Palavra-chave ‘Ceplac’

DEPUTADO QUE DEFENDE FUSÃO DA CEPLAC COM A EMBRAPA REBATE GERALDO

Felix defende fusão Ceplac-Embrapa.

Felix defende fusão Ceplac-Embrapa.

O deputado federal Félix Mendonça Jr (PDT) rebateu o colega Geraldo Simões (PT) e disse que a Embrapa trabalha com culturas como o café. Geraldo discorda da proposta de Félix de fundir a Ceplac com a Embrapa, criando a Embrapa-Cacau.

Hoje, o pedetista festejou resultados de pesquisa que com variedade de café mais resistente à seca. “A transformação da Ceplac em Embrapa Cacau é urgente”, disse Félix.

O parlamentar, que preside a Frente em Defesa da Lavoura Cacaueira, destacou notícia de que a Embrapa conseguiu aplicar o gene CAHB12, encontrado no café, em culturas como cana-de-açúcar, soja e algodão, fazendo-os resistir por até 45 dias sem água.

GERALDO, FÉLIX E A CEPLAC

geraldo15O deputado federal Geraldo Simões disse ao Política Livre ser contra a proposta do colega Félix Júnior, que vê na transformação da Ceplac em Embrapa-Cacau uma solução para parte dos problemas da lavoura.

Repetindo argumentos aqui expostos pelo PIMENTA nas primeiras horas desta sexta, Geraldo disse que a Embrapa não possui experiência com culturas permanentes, a exemplo do cacau, e poderia, no máximo, oferecer pesquisa.

- Ao contrário da Ceplac, que trabalha com culturas permanentes relacionadas ao cacau, pesquisa e expansão rural. Temos expertise no assunto. A Embrapa trabalha com cultura temporária e não conseguiu ir além de Cruz das Alma – disse.

Geraldo diz reconhecer em Félix autoridade para discutir o assunto cacau, mas a fusão Ceplac-Embrapa é um equívoco. Para ele, deve-se pensar em mais orçamento e concurso público para fortalecer a Ceplac.

UMA OBSERVAÇÃO DE 18 MESES

eduardo thadeuEduardo Thadeu | ethadeu@gmail.com

O corporativismo da velha senhora (Ceplac) não permitia que ventos novos entrassem por suas janelas.

Em agosto de 2011, morando em Salvador, passando por Itabuna, em viagem ao Rio de Janeiro, minha cidade natal, tive o prazer de me encontrar com os senhores Juvenal Maynart e Wallace Setenta, que, naquela oportunidade, estavam envolvidos em um grupo dedicado a restabelecer o conhecimento empírico, estudar e entender o significado do Sistema Agroflorestal focado na produção de cacau e localmente conhecido como Cabruca.

Fui por eles convidado à esta conversa por conta de minha anterior experiência em Planejamento e Desenvolvimento Regional Integrado Sustentável- PDRIS na Amazônia e por minha militância de mais de 30 anos junto à causa ambientalista.

Neste dia me convidaram para participar de uma visita à Fazenda Almirante, de propriedade da multinacional Mars, no então vindouro mês de setembro/2011.

Convite aceito e com a curiosidade a flor da pele voltamos em Setembro para conhecer “in loco” a tal da Cabruca. No mesmo dia da visita três fatores afetaram profundamente minha percepção das possibilidades do Sistema Cabruca.

O primeiro foi o contato físico, quase indescritível fora da poesia – parafraseando o produtor Pedro Mello – das lembranças dos tempos dos “empates” na Amazônia Ocidental que significou adentrar uma cultura de cacau cabruca, uma determinação econômica, sob o manto acolhedor da Mata Atlântica, preservada e viva, o que não vi na Amazônia na década de 70 e 80 do século passado, onde a realidade era restrita pela necessidade da preservação pela preservação sem alternativas econômica e de sobrevivência para aquele povo .

O segundo fator determinante foi a observação de que havia dedicação e competência técnica, social e política para que a Região pudesse se beneficiar de tal tradição ao ter o prazer de conhecer naquele mesmo dia os senhores Durval Libânio, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau do Ministério da Agricultura e do Instituto Cabruca, e Joelson Ferreira, liderança inconteste dos pequenos produtores locais e presidente do Assentamento Terra Vista, experiência exemplar do MST no Brasil.

O terceiro fator, que se consubstanciou em mais uma certeza, foi a clara necessidade de que o mundo tinha que conhecer esta realidade e que, no limiar da Conferência Rio + 20, esta seria a grande oportunidade de mostrarmos ao mundo uma agricultura sustentável preconizada mundo afora e que aqui já era executada há mais de 2 séculos e meio.

