma um núcleo populacional (a exemplo da RM de Salvador), não se entenderia como possível se criar uma RM, onde se tenham 2 cidades-polo (Itabuna e Ilhéus), pois aí se teria uma “aglomeração urbana” e não uma RM.

Assim, tomando-se por base este conceito, quando uma “aglomeração urbana” composta por diversas cidades passa a atuar como um “mini-sistema urbano”, e uma das cidades cresce e se destaca das demais, influenciando economicamente a região, estamos diante de uma Metrópole, sob a qual se pode criar uma RM, isto segundo lição do Prof. Marcelo de Souza, esposada em seu livro “ABC do desenvolvimento regional”, pg. 32.

A Metrópole é o polo de atuação e/ou dominação de um grande espaço de produção e consumo, e, no espírito deste conceito clássico, os deputados Antônio Menezes e Daniel Gomes, conseguiram incluir, quando da promulgação da Constituição de nosso Estado, o Art. 61 do ADT – Ato das Disposições Transitórias, onde se estabelecia que, no prazo de 30 dias, seria criada por Lei Complementar, a RM de Itabuna, lei esta que, por conta da inoperância de nossas lideranças políticas, nunca saiu do papel.

Agora, através de uma iniciativa encabeçada pelo Dep. Coronel Santana, utilizando-se de uma “brecha legal” contida no §3º do Art. 25 da Constituição Federal, que repassa aos Estados a competência de poder criar RMs, e isto através de critérios próprios e locais, poderemos iniciar a discussão de uma RM com 02 polos de influência, englobando-se Itabuna e Ilhéus.

Como se vê, ao invés de se perder tempo com discussões menores, deveríamos nos concentrar em discutir fórmulas e programar ações que possam recolocar a nossa Região nos trilhos do desenvolvimento, e liderança, que há muito deixamos para trás.

 

Allah Góes é Advogado Municipalista, consultor de Prefeituras e Câmaras de Vereadores.

O GOVERNO DA BAHIA DESATA UM NÓ

Daniel Thame | danielthame@hotmail.com

 

Jamais se deve duvidar da capacidade da estupidez humana e a prova disso é que ainda existe quem defenda o retorno da região à monocultura cacaueira.

 

Há três anos a população ilheense e do Sul da Bahia como um todo assiste a um debate que muitas vezes desprezou o bom senso. A batalha entre supostos defensores do meio ambiente e aqueles que vêem no Complexo Intermodal Porto Sul uma chance única de fazer desta uma região desenvolvida vinha perdendo o rumo. Tornou-se uma discussão que beirou o radicalismo de árabes e israelenses ou das torcidas organizadas de Flamengo e Vasco ou Corinthians e São Paulo.

Do lado dos defensores do Complexo Intermodal, sempre pairou a suspeita de que havia interesses inconfessáveis determinando o rumo da prosa. Ligações com esquemas empresariais poderosos e grupos políticos de outros estados se revelaram, não raro, de forma escancarada.

Havia os autênticos defensores do meio ambiente, é lógico, mas entre os “verdes”, os de maior poder de manipulação nunca tiveram nada de mocinhos, apesar do discurso cativante e das expressões de frades franciscanos.

Enquanto o radicalismo empobrecia o debate, as instituições mostravam seu amadurecimento. Em novembro do ano passado, o Ibama emitiu parecer que apontava a necessidade de novos estudos, a verificação minuciosa de possíveis alternativas à Ponta da Tulha para a construção do Porto Sul. E não o fez por pressão de quem quer que seja, mas por cumprimento da lei e de um dever institucional.

Haverá quem se arvore em pai da mudança da localização do porto para Aritaguá e ainda terá quem se posicione contrário ao projeto, argumentando que Ilhéus deve se dedicar única e exclusivamente ao turismo e ao cacau, como se essas atividades, embora viáveis, dessem conta de todas as demandas existentes na região.

Jamais se deve duvidar da capacidade da estupidez humana e a prova disso é que ainda existe quem defenda o retorno da região à monocultura cacaueira. Como se fosse possível e aceitável que o Sul da Bahia voltasse a depender de uma única fonte de riqueza, cuja inviabilidade socioeconômica a vassoura-de-bruxa deixou tristemente estampada. Um tiro certeiro no bom senso.

O fato é que a região tem o cavalo selado e não pode desperdiçar essa oportunidade de sair do marasmo. A mudança para Aritaguá, atendendo critérios técnicos, mostra que o Governo está no melhor caminho, o que busca harmonizar viabilidade econômica e menor impacto ambiental. São itens que estão entre os princípios da sustentabilidade, que se pauta no equilíbrio.

