WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia


alba










setembro 2019
D S T Q Q S S
« ago    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

editorias






:: ‘Chico Buarque’

O PREÇO DA LIBERDADE

Josias Gomes

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

Quanto vale a liberdade de expressão? Sabemos que a liberdade não se negocia, não pode ser precificada. Esse texto tem o compromisso histórico de alertar muitos jovens que apoiam regimes totalitários e golpes militares com toda força que os opressores conseguiram penetrar em suas mentes.

O jovem, por si só, é um libertário e contestador nato, contudo num mundo opressor teriam as suas palavras e ações silenciadas. Durante os regimes democráticos, todo cidadão tem o direito de concordar ou não com um modelo político.

Na Ditadura Militar, não!

Uma ilustração clara é a do jornalista Reinaldo de Azevedo, que falou: “Eu escrevi uma matéria contra o Bolsonaro e fui ameaçado de morte. Eu escrevi quatro livros contra o PT e nunca fui ameaçado de morte”.

Cálice é uma canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, feita durante os anos atômicos da Ditadura Militar. Escolhi essa canção emblemática que foi censurada pelos milicos porque tem diversas metáforas que denunciavam um Brasil amputado e podemos fazer analogias com os dias atuais.

Cálice é uma canção poética poderosa que se refere ao silêncio obrigado da população brasileira. De uma maneira magistral, Chico e Gil (com interpretação livre) denunciam a tragédia vivida pelo povo brasileiro, comparando com o calvário que Jesus sofreu até a sua crucificação.

Em um verso da canção eles cantam: “Como beber dessa bebida amarga”. O vinho, que é para celebrar a vida, está cheio de sangue, amargo, adulterado por censura, desaparecimentos, torturas e morte. O cale-se da Ditadura é feito de ópio.

Jovens, não caiam no canto da serpente. Este canto triste pode durar décadas, gerações, e amanhã vocês podem ser senhores e senhoras arrependidos.

Provavelmente, muitos jovens não conheçam a canção Cálice, porque existe um processo de alienação brutal provocado pela mídia, indústria cultural, onde tentam apagar a memória de luta do povo, artistas e intelectuais brasileiros. Cálice é um hino da minha geração que lutou por um mundo livre, plural, sem vinhos envenenados de ódio e paranoia.

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

“Mesmo calada a boca, resta o peito”.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR-BA).

1968: O ANO QUE INSISTE EM NÃO TERMINAR

Cláudio Rodrigues

 

 

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva

 

 

1968 foi um ano conturbado, marcado por fatos que viraram de ponta cabeça o Brasil e o mundo. O jornalista e escritor Zuenir Ventura é um estudioso do referido ano. Em seu livro 1968: O Ano que não Terminou (Nova Fronteira – 1989), Zuenir cita importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte do período.

Figuras emblemáticas como a atriz italiana e esquerdista Claudia Cardinale, o militante do MR-8 César Benjamin, “Cesinha”, que participou da luta armada, e Carlos Lamarca, “O Capitão da Guerrilha”, que militava na VPR e do MR-8 são personagens da obra de Zuenir. O livro faz referência a artistas que tiveram papel de suma importância nos anos que se passaram, a exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Geraldo Vandré, que agitavam os festivais com suas músicas. Já o teatro era a representação do momento peças como Roda Viva. Atraíam uma geração com muita fome e sede de cultura.

Na política, o Brasil vivia uma grande tensão, passados quatro anos do Golpe Militar. A censura, punições, cassações, tortura, exílio e repressão eram a marca do governo dos generais. Diante do Regime, os estudantes inspirados no movimento Maio de 68, que acontecia em Paris, sentiram a necessidade de criar um movimento estudantil articulado politicamente e crítico em relação à Ditadura Militar.

Ao movimento estudantil os militares responderam com mais e mais repressão, e em 13 de dezembro de 1968, no governo do general Artur da Costa e Silva, o seu ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, foi o redator e locutor do Ato Institucional nº 5. O AI-5 foi o golpe dentro do golpe: fechava o Congresso Nacional, autorizava o presidente da República a cassar mandatos e a suspender direitos políticos, o habeas corpus deixava de existir, a censura estava oficializada e outras medidas repressivas foram adotadas.

Gama e Silva foi jurista, juiz do Tribunal de Contas, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e reitor da mesma USP. Enquanto reitor da USP, elaborou a lista com nomes de professores universitários, colegas seus, que viriam a ser processados no Inquérito Policial Militar da USP, entre os quais Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Pelo papel de dedo-duro de Gama e Silva foi agraciado com o cargo de Ministro da Justiça.

Outubro de 2018! O deputado e capitão reformado do Exercito Brasileiro Jair Messias Bolsonaro é eleito presidente do Brasil, na oitava eleição direta pós-Ditadura Militar. O presidente eleito escolhe para chefiar a futura super pasta da Justiça o juiz de direito Sérgio Fernando Moro. Moro tornou-se uma espécie de “herói nacional” depois de ser o juiz da Operação Lava-Jato, que desvendou um esquema de corrupção que envolvia políticos e seus partidos, empreiteiros e grandes empresários.

Juiz de primeira instância, Sérgio Moro usou e abusou da prisão preventiva, sem previsão, para obter delações premiadas. As delações tinham aceitação e valia rápida quando envolvia pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Dessa forma o “juiz herói”, mandou para a cadeia figuras de proa do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista era líder nas pesquisas de intenções de voto e maior nome da esquerda na América Latina, em uma ação muito questionada por juristas do Brasil e do exterior, inclusive o Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Mesmo preso e impedido pela justiça brasileira de disputar o pleito de outubro último, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores lançaram seu candidato e a apenas a seis dias da disputa do primeiro turno das eleições o “juiz herói”, liberou parte da delação do ex-ministro dos governos petistas Antônio Palocci, delação rejeitada pelo Ministério Público Federal e aceita pela Policia Federal e o juiz Sérgio Moro. A divulgação da delação de Palocci fez a festa dos opositores do PT e por pouco o capitão reformado não levou a disputa já no primeiro turno.

Passado a eleição, o “juiz herói” é agraciado com o convite para assumir o Superministério da Justiça. Mais: o capitão reformado e presidente eleito diz, em entrevista à imprensa, que o trabalho do “juiz herói” o ajudou a crescer politicamente. Já o vice-presidente eleito, o general Hamilton Mourão, que não tem papas na língua, soltou que o convite ao juiz foi feito ainda durante a campanha, o que deixa uma imensa suspeita no ar em relação ao papel do “juiz herói” no processo eleitoral.

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva, uma vez que existem algumas semelhanças nos “méritos” que os levaram a chefiar a pasta. Zuenir Ventura acertou: 1968 é o ano que insiste em não terminar.

Cláudio Rodrigues é consultor e colaborador de Pimenta.

DUELOS NA MÚSICA

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

 

Mas a história não teve final feliz para Chico. Tal qual a lua fez com Joelma, a filha fez com o pai: Silvia Buarque é flamenguista.

 

 

O maior duelo na música brasileira, pelo que já li e assisti, foi entre Noel Rosa e Wilson Batista. Este último fez um samba enaltecendo a malandragem e Noel fez outro se contrapondo.

A disputa continuou e Wilson Batista baixou o nível do debate compondo Frankstein da Vila. Uma alusão ao queixo de Noel que era pra dentro, resultado de problemas durante parto.

Ao ouvir num rádio Noel brincou imitando um monstro. É o que mostra cena do filme O Poeta da Vila.

No total foram quatro composições de cada um. Se destacaram duas, ambas de Noel, Palpite infeliz e Feitiço da Vila. A segunda até hoje é cantada em shows e boas rodas de samba:Quem nasce lá na Vila/Nem sequer vacila/Em abraçar o samba/Que faz dançar os galhos/Do arvoredo e faz a lua/Nascer mais cedo.”

Já Paulinho da Viola foi vítima da irritação de Benito Di Paula quando compôs Argumento:

“Tá legal eu aceito o argumento/Mas não me altere o samba tanto assim/Olha que a rapaziada tá sentindo a falta/De um cavaco, um pandeiro ou de um tamborim.”

Benito, que cantava samba tocando piano, respondeu com deselegância ao gentil intelectual com a composição Não me importa nada.

“(…) Você está perdido, se perdeu no tempo
Da cabeça aos pés, tá cheio de vento
Faça alguma coisa, deixa a gente em paz
Olha o campo verde, é todo seu, rapaz! (…)”

Depois de algum tempo, Paulinho da Viola surpreendeu ao afirmar que Argumento não foi feita pra Benito e sequer sabia desta história. Em entrevista ao jornal O Samba, ele conta:

“Essa história estava rolando, mas eu não sabia. Até que um dia fui a um programa de televisão, ao vivo, na Bahia, e o apresentador me fez esta pergunta. Eu fiquei assustado. Ele até me mostrou a letra da música que o Benito fez em resposta. Eu disse que não existia essa história, que era mentira”.

Misturando música e futebol, Ciro Monteiro (o sambista da caixa de fósforos) e Chico Buarque protagonizaram boas histórias. O primeiro, flamenguista roxo; e o segundo, apaixonado pelo Fluminense.

