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:: ‘cultura’

FERRADAS COMEMORA 195 ANOS

Antigo ponto de parada de tropeiros que se deslocavam entre o sul e o sudoeste da Bahia, o bairro itabunense de Ferradas está completando 195 anos de história. Para marcar o aniversário, uma interessante programação cultural foi montada pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania. As atividades acontecem de 15 a 19 deste mês.

Constam na programação a apresentação de fanfarras, desfile temático, mostra de cinema, lançamento de livros, ruas de lazer, tarde recreativa e participação de artistas regionais. Na mostra de cinema, um dos destaques da agenda, serão exibidos 15 filmes produzidos na Bahia.

Os produtores culturais Eva Lima e Ari Rodrigues coordenam os eventos.

O CINEMA MORRE

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Em Nosso Lar (idem – Brasil, 2010), Wagner Assis pode deixar muitos com vontade de morrer. Se esse foi seu desejo, bingo; mas se ele quis chegar a um resultado que, além da religião, demonstrasse fé no meio usado para tal, ele falhou.

Desde toda a publicidade envolvendo as cifras (teoricamente R$ 20 milhões), muito se falou dos efeitos especiais. O porém é que quase todas computações gráficas chamam mais atenção para si que ajudam na criação de um filme além do deleite de imagens.

Por “imagens”, no entanto, vejo uma espécie de deslumbramento “arquitetônico” e religioso que não vão além disso. As palavras, as imagens, os efeitos, todos são apenas belezas individuais (palavras e efeitos nem isso) e narcisistas; não formam um todo.

Assis não parece acreditar no cinema que faz, mas na ideia que faz do que seria um cinema se feito no mundo espiritual. Uma mistura entre Niemeyer (citado por Inácio Araújo) e Walt Disney com efeitos americanos década de 80; só que acrescido de açúcar e álcool. A soma é mundo perfeitamente asséptico no qual, entre reacionários, encarnações a fins, há sempre uma nova chance.

É nisso que Assis acredita, o que ele deixa claro a cada cena, muito mais do que cinema. A quem ele não deu chance alguma.

Visto no Shopping Barra – setembro de 2010.

8mm

Poderia falar horas sobre Superoutro (1989), de Edgard Navarro, mas dificilmente falaria algo de novo ou, pelo menos, relevante. Dito isto, só friso uma impressão: não sei em qual filme dos últimos 20 anos, entre os feitos aqui, temos uma Salvador tão pulsante. Se há, ou não vi ou não lembro.

Filmes da semana
1. Antes do Pôr-do-sol (2004), de Richard Linklater (Cine Vivo – DVD) (****1/2)
2. Nosso Lar (2010), de Wagner de Assis (UCI Orient Shopping Barra) (**)
Curta:
3. Gibraltar e as Bicicletas (2009), de Marccela Vegah (Youtube) (***)
Média:
4. Superoutro (1989), de Edgard Navarro (TVRip) (****)

______________

Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
<p>______________</p>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>

TEODORICO FAZ SUCESSO NO RIO

A história de Teodorico Majestade, encenada pelo Teatro Popular de Ilhéus, está agradando público e crítica no Rio de Janeiro. O espetáculo permanece em cartaz até o dia 12, no Teatro de Arena, com patrocínio do projeto Caixa Cultural.

“Teodorico Majestade – As últimas horas de um prefeito” é uma peça inspirada na crise política vivida em Ilhéus no ano de 2007, quando a população foi às ruas pedir a cassação do prefeito Valderico Reis. As armações de Teodorico para continuar no poder e sua derrocada final são contadas com muito humor e resgate da literatura de cordel.

Esse último aspecto foi destacado pelo crítico de teatro Norton Tavares, que assistiu à peça no Teatro de Arena. Segundo Tavares, uma das virtudes da produção ilheense é exatamente despertar o interesse pelo cordel.

A HISTÓRIA DE ITABUNA NA TELA

Os itabunenses terão, nesta sexta-feira, 10, uma oportunidade de  ouro para conhecer um pouco melhor a história de sua cidade. Ela é contada nos documentários “Nos trilhos do tempo”, dirigido por Raquel Rocha, e “Do cinquenta ao centenário – o que conta uma avenida”, de Ana Luísa Coimbra, Leonardo Bião e Poliana Alves.

O primeiro filme destaca a antiga ferrovia que existiu na região até meados do século passado, cujos trens substituíram o lombo de burro no transporte do cacau. O outro narra a evolução da Avenida do Cinquentenário, a principal de Itabuna.

Os dois documentários serão exibidos sexta-feira, a partir das 20 horas, no Centro de Cultura Adonias Filho, com entrada franca.