Em parceria com os atores envolvidos e reconhecidos imediatamente, procuramos as instituições envolvidas com a organização da Conferência das Nações Unidas para a Sustentabilidade – Rio + 20 – tentado mostrar-lhes a oportunidade, adequação e necessidade de que o Sistema Cabruca fosse divulgado, avalizado, priorizado e apoiado não só pelo governo brasileiro, como também pelo mundo atento à essas questões tão atuais e atrativas. Ações, viagens, e dedicação foram desenvolvidas com recursos próprios e em nome das décadas de militância em função da causa do desenvolvimento sustentável pelo grupo então envolvido.

Quiseram as démarches políticas locais que o senhor Juvenal Maynart fosse nomeado, em novembro de 2011, superintendente regional da Ceplac na Bahia, e a seu convite eu viesse a participar de sua equipe como colaborador eventual, uma vez que o corporativismo da velha senhora (CEPLAC) não permitia que ventos novos entrassem por suas janelas.

As tratativas para que levássemos a CABRUCA à Rio + 20 tiveram excelentes resultados. Em parceria com a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais apresentamos a Cabruca no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, dentro da programação oficial do governo brasileiro, tendo como ápice a exibição em duas sessões do documentário “The Cabruca Cocoa – The Cocoa from Brazilian Atlantic Rainforest”.

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O CACAU DA BAHIA: UMA VISÃO GLOBAL QUE PEDE UMA ATUAÇÃO LOCAL

eduardo thadeuEduardo Thadeu | ethadeu@gmail.com

Fatores por nós já bastante conhecidos e identificados, fizeram com que a produção da tradicional região cacaueira baiana perdesse importância e começasse a derrapar em um mar revolto de enganos e interesses, por vezes escusos, travestidos de ciência de ponta, mas a serviço do oligopólio já instalado.

Não é nenhuma novidade que a commodity cacau e seu mais refinado produto final, o chocolate, sofrem influências de um mercado oligopolizado e de tal forma concentrado que não se vislumbra precedente ou comparação em nenhuma outra cadeia produtiva iniciada no setor primário.

É por demais conhecida a situação de que cinco ou seis grandes compradores e processadores da matéria-prima cacau, a amêndoa, detêm quase 100% do mercado mundial, mercado este que, sem muito alarde, envolve algumas dezenas de bilhões de dólares.

Apesar dessas cifras, esse mesmo mercado deixa somente 7% dos ganhos em sua ponta inicial e, em contrapartida, tem 74% dos ganhos auferidos pela indústria alimentícia que utiliza os sabores e o nome do chocolate.

A novidade oligopólica aqui é que os processadores finais, aqueles que colocam as cáries nos dentes de nossos filhos ao açucararem o cacau, são os mesmos que detêm o poder de compra da matéria-prima original, o nosso bom e saudável fruto, o Cacau.

O Brasil, representado pela Bahia, já foi um importante fornecedor deste mercado internacional. Fatores por nós já bastante conhecidos e identificados, fizeram com que a produção da tradicional região cacaueira baiana perdesse importância e começasse a derrapar em um mar revolto de enganos e interesses, por vezes escusos, travestidos de ciência de ponta, mas a serviço do oligopólio já instalado.

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AÇÃO POLÍTICA E GESTÃO PÚBLICA – OU ‘HABEMUS CACAO!’

Domingos Matos2Domingos Matos | matos.domingos@gmail.com

Os produtores queimam cacau hoje, em protesto contra a importação do produto da África, porque os nossos armazéns estão abarrotados. O que temos de amêndoas aqui dá – de sobra – para atender a planta moageira instalada no país. Isso é autossuficiência.

No dia em que o presidente da Venezuela Hugo Chavez fez a viagem, e o mundo viu a população em peso nas ruas chorando sua morte, poucas horas antes, em Ilhéus, um protesto contra a importação de cacau pelas indústrias moageiras instaladas no Brasil também chamou a atenção do país.

O leitor deve estar se perguntando o que teria a ver El Comandante com o protesto em Ilhéus. Muita coisa, diria. Uma, importantíssima: os dois fatos – o luto dos venezuelanos e o luxo de se queimar cacau na rua – derivam de uma ação política.

Da parte de Chavez, sabemos que sua popularidade veio da execução de um projeto (social) que fez com que o país auferisse ganhos econômicos e sociais bastante expressivos.  No sul da Bahia, o fato – repito – luxuoso de se queimar cacau em praça pública também só é possível porque houve, antes disso, um projeto, gestado, implantado e gerido a partir de uma ação política, visando um resultado que beneficiasse toda a sociedade.

