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:: ‘cultura’

QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA?

Estreia logo mais em Ilhéus a peça “O Inspetor Geral – sai prefeito e entra o vice”, uma sátira política inspirada na obra do russo Nicolai Golgol, porém com uma pitada de cultura nordestina, com uma forte incursão na literatura de cordel.

Quem for ao espetáculo vai conhecer figuras como Gilton Munheca, Jorge Paraíba e Cacau das Treitas, que aprontam mil e uma artimanhas na cidade fictícia de Ilha Bela. Todos fazem parte do grupo que sucedeu outro personagem de sucesso do Teatro Popular de Ilhéus: Teodorico Majestade, inspirado em algum prefeito de triste memória.

Dadas as inevitáveis comparações entre os personagens da ficção e algumas figuras da realidade ilheense, havia hoje um burburinho no Palácio Paranaguá, sede do governo municipal, onde Ilha Bela pode de repente se materializar, transformando o risível em lamentável. Nos corredores e salas, tinha quem apontasse o desconforto de algum secretário com uma suposta semelhança indigesta, mas não faltava gente morrendo de vontade de assistir à peça, que já fez sucesso em palcos de São Paulo, mas só agora chega a Ilhéus.

Um servidor do quadro de comissionados, demonstrando admirável coragem, afirmou que não somente  irá assistir, como dará boas gargalhadas. Só pediu para não ser identificado no PIMENTA, pois se diz corajoso, mas não doido.

Quem quiser ver e rir muito (pra não chorar) com “O Inspetor Geral” deve logo comprar seu ingresso na bilheteria do Teatro Municipal de Ilhéus, onde a peça dirigida por Romualdo Lisboa será encenada hoje e amanhã, a partir das 21 horas, e no domingo, com início às 20h.

SUPERINTENDENTE DA SECULT “SOBROU”

Apontado como o responsável pela lambança do edital da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), Adalberto Santos acabou exonerado do cargo de superintendente de Desenvolvimento Territorial da Cultura. “Houve má-formulação da redação”, justificou-se em entrevista ao jornal A Tarde. Um novo edital para contratar representantes territoriais será anunciado pela Secult. Relembre a polêmica clicando aqui.

SE VOCÊ É FILIADO A PARTIDO (DA BASE?), A SECULT TEM UM CHAMADO PARA VOCÊ…

Ninguém pode reclamar de falta de transparência na Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (Secult). Ela, sim, respeita a cultura viciada de indicação etc e tal para preencher seus cargos e optou por fazer isso sem nenhuma cerimônia. Ao anunciar edital para contratar nove representantes territoriais de cultura, a Pasta comandada por Albino Rubim estabelece os critérios de contratação.

Dentre os critérios, ser filiado a partido político (da base, né?) rende até 10 pontinhos para o candidato. A seleção será feita mediante análise de currículo (sem dispensar as referências – também conhecidas como QI) e entrevista.

O contratado embolsará R$ 1.980,00 por mês (remuneração mais gratificação) e deve ter nível superior. Há uma vaga para o Litoral Sul (região de Itabuna). Se você é filiado ou tem atividade partidária… Habilite-se. Confira o edital.

Edital não deixa dúvidas: se tem atividade em partido, leva uns pontinhos...

O INSPETOR GERAL CHEGA PARA O PÚBLICO ILHEENSE

A peça “O Inspetor Geral – sai o prefeito, entra o vice” será encenada no Teatro Municipal de Ilhéus nos próximos dias 24 e 25, a partir das 21 horas, e dia 26, a partir das 20 horas.

Na cidade, será a estreia do espetáculo do Teatro Popular de Ilhéus, mas fora de casa os “santos” já fizeram “milagre”. O Inspetor estreou em maio do ano passado em São Paulo, com patrocínio do Sesi (Serviço Social da Indústria) e foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro. Neste primeiro semestre de 2012, a peça já tem agenda em Salvador e Curitiba.