Chico havia prometido uma composição para o sambista. Quando nasceu Silvia Buarque, filha dele e Marieta Severo, Ciro mandou uma camisa do Flamengo para a bebê.

Chico aproveitou e pagou o débito compondo Ilmo Sr. Ciro Monteiro ou Receita Para Virar Casaca De Neném. Com criatividade e bom humor, agradece o “presente de grego” e utilizando duplo sentido, diz que pintou a camisa e “nasceu desse jeito uma outra tricolor”.

Amigo Ciro
Muito te admiro
O meu chapéu te tiro
Muito humildemente
Minha petiz
Agradece a camisa
Que lhe deste à guisa
De gentil presente
Mas caro nego
Um pano rubro-negro
É presente de grego
Não de um bom irmão
Nós separados
Nas arquibancadas
Temos sido tão chegados
Na desolação

Amigo velho
Amei o teu conselho
Amei o teu vermelho
Que é de tanto ardor
Mas quis o verde
Que te quero verde
É bom pra quem vai ter
De ser bom sofredor
Pintei de branco o teu preto
Ficando completo
O jogo da cor
Virei-lhe o listrado do peito
E nasceu desse jeito
Uma outra tricolor

Mas a história não teve final feliz para Chico. Tal qual a lua fez com Joelma, a filha fez com o pai: Silvia Buarque é flamenguista.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas aos domingos no Pimenta.

INSPIRAÇÕES QUE GERARAM POLÊMICAS

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Como dizia minha mãe, “dois bodes de chifres não bebem água na mesma cumbuca” e tanto o compositor quanto a atriz não têm papas na língua.

Chico Buarque, utilizando o pseudônimo/heterônimo Julinho da Adelaide, compôs Jorge Maravilha “(Mais vale uma filha na mão/Do que dois pais voando/Você não gosta de mim/mas sua filha gosta)”.

A canção foi dedicada à filha do general Geisel, Amália Lucy, que já havia confessado admiração pelo artista, divulgaram os veículos de comunicação. Chico negou e falou que compôs inspirado na sua detenção por agentes do Dops. No elevador, o agente pediu autógrafo para a filha.

Injuriado foi outro samba que rendeu notas nas colunas políticas (“Você nada está me devendo/Por isso, meu bem, não entendo/Porque anda agora falando de mim.)”

Afirmaram que foi composto para Fernando Henrique. O ex-presidente havia criticado Chico afirmando que o compositor é elitista e repetitivo. O músico negou e, pra não deixar dúvida, falou que “jamais chamaria FHC de meu bem.”

Polêmica maior foi entre Caetano Veloso e Luana Piovani. Afinal, diz minha mãe, “dois bodes de chifres não bebem água na mesma cumbuca” e tanto o compositor quanto a atriz não têm papas na língua.

Quando Caetano compôs Um Sonho, com seus versos eróticos “(olho-água, vermelho da calha nua/ tua ilharga lhana/mamilos de rosa-fagulha )”, Luana publicou que foi pra ela, sendo imediatamente desmentida pelo artista. Revoltada, disparou: “Era um Deus e descobri que era um banana de pijama. Para mim, ele morreu, está sepultado.”

Dias depois num show, Caetano, coerente com o bordão “Ou não”, confirmou: “Pela primeira vez vou dedicar essa música a Luana. Eu não a desmenti, como disseram. Quando compus, disse a ela que foi parcialmente inspirada nela. Mas Luana se precipitou e contou antes de me consultar”.

Já Paulinho Pedra Azul, compôs Jardim da Fantasia “(Onde estás?/Voei por esse céu azul/ Andei estrada do além/Onde estará meu bem?)” e comentam que foi dedicada a uma noiva que morreu.

Fantasia das pessoas, o músico afirma que fez para a primeira namorada. O boato ganhou tamanha dimensão que ele já se conformou: “Tento explicar, mas não tem jeito. A força do povo é maior”.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas aos domingos no Pimenta.

CENSORES, CORTES E GAFES

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Para driblar a censura, Chico Buarque adotou o pseudônimo Julinho da Adelaide. Com três composições, foi delatado e os censores passaram a exigir documentos. Morreu Julinho.

Designado a solicitar liberação das músicas de um festival em Itabuna, fui à Divisão de Censura de Diversões Públicas da PF em Salvador. O agente proibiu a letra de uma composição e esbravejou: vai ter gente nossa lá, se tocar o festival acaba.

Não se tratava de ameaça, era um aviso. Estávamos em 76, período da cruel ditadura militar. Grupos paramilitares havia invadido o teatro Ruth Escobar e espancado atrizes e atores da peça Roda Viva (Chico Buarque e José Celso Martinez).

Já na gravadora Philips, o Exército quebrou os compactos da música Apesar de você. A canção havia sido liberada, mas Sebastião Nery publicou em sua coluna que seus filhos cantavam como se fosse o Hino Nacional.

O jornalista foi intimado e o censor que liberou punido. Chico, quando interrogado, disse que a composição se refere a uma mulher mandona e autoritária.

Tragicômico era o nível de conhecimento de quem julgava o que população poderia ter acesso. Por exemplo, o livro O vermelho e o negro foi proibido por que o título parecia “coisa de comunista”. A obra é do francês Stendhal, escrita em 1830.

Outra hilária, agentes do Dops invadiram o Teatro Municipal de SP para prender o autor de Electra, o subversivo Sófocles. “Ficou difícil”, o dramaturgo morreu na Grécia há quase 2.500 anos.

Para driblar a censura, Chico Buarque adotou o pseudônimo Julinho da Adelaide. Com três composições, foi delatado e os censores passaram a exigir documentos. Morreu Julinho.

Ainda sobre Chico, no autoexílio na Itália recebeu a visita de Toquinho que compôs uma música e pediu pra ele escrever a letra. Nasceu Samba de Orly. Quando retornou ao Brasil, mostrou a Toquinho na presença de Vinicius.

Só para participar, o poeta pediu pra trocar os versos pede perdão/ pela duração dessa temporada, argumentando que a frase era muito branda para quem passou tanto tempo na Itália. E sugeriu: “Pede perdão/Pela omissão um tanto forçada.”

A censura cortou exatamente estes versos. Quando Toquinho telefonou pra Vinicius, ele respondeu: “a frase eles podem proibir, mas a parceria não.” E o nome do poeta foi mantido na autoria.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas semanais no Pimenta.

O TAMANHO DA PREOCUPAÇÃO MASCULINA

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Um velho político baiano, contavam os oposicionistas, costumava brindar mulheres com uma boa gorjeta pra elas alardearem qual o tamanho do pênis dele. Superfaturando alguns centímetros, claro.

O tamanho do pênis preocupa grande parte dos homens. Já a maioria das mulheres (uma das pesquisas aponta 58%), não considera o principal item para a relação sexual. Mais importante, afirmam as mulheres, é a qualidade.

O guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, escreveu no livro Vida, que a namorada de Mick Jagger não se divertia com o pênis minúsculo dele. “Ele tem um par de bolas enorme, mas isso meio que não compensava”, alfinetou.

Questionada sobre a descrição, a ex de Jagger, Marianne Faithfull, disse que não era exatamente isto, mas perto. A obra tem mais de 600 páginas, no entanto, para aumentar a fúria do líder da banda, estas linhas foram as mais comentadas.

Chico Buarque num documentário sobre Vinicius de Moraes conta, entre gargalhadas, o que o poeta dizia sobre esta questão: “Se puder escolher quem quero ser ao reencarnar, quero ser eu mesmo. Com o pau um pouquinho maior.”

Para quem deseja ainda nesta vida aumentar o tamanho, há várias ofertas na internet. O experiente urologista itabunense Júlio Brito garante: não funciona, esqueça. Tudo enganação.

Um velho político baiano, contavam os oposicionistas, costumava brindar mulheres com uma boa gorjeta pra elas alardearem qual o tamanho do pênis dele. Superfaturando alguns centímetros, claro.

Algumas, em vez de fazer a enganosa propaganda, contavam toda a história. Nas rodas de fofocas, os oposicionistas se deleitavam. Nestas conversar os aliados saiam discretamente. Afinal, não é fácil defender o chefe em assunto tão delicado.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas semanais no Pimenta.

PARABÉNS, CHICO!

Um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB) completa 70 anos nesta quinta (19). Abaixo, um show – completo! – do genial Chico Buarque em 2007.

Parabéns, Chico!

“MELHORES DO ANO” BOMBA NO FACEBOOK

face faustão

“Meme” bomba no Facebook. Palavras prêmio e música aparecem com erro.

O Domingão do Faustão (Rede Globo) entregou premiação aos melhores do ano em categorias como teledramaturgia, jornalismo e música. A premiação para esta última área gerou montagem (meme) que bombou no Facebook.

Na montagem, aparecem Caetano Veloso e Chico Buarque ironizando as escolhas para melhor música (Show das Poderosas, com Anitta) e melhor cantor (Luan Santana). O “meme” foi compartilhado mais de 26,4 mil vezes em menos de um dia.

Para chegar à escolha, o programa do Fausto Silva informa que são contabilizados votos dos artistas e do público.

UNIVERSO PARALELO

COMO DEUS AMOU A JACÓ E ODIOU A ESAÚ?

