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:: ‘Banco Raso’

NINHO NEGA QUE ESTEJA AUSENTE DO BANCO RASO

Ninho Valete (PR) diz que está presente na comunidade.

Ninho Valete (PR) diz que está presente na comunidade.

O vereador Ninho Valete negou que esteja ausente de suas bases eleitorais, principalmente do Banco Raso. O parlamentar do PR afirmou que sua preocupação com o bairro é refletida com demandas levada ao governo, dentre elas a implantação de unidade de saúde no bairro e melhorias no loteamento Santa Luzia.

Ainda de acordo com Ninho, o mandato promoveu atividades de integração na comunidade, como nos festejos do Dia das Mães. O vereador ainda cita parceria com a Associação de Moradores do Banco Raso e ações como roçagem e limpeza no bairro e no BNH.

“PIPA” DEIXA PREFEITURA E BANCO RASO SEM ENERGIA ELÉTRICA

Incidente no Banco Raso deixa prefeitura sem energia elétrica.

Incidente no Banco Raso deixa prefeitura sem energia elétrica.

Há mais de 20 minutos o prédio do Centro Administrativo Firmino Alves e parte dos bairros Banco Raso e São Caetano estão sem energia elétrica. A interrupção foi provocada por um incidente, de acordo com técnicos da Coelba. Uma pipa caiu na rede de baixa tensão. Os garotos nada sofreram.

Técnicos da companhia de energia elétrica encontram-se na localidade para efetuar os reparos na rede. Não há previsão de quando o fornecimento será regularizado. Na prefeitura, todos os serviços estão, temporariamente, suspensos, sendo retomados após a conclusão dos serviços por parte da Coelba.

Atualização às 11h04min – De acordo com a companhia de eletricidade, um dos transformadores da região estourou por causa do incidente. A previsão é de que a energia elétrica seja restabelecida até as 14h, tempo necessário para a troca do transformador.

Pipa na rede provocou interrupção da energia elétrica, segundo Coelba.

Pipa na rede provocou interrupção da energia elétrica, segundo Coelba.

UNIVERSO PARALELO

O RECORRENTE MACHISMO DA LINGUAGEM

1Posso ajudá-loOusarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Num grande supermercado de Itabuna, encontro a mocinha em cuja blusa se estampa, em letras garrafais, a pergunta: “Posso ajudá-lo?” Não creio que possa, enquanto eu não souber qual é, de verdade, meu problema – mas tal questão de ordem metafísica pode ficar para mais tarde. Por enquanto, o que me desperta o interesse é a recorrente tendência machista da linguagem brasileira, lamentavelmente incentivada até por quem deveria combatê-la a ferro e fogo. “Ajudá-lo” supõe que a clientela seja masculina, quando esta, nos locais de compras em geral, constitui (segundo observo), minoria. “Posso ajudar?” é a fórmula correta que um banco utiliza há muitos anos, sem discriminar ou prestigiar gêneros.

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Discriminação apoiada pelas mulheres

O modelo de que se valeu o supermercado foi bolado por alguém sem sensibilidade ou conhecimento da língua portuguesa. Ou os dois. Não deve ser cômodo a nenhuma mulher dirigir-se a pessoa que pretende “ajudá-lo”, como se macho ela fosse. Mas parece que é moda a que as mulheres não reagem (mesmo que a presidenta Dilma tenha trabalhado em sentido contrário, feminizando os cargos femininos). Até no meio universitário, mais conservador do que se imagina, é comum dizer-se que a professora Fulana é “mestre” em tal disciplina. Um horror: mulher é mestra, reitora, vereadora, presidenta, generala, bacharela, coronela – o diabo (aliás, a diaba!). O resto é discriminação, ainda que apoiada pela ala feminina.

O BANCO RASO NUNCA FOI SÃO CAETANO

3Princesa Isabel

Dizem, mesmo sem pesquisa científica, tese ou dissertação acadêmica a tal respeito, que o Banco Raso possui o maior número de botequins por metro quadrado do território itabunense. Adiante-se que às vezes ele é confundido com o São Caetano, mas São Caetano não é, pois o Banco Raso nunca foi santo. E voltemos, rapidamente, ao que interessa, os botequins, na intimidade ditos “botecos”. Minha surpresa é ver num almanaque (o que seria desta coluna, se não fossem os almanaques?) que o termo vem do italiano botteghino, uma espécie de mercearia e que entre nós ganhou outro significado, bem distante daquele original. 