Esse projeto foi parido dentro da Ceplac, divulgado com antecedência, e hoje permite que a região possa dizer que já não precisa de cacau importado. Falo aqui do projeto “Autossuficiência com Sustentabilidade”, oficializado no Dia Internacional do Cacau, no auditório da Ceplac, mas que foi apresentado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima em janeiro de 2012 pelo superintendente da Ceplac/Bahia, Juvenal Maynart, em conjunto com o chefe do Centro de Pesquisas do Cacau, Adonias de Castro.

Lembremos que dias antes da oficialização, a Ceplac voltava, vitoriosa, de sua participação na conferência da ONU para a sustentabilidade, a Rio+20, onde o cacau da Bahia foi inserido no documento oficial do governo brasileiro para as Nações Unidas como uma das premissas para a sustentabilidade, capaz de contribuir para a diminuição da fome e das desigualdades no país (o cacau cabruca foi consignado como a nona das 10 premissas do MAPA para uma agricultura sustentável).

Pois bem. A safra de 2012 na Bahia bateu 154 mil toneladas – segundo consultoria independente – e a desse ano tem previsão de ultrapassar as 160 mil toneladas. Ora, os produtores queimam cacau hoje, em protesto contra a importação do produto da África, porque os nossos armazéns estão abarrotados. O que temos de amêndoas aqui dá – de sobra – para atender a planta moageira instalada no país. Isso é autossuficiência. E essa autossuficiência foi prevista como uma ação política, direcionada para a sociedade regional.

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UFSBA MUDARÁ O PARADIGMA DE NOSSA REGIÃO

WENCESLAU1Wenceslau Júnior | wenceslauvereador@gmail.com

A Comissão está trabalhando incessantemente para encontrar a solução mais adequada para garantir a imediata instalação da universidade na cidade.

Na condição de membro da Comissão criada pelo prefeito para acompanhar o processo de implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufsba), vale a pena esclarecer:

A) Que o município não dispõe de área própria que atenda às exigências elencadas pela Comissão de Implantação;

B) Que a área oferecida pela gestão anterior é particular, não existindo qualquer contrato que assegure ao município alguma garantia;

C) Que em conjunto com a comissão de implantação da UFSBA, estamos avaliando tecnicamente a melhor opção de área para em seguida efetuarmos a compra ou desapropriação;

D) essas medidas estão sendo mantidas em sigilo para evitar especulação imobiliária no entorno da área escolhida.

Na verdade, o que mais tem nos angustiado é a definição de um espaço adequado para abrigar imediatamente o funcionamento do Colégio Universitário de Itabuna e a Instalação do Instituto e da sede da Reitoria, pois esses espaços é que são fundamentais, juntamente com a celeridade na aprovação do Projeto de Lei que Cria a UFSBA assegurando o seu pleno funcionamento já em 2014.

Quanto às decisões de prédios para instalação do Colégio Universitário, do Instituto e da Sede da Reitoria, bem como em relação à definição da área para construção do Campus, a comissão de implantação, juntamente com o prefeito da nossa cidade, definiram o mês de março como prazo razoável para tal definição.

A Comissão está trabalhando incessantemente para encontrar a solução mais adequada para garantir a imediata instalação da universidade na cidade. Não poderia ser diferente tal empenho, até porque, eu e o prefeito Vane, na condição de vereadores, juntamente com nossos pares e outros atores, participamos intensamente da luta em defesa da Universidade Federal do Sul da Bahia.

Entendo que a decisão de instalar a Universidade aqui é a maior conquista do centenário de Itabuna, pois esse equipamento, juntamente com a Uesc, Ifba, Ceplac e outros órgãos aqui instalados, possibilitará a formação da massa crítica necessária para formular políticas de desenvolvimento econômico com inclusão social, respeito ao meio ambiente, focado no desenvolvimento tecnológico e na inovação necessários à consolidação de uma mudança de paradigma que supere de uma vez o modelo econômico de exportação de commodities, aproveitando a instalação dos equipamentos de infraestrutura e logística em curso na região dando um salto na diversificação econômica com foco em tecnologia.

Daí a determinação do prefeito Vane para que a equipe não poupe esforços e no prazo combinado com a comissão, nosso município possa cumprir com a parte que lhe cabe.

Wenceslau Júnior é vice-prefeito de Itabuna, advogado e professor da Uesb.