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1Esaú e JacóA forma preposicionada do verbo amar, aqui referida há dias, possui uma exceção muito nobre, que não foi citada. É que o Livro Sagrado dos católicos (no qual se esperava o respeito à regra de amar a Deus) abriga, em Romanos 9:13, esta joia de tradução: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú”, palavra de Deus. A expressão, incompatível com um ser de infinita bondade, incapaz de abrigar o ódio (segundo os que Nele creem e O explicam), suscitou variadas interpretações. Destaca-se entre elas a do respeitado teólogo John Murray, no livro Romanos, resumida a seguir.

________________

“Sem malícia, perversidade ou vingança”

Para o exegeta (nascido na Escócia, em 1898), não se pode dar a esse ódio divino as mesmas características do ódio exercido pelo homem mau. “No ódio de Deus não existe qualquer malícia, perversidade, vingança, rancor ou amargura profanos”, diz o estudioso. Ele acrescenta que “o tipo de ódio assim caracterizado é condenado nas Escrituras, e seria uma blasfêmia atribuí-lo ao próprio de Deus.” E assim vão os crentes tentando explicar as profundas contradições do seu livro-texto, nem sempre com êxito. Voltemos, então, ao verbo, sem intenção de trocadilho.

Noel: “Jurei nunca mais amar ninguém”

Se Cartola escreveu “Não quero mais amar a ninguém”, ferindo a regra, e Pixinguinha foi pelo mesmo caminho, com “Amar a uma só mulher/ deixando as outras todas”, há exemplos do emprego “certo” do verbo: Noel Rosa (na charge de Pedro Thiago) grafou “Jurei nunca mais amar ninguém” e Dora Lopes (na voz de Noite Ilustrada) quase repete o Poeta da Vila, com “Jurei não amar ninguém”. Na poesia, abramos ala para a lusitana Florbela Espanca, que cultua a forma “clássica”: “Eu quero amar, amar perdidamente!/ Amar só por amar: aqui… além…/ Mais este e aquele, o outro e toda a gente…/Amar!  Amar!  E não amar ninguém!”

COMENTE! »

ESPUMA RAIVOSA CAINDO SOBRE A GRAVATA

Eu que (quem acompanha esta coluninha sabe) não sou chegado a tevê, recebi de uma gentil leitora a sugestão de dar uma olhada no comentário de Arnaldo Jabor (Jornal da Globo, 12 de junho). Encontrei a preciosidade nos arquivos do Google. Trata-se, todos sabem, de um cineasta (ou ex-cineasta) que se fez popular na última campanha presidencial, pelo uso que a direita faz do seu discurso raivoso. Desta vez, falando sobre as manifestações de rua, ele se superou. Juro a vocês que lhe vi a espuma a escorrer pela a gravata. Felicitando-me por ainda considerar a tevê uma “máquina de fazer doido”, anotei umas frases da fala do homem.
______________
“Revoltosos não valem nem 20 centavos”
Protesto passagem em Itabuna foto Pimenta www.pimenta.blog.brÓdio puro: “No fundo, tudo é uma imensa ignorância política, burrice misturada a um rancor sem rumo”. Falso desconhecimento: “Se vingam de quê?” Brincando de ser inteligente: “A causa deve ser a ausência de causa”. Em defesa do interesse da Globo: “Por que não lutam contra a PEC 37?” A face da direita: “Esses caras vivem no passado de uma ilusão. Eles são a caricatura violenta da caricatura de um socialismo dos anos 50, que a velha esquerda ainda defende aqui”. A explosão final: “Realmente, esses revoltosos classe média não valem nem 20 centavos”. Depois perguntam por que a Globo estava na lista dos protestos.

ENTRE PARÊNTESES, OU…

Pra não dizer que só falo de espinhos
Aos que me acusam de muito falar mal da mídia – alguns afirmam que caço erros, uma injusta inversão, pois são os erros que me perseguem – vai aqui o que pode ser uma surpresa: o signatário desta coluna é leitor de cabresto de um certo Ricardo Ribeiro, que no Pimenta publica, volta e meia, análises sobre o nosso conturbado viver quotidiano. O defeito do estilo de Ricardo está em não publicar com a frequência que eu gostaria. Ou não. Talvez essa falta de vocação para arroz de festa contribua para fazê-lo avis rara, ou vinho de safra incomum, trigo que se sobressai ao joio. Importa é que a linguagem clara, a lucidez do texto e a visão crítica do autor o levantam ao nível dos “clássicos” do jornalismo regional.

ÂNGELA E A LUZ DIFUSA DO ABAJUR LILÁS

7Ângela MariaO nome é Abelin Maria da Cunha, apelido Ângela Maria, ex-vocalista de coro de igreja que, escondida da família, se apresentava em shows de MPB. Cantou durante quase 70 anos, de 1945 até hoje. E cantou tudo o que lhe caiu às mãos: o verso clássico de Ari Barroso e Noel Rosa, rimas ricas e indigentes, dores de amores derramados ou contidos, a deliciosa cafonice da “luz difusa do abajur lilás que nunca mais irá iluminar outras noites iguais”. Cantou famosos e anônimos, transformou desconhecidos em clássicos, foi de Capiba a Chico Buarque, de Dolores Duran a Paulo Vanzolini. Cauby Peixoto disse que com ela aprendeu a cantar os “finais” das canções. Elis Regina diz que deve a Ângela Maria ser cantora.
Vítima de roubo, agressão e humilhação
Discreta, Ângela não alardeia seus nove casamentos e que seus maridos a submeteram a humilhações, agressões físicas e prejuízos financeiros, quase a levando ao suicídio. No fim dos anos 60, em desespero, mudou-se do Rio para São Paulo, mas continuou sendo roubada, caindo ao estado de grande pobreza. Deu a volta por cima, com uma nova união, a décima (conviveu por 33 anos e casou-se em maio último). Diz que seu melhor amigo sempre foi Cauby Peixoto (ele já confessou ser apaixonado por ela – e que só não se casaram porque ele chegou “atrasado”, Ângela já estava casada). No vídeo, o depoimento de Elis Regina e o canto inconfundível da Sapoti (show da TV Globo, em 1980).

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

O BRASIL PEQUENO E SEM SOTAQUE

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1BadejoO poder da comunicação torna o Brasil pequeno e quase o faz perder o sotaque. Como a tevê, principal influenciador nessa mudança, nos remete diariamente os falares do leste, estes já se fazem sentir no nordeste, de forma avassaladora. Por aqui poucos dizem, como se dizia há meio século (para ficarmos em exemplos “culinários”) badéjo e grélha, mas badêjo e grêlha. Dia desses, ouvi a moça de um telejornal de Itabuna pronunciar futêból, um falar de paulista mal informado – todos sabem que a pronúncia nacional é algo próximo a futibol. Tais escolhas poderiam, no máximo, ser consideradas regionalismos, mas nunca ser aceitas como norma geral.

________________

Dicionários só registram, não avalizam

Para o bem ou para o mal a língua se forma nas ruas e nos becos, não nos gabinetes e salas de aula. Daí, quando essa pressão “popular” se torna forte, o termo se consolida, os dicionários o abrigam – e, consequentemente, lhe conferem identidade “legal”. Mas é importante lembrar que dicionários são repositórios de palavras existentes, sem avalizá-las ou recomendar seu uso. No caso dos verbetes badejo e grelha os dicionários se renderam à realidade das ruas: antes, os grafavam tendo o “e” com som aberto, hoje usam as duas formas. Logo, se você quer perder o DNA de nordestino, esteja à vontade para pedir badêjo na grêlha (argh!).

COMENTE » |

BREVE ANEDOTA DE CANDIDATO A PREFEITO

3CalifórniaA quem pretenda escrever sobre o folclore político de Itabuna (creio que existe mais de um projeto em gestação) adianto esta, sem custos: em 1966, José Soares Pinheiro, o Pinheirinho, disputava com José de Almeida Alcântara a eleição de prefeito do município. Líder conservador muito conceituado, rico, não era páreo para o populismo de Alcântara (que o derrotaria por pouco mais de mil votos). Sua fama “elitista” foi aumentada pelo boato de que alguém lhe falara da necessidade de ir à Califórnia e ele respondera que seu passaporte estava vencido. Queriam dizer que o candidato sequer conhecia os bairros de Itabuna. Pura maldade, já se vê.
______________
“O Califórnia” é bobagem das grandes
Se fosse nestes anos 2000, a anedota não prosperaria, pois o assessor, moderninho, teria proposto ao candidato visitar “o Califórnia”, como muita gente diz por aí. É bobagem da grossa. O uso consagrou a forma feminina, de sorte que dificilmente se encontrará neste abandonado burgo de Tabocas alguém do povo a dizer “eu moro no Califórnia” (e sim na Califórnia). Da mesma forma se diz “o ônibus da Califórnia está atrasado”, “o lixo se acumula na Califórnia”. Creio que foi em 2004 que se criou o Grupo Amigos Comunitários da Califórnia, dedicado a ações sociais no bairro. E começou bem, pois não tentou reinventar a linguagem.