Inspirado na obra de Nikolai Gogol, O Inspetor tem elementos de poesia e literatura de cordel, que servem para contar a história de Gilton Munheca, prefeito da fictícia cidade de Ilha Bela. Trata-se de uma sátira política, que dá sequência a outro sucesso do Teatro Popular de Ilhéus, a peça Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito.

A TERRA DO “JÁ TEVE”

Da Coluna da Tonet (Agora)

Obras de teatro estão abandonadas há anos

 Já teve I – Nada mais certo do que aquela máxima que circula por aí dando conta de que Itabuna é a terra do “já teve”. Já teve cinema (cinco – Itabuna/Marabá/Catalunha/Plaza/Oásis) e agora não tem nenhum. Só tem DVD pirata em cada esquina. Também já teve teatro (ABC/TEI – Teatro Estudantil Itabunense) e agora tem dois esqueletos: um próximo ao Hospital de Base e oiutro na Ação Fraternal.

Já teve II – Itabuna cresce, mas culturalmente continua atrasada em relação a outros centros. Itajuípe, por exemplo, que agora já tem até um memorial dedicado a um escritor, filho da terra, o Adonias Filho. A homenagem que se presta ao mais ilustre filho da terrinha, o escritor Jorge Amado, é um bairro que leva o seu nome, com fama de ser um dos locais com alto índice de criminalidade.

Que vergonha!

PARCEIRA DE VALÉRIA SE APRESENTA EM ILHÉUS

Conhecida pelo personagem Janete, que interpreta ao lado da Valéria do ator Rodrigo Sant’Anna, no programa Zorra Total, a comediante Thalita Carauta estará em Ilhéus para duas sessões do espetáculo “Favela”. As apresentações estão agendadas para os dias 3 e 4 de março, no Teatro Municipal.

Na comédia, que tem direção de Sant’Anna, Thalita interpreta quatro personagens: Clarete, uma barraqueira vendedora de calcinhas; Dona Santinha, uma pregadora suspeita; Fininho, o chefe da favela; e Janete, a radialista que dá dicas de sedução.

Essa será a primeira vez que Thalita se apresenta na Bahia. No ano passado, a comediante ganhou o prêmio Extra de melhor atriz.

 

O IMPOSTO DEVOROU O PRÊMIO

Ramon Vane (na foto ao lado de Rodrigo Santoro) ficou abismado com os impostos

 

No ano passado, Ramon Vane teve seu talento reconhecido no Festival de Cinema de Brasília, como melhor ator coadjuvante pela interpretação do personagem Prafrente Brasil no filme “O homem que não dormia”, de Edgard Navarro. Apesar da alegria com o prêmio, até hoje Vane se surpreende com a voracidade do Estado que, tal qual o homem do filme, também não dorme em serviço.

Para receber o valor do prêmio, de R$ 3 mil, o ator pagou R$ 150 à Prefeitura de sua cidade natal, Buerarema (emissão da Nota Fiscal Avulsa) e teve ainda mais 30% abatidos para bancar um imposto do Distrito Federal. Considerando o dispêndio de outros R$ 150,00 para obter documentos, restaram apenas R$ 1.800,00.

Abismado, Vane resume seu sentimento num desabafo: “que Brasil o nosso!”.

MOÇÃO DE APOIO A DIRETOR DO CCAF

Aldo Bastos tem tido muita dor de cabeça com os ataques de Antônio Naud

Jornalistas, artistas e até funcionários públicos assinam uma moção de apoio ao diretor do Centro de Cultura Adonias Filho, Aldo Bastos. O responsável pelo espaço cultural itabunense tem sido alvo de um bombardeio virtual promovido pelo escritor Antônio Naud Júnior, que durante algum tempo foi o vice-diretor do CCAF.

