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:: ‘democracia’

DEMOCRACIA A TODA PROVA

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Ao invés de eleições caríssimas, poderíamos eleger alguns bares da cidade e, através do debate democrático exercido pelos frequentadores, apreciar (democraticamente) e aprovar as questões mais prementes da sociedade.

 

Nada melhor do que jogar conversa fora num botequim. Quem conhece a filosofia dos frequentadores dessas extensões do trabalho e de casa sabe que não existe nada melhor do que uma boa discussão para voltar pra casa aliviado das tensões após um dia de trabalho estafante. Até hoje não sei por que cargas d’água os médicos (principalmente os cardiologistas) não prescrevem para os estressados candidatos a pontes de safena uma passadinha diária num dos muitos botequins da cidade.

Botequim que se preza deve oferecer aos clientes boas e variadas bebidas, cerveja gelada e tira-gostos de se comer “rezando”. Taí uma receita que não falha e depende apenas de acrescer uma boa dose de atendimento exemplar, que o sucesso está assegurado. Com todos esses ingredientes, bons clientes chegarão aos borbotões, e como o homem é um ser gregário, aí é só ir fazendo a seleção natural.
Eu mesmo conheço vários em diversas cidades, aos quais faço questão de frequentar sempre que retorno, pois vejo os amigos, fico a par das notícias passadas e ainda posso fazer previsões para o futuro. Em Ilhéus, até hoje “choro” o desaparecimento do Sancho Pança, reduto de vários “tribos”, que se reuniam em vários ambientes.

Mas como Secundino decidiu mudar de ramo, mudaram-se também os clientes para a não menos gostosa Barrakitica, que resiste bravamente até hoje, reunindo artistas e intelectuais das mais diversas expressões, boêmios de todos os naipes, executivos e até quem não gosta de nada disso e só quer beber em paz. Aos poucos, esses importantes redutos vão caindo, enquanto outros, como os botecos do Beco do Fuxico, em Itabuna, a exemplo do ABC da Noite, Whiskitório, e o Ithyel (hoje, o Artigos para Beber, de Eduardo), vão ficando como os últimos bastiões da democracia.

Democracia, sim, porque não há outro local onde o contraditório, a discordância de idéias sejam tão respeitados como numa mesa de bar. E vai além, nesses locais, o debate vai muito além das quatro cadeiras (de uma mesa) e chega até às mesas vizinhas sem a menor cerimônia. Esporte, vida alheia e política são as mais preferidas, esta última capaz de exaltar os ânimos dos mais comedidos (a depender de quantas doses já tenham tomado), e tudo fica esclarecido.

Que maior exemplo de democracia poderia ser apresentado ao leitor do que a mesa de bar, onde os pares se reúnem sem pauta prévia nem obrigação de presença e dentro dos mais altos padrões de civilidade? No caso do bar, ainda levam muita vantagem em relação a muitas câmaras municipais, já que não complicam a vida dos munícipes nem gastam o dinheiro do contribuinte. Sem contar que debatem assuntos da comunidade.

Com isso não quero aqui execrar o trabalho dos ilustres edis, cada vez mais repudiados pelos nossos eleitores, principalmente por não costumar honrar, durante o mandato, os compromissos assumidos na campanha. Os altos subsídios (salários) percebidos para fazer pouco (ou, em alguns casos, nada) também são motivos de baixa reputação dos nossos eleitos junto à plebe ignara.

Nada mais nos resta do que, com todo o respeito, reivindicar junto aos nossos deputados federais, senadores e ao presidente da República, a convocação de uma Constituinte, para que possamos modificar o papel dos parlamentares municipais. Ao invés de eleições caríssimas, poderíamos eleger alguns bares da cidade e, através do debate democrático exercido pelos frequentadores, apreciar (democraticamente) e aprovar as questões mais prementes da sociedade.

Uma ideia de vanguarda como essa poderia fazer com que os políticos passassem a agir de acordo com a vontade das bases, atuando em sistema de rodízio, de acordo com a proximidade da questão. Assim, o povo do São Caetano não estaria interferindo nas questões da Califórnia e vice-versa. Porém, a maior contribuição seria a conscientização sobre a necessidade do exercício da democracia, sem pressões, como exercem hoje nossos prefeitos.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br.

UMA HOMENAGEM A WALDIR – E À DEMOCRACIA

O ex-governador e ex-ministro Waldir Pires faleceu na manhã da última sexta-feira (22), enquanto o Brasil sofria para, ao final, vencer a Costa Rica por 2 a 0. Abaixo, republicamos, pela sua importância histórica, um artigo do jornalista Marival Guedes relatando um dos momentos da vida de Waldir Pires. Era o primeiro ano do mandato de vereador de Salvador. 2013.

Marival, numa das crônicas semanais ao PIMENTA, relatava diálogo que teve com o ex-governador e um dos momentos daquele fervilhante 2013, já na Câmara de Salvador e numa audiência em que o Movimento Passe Livre puxava as discussões na capital baiana.  O corpo de Waldir Pires foi cremado ao final da manhã deste domingo.


DE DISCURSOS E DE RENÚNCIAS

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

Na audiência pública realizada pela Câmara, atendendo solicitação do Movimento Passe Livre (MPL) Salvador, mais de 300 entusiasmados jovens lotavam o Centro de Cultura. Foram 50 oradores, cada um com direito a três minutos, tempo controlado rigidamente pelo presidente do legislativo, Paulo Câmara.

