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:: ‘Cláudio Rodrigues’

SERES NEFASTOS

Cláudio Rodrigues

 

 

 

Será que o “deus” dele e de seus colegas é o mesmo Deus misericordioso que foi capaz de dar seu filho para a remissão dos nossos pecados?

 

 

Ao tomar conhecimento da morte do pequeno Arthur, neto do ex-presidente Lula, fui ao encontro do meu sogro e dei a notícia. Ele é um octagenário com uma dúzia de neto, e muito apegado ao caçula da turma, que tem seis anos.

Ao receber a notícia, ele parou por alguns segundo e me disse: “me vi no lugar do Lula. Um homem não foi feito para enterrar um filho, muito menos um neto”. Hoje, ao ler mais uma matéria da série Vaza Jato, do The Intercept Brasil em parceria com o UOL, sobre a forma debochada e repugnante com que os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato trataram as mortes dos familiares do ex-presidente, me veio um misto de vergonha e nojo.

Vergonha por pertencer a mesma raça que eles, e nojo por saber que existem pessoas com os sentimentos mais primitivos que se possa ter na face da terra. Que tipo de sentimento têm esses sujeitos capazes de ironizar as mortes de uma esposa, de um irmão e até de um neto de sete anos de idade?

Imaginar que alguns dos membros do Ministério Público Federal fazem da religião uma de suas bandeiras, a exemplo do procurador-chefe da força-tarefa, Deltan Dellagnol. Será que o “deus” dele e de seus colegas é o mesmo Deus misericordioso que foi capaz de dar seu filho para a remissão dos nossos pecados?

Não quero entrar no mérito se o ex-presidente Lula é culpado ou vítima de uma perseguição política patrocinada pelo Poder Judiciário. O que veio à luz dos atos com as divulgações dos diálogos dos procuradores e do ex-juiz Sérgio Moro é que servidores públicos do alto escalão do judiciário usaram e usam seus poderes para tripudiar de um réu e fazer da dor da morte uma ferramenta para expressar o ódio que sentem pelo ex-presidente Lula.

Os procuradores do MPF e o hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, envolvidos na operação Lava Jato, passaram para a opinião pública que eram os “heróis” do Brasil. Exemplos de moralidade e ética com a coisa pública. Mas tudo que já foi divulgado na Vaza Jato nos mostra que eles manipularam, alguns fizeram bons negócios, protegeram políticos, empresários e banqueiros amigos e foram responsáveis pelo exército de desempregados que assola o país ao levar à quase falência uma gama de construtoras.

Dentre do que já foi levado a público pelo The Intercept Brasil e seus parceiros, as mensagens de hoje deixam claro que o preconceito e o ódio estão enraizados nesses senhores e senhoras. Ao desdenhar das mortes de familiares do ex-presidente Lula, esses procuradores mostram que são capazes de praticar os atos mais repugnantes em busca de seus objetivos. Não sei o que a história reserva ao ex-presidente Lula, mas de uma coisa tenho certeza. Nem o lixo da história vai aceitar esses seres nefastos.

Cláudio Rodrigues é consultor.

MAU COM U E MAL COM L. O BRASIL PADECE DOS DOIS

Cláudio Rodrigues

 

 

Mau ou bom, mal ou bem, ainda haverá 1.248 dias pela frente. É melhor jair se acostumando ou se arrependendo com o estilo e o corte de cabelo…

 

Muitos confundem ou têm que parar para pensar quando usar mau com ” U” e mal com “L” em uma frase. Mau é adjetivo. Usa-se mau como oposto, antônimo de bom. Já a palavra mal, pode ser substantivo comum, conjunção ou advérbio. É o contrário de bem.

O presidente Jair Bolsonaro faz o país padecer do mau com “U” e do mal com “L”. O mandatário brasileiro propaga o “mau” que traz em sua índole. Bolsonaro é o caso típico do escorpião. Se alguém se dispuser a perder 10 minutos para pesquisar sobre ele, verá que em toda sua carreira – desde militar até homem público – o presidente praticou e pratica o mal.

Em 1986, revoltado com os vencimentos de sargentos e capitães do Exército, Bolsonaro planejou instalar explosivos em quartéis e em outros pontos estratégicos do Rio de Janeiro, a exemplo da adutora do Guandu, que abastece a capital fluminense. Bolsonaro – que sempre negou a autoria de plano para colocar bombas em unidades militares – recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM). A Corte, por 8 votos a 4, considerou Bolsonaro “não culpado” dessa acusação.

Em setembro de 2000, a ex-mulher e candidata a reeleição para a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, Rogéria Nantes, acusou Jair Bolsonaro de ter sido o mandante do espancamento de um assessor político e seu ex-colega de Exército Gilberto Gonçalves. O motivo, de acordo com o depoimento de Rogéria, foi o fato de Gonçalves estar trabalhando, à época, como cabo eleitoral de sua candidatura. Quando o fato ocorreu, ela já não era mais esposa de Bolsonaro, e o ex-capitão do Exército tentava eleger para o seu lugar na Câmara o filho Carlos – o 03, então um estudante do ensino médio.