Naud acusa Bastos de cometer desvios na gestão do centro e de ter feito caixa 2 em favor da candidatura da petista Juçara Feitosa a prefeita em 2008.  O manifesto distribuído nesta quinta-feira, 2, por email, classifica as denúncias como “mentiras, calúnias e difamações” e, sem mencionar nomes, diz que o ataque parte de “pessoas covardes e sem escrúpulos, que usam o anonimato de emails e blogs para descarregar mágoas e frustrações”.

Os signatários do documento não rebatem categoricamente as acusações feitas por Naud, limitando-se a defender o diretor do CCAF. Já com relação ao escritor, o tratamento é duro, uma vez que o manifesto se refere a “pessoas frustradas, invejosas, de passado nebuloso e de índole ruim” como perfil e quem promove o “tiro ao Aldo”.

Entre outros, assinam a moção de apoio o músico Ary PB, o jornalista Marcel Leal, a presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, Sandra Ramalho, e a socialite Maria Fernanda Galvão.

O CENTENÁRIO DE JORGE

Site traz a programação do centenário de Jorge

As comemorações pelo centenário do escritor Jorge Amado vão acontecer no Brasil e outros países. Em Ilhéus, cenário de muitas das histórias de Jorge, haverá festa com atrações de peso nacional e a reinauguração do Quarteirão que leva o nome do autor, totalmente remodelado para funcionar como espaço cultural e shopping a céu aberto.

A Fundação Cultural de Ilhéus criou um site onde todos podem conferir os eventos que integram a programação. O endereço é www.centenariojorgeamado.com.br

CULTURA DA INADIMPLÊNCIA

Esta já é a terceira semana de paralisação do funcionamento da Biblioteca Pública de Ilhéus porque a Prefeitura deixou de fornecer o vale-transporte aos cinco servidores que atuam naquele local.

A propósito, o aluguel do imóvel que abriga a biblioteca também não é pago desde julho do ano passado e o dono da casa já ameaçou providenciar uma ordem de despejo.

DÁ GOSTO DE VER

A turma boa do Teatro Popular de Ilhéus não cansa de encher de orgulho o ilheense que entende o valor da cultura.

Somente neste janeiro, o TPI responde sozinho por três excelentes notícias: foi indicado para o principal prêmio do teatro brasileiro, o Shell; tem espetáculo selecionado para o Festival de Teatro de Curitiba e será um dos temas de uma série de documentários da Sesc TV.

Em 2011, o Teatro Popular brilhou em palcos cariocas e paulistas, obtendo destaque junto ao público e à crítica especializada. E continua com a agenda cheia de compromissos no sudeste este ano, com o espetáculo “O Inspetor Geral”.

GUERRA NA CULTURA ITABUNENSE

Aldo x Antônio Júnior: enredo que dá filme (Montagem Pimenta).

O coordenador do Centro de Cultura Adonias Filhos (CCAF), Aldo Bastos, disse que ingressará na justiça com ação por danos morais contra o jornalista e escritor Antonio Júnior, seu ex-auxiliar na gestão do CCAF.

Júnior acusa Aldo de promover Caixa 2 e até desviar dinheiro do centro de cultura para a campanha eleitoral da petista Juçara Feitosa em 2008. Diz o jornalista que Aldo criou Caixa 2 para bancar santinhos da então candidata e cafés da manhã da petista com os artistas locais.

O jornalista também acusa o coordenador do CCAF de fazer desaparecer R$ 4.800,00 em novembro do ano passado.

– Estou entrando com uma ação com queixa- crime contra ele. Ele terá de provar, responder por tudo isso. Ele terá de provar tudo e terá de me ressarcir por danos morais – retrucou Aldo Bastos.

O ator e diretor teatral recorre a adjetivos fortes para descrever o ex-auxiliar e o acusa de ter feito de tudo para lhe tomar o cargo na época em que estava no centro cultural administrado pelo governo baiano. “Ele queria ser o titular [o coordenador]. Pensava que ele era um cara íntegro, mas começou a aprontar”.

