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:: ‘Editus’

EDITUS E JEQUITIBÁ PROMOVEM FEIRA DE LIVROS E RODAS DE CONVERSA

feirashoppingA Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, Editus, e o Shopping Jequitibá promovem, quinta e sexta (13 e 14), feira de livros e rodas de conversa, a partir das 15h, no centro de compras, em Itabuna.

Nesta quinta, a roda de conversa é com a professora e pesquisadora da Uesc Flávia Alessandra de Souza. A doutora em Sociologia abordará o tema Combate à violência contra a mulher.

Já na sexta, Maria Luiza Santos aborda Migração e Refugiados, também na roda de conversa, às 15h, no shopping. “Malu” é doutora em Ciências Sociais.

Ainda na sexta, logo após a roda de conversa, haverá pré-lançamento do livro Intercambiando com Demetrius e Felipa, de Maria Luiza.

EDITUS LIBERA MAIS DE 150 LIVROS PARA DOWNLOAD GRATUITO

editusO acervo de livros da Editus para download gratuito aumentou. Agora, o Editus Digital conta com mais de 150 títulos para o leitor baixar gratuitamente. São publicações em áreas como Literatura, Educação, Saúde, Direito, Economia, História, Africanidades e Infantojuvenil.

Segundo a editora, o objetivo é colaborar com a democratização do acesso ao conhecimento e incentivar a leitura. Para isso, adotou como política institucional a disponibilização imediata dos livros após seis meses de publicação impressa.

O livro produzido pela editora pode ser lido em qualquer dispositivo (computador, smartphone ou tablet). Para baixar, acesse: https://goo.gl/JkNj7T.

RUY PÓVOAS LANÇA “NOVOS DIZERES”

Ruy Póvoas lança terceira obra, Novos dizeres.

Ruy Póvoas lança terceira obra, Novos dizeres.

Novos dizeres é o terceiro e novo livro do escritor grapiúna Ruy Póvoas. A obra, em formato de verbete, traz olhar íntimo sobre temas variados. Os pensamentos, experiências e vivências do autor se costuram entre um texto e outro, manifestando o desejo de uma reflexão dos problemas do dia a dia.

Publicado pela Editora da Uesc (Editus), Novos dizeres reúne 105 poemas nos quais o autor constrói uma narrativa da vida que permite ao leitor uma interpretação própria do que lhe é apresentado.

A intenção, revela Póvoas, não é mudar o mundo por meio de sua poesia, mas incentivar as pessoas a entender o universo da forma que ele é. Nas últimas páginas da obra, o escritor e professor expõe o dicionário do dicionário, explicando o significado das palavras que podem fugir à compreensão do leitor.

O livro Novos Dizeres está disponível na Livraria da Editus, localizada no Centro de Artes e Cultura Paulo Souto, na UESC. O título está disponível também na Livraria Papirus, em Ilhéus e na Banca do Shopping Jequitibá, em Itabuna.

Na internet, o leitor pode encontrar essa e outras publicações nos sites www.livrariacultura.com.br e www.bookpartners.com.br. Pedidos podem ser feitos pelo email [email protected] ou pelo telefone (73) 3680-5240. Acompanhe todas as novidades da Editus no site www.uesc.br/editora ou pelo Facebook @editoradauesc.

NOVA OBRA DE LOPES

Lopes lançará nova obra pela Editus em breve (Foto Divulgação).

Lopes lançará nova obra pela Editus em breve (Foto Divulgação).

O jornalista e escritor Antônio Lopes lançará nova obra em breve.

Manoel Lins: O Canto da Eterna Esperança é o título do livro.

Será publicado pela editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, a Editus.

 

LIVRO INFANTOJUVENIL ABORDA MIGRAÇÃO

Maria Luiza é autora de livro sobre migração (Foto Victor Rezende/Editus).

Maria Luiza é autora da obra (Foto Victor Rezende/Editus).

Uma menina super curiosa, um lugar com muitas riquezas culturais e um mundo de descobertas incríveis. Publicado pela Editus (Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz), o livro As viagens de Carola Migrista: migrante ou turista? trabalha o tema da migração de um jeito bem divertido para a garotada.

Estudiosa dos aspectos migratórios na região sul-baiana e de outras localidades do país, a escritora Maria Luiza Santos traz nesta publicação uma forma didática e ilustrativa para aproximar o público infantojuvenil de um tema tão atual.

A história é sobre a adolescente que, em uma viagem escolar para Foz do Iguaçu, descobre culturas diversas e busca desvendar a sua trajetória: se é migrante ou turista. Com suas amigas Giuliana e Ravena, ela passeia, pesquisa, discute conceitos e vai descobrindo suas respostas.

A publicação já está disponível na Livraria da Editus, localizada no Centro de Artes e Cultura Paulo Souto, na UESC. Pedidos podem ser feitos pelo email [email protected] ou pelo telefone (73) 3680-5240.

EDITUS LANÇA LIVRO DE ANTÔNIO LOPES

Antônio Lopes, na Uesc, com a poeta Dinah Hoisel (Foto Divulgação).

Antônio Lopes, na Uesc, com a poeta Dinah Hoisel (Foto Divulgação).

Com o Mar Entre os Dedos-CapaEm solenidade na sexta-feira (20), a Editus-Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e o Instituto Macuco Jequitibá promovem o lançamento do livro Com o mar entre os dedos, do jornalista Antônio Lopes. O evento será às 18h30min, na Casa de Cultura Jonas & Pilar (Praça Cristovaldo Monteiro, em Buerarema). 

Com o mar… abriga 57 crônicas, muitas delas “rascunhadas” neste Blog, na coluna Universo Paralelo, que publicamos em duas temporadas, a primeira a partir de 2010, a segunda a partir de agosto de 2012.