Em seus 28 anos como deputado federal, a mediocridade e o mau acompanharam os mandatos de Bolsonaro. Como parlamentar ele defendeu a pena de morte, usou o auxilio moradia “para comer gente” – conforme disse em entrevista, fez uso de funcionários fantasmas, agrediu com palavras de baixo calão a jornalista da Rede TV. Já com a deputada Maria do Rosário, ele afirmou que “não a estuprava por ela ser feia”.

No ano de 2014, em uma solenidade que homenageava o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado e que teve o corpo desaparecido pela ditadura militar, além de agredir os familiares de Paiva, o então deputado cuspiu no busto do ex-parlamentar. O busto estava sendo inaugurado no saguão da Câmara Federal.

Nos sete meses como presidente do Brasil, Jair Bolsonaro segue destilando, pregando e fazendo o mal. A educação, o meio ambiente, os direitos sociais e humanos são os alvos de destruição do mandatário de plantão. Some a isso, as ameaças à liberdade de imprensa, aos indígenas, à comunidade LGBT e aos governadores e à população do Nordeste.

A cada dia, as medidas e os disparates verbais do presidente chocam boa parte dos brasileiros e da comunidade internacional. Como indicar o filho Eduardo, o 02, para embaixador do Brasil nos Estados Unidos ou fazer uso da aeronave da FAB para seus familiares irem ao casamento do 02. Acusar o Ministério Público do Rio de perseguir o seu filho Flávio, o 01 – hoje senador da República, que é réu junto com seu assessor Fabricio Queiroz, na operação Furna da Onça, acusador de embolsar salários de funcionários de seu gabinete na época que era deputado estadual.

O Brasil padece do mal quando o presidente prega a divisão do país, ao assumir que é o presidente somente dos que votaram nele, mantendo o clima de campanha eleitoral com o debate e discussões sobre ideologias e não sobre o que mais afeta a população, a exemplo dos quase 13 milhões de desempregados, entre outras demandas.

Bolsonaro já afirmou ser fã, admirador e defensor das ações do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI, acusado de torturar e matar presos políticos no período da ditadura militar. Em entrevista ao programa Roda Viva de julho de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro disse que seu livro de cabeceira era A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça, do próprio Ustra. Mas tudo leva a crer que o presidente brasileiro é seguidor do livro Mein Kampf – em português Minha Luta, de um certo Adolf Hitler.

Mau ou bom, mal ou bem, o Brasil ainda vai padecer, pois ainda haverá 1.248 dias pela frente. É melhor jair se acostumando ou se arrependendo com o estilo e o corte de cabelo…

Cláudio Rodrigues é consultor.

O CASAMENTO ACABOU?

Cláudio Rodrigues || [email protected]

 

 

 

Desde a redemocratização, o Brasil nunca assistiu a um governo recém-empossado se desgastar em tão pouco tempo. Pelo visto, Bolsonaro perdeu e vai continuar perdendo seus eleitores e a opinião pública em plena lua de mel.

 

 

Não existe uma formula mágica para se manter um casamento. Nesse elo estabelecido entre duas pessoas, há alguns itens que ajudam a preservar essa união, tais como confiança, respeito, compreensão e, sobretudo, amor. Ao que parece, o vínculo que uniu os 57,7 milhões de eleitores ao então candidato e hoje presidente da República, Jair Bolsonaro, começa a definhar antes da hora.

O casamento entre os eleitores e um candidato tem prazo de validade. Não existe nessa relação o “até que a morte os separe”. Esse casamento é de quatro anos. Dependendo da convivência, é renovado apenas por mais quatro. Com pouco mais de cinco meses na presidência do Brasil, a relação do presidente Bolsonaro com aqueles que lhe confiaram o voto sofre um grande abalo, colocando o casamento em crise.

Eleitores de primeira hora, como o cineasta José Padilha e o cantor Lobão, como assim dizer, “já saíram de casa”. Padilha, que teve no ex-juiz e hoje ministro da Justiça e Segurança a “alcoviteira” para ele dizer sim a Bolsonaro, afirma que “o Moro não se deu ao trabalho de olhar o histórico dos Bolsonaros. Os Bolsonaros têm relações com a esgotosfera do crime organizado carioca. Ele é de Curitiba, talvez não saiba. A outra possibilidade é que ele sabia o que estava fazendo e ele fez. Aí, o Moro é totalmente diferente de quem eu pensei que ele fosse”.

Antes um fervoroso defensor de Bolsonaro e de seu governo, o cantor Lobão salta do barco desolado, no período em que o casamento era para estar no auge. “Eu tinha que optar por alguém e esse alguém foi o Bolsonaro. Mas ele mostrou que não tem a menor capacidade intelectual e emocional para poder gerir o Brasil. Isso está muito claro para mim, e fico muito triste. É óbvio que o governo vai ruir”, disse ao jornal Valor Econômico.

Jair Bolsonaro, presidente da República || Foto Alan Santos/PR

As inúmeras caneladas do presidente, como a postagem do vídeo escatológico do carnaval, as brigas entre as alas olavista versus militares, a saída de dois ministros, o laranjal do PSL (partido do presidente), as denúncias do MP/RJ contra o filho Flávio Zero Um e o seu ex-assessor Queiroz, o incendiário e gestor das redes sociais do pai o filho Carlos Zero Dois, a arrogância do filho Eduardo Zero Três, o caos no Ministério da Educação e o cortes de verbas para a educação básica e superior, que culminaram com protestos de rua em mais de 200 cidades brasileiras. Tudo isso, mais a falta de projetos e propostas concretas de um governo que só tem como meta a reforma da previdência, colocam em crise um casamento de apenas cinco meses.