TEODORICO EM CARTAZ NO RIO DE JANEIRO

A produção de maior sucesso da Casa dos Artistas de Ilhéus – “Teodorico Majestade, as últimas horas de um prefeito”, estará em cartaz de 1º a 12 de setembro no Teatro de Arena, Rio de Janeiro, com patrocínio da Caixa Econômica Federal (projeto Caixa Cultural).

A peça narra as tramoias e falcatruas que ocorrem na cidade fictícia de Ilha Bela, tão parecida com tantas cidades que conhecemos. Denunciado, Teodorico Majestade se vê sob ameaça de perder o cargo e tenta cooptar uma liderança da comunidade para escapar da degola.

No meio disso tudo, diálogos impagáveis e bem-humorados, além de uma história que deixa lições de responsabilidade e cidadania. O texto e a direção são de Romualdo Lisboa e o elenco traz Ely Izidro, Tânia Barbosa, Takaro Vitor, Aldenor Garcia e Elielton Cabeça, que é também o diretor musical do espetáculo. 

A peça tem ainda produção de Rogério Matos, figurinos de Tânia Barbosa, cenário de Carlos Macalé e iluminação de Ely Izidro.

PROSEANDO EM “ROQUEMROLL”

A antropóloga Flávia Mello é a convidada desta quarta-feira, 18, em mais uma edição do Improviso Oxente, na Casa dos Artistas de Ilhéus. O tema é o Rock’nRoll e o bate-papo, com direito a “trilha sonora” da banda Dr. Imbira, começa às 19 horas.

Estudiosa da contemporaneidade, Flávia Mello vai abordar a influência do rock na contracultura e nos movimentos sociais. É papo-cabeça, como de praxe no Improviso.

ROCK NO IMPROVISO OXENTE

Espaço que se dedica ao debate sobre os mais diversos assuntos, sempre de maneira muito descontraída, o “Improviso Oxente”, da Casa dos Artistas, dedica sua programação de agosto a discussões sobre o ritmo que tem influenciado gerações há mais de 50 anos, o Rock and Roll.

Nesta quarta-feira, a partir das 19 horas, o professor André Rosa, da Uesc, doutor em História, vai falar a respeito do rock no Brasil dos anos 80, período em que o país iniciou seu processo de redemocratização.

Para conhecer um pouco dessa história e curtir as boas surpresas do Improviso, é só passar na Casa dos Artistas, que fica no número 96 da Rua Jorge Amado. É programa dos melhores.

JORNALISTA ACUSA PRESIDENTE DA FICC

Bené "triturou" Cyro de Mattos ao vivo

Uma entrevista realizada na manhã desta terça-feira, 20, pelo jornalista Ederivaldo Benedito, com o presidente da FICC (Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania), o poeta Cyro de Mattos, acabou se transformando em um enorme bate-boca. O acalorado debate aconteceu ao vivo, no programa Bom Dia Bahia (Rádio Nacional AM 870).

Bené, como o jornalista é conhecido, interpelou Cyro com uma daquelas perguntas incômodas. Ele quis saber por que a Ficc utilizou o trabalho do radialista Marcos Soares para produzir uma obra sobre a história da Desportiva Itabunense, sem reconhecer a autoria do material. Soares produz e apresenta o programa semanal “Túnel do Tempo”, na rádio Difusora, onde conta a história dos velhos tempos do futebol amador na cidade.

O conteúdo do programa foi transformado em texto pela jornalista Rosi Barreto e está reproduzido fielmente no livro da Ficc. Mas ao autor só foi reservada uma menção de pé de página, meio escondida, como se o seu trabalho tivesse apenas inspirado a obra e não sido a sua matéria-prima.

Bené tocou no tema e Cyro acusou o golpe, dizendo que o jornalista falava o que queria, e negando a apropriação intelectual do trabalho de Soares. A discussão esquentou e o apresentador do Bom Dia Bahia lembrou de um poema recentemente publicado por Cyro no jornal Diário Bahia, cujo título é “O Anticomunicador”. Segundo Bené, a provocação pode ter sido para ele, o que o poeta não desmentiu, mas disse que o poema é atemporal e poderia eventualmente se adequar ao perfil de “determinados profissionais”.

Ao fim da entrevista, um morador de Ferradas, Gustavo Veloso, que também se encontrava no estúdio, acusou o presidente da Ficc de falta de critérios na liberação de recursos para projetos. Cyro ficou ainda mais nervoso, tentou se defender, mas o tempo do programa acabou enquanto ele gritava com o microfone desligado.

Um horror!