Neste quinto título, Lopes retoma a forma de expressão literária em que se fez conhecido do público regional:  Estória de facão e chuva (Editus/2005) e Luz sobre a memória (Agora Editoria Gráfica/2001) estão em segunda edição – respectivamente pela Editus e a Mondrongo. O novo livro tem apresentação do ficcionista e professor de literatura Aleilton Fonseca, da Academia de Letras da Bahia.

A crítica também tem sido favorável ao autor de Buerarema falando para o mundo:  se pronunciaram favoravelmente a respeito da produção do cronista que, segundo Hélio Pólvora, botou Buerarema no mapa da literatura.

O editor Gustavo Felicíssimo, que fez a segunda edição de Luz sobre a memória (Mondrongo/2013), afirma que a escrita de Antônio Lopes é contemporânea, simples, do nosso tempo, “pois é quando carrega no aspecto aparentemente despreocupado, como quem escreve sem maior consequência, muito embora com mergulhos profundos na memória e no significado dos atos e sentimentos humanos, que seus escritos saltam da página”.

Com o mar entre os dedos é o quinto livro de Lopes, o quarto de crônicas literárias e o terceiro publicado pela Editus-Editora da Uesc.

SERVIÇO
Com o mar entre os dedos, Antônio Lopes
Quando – Dia 20
Horário – 18h30min
Onde – Casa de Cultura Jonas & Pilar

EDITUS LANÇA DUAS OBRAS NA BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO

Maria Luiza autografa obra para baixinhos e grandinhos na Bienal (Foto Divulgação).

Maria Luiza autografa obra para baixinhos e grandinhos na Bienal (Foto Divulgação).

Duas obras da Editus foram lançadas na XVII Bienal Internacional do Livro do Rio, maior evento literário do país. Cancioneiro do cacau, de Cyro de Mattos, e o infantil Tonico descobre que é de todo lugar, de Maria Luiza da Silva Santos, foram lançadas no segundo e no terceiro dia da Bienal.

Cancioneiro do cacau foi apresentada com outras três publicações do projeto editorial Coleção Nordestina, iniciativa idealizada pelas editoras que integram a Abeu Nordeste.

A história infantil Tonico descobre que é de todo lugar caiu no gosto não só da criançada, mas também dos adultos que prestigiaram a sessão de autógrafos da autora Maria Luiza Santos.

Para Rita Virginia Argollo, diretora da Editus e atual gestora da Abeu Nordeste, “lançar produções regionais em um evento do porte da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro e ver o interesse de um público tão diverso, não só projeta ainda mais os autores e a qualidade das nossas editoras, como também fortalece a Regional Nordeste dentro da ABEU.”

O livro Tonico descobre que é de todo lugar já está disponível para compra na livraria da Editus (Uesc), na livraria Nobel em Itabuna e na Papirus Livraria, em Ilhéus. Na internet, o leitor pode encontrar o título no site da Livraria Cultura e no www.bookpartners.com.br. Pedidos podem ser feitos pelo [email protected] e pelo telefone (73) 3680-5240. Já o livro Cancioneiro do Cacau em breve estará disponível para os interessados nos principais pontos de venda.

OBRA DA EDITUS RETRATA ECONOMIA REGIONAL

capa_mosaico economico.inddA professora Aline Conceição Souza organizou uma coletânea dos resultados de monografias e projetos de pesquisa do curso de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz. O trabalho está condensado em Mosaico econômico – do global ao regional. O trabalho possibilita uma compreensão da realidade sul-baiana. A obra é o mais novo lançamento da Editus Editora, da Uesc.

De acordo com ela, os trabalhadores reunidos trazem importantes reflexões sobre o desenvolvimento de diferentes atividades econômicas” em níveis mundial, nacional e estadual, “com recorte especial para os municípios do eixo Itabuna- Ilhéus”.

A obra trata de temas como caracterização do turismo internacional na Bahia, indicadores de desenvolvimento da região e comportamento de preços de alimentos e seus impactos na cesta básica. A obra ainda traça as características das mulheres empreendedoras que vivem da informalidade. Mosaico econômico… também propõe análise inovadora do mercado de cosméticos étnicos e sua segmentação estratégica.

– O livro é resultado do esforço conjunto de professores e ex-alunos, no sentido de valorizar e difundir as produções acadêmicas do curso, oferecendo aos leitores um conteúdo de qualidade sobre temas que representam a realidade onde vivem – diz a pesquisadora .

Mosaico econômico pode ser adquirido na Livraria da Editus, no Centro de Artes e Cultura da Uesc, ou por meio de email ( [email protected]) ou pelo telefone 73 3680-5276/5240. Para quem busca mais, há ainda o site www.uesc.br/editora, onde estão disponíveis todas as obras publicadas pela Editus.

LIVRO DE LUIZ AMÉRICO REÚNE MAIS DE MIL MARCHINHAS BRASILEIRAS

Obra reúne mais de mil marchinhas brasileiras em dois volumes.

Obra reúne mais de mil marchinhas brasileiras em dois volumes.

luiz américo1O historiador Luiz Américo Lisboa Junior lançará no dia 25, pela Editus e Via Literarum, o livro Marchas brasileiras. A obra é considerada o mais completo e detalhado inventário do gênero e reúne marchinhas de 1927 a 1940. O lançamento será na Livraria Cultura, no Shopping Salvador, às 19h.

Para Luiz Américo, as marchas se transformaram em um porta-voz dos anseios e sofrimentos da população, criando uma trilha sonora leve e divertida da história do povo brasileiro.

As marchinhas, dentre elas Pierrô apaixonado, Cidade maravilhosaO teu cabelo não nega, Bola Preta, Estrela Dalva e Casinha Branca, são comentadas e contextualizadas historicamente. “Esta é a primeira etapa, já que o objetivo final é resgatar todas as marchas gravadas até 1964”, diz o autor.