PREFEITOS DISCUTEM UFSBA EM ITABUNA

Prefeitos do sul da Bahia se reúnem amanhã, 18, às 9h, no plenário da Câmara de Vereadores de Itabuna, para discutir o processo de implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufsba) e definir localização dos Colégios Universitários (CUs). No total, serão trinta colégios espalhados em municípios nas áreas de abrangência da Ufsba.

A reitora Dora Leal, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), também participará da reunião. O prefeito de Ibicaraí, Lenildo Santana, presidente da Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste Baiano (Amurc), diz que o encontro marca o envolvimento dos municípios na construção do projeto transformar para a educação regional.

A ideia é acelerar o processo de instalação da Ufsba para que as aulas comecem em 2014. O processo mais adiantado dos três campi da universidade é o de Teixeira de Freitas. Itabuna ainda “patina” neste item. A comissão municipal criada pelo prefeito Claudevane Leite para cuidar do assunto levou propostas de áreas para instalar o campus, porém sem precisar tamanho de área, por exemplo. O andamento do processo aponta para reitoria em Itabuna e campus da Ufsba na área da Ceplac.

CACAU DA BAHIA É SINÔNIMO DE CONSERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA

Juvenal Maynart sugere a estação Joaquim Bahiana para o campus da Ufesba

Juvenal Maynart Cunha

 

O modelo cabruca, o modo tradicional baiano de cultivo do cacau, foi a única forma de produção citada como uma das 10 premissas para a garantia da sustentabilidade na produção de alimentos.

 

Há mais de 250 anos, desde quando foi introduzido na Bahia, o cacau é responsável pela conservação de recursos naturais em sua área de influência. Os primeiros produtores acreditavam que a sombra da cobertura das árvores era necessária para o aumento da produção. Assim, da mata nativa, apenas foi retirada a parte necessária ao plantio da cultura, ou seja, o sub-bosque.

Ao contrário do que diz a pesquisa da CNN citada na nota do Bahia Notícias, a cultura do cacau, no recorte Bahia, é que garantiu a conservação de grande parte do que resta da Mata Atlântica em nosso estado. Tanto é que, ao sobrevoar a região, o turista desavisado pensa estar planando sobre uma mata nativa. Bem, embora em muitas áreas esta já não seja mais intocada, é, sim, um exemplo de convivência entre a produção em larga escala e o meio ambiente. Embaixo da mata há uma cultura intensa, embora de baixo ou baixíssimo impacto ambiental.

Basta imaginarmos que no sul da Bahia, em apenas um hectare com plantação de cacau, no sistema Cabruca, podem ser (já foram) identificadas mais de 270 espécies de mamíferos (90 endêmicas); 372 de anfíbios (260 endêmicas); 197 de répteis (60 endêmicas); 849 de aves (188 endêmicas); 2.120 de borboletas (948 endêmicas). Foram encontradas, ainda, 458 espécies lenhosas, um recorde mundial.

O sistema cabruca é tão expressivo que a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento (MAPA), o adotou como modelo de produção, sistematizado no Projeto Barro Preto de Conservação Produtiva. O modelo Conservação Produtiva é o resultado de um conjunto de ações de baixo impacto ambiental, que prevê, inclusive, o georreferenciamento de todas as espécies arbóreas que compõem a plantação, além de ações que garantam os três aspectos basilares da sustentabilidade no meio rural: o ambiental, o social e o econômico.

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CACAU DA BAHIA CONTINUA SEM REPRESENTAÇÃO

Eduardo Thadeu| ethadeu@gmail.com

 

O que se ouviu ao longo de toda a manhã foram loas ao agronegócio representado pela CNA, modelo que por definitivo não se adequa às tradições cacaueiras baianas e obviamente em direto antagonismo com as próprias políticas públicas emanadas tanto do Governo Federal quanto do Estadual.

 

Estou escrevendo este artigo ainda sob o impacto do que vi, ouvi, observei e avaliei do evento ocorrido hoje – escrevo na quinta feira, 24.01 – no auditório da CEPLAC/BA .

Desde que aqui cheguei em agosto de 2010, duas coisas me impressionaram profundamente, ambas surpreendentes para um profissional que, como eu, dedica-se à causa do Desenvolvimento Regional Integrado Sustentável há mais de 30 anos.