NOMES LEMBRADOS COM SAUDADE E GRATIDÃO

5Telmo PadilhaVenho da longa noite dos tempos, quando quem escrevia em jornal era jornalista. Convivi com os grandes nomes da imprensa regional da época, dos quais destaco, com saudade e gratidão, Telmo Padilha, Milton Rosário e Myrtes Petitinga. Com eles dividi o cinzeiro da redação (então, fumar não nos fazia criminosos). Telmo teve vitoriosa carreira de escritor e Milton (poeta inédito) se dedicou também ao rádio (foi responsável, com Gonzalez Pereira, Lucílio Bastos, Alex Kfoury e outros pelo melhor período da Rádio Difusora); Myrtes Petitinga era, avant la lettre, multimídia: dominava as linguagens de jornal, rádio e publicidade, além de saber muito de música. Para má sorte dela, a tevê não existia. Se existisse ele faria – e bem.
_______________

“Profissional” é quem vive da profissão

Hoje, bacharel em comunicação chama-se comunicólogo, enquanto a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se digna de reconhecer como “jornalista profissional” apenas quem tiver o diploma universitário específico. Foram-se os tempos, foram-se os termos. Jornalista profissional, conforme aprendi e professo, é quem atende a três condições: 1) escreve em veículo de comunicação (seja jornal ou outro); 2) faz isto como rotina (não vale matérias eventuais) e 3) é remunerado por essa atividade. O conceito de “profissional” nasce da noção de pagamento pelo trabalho. Quem escreve de graça (salvo a exceção de ser dono do veículo) pode até ser considerado jornalista profissional pela Fenaj, mas não pela ética.

COMENTE» |

QUANDO A PAIXÃO PARECE MISANTROPIA

7Nuvem negraOuvi Nuvem negra, de Djavan, pela primeira vez, no programa de Jô Soares (com Gal Costa) e, emocionado, vi ali a minha cara. Uma espécie de hino à solidão, um canto à misantropia, o retrato dos que gostam de ficar sós. “Não vou sair,/ se ligarem não estou”, diz o poeta – acrescentando um verso fundamental, que dá a seu isolamento um quê de eternidade: “À manhã que vem, nem bom-dia eu vou dar”. Mas, como todo bom texto, Nuvem negra se abre para mais de uma leitura, revelando-se, ao final, uma canção romântica: “Esse amor que é raro/ e é preciso/ pra nos levantar/ me derrubou/ não sabe parar de crescer e doer”.  Não é um grito de solidão, mas de paixão.
_______________

Linhagem: joão, miúcha, chico e sérgio

Se fosse para definir Bebel Gilberto numa palavra, eu diria: pedigree. Nada melhor me ocorre para resumir alguém que tem João Gilberto como pai, a mãe é Miúcha e o avô é Sérgio Buarque de Holanda. E é sobrinha de Ana de Holanda, Cristina e um certo Chico Buarque. Mais pedigree, impossível. Bebel é precoce, também devido a suas origens: antes de completar nove anos já se apresentara no Carnegie Hall, com Miúcha e Stan Getz, e já participara de musicais infantis, levada pela mão do tio Chico. A estreia como profissional se deu aos 20 anos (1986), com o disco Bebel Gilberto, em que a filha de João interpreta canções dela, Cazuza e Roberto Frejat. Aqui, sua leitura de Nuvem negra.

(O.C.)

VAI UM POUCO DE DETERGENTE AÍ?

Ricardo Ribeiro | Página em Construção

O ex-ministro Carlos Ayres Britto, figura de grande lucidez e serenidade, costuma repetir que “nas coisas do poder, o melhor detergente é a luz do sol”. O pensamento é de Louis Brandeis, jurista norte-americano, que atuou na Suprema Corte de 1916 a 1939 e se destacou, desde os tempos de advogado, como defensor das liberdades civis e dos direitos dos trabalhadores, além, como se presume, da preservação do interesse público nas ações do Estado.

A frase do jurista serve perfeitamente à Prefeitura de Itabuna, que anda necessitando da incidência de fortes raios solares para se livrar das impurezas que se multiplicam na sombra. Ou no breu das tocas, como diria Chico Buarque.

Sendo específico, não é necessário microscópio para detectar “bactérias” indesejáveis no processo seletivo organizado com a finalidade de contratar servidores para as Secretarias da Saúde e da Assistência Social. Está escuro e não dá para enxergar os critérios desse certame, no qual algum dedo indicador (contaminado) parece ter escolhido quem deveria entrar e quem deveria apenas fazer figuração no cenário.

Frisamos que o verbo “parecer”, utilizado acima, visa evitar prejulgamento, mas a suspeita é geral e as explicações tardam. Elas se fazem necessárias para justificar a preferência por currículos raquíticos, em detrimento de outros muito mais consistentes. Se a seleção utilizou exclusivamente a análise curricular, é preciso esclarecer por quais insondáveis motivos ocorreu tal inversão de critérios.

Leia mais no blog de análises Página em Construção

UNIVERSO PARALELO

DA IMPENSADA VANTAGEM DE NASCER ADULTO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Volto à leitora não atendida. Afinal, quem é Ousarme Citoaian? – ela pergunta. E eu riposto: sou uma criação meio insana de jornalista desempregado, uma inutilidade que deu certo. Feito personagem de ficção, já nasci adulto, de barba na cara, o que foi um golpe de sorte, pois não sofri os achaques típicos: sarampo, catapora, acne juvenil, adolescência e outras mazelas, como bilu-bilu de senhoras ociosas. A criação não recebeu incenso e mirra (que querem?), mas ganhou tantos elogios que quase fica irremediavelmente estragada. O criador teve de puxar-lhe as orelhas (em sentido figurado, é óbvio, que a Lei da Palmada não é graça!), a fim de lhe dar uma pitada de juízo e modéstia.

________________

Para os realistas, a Fênix é só um mito

Você saiu de um hino… Deve ser a prova provada da doce insanidade do meu “pai”, que se gaba de umas tinturas francesas. Sou a pronúncia figurada de Aux armes, citoyens! (Às armas, cidadãos!) – grito de guerra tirado d´A Marselhesa. Quer dizer que seu criador é um guerreiro, um incendiário? Menos, menos. Ele se define como um cangaceiro domesticado, mas é, aqui pra nós, um romântico. Tanto isso é verdade que, às vezes, deseja tocar fogo no mundo, na doce ilusão de que das cinzas será possível nascer algo que preste. Eu, mais realista, sei que a Fênix é só um mito. Afinal, Ousarme Citoaian é pseudônimo ou heterônimo? Até parece que eu mergulho a profundidades tais…

________________

Duas escritas e uma só crítica no mundo

Mas creio que minha escrita é outra: também crítica do mundo, porém mais cuidada, mais “erudita”, mais (se posso dizê-lo) elegante. Visto assim, sou um heterônimo, pois faço uma “literatura” diferente dele. Como eu disse, sou seu “outro eu”, um tantinho metido a gato mestre, sem esconderijo de falso nome, o que, de resto, não é novidade. Vasta é a linhagem de pseudônimos/heterônimos identificados: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), Aloísio de Carvalho (Lulu Parola), Alberto Hoisel (Zé… ferino e outros), Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), Aurore Dupin (George Sand) e, encerrando minhas lembranças, Fernando Pessoa (Ricardo Reis, Álvaro de Campos e vários outros).

COMENTE » |

TITULAR É REUNIR TERMOS INCOMPATÍVEIS

Falamos aqui há dias da “arte” de combinar palavras para obter o efeito desejado. Mas deixamos de mostrar exemplos, o que fazemos agora, lembrando alguns títulos de livros. Bons títulos parecem, na maioria das vezes, associações de termos incompatíveis à primeira vista – e talvez por isso causem belo efeito. Aqui está uma listinha modesta, a que a gentil leitora e o atento leitor (se cultivam essa já quase extinta paixão pelos livros) acrescentarão os de sua preferência. Vamos à “mistura”: Telmo Padilha denominou sua primeira publicação (1956) de Girassol do espanto; Jorge de Souza Araújo ganhou importante prêmio nacional com Floração de imaginários, Cyro de Matos é autor de O mar na rua Chile.

“As luas obscenas” de Hélio Pólvora

Titulação é arte. Euclides Neto, bom escritor, titulava mal – o que explica um romance chamado Machombongo. Marcos Santarrita fez Danação dos justos (vale citar também A solidão do cavaleiro no horizonte), Hélio Pólvora estreou em romance com Inúteis luas obscenas. O “gringo” Raduan Nassar escreveu poucos livros, mas é mestre em títulos: Lavoura arcaica e Um copo de cólera. Um estudo de Monique Le Moing sobre as deliciosas memórias de Pedro Nava chamou-se A solidão povoada, o espanhol Carlos Ruiz Zafón escreveu o best-seller A sombra do vento, e os leitores desta coluna, todos, leram Cem anos de solidão, de Garcia Márquez. Penso que estas poucas referências são suficientes para chegar ao nosso cqd.

