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:: ‘Capiba’

UNIVERSO PARALELO

COMO DEUS AMOU A JACÓ E ODIOU A ESAÚ?

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1Esaú e JacóA forma preposicionada do verbo amar, aqui referida há dias, possui uma exceção muito nobre, que não foi citada. É que o Livro Sagrado dos católicos (no qual se esperava o respeito à regra de amar a Deus) abriga, em Romanos 9:13, esta joia de tradução: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú”, palavra de Deus. A expressão, incompatível com um ser de infinita bondade, incapaz de abrigar o ódio (segundo os que Nele creem e O explicam), suscitou variadas interpretações. Destaca-se entre elas a do respeitado teólogo John Murray, no livro Romanos, resumida a seguir.

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“Sem malícia, perversidade ou vingança”

Para o exegeta (nascido na Escócia, em 1898), não se pode dar a esse ódio divino as mesmas características do ódio exercido pelo homem mau. “No ódio de Deus não existe qualquer malícia, perversidade, vingança, rancor ou amargura profanos”, diz o estudioso. Ele acrescenta que “o tipo de ódio assim caracterizado é condenado nas Escrituras, e seria uma blasfêmia atribuí-lo ao próprio de Deus.” E assim vão os crentes tentando explicar as profundas contradições do seu livro-texto, nem sempre com êxito. Voltemos, então, ao verbo, sem intenção de trocadilho.

Noel: “Jurei nunca mais amar ninguém”

Se Cartola escreveu “Não quero mais amar a ninguém”, ferindo a regra, e Pixinguinha foi pelo mesmo caminho, com “Amar a uma só mulher/ deixando as outras todas”, há exemplos do emprego “certo” do verbo: Noel Rosa (na charge de Pedro Thiago) grafou “Jurei nunca mais amar ninguém” e Dora Lopes (na voz de Noite Ilustrada) quase repete o Poeta da Vila, com “Jurei não amar ninguém”. Na poesia, abramos ala para a lusitana Florbela Espanca, que cultua a forma “clássica”: “Eu quero amar, amar perdidamente!/ Amar só por amar: aqui… além…/ Mais este e aquele, o outro e toda a gente…/Amar!  Amar!  E não amar ninguém!”

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ESPUMA RAIVOSA CAINDO SOBRE A GRAVATA

Eu que (quem acompanha esta coluninha sabe) não sou chegado a tevê, recebi de uma gentil leitora a sugestão de dar uma olhada no comentário de Arnaldo Jabor (Jornal da Globo, 12 de junho). Encontrei a preciosidade nos arquivos do Google. Trata-se, todos sabem, de um cineasta (ou ex-cineasta) que se fez popular na última campanha presidencial, pelo uso que a direita faz do seu discurso raivoso. Desta vez, falando sobre as manifestações de rua, ele se superou. Juro a vocês que lhe vi a espuma a escorrer pela a gravata. Felicitando-me por ainda considerar a tevê uma “máquina de fazer doido”, anotei umas frases da fala do homem.
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“Revoltosos não valem nem 20 centavos”
Protesto passagem em Itabuna foto Pimenta www.pimenta.blog.brÓdio puro: “No fundo, tudo é uma imensa ignorância política, burrice misturada a um rancor sem rumo”. Falso desconhecimento: “Se vingam de quê?” Brincando de ser inteligente: “A causa deve ser a ausência de causa”. Em defesa do interesse da Globo: “Por que não lutam contra a PEC 37?” A face da direita: “Esses caras vivem no passado de uma ilusão. Eles são a caricatura violenta da caricatura de um socialismo dos anos 50, que a velha esquerda ainda defende aqui”. A explosão final: “Realmente, esses revoltosos classe média não valem nem 20 centavos”. Depois perguntam por que a Globo estava na lista dos protestos.

ENTRE PARÊNTESES, OU…

Pra não dizer que só falo de espinhos
Aos que me acusam de muito falar mal da mídia – alguns afirmam que caço erros, uma injusta inversão, pois são os erros que me perseguem – vai aqui o que pode ser uma surpresa: o signatário desta coluna é leitor de cabresto de um certo Ricardo Ribeiro, que no Pimenta publica, volta e meia, análises sobre o nosso conturbado viver quotidiano. O defeito do estilo de Ricardo está em não publicar com a frequência que eu gostaria. Ou não. Talvez essa falta de vocação para arroz de festa contribua para fazê-lo avis rara, ou vinho de safra incomum, trigo que se sobressai ao joio. Importa é que a linguagem clara, a lucidez do texto e a visão crítica do autor o levantam ao nível dos “clássicos” do jornalismo regional.