MEMÓRIAS HERDADAS

A bela e inconfundível arte de Waldyrene Borges encontra-se na exposição “Memórias Herdadas”. Até o dia 30 de julho, os quadros da artista podem ser apreciados no Jequitibá Plaza Shopping, onde o público tem a oportunidade de conferir as novas técnicas introduzidas por ela em seu trabalho já reconhecido.

A mostra, segundo Waldyrene, é uma homenagem ao centenário de Itabuna.

ASSEXUADA CORRIDA CONTRA O NADA

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Encontro Explosivo (Knight and Day – EUA, 2010), de James Mangold (Garota, Interrompida; Identidade; refilmagem de Os Indomáveis), é um filme que oscila entre o competente e o medíocre. Em cenas de ação, Mangold tem mão segura, auxiliada por computação gráfica igualmente ok, enquanto o roteiro investe em contorcionismos que buscam o “nada é o que parece”, assim como tenta percorrer o maior número possível de lugares turísticos. Nesse segundo quesito, a ligação com Transformers faz sentido, com restante e resultado não muito diferentes.

Desde a abertura, o som busca uma imponência que logo se transforma em falta de educação. Por mais que pese a incerteza se culpa é do sistema da sala ou do filme, áudio quer atenção não pela competência e fluência do uso do Dolby Surround, mas pela ditadura do volume.

Mas se as imagens, por outro lado, estão bem domadas nas mãos de Mangold, elas também se mostram burocráticas. Ele tem mérito por trabalhar com um filme de ação, e com tantas ações, sem parecer que os cortes são excessivos, ainda mais nos dias hoje. Verdade que o filme quase nunca respira, mas o problema aí é do roteiro: não é fácil transpor para menos de duas horas filmagens em tantos cartões postais e com tanta munição a ser distribuída.

Não à toa, quando Patrick O’Neil resolve brincar de “ele é”, “ele não é”, “o outro que é” em roteiro já tão preocupado e comprometido com outras coisas, fica impressão de furo na história. Quando nos convencemos de onde, de fato, vem a falcatrua, graças a uma imagem cuja hipotética réplica não adianta (fim, temos um culpado), somos levados a outra reviravolta.

O pudor ao (não) se filmar sequer a nudez, aliado ao prazer de ambos em estar próximo do perigo e de armas, passa uma gigantesca impressão de que os dois não têm libido.

Como? O que importa é que Tom Cruise e Cameron Diaz fiquem juntos – Roy Miller e June Havens, sabemos, são subterfúgios. O pudor ao (não) se filmar sequer a nudez, aliado ao prazer de ambos em estar próximo do perigo e de armas, passa uma gigantesca impressão de que os dois não têm libido. Quando ele enfim mostra algum tesão (ou o filme quer que a gente acredite nisso), faria sentido se ela dissesse que ele era mais sensual com armas na mão; até porque, nesse momento, ela está sob o efeito de um efeito de espécie de “soro da verdade”.

Mas se o “soro da verdade”, inevitavelmente, lembra Kill Bill (2003), a época do lançamento e parte do gênero de Encontro Explosivo coincide com À Prova de Morte (2007) outro de Quentin Tarantino e que chega ao Brasil mais de três anos após lançado em Cannes. Nele, tem-se basicamente duas perseguições de carro, um acidente, e duas ou três maiores mudanças de locações, com assumida pinta de diversão vagabunda, barata e com computação gráfica nula. Bem menos em quantidade na descrição, bem mais em ação e energia.

Em Encontro Explosivo o importante é evitar que alguém se distraia até que vejamos Cameron Díaz e Tom Cruise juntos, mesmo que não exista nada que convença, nem explícito (o filmar o desejo e afins), nem implícito (através de detalhes não diretamente ligados ao sexo). Quando se pensa em 007 (com o que isso aqui muitas vezes parece), mesmo nos piores momentos daquele, impressão é de filme assexuado. Que poderia investir no que tem de melhor, via roteiro antes de se enrolar de tanto contorcer-se, e pela competência nas cenas de ação. Achou melhor não.

Visto, em cabine de imprensa, no UCI Multiplex Iguatemi – Salvador, julho de 2010.

8mm

Outro encontro explosivo

Várias auto-citações e divagações fílmicas que remetem à falação desenfreada de Pulp Fiction (1994) e Cães de Aluguel (1991) – parece uma versão feminina deste –, um acidente, o ritmo, a cena, a dança. Enfim lançado no Brasil, a primeira sessão (para mim) de À Prova de Morte (2007) conseguiu ser mais ambígua que a de Bastardos Inglórios (2009); embora sejam abordagens distintas. Não sei se é uma decepção em meio a sequências monumentais, não sei se é fabuloso com calculado tempo apenas para respirar. Seja como for, talvez tenha as sequências menos esquecíveis de Tarantino.