Havia integrantes de vários partidos, outros que se autodenominam independentes e os antipartidários. Vários deste último grupo, bastante raivosos, os mais barulhentos. Muitas vezes as vaias impediam o pronunciamento, sendo necessária a intervenção do coordenador.

Mas quando um orador iniciou seu discurso, o silêncio foi total. Lembrando o que escreveu o compositor maior, naquele momento ouviríamos o barulho de “uma lágrima a cair no chão”. O vereador Waldir Pires (PT) começou elogiando os jovens e lembrou que começou aos 16 anos na luta contra o nazismo, de posição racista.

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana (Foto Paulo Macedo/BocãoN).

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana || Foto Paulo Macedo/BNews).

Falou da interrupção da democracia, com o golpe militar, quando muitos foram vítimas do exílio, torturas e assassinatos. Disse que continua na política (ele está com 86 anos), porque é a única forma de civilização humana de se transformar toda a sociedade.

Comemorando este novo momento, disse: “De repente vocês explodem e me deixam muito feliz”. Quando o coordenador da mesa avisou que o tempo estava se esgotando, a plateia de jovens do MPL se levantou e pediu para deixá-lo continuar. O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

A RENÚNCIA

Conheço pessoas que não perdoam Waldir Pires por ter renunciado ao governo do estado em 1989, dois anos após a posse, para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães, passando o cargo para o vice, Nilo Coelho. Certa vez, numa visita que ele fez à TV Cabrália perguntei, ao lado do então superintendente Ramiro Aquino, sobre a renúncia e expus os comentários dos bastidores.

“Professor são três as hipóteses que circulam sobre a renúncia: 1º) Que já havia este acordo com Nilo Coelho. 2º) que o senhor recebeu dinheiro. 3º) Que teve medo de morrer”.

(À época circulou uma informação sobre um atentado à vida dele. Foi encontrado um mapa geográfico no tanque de combustível do avião do estado, momentos antes do seu embarque.)

Waldir respondeu com a serenidade que o caracteriza: “Meu filho, não havia acordo, quem quer dinheiro fica no poder e quem tem medo não enfrenta uma ditadura. Renunciei por que acreditava que o doutor Ulisses ganharia a eleição, pois tínhamos 22 governadores do PMDB.”

CIRCUNSTÂNCIAS

Waldir não tomou decisão de última hora. A escolha para ser o candidato do partido era através do voto em dois turnos. Na convenção nacional do PMDB, além do então governador da Bahia, havia na disputa Ulysses Guimarães Iris Resende e Álvaro Dias. Ulysses e Waldir foram os dois mais votados, com Ulisses na frente. Para evitar o segundo turno, que poderia gerar uma divisão, o partido entrou em consenso e Waldir Pires ficou na vice, prevalecendo a lógica do mais votado. Talvez hoje Waldir argumente, “ eu sou eu e minhas circunstâncias”.

Marival Guedes é jornalista.

NA DEMOCRACIA É BEM MELHOR

walmirWalmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

 

Com a volta do regime de exceção – a ditadura militar –, nossos direitos e garantias individuais cairiam por terra e estaríamos expostos à vontade e ao furor de cada um dos “amigos do rei” com as injustiças chanceladas pela justiça.

 

Como ser humano, somos um animal gregário e buscamos viver em sociedade, o que implica numa série de regras a ser seguida para proporcionar uma convivência salutar. Esse é um princípio natural que devemos seguir como pessoas e mais ainda como cidadãos, por nossa obrigação assumida para com a sociedade em que vivemos.

Implícita nesta conduta está a obediência às regras preestabelecidas, a exemplo das normas jurídicas; da moral, de forma coletiva; e da ética, de maneira individual. Dentro desses princípios, a previsão de conflitos é muito pequena, pois a sociedade não pauta de forma retilínea, haja vistas as nossas visíveis diferenças.

Essa teoria seria importante caso transformada em realidade, o que a cada dia se torna mais impossível, dados os costumes de cada grupo da nossa sociedade. Os três princípios básicos estabelecidos e perseguidos pela Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – seriam, enfim, transformados de lema a fonte segura do direito de cada um.

Embora estejamos acostumados a ouvir os ensinamentos acima desde nossa infância, eles se tornam meras futilidades quando existem interesses contrários aos poderes dominantes. O que não se consegue conceber é que esses princípios basilares venham sendo desrespeitados sob variados pretextos, todos de interesses menores, justamente pelos que juraram obediência à Constituição.

A título de lembrança, frequentemente nos chegam notícias de pessoas e grupos conclamando a volta da ditadura militar para governar o Brasil, como se nosso país fosse uma simples república de bananas. Ora, se na democracia está ruim, não será num regime de força que a vida da população irá melhorar em todos os aspectos. Nos faltará liberdade, igualdade e fraternidade. Sem contar no desrespeito à Constituição.

Está lá no parágrafo 4º, do artigo 60 do texto constitucional: “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – a forma federativa de Estado; II – o voto direto, secreto, universal e periódico; III – a separação dos Poderes; IV – os direitos e garantias individuais”. Ora, essas cláusulas pétreas nada mais são do que uma garantia constitucional a valores que nos são por demais caros.