A primeira delas, extremamente impactante, ocorreu quando alguns amigos, abnegados defensores do Sistema Cabruca, levaram-me a uma propriedade onde este sistema é predominante na produção de cacau. Minha primeira reação foi perguntar o porquê do mundo não conhecer tal prática sustentável e responsável pela preservação de enorme mancha de Mata Atlântica na tradicional região cacaueira baiana. A partir desta constatação e, após a posse de Juvenal Maynart na Superintendência da Ceplac, tratamos de ecoar pelos gabinetes responsáveis pela coordenação da então vindoura Conferência das Nações Unidas sobre a Sustentabilidade, ocorrida no Rio de Janeiro em junho passado, também conhecida como RIO + 20.

Os esforços foram recompensados: estivemos durante dez dias na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, com o acampamento “Povos da Cabruca”, onde milhares de visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as delícias e demandas do cacau e do chocolate. Estivemos, também, no Píer da Praça Mauá durante os dez dias, em stand no espaço dedicado à Ciência e Tecnologia, alternativas em uma parceria do Instituto Cabruca e da Ceplac/BA, “and last but not least”, apresentamos um painel sobre o Sistema Cabruca no dia 19 de junho p.p. em parceria com a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, onde também em duas sessões foi apresentado o documentário “ THE CABRUCA COCOA – THE COCOA FROM BRAZILIAN ATLANTIC RAINFOREST”, resultando que o Sistema Cabruca e a cultura do Cacau foram os únicos citados no documento formal do MAPA que listou as premissas para uma agricultura sustentável no século 21.

A segunda delas, talvez não tão impactante quanto a primeira, foi a constatação de que, apesar da Bahia produzir 70% do cacau brasileiro, ter esta cultura e tradição de preservação, abrigar o centro de pesquisas da Ceplac, seu Centro de Extensão e a maioria de sua força de trabalho, a Ceplac não tinha em sua direção um baiano envolvido com a cadeia produtiva do cacau e do chocolate. A Ceplac vinha a anos sendo dirigida por um pesquisador paraense que, como era de se esperar, tratava de beneficiar a cultura do cacau na Amazônia em detrimento da tradicional região produtora baiana.

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O TEMPO FECHOU NA CEPLAC

Helinton Rocha (esquerda) isolou os representantes da região. Joelson Ferreira chiou

Helinton Rocha (esquerda) isolou os representantes da região. Joelson Ferreira chiou

A velha UDR (União Democrática Ruralista), que representou o setor mais reacionário da direita brasileira, praticamente renasceu na manhã desta quinta-feira, 24, na Ceplac. O autor da proeza foi ninguém menos que o diretor do órgão federal, Helinton Rocha, que se deslocou de Brasília para a região e, com pose de Midas, declarou que tinha o plano mágico para resolver os problemas da cacauicultura.

A mesa montada na Ceplac para o milagroso anúncio tinha quase somente representantes do agronegócio. Da Bahia, apenas o titular da Seagri, Eduardo Sales, e Guilherme Moura, da Federação da Agricultura (Faeb), também representando a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Da região, ningas, possivelmente porque as cabeças coroadas veem a turma local como um balaio de incompetentes. Dos movimentos sociais, zero.

Talvez por não acreditar em milagres, o presidente da Câmara Setorial do Cacau, Durval Libânio, pediu a palavra, e afirmou que a cacauicultura não precisa de uma agenda nova, mas tão somente de cumprir a que está posta.

Joelson Ferreira, do Movimento dos Sem-Terra e coordenador do Território de Identidade do Litoral Sul da Bahia, teve que gritar do meio da plateia, pois não lhe concederam formalmente o direito de se manifestar. Ele criticou duramente os que se imaginam donos da verdade e supremos detentores de todo o saber, a ponto de apostar em planos miraculosos concebidos a portas fechadas em gabinetes de Brasília. Sem a necessária humildade de ouvir quem está no campo e tem conhecimento acumulado na matéria.

Arrogância tem limite. Mas hoje o grito da senzala constrangeu a casa grande.

CEPLAC: ADONIAS NEGA INTERESSE EM CARGO

Adonias Castro, da Ceplac.

Adonias de Castro, da Ceplac.

Em contato com o PIMENTA, o dirigente do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), Adonias Castro, negou que tenha se movimentado para assumir a superintendência da Ceplac na Bahia.

- Sou funcionário da Ceplac onde exerço função no Centro de Pesquisa do Cacau sem nenhuma vinculação político-partidária – disse, lembrando que chegou ao cargo de diretor do Cepec por meio de indicação dos meus colegas de trabalho e da direção da instituição.

Castro disse também não existir, da parte dele ou de qualquer pessoa próxima, “nenhuma ação” visando assumir o cargo de superintendente, hoje ocupado pelo administrador Juvenal Maynart.