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Filosofia, futebol e sexo dos anjos

Aqui, botequim vende, especialmente, álcool, nos seus diversos perfis. É lugar de encontrar pessoas, trocar ideias, jogar conversa fora, consertar o Brasil. Com mesas às vezes mal-ajambradas, costuma ser o ambiente ideal para curtir dores de cotovelo, começar novas amizades, avaliar a cultura nacional, discutir filosofia, futebol e o sexo dos anjos.  “Refúgio barato dos fracassados do amor” (conforme a canção de gosto, este sim, barato), o boteco tem atraído as atenções da literatura: Jaguar fez Confesso que bebi , 2001, e Moacyr Luz, em 2005, publicou Manual de sobrevivência nos botequins mais vagabundos.

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5Rubem BragaVinícius: tempos ruins, uísque barato

No Villarino, Rio, 1956, copo de cerveja à mão, Tom Jobim foi apresentado a Vinícius de Morais, pelo jornalista Lúcio Rangel;  o Anjo azul, em Salvador, abrigou a primeira exposição do argentino Carybé no Brasil (gostou tanto que ficou baiano!); em São Paulo, o Nick Bar, espécie de extensão do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) virou samba-canção, cantado por Dick Farney; Rubem Braga (foto), Heitor dos Prazeres, João Cabral de Melo Neto e Vinícius, em tempos difíceis, consumiam uísque barato no Vermelhinho, Rio; Paulo Leminski chegava ao Stuart, em Curitiba, às 10 horas, e começava a beber vodca e escrever, tendo ali criado famosa frase: “O Rio é o mar; Curitiba, o bar”. Histórias de botecos.

ORESTES E SEU QUASE MARTELO AGALOPADO

A questão é tão antiga quanto o poema e o canto: letra de música é poesia? Para mim, é; para os que, de fato, entendem do assunto, não é. Manuel Bandeira (poeta que, desencantado com este mundo vasto e real, decidiu mudar-se para a imaginária Pasárgada) tinha “Tu pisavas nos astros, distraída” como o mais belo verso da língua portuguesa. E agora? O texto de Chão de estrelas, de Orestes Barbosa, poderia ser inscrito em qualquer seleção de poesia – desde que Sílvio Caldas não fizesse a “bobagem” de lhe pôr melodia. É um poema romântico, todo versado em decassílabos, acentuação quase sempre na 3ª, 6ª e 10ª – algo parecido com um martelo agalopado.
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7OrestesBarbosaLetras de MPB: do simples ao barroco

Muitos outros autores da MPB atingem o mesmo grau de excelência de Orestes Barbosa: Noel, Tom, Vinícius, Belchior, Caetano, Antônio Maria, Gil, Paulo César Pinheiro, Dolores Duran, Cândido das Neves, Aldir Blanc, Chico Buarque – não há como esgotar a relação, pois riquíssima é a letra de nossa canção. Da simplicidade de Caymmi (“Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”) ao barroco do misterioso Otávio de Sousa (com aquele coração “pregado e crucificado sobre a rosa e a cruz do arfante peito teu”), cada um pode fazer sua escolha, em meio a diferentes estilos e idades. Para mim, isso é poesia, pois tem o impacto estético da poesia.

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Versos que assustaram Sílvio Caldas

A letra de Chão de estrelas, apresentada a Sílvio Caldas em 1941, assustou o músico. Ele achou que era impossível o público aprovar versos tão sofisticados, decassilábicos, acadêmicos, coisa mais pra ser lida em livro do que ser cantada em serenata de balcão, janela e sacada. Mas foi convencido por Orestes a musicar tais versos e gravá-los. Fê-lo com tal competência que Chão de estrelas entrou para a história da MPB como o “Hino nacional dos seresteiros”, com mais de 40 regravações de artistas de variada estirpe, de Elizeth Cardoso a Roberto Carlos, de Nelson Gonçalves a Baden Powell, Carlos Alberto, Maurici Moura (acabou o espaço, voltaremos ao tema)… No vídeo, Maysa, pondo a alma em cada sílaba, como sempre.

 

O.C.










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