Dessa vez, ao que tudo indica, o maior empreendimento do sul da Bahia nos últimos 30 anos está a um passo de se tornar realidade. E não há mais espaço para discussões de arquibancada, embora as aves agourentas continuem por aí, sempre torcendo contra e sem apresentar qualquer alternativa que possa ser levada a sério.

Daniel Thame é jornalista.

AS ESCOLAS E SEUS ASSASSINOS

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

 

Tratam a educação de maneira empírica e irresponsável, fazendo experiência com a vida alheia. São verdadeiros futuricidas, que vêm destruindo várias gerações.

 

A atitude insana de Wellington Menezes colocou o Brasil no mapa dos crimes cometidos por psicopatas em escolas, ceifando vidas de crianças indefesas. O massacre de Realengo assombra e revolta toda a sociedade, que compartilha a dor de familiares e amigos diante da tragédia. O país sangra e chora.

Tudo já se falou sobre o crime brutal e, diante do estupor, há quem pense em transformar escolas em espécies de bunkers inexpugnáveis, separadas de um mundo terrível e assustador. É a resposta do medo, não da razão.

A escola, como disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é espaço de interação com a comunidade. Pelo menos na teoria.

Aproveitando a deixa do prefeito carioca, que tal fazer com que as escolas se tornem efetivamente aquele espaço de interação, aprendizado e desenvolvimento humano? Que tal os governos passarem a se preocupar de verdade com o que está acontecendo nos estabelecimentos de ensino?

Após a barbárie em Realengo, a cúpula da política do Rio de Janeiro “entrou” na escola. Os homens do poder deveriam entrar nelas mais vezes e talvez pudessem se chocar com uma realidade que certamente devem conhecer, mas só de ouvir falar.

Do Rio para Itabuna, no sul da Bahia. Em certas escolas municipais desta cidade, alguns alunos são liberados para casa mais cedo, porque não há merenda para todos. Pelo menos uma delas, no bairro Califórnia, usa o seguinte critério: os estudantes que moram mais perto saem primeiro. Com fome.

Em casa, muitas dessas crianças também não têm o que comer e ainda encontram pais brutalizados pela miséria, quando não pelo vício em álcool e drogas como o crack. Relatos de professoras dão conta de que há crianças que choram desesperadamente na hora da volta para casa, temendo o que as espera. Não vivem num lar, mas em um inferno cotidiano que lhes retira tudo o que deveria fazer parte de uma infância: a alegria, as brincadeiras, a segurança, o exemplo, os sonhos.

Do portão para dentro, além de faltar merenda, também não há estímulo, principalmente financeiro, para que os professores desenvolvam um trabalho de melhor qualidade.

Em Itabuna, utiliza-se o método de ensino por ciclos de aprendizagem, sem o devido funcionamento das classes de integração. Alunos são aprovados sem aprender, apenas porque as estatísticas devem mostrar a redução dos índices de repetência. Muitos chegam à sexta série sem saber ler, mas o sistema segue registrando seus “progressos”.

Muito antes de Wellington Menezes, já se falava em alunos agressores e homicidas nas escolas, em professores ameaçados e assassinados (houve casos recentes em Itabuna), na venda de drogas e trânsito de armas dentro dos estabelecimentos de ensino. Em vários deles, o clima é de medo e não é de hoje.

Os sinais de que o sistema educacional brasileiro está falido já foram dados há muito tempo, mas as autoridades se negam a reconhecê-los ou não dão importância. Tratam a educação de maneira empírica e irresponsável, fazendo experiência com a vida alheia. São verdadeiros futuricidas, que vêm destruindo várias gerações.

Antes do assassino Wellington Menezes, muita gente puxou e continuará puxando o gatilho que condena tantos filhos deste país. Seja à morte cruel e prematura, seja a uma vida que muito se assemelha a isso.

 

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros responsáveis pelo Pimenta e também escreve no Política Etc.

ORIGEM DE ALGUNS DITADOS POPULARES

Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

 

O vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Porém, descobriram que o burro havia sido treinado.