COMENTE » |

GUIMARÃES ROSA E SUA INFLUÊNCIA NA MPB

Descobri Luiz Cláudio, cantor, compositor e pesquisador das coisas de Minas, lá pelos anos setenta e fiquei abismado com a “parceria” dele e Guimarães Rosa:
“O galo cantou na serra/ da meia-noite pro dia/ o touro berrou na vargem/ no meio da vacaria/ coração se amanheceu/ de saudade que doía”. O galo cantou na serra só era novidade para minha ignorância. Em 2008, a historiadora Heloísa Starling (da Universidade Federal de Minas Gerais), após longa pesquisa, afirmou que o autor de Sagarana talvez seja o escritor de maior influência sobre a canção brasileira. “Há música espalhada por toda a obra de Rosa”, diz a professora.

_____________

“O capeta tocando viola rio abaixo”

Para Heloísa Starling, essa musicalidade de JGR vem do próprio sertão, dos sons da natureza, do silêncio “e até do capeta tocando viola rio abaixo”, além do uso que ele faz da linguagem. Em Rosa, as palavras não têm apenas significado, mas sons e ritmos. Canções com influência roseana são muitas, nem sempre explícitas à primeira audição. Heloísa cita, além de O galo cantou…, Assentamento (de Chico Buarque para o MST), Travessia (Milton Nascimento-Fernando Brant), A terceira margem do rio (Caetano Veloso-Milton Nascimento), Sagarana (João de Aquino-Paulo César Pinheiro), Língua (Caetano Veloso) e Matita perê (Tom Jobim-Paulo César Pinheiro).

Um sujeito bom como cheiro de cerveja

Não encontrei menção da pesquisadora a Desenredo, a minha preferida nessa “parceria” de Rosa com a MPB. É letra do grande Paulo César Pinheiro, com melodia de Dori Caymmi, baseada no conto revolucionário, renovador do gênero, que tem este nome (está em Tutameia – Terceiras estórias). É a história de amor de Jó Joaquim, um sujeito “quieto, respeitado, bom como o cheiro de cerveja”. No vídeo, não sei o que mais me umedece os olhos: o ousado arranjo vocal (como sempre) do Boca Livre, a beleza suave, doce e dolorosamente jovem de Roberta Sá em harmonia com os “velhinhos” do grupo, os lindos versos ou a melodia compatível. Talvez, o conjunto da obra.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

ANALFABETOS COM DIPLOMA E ANEL NO DEDO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Vão pensar que brinco em serviço, se lhes repetir o que li: segundo o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), 65% dos brasileiros que concluíram o curso médio não são plenamente alfabetizados. Isto quer dizer: têm dificuldades para entender, interpretar, analisar, avaliar conteúdos, relacionar as partes do texto e distinguir fato de opinião. Se os gentis leitores e leitoras ficaram abalados, sentem-se, pois o pior está por vir: diz o Inaf que 38% das brasileiras e brasileiros de nível universitário encontram-se na mesma situação, ou seja, possuem nível insuficiente em leitura e escrita. Estes seriam os analfabetos de terno, gravata, diploma e anelão no dedo.

________________

Boçalidades exuberantes e barulhentas

E como fica a tese da classe média dita “formadora de opinião”, em defesa da leitura que liberta, transforma, constrói? É pregar no deserto, discursar para ouvidos moucos, mostrar imagem a cegos. Somos uma nação de analfabetos funcionais tácitos e hereditários, alguns desses (devido à sua alta titularidade sem conteúdo) autoconsiderados sumidades, quando não passam de boçalidades exuberantes e barulhentas. Recentemente, uma desembargadora do Rio, no texto de sua sentença, recomendou aos advogados da causa examinada “adquirir livros de português de modo a evitar expressões que podem ser consideradas como injuriosas ao vernáculo”.

________________

Atentado contra a língua portuguesa

E ela cita exemplos que atestam serem completamente ignorantes em ortografia os nobres causídicos que apresentaram as contrarrazões do processo: em fasse (no lugar de “em face”), aciste (“assiste”), cliteriosamente (“criteriosamente”), doutros julgadores (“doutos”), estranhesa (“estranheza”), discusão” (“discussão”), inedoneos (“inidôneos”). Fico sabendo de uma curiosidade: “o advogado que atenta contra o vernáculo comete infração disciplinar”, de acordo com a Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia). Logo, este caso sugere a ideia de que os advogados dessa causa deveriam ser processados por tentativa de homicídio. A vítima? A idosa, inculta, porém bela língua portuguesa.

|COMENTE »

AS GRANDES HISTÓRIAS DE ANTÔNIO JÚNIOR

Antônio Nahud Júnior, depois de publicar, pelo menos, oito títulos (em gêneros variados), está de livro novo na praça, ainda quente do prelo: Pequenas histórias do delírio peculiar humano. São contos da mais diversa feitura, alguns ditos minimalistas, outros extensos, uns na primeira pessoa, outros tendo o autor como narrador “distante” – mas, em conjunto, todos formando uma celebração da maturidade do artista. E mais não digo para evitar a ociosidade da chuva no molhado, pois Pequenas histórias… é apresentado por Jorge Araújo e Ruy Póvoas, ainda com luxuosas orelhas lavradas por uma especialista em Coelho Neto, a pesquisadora Danielle Crepaldi, da Unicamp.

________________

O lado penumbroso do ser humano

Para Jorge Araújo, Pequenas histórias…“é livro inquieto e inquietante, que convida ao debate e à inteligência não conformados ainda à inércia do pensar de calças curtas”. E destaca o conto “Sem notícias de Deus” como “soberbo, antológico e definitivo”. Danielle Crepaldi percebe a erudição do autor, salientando que Poe, Miller e Ibsen “ecoam nessas histórias”, também destacando “Sem notícias…”, em que “a crítica social singelamente brota da aridez da fome e do clima nordestino”. Ruy Póvoas afirma que Nahud Júnior tem personagens “em crise de delírio”, que mostram “o lado sombrio do ser humano, sua rede de trevas, que a maioria teima em negar ou ignorar”.

|COMENTE »

ALITA PRESTA HOMENAGEM A JORGE AMADO

A Academia de Letras de Itabuna (Alita), presta homenagem a Jorge Amado, com o projeto “A Alita vai à escola”, de 27 de agosto a 5 de setembro. Dia 27 – 19 horas: Cyro de Mattos, com o tema Jorge Amado em Itabuna (auditório da FTC); Dia 28 – 9 horas: Margarida Fahel, com Jorge Amado: um humanista nas terras do cacau (Colégio Militar); 29 – 9 horas: Antônio Lopes, com Jorge Amado: o pão e a liberdade (Campus 2 da Unime); 30 – 9 horas: Gustavo Veloso e Ceres Marylise, com exibição de documentário sobre Jorge Amado, seguido de atividades interativas (Escola Lourival Oliveira – Ferradas); Dia 5/9: Ruy Póvoas, com o tema Jorge Amado: ficcionista, ogã e obá.

________________

ENFIM, CORONEL RECEBE TÍTULO MERECIDO

A Justiça demorou mas reconheceu, agora em agosto, que o coronel da reserva do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra (sem foto, para a coluna não cheirar mal), chefe dos serviços de repressão a presos políticos em São Paulo (1970-1974), merece o título que com tanta determinação perseguiu: “Torturador”. Ele é tido como símbolo dos agentes da ditadura militar (1964-1985) que, em nome do Estado, sequestraram, torturaram, estupraram, mataram e ocultaram corpos de presos políticos e “inimigos” do regime. Estima-se que 17 pessoas foram assassinadas na “gestão” de Ustra (que usava o codinome de Doutor Tibiriçá e raramente sujava as mãos: apenas dava ordens e supervisionava o “serviço”).

________________

Dante aprendido no pau-de-arara

Não se sabe (nem interessa saber) se Ustra, um bandido vestido de verde-oliva, lia os clássicos. Mas seus presos tomaram conhecimento, pelo modo mais doloroso, do Inferno de Dante: a quem entrasse naquelas masmorras modernas a lógica perversa mandava, como noCanto III de A divina comédia, renunciar a qualquer esperança de rever o céu. Na minha tradução (de Fábio Alberti, para a Abril Cultural) está, à página 18, uma indagação apropriada ao caso: “Que dor tão cruel se apodera deles e os faz gritar, urrar tão fortemente?” O Doi-Codi de São Paulo, era um inferno; o coronel Ustra, o capeta-chefe.

|COMENTE »

SEM TREJEITOS, CHICO CANTA A MULHER-MULHER

Sem aqueles trejeitos homossexuais (que transmitem ridícula caricatura da mulher) Chico Buarque tem um lado lucidamente feminino, isto é, político: não canta a mulher “gostosa”, objeto de desejo sexual, nem tão pouco a mulher-musa, deusa no alto do panteon. Seu discurso é o da dor, da discriminação, do “veneno” e da grandeza dessa costela tirada de um ser já também esfacelado chamado homem. Sua visão, prenhe de poesia e beleza, não é sobre a mulher, mas da mulher. São tantas as canções (Atrás da porta, Olhos nos olhos, O meu amor, Teresinha, Folhetim), mas me detenho numa que ele fez especialmente para Nara Leão: Com açúcar, com afeto.