Ainda segundo Aldo Bastos, seu desafeto caiu porque “fez coisas terríveis [no Centro de Cultura]”.

– Eu tenho como provar tudo. Tenho provas contundentes contra ele – afirmou Aldo Bastos ao Pimenta em resposta a uma nota aqui publicada e ao que foi postado no blog pessoal do escritor e jornalista.

Aldo Bastos ainda afirma que Júnior foi expulso da Espanha devido a plágios e aponta algumas pessoas como testemunhas de quem é o escrito:

– Pergunte a Osmundinho Teixeira, pergunte a Ruy Póvoas, pergunte a Marcel Leal, pergunte ao pessoal da Espanha, de onde ele foi expulso, quem é Antônio Júnior. Mas eu não vou me rebaixar ao nível dele. Irei processá-lo.

SUBIU NO TELHADO, MAS…

Denúncias no Centro de Cultura Adonias Filho (CCAF) colocam em situação delicada seu diretor, Aldo Bastos. O ator e diretor teatral é acusado até mesmo da prática de caixa dois à frente do espaço cultural administrado pelo governo baiano.

Não bastassem as denúncias, quem precisa se apresentar naquele espaço ou até mesmo pretende fazer lançamentos de obra ali sofre quando não reza na cartilha do grupo político do deputado federal Geraldo Simões (PT). Pautas já definidas são remanejadas ou canceladas sem nenhuma explicação, conforme as vítimas.

Que é que é isso, companheiro?

ENCANTARTE NA LAVAGEM DO BECO

Egnaldo França, do Encantarte

O bloco afro Encantarte fará parte da tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, no próximo dia 4 de fevereiro, em Itabuna. Na festa, o Encantarte terá como tema a “Saga de Guerreiros”, com performances de dança afro contemporânea e a ala da percurssão, formada por jovens do bairro Maria Pinheiro.

Quem desejar adquirir camisas para desfilar no bloco deve efetuar depósito de R$ 20,00 até o dia 13 de janeiro e entrar em contato com o diretor Egnaldo França (número 8807-0038). A conta é a de número 24.468-4, agência 3445-2, no Banco do Brasil.

O Projeto Encantarte existe desde o ano 2000 e promove um trabalho de valorização da auto-estima de crianças e adolescentes do bairro Maria Pinheiro, com atividades artístico-culturais e educacionais e divulgação da cultura afrobrasileira.

PUXADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO

Puxada do mastro mobiliza nativos e turistas em Olivença (foto Mary Melgaço)

A estância hidromineral de Olivença, um dos locais mais procurados por turistas que visitam a cidade, estará entregue às tradições indígenas neste início de janeiro. A partir do dia 5, começam os preparativos para a Puxada do Mastro de São Sebastião, evento que terá seu ponto culminante no dia 8.

A puxada envolve rituais indígenas, apresentações de capoeira, cortejo das camponesas e participação do Bloco dos Mascarados. No dia 8, a festa começa às 5h30min da manhã, com a bênção dos puxadores em frente à Igreja de Nossa Senhora da Escada. Logo em seguida, os machadeiros e puxadores entram na Mata do Ipanema.

A puxada do mastro começa às 15 horas, na praia de Olivença, terminando na praça da matriz, às 18 horas. Nesse meio tempo, muita festa e manifestações culturais pelas ruas da estância hidromineral.

PROGRAMAÇÃO DA CASA DOS ARTISTAS

A banda Improviso Nordestino serã uma das atrações de janeiro

A Casa dos Artistas de Ilhéus terá intensa programação neste mês de janeiro. A agenda inclui música, teatro, poesia e cinema, com apresentações às terças, quartas, sextas e sábados.

A programação das terças-feiras será no Cineclube Équio Reis, com entrada franca e exibição de filmes sempre a partir das 19 horas. Já estão selecionados “Nossa hospitalidade” (10/01), Sherlock Jr. (17/01), O General (24/01) e Capitão Bill Jr. (31/01).