Desde a redemocratização, o Brasil nunca assistiu a um governo recém-empossado se desgastar em tão pouco tempo. Pelo visto, Bolsonaro perdeu e vai continuar perdendo seus eleitores e a opinião pública em plena lua de mel.

Cláudio Rodrigues é consultor de comunicação e de empresas.

1968: O ANO QUE INSISTE EM NÃO TERMINAR

Cláudio Rodrigues

 

 

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva

 

 

1968 foi um ano conturbado, marcado por fatos que viraram de ponta cabeça o Brasil e o mundo. O jornalista e escritor Zuenir Ventura é um estudioso do referido ano. Em seu livro 1968: O Ano que não Terminou (Nova Fronteira – 1989), Zuenir cita importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte do período.

Figuras emblemáticas como a atriz italiana e esquerdista Claudia Cardinale, o militante do MR-8 César Benjamin, “Cesinha”, que participou da luta armada, e Carlos Lamarca, “O Capitão da Guerrilha”, que militava na VPR e do MR-8 são personagens da obra de Zuenir. O livro faz referência a artistas que tiveram papel de suma importância nos anos que se passaram, a exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Geraldo Vandré, que agitavam os festivais com suas músicas. Já o teatro era a representação do momento peças como Roda Viva. Atraíam uma geração com muita fome e sede de cultura.

Na política, o Brasil vivia uma grande tensão, passados quatro anos do Golpe Militar. A censura, punições, cassações, tortura, exílio e repressão eram a marca do governo dos generais. Diante do Regime, os estudantes inspirados no movimento Maio de 68, que acontecia em Paris, sentiram a necessidade de criar um movimento estudantil articulado politicamente e crítico em relação à Ditadura Militar.

Ao movimento estudantil os militares responderam com mais e mais repressão, e em 13 de dezembro de 1968, no governo do general Artur da Costa e Silva, o seu ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, foi o redator e locutor do Ato Institucional nº 5. O AI-5 foi o golpe dentro do golpe: fechava o Congresso Nacional, autorizava o presidente da República a cassar mandatos e a suspender direitos políticos, o habeas corpus deixava de existir, a censura estava oficializada e outras medidas repressivas foram adotadas.

Gama e Silva foi jurista, juiz do Tribunal de Contas, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e reitor da mesma USP. Enquanto reitor da USP, elaborou a lista com nomes de professores universitários, colegas seus, que viriam a ser processados no Inquérito Policial Militar da USP, entre os quais Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Pelo papel de dedo-duro de Gama e Silva foi agraciado com o cargo de Ministro da Justiça.

Outubro de 2018! O deputado e capitão reformado do Exercito Brasileiro Jair Messias Bolsonaro é eleito presidente do Brasil, na oitava eleição direta pós-Ditadura Militar. O presidente eleito escolhe para chefiar a futura super pasta da Justiça o juiz de direito Sérgio Fernando Moro. Moro tornou-se uma espécie de “herói nacional” depois de ser o juiz da Operação Lava-Jato, que desvendou um esquema de corrupção que envolvia políticos e seus partidos, empreiteiros e grandes empresários.

Juiz de primeira instância, Sérgio Moro usou e abusou da prisão preventiva, sem previsão, para obter delações premiadas. As delações tinham aceitação e valia rápida quando envolvia pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Dessa forma o “juiz herói”, mandou para a cadeia figuras de proa do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista era líder nas pesquisas de intenções de voto e maior nome da esquerda na América Latina, em uma ação muito questionada por juristas do Brasil e do exterior, inclusive o Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Mesmo preso e impedido pela justiça brasileira de disputar o pleito de outubro último, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores lançaram seu candidato e a apenas a seis dias da disputa do primeiro turno das eleições o “juiz herói”, liberou parte da delação do ex-ministro dos governos petistas Antônio Palocci, delação rejeitada pelo Ministério Público Federal e aceita pela Policia Federal e o juiz Sérgio Moro. A divulgação da delação de Palocci fez a festa dos opositores do PT e por pouco o capitão reformado não levou a disputa já no primeiro turno.

Passado a eleição, o “juiz herói” é agraciado com o convite para assumir o Superministério da Justiça. Mais: o capitão reformado e presidente eleito diz, em entrevista à imprensa, que o trabalho do “juiz herói” o ajudou a crescer politicamente. Já o vice-presidente eleito, o general Hamilton Mourão, que não tem papas na língua, soltou que o convite ao juiz foi feito ainda durante a campanha, o que deixa uma imensa suspeita no ar em relação ao papel do “juiz herói” no processo eleitoral.

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva, uma vez que existem algumas semelhanças nos “méritos” que os levaram a chefiar a pasta. Zuenir Ventura acertou: 1968 é o ano que insiste em não terminar.

Cláudio Rodrigues é consultor e colaborador de Pimenta.

DE PROTAGONISTA A FIGURANTE

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | [email protected]

 

A missão de Geraldo é deixar o papel de figurante e ao menos ganhar o papel de coadjuvante nas eleições do próximo ano.