Se não quisermos olhar pelo ângulo do Direito Positivo – o que se acha escrito -, poderemos analisar esse tema através do Direito Natural – o conjunto de normas que já nascem incorporadas ao homem -, como o direito à vida, à defesa e à liberdade. Então, para que pregamos os valores do iluminismo se queremos o absolutismo, mesmo contrariando todo o nosso legado normativo?

Acredito que esses conceitos absolutistas defendidos por essas pessoas e grupos devam ser revistos com a máxima urgência, sob pena de incorremos em transgressão dos princípios filosóficos e na quebra do nosso ordenamento jurídico. De já, caso prevaleça a teoria absolutista, teríamos que transformar toda a nossa legislação numa imensa fogueira.

Com a volta do regime de exceção – a ditadura militar –, nossos direitos e garantias individuais cairiam por terra e estaríamos expostos à vontade e ao furor de cada um dos “amigos do rei” com as injustiças chanceladas pela justiça. O direito à vida, o maior bem do homem, passaria a ser considerado artigo de quinta categoria, e que dele poderia dispor os ditadores de plantão.

 

Quando falamos nas maravilhas do milagre econômico daquela época é preciso que saibamos distinguir crescimento de desenvolvimento.

Todas as sociedades são formadas por pessoas diferenciadas, o que torna a sociedade plural e cada um de nós poderá exercer o seu direito de pensar, agir e professar de acordo com o que lhe convêm, desde que assegurado o direito do próximo. Esse é o princípio natural da humanidade, defendido pela filosofia Iluminista, a quem a maçonaria participou de sua elaboração e tomou para si esses ensinamentos.

Na sociedade, cada um tem o seu papel e deverá desempenhá-lo de acordo com os preceitos estabelecidos. A grosso modo, o Poder Executivo administra; o Poder Legislativo fiscaliza e legisla; o Poder Judiciário julga. Se desvios são verificados, mudam-se os homens, preservam-se as instituições, como preceituam as normas legais.

E é nesse contexto constitucional que se encontra as forças armadas, cujo comandante em chefe é o Presidente da República. São os militares profissionais gabaritados em segurança, e assim devem ser, como todas as parcelas da sociedade. Não é a farda que o torna mais honesto ou preparado para governar um país e sim sua formação familiar, moral e ética.

Em todos os segmentos sociais existem os bons e os maus, os simplórios e notórios. Cabe a nós, cidadãos, sabermos escolher os nossos representantes, sempre avaliando pela sua capacidade e compromisso, retirando-o de nossa representação quando não mais merecer a nossa confiança. Alerto, entretanto, que para isso é preciso que antes de sermos partidários nos tornemos politizados.

Quando falamos nas maravilhas do milagre econômico daquela época é preciso que saibamos distinguir crescimento de desenvolvimento. E, para encerrar, recorro ao pensador iluminista Voltaire: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Numa ditadura, ou governo de militares, como querem alguns, isso nunca será possível.

Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado.

NOTÍCIAS DE UM GOLPE

TerencioJosé Augusto Terêncio

 

Confesso que estou feliz pelo que está acontecendo. Não pela miséria da oposição, mas pela força que nasceu do povo, pela nossa democracia.

 

Quando eu digo que sou pecador, é por uma razão bem simples: a desgraça de uma pessoa é o moralismo, e eu não quero ser referência pra ninguém em absolutamente nada.

Eu nunca fui esquerda, nunca fui petista… Na verdade, eu nunca defendi ideologia política nenhuma, mas procurei sempre ser coerente, defender a verdade, procurei a verdade dos fatos, procurei ser justo, honesto etc.

Acompanho politica não é de hoje e conheço as figuras que estão no poder há muitos anos. Já votei em muitos deles, inclusive, e com base nisso me posicionei contra o impeachment. Fui pra rua defender a democracia com convicção, levei minha filha comigo para defendermos a presidenta Dilma, mesmo não sendo de esquerda.

Mas por que fiz isso?

Por uma razão bem simples: quem norteia minha consciência não é a televisão, a revista, o jornal, etc. Quando  digo que leio e me informo, não é pra querer ser melhor que ninguém, mas é para ser justo e coerente nas minhas atitudes e não ser um alienado, um sem noção.

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PT SE PREPARA PARA ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Carmelita fala para pré-candidatos a vereador em Ilhéus (foto assessoria)

Carmelita fala para pré-candidatos a vereador em Ilhéus (foto assessoria)

Ao mesmo tempo em que, na esfera nacional, tenta se defender do que chama de golpe contra a democracia, o PT prepara seus filiados para a disputa eleitoral que se aproxima.

Há pouco, em entrevista na Rádio Metrópole, o governador Rui Costa disse que o partido exercerá papel relevante na disputa municipal em Salvador e nas principais cidades do interior.

No sábado (19), os petistas de Ilhéus participaram de um seminário de formação. A atividade envolveu novos filiados e pré-candidatos a vereador, que ouviram informações sobre a legislação eleitoral.

A professora Carmelita Ângela, pré-candidata a prefeita, falou aos correligionários sobre conquistas sociais alcançadas durante os governos Lula e Dilma.

ENTRE A LIBERDADE E A TOLERÂNCIA

Jackson LessaJackson Lessa | jacksonslessa@hotmail.com

A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações?