Concorrência
O filme entra em cartaz hoje, em semana que temos, com todos ainda em muitas salas, Toy Story 3, Shrek para Sempre e Eclipse, além de Encontro Explosivo. Por mais que sejam públicos diferentes (e Toy Story, o outro que vi, seja muito bom), são quatro – quatro! – filmes gigantes nas suas pretensões financeiras, o que leva a uma grande ocupação de salas. Concorrência por elas será difícil para À Prova de Morte, que deve ficar restrito a sessões noturnas. Que me lembre, e tenha consultado, apenas O Aprendiz de Feiticeiro tem tamanho equivalente aos outros, e está previsto para apenas 6 de agosto. Como um não especialista em marketing, não vejo nexo em, depois de três anos de molho (graças à Europa Filmes, detentora original dos direitos de exibição no Brasil), não esperar mais uma ou duas semanas para lançá-lo.

Filmes da semana

1. A Viagem (1967), de Roger Corman (DVDRip) (**1/2)
2. À Prova de Morte (2007), de Quentin Tarantino (Cine Vivo) (****)
3. Síndromes e um Século (2006), de Apichatpong Weerasethakul (DVDRip) (**1/2)
4. Encontro Explosivo (2010), de James Mangold (UCI Multiplex Iguatemi) (**1/2)
5. Pele de Asno (1970), de Jacques Demy (DVDRip) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>

COMERCIÁRIOS CAEM NO FORRÓ

O Sindicato dos Comerciários de Itabuna promove neste sábado, 5, o seu já tradicional forró. O arrasta-pé acontece no calçadão da Rua Rui Barbosa, a partir das 14 horas, com animação do sanfoneiro Pescoço de Mola e da banda Madame Buchada, que têm à frente os músicos Jaffet Ornelas e Léo Jorge.

Ao longo dos anos, o Forró dos Comerciários vem se consolidando como uma das grandes festas populares de Itabuna, atraindo não apenas os trabalhadores da categoria, mas todos aqueles que apreciam o autêntico forró pé-de-serra.

Cruzamento entre a Rua Adolfo Leite (Beco do Fuxico) e o calçadão é o "miolo" do forró (foto Pedro Augusto)

 

COELBA RELIGA ENERGIA DA CASA DOS ARTISTAS

O fornecimento de energia elétrica à Casa dos Artistas, em Ilhéus, foi religado nesta sexta-feira (14), como informa o diretor do espaço, Romualdo Lisboa. Segundo ele, a medida foi determinada pelo gestor regional da Coelba, Carlos Moraes, atendendo a “súplicas da sociedade ilheense”.

O Pimenta noticiou na quinta-feira (13) o corte da energia da Casa dos Artistas, que foi motivado por um débito atrasado de R$ 1,5 mil. O espaço cultural, que recebe subsídio da Secretaria Estadual da Educação, espera agora reativar um convênio com a Prefeitura.

Com a normalização do fornecimento de energia, a Casa retorna com os espetáculos noturnos de teatro, violão, cordel, oficinas e a sessão semanal do Cineclube Équio Reis.

FESTIVAL “NO FORNO”

As inscrições ao V Festival Multiarte Firmino Rocha, de Itabuna, começam no próximo dia 18, informa Eva Lima, à frente da organização do evento que reúne o que de melhor há nas expressões artísticas deste chão baiano. Ela anuncia que estão sendo feitas algumas modificações no regulamento pra “azeitar” ainda mais o festival multiarte.

As inscrições vão até o dia 18 de junho. O evento acontecerá de 22 a 27 de julho, ano do Centenário de Itabuna. O festival, além de música, dança e teatro, abrirá espaço para as artes plásticas.

CORDEL & CANTORIA NA CASA DOS ARTISTAS

Daqui a pouco, às 20h, tem programa dos bons na Casa dos Artistas, em Ilhéus. Integrando o projeto Cordel & Cantoria, Paulo Morão e Carlos Silva se apresentam por lá. A entrada custa R$ 10,00 a inteira e R$ 5,00 a meia.

O projeto levará ao palco da Casa, todas quartas-feiras de maio, duas atrações. Para a próxima semana, as atrações são Carlos Silva e Gustavo Felicíssimo. Cordel & Cantoria é uma realização da Casa dos Artistas e tem o apoio da Fundação Cultural de Ilhéus e Muito Mais Comunicação.

Não deixe de ir.