 

Todos que acompanham filmes, séries e novelas sabem que existe o artista principal. Era assim que minha avó chamava os protagonistas das tramas. Mas, no mundo do entretenimento dos filmes e novelas, não existe apenas o protagonista. Há, também, os atores coadjuvantes. E os figurantes, aqueles que fazem parte da cena apenas na figuração, entram mudos e saem calados. Ou seja, o papagaio de pirata.

Na política, também existem os protagonistas e os figurantes. Isso ficou registrado na última segunda-feira (9), quando o governador Rui Costa esteve em Itabuna para assinar o contrato para a construção da duplicação da Rodovia Jorge Amado (BR 415), que liga as duas principais cidades do sul do Estado, a Rodovia Ilhéus/Itabuna. A imagem do prefeito Fernando Gomes, neoaliado do governador Rui Costa e, consequentemente do PT, o prefeito de Itabuna era o protagonista da solenidade, recebendo todos os afagos dos políticos “capas-pretas” presentes.

No mesmo evento, o ex-prefeito e ex-deputado Gerado Simões não passava de um mero figurante no palanque armado na avenida Juracy Magalhães. Sentado nas fileiras ao fundo, Simões era apenas mais um, na cena onde Gomes, ao lado de Rui, era o artista principal, o protagonista.

Ceplaqueano e líder sindical, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Itabuna, Geraldo surgiu para a política da Bahia como o novo e viveu seus momentos de protagonista. Nas eleições municipais de 1988, foi o candidato a vereador mais votado, porém não assumiu o mandato em função do coeficiente eleitoral. Na eleição seguinte, assume o mandato de deputado estadual.

Eis que, em 1992, contrariando todos os prognósticos, Simões vence a eleição para prefeito de Itabuna, numa verdadeira “zebra”. De uma tacada, derrota o então imbatível Fernando Gomes, seu candidato Oduque Teixeira e, de quebra, o ex-prefeito e também candidato Ubaldo Dantas.

Durante sua gestão, Geraldo e seu grupo político sofrem perseguição implacável por parte do todo-poderoso ACM. Mesmo com todo tipo de boicote, faz uma boa administração, o que lhe garante o primeiro mandato para a Câmara Federal nas eleições de 1998. As portas estavam abertas para a volta ao comando do município no ano 2000.

Em sua segunda passagem no comando do município, Geraldo estava no ápice do sucesso político. Coordenou a campanha vitoriosa de Lula à presidência da República, em 2002, e nos bastidores era cotado para compor uma chapa majoritária ao Senado ou ao Governo da Bahia.

Derrotado na campanha pela reeleição, dois anos depois, em 2006, consegue um novo mandato de deputado federal e é convidado a assumir a Secretaria de Agricultura da Bahia, pelo então governador Jaques Wagner. Em 2008, contrariando a tudo e a todos, lança a esposa como candidata a prefeita, é derrotado. Tempos depois, não consegue renovar o mandato de deputado federal e no último pleito municipal como candidato a prefeito sofre uma derrota acachapante, obtendo pouco mais que oito mil votos.

Hoje, Geraldo Simões está sem grupo político, sem credibilidade com profissionais do mercado de comunicação e, acima de tudo, sem carisma e prestígio junto à cúpula de seu partido. A missão de Geraldo é deixar o papel de figurante e ao menos ganhar o papel de coadjuvante nas eleições do próximo ano. Uma missão quase impossível.

Cláudio Rodrigues é consultor.

“TÁ LÁ UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO”

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues 

 

 

Passamos a conviver passivamente com a violência descabida. Apenas para lembrar: no ano de 2016, em Itabuna foram registrados 125 corpos estendidos ao chão.

 

“Tá lá um corpo estendido no chão”. Esse era o bordão que o locutor Januário de Oliveira usava em suas narrações de partidas de futebol. O bordão indicava que havia ocorrido uma falta e que o lance estava parado, uma vez que o jogador que tinha sofrido a infração se contorcia no gramado. Hoje, nos deparamos com uma imagem que nos fez lembrar o bordão do Januário de Oliveira.

Por volta das 7h30min desta terça-feira, o chapista Antônio Carlos Novais dos Santos, 38 anos, carregava um caminhão de mudança, no Bairro Conceição, quando foi assassinado a tiros por dois homens que já chegaram atirando. A morte do “chapa” Roni, como era conhecido entre os amigos, é mais uma – das 77 até agora – a fazer parte das estatísticas da violência em nossa cidade, que figura como uma das mais violentas do País.

Porém, o que mais chama a atenção na imagem publicada nas páginas do PIMENTA é que, após o assassinato, as pessoas continuaram a realizar o trabalho de carga no caminhão como se absolutamente nada houvesse acontecido. Era como se aquele corpo ali, estendido ao chão, fizesse parte do cenário ou fosse um objeto qualquer que estava sendo descartado.

Como é que um crime de assassinato em plena luz do dia passe a ser a coisa mais banal possível? A banalização da violência está nos transformando em pessoas insensíveis, como se a vida não represente mais nada. Passamos a conviver passivamente com a violência descabida. Apenas para lembrar: no ano de 2016, em Itabuna foram registrados 125 corpos estendidos ao chão.

Cláudio Rodrigues é consultor e administrador de empresas.

MOLINA PARTICIPA DE CONGRESSO EM FEIRA

O consultor Cláudio Rodrigues, da Formandu´s, e o perito Ricardo Molina.