O recente ataque à sede de uma revista francesa será mais um sintoma do chamado choque de Civilizações? Não podemos nos dar ao luxo de restringir a discussão em torno apenas da liberdade de expressão. Os meios de comunicação parecem se incomodar mais com o fato de ter sido um veículo de imprensa do que o fato de terem sido vidas humanas.

Na verdade, torna-se necessário compreender as possíveis causas desse ataque. Apesar de injustificável, ele é resultado de uma política de intolerância, que não se limita ao estilo jornalístico da revista e, sim, ao comportamento de grande parte da sociedade europeia, e até mesmo ocidental, em relação aos muçulmanos.

Vale lembrar que alguns fundamentalistas não representam a totalidade dos seguidores da religião. Esse evento francês envolve várias esferas, diferindo-se do 11 de setembro, nos EUA, principalmente por ter ocorrido na Europa, e em um momento em que o continente está em convulsão política e econômica.

Historicamente, a Europa ocidental sempre encarou outros continentes e outras religiões com preconceito. Em inúmeras ocasiões, os europeus olharam o diferente como divergente, e acharam essa diferença ameaçadora, quase uma maldição.

Após os ataques à Revista Charlie Hebdo a palavra mais utilizada foi DEMOCRACIA. Mas podemos falar realmente em democracia quando imigrantes são considerados invasores, além de difundir-se uma espécie de islamofobia?

Dois dias antes do referido crime, na Alemanha, várias pessoas foram às ruas protestar contra o que eles chamavam de islamização do país, dando sinais claros de preconceito religioso e xenofobia, fazendo com que a chanceler, Ângela Merkel, tivesse que se pronunciar oficialmente contra esse movimento.

Pesquisas apontam que 57% dos alemães consideram o islamismo uma ameaça, e 60% acham que a religião é incompatível com o Ocidente. A palavra-chave para esse lamentável acontecimento é TOLERÂNCIA. Entretanto, para quem faltou tolerância? Os fundamentalistas que não aceitaram críticas satirizadas ou os jornalistas que atingiram a imagem do islamismo?

A situação é complexa. Autoridades do mundo inteiro, entre eles Obama e Dilma, falaram que é inadmissível atingir valores democráticos como uma instituição da imprensa. Verdade, a imprensa deve ser a porta-voz da sociedade e por isso podemos, sim, considerar que a sociedade democrática foi atingida, de forma covarde, e isso precisa de punição. Porém, é admissível atingir valores sagrados da religião alheia?

Uma das grandes características da modernidade é a multiplicidade religiosa, o que exige de todos, independente do credo, a prática da tolerância, que seria a capacidade de aceitar o diferente, “o que não é espelho”. Relembrando Frei Betto: “das intolerâncias, a mais repugnante é a religiosa, pois divide o que Deus uniu, incentiva disputas e guerras, dissemina ódio em vez de amor”.

Não podemos ver apenas a árvore, precisamos perceber a floresta. Os próximos dias e meses poderão ser muito complicados. A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações? E agora? Será que veremos liberdade e tolerância?

Jackson Lessa é professor de Geografia e Atualidades em escolas e cursos pré-vestibulares de Itabuna e região.

ALMEIDA DEFENDE DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES

Robinson Almeid: premiado.

O secretário de Comunicação do governo baiano, Robinson Almeida, participou do II Congresso Nacional de Direito, realizado desde ontem na Faculdade de Ilhéus, fazendo uma defesa da democratização da mídia. Para ele, a popularização das redes sociais, sites e blogs dá a cada sujeito a possibilidade de ser não apenas o destinatário final da informação, mas também um gerador e propagador de conteúdo.

Almeida também afirmou a necessidade de regulação do setor, pois, segundo ele, “o debate sobre a democratização das comunicações passa por estabelecer limites que garantam uma concorrência saudável, em que os interesses comerciais não entrem em conflito com a informação voltada para a população”.

O secretário deixou claro seu ponto de vista contrário à concentração de grandes grupos de comunicação nas mãos de um número reduzido de grupos empresariais. “Hoje existe um monopólio em que o setor privado se utiliza de concessões públicas, como o rádio e a televisão, para determinar o que o brasileiro vê e ouve”, disse ele.

CARTA ABERTA A CAETANO, GIL E CHICO, SEM CENSURA!

Manu BerbertManuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

 

A cada declaração concedida por vocês e a cada matéria que leio sobre o tema, a sensação é de frustração.

 

Eu poderia começar essa carta comentando o quanto admiro (embora de formas diferentes) o trabalho e história de cada um de vocês, ou relatando o quanto os três foram e são importantes para a cultura brasileira, mas prefiro ir diretamente ao assunto: acompanhando essa polêmica toda em que vocês se colocam contra as biografias não autorizadas de personalidades públicas, a primeira palavra que vem à mente é INACEITÁVEL.

Perdoe a intimidade, Gil, mas é como se aquela doce e paciente professora que me alfabetizou, ainda na infância, agora dissesse que eu não sei escrever.  A cada declaração concedida por vocês e a cada matéria que leio sobre o tema, a sensação é de frustração. Eu não posso aceitar que os meus guerreiros do Tropicalismo, que lutaram pela liberdade de expressão no final da década de 60, sob o massacre de uma ditadura militar, agora lutem contra o direito de acesso a suas fascinantes histórias. É inaceitável.