O livro é prefaciado pelo jornalista e ex-ministro de Comunicação da Presidência da República Franklin Martins. “Marchas brasileiras é uma divertida e estimulante viagem ao que fomos e, em certa medida, ao que somos. Nesse percurso, temos a sensação de que estamos diante de um espelho: olhamos para o país e nos reconhecemos nele a todo momento”.

Pedidos de compra da obra podem ser feitos por email ([email protected]) ou pelo telefone (73) 3680.5240. Há, ainda, o site da Editus (www.uesc.br/editora ). Na Via Literarum Editora, a obra está disponível na loja virtual do site www.vleditora.com.br e pedidos podem ser feitos pelo telefone (73) 3242.1738 ou pelo e-mail [email protected]

UNIVERSO PARALELO

1.400 ALEXANDRINOS PARA JORGE AMADO

Ousarme Citoaian | [email protected]

1Piligra

Em meio às muitas e justas comemorações do centenário de Jorge Amado uma obra de alto fôlego literário passou quase despercebida. Digo e provo que o itabunense  Piligra, poeta que joga no time principal, sem firulas, confetes ou lantejoulas, produziu, com o seu A odisseia de Jorge Amado (Editus/UESC), obra duradoura. O livro, com belas ilustrações de Jane Hilda Badaró e George Pellegrini, reúne 100 sonetos (1.400 versos alexandrinos!), com um saboroso gosto de poesia popular – aquela a que chamam literatura de cordel (algum dia, armado de mais paciência, explico por que não gosto da denominação “cordel”).  Piligra é do ramo: já sustentou uma curiosa “peleja virtual” com Gustavo Felicíssimo, publicada em livro.

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Herança de Castilho e Machado de Assis

Há mais de um tipo de alexandrino, verso muito trabalhoso e que teve entre seus cultores pioneiros Antônio Feliciano de Castilho (em Portugal) e Machado de Assis (no Brasil). Na escola, aprendemos que o nome “Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac” é um alexandrino “perfeito”, com acento na 4ª, 6ª e 12ª sílaba. Piligra, cujo nome (Lourival Pereira Júnior) forma uma redondilha maior, escolheu o modelo dito moderno de alexandrino (acento na 4ª, 8ª e 12ª sílaba poética), como neste feliz exemplo (soneto 57), narrando as andanças de Jorge Amado: “Paris tem cheiro de mulher bela e dengosa”, ou no fecho do soneto 83, sobre Teresa Batista: “Morre cansada a prostituta da beleza”.

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3BataclanNu, Tonico corre pelo sertão afora…

Ao acaso, escolhi num dos sonetos, para mostrar a quanto chega o estro do autor de A odisseia de Jorge Amado:

 

 “O coronel Ramiro Bastos não morreu,

É lenda viva na cabeça da Nação;

Malvina chora pelo amor que não foi seu,

Corre Tonico ainda nu pelo sertão…

 

Glória se entrega a Josué no seu colchão,

Rômulo foge como um louco fariseu,

Mundinho ganha o seu poder numa eleição,

Só Gabriela o seu Nacib não perdeu…

 

Ilhéus agora recupera o Bataclan,

As fantasias, seus alegres cabarés;

Ilhéus não sabe que a pobreza é uma vilã,

 

Mão que suspira ao receber falsos anéis…

Dona Maria Machadão, toda manhã,

Arruma a mesa para os novos coronéis!”

CONSIDEROU “ATO DE JUSTIÇA” O ANÚNCIO

Foi chamado pelo INSS a comprovar a existência, pois o governo, com frequência, é levado a pagar benefícios previdenciários a indivíduos mortos, ausentes, inexistentes ou desaparecidos. Achou muito oportuna a declaração de vida, não porque estivesse preocupado com o governo, mas porque se preocupava consigo. Totalmente incapaz de fazer marketing pessoal, tão em moda, viu nessa exigência uma oportunidade de promover-se, ao menos junto ao banco que lhe repassa os magérrimos proventos mensais de aposentado por tempo de serviço. “Eu estou aqui, ainda não morri, por incrível que pareça!” – imaginou-se a dizer, classificando o anúncio como ato de justiça.

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A propaganda ainda é a alma do negócio

Afinal, se as cervejas, os carros, os smartphones, os cartões de crédito, as novelas de tevê e os refrigerantes se anunciam – a rigor, são anunciados, mas o efeito é o mesmo – (“Estamos vivos e disponíveis!”, diriam, se tivessem o dom da fala), por que ele, após 35 longos anos como balconista de loja, não se anunciaria? Decidiu: não só atenderia a essa curiosidade do governo como iria, dali pra frente, fazendo disso hábito, anunciar-se o mais possível: perfil no Facebook, espalhar fotos, dar detalhes de sua vida. Por exemplo, ao espirrar, postar “Espirrei!”. Deu certo. Já foi até chamado para quebrar coisas no Black Bloc (BB), fora os convites impublicáveis. A propaganda ainda é do negócio a alma. No caso, do BB, a arma.

 

A CABEÇA DO “REI” SÓ DÓI QUANDO ELE PENSA

6Roberto CarlosRoberto Carlos, com seu risinho bobo, e Caetano Veloso, mui chegado aos holofotes, eu até compreendo. Mas Chico Buarque e Gilberto Gil embarcando na canoa furada da censura às biografias é de estarrecer. À parte a defesa, às vezes equivocada, da liberdade de expressão, figuras públicas não têm direito ao nível de “privacidade” reivindicado. Aliás, Roberto Carlos em detalhes, o livro cuja circulação foi proibida, é trabalho de fã, nada tem de ofensivo, muito pelo contrário. Sei disso porque me disseram (não li, pois tenho coisa melhor em que empregar meu tempo). Roberto Carlos guarda semelhança com Pelé (talvez não por acaso, também “Rei”): quando pensa, tem ataques de cefaleia e urticária.
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Briga de feira, foice e feras feridas

Aliás, esse movimento contra os biógrafos já não vale choro, vela ou o discurso de Roberto Carlos, de famosa alienação: tentou explicar o inexplicável, meteu seu advogado pelo meio, este brigou com Paula Lavigne, Caetano deu declarações contra Roberto, Roberto respondeu emburrado, afastando-se do embrulho, Paula calou-se, enfim, o grupo “Procure Saber” é agora um barraco, uma briga de feira e de feras feridas. Ou de foice. E, parece, foi-se (ai!) a amizade do baiano e do capixaba, de longos anos e muitas trocas de canções – mesmo com juras de amor eterno enquanto dure: “Continuarei amando quem fez Esse cara sou eu”, disse Caetano. Epitáfio bobo e de gosto  duvidoso.