Li o livro do jornalista Mário Prata sobre a origem dos ditados populares e comentei com o escritor Antônio Lopes, que acrescentou algumas informações. Decidi compartilhar com os leitores do Pimenta:
Lavar a égua- Os escravos faziam o papel de garimpeiro. Pra ficar com “o que lhe era de direito” colocavam o ouro em pó nos cabelos. Os portugueses descobriram e mandaram raspar a cabeça. O transporte era feito em mulas, éguas. O ouro em pó só brilha no sol e os escravos passaram a colocá-lo nos animais para sair das minas beneficiados. Para pegar o produto lavavam o animal para que o ouro se desprendesse. Lavavam a égua.

Será o Benedito? – Não se refere ao santo nem ao polêmico jornalista Ederivaldo Benedito. Era Benedito Valadares, político ladino. Em 1933 diante da hesitação do governo em nomear o interventor de Minas Gerais, o povo temendo que optasse por ele, o pior de todos, perguntava-se: “Será o Benedito?”. E foi.

Pra inglês ver – Surgiu quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, eram criadas apenas “pra inglês ver.” se refere à

Ok – Significa tudo bem e teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Quando os soldados voltavam para as bases sem baixa na tropa, escreviam satisfeitos numa placa “0 Killed” (nenhum morto).

Casa da Mãe Joana – É isto mesmo que você está pensando. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: “que tenha uma porta por onde todos entrarão”.

Conto do vigário – Duas igrejas em Ouro Preto foram presenteadas com uma imagem de santa. Para verificar qual das paróquias ficaria, os vigários resolveram deixar por conta da mão divina, ou melhor, das patas de um burro. Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, soltaram o animal. Para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja felizarda. O vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Porém, descobriram que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora. Assim, conto do vigário passou à linguagem popular como golpe, falcatrua.

Cuspido e escarrado – De extremo mau-gosto, que popularmente significa uma pessoa parecida com outra, na verdade se originou de uma bela frase “esculpido em carrara”, já que o mármore italiano era usado por artistas que faziam esculturas idênticas aos seus modelos.

O pior cego é aquele que não quer ver – Em 1647, na França, o médico Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão chamado Angel. Foi um sucesso, mas o paciente assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que imaginava era muito melhor e pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi ao tribunal de Paris e Vaticano. Angel ganhou a causa e ficou conhecido como o cego que não quis ver.

 

Marival Guedes é jornalista.

“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”. – CHE GUEVARA

Daniel Thame | danielthame@hotmail.com

Do Blog do Thame

O que você faria se num final de tarde sombria, naquela imensidão de solidão coletiva que é a capital paulista, durante a visita ao túmulo de um parente num cemitério praticamente vazio, presenciasse dois policiais militares assassinando friamente uma pessoa algemada e sem condições de se defender?

Conhecendo o modus operandi da polícia brasileira e sua clássica versão ´o marginal foi baleado e veio a óbito após reagir à ordem de prisão e trocar tiros com os homens da lei´, é bem provável que você tratasse de deixar o local o mais rápido possível, rezando para não ser visto e fazer companhia ao recém-assassinado e ao parente ora visitado e pranteado.

Fez o certo, diriam os amigos, ao tomar conhecimento da aventura quase transformada em desventura.

Fez o certo, dirão todos aqueles que sabem que diante da violência extrema e do rompimento frequente dessa linha cada vez mais tênue que separa uma parcela (pequena é verdade) da polícia da bandidagem, o melhor a fazer é se omitir.

Se possível, apagar da mente o testemunho daquele assassinato, como se ele não fosse real, mas uma aparição fantasmagórica, num cemitério de almas penadas e vidas friamente penalizadas.

Há, entretando, os que, desafiando a lógica e o bom senso, são capazes de tremer de indignação quando presenciam o que consideram uma injustiça.

Foi o que fez uma moradora de Ferraz de Vasconcelos, na periferia da Grande São Paulo, que, ao presenciar o assassinato de um jovem dentro de um cemitério, ligou para o telefone de emergência da PM, o 190, e narrou, ao vivo, a execução:

– A Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura aqui dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro. Eu estou aqui próximo à sepultura do meu pai.

Em seguida, passa o prefixo da viatura policial e, ainda com o fone ligado, num gesto temerário, aborda um dos policiais, que diz que apenas está prestando socorro. “É mentira. É mentira, senhor. É mentira. Eu sei bem o que ele fez”, diz a mulher ao atendente do 190.

Além da extrema coragem, a ligação provavelmente evitou que a mulher se tornasse aquilo que no jargão marginal se convencionou chamar de queima de arquivo.