Outro destaque da agenda serão as “Quartas de Assalto”, onde músicos da cena alternativa de Ilhéus farão apresentações, acompanhados de poetas. A proposta é “tomar de assalto” (de surpresa) o calçadão Jorge Amado, portanto os horários logicamente não são informados.

O teatro será a pedida das sextas-feiras. Em janeiro, estarão em cartaz A Noite dos Clowns (9, 16, 23 e 30/01), Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito (13/01), Homens ajudam homens? (20/01) e Auto Falante (26/01). Ingressos a R$ 10,00.

Já os fins de semana da Casa dos Artistas terão o Sábado Sim, projeto que garante espaço à boa música. Na agenda de janeiro, estão as bandas Tríduo e Improviso Nordestino (07/01), Infected Minds e Dr. Imbira (14/01), Mortífera e Inside Hatred (21/01) e Jah Bless e Quizila (28/01). Os shows acontecerão sempre às 20 horas, com ingresso a R$ 10,00.

NOVOS LIVROS DA MONDRONGO

Após o lançamento de uma coletânea de poemas inéditos de Sosígenes Costa, a editora Mondrongo – da Casa dos Artistas de Ilhéus – prepara uma intensa relação de novidades para 2012. A previsão é de apresentar doze obras em 2012, quatro delas já no primeiro mês do ano.

No dia 12, às 19 horas, na Casa dos Artistas, e no dia 13, mesmo horário, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, será lançada a Série Diálogos, conjunto de trabalhos de novos poetas grapiúnas. Fazem parte da série os livros “Inúmera”, de Daniela Galdino; “Quintais do Tempo”, de André Rosa; “À espera do verão”, de Geraldo Lavigne de Lemos; e “Outros Silêncios”, de Gustavo Felicíssimo.

Mais informações sobre a Mondrongo, no site da editora: www.mondrongo.com.br.

CLÁUDIA BARTHEL NO NEPAL

Ela estreou na TV Cabrália, na década de 90, passou pela Santa Cruz e há mais de dez anos é uma das estrelas do telejornalismo da Rede TV.

Cláudia Barthel, essa catarinense que se descobriu jornalista em Itabuna, comanda uma das atrações da programação de fim de ano da emissora carioca. Neste sábado, 24, a partir das 21h45, vai ao ar uma reportagem especial feita por Cláudia no Nepal.

Na altitude do Himalaia, a jornalista desvenda mistérios de culturas milenares, onde se destacam os povos budistas e hindus. Vivem no Nepal 12 etnias, que compreendem uma população de 29 milhões de habitantes.

Vale a pena conferir e matar a saudade do talento de Cláudia Barthel.

EX-COLUNISTA DIZ QUE CRIOU “UM MONSTRO”

“Criei um monstro, uma coluna que nunca quis ser farol e que leitores passaram a enxergar como aula de língua portuguesa”, diz o jornalista Antônio Lopes, após assinar, durante exatos dois anos, a coluna Universo Paralelo, aqui no PIMENTA.

Ao agradecer pela “saudável enxurrada de elogios” que recebeu depois de uma entrevista a este blog, nosso ex-colunista afirma que essa aprovação (36 comentários), “por ínvios caminhos”, avaliza a descontinuação da coluna.

Sobre o professor Odilon Pinto, citado na entrevista, ele, modestamente, pede “a clemência da não comparação”, pois “o cabedal teórico do mestre Odilon nos separa em muitos anos-luz”.  Para ver a entrevista e o inteiro teor do comentário, clique aqui.

HOJE NÃO TEM UNIVERSO PARALELO

O PIMENTA publicou no dia 11 de dezembro a última edição da coluna Universo Paralelo, que este site levou ao ar, semanalmente e sem interrupções, ao longo de dois anos. A coluna era assinada por um misterioso Ousarme Citoaian, pseudônimo – ou heterônimo – do jornalista e escritor Antônio Lopes. Hoje, em vez da coluna, apresentamos aos leitores a verdadeira identidade do colunista que dava um molho cultural ao PIMENTA todos os domingos.