O consultor Cláudio Rodrigues, da Formandu´s, e o perito Ricardo Molina.

O professor da Unicamp Ricardo Molina, um dos maiores peritos forenses do Brasil, foi dos principais nomes do I Congresso de Ciências Forenses de Feira de Santana, que aconteceu neste final de semana. O evento foi organizado pelos alunos do 6º semestre do curso de Direito da Faculdade Nobre e contou com o apoio da Formandu´s Eventos e Formaturas.

LATA D´ÁGUA

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | [email protected]

Caso os interesses de alguns poucos prevalecerem sobre os de toda uma cidade, Itabuna realmente estará fadada a um retrocesso permanente. E a marchinha carnavalesca Lata d´água passará a ser nosso hino oficial.

Ainda permanece fresca como água cristalina na mente de todos o drama sofrido por toda Itabuna com a crise hídrica que nos atingiu desde o ano passado. Sem capacidade financeira para realizar investimentos, a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), que sempre foi deficitária, serve como cabide de emprego para abrigar apadrinhados políticos de gestores e partidos políticos.

No auge da crise, o governador Rui Costa propôs que a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) assumisse o controle do saneamento básico da cidade. Após alguma relutância por parte de membros do governo do município, no dia 21 de setembro foi assinado o protocolo de intenções para que o governo do Estado assumisse a gestão do saneamento de Itabuna. Porém, no meio do caminho há uma pedra para que o Estado seja o responsável pelo controle do saneamento da cidade:  a transferência depende de aprovação dos vereadores. E aí, “o bicho pega”.

Na assinatura do protocolo de intenções, o governador Rui Costa pediu agilidade por parte dos vereadores para a realização da transferência e se comprometeu em realizar investimentos na ordem de R$ 260 milhões. Mas desde setembro o projeto está literalmente parado na Câmara. O relator da matéria, Carlito do Sarinha, nem sequer tem comparecido às reuniões da comissão que trata do assunto. Encaminhou ao presidente da Casa, Aldenes Meira, vasto pedido de documentação para que seja feita a análise detalhada do assunto. Tudo isso tem contribuído para que a concessão não aconteça.

É de se questionar qual o real motivo para protelar tanto a aprovação da transferência de serviços de uma empresa deficitária para outra com capacidade de investimentos. Vale lembrar que, no termo de cooperação assinado entre o prefeito Claudevane Leite e o governador Rui Costa, a Embasa assume 150 dos 300 funcionários concursados da empresa municipal, além de o Estado absorver toda dívida da Emasa, estimada em R$ 26 milhões.

Cabe à sociedade civil organizada, por meio dos clubes de serviços, os sindicatos, entidades patronais, igreja, associações de moradores e o povo em geral, cobrar dos atuais vereadores a aprovação da concessão da Emasa para a Embasa. Caso os interesses de alguns poucos prevalecerem sobre os de toda uma cidade, Itabuna realmente estará fadada a um retrocesso permanente. E a marchinha carnavalesca Lata d´água passará a ser nosso hino oficial.

Cláudio Rodrigues é jornalista e empresário.

FIGURINHA REPETIDA

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | [email protected]

 

A depender do empenho e obsessão do nosso mandatário, Salvador poderá ter dois centros de convenções, enquanto Feira de Santana e Itabuna ficarão com seus elefantes brancos como símbolos da incompetência.

 

A determinação do governador Rui Costa em construir um novo Centro de Convenções na capital baiana, previsto para ser implantado na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa, tem sido motivo de questionamentos por diversos representantes do setor turístico. Salvador já possui um Centro de Convenções no bairro Stiep, que sempre atendeu as demandas do mercado, o equipamento vem passando por reformas que se arrastam há quase um ano, o que gerou um manifesto de protestos do Conselho Baiano de Turismo (CBTur) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA).

Um dos argumentos apresentados pelo secretário do Turismo, Nelson Pelegrino, é que o atual é antigo e isso dificulta as reformas e serviços de manutenção. Sendo assim, teria que construir um novo Centro Histórico, já que o Pelourinho data do Brasil Colônia, ou implantar um novo elevador para ligar a Cidade Alta à Cidade Baixa, pois o Lacerda foi inaugurado em 8 de dezembro de 1873 e está prestes a completar 143 anos.  Como construir um novo equipamento se Salvador já possui um que atende e bem as suas demandas?

Enquanto isso, o mesmo Governo do Estado abandonou as obras dos centros de convenções de Feira de Santana e de Itabuna, que foram paralisadas há 10 anos, com mais de 60 por cento das obras concluídas e se transformaram num dos maiores símbolos do desperdício do suado dinheiro do contribuinte baiano.

Estrutura do Centro de convenções de Itabuna inconcluso.

Estrutura do Centro de convenções de Itabuna inconcluso.

Tanto Feira de Santana quanto Itabuna precisam de uma resposta concreta do governador Rui Costa em relação à conclusão dessas duas importantes obras. Feira de Santana tem uma população flutuante de mais de dois milhões de pessoas, é a primeira cidade do interior do Estado. Com o seu centro de convenções em atividade, daria um salto no turismo de negócios, sem falar nas mais de 20 faculdades que a cidade abriga e que seriam grandes parceiras da Bahiatursa no uso contínuo do equipamento.