De acordo com o que apurou o comando da PM, o rapaz assassinado tinha passagens pela polícia e trocou tiros com os soldados, sendo atingido na perna e capturado. O procedimento padrão seria levar o bandido a um pronto-socorro para receber atendimento e sem seguida ele que pagasse por seus crimes, como determina a lei.

Pelo menos quando se trata da lei que vale para pobres coitados…

Mas no meio do caminho havia um cemitério, havia a lei não escrita de que bandido bom é bandido morto. E mortos, à exceção do que acreditam os adeptos do espiritismo, não falam.

No meio do caminho havia, também, uma mulher, que está sob proteção e que se tornou um exemplo de anônima coragem, que, ao se indignar, não pensou no bandido, mas no ser humano que estava sendo vítima de uma atrocidade.

Lapidar, nesse caso, é a frase do comandante da PM ao se referir ao, digamos, azar dos policiais-assassinos:

-Talvez eles tenham acreditado que não tivesse ninguém. Mas num cemitério, num sábado à tarde, sempre tem alguém chorando por alguém.

Não apenas chorando por alguém, mas reagindo por alguém, como se, com uma simples ligação telefônica, fosse possível tornar o mundo menos brutal e animalesco.

Daniel Thame é jornalista.

SÓ A PARTIR DE 2012. E OLHE LÁ!

Allah Góes | allah.goes@hotmail.com

 

Abre-se uma enorme brecha para questionamentos judiciais, sobre a validade ou não dos registros de candidaturas.

Aconteceu o que todo mundo achava que iria acontecer, mas que, por conta de certo “clamor popular”, esperava-se que não ocorresse. A Lei da “Ficha Suja”, segundo o STF, só terá validade a partir de 2012, ou seja, apenas para as eleições municipais.

Com esta decisão, o STF consagra tanto o princípio da anualidade da Lei Eleitoral (contido no art.16 da CF), que determina que uma lei que alterar o processo eleitoral somente entrará em vigor nas eleições que ocorram a partir de um ano após a data de sua vigência; assim como o princípio da segurança jurídica, vez que a lei não pode prejudicar o direito adquirido, e até os “fichas sujas” tinham o direito de se candidatar, ante a falta de legislação regulamentando o tema.

Assim, em tese, não poderão disputar as eleições de 2012 pessoas condenadas: em decisão colegiada (ou seja, aquela que envolve a opinião de mais de um juiz), por crimes considerados graves (como corrupção, abuso de poder econômico, homicídio e tráfico de drogas), por crimes que prevejam penas superiores a dois anos de prisão, nos casos em que houve dolo (intenção de cometer o crime).

Além desses casos, podem perder o direito à candidatura os políticos condenados pelo recebimento de doações ilegais em campanhas políticas; abuso de poder; os condenados por crimes contra o meio ambiente e a saúde pública; e magistrados ou integrantes do Ministério Público afastados por sanção disciplinar, ficando também inelegíveis aqueles que renunciarem a seus cargos na tentativa de evitar a cassação.
A lei “em tese” teria sua aplicação para 2012, pois como não houve pronunciamento sobre a constitucionalidade ou não do dispositivo, segundo é entendimento do ministro do STF e presidente do TSE Ricardo Levandowski, novamente terá que haver um debate para definir se a lei é valida ou não.

Assim, abre-se uma enorme brecha para questionamentos judiciais, sobre a validade ou não dos registros de candidaturas daqueles que se enquadrariam nas condições estabelecidas pela lei, mesmo nas eleições de 2012, pois ainda não houve a necessária discussão no STF sobre os limites e a aplicação dos princípios constitucionais da presunção da inocência e o da soberania do voto.

Pelo princípio da presunção da inocência, terão os ministros do STF que se debruçar sobre se será possível barrar uma candidatura, quando ainda inexista decisão judicial transitada em julgado (mesmo emitida por órgão colegiado, pois ainda passível de recurso), possibilitando, ou não, o seu registro provisório, salvaguardando o direito final que teria o eleitor de votar, e eleger, aquele que, mesmo respondendo a processo, entende ser o melhor para ocupar o cargo público colocado em disputa.

Como se vê, por conta das muitas brechas de nossa legislação (feita, em muitos casos, pelos mesmos políticos processados), e nosso judiciário não se manifestar de forma a preencher tais brechas, ainda haverá incerteza jurídica quanto à aplicação efetiva da “Lei da Ficha Suja”, mesmo nas eleições de 2012 em diante.

Allah Góes é advogado municipalista, consultor de prefeituras e câmaras de vereadores.