Não, eu não sou contra o direito à privacidade, Caetano, e concordo quando você diz que a lei deve servir para todos, mas é preciso ser coerente e admitir que um cidadão, ao optar por seguir uma carreira pública, deve estar preparado emocionalmente para os ônus e bônus que ela possa lhe proporcionar. Perdoe a minha audácia, mas eu não posso aceitar que vocês, que me fizeram acreditar que a liberdade de expressão deve ser ampla e irrestrita, agora estejam fomentando uma discussão sobre privacidade alegando direitos autorais.

Mas e aí se alguma dessas biografias lhes causarem constrangimento? Assim como qualquer cidadão brasileiro, recorram à justiça e lutem pela punição dos envolvidos. Cada um que arque com as responsabilidades dos próprios atos. Vocês esqueceram o que é democracia? Sugiro que recorram aos próprios acervos, leiam e assistam suas próprias entrevistas. Aqui para nós, ninguém jamais ousou falar em democracia melhor que vocês nestas últimas décadas. Impedir biografias, nobres ídolos, é como retroceder e pedir que o Brasil esqueça, inclusive, a trajetória que os faz importantes e famosos até hoje.

Manuela Berbert é publicitária e colunista do jornal Diário Bahia.

NILO VÊ AL MAIS ABERTA ÀS MINORIAS

marcelo nilo entrevistaO deputado estadual Marcelo Nilo (PDT), presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, acredita que a casa hoje está mais aberta à população. Em evento no qual falou sobre “O papel do legislador no contexto federativo”, nesta quinta-feira, 15, na Faculdade de Ilhéus, o pedetista disse que a Constituição Federal limitou a atuação dos legislativos estaduais, mas observou que, sob seu ponto de vista, a Assembleia da Bahia tem investido no diálogo com o povo.

“Recebemos na Assembleia, nos últimos anos, todos os movimentos sociais, as minorias, resgatando o conceito de casa do povo”, declarou o presidente no evento, do qual também participaram o deputado estadual Augusto Castro (PSDB) e o presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, Aldenes Meira (PCdoB), entre outros políticos.

Nilo também declarou ver como positivas as manifestações que acontecem no Brasil. Segundo ele, trata-se da “consolidação da democracia, com a participação massiva da juventude, lutando pelos direitos da população brasileira”. O deputado afirmou que a mobilização popular representa o fortalecimento da consciência política.

WAGNER AUTORIZA CONSTRUÇÃO DE PONTE E OUVE PROTESTO EM ILHÉUS

Ao lado de Jabes, Wagner exibe ordem de serviço para início das obras (Foto Manu Dias).

Ao lado de Jabes, Wagner exibe ordem de serviço para início das obras (Foto Manu Dias).

A solenidade de assinatura da ordem de serviço da nova ponte ligando o centro à zona sul de Ilhéus foi encerrada há pouco, no hotel Praia do Sol. O governador Jaques Wagner defendeu as manifestações ocorridas em todo o país, fez observações e ouviu cobranças relacionadas – principalmente – ao terminal pesqueiro inaugurado em novembro do ano passado, mas que não funciona até agora.

Com informações da equipe do cerimonial, Wagner respondeu que o terminal deve entrar em funcionamento em agosto. “Vou falar com o secretário de Agricultura (Eduardo Salles), com o pessoal da Bahia Pesca. Esse equipamento tem que servir às pessoas”, disse.

As cobranças foram feitas diante do ex-presidente da estatal da pesca, Isaac Albagli, hoje secretário de Desenvolvimento Urbano de Ilhéus. Houve constrangimento. Cássio Peixoto assumiu em lugar de Albagli logo após a inauguração do terminal, ano passado. E havia prometido pleno funcionamento em junho.

Wagner ainda falou dos protestos ocorridos no país. E saiu-se com uma metáfora:

– A gente dá banho na criança e tem que jogar a água suja [fora]. Não pode jogar a criança junto. A democracia é uma criança.

Ao contrário de outras solenidades, desta vez o prefeito Jabes Ribeiro não se lamentou das dificuldades financeiras. Falou do pacto por Ilhéus e fez elogios a Wagner, afirmando que o petista era “o melhor governador da história” da Bahia.

A PONTE
Wagner assinou a ordem de serviço em solenidade com prefeitos regionais, dentre eles o anfitrião Jabes Ribeiro, e deputados. “Não tenho dúvida de que a ponte vai aumentar o embelezamento da cidade, melhorando muito o fluxo e o turismo de Ilhéus”.

A ponte custará R$ 165,2 milhões e terá 497 metros de extensão. Além desta obra, também será construído sistema viário de 2,2 quilômetros, interligando-a à BA-001. O projeto inclui ainda a implantação de vias de acesso e ações de embelezamento. A previsão é de que a obra seja concluída em 24 meses. Confira, no vídeo abaixo, detalhes da ponte e da urbanização de parte da orla.

FORMAÇÃO DA OUVIDORIA CIDADÃ

Uma reunião programada para as 9 horas da manhã desta segunda-feira, 19, na Câmara de Vereadores de Ilhéus, irá discutir a escolha de representantes do município no Grupo Operativo da Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública do Estado da Bahia. O grupo pode ser integrado por pessoas que atuam em entidades da chamada sociedade civil organizada, com atuação em áreas afins às de competência da Defensoria.

A ouvidoria se propõe a aproximar a sociedade da Defensoria Pública e ampliar o acesso do cidadão aos seus direitos e deveres. O edital que dispõe sobre a escolha dos novos representantes foi publicado no dia 7 no Diário Oficial do Estado.