CANTORA DEU VOZ, VEZ E FAMA AOS NOVOS

8Laila GarinNunca houve cantora tão corajosa quanto Elis Regina. Criou, inovou, não se cingiu aos temas consagrados, apostou em compositores sem nome na praça e deu-lhes fama. Sou levado a pensar que Gonzaguinha, Belchior, Milton Nascimento, João Bosco-Aldir Blanc e outros não teriam chegado aonde chegaram (o estrelato) se ela não lhes tivesse dado voz e vez. Elis morreu em 1982, lá se vão 31 anos, mas vive nas canções que imortalizou – e, recentemente, num musical dirigido por Denis Carvalho, interpretada pela atriz Laila Garin (foto). Aqui, ela canta um de seus “protegidos”, Belchior. E me permitam dizer que “na parede da memória esta é a lembrança que dói mais”.

UNIVERSO PARALELO

AFIRMAÇÃO QUE PRECISA SER CONTESTADA

coloquioOusarme Citoaian | [email protected]

Não usemos termos como estarrecedor, consternador ou algo desse nível dramático. Talvez surpreendente. É isto: surpreendente e injusto é um comentário do professor Arnaldo Niskier, a respeito de Marcos Santarrita, no livro 100 anos de Jorge Amado – história, literatura e cultura (Editus-UESC/2013): “Apesar de ter rejeitado a obra de Jorge Amado na adolescência, devido a seu passado comunista, o escritor Marcos Santarrita o considera o maior autor brasileiro…”, diz o ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, à pág. 24. Preocupa-me que, devido ao peso intelectual de quem assina esta afirmação, ela passe por verdadeira.

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Frase que não foi dita, e nunca seria

Não é. É ofensa à memória do escritor de Itajuípe. Quem conhece um pouco do romancista e sua obra sabe que isto nunca foi dito, e nunca seria. A frase, que condena o passado comunista de Jorge Amado, prega no autor de A solidão dos homens uma injusta pecha de reacionário, além de uma apreciação negativa da escrita amadiana igualmente infundada. Ao contrário: MS afirmou que se descobriu escritor ao ler Jorge Amado e perceber que com pessoas “comuns” era possível fazer literatura. Antes de Jorge, o romance era de capa e espada, nos salões burgueses, algo muito “francês” para o gosto do adolescente rebelde, leitor de gibis.

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3 MarcosLamarca inspirou Danação dos justos

O educador Arnaldo Niskier (que não será molestado, pois não é leitor desta coluna) ouviu mal. Na adolescência, Marcos Santarrita (foto) cooperava com o jornal O Paladino, do único comunista de Itajuípe, Clodoaldo (o jornalzinho que queria mudar o mundo foi chamado de O Paradigma, no romance Danação dos justos/1977). Sem militância ostensiva, o escritor simpatizava com a esquerda, era entusiasta de Fidel Castro, da Revolução Cubana e da União Soviética – apesar de amigos que consideravam “romântica” sua posição. Sem valer-se do panfleto (ou do “romance proletário”), sua literatura é engajada: condena as injustiças sociais e a ditadura de 1964 – e se alguém duvida, saiba que Danação… foi inspirado em Carlos Lamarca.

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O PNEU VELHO E O RETORNO DA INFLAÇÃO

No largo espectro da minha ignorância situa-se a ciência econômica (Darcy Ribeiro dizia que economia não é ciência, pois não possui base concreta para o raciocínio, valendo-se do método de tentativa e erro, em geral começando com um “suponhamos que…”). Mas, como a Constituição me garante o direito de opinar, digo que a principal ameaça da volta da inflação é o pneu velho. Esse artigo, que até meados do ano era de serventia apenas como berçário do mosquito da dengue, ganhou status de matéria indispensável aos protestos que se repetem no País. Sem pneu velho, não há salvação para este Brasil brasileiro e protestante.
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pneusPneu novo só banqueiros podem queimar

Com tanto pneu queimado, o estoque se reduz, as borracharias esgotam as reservas, o pneu velho ficará pela hora da morte. Seremos todos vítimas da inflação de demanda (mais consumo, maior preço), sacrificados à lei da oferta e da procura. “Supondo que” (como dizem os economistas) isto aconteça, que plano B têm os manifestantes? Queimaremos pneus novos? Certamente não, pois o preço é proibitivo (a não ser para protesto de banqueiros pelo aumento das taxas do cartão de crédito). Faremos protestos a frio? Não tem graça, pois manifestação que não exala fumaça e labareda ninguém leva a sério. Urge encontrar opções.

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Protestos espantam mosquito da dengue

E assim, o pneu velho, pelo qual não se dava um real furado, deixa o anonimato do lixo e das borracharias (de que era canhestro símbolo) para se transformar em artigo de primeira necessidade. Suponho (ops!) que já exista por aí, à espera de ser regulamentada pelo Ministério do Trabalho, a profissão de “Caçador de Pneu Velho” (ou CPV, nestes tempos de amor às siglas, acrônimos e abreviaturas), uma prova da mudança que tanto se reivindica. Mas já temos um ganho, ainda não devidamente avaliado pelas autoridades: as manifestações de rua, com a queima de pneus, fizeram muito Aedes aegypti ir zumbir em outra freguesia.