1º DE ABRIL: VERDADES E MENTIRAS

Do Política Et Cetera:

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

O sujeito prevenido acorda em 1º de abril com o espírito armado, esperto para não cair em pegadinha e ficar com cara de trouxa. Diante da primeira história não muito verossímil, é preciso ter pronto aquele ar superior de desdém e mandar na lata do engraçadinho um belo “vá procurar o que fazer!”.

Meu amigo Luiz Conceição, jornalista perdigueiro (não por ser cachorro, mas por ter um faro considerável), estava todo desconfiado com uma notícia publicada no site do jornal espanhol El País. Dizia lá que uma universidade brasileira desenvolvia uma espécie de polímero, feito com banana, abacaxi e coco, para utilizar na indústria automobilística.

Lula duvidou: “rapaz, isso aqui é um 1º de abril clássico”. Mas, depois de uma rápida pesquisa no Google (é bom ser desconfiado, mas não refratário), acabou descobrindo que a notícia é verdadeiríssima. Os pesquisadores brasucas realmente estão elaborando um “plástico” com aquelas inusitadas matérias-primas, para uso em painéis e outras partes dos veículos. Não era piada com os muitos “abacaxis” do país e com os “bananas” que não têm competência para resolvê-los. Aliás, que matéria-prima farta!

O jornalista se lembrou de um 1º de abril impagável, que fez a revista Veja comer a maior barriga nos idos de 1983. Naquele ano, a publicação inglesa New Science inventou a fantástisca história do “boimate”, que seria produzido a partir da fusão de células do boi e do tomate. Isso geraria uma incrível carne que já viria do curral com molho e tudo! Acredite: o responsável pela editoria de ciência da Veja comeu a farofa e a publicou como coisa séria, inclusive entrevistando um biólogo para repercutir a novidade.

Neste 1º de abril, em um debate na Ceplac, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) despertou nosso detector de lorotas. No meio da conversa com cacauicultores, ele contou que, em São Paulo, a Anvisa proibiu os restaurantes de vender galinha ao molho pardo. Segundo o deputado, para aproveitar o sangue da galinha após o abate, só falta agora exigirem a presença de uma equipe composta de cirurgião, anestesista, além de biólogo e outros profissionais graduados.

Para mim, a história seria mais uma pegadinha de 1º de abril, mas… ledo engano. Era pura verdade, em mais uma demonstração de que muitas vezes o que parece absurdo pode ser real.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Et Cetera.

A CIDADE ACORDOU DIFERENTE

Luiz Tito | luizvitorianotito@gmail.com

Pautado para cobrir uma possível epidemia de dengue na cidade, fui logo informado de que o índice de proliferação do mosquito no município tá abaixo de 1%.

Nessa manhã, acordei e encontrei tudo mudado em Itabuna. O Rio Cachoeira voltou a ser o cartão-postal da cidade, ele está reluzente como a luz do dia, belo e formoso como as ondas do mar. Como foi excelente fazer minha caminhada às suas margens, sem um só buraco na calçada, lixo acumulado e mato numa crescente, e, melhor, ter o prazer de ouvir os pássaros cantando como se fossem uma sinfonia.

Após uma hora deslumbrado com esse lindo cenário, lamentavelmente tive que retornar para casa. Tomei meu banho, me alimentei feito um rei e parti para o batente. Nas ruas, tudo mil maravilhas. Até parecia conto de fadas. Trânsito fluindo maravilhosamente bem, com suas sinaleiras em perfeito estado. Não havia ninguém dormindo nas calçadas e os motoristas dando prioridade aos pedestres que atravessavam as ruas nas faixas. Gentileza benéfica para os cegos e pessoas com outras deficiências.

Cheguei ao trabalho e resolvi dar um rolé em busca de uma boa foto jornalística. Peguei um ônibus, paguei apenas R$ 1,50 e parti para a Vila da Paz. No decorrer da viagem, tudo beleza: ruas sem buracos, tudo asfaltado, ônibus limpo, todo organizado e o melhor nisso tudo foi a informação passada pelo cobrador: “não teremos aumento no preço da passagem tão cedo”.

Ao chegar à Vila da Paz, que maravilha!, a paz reina no local, assim como em todos os outros bairros periféricos do município. Não poderia ser diferente, afinal, as nossas polícias estão muito bem equipadas, com armas de primeiro mundo, viaturas blindadas e um efetivo acima da média. No local, há anos que ninguém é assassinado. É só alegria.