________________

“Quando a noite, enfim, lhe cansa…”

O malandro sai de casa em busca de dinheiro para sustentar sua Amélia, mas ela sabe que até a oficina “há um bar em cada esquina” – e ele vai beber, cantar, discutir futebol e olhar as pernas das moças – “coisas de homem”. Isto tudo é dito com rimas magníficas, um ótimo trocadilho (“alegre, ma non tropo”) e um fecho de ouro: finda a farra, o cara (que saiu “com seu terno mais bonito”) retorna “maltrapilho e maltratado” feito um gato após orgia no telhado. Ela tenta zangar-se, mas qual! “Ainda vou esquentar seu prato/dou beijo em seu retrato/e abro os meus braços pra você” – que mulher! A cantora erra a letra (onde estava“há” ela canta “existe”, quebrando o verso), mas não reclamo. Nara Leão tem direito.

________________

Como se fosse uma conversa de botequim

E antes que vocês queiram ver/ouviresta injustamente pouco executada canção de Chico, um aviso a quem interessar possa: a partir da próxima terça-feira, pretendo responder aos comentários que necessitem de resposta. Nada de chat – ou coisa igualmente chata (ops!): só esclarecer pontos de vista e retribuir a gentileza dos que gastam tempo e tutano opinando sobre esta coluna (alguma coisa como uma inocente conversa de botequim, com permissão de Noel). E com vocês, Nara Leão!

O.C.

UNIVERSO PARALELO

A ROTINA É AMEAÇA AO AMOR E À LINGUAGEM

Ousarme Citoaian
Um dos perigos que rondam o texto jornalístico é a mecanização da linguagem – expressão cunhada aqui e agora, creio.  Expliquemos, como Freud o faria: de tão repetido, o ato de redigir passa a ser feito sob fórmula, com quase as mesmas palavras. A linguagem, da mesma forma que o amor, detesta a rotina. Quem lê notícias com olhos críticos já observou com que freqüência determinados veículos repisam termos iguais (não confundir com estilo, que é coisa bem diversa de indigência vocabular). Um exemplo que grita é o verbo garantir. Atire a primeira pedra quem leu um noticiário hoje e não topou com esse verbo mal empregado.

O CRUEL ABANDONO DO SIMPLES E DO LÓGICO

Há poucos dias, em mais uma podridão exposta de dirigentes públicos, um ex-governador acusou um deputado baiano com nobre pedigree de ter sido “ajudado” durante a campanha eleitoral, recebendo dinheiro indevido. Um dos maiores jornais da Bahia não deixou por menos e tascou em manchete a reposta do acusado: “ACM Neto garante que Arruda mente sobre doações”. Caso típico de emprego abusivo do verbo. Não se pode “garantir” que uma pessoa mente, embora se possa “dizer”, “afirmar”, ou algo semelhante. “ACM disse que…” é o caminho simples e lógico que a mídia parece ter abandonado. É a tal mecanização da linguagem.

GESTORES GARANTEM, GARANTEM, GARANTEM…

Pra não dizer que não falei de flores regionais, recolhi algumas por aqui – e confesso que foi tarefa das mais fáceis. Um semanário, falando do prefeito de Itabuna: “Ele garante que fará um governo de união”; esta, do noticiário oficial: “Capitão Azevedo garante reforma de praças”; outra, de um blog: “Azevedo é candidato à reeleição – Burgos é quem garante”. Na mesma linha andou o alcaide de Ilhéus: “Newton Lima garante apoio à reeleição de Ângela Souza”; ainda de Ilhéus: “Parceria garante transporte escolar para alunos do ensino médio da zona rural”. Em nenhum caso existe garantia efetiva do que se afirma.

CONSTRUÇÕES QUE CONSAGRAM… A SANDICE

Se gostam dos exemplos, vamos ao governador – compreensivelmente o maior “garantidor” de todos – com amplo direito de aparecer mal no texto. Aqui, uns poucos exemplos desse abuso: “Wagner garante qualidade da educação”, “Wagner garante Mundial de Judô em 2012, aqui na Bahia”, “Wagner garante apoio ao Polo de Informática de Ilhéus”. E mais uma, para não perder a mão (desta vez não o governador ou o prefeito, mas uma entidade pouco mais impalpável): “Estado garante a construção da nova ponte Ilhéus-Pontal”. Não há de faltar quem defenda esta linguagem como “consagrada”. Só se for a consagração da sandice.

A COLONIZAÇÃO E O “PLURAL APOSTROFADO”

Temos encontrado na mídia regional, mais vezes do que pode agüentar a nossa santa paciência, uma estranha forma de plural para CD (aquele disquinho de música), abuso que vale também para seu primo rico, o DVD, mesmo que ambos venham com o olho tapado que identifica os salteadores dos sete mares: CD´s e DVD´s – um plural apostrofado (vou registrar copirraite para esta expressão), fórmula que imagino vir do inglês – “colonização” que se exerce sobre dez entre dez brasileiros mal informados. É uma saída meio rodrigueana, se me permitem o lugar-comum: bonitinha, mas ordinária. Apóstrofo, sinal gráfico comum em inglês e francês, só empregamos em português em poucos casos.

CASTRO ALVES VIROU EXEMPLO DA EXCEÇÃO

Em tempos idos, era um festival de cinqüent´anos (então, com trema) su´alma, grand´homem, d´Oliveira,Sábado d´Aleluia e outros, sendo Castro Alves o campeão da modalidade. Tanto assim que sua poesia foi base para a exceção desse sinal gráfico, quando se quer beneficiar a métrica. Abro minha edição fac-similar da príncipe de Os escravos (Edições GRD/1983) e revejo “´Stamos em pleno mar!” – verso de O navio negreiro, que todos conhecem – e topo, ainda no primeiro canto, com “Bem feliz quem ali pode nest´hora/sentir d´este painel a majestade”. Como CD e DVD nada têm a ver com Castro Alves, deixe-se em paz o apóstrofo, grafando os plurais assim: CDs e DVDs. Sem descabidas concessões ao genitivo dos gringos.

| COMENTE! »

NO JORNAL, A RIQUEZA DAS FRASES FEITAS

Jornal de Itabuna, falando em mudanças de comportamento do prefeito do município, afirma em editorial: “Ele sente que chegou o momento de dar a volta por cima”. Congênere de Salvador, noticiando o retorno de Adriano ao Brasil, criou este título de ótimo gosto: “A volta do boêmio”. Essas frases feitas colorem, enriquecem e embelezam a linguagem. Consagradas, mas ainda fora da relação de lugares-comuns, facilitam o entendimento da mensagem, ao fortificar uma das qualidades fundamentais do estilo, a simplicidade. As duas, como tantas outras, nasceram da MPB: a primeira é de Paulo Vanzolini (1924); a outra, de Adelino Moreira (1918-2002).

A MPB CONSOLIDA A LÍNGUA “BRASILEIRA”

Noel Rosa imortalizou “com que roupa”, para resumir uma situação de impossibilidade; “palpite infeliz”, que nos acode à mente, diante de algumas bobagens ouvidas, e “o x do problema”, largamente empregada diante de uma questão a resolver, um nó a desatar. Chico Buarque nos deu “roda viva”, simbolizando a rotina o dia a dia; Zé Dantas criou a imagem de que a esmola ao homem são o envergonha ou vicia; e não são poucas as vezes em que alguém se refere ao País, em tom irônico, como “Meu Brasil brasileiro” – isto é Ari Barroso. Estas poucas expressões saídas da memória mostram a MPB como importante componente da nossa cultura.

DA “CENA DE SANGUE” À “VOLTA POR CIMA”

Paulo Vanzolini (foto) é de um nível cultural poucas vezes encontrado na MPB: além de médico (Universidade de São Paulo), é Doutor em Zoologia (Universidade de Harvard), sendo conhecido internacionalmente como especialista em répteis e em fauna da Amazônia, região que visitou várias vezes. Grande nome do samba de São Paulo (ao lado de Adoniran Barbosa), ele compôs cerca de 60 músicas, sendo que duas delas viraram clássicos: Ronda e Volta por cima. Esta última popularizou a expressão usada pelos brasileiros quando querem falar sobre a superação de uma crise: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

OBRA-PRIMA DE REGIONALISMO BRASILEIRO

Redescobri recentemente, com Renato Braz (e Bré na percussão), um tema de Vanzolini de que gosto muito, e que tem uma história curiosa: em 1967, o artista plástico Arnaldo Pedroso Horta, observando a “baianidade” do argentino Carybé (foto), que divulgava a capoeira em São Paulo, desafiou Vanzolini, dizendo que ele estava perdendo para o “gringo”, pois nunca fizera uma música de capoeira. “Amanhã te trago uma”, respondeu o compositor. Naquela mesma noite, Vanzolini fez “Capoeira do Arnaldo”, a bem-humorada saga de um retirante em busca da cidade grande, obra-prima de regionalismo brasileiro, com um tom nordestino jamais visto num músico paulista.

(O.C.)

COMENTE! »

MUSAS INSPIRADORAS

Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

Sem coragem pra falar, Lupicínio decidiu revelar o caso através da música. Heitor compreendeu o recado, considerou a composição obra-prima e manteve a amizade.