AFINAL, VIVEMOS EM UM PAÍS DEMOCRÁTICO?

Juliana Soledade | jsoledade@uol.com.br

Sabe-se de pessoas que recebem um valor meramente simbólico para entregar o seu voto e sua aprovação, permitindo assim que aquele político seja eleito, aproveitando-se da gigante desigualdade socioeconômica existente.

A democracia que nasceu em berço grego e ofertava ao cidadão a sua capacidade plena de decidir, opinar e discutir assuntos relacionados aos de uma determinada cidade Grega. Contudo, a democracia direta não foi efetiva e excluía os direitos dos escravos, estrangeiros e das mulheres. Ora, se poucos possuíam o poder de fato, então podemos pensar na impossibilidade dos interesses, naquele contexto, terem sido considerados universais. Logo, utilizar o termo democracia seria, no mínimo, falacioso. Posso pensar que qualquer semelhança com o Brasil atual não é mera coincidência, ressalvando as proporções devidas.

A democracia é o poder ou governo do povo, onde o caráter de se tornar institucional vem da vontade e o consenso da maior parte, que vai até as urnas e elege seus representantes. Contudo, estamos em um país onde se assume a palavra democracia, mas vemos muitos rasgando a Constituição com a finalidade de beneficiar-se agindo como se fossem ‘os donos do poder’ e, o mais grave, tentando passar para a sociedade a ideia de que vivemos num país democrático.

Diante disso, fica fácil acreditar que o poder que emana do povo é apenas teoria, pois, se o Estado existe, é tão somente por conta do cidadão, para servi-lo e não ao contrário. Mas, desgraçadamente, o que vemos é outra realidade, qual seja: um modelo dito democrático totalmente questionável esse adotado no Brasil: pobreza atraindo pobreza, péssima distribuição de renda, desigualdade de tratamento oferecido pelo Estado Brasileiro aos ricos e aos pobres e uma corrupção manifestada em todos os meios.

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UMA SEMANA PARA (NÃO) ESQUECER

Ricardo Ribeiro | redacao@pimentanamuqueca.com.br

 

A crítica (no Pimenta) está sempre presente, do PT ao DEM, desde que a mereçam, sem as tais misturas espúrias apontadas pelo rei.

 

Não diria que a última semana foi daquelas para esquecer, apesar dos fatos lamentáveis ocorridos, sendo desnecessário mencioná-los novamente aqui. Mas não se deve esquecê-los, pois o que esteve em jogo foi o velho conflito entre a liberdade e a prepotência, o direito e a truculência, a democracia e o mandonismo. E nossa alegria vem do fato de que a imprensa e outros setores da sociedade regional escolheram claramente os bons valores e repeliram com veemência o resgate do chicote.

É preciso, contudo, dar um tempo nesse assunto, pois a reação saudável contra a tirania não pode dar lugar aos que pretendam aproveitar o episódio com outros interesses. Nunca foi esse o nosso desejo, apesar das associações maldosas feitas por quem, na ausência de argumentos, prefere desqualificar a versão alheia. Não só a versão, mas a própria pessoa que a apresenta, numa tentativa que só evidencia o desespero de quem não sabe como se sair bem da asneira que cometeu. Só mentindo mesmo, mas o problema do leviano contumaz é que sua credibilidade é tão sólida quanto uma bolha de sabão.

A arrogância do poder que não vê limites, e não baixa a cabeça, prefere morrer atirando a reconhecer o equívoco, ainda que pudesse atribuí-lo a um momento de desatino ébrio. Melhor seria se assim fizesse, pois errar é humano, mas persistir e se aprofundar no erro é de uma estupidez lapidar.

Quando o arrogante diz que foi ele quem deu o primeiro bom emprego a este humilde escriba, em mais um ataque de reizinho, esquece de que o trabalho não foi pedido a ele nem por ele oferecido. O ingresso se deu por mérito e a escolha coube a quem conhecia a capacidade do profissional. E não foi o rei que, do alto de seu poder magnânimo, jamais conseguiria enxergar nossa insignificância (do ponto de vista dele, naturalmente).

Ainda na firme disposição de desqualificar, o rei atribui ao jornalista a pecha de “pena comprada”, lembrando que o mesmo trabalhou em um período e voltou a trabalhar para o atual governo de Itabuna. Diz que este que vos escreve mistura as coisas e usa o blog Pimenta na Muqueca a serviço de interesses escusos. Suprema leviandade de Sua Majestade, que precisa saber de uma coisa: quando trabalhamos na Prefeitura, pedimos afastamento do blog, a fim de evitar qualquer tentativa de utilização indevida.

A independência do Pimenta é um valor que continua a ser perseguido (sem trocadilho), bastando aos leitores observar diariamente as notas para perceber que a crítica está sempre presente, do PT ao DEM, desde que a mereçam, sem as tais misturas espúrias apontadas pelo rei. Aliás, é hora de perguntar: o rei está nu? Talvez sim, mas o que se sabe é que pelo menos a máscara caiu.

Agora chega de falar de arrogância, truculência, perseguição, mandonismo e de estupidez. Neste momento, desejo somente agradecer pelas inúmeras manifestações de apoio e solidariedade. A todos que se revoltaram e se indignaram com a arbitrariedade e o abuso de poder, o meu muito obrigado. Certamente irei agradecer e abraçar cada um na primeira oportunidade.