O PSD DE OLHO NA CEPLAC

Derrotado nas eleições para a Prefeitura de Ituberá, no baixo-sul baiano, Andrezito de Castro (PSD) já escolheu nova empreitada: emplacar o irmão, Adonias de Castro, na superintendência da Ceplac para  a Bahia e Espírito Santo. Os irmãos procuram se articular com o vice-governador Otto Alencar e utilizam o argumento de que o atual superintendente, Juvenal Maynard, é ligado ao PMDB de Geddel Vieira Lima, adversário de primeira hora do grupo que hoje comanda o Estado.

Adonias, que atualmente é chefe do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), já encomendou o terno…

UFSBA: milhares de jovens de Itabuna e da região cacaueira não podem continuar sem opção universitária pública

Josias Gomes

 

Nossa responsabilidade para com a Ceplac é histórica, do conhecimento de seus dirigentes, seus funcionários e seus pesquisadores.

 

A Bahia vive uma experiência acadêmica da maior importância. Na região cacaueira está sendo implantada, não sem dificuldades, a Universidade Federal do Sul da Bahia. A nova instituição nasce com o objetivo de priorizar o ingresso de estudantes do Sul e do Extremo Sul baianos. Segundo levantamento realizado pela equipe que coordena o projeto da UFSBA, cerca de 17.000 jovens concluem anualmente o Ensino Médio, na área abrangida pela futura instituição, e não têm acesso à universidade pública, e, portanto, gratuita. E é isto o que ocorre, mais uma vez, neste final de ano.

Nós, que, na condição de um dos representantes da região na Câmara dos Deputados, com inescapável responsabilidade para com a situação descrita, estamos, agora, empenhados na busca de soluções que barateiem o funcionamento da universidade, e, ao mesmo tempo, tornem mais ágil concluir o processo. Pensamos não ser possível mais tolerar que os milhares de estudantes da região cacaueira continuem vivendo sem perspectiva alguma de continuidade de seus estudos, uma vez que a UFSBA já se constitui num projeto devidamente aprovado em todas as instâncias federais.

Ao todo, a UFSBA oferecerá 8.000 vagas para ingresso em seus cursos. Um número tão expressivo, que modificará inteiramente a realidade educacional superior na região. O sistema, inspirado nas teses do grande educador baiano Anísio Teixeira, fundador da Universidade de Brasília, absorverá os estudantes da região cacaueira através de um inclusivo sistema de colégios universitários, que funcionarão em dezenas de municípios do Sul e do Extremo Sul baianos, polarizados por três sedes: Itabuna, Teixeira de Freitas e Porto Seguro.

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UFESBA: SIMÕES COBRA POSICIONAMENTO DE VANE

Geraldo: ameaça no STF.

O deputado federal Geraldo Simões (PT) cobrou há pouco, na Rádio Difusora, uma manifestação do prefeito eleito de Itabuna, Vane do Renascer (PRB), com relação à área para a futura Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba). Segundo o parlamentar, a questão do terreno ainda não foi resolvida “nem pelo prefeito que vai sair nem pelo que vai entrar”.

Simões fez uma provocação a Vane, dizendo que ele “tem que ser franco” e dizer se vai apresentar a área da Ufesba. “Se não houver condições, vamos procurar o governador Wagner”, disse o deputado, que não abre mão de que tanto a reitoria quanto o campus da Ufesba fiquem em Itabuna.

O deputado declarou que a implantação da Ufesba será o fato de maior importância desde a emancipação de Itabuna, há 102 anos. “Olhe para os quatro cantos de Itabuna e você não vai ver nada grandioso”, afirmou o político, acrescentando que esse deserto de realizações será superado com a vinda da Ufesba. Simões governou Itabuna em duas oportunidades e exerce o segundo mandato como deputado federal.

Ainda de acordo com o petista, quem defende a proposta de instalar a reitoria da Ufesba em Itabuna e os cursos na sede regional da Ceplac, situada em território do município de Ilhéus, age contra os interesses de Itabuna e também do órgão federal. Segundo ele, quem aponta essa alternativa “quer prejudicar Itabuna e fechar a Ceplac”.

MAYNART OFERECE ÁREA DA CEPLAC PARA UFESBA

Juvenal Maynart sugere a estação Joaquim Bahiana para o campus da Ufesba

Juvenal Maynart sugere a estação Joaquim Bahiana para o campus da Ufesba

Embora o deputado federal Geraldo Simões (PT) atribua a delírios ébrios a sugestão de instalar cursos da Ufesba na Ceplac, a ideia é considerada plausível pela comissão responsável pelo projeto da instituição.