“EU ACREDITO EM DEUS”

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones – EUA/ Inglaterra/ Nova Zelândia, 2009), de Peter Jackson (trilogia do Senhor dos Anéis, King Kong), é um dos poucos casos em que um orçamento gigantesco se combina com um perceptível algo a dizer. E ainda que esse algo a dizer seja uma mistura desequilibrada entre prosa e poesia (de qualidades discutíveis), existem momentos que a combinação de ambas apresenta características pessoais e um certo domínio de linguagem – e isso é sempre bom.

Susie Salmon (Saoirse Ronan, expressiva) é uma adolescente assassinada aos 14 anos e que, do céu, assiste a tudo que acontece com quem ela se relacionou, os seus lovely bones – os “ossos amáveis”, numa tradução literal e pouco sonora. Nesse assistir, ela oscila entre o comentar impotente e a narração reflexiva e influente. Como em Crepúsculo dos Deuses (1950), essa narração é feita por alguém que já morreu, mas o uso do artifício do clássico de Billy Wilder, sem contar o fato de o filme se passar na década de 70, não é o único ponto que nos remete ao passado.

Peter Jackson consegue o absurdo de fazer uma criança, no além, escolher para si o nome de Holly Golightly – a Bonequinha de Luxo (1961) encarnada por Audrey Hepburn em uma das personagens mais encantadoramente fúteis do cinema. De Hitchcock ele parece buscar a inspiração para desenhar um vilão convincente e que, graças à montagem paralela e perseguição agonizante próxima ao fim, faz o espectador sofrer um bocado dentro (e talvez se esconder) da cena – num ponto alto do domínio estilístico.

Não dá para dizer, contudo, que Um Olhar do Paraíso é um filme vintage ou um balaio de referências. Peter Jackson abusa de enquadramentos que vao de clássicos planos em 35mm à subjetiva do porão de uma casa em miniatura (!) – filmada, como outras tomadas, por uma câmera digital. De quebra, ele ainda se utiliza de um visual agraciado não só pelo orçamento generoso mas também pelos efeitos possíveis – em escala e precisão – somente nos dias de hoje.

A cena que mescla os barcos em miniatura com os vistos pela filha, as “aparições” e as sensações dela, que vão das amargas mãos atadas ao maravilhoso da intervenção divina, são pontos altos do filme no seu caráter mais poético. Poesia essa que, fabulária como vem, contribui para uma coerente visão ultra-otimista da justiça (que “tarda, mas não falha”) e da felicidade pessoal – também pós-vida terrena. O que se por um lado é ingênuo (já que mostra uma certeza de uma ordem superior, certeza essa que nenhum humano vivo pode ter), é também carinhoso o suficiente para deixar a voz do moralismo menor que a da fábula e do cinema fantástico.

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Visto, em cabine de imprensa, no Multiplex Iguatemi – Salvador, fevereiro de 2010.

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones – EUA/ Inglaterra/ Nova Zelândia, 2009)

Direção: Peter Jackson

Elenco: Mark Wahlberg, Saoirse Ronan, Rachel Weisz, Stanley Tucci

Duração: 135min

Projeção: 2.35:1

8mm

Invictus

Invictus (2009), de Clint Eastwood, passa basicamente duas impressões contraditórias. A primeira é de que Clint (não sei chamá-lo de Eastwood, perdão) há tempos não dá uma escorregada tão feia, e a segunda de que, apesar dos deslizes irreconhecíveis (cenas parecem realmente mal filmadas), existe ali alguém capaz de, apesar do material predominantemente simplório, trazer algo de bom – um toque de classe. Como na cena de abertura.

Todavia, é bom lembrar que em outros filmes dele (como Gran Torino e Menina de Ouro, para se restringir somente a essa década), tem-se não a suspeita, mas a certeza quase absoluta de que ninguém mais faria melhor com o que tinha em mãos. O que não parece ser o caso aqui. Infelizmente.

Cabines

Eu falei que, a princípio, não participaria mais de cabines de imprensa – e fui pra uma três dias depois. Ou seja – o que vocês já deveriam saber: não peguem nada do que escrevo como verdade definitiva. Por favor.

Filmes da semana:

  1. 1. Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow (Multiplex Iguatemi) (***)
  2. 2. Invictus (2009), de Clint Eastwood (Cinemark) (**1/2)
  3. Sweet Sixteen (2002), de Ken Loach (DVDRip) (**1/2)
  4. Sexy Beast (2000), de Jonathan Glazer (DVDRip) (***)
  5. 5. Preciosa (2009), de Lee Daniels (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (*1/2)
  6. 6. Um Olhar do Paraíso (2009), de Peter Jackson (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (***)
  7. Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (VHSRip) (***1/2)
  8. Persona (1966), de Ingmar Bergman (DVD) (*****)
  9. 9. O que Resta do Tempo (2009), de Elia Suleiman (Pré-estreia – Cine Vivo) (***)
  10. Estrada Perdida (1997), de David Lynch (DVDRip) (***1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

CONFIRA NO UNIVERSO PARALELO

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O professor e escritor Jorge Araújo no Universo Paralelo.