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O PRIMEIRO A GRAVAR ROCK EM PORTUGUÊS

7 Minha sogra é da PMO grupo Time-Life chamou certa vez Cauby Peixoto de “o Elvis Presley brasileiro”. Exagerou, é claro: Cauby canta em nada menos do que nove línguas, canta tudo, até samba, mas o rock nunca foi sua praia. Ainda assim, foi o primeiro cantor brasileiro a gravar rock em português, Rock´n roll em Copacabana (de Miguel Gustavo), tendo entre os acompanhantes um jovem chamado Erasmo Carlos. Cantaria outro rock na chanchada Minha sogra é da polícia, de 1958 (foto), mas, mesmo assim, não é do ramo. Sua voz grave, dita “aveludada”, cai às mil maravilhas em baladas românticas, em português, francês, inglês, italiano, espanhol – e outros quatro idiomas.
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Cauby! Cauby! Cauby!… e o MPB-4

Quando se junta um cantor extraordinário e um grupo vocal igualmente invulgar cria-se, com desculpas pelo lugar-comum, o chamado “momento único”. Deve ser o que ocorreu no dia em que se encontraram o cantor Cauby Peixoto e os quatro rapazes do MPB-4. Conceição (Dunga-Jair Amorim), já interpretada por Cauby não se sabe quantas vezes, foi rearmonizada e ficou como se tivesse sido composta ontem, num exercício vocal impossível a amadores. Estes, mesmo ensaiando por muito tempo, dificilmente não chegariam a um resultado desastroso. Cauby, diante da “invenção” do MPB-4, parece sentir-se como se houvesse cantado com eles a vida inteira. Quem sabe, sabe.

                                                                                                                                                                                                                                                     O.C.

LIVRO ABORDA JORNALISMO CIENTÍFICO

Estimular a socialização de conhecimento de conteúdo científico é o foco do livro “Da pesquisa para a sociedade: reflexões sobre a comunicação científica e tecnológica”, lançado recentemente pela Editus, a editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

O livro é assinado pelos professores Lisandro Diego Giraldez Alvarez, da Universidade Estadual do Sudeste Baiano (Uesb); Verbena Córdula Almeida, da Uesc; e Ana Carolina Lima Castellucio, da Faculdade Dois de Julho. Os três  – o primeiro é químico, a segunda é historiadora e a terceira é jornalista- estudaram os caminhos que devem ser trilhados pelo profissional de comunicação  para interpretar e traduzir a linguagem científica para o cidadão comum. Os autores lembram que as notícias  sobre ciência e tecnologia precisam ser apresentadas de forma criteriosa e “sem o caráter espetaculoso que empobrece o conteúdo e a qualidade da informação”.

O livro está disponível na Livraria da Editus, instalada na Biblioteca Central da Uesc, e os pedidos também podem ser feitos por e-mail ([email protected]) ou telefone (73.3680-5240). Informações sobre as publicações da Editus encontam-se no site www.uesc.br/editora.

LIVROS TRAZEM PASSADO E PRESENTE DE ITABUNA

Obras trazem passado e presente de Itabuna.

Obras trazem passado e presente de Itabuna.

Cinco livros com abordagens sobre o passado e o presente de Itabuna fazem parte de obras lançadas pela Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, a Editus.

Ensaios históricos de Itabuna: o jequitibá da Taboca, de Oscar Ribeiro Gonçalves, e Itabuna: história e estórias, de Adriana Dantas, estão entre eles. Os dois livros reúnem relatos orais de personagens do cotidiano de Itabuna.

Dentre as obras disponíveis em livrarias regionais e na Editus, também estão O centro da cidade de Itabuna: trajetória, signos e significados e De tabocas a Itabuna – um estudo histórico-geográfico,  da professora Lurdes Bertol Rocha. É também de Lurdes Bertol o livro A cidade em tela: Itabuna e Walter Moreira.

Na linha literária, há Expressões poéticas de Valdelice Pinheiro, organizado pela professora Tica Simões. O catálogo com as obras está disponível no site da Editus (www.uesc.br/editora). A compra pode ser feita pela internet no site www.livrariacultura.com.br . Pedidos podem ser feitos pelo email [email protected] ou pelo telefone 73-3680.5240.

UNIVERSO PARALELO

UM GRITO DE DOR NO ENGENHO DE SANTANA

1MejigãOusarme Citoaian | [email protected]

Mejigã e o contexto da escravidão (Editus/Uesc, organização de Ruy Póvoas) é um livro magnífico, desses que engrandecem a região, porque projetam e eternizam em letra impressa intelectuais que, em grande parte, estariam no anonimato, não fosse essa iniciativa. Os dez ensaístas reunidos na coletânea esbanjam erudição, sem perder o viés paradidático que nos facilita o entendimento. Mejigã… (nome africano de uma negra escravizada e trazida ao Engenho de Santana) é inquestionável contributo para percebermos o que foi a luta dos negros em Ilhéus e o que eles significam em nossa formação. Talvez fosse injusto fazer destaques, mas é justo salientar pelo menos dois nomes pouco reconhecidos fora dos muros da academia e que ganham visibilidade com o livro:

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Chicotadas como pagamento do trabalho

Marialda Jovita Silveira, que disserta com invulgar segurança sobre a oralidade como mecanismo de preservação dos valores do candomblé (Ritos da palavra, gestos da memória: a tradição oral numa casa ijexá), e Consuelo Oliveira, que explica, didaticamente, como numa sala de aula, as questões de saúde/doença/magia/terapêutica no candomblé, tendo como exemplo o terreiro onde Ruy Póvoas é babalorixá, em Itabuna (Ilê Axé Ijexá: lugar de terapia e resistência). Li Mejigã… como um livro político, uma história da resistência de um povo, seu sofrer e sua revolta – o registro a ferro e sangue de uma Ilhéus receptora de negros escravos, “dos quais ela cerceou a liberdade e cresceu pela força de seu trabalho, a troco de chicotadas”, como diz Ruy Póvoas.