Nesta sexta-feira, 14,  o superintendente da Ceplac, Juvenal Maynart, apresentou alternativa à sede regional do órgão. Por ele, um bom local para instalar a universidade seria a estação Joaquim Bahiana, que ocupa  área de 110 hectares, às margens da BR 101, em território pertencente ao município de Itajuípe.

Maynart tem dito que não se opõe ao campus da Ufesba na sede regional da Ceplac, na rodovia Ilhéus – Itabuna, mas acredita que a estação Joaquim Bahiana seria um local mais apropriado. Entre outros aspectos, ele afirma que o trecho da BR 415 entre as duas cidades já está por demais sobrecarregado, o que se acentuaria com a instalação da universidade.

Fato é que a comissão liderada pelo ex-reitor da Ufba, Naomar Almeida, fez duas visitas nesta manhã de sábado, 15. Uma, à estação Joaquim Bahiana; a outra, à sede da Ceplac. E, antes que alguma língua ferina comece a coçar, Almeida e os outros membros da comissão estavam todos sóbrios.

Quem defende uma das unidades da Ceplac para receber o campus da Ufesba afirma que haveria vantagens como a utilização de uma estrutura já pertencente à União, o que evitaria gastos de tempo e dinheiro com desapropriações e processo licitatório. A proposta é de que a sede administrativa da instituição de ensino fique em Itabuna, enquanto o campus aproveitaria as instalações pertencentes à Ceplac.

Há quem ache que isso beneficiaria Ilhéus (ou Itajuípe, no caso da Joaquim Bahiana). Outros apostam que Itabuna, por ter seu núcleo urbano próximo das duas unidades, colherá bons frutos de qualquer maneira. O debate é positivo, mas alguns o apequenam. É o caso de um deputado federal que age como vereador. Sem demérito aos que legislam nas câmaras municipais.

AUDIÊNCIA PÚBLICA DA UFESBA

Deputado Josias Gomes defende sede em Itabuna e campus na sede regional da Ceplac, em território ilheense

A polêmica em torno da localização do campus da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba) promete esquentar a audiência pública que acontece nesta sexta-feira, 14, a partir das 18 horas, no Centro de Cultura Adonias Filho (CCAF), em Itabuna.

Há informações de que o presidente da comissão responsável pelo projeto institucional da futura universidade, o ex-reitor da Ufba, Naomar Almeida, é simpático à ideia de que a sede administrativa da Ufesba fique em Itabuna, com a instalação dos cursos na sede regional da Ceplac, situada na rodovia Ilhéus-Itabuna, porém em território ilheense.

A proposta é defendida pelo deputado federal Josias Gomes (PT), para quem a opção pode acelerar a implantação da instituição de ensino superior. No entanto, a sugestão enfrenta forte resistência em Itabuna.

Gomes nega que sua proposta implique em acabar com a Ceplac. Segundo ele, a instalação do campus na sede regional do órgão aproveitaria uma estrutura que hoje se encontra ociosa em cerca de 80%, inclusive laboratórios. O deputado também acredita que pesquisadores da Ceplac poderão atuar na Ufesba.

BAIRRISMO EXTREMO É “BURRISMO”

Ricardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

 

Eis que surgem os bairristas, alegando que a Ceplac não pode abrigar os cursos da Ufesba, pelo singelo motivo de que a sede regional não fica em Itabuna, mas em Ilhéus.

 

Já é lugar comum falar que Ilhéus e Itabuna são cidades que se complementam, mas a ideia ainda enfrenta a resistência de uma rivalidade pouco sensata, estimulada em passado recente por uma estúpida disputa territorial, cujo estopim foi a construção de dois supermercados no limite entre os dois municípios.

As expressões de bairrismo foram tão patéticas, que não titubeamos em tratar o assunto com a importância e seriedade que ele merecia. Ou seja, nenhuma. Aqui mesmo neste blog, cunhamos o pomposo título “A Batalha de Quiricós”, uma ironia que fazia referência à ilha situada nos fundos do Atacadão, onde passa a linha divisória.

Enquanto uns se preocupavam com a linha que divide, deixavam-se de lado as tantas questões que unem e são capazes de, realmente, promover o desenvolvimento regional. Muito mais do que a arrecadação de impostos gerada pelos empreendimentos instalados nas cercanias de Quiricós.