“A já um tanto prateada barba do professor Jorge de Souza Araujo (foto) esconde um dos nomes mais significativos da literatura produzida no Brasil. Não por coincidência (Jung diz que não existe coincidência, existe sincronicidade), é uma barba que nos lembra o muito citado e pouco lido Karl Marx: Jorge é militante marxista e, nesta condição, arriscou-se ter as unhas arrancadas – ou ser submetido a pau-de-arara, choque elétrico, afogamento e mimos outros com que a “Gloriosa Revolução de 64” tratava seus desafetos.

Se, à época, não fosse imberbe, arriscar-se-ia a ter a barba cortada a biscó, pois estas eram as regras do jogo – e os ditadores nos queriam todos devidamente depilados, pois barba grande e cabelo idem eram sinais inequívocos da intenção de derrubar o governo. Esse sertanejo de Baixa Grande, para o bem de todos nós, passou ao largo da tortura, sem abdicar de suas convicções: se perdeu anéis, ao menos manteve intatos os dedos, as unhas e o buço emergente, de grande futuro.”

Clique aqui e confira a íntegra da coluna Universo Paralelo desta semana, que também destaca a obra de outra figura magnífica, Elis Regina, que nos deixou há 28 anos. Está imperdível!

ITABUNA E A INCURÁVEL NOSTALGIA DO MAR

Agulhão Filho dava tratos à bola para saber o significado oculto do relógio do centenário, quando uma postagem do Pimenta (reveja) lhe trouxe a luz. “Eureka!”, berrou o trovador, antes de anotar esta quadrinha:

Já descobri o segredo,
na boa, sem qualquer truque:
é o “Pranchão de Azevedo”
na praia de Zé Oduque!…

UM MERGULHO NO UNIVERSO DE OUSARME

Quem, além de Ousarme Citoaian, diria “(…)a discreta senhora que me acompanhava, dona de mais beleza do que bom gosto, sugeriu uma marca de popular suave e de baixo preço”… Isso para descrever o gosto duvidoso de sua acompanhante em relação ao vinho que fatalmente beberiam numa noite romântica num restaurante da Terra da Gabriela.

O quê? Ainda não conhece nosso amigo Ousarme? Pelo visto, descansado leitor, suas férias já estão pra lá de compridas. Faz três semanas que ele nos brinda com textos magníficos na coluna Universo Paralelo.

Redima-se. Clicando aqui, você lê a primeira; aqui a segunda e, por último, não deixe de apreciar a dessa semana, acessando aqui. Como se fosse com um bom vinho – que não precisa ser doce nem suave para ser perfeito, conforme nos ensina o autor –, delicie-se com o texto primoroso de Ousarme Citoaian.

LULA OPERA MILAGRE NO STARPLEX

Milagres acontecem? Bom, pelo menos em Itabuna, sim. O filme Lula, o filho do Brasil já está rodando no Starplex Cinemas (Jequitibá Plaza Shopping, às 18h40min e 21h). E por que o milagre? Dificilmente o Starplex participa das estreias nacionais.

Muitas vezes, a empresa mineira responsável pelas salas de cinema roda filme com atraso de uma a duas semanas em relação às grandes salas. Alguns dizem que essa estratégia é utilizada geralmente por empresas em dificuldades, pois as películas adquiridas fora do período de estreia nacional ficam, digamos, mais em conta. Abaixo, trailer do filme-endeusamento do presidente brasileiro de maior popularidade que se tem notícia.

UNIVERSO PARALELO

AO REI DO ROCK TUDO É PERMITIDO

Ousarme Citoaian

Elvis Presley .

Quem nunca cantarolou Unchained melody, nem que fosse sob o chuveiro frio (em dia de apagão da Coelba), atire a primeira pedra. É a canção do filme Ghost, de Jerry Zucker/1990 (com Patrick Swayze e Demi Moore), que emocionou multidões. A canção (de Alex North, com letra de Hy Zaret), no entanto, é bem anterior ao filme, gravada pela primeira vez em 1955, por um cara chamado Al Hibbler. Você o conhece? Nem eu. E você sabe qual a última música cantada por Elvis Presley? Acertou: Unchained melody.