Perdoem-me a redundância do título, já que musa é o mito que inspira.Mas assim fica melhor. Os artistas sempre têm suas musas. Caetano, várias.Ao contrário de Chico e Djavan, ele garante que “todas as suas músicas são  autobiográficas”. E filosofa: até as que não são, são. Poderia acrescentar: ou não.

Caetano compôs Avarandado para Dedé, sua então esposa. Estava em São Paulo e sentiu saudade. Pra ela, compôs também Este amor, Queixa, a belíssima Itapuã e Ela e Eu: “(…) Lágrimas encharcam minha cara/Vivo a força rara desta dor/Clara como o sol que tudo anima/Como a própria perfeição da rima para amor (…)”.

Numa entrevista, Caetano explicou: “[Ela e eu] Foi composta quando apareceram os primeiros problemas que levaram ao fim do meu casamento com Dedé”.” Caetano confessa que chorou muito no dia em que fez essa música”.

Branquinha para Paula Lavigne, Da maior importância foi sobre uma cena entre ele e Gal na praia. Rapte-me camaleoa, para a amiga Regina Casé e o sucesso Você é Linda foi dedicada à Cristina, uma menina que ele “gostou muito” e que morava defronte à sua casa em Ondina.

Tim Maia costumava dizer que “esta molecada jovem precisa é de receber um corno para compor boas músicas”. A frase nos remete a vários compositores. Lupicínio Rodrigues (1914-1974) é um dos mais famosos neste aspecto. A ele á atribuida a expressão “dor de cotovelo”, que siginifica o ato de colocar os cotovelos no balcão ou na mesa de um bar, “encher a cara” e chorar a perda da pessoa amada ou a “chifrada recebida”.

Lupe era constantemente abandonado pelas mulheres e buscava inspiração nos seus fracassos amorosos. Talvez Tim Maia tenha baseado sua “tese” neste gaúcho, já que ele compôs lindíssimas músicas gravadas por várias estrelas, inclusive a maioral Elis Regina.

Podemos citar Vingança, Cadeira vazia, Esses moços, Nervos de aço (de partir o coração) e Foi assim: “(…) Se todos no mundo encontram seu par/Por que só eu vivo trocando/Se deixo de alguém/Por falta de carinho/Por brigas e outras coisas mais/Quem aparece no meu caminho/Tem os defeitos iguais(…).

Mas Lupicínio nem sempre foi vítima. A famosa Se Acaso Você Chegasse foi feita quando ele “roubou” a namorada do amigo Heitor de Barros. Pra não perder o companheiro, resolveu contar a verdade. Sem coragem pra falar, decidiu revelar o caso através da música. Heitor compreendeu o recado, considerou a composição obra-prima e manteve a amizade.

“Se acaso você chegasse/No meu chateau e encontrasse/Aquela mulher que você gostou/Será que tinha coragem/De trocar nossa amizade/Por ela que já lhe abandonou? (…)”

Nota: As informações sobre Caetano são extraídas, principalmente, do livro Sobre as Letras, do poeta e professor universitário Eucanaã Ferraz.

Marival Guedes é jornalista e escreve às sextas no PIMENTA.

TRÊS HISTÓRIAS SOBRE RACISMO

(…) espalmou a mão negra e – “com gosto de gás” – deu um tapa na cara da mulher, em sincronia com um desabafo: “descarada é você, cachorra vagabunda.

Marival Guedes

O cantor/compositor Chico Buarque contou em entrevista que seu genro Carlinhos Brown, a filha Helena Buarque e os netos deixaram um condomínio de classe média na Gávea (RJ) por causa da discriminação racial. Indignado, relata que ficou impossível continuarem lá porque eram claramente indesejados, agredidos.

Ele diz ainda que quando vai à praia costuma ouvir gracinhas agressivas do tipo: Chico, cadê o genro? Mas o cantor dá risada quando diz que “estes caras musculosos da praia pensam que são brancos. E não são. Eu também não sou branco, o país é miscigenado, o que é muito bom. O problema é a falta de informação destas pessoas, é in-cultura mesmo.”

O NEGRO E O MÉDICO

O dirigente do Grama, entidade ambientalista de Itabuna, Valmir do Carmo, depois de participar de um congresso em Londrina (PR), foi à noite a um bar. Lá ouviu a pérola: “negrinho, se não fosse você e sua raça, minha família não seria rica”. O agressor, médico famoso na cidade, se referia ao período escravagista.

Valmir chamou a PM, mas o homem já havia saído de táxi . O comandante ordenou que o gerente do bar ligasse para a central e conseguiu localizá-lo e dar voz de prisão.

O irmão do acusado, outro médico, protestou: “era só o que faltava, meu irmão ser preso por causa de um preto”, disse, sem sequer atentar para o fato do comandante ser negro. Imediatamente recebeu voz de prisão e os dois foram para a cadeia. Dia seguinte ,Valmir foi procurado por um batalhão de jornalistas.

A NEGRINHA E A MADAME

Uma estudante da UESC, atravessava a avenida Amélia Amado, em Itabuna, quando uma  motorista, ao invés de reduzir, aumentou a velocidade  do veículo . Não satisfeita gritou: “sai da frente, negra descarada”.

A estudante, famosa militante de esquerda, valente, barraqueira e dona de gargalhada inconfundível, saiu em disparada tal qual uma louca para alcançar a agressora. E conseguiu. O carro era o primeiro da fila. Ela se aproximou ofegante da motorista, levantou o grosso braço, espalmou a mão negra e – “com gosto de gás” – deu um tapa na cara da mulher, em sincronia com um desabafo: “descarada é você, cachorra vagabunda”.

O estalo chamou a atenção dos transeuntes. Apavorada, a madame  arrastou o veículo antes mesmo do sinal abrir, fazendo “cantar”  os pneus.

Há vários dias não vejo a estudante. Por falta de autorização, e para segurança dela, omiti o nome .

O Brasil avançou muito nas últimas décadas com relação ao combate à discriminação. Mas ainda falta uma parcela entender que não existe superioridade racial. E não somos brancos.

Marival Guedes é jornalista e escreve no PIMENTA sempre às sextas-feiras.

UNIVERSO PARALELO

A PAIXÃO, SEGUNDO MARIA LUIZA NORA

Ousarme Citoaian

Muitos se acham tocados pela força da poesia e, em função de tal canto de sereia, afoitamente se atiram nas águas revoltas desse gênero, às vezes com resultados funestos. Maria Luiza (Baísa) Nora, que acaba de lançar A ética da paixão, recusou-se à aventura a que tantos imprudentes se lançam e escolheu o caminho “clássico”: antes de escrever, leu. Talvez seja importante dizer isto, como forma de entendermos o porquê de A ética… não parecer artigo de principiante. É que Baísa (foto) se mantém distante da sintaxe tatibitate de uns que impunemente (quem sabe, impudentemente) se dizem poetas; ela sequer tangencia o ridículo em que mergulham os incautos “bafejados” pelas musas.

POÉTICA QUE ABRE AS PORTAS DA ALMA

“Vítima” de uma autora com refinadas leituras de prosa e verso, seria impossível a A ética da paixão não refletir Fernando Pessoa, Neruda e (destacados por Patrícia Pina, em parecer acostado ao livro) Camões, Vinícius, Chico Buarque, Cartola, Álvares de Azevedo. Pessoalmente, imagino Baísa Nora assemelhando-se a Florbela Espanca: poética confessional, corajosa, ousada, de uma ousadia tal que abre as portas da alma e escancara um misto de desenfreado sofrimento e intenso gozo. Um espectro que abrange a angústia e a paz, o “ridículo” das revelações íntimas (à Álvaro de Campos) e a tragédia inevitável das rupturas afetivas, sempre portadoras dores lancinantes.

O CORPO PARA DIVIDIR, NÃO PARA DOAR

Baísa Nora revela a plena mulher ocidental do seu tempo, em oposição àquele antigo objeto de prazer do outro, mas nula em si mesma. Seu cantar é erótico, afetivo, protetor, possessivo, provocador, provocante, às vezes de mãe, muitas de amante, atrevido sempre. É a voz da mulher-cidadã, que se reconhece dona do seu corpo e pronta a dividi-lo, nunca a doá-lo. A ética… não é  o cometimento de versos piegas que o tema motiva, mas grito universal e maduro sobre a paixonite aguda e outras moléstias do ser humano, “versos tintos do rubro da paixão, do roxo das saudades e nostalgias, do rosa de ardentes crepúsculos, do amarelo de outonos desfolhados”, na leitura permanentemente lúcida da ensaísta Margarida Fahel.

ALGUÉM DIZ “MINISTÉRIO DE SAÚDE”?

“O secretário de Saúde está em dificuldades”, diz o jornal.  Ou seria “O secretário da Saúde está em dificuldades”? O correto é “de” ou “da”? Ambas as formas, afirmam os filólogos, são bem-vindas. O “da” tem sabor mais clássico, mais purista, enquanto o “de” é consagrado pelo uso. Minha preferência, nem precisava dizer, é pela primeira alternativa – coerente com expressões análogas. Ninguém em juízo perfeito diz “ministro de Saúde” ou “Ministério de Saúde”, e sim “da Saúde”, “da Agricultura”, “da Fazenda”. Logo, a primeira das duas escolhas está mais para a teoria do “se você entendeu, está bom”, defendida por certos (ou errados?) linguistas.