Viva a democracia!

A “DEMOCRACIA” DO HBLEM

Da Coluna Política, Gente, Poder (Diário Bahia)

Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, Itabuna, Hblem. Eis o questionamento, indignação, decepção, pergunta: por que os funcionários concursados do Hblem foram proibidos de candidatar-se para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? E o funcionário que protestar, reclamar, pode ser demitido, punido. É a democracia do Hblem. A democracia da censura, a democracia da mordaça. Que infelicidade imperdoável, incurável.

CICLO DE DEBATES

A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) promove nesta segunda-feira, 20, às 19 horas, no auditório Jorge Amado, o “Ciclo de Debates sobre Democracia e Sociedade – Transparência Social”. O objetivo do evento, coordenado pela professora Luiza Reis Teixeira, é divulgar informações sobre canais institucionais de participação popular.

Quem promove a atividade é o Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis da Uesc.

RÉPLICA – QUAL O PROBLEMA DA POLÍTICA?

Luiz Tinoco Filho | ltinocofilho@terra.com.br

Que fatores nos levam a sermos tão medíocres, tacanhos e mesquinhos que não conseguimos nos indignar com tanto roubalheira assim?

Em resposta ao artigo da professora universitária e prima Valéria Ettinger, em que foi mencionado o meu nome, gostaria de tecer alguns comentários. Palavras tão serenas, sensatas e equilibradas só poderiam mesmo sair da sua vasta inteligência.

É vero. No primeiro parágrafo, você pergunta: “Mas será, Luizinho, que o povo sabe o que é política”?

Devo confessar-lhe que não, não sabe, o povo continua sendo essa massa de manobra desses abutres canalhas e inescrupulosos que não cansam de enriquecerem ilicitamente e que só entram na política com o único e firme propósito de roubar, corromper, extrair, extorquir, dilapidar o patrimônio dos brasileiros.

Não me diga que estou cético, estou sim e muito. Não acredito mais em políticos, os sonhos estão acabando, se exaurindo, não há mais razão para sorrir, acreditar, para crer que podemos viver num país mais igualitário, socialmente justo, onde as condições humanas plenas e democráticas sejam exercidas com transparência e dignidade e que qualquer pessoa, por mais desprovida de bens materiais, possa ter seus direitos assegurados como está escrito legitimamente em nossa Constituição Federal.

Lembro-me que na época do Regime Militar, na época do meu ginásio, sei lá, acho que hoje é “Ensino Fundamental”, nós tínhamos duas matérias importantes e que nos davam um suporte de cidadania e política bem maiores, E.M.C (Educação Moral e Cívica) e O.S.P.B (Organização Social e Política do Brasil), nós éramos mais atuantes, importávamo-nos com as questões nacionais. Mesmo no período militar, a corrupção não era tão avassaladora e endêmica como agora. E o que vemos nas pessoas, que fatores nos levam a sermos tão medíocres, tacanhos e mesquinhos que não conseguimos nos indignar com tanto roubalheira assim?

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A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA

Essa opção estratégica mudou a presença do Estado na economia. Fez com que o bolo crescesse mais porque está sendo repartido com os que mais precisam.

Robinson Almeida

Ao programa em curso no Brasil de ampliação dos direitos sociais, inclusão de milhões de brasileiros no mercado de consumo, consolidação das instituições da sociedade civil e elevação da participação popular nas decisões públicas, tem se chamado comumente no PT e em setores da esquerda de Revolução Democrática. Aqui na Bahia, a experiência do primeiro mandato do governador Jaques Wagner remete também a um acerto da mesma estratégia política e de modelo programático.

A Revolução Democrática na Bahia se afirmou pela inversão das prioridades, num estado marcado por profundas desigualdades sociais, entre as maiores da nação. Desenvolvimento, inclusão e democracia passaram a ser um todo, inseparável, partes de um mesmo projeto. A novidade, com os governos Lula e Wagner, é que agora incluir é desenvolver. Essa opção estratégica mudou a presença do Estado na economia. Fez com que o bolo crescesse mais porque está sendo repartido com os que mais precisam.

Uma análise das carências de água e saneamento, moradia, saúde e alfabetização, revela o quadro de injustiça social acumulado há décadas. É por isso, que as principais ações do governo focaram os pobres, que necessitam mais do Estado presente em suas vidas.

A Bahia se tornou referência em programas sociais, como o Água para Todos, Todos Pela Alfabetização (TOPA), Casa da Gente e na ampliação da saúde pública. Ao tempo que combateu a exclusão, o governo enfrentou os gargalos do desenvolvimento. Na infraestrutura, a restauração das estradas, as conquistas da Via Expressa, Ferrovia Oeste-Leste, Porto Sul e obras para a Copa 2014. Mais energia com o Gasene.

Nesse primeiro mandato, o PIB baiano cresceu acima da média nacional, alcançando a chinesa taxa de 10% no primeiro semestre de 2010. Foram batidos todos os recordes na geração de empregos. Em menos de quatro anos, mais postos de trabalho com carteira assinada gerados que a soma dos 12 anos anteriores. Não se pode deixar de creditar parcelas desse sucesso a estratégia da Revolução Democrática. É comum em toda a Bahia, inclusive em segmentos empresariais, a constatação da mudança do ambiente político e de negócios. Mais livres, as forças econômicas e sociais produziram mais em nosso estado.