ÂNGELA E A LUZ DIFUSA DO ABAJUR LILÁS

7Ângela MariaO nome é Abelin Maria da Cunha, apelido Ângela Maria, ex-vocalista de coro de igreja que, escondida da família, se apresentava em shows de MPB. Cantou durante quase 70 anos, de 1945 até hoje. E cantou tudo o que lhe caiu às mãos: o verso clássico de Ari Barroso e Noel Rosa, rimas ricas e indigentes, dores de amores derramados ou contidos, a deliciosa cafonice da “luz difusa do abajur lilás que nunca mais irá iluminar outras noites iguais”. Cantou famosos e anônimos, transformou desconhecidos em clássicos, foi de Capiba a Chico Buarque, de Dolores Duran a Paulo Vanzolini. Cauby Peixoto disse que com ela aprendeu a cantar os “finais” das canções. Elis Regina diz que deve a Ângela Maria ser cantora.
Vítima de roubo, agressão e humilhação
Discreta, Ângela não alardeia seus nove casamentos e que seus maridos a submeteram a humilhações, agressões físicas e prejuízos financeiros, quase a levando ao suicídio. No fim dos anos 60, em desespero, mudou-se do Rio para São Paulo, mas continuou sendo roubada, caindo ao estado de grande pobreza. Deu a volta por cima, com uma nova união, a décima (conviveu por 33 anos e casou-se em maio último). Diz que seu melhor amigo sempre foi Cauby Peixoto (ele já confessou ser apaixonado por ela – e que só não se casaram porque ele chegou “atrasado”, Ângela já estava casada). No vídeo, o depoimento de Elis Regina e o canto inconfundível da Sapoti (show da TV Globo, em 1980).

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

SEBASTIÃO NERY ASSINA COLUNA EM ITABUNA

Ousarme Citoaian

Suponho que a notícia deva ser comemorada: um jornal diário de Itabuna passou a abrigar a coluna de um dos mais brilhantes, cultos e experientes jornalistas brasileiros – Sebastião Nery. Autor de mais de quinze livros, principalmente sobre a política partidária (dentre eles, Pais e padrastos da pátria, Crepúsculo caiado, Socialismo com liberdade e Folclore político), Nery sabe, como os melhores de sua geração, contar histórias deliciosas, em estilo leve e cativante. Alguns dos textos publicados em jornal vêm dos livros. E vice-versa. Nas colunas reproduzidas no jornal de Itabuna ele tem usado passagens do seu excelente A Nuvem/2009, livro de memórias que só li no ano passado.

A LEITORA SABE ONDE FICA A TAPROBANA

De A Nuvem, esta história, passada no Seminário de Amargosa, quando Nery e outros analisavam, em aula, Os Lusíadas (“As armas e os barões assinalados/Que da ocidental praia lusitana/Por mares nunca d´antes navegados/Passaram muito além da Taprobana”). “Onde fica a Taprobana?” – vai perguntando o exigente e quase surdo Padre Correia, sem resposta. Até chegar à última fila de carteiras, onde está um tímido seminarista recém-chegado de Jequiriçá: “Sei não, professor”. O velho mestre esfrega a resposta na cara dos alunos. “Muito bem! Ceilão! Vocês, seus marmanjos, há anos aqui, não sabem. E o tabareuzinho de Jequiriçá já sabia”. Conta Sebastião Nery: “Nenhum de nós dedurou o tabareuzinho de Jequiriça”.

NABUCODONOSOR “VISITA” JOAQUIM NABUCO

Eu também não saberia onde fica a Taprobana – e aproveito para contar um caso, da forma como me foi contado. Era o lendário Instituto Municipal de Educação (I.M.E.,na foto de Mendonça), Ilhéus, no fim dos anos cinquenta. Durante uma prova oral de História do Brasil, o professor Leopoldo Campos Monteiro pergunta a um aluno meio “curto” o nome do diplomata famoso, autor de O estadista do Império. Como o rapaz não sabia, o mestre, bondoso, tentava ajudar, mas a resposta não saía. Já esgotados os “argumentos”, o professor dá a pista definitiva: “Nabuco, meu filho, Nabuco…” O mau aluno, achando que tinha captado a dica, sai-se com esta pérola, em voz alta: “Nabuco…donosor”! O bom professor Leopoldo quase desmaia de susto e frustração, diante da risadaria geral.