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“Subalternizados, mas não subalternos”

Ou, na voz de Arléo Barbosa, “O Estado brasileiro foi edificado pelo negro, cuja presença é marcante em todos os aspectos da vida econômica, social, política, religiosa e cultural”. Ainda, de acordo com Kátia Vinhático e Flávio Gonçalves: “Eles [os escravizados] não se comportaram, não se sentiram e não se pensaram como subalternos. Subalternizados, inferiorizados, subestimados, sim. Não se pode dizer, no entanto, que foram subalternos, pois para isso seria necessária a aceitação dessa condição por parte deles”. Os demais textos de Mejigã…, todos de alta qualidade (não citados por falta de espaço), são de André Luiz Rosa Ribeiro, Ivaneilde Almeida da Silva, Mary Ann Mahony e Teresinha Marcis.

 

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VANDALISMO: “A DESTRUIÇÃO DO NOTÁVEL”

Com os protestos de rua em moda no Brasil democrático, abusa-se do termo “vândalo”, para caracterizar o bandido travestido de manifestante. O termo remonta a um povo do século V, que tomou e saqueou Roma, destruindo muitas obras de arte. Isto ocorreu no mês de junho, à semelhança das nossas manifestações. Por certo, a palavra “vandalismo” viria daí (“Destruição ou mutilação do que é notável pelo seu valor artístico ou tradicional”, segundo o Priberam). Nada errado em chamar esses marginais de “vândalos”, salvo a repetição exaustiva do termo, o que atesta a já sabida indigência vocabular da mídia, particularmente da tevê.
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5MonalisaNapoleão e os especialistas em saque

Os dicionários apontam alternativas para vândalo: bárbaro, selvagem, destruidor, grosseiro, violento, bruto, truculento, iconoclasta e outros. Para manter a linguagem jornalística distante das escolhas sofisticadas (comme il fault), eu empregaria para o indivíduo desse comportamento a boa e sonora palavra “bandido”. É tempo de lembrar outra curiosidade: Roma teve, em 1798, novo saque de obras de arte, desta vez por Napoleão, cujo exército tinha um grupo “especialista” em… roubar. Só os nazistas pilharam mais do que o velho Bonaparte. Mas não foi ele quem levou a Monalisa pro Museu do Louvre, como dizem as más línguas.

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DE ERROS “HISTÓRICOS” E “OCASIONAIS”

3AracyPra não dizer que só falo de espinhos
Com (talvez) irritante frequência tem esta coluna se referido a erros perpetrados contra a canção brasileira. Parece que não há exceção: de Nelson Gonçalves a Maria Betânia, de Alcione a Ângela Maria, novos e velhos vocalistas decidem alterar as letras e o fazem impunemente, como se tivessem tal direito. Há erros “históricos”, como o de Aracy de Almeida em Último desejo e Gastão Formenti em De papo pro ar (dois deslizes que foram repetidos tempos afora por outros cantores), e há os equívocos ocasionais, aqueles “próprios” de um vocalista, mas que outros não copiam. É o caso de Marisa Monte.
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7GibãoA garota não quer mais vestir “gibão”

Há dias, postamos aqui um vídeo em que ela canta O xote das meninas (Luiz Gonzaga – Zé Dantas), com uma derrapada das mais escabrosas da MPB. “Meia comprida, não quer mais sapato baixo, vestido bem cintado, não quer mais vestir timão”, diz a letra, mostrando o estado de espírito da menininha que vira moça e quer namorar. Pois a bela Marisa, sabe-se lá o motivo, canta “… não quer mais vestir gibão” – e não houve no estúdio um filho de Deus que atentasse para esta barbaridade. Timão é uma espécie de camisola; gibão até seria defensável em outro lugar, não no Nordeste): além de ser vestimenta de vaqueiro, não está no texto original. Menina vestindo gibão só mesmo na cabeça dessa gente tonta.

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QUE A SIGLA SEJA MENOR DO QUE A OBRA

Todos metem sua colher, também vou meter a minha… Calma. Invoco essa paródia de Casemiro de Abreu, que ninguém mais lê, apenas para introduzir minha escolha sobre a sigla da Universidade Federal do Sul da Bahia. É que o tema, bem ao nosso estilo de trocar o atacado pelo varejo, caminha para se tornar mais substantivo do que a própria escola. Dito o que, informo aos que desta coluna tomarem conhecimento que minha preferência não é Ufesba, Ufsulba, UFSB ou UFSBA, mas um acrônimo ainda não sugerido: UFESB. Mas, quero deixar claro, pouco importa por qual sopa de letrinhas será identificada a Escola – ela é que nos importa – mesmo chamada por qualquer nome exótico. Para ficar coerente, vamos de Alobêned, que esta coluna disse (e repete!) ser “um furacão negro, uma monarca africana”.

 (O.C.)

UNIVERSO PARALELO

BILHETE A UM JOVEM REDATOR DE JORNAL

Ousarme Citoaian | [email protected]

Em resposta a certa indagação, faço uma espécie de “carta a um jovem redator”, um bilhete, talvez. Digo-lhe: fuja do lugar-comum com a rapidez com que o Capeta corre da água benta. E tente riscar do seu vocabulário certas expressões: se lhe vier à boca “perguntar não ofende”, puxe as próprias orelhas e, enquanto elas ardem, a vontade passa. É garantido. Este método tão singelo também serve se lhe ataca um frenesi de dizer “a pergunta que não quer calar”. Não diga essa bobagem, pois você corre o risco de dirigir-se a um entrevistado inteligente (às vezes, ele é burrinho, mas o público, não). Tenha um olho na entrevista e outro no leitor, bicho decididamente no fim do ciclo de vida.