Há anos se discute a ideia de transformar Ilhéus e Itabuna em uma região metropolitana, proposta que será fatalmente concretizada pela simples razão de que a política não pode andar de costas para a realidade. Juntas, as duas cidades terão força e poderão enfrentar problemas que não são pequenos, como a recuperação do Rio Cachoeira e a destinação do lixo, entre outros.

No mundo real, que desdenha de bairrismos, Ilhéus e Itabuna já estão juntas. Seja pela proximidade física, seja pela logística que aproveita da melhor forma o que cada uma tem a oferecer. Quantos moradores de Itabuna trabalham em Ilhéus, e vice-versa?

O complexo logístico que está para ser instalado em Ilhéus, com o Porto Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), atrairá empresas não somente para esta cidade, mas para toda a região. Como lembrou o governador Jaques Wagner, após a emissão da Licença Prévia do porto pelo Ibama, não haverá fábricas ou siderúrgicas nas imediações da retroárea do terminal marítimo de Aritaguá. Ou seja, as indústrias terão que se instalar em outras partes do próprio município de Ilhéus e em outros da região. De qualquer forma, o desenvolvimento que se vislumbra é regional, não municipal.

O tema é aqui colocado em função da ideia do deputado federal Josias Gomes, que propõe a instalação da reitoria da futura Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba) em Itabuna, e a utilização da sede regional da Ceplac para a implantação de cursos da instituição de ensino. O argumento do parlamentar é o de que esse caminho adiantaria em dois anos o início do funcionamento da universidade, antecipando-o de 2017 para 2015. Considera ainda a conveniência de aproveitar estruturas que se encontram ociosas na Ceplac.

Diante da proposta, eis que surgem os bairristas, alegando que a Ceplac não pode abrigar os cursos da Ufesba, pelo singelo motivo de que a sede regional não fica em Itabuna, mas em Ilhéus. Essa é uma mentalidade que precisa ser vencida para que a região avance e a rivalidade entre Itabuna e Ilhéus fique restrita ao Clássico do Cacau, o famoso confronto entre o Azulino e o Colo Colo.

Ricardo Ribeiro é advogado, blogueiro e se sente um “italheense”.

ENTREGA DE ESCRITURAS NO NÚCLEO DA CEPLAC

A entrega das escrituras de propriedade aos moradores do Núcleo Habitacional da Ceplac, em Itabuna, foi antecipada das 14 para as 11 horas da manhã desta terça-feira, 4. De acordo com a assessoria da Ceplac, a mudança no horário ocorreu em virtude da necessidade de permitir a presença de algumas autoridades. Estão previstas as participações de representantes do órgão ligado ao Ministério da Agricultura, da Secretaria do Patrimônio da União e dos deputados federais Josias Gomes e Geraldo Simões, ambos do PT.

A espera por essas escrituras durou cerca de 30 anos. Os documentos beneficiam cerca de 150 famílias de ceplaqueanos, que tinham apenas o usufruto dos imóveis.

MORADORES DO NÚCLEO DA CEPLAC RECEBERÃO ESCRITURA DOS IMÓVEIS

As cerca de 150 famílias que residem no Núcleo Habitacional da Ceplac, em Itabuna, finalmente receberão as escrituras de propriedade das casas onde vivem. A comunidade, formada basicamente por ceplaqueanos, existe há mais de três décadas e somente depois de muita luta os moradores se tornarão legalmente donos dos imóveis.

A conquista foi possível a partir do trabalho de uma comissão de funcionários da Ceplac e gestões da superintendência do órgão junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O superintendente Juvenal Maynart se envolveu pessoalmente na causa.

A entrega das escrituras definitivas de propriedade ocorrerá na próxima terça-feira, dia 4, às 14 horas, na Praça do Núcleo Habitacional. Participam do evento dirigentes da Ceplac e da Coordenadoria de Regularização Fundiária da SPU na Bahia.

REI MORTO, REI POSTO…

Coordenador técnico-científico da Ceplac, Edmir Ferraz não perde tempo em cortejar o chefe de plantão. O funcionário praticamente idolatrava o ex-diretor geral Jay Wallace, mas foi só o homem ser substituído que o novo comandante passou a ser cortejado como líder supremo, magnânimo e infalível.

Há poucos dias, na visita que fez à sede regional da Ceplac em Itabuna, o diretor Helinton Rocha ouviu uma verdadeira declaração do subordinado, que sacou uma cartucheira de elogios e concluiu afirmando que todos aqueles adjetivos generosos se encaixavam no perfil do chefe.

Puxação… Ops, lealdade é isso aí!

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