A liberdade também chegou aos entes institucionais e federativos. O governador, ao firmar uma relação de autonomia e independência com os demais poderes, restabeleceu de fato a república na Bahia. Da mesma forma, pois fim à perseguição estatal aos adversários políticos, promovendo uma relação republicana com partidos e agentes públicos. A sociedade foi convocada a participação no governo. A elaboração das políticas públicas foi realizada por milhares de mãos mobilizadas para a cidadania.

Começou com a peça maior do planejamento de governo, o Plano Plurianual, feito de forma participativa em todos os Territórios de Identidade. Conferências setoriais em todas as áreas. Os movimentos sociais reconhecidos. Os empresariais tratados com profissionalismo. Os servidores públicos trocaram o protocolo sem resposta pela mesa de negociação. Negros, mulheres e jovens valorizados institucionalmente. Religiões respeitadas. Desobstruídos os canais da interlocução entre governo e sociedade, respira-se mais democracia na Bahia!

Nas eleições de outubro, uma vitória maiúscula. Praticamente dois em cada três eleitores votaram na chapa Wagner-Otto, a eleição da ampla maioria parlamentar, dos dois Senadores e da presidente Dilma. Está consolidada a transição e demarcado o novo período histórico na Bahia. A esperança de 2006 se renovou para o futuro. A governança sai amadurecida com a aprovação do programa da Revolução Democrática e pela consagração da liderança de tipo novo, democrática e eficiente, do governador Wagner.

Do próximo governo é de se esperar os ajustes necessários e que aprofunde o projeto de mudanças iniciado em 2007. Que faça muito mais do mesmo. Promova direitos sociais, fortaleça a democracia e coloque a Bahia entre os estados mais desenvolvidos do país. Revolução Democrática é o nome da nova hegemonia. A Bahia vai seguir em frente.

Robinson Almeida é assessor-geral de Comunicação do Governo da Bahia.

JOSÉ DIRCEU ATACOU MESMO A IMPRENSA?

O repórter Vitor Rocha, d´A Tarde, já havia chamado atenção para o fato de que, numa palestra a petroleiros na Bahia, o ex-ministro José Dirceu em nenhum momento havia feito ataques à imprensa ou dito que há “excesso de liberdade” para os veículos de comunicação no Brasil. O vídeo abaixo ajuda a dirimir dúvidas.

BOMBAS DE UMA DEMOCRACIA DITATORIAL

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Celina Santos

No universo fantasioso do discurso, onde se celebra o nove de dezembro como Dia Internacional Contra a Corrupção, o governo propõe enquadrar tal prática entre os crimes hediondos.

Forte, não é? Pois no universo real das ações, enquanto estudantes tentam bradar sua indignação contra as bombas de efeito imoral disparadas por um governador corrupto, opa!, vem a polícia montada, reagindo com “bombas de efeito moral”, tiros de borracha, pancadas de cassetete e patadas de cavalos. Cenas típicas da Ditadura Militar, mas vivenciadas na semana que passou, em plena democracia (?), na pomposa capital do Brasil.

Na verdade, nessa pretensa democracia, a conquista de uma eleição poderia ser rebatizada como assunção. Ao ser escolhido pelo voto popular, o político brasileiro é assulto, melhor dizendo, elevado – de corpo e alma – a um céu de impunidade.

Naquele paraíso, diferenciado dos “cidadãos comuns”, ele parece receber afagos de uma fada-madrinha. Com varinha de condão em punho, ela aconselha: “Vai, filho! Você pode fazer estripulias à vontade, depois pede pra sair. Daqui a pouquinho, todo mundo esquece e você pode voltar ao seu lugar. Mas não se esqueça de arranjar um bom dinheiro pra campanha, hein?”

Cientes desses segredinhos, os arrudas, urtigas e cansanções da política sempre retornam à cena. Conseguem milhões para o circo da campanha e, quando de volta ao céu da impunidade, desviam tudo que precisam, para “honrar” os compromissos da candidatura e ostentar uma vida nababesca que Receita Federal nenhuma é capaz de computar. Do lado de cá, esse dinheiro vai minguando do bolso dos milhões de cidadãos comuns que são lesados.

Na base da pirâmide, é lesado seu Zé da Bicicleta, que se vira com um salário mínimo para alimentar aquelas crianças de bochecha rosada que aparecem no colo dos candidatos em época de caça aos votos. Lá no longínquo topo, também é lesado doutor Luiz Cláudio Albuquerque. Ele ganha dezenas de salários, anda de carrão, mas vê 40% da renda escoar pelo ralo dos inúmeros impostos. E mais: paga caro para seu filho, de bochecha também rosada, ter saúde e educação de qualidade.

Apesar dessa distância absurda entre os comuns e os assultos, repetimos como papagaios o discurso da democracia, como se ela estivesse plenamente consolidada em nosso país. Dizem por aí, com voz empostada, que nossa arma é o voto! Mas essa arma se revela sem munição. Porque os mesmos são sempre escolhidos e nós não temos meios de devolvê-los ao mundo dos comuns, para que paguem por suas incontáveis estripulias.

Assim, há de se constatar, para desespero de quem lutou pelas Eleições Diretas, que vivemos numa democracia ditatorial. Aos indignados, portanto, só restam cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha.

Celina Santos é redatora do Diário Bahia.








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