MASSAGISTA SE APAIXONA POR “SINÔNIMO

Tempos antes de ganhar o nome de Zito Bolinha, o futuro massagista do Itabuna, apaixonou-se por uma palavra nova e bonita: sinônimo. Assim, tudo que o espantava, divertia ou preocupava, ele definia como… “um sinônimo!” – para a total perplexidade dos que o ouviam. A gripe asiática era um sinônimo, Leo, entortador de zagueiros, era outro sinônimo, e que sinônimo era a louríssima arrasa-quarteirão Marylin Monroe (foto), incendiando telas e a imaginações! Até que, interrogado a respeito, Zito explicou que ouviu a palavra no filme Absolutamente certo: Anselmo Duarte (1920-2009), a certa altura da narrativa, afirma: “Isto é um fenômeno!”. O bom Zito Bolinha, que nunca teve oportunidade de ir à escola, confundiu fenômeno com sinônimo.

CUIDADO: ATLETA “FINALIZA” ADVERSÁRIO

Com pessoas iletradas eu sou todo boa vontade, mas não consigo reeditar esse comportamento com os que se dão ao ofício de escrever para o público. Estes (às vezes com pose que supera a competência) não têm justificativa para erros palmares, resultantes de indolência, descuido, desatenção, desleixo. “Jornalistas têm que escrever tão bem…” (vocês já sabem). Com tal espírito, leio em importante diário de Itabuna este título enigmático: “Itabunense finaliza adversário em 15 segundos de luta”. Ora, como será que esse lutador de maus bofes ”finalizou” seu infeliz desafeto? Um furo na jugular do pobre coitado? Vitimou-o a tiros de escopeta ou o forçou a uma overdose de droga.

APENAS A LINGUAGEM FICOU COM HEMATOMAS

Decido-me pela leitura do texto e respiro aliviado, pois – ao contrário da expectativa criada pela manchete – a notícia não revela nenhuma agressão com sangue derramado, apenas a linguagem sofreu hematomas: um atleta de Itabuna aplicou uma chave de braço no seu adversário e o venceu, tornando-se campeão de um torneio de luta livre, em Jequié. Fico sem saber o porquê de certos redatores buscarem complicações, quando deveriam manter-se no simples. A estilística não vê a simplicidade como defeito a evitar, mas qualidade a perseguir. Se Zito Bolinha tinha o direito falar “bonito”, jornalistas não o têm. Aliás, o falecido massagista certamente diria que o título referido é… um sinônimo!

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O ERRO “ESPECIAL” DE NELSON GONÇALVES

Já nos referimos aos erros gravados na MPB, voltamos a eles hoje e, por certo, tão cedo não esgotaremos o tema. Há erros menores, facilmente absorvíveis, e erros notáveis, que transformaram em definitivo a letra original. Mas há um deles que tem características diferentes, por ter sido “corrigido” no ar, coisa nunca vista. O registro em disco tornou-se antológico, devido ao erro e a imediata correção. Trata-se da canção Maria Betânia, de Capiba (Lourenço Fonseca Barbosa), cuja letra foi “atacada” por ninguém menos do que Nelson Gonçalves, e “defendida” por Jessé, uma espécie de concorrente. A gravação, ao vivo, ganhou esse quê de especial, pela importância de Nelson Gonçalves.

LUTA DE GIGANTES, RENHIDA, EQUILIBRADA

Depois de Jessé cantar metade da letra, Nelson exibe aquele grave que o caracterizava, com Jessé num contracanto emocionado. Aí Nelson (que é “dono e senhor” de Maria Betânia desde 1944!) confunde o texto, enfia um “esplendor” no lugar errado, Jessé percebe o erro, diz “data vênia, mestre!” e, de peito escancarado, corrige: “hoje confesso, com dissabor”. Gosto de imaginar que foi assim. Ou então penso numa luta de gigantes, equilibrada, renhida, sem prognóstico e, quando menos se espera, um deles escorrega numa casca de banana. Maria Betânia (então, Bethânia) foi feita em 1943, quando Capiba (1904-1997), musicou a opereta “Senhora de Engenho”.

CAETANO VELOSO GOSTOU DE MARIA BETHÂNIA

Em visita ao Recife, Nelson resolveu gravar a canção, o que fez em 1944, popularizando o nome. Maria Bethânia era ouvida também nos alto-falantes de Santo Amaro, pela família Veloso, tanto que Maria Bethânia, a cantora, chama-se Maria Bethânia por causa de Maria Bethânia, a canção. Se alguém aí vive no mundo da lua e ainda não sabe dessa história, vá lá: quem deu o nome à festejada cantora foi seu criativo mano Caetano. Outra curiosidade, menos óbvia: a pequena Surubim (foto) –  pouco mais de 58 mil habitantes, pelo censo de 2010), no agreste pernambucano – deu, além do compositor Capiba, o animador Chacrinha. Veja/ouça o “duelo” de dois grandes da MPB: Jessé e Nelson Gonçalves.

(O.C.)









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