Já Itabuna, um dos principais municípios do sul da Bahia, que tem no comércio e na prestação de serviços seu carro chefe, e que hoje conta com diversas instituições de ensino superior, se vê de mãos atadas pelo desrespeito por parte do Governo do Estado. A cidade poderia fomentar inúmeros congressos, seminários, shows, feiras e exposições, mas esses planos e projetos estão impossibilitados, uma vez que as obras de seu centro de convenções, a exemplo do de Feira de Santana, caminham para se transformar em ruínas e no sinônimo de uma grande vergonha.

Vale lembrar ao governador Rui Costa que figurinha repetida não completa o álbum. A depender do empenho e obsessão do nosso mandatário, Salvador poderá ter dois centros de convenções, enquanto Feira de Santana e Itabuna ficarão com seus elefantes brancos como símbolos da incompetência.

Cláudio Rodrigues é empresário.

É PRECISO CORAGEM

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues[email protected]

 

Todos nós sabemos que a Emasa não precisa de 400 funcionários para atender bem a população. Mais de 70% do seu quadro funcional é para atender as demandas político-partidárias.

 

 

Para quebrar paradigmas, excluir vantagens, contrariar interesses e buscar o que é melhor para a comunidade é preciso coragem. Em artigo publicado neste site, o prefeito de Itabuna Claudevane Leite, não fugindo do seu script habitual, faz as lamentações de como pegou a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), para depois afirmar que não fará concessão – e muito menos privatização – da estatal municipal e que buscará empresas interessadas em realizar um Procedimento de Manifestação de Interesses (PMI) , sem ônus para o município, a fim de diagnosticar a viabilidade técnica e econômico-financeira da Emasa.

Todos nós sabemos que o município não dispõe de recursos para investir na melhoria do saneamento da cidade. Em qualquer período de maior estiagem, estamos condenados a sofrer com a falta d’água e consumir água salgada – quando esta chega nas torneiras.

O governador Rui Costa propôs ao prefeito a devolução da Emasa para a Embasa com a finalidade de viabilizar uma Parceria Público Privada (PPP) para investir na melhoria do saneamento de Itabuna. Pela declaração do prefeito em seu artigo, isso não vai acontecer, porque o nosso mandatário acredita que é melhor garantir os 400 empregos que existem na Emasa – para não contrariar interesses de Sindicato e de partidos políticos – a devolver a empresa para o Governo do Estado para que ocorram investimentos necessários no setor do saneamento. Todos nós sabemos que a Emasa não precisa de 400 funcionários para atender bem a população. Mais de 70% do seu quadro funcional é para atender as demandas político-partidárias.

A Emasa é um grande cabide de emprego, não só nessa gestão, como nas anteriores. Vão questionar: “você quer pagar uma tarifa cara?” Respondo: prefiro pagar uma tarifa cara e ter o líquido precioso na torneira do que pagar barato e não ter – se bem que nossa tarifa não é tão barata assim. Pagamos taxa de esgoto e o mesmo corre “a céu aberto”. O Rio Cachoeira recebe todos os nossos dejetos sem o menor tratamento, as estações elevatórias de esgoto estão abandonadas. Enquanto o sistema de saneamento estiver sobre o controle do município, essa situação não mudará. Para solucionar essas questões é preciso coragem. Muita coragem.

Cláudio Rodrigues é jornalista e empresário.

ARTIGO – A AVENTURA MARINA

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | [email protected]

Sem uma reforma política que mude esse atual processo, essa “Nova Política” do discurso da ex-ministra de Lula nada mais é que uma peça de seus marqueteiros.

A trágica morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos alçou à cabeça de chapa na disputa pela presidência da República a sua candidata a vice, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Todos sabem que Marina ingressou no PSB aos 48 minutos do segundo tempo, após ter o registro do seu partido, o Rede, negado pelo TSE.

A candidatura da ex-senadora despertou no eleitorado brasileiro o desejo de mudança que o falecido Eduardo Campos e o senador Aécio Neves não conseguiram despertar. Mas algumas posições da candidata do PSB/Rede devem ser questionadas e precisam de respostas para que o desejo de mudança não se torne um salto no escuro. Marina defende uma “Nova Política” e, caso chegue ao Planalto, afirma que irá governar com os bons políticos que estão no banco de reserva.

A Constituição de 1988 transformou o Poder Executivo em refém dos partidos e institucionalizou a política do “toma lá, dá cá”. Como administrar o País sem a tão afamada “governabilidade”, que nada mais é que a troca de cargos pelo apoio dos partidos no Congresso, em que cada ministério vira feudo de partidos e dutos de desvios de recursos? Quem não se lembra da famosa limpeza no início do governo Dilma, que trocava o ministro, mas não o partido? Foi assim com FHC, com Lula e Dilma e assim será com qualquer outro que assumir a presidência.

Sem uma reforma política que mude esse atual processo, essa “Nova Política” do discurso da ex-ministra de Lula nada mais é que uma peça de seus marqueteiros. Outro ponto que caracteriza a candidata do PSB/Rede é sua intransigência religiosa. Ela é radicalmente contra as pesquisas com células-tronco, que é esperança de milhares de pessoas portadoras de necessidades especiais e que sofrem com algum tipo de doença degenerativa. Vale lembrar que o Brasil é um dos países líderes no processo de pesquisa com células-tronco. Suas posições contrárias às de setores do agronegócio, carro-chefe da balança comercial brasileira, também merecem ser esclarecidas.