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Acalente a esperança de mudar o mundo

2RilkeOutra: nunca, jamais, em tempo algum se deixe vencer pela tentação de afirmar que tal coisa, atitude ou pessoa “faz a diferença”. Esta expressão está mais surrada do que notícia da contratação de Adriano, dito Imperador. No mais, como jornalista, conserve acesa a chama da esperança de mudar o mundo – mas antes procure mudar seu texto, em processo de contínua melhoria. Rainer Maria Rilke (1875-1926), que me soprou esta tirada, jogou duro numa de suas Cartas a um jovem poeta, dureza que transponho. “Pergunte a si mesmo, na hora mais tranquila de sua noite: ´Sou mesmo forçado a escrever?´”. Se a resposta for não, contente-se em saber que nem todos vieram ao mundo para ser jornalistas.

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“A aprendizagem é uma longa clausura”

Chamado a redigir anúncios (isto há de ocorrer, cedo ou tarde) não deixe que o cliente enxerte no texto coisas do tipo “ligue agora, está esperando o quê?” ou, esta, também abominável: “a prestação cabe no seu bolso”. Se ele insistir, desista: vá-se o cliente, fique a qualidade. Lembre-se de que você não é casa de tolerância, onde quem paga tem todos os direitos. Voltemos ao velho Rilke: “Pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar, têm que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar, mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura”. Troque amar por escrever e… boa sorte.

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DE HISTÓRIA, POESIA E AFRODESCENDÊNCIA

4O quibe no tabuleiro da baianaIntegrada ao seu tempo, a Editus, Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, acaba de entrar para o contemporâneo segmento dos livros digitais. Já estão disponíveis para leitura na maquininha três autores antes editados em papel: Ruy Póvoas (Versorreverso, Itan de boca a ouvido, A fala do santo e Itan dos mais velhos), Maria Luísa Silva Santos (O quibe no tabuleiro da baiana) e Antônio Lopes (Solo de tromboneditos & feitos de Alberto Hoisel). É só clicar e ler, sem mais desculpas, pois é de graça feito o ar que se respira. Sem trombetas ou megafones, confetes ou serpentinas, a Editus abre caminho para um excelente programa de leitura.
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“Meu sorriso, meu olhar, minhas mãos”
De Ruy Póvoas, escritor de méritos reconhecidos e ser humano sabidamente bom, nobre e justo, vai aqui o poema “Repetição”, pescado em Versorreverso: “Já te disse tudo. # Disse com meu sorriso,/ disse com meu olhar,/disse com minhas mãos,/ disse com meu cantar. # Disse com minhas crises,/ disse com os meus textos,/ disse com o meu corpo,/ disse com o coração. # Disse com minha glória,/ disse  com minha história,/ disse com o meu medo,/ disse com devoção.# Disse com minha alma,/ disse com minhas dores,/ disse com meus temores,/ disse com minha calma,/ disse com meu sofrer. # Agora, fico calado,/ mas até o meu silêncio/ é outra forma de dizer”.

(ENTRE PARÊNTESES)

6 MarcosTenho em mãos os originais do último livro de Marcos Santarrita (1941-2012), À sombra dos laranjais. Versado em romance histórico (fez, nesta linha, Mares do sul e Ilha dos trópicos – além de uma trilogia sobre a ditadura militar), o autor agora ambienta sua narrativa na Guerra do Paraguai. Tendo entre os personagens figuras como Caxias, Osório, D. Pedro II e Solano López, Santarrita desfia uma história de amor e guerra, sexo, espionagem e traição. Resultado de exaustiva pesquisa, o texto reconstitui usos e costumes da época, tendo até diálogos em guarani. À sombra… é o oitavo romance de Marcos Santarrita.

“NEGRA, POBRE, PROSTITUÍDA E DROGADA”

7 Billie e PrezEsqueçam o que eu escrevi. Lembram-se desta frase de famoso presidente? Tomo-a emprestado, noutro contexto, para mudar explicação aqui dada a respeito do registro, em 1958, de Fine and mellow, por Billie Holiday com um grupo all stars. Descrição muitíssimo melhor do que a minha é a de Sylvia Fol, em Billie Holiday (Coleção Biografias L&PM Pocket, tradução de Williams Lago/2010). É a pungente história de uma mulher negra, pobre, prostituída, drogada, de voz lânguida e vigorosa, que influenciou centenas de vocalistas. Não só sinônimo de jazz, Billie é também um caminho para a liberdade. A seguir, o texto de Mrs. Fol, em tradução livre.
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Para “Prez”, um olhar inesquecível

“Billie escuta os solos dos três melhores saxofonistas tenores da era do swing com reações diferentes. Cheia de boa vontade para com Ben Webster, plena de admiração com Coleman Hawkins. Marcando o ritmo, um vago sorriso erra sobre seus lábios, seus olhos se entristecem… Depois, Lester Young, parecendo extenuado e doente, se levanta, volta o rosto inchado para Billie, os olhos são fendas sem vida. Toca, com ar distante, mas seu solo, expressivo e sensual, é de uma nostalgia perturbadora, como se seu último suspiro fosse inspirado por essa mulher tão amada… Billie cobre ´Prez´ com um olhar inesquecível, cheio de bondade, ternura e reconhecimento”. Eu que agradeço.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

PROFESSOR ILHEENSE VAI PRESIDIR A ABL

Ousarme Citoaian | [email protected]

1ABL“A noite da última quinta-feira, 14, foi marcada pela retomada das atividades da Academia Brasileira de Letras e posse da nova diretoria, que será presidida pelo professor Josevandro Nascimento. Durante o evento, que contou com a presença do prefeito Jabes Ribeiro, foram prestadas homenagens póstumas ao poeta baiano Castro Alves, que nasceu na mesma data da solenidade”, dizia a notícia lida em respeitável blog. “Ora, vejam só!”, pensei de olho nos botões da blusa: “Um ilheense presidindo a Casa de Machado de Assis!” – e quase saí aos gritos e pulos, tomado dum agudo e justificado frenesi bairrístico.

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Castro Alves acaba de nascer, aleluia!

Mas, macaco antigo das redações, mantive minhas dúvidas e, como diriam os juristas, fui às provas: consultei dezesseis (!) blogs e dois importante jornais diários de Itabuna (os nomes não declino, mas adianto que o meu blog preferido, um que não gosta de molho agridoce, não está na lista). No entanto lhes digo, por ser rigorosamente verdadeiro, que os dezesseis veículos deram a notícia, fazendo do referido professor presidente da ABL – e criando uma barrigada monumental. Solidário, esperei uma semana pelo desmentido, que não veio; então, de alma lavada, enxaguada e embandeirada, comemoro publicamente o evento, pois não é toda hora que temos um ilheense a presidir o grande sodalício.

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O dia em que “mataram” Edivaldo Brito

E aquela parte que diz ter Castro Alves nascido “na mesma data da solenidade” me levou às lágrimas: é imenso privilégio ter aqui o Poeta dos Escravos bebezinho, em fraldas, nascido no dia 14 de março deste ano – mudando o curso da história. Falemos sério: a mídia contribui para a desinformação (e neste caso, o ridículo), ao publicar notinhas de assessoria sem submetê-las a copidesque, revisão e edição. O lastimável texto da prefeitura de Ilhéus foi replicado ipsis litteris, com erros gritantes, a ponto de dar o palestrante Edivaldo Brito como patrono da ABL – o que significa estar o mesmo morto e sepultado há, no barato, 120 anos. É demais pra minha paciência.

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COMILANÇA, OU O CASO DOS 3.600 PRATOS

4Comilança
Conhecido restaurante de Itabuna faz uma divulgação em que oferece “mais de 60 variedades de pratos”, num claro atentado à boa linguagem. O texto só pode ser salvo pelo cinismo daqueles para quem o importante é que a mensagem seja entendida. Eu entendi que a casa oferece “uma diversidade superior a 60 pratos”, só que isto não está dito em língua portuguesa. Como foi posto, o reclame gastronômico põe à disposição (há quem prefira “disponibiza”, argh!) 60 variedades multiplicadas por 60 pratos: 3.600 ofertas. Quer dizer: se o cliente quiser um churrasquinho de gato, por exemplo, será chamado a optar entre 60 tipos diferentes. Mesmo com o exagero a que a publicidade se dá direito, contenhamo-nos.
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Estupidez elevada à quarta potência

Tautologias à parte, a indigência vocabular da mídia tem mostrado disparates a todo momento, a ponto de sepultar termos consagrados pelo uso, em benefício de “novidades”. Vejam que, no noticiário policial, não mais existe a palavra “bala”, trocada por “munição”. Troca malsã: bala é munição, mas munição nem sempre é bala: um é termo genérico; o outro, específico. O pior é quando um repórter mais ignorante pouquinha coisa, diz que “a polícia apreendeu várias munições”. Esta palavra, se lhe cabe o uso, fica bem no singular; quando empregada no plural, em lugar de “balas”, temos um estranho caso de estupidez elevada à quarta potência. Ou, para quem prefere a medicina à matemática, um quadro de asnice recidivante.

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(ENTRE PARÊNTESES)

6Estória de facão e chuvaPermitam-me o pequeno anúncio: o livrinho Estória de facão e chuva (de 2005), esgotado, acaba de ter sua 2ª edição, por nímia gentileza da Editus (Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz), tendo Rita Virgínia Argolo à frente. O pequeno volume (184 páginas) reúne 35 crônicas e dois discursos, sendo um deles de Hélio Pólvora, na Academia de Letras de Ilhéus, em 2001. A professora Maria Luiza Nora, na apresentação de Estória… diz que o autor “com sua escrita, nos descomplica, nos tira aquela pose que pode estar querendo se instalar, nos humaniza a ponto de darmos boas risadas de nós mesmos, e risadas de deboche, o que é melhor”. O autor, cativo, agradece.

BARDOT E DENEUVE – REALIDADE  E LENDA

7Catherine DeneuveCanções com uma história real a sustentá-las são corriqueiras. Mas algumas conseguem se debater entre a realidade e a lenda, sem que nós, ouvintes distantes da cena da gênese, saibamos a verdade. É o caso de Belle de jour (sic), momento romântico de Alceu Valença, que é cercado por essa magia do sim e do talvez. Dizem que Alceu estava num café, em Paris (mas já pra lá de Bagdá), quando lhe surgiu à frente Catherine Deneuve e, com ela a lembrança do filme Belle du jour: ali mesmo ele escreveu a canção, para depois descobrir que não vira La Deneuve, mas Brigitte Bardot! Outros falam de incerta moça que caminhava todas as tardes na praia da Boa Viagem, no Recife, e que se afogou…
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O sotaque de Alceu nem a Sorbonne tira

Claro que a versão de que a letra foi inspirada no filme de Buñuel não interessa, por ser muito óbvia, pouco instigante. E também não faltam os psicólogos de mesa de bar, a explicar que “azul” é referência a heroína (a bela estaria, nesta visão, chapada!), enquanto a Boa Viagem teria duplo sentido: não seria apenas a praia, mas também aquela “boa viagem” patrocinada pela droga (“A belle de jour no azul viajava…”). O artista não esclareceu a dúvida, preferindo reforçar o mito de que a canção foi feita num bar parisiense, quando ele, doidão da silva, teve um delírio e viu… sabe Deus quem! Eu gosto mesmo é do francês de Alceu: o accent pernambucano de São Bento do Una nem a Sorbonne tira. Graças a Deus.

(O.C.)

camara itabuna






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