Calcula-se que mais de 300 gravações foram feitas de Unchained melody, nesse mais de meio século  de idade da canção (a mais recente de que tenho notícia é a de Cyndi Lauper, de 2003). Em Ghost, as vozes são da dupla The Righteous Brothers, num ótimo desempenho – fazendo a melodia grudar no telespectador.
Uma curiosidade: Unchained melody, foi cantada no último show do Rei do Rock, em junho de 1977, de improviso, sem ser ensaiada. Combalido, excessivamente gordo, metido numa roupa um tantinho ridícula pra meu gosto, cheio de drogas, Elvis é uma triste sombra da figura arrebatadora de outros tempos, um homem dilacerado. Mas aí ocorre a metamorfose: diante do piano, com limitada técnica do instrumento (há duas notas erradas, segundo os críticos), ele parece ter redescoberto a alegria de viver, é um artista feliz, bem humorado, cheio de força e energia.
O show é um renascer, depois de quase um ano de intensa depressão e muito remédio. Pena que esse rejuvenescimento tenha durado tão pouco. Ele morreria menos de dois meses depois dessa apresentação fantástica.
Juntando a melancolia de Unchained… com a compaixão que o artista me desperta no seu infortúnio, sinto um aperto na garganta e os olhos marejar, sempre que vejo/ouço este vídeo. Há momentos em que o cantor nos surpreende a sorrir, quando a canção é intensamente dramática (que, no caso dele, soa como um pedido de socorro). É que ele estava em estado de graça, sentia o prazer do reencontro com sua plateia.
Talvez, por essa alegria ao cantar um tema tristemente romântico, outro intérprete fosse acusado de canastrão, o que não se deve fazer com Elvis Presley: ao sorrir, ele atenua nossa tristeza, dando a impressão de que está bem mais feliz (ao menos naquele instante) do que seus fãs imaginam. Depois, ele era o Rei, a quem tudo é permitido.
A gravação só foi lançada nove meses depois, em março de 1978, no lado B de um compacto simples. Hoje, os críticos a consideram uma das maiores interpretações da carreira de Elvis.
Antes de clicar, pegue o lenço.


MACHADO DE ASSIS ESTAVA “POR FORA”

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Na semana passada, esta coluna empregou a expressão “risco de vida”. Foi o suficiente para um leitor nos interpelar, sugerindo que queríamos dizer “risco de morte”. Agradecemos pela colaboração, mas desejávamos dizer o que foi dito: “risco de vida” (até mesmo para chamar a polêmica a este palco). A expressão é perfeitamente defensável à luz da gramática portuguesa e não será difícil mostrar que a coluna estava em boa companhia – com Machado de Assis, Eça de Queirós e muitos outros.

Dizem os gramáticos que a construção “risco de vida” (usada aqui na semana passada, e que gerou protesto) é boa e bem feita: trata-se de uma elipse, situação em que uma palavra ou expressão é omitida. Exemplos? João foi ao cinema; Maria, ao teatro. Eu bebo vinho; ela, cerveja. Nos dois casos há um verbo “encoberto” (“foi”, na primeira frase e “bebe”, na segunda). A construção fica econômica e elegante. E em “risco de vida”, o que tem a ver com isso? Simples: é risco de (perder a) vida. Há outras explicações, mas esta me satisfaz. A elipse, já se vê, está subjugada pela lei do menor esforço, a nos evitar gasto desnecessário de energia e palavras.

“Risco de morte” é invenção modernosa, que famoso professor de português criou (na TV Cultura de São Paulo, creio) e a boiada foi atrás. O lente televisivo argumentou com a “lógica” de que risco de vida é coisa de quem está morto e “corre o risco de voltar a viver”. Francamente, ninguém merece.
Em linha reta – A expressão “risco de morte” é defensável, pelo mesmo mecanismo da elipse – talvez “risco de (encontrar a) morte”. Mas existe um equivalente, considerado melhor, que evita a tal curva elíptica, indo ao ponto em linha reta): “risco de morrer”
A expressão “risco de vida”, além de (também) correta, é consagrada pelo uso. Uma pesquisa rápida me responde que desta forma curvilínea se valeram Machado de Assis, João de Barros, Coelho Neto, Joaquim Nabuco, Eça de Queirós e muitos outros autores, além de milhares de pessoas “comuns”, ao longo dos séculos. Entre os clássicos, avulta-se a exceção do Padre Manuel Bernardes, que preferiu “risco de morte”. Direito dele.
Em resumo, é preciso desconfiar das “novidades lingüísticas” que surgem a todo instante, como em linha de montagem. Alguns neologismos são, verdadeiramente, necessários como enriquecedores da língua portuguesa. Mas quando, em nome da “lógica”, tenta-se sepultar expressões consagradas por muitas gerações, é preciso cuidado. Ou então, que o professor da tevê e seus seguidores vão dizer a Machado de Assis e Joaquim Nabuco (num encontro hipotético, é claro), que eles estavam “por fora”  em matéria de gramática.
A propósito, o lendário professor Evanildo Bechara defende “risco de vida”, o que já me parece suficiente para encerrar a discussão. Ele é “o cara”.