Nesse bate-papo, Lopes conta como surgiu o UP e porque ele decidiu encerrar as atividades na coluna. Fala também sobre sua trajetória, que começou no interior de Pernambuco, passou por Buerarema, Ilhéus, Rio de Janeiro e Itabuna. Sobre si mesmo, Ousarme Citoaian – ou melhor Antônio Lopes – afirma o seguinte: “sou um cangaceiro domesticado”.

Confira:

PIMENTA – Como surgiu o Universo Paralelo?
LOPES – O PIMENTA havia me pedido para fazer uma coluna sobre cultura e não tinha um formato definido para ela. A partir daí eu pensei em fazer uma coisa que ficasse um pouco destoante da imprensa de todos os dias. O fato é que a coluna foi se formatando com o tempo. Se a gente pegar a primeira e a última, vai perceber que são bem diferentes.

PIMENTA – A coluna sempre mesclou informações sobre música, história, literatura e aquilo que Odilon Pinto chama de “usos do português”. Como você chegou a essa fórmula?
LOPES – Odilon Pinto às vezes usa uma expressão mais cortante, que é pronto-socorro da língua portuguesa. Eu nunca quis ser isso, mas é uma tendência que a gente tem de achar que o jornalismo é um guardião da boa linguagem, embora não possa negar que a mídia às vezes não é muito correta com relação a isso. Não há muita novidade nisso, mas eu sempre quis produzir uma espécie de crítica, porém sempre me resguardei porque isso levaria a um confronto com colegas e eu não gosto disso. De qualquer modo, penso que encontramos um meio de dizer essas coisas.

PIMENTA – Já que falamos em Odilon, qual é sua opinião sobre os linguistas de modo geral?
LOPES – Há linguistas e linguistas. O que me desagrada é que tenho uma formação clássica, apesar de parecer meio presunçoso dizer isso. O que eu quero dizer é que sou de um tempo em que mulher bonita, mulher sensual, a gente chamava de mulher bonita, mulher sensual. Não chamava de gata, de pitéu, galeto nem filé. A boa linguagem precisa prevalecer e o que às vezes me preocupa é a existência de uma corrente que vê as coisas assim: “se você entendeu, está certo”. Se a gente vai à escola, o professor quebrou a cabeça para ensinar como devem ser as coisas, a gente tem uma responsabilidade com isso. Não é na base do “tudo está certo”. Tudo está certo para o homem que lastimavelmente não foi à escola, mas o jornalista foi e tem obrigação de zelar pela linguagem chamada culta.

 

É melhor parar com a coluna num momento em que imagino que ela deu o recado.

 

 

PIMENTA – Sem medo de parecer cabotino, eu gostaria que você falasse sobre a contribuição que a coluna deu à imprensa regional.
LOPES – Na verdade, a coluna me surpreendeu porque eu não imaginava que as pessoas estivessem muito interessadas em saber, por exemplo, sobre uma modinha de Villa Lobos. E de repente você posta isso e surgem comentários. Ou que alguém esteja preocupado com essas filigranas sobre a melhor forma de dizer as coisas. Os muitos comentários que a coluna gerou provam que ela acordou pessoas que eu imaginava não estarem afinadas com essa moderna linguagem dos blogs. Elas me deram uma responsabilidade muito grande, na medida em que passaram a participar e a cobrar. Essa participação já foi um grande prêmio que a coluna teve.