Com relação à união homoafetiva, qual a real posição da ex-senadora? Suas convicções religiosas permitirão a união entre pessoas do mesmo sexo? De quem a candidata Marina irá se cercar caso chegue a presidência do Brasil?

Sabemos que a única experiência administrativa de Marina foi quando ocupou a pasta do Ministério do Meio Ambiente na gestão do ex-presidente Lula. Por lá, travou uma série de divergência com os colegas das demais pastas por inviabilizar licenças ambientais para a realização de obras essenciais para o desenvolvimento do País. É inegável a sua história na luta pela preservação do meio ambiente, mas isso não é certificação de experiência administrativa.

A eleição da ex-senadora Marina Silva é aventurar, é a incerteza, uma grande interrogação, e aventura é para os super-heróis da ficção, não para um presidente do Brasil.

Cláudio Rodrigues é empresário.

FILME DOS HORRORES

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | [email protected]

Omissão de socorro é crime, mas, na maioria dos casos, os profissionais de saúde são tão vítimas do sistema quanto nós pacientes.

Arleane Oliveira dos Santos é uma brasileira que, como todo cidadão e cidadã, espera que nosso País nos devolva aquilo que nos é de direito, que temos direito por pagar a maior carga tributária do mundo. A jovem Arleane foi protagonista, na madrugada de domingo para segunda-feira, de um momento que podemos batizar de “Filme dos Horrores”, como noticiado aqui no Pimenta.

Em trabalho de parto a mãe saiu peregrinando pelas maternidades de Itabuna em busca de atendimento médico para dar à luz. Na Fundação Ester Gomes (Maternidade da Mãe Pobre), recebeu o primeiro não. Buscou o Hospital Manoel Novaes, entidade filantrópica mantida com recursos públicos, a exemplo da Ester Gomes.

O Hospital Manoel Novaes serviu de local para cenas que chocariam o mais malvado dos malvados. Arleane teve mais uma vez negado o atendimento e sentido fortes dores, após duas horas de apelo e muita humilhação pedindo por atendimento a parturiente, teve a bolsa estourada e entrou em trabalho de parto na recepção do hospital, que é tido como referência e tem o título de “Hospital Amigo da Criança”, concedido pelo Unicef.

Como descrito por William Oliveira, que estava no local e filmou toda a cena, os momentos que seguiram após a bolsa se romper faz jus ao título desse artigo. “Uma paciente ouvindo os gritos de socorro saiu da enfermaria sendo que esta estava com uma criança de mais ou menos quatro meses, deixou sua filha com um desconhecido e começou a tentar puxar a criança que estava nascendo, saiu o tórax, mãos, ombro, e a criança estava se mexendo mesmo com a mãe não tendo quase força, porém pelo motivo do parto espontâneo ter acontecido primeiro pelos pés e não na forma corriqueira, quando chegou a parte da cabeça o canal vaginal se fechou e a criança morreu estrangulada, todos viram o corpo da criança se debatendo por cerca de uns três minutos”, narrou Willian.

As cenas desse filme que não têm nada de ficção tiveram a participação de uma enfermeira que negou o atendimento, alegando que a médica de plantão Luciana Leite estava realizando outro parto e no hospital não havia mais vagas. Omissão de socorro é crime, mas, na maioria dos casos, os profissionais de saúde são tão vítimas do sistema quanto nós pacientes.

A maior responsabilidade por sermos obrigados a ver e viver cenas como essas é dos nossos governantes: prefeitos, governadores e presidente ou presidenta. São de vereadores, deputados e senadores, que se elegem prometendo representar os interesses do povo e, na mais pura das verdades, apenas e tão somente defendem os seus próprios interesses e fazem da política uma profissão, uma empresa que passa de pai para filho. Sendo que muitos até desviam os recursos da saúde para suas próprias contas ou para “contas dos laranjas”.

O pior de tudo é saber que essas cenas voltarão a repetir, podem até mudar os diretores ou gestores, mas o roteiro é o mesmo. E, como todo filme de terror, esse também tem continuação.

Cláudio Rodrigues é jornalista e empresário.

FALANDO FRANCAMENTE

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | [email protected]

Sua história na Região Cacaueira é conhecida por boa parte da população. Suas críticas desagradavam muita gente, principalmente os poderosos.

O rádio baiano – principalmente o rádio itabunense – amanheceu triste com a notícia do falecimento de Lucílio Bastos. Conheci Lucílio Bastos logo quando cheguei a Itabuna, há exatos 20 anos, apresentado por José Carlos Teixeira. Dali nasceu nossa amizade, que se consolidou no período em que trabalhamos juntos na assessoria de comunicação da Prefeitura de Itabuna.

A polêmica sempre foi o forte de Lucílio. Os editoriais de seus programas sempre batiam pesado nas mazelas que nos cercam.

Quando atuava na rádio Cultura de Feira de Santana, na década de 70, Bastos realizou uma entrevista com o então deputado federal e líder da oposição ao regime militar Chico Pinto.