A INFINITA AMPLITUDE DAS ESCOLHAS

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Nesta época do ano, mesmo a turma da cerveja costuma fazer esta pergunta de múltiplas respostas: Qual é o melhor vinho? Abstraindo-se o suave, que não é vinho, mas agressão ao paladar, qual seria a escolha? Champagne? Tinto seco, branco, rosé, espumante? Nacional, importado? Chileno, europeu, aqueles baratinhos (e ordinários) que a Argentina coloca nos supermercados? Os “clássicos” da região Sul, os emergentes do Nordeste? A decisão depende de gosto e bolso.

Dentre todas as bebidas, o vinho é, certamente, a de maior variedade. Dos mais baratos e inferiores, aos sofisticados e de alto preço, o espectro tangencia o infinito. E então, ficamos com os nacionais simples, ou temos paladar para os franceses Château Latour, Lafite-Rothschild ou Boujolais Nouveau (deles não damos o preço, porque esta coluna pretende divertir os leitores, não assustá-los). Ao menos para meu orçamento, eles são todos (que as vinícolas não me processem) “avinagrados”.
(De certa feita, num restaurante de Ilhéus, analisava o lado direito da carta de vinhos de forma um tanto dissimulada – quase à Capitu de Machado de Assis – quando a discreta senhora que me acompanhava, dona de mais beleza do que bom gosto, sugeriu uma marca de popular suave e de baixo preço – um chamado Samba, Bolero, Valsa ou coisa parecida. Salvou-me a lavoura, a pecuária, a noite e a vida: meu paladar fez várias perguntas, mas meu bolso não perguntou nada (atendi-lhe a solicitação e pedi para mim um uísque com gelo). Devo dizer que hoje tenho método próprio de olhar bem a coluna da direta, sem que a senhora que me acompanha perceba o truque.
Enquanto você se decide, vai uma rápida e fantástica estória sobre vinhos, com a ressalva de que, se parece mentirosa, não foi inventada por mim:
Conta-se que em 1985 o bilionário Malcolm Forbes (1919-1990) pagou, num leilão da Christie´s, 155 mil dólares por uma garrafa de Château Lafite,  de 1787, que pertencera à adega do presidente Thomas Jefferson (um grande amante dos vinhos de Bordeaux). Corrigida pelo poder de compra da moeda americana, essa quantia corresponde hoje a uns 500 mil dólares, a algo próximo a R$ 900 mil.

Final infeliz: a garrafa foi colocada em demonstração, na posição errada (vertical), e sob um forte foco de luz. O calor fez secar a rolha, esta caiu dentro da garrafa e o vinho se perdeu. Dá para acreditar? Acredite: é o fantástico mundo dos muito ricos. É de Forbes, que gostava de fazer frases (além de dinheiro), esta: “A diferença entre homens e meninos é o preço dos seus brinquedos” (Mr. Forbes, se verdadeira a estória do leilão, era chegado a brinquedinhos nada baratos).
Voltemos à questão primária da escolha. Pensando bem, tudo tem a ver com o gosto (e o bolso). Logo, você pode até ir de tinto suave, pois a decisão é sua e ninguém tem nada com isso. O suave também é muito bom vinho, se assim lhe parece.

De minha parte, fico com esta definição do poeta:

Quintana

MELHOR VINHO

Por mais raro que seja, ou mais antigo,
só um vinho é deveras excelente:
aquele que tu bebes, docemente,
com teu mais velho e silencioso amigo.
Falou e disse, Mário Quintana. Tintim!

JOTAÉ FICARÁ DE BUZU EM FEVEREIRO

Jararaca Ensaboada está de carro novo, comprado em 60 prestações ditas suaves, com a primeira delas agendada para quando o Carnaval chegar. Tadinho do vendedor: novo na região, ainda não sabe que, de acordo com o histórico do comprador, o veículo terá de ser tomado (com muita dificuldade), tão logo soem as trombetas do Zé Pereira de 2010. Jotaé é do tipo que não paga nem promessa a santo, que dirá bens de consumo. Depois dessa providência traumática, a triste figura voltará ao buzu, ou terá de usar o polegar para pedir carona a quem não a conhece.
(O.C.)

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