PIMENTA – O fato de estar publicado na internet foi essencial para a repercussão que o Universo Paralelo conquistou? Aproveitando, nós gostaríamos que você desse sua opinião sobre esse fenômeno dos blogs, avaliando o papel que eles exercem.
LOPES – Eu não sou exatamente um entusiasta das chamadas novas tecnologias, mas isso não me impede de reconhecer que a coluna não daria tão certo se fosse impressa. Essa resposta rápida só a internet permite. Foi surpreendente a aceitação e concordo que a mídia escolhida, particularmente o blog Pimenta na Muqueca, pela audiência e prestígio que tem, foi o melhor lugar onde a coluna poderia ter sido abrigada.

PIMENTA – E por que parou?
LOPES – Parei porque tenho a convicção de que as coisas não são eternas. Dois anos são o bastante e aqui tem um pouco da “síndrome” de Pelé. É melhor parar com a coluna num momento em que imagino que ela deu o recado, do que esperar chegar o ponto em que as pessoas não queiram mais. Se ela deixar alguma saudade, e tomara que deixe, eu terei cumprido meu objetivo. Tive sempre um tratamento muito cortês no blog, mas acho que é tempo de parar. Na vida a gente faz estágios e esse foi um estágio. Se você me perguntar qual é o próximo, não sei lhe dizer.

PIMENTA – Você nasceu em Pernambuco, viveu em Buerarema, estudou em Ilhéus, trabalhou no jornal Última Hora no período da ditadura militar, escreveu livros…
LOPES – Eu nasci no município de Triunfo, em Pernambuco, numa família de pequenos agricultores, aquela gente que planta, colhe e se sobrar vende. Meus antepassados continuam lá, num lugar chamado Lagoinha, em Pajeú de Flores, terra de xique-xique, bode, Lampião, de cangaceiro. Eu mesmo costumo me classificar como um cangaceiro domesticado. Mas apenas nasci lá. Meus pais morreram muito cedo, então foi meu irmão quem me criou em Buerarema.

PIMENTA – Buerarema é sua maior referência…
LOPES – A minha “mitologia” mesmo é a de Buerarema. Foi sobre este lugar que eu publiquei três livros (“Buerarema falando para o mundo”, “Luz sobre a memória” e “História de Facão e Chuva”), sobre gente que mora lá, alguns até hoje. Na verdade, “ Buerarema falando para o mundo”, apesar do título, não é só Buerarema. Os livros sobre Buerarema são Luz sobre a memória e História de Facão e Chuva. Tive a sorte de ter um deles editado pela Uesc, além de outro livro, “Solo de Trombone”, sobre o satírico Alberto Hoisel. Em Ilhéus, estudei no IME (Instituto Municipal e Educação Eusínio Lavigne), conheci Milton Santos, José Cândido de Carvalho, Leopoldo Campos Monteiro, Washington Landulfo, Horizontina Conceição, Pedro Lima, enfim, os nomes que as velhas gerações de Ilhéus têm como grandes professores. Eu os conheci todos e foi um período muito bom. Depois disso, eu me meti nessa coisa de jornalismo, fiz estágio no jornal Última Hora, em São Paulo, voltei para o sul da Bahia nos anos 60, justamente no período do golpe militar, que me obrigou a retornar um pouco antes do planejado. Foi a época em que surgiu o jornal Tribuna do Cacau, com Telmo Padilha, Milton Rosário, Artur Brandão. E fui ficando. Casei, tive duas filhas, cinco netos, e vai por aí a vida.

OFICINAS DO SESI

O Sesi de Ilhéus está oferecendo uma série de oficinas culturais para dependentes de trabalhadores de indústrias da região. O público-alvo são crianças e adolescentes de 8 a 16 anos, que podem frequentar gratuitamente aulas de teatro, pintura, desenho, dança e iniciação musical. Entre os instrutores, estão o maestro Antônio Melo, a professora da dança Soanne Marry e o artista plástico Carlos Macalé.

As oficinas, que coincidem com o período das férias escolares, são realizadas no turno matutino, às segundas, quartas e sextas, no próprio Sesi. A duração dos cursos é de três meses.

 








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