Pautado para cobrir uma possível epidemia de dengue na cidade, fui logo informado de que o índice de proliferação do mosquito no município tá abaixo de 1%. Leptospirose?  Que bicho é esse? No bairro Jaçanã, os escorpiões são criados em cativeiros e exportados para países adeptos desse prato. No Antique, seus moradores viraram especialistas em cobras e as mandam direto para o instituto Butantã. Esse negócio ta rolando muita grana.

A pauta da dengue caiu e fui designando a ir ao famoso bairro Califórnia, o nome é tão sugestivo que tem até a Nova Califórnia. Fiquei deslumbrado com o local, é coisa de Hollywood, o cenário é bem apropriado para a produção de bons filmes. Fui informado que os políticos todos os dias estão no pedaço. Lá, a assistência é constante, não falta nada e, assim como na Vila da Paz, a paz também é predominante no local.

Montei no cavalo e parti para o futebol. Logo de cara, encontrei no estádio Luís Viana Filho (coisa de primeiro mundo, a FIFA já aprovou e teremos jogos da Copa ) placas de publicidades do poder público e de empresas privadas que estão unidos na luta do Itabuna para retornar à Primeira Divisão. Falaram-me em off, que estão trazendo algumas feras renomadas para reforçar o elenco.

Nas escolas, tudo informatizado, professores alegres com os seus salários e ensino “de prima”. A nossa saúde, que esteve doente, como num toque de mágica, levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima, e hoje o diagnóstico é outro. Mudou para melhor.

E como todos os anos aqui tem carnaval, festa que agita a rede de hotelaria, restaurantes, bares e afins, conseqüentemente gera trabalhos e receitas para a terra de Jorge Amado, só me resta lembrar-se dessa música: Eu queria que essa fantasia fosse eterna. …Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado, um sonho de um sonho, magnetizado. Na verdade, não sonhei. Hoje é primeiro de abril! 

Luiz Tito é repórter-fotográfico da agência A Tarde e sonha com uma Itabuna melhor.

ALENCAR, O HOMEM QUE SORRIU PARA A MORTE

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

Tive a grande satisfação de conhecer José Alencar e foi há quase nove anos, antes dele se tornar vice-presidente do Brasil. Em 2002, na campanha pela sucessão presidencial, o grande brasileiro esteve em Itabuna para um encontro com lideranças locais. Lembro-me da reunião marcada para uma sala do hotel Imperial, onde quase não couberam prefeito, vereadores, secretários municipais e jornalistas. O calor era absurdo e intensificado pelas luzes dos equipamentos de filmagem.

Alencar não demorou a chegar, com aquele sorriso de gente boa e cumprimentando todo mundo. Ora, o homem vinha em campanha, devia estar fazendo média, mas havia algo diferente naquela expressão, no jeito de falar pausado, simples, ponderado, no olhar humilde. A diferença tinha jeito de ser sinceridade e dignidade. E era, como a história comprovou.

O político e empresário, que se foi nesta terça-feira, 29 de março, teve uma infância pobre e cresceu na base da determinação. Mas a maneira como venceu na vida, apesar de rica em exemplos, não é o que mais marcou a história de José Alencar. Foi a forma como ele enfrentou a morte, sem temor, que realmente definiu o homem que em tantos momentos nos causou espanto e emoção, por sua coragem e vontade de viver, ainda que não manifestasse nesta disposição um apego inexorável a este mundo.

Alencar enfrentou 17 cirurgias em 14 anos, não tinha um rim, possuía apenas um terço do estômago. No entanto, depois de cada alta no hospital, ele saía com aquele sorriso que nos encabulava e matava de vergonha. Era como se mostrasse a cada um de nós que, se ele podia desdenhar da morte e sorrir diante dela, o que justificaria os nossos queixumes por causa de problemas tão insignificantes.

A frase mais bonita de Alencar revelou o que realmente o amedrontava: “não tenho medo da morte, tenho medo é da desonra”. Lapidar, irretocável, sabedoria de quem entende que a importância da vida não se mede pelo tempo, mas pelo caráter, as atitudes e os exemplos.

Imagino Zé Alencar chegando no céu, com aquela simplicidade mineira dele. Perante os anjos de Deus, sempre com o riso escancarado de menino, ele aparece cantarolando baixo o samba de Nelson Cavaquinho: “Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor…”

Um dos anjos o interpela: “sossega Alencar, que já não dói “. Ele, mineiríssimo: “uai, mas agora é que dói, sô! Dói de saudade”… E segue sorrindo.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Etc.



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