Nessa entrevista Pinto, fez duras criticas ao ditador-general chileno Augusto Pinochet. No dia seguinte logo após a entrevista ir ao ar, prepostos do Exército chegaram à rádio, levaram Lucílio e a gravação. Diante do militar, ele negou em seu depoimento que a entrevista tivesse sido feita na residência do deputado, mas no estúdio da emissora, mesmo com vozes de criança ao fundo, isso para livrar a rádio e seu diretor Oscar Marques dos rigores do regime.

Não teve jeito, esse fato rendeu o fechamento da emissora por mais de dez anos e as portas de outras emissoras da “Terra de Lucas” se fecharam também para Lucílio Bastos, que acabou migrando para a Itabuna. Sua história na Região Cacaueira é conhecida por boa parte da população. Suas críticas desagradavam muita gente, principalmente os poderosos.

Certo dia, véspera de São João, após o sepultamento de Zé Poli, onde Lucílio discursou falando das qualidades do saudoso, fomos eu, ele e Daniel Thame até Ferradas comprar licor. Depois de degustar quase todo licor das casas que comercializavam a bebida, brinquei com Lucílio de que faria o discurso em seu sepultamento. Ele respondeu dizendo que tinha que ver o texto antes, caso contrário vinha puxar meu pé. Rimos e voltamos para nossas casas com alguns litros de licor e mais pra lá do que pra cá.

Infelizmente não farei essa homenagem ao amigo, por estar fora de Itabuna, mas deixo aqui, nas páginas do Pimenta, essa singela homenagem ao conterrâneo feirense que me deu o prazer de desfrutar de sua amizade, suas polêmicas e sua inteligência.

Vai com Deus amigo, junte-se ao seu irmão Marivaldo, a Manoel Leal e Eduardo Anunciação e criem um jornal e um programa de rádio, mesmo sem a autorização de São Pedro, e “toque o pau” daí de cima. Esse é a minha sugestão, Falando Francamente!

Cláudio Rodrigues é empresário.

A SERIEDADE DE GASPARETTO

Cláudio Rodrigues[email protected]

Nada como um dia após o outro e o resultado das urnas. Esse resultado representa a seriedade do trabalho de um homem correto e de boa índole.

Essa eleição municipal consagra uma pessoa ímpar, que teve o seu nome e de seu instituto jogado na lama por aqueles que, num passado não muito distante, tinham-lhe como grande guru das pesquisas eleitorais.

A turma de um deputadozinho mascate de emendas do Orçamento da União, que um dia pensou que seria um ACM de Itabuna, fez uma campanha sórdida contra Agenor Gasparetto e seu instituto. O mesmo Gasparetto que, desde a eleição de 1992, acertou o resultado da primeira eleição que levou o atual deputado mercador de emendas ao cargo de prefeito de Itabuna.

Esse sociólogo também acertou na lata, ao afirmar que Jaques Wagner venceria Paulo Souto no primeiro turno da eleição de 2006 para o Governo da Bahia. Mas, nesta eleição, ao divulgar uma pesquisa registrada, que apontava a vitória de Vane do Renascer por uma pequena margem frente ao atual prefeito Azevedo, e que colocava a candidata Juçara Feitosa com pouco mais de 12 por cento dos votos, por pouco não foi linchado em praça pública.

Nada como um dia após o outro e o resultado das urnas. Agenor, valeu a pena. Parabéns! Esse resultado representa a seriedade do trabalho de um homem correto e de boa índole.

JEAN WYLLYS É PATRONO DE TURMA DE JORNALISMO DA UFRB

Cláudio Rodrigues, da Formandu´s, e o deputado e jornalista Jean Wyllys (Foto Maria Bethânia).

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) foi o patrono da terceira turma de jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). A cerimônia de formatura ocorreu ontem, 11, no campus da universidade na histórica Cachoeira, no recôncavo.

O parlamentar eleito pelo Rio de Janeiro é baiano de Alagoinhas e tornou-se famoso nacionalmente ao vencer a quinta edição do reality Big Brother Brasil, da Rede Globo, mas já atuava na defesa das liberdades civis e justiça social.

“O jornalista tem a responsabilidade de ser os olhos, ouvidos e voz da sociedade”, disse ele aos 24 diplomados pela UFRB. “Vocês devem focar essa missão [profissional]”.

O deputado afirmou que se sentia emocionado com o convite da turma que teve como tema os 200 anos de imprensa no Brasil. Wyllys também elogiou o cerimonial da formatura, executado pela Formandu´s Eventos e Formaturas, de Itabuna.

SABACUZINHO

Nosso repórter rodoviário, Cláudio Rodrigues, imaginou coisas ao passar pela estrada que liga Porto Seguro a Santa Cruz Cabrália e deparar com esta placa, que indica o rio Sabacuzinho. Ao sujeito de mente conspurcada parecem águas de duplo sentido, mas o Sabacuzinho é, como está claro, um carinhoso diminutivo do Sabacu, que vem a ser um dos nomes pelos quais é conhecida uma ave simpática, o socó.

Fora essa questão etmológica, faz-necessário informar que o Sabacuzinho é um dos mais importantes rios da zona norte de Porto Seguro, fazendo parte da bacia do Buranhém.

Claudinho, que não perde tempo, já projetou um comercial da cerveja Devassa com sua garota-propaganda, a ex-santinha Sandy, a deleitar-se no Sabacuzinho com uma loira gelada na mão.

É cheio de ideia esse repórter…






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