BELOS EFEITOS DA PREPOSIÇÃO “DE”

É mesmo curiosa essa preposição “de”. Surge em expressões que geram som e sabor agradáveis ao combinar palavras aparentemente inconciliáveis. Vejam esse efeito em alguns títulos de livros, lembrados ao acaso: Chão de meninos (Zélia Gattai), Girassol do espanto (Telmo Padilha), Sangue de coca-cola (Roberto Drummond), Flores do caos (Ulisses Goes), Amor de perdição (Camilo Castelo Branco). Fico surpreso ao saber que está no ar, ou esteve (não afirmo, pois não vejo novela nem sob tortura!) uma coisa chamada Canavial de paixões. Aí, tenham dó deste pobre e hebdomático escriba e o esclareçam: que diabos vem a ser um… canavial de paixões?

COMENTE!»

O AUTOR E SEU NAMORO COM O TEXTO

Creio que a maioria dos autores seja enamorada do próprio trabalho, num estanho narcisismo, tendo o texto como o espelho em que o autor se reflete e se admira. Aventuro-me a afirmar: ainda que o leitor não se sensibilize com esse esforço, o autor se sente recompensado, quando é atingido pelo próprio produto. “Sou meu melhor leitor”, diz, com variações, esse narcisista. Escreve para ele, em primeiro lugar; se for possível, também para o leitor. Profissional a soldo, que escreve para sobreviver, não sou exceção a esta regra: estou pronto a defender o que escrevo, pois só vai a público o que é aprovado pela minha rígida autocensura.

PROVOCAR LEITOR É FUNÇÃO DO AUTOR

O que me emociona talvez não emocione o leitor; o que não me emociona, certamente não o emocionará. Logo, não será publicado. Outra questão fundamental da escrita: não há de faltar quem a deseje pura de ideologias – um produto sem fecundidade, sem calor, sem alento, banal, estéril, um fruto peco. Penso que o texto precisa ter claros e escuros, luzes e sombras, caminhos e sugestões. Se a gente entra e sai dele sem que algo se mexa dentro de nós, tal leitura não terá passado de inútil gasto de tempo. A função do autor é comunicar (talvez “provocar” seja o termo justo), daí ser indispensável que ele tenha algo a dizer – e diga.

ENTRE A NOITE ESCURA E O DIA LUMINOSO

Imagino que o texto há de ser a cara do autor, ter suas digitais, marca e estilo, no sentido dado pelo Conde de Buffon (foto), de que “o estilo é o homem” (Le style cest lhomme même). Vai-lhe bem uma pitada de ideologia, representação, teatralidade, coração, fantasmas, experiências, ritmos e cores – que passeiam entre a noite escura e o dia luminoso, entre o alfa e o ômega – digamos. O texto é tudo isso, disso tudo se alimenta, mas a tudo isso se sobrepõe. O leitor não precisa concordar com o autor, e muitas vezes é preferível que não o faça. A discordância, se praticada com honestidade de princípios, é ótimo caldo de cultura para o crescimento das ideias.

QUEM ESCREVE HÁ DE SER CRÍTICO E LEITOR

Na juventude (que longe vai), fruí de autores cuja ideologia abominava, mas que escreviam com alta qualidade – e todos contribuíram para formar este resultado que diante de vós se apresenta: o panfleto de David Nasser (foto), a eloqüência de Carlos Lacerda, a crônica de Nelson Rodrigues. Os três aspergiram em seu discurso as sombras da ideologia, do compromisso pessoal, às vezes até do interesse inconfesso – mas sempre com o condão de proporcionar um prazer intenso ao leitor e, aposto, a eles mesmos. Se, de faca na garganta, eu fosse forçado a ditar uma regra de escrita, diria: seja seu leitor e seu crítico; agrade a você mesmo – e o depois virá.

COMENTE!»

ENTRE BALANÇAR O CORPO E O GOVERNO

I will survive (literalmente, “Eu sobreviverei”) andava no topo da lista naqueles anos setenta, a era disco (ou dance), com  os adultos jovens divididos em dois grandes grupos: um tentava balançar os milicos no poder usurpado, enquanto o outro queria apenas balançar o corpo, de preferência aquela parte que o bom Deus houve por bem fazer a mais carnuda do corpo humano. Talvez seja o caso de se dizer que entre mortos e feridos salvaram-se (quase) todos. A exceção é para os esqueletos danificados pelo pau-de-arara, os choques elétricos, o telefone e outros malefícios da ditadura.

DE GRANDE HIT DAS MULHERES A HINO GAY

É relevante dizer que I will survive, sabe-se lá por que cargas dágua, transformou-se no hino gay, e assim é conhecida hoje.  Dizem os entendidos (ops!) que o fenômeno se deu devido à fantástica quantidade de execuções que a música teve nos ambientes homossexuais. Eu nada vi, de nada sei, não afirmo nem nego, pois não estava lá. Estava, modestamente, procurando derrubar o governo, o que (me dói afirmar) não conseguimos. Ele só caiu de podre. Mas preciso ser justo: minha escoliose não foi provocada pelos militares, e sim pela má postura. Voltemos à canção, que é menos penosa.
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div> <h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3> <div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as

CARAS E BOCAS DE VIRA-LATA ABANDONADO

Em I will survive (Dino Fekaris e Freddie Perren), uma mulher bem resolvida é procurada pelo sujeito que a deixara de maneira vil e que, de repente, está ali na sala de visitas, dando uma de vira-lata abandonado. Diante do cara “Com aquele ar tristonho no rosto” (With that sad look upon your face), ela relembra as injúrias do passado e joga duro, bem ao estilo do lateral Felipe Melo: “Vá embora agora! Saia por aquela porta!” (Well, now go! Walk out the door!). Embora não seja suficiente para ganhar o Nobel de Literatura, é uma letra forte, apropriada para mandar homem pastar.

O PRECONCEITO E A MORTE AOS 36 ANOS

Ao descobrir que Vanusa (foto) teria a audácia de gravar I will survive, o reduto entrou em parafuso: depois do hino nacional, o que ela faria com o hino gay? Ouvi relato de que numa dessas paradas GLBT ela entoou Eu sobrevivo (versão de Paulo Coelho, ex-parceiro de Raul Seixas e maior vendedor de livros do mundo) e não reeditou o desempenho obtido com a canção de Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva, quer dizer, sob o ataque vanusiano, a música fez o que faz nos últimos trinta anos: sobreviveu. Afaste os móveis, aperte o play e solte a fran…, isto é, mande ver (escolhemos Gloria Gaynor, para prevenir acidentes com o “hino”).

(O.C.)

NELSON MOTTA ESCOLHE OS MELHORES JINGLES ELEITORAIS DA HISTÓRIA

O jornalista e músico Nelson Motta, na sua coluna do Jornal da Globo, traz a sua seleção dos melhores jingles da história política do Brasil. Dentre eles, Lula-Lá, com estrelas como Chico Buarque, Djavan e Gilberto Gil. Trata-se do jingle do presidente Lula na campanha de 1989. Confira a seleção no vídeo abaixo.

DEVANEIOS, MÚSICAS, LEMBRANÇAS

Osias Ernesto Lopes

É sempre bom ouvir e falar de música, notadamente da música popular brasileira. E aqui o faço apenas enquanto ouvinte e amante desta arte que tanto bem faz à alma, e especificamente para dizer de sua importância, da verdadeira trilha sonora que é formada ao longo de nossa vida. Inegavelmente que muitos dos momentos vividos, seja de felicidade, de tristeza, de festejos, têm quase sempre uma música especial, como que a emoldurá-los. E o que dizer dos namoros, dos amores, sem uma música que os adorne?

Minha geração foi privilegiada musicalmente, sem dúvida. Vivemos os tempos da Jovem Guarda, do Tropicalismo, vimos o rock and roll, ou rock n’roll, se solidificar e ser exaltado pelo imorredouro baiano Raul Seixas, assistíamos a alegria contagiante de Jair Rodrigues, e o samba de Martinho da Vila ecoar. Era um tempo em que todas as músicas de um LP (Long Play) faziam sucesso!

Foi uma juventude embalada por canções entoadas pelo “rei” Roberto Carlos e sua turma da Jovem Guarda. Quem nasceu na década de 1950 que nunca cantarolou alguma música romântica de Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo, The Fevers, Renato  Seus Blue Caps, Elis Regina, Chico Buarque de Holanda, Gil, Caetano, Gal e Bethânia, etc.?

São artistas que, além de também produzirem músicas que embalavam nossos sonhos juvenis, ajudavam a aprimorar a formação de nossos pensamentos político-sociais e sedimentar o senso crítico. Eram obras que, digamos assim, se completavam e formavam um ambiente deveras lúdico, romântico, alegre e inteligente.

Lógico que esses são apenas alguns poucos nomes do enorme elenco que nos fins dos anos 1960, nos anos 1970 e até meados dos anos 1980, habitavam magistralmente a chamada MPB. A relação de nomes é demasiadamente vasta. Não cabe aqui (literalmente, inclusive) relacioná-los.

:: LEIA MAIS »






WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia